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UNIVERSIDADE NOVE DE JULHO – UNINOVE CURSO DE DIREITO Jussara Araruna Rocha RA: 1626200409 Jenifer de Lima Pereira RA: 1626200341 Norma Isolda Cubillos Patino RA: 1626200330 Bruno Henrique Batista de Abreu RA: 1626200403 Verusca Ribeiro Santos de Camargo RA: 1626200318 Ana Carolina Alves F. dos Santos - RA: 1626200048 Processo Legislativo - Direito Constitucional Mauá, 22 de Outubro de 2026 1. Identificação dos problemas jurídicos O problema jurídico está em identificar se o projeto de lei foi apresentado pela autoridade competente e se a matéria pode ser tratada por meio de lei ordinária. Para isso, é necessário verificar a existência de eventual vício formal de iniciativa, relacionado a quem pode propor o projeto, ou de inadequação da espécie legislativa, caso a matéria exija outro instrumento normativo. Ato contínuo, é necessário analisar se o processo legislativo seguiu o procedimento constitucional adequado, verificando a aprovação do projeto pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal. Caso o Senado tenha realizado alterações, deve-se verificar se o projeto foi encaminhado novamente à Casa iniciadora para a apreciação dessas modificações. Por fim, após a conclusão da tramitação no Congresso Nacional, é necessário analisar quais são as competências do Presidente da República diante do projeto recebido, especialmente quanto à sanção ou ao veto, bem como os procedimentos que devem ser observados caso o veto seja apresentado e posteriormente apreciado pelo Congresso Nacional. Também é necessário verificar se a rejeição do veto e a posterior promulgação da lei seriam suficientes para sanar eventual inconstitucionalidade decorrente da iniciativa legislativa. 2. Indicação dos dispositivos constitucionais aplicáveis Para solucionar as questões apresentadas, aplicam-se os seguintes dispositivos da Constituição Federal de 1988: Art. 61, § 1º, II, “e”: trata da iniciativa privativa do Presidente da República em relação à criação e à extinção de ministérios e órgãos da Administração Pública, observadas as ressalvas constitucionais. Art. 65, parágrafo único: determina que o projeto emendado pela Casa revisora retorne à Casa iniciadora. Art.66: Indica quem deve ser o responsável por encaminhar o projeto de lei para sanção do Presidente da República. Art. 66, § 1º: disciplina o veto presidencial total ou parcial, por inconstitucionalidade ou contrariedade ao interesse público, estabelecendo o prazo de 15 dias úteis e a comunicação dos motivos em 48 horas. Art. 66, § 4º: estabelece o quórum de maioria absoluta dos Deputados e dos Senadores para a rejeição do veto, em sessão conjunta. Art. 66, § 5º: determina o encaminhamento do projeto para promulgação após a rejeição do veto. Art. 66, § 7º: estabelece a competência para promulgação caso o Presidente da República e, sucessivamente, o Presidente do Senado não a realizem nos prazos previstos. Aplicação da Norma aos Fatos 1. Iniciativa - Fato: Um deputado federal apresentou um projeto de lei ordinária para reorganizar órgãos da Administração Pública federal, criar atribuições para ministérios e gerar despesas. - Norma: O artigo 61, § 1º, inciso II, alíneas "b" e "e" da CRFB/88 estabelece que leis que versem sobre a criação, estruturação e atribuições de Ministérios e órgãos da administração pública são de iniciativa privativa do Presidente da República. - Aplicação: O projeto possui uma inconstitucionalidade formal subjetiva (vício de iniciativa). Um parlamentar não pode propor leis sobre essa matéria. 2. Emendas * Fato: A Câmara aprovou, o Senado fez alterações substanciais e a Câmara manteve parte delas. * Norma: O artigo 65 da CRFB/88 dita o rito bicameral. Além disso, o artigo 63, inciso I, proíbe expressamente o aumento de despesa previsto nos projetos de iniciativa exclusiva do Presidente. * Aplicação: Embora a Câmara tenha o direito de aceitar ou rejeitar as emendas do Senado (casa revisora), as alterações feitas pelo Legislativo em matéria administrativa continuam inválidas, pois emendas parlamentares não podem sanar o vício de iniciativa original nem aumentar despesas em projetos dessa natureza. 3. Veto - Fato: O Presidente da República vetou integralmente o projeto por considerá-lo inconstitucional. - Norma: O artigo 66, § 1º da CRFB/88 confere ao Chefe do Executivo o poder de veto se considerar o projeto inconstitucional (veto jurídico) ou contrário ao interesse público (veto político). - Aplicação: O Presidente agiu de forma estritamente correta e legítima, exercendo o veto jurídico para conter a flagrante usurpação de sua competência privativa 4. Rejeição do Veto e Promulgação - Fato: O Congresso Nacional decidiu rejeitar o veto. - Norma: O artigo 66, § 4º permite a derrubada do veto pela maioria absoluta de deputados e senadores. Conforme o § 7º do mesmo artigo, se o veto for rejeitado, o projeto é enviado ao Presidente para promulgação em 48 horas (se ele não o fizer, cabe ao Presidente do Senado e, supletivamente, ao Vice-Presidente do Senado). - Aplicação: O Congresso tem a prerrogativa política de rejeitar o veto, mas a derrubada do veto não valida uma lei inconstitucional. Uma vez promulgada e publicada, essa lei nascerá eivada de nulidade e poderá ser imediatamente alvo de uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) perante o Supremo Tribunal Federal (STF). CONCLUSÃO 1. Vício de Iniciativa - O erro do Deputado Federal: Projetos de lei que reorganizam órgãos da Administração Pública Federal, criam atribuições para ministérios ou geram novas despesas administrativas são de iniciativa exclusiva do Presidente da República (Art. 61, § 1º, II, alíneas "b" e "e" da Constituição Federal de 1988). - Usurpação de competência: Ao propor essa matéria, o deputado invadiu a competência do Poder Executivo, violando o princípio da Separação dos Poderes. 2. Tramitação e Emendas -A tramitação seguiu o rito formal regular (Art. 65 da CF/88), passando pela Câmara (Casa Iniciadora) e recebendo emendas do Senado (Casa Revisora). Porém, o bom andamento do rito legislativo não corrige o erro constitucional de origem. 3. O Veto e a Rejeição pelo Congresso - Veto Jurídico: O Presidente da República agiu corretamente ao vetar integralmente o projeto com base em sua inconstitucionalidade (Art. 66, § 1º da CF/88). - Derrubada do Veto: O Congresso Nacional tem a prerrogativa política de rejeitar o veto (Art. 66, § 4º da CF/88). No entanto, o controle de constitucionalidade exercido pelo Congresso ao derrubar o veto é político e não barra a análise técnica do Poder Judiciário. 4. Promulgação e Efeitos Futuros - Inexistência de convalidação: Segundo a jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal (STF), nem a sanção presidencial e nem a derrubada de um veto pelo Congresso têm o poder de sanar (corrigir) um vício de iniciativa. - Resultado Final: O projeto será promulgado e se tornará lei (Art. 66, § 7º da CF/88), mas nascerá nulo perante a Constituição.