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MATERIAL 1 — AULA 4: ASPECTOS FONOLÓGICOS NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM 1. O que é Fonologia? A fonologia estuda como os sons se organizam e funcionam dentro de uma língua. Portanto, ela não olha apenas para a produção de cada som isoladamente, mas para o modo como esses sons fazem parte de um sistema linguístico. Segundo Bishop e Mogford, a fonologia corresponde ao estudo dos padrões sonoros da língua e precisa ser diferenciada da fonética. Fonologia × Fonética Fonologia Fonética Estuda como os sons funcionam no sistema da língua. Estuda os aspectos físicos dos sons da fala. Analisa os padrões sonoros. Analisa produção e percepção dos sons. Estuda as regras de combinação dos sons. Fonética articulatória: como o som é produzido. Está relacionada à organização mental do sistema de sons. Fonética acústica: características físicas do som. Fonética auditiva: como o som é percebido. Portanto, uma maneira simples de lembrar é: Fonética = produção/percepção física do som. Fonologia = organização e funcionamento do som dentro da língua. 2. Alterações fonológicas Quando a dificuldade da criança está relacionada à organização do sistema de sons, trata-se de uma alteração ligada à linguagem, e não apenas à produção motora de um determinado som. O material apresenta três denominações: • desvio fonológico evolutivo; • distúrbio fonológico; • transtorno fonológico. A aquisição do inventário de sons e das regras fonológicas ocorre gradativamente e de forma contínua, podendo chegar aproximadamente aos 7 anos. 3. Como acontece a aquisição fonológica? No início, a criança tende a utilizar estruturas mais simples. Um dos primeiros padrões é: CV = consoante + vogal Exemplos de estrutura: pa, ma, dá. Conforme aprende novas palavras, precisa modificar esse padrão e passa a utilizar estruturas mais complexas, como: CVC = consoante + vogal + consoante. O material relaciona esse desenvolvimento a dois processos: • Função assimilativa A criança cria ou utiliza estruturas que já consegue produzir para tentar falar as palavras do sistema adulto. Ou seja: ela adapta a palavra nova ao sistema que possui naquele momento. • Função acomodativa Conforme conhece melhor a língua, a criança modifica suas próprias estruturas, aproximando cada vez mais sua produção do modelo adulto. Assim: estrutura infantil → assimilação → novas experiências → acomodação → aproximação do sistema fonológico adulto. O objetivo final é a formação de um sistema fonológico semelhante ao do adulto. 4. Existe continuidade entre balbucio e fala? Sim. O material apresenta a chamada hipótese da continuidade entre o período do balbucio e o período da fala com significado. Isso significa que o desenvolvimento fonológico não começa quando aparece a primeira palavra. Ele começa desde os primeiros meses. A criança vai: vocalizando → balbuciando → organizando sons → formando palavras → aperfeiçoando o sistema fonológico. Esse processo ocorre progressivamente. Por volta dos 4 anos, a maioria dos sons já aparece de maneira discriminada em palavras simples. 5. Fases gerais do desenvolvimento fonológico • Do nascimento aos 12 meses → Período pré-linguístico Principais características: choro; vocalizações; balbucio; percepção dos sons. • De 1 a 2 anos → Surgimento das primeiras palavras Principais características: aparecem as primeiras palavras; predomina a estrutura CV — consoante + vogal; o vocabulário inicial chega em torno de 50 a 100 palavras. • De 2 a 3 anos → Expansão do vocabulário e das estruturas sonoras Principais características: aumento do vocabulário; surgimento de estruturas mais complexas, como CVC — consoante + vogal + consoante; presença frequente de processos de simplificação da fala. • De 3 a 4 anos → Aquisição da maioria dos sons Principais características: aquisição da maioria dos sons da língua; formação de frases mais longas; redução progressiva dos processos de simplificação. • Dos 4 aos 7 anos → Consolidação do sistema fonológico Principais características: domínio dos sons mais complexos; consolidação do sistema fonológico; aprimoramento dos encontros consonantais; redução e supressão da maioria dos processos de simplificação; desenvolvimento de habilidades relacionadas à leitura e à escrita. • A partir dos 7 anos → Desenvolvimento morfofonemático Principais características: desenvolvimento das habilidades morfofonemáticas; maior domínio das regras sonoras da língua; avanço das habilidades envolvidas na aprendizagem da leitura e da escrita. 6. Etapas fonológicas apresentadas por Ingram 1) Vocalização pré-linguística e percepção — de 0 a 1 ano Principais características: produções vocais anteriores à linguagem propriamente dita; desenvolvimento da percepção dos sons; preparação para o surgimento das primeiras palavras. 2) Fonologia das primeiras 50 palavras — de 1 ano a aproximadamente 1 ano e 6 meses Principais características: surgimento das primeiras palavras; formação do primeiro repertório de palavras; início da organização dos sons dentro das palavras. 3) Fonologia dos morfemas simples — até aproximadamente 4 anos Principais características: expansão do repertório de sons da fala; presença de processos fonológicos que podem gerar produções diferentes do modelo adulto; redução gradual desses processos; por volta dos 4 anos, a maioria das palavras simples já é produzida corretamente. 4) Culminação do repertório fonético — até aproximadamente 7 anos Principais características: aquisição dos sons mais difíceis; produção mais correta das palavras simples; início do uso de palavras mais longas; aproximação progressiva do sistema fonológico adulto. 5) Desenvolvimento morfofonemático — após a consolidação do repertório fonético Principais características: aprendizagem de estruturas mais elaboradas; desenvolvimento das regras morfofonemáticas da linguagem; maior domínio das relações entre a estrutura das palavras e seus sons. 6) Habilidade para soletrar — fase relacionada à linguagem escrita Principais características: desenvolvimento da habilidade de soletração; uso do conhecimento fonológico como apoio para a linguagem escrita; integração entre habilidades fonológicas e aprendizagem da leitura e da escrita. 7. O que precisamos observar no desenvolvimento fonológico? Três aspectos principais: Domínio dos fonemas → É a aquisição progressiva dos diferentes sons da língua. Domínio dos encontros consonantais → É a capacidade de produzir combinações de duas consoantes, como: /pr/, /br/, /tr/, /pl/, /bl/. Processos fonológicos → São as simplificações utilizadas pela criança enquanto seu sistema ainda está em desenvolvimento. 8. Processos fonológicos e idade prevista para eliminação O quadro de Wertzner apresentado na aula mostra: Processo Idade prevista para deixar de ser produtivo Redução de sílaba 2 anos e 6 meses Harmonia consonantal 2 anos e 6 meses Plosivação de fricativas 2 anos e 6 meses Posteriorização para velar 3 anos e 6 meses Posteriorização para palatal 4 anos e 6 meses Frontalização de velares 3 anos Frontalização de palatal 4 anos e 6 meses Simplificação de líquidas 3 anos e 6 meses Simplificação do encontro consonantal 7 anos Simplificação da consoante final 7 anos Atenção: mais adiante, o próprio material apresenta outro quadro resumido com algumas idades ligeiramente diferentes — por exemplo, harmonia consonantal aos 3 anos e apagamento de sílaba átona aos 4 anos. 9. Domínio dos fonemas A aquisição dos fonemas do português brasileiro segue uma ordem previsível: os sons mais simples aparecem antes dos sons mais complexos. Esse acompanhamento permite observar possíveis atrasos. No quadro de Wertzner apresentado na aula, temos como referência: Fonema Idade indicada no quadro /p/ 3a6m /b/ 3a6m /t/ 3a6m /d/ 3a6m /k/ 3a6m /g/ 3a6m /f/ 3a6m /v/ 3a6m /s/ 3a6m /z/ 3a6marquifonema /S/ 4 anos /ʃ/ (“ch”) 3a6m /ʒ/ (“j”) 3a6m /l/ 3a6m /ʎ/ (“lh”) até cerca de 4 anos na posição indicada vibrante simples /ɾ/ cerca de 3a6m na posição indicada vibrante múltipla 3a6m no quadro arquifonema /R/ aproximadamente 5 a 5a6m /m/ 3a6m /n/ 3a6m /ɲ/ (“nh”) aproximadamente 3a6m na posição indicada O importante aqui é entender o princípio geral: o desenvolvimento não acontece de uma vez; determinados sons e determinadas posições dentro da palavra exigem maior maturidade articulatória e fonológica. 10. Encontros consonantais Os encontros consonantais são adquiridos mais tarde, porque exigem maior complexidade de organização dos sons. Exemplos: prato — /pr/; brinco — /br/; trator — /tr/ O material destaca que a aquisição completa pode ocorrer depois dos 5 anos. O quadro da aula apresenta, para posição inicial: Encontro Idade indicada /pr/ 4 anos /br/ 4 anos /tr/ 5 anos /dr/ 4a6m /kr/ 4 anos /gr/ 4 anos /fr/ 4a6m /pl/ 6a6m /bl/ 5a6m /kl/ 4a6m /gl/ 4 anos /fl/ 4a6m Isso ajuda a entender por que simplificações como “pato” em vez de “prato” podem fazer parte do desenvolvimento em determinadas idades. 11. Principais processos fonológicos Redução de encontro consonantal → A criança elimina uma das consoantes. • prato → pato • blusa → busa Simplificação de líquidas → Envolve principalmente sons como /l/ e /r/. • barata → babata • caro → calo Plosivação → Uma fricativa é substituída por um som produzido com bloqueio do ar, isto é, uma plosiva/oclusiva. • sapo → tapo • faca → paca Anteriorização → Um som produzido mais posteriormente é substituído por outro produzido mais à frente. • chuva → suva • geladeira → zeladeira Esses processos podem ser naturais durante o desenvolvimento. O problema é a permanência deles além da idade esperada. 12. Outros processos apresentados no material Processos ligados à estrutura da sílaba • Apagamento de sílaba átona: elefante → fante • Apagamento de consoante final: amor → amô • Simplificação de consoante final: paz → pai • Reduplicação: água → gagá • Epêntese: ocorre a inclusão de um som para facilitar a produção. pneu → peneu Processos de substituição • Dessonorização: casa → cassa • Posteriorização: tia → quia • Semivocalização de líquidas: bola → bowa • Substituição de líquidas: jacaré → jacalé Harmonia consonantal → um som sofre influência de outro som presente na palavra. sapato → papato. 13. Quando o processo fonológico passa a preocupar? O processo não é automaticamente um transtorno. Precisamos observar principalmente: qual processo ocorre + idade da criança + frequência + impacto na fala. O segundo quadro da aula traz estas referências: • redução de encontro consonantal → 7 anos; • apagamento de sílaba átona → 4 anos; • anteriorização → 4 anos e 6 meses; • simplificação de líquidas → 3 anos e 6 meses; • harmonia consonantal → 3 anos; • plosivação → 2 anos e 6 meses. A permanência além da idade esperada pode indicar necessidade de investigação fonoaudiológica. 14. Transtorno fonológico O transtorno fonológico ocorre quando processos que já deveriam ter desaparecido continuam presentes, considerando a idade da criança. Segundo o conteúdo do slide baseado no DSM-5, envolve: • dificuldade persistente na produção dos sons da fala; • prejuízo da inteligibilidade, ou seja, a fala fica mais difícil de entender; • limitações na comunicação efetiva; • quadro não explicado por determinadas condições congênitas ou adquiridas. 15. Avaliação fonológica A avaliação apresentada no material envolve: Anamnese → amostra de fala → análise contrastiva → diagnóstico. Anamnese → Investiga história de desenvolvimento e queixas. Coleta de amostra de fala → Pode incluir: nomeação de figuras; fala espontânea; repetição. Análise contrastiva → Compara a produção da criança com o sistema-alvo, identificando quais processos fonológicos estão acontecendo. Diagnóstico → Permite classificar o tipo e a gravidade da alteração. O material reforça que essa avaliação deve ser realizada por fonoaudiólogo qualificado, analisando tanto o inventário fonético quanto o sistema fonológico. MATERIAL 2 — AULA 4: ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO PIAGET 1. Ideia central de Piaget Jean Piaget foi psicólogo e biólogo suíço. Para ele, o desenvolvimento cognitivo acontece por meio de estágios qualitativamente diferentes e sequenciais. A criança não recebe conhecimento de maneira passiva. Ela é uma construtora ativa do conhecimento, aprendendo na interação com o ambiente. Nesse processo, a linguagem faz parte do desenvolvimento cognitivo. 2. Os quatro estágios No slide da professora, as idades são: Estágio Idade Característica principal Sensório-motor nascimento–2 anos conhecimento por sensações e ações Pré-operatório 2–7 anos pensamento simbólico e linguagem Operatório concreto 7–11 anos pensamento lógico sobre situações concretas Operatório formal a partir de 11 anos pensamento abstrato e hipotético Cada estágio fornece estruturas necessárias para o seguinte. 3. Sensório-motor — 0 a 2 anos O bebê conhece o mundo principalmente através dos: sentidos + movimentos + ações. Por exemplo: olha; toca; leva objetos à boca; manipula; observa os efeitos das próprias ações. Reflexos inicialmente automáticos vão se transformando em ações cada vez mais intencionais. • Permanência do objeto → É uma aquisição muito importante desse estágio. A criança passa a compreender que: um objeto continua existindo mesmo quando não está sendo visto ou percebido. • Reações circulares → A criança repete uma ação porque percebe seu resultado. Exemplo: chacoalha várias vezes um chocalho para produzir som. • Coordenação sensório-motora → A criança passa a coordenar informações dos sentidos com movimentos. • Inteligência prática → Começa a solucionar problemas por meio da ação. Exemplo: puxar um cordão para conseguir alcançar um brinquedo. Nesse momento, portanto, o conhecimento ainda está muito relacionado às ações concretas, e não às representações mentais. 4. Pré-operatório — 2 a 7 anos É o período marcado pelo desenvolvimento da função simbólica. Função simbólica é a capacidade de utilizar: palavras, imagens e símbolos para representar alguma coisa que não precisa estar presente naquele momento. Por exemplo, a criança pode falar de um cachorro mesmo sem o cachorro estar diante dela. Nesse período também aparecem: egocentrismo; raciocínio intuitivo; grande crescimento da linguagem; imaginação; faz-de-conta. • Egocentrismo → É a dificuldade da criança em compreender uma perspectiva diferente da própria. Não significa simplesmente “egoísmo”. Está relacionado à maneira como a criança organiza cognitivamente o mundo nessa fase. • Faz-de-conta → A brincadeira simbólica se torna muito importante. Um objeto pode representar outro: uma caixa pode virar um carro; uma colher pode virar um telefone etc. Isso mostra a capacidade de trabalhar com representações mentais. 5. Outras características do pré-operatório • Linguagem e imaginação → O vocabulário cresce rapidamente e a criança utiliza a linguagem de maneira cada vez mais criativa. • Pensamento mágico → Pode utilizar explicações mágicas para fenômenos que ainda não consegue compreender logicamente. • Animismo → É a atribuição de características de seres vivos a objetos inanimados. • Irreversibilidade → A criança ainda apresenta dificuldade para realizar mentalmente uma ação no sentido contrário. • Dificuldade de conservação → Conservação significa compreender que uma quantidade pode permanecer igual mesmo que sua aparência mude. Exemplo clássico: Temos a mesma quantidade de água em um copo. A água é transferida de um copo baixo e largo para um copo alto e estreito. A criança pré-operatória pode acreditar que agora existe mais água porqueo nível ficou mais alto. Ela se prende principalmente à aparência. 6. Operatório concreto — 7 a 11 anos A criança desenvolve o pensamento lógico, mas essa lógica funciona melhor quando relacionada a situações concretas, reais ou observáveis. Nesse período aparecem: • Operações mentais → Consegue trabalhar mentalmente com informações relacionadas ao concreto. • Reversibilidade → Consegue imaginar uma ação e depois mentalmente “voltar” essa ação. • Descentração → Consegue observar mais de um aspecto de um problema ao mesmo tempo. Organização lógica → Passa a: classificar; ordenar; organizar informações; comparar propriedades. 7. A conservação agora é compreendida No operatório concreto, a criança já entende o experimento dos copos: mudar o formato do recipiente não muda a quantidade de água. Ou seja: aparência mudou ≠ quantidade mudou. 8. Três operações importantes • Conservação → Entende que propriedades como: quantidade; massa; volume; número podem continuar iguais, apesar da mudança na aparência. • Classificação → Consegue agrupar elementos a partir de características semelhantes e compreender relações entre classes. • Seriação Consegue organizar elementos seguindo uma ordem. Exemplos: menor → maior; mais leve → mais pesado; antes → depois. A limitação continua sendo a necessidade de trabalhar melhor com conteúdos concretos e observáveis. 9. Operatório formal — a partir dos 11 anos no slide Aqui aparece o pensamento abstrato e hipotético. • Raciocínio hipotético-dedutivo → O adolescente consegue: formular uma hipótese → pensar nas possibilidades → testá-la → chegar a conclusões. • Pensamento abstrato → Não precisa mais trabalhar somente com aquilo que pode ser visto ou manipulado. Pode refletir sobre: ideias; teorias; conceitos; possibilidades; situações hipotéticas. • Metacognição → É a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento. O adolescente também passa a considerar futuros possíveis e a participar de discussões filosóficas e teóricas. 10. Importância da teoria para a educação O último slide traz três aplicações principais. • Educação → O ensino precisa respeitar o nível de desenvolvimento cognitivo da criança. • Aprendizagem ativa → A criança deve: explorar; descobrir; agir; participar da construção do próprio conhecimento. • Compreensão do desenvolvimento → Conhecer as capacidades e limitações de cada estágio permite estabelecer expectativas mais adequadas e oferecer o apoio necessário. Assim, a teoria de Piaget influenciou fortemente a compreensão sobre como a criança aprende e se desenvolve. MATERIAL 3 — FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO SEGUNDO JEAN PIAGET Este terceiro material é um artigo científico e repete boa parte dos quatro estágios do slide anterior. Por isso, para não duplicar seu estudo, vou colocar aqui os aprofundamentos e informações que ele acrescenta. Uma diferença importante já aparece nas faixas etárias utilizadas pelo artigo: • sensório-motor → nascimento até aproximadamente 2 anos; • pré-operacional → 2 a 7 anos; • operações concretas → 7 a 12 anos; • operações formais → a partir dos 12 anos. No slide anterior, o operatório concreto aparecia como 7 a 11 e o formal como a partir dos 11. Portanto, guarde que os próprios materiais apresentam uma pequena variação nas idades. 1. Desenvolvimento, maturação e ambiente O artigo enfatiza que o desenvolvimento da aprendizagem está relacionado tanto à maturação biológica quanto aos estímulos oferecidos pelo ambiente. Quando o indivíduo encontra uma situação nova, precisa se adaptar a ela. Essa adaptação gera mudanças e desenvolvimento. Piaget chegou a essa ideia inicialmente a partir de estudos biológicos e da observação da capacidade dos organismos de se modificar de acordo com o ambiente. 2. Assimilação, acomodação e adaptação Esse é um ponto muito importante do artigo. • Assimilação → O indivíduo recebe uma informação nova e tenta compreendê-la utilizando as estruturas que já possui. De maneira simples: “Vou entender o novo usando aquilo que já sei.” • Acomodação → Quando aquilo que já sabemos não é suficiente, precisamos modificar nossas estruturas mentais. Ou seja: “Preciso mudar o meu modo de pensar para conseguir compreender essa novidade.” • Adaptação → Para Piaget, a adaptação resulta do equilíbrio entre: assimilação + acomodação. Esse equilíbrio também está relacionado à passagem de um estágio de desenvolvimento para outro. Uma forma fácil de memorizar: Assimilar = encaixar o novo no que eu já sei. Acomodar = modificar o que eu sei por causa do novo. Adaptar = encontrar um novo equilíbrio. 3. Equilibração → O desenvolvimento não é simplesmente uma sequência automática de idades. O organismo encontra uma novidade, surge um desequilíbrio, ele tenta compreender a situação e depois constrói um novo equilíbrio. Assim: equilíbrio → novidade → desequilíbrio → assimilação/acomodação → novo equilíbrio. Cada novo equilíbrio permite estruturas cognitivas mais elaboradas. 4. Complementos sobre o sensório-motor Além do que já vimos no slide, o artigo destaca que o bebê passa gradualmente a: perceber o próprio corpo; conhecer seus movimentos; perceber pessoas e objetos; tentar alcançar objetos; apresentar intenção; utilizar gestos para mostrar o que deseja. Com isso, ocorre progressivamente uma união entre ação mental e ação física, preparando a passagem para o estágio seguinte. 5. Complementos sobre o pré-operacional O artigo aprofunda principalmente o egocentrismo. Nessa fase, a criança ainda apresenta dificuldade para realizar trocas intelectuais considerando o ponto de vista de outra pessoa. Também aparece o animismo: a criança atribui vida, intenção ou responsabilidade a objetos. Exemplo dado no artigo: se a criança bate na mesa, pode dizer que “a mesa é culpada”. Há ainda certa confusão entre: real × imaginário e mundo psíquico × mundo físico. O pensamento tende a se prender aos objetos e à aparência, tendo maior dificuldade para considerar suas transformações. 6. Complementos sobre as operações concretas Dos aproximadamente 7 aos 12 anos, segundo o artigo, há uma passagem do pensamento mais egocêntrico para uma organização maior da razão. Além da conservação, classificação e seriação já estudadas, o artigo acrescenta: • Melhor compreensão espacial → A criança consegue: localizar-se melhor; compreender distâncias; memorizar trajetos; organizar relações espaciais. • Ensaio e erro → Pode chegar a respostas por tentativas e aprender com os próprios erros. • Inferência transitiva → Passa a estabelecer relações lógicas entre diferentes elementos. Exemplo simples: Se A é maior que B e B é maior que C, então consegue concluir que A é maior que C. • Redução do egocentrismo → Começa a compreender de maneira mais clara que outras pessoas podem ter sentimentos e pensamentos diferentes dos seus. 7. Complementos sobre as operações formais O artigo utiliza principalmente o conceito de raciocínio hipotético-dedutivo. Nesse estágio, o adolescente não depende somente daquilo que observa diretamente. Ele consegue: criar hipóteses; deduzir conclusões; combinar diferentes fatores; raciocinar abstratamente; compreender teorias e doutrinas; questionar conceitos; refletir sobre valores sociais e morais. 8. Autonomia, identidade e adolescência Este é um conteúdo novo em relação ao slide anterior. Ao desenvolver o pensamento formal, o adolescente passa também a questionar: regras; valores; ideias dos pais; sistemas sociais; códigos de conduta. Com isso, pode construir seus próprios valores, caminhando para maior autonomia. O artigo também relaciona essa fase à: busca de identidade; formação da personalidade; conflitos internos; desejo de independência; elaboração de projetos e planos de vida. 9. A criança participa ativamente da própria aprendizagem Nosresultados do artigo, aparece novamente uma ideia central de Piaget: a criança é participante ativa na construção do conhecimento. Os conhecimentos mais simples servem como base para estruturas posteriores mais complexas. Assim: formas cognitivas mais simples → formação de estruturas → formas cognitivas mais maduras. Cada fase contribui para a seguinte. 10. Por que conhecer os estágios é importante? O artigo defende que conhecer cada etapa ajuda família e escola a oferecerem: • estímulos adequados; • atividades compatíveis com a idade; • conteúdos de dificuldade apropriada; • oportunidades de aprendizagem condizentes com as capacidades atuais da criança. Isso evita exigir algo que esteja muito distante das possibilidades cognitivas daquela fase. Ao mesmo tempo, permite estimular as potencialidades que estão em desenvolvimento. 11. Ideia final do artigo Cada estágio constitui uma forma particular de equilíbrio cognitivo, mas esse equilíbrio não é definitivo. O desenvolvimento leva a organizações mentais progressivamente mais completas. Por isso, uma boa estimulação em cada fase ajuda a construir: uma base cognitiva; uma base física; uma base psicológica para as aprendizagens posteriores. Para fixarmos o início do 2º bimestre A partir destes três materiais, eu organizaria mentalmente a aula em dois grandes blocos: 1. Desenvolvimento fonológico: como a criança constrói e organiza os sons da língua, quais simplificações são esperadas, quando costumam desaparecer e quando uma persistência pode indicar transtorno. 2. Desenvolvimento cognitivo de Piaget: como a forma de pensar da criança muda progressivamente do conhecimento por ações e sentidos para o pensamento simbólico, lógico concreto e, posteriormente, abstrato e hipotético. E existe uma ligação interessante entre os dois conteúdos: em ambos, o desenvolvimento é gradual. A criança não recebe o sistema adulto pronto; ela constrói e reorganiza suas estruturas ao longo do desenvolvimento. Este fica sendo o nosso material-base do segundo bimestre, sem misturá-lo nem retirar conteúdo por causa do que estudamos no primeiro.