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FICHAMENTO LEMOS, Carlos A. C. O que é Patrimônio Histórico? Editora Brasiliense As construções antigas representativas e seus pertences são reunidos em um acervo chamado Patrimônio Cultural de uma nação ou povo. O professor francês Hugues de Varine-Boham foi que nos fez encarar esta questão de modo bem abrangente, e dividiu-a em três categorias de elementos, sendo, um grupo reunindo elementos pertencentes à natureza e ao meio ambiente, um segundo grupo ligado a elementos do saber e um terceiro, considerado o de grupo maior importância por reunir os chamados bens culturais que englobam objetos, artefatos e construções obtidas a partir do meio ambiente e do saber. Sempre é importante prestar atenção às relações de um artefato com o meio ambiente, com o homem e o saber, de maneira que, um objeto fora de seu contexto deve ser entendido como fragmento, pois, neste caso, os objetos isolados nada elucidam e podem nos parecer inúteis. Os artefatos podem ser encarados por sua utilidade imediata, sua durabilidade ou persistência. As alterações nos costumes das sociedades refletem diretamente nos artefatos de uso prolongado e, conseqüentemente, em suas modificações. Para exemplificar este fato podemos citar as casas de morada, onde, chega uma época em que a construções não oferece o conforto exigido por um novo conceito de determinada classe social e, então, vemos esta se degradando até a demolição para dar lugar à edifícios dentro desta nova ótica. Esse exemplo leva a comodidade de continuar usando às construções habitacionais como tema dessa mutação, mas devemos levar em conta que, nas sociedades primitivas as casas são iguais entre si, mas esse quadro muda a partir do momento que há contato com outras culturas. Com a modernidade, os artefatos deixaram de ser feitos manualmente e passaram a ser produzidos em série pelas indústrias, de modo a irem parar em diversos lugares, inclusive nos Patrimônios Culturais, que vão tendo uma uniformização e universalização. Em alguns casos, aqueles objetos do cotidiano se destacam devido à participação em “eventos históricos”, é a sacralização do objeto. Este reverenciamento quase sempre se resulta de afirmações não comprovadas, por este fato muitos museus exploram da crendice popular. Ao longo da história da humanidade nunca houve critérios e interesses permanentes voltados à preservação de artefatos do povo, acreditamos que as coisas “importantes”, como jóias, obras de arte e dinheiro, sempre foram mais valorizadas. Somente de dois séculos para cá que estas questões de memória social de povos já desaparecidos têm sido tratadas com seriedade pelos arqueólogos. Preservar tem por definição: livrar de algum mal, manter livre de corrupção, perigo ou dano, conservar, livrar, defender e resguardar. E isso está, ou deviria estar, ligado a uma considerável parte dos elementos que compõe o Patrimônio Cultural. Para preservar as reais características de uma sociedade, teremos que manter também o meio ambiente ao seu redor, com seus elementos componentes dos recursos materiais e todos os outros ligados ao conhecimento e à técnica, desta maneira entendemos que não existe um processo cultural igual a outro. Isso caracterizou a nacionalidade, cuja memória se deu ao longo de sucessivas transformações e evoluções, aprimorando e facilitando o contato entre diferentes povos. É nessa miscigenação que está o maior interesse na compreensão do significado do Patrimônio Cultural de uma nação como o Brasil. O termo preservar deve ser aplicado com toda a magnitude de seu significado, e é dever do patriotismo preservar o saber brasileiro, fazendo com que os saberes de fora não o anulem, o que, atualmente, é uma tarefa cada vez mais difícil pela globalização. Mas cremos que, a uniformização do pensamento, é algo impossível devido á este conhecimento singular de cada povo. Para a manutenção dessa identidade cultural devemos saber controlar os processos de evolução, e para isto é preciso haver o registro de estágios significativos por que passamos, garantindo a futura compreensão de nossa memória social. Esta preservação interessa a vários setores da sociedade, cada classe social, cada meio, cada setor econômico, onde, cada um destes seleciona elementos culturais de seu interesse para que sejam guardados como testemunhas de sua preocupação, fragmentando o Patrimônio Cultural em vários “Patrimônios Setoriais”. Podemos notar que nunca houve um interesse na gestão global de um único Patrimônio.