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2025 Brasília (DF) Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde Módulo III - Aspectos Clínicos do Câncer e Integralidade do Cuidado Brasília (DF) 2025 SINTOMAS INICIAIS E SINAIS DE ALERTA DO CÂNCER CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE A.C.CAMARGO CANCER CENTER Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde E-book Disciplina 1 - Módulo III Tiragem: 1ª edição – 2025 – versão eletrônica Elaboração, distribuição e informações: CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3022-8900 A.C.Camargo Cancer Center R. Prof. Antônio Prudente, 211 – Liberdade CEP: 01509-010 - São Paulo/SP - Brasil Tel.: (11) 2189-5000 Coordenação-geral: Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS Ana Paula Pinho – Diretora de Impacto Social A.C.Camargo Cancer Center Samara Kielmann Almeida dos Reis – A.C.Camargo Cancer Center Organização: Núcleo Pedagógico do Conasems Coordenação técnica e pedagógica: Cristina Fatima Santos Crespo - CONASEMS Kelly Cristina Santana – CONASEMS Samara Kielmann Almeida dos Reis – A.C.Camargo Cancer Center Valdívia França Marçal – CONASEMS Coordenação Educacional: Kelly Cristina Santana – CONASEMS Elaboração de Conteúdo: Andréa Paiva Gadêlha Guimarães Antônio Cássio Pelizzon Genival Barbosa de Carvalho João Pedreira Duprat Netto José Guilherme Vartanian Manoel Jesus Pinheiro Coelho Junior Stênio de Cássio Zequi Thiago Celestino Chulam Viviane Sonaglio Revisão técnica/Curadoria: Daiane Arruda Saraiva Fernando Freitas Alves Patricia da Silva Campos Samara Kielmann Sara de Araújo Almeida Thiago Celestino Chulam Designer Educacional: Jacqueline Colen Ferreira Santos Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone – CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Aidan Bruno – CONASEMS André Persechini - CONASEMS Alexandre Itabayana – CONASEMS Caroline Boaventura - CONASEMS Icaro Duarte - CONASEMS Lucas Mendonça – CONASEMS Luciana Campello - CONASEMS Luiz Carlos de Souza Coelho - CONASEMS Wellington Tadeu - CONASEMS Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS Revisão Linguística: Renata Alves Pires Assessoria executiva: Conexões Consultoria em Saúde LTDA Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Freepik Pexels Envato Flick Ministério da Saúde e CONASEMS Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. 2025 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. AC Camargo Cancer Center. Ficha Catalográfica Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C.Camargo Cancer Center. Sinais iniciais e sinais de alerta do câncer[livro eletrônico]: Curso Aperfeiçoamento em Oncologia na Atenção Primária à Saúde / Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C.Camargo Cancer Center; [elaboração do conteúdo Diego Furiato Gomes da Cruz]. - - 1. ed. - - Brasília. DF: CONASEMS, 2025. PDF Vários colaboradores. Bibliografia. 1. Sintomas Iniciais. 2. Sinais de Alerta. 3.Tipos de Câncer. 4.Diagnóstico Precoce. 5. Prevenção. Nesta disciplina, abordaremos os sintomas iniciais e os sinais de alerta do câncer! Nosso objetivo é auxiliar você, profissional de saúde, a conhecer os tipos mais comuns de câncer, apresentando também os sinais e os sintomas que você poderá reconhecer na população. Você aprendeu nas disciplinas anteriores que o câncer é o crescimento descontrolado de células em qualquer parte do corpo, manifestando-se em diversos tipos. Nesta disciplina, focaremos nos tipos mais comuns: câncer de boca, faringe e laringe, colorretal, colo do útero, pediátrico, de pele, de próstata e de pulmão. Provavelmente você conhece alguém que tem ou teve câncer na sua região, então vamos aprender como reconhecer os principais tipos. Vamos lá? BEM-VINDO(A)! COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK Antes de iniciar a leitura do material, veja aqui algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis. SUMÁRIO : Uma forma rápida de acessar facilmente as temáticas. Quer retornar à lista das temáticas? Basta clicar no ícone no canto superior da página. QR CODE Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você também pode clicar sobre ele com o botão direito do mouse para abrir em uma nova aba ou navegador. INEP| Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. INCA| Instituto Nacional do Câncer. HPV| Papilomavírus Humano. PCC| Práticas de Cuidado Continuado. CCR| Câncer Colorretal. LLA| Leucemia Linfoblástica Aguda. IARC| Agência Internacional de Pesquisa em Câncer. EVALI| Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Produtos de Cigarro Eletrônico. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS LISTA DE FIGURAS Estruturas anatômicas do sistema vocal Fotos de casos de tumor orofaringe (amígdala esquerda) Sintomas do câncer de intestino Representação do sistema reprodutor feminino FIGURA 05 FIGURA 04 FIGURA 02 FIGURA 01 17 35 29 20 Fotos de casos de câncer de língua FIGURA 03 22 LISTA DE FIGURAS Epidemiologia do câncer infantojuvenil Camadas da pele Fatores de risco para câncer de pele, do menor ao maior impacto Caminhos para o Carcinoma Espinocelular FIGURA 09 FIGURA 08 FIGURA 07 FIGURA 06 45 55 54 51 CEC no braço localmente avançado FIGURA 10 56 CEC em região frontal FIGURA 11 56 Melanoma acral plantar pé direito FIGURA 12 59 LISTA DE FIGURAS Melanoma extensivo superficial com regressão e satelitose Melanoma acral plantar pé esquerdo com foto de dermatoscopia Estratégia de tratamento para câncer de pulmão Tumor de pulmão achado em tomografia de tórax FIGURA 16 FIGURA 15 FIGURA 14 FIGURA 13 59 71 70 59 LISTA DE QUADROS CÂNCERES PEDIÁTRICOS MAIS FREQUENTES QUADRO 01 47 APRESENTAÇÃO01 12 02 14CÂNCER DE BOCA, LARINGE E FARINGE 03 26CÂNCER COLORRETAL 04 33CÂNCER DO COLO DO ÚTERO ‘ SUMÁRIO 05 43TUMORES PEDIÁTRICOS ‘ ‘ CÂNCER DE PELE06 50 07 60CÂNCER DE PRÓSTATA 08 65CÂNCER DE PULMÃO 09 72FINALIZANDO ‘ SUMÁRIO 4410 REFERÊNCIAS 75 01 APRESENTAÇÃO Nesta disciplina, exploraremos os sintomas iniciais e os sinais de alerta do câncer, equipando você com o conhecimento necessário para reconhecer e orientar de forma eficaz sobre prevenção e cuidados na comunidade. A disciplina abordará os tipos mais comuns de câncer e suas classificações, e ajudará a analisar o contexto social e as melhores estratégias de comunicação para promover hábitos de vida saudáveis. Nosso objetivo é transformar cada visita domiciliar e consulta de rotina em uma oportunidade de intervir precocemente, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. 13 02 CÂNCER DE BOCA, LARINGE E FARINGE 15 Conheça os fatores de risco: ● histórico de exposição ao cigarro; ● consumo de álcool; ● HPV (Papilomavírus Humano); ● dietas com poucas frutas, legumes e vegetais; ● exposição a substâncias químicas; ● outros fatores, como idade avançada (mais frequente em homens acima dos 50 anos); ● e predisposição genética. Iniciaremos o nosso processo de estudo entendendo sobre os cânceres relacionados a boca, laringe (onde ficam as cordas vocais) e garganta (faringe). 16 Fique atento aos principais fatores de risco, para que você possa orientar o usuário do serviço de saúde sobre a importância da prática de hábitos saudáveis para a prevenção de doenças. Para melhor compreensão, entenda quais estruturas da cabeça e do pescoço estamos abordando. Boca: Inclui lábios, parte anterior da língua, assoalho bucal (região sob a língua), mucosa jugal (bochecha), gengivae palato duro (céu da boca até o limite onde se encontram os dentes). Faringe: Compreende a parte posterior da língua, as amígdalas e o palato mole (onde se localiza a úvula). Laringe: Região onde se encontram as cordas vocais. A seguir, observe a representação dessa estrutura no infográfico: 17 Fonte: Conteudista. Figura 1: Estruturas anatômicas do sistema vocal 18 Epidemiologia: No Brasil, registram-se aproximadamente 15 mil novos casos de câncer de boca e 7 mil de laringe, anualmente. Quanto aos cânceres de faringe, o Instituto Nacional do Câncer (INCA) estima cerca de 3 mil novos casos por ano. Dessa forma, os cânceres na região da cabeça e do pescoço estão entre os três tipos mais comuns em homens. Nas mulheres, essas neoplasias são mais frequentes após os 50 anos, sendo o câncer da glândula tireoide o quinto mais comum. 19 A manifestação mais comum dos cânceres bucais é uma lesão que não cicatriza, apresentando crescimento progressivo e nem sempre causando dor no estágio inicial. Diferentemente da afta, que surge repentinamente, causa dor e desaparece em poucos dias, uma lesão maligna cresce lentamente, e geralmente apresenta-se ulcerada, com bordas elevadas. Os fatores de risco variam conforme a localização anatômica. Entenda: Os cânceres labiais estão mais relacionados à exposição solar (fator de risco para tumores de pele e lábio, e não para as demais topografias de boca). O consumo de tabaco, associado ou não ao álcool, configura-se como o principal fator etiológico para o câncer de boca. A obesidade (os dados sobre obesidade como fator de risco para faringe ainda são heterogêneos, pois a literatura ainda é controversa a respeito dessa associação) e a baixa ingestão de frutas e legumes estão associadas ao aumento do risco de câncer de boca e faringe. O câncer de faringe tem se manifestado em pacientes mais jovens, sem histórico de tabagismo, mas com exposição ao vírus HPV. CÂNCER DE BOCA SINAIS DE ALERTA 20 Qualquer lesão na cavidade oral que persista por duas semanas ou mais deve ser avaliada por um profissional de saúde habilitado para realização de biópsia. Figura 2- Fotos de casos de câncer de língua Fonte: A.C.Camargo Cancer Center. Podem se manifestar, inicialmente, como desconforto ou dificuldade para deglutir (disfagia), de forma semelhante ao câncer de boca. O que os diferencia dos quadros infecciosos é a persistência dos sintomas por mais de duas semanas. CÂNCERES DE FARINGE SINAIS DE ALERTA 21 A duração prolongada dos sintomas e sua intensificação gradual são sinais importantes de alerta para neoplasias, diferenciando dos quadros infecciosos, que podem causar alterações vocais geralmente associadas a tosse, alterações nasais e, eventualmente, febre, com duração limitada a poucos dias. 22 Quando acometem as amígdalas, uma característica distintiva é o aumento unilateral (de apenas um lado), frequentemente acompanhado de linfonodomegalia cervical (aumento dos gânglios linfáticos do pescoço, popularmente conhecidos como "ínguas"). Figura 3 - Fotos de casos de tumor orofaringe (amígdala esquerda) Fonte: A.C.Camargo Cancer Center. Acometem principalmente as cordas vocais, tendo como manifestação mais comum a rouquidão com piora progressiva ao longo de meses. CÂNCERES DE LARINGE SINAIS DE ALERTA O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 39.550 novos casos de câncer de cabeça e pescoço por ano entre 2023 e 2025, excluindo os de pele. O tratamento dos cânceres de boca é fundamentalmente cirúrgico, consistindo na remoção da lesão com margem de segurança e dos linfonodos cervicais, podendo ser complementado com a radioterapia, associada ou não à quimioterapia. Quanto aos tumores de faringe e laringe, a abordagem terapêutica é definida conforme sua extensão. O tratamento pode ser inicialmente cirúrgico, seguido ou não de radioterapia e quimioterapia. Alternativamente, você pode optar pela radioterapia, associada ou não à quimioterapia, quando considerar que uma intervenção cirúrgica pode provocar alterações graves na deglutição ou na fala. 23 Saiba Mais Clique ou escaneie o QR Code ao lado e saiba sobre: Julho Verde reforça importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco 24 Por isso, sempre que a rouquidão persistir, o paciente deve ser encaminhado para avaliação médica, preferencialmente por um Otorrinolaringologista ou Cirurgião de Cabeça e Pescoço, uma vez que o exame diagnóstico específico (laringoscopia) é habitualmente realizado apenas por esses especialistas. Vamos conhecer agora as modalidades de tratamento, que dependem da extensão da doença, o que denominamos estadiamento. O estadiamento funciona como uma documentação completa da abrangência da neoplasia, avaliando tanto o local de origem quanto os demais órgãos afetados. Essa avaliação é normalmente realizada por meio de exames como ultrassonografia, tomografia computadorizada ou ressonância magnética. O câncer de laringe provoca uma rouquidão que se agrava progressivamente durante dias ou meses. 25 É fundamental estar atento aos sinais de alerta durante as visitas domiciliares e as consultas de rotina. Ao identificar lesões suspeitas, que não apresentem cicatrização dentro do período esperado, proceda com o encaminhamento do paciente para avaliação médica especializada, que poderá solicitar biópsia, quando julgar necessário. O diagnóstico precoce é decisivo para o prognóstico favorável nos cânceres de cabeça e pescoço. Clique ou escaneie o QR Code ao lado e veja sobre a importância do diagnóstico precoce. Julho Verde, mês dedicado ao alerta a esses tipos de câncer, destaca a importância da prevenção contra os principais fatores de risco. https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco 03 CÂNCER COLORRETAL 27 O câncer colorretal (CCR) é um dos tipos mais comuns de câncer, e afeta o cólon (intestino grosso) e o reto. Qualquer lesão na cavidade oral que persista por duas semanas ou mais deve ser avaliada por um profissional de saúde habilitado para realização de biópsia. Geralmente, tem início a partir de pólipos — pequenos crescimentos na parede interna do cólon ou do reto — que, ao longo dos anos, podem evoluir para câncer. SINTOMAS INICIAIS DE ALERTA 28 Os sintomas iniciais costumam ser sutis, e frequentemente se confundem com outros problemas digestivos. Entre os principais sinais de alerta estão: Alterações persistentes nos hábitos intestinais, como diarreia ou constipação; presença de sangue nas fezes, que pode ser vermelho vivo ou escurecido; muco nas evacuações; desconforto abdominal constante, incluindo cólicas, gases ou dor; sensação de evacuação incompleta ou vontade frequente de evacuar; fraqueza ou fadiga sem causa aparente; perda de peso involuntária e anemia inexplicada. Fique atento aos sinais e sintomas do usuário do serviço de saúde. Quanto mais cedo for o diagnóstico, maiores são as chances de cura. 29 Figura 4 - Sintomas do câncerde intestino Fonte: Elaborado pelo autor. 30 O diagnóstico do CCR pode ser feito por meio de diferentes métodos, sendo a colonoscopia o principal deles. Trata-se de um exame endoscópico que permite visualizar todo o cólon e o reto, com possibilidade de realizar biópsias durante o procedimento. A sigmoidoscopia flexível é semelhante, mas avalia apenas o reto e a parte final do cólon. Os exames de fezes também são importantes e podem identificar sangue oculto ou alterações genéticas nas células eliminadas nas evacuações. O toque retal, embora mais limitado, pode detectar alterações no reto. Já exames de imagem como a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância magnética (RM) são úteis para avaliar a extensão da doença. MÉTODOS DIAGNÓSTICOS 31 O tratamento do câncer colorretal envolve diferentes abordagens, que variam de acordo com o estágio da doença e as características individuais de cada paciente. A cirurgia é, na maioria das vezes, o tratamento principal, e pode incluir desde ressecções endoscópicas, indicadas para lesões menores, até ressecções segmentares ou colectomias totais, nos casos mais extensos. MODALIDADES DE TRATAMENTO 32 Outros tratamentos como radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo também podem ser utilizados, conforme indicação médica. Cada caso deve ser avaliado individualmente, considerando o estágio da doença, as características do tumor e as condições clínicas do paciente, para definição do melhor plano diagnóstico e terapêutico. Nesse contexto, a atenção primária tem um papel relevante no apoio ao paciente e na assistência a outras de suas necessidades, como o acompanhamento de comorbidades. 04 CÂNCER DO COLO DO ÚTERO 34 O câncer do colo do útero é um tumor maligno que se desenvolve na porção inferior do útero, região conhecida como colo uterino. A principal causa desse tipo de câncer é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), especialmente pelos tipos 16 e 18, considerados de alto risco oncogênico. O HPV é um vírus transmitido principalmente por via sexual, por meio do contato direto com a pele ou as mucosas infectadas — o que inclui relações sexuais com ou sem penetração. Existem mais de 200 tipos de HPV identificados, mas apenas alguns deles estão diretamente relacionados ao desenvolvimento de câncer. 35 Os tipos 16 e 18, em particular, são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer do colo do útero em todo o mundo, sendo considerados os mais agressivos e com maior potencial de transformação maligna. Figura 5 - Representação do sistema reprodutor feminino Fonte: Brasil Escola. 36 1. Histórico sexual: Início precoce da atividade sexual, múltiplos parceiros sexuais e histórico de infecções sexualmente transmissíveis. 2. Tabagismo. 3. Sistema imunológico comprometido: Mulheres com sistema imunológico comprometido, como aquelas com HIV, têm maior risco de desenvolver câncer de colo do útero. 4. Multiparidade: Ter várias gestações pode aumentar o risco de câncer cervical. FATORES DE RISCO Veja, agora, os métodos de prevenção: A vacinação é uma das estratégias mais eficazes para a prevenção do câncer do colo do útero, uma vez que atua diretamente na proteção contra os tipos de HPV mais frequentemente associados à doença. 1. Exames preventivos: Realizar exames de Papanicolau e/ou teste de HPV regularmente. 2. Tratamento precoce das lesões precursoras. 3. Práticas sexuais seguras, com uso de preservativos. 4. Limitar o número de parceiros sexuais. 5. Evitar o tabagismo. 37 Vacinação contra o HPV Outros métodos de prevenção https://vencerocancer.org.br/o-que-e-cancer/fatores-de-risco/tabagismo-e-alcool/ 38 Em 2025, conforme as diretrizes do Ministério da Saúde, o esquema vacinal padrão prevê dose única para crianças e adolescentes entre 9 e 14 anos. Para adolescentes de 15 a 19 anos que ainda não foram imunizados, está em vigor um programa de resgate, também com dose única. Indivíduos com o sistema imunológico comprometido — como pessoas vivendo com HIV, transplantados ou pacientes oncológicos — e crianças de 9 a 14 anos vítimas de violência sexual devem receber duas doses da vacina. Já os imunocomprometidos com idade entre 15 e 45 anos, bem como as pessoas diagnosticadas com Papilomatose Respiratória Recorrente (PRR), têm indicação para o esquema completo de três doses. A adesão à vacinação, especialmente na faixa etária ideal, é fundamental para reduzir significativamente a incidência do câncer cervical nas próximas gerações. Saiba Mais https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude 39 Nos estágios iniciais, o câncer do colo do útero costuma ser assintomático, o que reforça a importância do rastreamento regular. À medida que a doença progride, podem surgir sinais clínicos que merecem atenção. O sangramento vaginal anormal é um dos primeiros alertas, especialmente quando ocorre após relações sexuais, entre os períodos menstruais ou em mulheres já na pós-menopausa. Também pode haver corrimento vaginal com odor fétido, dor pélvica ou dor durante as relações sexuais (dispareunia). SINTOMAS INICIAIS E SINAIS DE ALERTA Profissional da saúde, perceba o quanto o exame de rastreamento, mesmo em mulheres sem sintomas, é fundamental para o diagnóstico precoce na atenção primária. 40 Em fases mais avançadas, podem aparecer sintomas decorrentes da invasão local do tumor, como dor lombar, inchaço dos membros inferiores (edema), presença de sangue na urina (hematúria), além de alterações urinárias e intestinais. A identificação precoce desses sinais é essencial para o sucesso do tratamento, permitindo intervenções menos agressivas e com melhores resultados. 41 Conforme vimos na disciplina anterior, a prevenção secundária tem como objetivo detectar o câncer em estágios iniciais, antes do aparecimento de sintomas graves, aumentando as chances de cura e reduzindo a necessidade de tratamentos invasivos. Envolve rastreamento e diagnóstico precoce. O rastreamento do câncer do colo do útero pode ser realizado por: 1. Papanicolau: recomendado para mulheres de 25 a 64 anos; após dois exames anuais normais, passa a ser trienal. 2. Teste de DNA-HPV: detecta a presença do vírus com maior sensibilidade, e pode ser feito a cada cinco anos (a tecnologia foi incorporada no SUS por meio da Portaria SECTICS/MS nº 3, de 07 de março de 2024, e ainda está em fase de implementação pelo Ministério da Saúde). 3. Colposcopia: exame que amplia a visualização do colo do útero em casos de alterações nos exames de rastreio. 4. Biópsia: indicada para confirmar o diagnóstico quando há alterações suspeitas na colposcopia. PREVENÇÃO SECUNDÁRIA 42 ● Cirurgia (indicação para estágios iniciais). ● Radioterapia (principal em estágios localmente avançados). ● Quimioterapia (principal para doença localmente avançada). ● Imunoterapia (indicações recentes para doença avançada ou recidivada). ● Terapias-alvo (em contextos selecionados, como doença metastática – quando avança para outros órgãos). MODALIDADES DE TRATAMENTO O tratamento indicado para o câncer do colo do útero depende do estadiamento da doença, da condição clínica da paciente e do desejo reprodutivo. O tratamento das lesões precursoras (alterações no colo do útero antes do desenvolvimento do câncer) também é importante para prevenir a evolução da doença. Podem incluir: 05 TUMORES PEDIÁTRICOS 44 Os tumores pediátricos englobam um grupo diversificado de doenças malignas que afetam crianças, adolescentes e jovens adultos. Também conhecidos como câncer infantil ou infantojuvenil, esses tumores diferem dos cânceres na população adulta emdiversos aspectos, como origem celular, biologia tumoral, fatores de risco e resposta ao tratamento. O câncer infantil geralmente se origina em células embrionárias ou em desenvolvimento. Os tipos mais comuns de câncer em crianças e adolescentes incluem leucemias, linfomas, tumores cerebrais, neuroblastoma, tumores renais e sarcomas. Figura 6- Epidemiologia do câncer infantojuvenil 45 Epidemiologia: Os cânceres infantojuvenis representam cerca de 3% de todas as neoplasias malignas. De acordo com a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), estima-se que, anualmente, ocorram 215.000 novos casos de câncer em crianças com menos de 15 anos em todo o mundo, além de aproximadamente 85.000 novos casos em adolescentes entre 15 e 19 anos. Veja essas informações no infográfico a seguir: Fonte: Elaborado pelo autor. 46 Sinais e sintomas: o diagnóstico precoce é o principal fator prognóstico para a sobrevida de crianças e adolescentes com câncer. No entanto, as causas do câncer pediátrico ainda são pouco compreendidas, e as medidas de prevenção para esse grupo etário têm mostrado pouco impacto. Entre os fatores que dificultam o diagnóstico precoce, destacam-se a raridade da doença em comparação com outras condições pediátricas e a presença de sinais e sintomas iniciais inespecíficos. Os sinais mais comuns incluem: ● febre persistente sem causa aparente; ● convulsões sem febre; ● emagrecimento inexplicado, cansaço, palidez, falta de ar, dor ou aumento de volume abdominal, dores de cabeça frequentes (principalmente ao despertar); ● dor óssea, manchas roxas na pele sem trauma local; ● sangramentos frequentes (nariz, gengiva, urina); ● aumento de gânglios linfáticos por mais de três semanas; ● reflexo branco no olho, alterações visuais e dificuldades no equilíbrio. Lembre-se de que é fundamental ter uma escuta qualificada para as queixas da criança e do adolescente. 47 Os métodos podem variar entre cirurgia, quimioterapia e radioterapia, a depender do tumor, do local e do estadiamento. Vamos conhecer alguns dos cânceres pediátricos mais frequentes em crianças e adolescentes. Câncer Fatores de risco Sinais e sintomas Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA) Exposição à radiação ionizante; exposição a certos produtos químicos, como benzeno; síndromes genéticas, como a Síndrome de Down; histórico familiar de leucemia ou alterações cromossômicas. Palidez, fadiga, febre persistente, infecções recorrentes, equimoses ou sangramentos fáceis; dor óssea ou nas articulações; linfonodos aumentados (linfadenopatia); aumento do fígado ou do baço (hepatomegalia ou esplenomegalia). Meduloblastoma Histórico familiar de tumores cerebrais; síndromes genéticas, como a Síndrome de Gorlin e a Síndrome de Turcot; exposição à radiação ionizante; mutação em genes como o PTCH1 (associado à Síndrome de Gorlin). Dor de cabeça persistente, especialmente matinal; vômitos, geralmente pela manhã; perda de equilíbrio ou coordenação motora; visão dupla ou outros problemas visuais; mudanças de comportamento ou personalidade; fraqueza em um ou ambos os lados do corpo; convulsões (em alguns casos). Quadro 1 - Cânceres pediátricos mais frequentes MODALIDADES DE TRATAMENTO 48 Câncer Fatores de risco Sinais e sintomas Osteossarcoma / Sarcoma de Ewing Idade (mais comum em adolescentes e adultos jovens); histórico familiar de câncer ósseo (raro); alterações genéticas específicas; exposição à radiação ionizante em idade jovem. Dor óssea ou inchaço persistente; massa palpável sobre o osso afetado; febre sem causa aparente; perda de peso; fadiga e fraturas patológicas. Linfoma de Hodgkin e Não Hodgkin (Pediátrico) Infecção pelo vírus Epstein-Barr (EBV), particularmente em Linfoma de Burkitt; deficiências imunológicas congênitas ou adquiridas (como HIV); histórico familiar de linfoma; exposição prévia à radioterapia; síndromes genéticas, como Síndrome de Wiskott-Aldrich e Ataxia-telangiectasia. Linfonodos aumentados e indolores (linfadenopatia), especialmente no pescoço, nas axilas ou na virilha; febre persistente; suores noturnos; perda de peso inexplicada; fadiga; tosse ou dificuldade para respirar, particularmente em linfoma mediastinal. Neuroblastoma Histórico familiar de Neuroblastoma (casos raros de predisposição genética); síndromes genéticas associadas, como a Neurofibromatose tipo 1; alterações genéticas, como amplificação do oncogene MYCN e anormalidades congênitas associadas ao sistema nervoso. Massa abdominal palpável; dor abdominal; fadiga e perda de apetite; perda de peso; febre; aumento de linfonodos; sintomas relacionados à compressão de estruturas vizinhas, como dor ou dificuldade respiratória. Câncer Fatores de risco Sinais e sintomas Tumor de Wilms Síndromes genéticas, como a Síndrome de WAGR (Wilms, aniridia, genitourinária e atraso mental); Doenças congênitas associadas a malformações renais; história familiar de Tumor de Wilms; anormalidades genéticas específicas, como mutações no gene WT1. Massa abdominal palpável, geralmente indolor; dor abdominal, hematúria (sangue na urina); febre; perda de apetite e perda de peso; hipertensão arterial. 49 Fonte: Elaborado pelo autor. Nas últimas décadas, os avanços no diagnóstico, no tratamento e no suporte multidisciplinar têm sido fundamentais para melhorar o prognóstico das crianças com câncer. Em países com sistemas de saúde bem estruturados, a taxa de sobrevida global de pacientes pediátricos com neoplasias malignas supera 80%, representando um dos maiores progressos na oncologia moderna. Saiba Mais 06 CÂNCER DE PELE 43 Ele se desenvolve devido ao crescimento desordenado das células na pele, o maior órgão do corpo humano, cuja função principal é proteger contra agressões externas, como fungos, bactérias e produtos químicos. 51 O câncer de pele é o tipo mais comum de câncer no Brasil e no mundo, representando cerca de 25% de todos os tumores malignos diagnosticados no país. A pele é composta por três camadas. A epiderme, a camada mais superficial, é formada por queratinócitos que produzem queratina, uma proteína que confere resistência. Ela é dividida em cinco camadas, cada uma com uma função específica. A derme, abaixo da epiderme, é elástica e rica em colágeno e elastina, fornecendo força e flexibilidade. Já a hipoderme, a camada mais profunda, armazena energia e isola o corpo termicamente, sendo composta principalmente por células adiposas. Embora a pele tenha uma estrutura complexa e funcione como uma barreira protetora, ela é suscetível a diversas doenças e condições. EPIDERME DERME HIPODERME Figura 7 - Camadas da pele Fonte: Freepik. 52 O câncer de pele é a neoplasia mais prevalente no Brasil, com aproximadamente 185 mil novos casos diagnosticados anualmente, conforme dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA). Entre os tipos mais comuns estão o Carcinoma Basocelular (CBC), o Carcinoma Espinocelular (CEC) e o Melanoma, sendo os dois primeiros considerados cânceres de pele não melanoma, devido à sua alta prevalência, enquanto o melanoma se destaca pela alta morbimortalidade. O Carcinoma Basocelular é o tipo mais comum de câncer de pele, representando cerca de 80% dos casos diagnosticados no Brasil e no mundo. EPIDEMIOLOGIA Os fatores de risco mais comuns associados ao câncer de pele: ● Exposição prolongada ao sol: A radiação ultravioleta (UV) é o principal fator de risco, pois danifica o DNA da pele. ● Pele e olhos claros: Pessoas com fototipo baixo (pela classificação de Fitzpatrick) são mais vulneráveis aos danos dos raios UV. ● Bronzeamento artificial: O uso de câmaras de bronzeamento aumenta a exposição à radiação. ● Sistema imunológicoenfraquecido: Condições que comprometem a imunidade aumentam a suscetibilidade ao câncer de pele. ● Exposição a agentes químicos: Substâncias como arsênico, alcatrão e tabaco são fatores de risco adicionais. ● Envelhecimento: Com o aumento da idade, ocorre um acúmulo de exposição solar, elevando o risco. ● Sexo masculino: O câncer de pele é mais comum em homens. 53 Fonte: Elaborado pelo autor. 54 Sinais e sintomas: O Carcinoma Basocelular pode se apresentar como uma pequena mancha, cicatriz ou protuberância com contornos irregulares e cores variando entre vermelha, rosada ou esbranquiçada. Pode estar associado a coceira, sangramento ou inflamação. ● Histórico familiar ou pessoal: Ter casos de câncer de pele na família ou já ter sido diagnosticado aumenta o risco. ● Síndromes genéticas: Doenças como Síndrome de Gorlin-Golz e Síndrome do Carcinoma Basocelular Nevoide também estão associadas a um risco maior. Veja o infográfico a seguir, em que é possível recapitular tais fatores de risco. E quanto aos sinais e sintomas desse tipo de câncer? Figura 8 - Fatores de risco para câncer de pele, do menor ao maior impacto 55 Este é o segundo tipo mais comum de câncer de pele, originando-se nas células escamosas da epiderme. Assim como o carcinoma basocelular, ele tende a aparecer em áreas expostas ao sol, como rosto, pescoço, orelhas, braços, antebraços e mãos. Fatores de risco: Além dos fatores citados para o Carcinoma Basocelular, o Carcinoma Espinocelular tem outros fatores específicos, como: ● Infecção pelo HPV. ● Lesões crônicas: Áreas de queimaduras ou úlceras flebóticas. ● Doenças hereditárias: Como Xeroderma Pigmentoso, Albinismo, Epidermólise Bolhosa e Anemia de Fanconi. Figura 9 - Caminhos para o Carcinoma Espinocelular Fonte: Elaborado pelo autor. CARCINOMA ESCAMOCELULAR 56 Sinais e sintomas: O Carcinoma Escamocelular surge como manchas ou placas persistentes, frequentemente associadas a coceira, ardência, descamação e ulcerações. As lesões podem ter bordas irregulares, superfície áspera e coloração variável, e tendem a sangrar facilmente. Uma característica importante é a presença de feridas que não cicatrizam após 4 semanas. Observe, a seguir, algumas imagens de câncer de pele Carcinoma Escamocelular (CEC). Figura 10 - CEC no braço localmente avançado Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 11 - CEC em região frontal Fonte: arquivo pessoal do autor. 57 Antes de prosseguir, reflita sobre o seguinte: A detecção precoce do Carcinoma Espinocelular/Escamocelular, assim como outros tipos de câncer, aumenta as chances de sucesso no tratamento e as taxas de sobrevida. É um tipo de câncer de pele que se desenvolve quando os melanócitos, células responsáveis pela produção de melanina, pigmento que dá cor à pele, começam a crescer desordenadamente, motivados por uma mutação genética (erro no DNA). Os melanócitos estão localizados na parte inferior da epiderme, camada externa da pele. Refletindo MELANOMA 58 Sinais e sintomas: Alterações que ocorrem em manchas, pintas ou verrugas já existentes, ou quando há uma nova formação, pigmentada ou com aparência pouco comum. A seguir algumas imagens de câncer de pele melanoma. Fatores de risco: Exposição excessiva aos raios ultravioleta (UV), que provocam danos à pele. Por isso ele é mais comum, principalmente, em áreas expostas, como braços, pernas, costas e face. Outros fatores de risco são o histórico familiar da doença, o sistema imunológico enfraquecido e o excesso de manchas, como sardas. A incidência do melanoma continua aumentando e, com ela, também aumentam as pesquisas e os estudos a seu respeito. São inúmeros os aspectos relacionados ao melanoma que apresentam novidades nos últimos anos. Clique aqui ou escaneie o Qr Code ao lado, para acessar a cartilha com as Recomendações para o tratamento de melanoma cutâneo. Saiba Mais https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Cartilha_Recomendacoes_GBM_maio23.pdf https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Cartilha_Recomendacoes_GBM_maio23.pdf 59 A seguir, observe algumas imagens de câncer de pele melanoma. Figura 12 - Melanoma acral plantar pé direito Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 13 - Melanoma extensivo superficial com regressão e satelitose Fonte: arquivo pessoal do autor. Figura 14 - Melanoma acral plantar pé esquerdo com foto de dermatoscopia Fonte: arquivo pessoal do autor. Aprendemos até aqui os tipos mais comuns de câncer de pele, com seus fatores de risco, sintomas e sinais de alerta. O exame da pele é fundamental na identificação e no reconhecimento desses cânceres, e deve ser estimulado e realizado em toda consulta na Atenção Primária, principalmente nas populações de maior risco. 07 CÂNCER DE PRÓSTATA 61 É o tumor que afeta a próstata, glândula localizada abaixo da bexiga e que envolve a uretra, canal que liga a bexiga ao orifício externo do pênis (Ministério da Saúde). O câncer de próstata (CP) é muito comum, acometendo cerca de 1 (um) em cada 6 (seis) homens. Geralmente, esse tumor não apresenta sintomas nos estágios iniciais, pois cresce inicialmente na parte externa da glândula prostática, sem comprimir a uretra, não provocando sintomas urinários. Em fases avançadas, pode alterar o padrão urinário. Sintomas iniciais e sinais de alerta: Dificuldade ou dor ao urinar, fluxo urinário fraco ou interrompido, sensação de mal esvaziamento vesical ou necessidade frequente de urinar, especialmente à noite. 53 Veja, agora, quais são os fatores de risco do câncer de próstata. Idade: O risco aumenta significativamente após os 50 anos na população em geral e a partir dos 45 anos de idade nos homens afrodescendentes ou com histórico familiar desse câncer. Histórico Familiar: Ter parentes de primeiro grau com câncer de próstata eleva o risco em duas ou três vezes. Raça: Homens afrodescendentes têm dobro ou triplo de probabilidades de desenvolver câncer de próstata. Alimentação: Dietas ricas em gorduras, proteína animal e derivados de leite e pobres em vegetais e castanhas podem aumentar o risco. Obesidade: Está associada a um risco maior de câncer de próstata agressivo. 5862 63 Dificuldade ou dor ao urinar, fluxo urinário fraco ou interrompido, sensação de mal esvaziamento vesical ou necessidade frequente de urinar, especialmente à noite, também são sintomas da Hiperplasia Prostática Benigna. Somente a avaliação médica irá identificar a causa correta dos sintomas. Vamos falar, agora, sobre os sintomas do Câncer de Próstata Avançado e os sinais de alerta: ● Dor forte e persistente, contínua, nas regiões pélvica, lombar ou superior das coxas (isso geralmente se dá por metástases nos ossos do quadril, da bacia ou da coluna). ● Fraqueza, anemia, perda de peso, adinamia, falta de apetite. ● Em casos graves, podem ocorrer fraturas em fêmur ou bacia afetados por metástases, após traumas leves ou quedas de pequenas alturas. Atenção 64 Métodos de Diagnóstico: 1. Toque Retal. 2. PSA (Antígeno Prostático Específico). 3. Biópsia da Próstata. 4. Ultrassonografia Transretal. 5. Ressonância Magnética da Próstata. 6. Tomografia computadorizada de abdome e pélvis. 7. Cintilografia óssea. Modalidades de Tratamento: 1. Cirurgia denominada prostatectomia radial. 2. Radioterapia. 3. Vigilância ativa. 4. Hormonioterapia. 5. Quimioterapia. Para finalizar, é importante comentar sobre o câncer de pênis, que apesar de raro, é potencialmente grave. Quando detectado precocemente, nos estágios iniciais, tem alta chance de cura, por meio de cirurgias menosmutiladoras e com menos efeitos colaterais. 08 CÂNCER DE PULMÃO 66 A redução do número de pessoas fumantes proporcionou uma diminuição na incidência do câncer de pulmão em homens, nas últimas décadas. No entanto, ao contrário, está ocorrendo um aumento entre as mulheres. Normalmente, o diagnóstico é tardio, pois os sintomas iniciais são muito inespecíficos, ou seja, podem ser confundidos com outras condições respiratórias comuns, como tosse persistente e falta de ar. Isso faz com que o câncer de pulmão seja uma das principais causas de morte por câncer no mundo, pois é descoberto tardiamente. Exemplos de sinais de alerta: Tosse, tosse com sangue, falta de ar, dor ao respirar, dor para engolir ou perda de peso progressiva. O câncer de pulmão é o terceiro mais frequente em homens e o quarto entre as mulheres. São cerca de 33 mil novos casos por ano. SINAIS E SINTOMAS 63 FATORES DE RISCO Os principais fatores de risco são o tabagismo e a exposição passiva ao tabaco, responsável por cerca de 85% dos casos diagnosticados. Outros fatores de risco incluem exposição a algumas substâncias, como as liberadas na produção do alumínio e na mineração. Além disso, os produtos da combustão de motores a diesel, a poluição do ar e as radiações também são fatores de risco. Esses agentes podem potencializar o dano causado pelo cigarro. RASTREAMENTO A principal ferramenta utilizada é a tomografia computadorizada de baixa dose de radiação, realizada anualmente em pacientes com mais de 50 anos que sejam tabagistas ou tenham parado de fumar há menos de 15 anos. Clique ou escaneie o QR Code ao lado e saiba mais sobre O rastreamento do câncer de pulmão no Brasil: recomendações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. 67 Saiba Mais https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38536982/ https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38536982/ Esses tumores são agrupados em dois grandes grupos, que dependem dos tipos de células que os originaram. O principal tipo é o carcinoma de pulmão de não pequenas células, que representa 85% dos casos; dentre eles existem o Adenocarcinoma, mais comum em mulheres não fumantes, e o Carcinoma de Células Escamosas (epidermoide). 68 O uso dos Dispositivos Eletrônicos para Fumar (DEF) – conhecidos como cigarros eletrônicos, vapes, pods ou “pendrives” – tem se popularizado, especialmente entre adolescentes e jovens, por conta das variadas formas, cores e sabores que eles oferecem. Embora muitas vezes sejam divulgados como uma opção mais segura em comparação ao cigarro tradicional, estudos recentes mostram que esses dispositivos também apresentam riscos importantes à saúde. Um exemplo preocupante é a EVALI, que surge de uma sigla em inglês e é definida como uma lesão pulmonar associada ao uso de produtos de cigarro eletrônico e vapes. Saiba Mais O Carcinoma de Células Escamosas (epidermoide), fortemente ligado ao tabagismo, que pode causar sintomas precoces, como tosse com sangue, é um carcinoma de grandes células, sendo um tipo raro e muito agressivo, que costuma se disseminar mais rapidamente. 69 O carcinoma de pulmão de pequenas células representa cerca de 10 a 15% dos casos. Associado quase exclusivamente ao tabagismo, é muito agressivo, cresce rapidamente e frequentemente já está disseminado no momento do diagnóstico. Existem outros tipos, mas são bem mais raros. Modalidades de tratamento: os tratamentos dos cânceres de pulmão estão passando por uma grande revolução, e a decisão sobre qual estratégia utilizar é cada vez mais personalizada, de acordo com as características dos pacientes e dos tumores e a experiência do local onde o tratamento está sendo realizado. 70 De forma geral, o carcinoma de pulmão de não pequenas células pode ser tratado com cirurgia, nos casos localizados, com quimiorradioterapia, nas formas localmente avançadas, ou com imunoterapia e terapias-alvo, nos casos mais avançados e metastáticos. Veja no infográfico a seguir a representação das modalidades de tratamento do câncer de pulmão. Figura 15 - Estratégia de tratamento para câncer de pulmão Fonte: Elaborado pelo autor. 71 Seja você um disseminador dos hábitos mais saudáveis de vida, oriente a sua população quanto aos perigos do uso dos cigarros e do álcool e priorize, sempre que possível, uma alimentação diversificada, com frutas e legumes. Figura 16 - Tumor de pulmão achado em tomografia de tórax Fonte: arquivo pessoal do autor. Os carcinomas de pequenas células usualmente são tratados com quimioterapia, associada ou não à radioterapia, a depender da extensão. Nas doenças disseminadas, além da quimioterapia, pode-se usar imunoterapia ou terapia-alvo. 09 FINALIZANDO 73 Em conclusão, a Atenção Primária à Saúde é crucial na detecção precoce e na prevenção dos cânceres mais comuns, atuando como ponto de contato inicial com o usuário para orientação sobre fatores de risco e rastreamento regular. A educação e a conscientização no nível primário podem promover mudanças comportamentais e incentivar a busca por cuidados médicos, além de permitir a identificação precoce de sinais suspeitos, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido. 74 A integração da atenção primária com outras áreas da saúde fortalece a integralidade do cuidado contínuo e oportuno, facilitando encaminhamentos adequados e garantindo um tratamento eficaz. Capacitar os profissionais de saúde para reconhecer sinais de alerta e oferecer acompanhamento contínuo é fundamental para reduzir a morbimortalidade e melhorar a qualidade de vida, tornando a atenção primária um protagonista essencial na luta contra o câncer. 10 REFERÊNCIAS A.C.CAMARGO CANCER CENTER. Manual de Condutas Diagnósticas e Terapêuticas em Oncologia. 2021. Disponível em: https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/quinta-edicao-d o-manual-de-condutas-e-praticas-oncologicas-do-accamargo. Acesso em: 21 abr. 2025. BRASIL. Ministério da Saúde. Manual de Rastreamento e Controle do Câncer Colorretal. Brasília: Ministério da Saúde, 2024. EVA. Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos. Disponível em: https://www.eva.org.br. Acesso em: 21 abr. 2025. INCA (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA). Diretrizes brasileiras para o rastreamento do câncer colorretal. Rio de Janeiro: INCA, 2024. INCA (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA). Dieta, nutrição, atividade física e câncer: uma perspectiva global: um resumo do terceiro relatório de especialistas com uma perspectiva brasileira. Rio de Janeiro: INCA, 2020. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-ativi dade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-do. Acesso em: 21 abr. 2025. INCA (INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA). Estimativa 2023: incidência de câncer no Brasil. 2023. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/docum ent/estimativa-2023.pdf. Acesso em: 21 abr. 2025. 76 https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/quinta-edicao-do-manual-de-condutas-e-praticas-oncologicas-do-accamargo https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/quinta-edicao-do-manual-de-condutas-e-praticas-oncologicas-do-accamargo https://accamargo.org.br/sobre-o-cancer/noticias/quinta-edicao-do-manual-de-condutas-e-praticas-oncologicas-do-accamargo https://www.eva.org.br/ https://www.eva.org.br/ https://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-atividade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-dohttps://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-atividade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-do https://www.inca.gov.br/publicacoes/relatorios/dieta-nutricao-atividade-fisica-e-cancer-uma-perspectiva-global-um-resumo-do https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/estimativa-2023.pdf NCCN. Clinical Practice Guidelines in Oncology. Disponível em: https://www.nccn.org/guidelines/category_1. Acesso em: 21 abr. 2025. SANTOS, Vanessa Sardinha. Câncer do colo do útero. Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/doencas/cancer-colo-utero.htm. Acesso em: 21 abr. 2025. 77 https://www.nccn.org/guidelines/category_1 https://www.nccn.org/guidelines/category_1 https://brasilescola.uol.com.br/doencas/cancer-colo-utero.htm https://brasilescola.uol.com.br/doencas/cancer-colo-utero.htm MATERIAL COMPLEMENTAR: AGÊNCIA GOV. Julho Verde reforça importância do diagnóstico precoce do câncer de cabeça e pescoço. Agência Gov, 09 jul. 2024. Disponível em: https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-refo rca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e -pescoco. Acesso em: 10 out. 2025. GRUPO BRASILEIRO DE MELANOMA. Cartilha de tratamento CEC de pele. São Paulo: GBM, 2023. Disponível em: https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/08/livreto-GBM_ 2023_VF.pdf. Acesso em: 13 out. 2025 GRUPO BRASILEIRO DE MELANOMA. Cartilha sobre Carcinoma Basocelular. São Paulo: GBM, [s.d.] Disponível em: https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/06/Livro-GBM_C artilha-CBC2023_v6.pdf. Acesso em: 13 out. 2025 GRUPO BRASILEIRO DE MELANOMA. Recomendações para o tratamento do melanoma cutâneo. 2. ed. São Paulo: GBM, 2023. Disponível em: https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Cartilha_Reco mendacoes_GBM_maio23.pdf. Acesso em: 13 out. 2025. INCA. Diagnóstico precoce é fundamental para o controle do câncer de cabeça e pescoço. Instituto Nacional do Câncer, 08 ju. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprens a/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-co ntrole-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco Acesso em: 10 out. 2025. MINISTÉRIO DA SAÚDE. Diretrizes para Rastreamento. https://www.gov.br/saude 78 https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202407/julho-verde-reforca-importancia-do-diagnostico-precoce-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/08/livreto-GBM_2023_VF.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/08/livreto-GBM_2023_VF.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/08/livreto-GBM_2023_VF.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/06/Livro-GBM_Cartilha-CBC2023_v6.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/06/Livro-GBM_Cartilha-CBC2023_v6.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/06/Livro-GBM_Cartilha-CBC2023_v6.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Cartilha_Recomendacoes_GBM_maio23.pdf https://gbm.org.br/wp-content/uploads/2023/05/Cartilha_Recomendacoes_GBM_maio23.pdf https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://www.gov.br/inca/pt-br/canais-de-atendimento/imprensa/releases/2024/diagnostico-precoce-e-fundamental-para-o-controle-do-cancer-de-cabeca-e-pescoco https://www.gov.br/saude https://www.gov.br/saude MATERIAL COMPLEMENTAR: SOCIEDADE BRASILEIRA DE COLOPROCTOLOGIA: https://www.sbcp.org.br PEREIRA et. al. Rastreamento do câncer de pulmão no Brasil: recomendações da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem. J. Bras. Pneumol. v. 50, n. 1. e20230233, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38536982/ Acesso em: 10 out. 2025. Aplicativos e Ferramentas Digitais: "Saúde da Mulher" (Ministério da Saúde), disponíveis para Android/iOS, com lembretes de exames e informações sobre saúde feminina. Cursos Gratuitos EAD para Profissionais da APS: Telessaúde Brasil Redes: https://www.telessaude.ufmg.br e Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS): https://www.unasus.gov.br 79 https://www.sbcp.org.br/ https://www.sbcp.org.br http://et.al https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38536982/ https://www.telessaude.ufmg.br/ https://www.unasus.gov.br/ https://www.unasus.gov.br