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TURBANTES: UMA FERRAMENTA DE EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA 
 
Gabriele Costa Pereira 1 
 
Resumo: O Turbante é um símbolo étnico transgressor que está presente na história e 
cultura do Brasil. Para a população afro-brasileira, ele também é sinônimo de resistência, 
estética negra e fé. Uma indumentária que traz discussões de raça, gêneros e classe. 
Segundo Rodney William (2020) para mulheres negras, os turbantes e o próprio cabelo 
natural são uma forma de afirmação política. O problema é ensinar a importância deste, 
não somente por suas amarrações, mas através do contexto sócio histórico. O objetivo 
é ensinar práticas pedagógicas a partir dele para combater o racismo. Está escrita faz 
parte de uma pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Programa de pós-
graduação em Educação da Universidade Federal do Rio Grande/FURG, cuja temática 
são os Turbantes e a Educação antirracista. A partir deste trabalho será apresentado o 
Turbante como uma ferramenta de ensino para a educação antirracista nos espaços 
educacionais. 
 
 Palavras-chave: Turbante; educação; antirracismo; 
 
Abstract ou Resumen: El Turbante es un símbolo étnico transgresor que está presente 
en la historia y cultura de Brasil. Para la población afrobrasileña, también es sinónimo de 
resistencia, estética negra y fe. Un atuendo que trae discusiones sobre raza, género y 
clase. Según Rodney William (2020) para las mujeres negras, los turbantes y el cabello 
natural en sí son una forma de declaración política. El problema es enseñar la 
importancia de esto, no solo a través de sus vínculos, sino a través del contexto socio-
histórico. El objetivo es enseñar prácticas pedagógicas basadas en él para combatir el 
racismo. Está redactado como parte de una investigación de maestría en desarrollo del 
Programa de Posgrado en Educación de la Universidad Federal de Rio Grande / FURG, 
cuyo tema es Turbantes y educación antirracista. A partir de este trabajo, el Turbante se 
presentará como una herramienta didáctica para la educación antirracista en los 
espacios educativos. 
 
Keywords ou Palabras clave: Turbante; educación; anti racismo; 
 
 
INTRODUÇÃO 
Um símbolo étnico transgressor, o turbante, está presente na história e cultura do 
Brasil, como também na sociedade mundial, especialmente no continente Africano, com 
várias significações diferentes entre os locais. A sua construção é feita com os mais 
 
1 -Mestranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação na Universidade Federal do 
Rio Grande/FURG. Grupo de estudos e pesquisa interdisciplinar Lélia Gonzalez. 
 
 
 
 
diferentes tecidos e acessórios. Em sua história é importante ressaltar que a sua origem 
ainda é um mistério, mas na atualidade, devido a propagação das mídias, principalmente 
das redes sociais, o uso dos turbantes se tornou mais visto nos diferentes lugares do 
mundo. 
No Brasil, no período que era colônia de Portugal, o turbante chega através da 
cultura africana, em que as mulheres africanas escravizadas trazidas de diferentes 
lugares do continente africano, como Senegâmbia (Guiné), Angola, Congo, Costa da 
Mina e Benin; usavam em suas cabeças. O adorno envolvia a cabeça das mulheres 
negras para cobrir os cabelos, para proteção de suas cabeças para carregarem os cestos 
pesados sobre elas, para carregarem seus filhos, para esconder as suas cabeças 
raspadas, devido a sua fé como proteção, entre outros. Em cada país da qual estas 
mulheres foram trazidas haviam significados diferentes. Desta maneira, é importante 
contar aos afrodescendentes este resgate de um pouco da história dos seus, com a 
importância da sua cultura, pois segundo Adichie (2019) 
Todas essas histórias me fazem quem eu sou. Mas insistir só nas 
histórias negativas e simplificar minha experiência e não olhar para as 
muitas outras histórias que em formaram. A história única cria 
estereótipos, e o problema com os estereótipos, não é que sejam mentira, 
mas que são incompletos. Eles fazem com que uma história se torne a 
única história. (ADICHIE, 2019 p.26) 
 
A simbologia do turbante no Brasil, para os afrodescendentes está ligada a 
resistência de seus ancestrais que foram trazidos de África através do tráfico de pessoas 
para a escravização dos mesmos, segundo GODOI2 “O turbante é um adorno repleto de 
simbolismo para quem usa; tem seu uso originado no Oriente e na África negra” (2016, 
p.70), contraditoriamente de como era usado na Europa, em que apenas era um 
acessório relacionado à moda. 
 E existe um movimento estético-político que está em alta no Brasil, de assumir 
as raízes dos cabelos afros com a sua forma natural, para se reconhecer enquanto sua 
corporeidade e estética negra, homens e mulheres estão envolvidos nesta chamada 
Transição Capilar, um processo de negação ao uso de produtos químicos para 
 
2 Dissertação de Ana Cecilia Rodrigues dos Santos Godoi no Programa de Pós- Graduação em 
Educação, Culturas e Identidades da Universidade Federal Rural de Pernambuco, no ano de 2016, 
nomeada de “Porque fomos sequestradas dos pés até o último fio de cabelo: práticas pedagógicas no 
movimento de mulheres negras e a ressignificação do corpo negro” 
 
 
 
alisamento dos cabelos, nos mais diversos cantos do país, em que também utilizam o 
turbante para se aproximar das suas origens. 
 
Para a sociedade, desde sempre, a educação antirracista é extremamente 
importante, para o combate ao racismo e a intolerância religiosa. Perante a uma 
sociedade racista que existe no Brasil, mesmo sendo composta em sua maioria por 
pessoas negras (os) e parda(os), com a maioria da população negra a qual está afastada 
do continente africano, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) 
Contínua do IBGE de 2019, as pessoas as quais se declaram negras no Brasil são 
56,10%, mais que a metade do país é composta por afrodescendentes, fora os quais 
ainda não se autodeclaram como tais, por inúmeros motivos. 
Assim, investir na educação é uma opção mais favorável para o extermínio do 
racismo e demais discriminações raciais. Em sua história, a escola, é o local que as 
pessoas negras sofreram com o racismo, de forma perversa, em que muitos ainda 
confundem com o bullinyng, que em muitos casos tem retorno porque não está na cor 
de sua pele a violência sofrida. Neste sentido, Cavalleiro, afirma que 
Para indivíduos negros, a experiência escolar também parece repleta de 
acontecimentos prejudiciais, o que dificulta a aquisição de uma 
identidade positiva, ao mesmo tempo que lhes confere o lugar daquele 
que não é bem-vindo e aceito no grupo. (CAVALLEIRO, 2020, p.83) 
 
Diante da pluralidade de gênero, classe e raça, existentes nas salas de aula, é 
necessário ser pontuado a importância do Turbante na história da população negra 
brasileira para a compreensão de toda a sala, exaltando a enegressência3 que existe 
nele, e comunicando sobre ele em outras culturas não-negras, porque segundo bell 
hooks (2017) fazer da sala de aula um contexto democrático onde todos sintam a 
responsabilidade de contribuir é um objetivo central da pedagogia transformadora. 
 Ao pensar também como pedagogia transgressora, na qual visa por uma 
resistência transgressiva, sabendo que “a intenção de transgredir, política e 
teoricamente, os limites do pensamento e da ação tradicionais, não somente entrando 
em território proibido, mas tentando pensar o que não deveria ser pensado, fazer o que 
não deveria ser feito” (PENNYKOOK, 2006, p. 82). 
 
3 Enegressência é um conceito utilizado em eventos para reafirmar a importância da autoafirmação da 
estética negra a partir da palavra enegrecer que significa torna(-se) negro, dar ou adquirir tonalidades 
escuras 
 
 
 
Considerado como um símbolo transgressor, devido aos atravessamentos que o 
mesmo faz entremulticulturas, raças, gêneros e classes; foi possível criar uma forma de 
educação através do mesmo, junto a educação antirracista. Ser um(a) docente 
antirracista é criar conteúdo e aplicar sobre as questões para as relações étnico-raciais, 
 
para que as crianças e as pessoas negras se vejam, se amem, sem pensar que somente 
a branquitude é a cor ideal. Porque as exigências ideológicas vindas da herança dos 
colonizadores no Brasil, provocaram de forma violenta uma problemática diante dos 
valores estéticos e culturais para a população negra, segundo Kabengele Munanga 
(2020) 
Na sua totalidade, a elite negra alimentava um sonho: assemelhar-se 
tanto quanto possível ao branco para, na sequência, reclamar dele o 
reconhecimento de fato e de direito. (...) Ora, para chegar a isso, 
pressupunha-se a admiração da cor do outro, o amor ao branco, a 
aceitação da colonização e a autorecusa. E os dois componentes dessa 
tentativa de libertação estão estreitamente ligados: subjacente ao amor, 
pelo colonizador, há um complexo de sentimentos que vão da vergonha 
ao ódio de si mesmo. O embranquecimento do negro realizar-se-á 
principalmente pela assimilação acontecerá pelo domínio da língua do 
colonizadora. Por isso, todo povo colonizado sempre admirou as línguas 
invasoras, que achava mais ricas do que a sua. Num grupo de jovens 
africanos de qualquer país de seu continente, aquele que se expressava 
bem e tinha controle da língua não materna (francês, inglês ou português) 
era muito respeitado. (MUNANGA, 2020, p. 35-36) 
 
 Neste sentido, enquanto docentes resgatar a Negritude é importante nos espaços 
educacionais brasileiros, para que a discussão seja de forma mais coerente e atualizada 
perante as relações antirracistas, mas o que significa este termo, Munanga (2020) cita 
que negritude, embora tenha sua origem na cor da pele negra, não é essencialmente de 
ordem biológica. A partir deste olhar do autor, é necessário também observar que 
segundo ele 
(...) o termo Negritude à cor da pele, mas sim o fato de terem sido na 
história vítimas das piores tentativas de desumanização e de terem sido 
culturas não apenas objeto de políticas sistemáticas de destruição, mas, 
mais do que isso, de ter sido simplesmente negada a existência dessas 
culturas. (MUNANGA, 2020, p.19) 
 
E a educação antirracista, terá como missão trazer para a sociedade estas 
questões, como também o desafio de ensinar as novas gerações de negras e negros, a 
importância da sua existência, que segundo Gomes (2017) exemplifica que “O corpo 
negro nos conta uma história de resistências constituída de denúncia, proposição, 
intervenção e revalorização. Neste sentindo, pensar na criação de uma consciência da 
 
 
 
auto beleza negra, em que a própria comunidade negra, em que Lélia Gonzalez (2018) 
afirmava que inicialmente deveria ser feito 
... o primeiro trabalho a ser feito, no interior da própria comunidade, é 
despertar uma consciência da beleza da própria imagem - o chamado 
"Black's Pride" (Orgulho Preto). Ter a etnia valorizada. Acho que teremos 
que recorrer aos mitos, às histórias, uma literatura infantil em que a 
criança negra esteja presente. (...) De qualquer modo é necessário criar 
e afirmar uma nova estética. "Sou negra, vou me vestir como negra, tenho 
direito a usar minhas cores, a ser criativa para me valorizar dentro do meu 
potencial. (GONZALEZ, 2018, p.377) 
 
Diante disso, trabalhar com os turbantes em espaços de ensino como prática 
pedagógica, é ter a etnia valorizada, ensinando a todas e todos sobre a história, cultura 
e importância, e não somente ensinando os tipos de amarrações. A partir de bases 
teóricas e estórias de mulheres, que utilizavam e usam turbantes, resgatando o 
conhecimento sobre ele, segundo Rodney William (2020) para mulheres negras, os 
turbantes e o próprio cabelo natural são uma forma de afirmação política. A sala de aula 
foi primeiramente o lugar escolhido para a prática, bell hooks (2017) afirmava que ao 
entrar em uma sala de aula com 
 ...vontade de partilhar o desejo de estimular era um ato de transgressão. 
Não exigia somente que se cruzassem as fronteiras estabelecidas; não 
seria possível gerar o entusiasmo sem reconhecer plenamente que as 
práticas didáticas não poderiam ser regidas por um esquema fixo e 
absoluto. Os esquemas teriam de ser flexíveis, teriam de levar em conta 
a possibilidade de mudanças espontâneas de direção. (HOOKS,2017, 
p.17) 
 
A partir disso, se transgredir tem como um dos seus significados ir além, fazer 
atravessamentos, uma educação através dos turbantes, está para além da formalidade 
do ensino para com as pautas raciais, muito mais além para com o ensino formal nos 
espaços escolares, em que a autonomia para a criação desta pratica requer coragem 
para os embates que ocorreram. Desta maneira, uma professora do extremo sul do Brasil 
criou o seu projeto de ensino através dos turbantes, pensando prioritariamente na Lei de 
nº10.639/03 a qual garante a obrigatoriedade do ensino da História e Cultura Afro-
Brasileira nos currículos escolares, uma lei que já tem dezoito anos, e ainda existem 
falhas, como disciplinas não obrigatórias para os cursos de licenciaturas nas 
universidades. Para Zélia Amador de Deus, 
Vale ressaltar que a aplicação da lei se apresenta como um grande 
desafio para os docentes, pois muitos desconhecem qualquer conteúdo 
que trate da África e da cultura afro-brasileira. Nessa perspectiva o papel 
do educador, assume grande dimensão, pois, além de buscar formação 
 
 
 
para cumprir suas funções, na medida em que são poucas as 
universidades brasileiras que já adequaram seus currículos visando à 
aplicabilidade da lei, esse docente tem que iniciar um processo de 
descontruir imagens estereotipadas que sempre enfocam a África 
ressaltando aspectos negativos: atraso, selva, fome, doenças 
endêmicas, AIDS, guerras, misérias, pobreza. Essa imagens 
estereotipadas precisam sair de cena e dar lugar (DEUS, 2020, p.65-66) 
 
Contudo, a proposta inicia para colaborar com as demais professoras de 
educação antirracista no Movimento Negro do município de Rio Grande - RS, onde eram 
poucas as professoras que faziam nas escolas do município. É de extrema relevância 
lembrar que o Movimento Negro esteve e está presente na luta em busca de políticas 
afirmativas, junto a legislação a muito tempo, na história e na contemporaneidade, 
obtendo conquistas, para aquisição de diversas pautas voltadas para o ensino da 
educação antirracista e também em busca de uma legislação para a inserção desta nos 
currículos, nos mais variados espaços, formais ou informais. Algumas pessoas não 
sabem qual a função deste movimento social, Gomes(2017) exemplifica que: 
O Movimento negro ressignifica e politiza a raça, compreendendo-a como 
construção social. Ele reeduca e emancipa a sociedade, a si próprio e ao 
Estado, produzindo novos conhecimentos e entendimentos sobre as 
relações étnico-raciais e o racismo no Brasil, em conexão em a diáspora 
africana. (GOMES, 2020, p.38) 
 
 Entretanto, o projeto visa contar os turbantes em sua totalidade, isto é, apresenta 
os turbantes na história afro-brasileira, africana, entre outras culturas; pensando na 
prática de uma sala de aula, onde não estão somente afrodescendentes, como também 
não estão somente brancos. Com o cuidado com a recepção da criança negra por este 
símbolo de resistência, político e religioso, que nunca foi lhes dito que fazia parte de suas 
raízes, para que a criança se sinta representada de forma positiva, não sendo alvo de 
mais preconceito diante deste conhecimento. E ao mesmo tempo a recepção da criança 
branca, que aprendera sobre a exaltação deste símbolo para os afrodescendentes, mas 
também através de pessoas brancas que usavam porém com outro significado. 
 Pensando nesta pratica de ensino através dos turbantes, na qual faz parte de uma 
pesquisa de mestrado em desenvolvimento no Programa de pós-graduaçãoem 
Educação da Universidade Federal do Rio Grande/FURG, cuja temática são os 
Turbantes e a Educação antirracista, que está em desenvolvimento. 
 
1 A história resumida dos turbantes 
 
 
 
 
 A origem dos turbantes, não se sabe ao certo, somente que está presente no 
Oriente e na África Subsaariana, mas uma das origens possa ter sido no Antigo Egito, 
que foi feita uma das primeiras amarrações usadas na cabeça, que fazia parte da veste 
faraônica utilizada com a máscara do famoso Tutankhamon, em que a representação 
mais antiga está na cabeça da estátua do faraó de Djoser (c 2630 ac 2611), em que 
Além das coroas, um adorno de cabeça que cai em duas tiras sobre os 
ombros e tem a parte pendente sobre a nuca amarrada em trança, 
denominado nemes, também se tornou bastante conhecido, sobretudo 
porque é usado pela esfinge de Gizé e, ainda porque aparece na famosa 
máscara de Tutankhamon...Tratava-se de um elemento fundamental da 
veste faraônica, tendo entrado em voga a partir da III dinastia (c. 2649 a 
2575 a.C. ). Sua representação mais antiga está na cabeça da estátua 
do faraó Djoser (c. 2630 a 2611 a.C.) sentado, encontrada no complexo 
da Pirâmide de Degraus (AS VESTIMENTAS, s/d). 
 
 Em outra momento da pesquisa, houve a busca pelo turbante nos impérios 
africanos em que a partir de algumas mulheres negras guerreiras já era utilizado este 
símbolo. No século XVI, a rainha Amina de Zaria (ou Zazzau) utilizava o turbante, que 
pode ser encontrado em registros de imagens. Foi descoberto também sobre a rainha 
pertencente ao reino do Walla chamada de Ndaté Yalla Mbodj no século XIX, dos reinos 
Wolof da Senegâmbia, localizada atualmente ao noroeste do Senegal. E a Rainha Yaa 
Asantewaa do Império Ashanti , conhecida como atual Gana, nascida em 1840, que lutou 
bravamente liderando a rebelião Ashanti contra o colonialismo Britânico, em 1900. E a 
princesa Yennenga do reino Dagomba conhecido atualmente como o norte de Gana, a 
mil anos atrás usava o turbante. Todas estas mulheres citadas são importantes 
referencias para usar no espaço escolar devido ao seu uso como símbolo de bravura e 
resistência. 
 Em outra pesquisa, foi encontrado que na Idade do Bronze (3000 a.C) existem 
pinturas e estatuas de pessoas que estão de turbantes, em que podem ser visitadas no 
sitio arqueológico de Cnossos, localizado na ilha de Creta na Grécia. E também o uso 
de turbantes através de registros de figuras na Grécia Antiga (1100 a.C e até 146 a.C.) 
e na Roma Antiga (século VIII a.C), mas com significados diferentes, talvez somente 
ligados a religião. 
No Brasil, este símbolo chega através das mulheres africanas, no período da 
escravidão, os primeiros africanos e africanas chegam no século XVI. Assim, é 
importante citar mulheres como Dandara dos Palmares, uma guerreira que lutava pela 
 
 
 
liberdade e defesa do Quilombo, nascida no continente africano ou no Brasil, não se 
sabe sua origem, era esposa de Zumbi de Palmares, em registros na história aparece 
com tecidos em sua cabeça, o que hoje conhecemos como turbante. Assim como ela, 
 
Acotirene que foi considerada a matriarca no Quilombo dos Palmares e conselheira dos 
escravizados e escravizadas, em alguns registros está com seu turbante. E Zeferina, 
nascida em Angola foi trazida para o Brasil para a região da Bahia ainda criança como 
uma menina escravizada, lutava pela sua liberdade, fundou o Quilombo Urubu, com seu 
turbante lutava. 
 Na década de 60, a afro- estadunidense Eunice Kathleen Waymon conhecida pelo 
seu nome artístico como Nina Simone, cantora, compositora pianista e militante que 
lutava pelos direitos civis dos afro-estadunidenses através de suas canções, em muitas 
fotos está com vários tipos de amarrações de turbantes, destacando a importância do 
Orgulho Negro. No texto de Glenda B.Ferreira, chamado de Nina Simone: Uma das cores 
da minha alma, apresenta que “Ela usava turbantes, brincos gigantes, joias, estampas 
super colors, pulseiras, óculos grandes. “(2016). Uma das frases mais conhecidas da 
pianista é “ Eu te digo o que a liberdade significa para mim: não ter medo.” 
 A escritora e feminista francesa Simone de Beuvoir, usava o turbante com outro 
formato e significações do que para as mulheres negras, uma das frases mais conhecida 
de Simone é “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher”. A cantora Carmem Miranda 
também foi uma das mulheres que estiveram presentes nesta pesquisa devido ao seu 
uso dos turbantes, com formas diferentes e da sua representatividade no país, em que 
segundo em NASSER (1989), para Carmem 
Os Turbantes, são feitos por Miranda, os balangaundas são da baixa do 
sapateiro de Salvador, isto mostra a influência da cultura baiana na moda 
e nas criações de Carmem Miranda. Sendo assim na viagem que fez a 
Bahia antes de ir para América do Norte, ela levou toda cultura baiana 
pautando-se na tropicalidade e o carnaval do povo brasileiro criando 
assim uma moda particular. Os colares, turbantes, vestidos, saias, 
chapéus, jóias e sapatos plataformas eram características do vestir de 
Camem Miranda nas apresentações pelos Estados Unidos sempre 
revelando o que é que a baiana tem ( NASSER,1989). 
 
 E a estilista francesa Gabrielle Bonheur Chanel conhecida como Coco Chanel, 
também utilizava os turbantes, e sua luta era pelo movimento de liberdade expressão 
através da moda feminina. Dessa maneira, de forma resumida foi apresentada um pouco 
 
 
 
da história dos turbantes, os seus significados para cultura africana e demais culturas 
através de mulheres. 
2 Projeto Turbante-se com Gabriele Costa 
 A legislação para as pautas raciais é de extrema importância para que todos 
saibam, neste projeto estão sendo citadas apenas algumas entre todas as demais. 
Primeiramente, a Lei nº7.716/1989 de 5 de janeiro de 1989, na qual define os crimes 
resultantes de preconceito de raça ou de cor, em que sofre alterações no dia 13 de maio 
de 1997, a Lei nº9.459, do "Art. 1º Serão punidos, na forma desta Lei, os crimes 
resultantes de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência 
nacional." e o "Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, 
cor, etnia, religião ou procedência nacional.” 
No ano de 2012, recebe outra alteração, Lei nº12.735, de 30 de novembro de 
2012; a qual altera novamente acrescentando condutas ligadas ao sistema a partir das 
tecnologias. No ano dia 9 de janeiro 2003, altera a Lei nº9.394/96, que estabelece as 
diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de 
Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras 
providências. Após 5 anos desta lei, recebe modificações, no dia 10 de março de 2008, 
foi criada a Lei nº11.645/08, em que estabelece a inclusão na mesma também a “História 
e Cultura Afro-Brasileira e Indígena.” A partir destas leis, é importante pensar em dois 
conceitos com suas definições, o conceito de Raça que segundo Almeida (2020) 
Raça não é um termo fixo, estático. Seu sentido está inevitavelmente 
atrelado às circunstancias históricas em que é utilizado. Por traz da raça 
sempre há contingência, conflito, poder e decisão, de tal sorte que se 
trata de um conceito relacional e histórico. (ALMEIDA, 2020, p.24) 
 
E o conceito de Racismo, o fato de agir contra a cor da pele do outro, segundo 
Almeida (2020), “O racismo é uma imoralidade e também um crime, que exige que 
aqueles que praticam sejam devidamente responsabilizados, disso estamos convictos.” 
(ALMEIDA, 2020, p.36). A partir dos conceitos citados acima, devemos pensar, uma 
abordagem destes conceitos para serem utilizados em sala de aula através de serias 
discussões. Existem um equívoco para a discussão entre bullyng e racismo nos espaços 
escolares, racismo é um crime previsto na Constituição Federal e o bullyng é uma 
violência escolar. 
 
 
 
Os espaços de ensino formais,as escolas, são locais necessários para as 
discussões e práticas de ensino voltadas para as diferenças raciais, segundo Cavallero 
(2001), o ambiente escolar é um espaço importante para trabalhar as diferenças raciais, 
visto que, neste ambiente estão todos “unidos” através de seus gêneros, classe e raça. 
Mesmo sabendo que existem tratamentos diferenciados, mas este é o local adequado 
para agir diante de uma ação de educação inter-racial. Nos espaços escolares, 
atualmente existe um discurso voltado a diversidade, com a política de que “somos todos 
iguais”, mas sabemos que durante a história os espaços escolares sempre apresentaram 
tratamentos diferenciados e discriminatórios de forma oculta ou não. E a escola, segundo 
Cavalleiro(2020), ao se achar igualitária, livre do preconceito e da discriminação, a escola 
tem perpetuado desigualdades de tratamento e miando efetivas oportunidades 
igualitárias a todas as crianças. (2020, p.99) 
O projeto Turbante-se com Gabriele Costa sua criação inicia a partir de um olhar 
de uma professora, no começo houve a parceria de uma amiga e colega militante, mas 
depois o projeto persistiu somente com a percursora, que ao longo dos anos vem 
atuando no munícipio de Rio Grande e no momento da pandemia em formato online 
esteve presente no Chile e na cidade de Pelotas. 
 Este projeto tem como um dos objetivos ensinar a história do turbante para contar 
a transversalidade do mesmo em vários aspectos sejam eles étnicos, religiosos ou de 
gêneros. Ensinar o respeito pelo seu próximo e tornar um cidadão mais consciente e 
antirracista. Outro aspecto relevante da oficina é exaltar o turbante como símbolo étnico 
africano e afro-brasileiro, símbolo de resistência para a população negra, como forma de 
autoestima, autoafirmação racial e identitária. 
 Os objetivos da oficina são: Elevar a autoestima do indivíduo através deste 
acessório histórico; aprimorar o conhecimento sobre os turbantes; desenvolver a 
igualdade de saberes pela causa do outro; manifestar o interesse pela dinâmica; 
participar da troca de conhecimentos sócio –histórico e aplicar o conhecimento em suas 
vidas. 
 As temáticas envolvidas: instrumento de comunicação; tipos de turbantes; a euro 
centralidade; O turbante em evidencia em momentos históricos: segunda guerra mundial, 
orgulho negro nos EUA, personagens da história, etc. A questão social como 
empoderamento das mulheres e homens em tratamento para a cura do câncer, o 
 
 
 
processo de igualdade de gêneros; os tipos de lápis cor da pele; a religiosidade; a 
representatividade. 
A metodologia utilizada é através de fontes bibliográficas e virtuais, junto a 
pesquisa oral por parte de membros do Movimento Negro. Os materiais utilizados para 
as amarrações, isto é, os tecidos, são investimentos próprios e doações. Os turbantes 
são feitos com os mais diversos tecidos para que todos tenham acesso e ao chegar em 
suas casas possam fazer. É uma semente de saber e aprendizado que deve ser 
compartilhada com todas e todos. 
 O projeto está presente para os muros das escolas, pois já esteve presente em 
postos de saúde, associações de bairros, shoppings, câmara dos vereadores, museu da 
cidade, OAB, universidades, hospitais e em conversas virtuais. Em que tem percurso ao 
longo dos meses, mas no mês de outubro e novembro devido as comemorações do 
outubro rosa e do mês de novembro ser referência para a população negra, como o mês 
da consciência negra. 
 Nas redes sociais é possível ter contato com todas as fotos das oficinas. Por fim, 
esta oficina tem um papel importante na sociedade para que todos se unam contra o 
racismo e qualquer tipo de discriminação referente a raça, religião e gêneros diante do 
seu turbante. Os resultados esperados são a aprovação do grupo e atingir as 
expectativas do grupo, quanto à oficina. 
 
CONCLUSÃO/CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Considera-se que a história dos turbantes não se encerra através deste trabalho 
que está em desenvolvimento, em um resgate sobre as suas origens e definições, 
tornando-o um símbolo transgressor, pelo fato de estar para além dos gêneros, das 
classes e das raças. Mas nesta pesquisa sob um recorte da sua história através de 
representatividades do feminino no Brasil e demais lugares, apresentando a diferença 
do seu significado para mulheres negras e mulheres não-negras. 
Assim, através desta escrita é possível perceber o quanto se faz eficaz ensinar a 
história e a cultura do mesmo, pensando em um método de educação antirracista através 
dos turbantes, empoderando as crianças negras nos espaços de ensino, na tentativa de 
 
 
 
mudar a significação da escola para a população negra tão violentada. A experiência 
escolar, segundo Cavalleiro é 
Para indivíduos negros, a experiência escolar também parece repleta de 
acontecimentos prejudiciais, o que dificulta a aquisição de uma 
identidade positiva, ao mesmo tempo que lhes confere o lugar daquele 
que não é bem-vindo e aceito no grupo. (CAVALLEIRO, 2020, p.83) 
 
Diante disso, quando o Movimento Negro atua em conjunto ao magistério através 
de professoras e professores militantes, estando presente nos espaços de ensino, 
marcando o território para a proteção e orientação das outras gerações, na esperança 
de transformar uma educação antirracista em que os negros e as negras se amem, pelo 
seu tom de pele, pelo seu fenótipo, pelo seu cabelo, enfim pela sua estética negra. Em 
que, devemos ensinar a importância de ser negra ou ser negro, porque se nasce de 
vários tons de pele derivados da negritude, mas se torna negro, segundo Lélia Gonzalez, 
Aí me recordo daquela frase de Simone de Beauvoir quando ela diz: "A 
gente não nasce mulher, a gente se torna mulher" Do mesmo modo nós 
não nascemos negros, nós nos tornamos negros! A gente nasce "pardo" 
azul-marinho" "marrom", "roxinho" "mulato claro" e "escuro" mas a gente 
se torna negro. Ser negro é uma conquista. Não tem nada a ver com as 
gradações de cor de pele! Isso foi o racismo que inventou! (GONZALEZ, 
2018, p.361) 
 
Dessa maneira, o projeto turbante-se tem uma importância para uma educação 
através dos turbantes, em que apenas um tecido poderá unir os alunos, pois mesmo que 
tenha uma legislação a qual deveria ser cumprida ainda existe muita resistência dos 
docentes pelo ensino de trabalhos voltados para a pauta racial, mesmo sabendo que 
racismo também é crime. 
O Brasil, vive um período político desgovernado, em que muitos racistas saíram 
do armário, algo entristecedor que ocasiona revolta e medo, em que para realizar estas 
oficinas através do projeto se torna um ato de coragem, através de um ensino que está 
contra os segmentos do governo. 
A partir de todos os aspectos citados se torna visível que o ensino através dos 
turbantes como pratica pedagógica garante um engajamento de todas e todos 
envolvidos, quando existe a explicação sobre sua história, em que 
(...)o uso de Turbantes por mulheres negras emerge como engajamento, 
reconhecimento, estética de resistência e afirmação cultural. Uma luta 
construída por essas mulheres durante anos, mulheres que hoje são 
reconhecidas, constroem representatividade, quebram estereótipos e 
padrões impostos. Dentre algumas das referências que fazem parte do 
meu processo de empoderamento, fortalecimento e representatividade 
cito: Dandara de Palmares, rainha Nzinga, Ângela Davis, Lélia Gonzalez, 
 
 
 
Chimamanda Ngozi Adichie, Tais Araújo, Maju Coutinho, Conceição 
Evaristo, Renilda Cintra, Vilma Reis, Grada Kilomba, Danie Sampaio, Maitè 
Freitas, Djamila Ribeiro, Tauá Pires, Érica Malunguinho, Linda Marx, Éllen 
Cintra, Sandra Campos, Adriana Barbosa, Cristiane Gutierrez, Cris Blues, 
Beth Beli: algumas tantas... ” (SILVA, 2020, p. 20-21). 
 
 Como um componente da cultura afro-brasileira e da cultura brasileira, o Turbante 
sempre demarcou seu lugar de legitimidade em toda a história deste país, chamado 
Brasil, em que a sua chegadaatravés dos africanos no período colonial na escravização 
deste povo, onde as mulheres negras pegavam tecidos de suas próprias roupas para 
colocarem em suas cabeças, como proteção de seus cabelos e como proteção de sua 
fé. Uma comunicação era gerada através deles, de suas amarrações, de suas cores num 
tempo depois. Fato este que não devem ser silenciados e apagados na história deste 
país e sim contados para as outras gerações, como forma de educação, este saber que 
toda a população brasileira deveria conhecer sobre a origem dele para todxs brasileiros. 
Este Brasil não se acha racista, mesmo tendo atitudes racistas, mesmo a 
população vivenciando diariamente este racismo estrutural e perverso, desta maneira o 
Turbante é uma ferramenta de combate mesmo a ele. Educar para as gerações não 
serem racistas e a população negra ter um regaste de identidade. Mas sabemos que, o 
Turbante é usado também para atacar a população negra, em que mulheres brancas 
utilizam e são vistas como modelos, muitas vezes mesmo sendo praticantes de religiões 
afro-brasileiras, mas jamais apontadas na rua como macumbeiras, sujas entre outros 
xingamentos, como as mulheres negras ouvem de forma violenta. Mas devido a este 
país ser aberto a outras migrações, é interessante que as mesmas assim como os 
africanos algumas usam o Turbante. 
Conclui- se que é necessário mais pesquisas sobre os turbantes para obter outras 
discussões, utilizando o mesmo como ferramenta de ensino antirracista de em todos os 
espaços de ensino formais e informais, para o combate ao racismo e a intolerância 
religiosa. Mas sempre lembrando de pautar sempre que segundo Kilomba (2019) ”O 
racismo foi inventado pela branquitude, que como criadora deve se responsabilizar por 
ele. Para além de se entender como privilégio, o branco deve ter atitudes antirracistas.” 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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tradução Julia Romeu. – 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras,2019. 
 
 
 
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último fio de cabelo: práticas pedagógicas no movimento de mulheres negras e a 
ressignificação do corpo negro/Ana Cecília Rodrigues dos Santos Godoi – 
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