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Relatório de Terapia Antirretroviral

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CENTRO UNIVERSITÁRIO PLANALTO DO DISTRITO FEDERAL
BACHARELADO EM ENFERMAGEM
JESSICA SILVA RIBEIRO – UL23203876
RELATORIO DE ESTAGIO ACADÊMICO I: TERAPIA ANTIRRETROVIRAL
ALTAMIRA-PA
2026
JESSICA SILVA RIBEIRO
RELATORIO DE ESTAGIO ACADÊMICO I: TERAPIA ANTIRRETROVIRAL
Trabalho avaliativo apresentado à
disciplina Estágio Curricular I do Bacharelado
em Enfermagem do Centro Universitário
Planalto do Distrito Federal, como requisito
para obtenção de nota, sob orientação da
enfermeira docente Joelma Santos de
Oliveira Souza.
ALTAMIRA-PA
2026
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO......................................................................................................................... 4
2 OBJETIVOS ........................................................................................................................... 6
2.1 Objetivos gerais ............................................................................................................... 6
2.2 Objetivos específicos....................................................................................................... 6
3 DESENVOLVIMENTO ........................................................................................................... 8
3.1 Conceito de terapia antirretroviral ................................................................................... 8
3.2 Objetivos da terapia antirretroviral .................................................................................. 8
3.3 Princípios fundamentais da TARV.................................................................................... 9
3.4 Classes dos medicamentos antirretrovirais ................................................................... 10
3.4.1 Inibidores análogos da transcriptase reversa ......................................................... 10
3.4.2 Inibidores não análogos da transcriptase reversa.................................................... 11
3.4.3 Inibidores da integrase ........................................................................................... 11
3.4.4 Inibidores de protease ............................................................................................ 11
3.5 Terapia combinada ........................................................................................................ 12
3.6 Início da terapia antirretroviral......................................................................................... 12
3.7 Carga viral do HIV ......................................................................................................... 13
3.8 Contagem de linfócitos T CD4+...................................................................................... 13
3.9 Adesão à terapia antirretroviral........................................................................................ 13
3.10 Efeitos adversos dos antirretrovirais ........................................................................... 14
3.11 Interações medicamentosas......................................................................................... 15
3.12 Resistência aos antirretrovirais..................................................................................... 15
3.13 Falha terapêutica........................................................................................................... 16
3.14 Infecções oportunistas.................................................................................................. 17
3.15 Coinfecção HIV e tuberculose....................................................................................... 17
3.16 Vacinação...................................................................................................................... 18
3.17 Saúde sexual e prevenção.............................................................................................. 18
3.18 Supressão viral e prevenção da transmissão sexual........................................................ 19
3.19 Saúde mental e terapia antirretroviral........................................................................... 19
3.20 Estigma e discriminação............................................................................................... 20
3.21 Papel da enfermagem na terapia antirretroviral .......................................................... 21
3.22 Educação em saúde........................................................................................................ 22
3.23 Acompanhamento laboratorial e clínico........................................................................ 23
3.24 Alimentação e estilo de vida.......................................................................................... 24
3.25 Terapia antirretroviral e qualidade de vida .................................................................. 24
3.26 Importância da terapia antirretroviral para o sistema de saúde...................................... 25
4 METODOLOGIA .................................................................................................................. 27
5 CONCLUSÃO......................................................................................................................... 28
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................... 30
1 INTRODUÇÃO
A infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) permanece como um
importante problema de saúde pública, apesar dos expressivos avanços científicos e
terapêuticos alcançados nas últimas décadas. A introdução da terapia antirretroviral
(TARV) modificou significativamente a história natural da infecção, possibilitando maior
controle da replicação viral, redução da ocorrência de complicações relacionadas à
imunossupressão e aumento da expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV.
Assim, o HIV passou a ser compreendido como uma condição crônica que pode ser
controlada mediante diagnóstico, tratamento e acompanhamento adequados (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2026).
A terapia antirretroviral consiste na utilização de medicamentos que atuam em
diferentes etapas do ciclo de replicação do HIV, com a finalidade de reduzir a
quantidade de vírus presente no organismo e favorecer a preservação ou recuperação
do sistema imunológico. A supressão da replicação viral está diretamente relacionada à
redução da morbimortalidade e à prevenção da progressão da infecção para estágios
avançados da doença (BRASIL, 2024a).
No Brasil, a assistência às pessoas vivendo com HIV está inserida no Sistema
Único de Saúde (SUS), sendo garantido o acesso ao tratamento antirretroviral conforme
as políticas públicas e os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde. O
Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em
Adultos apresenta recomendações para avaliação clínica, escolha dos esquemas
terapêuticos, acompanhamento laboratorial, manejo de efeitos adversos e situações de
falha terapêutica (BRASIL, 2024a).
A TARV não deve ser compreendida exclusivamente como uma intervenção
farmacológica, pois o sucesso terapêutico também está relacionado a fatores
psicológicos, sociais, comportamentais e relacionados ao acesso e à adesão aos
serviços de saúde. Estudos demonstram que aspectos clínicos e sociais influenciam
diretamente a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV, tornando necessária
uma assistência integral e individualizada (CECILIO et al., 2019).
4
A adesão ao tratamento também apresenta relação importante com os
resultados clínicos e com a qualidade de vida. Silva et al. (2014) identificaram
associação entre adesão à TARV, controle virológico e melhores indicadores
relacionados à qualidade de vida, evidenciando que o acompanhamento contínuo dos
pacientes é essencial para a manutenção dos benefícios terapêuticos.
identificaram associação entre adesão à TARV, controle virológico e melhores
indicadores relacionados à qualidade de vida, evidenciando que o acompanhamento
contínuo dos pacientes é essencialpara a manutenção dos benefícios terapêuticos. As
recomendações internacionais mais recentes reforçam a necessidade de otimizar os
esquemas antirretrovirais, ampliar o acesso ao cuidado, fortalecer estratégias de
adesão e integrar o tratamento do HIV à atenção de outras condições de saúde. Nesse
cenário, o cuidado deve ser organizado de maneira centrada na pessoa, considerando
suas necessidades clínicas e psicossociais (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
Diante disso, este relatório tem como finalidade apresentar uma abordagem
ampla sobre a terapia antirretroviral, contemplando seu conceito, objetivos, princípios
terapêuticos, principais classes farmacológicas, terapia combinada, início do tratamento,
monitoramento da carga viral e dos linfócitos T CD4+, adesão, efeitos adversos,
interações medicamentosas, resistência viral, falha terapêutica, infecções oportunistas,
coinfecções, vacinação, saúde sexual, saúde mental, estigma, atuação da enfermagem,
educação em saúde e relação entre TARV e qualidade de vida (HIPOLITO et al., 2017).
5
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivos gerais
Analisar a importância da terapia antirretroviral no tratamento e controle da
infecção pelo HIV, abordando seus princípios terapêuticos, mecanismos de ação,
acompanhamento clínico e laboratorial, adesão, prevenção de complicações e atuação
da equipe multiprofissional no cuidado às pessoas vivendo com HIV.
2.2 Objetivos específicos
• Compreender o conceito e os principais objetivos da terapia antirretroviral.
• identificar as principais classes de medicamentos antirretrovirais e seus
mecanismos de ação.
• discutir a importância da terapia combinada para o controle da replicação viral.
• compreender a importância da carga viral e da contagem de linfócitos T CD4+
no acompanhamento clínico.
• analisar os principais fatores relacionados à adesão ao tratamento.
• abordar efeitos adversos, interações medicamentosas, resistência viral e falha
terapêutica.
• discutir a prevenção e o manejo das infecções oportunistas e coinfecções.
• destacar a importância da vacinação, saúde sexual e prevenção combinada.
• compreender a relação entre supressão viral e prevenção da transmissão
sexual do HIV.
• analisar a influência da saúde mental, do estigma e da discriminação sobre o
tratamento.
• apresentar a importância da atuação da enfermagem e da equipe
6
multiprofissional.
• relacionar a TARV à qualidade de vida e à integralidade do cuidado.
7
3 DESENVOLVIMENTO
3.1 Conceito de terapia antirretroviral
A terapia antirretroviral corresponde ao conjunto de medicamentos utilizados
para controlar a infecção pelo HIV. Esses fármacos interferem em diferentes etapas do
ciclo de replicação viral, reduzindo a multiplicação do vírus e permitindo que o
organismo mantenha ou recupere sua capacidade de resposta imunológica (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2026).
O HIV apresenta tropismo principalmente por células do sistema imunológico,
especialmente os linfócitos T CD4+. A replicação persistente do vírus pode provocar
redução progressiva dessas células e comprometimento da resposta imunológica,
aumentando a vulnerabilidade do indivíduo a infecções e outras complicações
relacionadas à imunossupressão (BRASIL, 2024a).
A utilização adequada da TARV reduz significativamente a replicação viral e
favorece a recuperação imunológica. A escolha do esquema terapêutico deve
considerar aspectos clínicos, laboratoriais, histórico de tratamento, presença de
comorbidades, coinfecções e possíveis interações medicamentosas (BRASIL, 2024a).
3.2 Objetivos da terapia antirretroviral
A TARV apresenta objetivos clínicos, imunológicos e epidemiológicos. Entre suas
principais finalidades estão a redução da carga viral, a manutenção da supressão viral,
a preservação ou recuperação da função imunológica, a redução da morbimortalidade e
a prevenção da progressão da infecção pelo HIV (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2025).
Entre os principais objetivos da TARV destacam-se:
• reduzir a carga viral do HIV.
• promover supressão viral sustentada.
• preservar ou recuperar a função imunológica.
• reduzir a ocorrência de infecções oportunistas.
8
• prevenir a progressão para aids.
• diminuir a morbimortalidade associada ao HIV.
• aumentar a expectativa de vida.
• melhorar a qualidade de vida.
• reduzir o risco de transmissão sexual quando há supressão viral sustentada.
• contribuir para a prevenção da transmissão vertical quando utilizada
adequadamente durante a gestação e o período perinatal. A efetividade da TARV
ultrapassa a dimensão individual, uma vez que o controle da carga viral também
apresenta impacto na prevenção da transmissão sexual do HIV. Com isso, o tratamento
constitui simultaneamente uma estratégia clínica e de saúde pública (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2026).
3.3 Princípios fundamentais da TARV
A terapia antirretroviral deve ser individualizada e conduzida segundo protocolos
clínicos atualizados. A seleção dos medicamentos depende de características clínicas e
laboratoriais do paciente, histórico terapêutico, presença de resistência viral,
coinfecções, comorbidades, função renal e hepática e possibilidade de interações
medicamentosas (BRASIL, 2024a).
Entre os principais fatores considerados na escolha e acompanhamento do
tratamento estão:
• situação clínica.
• histórico de tratamento.
• resistência viral conhecida ou suspeita.
• presença de coinfecções.
• função renal.
• função hepática.
9
• interações medicamentosas.
• comorbidades.
• possibilidade de gestação.
• uso concomitante de outros medicamentos.
• tolerabilidade.
• capacidade de adesão.
O tratamento do HIV possui caráter longitudinal e requer acompanhamento
contínuo. A efetividade da terapia depende não somente do início do tratamento, mas
também da manutenção do uso adequado dos medicamentos e da realização periódica
das avaliações clínicas e laboratoriais (SILVA et al., 2014).
O PCDT brasileiro recomenda avaliação abrangente, incluindo histórico de
doenças, tuberculose, infecções oportunistas, imunizações, medicamentos em uso,
aspectos psicossociais, práticas sexuais, uso de álcool e outras drogas e condições
relacionadas à rede de apoio do paciente (BRASIL, 2024a).
3.4 Classes dos medicamentos antirretrovirais
Os medicamentos antirretrovirais são classificados de acordo com a etapa do
ciclo de replicação do HIV sobre a qual exercem sua ação. A utilização de
medicamentos com mecanismos diferentes possibilita interferir em múltiplas fases da
replicação viral (BRASIL, 2024a). Entre as principais classes farmacológicas
encontram-se os inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos ou
nucleotídeos, os inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos, os
inibidores da integrase e os inibidores da protease, entre outras classes utilizadas
conforme situações clínicas específicas (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.4.1 Inibidores análogos da transcriptase reversa
Os inibidores da transcriptase reversa análogos de nucleosídeos ou nucleotídeos
interferem na ação da transcriptase reversa, enzima essencial para a conversão do
10
RNA viral em DNA. Com isso, dificultam a continuidade do processo de replicação do
HIV (BRASIL, 2024a). Entre medicamentos pertencentes a essa classe estão:
• tenofovir.
• lamivudina.
• zidovudina.
• abacavir.
Esses medicamentos podem ser associados a agentes de outras classes para
compor esquemas terapêuticos combinados, conforme as recomendações do protocolo
vigente e as características clínicas de cada paciente (BRASIL, 2024a).
3.4.2 Inibidores não análogos da transcriptase reversa
Os inibidores da transcriptase reversa não análogos de nucleosídeos também
interferem na atividade da transcriptase reversa, porém por mecanismo molecular
diferente daquele observado nos análogos de nucleosídeos ou nucleotídeos. Sua
utilização deve considerar o histórico terapêutico, possíveis resistências e as
recomendações estabelecidas para cada situação clínica(WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2025). A escolha dessa classe não deve ser realizada de maneira
isolada, pois fatores relacionados à resistência viral, interações medicamentosas e
características individuais podem modificar a indicação terapêutica (BRASIL, 2024a).
3.4.3 Inibidores da integrase
Os inibidores da integrase impedem a integração do material genético viral ao
DNA da célula hospedeira. Essa classe possui importante participação nos esquemas
contemporâneos de tratamento do HIV, destacando-se medicamentos como o
dolutegravir em diferentes situações clínicas previstas pelos protocolos brasileiros
(BRASIL, 2024a). A utilização de inibidores da integrase deve considerar potenciais
interações medicamentosas e condições clínicas específicas. O esquema deve ser
definido de acordo com o protocolo vigente e com a avaliação individual do paciente
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.4.4 Inibidores de protease
11
Os inibidores de protease atuam sobre uma etapa relacionada à maturação das
partículas virais. Ao interferirem na atividade da protease do HIV, dificultam a formação
de partículas virais maduras e funcionalmente capazes de infectar novas células
(BRASIL, 2024a). Entre os medicamentos dessa classe encontram-se agentes como
darunavir, cuja utilização pode ser indicada em situações específicas, principalmente de
acordo com histórico terapêutico, resistência viral ou necessidade de regimes
diferenciados (BRASIL, 2024a).
3.5 Terapia combinada
A utilização combinada de medicamentos antirretrovirais com mecanismos de
ação distintos constitui importante estratégia para controlar a replicação do HIV e
reduzir a possibilidade de seleção de variantes resistentes. A combinação adequada
aumenta a potência antiviral e favorece a manutenção da supressão viral (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2025). A terapia combinada possibilita interferir em
diferentes etapas do ciclo de replicação do HIV. Assim, a utilização simultânea de
diferentes agentes reduz a possibilidade de que o vírus continue se multiplicando de
maneira eficaz na presença do tratamento (BRASIL, 2024a).
A escolha do regime terapêutico deve ser realizada por profissional habilitado e
baseada nas recomendações do PCDT. O paciente não deve modificar, suspender ou
substituir os medicamentos por conta própria, pois essas condutas podem comprometer
a eficácia do tratamento e favorecer resistência viral (BRASIL, 2024a).
3.6 Início da terapia antirretroviral
O diagnóstico do HIV deve ser acompanhado da vinculação da pessoa aos
serviços de saúde e da avaliação para início oportuno do tratamento. As
recomendações contemporâneas valorizam o início rápido da TARV para pessoas
elegíveis, considerando as condições clínicas e a necessidade de manejo de situações
concomitantes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
O início precoce do tratamento possibilita reduzir a replicação viral, preservar a
função imunológica e diminuir o risco de progressão da doença. Entretanto, situações
clínicas específicas podem exigir avaliação ou manejo adicional antes ou durante o
início da terapia (BRASIL, 2024a).
12
3.7 Carga viral do HIV
A carga viral corresponde à quantidade de material genético do HIV detectada no
sangue e constitui um dos principais parâmetros utilizados para avaliar a resposta ao
tratamento. A redução da carga viral indica diminuição da replicação do vírus e constitui
importante marcador da efetividade da TARV (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2026).
O acompanhamento da carga viral também permite identificar situações que
podem indicar resposta inadequada ao tratamento. Quando ocorre aumento ou
ausência de supressão viral, devem ser investigadas possíveis causas, como baixa
adesão, interrupção do tratamento, interações medicamentosas e resistência viral
(BRASIL, 2024a). A interpretação da carga viral deve ser realizada juntamente com a
avaliação clínica e outros dados laboratoriais. Assim, resultados laboratoriais isolados
não devem ser utilizados para modificar o tratamento sem investigação adequada da
situação do paciente (BRASIL, 2024a).
3.8 Contagem de linfócitos T CD4+
Os linfócitos T CD4+ desempenham papel fundamental na organização da
resposta imunológica e constituem importantes células-alvo do HIV. A contagem dessas
células auxilia na avaliação do estado imunológico e na identificação de pessoas com
maior risco de determinadas complicações relacionadas à imunossupressão (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2026).
A doença avançada pelo HIV está associada a maior risco de infecções
oportunistas e mortalidade. A OMS recomenda a identificação precoce das pessoas
com doença avançada e a implementação de medidas destinadas à prevenção,
diagnóstico e tratamento das complicações associadas à imunossupressão (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2025). Em situações de imunossupressão avançada, a
avaliação dos linfócitos T CD4+ assume particular importância para orientar medidas
preventivas e terapêuticas. O resultado deve ser interpretado em conjunto com a
história clínica e demais informações laboratoriais (BRASIL, 2024b).
3.9 Adesão à terapia antirretroviral
13
A adesão representa um dos principais fatores associados ao sucesso da TARV.
A utilização inadequada dos medicamentos pode resultar em perda do controle
virológico e favorecer a seleção de variantes resistentes, comprometendo as opções
terapêuticas futuras (SILVA et al., 2014). A dificuldade de adesão não deve ser
compreendida exclusivamente como responsabilidade individual. Aspectos sociais,
econômicos, psicológicos, familiares e relacionados ao próprio tratamento podem
interferir na continuidade da TARV (MATOS; TORRES; LUZ, 2024).
Entre os fatores que podem dificultar a adesão encontram-se:
• efeitos adversos.
• esquecimento.
• sofrimento psicológico.
• depressão.
• estigma.
• discriminação.
• medo da descoberta do diagnóstico.
• dificuldades familiares.
• dificuldades de acesso aos serviços.
• problemas de transporte.
• baixa compreensão sobre o tratamento.
• uso problemático de álcool ou outras substâncias.
A identificação dos fatores relacionados à baixa adesão permite que a equipe de
saúde desenvolva estratégias individualizadas, como educação em saúde,
acompanhamento mais frequente, apoio psicossocial e simplificação terapêutica
quando clinicamente possível (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.10 Efeitos adversos dos antirretrovirais
14
Os medicamentos antirretrovirais podem provocar efeitos adversos, cuja
ocorrência e intensidade variam de acordo com o medicamento utilizado e as
características individuais do paciente. Entre as possíveis manifestações estão
sintomas gastrointestinais, alterações metabólicas, manifestações cutâneas e
alterações da função renal ou hepática (BRASIL, 2024a).
A presença de efeitos adversos deve ser comunicada à equipe de saúde para
avaliação adequada. O paciente não deve suspender a TARV por conta própria, uma
vez que a interrupção inadequada pode permitir o retorno da replicação viral e
comprometer o controle da infecção (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025). O
acompanhamento sistemático permite identificar precocemente reações indesejáveis e
avaliar a necessidade de intervenções. Quando clinicamente indicado, o profissional
poderá modificar o esquema terapêutico de acordo com as recomendações vigentes
(BRASIL, 2024a).
3.11 Interações medicamentosas
As interações medicamentosas constituem importante aspecto da assistência às
pessoas vivendo com HIV. Muitos pacientes utilizam simultaneamente medicamentos
para hipertensão, diabetes, dislipidemias, doenças cardiovasculares, infecções ou
condições de saúde mental, aumentando a necessidade de avaliação cuidadosa do
tratamento concomitante (BRASIL, 2024a).
Além dos medicamentos prescritos, é importante investigar o uso de
medicamentos sem prescrição, fitoterápicos, suplementos e outras substâncias. A
identificação dessas práticas permite avaliar possíveis interações e prevenir redução da
eficácia da TARV ou aumento de toxicidades(BRASIL, 2024a).
A avaliação medicamentosa deve fazer parte da consulta e ser atualizada
periodicamente. A equipe multiprofissional deve orientar o paciente a informar todos os
medicamentos e substâncias utilizados, evitando alterações terapêuticas sem
orientação profissional (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.12 Resistência aos antirretrovirais
15
A resistência aos antirretrovirais ocorre quando variantes do HIV apresentam
alterações que diminuem sua sensibilidade a determinados medicamentos. Esse
fenômeno pode comprometer a eficácia do esquema utilizado e limitar as opções
terapêuticas disponíveis (BRASIL, 2024a). A resistência pode estar associada à
replicação viral persistente durante exposição inadequada aos medicamentos,
interrupções frequentes do tratamento ou resistência previamente existente. Por isso, a
manutenção da supressão viral constitui importante estratégia para evitar a seleção de
variantes resistentes (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
Quando há suspeita de resistência ou falha terapêutica, é necessária avaliação
especializada. A análise deve considerar adesão, interações medicamentosas, histórico
terapêutico, resultados laboratoriais e, quando indicado, exames específicos
relacionados à resistência (BRASIL, 2024a).
3.13 Falha terapêutica
A falha terapêutica pode ocorrer quando não é alcançada ou mantida uma
resposta virológica adequada. A identificação dessa situação exige avaliação criteriosa
para determinar a causa e evitar mudanças inadequadas do esquema terapêutico
(BRASIL, 2024a). Diante de uma possível falha, devem ser investigados:
• adesão.
• uso correto dos medicamentos.
• interrupções do tratamento.
• interações medicamentosas.
• problemas de absorção, quando pertinentes.
• resistência viral.
• condições clínicas associadas.
• utilização de medicamentos ou substâncias que possam interferir na terapia.
16
A substituição do esquema antirretroviral deve ser realizada de maneira criteriosa.
Também é importante identificar a causa da falha antes da definição da estratégia
subsequente, evitando a utilização inadequada de medicamentos e preservando futuras
possibilidades terapêuticas (BRASIL, 2024a).
3.14 Infecções oportunistas
O comprometimento do sistema imunológico provocado pelo HIV pode aumentar
a vulnerabilidade a determinadas infecções oportunistas, principalmente quando ocorre
imunossupressão avançada. A recuperação imunológica promovida pela TARV constitui
importante estratégia para reduzir esse risco (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2025).
Entre as condições associadas à imunossupressão avançada podem ser
encontradas:
• tuberculose.
• pneumocistose.
• candidíase.
• criptococose.
• toxoplasmose.
• determinadas infecções bacterianas.
• citomegalovírus.
• algumas neoplasias relacionadas à imunossupressão.
A doença avançada pelo HIV exige avaliação específica para identificação
precoce de infecções oportunistas e implementação de medidas preventivas e
terapêuticas. A OMS destaca a necessidade de um conjunto integrado de cuidados
para reduzir a mortalidade associada à doença avançada (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2025).
3.15 Coinfecção HIV e tuberculose
17
A tuberculose possui importância particular no cuidado às pessoas vivendo com
HIV, uma vez que a imunossupressão pode aumentar o risco de desenvolvimento da
doença e modificar sua apresentação clínica (BRASIL, 2024b). Por isso, a avaliação
clínica deve contemplar investigação de história de tuberculose, sinais e sintomas
compatíveis, fatores de risco e tratamentos anteriores. A identificação precoce permite
implementar estratégias de diagnóstico, prevenção e tratamento adequadas (BRASIL,
2024b).
A integração entre os cuidados relacionados ao HIV e à tuberculose é
fundamental para reduzir complicações. As recomendações internacionais recentes
também reforçam a prevenção da tuberculose como componente relevante do manejo
clínico das pessoas vivendo com HIV (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.16 Vacinação
A vacinação integra a atenção integral à pessoa vivendo com HIV. A situação
vacinal deve ser investigada durante o acompanhamento, considerando idade,
condições clínicas, histórico de vacinação e situação imunológica (BRASIL, 2024a). A
avaliação adequada do esquema vacinal contribui para a prevenção de doenças
imunopreveníveis e deve ser incorporada ao cuidado longitudinal. As recomendações
podem variar de acordo com a condição imunológica e outras características clínicas do
paciente (BRASIL, 2024a).
3.17 Saúde sexual e prevenção
A TARV deve estar associada às estratégias de prevenção combinada do HIV e
das demais infecções sexualmente transmissíveis. A assistência deve oferecer espaço
para abordagem da sexualidade de forma acolhedora, ética, confidencial e livre de
julgamentos (BRASIL, 2024a). Durante o acompanhamento, podem ser abordados:
• práticas sexuais.
• utilização de preservativos.
• testagem para IST.
• prevenção da transmissão.
18
• planejamento reprodutivo.
• saúde sexual.
• prevenção das hepatites virais.
• avaliação das parcerias sexuais.
A abordagem da saúde sexual permite identificar necessidades específicas e
fortalecer a autonomia da pessoa na tomada de decisões relacionadas à prevenção e
ao cuidado. O acompanhamento deve respeitar as características individuais e os
direitos sexuais e reprodutivos do paciente (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.18 Supressão viral e prevenção da transmissão sexual
Um dos avanços mais relevantes relacionados à TARV foi a demonstração de
que a supressão viral sustentada reduz de maneira extremamente significativa o risco
de transmissão sexual do HIV. Assim, o tratamento apresenta impacto não apenas
sobre a saúde individual, mas também sobre a prevenção da transmissão do vírus
(WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
O conceito conhecido como “Indetectável = Intransmissível” (I=I) expressa a
evidência científica de que pessoas vivendo com HIV que mantêm supressão viral
sustentada, conforme critérios clínicos e laboratoriais estabelecidos, não transmitem
sexualmente o HIV. Essa informação deve ser comunicada de maneira clara e
cientificamente fundamentada durante o acompanhamento (WORLD HEALTH
ORGANIZATION, 2026).
A disseminação adequada da informação sobre I=I também pode contribuir para
combater o estigma e melhorar a qualidade de vida das pessoas vivendo com HIV. A
comunicação deve estar associada ao acompanhamento clínico e laboratorial e à
manutenção da adesão ao tratamento (MATOS; TORRES; LUZ, 2024).
3.19 Saúde mental e terapia antirretroviral
A saúde mental constitui componente fundamental da assistência às pessoas
vivendo com HIV. O diagnóstico pode estar associado a sentimentos de medo,
ansiedade, tristeza, preocupação com relações familiares, receio de discriminação e
19
alterações na autoestima, enquanto condições de saúde mental também podem
dificultar a adesão ao tratamento (CECILIO et al., 2019).
A avaliação integral deve considerar aspectos psicossociais, incluindo a reação
ao diagnóstico, condições de vida, relações familiares, rede de apoio e possíveis
situações de sofrimento psíquico. A identificação precoce dessas necessidades
favorece o encaminhamento e o acompanhamento adequado (BRASIL, 2024a).
Quando necessário, a pessoa deve ser encaminhada para profissionais de saúde
mental, mantendo-se uma abordagem multiprofissional. O cuidado deve buscar reduzir
barreiras psicológicas e sociais que possam comprometer o tratamento e a qualidade
de vida (HIPOLITO et al., 2017).
3.20 Estigma e discriminação
O estigma relacionado ao HIV permanece como uma importante barreira para a
prevenção, diagnóstico, vinculação aos serviços e adesão ao tratamento. O receio de
revelar a condição sorológica pode levar algumas pessoas a evitar consultas, esconder
o uso de medicamentos ou interromper o acompanhamento (MATOS; TORRES; LUZ,
2024).
Estudos recentes realizados no Brasil indicam que dimensões do estigma
relacionado ao HIV podem estarassociadas à não adesão ao tratamento,
demonstrando que as experiências sociais vivenciadas pelas pessoas podem repercutir
diretamente sobre os resultados terapêuticos (AZEVEDO; COSTA; WENDT, 2026).
Por isso, o atendimento deve preservar:
• sigilo.
• privacidade.
• autonomia.
• dignidade.
• respeito.
• não discriminação.
20
A construção de uma relação terapêutica baseada na confiança e na escuta
qualificada favorece a vinculação do paciente ao serviço e pode contribuir para
melhores resultados no cuidado. Nesse processo, preservar o sigilo, a privacidade, a
autonomia e a dignidade ajuda a reduzir barreiras relacionadas ao estigma e cria
condições para que a pessoa exponha dúvidas, dificuldades e necessidades durante o
acompanhamento (CECILIO et al., 2019).
3.21 Papel da enfermagem na terapia antirretroviral
A enfermagem desempenha papel fundamental no acompanhamento longitudinal
das pessoas vivendo com HIV. Por meio da consulta de enfermagem, do acolhimento e
da educação em saúde, o profissional pode contribuir para identificar necessidades
clínicas e psicossociais e fortalecer a adesão ao cuidado (BRASIL, 2024a).
Entre as principais ações da enfermagem encontram-se:
• acolhimento.
• consulta de enfermagem.
• coleta de informações clínicas.
• avaliação de sinais e sintomas.
• investigação da adesão.
• orientação sobre medicamentos.
• identificação de possíveis efeitos adversos.
• educação em saúde.
• acompanhamento de exames.
• incentivo à vacinação.
• orientação sobre prevenção de IST.
• identificação de situações de vulnerabilidade.
21
• encaminhamento para outros profissionais.
• acompanhamento longitudinal.
• registro das informações no prontuário.
A consulta de enfermagem não deve limitar-se à verificação do uso dos
medicamentos. É necessário compreender os fatores que facilitam ou dificultam a
adesão, estabelecer vínculo e desenvolver estratégias individualizadas de cuidado
(SILVA et al., 2014).
3.22 Educação em saúde
A educação em saúde é uma estratégia indispensável para favorecer a
autonomia das pessoas vivendo com HIV. Informações adequadas sobre a doença e o
tratamento possibilitam que o paciente participe de maneira mais ativa das decisões
relacionadas ao próprio cuidado (HIPOLITO et al., 2017).
O paciente deve receber informações claras sobre:
• finalidade do tratamento.
• importância da adesão.
• horários dos medicamentos.
• possíveis efeitos adversos.
• importância do acompanhamento.
• realização dos exames.
• prevenção de IST.
• vacinação.
• alimentação saudável.
• atividade física.
• saúde mental.
22
• redução de danos quando aplicável.
A educação em saúde deve utilizar linguagem acessível e considerar o nível de
compreensão, as condições sociais e as necessidades individuais. Estratégias
educativas adequadas podem fortalecer a autonomia e favorecer a continuidade do
tratamento (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.23 Acompanhamento laboratorial e clínico
O acompanhamento da TARV deve combinar avaliação clínica, análise
laboratorial e observação das condições psicossociais do paciente. O monitoramento
periódico permite verificar a resposta ao tratamento, identificar complicações e orientar
intervenções quando necessário (BRASIL, 2024a).
Entre os parâmetros que podem ser considerados no acompanhamento
encontram-se:
• carga viral.
• contagem de linfócitos T CD4+.
• função renal.
• função hepática.
• perfil metabólico.
• hemograma, quando indicado.
• investigação de coinfecções.
• avaliação de infecções oportunistas.
• outros exames conforme as condições clínicas.
A carga viral apresenta papel central na avaliação da resposta virológica,
enquanto a contagem de CD4 auxilia na avaliação imunológica e na identificação de
pessoas com maior risco de complicações relacionadas à imunossupressão (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2026). A frequência e a indicação dos exames devem
23
seguir o protocolo vigente e ser individualizadas de acordo com a situação clínica,
histórico terapêutico e resposta ao tratamento (BRASIL, 2024a).
3.24 Alimentação e estilo de vida
O cuidado integral das pessoas vivendo com HIV deve incluir a promoção de
hábitos de vida saudáveis. A ampliação da expectativa de vida proporcionada pela
TARV tornou ainda mais relevante o acompanhamento de fatores de risco para
doenças crônicas e cardiovasculares (CECILIO et al., 2019).
Entre as medidas que podem ser estimuladas encontram-se:
• alimentação equilibrada.
• atividade física adequada.
• sono adequado.
• abandono do tabagismo.
• redução do consumo excessivo de álcool.
• prevenção do uso prejudicial de outras substâncias.
• acompanhamento de fatores de risco cardiovasculares.
A assistência deve considerar que as pessoas vivendo com HIV podem
apresentar necessidades semelhantes às da população geral em relação à prevenção e
ao tratamento de doenças crônicas, além de demandas específicas relacionadas à
infecção e à TARV. Assim, o cuidado integral deve contemplar a saúde física e
psicossocial (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
3.25 Terapia antirretroviral e qualidade de vida
A introdução da TARV modificou profundamente a história natural da infecção
pelo HIV. A possibilidade de controlar a replicação viral e recuperar a função
imunológica reduziu significativamente a ocorrência de complicações graves e
contribuiu para aumentar a expectativa de vida das pessoas vivendo com HIV (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2026).
24
Atualmente, pessoas que realizam tratamento adequado e mantêm
acompanhamento regular podem alcançar maior longevidade e desenvolver projetos
pessoais, profissionais, afetivos e familiares. Com isso, a assistência deve ultrapassar a
perspectiva exclusivamente biomédica e considerar aspectos sociais e psicossociais
(HIPOLITO et al., 2017).
Estudos brasileiros demonstram que a qualidade de vida das pessoas vivendo
com HIV está relacionada a diferentes fatores clínicos e sociais. A adesão ao
tratamento e o controle da carga viral estão entre os elementos associados a melhores
resultados, evidenciando a importância de uma assistência contínua e integral (SILVA
et al., 2014).
O objetivo contemporâneo do tratamento, portanto, ultrapassa a simples redução
da carga viral. Busca-se proporcionar maior longevidade, preservação da saúde,
autonomia, bem-estar e qualidade de vida, considerando as necessidades individuais e
sociais de cada pessoa (CECILIO et al., 2019).
3.26 Importância da terapia antirretroviral para o sistema de saúde
A TARV apresenta importância individual e coletiva. No âmbito individual,
contribui para o controle da replicação viral, recuperação imunológica, prevenção de
complicações e aumento da expectativa de vida. No âmbito coletivo, a supressão viral
contribui para a prevenção da transmissão sexual do HIV, fazendo do tratamento uma
importante estratégia de saúde pública (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2026).
O acesso universal ao tratamento antirretroviral no Brasil representa uma
importante política pública de saúde. A organização da assistência pelo SUS possibilita
o fornecimento dos medicamentos e o acompanhamento das pessoas vivendo com HIV,
de acordo com os protocolos nacionais estabelecidos pelo Ministério da Saúde
(BRASIL, 2024a).
A efetividade dessa política depende não apenas da disponibilidade dos
medicamentos, mas também do diagnóstico oportuno, da vinculação das pessoas aos
serviços, da continuidade do acompanhamento, da adesão ao tratamento e da redução
das barreiras sociais e econômicas que podem dificultar o acesso ao cuidado (WORLD
HEALTH ORGANIZATION, 2025).
25
Nesse cenário, o fortalecimento da atenção multiprofissional é essencial para
garantir cuidado integral. A atuação articulada de enfermeiros, médicos, farmacêuticos,
psicólogos, assistentes sociais e demais profissionais possibilita responder às
diferentes necessidades apresentadas pelas pessoas vivendo com HIV (CECILIO et al.,
2019).
26
4 METODOLOGIA
Este trabalho caracteriza-secomo uma revisão bibliográfica, de abordagem
qualitativa e caráter descritivo. A pesquisa foi desenvolvida para reunir e organizar
conhecimentos sobre a terapia antirretroviral no tratamento da infecção pelo HIV e sua
relação com o cuidado integral às pessoas vivendo com o vírus. Foram consultados
protocolos clínicos e diretrizes do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da
Saúde, além de artigos científicos publicados entre 2014 e 2026. A seleção considerou
a relação das fontes com os objetivos do estudo e contemplou classes farmacológicas,
terapia combinada, início do tratamento, monitoramento clínico e laboratorial, adesão,
efeitos adversos, interações medicamentosas, resistência viral, falha terapêutica,
coinfecções, prevenção da transmissão e assistência de enfermagem. O material
selecionado foi submetido à leitura exploratória e analítica. As informações foram
agrupadas por tema e apresentadas de forma descritiva, preservando a
correspondência entre as afirmações e as fontes consultadas. Como o estudo utilizou
exclusivamente documentos e artigos publicados e não envolveu participantes, não
houve necessidade de submissão a Comitê de Ética em Pesquisa.
27
5 CONCLUSÃO
A terapia antirretroviral representa um dos principais avanços da medicina e da
saúde pública no enfrentamento da infecção pelo HIV. A disponibilidade de
medicamentos capazes de controlar a replicação viral modificou significativamente o
prognóstico da infecção, possibilitando maior expectativa de vida e redução de
complicações relacionadas à imunossupressão (WORLD HEALTH ORGANIZATION,
2026).
A TARV possui como principais objetivos alcançar e manter a supressão viral,
preservar ou recuperar a função imunológica, reduzir a ocorrência de infecções
oportunistas, diminuir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida das pessoas
vivendo com HIV. A efetividade desses objetivos está diretamente relacionada ao
tratamento adequado e ao acompanhamento contínuo (BRASIL, 2024a).
Entretanto, o sucesso terapêutico não depende exclusivamente da
disponibilidade dos medicamentos. A adesão, o acompanhamento clínico e laboratorial,
a identificação de efeitos adversos, o manejo das coinfecções, a prevenção das
infecções oportunistas, o cuidado com a saúde mental e o enfrentamento do estigma
constituem componentes fundamentais da assistência (AZEVEDO; COSTA; WENDT,
2026).
A atuação da enfermagem apresenta grande relevância nesse processo,
especialmente por meio do acolhimento, da consulta de enfermagem, da educação em
saúde, do acompanhamento da adesão, da identificação de necessidades individuais e
da articulação com os demais profissionais da equipe multiprofissional (SILVA et al.,
2014).
As recomendações brasileiras e internacionais demonstram que o manejo do HIV
permanece em constante evolução. As atualizações recentes enfatizam a necessidade
de otimizar os esquemas antirretrovirais, ampliar o acesso, fortalecer a adesão, prevenir
doenças associadas e organizar serviços centrados nas necessidades das pessoas
vivendo com HIV (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2025).
Conclui-se, portanto, que a terapia antirretroviral não deve ser compreendida
apenas como o uso contínuo de medicamentos, mas como parte de um processo amplo
28
de cuidado integral. Quando associada ao diagnóstico precoce, acompanhamento
multiprofissional, adesão adequada, educação em saúde, monitoramento clínico e
laboratorial, prevenção de complicações e combate ao estigma, a TARV proporciona
melhores resultados clínicos e contribui significativamente para o controle da epidemia
de HIV (CECILIO et al., 2019).
29
6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
AZEVEDO, Lia Beatriz Henke de; COSTA, Angelo Brandelli; WENDT, Guilherme
Welter. Stigma in people living with HIV/AIDS in Brazil: implications for treatment
adherence. AIDS and Behavior, v. 30, n. 3, p. 810-817, 2026. DOI: 10.1007/s10461-
025-04930-5.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e
Complexo da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Protocolo Clínico
e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos: Módulo 1 -
Tratamento. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024a.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e
Complexo da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Protocolo Clínico
e Diretrizes Terapêuticas para Manejo da Infecção pelo HIV em Adultos: Módulo 2 -
Coinfecções e Infecções Oportunistas. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024b.
CECILIO, Hellen Pollyanna Mantelo et al. Qualidade de vida de pessoas vivendo
com HIV. Ciência, Cuidado e Saúde, v. 17, n. 4, 2019. DOI:
10.4025/ciencuidsaude.v17i4.45032.
HIPOLITO, Rodrigo Leite et al. Quality of life of people living with HIV/AIDS:
temporal, socio-demographic and perceived health relationship. Revista Latino-
Americana de Enfermagem, 2017. DOI: 10.1590/1518- 8345.1258.2874.
MATOS, Victor C.; TORRES, Thiago S.; LUZ, Paula M. Adherence to
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men in Brazil: evaluating the role of HIV-related stigma dimensions. PLOS ONE, v. 19, n.
8, e0308443, 2024. DOI: 10.1371/journal.pone.0308443.
SILVA, Ana Cristina de Oliveira e; REIS, Renata Karina; NOGUEIRA, Jordana
Almeida; GIR, Elucir. Qualidade de vida, características clínicas e adesão ao tratamento
de pessoas vivendo com HIV/AIDS. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 22, n.
6, p. 994-1000, 2014. DOI: 10.1590/0104- 1169.3534.2508.
30
WORLD HEALTH ORGANIZATION. Consolidated guidelines on HIV prevention,
testing, treatment, service delivery and monitoring: recommendations for a public health
approach. Geneva: World Health Organization, 2025.
WORLD HEALTH ORGANIZATION. HIV and AIDS: fact sheet. Geneva: World
Health Organization, 2026.
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