Logo Passei Direto
Buscar

PEÇA 5 0

Ferramentas de estudo

Mês do Cliente Passei Direto

Quer receber 70% de desconto para assinar o PasseIA?

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

AO JUÍZO DA VARA DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE DA COMARCA DE WESTEROS - ESSOS
 
Tramitação prioritária 
Ref. IC n. 2023/007 
O MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DE ESSOS, por intermédio do(a) 
Promotor(a) de Justiça infra-assinado(a), com atribuição na área da Educação, vem à presença de Vossa Excelência para, nos termos dos artigos 127 e 129, inciso II, ambos da Constituição Federal; 25, inciso IV, alínea a, da Lei nº 8.625/93; 103, inciso VIII, da Lei Complementar Estadual nº 734/93 , e 201, incisos V e VIII, do Estatuto da Criança e do Adolescente, e demais dispositivos legais atinentes ao tema, propor AÇÃO CIVIL PÚBLICA COM PRECEITO COMINATÓRIO DE OBRIGAÇÃO DE FAZER em face do MUNICÍPIO DE WESTEROS, pessoa jurídica de direito público interno, com sede administrativa na Prefeitura Municipal, situada na Rua da Coroa, nº 1, Centro, nesta Comarca, representada pelo Senhor Prefeito Municipal Robert Baratheon (vide artigo art. 75, III do Código de Processo Civil), o que faz com base nos elementos contidos no procedimento administrativo nº 2023/007, que tramita nesta Promotoria e pelas razões de fato e de direito a seguir aduzidas. 
1. DA COMPETÊNCIA ABSOLUTA DESSE JUÍZO PARA CONHECER DA MATÉRIA 
Em resumo, a proposta busca obter tutela jurisdicional para assegurar a disponibilidade de vagas na educação infantil (creche e pré-escola) para crianças.
de 0 a 5 anos, em razão da falta de atendimento por parte do município requerido e da escassez de vagas. 
Nesse contexto, a competência absoluta para julgar o caso é deste respeitável Juízo da Infância e da Juventude, sendo vedado a qualquer outro juízo o conhecimento da matéria, sob risco de nulidade absoluta da relação processual. 
Nesse sentido, e considerando os artigos 148, inciso IV, e 209 do ECA, a jurisprudência já consolidou o entendimento de que é competência exclusiva do Juízo da Infância e da Juventude as questões relacionadas ao direito à saúde e à educação de crianças e adolescentes, independentemente de o menor estar em situação de risco ou abandono. Esse é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, que, de maneira mais incisiva e específica, consolidou a tese estabelecida no Tema Repetitivo 1.058 (REsp 1.846.781-MS), nos seguintes termos: “A Justiça da Infância e da Juventude possui competência exclusiva para processar e decidir casos relacionados à matrícula de crianças em creches ou escolas, conforme os artigos. 148, IV, e 209 da Lei 8.069/90”, conforme proposto aqui.
2. DA LEGITIMIDADE ATIVA DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
O artigo 127 da Constituição Federal atribuiu ao Ministério Público a responsabilidade de zelar pelo respeito aos direitos sociais e individuais indisponíveis. Por sua vez, o inciso II do artigo 129 do mesmo Diploma estabelece como função institucional a defesa do efetivo respeito dos Poderes Públicos e dos serviços de relevância pública aos direitos garantidos na Constituição, adotando as medidas necessárias para sua proteção. 
Além disso, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) estabelece que é dever do Ministério Público defender os direitos e garantias legais assegurados a crianças e adolescentes, adotando as medidas judiciais e extrajudiciais apropriadas. 
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça já pacificou o tema, o qual reconhece ser responsabilidade do Parquet mover Ação Civil Pública para assegurar o direito de crianças até seis anos de idade a creche e pré-escola. De tudo, fica claro que o Ministério Público tem legitimidade ativa para a presente propositura.
3. DA LEGITIMIDADE PASSIVA DO MUNICÍPIO 
A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional garantem o direito à educação infantil. Esse sólido quadro normativo estabelece ao Município o dever de “proporcionar a educação infantil em creches e pré-escolas” (artigo 11 da Lei 9.394/96). 
Assim, se o Município não cumpre o mandamento constitucional ou oferece educação de qualidade insuficiente, o Poder Judiciário deve exigir que ele cumpra suas obrigações de forma adequada, sem que isso constitua uma violação da separação dos poderes. A jurisprudência nacional é unânime ao afirmar que não há interferência Inadequada a intervenção do Judiciário ao obrigar o Executivo a cumprimento de deveres constitucionais e legais, quando há omissão do gestor público. O direito à educação não está dentro dos atos discricionários da administração pública.
4. DOS FATOS - AS APURAÇÕES ACERCA DO DÉFICIT DE VAGAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL POR PARTE DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
 O inquérito civil n. 2023/007 foi aberto há dois anos para investigar a falta de vagas em creches e na educação infantil na comarca de Westeros. Essa decisão foi tomada após esta Promotoria de Justiça receber diversas queixas de pais e responsáveis, incluindo a Sra. Daenerys Targaryen e o Senhor Jon Snow, que enfrentavam dificuldades para matricular seus filhos na escola pública. 
 Durante o andamento do inquérito civil, procurou-se investigar as informações a respeito da falta de vagas, exigir uma solução para a questão e demandar que o Município assegurasse o direito de todas as crianças de zero a cinco anos, tanto as que estão em lista de espera quanto as que não estão, de serem admitidas em creches e pré-escolas municipais. O Ministério Público exigiu ações em relação à ampliação de vagas, seja por meio da construção de novas unidades ou pela expansão das unidades já existentes. 
Contudo, desde o começo do inquérito civil, o Município de Westeros, sob a administração do Prefeito Robert Baratheon, não tomou as medidas necessárias para atender às demandas das crianças que estão sem vagas. A administração municipal se restringe a oferecer justificativas vagas de “restrições orçamentárias” e “cumprimento do planejamento administrativo”. 
Na mais recente atualização fornecida pela Secretaria Municipal de Educação, liderada pela Sra. Cersei Lannister, foi entregue uma lista contendo 215 crianças que aguardam uma oportunidade nas creches e escolas da cidade. Considerando a posição
Assumido pela Administração Municipal e da condução do processo por dois
Anos sem solução, não há outro caminho viável para garantir o direito fundamental à educação a não ser recorrer ao Poder Judiciário.
5. DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA - DO DIREITO À CRECHE E À PRÉ-ESCOLA 
Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, o direito à educação foi reconhecido como um direito social (artigo 6º) e, como consequência, recebeu a condição de direito fundamental com aplicabilidade imediata. No Tema de Repercussão Geral nº 548, o Supremo Tribunal Federal declarou que a educação infantil (0 a 5 anos) é um direito fundamental de todas as crianças, garantido por disposições constitucionais de eficácia plena. Além disso, o Poder Público tem a obrigação legal de garantir a plena efetividade dessas disposições.
 O artigo 208, IV, da Constituição Federal estabelece que é obrigação do Estado assegurar “educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até 5 (cinco) anos de idade”. De maneira semelhante, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) determina em seu artigo. 54, IV, que é obrigação do Estado garantir o “atendimento em creche e pré-escola para crianças de zero a cinco anos”.
 A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei n.º 9.394/96) atribui explicitamente aos Municípios a responsabilidade de “proporcionar a educação infantil em creches e pré-escolas” (art. 11, V). Se o governo não assegura esse direito, está violando uma obrigação prevista na Constituição. A presença de listas de espera fere diretamente o direito fundamental à educação. 
Se não for possível matricular as crianças na rede pública de imediato, o pagamento, pelo Poder Público, de mensalidades em instituições privadas representa Meio legítimo para dar efetividade à obrigação constitucional, bem como a garantia de transporte sem custo caso a vaga seja oferecida a uma distância maior que 2 km da casa da criança.
6. DA LIMINAR DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA 
De acordo como artigo 213, §1º, do Estatuto da Criança e do Adolescente, sempre que houver relevância no fundamento da demanda e justificado receio de ineficácia do provimento final, poderá ser concedida tutela liminarmente. 
No que diz respeito ao relevante fundamento da demanda, ou fumus boni iuris, sua constatação é inegável. O direito subjetivo ao atendimento em creche e pré-escola é garantido tanto pela Constituição Federal quanto pela legislação ordinária. A própria Prefeitura de Westeros admite a falha, a ponto de ter enviado a ‘lista de espera’ contendo 215 crianças (DOC. 01). 
Em relação ao periculum in mora, se o atendimento for adiado para o final do processo, os titulares do direito sofrerão diversos prejuízos, uma vez que o acesso à educação infantil é fundamental para o desenvolvimento de suas habilidades sociais, cognitivas e motoras. Negar a vida e a saúde de crianças e adolescentes é tão grave e inaceitável quanto violar seu direito à educação. 
Diante do exposto, com base no artigo 213, §1º, do ECA, solicita-se a Vossa Excelência que a LIMINAR necessária seja DEFERIDA, inaudita altera parte, para que o Município de Westeros seja obrigado, no prazo máximo de trinta dias, a garantir de maneira regular creche e pré-escola para todas as crianças que estão na lista de espera, em estabelecimentos públicos ou, caso não seja possível, em estabelecimento privado custeado pela Fazenda Pública Municipal. Também se solicita que, caso não haja vagas disponíveis em uma unidade próxima (a uma distância máxima de 2 km da residência), ofereça transporte gratuito.
Conforme o artigo 213, §2º, do mesmo Estatuto, solicita-se a imposição de uma multa diária, em quantia a ser determinada por Vossa Excelência, pelo descumprimento da obrigação em relação a criança não atendida, valor que deverá ser encaminhado ao Fundo Municipal dos Direitos infanto juvenis.
 
7. DOS PEDIDOS 
Diante do exposto, requer-se a Vossa Excelência: 
a) A concessão de medida liminar para que o Município de Westeros seja obrigado, no prazo máximo de trinta dias, a matricular e oferecer de maneira regular creche (até três anos) e pré-escola (de quatro a cinco anos) para todas as 215 crianças que estão na lista de espera, em instituições públicas ou, caso não seja possível imediatamente, em instituição privada às custas do Município; disponibilizando, se a vaga estiver em um local que fique a mais de 2km da residência, transporte gratuito, tudo sob pena de multa diária no valor a ser determinado por Vossa Excelência, por cada criança não atendida; incluindo no atendimento as crianças que vierem a solicitar vagas Ao longo do processo;
b) A citação ao MUNICÍPIO DE WESTEROS, representado por seu Prefeito, Sr. Robert Baratheon, para, se desejar, contestar a ação em curso, sob pena de revelia;
c) Ao final, a AÇÃO CIVIL PÚBLICA é considerada PROCEDENTE, resultando na condenação do MUNICÍPIO DE WESTEROS a cumprir a obrigação de matricular e garantir de maneira regular e definitiva creche e pré-escola para todas as crianças que estão na lista de espera, bem como para todas as demais de até cinco anos que venham a solicitar vagas no futuro, confirmando-se os termos da liminar solicitada;
d) A condenação do réu ao pagamento de taxas e despesas judiciais.
Comprovará o afirmado por todos os meios de prova legalmente permitidos, principalmente pelos documentos anexados à petição inicial.
Para fins de alçada, atribui-se à causa o valor de R$ * (valor estabelecido).
 
Westeros, data. 
 
Assinatura / Promotor(a) de Justiça 
Público 
	2 
Público 
	2 
Público

Mais conteúdos dessa disciplina