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Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde Módulo I – Epidemiologia do Câncer Brasília (DF) 2025 EPIDEMIOLOGIA DO CÂNCER Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde E-book Disciplina 1 - Módulo I CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE A.C.CAMARGO CANCER CENTER Ficha Catalográfica Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C.Camargo Cancer Center. Epidemiologia do câncer[livro eletrônico]: Aperfeiçoamento em Oncologia na Atenção Primária à Saúde/ Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A. C. Camargo Cancer Center; [elaboração do conteúdo Maria Paula Curado]. - Módulo I - Disciplina 1 - 1. ed. - - Brasília. DF: CONASEMS, 2025. PDF Vários colaboradores. Bibliografia. 1. Epidemiologia do câncer. 2. Registros de câncer. 3. Fatores de Risco. Tiragem: 1ª edição – 2025 – versão eletrônica Elaboração, distribuição e informações: CONSELHO NACIONAL DE SECRETARIAS MUNICIPAIS DE SAÚDE - CONASEMS Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Anexo B, Sala 144 Zona Cívico-Administrativo CEP: 70058-900 – Brasília/DF Tel.: (61) 3022-8900 A.C.Camargo Cancer Center R. Prof. Antônio Prudente, 211 – Liberdade CEP: 01509-010 - São Paulo/S - Brasil Tel.: (11) 2189-5000 Coordenação-geral: Cristiane Martins Pantaleão – CONASEMS Hisham Mohamad Hamida – CONASEMS Ana Paula Pinho – Diretora de Impacto Social A.C.Camargo Samara Kielmann Almeida dos Reis – A.C.Camargo Cancer Center Organização: Núcleo Pedagógico do Conasems Coordenação técnica e pedagógica: Cristina Fatima Santos Crespo - CONASEMS Kelly Cristina Santana – CONASEMS Samara Kielmann Almeida dos Reis – A.C.Camargo Cancer Center Valdívia França Marçal – CONASEMS Coordenação Educacional: Kelly Cristina Santana – CONASEMS Elaboração de Conteúdo: Maria Paula Curado Revisão técnica/Curadoria: Daiane Arruda Saraiva - A.C.Camargo Cancer Center Fernando Freitas Alves - A.C.Camargo Cancer Center Patricia da Silva Campos – CONASEMS Samara Kielmann Almeida Dos Reis - A.C.Camargo Cancer Center Sara de Araújo Almeida - A.C.Camargo Cancer Center Thiago Celestino Chulam - A.C.Camargo Cancer Center Designer Educacional: Samuel Rubens Barbosa de Oliveira - CONASEMS Coordenação de desenvolvimento gráfico: Cristina Perrone – CONASEMS Diagramação e projeto gráfico: Aidan Bruno – CONASEMS André Persechini – CONASEMS Alexandre Itabayana – CONASEMS Caroline Boaventura - CONASEMS Icaro Duarte - CONASEMS Lucas Mendonça – CONASEMS Luciana Campello - CONASEMS Luiz Carlos de Souza Coelho - CONASEMS Wellington Tadeu - CONASEMS Ygor Baeta Lourenço – CONASEMS Revisão Linguística: Aline Ferreira de Almeida - CONASEMS Assessoria executiva: Conexões Consultoria em Saúde LTDA Fotografias e ilustrações: Biblioteca do Banco de Imagens do Conasems Imagens: Freepik Pexels Envato Flick Ministério da Saúde e CONASEMS Esta obra é disponibilizada nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não Comercial – Compartilhamento pela mesma licença 4.0 Internacional. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte. 2025 Ministério da Saúde. Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde. A.C.Camargo Cancer Center. Na primeira disciplina do nosso curso, abordaremos o que é o câncer e quais as suas principais características. Além disso, apresentaremos o que é a epidemiologia do câncer e a sua importância para a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento. Você conhecerá também como está a situação da epidemiologia do câncer no Brasil e os principais sistemas de registro utilizados para acompanhar os casos no país. A partir desse panorama, vamos refletir juntos sobre o papel essencial da Atenção Primária à Saúde (APS) na promoção da saúde, atuando na prevenção de doenças e visando garantir um atendimento integral à população. Leia o material com atenção e consulte-o sempre que necessário! Bons estudos! BEM-VINDO(A)! Este é o seu e-book do Módulo I – Disciplina 1: Epidemiologia do câncer, do curso Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde. COMO NAVEGAR NESTE E-BOOK Antes de iniciar a leitura do material, veja aqui algumas dicas para aproveitar ao máximo os recursos disponíveis: SUMÁRIO: uma forma rápida de acessar facilmente as temáticas. Quer retornar à lista das temáticas? Basta clicar no ícone no canto superior da página. QR CODE Sempre que surgir o QR CODE, aponte a câmera do seu celular para acessar o conteúdo. Você também pode clicar sobre ele com o botão direito do mouse, para abrir em uma nova aba ou navegador. LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS AB | Atenção Básica APS | Atenção Primária à Saúde DNA | Ácido Desoxirribonucleico eMulti | Equipes Multiprofissionais eSF | Estratégia de Saúde da Família HPV | Papilomavírus Humano IMC | Índice de Massa Corporal INCA | Instituto Nacional de Câncer OMS | Organização Mundial da Saúde OPAS | Organização Pan-Americana da Saúde PNAB | Política Nacional de Atenção Básica RAS | Rede de Atenção à Saúde RCBP | Registros de Câncer de Base Populacional RHC | Registros Hospitalares de Câncer SBAFS | Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde SIM/DATASUS | Sistema de Mortalidade/Departamento de Informática do SUS SUS | Sistema Único de Saúde LISTA DE FIGURAS FIGURA 04 FIGURA 03 FIGURA 02 FIGURA 01 36 57 56 38 ESTIMATIVAS DE NOVOS CASOS DE CÂNCER EM 2025 REPRESENTAÇÃO DA BACTÉRIA H. PYLORI ESTIMATIVA DE NOVOS CASOS DE CÂNCER NO BRASIL DE 2023 A 2025 REPRESENTAÇÃO DO VÍRUS HPV E A VACINAÇÃO MORTALIDADE POR CÂNCER DE 2020 A 2023 CONFORME A LOCALIZAÇÃO PRIMÁRIA DO TUMOR E SEXO TABELA 01 39 TABELA 02 44 LISTA DE TABELAS DISTRIBUIÇÃO PROPORCIONAL DOS DEZ TIPOS DE CÂNCER MAIS INCIDENTES ESTIMADOS PARA 2023 POR SEXO, EXCETO PELE NÃO MELANOMA SUMÁRIO APRESENTAÇÃO01 10 02 15 POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA (PNAB): ELEMENTOS PARA QUALIFICAR O CUIDADO EM SAÚDE 03 21CÂNCER: CONCEITO E EPIDEMIOLOGIA 05 35ESTIMATIVA DE NOVOS CASOS DE CÂNCER NO MUNDO E NO BRASIL 04 30 REGISTROS DE CÂNCER E SISTEMAS DE VIGILÂNCIA - REGISTROS DE BASE POPULACIONAL E HOSPITALAR SUMÁRIO 06 46 FATORES DE RISCO NO CÂNCER (GENÉTICOS, AMBIENTAIS E COMPORTAMENTAIS) 07 60FINALIZANDO 08 64REFERÊNCIAS APRESENTAÇÃO 01 Prezado estudante, damos início ao curso Capacitação em Oncologia na Atenção Primária à Saúde. Este será um espaço dedicado à troca de conhecimentos e experiências, com o propósito de fortalecer o papel da Atenção Primária à Saúde (APS) na prevenção, na detecção precoce e no cuidado integral das pessoas com suspeita ou diagnóstico de câncer. O curso está estruturado em quatro módulos, que abordarão temas essenciais para a qualificação do cuidado em oncologia no contexto da APS. E, para começarmos esta jornada, a nossa primeira disciplina traz como tema os conceitos e os fundamentos do Sistema Único de Saúde (SUS), com um olhar especial para a criação da Política Nacional de Atenção Básica (PNAB) e a estruturação da APS como ordenadora da Rede de Atenção e coordenadora das ações de cuidado. 11 Os sistemas de saúde de uma nação continental como o Brasil têm o desafio de estabelecer políticas públicas de saúde que promovam o bem-estar de toda a população. A epidemiologia apoia essas políticas, compreendendo, por meio de dados, como uma população é impactada pelas doenças. A proposta é revisitarmos juntos os princípios que sustentam o SUS e refletirmos sobre o papel estratégico da APS na garantia do acesso, da equidade e da integralidade, especialmente no enfrentamento do câncer, um dos principais desafios da saúde pública no Brasil. Este é o Módulo I: Epidemiologia do Câncer. Aqui vamos abordar sobre esse assunto e entender como o câncer se distribui nas populações do mundo. 12 Esta disciplina está dividida em cinco temáticas: 02 03 04 01 Esperamos que este curso fortaleça sua prática profissional,ampliando as estratégias e as possibilidades de cuidado e a capacidade de resolução no território em que você atua. Desejamos que tenham uma excelente jornada de estudos e um ótimo curso a todos! Política Nacional de Atenção Básica (PNAB): elementos para qualificar o cuidado em saúde; Câncer: conceito e epidemiologia; 05 Registros de câncer e sistemas de vigilância: registros de base populacional e hospitalar; Estimativa de novos casos de câncer no mundo e no Brasil; Fatores de risco no câncer (genéticos, ambientais e comportamentais). 13 Lembre-se de, ao assistir à teleaula, anotar suas dúvidas e buscar solucioná-las, associando-as com as informações da aula interativa e deste e-book. Para melhor aprendizado e compreensão do assunto estudado, realize as atividades propostas. Dica! 14 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude POLÍTICA NACIONAL DE ATENÇÃO BÁSICA (PNAB): ELEMENTOS PARA QUALIFICAR O CUIDADO EM SAÚDE 02 Para iniciar nossos estudos, vamos abordar sobre a Política Nacional de Atenção Básica (PNAB). No Brasil, a Atenção Básica (AB) é estabelecida de forma altamente descentralizada, sendo organizada e realizada o mais próximo possível do cotidiano das pessoas. Ela deve ser o contato preferencial dos usuários, a principal porta de entrada e o centro de comunicação com toda a Rede de Atenção à Saúde (RAS). Por isso, é fundamental que ela se oriente pelos princípios da universalidade, da acessibilidade, do vínculo, da continuidade do cuidado, da integralidade da atenção, da responsabilização, da atenção humanizada, da equidade e da participação social. 16 Dentre as diretrizes da PNAB, destaca-se: Coordenar a integralidade em seus vários aspectos, a saber: ● integrando as ações programáticas e a demanda espontânea; ● articulando as ações de promoção à saúde, prevenção de agravos, vigilância à saúde, tratamento, reabilitação e manejo das diversas tecnologias de cuidado e gestão necessárias a esses fins bem como à ampliação da autonomia dos usuários e das coletividades; ● trabalhando de forma multiprofissional, interdisciplinar e em equipe; ● realizando a gestão do cuidado integral do usuário e coordenando-o no conjunto da rede de atenção. 17 A PNAB representa um marco importante para o fortalecimento da APS no Brasil, pois orienta e qualifica o processo de trabalho das equipes, garantindo que a APS cumpra seu papel essencial de porta de entrada preferencial do SUS e ordenadora do cuidado nas Redes de Atenção à Saúde. Ao estabelecer princípios como universalidade, integralidade, equidade, longitudinalidade e coordenação do cuidado, a PNAB orienta os profissionais sobre como conduzir suas práticas no território, com foco na construção de vínculos, no acolhimento e na responsabilização pela saúde da população. A política também define a estrutura das equipes, como as Equipes de Saúde da Família e as Equipes de Atenção Básica, detalhando suas composições, responsabilidades e formas de atuação. Isso contribui diretamente para a definição dos papéis e para a organização das ações individuais e coletivas no dia a dia dos serviços. Além disso, a PNAB orienta o planejamento das atividades de saúde, estimulando a territorialização, a adscrição (processo de vinculação de pessoas, famílias ou grupos a uma equipe da APS, delimitando uma área geográfica sob responsabilidade dessa equipe) de usuários e o uso de estratégias, como o diagnóstico local e a estratificação de risco, permitindo que as equipes atuem com mais resolutividade e alinhadas às reais necessidades da população. 1918 Com um amplo escopo de atuação que perpassa a promoção, a prevenção, a proteção, o diagnóstico, o tratamento, a reabilitação, a redução de danos, os cuidados paliativos e a vigilância em saúde, cabe aos profissionais que atuam na Atenção Básica (AB) um olhar que vai além da queixa imediata dos pacientes, perpassando a integralidade do cuidado, ou seja, todas as necessidades do usuário. ➔ ampliação das equipes de Estratégia Saúde da Família (eSF): até fevereiro de 2025 existiam 54.994 equipes habilitadas. ➔ retomada do financiamento federal das equipes multiprofissionais (eMulti): publicação da Portaria GM/MS nº 635, de 22 de maio de 2023, que institui, define e cria incentivo financeiro federal de implantação, custeio e desempenho para as modalidades de equipes Multiprofissionais na Atenção Primária à Saúde. Podemos destacar, nesse contexto, duas ações estratégicas para o fortalecimento desse nível de atenção, sendo elas: 19 13 Aprofunde os seus conhecimentos sobre a Atenção Básica! Conheça o Caderno da Atenção Básica nº 35, do Ministério da Saúde, apontando a câmera do celular para o QR code ao lado ou clicando sobre ele. Agora que você conhece os princípios da Atenção Básica, chegou o momento de aprofundar na Oncologia na Atenção Primária à Saúde (APS). Na próxima temática, você entenderá o que é o câncer, o que é a epidemiologia do câncer e qual a sua importância. Saiba Mais 20 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/atencao-basica https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/svsa/atencao-basica https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/pdf/caderno_atencaobasica35.pdf/view CÂNCER: CONCEITO E EPIDEMIOLOGIA 03 29 Vamos iniciar essa temática entendendo o que é o câncer? CONCEITO DE CÂNCER O câncer é um conjunto de doenças que podem ocorrer em qualquer órgão do corpo humano. Ele começa quando uma célula saudável sofre uma mudança no seu DNA que não deveria acontecer e não consegue corrigir esse erro, o que faz com que ela funcione de maneira errada e se multiplique sem controle. 22 MARCAS DO CÂNCER As alterações que acontecem nas células são chamadas “Hallmarks of câncer“ ou seja, as marcas do câncer, e podem ser caracterizadas por: 01 02 03 04 05 06 07 Crescimento invasivo das células; Capacidade de invadir outros órgãos do corpo; Bloqueio do sistema defesa (imunidade); Formação de vasos sanguíneos no interior do tumor; Aumento de nutrição do câncer com oxigênio (o câncer necessita do oxigênio para se desenvolver); Escape da morte celular (célula se torna imortal); Crescimento descontrolado (são acumuladas mudanças genéticas nas células que persistem no tumor). As alterações que acontecem nas células são chamadas “Hallmarks of cancer”, ou seja, as marcas do câncer, e podem ser caracterizadas por: 01 02 03 04 05 06 07 crescimento invasivo das células; capacidade de invadir outros órgãos do corpo; bloqueio do sistema de defesa (imunidade); formação de vasos sanguíneos no interior do tumor; aumento de nutrição do câncer com oxigênio (o câncer necessita do oxigênio para se desenvolver); escape da morte celular (célula se torna imortal); crescimento descontrolado (são acumuladas mudanças genéticas nas células que persistem no tumor). MARCAS DO CÂNCER 23 Portanto, o câncer é uma doença que resulta em modificações ocorridas na célula normal, que passa a ter um comportamento agressivo e invasivo no local que se instala (no órgão de origem ou se espalhando para outros órgãos, devido à facilidade que tem para se infiltrar nos tecidos normais do corpo). O câncer é uma doença genética, ou seja, que ocorre nos genes/cromossomas das células. O termo hereditário é utilizado para definir uma condição de saúde que pode ser transmitida através dos genes, pelo DNA, para outras gerações. Um câncer é chamado de hereditário quando ocorre em indivíduos jovens (abaixo de 45 anos); essas pessoas têm uma mutação genética que pode ser identificada por meio de painéis genéticos (exames de laboratório que verificam qual gene está mutado). Vamos agora conhecer sobre a epidemiologiado câncer! 24 EPIDEMIOLOGIA DO CÂNCER É uma área da saúde que estuda a distribuição dos casos de câncer nas populações do mundo, por local de moradia, ou seja, a região geográfica em que vivem. Mas por que a epidemiologia do câncer é importante? Compreender quais os casos de câncer mais frequentes em cada localidade é importante para apoiar na realização de estratégias de prevenção, pois cada região tem hábitos e características diferentes. Por exemplo, pessoas que moram em áreas de praia e possivelmente estão constantemente expostas ao sol, sem protetor solar, têm maior chance de ter câncer de pele. Já as pessoas que se alimentam de verduras sem higienização têm maior chance de desenvolver câncer de estômago. 25 Quando falamos de epidemiologia, é importante entender alguns conceitos, como incidência e mortalidade. Eles ajudam a mostrar o impacto das doenças na população. Você já ouviu falar dos termos incidência e mortalidade? Vamos agora compreender o que eles significam. Incidência: refere-se ao número de novos casos de câncer diagnosticados em um determinado período e região geográfica definida. Mortalidade: refere-se ao número de mortes causadas pelo câncer em um determinado período e região geográfica definida. Antes de prosseguir, reflita sobre a seguinte questão: Você consegue pensar em por que essas informações são importantes para seu trabalho? Refletindo 26 A epidemiologia ajuda a entender os diferentes padrões de incidência do câncer por localidade, sexo biológico e faixas etárias. Em relação à idade, é importante destacar que uma pessoa pode desenvolver câncer em qualquer fase da vida, desde a infância até a velhice. A epidemiologia também contribui para compreender a distribuição dos casos de câncer por sexo biológico, masculino ou feminino. Alguns tipos de câncer são mais comuns em um sexo do que no outro, independentemente de associação com os órgãos sexuais (como mama, útero, próstata, entre outros), mas também influenciados pelos hábitos culturais. Por exemplo, o câncer de pulmão era mais comum em homens há cerca de 10 anos, mas, recentemente, o número de casos tem crescido entre as mulheres. 27 Conhecer a epidemiologia do câncer em um país de tamanho continental como o Brasil nos permite identificar diferenças em sua incidência nas diversas regiões e, dessa forma, desenvolver ações de prevenção e diagnóstico precoce que permitam um tratamento adequado e a cura do paciente. 2928 Agora que refletimos sobre a epidemiologia e como ela está presente ao nosso redor, vamos conhecer como esses dados são registrados, como encontrá-los e as estimativas no Brasil e no mundo! Refletindo Antes de prosseguir, pense na seguinte questão: Como você percebe a epidemiologia na sua região? 29 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude REGISTROS DE CÂNCER E SISTEMAS DE VIGILÂNCIA: REGISTROS DE BASE POPULACIONAL E HOSPITALAR 04 14 Os registros de câncer são sistemas de vigilância que monitoram os casos diagnosticados em uma população, período e região definidos. Esse monitoramento deve ser realizado anualmente e acumulado ao longo de um período de três a cinco anos, com o objetivo de verificar se está ocorrendo aumento ou redução no número de casos. Com base nesses dados, é possível planejar ações de saúde pública e programas de educação em saúde, conhecidos como letramento em saúde. 31 11 É possível estimar os novos casos de câncer que poderão acontecer baseados em sistemas de coleta de dados chamados registros de câncer, coordenados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA/Ministério da Saúde). Todos os casos que ocorrem em uma localidade são mapeados e encaminhados à Organização Mundial de Saúde (OMS). No Brasil existem 32 registros de câncer de base populacional, um em cada estado brasileiro e quatro fora dos estados. Vamos conhecer alguns deles? 32 Sistema de Mortalidade (SIM/DATASUS): informa sobre as causas de morte, incluindo câncer. 03 Onde encontrar os dados epidemiológicos? Aqui estão as fontes de dados sobre câncer no Brasil que qualquer pessoa pode acessar on-line. Para conhecê-las, basta apontar a câmera do celular para cada QR code ou clicar sobre eles. Registros de Câncer de Base Populacional (RCBP): coleta dados sobre novos casos de câncer em diferentes regiões. 01 Registros Hospitalares de Câncer (RHC): registra informações dos pacientes que recebem tratamento nos hospitais. 02 33 https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/base-populacional https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/base-populacional https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/base-populacional https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/rhc https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/rhc https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/registros/rhc https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/sistemas-de-informacao/sim https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/sistemas-de-informacao/sim https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/svsa/sistemas-de-informacao/sim Conheça mais sobre o Instituto Nacional do Câncer (INCA), apontando a câmera do celular para o QR code ao lado ou clicando sobre ele. Todos esses sistemas de controle são de extrema importância para a saúde pública e para o desenvolvimento de estratégias eficazes de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer. Na próxima temática, vamos conhecer a situação epidemiológica do câncer no Brasil e no mundo! Saiba Mais 34 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude https://www.gov.br/inca/pt-br https://www.gov.br/inca/pt-br ESTIMATIVA DE NOVOS CASOS DE CÂNCER NO MUNDO E NO BRASIL 05 Conhecer o cenário de casos de câncer no mundo e no país é essencial para desenhar estratégias que atuem desde a prevenção com a Atenção Primária até a reabilitação. Em 2025, foram estimados os seguintes números de novos casos: Figura 01: Estimativas de novos casos de câncer em 2025 Fonte: Adaptado de Curado (conteudista). Mundo Cerca de 21 milhões e 300 mil casos América Latina Cerca de 1 milhão e 700 mil casos Brasil Cerca 660 mil casos 36 13 Para 2035, estima-se que no mundo ocorram 13 milhões de casos, e no Brasil serão 857 mil casos. Isso representa um aumento de quase 40% em relação a 2025. Portanto, o câncer em adultos não é uma doença rara e os casos são muito frequentes em todo o mundo. Os tipos de câncer mais frequentes no mundo, com base nas estimativas do Globocan 2025, são os de pulmão, mama feminina, colorretal, próstata e estômago (IARC, 2025). 37 Entre 2023 e 2025, o Brasil deve ter 704 mil novos casos de câncer, sendo 483 mil se excluirmos o câncer de pele não melanoma (afeta a camada mais superficial da pele), que será o mais comum (220 mil casos). Os cânceres mais frequentes serão: Figura 02: Estimativa de novos casos de câncer no Brasil de 2023 a 2025 Fonte: Adaptado de Curado (conteudista). Pele não melanoma Mama Próstata Colorretal Pulmão Estômago Colo do útero Cavidade oral Tireoide 38 A Tabela 01, abaixo, mostra a distribuição proporcional dos dez tipos de cânceres mais incidentes estimados para o triênio de 2023 a 2025, por sexo. Tabela 01: Distribuição proporcional dos dez tipos de câncer mais incidentes estimados para 2023 por sexo, exceto pele não melanoma* *Números arredondados para múltiplos de 10. Esses dados evidenciam como a doença é uma das principais preocupações de saúde pública. A incidência de câncer será maior em homens (17% a mais do que em mulheres), com números parecidos aos de países em desenvolvimento. As regiões Sul e Sudeste terão 70% dos casos, com a maioria acontecendo na Região Sudeste. No entanto, os tipos de câncer podemvariar em cada região do Brasil. Fonte: Adaptado de INCA, 2023. 39 A partir dos dados vistos até agora, vamos refletir sobre alguns exemplos práticos? EXEMPLO 01 Imagine que, na sua comunidade, você acompanhe 700 pessoas. Com base nas estimativas, algumas delas poderão desenvolver algum tipo de câncer ao longo dos anos. Por isso, é fundamental que você esteja sempre atento(a) e preparado(a) para orientar e apoiar essas famílias. Um dado preocupante é que uma em cada cinco pessoas desenvolverá câncer ao longo da vida! São números alarmantes, mas e agora, como você pode colaborar com a redução desse número? As campanhas de prevenção ao câncer são fundamentais para a saúde pública e colaboram com a conscientização da população sobre a prevenção. 40 Podemos identificar que no Brasil o câncer de pulmão não é o mais comum. Isso acontece devido à implementação de políticas e ações de redução do uso do tabaco. A Lei nº 9.294/1996, conhecida como Lei Antifumo, proibiu o fumo em ambientes fechados e de trabalho, colaborando com a redução do risco de câncer de pulmão e doenças respiratórias e cardiovasculares na população brasileira. Embora o câncer de pulmão não seja o mais incidente, no Brasil é o câncer com maior mortalidade. Mencionamos vários tipos de câncer. Quais desses você já ouviu falar ou conhece casos na sua comunidade? Refletindo EXEMPLO 02 41 No período entre 2020 e 2023, foram observados 964.151 mortes por câncer no Brasil (quase um milhão de óbitos). As principais causas de morte por câncer no Brasil no sexo masculino são: câncer de pulmão, próstata e colorretal. Nas mulheres são: mama, pulmão, colorretal e câncer de colo de útero. Como já mencionado, embora o câncer de pulmão não seja o mais incidente no Brasil, é o câncer que mais causa mortes, tanto no homem quanto na mulher. MORTALIDADE POR CÂNCER NO BRASIL 42 A mortalidade por câncer no Brasil também é preocupante, e esse número tende a aumentar com o envelhecimento da população e os fatores de risco já mencionados, como hábitos de vida pouco saudáveis. Entre 2020 e 2023 foram observados 964.151 mortes por causa do câncer no país! Imagine uma cidade com essa quantidade de moradores! Isso equivale à população dessa cidade desaparecendo em um único ano. Isso dá uma ideia do impacto devastador da doença no país. 43 Na Tabela 02, abaixo, você conhecerá quais são as localizações primárias (ou seja, onde o câncer nasce) dos tumores que levaram pacientes a óbito por câncer no Brasil de 2020 a 2023. Observe: Tabela 02: Mortalidade por câncer de 2020 a 2023, conforme a localização primária do tumor e o sexo Categoria Masc. Fem. Total Brônquios e Pulmões 64.503 53.507 118.018 Mama 920 75.232 76.155 Próstata 65.828 1 65.829 Estômago 36.260 21.011 57.274 Colon 26.867 28.485 55.355 Fonte: Adaptado de Datasus, 2025. 44 Cada tipo de câncer possui causas, formas de prevenção e tratamentos diferentes. A prevenção pode ser feita com a prática de hábitos de vida saudáveis e por meio da vacinação (HPV). No módulo II do curso, você entenderá como é possível realizar prevenção primária, secundária e terciária. O diagnóstico precoce aumenta as chances de sucesso do tratamento. Segundo o Globocan, cerca de 53 milhões de pessoas no mundo em 2022 estavam vivas cinco anos após o diagnóstico de câncer. No Brasil esse número é de 1,650 milhão (IARC, 2022). Nesses casos, o diagnóstico e o tratamento deram a essas pessoas a chance de viver. Na próxima temática, vamos conhecer quais são os fatores de risco no câncer. Avance para conhecê-los. 45 FATORES DE RISCO NO CÂNCER (GENÉTICOS, AMBIENTAIS E COMPORTAMENTAIS) 06 Você sabe o que é um fator de risco para o câncer? Nesta temática, vamos compreender o que significa esse termo e por que, na maioria das vezes, o câncer pode ser evitado. O QUE É UM FATOR DE RISCO PARA O CÂNCER? Trata-se de um tipo de atividade, no seu comportamento ou estilo de vida, que pode favorecer o surgimento do câncer. Pode ser um hábito, como se alimentar de carne vermelha todos os dias, fumar desde jovem, ingerir diariamente bebidas alcoólicas, não fazer exercícios e se alimentar de ultraprocessados (refrigerantes, presunto, mortadela, doces conservados etc.). Então, para reduzir a chance de ter um câncer, devemos conhecer os fatores ou exposições que podemos evitar; entretanto, vamos falar primeiro sobre aqueles fatores que não podemos modificar. 47 FATORES DE RISCO NÃO MODIFICÁVEIS O outro fator não modificável é a mutação genética adquirida, ou seja, herdada dos pais. Por exemplo, a criança que nasce com Retinoblastoma Bilateral (câncer na retina) herdou uma mutação do pai e outra da mãe, e isso é irreversível. O envelhecimento é o primeiro fator, uma vez que o câncer é mais frequente após os 50 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade. À medida que envelhecemos, as nossas células normais ficam mais lentas e a reparação de uma célula doente pode não acontecer. Assim começa o câncer. Então, esse é um fator não modificável; o tempo passa, envelhecemos, e nossas células, também. 48 FATORES DE RISCO MODIFICÁVEIS Cerca de 40% dos cânceres são associados a fatores modificáveis. São atitudes ou ações que o indivíduo consegue modificar e estão associadas ao estilo de vida. Assim, a redução desses fatores na população depende da mudança de comportamento individual e das políticas públicas de saúde, com informações acerca do que pode causar câncer. Vamos descrever a seguir os fatores modificáveis conhecidos mais frequentes, causadores de câncer. São comportamentos que podem promover alterações nas células, transformando-as em células malignas. 5049 TABAGISMO Cerca de 20% dos cânceres diagnosticados no Brasil são consequência do tabagismo (Fiocruz, 2024). Esse hábito também provoca comorbidades (hipertensão, diabetes, bronquite etc.). Fumar é um hábito que pode diminuir a chance de um paciente sobreviver após o diagnóstico de câncer. Parar de fumar melhora as chances de sobrevida após o diagnóstico, que são as chances de sobreviver após o tratamento do câncer. Além do câncer de pulmão, o tabagismo está associado aos cânceres: rim, bexiga, ovário, colo uterino, câncer de boca, orofaringe, laringe e esôfago, bem como cânceres do aparelho digestivo. 50 OBESIDADE O Índice de Massa Corporal (IMC) é um indicador indireto da gordura corporal, e pode distinguir entre baixo peso, peso normal, sobrepeso e obesidade. O excesso de peso é responsável por cerca de 7,6% dos cânceres. Intervenções para reduzir o excesso de peso e a obesidade são eficientes para reduzir cânceres associados a esse fator de risco. Os mais frequentes são: mama, cânceres de cabeça e pescoço, tireoide, vesícula biliar, ovário, próstata e pâncreas. OBESIDADE 51 DIETA Uma alimentação pobre em vegetais e frutas pode ser responsável por quase 5% de todos os cânceres. Estudos demonstram que o consumo de alimentos ultraprocessados ou “fast foods” (comida rápida) aumentou a incidência de câncer no mundo. A carne vermelha deve ser consumida, no máximo, três vezes por semana, sem incluir carnes processadas. Bebidas açucaradas, como refrigerantes ou qualquer drink que contenha açúcar adicionado, como bebidas energéticas, aumentam o risco de câncer de fígado, colorretal e doenças crônicas, por exemplo, o diabetes. Consumo de alimentos in natura, como uma dieta rica em frutas frescas, vegetais, castanhas e grãos integrais, como aveia, pode diminuir o risco de câncer e outras doenças crônicas. DIETA 52 INATIVIDADE FÍSICA A prática de exercícios físicos pode reduzir o risco de câncer de mama em 18% se for rotineiro, em 31% se for moderado e 40% para exercícios vigorosos. Segundo a Sociedade Brasileira de Atividade Física e Saúde (SBAFS),a inatividade física é o quarto fator de risco para a mortalidade em todo o planeta, sendo responsável por aproximadamente até 25% dos casos de câncer de cólon e de mama. A vida sedentária, que pode ser medida pelo tempo que o indivíduo assiste TV ou fica no celular, pode aumentar o risco de desenvolver alguns tipos de câncer, como o de pâncreas. Isso acontece porque quanto mais tempo ficamos sentados sem nos movimentar, maior a chance de ganho de peso, o que pode favorecer o surgimento desse tipo de câncer. A atividade física é recomendada para todas as idades, do pré-escolar aos idosos. Portanto, estimular a atividade física é uma forma de prevenção de vários tipos de câncer. 53 CONSUMO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS O consumo excessivo de bebidas alcoólicas aumenta o risco para vários tipos de câncer, como mama, boca, orofaringe e laringe, fígado, esôfago, estômago e colorretal. Reduzir a ingestão de álcool, portanto, pode diminuir o risco de desenvolver alguns tipos de câncer em até 8%. 54 EXPOSIÇÃO AO SOL A exposição solar excessiva e sem proteção pode provocar câncer de pele. Usar protetor solar e protetores físicos, como camisetas e bonés, ajuda a prevenir esse câncer. Vamos agora conhecer alguns agentes infecciosos que também podem causar o câncer. 55 AGENTES INFECCIOSOS Algumas bactérias e vírus também podem causar câncer. A bactéria Helicobacter pylori (conhecida como H. pylori) é responsável por cerca de 800 mil casos de câncer de estômago e linfoma não Hodgkin. Essas bactérias estão frequentemente associadas a problemas como falta de higiene das mãos, alimentos malconservados, ausência de saneamento básico e falta de refrigeração adequada dos alimentos. Figura 03: Representação da bactéria H. Pylori 56 v Helicobacter pylori Esôfago Estômago Intestino delgado Fonte: Adaptado de National Cancer Institute, 2023. Os HPV são vírus capazes de infectar a pele ou as mucosas. Existem mais de 150 tipos diferentes de HPV, dos quais 40 podem infectar o trato genital. Destes, 12 são de alto risco e podem provocar câncer (INCA 2014). Figura 04: Representação do vírus HPV e a vacinação Fonte: Adaptado de Jornal da USP, 2018. O câncer do colo do útero é o tipo mais comum de câncer causado por HPV. O HPV 16 e o HPV 18 são responsáveis por 70% dos casos de câncer do colo uterino em todo o mundo. Oriente a população da comunidade sobre a importância da vacinação contra o vírus do HPV. Dica! 57 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude O Papilomavírus Humano (HPV) pode causar câncer de colo do útero, ânus, pênis, vagina, vulva e orofaringe. A vacina contra o HPV previne e reduz as chances desses tipos de câncer. Além do HPV, as Hepatites B e C são agentes infecciosos que causam câncer de fígado, e podem ser preveníveis pela vacinação. A vacinação, junto a cuidados de higiene pessoal e alimentar, são hábitos importantes que ajudam a evitar cânceres agressivos e de difícil tratamento. A unidade básica de saúde é o serviço de referência para a vacinação e tem um papel fundamental na prevenção de diversas doenças. RELEMBRANDO Os fatores de risco não modificáveis do câncer são: ● idade; ● sexo biológico; ● hereditariedade. Os fatores de risco modificáveis do câncer são: ● tabagismo; ● obesidade; ● dieta; ● inatividade física; ● consumo de bebidas alcóolicas; ● exposição ao sol; ● agentes infecciosos. 58 Para aprofundar os seus conhecimentos sobre a epidemiologia do câncer, não deixe de conferir os outros materiais didáticos deste módulo! Assista à teleaula, navegue na aula interativa, realize as atividades avaliativas autoinstrucionais e confira os materiais complementares! Dica! 59 https://portal.fiocruz.br/video/o-uso-da-categoria-territorio-na-saude 07 FINALIZANDO Nesta disciplina foram apresentados os principais conceitos sobre saúde pública e epidemiologia do câncer. O objetivo foi apresentar a importância de conhecer os números de casos, a incidência e a mortalidade no Brasil, para informar e apoiar nas estratégias de prevenção ao câncer. Como falamos, o câncer pode ocorrer de forma mais frequente durante o envelhecimento, mas hábitos de vida não saudáveis podem antecipar essa incidência e impactar pessoas mais jovens, provocando mortes prematuras. A melhor forma de diminuir as mortes prematuras está na prevenção e no diagnóstico precoce. 61 63 A Atenção Primária à Saúde (APS) configura-se como o espaço privilegiado para o desenvolvimento de ações integrais, contínuas e resolutivas, articulando promoção, prevenção, tratamento e reabilitação, e estruturando-se como base da Rede de Atenção à Saúde. Ao revisitar os princípios da PNAB e refletir sobre a organização do processo de trabalho na APS, reafirmamos a importância da construção de vínculos, da responsabilização pelas populações e da atuação territorializada e interprofissional. Estratégias como a ampliação das Equipes de Saúde da Família e o fortalecimento das Equipes Multiprofissionais consolidam avanços que impactam diretamente a qualidade do cuidado prestado. 62 O reconhecimento da APS na detecção precoce e no cuidado integral das pessoas com câncer reforça a necessidade de qualificarmos continuamente nossas práticas. Assim, ao concluirmos este primeiro módulo, esperamos que a reflexão proposta fortaleça o compromisso de cada profissional com a construção de uma APS mais forte, resolutiva e acolhedora, capaz de enfrentar os desafios da oncologia e de promover saúde com equidade e integralidade. 63 08 REFERÊNCIAS ASSOCIAÇÃO AMERICANA DE PESQUISA SOBRE O CÂNCER (AACR). Cancer Progress Report 2024. 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