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SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA FUNDIÇÃO SISTEMA DE ENCHIMENTO Iberê Roberto Duarte JOINVILLE JULHO/2011 SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 2 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA SUMÁRIO 1 CONCEITO ............................................................................................................... 4 1.1 FUNÇÕES DOS CANAIS ...................................................................................... 4 2 NOÇÕES DE MECÂNICA DOS FLUIDOS .................. ............................................ 4 2.1 PRINCÍPIO DE BERNOULLI ................................................................................. 4 2.2 TURBULÊNCIA E O NÚMERO DE REYNOLDS ................................................... 5 2.3 LEI DA CONTINUIDADE ....................................................................................... 7 2.3.1 Vazão gravimétrica ............................................................................................. 8 2.3.2 Vazão volumétrica .............................................................................................. 8 3 RELAÇÃO DE ÁREAS ................................ ............................................................ 9 3.1 SISTEMA CONVERGENTE .................................................................................. 9 3.2 SISTEMA DIVERGENTE ....................................................................................... 9 3.3 RELAÇÕES DE ÁREAS E AS LIGAS ................................................................... 9 4 CÁLCULO DA ÁREA DA SEÇÃO DE CHOQUE .............. .................................... 10 4.1 DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE ENCHIMENTO ............................................. 13 4.2 DETERMINAÇÃO DA ALTURA EFETIVA DO SISTEMA DE CANAIS................ 17 5 FUNIL E BACIA DE VAZAMENTO ...................... .................................................. 19 6 CANAL DE DESCIDA ................................ ............................................................ 21 7 ORIENTAÇÕES GERAIS PARA O DESENHO DOS CANAIS .... .......................... 23 8 SISTEMA DE CANAIS PARA LIGAS DE ALUMÍNIO ........ ................................... 27 9 SISTEMA DE CANAIS PARA FERRO FUNDIDO NODULAR .... .......................... 31 9.1 LIMPEZA DO METAL .......................................................................................... 31 9.2 PANELAS ............................................................................................................ 31 9.3 TEMPERATURA DE VAZAMENTO .................................................................... 31 9.4 RECOMENDAÇÕES PARA OS CANAIS ............................................................ 32 9.5 TEMPO DE ENCHIMENTO ................................................................................. 32 9.6 ALTURA EFETIVA DE VAZAMENTO ................................................................. 33 9.7 ÁREA DA SEÇÃO DE CHOQUE ......................................................................... 33 9.8 BACIA DE VAZAMENTO ..................................................................................... 34 9.9 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ATAQUES ......................................................... 34 10 SISTEMA DE CANAIS PARA AÇOS FUNDIDOS ........... .................................... 35 10.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS ............................................................................. 35 10.2 CANAIS DE DESCIDA ...................................................................................... 36 10.3 CANAIS DE ATAQUE........................................................................................ 37 10.4 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO ............................................................................. 38 11 SISTEMA DE CANAIS VERTICAIS PRESSURIZADOS ...... ............................... 40 11.1 FATOR DE PERDAS ......................................................................................... 41 11.2 CALCULO DA ÁREA DA SEÇÃO DE ATAQUE ................................................ 43 11.3 FLUXO DO METAL NO SISTEMA DE CANAIS PRESSURIZADO ................... 44 11.4 SEQÜÊNCIA DE ENCHIMENTO DO MOLDE .................................................. 46 11.5 OBSERVANDO A SEQUENCIA DE ENCHIMENTO DA CAVIDADE ................ 46 11.6 NOMOGRAMA PADRÃO .................................................................................. 48 11.7 PESO DA PEÇA ................................................................................................ 48 SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 3 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 11.8 TEMPO DE VAZAMENTO ................................................................................. 49 11.9 ALTURA METALOSTÁTICA .............................................................................. 50 11.10 EXEMPLO DE UM DIMENSIONAMENTO ...................................................... 50 11.10.1 Distribuição na placa modelo ........................................................................ 50 11.10.2 Dimensionamento dos ataques .................................................................... 53 11.10.3 Dimensionando os canais primários ............................................................. 54 11.10.4 Copo de vazamento...................................................................................... 57 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 59 SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 4 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 1 CONCEITO Sistemas de enchimento são dutos ou canais com a finalidade de conduzir o metal líquido até a cavidade do molde correspondente a peça, limpo e na temperatura adequada para produzir uma peça com qualidade. Os sistemas de canais devem evitar a entrada de escórias, produzirem erosões e formação de óxidos. O tempo de enchimento é uma variável que é controlada pelo sistema de enchimento. 1.1 FUNÇÕES DOS CANAIS Segundo Mariotto, Albertin e Fuoco (1987) o sistema de enchimento para peças na fundição em geral apresentam as seguintes funções: a) Reduzir turbulência. b) Não aspirar gases ou ar. c) Não gerar erosão. d) Controlar o tempo de enchimento adequado a peça. e) Gerar gradiente térmico favorável à alimentação. f) Eliminar aspectos subjetivos da prática do vazamento. Entretanto alguns fatores condicionam a aplicação dos canais, que são: a) Rendimento metálico. b) Espaço na placa. c) Geometria da peça. d) Altura da caixa. 2 NOÇÕES DE MECÂNICA DOS FLUIDOS 2.1 PRINCÍPIO DE BERNOULLI Um pesquisador suíço chamado Daniel Bernoulli (1700–1782), descreve sobre a lei da conservação de energia. Esta lei define que a energia ao longo de um sistema de canais não é criada nem destruída, mas sempre convertida em alguma outra forma de energia (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). As principais formas de energia são: a) Energia de posição(Ep), devido a gravidade e a altura: Ep=m.g.h m=massa, peso g=aceleração da gravidade h=altura SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 5 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA b) Energia cinética(Ec), devido ao movimento do fluído: Ec=mv2 / 2 v=velocidade do fluído c) Energia de pressão(Epr), corresponde ou trabalho a ser realizado pela pressão do fluído: Epr = p/ρ p=pressão metalostática por volume unitário. ρ=densidade do fluído. 2.2 TURBULÊNCIA E O NÚMERO DE REYNOLDS Osbourne Reynolds (1842-1912) estudou o comportamento do fluxo de líquidos através de dutos, conforme a Figura 2.1. Este pesquisador verificou que para baixas velocidades do fluxo o líquido colorido que sai do tubo D não11.9 ALTURA METALOSTÁTICA A altura metalostática é determinada como sendo a distância entre a linha central do canal de ataque e o nível de metal no copo ou funil de vazamento, conforme mostra a Figura 11.10 (DISA – GATING, 1988). Figura 11.10 : Altura metalostática (DISA – GATING, 1988). 11.10 EXEMPLO DE UM DIMENSIONAMENTO 11.10.1 Distribuição na placa modelo Para o cálculo a seguir será considerado a peça e os dados apresentados na Figura 11.11. Antes de desenhar o layout da placa modelo, às distâncias de segurança (A, B e C) devem ser definidas. Para este propósito a Tabela 11.1 do manual “Patterns e Cores” (Modelos e Machos) deverão ser usadas. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 51 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 11.11 : Esquema para definir os limites de utilização da placa modelo (DISA – PATTERNS E CORES, 1988). Tabela 11.1 : Distâncias entre peças e bordas das placas modelos, máquinas Disamatic modelos 1013, 2120/B e 2130/B. Espessura de parede da peça (mm) Módulo de solidificação (mm) Altura total do modelo (mm) Distância no topo “A” (mm) Distância na lateral “B” (mm) Distância no fundo “C” (mm) 0-10 0-0,5 0-100 100-200 200-300 70 30-40 50-60 70-80 30-40 50-60 70-80 10-15 0,5-0,75 0-100 100-200 200-300 70 50-60 70-80 90-100 40-50 60-70 80-90 15-20 0,75-1,0 0-100 100-200 200-300 70 60-70 80-90 100-110 50-60 70-80 90-100 20-25 1,0-1,25 0-100 100-200 200-300 70 70-80 90-100 110-120 60-70 80-90 100-110 25- 1,25- 0-100 100-200 200-300 70 80-90 100-110 120-130 70-80 90-100 110-120 Fonte: DISA – PATTERNS E CORES, 1988. As informações sobre a peça a ser produzida neste exemplo são: -Espessura de parede da peça = 20,0 mm -Atura total do modelo = 20,0 mm SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 52 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Os dados de saída serão: -Distância da borda superior da placa até o modelo, A = 70 mm -Distância da borda lateral da placa até o modelo, B = 60 mm -Distância da borda inferior da placa até o modelo, C = 50 mm A Figura 11.12 mostra as principais informações referentes à peça que será usada neste exercício. Considerando-se que não serão necessários machos e massalotes para este exemplo, o sistema de enchimento pode ser conforme mostra a Figura 11.13. Figura 11.12 : Peça e dados a serem usados no exemplo de calculo do sistema de canais (DISA – GATING, 1988). Figura 11.13 : Layout do sistema de canais que está sendo usado no exemplo (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 53 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 11.10.2 Dimensionamento dos ataques Após definição dos modelos sobre a placa e a forma do sistema de canais, as áreas das seções dos canais de distribuição e ataques podem ser calculados usando o nomograma padrão, Figura 11.14. Os dados de entrada são: -Peso de cada peça (P) = 1,8 kg. -Tempo de enchimento das cavidades das peças. -Tempo total do ciclo (t2), máximo. t2 = 3600s/h = 10 s/molde 360 moldes/h -Deduzir o tempo para transporte do molde (t1), que é dado pelo ciclo de moldagem é de 2 s. t = 10 – 2 = 8 s -Deduzir o tempo para encher o sistema de canais (T1), que é de 2 s, tem-se então o tempo para encher a cavidade das peças. T 2 (A1 + A2 + A3) A4 > 2 (50 + 40 + 33) A4 > 246 mm2 Para compensar as perdas no fluxo devido a mudanças na direção do fluxo de metal, a área da seção transversal do canal primário vertical (A4) deverá ser de 10 a 20% maior que a soma dos ataques que estão conectados neste canal de distribuição. E neste caso um aumento de 10% gera um canal primário (A4) com 270 mm2 O valor calculado para o canal primário vertical (A4) foi de 270 mm2, mas, na tabela de canais primários padronizados, Figura 11.17, o valor mais próximo a ser usado SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 56 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA será o canal de No. 6, o qual possui seção transversal de 300 mm2 , com valor da cota a = 10 mm. O tamanho do canal primário horizontal (A5) irá normalmente ser escolhido como sendo um ou dois tamanhos maiores que o canal primário vertical conectado neste, o qual neste caso foi o canal primário No. 8, com valor da cota a = 12 mm. Figura 11.16 : Sistema de enchimento do exemplo em questão e as posições dos ataques e canais primários (DISA – GATING, 1988). Figura 11.17 : Forma final dos canais de ataque e dos canais primários calculados no exemplo (DISA – GATING, 1988). A forma final dos canais de ataque e dos canais de distribuição é apresentada na Figura 11.17. Para um melhor controle do fluxo, canais primários verticais cônicos deveriam ser usados, conforme mostra a Figura 11.18 (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 57 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Desta forma, conforme apresentado na Figura 11.18, irá haver uma melhor pressurização do sistema de canais. O mesmo efeito pode ser obtido pela aplicação de um canal de distribuição vertical que consiste de três peças com diferentes secções transversais e que podem ser calculadas a partir do nomograma. Como pode ser apresentado na Figura 11.6, onde as áreas A4, A6 e A7 serão calculadas usando-se os pesos das peças P4, P6 e P7 e as respectivas alturas metalostáticas H4, H6 e H7 (DISA – GATING, 1988). Figura 11.18 : Canais primários verticais cônicos (DISA – GATING, 1988). 11.10.4 Copo de vazamento A última parte dosistema de canais a ser determinada é o copo de vazamento. Um bom copo de vazamento deve apresentar as seguintes características (DISA – GATING, 1988): • Transferência do metal para o sistema de canais deve ser feita da maneira mais rápida possível para que se obtenha a estabilidade da pressão metalostática do sistema, a qual foi usada para calcular as áreas dos canais de ataque. • Possua um desenho e tamanho tal que corresponda à vazão (kg/s) para o qual o sistema foi dimensionado. • Evite a formação de respingos de metal. • Assegure a separação primária de escórias, permitindo que impurezas e escórias possam ficar na superfície do banho. • Impeça a formação de excesso de metal sobre a superfície do molde. A Disamatic desenvolveu um copo de vazamento, o qual é recomendado para todos os tipos de ligas. Seu formato é hexagonal com um funil curvo para evitar a turbulência e os respingos de metal para fora dele. O jato de metal não deve colidir no centro do copo, ele deverá, todavia ser feito em direção a região curva do funil (DISA – GATING, 1988). Os copos de vazamento padronizados são classificados de acordo com a vazão (kg/s) que eles devem garantir. Para determinar o tamanho do copo de vazamento deve se dividir o peso total de metal a ser vazado no molde (P2) pelo tempo total de vazamento (T2) (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 58 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Considerando que o rendimento metálico é de aproximadamente 75% e peso total das peças (P) no molde é de 21,6 kg, conforme o exemplo, então o peso total de metal será: P2 = P 1,33 P2 = 28,7 kg O tempo total de vazamento: T2 = T + T1 T2 = 6 +2 T2 = 8 s A vazão necessária a partir do copo de vazamento será: P2/T2 = 28,7/8 = 3,6kg/s Portanto neste exemplo será usado o copo No. 4, conforme os dados obtidos a partir da Figura 11.19. Figura 11.19 : Copos de vazamento padronizados e suas dimensões para diferentes vazões (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 59 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA REFERÊNCIAS AFS – American Foundrymen’s Society, Ductile Iron Handbook , Illinois, 1992. AFS – American Foundrymens’s Society, Aluminun Casting Technology , 2o edição, Illinois, 1993. Campbell, J. Castings , Oxford, 1995. DISA A/S – Patterns e Cores , HERLEV, 1988. DISA A/S, – Gating , HERLEV, 1988. Guleyupoglu, S. Casting Process Design Guidelines . AFS Transactions, 1997. Maehara, Y. Esmeraldo, J. N. Padrões de fabricação para aços fundidos , v1, 1989. Mariotto, C. L. Albertin, E. Fuoco, R. Sistemas de Enchimento e Alimentação de Peças Fundidas , 1a edição, Associação Brasileira de Metais (ABM), São Paulo, 1987. Webster, P. D. Fundamentals of Foundry Technology , Norwich, 1980.se misturava com o liquido no tubo C, permanecendo uma linha reta de liquido colorido no meio do tubo C. Entretanto, para altas velocidades do líquido no tubo C, o liquido colorido que sai do tubo D se misturava ao logo do tubo C, desta forma Reynolds constatou a existência de dois tipos básicos de fluxo, laminar e o turbulento. O mais importante deste estudo é que ele nos ajuda a entender como ocorre o fluxo turbulento ou severamente turbulento e que devemos limitar a velocidade do liquido através do dimensionamento das secções transversais dos canais a fim de evita-los (WEBSTER, 1980). Figura 2.1 : Representação do método para estudar turbulência em sistema de canais (WEBSTER, 1980). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 6 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Após este estudo Reynolds definiu três tipos básicos de fluxos, conforme mostra a Figura 2.2. a)Fluxo laminar Nr(número de Reynolds) 20.000 Gera erosão e inclusões de óxidos, escórias. Figura 2.2 : Tipos de fluxos de acordo com Reynolds. O número de Reynolds pode ser calculado com a expressão descrita abaixo e a Tabela 2.1 mostra valores para a viscosidade cinemática. Nr = V. d ν V = velocidade do fluxo(cm/s). d = diâmetro hidraúlico do canal(cm). ν = viscosidade cinemática do líquido(cm2/s), Tabela I. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 7 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Se a seção do canal é no formato redondo o diâmetro hidráulico corresponde ao valor do diâmetro do canal, entretanto se a seção transversal do canal não é no formato redondo utiliza-se a expressão abaixo para calcular o diâmetro hidráulico. d = 4 . área da seção tranversal do canal perímetro da seção do canal Tabela 2.1 – Viscosidade cinemática de alguns líquidos LÍQUIDO VISCOSIDADE CINEMÁTICA (cm2.10-2/s) TEMPERATURA (OC) Água 1,00 20 Alumínio 1,27 700 Ferro fundido 0,45 1300 Ferro fundido branco 0,40 1300 Cobre 0,40 1200 Aço 0,75%C 1,1 1500 Ferro 3,4%C 1,5 1300 Ferro 0,89 1600 Fonte: Mariotto; Albertin; Fuoco, 1987. 2.3 LEI DA CONTINUIDADE A lei da continuidade governa a velocidade e a vazão que o metal desenvolve no sistema de canais. Através desta lei fica claro que a velocidade aumenta quando a secção transversal do canal diminui e vice versa. A lei da continuidade é válida para um sistema de canais cheio de líquido. A Figura 2.3A mostra um canal com 1 cm2 de seção e velocidade do líquido igual a 2 cm/s proporcionando desta maneira uma vazão de 1 cm3/s e a Figura 2.3B mostra um canal com secção de 2 cm2, velocidade do líquido de 3 cm/s e a vazão correspondente de 6 cm3/s. Portanto a Figura 2.3A e 2.3B exemplificam o modelo de cálculo que é feito de acordo com a lei da continuidade. A formula abaixo serve para calcular as três variáveis de acordo com a lei da continuidade em sistema de enchimento (WEBSTER, 1980). Q = A . V V = velocidade do liquído(cm/s) A = área transversal da seção do canal(cm2) Q = vazão do liquído(cm3/s) SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 8 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 2.3 : Velocidade na seção transversal do sistema de canais (WEBSTER, 1980). 2.3.1 Vazão gravimétrica De acordo com Mariotto, Albertin e Fuoco (1987) a vazão em um sistema de canais pode ser quantificada de maneira gravimétrica (Qg), ou seja a quantidade de liquido em gramas por segundo (g/s) que passa através de um determinado canal, a qual é expressa da seguinte maneira: P = peso do líquido que passa no canal em gramas (g).e t = unidade de tempo em segundos (s). 2.3.2 Vazão volumétrica Mariotto, Albertin e Fuoco (1987) descrevem que a vazão em um sistema de canais também pode ser calculada considerando o volume de metal e é então chamada de vazão volumétrica (Qv). A vazão volumétrica define a quantidade do líquido em volume que passa através de uma determinada área transversal de um canal, ela é expressa em centímetros cúbicos por segundo (cm3/s), tal sistema é descrito matematicamente da seguinte maneira: A = área da seção transversal do canal, em cm3. V = velocidade do metal, em cm/s. Qg = P t Qv = A . V SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 9 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 3 RELAÇÃO DE ÁREAS As relações de áreas dos canais são representadas por três números, conforme o exemplo abaixo, sendo que o menor representa a secção de estrangulamento do sistema, também conhecido como seção de choque (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987): 1 : 1 : 1 Sendo que: O primeiro número representa o módulo da área transversal da base do canal descida. O segundo número representa o módulo da área transversal do canal de distribuição. O terceiro número representa o módulo da área transversal do(s) canal(s) de ataque. De acordo com as relações de áreas em uso no sistema de canais o mesmo pode ser do tipo convergente ou divergente, conforme é explicado a seguir. Sistema convergente: 1 : 08 : 0,6, neste exemplo a seção de choque está no terceiro número ou seja no canal de ataque. Este sistema também é conhecido como pressurizado. Sistema divergente: 1 : 4 : 4, neste exemplo a seção de choque está no primeiro número ou seja na base do canal de descida. Este sistema também é conhecido como despressurizado. 3.1 SISTEMA CONVERGENTE Neste tipo de sistema de canais a secção reguladora do fluxo (estrangulamento ou choque) de metal líquido se encontra na região do ataque. Neste sistema temos o metal entrando na cavidade do molde com maior velocidade, pois, na região do estrangulamento ocorre aumento da velocidade do fluxo de acordo com lei da continuidade. 3.2 SISTEMA DIVERGENTE No sistema de canais a seção reguladora do fluxo se encontra na base do canal de descida, deste ponto em diante o sistema possui um aumento das áreas transversais dos canais, possibilitando a redução da velocidade do fluxo do metal no sistema de acordo com a lei da continuidade. 3.3 RELAÇÕES DE ÁREAS E AS LIGAS O sistema divergente é recomendado para as ligas com grande tendência a oxidação e absorção de gases, as quais necessitam de baixas velocidades nos canais de distribuição e ataques, em geral são as ligas de Al; Mg; Cu+Al, Mg, Cr, Si. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 10 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Para ferros fundidos cinzentos prioriza-se o rendimento metálico, enchimento rápido, são ligas com baixa tendência a oxidação, neste caso recomenda-se o sistema convergente. Aço ao carbono, inox, e ferro fundido nodular, deve-se estudar cada caso, pois se podem usar ambos os sistemas. São ligas que apresentam problemas com relação à oxidação (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). A Tabela 3.1 apresenta sugestões de relações de áreas de acordo com o tipo de liga. Tabela 3.1 : Relações de áreas de canais sugeridas para várias ligas. LIGAS RELAÇÕES DE ÁREAS Bronze ao alumínio 1 : 2,88 : 4,8 Ferros fundidos 1 : 0,75 : 0,5 1 : 0,9 :0,7 1 : 0,9 : 0,5 1 : 1,2 : 0,9 1 : 0,8 : 0,6 Ferro fundido maleável 1 : 0,5 : 2,45 1 : 0,67 : 1,67 Aços 1 : 0,8 : 0,6 1 : 1 : 1 1 : 2 : 2 1 : 2 : 1 Latão 1 : 2 : 1 1 : 2,88 : 4,8 Alumínio 1 : 4 : 4 1 : 6 : 6 1 : 2,2 : 2 1 : 2 : 1 Magnésio 1 : 4 : 4 1 : 2 : 2 Ferro fundido nodular 2 : 4 : 1 Fonte: Mariotto; Albertin; Fuoco, 1987. 4 CÁLCULO DA ÁREA DA SEÇÃO DE CHOQUE Ao se igualar a vazão gravimétrica (Qg) e a vazão volumétrica (Qv) se obtém a formula que permite determinar a área transversal do canalda seção de choque do sistema de enchimento. Entretanto para igualar estes dois tipos de vazão há que se multiplicar a vazão volumétrica pela densidade (d) do líquido e então temos (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987): Qg = Qv P/t = A . V . d SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 11 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA A = área da seção de choque (cm2) P = peso do conjunto, peça + massalotes (g) d = densidade do metal fundido (g/cm3) V = velocidade do metal (cm/s) t = tempo de enchimento (s) A velocidade do metal fundido na seção de choque pode ser determinada empregando-se a seguinte equação, conforme citado por Mariotto, Albertin e Fuoco (1987). α = coeficiente de perdas de carga no sistema g = aceleração da gravidade (980cm/s) H = altura efetiva do sistema de canais (cm) V = velocidade do metal (cm/s) Portanto a fórmula final para dimensionar a área transversal da seção de choque será: A = área da seção de choque (cm2) P = peso do conjunto, peça + massalotes (g) d = densidade do metal fundido (g/cm3) t = tempo de enchimento (s) α = coeficiente de perdas de carga no sistema g = aceleração da gravidade (980cm/s) H = altura efetiva do sistema de canais (cm) De acordo com Mariotto, Albertin e Fuoco (1987) a velocidade do metal líquido no sistema de canais é alterada devido às perdas por fricção causadas pelas mudanças de direção, atrito com as paredes do sistema de canais e a viscosidade metal fundido. Desta maneira estes pesquisadores recomendam empregar para os sistemas que possuem redução de seção nos ataques, sistemas convergentes, coeficientes de perdas de carga (α) entre 0,20 a 0,40 e para sistemas com aumento de seção, divergentes, valores entre 0,70 a 0,90. De acordo com Webster (1980), para determinar a velocidade nas demais partes de um sistema de canais divergente divide-se a velocidade obtida na base do canal de descida pelo módulo correspondente daquele setor do sistema de canais, conforme o exemplo da Tabela 4.1, para o sistema 1:4:4. Para calcular a velocidade do metal SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 12 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA em um sistema convergente, seguir o modelo mostrado na Tabela 4.2, que mostra como exemplo o sistema 2:4:1. Tabela 4.1 : Velocidade do líquido em um sistema divergente. DESCIDA DISTRIBUIÇÃO ATAQUE V 1 V 4 V 4 Tabela 4.2 : Velocidade do líquido em um sistema convergente. DESCIDA DISTRIBUIÇÃO ATAQUE V 2 V 4 V 1 O esquema mostrado na Figura 4.1 esclarece sobre o comportamento da velocidade em um sistema de canais do tipo convergente e apresenta como deve ser feito o cálculo da velocidade em cada parte do sistema. Figura 4.1 : Variação da velocidade do líquido através de diferentes secções de um sistema de canais com relação 2:4:1 de acordo com a Lei da Continuidade (WEBSTER, 1980). Caso a relação de área do sistema convergente se apresenta como, por exemplo, 1,0:0,9:0,6, o que é muito comum na literatura, se deve fazer a conversão para possibilitar o calculo da velocidade do líquido no canal de distribuição e base do canal de descida. Primeiro calcule a área da seção de choque aplicando a equação apresentada no item 4, depois calcule a seção do canal de distribuição e do canal de descida via regra de três. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 13 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Por exemplo, para uma secção de choque com 60 mm2, se procede da seguinte maneira em um sistema com relação de área 1,0:0,9:0,6: 0,6 = 60 mm2 0,9 = x 1,0 = y Sendo assim o módulo 0,9 terá 90 mm2 e o módulo 1,0 terá 100 mm2, em seguida basta calcular a relação entre estas áreas do sistema de canais: 60 mm2 = 1,0 90 mm2 = x 100 mm2 = y Desta maneira o canal de distribuição com 90 mm2, possui módulo igual a 1,5 e o canal de descida com 100 mm2, o módulo é 1,67, neste sistema a velocidade pode ser então determinada de acordo com a Tabela 4.3. Tabela 4.3 : Velocidade do líquido em um sistema convergente. DESCIDA DISTRIBUIÇÃO ATAQUE V 1,67 V 1,5 V 1,0 A Figura 4.2 mostra exemplos de como calcular a velocidade do líquido de acordo com a altura da panela, e com altura da coluna de metal no sistema de canais. Figura 4.2 : Variação da velocidade do líquido em diferentes alturas e sistemas (WEBSTER, 1980). 4.1 DETERMINAÇÃO DO TEMPO DE ENCHIMENTO Vários pesquisadores apresentam fórmulas e gráficos para determinar o tempo de enchimento levando-se em consideração vários fatores práticos de fundição, a seguir apresentam-se algumas fórmulas e gráficos para esta finalidade. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 14 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA a) Método AFS de Wallace e Evans para ferro fundido cinzento (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). t = tempo (s) e = espessura (mm) P = peso do conjunto (kg) Peças com peso superior a 450 kg substituir √P por 3√P. Para obter kf, use a expressão acima e F (fluidez) deve ser obtido no gráfico da Figura 4.3. b) Para ferro fundido nodular segundo Heine (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). t = tempo (s) k1 = 2,06 para espessuras menores que 10mm k1 = 2,67 para espessuras entre 10 a 25mm k1 = 2,97 para espessuras maiores que 25mm Figura 4.3 : Fluidez do ferro fundido em função da composição e da temperatura de vazamento (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 15 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA c) De acordo com Maehara e Esmeraldo (1989) o tempo de enchimento de conjuntos (peça e massalotes) em aços fundidos pode ser determinado com o uso dos gráficos mostrados na Figura 4.4, os quais foram obtidos em fundições japonesas. (a) SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 16 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA (b) Figura 4.4 : Tempo de vazamento em função do peso do conjunto, (a) até 100 kg e (b) até 100.000 kg (MAEHARA E ESMERALDO, 1989). d) Para ferro fundido nodular segundo a AFS Abaixo se apresenta uma fórmula derivada de moldes com areia de moldagem a verde, para calcular o tempo de vazamento (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). t = tempo (s) E = menor espessura da peça (mm) P = peso (kg) SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 17 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA e) Para aço segundo Heine (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). t = tempo (s) com k2 variando desde 1,78 para P=45kg até 0,59 para P=45.000kg. f) Previsão do tempo de enchimento O tempo de enchimento (t) pode ser previsto dividindo-se o volume da cavidade do molde (VCM) a ser preenchido pelo metal, no qual incluí massalotes, pela área da seção transversal do canal de estrangulamento (A) e velocidade (V) do metal neste local, conforme a expressão matemática abaixo (WEBSTER, 1980). t = tempo de enchimento, (s). VCM = volume da cavidade do molde, (cm3). A = área da seção de choque, (cm2). V = velocidade do metal na seção de choque, (cm/s). g = aceleração da gravidade, 980 cms-2. H = altura efetiva de queda do metal, (cm). 4.2 DETERMINAÇÃO DA ALTURA EFETIVA DO SISTEMA DE CANAIS Dependendo do desenho do sistema de enchimento se deve considerar o efeito da contra pressão do líquido que está contido na cavidade do molde sobre o líquido que está no canal de descida, isto deve ser feito devido ao efeito causado sobre a velocidade do fluxo no canal de descida. Segundo Wallace e Evans o cálculo da altura efetiva de vazamento pode ser feito de acordo com os esquemas e formulas mostradas na Figura 4.5 (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). SOCIEDADE EDUCACIONALDE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 18 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Altura efetiva de vazamento (H). H=H (a) H=H-c 2 (b) H=2Hc-p2 2c (c) Figura 4.5 : Altura efetiva para cálculo da velocidade, em função da posição do canal de ataque (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 19 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 5 FUNIL E BACIA DE VAZAMENTO O formato do funil ou bacia de vazamento caso seja redondo tende a favorecer a formação de vórtice (redemoinho) durante o enchimento do molde, as Figuras 5.1, 5.2, 5.3, 5.4 e 5.5 mostram o que é inadequado e o que é recomendado com relação à geometria deste item (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992; WEBSTER, 1980). A bacia de vazamento, conforme mostra a Figura 5.5 ajuda a reduzir a cinética gerada pela queda do fluxo de metal a partir da panela de vazamento, com este desenho se diminui a velocidade do metal no interior dos canais. Figura 5.1 : Funil redondo. Figura 5.2 : Funil redondo com corte. Figura 5.3 : Funil retangular. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 20 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 5.4 : Efeito do canto vivo entre o funil e o canal de descida e como pode ser evitado. Figura 5.5 : Bacia de vazamento. Bacia de vazamento com formato conforme mostra a Figura 4.6 evita entrada de escória, introdução de bolhas de ar no metal e eliminam a variável da altura de vazamento. Figura 5.6 : Bacia de vazamento com retentor de escória. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 21 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 6 CANAL DE DESCIDA Conforme as Figuras 6.1 e 6.2 é importante que o canal de descida possua uma conicidade para evitar o descolamento do metal e apareçam bolhas de ar, oxidação e erosão. A equação apresentada na Figura 6.2 permite dimensionar a área na base do funil e por consequência gera um funil cônico. Após determinar a área da base (Ab), pode-se calcular a área da região superior (At) do canal de descida e conseqüentemente o seu diâmetro (D) (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). A Figura 6.3, de acordo com Campbell (1995) orienta como dimensionar a base do canal de descida, a qual possui o objetivo de absorver a turbulência neste local em função da mudança de direção. Figura 6.1 : Canal de descida reto (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). De acordo com a lei da continuidade, a vazão na base do funil (Qf) e na base do canal de descida (Qd) são iguais, sendo assim, é possível calcular a área da base do funil. A sequencia a seguir mostra como foi obtida a equação para calcular a área da base do funil. A vazão na base do funil é: Qf = Af x Vf A vazão na base do canal de descida é: Qd = Ad x Vd Sendo que Qf é igual a Qd: Af x Vf = Ad x Vd Considerando as respectivas velocidades do metal líquido na base do funil (Vf) e na base do canal de descida (Vd): SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 22 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Substituindo a velocidade e colocando e evidência a área da base do funil (Af): Portanto, a área na base do funil é calculada da seguinte maneira: Figura 6.2 : Canal de descida cônico (MARIOTTO; ALBERTIN; FUOCO, 1987). Para obter os valores do diâmetro da base do canal de descida (DAb) e da base do funil (DAt), utilizam se as seguintes expressões matemáticas: DAd = diâmetro da base do canal de descida (mm). Ad = área da base do canal de descida (mm2). DAf = diâmetro da base do funil (mm). Af = área da base do funil (mm2) SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 23 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA De acordo com Campbell (1995) o alargamento na base do canal de descida ajuda a reduzir a turbulência nesta local, a Figura 6.3 mostra esquematicamente o efeito e sugere as dimensões. Figura 6.3 : Base do canal de descida e seu efeito sobre o fluxo (CAMPBELL, 1995). 7 ORIENTAÇÕES GERAIS PARA O DESENHO DOS CANAIS A seguir são apresentadas algumas orientações básicas para ajudar no desenho de sistemas de enchimento. A Figura 7.1 mostra que mudanças bruscas de direção favorecem a formação de pressão negativa neste local, este efeito favorece a introdução de ar, oxidação e erosão. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 24 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 7.1 : O efeito da energia cinética do liquido em locais com forte mudança de geometria sobre a formação de vazios no fluxo e turbulência (WEBSTER, 1980). Canais de ataques não devem ser muito espessos para não favorecer a formação de pontos quentes, sugestões quanto à relação entre a espessura da parede da peça e a espessura do canal de ataque são mostradas na Figura 7.2. Figura 7.2 : Orientações para dimensionar a espessura máxima do canal de ataque e evitar desta maneira pontos quentes (CAMPBELL, 1995). Se a extremidade do canal primário é reta, tipo uma parede, o fluxo de metal irá bater na mesma e haverá a formação de um refluxo turbulento, o qual vai favorecer para a formação de óxidos que podem entrar nos canais de ataque. Projetar um poço ou formato em cunha neste local, conforme mostra a figura 7.3 evita este efeito. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 25 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 7.3 : Orientações para a extremidade do canal primário, com o objetivo de reter escória nesta região (CAMPBELL, 1995). O balanceamento do sistema de canais permite que fluxo de metal seja igual nos ataques e desta forma haverá enchimento homogêneo da cavidade. Isto não tende a ocorrer caso o canal de distribuição possua a mesma dimensão ou seção transversal do começo ao fim. Conforme mostra a Figura 7.4a, o fluxo mais forte ocorre no último canal de ataque. Para que o sistema de canais seja balanceado é necessário que se reduza o canal de distribuição logo apos cada canal de ataque. A redução pode ser feita em degraus, conforme mostra a Figura 7.4 ou em forma de rampa. A redução de seção a ser feita no canal de distribuição logo após cada canal de ataque equivale a área da seção transversal do canal de ataque que ficou para trás e assim sucessivamente. O esquema sugerido na Figura 7.4 é recomendado para ligas de alumínio (CAMPBELL, 1995). Figura 7.4 : (a) Sistema não balanceado e (b) sistema balanceado e o efeito sobre o fluxo de enchimento do molde (CAMPBELL, 1995). A Figura 7.5 mostra um sistema de enchimento com várias inadequações, começando no funil, o qual possui formato redondo, este desenho favorece a formação de vórtice. Neste sistema o canal de descida apresenta uma conicidade que favorece o descolamento do fluxo da parede do canal e causa oxidação e aspiração de ar. O canal de distribuição possui pouca altura, isto o torna ineficiente SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 26 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA para a retenção de escória, no caso de ligas ferrosas. Com os canais de ataque posicionados abaixo do canal de distribuição, este sistema vai gerar muita turbulência e vai facilitar a entrada de escórias e óxidos na cavidade do molde. A extensão do canal de distribuição com terminação reta favorece o refluxo, o qual causa turbulência e favorece a entrada de escórias nos canais de ataque. Figura 7.5 : Sistema de enchimento com desenho que possibilita a formação de escória e entrada da mesma no molde (CAMPBELL, 1995). A Figura 7.6 mostra um sistema de enchimento recomendado para ligasde alumínio com a aplicação de relação entre áreas do tipo divergente. Com este sistema se reduz a velocidade nos canais primários e ataques, desta maneira se minimiza a oxidação da liga, no próximo capítulo este sistema será apresentado com mais detalhes. Uma inadequação que é mostrada na Figura 7.6 se refere ao canal de descida com formato redondo, o qual favorece a formação de vórtice. O sistema de enchimento mostrado na Figura 7.7 possui um desenho com relação de entre as áreas do tipo convergente, o qual é recomendado para ligas ferrosas. O canal de descida possui o maior módulo e é cônico. A seção de choque deste sistema está localizada nos canais de ataque, os quais estão posicionados ao lado do canal de distribuição, os quais possuem uma relação altura : largura de 1:4, desta maneira se evita a entrada de escória e facilita a separação da peça. O canal primário está localizado no molde superior, sua relação altura : largura é de cerca de 2:1, possui redução na seção transversal após o primeiro ataque (escalonamento) e extensão em cunha. Com este desenho é possível reter a escória que flutua no canal primário, manter fluxo homogêneo nos ataques e evitar o refluxo na extremidade. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 27 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 7.6 : Sistema de enchimento que dificulta a formação de óxidos e reduz a possibilidade de entrada dos mesmos no molde, recomendado para ligas de alumínio (CAMPBELL, 1995). Figura 7.7 : Sistema de enchimento que dificulta a formação de óxidos e reduz a possibilidade de entrada dos mesmos no molde, recomendado para ligas ferrosas (CAMPBELL, 1995). 8 SISTEMA DE CANAIS PARA LIGAS DE ALUMÍNIO As recomendações que são apresentadas a seguir foram citadas na obra Aluminun Casting Technology da AFS, no capítulo referente ao sistema de canais (AFS – SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 28 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). A Figura 8.1 mostra um sistema de enchimento com bacia de vazamento, canal de descida retangular e cônico, dois canais de distribuição no molde inferior e quatro canais de ataque no molde superior. Os canais de distribuição possuem escalonamento e extensão no formato tipo poço. Figura 8.1 : Partes de um sistema de canais para fundição de ligas de alumínio (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). A bacia de vazamento ao lado do canal de descida, conforme mostra a Figura 8.2 tem por objetivo reduzir o efeito da queda do metal deste o bico da panela de vazamento, desta maneira se consegue reduzir a velocidade do metal e mantê-la mais constante nos canais de distribuição. Figura 8.2 : Bacia de vazamento (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 29 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Este alargamento na base do canal de descida, conforme mostra a Figura 8.3 serve para absorver a energia cinética devido a queda do metal e a mudança de direção de vertical para horizontal, desta forma ocorre redução da turbulência. Figura 8.3 : Base do canal de descida (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). A construção do sistema de canais de distribuição com escalonamento, conforme mostra a Figura 8.4 tem por objetivo manter o mais homogêneo possível o fluxo de metal nos canais de ataque. A redução equivale exatamente à área da seção do canal de ataque anterior. O projeto de redução pode ser do tipo rampa, conforme mostra a Figura 8.5, desta maneira se reduz turbulências. Figura 8.4 : Canal de distribuição com redução de seção por escalonamento . (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 30 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 8.5 : Canal de distribuição com redução de seção contínua (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). Na extremidade dos canais de distribuição é conveniente que haja um poço ou extensão, este desenho permite que o primeiro fluxo de metal, o qual pode estar contaminado com alguma escória, areia ou óxido venha a ser desviado dos canais de ataque e fique alojado nestas extremidades, conforme mostra a Figura 8.6. Figura 8.6 : Extremidade do canal primário (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). A colocação dos canais de ataque na parte superior dos canais de distribuição permite que ocorra primeiro o enchimento dos canais de distribuição com o fluxo não turbulento, o qual expulsa o ar e suba até os ataques. A camada de óxido formada sobre o metal fica aderida nas paredes dos canais, a entrada do metal na cavidade do molde ocorre quando o mesmo rompe a camada de óxido presente na frente do fluxo. A Figura 8.7 ilustra a posição dos canais de ataque. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 31 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 8.7 : Posição do canal de ataque em relação ao canal primário (AFS – ALUMINUN CASTING TECHNOLOGY, 1993). 9 SISTEMA DE CANAIS PARA FERRO FUNDIDO NODULAR 9.1 LIMPEZA DO METAL O magnésio usado para produzir o ferro fundido nodular favorece a formação dos óxidos e escórias na superfície do metal no forno e na panela de tratamento. Esta escória é prejudicial, irá afetar a eficiência da nodularização, inoculação e poderá gerar inclusões nas peças. A magnitude deste problema esta diretamente relacionada com o aumento do teor de enxofre no metal base (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 9.2 PANELAS A limpeza das panelas é essencial para garantir resultados consistentes. Nas panelas de tratamento e vazamento ocorre a formação de uma camada de escória que afetará o teor de magnésio no metal fundido. Escórias ricas em enxofre revertem parte deste elemento para o metal com conseqüente redução do teor de Mg da liga fundida. Panelas do tipo bico de chaleira são freqüentemente recomendadas para minimizar a entrada de escórias no molde. O uso de tampa ajuda a reduzir ass perdas de temperatura (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 9.3 TEMPERATURA DE VAZAMENTO O volume de oxidação aumenta significativamente para temperaturas de vazamento abaixo de 1399 oC e longos tempos de vazamentos, acima de 8 minutos. A faixa de temperatura adequada está entre 1400 oC a 1430 oC. Temperaturas maiores de vazamento seriam recomendadas para evitar solda fria, pinholes e escória, entretanto se excessivamente elevadas aumentam a quantidade de rechupes (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 32 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 9.4 RECOMENDAÇÕES PARA OS CANAIS Para ferro fundido nodular o sistema de canais deve ser projetado para: - Prevenir contra a entrada de escórias e inclusões não-metálicas. - Introduzir o metal na cavidade do molde com uma velocidade pré- determinada e com turbulência mínima. - Introduzir o metal na cavidade do molde de forma a contribuir para uma solidificação direcional. O sistema de canais usados para produção de ferro fundido nodular difere do sistema usado em ferro fundido cinzento devido a maior quantidade de Mg e Si, os quais aumentam a possibilidade de formação de escórias. Por esta razão a turbulência deve ser minimizada em sistema de canais para ferro fundido nodular. Nestes casos se incorpora o uso de grandes canais de distribuição, os quais reduzem a velocidade do metal e promovem o tempo adequado para que a escória possa ser separada do metal antes do mesmo entrar na cavidade do molde (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 9.5 TEMPO DE ENCHIMENTO Existem vários fatores à serem considerados para decidir sobre o tempo de enchimento. Um dos mais importantes a ser considerado é a velocidade do metal, a qual pode ser reduzida tanto quanto possível. Esta redução naturbulência (velocidade) assegurará a separação de inclusões não-metálicas no sistema de canais. Em fundições automatizadas atualmente o tempo de enchimento é freqüentemente condicionado pelo ciclo da máquina de moldar. Quando isto ocorre, o tempo ideal de vazamento não pode ser disponibilizado, se a produtividade é maximizada. Outro fator a ser considerado, quando se usam moldes de areia a verde, se refere à resistência do molde a erosão. Várias pesquisas foram realizadas para determinar as limitações. Abaixo se apresenta uma expressão matemática obtida a partir de pesquisas feitas em moldes de areia verde, a qual serve para calcular o tempo de enchimento (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). E = menor espessura da peça (mm) P = peso (kg) A Tabela 9.1 apresenta o tempo de vazamento calculado de acordo com a fórmula apresentada anteriormente para peças com espessura entre 3 a 30 mm e pesos entre 5 a 100 kg. Esta fórmula esta baseada na faixa de temperatura de vazamento entre 1370 oC a 1425 oC. (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 33 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Tabela 9.1 : Tempo de vazamento para ferro fundido nodular com temperatura de vazamento entre 1370 a 1425oC. Peso da peça (kg) Menor espessura da peça (mm) 3 6 9 12 15 18 21 24 27 30 5 10 15 20 25 30 35 40 45 50 60 70 80 90 100 3.2 4.5 5.5 6.3 7.1 7.7 8.3 8.9 9.5 10.0 10.9 11.8 12.6 13.4 14.1 3.6 5.0 6.2 7.1 8.0 8.7 9.4 10.1 10.7 11.2 12.3 13.3 14.2 15.1 15.9 4.0 5.6 6.9 7.9 8.9 9.7 10.5 11.2 11.9 12.5 13.7 14.8 15.8 16.8 17.7 4.4 6.2 7.6 8.7 9.8 10.7 11.5 12.3 13.1 13.8 15.1 16.3 17.4 18.5 19.5 4.8 6.7 8.3 9.5 10.7 11.7 12.6 13.5 14.3 15.1 16.5 17.8 19.1 20.2 21.3 5.2 7.3 9.0 10.3 11.6 12.7 13.7 14.6 15.5 16.3 17.9 19.3 20.7 21.9 23.1 5.6 7.9 9.6 11.2 12.5 13.6 14.7 15.8 16.7 17.6 19.3 20.8 22.3 23.6 24.9 6.0 8.4 10.3 11.9 13.4 14.6 15.8 16.9 17.9 18.9 20.7 22.3 23.9 25.3 26.7 6.4 9.0 11.0 12.8 14.3 15.6 16.9 18.0 19.1 20.2 22.1 23.8 25.5 27.2 28.5 6.8 9.6 11.7 13.6 15.2 16.6 17.9 19.2 20.3 21.4 23.5 25.4 27.1 28.8 30.3 Fonte: AFS – Ductile iron handbook, 1992. 9.6 ALTURA EFETIVA DE VAZAMENTO A velocidade do metal entrando na cavidade do molde e ataque varia de acordo com o nível de metal no molde. Por esta razão a média ferrostática pode ser calculada, para calcular a altura efetiva usam-se as fórmulas mostradas na Figura 3.2(a), (b) e (c) (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 9.7 ÁREA DA SEÇÃO DE CHOQUE A menor seção transversal em um sistema de canais que governa o tempo de enchimento do molde é chamada de secção de choque. No caso de um sistema pressurizado a seção de choque está nos canais de ataques. Se vários ataques são usados, a área da seção de choque é a soma da seção transversal de todos os ataques. Apresenta-se abaixo a fórmula que acomoda as perdas por fricção e que pode ser usada para calcular a área transversal da seção de choque de peças a serem produzidas em ferro fundido nodular (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). A= área da seção de choque (cm2) P= peso do conjunto (kg) t= tempo de enchimento (s) H= altura efetiva de vazamento (cm) Esta expressão matemática é igual a apresentada por Mariotto; Albertin e Fuoco (1987) no capítulo 3.3, entretanto neste caso foi aplicado a densidade do ferro SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 34 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA fundido líquido, o qual é de 6,9 g/cm3, a aceleração da gravidade em 980 cm/s2 e o coeficiente de perdas de carga (α) igual a 0,27. 9.8 BACIA DE VAZAMENTO É uma importante parte do sistema de canais que infelizmente é freqüentemente esquecida por todos. A bacia deve ter um volume que permaneça cheio durante o processo de vazamento. Isto assegura que escórias criadas no tratamento do metal e transferência, não entrem no canal de descida. A profundidade da bacia deve ser de 3 a 4 vezes o diâmetro do canal de descida, isto permite a absorção do choque do metal que cai da panela. A largura da bacia deve permitir que o ferro vazado fique na bacia e não favoreça a formação de respingos. Sempre que possível, a bacia em forma de funil redondo deve ser evitada, este desenho favorece o efeito de vórtice, o qual introduz ar e escória no fluxo de metal (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 9.9 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E ATAQUES Segundo a AFS - Ductile iron handbook (1992), um sistema moderadamente pressurizado, tendo o canal de descida, canal primário e canal de ataque com relação 2:4:1, se pode produzir peças de vários tamanhos com qualidade. O canal de descida deve ser cônico com um ângulo de cerca de 3o, desta forma evita-se o descolamento do metal das paredes e conseqüente entrada de ar e turbulência que geram escórias. Em um sistema com partição vertical, onde vários ataques ou braços são dispostos em diferentes níveis, a seção transversal dos braços pode ser reduzida, fazendo-se um sistema escalonado. Assegure que a área transversal do canal de descida seja 10 a 20% maior que a combinação das áreas de choque, a pressurização do sistema pode ser reduzida. Este tipo de sistema reduz os defeitos de penetração. nas cavidades localizadas na parte de baixo do sistema e equaliza o sistema (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). Usando-se uma expansão na base do canal de descida com espessura igual a 2x a dimensão do canal primário e diâmetro de 2x ao diâmetro da base do canal de descida, haverá redução da turbulência neste local. Isto vai permitir o enchimento adequado do canal primário e irá reduzir a erosão na base do canal de descida (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). O canal primário deve ter a relação altura:largura de 2:1 e ser maior que os usados em ferro cinzento, isto reduz a velocidade e consequentemente a turbulência. Devem-se evitar mudanças bruscas de direção, nestes casos é adequado o uso de curvas grandes e deve-se evitar a colocação de ataques próximos das curvas (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). Quando o metal líquido chega ao final do canal de distribuição ele tende a voltar sobre ele em um fluxo contrário. Esta turbulência é muito danosa, ajuda a introduzir escórias na peças. O efeito deste fenômeno pode ser reduzido fazendo-se cônico o final do canal de distribuição. Sempre que possível o canal primário deve ser SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 35 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA estendido após o último canal de ataque (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). As dimensões dos canais de ataque para ferro nodular devem ter na relação largura:altura a proporção 4:1. Isto evita a entrada de partículas não metálicas e facilita a separação/remoção na desmoldagem. A conexão entre o ataque e o primário deveria ser perpendicular, para segurar o choque remanescente no ataque durante todo o processo de enchimento (AFS – DUCTILE IRON HANDBOOK, 1992). 10 SISTEMA DE CANAIS PARA AÇOS FUNDIDOS 10.1 CONSIDERAÇÕES GERAIS Guleyupoglu (1997) cita algumas considerações gerais para a fundição de aços: a) Usar areia de alta qualidade no sistema de canais e massalotes, devido a elevada temperatura nestes locais. b) O sistema de canais deverá ser simples, devido a elevada viscosidade do aço fundido. c) Controladores de vazão, filtros e canais de descida em degraus devem ser evitados devido a baixa fluidez do aço fundido. d) Quando usar uma panela com válvula para o vazamento, a área da válvula deverá ser levemente menor que a área do canal de descida. e) O molde poderá ser inclinado cerca de 30 a 40o para que o metal mais frio fique na parte inferior do molde e o mais quente na parte superior, junto aos massalotes, entretanto esta prática não érecomendada para peças grandes devido a geração de muita turbulência. f) Fazer a linha de partição do molde de maneira tal que metade da peça fique no molde inferior, isto favorece o enchimento inicial da parte inferior e irá promover a solidificação direcional. Entretanto se deve evitar que haja queda do metal de alturas elevadas. Guleyupoglu (1997) e Maehara e Esmeraldo (1989) citam as relações de áreas dos canais para aço fundido, as quais são mostradas na Tabela 10.1. Tabela 10.1 : Relações de áreas dos canais para aços fundidos. VAZAMENTO DESCIDA DISTRIBUIÇÃO ATAQUE FONTES Não foi citado 1 4 4 Guleyupoglu, (1997) Sistema com válvula 1 1,2 a 2 1,5 a 2,5 Maehara e Esmeraldo (1989) Panela convencional 1 1 a 2 1 SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 36 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Na Tabela 10.2 Maehara e Esmeraldo (1989) mostram as vantagens e desvantagens dos sistemas de enchimento com pressão nos ataques (convergentes) e sem pressão (divergentes). Tabela 10.2: Vantagens e desvantagens dos sistemas convergentes e divergentes para aços fundidos. TIPOS DE SISTEMAS VANTAGENS DESVANTAGENS Com pressão nos ataques (convergente) Ataques e distribuição sempre cheios. Menor possibilidade de sucção de ar. Vazão similar, no caso de vários ataques. Minimiza inclusões de escória e areia. Ataque que fica na extremidade do canal de distribuição apresenta maior velocidade e pode haver erosão. Maior velocidade nos ataques, turbulência pode ser alta na cavidade do molde. Sem pressão nos ataques (divergente) Menor velocidade do fluxo de metal nos ataques. Menor possibilidade de haver erosão. Canal de distribuição fica incompleto caso o mesmo seja colocado no molde superior. Dificulta a retenção de escórias. Fonte: Maehara e Esmeraldo (1989). Quanto ao funil para o vazamento de aço fundido, Maehara e Esmeraldo (1989) sugerem os formatos mostrados na Figura 10.1, segundo estes pesquisadores estes desenhos são melhores porque no aço fundido ocorre solidificação superficial e a fluidez é menor quando comparado ao ferro fundido. Figura 10.1 : Formatos de funis para aço fundido (MAEHARA E ESMERALDO, 1989). 10.2 CANAIS DE DESCIDA Quanto ao canal de descida as seguintes considerações são descritas por Guleyupoglu (1997): a) Usar canais de descida com diâmetro entre 25 a 50 mm. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 37 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA b) Usar materiais com alta resistência a erosão, tais como a cerâmica e concreto aluminoso. c) No caso de moldes que possuem altura muito elevada, recomenda-se o uso de canais em cerâmica ao invés de areia. d) No caso de ocorrer a formação do defeito de solda fria ou falta de enchimento de detalhes, recomenda-se aumentar a seção transversal do canal de descida. Maehara e Esmeraldo (1989) recomendam que o canal de descida deva ser cônico, desta maneira se evita o descolamento do fluxo de metal fundido o qual causa a sucção de ar/gases e a conseqüente formação de inclusões na peça. 10.3 CANAIS DE ATAQUE Para os canais de ataque Guleyupoglu (1997) apresenta as seguintes recomendações: a) Geralmente se prefere canais de ataque com formato redondo em relação ao formado quadrado, isto ocorre devido ao menor atrito causado por este formato. b) O diâmetro do canal centrípeto deverá ser menor que o diâmetro do canal de descida, entretanto a área da seção transversal deverá ser maior que soma da área da seção transversal dos canais de ataques. c) Para peça grande em formato de placa, o canal de ataque deve ser na parte inferior a fim de favorecer o fluxo de metal. d) A seção transversal do canal de ataque deve ser menor que a seção da peça onde será colocado o ataque. e) Os canais de ataque devem ser maiores que os utilizados em peças de ferro fundido. Isto deve ser feito para evitar solda fria, pois o aço fundido possui elevada viscosidade. f) Peças em formato de placa devem possuir sistema de canais com vários ataques para minimizar a erosão no molde. A seção transversal de cada canal de ataque não deve ser maior que a seção do canal de descida. g) A quantidade de canais de ataque deve ser maximizada para evitar pontos quentes. h) Se usar um único canal de ataque, o mesmo deve possuir um alargamento em direção à peça. i) Canais em forma de corneta podem ser usados em peças pequenas, entretanto reduzem o rendimento metalúrgico e é mais difícil para a moldagem. j) Em peças com formato circular, tais como engrenagens ou rodas, os ataques geralmente são dispostos de maneira tangencial, isto evita a erosão do macho. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 38 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA k) Em peças com formato circular que possuem raios, os quais fazem a ligação entre o aro e o cubo, recomenda-se colocar os ataques na região do cubo. Desta maneira, o aro vai receber o metal mais frio e isto vai favorecer a solidificação direcional em direção ao cubo. l) Os canais de ataque geralmente são colocados no molde superior. m) Os canais de ataque podem ser curvados de acordo com o perfil da peça. n) Canais com formato do tipo “saxofone” podem ser usados em moldes com grande profundidade. Os canais de ataque ficam dispostos em vários níveis no canal de descida, inclinados em direção à peça. Segundo Maehara e Esmeraldo (1989) o tamanho do canal de ataque no caso de ferros fundidos normalmente é menor em relação à área do canal de distribuição e canal de descida e desta maneira se consegue minimizar a possibilidade de entrada de escórias. No caso de aços fundidos o canal de ataque deve ser maior para facilitar o enchimento, isto é feito devido a má fluidez e a alta velocidade de solidificação. Sendo assim será mais difícil evitar a entrada de escórias na cavidade do molde através do sistema de enchimento em aços fundidos. Desta maneira se deve prever a contra a entrada de escórias nos canais em estágios anteriores. Para evitar arraste de areia o formato do canal de ataque deve possuir raios de arredondamento, conforme é mostrado na Figura 10.2. Figura 10.2 : Formatos do incorretos e corretos para os canais de ataque para aços fundidos (MAEHARA E ESMERALDO, 1989). 10.4 CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO De acordo com Maehara e Esmeraldo (1989) o objetivo do canal de distribuição é conduzir o fluxo de metal líquido sem que ocorra turbulência danosa e na temperatura adequada até os canais de ataque. O tamanho do canal de distribuição depende da geometria da peça. Para evitar que o metal esfrie no interior do mesmo, às vezes se faz necessário um aumento de área em relação ao valor que foi calculado. Para aços fundidos, devido à má fluidez e a alta velocidade de solidificação é melhor usar um formato simplificado, existem vários, conforme mostrados na Figura 10.3. Os formatos 1, 2 e 5, de forma retilínea, possuem maior facilidade para a ocorrência de defeitos de expansão de areia, como por exemplo, a crosta. Por serem arredondados, os melhores formatos são o 3 e o 4. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 39 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 10.3 : Formatos dos canais de distribuição para aços fundidos (MAEHARA E ESMERALDO, 1989). Para os canais de distribuição Guleyupoglu (1997) apresenta as seguintes recomendações: a) Embaixo do canal de descida o canal de distribuição deve possuir uma bacia rasa. b) O uso de uma extensão após o último canal de ataque é recomendado para reter escórias. c) Sempre que possível em peça oca, com formato cilíndrico, o sistema de enchimento deve ser colocado na parte interna. Com esta disposição o sistema de enchimento demora mais para solidificar e reduz a possibilidade de ocorrerem trincas devido à contração da peça. A desvantagem deste sistemaestá na dificuldade para a remoção dos canais e rebarbação no setor de acabamento. d) Os canais de distribuição geralmente estão localizados no molde inferior. A Figura 10.4 mostra esquematicamente um sistema de enchimento para peça de aço fundido utilizando algumas das considerações descritas por Guleyupoglu (1997). Figura 10.4: Esquema de um sistema de enchimento para aço fundido com relação 1:4:4 conforme sugerido por Guleyupoglu (1997). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 40 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 11 SISTEMA DE CANAIS VERTICAIS PRESSURIZADOS O método de calculo apresentado a seguir está baseado nas orientações do manual da empresa DISAMATIC para as suas máquinas de moldar com linha de partição vertical, a qual sugere o uso de sistema de canais convergente como o mais adequado ao seu processo em função dos seguintes fatores (DISA – GATING, 1988): Produz peças com boa qualidade. Permite utilizar racionalmente a placa modelo. Permite tempo de vazamento curto. Aumenta a produtividade. Permite obtenção de microestrutura uniforme nas peças. Reduz o trabalho de rebarbação. Permite tolerância dimensional estreita. É um sistema de canais que pode ser usado para muitos tipos de ligas e peças. A seguir se discute e apresentam-se as formulas que permitem o dimensionamento deste sistema de canais. Outros tipos de sistemas de canais verticais podem também ser usados para produção de peças boas, mas o sistema de canais pressurizados oferece vantagens econômicas e tecnológicas. Para este sistema temos que levar em consideração a alta velocidade, sendo que a taxa de vazamento ou vazão para as peças posicionadas na metade do molde é quase a mesma para as peças posicionadas na parte de cima do molde. Se a taxa de vazamento para as peças que ficam na parte inferior do molde é muito alta, então é possível que tais peças apresentem defeitos devido à penetração de metal, pinholes e porosidades por gases. O motivo é que nesta região temos uma grande turbulência, e as peças que estão na parte de baixo do molde enchem muito rapidamente, resultando na então chamada explosão de gás ou vazamento por choque (DISA – GATING, 1988). Observando o diagrama da Figura 11.1, constata-se que as taxas de vazamento variam consideravelmente quando a altura metalostática é aumentada. Por exemplo, em um sistema de canais com área de ataque de 100 mm2 com 100 mm de altura se produz uma vazão de 1 kg/s, entretanto para uma altura metalostática de 400 mm e para a mesma área do canal de ataque a vazão passa para 2 kg/s. Esta alta vazão é a principal causa dos defeitos nas peças fundidas que estão na metade inferior dos moldes com divisão vertical (DISA – GATING, 1988). O diagrama da Figura 11.1 deriva da seguinte formula: Q = vazão gravimétrica A = área da seção de choque SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 41 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA g = aceleração da gravidade H = altura de vazamento d = densidade do metal fundido A formula acima é verdadeira se o fluxo de metal ocorre em condições ideais sem perdas de carga, mas, na prática o fluxo de metal está sujeito a perdas por fricção e mudança de viscosidade o produz a perda de energia. Figura 11.1 : Vazão em função da área do ataque e da altura de vazamento (DISA – GATING, 1988). 11.1 FATOR DE PERDAS Em consideração a perda de energia no sistema de canais um fator de perdas pode ser introduzido nos cálculos. O fator de perdas (α) representa a redução total de velocidade ou vazão a qual o metal esta sujeito no sistema de canais. A Figura 11.2 mostra que o fator de perda é afetado por diversos itens. A perda de energia no sistema de canais e na peça é às vezes causada também pela contrapressão de gases na cavidade do molde ou método incorreto de vazamento. De outra maneira, a viscosidade do metal depende também da composição química, temperatura de vazamento e do tipo de metal (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 42 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 11.2 : Fatores que influenciam o fator de perda (DISA – GATING, 1988). A Figura 11.3 mostra como a geometria do canal de ataque influencia no fator de perda. A mesma área do canal de ataque pode gerar diferentes perdas no fluxo dependendo da espessura do ataque. Para canais de ataque mais grossos, menor será o fator de perda. Figura 11.3 : Fator de perdas para diferentes espessuras no canal de ataque (DISA – GATING, 1988). O fator de perdas (α) é um valor tipicamente empírico e pode ser estimado preliminarmente para efeito dos cálculos do sistema de canais. O fator de perdas estimado poderá mais tarde, quando o sistema de canais estiver sendo testado, ser SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 43 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA corrigido. Quando introduzir o fator de perdas no calculo da velocidade a formula ficará da seguinte maneira (DISA – GATING, 1988): 11.2 CALCULO DA ÁREA DA SEÇÃO DE ATAQUE A vazão gravimétrica (Qg) pode ser descrita como sendo a quantidade de ferro em g (P) que passa através de um canal em um determinado período de tempo (t), temos assim a seguinte expressão matemática: Qg = P/t O mesmo metal pode passar através do canal com a vazão (Qv) e pode ser descrito sob a vazão volumétrica, que é dada pela velocidade do metal (V) que atravessa a seção transversal do canal (A), temos assim a seguinte expressão matemática (DISA – GATING, 1988): Qv = V . A Podemos igualar as duas formas de vazão, para isto, deve-se multiplicar a vazão volumétrica pela densidade (d) da liga em questão, temos então a seguinte expressão matemática (DISA – GATING, 1988): P/t = d . V. A Agora é possível então calcular a seção do canal de ataque com a seguinte expressão matemática (DISA – GATING, 1988): A = área do canal de ataque ou choque (cm2) P = peso do metal que vai passar pelo canal de ataque (g) d = densidade do metal líquido (g/cm3) t = tempo de enchimento do molde (s) α = fator de perdas g = aceleração da gravidade (980 cm/s) H = altura metalostática (cm) Quando introduzimos as constantes, densidade do ferro fundido no estado líquido, 6,89 x 10-6 kg/mm3 e aceleração da gravidade, 9810 mm/seg2, expressão fica sendo: SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 44 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 11.3 FLUXO DO METAL NO SISTEMA DE CANAIS PRESSURIZADO Um fluxo laminar em um sistema de canais somente pode ser obtido se (DISA – GATING, 1988): � Se o sistema está continuamente cheio com metal e não existam vazios sendo ocupados por gases. � Se a altura metalostática é constante. A Figura 11.4 apresenta um sistema de canais com grandes canais de distribuição e grandes canais de ataque. O resultado é que o metal começa a encher as peças da parte debaixo do molde antes que o canal primário e o funil estejam cheios e muito antes que as peças da parte de cima começam a encher. Figura 11.4 : Seqüência incorreta para enchimento de um molde com divisão vertical (DISA – GATING, 1988). Os resultados gerados no esquema mostrado na Figura 11.4 podem ser os seguintes (DISA – GATING, 1988): • Os gases presos no sistema de canais de distribuição pelo sistema turbulento entrará na cavidade do molde e farão parte da peça. • A turbulência do metal poderá erodir grão de areia que serão arrastados para a cavidade do molde. • Escórias produzidas no metal não poderão subir para a superfície do metal no funil de vazamento, pois a coluna de metal não é contínua. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 45 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA • O tempo total para o enchimento do molde será maior em relação a um sistema onde ocorre oenchimento simultâneo de todas as peças, o qual pode gerar defeitos causados pelo calor excessivo no molde. • Devido ao excessivo tempo de enchimento, ocorre redução na produtividade da máquina de moldar. Na Figura 11.5 as áreas dos canais de distribuição e ataques foram reduzidas e então o sistema de canais foi cheio em tempo menor, causando o seguinte: • Rapidamente as alturas metalostáticas foram cheias H1, H2 e H3, obtendo- se um fluxo de metal contínuo sem a presença de vazios em um tempo bem curto. • Quase que simultaneamente o enchimento de todas as cavidades acontece, e então é possível obter um tempo total de enchimento menor. Figura 11.5 : Seqüência de enchimento adequada para um molde com divisão vertical (DISA – GATING, 1988). A Figura 11.6 apresenta outro caso de um sistema com fluxo não continuo nos canais. As áreas dos canais de distribuição são bem proporcionais e após pouco segundos o sistema de canais está cheio. No terceiro segundo, Figura 11.6A, ambos as cavidades começam a encher quase que simultaneamente. Após 5 segundos o molde parece estar cheio, o fluxo de ferro ultrapassa o topo do funil e o operador interrompe o vazamento, Figura 11.6B. A fila de molde faz o movimento para frente, mas o nível de ferro no funil baixa, Figura 11.6C. A razão para este evento é devido à ocorrência de um fluxo muito pequeno de metal através dos canais de ataque, em outras palavras, existe um choque muito grande ou diferença de relação de áreas muito grande entre canais de distribuição e ataques (DISA – GATING, 1988). Tal situação pode causar: • Vazamento incompleto. • Solda fria nas peças, o vazador tenta salvar o molde vazando em seguida. • Inclusões de escória ou areia. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 46 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 11.6 : Vazamento do molde com sistema de canais de distribuição correto, mas com áreas de ataques muito pequenas (DISA – GATING, 1988). 11.4 SEQÜÊNCIA DE ENCHIMENTO DO MOLDE Uma seqüência incorreta de enchimento da cavidade do molde é em muitos casos a causa de defeitos nas peças fundidas. O dimensionamento incorreto dos canais de ataque pode causar o enchimento não simultâneo de todas as cavidades, aumentar o tempo de vazamento, redução de produtividade, mas também um sério aumento na quantidade de peças rejeitadas. Não são somente as áreas dos canais de ataque que são importantes para proporcionar um adequado enchimento do sistema, mas também a proporção entre as áreas dos canais de ataque e canais de distribuição, ou seja, a relação de áreas do sistema possui grande influencia. Em outras palavras, as áreas dos canais de ataque em nosso exemplo podem estar dimensionadas corretamente de acordo com a altura metalostática, mas mesmo assim o enchimento das cavidades pode ser incorreto. Isto pode ocorrer se os canais de distribuição não forem cheios completamente com o metal durante a operação de vazamento (DISA – GATING, 1988). No caso apresentado na Figura 11.4 é necessário fazer o ajuste das dimensões dos canais de distribuição para reduzir o tempo de enchimento com o metal. O ajuste das áreas do sistema de canais deve favorecer uma seqüência de enchimento que possibilite o enchimento simultâneo de todas as cavidades do molde. O tempo de enchimento do sistema de canais bem como o tempo total de enchimento deve ser o mais curto possível (DISA – GATING, 1988). 11.5 OBSERVANDO A SEQUENCIA DE ENCHIMENTO DA CAVIDADE Não é difícil obter a informação a respeito do enchimento da cavidade do molde na prática quando o metal é vazado em uma fileira de moldes que estão em movimento, como é o caso dos moldes feitos em uma máquina do tipo Disamatic. Existe uma boa possibilidade de você obter a informação da seqüência de enchimento das cavidades do molde através da interrupção do vazamento. A idéia é que os primeiros moldes não sejam cheios completamente, é necessário que o vazamento seja interrompido após 3 segundos, os próximos em 5 segundos e assim por diante em tempos variados, até que o último fique completamente cheio. Desta forma, fica fácil observar a seqüência de enchimento que ocorreu, basta recolher os conjuntos na desmoldagem e observar se o enchimento das cavidades foi simultâneo. A Figura 11.7 mostra uma seqüência de fotos de um sistema com SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 47 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA vazamento interrompido no qual a seqüência de enchimento não ocorreu de modo simultâneo (DISA – GATING, 1988). Tempo enchimento = 2s Tempo enchimento = 3 e 4s Tempo enchimento = 5 e 6s Tempo enchimento = 7s Figura 11.7: Teste feito com interrupção do vazamento em um molde com seqüência de enchimento não simultânea em todas as cavidades (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 48 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA 11.6 NOMOGRAMA PADRÃO A empresa Disamatic recomenda o nomograma padrão para calcular os sistemas de canais. O nomograma da Figura 11.8 une os fatores da formula para o calculo da área da seção do canal de ataque (DISA – GATING, 1988). Para uso do monograma é necessário ter os seguintes dados: -O peso de cada peça (kg). -O tempo de enchimento de cada cavidade (s). -O fator de perdas - α. -A altura metalostática (mm). Figura 11.8 : Nomograma padrão para calcular canais de ataque para ferros fundidos (DISA – GATING, 1988). 11.7 PESO DA PEÇA O peso da peça é um item encontrado no monograma, o qual é usado para determinar a área da seção do canal que está próxima da cavidade da peça, Figura 11.9A. Às vezes, quando é necessário o uso de um massalote, o peso do massalote e do pescoço devem ser considerados como parte da peça, Figura 11.9B. Às vezes duas peças são alimentadas por um massalote, em tais casos, deve-se considerar o peso das duas peças e mais o peso do massalote com o pescoço, Figura 11.9C. Finalmente, a secção do braço do canal de distribuição é calculada com base no peso total de metal que vai passar neste local, Figura 11.9D (DISA – GATING, 1988). SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 49 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA Figura 11.9 : A secção dos canais de ataque e de distribuição é determinada de acordo com o peso de metal que irá fluir através destas áreas (DISA – GATING, 1988). 11.8 TEMPO DE VAZAMENTO Para escolher o tempo de vazamento, os seguintes fatores deveam ser levados em consideração (DISA – GATING, 1988): • O tempo total de vazamento (T2) é a soma do tempo de vazamento da cavidade da peça (T) e do tempo necessário para preencher o sistema de canais (T1). • O tempo total máximo de vazamento deve ser menor que o tempo do ciclo de moldagem da máquina (t). • O tempo do ciclo da máquina (t2) é a soma do tempo do ciclo de moldagem (t) e o tempo de transporte do molde, após o vazamento (t1), que normalmente é de 2 a 3 segundos. • O tempo total de vazamento (T2) deve geralmente ser o mais curto possível e sempre menor que o tempo do ciclo de moldagem (t). Dependendo do desenho do sistema de canais e do tipo de peça, o tempo de enchimento do sistema de canais (T1) é normalmente entre 1 a 2 segundos. O tempo mínimo para encher a cavidade da peça (T) depende do tipo e do peso da peça. O tempo máximo disponível para encher a cavidade da peça (T) depende do tipo de máquina e da produtividade necessária. SOCIEDADE EDUCACIONAL DE SANTA CATARINA – INSTITUTO SUPERIOR TUPY 50 PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA METALÚRGICA O que foi descrito acima pode ser resumido da seguinte forma: T + T1