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1 2 DOSSIÊ POR: .....................................04 ....................................03Resumo Introdução ....................................10 ..................................07Capítulo 1 Capítulo 2 ......................................13Capítulo 3 ....................................17 ...................................15Capítulo 4 Capítulo 5 ....................................19Conclusões Ricardo Carvalho Orlando Lima 3 A elevada produção de grãos no Brasil vem pressionando a demanda por soluções de armazenagem. Em que pesem iniciativas tanto em âmbito privado quanto em termos de políticas públicas, a diferença entre a capacidade ideal de armaze- nagem e a efetivamente existente segue aumentando nos últimos anos. Este artigo apresenta inicialmente uma contextualização des- se déficit e analisa os atuais desafios do setor, sob a perspectiva de financiamento (via bancos e via mercado de capitais), de cooperati- vismo e da adoção de tecnologias alternativas de armazenagem. Na conclusão são apresentados os principais pontos de atenção para a formulação de políticas públicas. R E S U M O 4 Sinônimo de pujança na economia nacional, o agronegócio vem, há anos, surpreendendo pelo crescimento consisten- te. Esse crescimento, representado pelo aumento expressivo da produção de vários gêneros agrícolas, entretanto, é pressio- nado e pode levar a resultados econômicos subótimos em função de déficits de infraestrutura. As culturas de soja, milho, trigo, arroz e café são as que mais utilizam a armazenagem de grãos, pois, via de regra, podem pas- sar longos períodos estocados sem perda de qualidade. Para tal, costuma-se fazer um tratamento prévio (amostragem, limpeza e secagem dos grãos) e, em se tratando de grandes volumes, usam-se silos (grandes estruturas, usualmente metálicas) ou armazéns gra- neleiros que abrigam os grãos da chuva, do vento, da insolação, de insetos, de aves, de roedores, entre outros. I N T R O D U Ç Ã O 5 A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta para uma perspectiva de 353,8 milhões de toneladas de grãos na safra 2025-2026 (Brasil, 2025d), ao passo que os dados mais recentes de capacidade estática de armazenagem publicados pelo Institu- to Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) montam a 227,1 milhões de toneladas (Agência IBGE Notícias, 2025), perfazen- do uma relação de 64,19% entre a capacidade de estocagem e a produção. A título de comparação, os Estados Unidos da América comumente têm essa relação acima de 100%, como observado em 2023 (American Farm Bureau Federation, 2023) e 2024 (Mordor Intelligence, 2025). Apesar da insuficiência de armazenagem atual, deve-se notar que o crescimento dessa capacidade tem sido bastante expressivo nos últimos anos, saindo das cerca de 140 milhões de toneladas em 2010 para a capacidade atual, o que monta a uma taxa com- posta de crescimento anual de aproximadamente 3,28%, confor- me o gráfico a seguir. O problema persiste, contudo, devido a uma expansão da produção em ritmo mais acelerado: a partir de aproximadamente 150 milhões de toneladas em 2010, tem-se um ritmo médio anual de 5,89%. Apesar de haver uma situação de ga- nho de espaço nas fazendas e nos hubs logísticos das estruturas de armazenagem, seu ritmo está aquém do crescimento da produção. Fonte: Conab (2025). Para além disso, a já insuficiente capacidade de armazenagem existente está concentrada fora das fazendas: em portos, indústrias que realizam o processamento de grãos e outros nós da cadeia lo- gística do agronegócio. A capacidade instalada nas fazendas mon- ta a míseros 17% do necessário estimado, valor muito baixo frente DOSSIÊ LIVRO AMARELO 6 aos países desenvolvidos com culturas de grãos similares e mesmo em comparação com a vizinha Argentina (Kepler Weber, 2025). Fonte: Kepler Weber (2025). A baixa capacidade instalada nas propriedades rurais diminui a autonomia do agricultor: em um momento pré-colheita, a insu- ficiência de infraestrutura de armazenagem pode levar a seu adia- mento, o que implica perda de produtividade. Após a colheita, coloca o produtor na posição de ter que vender seus grãos a preço de mercado, ainda que em momento desfavorável – a alternativa, a estocagem a céu aberto, leva a perdas substanciais e não pode ser realizada por longo período, devido à deterioração da qua- lidade dos grãos. Somando-se esse efeito, em larga escala, para diversos produtores, os gargalos logísticos de escoamento (tráfe- go intenso de caminhões transportando produtos agrícolas, lon- gas filas para embarques nos portos etc.) se tornam também mais pronunciados. Não apenas os produtores capturam as vantagens da armazena- gem; contudo, ao reduzir ou aumentar a oferta a partir das con- dições de mercado, o produtor com capacidade de armazenagem acaba por diminuir as oscilações de preços, dando mais previsi- bilidade ao consumidor. Sendo assim, uma reflexão é necessária: o que está sendo feito a esse respeito e que medidas adicionais poderiam ser adotadas? DOSSIÊ LIVRO AMARELO 7 O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) é uma linha de crédito, subsidiada pelo Governo Federal, no âmbito do Plano Safra, e operada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), por meio de outras instituições financeiras credenciadas, voltada para ampliação, modernização, reforma e construção de armazéns e câmaras frias destinados à guarda de grãos, frutas, tubérculos, bul- bos, hortaliças, fibras e açúcar, e seus derivados oriundos do pro- cessamento desses produtos, exceto para etanol, biodiesel e óleo de soja (BNDES, 2025b). Em sua edição atual, vigente até 30/06/2026, o programa prevê taxas de juros prefixadas de até 8,6% a.a. para instalações de arma- zenamento de grãos de até 12 mil toneladas e de até 10% a.a. para os demais empreendimentos habilitados – valores bastante com- petitivos de custo de capital, no presente cenário macroeconômi- co. O limite de 12 mil toneladas para a linha com menores juros já representa uma expansão frente ao PCA da safra 2024-2025, quando tais condições eram limitadas ao armazenamento de grãos C A P Í T U L O 1 FINANCIAMENTO 8 até 6 mil toneladas, refletindo a percepção de prioridade para tais infraestruturas. O resultado foi um aumento muito expressivo na demanda pela linha preferencial do programa, sem prejuízo de um aumento também bastante robusto da linha geral. Fonte: Elaboração do autor. Dados disponíveis em Crédito Rural – Desempenho Operacional (BNDES, 2025a). Fonte: Elaboração do autor. Dados disponíveis em Crédito Rural – Desempenho Operacional (BNDES, 2025a). Tais resultados demonstram a importância do financiamento para o setor, não apenas em volume, mas também quanto à cor- reta escolha de direcionamento. Por se tratar de taxas de juros equalizadas pela União, elas geram impacto fiscal, o que as torna sujeitas às mesmas vicissitudes que outras categorias de dispên- dio que direta ou indiretamente contribuem para a infraestrutura DOSSIÊ LIVRO AMARELO 9 nacional – contingenciamentos e descontinuidade de programas –, ressaltando a importância de medidas de cunho macroeconô- mico para controle das despesas obrigatórias e desvinculação de receitas. Há evidências, contudo, que apontam em direção contrária à atratividade do PCA: o histórico das safras de 2014 a 2024 sugere que, do montante total ofertado no programa, somente cerca de 64% são efetivamente tomados (FGV, 2025). Fonte: Fundação Getúlio Vargas (2025). Dados obtidos do Ministério da Agricultura e Pecuária e do Observatório da Agropecuária Brasileira. Esse dado leva a conjecturas sobre a causa histórica do não apro- veitamento, em maior medida, dos recursos subsidiados. Possíveis causas incluem o endividamento já elevado de produtores, possí- veis dificuldades em termos de estrutura de garantias exigidas ou de entraves burocráticos à obtenção dos recursos. Os formulado- res depolíticas públicas devem se atentar, inclusive, aos resultados de mais longo prazo da recente mudança do limite de 6 mil para 12 mil toneladas na categoria preferencial do PCA, para verificar se a focalização inadequada do crédito constituía, de fato, um dos entraves relevantes. DOSSIÊ LIVRO AMARELO 10 As cooperativas operam com uma lógica de atendimento aos interesses coletivos dos cooperados, sem fins lucrativos e com decisões tomadas em assembleia, por voto, em con- traposição às empresas, que têm fins lucrativos e funcionam de maneira hierárquica. Dessa forma, os cooperados mantêm auto- nomia produtiva e trabalham conjunta e estritamente em seus te- mas de interesse comum. O cooperativismo rural é uma prática livre-associativa de produtores com o intuito de obter ganhos de escala, compartilhamento de riscos e eliminação de intermediários em áreas de importância para seus negócios – podendo abranger crédito, compra de insumos, processamento industrial de gêneros agrícolas, armazenagem, entre outros. O Brasil possuía, em 2024, 1.172 cooperativas agrícolas, que, conjuntamente, apresentaram receita superior a R$ 438 bilhões, abrangendo mais de 1 milhão de cooperados, além de cerca de 268 mil empregados diretos (Siste- ma OCB, 2025). C A P Í T U L O 2 COOPERATIVISMO 11 O compartilhamento da infraestrutura de armazenagem por meio de cooperativas é uma alternativa à armazenagem com tra- dings, preservando maior margem de lucro com os produtores. Essa opção pode fazer bastante sentido em regiões com elevada pulverização das propriedades rurais, em que a construção de ar- mazéns por diversos produtores individuais geraria capacidade re- dundante ou mesmo seria financeiramente inviável. O setor sofreu, contudo, com histórica insegurança jurídica: a extensão daquilo que pode ser definido como “ato cooperativo”, sobre o qual, em tese, não deveria haver incidência tributária. Com a sofisticação técnica e financeira das cooperativas, em função da pujança do agronegócio brasileiro contemporâneo, o escopo das atividades desenvolvidas por elas se ampliou, o que vem, ao longo dos anos, gerando questionamentos jurídicos quanto à incidência de ICMS, PIS/Cofins e até mesmo de IRPJ e CSLL. A esse respei- to, o agronegócio organizado foi politicamente hábil em conferir, no âmbito da Reforma Tributária sobre o Consumo, a alteração do artigo 156-A da Constituição Federal, explicitando a necessidade de regulamentação complementar das hipóteses de não incidência tributária sobre os atos cooperativos: Art. 156-A. […] § 6º Lei complementar disporá sobre regimes específicos de tri- butação para: 12 III – sociedades cooperativas, que será optativo, com vistas a assegurar sua competitividade, observados os princípios da livre concorrência e da isonomia tributária, definindo, inclusive: (In- cluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) a) as hipóteses em que o imposto não incidirá sobre as opera- ções realizadas entre a sociedade cooperativa e seus associados, en- tre estes e aquela e pelas sociedades cooperativas entre si quando associadas para a consecução dos objetivos sociais; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) b) o regime de aproveitamento do crédito das etapas anteriores; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 132, de 2023) (Brasil, 1988). Tal regulação, recebeu, finalmente, tratamento na Lei Comple- mentar nº 214/2025: Art. 271. As sociedades cooperativas poderão optar por regi- me específico do IBS e da CBS no qual ficam reduzidas a zero as alíquotas do IBS e da CBS incidentes na operação em que: I – o associado fornece bem ou serviço à cooperativa de que participa; e II – a cooperativa fornece bem ou serviço a associado sujeito ao regime regular do IBS e da CBS […] (Brasil, 2025a). Dessa forma, considerando a ainda recente sanção da referida Lei Complementar e a gradual implementação dos efeitos da Re- forma Tributária sobre o Consumo – bem como as interpretações que serão dadas a esses dispositivos legais pelos órgãos fazendários e judiciais –, será necessário observar se tais medidas reduzirão, de fato, a percepção de risco regulatório pelas cooperativas rurais, induzindo um comportamento construtivo no sentido de amplia- ção das infraestruturas de armazenagem compartilhadas – ou, al- ternativamente, se será necessária a proposição de medidas legais adicionais. DOSSIÊ LIVRO AMARELO 13 A Conab tem, entre suas atribuições, o abastecimento em si- tuações de emergência (mais frequentemente por razões de efeitos climáticos adversos severos, mas também por ocor- rências de outras naturezas), a doação de alimentos à população carente e a cooperação humanitária internacional em programas de erradicação da fome. Tais incumbências levam a companhia a deter estoques públicos de diversos gêneros agrícolas que também demandam infraestrutura de armazenagem – a capacidade estática de armazenagem da Conab, contudo, corresponde a cerca de so- mente 1% do total nacional (Conab, 2024), o que a leva a utilizar também armazéns de terceiros. Isso levou a companhia a ter armazéns, galpões e prédios qualificados no âmbito do Programa de Parcerias de Investimen- tos (PPI), durante o Governo Bolsonaro, o que, em tese, poderia levar a Parcerias Público-Privadas (PPPs) com o intuito de ope- ração, construção ou ampliação da capacidade de armazenagem C A P Í T U L O 3 Políticas de Estoques Públicos 14 (Brasil, 2021), medida que foi prontamente revogada na Gestão Lula (Brasil, 2023) em um movimento mais amplo de remoção de empresas que constavam no Programa Nacional de Desestatização para fins de privatização ou outras formas de cooperação com par- ceiros privados. A comparação internacional aponta para a possibilidade da adoção de PPPs para a infraestrutura de armazenagem de grãos, valendo-se da capacidade de aporte de recursos de entes privados para antecipar os investimentos, mediante remuneração do poder público ao longo de vários anos. Para isso, vários modelos foram historicamente utilizados: armazéns como bens públicos reversí- veis ao fim da concessão, com operação privada (projetos na Ni- géria e na Sérvia), propriedade conjunta dos armazéns e operação privada, com a contraprestação pública remunerando os serviços (projetos em Omã) e mesmo a propriedade e a operação totalmen- te privadas (projetos na Croácia e na Índia), mediante financia- mento público para a construção em troca do direito ao uso por preço predefinido (World Bank Group, 2014). Em comum, os modelos foram predominantemente observa- dos em países em desenvolvimento ou com restrições significati- vas ao abastecimento agroalimentar. Em que pese a abundância da produção brasileira, deve haver maior reflexão quanto às pos- sibilidades de aumento da capacidade de armazenagem para fins de atendimento a estoques públicos, tendo em vista os crescentes impactos sobre a produção agrícola das mudanças climáticas. DOSSIÊ LIVRO AMARELO 15 O processo de sofisticação do agronegócio chegou ao merca- do de capitais: gestoras lançaram, nos últimos anos, Fun- dos de Investimento Imobiliários (FIIs) voltados para a ar- mazenagem e logística do agronegócio, buscando lucrar com o arrendamento desses ativos e a valorização imobiliária. Conforme a Comissão de Valores Mobiliários: Os fundos imobiliários são fundos de investimentos que re- únem a aplicação de diversos investidores com o objetivo de in- vestir em empreendimentos imobiliários, de acordo com a políti- ca estabelecida em cada fundo. A definição de empreendimentos imobiliários, no entanto, no contexto desses fundos, é ampla, e pode incluir, além da aquisição de direitos reais sobre bens imó- veis, o investimento em títulos e valores mobiliários relacionados ao mercado imobiliário (CVM, 2025). Os FIIs, assim, são vistos usualmente como instrumento para investimento em cotas de participação em galpões logísticos, la- jes corporativas, empreendimentos residenciais, entre outros. OC A P Í T U L O 4 Mercado de Capitais 16 uso do objeto de locação como a infraestrutura de armazenagem de grãos é uma perspectiva ainda relativamente pouco explorada, mas que segue uma lógica imobiliária clássica: os silos, galpões ou armazéns são alugados e o produtor rural, mediante o pagamento de aluguel, tem o seu usufruto. As estratégias desse mercado variam: há fundos focados em con- tratos built to suit, que assumem a construção da infraestrutura de armazenagem feita especificamente para a necessidade do cliente – mediante assinatura de contratos de aluguel de longo prazo – até fundos cuja estratégia consiste no sale and leaseback, isto é, na aquisição de infraestrutura de armazenagem preexistente, associa- da a um contrato para alugá-la de volta ao antigo proprietário. No primeiro modelo, o fundo assume um risco de engenharia, ao passo que, no segundo, em que o fundo não assume esse risco, embora não se esteja construindo infraestrutura nova, o produ- tor rural tem seu capital que estava imobilizado no ativo “libera- do”, podendo fazer frente a novos investimentos na área que lhe for mais conveniente – a uma taxa dada pela relação entre o alu- guel e o preço recebido pelo ativo (cap rate), frequentemente mais interessante do que a de um financiamento bancário privado. DOSSIÊ LIVRO AMARELO 17 A insuficiência de infraestrutura de armazenagem no país le- vou à adoção de armazéns temporários, os galpões lonados – estruturas metálicas, em geral treliçadas, cobertas com lona. Mais comumente conhecidos por abrigar eventos, esses gal- pões passaram a ser utilizados também para a estocagem temporária de fertilizantes granulados, açúcar, café, entre outros. A crescente importação de fertilizantes, em particular, tornou mais comum a adoção desse sistema como contingência em terminais portuários (onde já há um piso ou pavimento instalado sobre o qual erguer os galpões lonados, dado que essa etapa do serviço não é modular), quando os armazéns permanentes já se encontram cheios. Em ter- mos de aplicação nas propriedades rurais propriamente ditas, tais estruturas podem dar ao produtor mais tempo para negociação, em casos inesperados de baixa demanda. Os galpões lonados são vantajosos em termos tanto de custo C A P Í T U L O 5 Soluções Temporárias de Armazenagem 18 quanto de agilidade de implantação, além de proporcionarem fle- xibilidade para eventuais realocações ou ampliações. Há ainda a tese jurídica de que, por se tratar de estruturas temporárias, gozam de imunidade para fins de cálculo de impostos sobre a proprieda- de. É questionável, contudo, seu nível de resiliência frente a even- tos climáticos extremos, reforçando o caráter transitório que deve ser adotado para tais estruturas. Os silos-bolsa são outra solução temporária que vem ganhan- do espaço nos últimos anos. Trata-se de grandes bolsas flexíveis, em geral constituídas de polietileno com tratamento específico para proteção contra a radiação ultravioleta, garantindo um espa- ço hermético para proteção dos grãos frente a elementos externos. Com dimensões muito mais reduzidas do que outros tipos de ar- mazenagem, podem ser facilmente instalados e acondicionados nas propriedades rurais – a um custo bastante competitivo. Esse tipo de solução já é bastante comum em países vizinhos, como a Argentina e o Uruguai, mas enfrenta limitações: a tecno- logia é mais adequada a países com temperatura e umidade mais baixas, visto que o confinamento dos grãos, nas condições climá- ticas típicas de um país tropical, pode levar à fermentação. Assim como ocorre com os galpões lonados, os silos-bolsa também não são particularmente resilientes a vento ou chuva de elevada in- tensidade. Os fabricantes, em geral, limitam ainda a vida útil das bolsas a dois anos. DOSSIÊ LIVRO AMARELO 19 A capacidade estática de armazenagem de grãos vem consis- tentemente crescendo no Brasil nos últimos anos, mas par- te de um patamar baixo – e aquém dos comparativos in- ternacionais – e ocorre em ritmo menor que o do crescimento da produção, provocando efeitos indesejáveis aos produtores rurais, à população consumidora e à infraestrutura de escoamento da pro- dução. As condições incentivadas de financiamento para a expansão da capacidade de armazenamento, por meio de bancos públicos, apresentaram excedente de recursos historicamente, o que sugere a necessidade, por parte dos formuladores de políticas públicas, de reavaliar seu escopo de abrangência, a estrutura de garantias demandadas e as exigências técnicas e formais para a contrata- ção. O ganho de espaço de formas de financiamento privadas, como aquelas via mercado de capitais, nesse sentido, é desejá- vel, por se tratar de recursos privados, não subsidiados. O uso de Conclusões 20 infraestrutura pública de armazenagem, particularmente, deve ser avaliado em termos de vantajosidade comparativa do uso de re- cursos públicos frente à opção de maior financiamento incentiva- do – caso a demanda para o último se consolide. Nesse contexto de maior sofisticação do agronegócio, o coo- perativismo é um modelo que deve continuar sendo promovido, dado seu potencial de promover o espraiamento de soluções de ponta para pequenos produtores em termos de compartilhamen- to de infraestrutura, financiamento, suporte técnico, entre outros, sem a necessidade de consolidação empresarial. Eventuais entraves legais ao setor devem permanecer sendo mo- nitorados: à medida que houver avanços de ordem tecnológica ou de arranjo produtivo, aspectos regulatórios e tributários devem ser continuamente reavaliados, para que não se tornem um estorvo à expansão da capacidade de armazenagem. Adquira já o Livro Amarelo em LivroAmarelo.com DOSSIÊ LIVRO AMARELO http://livroamarelo.com