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FACULDADE ANHANGUERA CURSO DE DIREITO Kamille Fernandes Marinho – 326343520560 Trabalho de Direito Processual Penal RIO DE JANEIRO Maio/2026 SITUAÇÃO PROBLEMA João Ferreira foi denunciado pelo Ministério Público pela suposta prática do crime de furto qualificado pelo concurso de pessoas (art. 155, §4°, IV, CP). Recebida a denúncia pelo juízo da 2ª Vara Criminal da Comarca Alfa, foi regularmente instaurada a ação penal. Durante a instrução: . A defesa requereu a oitiva de uma testemunha considerada essencial, a qual foi indeferida pelo magistrado sob o fundamento de que seria "protelatória". . Encerrada a instrução, o Ministério Público requereu a condenação. . A defesa sustentou insuficiência probatória. Na sentença, o juiz: 1. Condenou João pelo crime imputado: 2. Fixou a pena em 5 anos de reclusão, em regime inicial semiaberto: 3. Indeferiu o pedido de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos: 4. Fundamentou a decisão com base, inclusive, em um depoimento policial colhido apenas na fase inquisitorial. Intimada da sentença, a defesa: . No prazo legal, interpôs recurso, mas o fez por meio de "recurso em sentido estrito", alegando nulidade da sentença por cerceamento de defesa e insuficiência de provas. O juiz: . Recebeu o recurso como apelação, com fundamento no princípio da fungibilidade recursal. O Ministério Público, por sua vez: . Não recorreu da sentença no prazo legal. Remetidos os autos ao Tribunal de Justiça, a defesa apresentou razões recursais reiterando: . nulidade por indeferimento de prova: . impossibilidade de condenação com base em elementos do inquérito: . pedido de absolvição ou, subsidiariamente, redução da pena. Ao julgar o recurso, o Tribunal: 1. Afastou a preliminar de nulidade: 2. Manteve a condenação. 3. Aumentou a pena para 6 anos de reclusão, sob o fundamento de que a pena-base havia sido fixada abaixo do adequado. Intimada do acórdão, a defesa opôs embargos de declaração, alegando: . Omissão quanto à análise do indeferimento da testemunha. . Contradição na fixação da pena. . Os embargos foram rejeitados. Com base na legislação processual penal (Código de Processo Penal) e na dogmática dos recursos: Elabore um texto dissertativo argumentativo enfrentando, de forma fundamentada: 1. O recurso cabível contra a sentença condenatória e a adequação (ou não) do recurso interposto pela defesa: 2. A aplicação do princípio da fungibilidade recursal no caso concreto: 3. Os efeitos do recurso interposto, também quanto à devolutividade e à possibilidade de reexame da matéria: 4. A legalidade da atuação do Tribunal ao majorar a pena, diante da ausência de recurso do Ministério Público; 5. O cabimento e a função dos embargos de declaração no processo penal, no contexto apresentado: 6. Eventuais nulidades processuais decorrentes: ➤ Do indeferimento da prova: ➤ da utilização de elementos do inquérito policial na sentença. Fundamente sua resposta com indicação dos dispositivos legais pertinentes do CPP e demais normas aplicáveis. R: O processo penal brasileiro é governado por garantias constitucionais que restringem a capacidade punitiva do Estado e garantem a conformidade dos atos processuais. No caso em questão, a decisão condenatória proferida pelo juiz singular desafiava, fundamentalmente, a apresentação de um recurso de Apelação, conforme explicitamente estipulado no artigo 593, inciso I, do Código de Processo Penal. Apesar de a defesa ter cometido um erro técnico ao apresentar Recurso em Sentido Estrito, um recurso com hipóteses taxativas que não inclui sentenças condenatórias, o juiz de primeira instância agiu de maneira adequada ao aplicar o princípio da fungibilidade recursal, estabelecido no artigo 579 do mesmo diploma legal. Essa aceitação foi possível porque o recurso inadequado foi protocolado dentro do prazo de cinco dias, comum a ambas as espécies recursais. Isso evitou a preclusão temporal e a má-fé, assegurando o direito constitucional ao duplo grau de jurisdição. Após o envio dos autos ao Tribunal de Justiça, a atuação da corte ficou restrita aos limites da devolutividade recursal e às garantias fundamentais do réu. Nas razões apresentadas, a defesa restringiu sua argumentação à nulidade em razão da negativa de prova, à impossibilidade de condenação fundamentada no inquérito e aos pedidos de absolvição e diminuição da pena. Nesse contexto, o Tribunal cometeu uma evidente ilegalidade ao aumentar a pena de João para seis anos de reclusão, sob a justificativa de que a pena-base havia sido estabelecida abaixo do apropriado. Como o Ministério Público não recorreu da sentença dentro do prazo legal, a decisão se tornou definitiva para a acusação. Em sede de recurso exclusivo da defesa, a reformatio in pejus é estritamente proibida, conforme o artigo 617 do Código de Processo Penal, que veda o agravamento da situação do réu sem a necessária intervenção do órgão acusatório. Em face do acórdão que confirmou a condenação e aumentou a pena de forma ilegal, os Embargos de Declaração são o recurso processual adequado para a defesa, com base no artigo 619 do código de processo penal, devendo ser apresentados no prazo de dois dias. A principal função desse recurso horizontal é corrigir falhas de omissão, contradição, obscuridade ou ambiguidade na decisão colegiada. No caso exposto, os embargos são cabíveis para corrigir a omissão do Tribunal, que não examinou adequadamente o pedido de defesa relacionado à rejeição da testemunha. Além disso, servem para eliminar a contradição e a ilegalidade evidente na dosimetria da pena, solicitando-se os efeitos infringentes para restabelecer, pelo menos, o nível determinado na sentença. Por fim, o processo está repleto de nulidades que o Tribunal deveria ter reconhecido. A negativa de ouvir uma testemunha tida como fundamental pela defesa, com o argumento genérico de que seria uma medida protelatória, caracteriza um cerceamento evidente de defesa, infringindo o artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Isso resulta na nulidade absoluta prevista no artigo 564, inciso IV, do Código de Processo Penal. Além disso, o juiz de primeira instância baseou o decreto condenatório em um depoimento policial obtido apenas durante a fase de investigação. Essa prática infringe diretamente o artigo 155 do Código de Processo Penal, que proíbe o juiz de fundamentar sua decisão apenas nos elementos informativos obtidos durante a investigação. Como esse elemento informativo não foi submetido ao processo judicial sob o princípio do contraditório e da ampla defesa, a decisão carece de uma fundamentação válida, tornando necessário o reconhecimento das nulidades processuais aqui expostas. image1.jpg