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Atendimento Clínico e Brincadeira

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Material de estudo — Atendimento clínico com crianças autistas Página 1
Artigo 2 — Vínculo terapêutico e brincadeira
no atendimento de crianças autistas
Como utilizar o brincar como via de comunicação e compreensão clínica
Material educativo para estudo e formação. Não substitui graduação, supervisão clínica, avaliação
individualizada, protocolos institucionais ou as normas profissionais vigentes. O atendimento deve
respeitar a singularidade da criança, seus direitos, sua comunicação e sua dignidade.
Resumo
No atendimento infantil, o brincar pode constituir uma importante via de comunicação e
expressão. Para crianças autistas, a brincadeira não deve ser utilizada apenas como
ferramenta para obter respostas ou treinar comportamentos. Ela pode ser um espaço de
relação, exploração, escolha e construção de segurança. Este artigo discute o uso clínico
do brincar, a adaptação do ambiente e a importância de seguir o ritmo da criança.
1. O brincar como linguagem
Crianças comunicam experiências por diferentes meios. No brincar, podem aparecer
interesses, preferências, formas de aproximação, tolerância à frustração, estratégias de
resolução de problemas e modos de representar situações. O profissional deve observar
sem pressupor que todo comportamento simbólico possui um significado oculto específico.
2. Começar pela disponibilidade
Em muitos casos, a aproximação acontece melhor quando o profissional reduz exigências
iniciais e oferece materiais previsíveis e interessantes. Sentar-se próximo, acompanhar a
atividade escolhida e comentar o que acontece podem ser formas de construir presença
sem exigir interação imediata.
3. Seguir o interesse sem ficar preso a ele
Interesses específicos podem ser portas de entrada para a relação. Se a criança demonstra
grande interesse por carrinhos, por exemplo, o profissional pode inicialmente participar
dessa atividade e, gradualmente, introduzir turnos, escolhas, comunicação e pequenas
variações. O objetivo não é retirar o interesse, mas utilizá-lo de modo respeitoso e
funcional.
4. Ambiente terapêutico
O consultório deve ser organizado para oferecer segurança e possibilidades de escolha.
Dependendo das necessidades individuais, pode ser útil reduzir estímulos excessivos,
disponibilizar um local de pausa e deixar materiais acessíveis. A organização deve ser
ajustada à criança, não tratada como uma fórmula universal.
5. Quando a criança não quer brincar
A recusa é uma forma de informação clínica. Insistir repetidamente pode aumentar
ansiedade e prejudicar o vínculo. O profissional pode observar o que está dificultando a
participação: ambiente, demanda, transição, comunicação, cansaço, desconforto sensorial
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ou falta de interesse naquela atividade.
6. Brincar, objetivos e avaliação
O brincar pode ser integrado a objetivos terapêuticos, mas não precisa ser transformado
em uma sequência rígida de tarefas. O profissional pode alternar momentos de livre
exploração, atividades estruturadas e experiências de interação, avaliando continuamente
a resposta da criança.
Conclusão
Brincar clinicamente não significa apenas colocar brinquedos à disposição. Significa
construir uma situação relacional na qual a criança tenha oportunidades de comunicar-se,
escolher, explorar e ser compreendida. No atendimento de crianças autistas, o respeito à
forma singular de participação é fundamental para um vínculo terapêutico consistente.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Linha de Cuidado para Pessoas com Transtorno do Espectro Autista – TEA.
Brasília: Ministério da Saúde, 2025.
BRASIL. Ministério da Saúde. Autismo. Brasília: Ministério da Saúde. Acesso em: 3 out. 2026.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Autism. Geneva: WHO. Acesso em: 3 out. 2026.

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