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ATIVIDADE PRÁTICA DE APRENDIZAGEM: PARECER FARMACÊUTICO A paciente apresenta sinais compatíveis com possíveis efeitos adversos da farmacoterapia. Recomenda-se revisar a prescrição antes da alta, considerando sua idade, a queda recente e as alterações comportamentais. Como os medicamentos e as doses não foram informados, as recomendações dependem da avaliação clínica e da conferência da prescrição completa. a) Mecanismos de ação Os benzodiazepínicos são moduladores alostéricos positivos dos receptores GABA- A. Ligam-se ao sítio benzodiazepínico, localizado entre as subunidades α e γ, diferente do sítio do GABA. Na presença desse neurotransmissor, aumentam a frequência de abertura dos canais de cloreto, intensificando a inibição neuronal e produzindo efeitos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos. Os antipsicóticos de primeira geração atuam principalmente pelo bloqueio dos receptores dopaminérgicos D2. Na via mesolímbica, esse bloqueio contribui para reduzir sintomas psicóticos; na via nigroestriatal, pode provocar efeitos extrapiramidais. b) Análise dos sinais apresentados Os tremores e a rigidez sugerem parkinsonismo induzido pelo antipsicótico, decorrente do bloqueio D2 na via nigroestriatal. A sonolência diurna pode estar relacionada ao benzodiazepínico de ação longa e ser intensificada pela associação com o antipsicótico. Boca seca e visão embaçada são compatíveis com efeitos antimuscarínicos, mas essa ação varia entre os antipsicóticos e costuma ser menos intensa nos de alta potência. Portanto, é necessário revisar outros medicamentos e possíveis causas clínicas. A queda pode resultar da combinação de sedação, prejuízo da coordenação motora, rigidez e eventual hipotensão ortostática. Deve-se avaliar a pressão arterial ao mudar de posição e investigar possíveis lesões. c) Riscos da associação na pessoa idosa O envelhecimento pode reduzir a depuração de determinados medicamentos e aumentar a sensibilidade aos seus efeitos. Benzodiazepínicos de ação longa, especialmente aqueles com metabólitos ativos, podem acumular-se, prolongando a sonolência e prejudicando atenção, memória e equilíbrio. A associação pode somar efeitos sedativos e comprometer a mobilidade, aumentando o risco de quedas e confusão. O antipsicótico acrescenta risco de efeitos extrapiramidais e, conforme o fármaco, prolongamento do intervalo QT. O uso diário do benzodiazepínico também exige atenção à dependência física e à possibilidade de abstinência. d) Avaliação da conduta e ajustes propostos A introdução do antipsicótico apenas diante de desconfiança e alterações leves de comportamento necessita de melhor justificativa. Antes de manter a prescrição, devem ser investigados delirium, efeitos medicamentosos e causas clínicas, como infecção, dor, desidratação e alterações metabólicas. Proponho revisar a necessidade, a dose e a duração dos dois medicamentos com a equipe médica. Para o benzodiazepínico, considerar redução e retirada gradual individualizada, evitando suspensão abrupta sem avaliar o risco de abstinência. Para o antipsicótico, considerar redução ou suspensão diante dos efeitos extrapiramidais e da ausência de indicação confirmada. Se houver necessidade de mantê-lo, utilizar a menor dose eficaz e estabelecer prazo de reavaliação. Não recomendo acrescentar automaticamente um anticolinérgico para controlar os tremores, pois ele pode agravar boca seca, visão embaçada e confusão. Também devem ser priorizadas medidas não farmacológicas para ansiedade e insônia, como acolhimento, rotina de sono e redução de estímulos noturnos. Antes da alta, é necessário verificar melhora da sonolência e da mobilidade, revisar interações e avaliar ECG e eletrólitos conforme o antipsicótico utilizado. A paciente e seus familiares devem receber orientações sobre a prescrição final, prevenção de quedas, sinais de alerta e acompanhamento após a alta.