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CÓDIGO PENAL — ARTIGOS 307 E 308
FALSA IDENTIDADE E USO/CESSÃO DE DOCUMENTO DE IDENTIDADE ALHEIO
1. VISÃO GERAL E ENQUADRAMENTO LEGAL
No concurso para Escrevente Técnico Judiciário do TJ-SP, a banca VUNESP cobra com elevada frequência os crimes
contra a Fé Pública situados no Capítulo IV do Título X do Código Penal ('De Outras Falsidades'). Os artigos 307 (Falsa
Identidade) e 308 (Uso de Documento de Identidade Alheia / Cessão) representam tipos penais de aplicação
cotidiana no meio policial e judiciário. É fundamental dominar os requisitos de cada tipo, as diferenças em relação aos
documentos falsos (Art. 304) e a indispensável Súmula 522 do STJ.
2. ARTIGO 307 DO CÓDIGO PENAL — FALSA IDENTIDADE
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGO 307
Art. 307. Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em proveito próprio ou alheio, ou para causar
dano a outrem:
Pena — detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Análise Detalhada dos Elementos do Art. 307:
a) Condutas Típicas (Verbos Nucleares): O crime possui dois núcleos alternativos:
• Atribuir-se: O próprio agente alega ser quem não é (autoatribuição de falsa identidade).
• Atribuir a terceiro: O agente atribui a outra pessoa (presente ou ausente) uma identidade falsa (heteroatribuição).
b) Meio de Execução (Falta de Documento Físico): A conduta do Art. 307 é eminentemente verbal, escrita ou
declaratória, sem a apresentação ou exibição de documento de identidade falso ou de terceiro. Se o agente apresenta
documento falso, responde por uso de documento falso (Art. 304). Se apresenta documento verdadeiro de outra pessoa,
responde pelo Art. 308.
c) Elemento Subjetivo do Tipo (Dolo Específico): Não basta a mera mentira irresponsável. É exigido o dolo acrescido
da finalidade especial: obter vantagem (patrimonial, pessoal, moral, fuga da prisão) ou causar dano a outrem.
d) Subsidiariedade Expressa: A pena só é aplicada 'se o fato não constitui elemento de crime mais grave'. Se o agente
usa a falsa identidade para induzir a vítima em erro e obter vantagem ilícita patrimonial, o crime de falsa identidade é
absorvido pelo crime de Estelionato (Art. 171).
ALERTA MÁXIMO VUNESP — SÚMULA 522 DO STJ
SÚMULA 522 DO STJ: 'A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que em alegada
autodefesa.'
COMO A VUNESP COBRA EM PROVA: A banca afirma que o indivíduo abordado pela polícia ou preso em flagrante que
mente o nome para esconder seus antecedentes criminais ou mandado de prisão em aberto estaria amparado pelo direito à
autodefesa (não punível). ISSO É FALSO! O STJ e o STF pacificaram que a autodefesa não abrange o direito de mentir a
própria identidade civil/penal. O agente responde por crime do Art. 307 do CP!
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3. ARTIGO 308 DO CÓDIGO PENAL — USO/CESSÃO DE DOC. DE
IDENTIDADE ALHEIO
TRANSCRIÇÃO DA LEI SECA — ARTIGO 308
Art. 308. Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou qualquer documento de identidade
alheia, ou ceder a outrem, para que dele se utilize:
Pena — detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento de crime mais grave.
Análise Detalhada dos Elementos do Art. 308:
a) Crime de Ação Múltipla (Dois Núcleos):
1. Usar (como próprio): Apresentar ou utilizar documento de identidade verdadeiro pertencente a outra pessoa.
2. Ceder (a outrem): Emprestar, entregar ou disponibilizar o seu documento de identidade legítimo para que terceira
pessoa o utilize como se fosse dela.
b) Requisito Essencial — O Documento deve ser VERDADEIRO (Genuíno):
Para a caracterização do Art. 308, o documento exibido ou cedido é totalmente legítimo e autêntico, emitido pelo órgão
oficial competente, porém pertence a outra pessoa (ex: usar o RG ou CNH verdadeira do irmão gêmeo ou amigo).
• Se o documento for falsificado ou adulterado: O crime será do Art. 304 (Uso de Documento Falso).
c) Rol de Documentos de Identidade: O texto legal cita exemplificativamente passaporte, título de eleitor, caderneta de
reservista e encerra com a cláusula genérica 'ou qualquer documento de identidade alheia' (ex: RG, CNH, Carteira OAB,
CRM, Carteira Funcional).
d) Subsidiariedade Expressa: Aplica-se a pena do Art. 308 somente 'se o fato não constitui elemento de crime mais
grave'.
4. QUADRO COMPARATIVO CURINGA — DIFERENCIAÇÃO EM PROVA
A VUNESP tenta constantemente confundir o candidato trocando as condutas entre os artigos 299, 304, 307 e 308.
Memorize a tabela abaixo para acertar qualquer questão de comparação:
CRIME / TIPO
PENAL
CONDUTA PRATICADA NATUREZA DO
DOCUMENTO
EXEMPLO PRÁTICO FORENSE
Art. 307
Falsa Identidade
Declarar ou atribuir a si/terceiro
nome ou dados falsos (de boca/por
escrito).
Inexistente (não há exibição
de documento físico).
Preso em flagrante diz aos policiais
que se chama 'João' (nome do irmão)
para esconder mandado.
Art. 308
Uso/Cessão Doc.
Alheio
Exibir doc. de terceiro como se
fosse seu OU ceder o seu doc. a
outrem.
Verdadeiro / Genuíno, porém
pertencente a outra pessoa.
Jovem de 17 anos apresenta a CNH
verdadeira do irmão de 20 anos para
entrar em casa noturna.
Art. 304
Uso de Doc. Falso
Fazer uso de qualquer papel
material ou ideologicamente falso.
Falso / Adulterado (material
ou ideologicamente).
Motorista apresenta CNH falsificada
compondo foto sua com dados de
terceiro.
Art. 299
Falsidade Ideológica
Inserir ou omitir declaração falsa em
doc. verdadeiro para alterar a
verdade.
Verdadeiro na forma, mas
com conteúdo mentiroso.
Proprietário indica condutor falso no
formulário de multa de trânsito para
transferir pontos.
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5. MACETES DE MEMORIZAÇÃO RÁPIDA
MACETE DE OURO PARA MUDANÇA DE TIPO PENAL
REGRA DOS TRÊS PASSO DA BANCA VUNESP:
1. Falou de boca pra fora? Não mostrou papel nenhum? -> Art. 307 (Falsa Identidade).
2. Mostrou documento VERDADEIRO que é de OUTRA pessoa? -> Art. 308 (Doc. Alheio).
3. Mostrou documento FALSIFICADO / ADULTERADO? -> Art. 304 (Uso de Doc. Falso).
4. Alegou autodefesa ao mentir o nome na delegacia? É CRIME SIM -> Súmula 522 STJ (Art. 307).
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6. BANCO DE QUESTÕES REAIS VUNESP COMENTADAS
Treine com questões no padrão exato exigido no concurso de Escrevente do TJ-SP:
Questão 1 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Mário, ao ser abordado por policiais
militares em patrulhamento de rotina, declarou verbalmente chamar-se Roberto, que é o nome de seu irmão
mais velho, com a intenção de ocultar o fato de que contra si havia um mandado de prisão expedido pela
Justiça. Mário não apresentou qualquer documento de identificação. Diante dessa situação hipotética,
Mário:
A) não praticou crime algum, pois a alteração do nome perante a polícia constitui exercício legítimo do direito constitucional à
autodefesa.
B) cometeu o crime de uso de documento falso (Art. 304 do Código Penal).
C) cometeu o crime de falsa identidade (Art. 307 do Código Penal).
D) cometeu o crime de uso de documento de identidade alheia (Art. 308 do Código Penal).
E) praticou mera infração administrativa sujeita à multa municipal.
Gabarito Comentado: Alternativa C.
Análise detalhada: Mário atribuiu-se falsa identidade (nome de seu irmão) declarando verbalmente, sem exibir documentos, para obter
vantagem (evitar o cumprimento do mandado de prisão). Essa conduta amolda-se perfeitamente ao Art. 307 do CP. Conforme a
Súmula 522 do STJ, a alegação de autodefesa não afasta a tipicidade do crime de falsa identidade perante a autoridade policial.
Incorretas as demais:A) Súmula 522 proíbe a tese da autodefesa; B) e D) exigem exibição de documento físico, o que não ocorreu.
Questão 2 (VUNESP — PC-SP — Delegado de Polícia / Adaptada TJ-SP): Lucas, jovem de 19 anos,
desejando ingressar em uma festa restrita a maiores de 21 anos, pegou escondido a Carteira Nacional de
Habilitação (CNH) verdadeira de seu amigo Paulo, de 22 anos, e a apresentou ao segurança do
estabelecimento na entrada. A conduta de Lucas configura, em tese, o crime de:
A) Falsificação de documento público (Art. 297 do CP).
B) Falsidade ideológica (Art. 299 do CP).
C) Uso de documento falso (Art. 304 do CP).
D) Uso de documento de identidade alheia (Art. 308 do CP).
E) Falsa identidade (Art. 307 do CP).
Gabarito Comentado: Alternativa D.
Análise detalhada: Como a CNH apresentada por Lucas é totalmente verdadeira e autêntica, porém pertencente a terceira pessoa
(Paulo), o crime praticado é o do Artigo 308 do CP ('Usar, como próprio, passaporte... ou qualquer documento de identidade alheia').
Não é uso de doc. falso (Art. 304) nem falsificação (Art. 297) porque o documento é genuíno. Não é Art. 307 porque houve a exibição
física de documento verdadeiro alheio.
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Questão 3 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Assinale a alternativa correta acerca dos
crimes de Falsa Identidade (Art. 307) e Uso de Documento de Identidade Alheia (Art. 308), previstos no
Código Penal Brasileiro:
A) O crime de falsa identidade (Art. 307) é punido exclusivamente com pena de reclusão e incapacita o infrator para cargos
públicos.
B) Quem empresta ou cede seu próprio RG verdadeiro para que um amigo cometa uma fraude comete o crime de falsa
identidade (Art. 307).
C) O crime do Art. 308 contempla tanto a conduta de quem usa documento de identidade alheio como próprio quanto a de
quem cede o seu documento a outrem para que dele se utilize.
D) A atribuição de falsa identidade para ocultar antecedentes criminais perante a polícia é atípica devido ao direito ao
silêncio.
E) O delito do Art. 308 exige obrigatoriamente que o documento exibido seja materialmente falsificado por órgão não oficial.
Gabarito Comentado: Alternativa C.
Análise detalhada: A alternativa C reproduz a estrutura de tipo penal de ação múltipla do Art. 308 do CP (núcleos usar e ceder).
Incorretas as demais: A) A pena do Art. 307 é de detenção ou multa; B) Ceder doc. próprio é Art. 308; D) Súmula 522 do STJ considera
a conduta típica; E) O Art. 308 exige que o documento seja VERDADEIRO.
Questão 4 (VUNESP — Prefeitura de Campinas — Procurador / Adaptada TJ-SP): Renato, titular legítimo de
uma Carteira de Identidade (RG) expedida pela Secretaria de Segurança Pública de SP, emprestou
voluntariamente seu documento oficial para seu irmão gênio Caio, a fim de que este pudesse realizar uma
prova de concurso em seu lugar. Nessa situação, a conduta de Renato amolda-se ao crime de:
A) Falsidade ideológica (Art. 299).
B) Cessão de documento de identidade alheia (Art. 308, segunda parte).
C) Falsa identidade (Art. 307).
D) Favorecimento pessoal (Art. 348).
E) Estelionato tentado (Art. 171 c/c 14, II).
Gabarito Comentado: Alternativa B.
Análise detalhada: O Art. 308 do CP pune explicitamente a conduta de 'ceder a outrem [documento de identidade próprio], para que
dele se utilize'. Como Renato entregou/emprestou seu RG legítimo para o irmão utilizar como se fosse dele, responde pelo Art. 308 na
modalidade ceder.
Questão 5 (VUNESP — TJ-SP — Escrevente Técnico Judiciário): Sobre a subsidiariedade expressa contida
nas penas dos artigos 307 e 308 do Código Penal ('se o fato não constitui elemento de crime mais grave'),
assinale a afirmação correta:
A) Significa que a falsa identidade se sobrepõe a qualquer outro delito praticado pelo agente, absorvendo os crimes
patrimoniais.
B) Significa que, se a falsa identidade for utilizada exclusivamente como meio para a prática de um estelionato (Art. 171 do
CP), o agente responderá apenas pelo estelionato, ficando a falsa identidade absorvida.
C) Determina que a pena da falsa identidade é somada obrigatoriamente em concurso material com a pena do crime mais
grave.
D) Significa que o uso de documento alheio nunca pode ser punido se houver qualquer infração administrativa conexa.
E) Impede a aplicação de fiança ou transação penal em qualquer hipótese.
Gabarito Comentado: Alternativa B.
Análise detalhada: Pelo princípio da consunção/subsidiariedade expressa contida na ressalva do tipo penal ('se o fato não constitui
elemento de crime mais grave'), quando a atribuição de falsa identidade serve unicamente como meio fraudulento para a consumação
do estelionato (crime mais grave), a falsa identidade é absorvida pelo estelionato.
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