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AO JUÍZO DO JUIZADO CRIMINAL DA COMARCA DE BELO HORIZONTE – MG CARLOS HENRIQUE ALMEIDA, jornalista e professor universitário, residente em Belo Horizonte/MG, por intermédio de seu advogado regularmente constituído, conforme procuração com poderes especiais, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fundamento nos artigos 30 e 41 do Código de Processo Penal e nos arts. 138,139,141, III e §2° e 145 do Código Penal, oferecer a presente: QUEIXA-CRIME em face de ROBERTO NUNES, influenciador digital, demais qualificações a serem obtidas no curso da instrução, pelos fatos e fundamentos jurídicos a seguir expostos. I – DOS FATOS O querelante é um jornalista e professor universitário respeitado, ativo em Belo Horizonte/MG. No desempenho habitual de sua profissão, publica artigos em plataformas digitais de ampla audiência. No dia 15 de setembro de 2025, durante a transmissão ao vivo de um podcast hospedado na plataforma de vídeos “StreamPlay”, o Querelado, Roberto Nunes, influenciador digital de expressivo alcance, proferiu ofensas gravíssimas contra a reputação profissional do Querelante. Na ocasião, o Querelado afirmou publicamente que Carlos Henrique seria “um charlatão travestido de acadêmico”, “alguém que manipula dados para enganar o público” e que “vive de fraudes intelectuais”. Tais declarações permaneceram gravadas, disponíveis ao público e foram amplamente compartilhadas em redes sociais. O Querelante tomou conhecimento dessas declarações e da autoria do fato na mesma data (15/09/2025), por meio de amigos, ocasião em que também teve acesso ao perfil/currículo do Querelado na plataforma mencionada. Posteriormente, no dia 25 de setembro de 2025, o Querelado publicou outro vídeo em seu canal pessoal, reiterando sua conduta desrespeitosa e ilícita. Nesta ocasião, além de reforçar as acusações anteriores, atribuiu falsamente ao Querelante a prática do crime de estelionato (art. 171 do Código Penal), alegando que Carlos Henrique “deveria ser investigado criminalmente por estelionato”. O querelante ficou ciente da divulgação do segundo vídeo no mesmo dia em que foi publicado É importante ressaltar que o Querelante nunca respondeu a nenhum processo criminal, possui antecedentes ilibados e nunca foi objeto de investigação policial por estelionato ou qualquer outro delito. Não há nenhum inquérito policial ou boletim de ocorrência registrado em seu nome. As falsas alegações afetaram diretamente a honra objetiva e a reputação profissional do Querelante, resultando no cancelamento de convites para palestras e na perda de contratos acadêmicos. O Querelado foi notificado extrajudicialmente em 29 de setembro de 2025, mas se recusou a se retratar de forma voluntária. II – DO DIREITO 1. Do crime de calúnia – Artigo 138 do Código Penal Ao afirmar que o querelante deveria ser investigado por estelionato, imputando-lhe falsamente a prática de fato definido como crime, o querelado praticou o delito de calúnia, previsto no artigo 138 do Código Penal. A imputação é falsa, uma vez que Carlos Henrique jamais foi investigado ou processado pelos fatos mencionados. 2. Do crime de difamação – Artigo 139 do Código Penal As afirmações de que o querelante seria “charlatão”, manipulador de dados e alguém que vive de “fraudes intelectuais” atingiram diretamente sua reputação perante terceiros, prejudicando sua imagem profissional. Assim, resta caracterizado o crime de difamação, previsto no artigo 139 do Código Penal. 3. Do concurso material de crimes – Artigo 69 do Código Penal As condutas configuram crimes distintos, praticados mediante manifestações autônomas, devendo incidir o concurso material, nos termos do artigo 69 do Código Penal. 4. Da causa de aumento de pena – Artigo 41 do Código Penal As ofensas foram praticadas e divulgadas por meios digitais, com grande potencial de disseminação e compartilhamento público. Dessa forma, deve ser aplicada a causa de aumento prevista no artigo 141 do Código Penal, considerando a ampla divulgação das ofensas por meio da internet e redes sociais. 5. Da inexistência de retratação O querelado foi formalmente notificado extrajudicialmente e, mesmo assim, não se retratou pelas declarações ofensivas. Portanto, não há qualquer causa que possa afastar sua responsabilização criminal. 6. Da tempestividade e legitimidade A presente ação penal é de iniciativa privada (art. 145 do CP), sendo o Querelante parte legítima para figurar no polo ativo da relação processual. Quanto à tempestividade, o art. 103 do Código Penal e o art. 38 do Código de Processo Penal estabelecem o prazo decadencial de 6 (seis) meses para o exercício do direito de queixa, contados do dia em que a vítima vem a saber quem é o autor do crime. Tendo o Querelante tomado conhecimento dos fatos e de sua autoria nas datas de 15/09/2025 e 25/09/2025, o ajuizamento da presente peça nesta data (janeiro de 2026) atende plenamente ao requisito temporal legal. III – DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer: a) o recebimento da presente QUEIXA-CRIME; b) a citação do querelado ROBERTO NUNES para responder aos fatos imputados; c) A execução dos atos processuais indispensáveis, incluindo a oitiva dastestemunhas a serem indicadas no momento adequado; d) No final, a sentença de ROBERTO NUNES pela execução dos delitos previstos nos artigos 138 e 139, em conjunto com o artigo 141, III, do Código Penal, conforme estipula a legislação; e) a produção de todos os meios de prova admitidos em direito; f) A condenação do querelado ao pagamento das custas processuais e outras penalidades legais. Termos em que, Pede deferimento. Belo Horizonte/MG, 6 de Janeiro de 2026. Advogado OAB/___ nº ___