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MATERIAL 1 — AULA 4: ASPECTOS FONOLÓGICOS NA AQUISIÇÃO DA LINGUAGEM 
1. O que é Fonologia? 
A fonologia estuda como os sons se organizam e funcionam dentro de uma língua. Portanto, ela não olha 
apenas para a produção de cada som isoladamente, mas para o modo como esses sons fazem parte de um 
sistema linguístico. 
Segundo Bishop e Mogford, a fonologia corresponde ao estudo dos padrões sonoros da língua e precisa ser 
diferenciada da fonética. 
Fonologia × Fonética 
Fonologia Fonética 
Estuda como os sons funcionam no sistema da língua. Estuda os aspectos físicos dos sons da fala. 
Analisa os padrões sonoros. Analisa produção e percepção dos sons. 
Estuda as regras de combinação dos sons. Fonética articulatória: como o som é produzido. 
Está relacionada à organização mental do sistema de sons. Fonética acústica: características físicas do som. 
Fonética auditiva: como o som é percebido. 
Portanto, uma maneira simples de lembrar é: 
Fonética = produção/percepção física do som. 
Fonologia = organização e funcionamento do som dentro da língua. 
2. Alterações fonológicas 
Quando a dificuldade da criança está relacionada à organização do sistema de sons, trata-se de uma 
alteração ligada à linguagem, e não apenas à produção motora de um determinado som. 
O material apresenta três denominações: 
• desvio fonológico evolutivo; 
• distúrbio fonológico; 
• transtorno fonológico. 
A aquisição do inventário de sons e das regras fonológicas ocorre gradativamente e de forma contínua, 
podendo chegar aproximadamente aos 7 anos. 
3. Como acontece a aquisição fonológica? 
No início, a criança tende a utilizar estruturas mais simples. 
Um dos primeiros padrões é: CV = consoante + vogal 
Exemplos de estrutura: pa, ma, dá. 
Conforme aprende novas palavras, precisa modificar esse padrão e passa a utilizar estruturas mais 
complexas, como: CVC = consoante + vogal + consoante. 
O material relaciona esse desenvolvimento a dois processos: 
• Função assimilativa 
A criança cria ou utiliza estruturas que já consegue produzir para tentar falar as palavras do sistema adulto. 
Ou seja: ela adapta a palavra nova ao sistema que possui naquele momento. 
• Função acomodativa 
Conforme conhece melhor a língua, a criança modifica suas próprias estruturas, aproximando cada vez mais 
sua produção do modelo adulto. 
Assim: estrutura infantil → assimilação → novas experiências → acomodação → aproximação do 
sistema fonológico adulto. 
O objetivo final é a formação de um sistema fonológico semelhante ao do adulto. 
4. Existe continuidade entre balbucio e fala? 
Sim. O material apresenta a chamada hipótese da continuidade entre o período do balbucio e o período da 
fala com significado. 
Isso significa que o desenvolvimento fonológico não começa quando aparece a primeira palavra. Ele começa 
desde os primeiros meses. 
A criança vai: vocalizando → balbuciando → organizando sons → formando palavras → 
aperfeiçoando o sistema fonológico. 
Esse processo ocorre progressivamente. Por volta dos 4 anos, a maioria dos sons já aparece de maneira 
discriminada em palavras simples. 
5. Fases gerais do desenvolvimento fonológico 
• Do nascimento aos 12 meses → Período pré-linguístico 
Principais características: choro; vocalizações; balbucio; percepção dos sons. 
• De 1 a 2 anos → Surgimento das primeiras palavras 
Principais características: aparecem as primeiras palavras; predomina a estrutura CV — consoante + 
vogal; o vocabulário inicial chega em torno de 50 a 100 palavras. 
• De 2 a 3 anos → Expansão do vocabulário e das estruturas sonoras 
Principais características: aumento do vocabulário; surgimento de estruturas mais complexas, como 
CVC — consoante + vogal + consoante; presença frequente de processos de simplificação da fala. 
• De 3 a 4 anos → Aquisição da maioria dos sons 
Principais características: aquisição da maioria dos sons da língua; formação de frases mais longas; 
redução progressiva dos processos de simplificação. 
• Dos 4 aos 7 anos → Consolidação do sistema fonológico 
Principais características: domínio dos sons mais complexos; consolidação do sistema fonológico; 
aprimoramento dos encontros consonantais; redução e supressão da maioria dos processos de 
simplificação; desenvolvimento de habilidades relacionadas à leitura e à escrita. 
• A partir dos 7 anos → Desenvolvimento morfofonemático 
Principais características: desenvolvimento das habilidades morfofonemáticas; maior domínio das 
regras sonoras da língua; avanço das habilidades envolvidas na aprendizagem da leitura e da escrita. 
6. Etapas fonológicas apresentadas por Ingram 
1) Vocalização pré-linguística e percepção — de 0 a 1 ano 
Principais características: produções vocais anteriores à linguagem propriamente dita; 
desenvolvimento da percepção dos sons; preparação para o surgimento das primeiras palavras. 
2) Fonologia das primeiras 50 palavras — de 1 ano a aproximadamente 1 ano e 6 meses 
Principais características: surgimento das primeiras palavras; formação do primeiro repertório de 
palavras; início da organização dos sons dentro das palavras. 
3) Fonologia dos morfemas simples — até aproximadamente 4 anos 
Principais características: expansão do repertório de sons da fala; presença de processos fonológicos 
que podem gerar produções diferentes do modelo adulto; redução gradual desses processos; por 
volta dos 4 anos, a maioria das palavras simples já é produzida corretamente. 
4) Culminação do repertório fonético — até aproximadamente 7 anos 
Principais características: aquisição dos sons mais difíceis; produção mais correta das palavras 
simples; início do uso de palavras mais longas; aproximação progressiva do sistema fonológico 
adulto. 
5) Desenvolvimento morfofonemático — após a consolidação do repertório fonético 
Principais características: aprendizagem de estruturas mais elaboradas; desenvolvimento das regras 
morfofonemáticas da linguagem; maior domínio das relações entre a estrutura das palavras e seus 
sons. 
6) Habilidade para soletrar — fase relacionada à linguagem escrita 
Principais características: desenvolvimento da habilidade de soletração; uso do conhecimento 
fonológico como apoio para a linguagem escrita; integração entre habilidades fonológicas e 
aprendizagem da leitura e da escrita. 
7. O que precisamos observar no desenvolvimento fonológico? 
Três aspectos principais: 
Domínio dos fonemas → É a aquisição progressiva dos diferentes sons da língua. 
Domínio dos encontros consonantais → É a capacidade de produzir combinações de duas consoantes, 
como: /pr/, /br/, /tr/, /pl/, /bl/. 
Processos fonológicos → São as simplificações utilizadas pela criança enquanto seu sistema ainda está em 
desenvolvimento. 
8. Processos fonológicos e idade prevista para eliminação 
O quadro de Wertzner apresentado na aula mostra: 
Processo Idade prevista para deixar de ser produtivo 
Redução de sílaba 2 anos e 6 meses 
Harmonia consonantal 2 anos e 6 meses 
Plosivação de fricativas 2 anos e 6 meses 
Posteriorização para velar 3 anos e 6 meses 
Posteriorização para palatal 4 anos e 6 meses 
Frontalização de velares 3 anos 
Frontalização de palatal 4 anos e 6 meses 
Simplificação de líquidas 3 anos e 6 meses 
Simplificação do encontro consonantal 7 anos 
Simplificação da consoante final 7 anos 
Atenção: mais adiante, o próprio material apresenta outro quadro resumido com algumas idades 
ligeiramente diferentes — por exemplo, harmonia consonantal aos 3 anos e apagamento de sílaba 
átona aos 4 anos. 
9. Domínio dos fonemas 
A aquisição dos fonemas do português brasileiro segue uma ordem previsível: os sons mais simples aparecem 
antes dos sons mais complexos. Esse acompanhamento permite observar possíveis atrasos. 
 
 
 
No quadro de Wertzner apresentado na aula, temos como referência: 
Fonema Idade indicada no quadro 
/p/ 3a6m 
/b/ 3a6m 
/t/ 3a6m 
/d/ 3a6m 
/k/ 3a6m 
/g/ 3a6m 
/f/ 3a6m 
/v/ 3a6m 
/s/ 3a6m 
/z/ 3a6marquifonema /S/ 4 anos 
/ʃ/ (“ch”) 3a6m 
/ʒ/ (“j”) 3a6m 
/l/ 3a6m 
/ʎ/ (“lh”) até cerca de 4 anos na posição indicada 
vibrante simples /ɾ/ cerca de 3a6m na posição indicada 
vibrante múltipla 3a6m no quadro 
arquifonema /R/ aproximadamente 5 a 5a6m 
/m/ 3a6m 
/n/ 3a6m 
/ɲ/ (“nh”) aproximadamente 3a6m na posição indicada 
O importante aqui é entender o princípio geral: o desenvolvimento não acontece de uma vez; determinados 
sons e determinadas posições dentro da palavra exigem maior maturidade articulatória e fonológica. 
10. Encontros consonantais 
Os encontros consonantais são adquiridos mais tarde, porque exigem maior complexidade de organização dos 
sons. 
Exemplos: prato — /pr/; brinco — /br/; trator — /tr/ 
O material destaca que a aquisição completa pode ocorrer depois dos 5 anos. 
O quadro da aula apresenta, para posição inicial: 
Encontro Idade indicada 
/pr/ 4 anos 
/br/ 4 anos 
/tr/ 5 anos 
/dr/ 4a6m 
/kr/ 4 anos 
/gr/ 4 anos 
/fr/ 4a6m 
/pl/ 6a6m 
/bl/ 5a6m 
/kl/ 4a6m 
/gl/ 4 anos 
/fl/ 4a6m 
Isso ajuda a entender por que simplificações como “pato” em vez de “prato” podem fazer parte do 
desenvolvimento em determinadas idades. 
11. Principais processos fonológicos 
Redução de encontro consonantal → A criança elimina uma das consoantes. 
• prato → pato 
• blusa → busa 
Simplificação de líquidas → Envolve principalmente sons como /l/ e /r/. 
• barata → babata 
• caro → calo 
Plosivação → Uma fricativa é substituída por um som produzido com bloqueio do ar, isto é, uma 
plosiva/oclusiva. 
• sapo → tapo 
• faca → paca 
Anteriorização → Um som produzido mais posteriormente é substituído por outro produzido mais à frente. 
• chuva → suva 
• geladeira → zeladeira 
Esses processos podem ser naturais durante o desenvolvimento. O problema é a permanência deles além da 
idade esperada. 
12. Outros processos apresentados no material 
Processos ligados à estrutura da sílaba 
• Apagamento de sílaba átona: 
elefante → fante 
• Apagamento de consoante final: 
amor → amô 
• Simplificação de consoante final: 
paz → pai 
• Reduplicação: 
água → gagá 
• Epêntese: ocorre a inclusão de um som para facilitar a produção. 
pneu → peneu 
Processos de substituição 
• Dessonorização: 
casa → cassa 
• Posteriorização: 
tia → quia 
• Semivocalização de líquidas: 
bola → bowa 
• Substituição de líquidas: 
jacaré → jacalé 
Harmonia consonantal → um som sofre influência de outro som presente na palavra. 
sapato → papato. 
13. Quando o processo fonológico passa a preocupar? 
O processo não é automaticamente um transtorno. 
Precisamos observar principalmente: qual processo ocorre + idade da criança + frequência + impacto na fala. 
O segundo quadro da aula traz estas referências: 
• redução de encontro consonantal → 7 anos; 
• apagamento de sílaba átona → 4 anos; 
• anteriorização → 4 anos e 6 meses; 
• simplificação de líquidas → 3 anos e 6 meses; 
• harmonia consonantal → 3 anos; 
• plosivação → 2 anos e 6 meses. 
A permanência além da idade esperada pode indicar necessidade de investigação fonoaudiológica. 
14. Transtorno fonológico 
O transtorno fonológico ocorre quando processos que já deveriam ter desaparecido continuam presentes, 
considerando a idade da criança. 
Segundo o conteúdo do slide baseado no DSM-5, envolve: 
• dificuldade persistente na produção dos sons da fala; 
• prejuízo da inteligibilidade, ou seja, a fala fica mais difícil de entender; 
• limitações na comunicação efetiva; 
• quadro não explicado por determinadas condições congênitas ou adquiridas. 
15. Avaliação fonológica 
A avaliação apresentada no material envolve: Anamnese → amostra de fala → análise contrastiva → 
diagnóstico. 
Anamnese → Investiga história de desenvolvimento e queixas. 
Coleta de amostra de fala → Pode incluir: nomeação de figuras; fala espontânea; repetição. 
Análise contrastiva → Compara a produção da criança com o sistema-alvo, identificando quais processos 
fonológicos estão acontecendo. 
Diagnóstico → Permite classificar o tipo e a gravidade da alteração. 
O material reforça que essa avaliação deve ser realizada por fonoaudiólogo qualificado, analisando tanto o 
inventário fonético quanto o sistema fonológico. 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL 2 — AULA 4: ESTÁGIOS DO DESENVOLVIMENTO SEGUNDO PIAGET 
1. Ideia central de Piaget 
Jean Piaget foi psicólogo e biólogo suíço. 
Para ele, o desenvolvimento cognitivo acontece por meio de estágios qualitativamente diferentes e 
sequenciais. 
A criança não recebe conhecimento de maneira passiva. Ela é uma construtora ativa do conhecimento, 
aprendendo na interação com o ambiente. 
Nesse processo, a linguagem faz parte do desenvolvimento cognitivo. 
2. Os quatro estágios 
No slide da professora, as idades são: 
Estágio Idade Característica principal 
Sensório-motor nascimento–2 anos conhecimento por sensações e ações 
Pré-operatório 2–7 anos pensamento simbólico e linguagem 
Operatório concreto 7–11 anos pensamento lógico sobre situações concretas 
Operatório formal a partir de 11 anos pensamento abstrato e hipotético 
Cada estágio fornece estruturas necessárias para o seguinte. 
3. Sensório-motor — 0 a 2 anos 
O bebê conhece o mundo principalmente através dos: sentidos + movimentos + ações. 
Por exemplo: olha; toca; leva objetos à boca; manipula; observa os efeitos das próprias ações. 
Reflexos inicialmente automáticos vão se transformando em ações cada vez mais intencionais. 
• Permanência do objeto → É uma aquisição muito importante desse estágio. 
A criança passa a compreender que: um objeto continua existindo mesmo quando não está sendo 
visto ou percebido. 
• Reações circulares → A criança repete uma ação porque percebe seu resultado. 
Exemplo: chacoalha várias vezes um chocalho para produzir som. 
• Coordenação sensório-motora → A criança passa a coordenar informações dos sentidos com 
movimentos. 
• Inteligência prática → Começa a solucionar problemas por meio da ação. 
Exemplo: puxar um cordão para conseguir alcançar um brinquedo. 
Nesse momento, portanto, o conhecimento ainda está muito relacionado às ações concretas, e não às 
representações mentais. 
4. Pré-operatório — 2 a 7 anos 
É o período marcado pelo desenvolvimento da função simbólica. 
Função simbólica é a capacidade de utilizar: palavras, imagens e símbolos para representar alguma coisa que 
não precisa estar presente naquele momento. Por exemplo, a criança pode falar de um cachorro mesmo sem 
o cachorro estar diante dela. 
Nesse período também aparecem: egocentrismo; raciocínio intuitivo; grande crescimento da linguagem; 
imaginação; faz-de-conta. 
• Egocentrismo → É a dificuldade da criança em compreender uma perspectiva diferente da própria. 
Não significa simplesmente “egoísmo”. Está relacionado à maneira como a criança organiza 
cognitivamente o mundo nessa fase. 
• Faz-de-conta → A brincadeira simbólica se torna muito importante. 
Um objeto pode representar outro: uma caixa pode virar um carro; uma colher pode virar um 
telefone etc. 
Isso mostra a capacidade de trabalhar com representações mentais. 
5. Outras características do pré-operatório 
• Linguagem e imaginação → O vocabulário cresce rapidamente e a criança utiliza a linguagem de 
maneira cada vez mais criativa. 
• Pensamento mágico → Pode utilizar explicações mágicas para fenômenos que ainda não consegue 
compreender logicamente. 
• Animismo → É a atribuição de características de seres vivos a objetos inanimados. 
• Irreversibilidade → A criança ainda apresenta dificuldade para realizar mentalmente uma ação no 
sentido contrário. 
• Dificuldade de conservação → Conservação significa compreender que uma quantidade pode 
permanecer igual mesmo que sua aparência mude. 
Exemplo clássico: Temos a mesma quantidade de água em um copo. A água é transferida de um 
copo baixo e largo para um copo alto e estreito. A criança pré-operatória pode acreditar que 
agora existe mais água porqueo nível ficou mais alto. Ela se prende principalmente à aparência. 
6. Operatório concreto — 7 a 11 anos 
A criança desenvolve o pensamento lógico, mas essa lógica funciona melhor quando relacionada a situações 
concretas, reais ou observáveis. Nesse período aparecem: 
• Operações mentais → Consegue trabalhar mentalmente com informações relacionadas ao 
concreto. 
• Reversibilidade → Consegue imaginar uma ação e depois mentalmente “voltar” essa ação. 
• Descentração → Consegue observar mais de um aspecto de um problema ao mesmo tempo. 
Organização lógica → Passa a: classificar; ordenar; organizar informações; comparar propriedades. 
7. A conservação agora é compreendida 
No operatório concreto, a criança já entende o experimento dos copos: mudar o formato do recipiente não 
muda a quantidade de água. 
Ou seja: aparência mudou ≠ quantidade mudou. 
8. Três operações importantes 
• Conservação → Entende que propriedades como: quantidade; massa; volume; número podem 
continuar iguais, apesar da mudança na aparência. 
• Classificação → Consegue agrupar elementos a partir de características semelhantes e 
compreender relações entre classes. 
• Seriação Consegue organizar elementos seguindo uma ordem. Exemplos: menor → maior; mais leve 
→ mais pesado; antes → depois. 
A limitação continua sendo a necessidade de trabalhar melhor com conteúdos concretos e observáveis. 
9. Operatório formal — a partir dos 11 anos no slide 
Aqui aparece o pensamento abstrato e hipotético. 
• Raciocínio hipotético-dedutivo → O adolescente consegue: formular uma hipótese → pensar nas 
possibilidades → testá-la → chegar a conclusões. 
• Pensamento abstrato → Não precisa mais trabalhar somente com aquilo que pode ser visto ou 
manipulado. Pode refletir sobre: ideias; teorias; conceitos; possibilidades; situações hipotéticas. 
• Metacognição → É a capacidade de pensar sobre o próprio pensamento. O adolescente também 
passa a considerar futuros possíveis e a participar de discussões filosóficas e teóricas. 
10. Importância da teoria para a educação 
O último slide traz três aplicações principais. 
• Educação → O ensino precisa respeitar o nível de desenvolvimento cognitivo da criança. 
• Aprendizagem ativa → A criança deve: explorar; descobrir; agir; participar da construção do 
próprio conhecimento. 
• Compreensão do desenvolvimento → Conhecer as capacidades e limitações de cada estágio 
permite estabelecer expectativas mais adequadas e oferecer o apoio necessário. 
Assim, a teoria de Piaget influenciou fortemente a compreensão sobre como a criança aprende e se 
desenvolve. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MATERIAL 3 — FASES DO DESENVOLVIMENTO HUMANO SEGUNDO JEAN PIAGET 
Este terceiro material é um artigo científico e repete boa parte dos quatro estágios do slide anterior. Por 
isso, para não duplicar seu estudo, vou colocar aqui os aprofundamentos e informações que ele acrescenta. 
Uma diferença importante já aparece nas faixas etárias utilizadas pelo artigo: 
• sensório-motor → nascimento até aproximadamente 2 anos; 
• pré-operacional → 2 a 7 anos; 
• operações concretas → 7 a 12 anos; 
• operações formais → a partir dos 12 anos. 
No slide anterior, o operatório concreto aparecia como 7 a 11 e o formal como a partir dos 11. Portanto, 
guarde que os próprios materiais apresentam uma pequena variação nas idades. 
1. Desenvolvimento, maturação e ambiente 
O artigo enfatiza que o desenvolvimento da aprendizagem está relacionado tanto à maturação biológica 
quanto aos estímulos oferecidos pelo ambiente. 
Quando o indivíduo encontra uma situação nova, precisa se adaptar a ela. Essa adaptação gera mudanças e 
desenvolvimento. 
Piaget chegou a essa ideia inicialmente a partir de estudos biológicos e da observação da capacidade dos 
organismos de se modificar de acordo com o ambiente. 
2. Assimilação, acomodação e adaptação 
Esse é um ponto muito importante do artigo. 
• Assimilação → O indivíduo recebe uma informação nova e tenta compreendê-la utilizando as 
estruturas que já possui. 
De maneira simples: “Vou entender o novo usando aquilo que já sei.” 
• Acomodação → Quando aquilo que já sabemos não é suficiente, precisamos modificar nossas 
estruturas mentais. Ou seja: “Preciso mudar o meu modo de pensar para conseguir compreender 
essa novidade.” 
• Adaptação → Para Piaget, a adaptação resulta do equilíbrio entre: assimilação + acomodação. Esse 
equilíbrio também está relacionado à passagem de um estágio de desenvolvimento para outro. 
Uma forma fácil de memorizar: 
Assimilar = encaixar o novo no que eu já sei. 
Acomodar = modificar o que eu sei por causa do novo. 
Adaptar = encontrar um novo equilíbrio. 
3. Equilibração → O desenvolvimento não é simplesmente uma sequência automática de idades. O 
organismo encontra uma novidade, surge um desequilíbrio, ele tenta compreender a situação e depois 
constrói um novo equilíbrio. 
Assim: equilíbrio → novidade → desequilíbrio → assimilação/acomodação → novo equilíbrio. 
Cada novo equilíbrio permite estruturas cognitivas mais elaboradas. 
4. Complementos sobre o sensório-motor 
Além do que já vimos no slide, o artigo destaca que o bebê passa gradualmente a: perceber o próprio corpo; 
conhecer seus movimentos; perceber pessoas e objetos; tentar alcançar objetos; apresentar intenção; utilizar 
gestos para mostrar o que deseja. 
Com isso, ocorre progressivamente uma união entre ação mental e ação física, preparando a passagem para 
o estágio seguinte. 
5. Complementos sobre o pré-operacional 
O artigo aprofunda principalmente o egocentrismo. Nessa fase, a criança ainda apresenta dificuldade para 
realizar trocas intelectuais considerando o ponto de vista de outra pessoa. 
Também aparece o animismo: a criança atribui vida, intenção ou responsabilidade a objetos. Exemplo dado 
no artigo: se a criança bate na mesa, pode dizer que “a mesa é culpada”. 
Há ainda certa confusão entre: real × imaginário e mundo psíquico × mundo físico. 
O pensamento tende a se prender aos objetos e à aparência, tendo maior dificuldade para considerar suas 
transformações. 
6. Complementos sobre as operações concretas 
Dos aproximadamente 7 aos 12 anos, segundo o artigo, há uma passagem do pensamento mais egocêntrico 
para uma organização maior da razão. Além da conservação, classificação e seriação já estudadas, o artigo 
acrescenta: 
• Melhor compreensão espacial → A criança consegue: localizar-se melhor; compreender 
distâncias; memorizar trajetos; organizar relações espaciais. 
• Ensaio e erro → Pode chegar a respostas por tentativas e aprender com os próprios erros. 
• Inferência transitiva → Passa a estabelecer relações lógicas entre diferentes elementos. 
Exemplo simples: Se A é maior que B e B é maior que C, então consegue concluir que A é maior que 
C. 
• Redução do egocentrismo → Começa a compreender de maneira mais clara que outras pessoas 
podem ter sentimentos e pensamentos diferentes dos seus. 
7. Complementos sobre as operações formais 
O artigo utiliza principalmente o conceito de raciocínio hipotético-dedutivo. Nesse estágio, o adolescente não 
depende somente daquilo que observa diretamente. 
Ele consegue: criar hipóteses; deduzir conclusões; combinar diferentes fatores; raciocinar abstratamente; 
compreender teorias e doutrinas; questionar conceitos; refletir sobre valores sociais e morais. 
8. Autonomia, identidade e adolescência 
Este é um conteúdo novo em relação ao slide anterior. Ao desenvolver o pensamento formal, o adolescente 
passa também a questionar: regras; valores; ideias dos pais; sistemas sociais; códigos de conduta. 
Com isso, pode construir seus próprios valores, caminhando para maior autonomia. O artigo também 
relaciona essa fase à: busca de identidade; formação da personalidade; conflitos internos; desejo de 
independência; elaboração de projetos e planos de vida. 
9. A criança participa ativamente da própria aprendizagem 
Nosresultados do artigo, aparece novamente uma ideia central de Piaget: a criança é participante ativa na 
construção do conhecimento. 
Os conhecimentos mais simples servem como base para estruturas posteriores mais complexas. Assim: 
formas cognitivas mais simples → formação de estruturas → formas cognitivas mais maduras. 
Cada fase contribui para a seguinte. 
10. Por que conhecer os estágios é importante? 
O artigo defende que conhecer cada etapa ajuda família e escola a oferecerem: 
• estímulos adequados; 
• atividades compatíveis com a idade; 
• conteúdos de dificuldade apropriada; 
• oportunidades de aprendizagem condizentes com as capacidades atuais da criança. 
Isso evita exigir algo que esteja muito distante das possibilidades cognitivas daquela fase. 
Ao mesmo tempo, permite estimular as potencialidades que estão em desenvolvimento. 
11. Ideia final do artigo 
Cada estágio constitui uma forma particular de equilíbrio cognitivo, mas esse equilíbrio não é definitivo. O 
desenvolvimento leva a organizações mentais progressivamente mais completas. 
Por isso, uma boa estimulação em cada fase ajuda a construir: uma base cognitiva; uma base física; uma 
base psicológica para as aprendizagens posteriores. 
Para fixarmos o início do 2º bimestre 
A partir destes três materiais, eu organizaria mentalmente a aula em dois grandes blocos: 
1. Desenvolvimento fonológico: como a criança constrói e organiza os sons da língua, quais simplificações 
são esperadas, quando costumam desaparecer e quando uma persistência pode indicar transtorno. 
2. Desenvolvimento cognitivo de Piaget: como a forma de pensar da criança muda progressivamente do 
conhecimento por ações e sentidos para o pensamento simbólico, lógico concreto e, posteriormente, abstrato 
e hipotético. 
E existe uma ligação interessante entre os dois conteúdos: em ambos, o desenvolvimento é gradual. A 
criança não recebe o sistema adulto pronto; ela constrói e reorganiza suas estruturas ao longo do 
desenvolvimento. 
Este fica sendo o nosso material-base do segundo bimestre, sem misturá-lo nem retirar conteúdo por causa 
do que estudamos no primeiro.

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