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RESUMO - CRIMES CONTRA A FÉ PÚBLICA
➢ DEFINIÇÃO DE FÉ PÚBLICA
○ É a crença na veracidade dos documentos
○ A sua violação configura o crime de falso, para isso é necessário três requisitos
■ 1) IMITAÇÃO DA VERDADE
● Que pode ocorrer de duas formas, vejamos:
○ Immutatio veri
■ Mudança do verdadeiro (ex.: modificar o teor de um documento já
existente);
○ Imitatio veritatis
■ Imitação da verdade (ex.: criar um documento falso imitando
■ 2) DANO POTENCIAL
● O prejuízo inerente à falsidade não precisa ser efetivo nem necessariamente
patrimonial. Só há dano potencial, por outro lado, quando o documento
falsificado é capaz de iludir ou enganar um número indeterminado de pessoas.
FALSIFICAÇÃO GROSSEIRA
➢ A falsificação grosseira, reconhecível ictus oculi, não caracteriza, portanto, o crime de falso.
○ Contudo, pode configurar outra espécie de crime a depender do caso concreto, como
estelionato
Súmula 73, STJ - Tratando-se de falsificação grosseira, incapaz de enganar o homem
comum, o crime se caracteriza como o de estelionato e, não o de moeda falsa, sendo
pois competente o juízo estadual comum
➢ Considera-se grosseira a falsidade que pode ser percebida por toda e qualquer pessoa que manuseie o
documento
■ 3) DOLO
● Todos os crimes contra a fé pública são dolosos
○ Não há nenhuma modalidade culposa
○ Em alguns casos, é exigido finalidade específica
■ Como o crime de falsidade ideológica (art. 299), em que o agente
deve ter cometido a falsificação com a “finalidade de prejudicar
direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato
juridicamente relevante etc
○ Modalidades do crime de falso
■ Falsidade material
● Diz respeito aos elementos exteriores que compõem o documento ou outros
papéis → Refere-se à forma do documento
■ Falsidade ideológica
● Diz respeito ao conteúdo de documentos ou outros papéis;
■ Falsidade pessoal
● Diz respeito a se passar por outra pessoa quanto a suas qualidades (nome, idade,
estado civil, profissão etc.)
ATENÇÃO
➢ Vale lembrar que os requisitos para o crime de falsidade são a imitação da verdade, o dano e o dolo.
➢ E pode haver o crime de falsidade: ideológica, material e pessoal.
➢ E que a falsificação grosseira não configura o crime de falso, na medida em que deve ser capaz de
enganar um número indeterminado de pessoas (mas pode constituir outro crime de acordo com o caso
concreto).
➢ MOEDA FALSA
Art. 289 - Falsificar, fabricando-a ou alterando-a, moeda metálica ou papel-moeda de
curso legal no país ou no estrangeiro:
Pena - reclusão, de três a doze anos, e multa.
§ 1º - Nas mesmas penas incorre quem, por conta própria ou alheia, importa ou exporta,
adquire, vende, troca, cede, empresta, guarda ou introduz na circulação moeda falsa.
§ 2º - Quem, tendo recebido de boa-fé, como verdadeira, moeda falsa ou alterada, a
restitui à circulação, depois de conhecer a falsidade, é punido com detenção, de seis
meses a dois anos, e multa.
§ 3º - É punido com reclusão, de três a quinze anos, e multa, o funcionário público ou
diretor, gerente, ou fiscal de banco de emissão que fabrica, emite ou autoriza a
fabricação ou emissão:
I - de moeda com título ou peso inferior ao determinado em lei;
II - de papel-moeda em quantidade superior à autorizada.
§ 4º - Nas mesmas penas incorre quem desvia e faz circular moeda, cuja circulação não
estava ainda autorizada.
○ A conduta pode recair sobre moeda local ou estrangeira
■ A falsificação de moeda que deixou de circular não se amolda no tipo, podendo
caracterizar o crime de estelionato
○ A falsificação grosseira caracteriza o crime de estelionato
Súmula 73, STJ - Tratando-se de falsificação grosseira, incapaz de enganar o homem
comum, o crime se caracteriza como o de estelionato e, não o de moeda falsa, sendo
pois competente o juízo estadual comum
Quando o falso se exaure no estelionato, sem mais potencialidade lesiva, é por este
absorvido. (SÚMULA 17, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 20/11/1990, DJ
28/11/1990, p. 13963)
CRIME DE ESTELIONATO
Art. 171 - Obter, para si ou para outrem, vantagem ilícita, em prejuízo alheio,
induzindo ou mantendo alguém em erro, mediante artifício, ardil, ou qualquer outro
meio fraudulento:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, de quinhentos mil reais a dez contos de
réis.
○ Não se admite a aplicação do princípio da insignificância ao crime em análise (cédula de R$
1,00, por exemplo), com o fundamento de que o crime de bagatela é incompatível com delitos
que tutelam a fé pública, e não o valor em pecúnia da cédula (RT 803/713, 816/713)
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para sujeito ativo e passivo
● O sujeito passivo é o Estado
■ Doloso (não há forma culposa)
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo (Permanente na modalidade “guardar”)
■ Plurissubsistente
○ Consumação
■ Com a própria falsificação, independente do resultado
○ Tentativa
■ É possível
○ Figura equiparada → § 1º
○ Figura privilegiada → § 2º
○ Figuras qualificadas → §§ 3º e 4º
○ Ação Pública Incondicionada de Competência da Justiça Federal
➢ CRIMES ASSIMILADOS AO DE MOEDA FALSA
Art. 290 - Formar cédula, nota ou bilhete representativo de moeda com fragmentos de
cédulas, notas ou bilhetes verdadeiros; suprimir, em nota, cédula ou bilhete recolhidos,
para o fim de restituí-los à circulação, sinal indicativo de sua inutilização; restituir à
circulação cédula, nota ou bilhete em tais condições, ou já recolhidos para o fim de
inutilização:
Pena - reclusão, de dois a oito anos, e multa.
Parágrafo único - O máximo da reclusão é elevado a doze anos e multa, se o crime é
cometido por funcionário que trabalha na repartição onde o dinheiro se achava
recolhido, ou nela tem fácil ingresso, em razão do cargo
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para sujeito ativo e passivo
■ Doloso (não há forma culposa)
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Figura qualificada → parágrafo único
➢ PETRECHOS PARA FALSIFICAÇÃO DE MOEDA
Art. 291 - Fabricar, adquirir, fornecer, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar
maquinismo, aparelho, instrumento ou qualquer objeto especialmente destinado à
falsificação de moeda:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para sujeito ativo e passivo
■ Doloso (não há forma culposa)
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo (Permanente nas modalidades “possuir” e “guardar”)
■ Plurissubsistente
○ O crime em análise é subsidiário
A conduta consiste em ato preparatório, criminalizado excepcionalmente pelo legislador. Veja que, se não
existisse a previsão do art. 291 do CP, o comportamento em tela seria mero ato preparatório do art. 289 (e via
de regra, impunível). Com a opção do legislador em formalizar o ato preparatório como delito, no entanto, a
conduta passa a constituir fato punível. Nesse sentido, é importante perceber que, por força do princípio da
consunção, caso fique demonstrado que o autor fabricou o maquinário e depois procedeu à prática do art. 289
do CP, o delito do art. 291 ficará absorvido (configurar-se-á fato anterior impunível)
○ Ação Penal Pública Incondicionada de Competência da Justiça Federal
➢ EMISSÃO DE TÍTULO AO PORTADOR SEM PERMISSÃO LEGAL
Art. 292 - Emitir, sem permissão legal, nota, bilhete, ficha, vale ou título que contenha
promessa de pagamento em dinheiro ao portador ou a que falte indicação do nome da
pessoa a quem deva ser pago:
Pena - detenção, de um a seis meses, ou multa.
Parágrafo único - Quem recebe ou utiliza como dinheiro qualquer dos documentos
referidos neste artigo incorre na pena de detenção, de quinze dias a três meses, ou multa.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para sujeito ativo e passivo
■ Doloso (não há forma culposa)
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Forma privilegiada → parágrafo único
➢ FALSIFICAÇÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO/ FALSIDADE MATERIAL
Art. 297 - Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento
público verdadeiro:Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo,
aumenta-se a pena de sexta parte.
§ 2º - Para os efeitos penais, equiparam-se a documento público o emanado de entidade
paraestatal, o título ao portador ou transmissível por endosso, as ações de sociedade
comercial, os livros mercantis e o testamento particular.
§ 3o Nas mesmas penas incorre quem insere ou faz inserir:
I – na folha de pagamento ou em documento de informações que seja destinado a fazer
prova perante a previdência social, pessoa que não possua a qualidade de segurado
obrigatório;
II – na Carteira de Trabalho e Previdência Social do empregado ou em documento que
deva produzir efeito perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que
deveria ter sido escrita;
III – em documento contábil ou em qualquer outro documento relacionado com as
obrigações da empresa perante a previdência social, declaração falsa ou diversa da que
deveria ter constado.
§ 4o Nas mesmas penas incorre quem omite, nos documentos mencionados no § 3o,
nome do segurado e seus dados pessoais, a remuneração, a vigência do contrato de
trabalho ou de prestação de serviços.
CONCEITO DE DOCUMENTO
➢ É todo escrito devido a um autor determinado, contendo exposição de fatos ou declaração de vontade,
dotado de significação ou relevância jurídica e que pode, por si só, fazer prova de seu conteúdo
○ Requisitos
■ Forma escrita
■ Autor certo
■ Conteúdo com relevância jurídica
■ Valor probatório
TEORIAS
➢ Teoria Estrita ou Formalista
○ Toda a peça escrita que condensa graficamente o pensamento de alguém, podendo provar um
fato ou a realização de algum ato dotado de significação ou relevância jurídica.
➢ Teoria Ampla
○ Para esta posição deve-se verificar que a evolução tecnológica não apresenta mais o papel
como fonte exclusiva da representação do conteúdo, de forma que se têm outros meios como
repositório dos mais variados atos (disquetes, cds, microfilmes etc)
DOCUMENTO PÚBLICO
Contudo, um particular pode cometer crime de falsidade de documento público, desde que falsifique
documento que deveria ter sido feito por funcionário público ou altere documento efetivamente elaborado por
este. Não se trata, portanto, de crime próprio, podendo ser cometido por funcionário público ou por
particular. Na hipótese de a falsificação ter sido feita por funcionário, prevalecendo-se de seu cargo, a pena
sofrerá aumento de um sexto, nos termos do art. 297, § 1º.
A adulteração de chassi de veículo ou de qualquer de seus elementos identificadores (numeração das placas,
do motor, do câmbio) caracteriza o crime do art. 311 do Código Penal (com a redação dada pela Lei n.
9.426/96). Se, entretanto, o agente altera o número do chassi ou da placa no próprio documento do veículo
(certificado de propriedade), caracteriza-se o crime de falsidade de documento público.
ESPÉCIES DE DOCUMENTO PÚBLICO
➢ Formal e substancialmente público
○ É aquele elaborado por funcionário público, com conteúdo e relevância jurídica de direito
público (atos legislativos, executivos e judiciários)
➢ Formal e substancialmente privado
○ É elaborado por funcionário público, mas com conteúdo de interesse privado. Ex.: escritura
pública de compra e venda de bem particular.
➢ Documentos públicos por equiparação → § 2º
RESUMO DE ESPÉCIES DE DOCUMENTO PÚBLICO
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
● Sujeito ativo
○ Particular
○ Funcionário público (§ 1º)
● Sujeito passivo
○ O Estado e, eventualmente, a pessoa lesada pelo falso
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria) e omissivo próprio (§ 4º)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Condutas típicas
■ Falsificar
● Significa criar materialmente, formar um documento falso. Pode ser:
○ Total
○ Parcial
■ Alterar
● Significa modificar um documento verdadeiro
○ Comprovação
■ A falsidade material é infração que deixa vestígios, de modo que é indispensável o
exame de corpo de delito para a prova da materialidade (art. 158 do CPP)7
● Diferente do crime de falsidade ideológica (art. 299)
○ Elemento subjetivo
■ A lei não exige qualquer finalidade especial por parte do agente e tampouco que se
demonstre a que fim o documento falso se destinava. Basta que a conduta seja dolosa
● Diferente do crime de falsidade ideológica (art. 299)
○ Consumação
■ Com a falsificação ou alteração, independentemente do uso ou de qualquer outra
consequência posterior. Basta a editio falsi
● Na modalidade falsificar
○ A consumação se dá quando o documento falso fica pronto
● Na modalidade alterar
○ A consumação se dá quando a modificação se concretiza
➢ FALSIDADE DE DOCUMENTO PARTICULAR
Art. 298 - Falsificar, no todo ou em parte, documento particular ou alterar documento
particular verdadeiro:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa.
DOCUMENTO PARTICULAR
➢ Documento particular é aquele que não é público em si mesmo ou por equiparação.
➢ Os requisitos do documento particular são os mesmos do documento público (forma escrita, autor
certo, conteúdo com relevância jurídica e valor probatório), sendo que, entretanto, não são elaborados
por funcionário público no desempenho de suas funções. Ex.: contratos de compra e venda, de
locação, notas fiscais, carteira de sócio de clube etc.
REGISTRO NO CARTÓRIO
➢ O documento particular registrado em cartório não tem sua natureza alterada. O registro é apenas para
dar publicidade ao documento, no sentido de ficar registrada a sua existência em determinada data,
mas não altera seu caráter particular. Assim, quando alguém registra um compromisso de compra e
venda, a finalidade é demonstrar que tal contrato já havia sido celebrado em certa data, de modo que
uma venda posterior a outra pessoa não tenha valor. A cópia autenticada de documento particular
continua sendo documento particular
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Consumação
■ Consuma-se com a falsificação ou alteração, independentemente do uso ou de qualquer
outra consequência posterior. Basta uma edição falsa.
○ Tentativa
■ É cabível pois, apesar de ser crime formal, é possível que o agente seja surpreendido no
momento em que está iniciando a falsificação.
➢ FALSIDADE IDEOLÓGICA
Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia
constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser
escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato
juridicamente relevante:
Pena - reclusão, de um a cinco anos, e multa, se o documento é público, e reclusão de
um a três anos, e multa, de quinhentos mil reais a cinco contos de réis, se o documento é
particular.
Parágrafo único - Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se
do cargo, ou se a falsificação ou alteração é de assentamento de registro civil,
aumenta-se a pena de sexta parte.
A falsidade ideológica também é conhecida por falsidade intelectual, ideal ou moral. Nela, o documento é
autêntico em seus requisitos extrínsecos e emana real mente da pessoa que nele figura como seu autor.
Assim, apenas o seu conteúdo é falso. Conforme menciona o tipo penal, trata-se de falsidade nas declarações
contidas no documento.
○ São elencadas três condutas
■ Omitir declaração que devia constar do documento
● Nessa modalidade, a conduta é omissiva pois se refere a uma declaração que
deixou de constar. O agente elabora um documento deixando, dolosamente, de
inserir alguma informação que era obrigatória
○ Exs.: não inserir cláusula contratual que havia sido combinada;
confeccionar Carteira de Habilitação na qual não consta a necessidade do
uso de lentes corretivas etc
■ Inserir declaração falsa ou diversa da que devia constar
● Aqui o agente confecciona o documento inserindo informação inverídica ou
diversa da que devia constar. Trata-se de conduta comissiva
○ Exs.:delegado que elabora Carteira de Habilitação declarando que
determinada pessoa é habilitada quando ela, em verdade, foi reprovada no
exame
■ Fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia constar
● O agente fornece informação falsa a terceira pessoa, responsável pela elaboração
do documento, e esta, sem ter ciência da falsidade, o confecciona
○ Ex.: alguém declara que é solteiro ao Tabelião durante a lavratura de uma
escritura para prejudicar os direitos de sua esposa de quem está se
separando
Nas duas primeiras hipóteses (omitir e inserir) existe a chamada FALSIDADE IMEDIATA, pois é a própria
pessoa que confecciona o documento quem comete o falso ideológico. Na última modalidade (fazer inserir) a
lei não pune quem confecciona o documento, mas quem lhe passa a informação falsa (falsidade mediata),
pois, neste caso, quem o elabora está de boa-fé, desconhece a falsidade da declaração. Se tal pessoa
conhecesse a falsidade da declaração e, ainda assim, elaborasse o documento, seria autor do crime na
modalidade inserir declaração falsa, ao passo que a pessoa que lhe pediu para desse modo agir seria partícipe
de tal crime.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria) e omissivo próprio
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ As condutas podem recair sobre documento público ou particular
○ Elemento subjetivo
■ Para que exista falsidade ideológica, é necessário que o agente queira prejudicar direito,
criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Ausentes tais
finalidades, o fato será atípico
○ Comprovação
■ A falsidade ideológica é crime que não pode ser comprovado pericialmente, pois o
documento é verdadeiro em seu aspecto formal, sendo falso apenas o seu conteúdo
○ Consumação
■ Quando o documento fica pronto com a efetiva omissão ou inserção de declaração, de
forma a tornar falso o seu conteúdo, mesmo que o agente não atinja a sua finalidade de
prejudicar direito, criar obrigação etc. Trata-se de crime formal.
○ Tentativa
■ Só é possível nas formas comissivas
PREENCHIMENTO ABUSIVO DE PAPEL ASSINADO EM BRANCO POR OUTRA PESSOA
➢ Duas situações podem ocorrer
○ Se o papel foi assinado em branco e entregue em confiança a alguém para que o preenchesse
posteriormente com determinado conteúdo, mas o agente o fez em desacordo com as
instruções dadas, há crime de falsidade ideológica
○ Se o papel assinado em branco foi obtido de forma ilícita (furto, roubo etc.), o crime é o de
falsidade material. A diferença está em que, no primeiro caso, o documento foi elaborado por
quem tinha autorização para fazê-lo, sendo falso apenas o seu conteúdo
FALSIDADE IDEOLÓGICA EM DOCUMENTO FISCAL
➢ A inserção de dados falsos em documentos, livros ou declarações exigidas pelas leis fiscais
caracteriza crime contra a ordem tributária (art. 1º da Lei n. 8.137/90).
➢ O crime de sonegação fiscal (contra a ordem tributária) absorve o delito de falsidade ideológica.
Aliás, o pagamento do tributo antes do recebimento da denúncia extingue a punibilidade da
sonegação fiscal, não subsistindo também o delito de falsidade ideológica.
DECLARAÇÕES PARTICULARES
➢ Declaração particular só caracteriza o crime quando por si só pode criar obrigação, prejudicar direito
ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante. Não haverá crime, portanto, se a declaração
particular for sujeita a exame obrigatório por parte de funcionário público (exame oficial).
SIMULAÇÃO DE NEGÓCIO JURÍDICO
➢ A simulação, quando recai sobre documento, além de constituir ilícito civil, tipifica o falso
ideológico. Na simulação, as partes contratantes de um negócio o fazem somente para prejudicar
terceiros ou para fraudar a lei. O documento é verdadeiro, mas o conteúdo é falso. Ex.: o marido, para
prejudicar a esposa, simula dívidas e emite promissórias em favor de um amigo que lhe repassa o
valor
FALSO CONTEÚDO EM PETIÇÕES INICIAIS
➢ Declarações falsas em requerimentos ou petições judiciais, ainda que sirvam de fundamento para um
pedido, não caracterizam o delito porque não têm valor probatório
➢ Assim, se um advogado pede a libertação de seu cliente dizendo que ele é primário, mas fica provado
que se trata de pessoa reincidente, o advogado não responde por falsidade ideológica, porque o juiz
tem sempre obrigação de conferir a veracidade da informação — verificar se o réu é mesmo primário.
➢ SUPRESSÃO DE DOCUMENTO PÚBLICO
Art. 305 - Destruir, suprimir ou ocultar, em benefício próprio ou de outrem, ou em
prejuízo alheio, documento público ou particular verdadeiro, de que não podia dispor:
Pena - reclusão, de dois a seis anos, e multa, se o documento é público, e reclusão, de
um a cinco anos, e multa, se o documento é particular.
○ As condutas típicas são
■ As condutas típicas são:
● Destruir
○ Queimar, rasgar, eliminar, estragar, dilacerar etc.;
● Suprimir
○ Fazer desaparecer o documento, sem que tenha havido sua destruição ou
ocultação;
● Ocultar
○ Esconder, colocar o documento em local que não possa ser encontrado
○ Exige também a lei um elemento subjetivo específico, qual seja, a intenção de obter uma
vantagem em proveito próprio ou alheio ou, ainda, de causar prejuízo a terceiro.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
● Sujeito ativo
○ Pode ser qualquer pessoa, inclusive o proprietário do documento que dele
não podia dispor
● Sujeito passivo
○ O Estado e a pessoa a quem a conduta possa causar prejuízo.
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Consumação
■ O crime é formal e, assim, consuma-se no momento em que o agente destrói, suprime ou
oculta o documento, ainda que não atinja sua finalidade de obter vantagem ou causar
prejuízo.
○ Tentativa
■ É possível
➢ FALSA IDENTIDADE
Art. 307 - Atribuir-se ou atribuir a terceiro falsa identidade para obter vantagem, em
proveito próprio ou alheio, ou para causar dano a outrem:
Pena - detenção, de três meses a um ano, ou multa, se o fato não constitui elemento de
crime mais grave.
IDENTIDADE
➢ É o conjunto de características que servem para identificar uma pessoa: nome, filiação, estado civil,
profissão, sexo etc.
○ Nesse crime, não há uso de documento falso ou verdadeiro. O agente simplesmente se atribui ou
atribui a terceiro uma falsa identidade, mentindo a idade, dando nome inverídico etc.
○ Para a caracterização do crime, é necessário que o agente vise obter alguma vantagem, em
proveito próprio ou alheio, ou causar dano a outrem. Ex.: fazer uma prova na faculdade para
outra pessoa; etc.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Unissubsistente (pode ser Plurissubsistente, ex. por escrito)
○ Consumação
■ Cuida-se de crime formal, que se consuma no instante em que o agente se atribui a falsa
identidade, independentemente de conseguir a vantagem visada.
○ Tentativa
■ É possível, exceto na forma verbal
○ Subsidiariedade
■ O legislador, ao estabelecer a pena do crime em estudo, expressamente previu sua
subsidiariedade, restando sempre absorvido quando o fato constituir crime mais grave
● Assim, embora no crime de falsa identidade a vantagem visada possa ser de
qualquer natureza, caso seja meio para a obtenção de vantagem econômica,
responderá o agente apenas por estelionato. Na hipótese de se passar por outra
pessoa para enganar a vítima e conseguir realizar ato sexual com ela, o crime será
o de violação sexual mediante fraude (art. 215).
● No caso de o agente atribuir-se a qualidade de funcionário público, haverá o
crime de falsa identidade se ficar demonstrado que assim procedeu para obter
alguma vantagem ou para causar prejuízo a terceiro. Sem essa intenção
específica, haverá apenas a contravenção do art. 45 da Lei das Contravenções
Penais (“fingir-se funcionário público”). Caso, entretanto, o agente se passe por
policial para exigir dinheiro de pessoa para não aprender,o crime será o de
extorsão, que é mais grave.
● Igualmente ficará absorvido o crime se o agente se passar por outra pessoa
fazendo uso de documento falso, hipótese que caracteriza o crime do art. 304 do
Código Penal. Ex.: usar documento alheio no qual foi inserida a própria fotografia
● Quando o agente, para se passar por outra pessoa, usa documento de identidade
alheio, porém verdadeiro, incorre na modalidade mais grave do crime de falsa
identidade do art. 308 do Código Penal
○ Súmula 522 STJ
“A conduta de atribuir-se falsa identidade perante autoridade policial é típica, ainda que
em situação de alegada autodefesa”
Art. 308 - Usar, como próprio, passaporte, título de eleitor, caderneta de reservista ou
qualquer documento de identidade alheia ou ceder a outrem, para que dele se utilize,
documento dessa natureza, próprio ou de terceiro:
Pena - detenção, de quatro meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui elemento
de crime mais grave.
○ A lei incrimina duas condutas distintas:
■ Usar como próprio documento alheio
● Nessa hipótese, o agente tem em suas mãos um passaporte, título de eleitor,
carteira de reservista ou qualquer outro documento de identidade (RG, CPF,
Carteira de Habilitação etc.) pertencente a terceiro, e deles se utiliza para fazer-se
passar por outra pessoa
○ O documento deve ser verdadeiro, pois, se for falso, caracteriza crime
mais grave, qual seja, o do art. 304 do Código Penal
● O crime se consuma com o uso, independentemente de qualquer outro resultado.
● A tentativa não é possível: ou o agente usa o documento, e o crime está
consumado, ou não o usa, e o fato é atípico
■ Ceder a outrem, para que dele se utilize, documento próprio ou de terceiro
● Nessa modalidade a lei pune apenas o sujeito que cede, entrega a alguém um
documento verdadeiro, próprio ou de terceiro, para que dele se utilize
● O crime se consuma com a tradição do documento, sendo possível a tentativa
quando o agente não consegue efetivá-la.
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente ou Monossubsistente
➢ ADULTERAÇÃO DE SINAL IDENTIFICADOR DE VEÍCULO
Art. 311. Adulterar, remarcar ou suprimir número de chassi, monobloco, motor, placa
de identificação, ou qualquer sinal identificador de veículo automotor, elétrico, híbrido,
de reboque, e semirreboque ou de suas combinações, bem como de seus componentes
ou equipamentos, sem autorização do órgão competente:
Pena - reclusão, de três a seis anos, e multa.
§ 1º - Se o agente comete o crime no exercício da função pública ou em razão dela, a
pena é aumentada de um terço.
§ 2º Incorrem nas mesmas penas do caput deste artigo:
I – o funcionário público que contribui para o licenciamento ou registro do veículo
remarcado ou adulterado, fornecendo indevidamente material ou informação oficial;
II – aquele que adquire, recebe, transporta, oculta, mantém em depósito, fábrica,
fornece, a título oneroso ou gratuito, possuir ou guardar maquinismo, aparelho,
instrumento ou objeto especialmente destinado à falsificação e/ou adulteração de que
trata o caput deste artigo; ou
III – aquele que adquire, recebe, transporta, conduz, oculta, mantém em depósito,
desmonta, monta, remonta, vende, expõe à venda, ou de qualquer forma utiliza, em
proveito próprio ou alheio, veículo automotor, elétrico, híbrido, de reboque,
semirreboque ou suas combinações ou partes, com número de chassi ou monobloco,
placa de identificação ou qualquer sinal identificador veicular que devesse saber estar
adulterado ou remarcado.
§ 3º Praticar as condutas de que tratam os incisos II ou III do § 2º deste artigo no
exercício de atividade comercial ou industrial:
Pena - reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
§ 4º Equipara-se a atividade comercial, para efeito do disposto no § 3º deste artigo,
qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive aquele exercido em
residência.
Cuida-se de infração penal inserida no Código Penal pela Lei n. 9.426/96, em que o legislador pune o agente
que adulterar ou remarcar número de chassi ou qualquer outro sinal identificador do veículo (placas,
numeração do motor, do câmbio, numeração de chassi gravada nos vidros do automóvel etc.).
○ Classificação doutrinária
■ Crime comum para o sujeito ativo e passivo
■ Doloso
■ Comissivo (podendo haver omissão imprópria)
■ Instantâneo
■ Plurissubsistente
○ Consumação
■ Com a efetiva remarcação ou adulteração
○ Tentativa
■ É possível
○ Figura equiparada → § 2º

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