Prévia do material em texto
NUTRIÇÃO CLÍN. NAS DOENÇAS CRÍTIC. E ÓRGÃOS ANEXOS PATOLOGIAS DAS GLÂNDULAS ANEXAS DOENÇAS HEPÁTICAS @dra_anete_mecenas HEPATOPATIAS Icterícia: É uma síndrome caracterizada pela impregnação generalizada da pele e mucosas por pigmentos biliares (bilirrubina). Bilirrubina: Principal pigmento biliar confere a coloração esverdeada à bile ICTERÍCIAS Causas Hiper hemólise; má-formação congênita dos glóbulos vermelhos; fatores tóxicos, infecciosos e imunológicos; defeitos na conjugação, colestase intra e extra-hepática. Causas de colestase Colestase intra-hepática: hepatite viral, hepatite por drogas, hepatite alcoólica, cirrose biliar primária e gravidez; Colestase extra-hepática: litíase, ca da via biliar, ca de cabeça de pâncreas, lesão da via biliar. ICTERÍCIAS Quadro clínico: Pele e mucosas amareladas, prurido, colúria, hipocolia ou acolia Laboratorial: Hiperbilirrubinemia, fosfatase alcalina alta, colesterol alto, alto a moderado transaminases Histológico: Impregnação das estruturas hepáticas por precipitados biliares. BIOQUÍMICA DA FUNÇÃO HEPÁTICA Excreção hepática: Bilirrubina sérica (Bb) total pode indicar produção excessiva de Bd ou defeito na captação ou conjugação hepática Bilirrubina sérica indireta ou não conjugada principalmente, com a produção excessiva de Bb(hemólise) Bilirrubina sérica direta ou conjugada na excreção diminuída de Bb, doença hepatobiliar, colestase intra ou extra-hepática. Padrão obstrutivo Bb total = Bb direta + Bb indireta BIOQUÍMICA DA FUNÇÃO HEPÁTICA BIOQUÍMICA DA FUNÇÃO HEPÁTICA Teste colestático: Fosfatase alcalina sérica Níveis aumentados sugerem colestase, mas podem aumentar com distúrbios ósseos, gravidez, algumas malignidades. Gama-glutamil transferase ou transpeptidase (GGT) Hepatócitos ; também presente nos rins, pâncreas, coração, cérebro Aumenta com hepatopatia, como também após infarto do miocárdio, doença neuromuscular, doença pancreática, doenças biliares, doença pulmonar, diabetes e ingestão de álcool. BIOQUÍMICA DA FUNÇÃO HEPÁTICA Proteínas Hepáticas: Albumina sérica - diminui da síntese na disfunção hepática Globulina sérica - Pode aumentar com a hepatopatia crônica DOENÇAS HEPÁTICAS Podem ser devidas a lesões no parênquima hepático provocadas por agentes químicos, virais, farmacológicos ou outros compostos tóxicos que alteram a estrutura e função dos hepatócitos. DOENÇAS HEPÁTICAS Agudas Destruição dos hepatócitos = Função hepática mantida Crônica Diminuição do número de hepatócitos + alteração na micro circulação hepática: Troca dificultada entre os hepatócitos e o sangue que perfunde o fígado. LESÃO DO ÓRGÃO: ALTERAÇÃO DA CIRCULAÇÃO = FIBROSE HEPATITES Inflamação disseminada do fígado. Infecções virais: causas mais comuns desta doença. Vírus A, B, C, D, E, F e G. Podem ter manifestação aguda (logo após o contato com o agente viral, com completa recuperação em menos de seis meses) OU Os vírus dos tipos VHB e VHC tendem a ser mais severos, evoluindo para doença crônica = cirrose hepática, com danos permanentes no fígado e até mesmo evoluindo para câncer hepático. HEPATITES Causas menos frequentes: citomegalovírus, vírus do herpes simples e o vírus da mononucleose infecciosa. Outros agentes não virais - bactérias, excesso de álcool, efeitos (medicamentos e ilícitas) e, ainda fatores auto-imunes. colaterais de drogas HEPATITES Tratamento Conduta nutricional Atendimento às necessidades nutricionais; Hidratação = em presença de náuseas e vômitos; Maior fracionamento, redução do volume, alteração da consistência, alimentos apetitosos, sem omitir temperos, considerando a anorexia; Dieta restrita em gordura = sintomas dispépticos intensos DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA Formas: Esteatose hepática, esteato-hepatite alcoólica, Hepatite alcóolica aguda, Cirrose alcóolica Fatores que aumentam a susceptibilidade: Ingestão alcóolica prolongada (15 a 20 anos) ou esporádica de grande quantidade de álcool Ingerir bebidas alcóolicas sem alimentos ou bebidas alcóolicas com alta concentração de etanol (cachaça, uísque, absinto) ou bebidas alcóolicas diferentes Fatores genéticos e Sexo feminino (mais suscetível) DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA Desnutrição no Alcoolista ou etilista: Álcool (C2H5OH) substitui o alimento Caloria vazia = 7,1 kcal/g, Digestão e absorção prejudicada (B1, B12, ácido fólico, Zn, aas), Metabolismo alterado (Zn, vitaminas A e D, folato, piridoxina, tiamina, Mg, P, Se) DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA Teor alcoólico nas bebidas: Fermentadas Cerveja nos mercados 4,5 a 5,5%, Vinhos 12% Champagne 11% Destilados cachaça (aguardente), vodca, tequila, rum (pode chegar a 88%), whisky, licor, gim , conhaque 40% absinto pode chegar a 90% DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA Como calcular a quantidade de álcool? CALCULANDO UMA DOSE (g) = quantidade de bebida(em mL) x concentração alcoólica(em % ou ºGL) x 0,8*. (*) densidade do álcool : 0,8g/mL Sabendo que: Densidade é a massa dividida pelo volume: d=m/v Ex: Vinho tinto (UMA TAÇA) Volume: 150 ml/Teor alcoólico: 12% ou 12 ºGL Quantidade de álcool (volume x teor alcoólico): 150 x 12% = 18 ml Gramas de álcool (volume de álcool x 0,8): 18 x 0,8 = 14,4 gramas DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA Dose recomendada de álcool que causa malefícios à saúde Mulher - 1 dose Homem 2 doses 1 dose equivale a 12 a 14g de álcool: 350ml (5%) de cerveja 150ml (12%) de vinho 40ml (40%) de whisky DOENÇA HEPÁTICA ALCÓOLICA CIRROSE HEPÁTICA Cirrose = produto final da agressão crônica Características da cirrose: Destruição dos hepatócitos Substituição do tecido hepático por fibrose Formação nodular difusa Perda funcional dos hepatócitos Desorganização da arquitetura do parênquima hepático CIRROSE HEPÁTICA Cirrose = produto final da agressão crônica Características da cirrose: Destruição dos hepatócitos Substituição do tecido hepático por fibrose Formação nodular difusa Perda funcional dos hepatócitos Desorganização da arquitetura do parênquima hepático CIRROSE HEPÁTICA CIRROSE HEPÁTICA Classificação: TIPOS Metabólicas (erros congênitos do metabolismo) Virais (B e C) Alcoólica (Ingestão por 5-10 anos: 80/60g etanol/dia) Induzida por fármacos (Metotrexato, Isoniazida, metildopa) Auto-imune (conseqüente a hepatite ou colangite auto-imune) Biliares (processo final de doenças que acometem árvore biliar) Criptogênicas ou idiopáticas (10 a 15%: etiologia indeterminada) CIRROSE HEPÁTICA Manifestações clínicas e complicações: 1) Hipertensão Portal (aumento crônico da pressão venosa no território portal) Varizes esofagianas (sendo a hemorragia provocada por esta condição a mais comum complicação) Ascite Hepatoesplenomegalia Rede venosa visível na parede abdominal (“cabeça de medusa”) CIRROSE HEPÁTICA Ascite CIRROSE HEPÁTICA Manifestações clínicas e complicações: 2) Encefalopatia hepática É uma manifestação de doenças no fígado, aonde há um excesso de produtos tóxicos provenientes da alimentação e do próprio fígado, que deveria eliminá-las = alterações neuropsíquicas de origem metabólica A encefalopatia surge quando o fígado torna-se incapaz de eliminar ou transformar esses produtos tóxicos pela destruição das suas células, acometendo o SNC. CIRROSE HEPÁTICA 2) Encefalopatia hepática Causas Paracenteses, diarréia e vômitos incoercíveis, Uso de diuréticos = desequilíbrio hidroeletrolíticos Diminuição da função dos hepatócitos: Diminuição da Detoxificação hepática, aumento de toxinas na circulação sistêmica, anormalidades metabólicas no SNC Ingestão proteica excessiva/ sangramento GI, aumento de Substâncias nitrogenadas = amônia Fígado doente não transforma amônia em uréia, o que gera o acúmulo de amônia na corrente sanguínea = toxicidade ao SNC. CIRROSE HEPÁTICA 2) Encefalopatia hepática Causas d) * Aumento do Níveis de metionina, glutamina, asparagina e histidina e de aminoácidosde cadeia aromática (AACA - tirosina, fenilalanina e triptofano) - importante Diminução dos Níveis de aminoácidos de cadeia ramificada (AACR - valina, leucina e isoleucina), produção de falsos neurotransmissores (octopamina, feniletanolamina) CIRROSE HEPÁTICA 2) Encefalopatia hepática Causas d) * Aumento do Níveis de metionina, glutamina, asparagina e histidina e de aminoácidos de cadeia aromática (AACA - tirosina, fenilalanina e triptofano) - importante Diminução dos Níveis de aminoácidos de cadeia ramificada (AACR - valina, leucina e isoleucina), produção de falsos neurotransmissores (octopamina, feniletanolamina) CIRROSE HEPÁTICA 2) Encefalopatia hepática MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS DA ENCEFALOPATIA HEPÁTICA CIRROSE HEPÁTICA Tratamento Nutricional Observações (Chemin): Encefalopatia graus I e II: 10 a 30g de ptn animal e o restante vegetal (rica em AACR) até atingir 1-1,5 g/kg/dia Encefalopatia graus III e IV: enteral exclusiva rica em AACR na proporção 3:1 (AACR:AAA), pacientes em NPT administrar 2 frascos de solução intravenosa de AACR por dia (40g de aas por frasco) 0,5/kg de peso Utilizar suplementos orais com soluções ricas em AACR ou com leite de soja em pacientes que apresentem encefalopatia CIRROSE HEPÁTICA Tratamento Nutricional Dietas com ptn vegetal (menos histidina, menos amoniogênicas e maisricas em AACR) e caseína (mais AACR e menos AACA) melhoram o estadomental comparadas à carne. Alto teor de fibras (insolúveis) é benéfico por aumentar a excreção de compostos nitrogenados A restrição de lipídeos tende a agravar a DPC. Únicas exceções pacientescolestáticos (TCM, fontes: gordura do coco, óleo de babaçu, ou soluções de TCM) Dieta hipossódica que permite a adição de 2 g de sal de cozinha ao alimento após preparo CIRROSE HEPÁTICA Tratamento Nutricional Fontes de AACR Frutas: maçã, mamão, manga, banana, abacate e goiaba Legumes: brócolis, couve-flor, pepino, abóbora, rabanete, cebola, batata, espinafre, alface, rabanete, berinjela, nabo, palmito, tomate, milho Leguminosas: soja, grão de bico, lentilha e feijão Leite: leite de ovelha, cabra e extrato solúvel de soja Carnes: miúdos de carneiro, peixe congelado, camarão e lagosta CIRROSE HEPÁTICA Tratamento Nutricional Energia A maioria dos cirróticos é normometabólico, especialmente os com doença terminal. Em geral os pacientes em estágio terminal sem ascite apresentam 120 a140% do GEB. Fórmula de bolso 25 35 kcal/kg peso (krause & Cuppari) 25 30** kcal/kg peso (Dan) Os percentuais devem ser distribuídos normalmente entre os macronutrientes ** 30 seria a média e mais coerente CIRROSE HEPÁTICA Tratamento Nutricional Energia A maioria dos cirróticos é normometabólico, especialmente os com doença terminal. Em geral os pacientes em estágio terminal sem ascite apresentam 120 a140% do GEB. Fórmula de bolso 25 35 kcal/kg peso (krause & Cuppari) 25 30** kcal/kg peso (Dan) Os percentuais devem ser distribuídos normalmente entre os macronutrientes ** 30 seria a média e mais coerente CIRROSE HEPÁTICA Carboidratos Podem compor de 50 a 60% do VET Preferir CHO complexos, mas os simples podem ser usados desde que a glicemia esteja controlada (a maioria dos cirróticos apresenta resistência à insulina). Proteínas (Cuppari) Pacientes estáveis= 0,8 a 1,0 g/kg PA ou PI/dia Para melhor retenção N2 = 1,2 1,8 g/kg peso/dia Não se recomenda mais restrição protéica para profilaxia de encefalopatia. A maioria dos pacientes tolera bem até 1,75 g/kg peso/dia CIRROSE HEPÁTICA Peso para cálculo: Deve ser o peso seco (Krause) O peso utilizado não deve ser o seco e sim o atual (na ausência de ascite) ou o ideal na presença de ascite**. (Dan & Cuppari), já que o peso seco pode subestimar as necessidades calóricas. NÃO utilizar Harris Benedict devido a elevada margem de erro para esses pacientes. (Cuppari) ** é o mais coerente, uma vez que a maioria é desnutrida DOENÇAS HEREDITÁRIAS Hemocromatose Doença autossômica recessiva hemoglobinopatias (> destruição de hemácias), pode não ser hereditária = suplementação de ferro Fisiopatologia Sobrecarga de Fe ( indivíduos conseguem armazenar 20-40g de Fe comparados a 0,3 - 0,8g em indivíduos normais) DOENÇAS HEREDITÁRIAS Hemocromatose Sinais e sintomas Hepatomegalia, varizes de esôfago, ascite, síntese hepática prejudicada, pigmentação anormal da pele, intolerância à glicose, comprometimento cardíaco , hipogonadismo. Tratamento Restrição de Fe, flebotomia (se iniciada antes do aparecimento de cirrose, promove expectativa de vida normal) DOENÇAS HEREDITÁRIAS Doença de Wilson autossômica recessiva deficiência de uma enzima ATPase que secreta cobre na bile Fisiopatologia Acúmulo de cobre devido à excreção biliar prejudicada (a bile é a maior forma de excretar cobre) em tecidos como: fígado, cérebro, córnea e rins. Sinais e sintomas Baixos níveis séricos de ceruloplasmina , anel de Kayser-Fleischer, sinais neurológicos podem ser a manifestação mais precoce Anel de Kayser-Fleischer Tratamento usar agentes quelantes de cobre ( acetato de zinco), a suplementação com zinco diminui a absorção do cobre., dieta pobre em cobre, transplante hepático é necessário ALIMENTOS QUE CONTÊM COBRE Alta concentração: Carnes: cordeiro, porco, codorna, pato, vísceras, frutos do mar, moluscos bivalves,(duas conchas mexilhão), caranguejos, mocotó, soja, oleaginosas e sementes Gorduras e óleos: abacate Chocolate, cacau e leite de soja Feijões secos, gérmen de trigo, pães e cereais de farelo, batata doce, produtos com mais de 0,2 mg de cobre Vegetais: cogumelos Frutas: nectarinas, frutas secas (só são permitidas se secas em casa); figo( agrotóxicos = sulfato de cobre) Sobremesas: que contenham qualquer alimento com alto teor de Cu Variados: cerveja, bebidas de café da manhã instantâneas, água mineral, álcool ALIMENTOS QUE CONTÊM COBRE Moderada concentração: Carnes: todos os peixes carne escura, carne bovina Pasta de amendoim, Gorduras e óleos: azeitona e creme de leite Leite Amido: pão de trigo integral, batatas, abóbora, ervilhas verdes, aveia instantânea, cereais com 0,1 a 0,2 mg de Cu por porção, sopas desidratadas Vegetais: broto de feijão, beterraba, espinafre, suco de tomate e outros produtos de tomate, aspargo Frutas: manga, pêras, abacaxi e papaya Variados: alcaçuz, xaropes, ketchup, bebidas de cereais ALIMENTOS QUE CONTÊM COBRE Baixa concentração: Carnes:, queijos, carne de peru clara, todas as outras carnes Gorduras e óleos: manteiga, margarina, maionese, óleos, cremes azedos, molhos de salada Leite: todos os produtos lácteos Amido: pães e macarrão de farinha refinada, arroz, aveia regular, cereais com menos de 0,1 mg por porção, todos os outros não relacionados anteriormente Vegetais: todos os outros inclusive tomates frescos Frutas: todas as outras Variados: todos os outros, inclusive geléias, gelatinas, doces feitos com frutas permitidas, bebidas com sabor de frutas, limonada TRANSPLANTE HEPÁTICO Indicação candidatos ao transplante Albuminemia 5 s acima do controle) (3 pontos) Encefalopatia hepática (3 pontos) Ascite refratária ao tratamento clínico Hemorragias digestivas de repetição Síndrome hepatorrenal Episódios de peritonite bacteriana espontânea Bilirrubina > 10 a 15 mg/dl (crônica) e > 20 mg/dl (aguda) ( 3 pontos) Sepse biliar Total de pontos : 12 pontos TRANSPLANTE HEPÁTICO Contra - indicações absolutas: presença de infecção ativa ou sepse, tumores hepatobiliares com metástase e doença cardiopulmonar avançada Contra - indicações relativas: pacientes portadores de cirrose alcóolica ativos, uso abusivo de drogas, pacientes HIV+, e pacientes portadores de vírus B e C, IRC avançada TRANSPLANTE HEPÁTICO Contra - indicações absolutas: presença de infecção ativa ou sepse, tumores hepatobiliares com metástase e doença cardiopulmonar avançada Contra - indicações relativas:pacientes portadores de cirrose alcóolica ativos, uso abusivo de drogas, pacientes HIV+, e pacientes portadores de vírus B e C, IRC avançada TRANSPLANTE HEPÁTICO Cuidado Nutricional Pré operatório: avaliar EN de rotina (avaliar risco de DEP). Objetivos da avaliação nutricional: Identificar indivíduos subnutridos ou em risco Definir tipo de terapia nutricional a que os pacientes devem se submeter Determinar tempo de manutenção da terapia nutricional Avaliar a eficiência do cuidado nutricional Melhorar o EN do paciente TRANSPLANTE HEPÁTICO Parâmetros de avaliação nutricional: Exame físico (edema, ascite, sinais de deficiências nutricionais como dermatites por deficiência de zinco ou AGE, pelagra por deficiência de niacina) Estimativa do BN é útil TRANSPLANTE HEPÁTICO Cuidado Nutricional: Terapia Nutricional Caso o paciente não aceite a dieta oral pode ser passado uma sonda e em casos extremos fazer ostomias (difícil por conta da ascite) Pacientes obesos = maior risco perda de peso no período pré operatório NUTRIÇÃO CLÍN. NAS DOENÇAS CRÍTIC. E ÓRGÃOS ANEXOS PATOLOGIAS DAS GLÂNDULAS ANEXAS DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA A doença hepática gordurosa não alcoólica (DHGNA) é uma doença complexa e multifatorial, que resulta da interação de fatores genéticos, ambientais, metabólicos e inflamatórios. É caracterizada pela deposição de triglicerídeos no fígado e por ausência de ingestão significativa de álcool (menor que 20 g/dia em mulheres e 30 g/dia em homens). De acordo com a American Association for the Study of Liver Diseases (AASLD), esses valores são 28 g/dia para mulheres e 42 g/dia para homens. DOENÇA HEPÁTICA GORDUROSA NÃO ALCOÓLICA DHGNA compreende um amplo espectro histológico, que pode ir desde a simples esteatose (≥ 5% de gordura hepática sem evidência de lesão hepatocelular) à esteato-hepatite (EHNA) (≥ 5% de gordura hepática, inflamação e lesão hepatocelular, com ou sem fibrose hepática), e evoluir para cirrose e até carcinoma hepatocelular. Além do álcool, é importante excluir também outras causas secundárias de esteatose hepática, tais como fármacos (amiodarona, corticosteroides, valproato, tamoxifeno, metotrexato, antirretrovirais) e exposição ambiental a hepatotoxinas, esteroides anabolizantes, perda ponderal acentuada, outras doenças hepáticas (genótipo 3 da hepatite C, doença de Wilson), lipodistrofia, NP, inanição etc. EPIDEMIOLOGIA Estudos epidemiológicos têm revelado que a DHGNA é um problema de saúde pública mundial. Atualmente, é considerada a hepatopatia crônica mais comum no mundo ocidental, podendo alcançar 30% da população. No Brasil, o perfil de pacientes com DHGNA, oriundos de 16 centros médicos espalhados pelo país, evidenciou que 88% deles tinham sobrepeso ou obesidade, 44,7% tinham DM e 66,8% apresentavam dislipidemia. A análise de biopsias hepáticas de 437 pacientes desse grupo mostrou a frequência de 42, 31 e 27% de esteatose, esteato-hepatite e esteato- hepatite com fibrose, respectivamente, sendo a prevalência de DHGNA maior nos homens. EPIDEMIOLOGIA Nas mulheres, a incidência de DHGNA parece aumentar com a idade, o que pode estar relacionado com alterações hormonais e síndrome dos ovários policísticos. A prevalência de DHGNA em crianças e adolescentes vem acompanhando o aumento da obesidade nessa população. Deve-se ressaltar que a maior parte dessas crianças e adolescentes irá tornar-se adultos obesos, com risco de progressão para os estágios mais avançados de DHGNA. A causa exata não está clara, mas pode-se afirmar que não é a mesma em todos os pacientes. Embora esteja muito associada a RI, obesidade e SM, nem todos os pacientes com essas condições evoluem para DHGNA/EHNA. EPIDEMIOLOGIA Os principais fatores de risco para DHGNA que já apresentam associação bem estabelecida são: obesidade, resistência à insulina (RI), DM, síndrome metabólica (SM) e síndrome dos ovários policísticos. A causa exata não está clara, mas pode-se afirmar que não é a mesma em todos os pacientes. Embora esteja muito associada a RI, obesidade e SM, nem todos os pacientes com essas condições evoluem para DHGNA/EHNA PATOGÊNESE Lipólise no tecido adiposo associada à resistência à insulina: A RI é um dos elementos centrais no desenvolvimento da DHGNA e tem como consequências aumento da lipólise no tecido adiposo, aumento da gliconeogênese e glicogenólise hepática e redução da captação de glicose no músculo estriado. A RI resulta na falha da lipase hormônio-sensível em bloquear a lipólise periférica no tecido adiposo, que permanece ativa e libera grande quantidade de ácidos graxos livres (AGL) na circulação, cujo excesso é captado pelo fígado. Estima-se que 60% dos ácidos graxos que chegam ao fígado sejam provenientes do tecido adiposo. Os ácidos graxos presentes no fígado são provenientes de três fontes, descritas a seguir. PATOGÊNESE Os ácidos graxos no fígado podem seguir três diferentes destinos: betaoxidação mitocondrial, exportação como VLDL e acúmulo na forma de triglicerídeos Os triglicerídeos são, normalmente, retirados do fígado pela VLDL, que é formada pela proteína de transferência de triglicerídeos microssomal (MTP), a qual os incorpora à apolipoproteína B. O hiperinsulinismo pode diminuir a exportação via VLDL, uma vez que a insulina reduz a síntese e a estabilidade da apolipoproteína B, favorecendo o acúmulo de triglicerídeos nos hepatócitos PATOGÊNESE Lipogênese de novo: O segundo mecanismo associado ao acúmulo de gordura no fígado é a síntese de novo de ácidos graxos. Trata-se do processo no qual o excesso de carboidrato simples da dieta é convertido em ácidos graxos, os quais, posteriormente, são esterificados para formar triglicerídeos. Em pacientes com DHGNA, a lipogênese de novo contribui com cerca de 25% de AGL no fígado, além de inibi a oxidação de ácidos graxos de qualquer origem. O excesso de carboidrato da dieta e o hiperinsulinismo ativam fatores de transcrição envolvidos na lipogênese de novo, de transformar carbonos de carboidratos em lipídios. PATOGÊNESE Lipídios da dieta: A gordura proveniente da dieta pode contribuir com cerca de 15% dos triglicerídeos acumulados no fígado. Segundo estudo realizadoem pacientes com DHGNA, os níveis plasmáticos de ácidos graxos saturados se correlacionaram positivamente ao risco de DHGNA, enquanto níveis plasmáticos de ácido docosaexaenoico (DHA) se correlacionaram negativamente. Ademais, a qualidade da dieta pode contribuir para a lipogênese hepática e a resistência à insulina. INFLUÊNCIA DA FLORA MICROBIANA A flora bacteriana intestinal exerce diversas funções metabólicas, dentre elas o desenvolvimento e a modulação do sistema imune. As alterações tanto na barreira intestinal quanto na composição da flora podem estar relacionadas com o desenvolvimento e a progressão da DHGNA. Existe uma inter-relação anatômica, funcional e bidirecional do intestino com o fígado. Este recebe sangue continuamente daquele pela circulação enteroportal. Por outro lado, os ácidos biliares produzidos pelos hepatócitos são liberados no intestino por meio do trato biliar. O fígado é, portanto, a primeira linha de defesa contra antígenos derivados do intestino e é o primeiro órgão-alvo quando existe alteração da permeabilidade intestinal. INFLUÊNCIA DA FLORA MICROBIANA Dentre os fatores implicados na alteração da permeabilidade intestinal, estão: alergias alimentares, deficiências nutricionais, uso de medicações, álcool, infecções intestinais, obesidade (devido ao seu caráter inflamatório e às comorbidades associadas) e dieta rica em gordura e frutose. O desequilíbrio no eixo intestino-fígado tem como consequências principais o aumento da absorção de endotoxinas e a resultante ativação das células de Kupffer(macrófagos) e das células estreladas, além da ativação de citocinas proinflamatórias por meio da liberação de lipopolissacarídios INFLUÊNCIA GENÉTICA Há evidências de que polimorfismos genéticos estejam associados à esteatose e à progressão para EHNA, ressaltando-se que a DHGNA pode acontecer na ausência da SM. Variantes em genes implicados no acúmulo de gordura hepática, na produção de adipocinas e citocinas, na gênese da fibrose e no estresse oxidativo podem estar envolvidas na etiopatogenia da DHGNA. Esses polimorfismos genéticos ilustram casos de DHGNA que ocorrem na ausência de SM. DIAGNÓSTICO Somente a biopsia hepática é capaz de detectar a EHNA. A elevação de aminotransferases varia de 2 a 5 vezes o limite da normalidade e, em geral, ocorre mais frequentemente na EHNA do que na esteatose simples. Por outro lado, dosagens repetidamente normais de aminotransferases não excluem o diagnóstico de DHGNA e nem mesmo de estágios mais avançados de fibrose. A US é o método mais utilizado para avaliar a presença de esteatose, por ser mais acessível e de menor custo. O diagnóstico pela US ocorre, muitas vezes, de maneira acidental, quando o indivíduo realiza o exame por outros motivos. O diagnóstico de esteatose é baseado em aumento da ecogenicidade do fígado em relação à do baço e dos rins, e redução da visualização do lúmen de veias hepáticas e do diafragma AVALIAÇÃO NUTRICIONAL Não existem pontos de corte específicos de IMC e perímetro da cintura, parâmetros mais acessíveis na prática clínica, que sejam capazes de triar indivíduos em risco de DHGNA. Os valores de referência utilizados para a população geral, que identificam aumento do risco cardiovascular e de doenças crônicas, devem ser utilizados para diagnóstico e monitoramento do estado nutricional. Os pacientes devem ser monitorados periodicamente para avaliação da perda ponderal, já que esta apresenta eficácia comprovada no tratamento da DHGNA. TRATAMENTO CLÍNICO Como a DHGNA está associada, na maioria dos casos, ao excesso de peso e a outras características da SM, a mudança no estilo de vida (reeducação alimentar e exercícios físicos) é considerada como tratamento de primeira linha, abrangendo perda de peso, prática de atividade física e terapia comportamental. Além disso, a terapia medicamentosa, principalmente os sensibilizadores de insulina, antioxidantes e agentes citoprotetores, pode ser potencial estratégia no tratamento TRATAMENTO NUTRICIONAL A perda de peso, alcançada por dieta hipocalórica isoladamente ou em conjunto com atividade física, reduz a esteatose hepática. A perda entre 3 e 5% do peso corporal parece ser necessária para haver melhora da esteatose, mas até 10% de perda podem ser necessários para melhora da necroinflamação. A restrição de 500 a 1.000 kcal/dia associada à prática de exercícios de moderada intensidade é sugerida para a promoção da perda de peso. TRATAMENTO NUTRICIONAL Atualmente, o guideline da Espen (2020) traz orientações específicas para pacientes com esteatohepatite não alcoólica com sobrepeso ou obesidade, ressaltando que a perda de peso e a atividade física são os tratamentos de primeira linha. No entanto, orienta que a perda de peso seja entre 7 a 10% do peso atual para melhora da esteatose e das enzimas hepáticas e acima de 10% para melhora do grau de fibrose. Além disso, aconselha que o plano alimentar atenda aos princípios da dieta mediterrânea e que esta seja hipocalórica TRATAMENTO NUTRICIONAL Carboidratos: hipo a normo (até 55% do VET) Complexos! Proteínas: normo a hiper (a partir de 1,0g/kg de peso e/ou 15% do VET) Lipídios: normo a hiper (a partir de 25% do VET) Saturados: até 7%; Poli-insaturados: até 10%, sendo ômega-3 2g/dia; Monoinsaturados: