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TURBANTES: UMA FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA Gabriele Costa Pereira 1 Resumo: O Turbante é um símbolo étnico transgressor que está presente na história e cultura do Brasil. Para a população afro-brasileira, ele também é sinônimo de resistência, estética negra e fé. Uma indumentária que traz discussões de raça, gêneros e classe. Segundo Rodney William (2020) para mulheres negras, os turbantes e o próprio cabelo natural são uma forma de afirmação política. O problema é ensinar a importância deste, não somente por suas amarrações, mas através do contexto sócio histórico. O objetivo é ensinar práticas pedagógicas a partir dele para combater o racismo. Está escrita faz parte de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Programa de pós- graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande/FURG, cuja temática são os Turbantes e a Educação antirracista. A partir deste trabalho será apresentado o Turbante como uma ferramenta de ensino para a educação antirracista nos espaços educacionais. Palavras-chave: Turbante; educação; antirracismo; Abstract ou Resumen: El Turbante es un símbolo étnico transgresor que está presente en la historia y cultura de Brasil. Para la población afrobrasileña, también es sinónimo de resistencia, estética negra y fe. Un atuendo que trae discusiones sobre raza, género y clase. Según Rodney William (2020) para las mujeres negras, los turbantes y el cabello natural en sí son una forma de declaración política. El problema es enseñar la importancia de esto, no solo a través de sus vínculos, sino a través del contexto socio- histórico. El objetivo es enseñar prácticas pedagógicas basadas en él para combatir el racismo. Está redactado como parte de una investigación de maestría en desarrollo del Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de Rio Grande / FURG, cuyo tema es Turbantes y educación antirracista. A partir de este trabajo, el Turbante se presentará como una herramienta didáctica para la educación antirracista en los espacios educativos. Keywords ou Palabras clave: Turbante; educación; anti racismo; INTRODUÇÃO Um símbolo étnico transgressor, o turbante, está presente na história e cultura do Brasil, como também na sociedade mundial, especialmente no continente Africano, com várias significações diferentes entre os locais. A sua construção é feita com os mais 1 -Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do Rio Grande/FURG. Grupo de estudos e pesquisa interdisciplinar Lélia Gonzalez. diferentes tecidos e acessórios. Em sua história é importante ressaltar que a sua origem ainda é um mistério, mas na atualidade, devido a propagação das mídias, principalmente das redes sociais, o uso dos turbantes se tornou mais visto nos diferentes lugares do mundo. No Brasil, no período que era colônia de Portugal, o turbante chega através da cultura africana, em que as mulheres africanas escravizadas trazidas de diferentes lugares do continente africano, como Senegâmbia (Guiné), Angola, Congo, Costa da Mina e Benin; usavam em suas cabeças. O adorno envolvia a cabeça das mulheres negras para cobrir os cabelos, para proteção de suas cabeças para carregarem os cestos pesados sobre elas, para carregarem seus filhos, para esconder as suas cabeças raspadas, devido a sua fé como proteção, entre outros. Em cada país da qual estas mulheres foram trazidas haviam significados diferentes. Desta maneira, é importante contar aos afrodescendentes este resgate de um pouco da história dos seus, com a importância da sua cultura, pois segundo Adichie (2019) Todas essas histórias me fazem quem eu sou. Mas insistir só nas histórias negativas e simplificar minha experiência e não olhar para as muitas outras histórias que em formaram. A história única cria estereótipos, e o problema com os estereótipos, não é que sejam mentira, mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a única história. (ADICHIE, 2019 p.26) A simbologia do turbante no Brasil, para os afrodescendentes está ligada a resistência de seus ancestrais que foram trazidos de África através do tráfico de pessoas para a escravização dos mesmos, segundo GODOI2 “O turbante é um adorno repleto de simbolismo para quem usa; tem seu uso originado no Oriente e na África negra” (2016, p.70), contraditoriamente de como era usado na Europa, em que apenas era um acessório relacionado à moda. E existe um movimento estético-político que está em alta no Brasil, de assumir as raízes dos cabelos afros com a sua forma natural, para se reconhecer enquanto sua corporeidade e estética negra, homens e mulheres estão envolvidos nesta chamada Transição Capilar, um processo de negação ao uso de produtos químicos para 2 Dissertação de Ana Cecilia Rodrigues dos Santos Godoi no Programa de Pós- Graduação em Educação, Culturas e Identidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco, no ano de 2016, nomeada de “Porque fomos sequestradas dos pés até o último fio de cabelo: práticas pedagógicas no movimento de mulheres negras e a ressignificação do corpo negro” alisamento dos cabelos, nos mais diversos cantos do país, em que também utilizam o turbante para se aproximar das suas origens. Para a sociedade, desde sempre, a educação antirracista é extremamente importante, para o combate ao racismo e a intolerância religiosa. Perante a uma sociedade racista que existe no Brasil, mesmo sendo composta em sua maioria por pessoas negras (os) e parda(os), com a maioria da população negra a qual está afastada do continente africano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua do IBGE de 2019, as pessoas as quais se declaram negras no Brasil são 56,10%, mais que a metade do país é composta por afrodescendentes, fora os quais ainda não se autodeclaram como tais, por inúmeros motivos. Assim, investir na educação é uma opção mais favorável para o extermínio do racismo e demais discriminações raciais. Em sua história, a escola, é o local que as pessoas negras sofreram com o racismo, de forma perversa, em que muitos ainda confundem com o bullinyng, que em muitos casos tem retorno porque não está na cor de sua pele a violência sofrida. Neste sentido, Cavalleiro, afirma que Para indivíduos negros, a experiência escolar também parece repleta de acontecimentos prejudiciais, o que dificulta a aquisição de uma identidade positiva, ao mesmo tempo que lhes confere o lugar daquele que não é bem-vindo e aceito no grupo. (CAVALLEIRO, 2020, p.83) Diante da pluralidade de gênero, classe e raça, existentes nas salas de aula, é necessário ser pontuado a importância do Turbante na história da população negra brasileira para a compreensão de toda a sala, exaltando a enegressência3 que existe nele, e comunicando sobre ele em outras culturas não-negras, porque segundo bell hooks (2017) fazer da sala de aula um contexto democrático onde todos sintam a responsabilidade de contribuir é um objetivo central da pedagogia transformadora. Ao pensar também como pedagogia transgressora, na qual visa por uma resistência transgressiva, sabendo que “a intenção de transgredir, política e teoricamente, os limites do pensamento e da ação tradicionais, não somente entrando em território proibido, mas tentando pensar o que não deveria ser pensado, fazer o que não deveria ser feito” (PENNYKOOK, 2006, p. 82). 3 Enegressência é um conceito utilizado em eventos para reafirmar a importância da autoafirmação da estética negra a partir da palavra enegrecer que significa torna(-se) negro, dar ou adquirir tonalidades escuras Considerado como um símbolo transgressor, devido aos atravessamentos que o mesmo faz entremulticulturas, raças, gêneros e classes; foi possível criar uma forma de educação através do mesmo, junto a educação antirracista. Ser um(a) docente antirracista é criar conteúdo e aplicar sobre as questões para as relações étnico-raciais, para que as crianças e as pessoas negras se vejam, se amem, sem pensar que somente a branquitude é a cor ideal. Porque as exigências ideológicas vindas da herança dos colonizadores no Brasil, provocaram de forma violenta uma problemática diante dos valores estéticos e culturais para a população negra, segundo Kabengele Munanga (2020) Na sua totalidade, a elite negra alimentava um sonho: assemelhar-se tanto quanto possível ao branco para, na sequência, reclamar dele o reconhecimento de fato e de direito. (...) Ora, para chegar a isso, pressupunha-se a admiração da cor do outro, o amor ao branco, a aceitação da colonização e a autorecusa. E os dois componentes dessa tentativa de libertação estão estreitamente ligados: subjacente ao amor, pelo colonizador, há um complexo de sentimentos que vão da vergonha ao ódio de si mesmo. O embranquecimento do negro realizar-se-á principalmente pela assimilação acontecerá pelo domínio da língua do colonizadora. Por isso, todo povo colonizado sempre admirou as línguas invasoras, que achava mais ricas do que a sua. Num grupo de jovens africanos de qualquer país de seu continente, aquele que se expressava bem e tinha controle da língua não materna (francês, inglês ou português) era muito respeitado. (MUNANGA, 2020, p. 35-36) Neste sentido, enquanto docentes resgatar a Negritude é importante nos espaços educacionais brasileiros, para que a discussão seja de forma mais coerente e atualizada perante as relações antirracistas, mas o que significa este termo, Munanga (2020) cita que negritude, embora tenha sua origem na cor da pele negra, não é essencialmente de ordem biológica. A partir deste olhar do autor, é necessário também observar que segundo ele (...) o termo Negritude à cor da pele, mas sim o fato de terem sido na história vítimas das piores tentativas de desumanização e de terem sido culturas não apenas objeto de políticas sistemáticas de destruição, mas, mais do que isso, de ter sido simplesmente negada a existência dessas culturas. (MUNANGA, 2020, p.19) E a educação antirracista, terá como missão trazer para a sociedade estas questões, como também o desafio de ensinar as novas gerações de negras e negros, a importância da sua existência, que segundo Gomes (2017) exemplifica que “O corpo negro nos conta uma história de resistências constituída de denúncia, proposição, intervenção e revalorização. Neste sentindo, pensar na criação de uma consciência da auto beleza negra, em que a própria comunidade negra, em que Lélia Gonzalez (2018) afirmava que inicialmente deveria ser feito ... o primeiro trabalho a ser feito, no interior da própria comunidade, é despertar uma consciência da beleza da própria imagem - o chamado "Black's Pride" (Orgulho Preto). Ter a etnia valorizada. Acho que teremos que recorrer aos mitos, às histórias, uma literatura infantil em que a criança negra esteja presente. (...) De qualquer modo é necessário criar e afirmar uma nova estética. "Sou negra, vou me vestir como negra, tenho direito a usar minhas cores, a ser criativa para me valorizar dentro do meu potencial. (GONZALEZ, 2018, p.377) Diante disso, trabalhar com os turbantes em espaços de ensino como prática pedagógica, é ter a etnia valorizada, ensinando a todas e todos sobre a história, cultura e importância, e não somente ensinando os tipos de amarrações. A partir de bases teóricas e estórias de mulheres, que utilizavam e usam turbantes, resgatando o conhecimento sobre ele, segundo Rodney William (2020) para mulheres negras, os turbantes e o próprio cabelo natural são uma forma de afirmação política. A sala de aula foi primeiramente o lugar escolhido para a prática, bell hooks (2017) afirmava que ao entrar em uma sala de aula com ...vontade de partilhar o desejo de estimular era um ato de transgressão. Não exigia somente que se cruzassem as fronteiras estabelecidas; não seria possível gerar o entusiasmo sem reconhecer plenamente que as práticas didáticas não poderiam ser regidas por um esquema fixo e absoluto. Os esquemas teriam de ser flexíveis, teriam de levar em conta a possibilidade de mudanças espontâneas de direção. (HOOKS,2017, p.17) A partir disso, se transgredir tem como um dos seus significados ir além, fazer atravessamentos, uma educação através dos turbantes, está para além da formalidade do ensino para com as pautas raciais, muito mais além para com o ensino formal nos espaços escolares, em que a autonomia para a criação desta pratica requer coragem para os embates que ocorreram. Desta maneira, uma professora do extremo sul do Brasil criou o seu projeto de ensino através dos turbantes, pensando prioritariamente na Lei de nº10.639/03 a qual garante a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro- Brasileira nos currículos escolares, uma lei que já tem dezoito anos, e ainda existem falhas, como disciplinas não obrigatórias para os cursos de licenciaturas nas universidades. Para Zélia Amador de Deus, Vale ressaltar que a aplicação da lei se apresenta como um grande desafio para os docentes, pois muitos desconhecem qualquer conteúdo que trate da África e da cultura afro-brasileira. Nessa perspectiva o papel do educador, assume grande dimensão, pois, além de buscar formação para cumprir suas funções, na medida em que são poucas as universidades brasileiras que já adequaram seus currículos visando à aplicabilidade da lei, esse docente tem que iniciar um processo de descontruir imagens estereotipadas que sempre enfocam a África ressaltando aspectos negativos: atraso, selva, fome, doenças endêmicas, AIDS, guerras, misérias, pobreza. Essa imagens estereotipadas precisam sair de cena e dar lugar (DEUS, 2020, p.65-66) Contudo, a proposta inicia para colaborar com as demais professoras de educação antirracista no Movimento Negro do município de Rio Grande - RS, onde eram poucas as professoras que faziam nas escolas do município. É de extrema relevância lembrar que o Movimento Negro esteve e está presente na luta em busca de políticas afirmativas, junto a legislação a muito tempo, na história e na contemporaneidade, obtendo conquistas, para aquisição de diversas pautas voltadas para o ensino da educação antirracista e também em busca de uma legislação para a inserção desta nos currículos, nos mais variados espaços, formais ou informais. Algumas pessoas não sabem qual a função deste movimento social, Gomes(2017) exemplifica que: O Movimento negro ressignifica e politiza a raça, compreendendo-a como construção social. Ele reeduca e emancipa a sociedade, a si próprio e ao Estado, produzindo novos conhecimentos e entendimentos sobre as relações étnico-raciais e o racismo no Brasil, em conexão em a diáspora africana. (GOMES, 2020, p.38) Entretanto, o projeto visa contar os turbantes em sua totalidade, isto é, apresenta os turbantes na história afro-brasileira, africana, entre outras culturas; pensando na prática de uma sala de aula, onde não estão somente afrodescendentes, como também não estão somente brancos. Com o cuidado com a recepção da criança negra por este símbolo de resistência, político e religioso, que nunca foi lhes dito que fazia parte de suas raízes, para que a criança se sinta representada de forma positiva, não sendo alvo de mais preconceito diante deste conhecimento. E ao mesmo tempo a recepção da criança branca, que aprendera sobre a exaltação deste símbolo para os afrodescendentes, mas também através de pessoas brancas que usavam porém com outro significado. Pensando nesta pratica de ensino através dos turbantes, na qual faz parte de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Programa de pós-graduaçãoem Educação da Universidade Federal do Rio Grande/FURG, cuja temática são os Turbantes e a Educação antirracista, que está em desenvolvimento. 1 A história resumida dos turbantes A origem dos turbantes, não se sabe ao certo, somente que está presente no Oriente e na África Subsaariana, mas uma das origens possa ter sido no Antigo Egito, que foi feita uma das primeiras amarrações usadas na cabeça, que fazia parte da veste faraônica utilizada com a máscara do famoso Tutankhamon, em que a representação mais antiga está na cabeça da estátua do faraó de Djoser (c 2630 ac 2611), em que Além das coroas, um adorno de cabeça que cai em duas tiras sobre os ombros e tem a parte pendente sobre a nuca amarrada em trança, denominado nemes, também se tornou bastante conhecido, sobretudo porque é usado pela esfinge de Gizé e, ainda porque aparece na famosa máscara de Tutankhamon...Tratava-se de um elemento fundamental da veste faraônica, tendo entrado em voga a partir da III dinastia (c. 2649 a 2575 a.C. ). Sua representação mais antiga está na cabeça da estátua do faraó Djoser (c. 2630 a 2611 a.C.) sentado, encontrada no complexo da Pirâmide de Degraus (AS VESTIMENTAS, s/d). Em outra momento da pesquisa, houve a busca pelo turbante nos impérios africanos em que a partir de algumas mulheres negras guerreiras já era utilizado este símbolo. No século XVI, a rainha Amina de Zaria (ou Zazzau) utilizava o turbante, que pode ser encontrado em registros de imagens. Foi descoberto também sobre a rainha pertencente ao reino do Walla chamada de Ndaté Yalla Mbodj no século XIX, dos reinos Wolof da Senegâmbia, localizada atualmente ao noroeste do Senegal. E a Rainha Yaa Asantewaa do Império Ashanti , conhecida como atual Gana, nascida em 1840, que lutou bravamente liderando a rebelião Ashanti contra o colonialismo Britânico, em 1900. E a princesa Yennenga do reino Dagomba conhecido atualmente como o norte de Gana, a mil anos atrás usava o turbante. Todas estas mulheres citadas são importantes referencias para usar no espaço escolar devido ao seu uso como símbolo de bravura e resistência. Em outra pesquisa, foi encontrado que na Idade do Bronze (3000 a.C) existem pinturas e estatuas de pessoas que estão de turbantes, em que podem ser visitadas no sitio arqueológico de Cnossos, localizado na ilha de Creta na Grécia. E também o uso de turbantes através de registros de figuras na Grécia Antiga (1100 a.C e até 146 a.C.) e na Roma Antiga (século VIII a.C), mas com significados diferentes, talvez somente ligados a religião. No Brasil, este símbolo chega através das mulheres africanas, no período da escravidão, os primeiros africanos e africanas chegam no século XVI. Assim, é importante citar mulheres como Dandara dos Palmares, uma guerreira que lutava pela liberdade e defesa do Quilombo, nascida no continente africano ou no Brasil, não se sabe sua origem, era esposa de Zumbi de Palmares, em registros na história aparece com tecidos em sua cabeça, o que hoje conhecemos como turbante. Assim como ela, Acotirene que foi considerada a matriarca no Quilombo dos Palmares e conselheira dos escravizados e escravizadas, em alguns registros está com seu turbante. E Zeferina, nascida em Angola foi trazida para o Brasil para a região da Bahia ainda criança como uma menina escravizada, lutava pela sua liberdade, fundou o Quilombo Urubu, com seu turbante lutava. Na década de 60, a afro- estadunidense Eunice Kathleen Waymon conhecida pelo seu nome artístico como Nina Simone, cantora, compositora pianista e militante que lutava pelos direitos civis dos afro-estadunidenses através de suas canções, em muitas fotos está com vários tipos de amarrações de turbantes, destacando a importância do Orgulho Negro. No texto de Glenda B.Ferreira, chamado de Nina Simone: Uma das cores da minha alma, apresenta que “Ela usava turbantes, brincos gigantes, joias, estampas super colors, pulseiras, óculos grandes. “(2016). Uma das frases mais conhecidas da pianista é “ Eu te digo o que a liberdade significa para mim: não ter medo.” A escritora e feminista francesa Simone de Beuvoir, usava o turbante com outro formato e significações do que para as mulheres negras, uma das frases mais conhecida de Simone é “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A cantora Carmem Miranda também foi uma das mulheres que estiveram presentes nesta pesquisa devido ao seu uso dos turbantes, com formas diferentes e da sua representatividade no país, em que segundo em NASSER (1989), para Carmem Os Turbantes, são feitos por Miranda, os balangaundas são da baixa do sapateiro de Salvador, isto mostra a influência da cultura baiana na moda e nas criações de Carmem Miranda. Sendo assim na viagem que fez a Bahia antes de ir para América do Norte, ela levou toda cultura baiana pautando-se na tropicalidade e o carnaval do povo brasileiro criando assim uma moda particular. Os colares, turbantes, vestidos, saias, chapéus, jóias e sapatos plataformas eram características do vestir de Camem Miranda nas apresentações pelos Estados Unidos sempre revelando o que é que a baiana tem ( NASSER,1989). E a estilista francesa Gabrielle Bonheur Chanel conhecida como Coco Chanel, também utilizava os turbantes, e sua luta era pelo movimento de liberdade expressão através da moda feminina. Dessa maneira, de forma resumida foi apresentada um pouco da história dos turbantes, os seus significados para cultura africana e demais culturas através de mulheres. 2 Projeto Turbante-se com Gabriele Costa A legislação para as pautas raciais é de extrema importância para que todos saibam, neste projeto estão sendo citadas apenas algumas entre todas as demais. Primeiramente, a Lei nº7.716/1989 de 5 de janeiro de 1989, na qual define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor, em que sofre alterações no dia 13 de maio de 1997, a Lei nº9.459, do "Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional." e o "Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional.” No ano de 2012, recebe outra alteração, Lei nº12.735, de 30 de novembro de 2012; a qual altera novamente acrescentando condutas ligadas ao sistema a partir das tecnologias. No ano dia 9 de janeiro 2003, altera a Lei nº9.394/96, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências. Após 5 anos desta lei, recebe modificações, no dia 10 de março de 2008, foi criada a Lei nº11.645/08, em que estabelece a inclusão na mesma também a “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.” A partir destas leis, é importante pensar em dois conceitos com suas definições, o conceito de Raça que segundo Almeida (2020) Raça não é um termo fixo, estático. Seu sentido está inevitavelmente atrelado às circunstancias históricas em que é utilizado. Por traz da raça sempre há contingência, conflito, poder e decisão, de tal sorte que se trata de um conceito relacional e histórico. (ALMEIDA, 2020, p.24) E o conceito de Racismo, o fato de agir contra a cor da pele do outro, segundo Almeida (2020), “O racismo é uma imoralidade e também um crime, que exige que aqueles que praticam sejam devidamente responsabilizados, disso estamos convictos.” (ALMEIDA, 2020, p.36). A partir dos conceitos citados acima, devemos pensar, uma abordagem destes conceitos para serem utilizados em sala de aula através de serias discussões. Existem um equívoco para a discussão entre bullyng e racismo nos espaços escolares, racismo é um crime previsto na Constituição Federal e o bullyng é uma violência escolar. Os espaços de ensino formais,as escolas, são locais necessários para as discussões e práticas de ensino voltadas para as diferenças raciais, segundo Cavallero (2001), o ambiente escolar é um espaço importante para trabalhar as diferenças raciais, visto que, neste ambiente estão todos “unidos” através de seus gêneros, classe e raça. Mesmo sabendo que existem tratamentos diferenciados, mas este é o local adequado para agir diante de uma ação de educação inter-racial. Nos espaços escolares, atualmente existe um discurso voltado a diversidade, com a política de que “somos todos iguais”, mas sabemos que durante a história os espaços escolares sempre apresentaram tratamentos diferenciados e discriminatórios de forma oculta ou não. E a escola, segundo Cavalleiro(2020), ao se achar igualitária, livre do preconceito e da discriminação, a escola tem perpetuado desigualdades de tratamento e miando efetivas oportunidades igualitárias a todas as crianças. (2020, p.99) O projeto Turbante-se com Gabriele Costa sua criação inicia a partir de um olhar de uma professora, no começo houve a parceria de uma amiga e colega militante, mas depois o projeto persistiu somente com a percursora, que ao longo dos anos vem atuando no munícipio de Rio Grande e no momento da pandemia em formato online esteve presente no Chile e na cidade de Pelotas. Este projeto tem como um dos objetivos ensinar a história do turbante para contar a transversalidade do mesmo em vários aspectos sejam eles étnicos, religiosos ou de gêneros. Ensinar o respeito pelo seu próximo e tornar um cidadão mais consciente e antirracista. Outro aspecto relevante da oficina é exaltar o turbante como símbolo étnico africano e afro-brasileiro, símbolo de resistência para a população negra, como forma de autoestima, autoafirmação racial e identitária. Os objetivos da oficina são: Elevar a autoestima do indivíduo através deste acessório histórico; aprimorar o conhecimento sobre os turbantes; desenvolver a igualdade de saberes pela causa do outro; manifestar o interesse pela dinâmica; participar da troca de conhecimentos sócio –histórico e aplicar o conhecimento em suas vidas. As temáticas envolvidas: instrumento de comunicação; tipos de turbantes; a euro centralidade; O turbante em evidencia em momentos históricos: segunda guerra mundial, orgulho negro nos EUA, personagens da história, etc. A questão social como empoderamento das mulheres e homens em tratamento para a cura do câncer, o processo de igualdade de gêneros; os tipos de lápis cor da pele; a religiosidade; a representatividade. A metodologia utilizada é através de fontes bibliográficas e virtuais, junto a pesquisa oral por parte de membros do Movimento Negro. Os materiais utilizados para as amarrações, isto é, os tecidos, são investimentos próprios e doações. Os turbantes são feitos com os mais diversos tecidos para que todos tenham acesso e ao chegar em suas casas possam fazer. É uma semente de saber e aprendizado que deve ser compartilhada com todas e todos. O projeto está presente para os muros das escolas, pois já esteve presente em postos de saúde, associações de bairros, shoppings, câmara dos vereadores, museu da cidade, OAB, universidades, hospitais e em conversas virtuais. Em que tem percurso ao longo dos meses, mas no mês de outubro e novembro devido as comemorações do outubro rosa e do mês de novembro ser referência para a população negra, como o mês da consciência negra. Nas redes sociais é possível ter contato com todas as fotos das oficinas. Por fim, esta oficina tem um papel importante na sociedade para que todos se unam contra o racismo e qualquer tipo de discriminação referente a raça, religião e gêneros diante do seu turbante. Os resultados esperados são a aprovação do grupo e atingir as expectativas do grupo, quanto à oficina. CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS Considera-se que a história dos turbantes não se encerra através deste trabalho que está em desenvolvimento, em um resgate sobre as suas origens e definições, tornando-o um símbolo transgressor, pelo fato de estar para além dos gêneros, das classes e das raças. Mas nesta pesquisa sob um recorte da sua história através de representatividades do feminino no Brasil e demais lugares, apresentando a diferença do seu significado para mulheres negras e mulheres não-negras. Assim, através desta escrita é possível perceber o quanto se faz eficaz ensinar a história e a cultura do mesmo, pensando em um método de educação antirracista através dos turbantes, empoderando as crianças negras nos espaços de ensino, na tentativa de mudar a significação da escola para a população negra tão violentada. A experiência escolar, segundo Cavalleiro é Para indivíduos negros, a experiência escolar também parece repleta de acontecimentos prejudiciais, o que dificulta a aquisição de uma identidade positiva, ao mesmo tempo que lhes confere o lugar daquele que não é bem-vindo e aceito no grupo. (CAVALLEIRO, 2020, p.83) Diante disso, quando o Movimento Negro atua em conjunto ao magistério através de professoras e professores militantes, estando presente nos espaços de ensino, marcando o território para a proteção e orientação das outras gerações, na esperança de transformar uma educação antirracista em que os negros e as negras se amem, pelo seu tom de pele, pelo seu fenótipo, pelo seu cabelo, enfim pela sua estética negra. Em que, devemos ensinar a importância de ser negra ou ser negro, porque se nasce de vários tons de pele derivados da negritude, mas se torna negro, segundo Lélia Gonzalez, Aí me recordo daquela frase de Simone de Beauvoir quando ela diz: "A gente não nasce mulher, a gente se torna mulher" Do mesmo modo nós não nascemos negros, nós nos tornamos negros! A gente nasce "pardo" azul-marinho" "marrom", "roxinho" "mulato claro" e "escuro" mas a gente se torna negro. Ser negro é uma conquista. Não tem nada a ver com as gradações de cor de pele! Isso foi o racismo que inventou! (GONZALEZ, 2018, p.361) Dessa maneira, o projeto turbante-se tem uma importância para uma educação através dos turbantes, em que apenas um tecido poderá unir os alunos, pois mesmo que tenha uma legislação a qual deveria ser cumprida ainda existe muita resistência dos docentes pelo ensino de trabalhos voltados para a pauta racial, mesmo sabendo que racismo também é crime. O Brasil, vive um período político desgovernado, em que muitos racistas saíram do armário, algo entristecedor que ocasiona revolta e medo, em que para realizar estas oficinas através do projeto se torna um ato de coragem, através de um ensino que está contra os segmentos do governo. A partir de todos os aspectos citados se torna visível que o ensino através dos turbantes como pratica pedagógica garante um engajamento de todas e todos envolvidos, quando existe a explicação sobre sua história, em que (...)o uso de Turbantes por mulheres negras emerge como engajamento, reconhecimento, estética de resistência e afirmação cultural. Uma luta construída por essas mulheres durante anos, mulheres que hoje são reconhecidas, constroem representatividade, quebram estereótipos e padrões impostos. Dentre algumas das referências que fazem parte do meu processo de empoderamento, fortalecimento e representatividade cito: Dandara de Palmares, rainha Nzinga, Ângela Davis, Lélia Gonzalez, Chimamanda Ngozi Adichie, Tais Araújo, Maju Coutinho, Conceição Evaristo, Renilda Cintra, Vilma Reis, Grada Kilomba, Danie Sampaio, Maitè Freitas, Djamila Ribeiro, Tauá Pires, Érica Malunguinho, Linda Marx, Éllen Cintra, Sandra Campos, Adriana Barbosa, Cristiane Gutierrez, Cris Blues, Beth Beli: algumas tantas... ” (SILVA, 2020, p. 20-21). Como um componente da cultura afro-brasileira e da cultura brasileira, o Turbante sempre demarcou seu lugar de legitimidade em toda a história deste país, chamado Brasil, em que a sua chegadaatravés dos africanos no período colonial na escravização deste povo, onde as mulheres negras pegavam tecidos de suas próprias roupas para colocarem em suas cabeças, como proteção de seus cabelos e como proteção de sua fé. Uma comunicação era gerada através deles, de suas amarrações, de suas cores num tempo depois. Fato este que não devem ser silenciados e apagados na história deste país e sim contados para as outras gerações, como forma de educação, este saber que toda a população brasileira deveria conhecer sobre a origem dele para todxs brasileiros. Este Brasil não se acha racista, mesmo tendo atitudes racistas, mesmo a população vivenciando diariamente este racismo estrutural e perverso, desta maneira o Turbante é uma ferramenta de combate mesmo a ele. Educar para as gerações não serem racistas e a população negra ter um regaste de identidade. Mas sabemos que, o Turbante é usado também para atacar a população negra, em que mulheres brancas utilizam e são vistas como modelos, muitas vezes mesmo sendo praticantes de religiões afro-brasileiras, mas jamais apontadas na rua como macumbeiras, sujas entre outros xingamentos, como as mulheres negras ouvem de forma violenta. Mas devido a este país ser aberto a outras migrações, é interessante que as mesmas assim como os africanos algumas usam o Turbante. Conclui- se que é necessário mais pesquisas sobre os turbantes para obter outras discussões, utilizando o mesmo como ferramenta de ensino antirracista de em todos os espaços de ensino formais e informais, para o combate ao racismo e a intolerância religiosa. Mas sempre lembrando de pautar sempre que segundo Kilomba (2019) ”O racismo foi inventado pela branquitude, que como criadora deve se responsabilizar por ele. Para além de se entender como privilégio, o branco deve ter atitudes antirracistas.” REFERÊNCIAS ADICHE,Chimamanda Ngozi. O perigo da história única/Chimamanda Ngozi Adichie; tradução Julia Romeu. – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras,2019. BRASIL, Ministério da Educação e Cultura. Lei 10.639 de Janeiro de 2003. Brasília: 2003. 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