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Contextualização da aula • Teoria Geral da Pena Princípios Sanção penal Finalidades da pena Espécies de pena Pena privativa de liberdade Penas restritivas de direitos Pena de multa Aplicação da pena - Dosimetria PRINCÍPIO DA LEGALIDADE Art. 1º do CP e Art. 5º, XXXIX, da CF. a) RESERVA LEGAL – nulla poena sine lege. b) ANTERIORIDADE – nulla poena sine praevia lege. PRINCÍPIO DA INSTRANSCENDÊNCIA, PERSONALIDADE OU PESSOALIDADE DA PENA Art. 5º, XLV, da CF A pena não pode ultrapassar a pessoa do condenado. É possível que a obrigação de reparar o dano e a decretação do perdimento de bens sejam executadas contra os sucessores PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE A resposta penal deve ser justa e suficiente para cumprir o papel de reprovação do ilícito, bem como para prevenir novas infrações penais. CF, Art. 5º, XLVI - a lei regulará a individualização da pena e adotará, entre outras, as seguintes: a) privação ou restrição da liberdade; b) perda de bens; c) multa; d) prestação social alternativa; e) suspensão ou interdição de direitos; PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA Art. 5º da CF: • XLVIII – a pena será cumprida em estabelecimentos distintos, de acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado; • L – às presidiárias serão asseguradas condições para que possam permanecer com seus filhos durante o período de amamentação; PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA A pena não pode ser padronizada. MOMENTOS: PENA EM ABSTRATO PENA EM CONCRETO EXECUÇÃO PENAL PRINCÍPIO DA INDIVIDUALIZAÇÃO DA PENA Art. 5º Os condenados serão classificados, segundo os seus antecedentes e personalidade, para orientar a INDIVIDUALIZAÇÃO da execução penal. Art. 6º A classificação será feita por COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO que elaborará o programa individualizador da pena privativa de liberdade adequada ao condenado ou preso provisório. COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO Art. 7º A Comissão Técnica de Classificação, existente em cada estabelecimento, será presidida pelo diretor e composta, no mínimo, por 2 (dois) chefes de serviço, 1 (um) psiquiatra, 1 (um) psicólogo e 1 (um) assistente social, quando se tratar de condenado à pena privativa de liberdade. Parágrafo único. Nos demais casos a Comissão atuará junto ao Juízo da Execução e será integrada por fiscais do serviço social. EXAME DE CLASSIFICAÇÃO: Envolve aspectos relacionados à personalidade do condenado, seus antecedentes, sua vida familiar e social, sua capacidade laborativa, circunstâncias que orientam o modo de cumprimento da pena. EXAME CRIMINOLÓGICO Art. 8º O condenado ao cumprimento de pena privativa de liberdade, em regime fechado, SERÁ submetido a exame criminológico para a obtenção dos elementos necessários a uma adequada classificação e com vistas à individualização da execução. Parágrafo único. Ao exame de que trata este artigo PODERÁ ser submetido o condenado ao cumprimento da pena privativa de liberdade em regime semiaberto. EXAME CRIMINOLÓGICO: Envolve a parte psicológica e psiquiátrica do reeducando, atestando a sua maturidade, sua disciplina, sua capacidade de suportar frustrações, visando construir um prognóstico de periculosidade. PRINCÍPIO DA HUMANIDADE DAS PENAS Art. 3º da LEP: Ao condenado e ao internado serão assegurados todos os direitos não atingidos pela sentença ou pela lei. Art. 5º, XLVII, da CF: proibição das penas de morte, de caráter perpétuo, de trabalhos forçados, de banimento e de penas cruéis SANÇÃO PENAL SANÇÃO PENAL PENA MEDIDA DE SEGURANÇA CÓDIGO PENAL: SISTEMA VICARIANTE OU UNITÁRIO CONCEITO: É a resposta do Estado no exercício do direito de punir, com respeito ao devido processo legal, aplicada ao responsável pela prática de um crime ou de uma contravenção penal. FINALIDADES DA PENA TEORIA ABSOLUTA É o castigo. A pena é seria um mal justo para punir o mal injusto do crime. Kant: a pena seria um fim em si mesma. Hegel: a pena é a negação da negação do Direito. Crítica: a pena não teria finalidade prática, pois seria apenas um instrumento de vingança estatal. FINALIDADES DA PENA TEORIA RELATIVA Finalidade preventiva PREVENÇÃO GERAL NEGATIVA POSITIVA PREVENÇÃO ESPECIAL NEGATIVA POSITIVA TEORIA RELATIVA PREVENÇÃO GERAL: dirigida à coletividade PREVENÇÃO GERAL NEGATIVA: é a intimidação coletiva. PREVENÇÃO GERAL POSITIVA: é a reafirmação do direito penal. PREVENÇÃO ESPECIAL: dirigida ao agente. PREVENÇÃO ESPECIAL NEGATIVA: neutralização do criminoso para evitar a reincidência. PREVENÇÃO ESPECIAL POSITIVA: ressocialização do condenado. FINALIDADES DA PENA TEORIA MISTA, ECLÉTICA OU UNITÁRIA RETRIBUIÇÃO + PREVENÇÃO Art. 59 do CP: a medida da pena deve ser aquela necessária e suficiente para reprovação (teoria absoluta) e prevenção do crime (teorias da prevenção geral e especial da criminalidade). ESPÉCIES DE PENA – Art. 32 SANÇÃO PENAL PENAS MEDIDAS DE SEGURANÇA PRIVATIVAS DE LIBERDADE RESTRITIVAS DE DIREITOS MULTA RECLUSÃO DETENÇÃO PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA PERDA DE BENS E VALORES LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA PSC INTERDIÇÃO TEMP. DE DIREITOS LIMITAÇÃO DE FIM DE SEMANA PRISÃO SIMPLES PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE – Art. 33 a 42, CP PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE RECLUSÃO DETENÇÃO ABERTO SEMIABERTO FECHADO ABERTO SEMIABERTO PRISÃO SIMPLES ABERTO SEMIABERTO REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA – Art. 33 REGIME ABERTO: casa de albergado pena igual ou inferior à 4 anos + primariedade REGIME SEMIABERTO: colônia agrícola ou industrial pena superior à 4 anos e igual ou inferior à 8 anos + primariedade REGIME FECHADO: penitenciária pena superior à 8 anos REGIME DISCIPLINA DIFERENCIADO (Art. 52, LEP) 1) Duração máxima de até 2 (dois) anos, sem prejuízo de repetição da sanção por nova falta grave de mesma espécie; 2) Recolhimento em cela individual; 3) Visitas quinzenais, de 2 (duas) pessoas por vez, a serem realizadas em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, por pessoa da família ou, no caso de terceiro, autorizado judicialmente, com duração de 2 (duas) horas 4) Direito do preso à saída da cela por 2 (duas) horas diárias para banho de sol, em grupos de até 4 (quatro) presos, desde que não haja contato com presos do mesmo grupo criminoso 5) Entrevistas sempre monitoradas, exceto aquelas com seu defensor, em instalações equipadas para impedir o contato físico e a passagem de objetos, salvo expressa autorização judicial em contrário; 6) Fiscalização do conteúdo da correspondência; 7) Participação em audiências judiciais preferencialmente por videoconferência, garantindo-se a participação do defensor no mesmo ambiente do preso. REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO SÓ PODE SER IMPOSTO PELO JUIZ HIPÓTESES DE CABIMENTO: 1) Prática de fato previsto como crime doloso que ocasione subversão da ordem e disciplina internas (art. 52, ‘caput’); 2) Presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros, de alto risco para a ordem interna ou da sociedade (art. 52, §1º): 3) Presos provisórios ou condenados, nacionais ou estrangeiros sob os quais recaiam fundadas suspeitas de envolvimento ou participação, a qualquer título, m organização criminosa, associação criminosa ou milícia privada, independentemente da prática de falta grave. (art. 52, §2º); REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO REGIME INICIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA CRITÉRIOS: quantidade e espécie de pena, reincidência e circunstâncias judiciais. Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime: I - as penas aplicáveis dentre as cominadas; II - a quantidade de pena aplicável, dentro dos limites previstos;III - o regime inicial de cumprimento da pena privativa de liberdade; IV - a substituição da pena privativa da liberdade aplicada, por outra espécie de pena, se cabível. TEMPO DE CUMPRIMENTO DE PENA Art. 75. O tempo de cumprimento das penas privativas de liberdade não pode ser superior a 40 anos (alteração Pacote Anticrime). § 1º Quando o agente for condenado a penas privativas de liberdade cuja soma seja superior a 40 anos, devem elas ser unificadas para atender ao limite máximo deste artigo. DETRAÇÃO DA PENA Art. 42 - Computam-se, na pena privativa de liberdade e na medida de segurança, o tempo de prisão provisória, no Brasil ou no estrangeiro, o de prisão administrativa e o de internação em qualquer dos estabelecimentos referidos no artigo anterior. PROGRESSÃO DE REGIME A pena privativa de liberdade será executada em forma progressiva com a transferência para regime menos rigoroso (Art. 112 da LEP). FECHADO SEMIABERTO ABERTO REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA É possível a progressão per saltum? REGRA: Súmula 491-STJ: É inadmissível a chamada progressão per saltum de regime prisional. EXCEÇÕES: Quando houver demora por culpa do Estado na transferência do preso. Quando o Estado não oferece vaga no regime conquistado pelo reeducando. PROGRESSÃO DE REGIME (Pacote Anticrime) REQUISITO OBJETIVO TEMPORAL PARA PROGRESSÃO – Art. 112 da LEP 16% Primário + crime sem violência ou grave ameaça 20% Reincidente + crime sem violência ou grave ameaça 25% Primário + crime com violência ou grave ameaça 30% Reincidente + crime com violência ou grave ameaça 40% Primário + crime hediondo ou equiparado 50% Primário + crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, vedado o livramento condicional Exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado Crime de constituição de milícia privada 60% Reincidente + crime hediondo ou equiparado 70% Reincidente + crime hediondo ou equiparado, com resultado morte, vedado o livramento condicional PROGRESSÃO DE REGIME REQUISITOS PARA GESTANTES, MÃE OU RESPONSÁVEL POR CRIANÇAS OU PESSOAS COM DEFICIÊNCIA (Art. 112, §3º, LEP) I - não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; II - não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; III - ter cumprido ao menos 1/8 (um oitavo) da pena no regime anterior; IV - ser primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; V - não ter integrado organização criminosa. REQUISITO PARA CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA (Art. 33, §4º, CP) § 4o O condenado por crime contra a administração pública terá a progressão de regime do cumprimento da pena condicionada à reparação do dano que causou, ou à devolução do produto do ilícito praticado, com os acréscimos legais. PROGRESSÃO DE REGIME REQUISITO SUBJETIVO Art. 112, § 1º Em todos os casos, o apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. PROCEDIMENTO: Art. 112, § 2º A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do Ministério Público e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. PROGRESSÃO PARA O REGIME ABERTO REQUISITOS ADICIONAIS (Art. 114, LEP) 1) Aceitação do programa e condições impostas pelo juiz; 2) Comprovação de trabalho; 3) Mostrar que irá ajustar-se ao novo regime; 4) Cumprimento de condições especiais e gerais; RECOLHIMENTO DOMICILIAR Art. 117, LEP. Somente se admitirá o recolhimento do beneficiário de regime aberto em residência particular quando se tratar de: I - condenado maior de 70 (setenta) anos; II - condenado acometido de doença grave; III - condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; IV - condenada gestante. REGRESSÃO DE REGIME FALTA GRAVE Art. 112, § 6º O cometimento de falta grave durante a execução da pena privativa de liberdade interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente. REGRESSÃO DE REGIME: Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave; II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime. REMIÇÃO DA PENA Art. 126, LEP. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semiaberto poderá remir, por trabalho ou por estudo, parte do tempo de execução da pena. 1 dia de pena a cada 12 horas de frequência escolar divididas em 3 dias 1 dia de pena a cada 3 dias de trabalho O tempo utilizado pelo apenado para a leitura de livros pode ser computado para fins de remição da pena? PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS (Art. 43 a 48, CP) Nenhum dos crimes do Código Penal cominam penas restritivas de direitos. Penas substitutivas à pena privativa de liberdade: são aplicadas independentemente de cominação na parte especial. Há previsão no preceito secundário somente de alguns crimes previstos em leis especiais (Exemplo: Art. 302 do CTB - Penas - detenção, de dois a quatro anos, e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor). ESPÉCIES DE PRD (Art. 43) I – Prestação pecuniária (Art. 45): § 1o A prestação pecuniária consiste no pagamento em dinheiro à vítima, a seus dependentes ou a entidade pública ou privada com destinação social, de importância fixada pelo juiz, não inferior a 1 (um) salário mínimo nem superior a 360 (trezentos e sessenta) salários mínimos. O valor pago será deduzido do montante de eventual condenação em ação de reparação civil, se coincidentes os beneficiários. § 2o No caso do parágrafo anterior, se houver aceitação do beneficiário, a prestação pecuniária pode consistir em prestação de outra natureza. FINALIDADE: reparação do dano causado. ESPÉCIES DE PRD (Art. 43) II – Perda de bens e valores (Art. 45): § 3o A perda de bens e valores pertencentes aos condenados dar-se-á, ressalvada a legislação especial, em favor do Fundo Penitenciário Nacional, e seu valor terá como teto – o que for maior – o montante do prejuízo causado ou do provento obtido pelo agente ou por terceiro, em consequência da prática do crime. Atenção: bens obtidos de forma lícita. ESPÉCIES DE PRD (Art. 43) III – Prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas: Art. 46. A prestação de serviços à comunidade ou a entidades públicas é aplicável às condenações superiores a seis meses de privação da liberdade. APLICAÇÃO: Penas superiores à seis meses de PPL. LOCAL DE CUMPRIMENTO (§2º): entidades assistenciais, hospitais, escolas, orfanatos e outros estabelecimentos congêneres, em programas comunitários ou estatais. APTIDÕES PESSOAIS (§3º): As tarefas a que se refere o § 1o serão atribuídas conforme as aptidões do condenado, devendo ser cumpridas à razão de uma hora de tarefa por dia de condenação, fixadas de modo a não prejudicar a jornada normal de trabalho. ESPÉCIES DE PRD (Art. 43) IV – Interdição temporária de direitos Art. 47 - As penas de interdição temporária de direitos são: I - proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo; (proibição provisória) II - proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público; (crime relacionado com a profissão) III - suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo. IV – proibição de frequentar determinados lugares. V - proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos.ESPÉCIES DE PRD (Art. 43) V – Limitação de fim de semana Art. 48 - A limitação de fim de semana consiste na obrigação de permanecer, aos sábados e domingos, por 5 (cinco) horas diárias, em casa de albergado ou outro estabelecimento adequado. Parágrafo único - Durante a permanência poderão ser ministrados ao condenado cursos e palestras ou atribuídas atividades educativas. DURAÇÃO DAS PRD Prestação de serviço à comunidade; Interdição temporária de direitos; Limitação de fim de semana. PRAZO (Art. 55): mesma duração da pena privativa de liberdade substituída. RESSALVA: Art. 46, §4º Se a pena substituída for superior a um ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo (art. 55), nunca inferior à metade da pena privativa de liberdade fixada. OBS.: as penas de prestação pecuniária e perda de bens e valores não estão sujeitas ao tempo da PPL. APLICAÇÃO DAS PRD REQUISITOS PARA SUBSTITUIÇÃO (Art. 44): I – aplicada pena privativa de liberdade não superior a quatro anos (pena concreta) e o crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa ou, qualquer que seja a pena aplicada, se o crime for culposo; II – o réu não for reincidente em crime doloso (salvo se a medida for socialmente recomendável e não ocorra a reincidência específica - §3º) III – a culpabilidade, os antecedentes, a conduta social e a personalidade do condenado, bem como os motivos e as circunstâncias indicarem que essa substituição seja suficiente. (requisitos subjetivos) APLICAÇÃO DAS PRD CRITÉRIOS DE APLICAÇÃO (Art. 44, § 2º): a) Condenação igual ou inferior a 1 ano: a substituição pode ser feita por multa ou por uma pena restritiva de direitos. Obs.: Art. 66, §2º: se a PPL for de até seis meses, aplica-se a multa; se ultrapassar seis meses e inferior a um ano, aplica-se a PRD. a) Condenação superior a 1 ano: a pena privativa de liberdade pode ser substituída por uma pena restritiva de direitos e multa ou por duas restritivas de direitos. APLICAÇÃO DAS PRD CONVERSÃO: Art. 44, §4o A pena restritiva de direitos converte-se em privativa de liberdade quando ocorrer o descumprimento injustificado da restrição imposta. No cálculo da pena privativa de liberdade a executar será deduzido o tempo cumprido da pena restritiva de direitos, respeitado o saldo mínimo de trinta dias de detenção ou reclusão. OBS.: a pena de multa não pode ser convertida em PPL. § 5o Sobrevindo condenação a pena privativa de liberdade, por outro crime, o juiz da execução penal decidirá sobre a conversão, podendo deixar de aplicá-la se for possível ao condenado cumprir a pena substitutiva anterior. PENA DE MULTA – Art. 49 A pena de multa consiste no pagamento ao fundo penitenciário da quantia fixada na sentença e calculada em dias-multa. Será, no mínimo, de 10 e, no máximo, de 360 dias-multa. ESPÉCIES: a) Multa abstrata: cominada pelo tipo penal. b) Multa substitutiva: substitutiva da PPL. PENA DE MULTA – Art. 49 a 52, CP FIXAÇÃO DA PENA 1ª FASE: fixa a quantidade de dias-multa: 10 a 360. Tempo fixado de acordo com as circunstâncias judiciais, agravantes, atenuantes e causas de aumento e diminuição de pena. 2ª FASE: fixa o valor do dia-multa, não pode ser inferior a 1/30 do SMN, nem maior que 5x o valor do SMN. Valor fixado de acordo com a situação econômica do réu (§1º). ATENÇÃO: Art. 60 § 1º - A multa pode ser aumentada até o triplo, se o juiz considerar que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo. EXECUÇÃO DA PENA DE MULTA MUDANÇA PACOTE ANTICRIME Art. 51. Transitada em julgado a sentença condenatória, a multa será executada perante o juiz da execução penal e será considerada dívida de valor, aplicáveis as normas relativas à dívida ativa da Fazenda Pública, inclusive no que concerne às causas interruptivas e suspensivas da prescrição. APLICAÇÃO DA PENA - DOSIMETRIA Modelo trifásico de aplicação da pena: 1ª Fase: fixação da pena-base considerando as circunstâncias judiciais (Art. 59) 2ª Fase: agravantes e atenuantes 3ª Fase: causas de aumento e de diminuição da pena 1ª Fase – PENA-BASE Fixação da pena com base nas circunstâncias judiciais: Art. 59 - O juiz, atendendo à culpabilidade, aos antecedentes, à conduta social, à personalidade do agente, aos motivos, às circunstâncias e consequências do crime, bem como ao comportamento da vítima, estabelecerá, conforme seja necessário e suficiente para reprovação e prevenção do crime. Não há regra sobre o quantum de cada circunstância Se não houver circunstâncias desfavoráveis a pena-base deve ser fixada no mínimo legal. Se houver mais de uma qualificadora, somente uma qualifica o crime, a outra deve ser aplicada como agravante genérica ou, subsidiariamente, como circunstância judicial desfavorável. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 1 - CULPABILIDADE Não confundir com a culpabilidade da teoria do crime. A circunstância correta deveria ser “grau de culpabilidade” Significa a análise da maior ou menor reprovabilidade da conduta do agente. Entende-se que a culpabilidade é a soma de todas as demais circunstâncias: antecedentes + conduta social + personalidade do agente + motivos do crime + comportamento da vítima CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 2 – MAUS ANTECEDENTES Análise da vida pregressa do condenado no que tange à prática de crimes. Súmula 444 - É vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para agravar a pena-base. A reincidência não pode ser considerada nesta fase, pois se trata de circunstância agravante, analisada na segunda fase da dosimetria da pena (Súmula 241, STJ) Maus antecedentes são unicamente as condenações definitivas que não caracterizam reincidência. ATENÇÃO: condenações extintas há mais de cinco anos consideram-se maus antecedentes? CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 3 – CONDUTA SOCIAL Comportamento do agente perante à sociedade Análise do comportamento com a família, trabalho, atividades de lazer, etc. O fato de o réu não possuir trabalho não pode ser considerado como conduta social negativa (STJ) Não pode ser utilizado o mesmo fundamento para desvalorar os maus antecedentes e a conduta social CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 4 – PERSONALIDADE DO AGENTE Características psicológicas do condenado Parte da doutrina defende que o juiz não teria capacidade técnica para aferir a personalidade do agente, que dependeria da realização da perícia elaborada por profissional competente. Elementos já analisados nos maus antecedentes e relativos à conduta social não podem ser utilizados para desvalorar a personalidade do agente. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 5 - MOTIVOS São as causas que levaram o agente a praticar o crime. Quando o motivo já constar no próprio tipo penal elementar não poderá ser levado em conta nesta fase da dosimetria (Exemplo: motivo de relevante valor social ou moral; motivo torpe; motivo fútil já constam como qualificadoras ou privilegiadoras do homicídio) CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 6 - CIRCUNSTÂNCIAS São elementos relacionados com o tempo, lugar e maneira de execução do crime. Não podem ser consideradas as circunstâncias que já são qualificadoras, privilegiadoras, causas de aumento ou diminuição de pena, e agravantes ou atenuantes. A gravidade do crime em abstrato não pode ser considerada como circunstância judicial desfavorável. CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 7 – CONSEQUÊNCIAS DO CRIME Avalia-se a extensão do dano causado pelo crime à vítima e aos seus familiares Exemplo: morte de pai de família que sustentava os filhos menores. O resultado do próprio crime não pode ser utilizado como circunstância desfavorável Crimes contra a administração pública estão entre os que trazem consequências mais graves à sociedade CIRCUNSTÂNCIAS JUDICIAIS 8 – COMPORTAMENTO DA VÍTIMA Atitude da vítima que de certa forma provoca ou facilita a prática do crime Desde que não conste como privilegiadora do tipo penal Não pode haver agressão por parte da vítima, pois poderia incorrer em legítima defesa Se o comportamento da vítima é negativo, esta circunstância deve ser valorada para beneficiar o réu Se o comportamento da vítima foi neutro, não pode ser utilizado como circunstância negativa 2ª Fase – AGRAVANTES E ATENUANTES Artigos 61 a 66 do Código Penal Só pode ser aplicada se não estiver prevista como elementar do crime, qualificadora ou privilegiadora. Não há previsão expressa do quantum de aumento ou redução, mas, em regra, o juiz utiliza o critério de até 1/6 Não podem ser aplicadas de forma a ultrapassar os limites legais da pena em abstrato: Súmula 231 STJ – a incidência da circunstância atenuante não pode conduzir à redução da pena abaixo do mínimo legal. 2ª Fase – AGRAVANTES E ATENUANTES Artigos 61 a 66 do Código Penal Uma circunstância agravante pode ser compensada por uma atenuante, desde que não seja preponderante com relação a outra (Art. 66). Circunstâncias preponderantes: motivo; reincidência; e personalidade (idade, confissão). Menoridade do réu (21 anos) prepondera sobre todas as demais circunstâncias (STF/STJ) CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES Artigos 61 e 62 do CP Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não constituem ou qualificam o crime: I - a reincidência; II - ter o agente cometido o crime: a) por motivo fútil ou torpe; b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime; c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido; CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que podia resultar perigo comum; e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge; f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na forma da lei específica; g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício, ministério ou profissão; h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher grávida; i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade; j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade pública, ou de desgraça particular do ofendido; l) em estado de embriaguez preordenada. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES Agravantes no caso de concurso de pessoas Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que: I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos demais agentes; (autor intelectual) II - coage ou induz outrem à execução material do crime; (autoria mediata) III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua autoridade ou não- punível em virtude de condição ou qualidade pessoal; IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de recompensa OBS.: o rol de agravantes é taxativo. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES REINCIDÊNCIA Art. 63 - Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. REQUISITOS: a) Prática de crime anterior; b) Trânsito em julgado da sentença condenatória; c) Prática de novo crime, após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória. OBS.: no caso de sentença estrangeira, não é necessária homologação do STJ para configurar a reincidência. CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES REINCIDÊNCIA Art. 64 - Para efeito de reincidência: I - não prevalece a condenação anterior, se entre a data do cumprimento ou extinção da pena e a infração posterior tiver decorrido período de tempo superior a 5 (cinco) anos, computado o período de prova da suspensão ou do livramento condicional, se não ocorrer revogação; (critério da temporariedade) II - não se consideram os crimes militares próprios e políticos. Tecnicamente primário: tem condenação definitiva, mas ainda não transitou em julgado quando praticou novo crime. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena: I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70 (setenta) anos, na data da sentença; II - o desconhecimento da lei; III - ter o agente: a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral; b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o crime, evitar-lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento, reparado o dano; c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção, provocada por ato injusto da vítima; d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do crime; e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o provocou. CIRCUNSTÂNCIAS ATENUANTES ATENUANTE INOMINADA Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista expressamente em lei. Exemplo: casos de coculpabilidade. 3ª Fase – CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO GENÉRICAS: previstas na parte geral do CP e aplicam-se a todos os crimes (Exemplo: tentativa) ESPECÍFICAS: previstas na parte especial e na legislação extravagante (Exemplo: furto noturno) As majorantes e minorantes podem ultrapassar os limites legais, pois há previsão na lei. São aplicáveis sobre o resultado da segunda fase e não sobre a pena-base. Art. 68, Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua 3ª Fase – CAUSAS DE AUMENTO E DIMINUIÇÃO Art. 68, Parágrafo único - No concurso de causas de aumento ou de diminuição previstas na parte especial, pode o juiz limitar-se a um só aumento ou a uma só diminuição, prevalecendo, todavia, a causa que mais aumente ou diminua. Juiz aplica primeiro as causas de aumento e depois as causas de diminuição. Após as três fases de aplicação da pena, já com a pena definitiva, deve o magistrado fixar o regime de cumprimento cabível à espécie. Em seguida, deve analisar a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos. Se esta não for cabível, deve o juiz analisar a viabilidade do sursis.