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Aplicação de Supressor Polimérico à Base de Celulose em Pilhas de Matérias-Primas Siderúrgicas: 
Avaliação da eficácia na mitigação de particulados, impermeabilização superficial e preservação das propriedades operacionais 
 
 
 
 RESUMO 
 
 
ZINN DA SILVA, Luan Moacir. Aplicação de Supressor Polimérico à Base de Celulose em Pilhas de Matérias-Primas Siderúrgicas: Avaliação da eficácia na mitigação de particulados e preservação das propriedades operacionais. Projeto Final (Graduação em Engenharia de Materiais – Faculdade de Engenharia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2025. 
 
 Este trabalho apresenta um estudo sobre a aplicação de um supressor polimérico líquido à base de celulose em pilhas de matérias-primas siderúrgicas, com foco na mitigação de emissões fugitivas de particulados e na preservação da eficiência operacional. Foram realizados ensaios laboratoriais controlados, incluindo testes de impermeabilização e simulações de chuva, bem como experimentos em escala industrial na Ternium Brasil, em pilhas de carvão expostas a condições reais de operação. Os resultados demonstraram que o produto promoveu redução significativa na dispersão de poeiras e maior estabilidade superficial das pilhas, além de preservar o poder calorífico do material estocado. Os achados corroboram estudos recentes da literatura internacional e indicam que a utilização de supressores poliméricos biodegradáveis representa uma alternativa técnica e ambientalmente mais sustentável em comparação às práticas tradicionais, como a aspersão de água. 
 
Palavras-chave: Supressor polimérico. Particulados. Siderurgia. Controle ambiental. Saúde ocupacional. 
 
 
 
 
 
 
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1. INTRODUÇÃO 
 
A poluição atmosférica consolidou-se, nas últimas décadas, como um dos principais problemas ambientais e de saúde pública em escala global. Entre os poluentes mais relevantes, destaca-se o material particulado (MP), em especial nas frações MP10 e MP2,5, caracterizadas pela capacidade de penetração no sistema respiratório humano. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2021), a exposição prolongada a partículas finas está associada a aproximadamente 7 milhões de mortes prematuras por ano. Estudos clássicos, como os de Pope e Dockery (2006), já haviam demonstrado a correlação direta entre concentrações de MP2,5 e o aumento da mortalidade por doenças cardiorrespiratórias. Além dos efeitos sanitários, o particulado em suspensão contribui para impactos ambientais, incluindo deposição sobre vegetação, acidificação de corpos hídricos e redução da visibilidade atmosférica (SEINFELD; PANDIS, 2016; BAIRD, 2019). 
 
No Brasil, a preocupação com a qualidade do ar ganhou força a partir da década de 1980, com a criação de legislações ambientais estaduais e federais. Atualmente, o tema é regulado pela Resolução CONAMA nº 491/2018, que estabelece padrões nacionais para MP10 e MP2,5, fixando valores intermediários e metas finais a serem alcançadas até 2033. Contudo, relatórios da CETESB (2020) mostram que regiões industriais ainda registram concentrações médias de particulados superiores às recomendações internacionais, evidenciando os desafios para a implementação efetiva da política de controle atmosférico no país. No âmbito ocupacional, a Norma Regulamentadora NR-15 define limites de tolerância para poeira de carvão (2 mg/m³) e sílica cristalina livre (0,1 mg/m³), ambos frequentemente superados em áreas de manuseio e estocagem, ampliando os riscos à saúde dos trabalhadores. 
 
A preocupação com as emissões fugitivas, oriundas de fontes difusas em pátios industriais, também se expandiu em âmbito internacional. Nos Estados Unidos, a Environmental Protection Agency (EPA) introduziu, por meio do Clean Air Act de 1970, diretrizes específicas para monitoramento de partículas inaláveis. Na União Europeia, as Diretivas de Qualidade do Ar fixaram padrões mais restritivos, exigindo das indústrias a adoção de medidas integradas de controle. Países com forte tradição minerária, como Austrália e África do Sul, avançaram ainda mais ao desenvolver protocolos operacionais para gestão de poeiras em pilhas de estocagem, recomendando desde a orientação geométrica das pilhas até o uso de supressores de longa duração (ZHANG et al., 2020; WANG et al., 2022). 
 
No contexto siderúrgico, as pilhas de estocagem de matérias-primas (carvão, coque, sínter feed e pellet feed) representam uma das principais fontes de emissão fugitiva. Expostas às condições de vento e chuva, essas pilhas tornam-se focos críticos de dispersão de poeiras. Esse fenômeno compromete tanto a qualidade do ar nas comunidades vizinhas quanto as condições de trabalho, além de acarretar perdas econômicas devido ao arraste de material. A literatura indica que partículas com diâmetro inferior a 75 μm podem ser facilmente mobilizadas por ventos acima de 3 m/s, alcançando distâncias superiores a 1 km (SILVA et al., 2021). 
 
Do ponto de vista ocupacional, a exposição contínua às poeiras minerais está associada a pneumoconioses, silicose e Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC). A International Agency for Research on Cancer (IARC, 2012) classifica a sílica cristalina inalável como carcinogênica para humanos. No Brasil, estudos da Fundacentro (2019) apontam que trabalhadores expostos a poeiras minerais apresentam até 40% mais casos de doenças respiratórias em comparação com grupos de controle, evidenciando a gravidade do problema. 
 
A técnica mais utilizada para mitigar emissões fugitivas ainda é a aspersão de água, por sua simplicidade e baixo custo inicial. No entanto, apresenta limitações significativas: efeito temporário, elevado consumo de água potável e aumento da umidade do material, com consequente redução do poder calorífico no caso do carvão (ZHANG et al., 2020). Esse modelo, em períodos de estiagem, torna-se ainda menos viável por competir diretamente com o abastecimento urbano e agrícola. 
 
Nesse cenário, os supressores poliméricos líquidos, especialmente aqueles formulados à base de celulose, surgem como alternativa tecnológica eficaz. Por formarem uma crosta superficial protetora, esses produtos reduzem a dispersão eólica, retardam a infiltração de água da chuva e apresentam maior durabilidade em comparação à água. Além disso, são biodegradáveis e de origem renovável, o que amplia seus benefícios ambientais. Estudos recentes demonstram reduções de até 85% na emissão de poeira em pilhas tratadas com polímeros naturais (SABA et al., 2021), manutenção da integridade superficial por mais de quinze dias mesmo sob condições de alta pluviosidade (WANG et al., 2022) e melhor custobenefício em médio prazo (ZHOU et al., 2023). 
 
Além dos aspectos técnicos, é importante destacar a relevância estratégica dessa tecnologia para as indústrias siderúrgicas no Brasil. Em um cenário em que critérios de ESG (Environmental, Social and Governance) têm se tornado determinantes para acesso a investimentos, manutenção de licenças ambientais e reputação institucional, soluções que conciliam desempenho técnico e responsabilidade socioambiental ganham protagonismo. A utilização de supressores de base celulósica atende simultaneamente a exigências legais, demandas de sustentabilidade e pressões de stakeholders, configurando-se como um diferencial competitivo no setor (FERNANDES et al., 2023). 
 
Sob a ótica acadêmica, o tema também se mostra relevante. Embora haja literatura internacional consolidada sobre o uso de supressores poliméricos, ainda são escassos os estudos aplicados em condições reais de siderúrgicas brasileiras, particularmente em ambientes tropicais de alta pluviosidade. A maior parte dos trabalhos nacionais restringe-se a relatórios técnicos internos, de circulação limitada, o que evidencia uma lacuna na produção científica. Este trabalho, portanto, busca contribuir para suprir essa lacuna, oferecendo resultados aplicados que podem servir como referência para futuras pesquisas e práticas industriais. (SABA et al., 2021;WANG et al., 2022; ZHOU et al., 2023). 
 
Diante desse contexto, a justificativa para o desenvolvimento deste estudo se fundamenta em três pilares: ambiental, pela necessidade de mitigar impactos sobre comunidades e ecossistemas; ocupacional, pela proteção da saúde dos trabalhadores expostos; e econômico-operacional, pela preservação da qualidade das matérias-primas, redução de perdas e ganhos em eficiência energética. 
 
 1.1. Objetivo Geral 
 
Avaliar a aplicação de um líquido supressor polimérico à base de celulose em pilhas de matérias-primas siderúrgicas, verificando sua eficácia na mitigação de particulados, na impermeabilização superficial e na preservação da eficiência operacional. 
 
1.2. Objetivos Específicos 
 
· Caracterizar o produto supressor quanto às suas propriedades físico-químicas e ambientais. 
 
· Avaliar o desempenho do produto em ensaios laboratoriais controlados. 
 
· Analisar a aplicação em pilhas industriais reais, verificando benefícios e limitações práticas. 
 
· Confrontar os resultados obtidos com estudos da literatura e com técnicas tradicionais. 
 
· Discutir os impactos ambientais, ocupacionais e econômicos associados ao uso da tecnologia. 
 
 
 
2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICO 
 
2.1. Poluição atmosférica e material particulado 
 
A poluição atmosférica constitui um dos principais desafios ambientais contemporâneos, afetando diretamente a saúde humana, a biodiversidade e a qualidade dos ecossistemas urbanos e industriais. Entre os diferentes poluentes atmosféricos, o material particulado (MP) assume destaque pela sua ubiquidade e pela gravidade dos efeitos que provoca. Definido como um conjunto de partículas sólidas e/ou líquidas suspensas no ar, o MP varia em composição, tamanho e origem, englobando desde poeiras minerais até fuligem resultante da queima de combustíveis fósseis (SEINFELD; PANDIS, 2016). 
 
A classificação mais utilizada divide o material particulado em frações conforme o diâmetro aerodinâmico: MP10 (partículas com diâmetro ≤ 10 µm), que penetram até as vias respiratórias superiores, e MP2,5 (≤ 2,5 µm), que alcançam os alvéolos pulmonares, apresentando maior risco à saúde (OMS, 2021). Devido à sua composição heterogênea, o MP pode conter elementos tóxicos como metais pesados, compostos orgânicos e sílica cristalina, cuja inalação contínua pode acarretar doenças crônicas (SEINFELD; PANDIS, 2016; BAIRD, 2019; 
OMS, 2021). 
 
Estudos indicam que o material particulado é responsável por efeitos adversos como aumento da mortalidade cardiorrespiratória (POPE; DOCKERY, 2006), alterações no desenvolvimento cognitivo infantil (SUNYER, 2015) e elevação de internações hospitalares em períodos de alta concentração (CETESB, 2020). Além disso, o impacto não se restringe ao ser humano: partículas em suspensão interferem na fotossíntese de plantas, alteram a qualidade da água de rios e reservatórios e aceleram a degradação de materiais de construção (BAIRD, 2019). A dinâmica de deposição nas vias aéreas pode ser visualizada na Figura 1 que ilustra a penetração diferencial de MP10 e MP2,5 no sistema respiratório. 
 
Figura 1 – Penetração das partículas inaláveis no sistema respiratório humano. 
 
Fonte: 
R
evista Virtual de Química (SBQ), 2023
.
 
 
No setor industrial, particularmente em áreas de mineração e siderurgia, o MP é gerado tanto por fontes fixas (fornos, caldeiras) quanto por fontes difusas, como movimentação de caminhões e pilhas de estocagem. Esse último caso é especialmente problemático, pois o controle e a medição de emissões fugitivas apresentam maior complexidade técnica (ZHANG et al., 2020). 
 
2.2 Impactos do material particulado na saúde humana 
 
A exposição ocupacional ao material particulado constitui um dos maiores desafios em saúde do trabalho. No Brasil, a NR-15 (Anexo 12) estabelece limites de tolerância para poeiras minerais, sendo de 2 mg/m³ para poeira de carvão e de 0,1 mg/m³ para sílica cristalina livre. Valores acima desses limites caracterizam insalubridade e obrigam a adoção de medidas de controle ou pagamento de adicional ao trabalhador. 
 
O impacto na saúde não depende apenas da concentração ambiental, mas também da composição química e da duração da exposição. Poeiras com sílica cristalina, por exemplo, são altamente nocivas, estando diretamente relacionadas ao desenvolvimento da silicose, doença pulmonar ocupacional irreversível caracterizada por fibrose progressiva dos pulmões. A International Agency for Research on Cancer (IARC, 2012) classifica a sílica inalável como carcinogênica para humanos (Grupo 1), elevando também o risco de câncer de pulmão em trabalhadores expostos. 
 
Além da silicose, a exposição prolongada ao MP está associada a pneumoconioses, Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e aumento da suscetibilidade a infecções respiratórias. Segundo a Fundacentro (2019), trabalhadores da indústria mineral apresentam até 40% mais casos de doenças respiratórias crônicas em comparação a grupos não expostos. 
 
Estudos clínicos reforçam essa correlação entre exposição ocupacional e redução da função pulmonar. Em pesquisa publicada no Jornal Brasileiro de Pneumologia, Algranti et al. (2013) analisaram pacientes com diferentes estágios radiológicos de silicose e observaram queda significativa na função respiratória (Figura 2). A Capacidade Vital Forçada (CVF%) apresentou declínio progressivo à medida que a gravidade radiológica aumentava, passando de 
97,1% em indivíduos sem alterações até 71,5% naqueles classificados na categoria 3 da doença. 
 
Figura 2 – Médias de CVF% em relação ao previsto, de acordo com as categorias radiológicas de silicose. 
 
Fonte: Adaptado de Algranti et al. (2013). 
 
De forma semelhante, o mesmo estudo identificou que o Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1%), parâmetro essencial para avaliar obstruções pulmonares, também sofre queda relevante. Os valores médios reduziram de 89,3% na categoria 0 para 58,7% na categoria 3, indicando comprometimento funcional proporcional à progressão da silicose (Figura 3). 
 
Figura 3 – Médias de VEF1% em relação ao previsto, de acordo com as categorias radiológicas de silicose. 
 
Fonte: Adaptado de Algranti et al. (2013). 
 
Esses resultados confirmam que a exposição contínua a partículas minerais não apenas causa sintomas agudos, como tosse e dispneia, mas também desencadeia alterações funcionais irreversíveis, comprometendo a qualidade de vida e aumentando os índices de morbimortalidade. Tais evidências reforçam a necessidade de medidas preventivas e de tecnologias mais eficazes para o controle das emissões fugitivas em ambientes industriais. 
 
2.3 Legislação e normas de qualidade do ar 
 
O controle do material particulado é regido por diferentes normas nacionais e internacionais. No Brasil, a Resolução CONAMA nº 491/2018 estabelece os padrões de qualidade do ar para poluentes como MP10 e MP2,5, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, ozônio e dióxido de nitrogênio. Os valores definidos são divididos em metas intermediárias e finais, alinhadas às recomendações da OMS, com horizonte de implementação até 2033. 
 
Em paralelo, a CETESB em São Paulo, e fundações estaduais como a FEAM em Minas Gerais, realizam monitoramento contínuo da qualidade do ar, emitindo relatórios periódicos que subsidiam políticas públicas. No campo ocupacional, a NR-15 (Anexo 12) já citado, regulamenta limites de exposição em ambientes de trabalho, enquanto normas técnicas da ABNT e da ASTM orientam metodologias de medição e ensaios laboratoriais. 
 
Em comparação internacional, a EPA (Environmental Protection Agency) estabelece limites mais rigorosos de MP2,5 (35 µg/m³ em 24h), enquanto a União Europeia adota valores de referência próximos, mas com mecanismos de fiscalização mais severos. A OMS (2021) recomenda limites ainda mais baixos, de 15 µg/m³ (24h) para MP2,5, reconhecendo que não há níveis seguros de exposição. 
 
Essa diversidade normativa evidencia a necessidade de evolução contínua das políticas nacionais, especialmente em países em desenvolvimento,onde a pressão por crescimento econômico muitas vezes supera a implementação efetiva de medidas ambientais. 
 
2.4 Emissões fugitivas em pátios industriais 
 
As emissões fugitivas são aquelas que não passam por dutos, filtros ou sistemas de controle, mas escapam diretamente para a atmosfera a partir de superfícies expostas, movimentação de materiais ou processos abertos. Em pátios de estocagem siderúrgicos, as principais fontes de emissão fugitiva são as pilhas de carvão, sínter feed, pellet feed e coque, constantemente expostas à ação do vento e da chuva (ZHANG et al., 2020; FERNANDES et al., 2023). 
 
Estudos conduzidos em ambientes industriais demonstram que pilhas expostas podem liberar entre 0,5% e 2% de sua massa total ao longo de um mês, dependendo da granulometria, da umidade e da intensidade dos ventos (FERNANDES et al., 2023). Esses valores representam não apenas impacto ambiental, mas também perda econômica significativa para as empresas, já que parte do material de alto valor agregado é perdido por dispersão. 
 
Além da poeira suspensa, a chuva promove erosão superficial, carreando partículas finas para sistemas de drenagem e corpos hídricos próximos. Esse processo amplia os riscos de contaminação ambiental e aumenta a necessidade de manutenção em sistemas de tratamento de efluentes (FERNANDES et al., 2023). 
 
Torna-se evidente, portanto, que o controle das emissões fugitivas é uma etapa estratégica para a sustentabilidade das operações siderúrgicas, demandando soluções inovadoras e mais eficazes do que os métodos convencionais de aspersão de água. 
 
Historicamente, diversas estratégias foram adotadas pela indústria para reduzir as emissões de material particulado, tanto em fontes fixas quanto em fontes difusas. No caso das pilhas de matérias-primas em pátios siderúrgicos, os métodos convencionais mais empregados são a aspersão de água, a utilização de barreiras físicas e, em alguns casos, a revegetação superficial (Tabela 1). Apesar de amplamente aplicados, esses métodos apresentam limitações significativas que comprometem sua eficácia a médio e longo prazo (ZHANG et al., 2020; WANG et al., 2022). 
 
Tabela 1 – Comparação entre métodos convencionais de controle de particulado. 
 
	MÉTODO 	EFICIÊNCIA 	DURABILIDADE 	CUSTOS 	LIMITAÇÕES 
PRINCIPAIS 
	ASPERSÃO DE 
ÁGUA 
	Baixa 
	Minutos a horas 
	Elevado (água + energia) 
	Consumo excessivo de água; reduz PCI do carvão 
	BARREIRAS 
FÍSICAS 
	Média 
	Meses/anos 
	Moderado a alto 
	Depende da direção do vento; exige manutenção 
	REVEGETAÇÃO 
SUPERFICIAL 
	Alta (quando estável) 
	Longo prazo (anos) 
	Alto (implantação) 
	Inviável em pilhas com movimentação constante 
 
Fonte: Adaptado de Zhang et al. (2020), Wang et al. (2022) e Fernandes et al. (2023). 
 
 
A aspersão de água é o recurso mais difundido devido à sua simplicidade operacional e baixo custo inicial. Consiste na instalação de sistemas de tubulações e aspersores distribuídos ao longo das pilhas ou em caminhões-pipa que percorrem o pátio de estocagem. O princípio é aumentar a umidade superficial do material, reduzindo a suscetibilidade ao arraste eólico. Entretanto, estudos mostram que o efeito é extremamente temporário, podendo durar de apenas alguns minutos até poucas horas, dependendo da intensidade dos ventos e da temperatura ambiente (ZHANG et al., 2020). Além disso, a prática implica em elevado consumo de água potável ou industrial, recurso cada vez mais escasso, além de aumentar a umidade do carvão, reduzindo seu poder calorífico inferior (PCI) e prejudicando o processo de combustão (FERNANDES et al., 2023). 
 
Outro recurso tradicional é a utilização de barreiras físicas, como telas, cortinas de vento e muros de contenção. Esses dispositivos são instalados de modo a reduzir a velocidade do vento sobre as pilhas, minimizando a dispersão de partículas. Embora apresentem resultados positivos em determinadas condições, sua eficiência depende fortemente da altura, da densidade e da correta disposição em relação à direção predominante dos ventos. Além disso, demandam investimentos de infraestrutura e manutenção periódica, o que muitas vezes inviabiliza sua aplicação em larga escala (WANG et al., 2022). 
 
A revegetação superficial também é utilizada em alguns contextos, especialmente em áreas de mineração. O princípio é promover a cobertura vegetal sobre superfícies expostas, estabilizando o solo e reduzindo a erosão hídrica e eólica (FERNANDES et al., 2023). No entanto, em pátios siderúrgicos, essa prática é praticamente inviável devido à necessidade de movimentação constante das pilhas, o que impede o crescimento e a manutenção de uma cobertura vegetal estável. 
 
De forma geral, os métodos convencionais apresentam eficiência limitada e custos indiretos elevados, especialmente em cenários de alta produção e movimentação constante de matérias-primas. Isso tem incentivado a busca por soluções tecnológicas mais inovadoras, como os supressores poliméricos líquidos, que apresentam vantagens em termos de durabilidade, sustentabilidade e custo-benefício em médio prazo (WANG et al., 2022; FERNANDES et al., 2023). 
 
 
2.5. Supressores químicos tradicionais 
Antes da difusão dos polímeros de base celulósica, diversas formulações químicas foram desenvolvidas para controlar a emissão de material particulado em pilhas de matériasprimas. Entre as mais utilizadas destacam-se os sais higroscópicos, as espumas químicas e os polímeros sintéticos. Embora apresentem eficácia parcial em determinadas condições, esses métodos enfrentam limitações relacionadas à durabilidade, custo e impacto ambiental (ZHANG et al., 2020). 
Os sais higroscópicos (cloreto de cálcio, cloreto de magnésio e derivados) atuam por meio da absorção de umidade do ar, formando uma camada superficial úmida que reduz o arraste eólico das partículas. Estudos internacionais apontam reduções iniciais de até 70% nas emissões fugitivas logo após a aplicação (ZHANG et al., 2020). No entanto, sua eficácia é fortemente dependente da umidade relativa do ar e da frequência de chuvas, sendo comum a necessidade de reaplicações frequentes. Além disso, o acúmulo de sais no solo pode provocar salinização e contaminação de cursos d’água, impactando negativamente a vegetação e a biota aquática (FERNANDES et al., 2023). 
 
As espumas químicas, geralmente produzidas a partir de surfactantes e estabilizadores, funcionam pela formação de uma película temporária sobre a superfície das pilhas. Essa camada reduz o contato direto do vento com o material particulado, funcionando como uma “barreira física transitória”. A literatura técnica mostra que sua durabilidade é limitada, variando de horas a poucos dias (WANG et al., 2022). Além disso, a necessidade de caminhões especiais para aplicação contínua eleva os custos operacionais. Outro ponto crítico refere-se ao risco de geração de efluentes com resíduos de tensoativos, exigindo sistemas adicionais de tratamento de água (WANG et al., 2022). 
 
Os polímeros sintéticos, geralmente derivados do petróleo, foram introduzidos como alternativa de maior durabilidade em relação às espumas e sais. Esses compostos formam crostas superficiais mais resistentes à ação do vento e da chuva, permanecendo ativos por semanas. Entretanto, além do custo elevado, sua origem fóssil e baixa biodegradabilidade geram preocupações ambientais relevantes (ZHOU et al., 2023). Estudos comparativos indicam que, embora apresentem desempenho técnico satisfatório, os polímeros sintéticos deixam resíduos persistentes no solo, o que contraria os princípios de sustentabilidade e dificulta sua aceitação em políticas corporativas alinhadas a critérios ESG (ZHOU et al., 2023). A Tabela 2 sintetiza eficiência inicial, durabilidade, custos e impactos ambientais dos supressores químicos tradicionais. 
 	 
Tabela 2 – Comparação entre supressores químicos tradicionais. 
 
	TIPO DE 	EFICIÊNCIA 	DURABILIDADE 	CUSTO 	IMPACTOS 
	SUPRESSOR 	INICIAL 	OPERACIONAL 	AMBIENTAIS 
PRINCIPAIS 
	SAIS 
HIGROSCÓPICOS 
(CACL₂, MGCL₂) 
	Alta (até70% de redução imediata) 
	Horas a poucos dias 
	Moderado (reaplicações frequentes) 
	Salinização do solo e contaminação de cursos 
d’água 
	ESPUMAS QUÍMICAS 
	Média 
	Horas a poucos dias 
	Alto (equipamento especial e reaplicações) 
	Efluentes contendo surfactantes, 
necessidade de tratamento adicional 
	POLÍMEROS 
SINTÉTICOS 
	Alta 
	Semanas 
	Alto 
	Origem fóssil, baixa biodegradabilidade, 
resíduos persistentes no 
solo 
 
Fonte – Adaptado de Zhang et al. (2020), Wang et al. (2022) e Zhou et al. (2023). 
 
De forma geral, embora os supressores químicos tradicionais tenham representado avanços em relação à simples aspersão de água, suas limitações técnicas e ambientais restringem a adoção em longo prazo. Esse cenário abriu espaço para o desenvolvimento de alternativas mais sustentáveis e de maior eficiência, como os supressores poliméricos à base de celulose, tema do próximo subtópico. 
 
2.6. Supressores poliméricos de base celulósica 
 
Os supressores poliméricos de base celulósica representam um avanço tecnológico significativo no controle de emissões fugitivas em pátios industriais. Desenvolvidos a partir de derivados da celulose, polímero natural mais abundante do planeta, esses produtos formam uma película protetora sobre a superfície das pilhas de matérias-primas, reduzindo de forma eficaz o arraste eólico e a erosão hídrica. Diferentemente das soluções convencionais, o mecanismo de ação não se limita ao aumento temporário da umidade, mas envolve a criação de uma camada coesa e flexível que atua como barreira física (SABA et al., 2021; WANG et al., 2022; ZHOU et al., 2023). 
 
Do ponto de vista químico, os supressores celulósicos são compostos por derivados solúveis de celulose (carboximetilcelulose, hidroxietilcelulose, entre outros), modificados de modo a apresentar maior solubilidade em água e capacidade de formar filmes resistentes. Ao serem diluídos e aplicados por aspersão, as moléculas poliméricas interagem entre si e com partículas minerais, promovendo a adesão e a estabilização superficial. Essa película, mesmo em condições de chuva intensa, mantém parte de sua integridade, garantindo proteção mais duradoura do que métodos baseados apenas em sais ou água (SABA et al., 2021). 
 
Ensaios laboratoriais têm comprovado a elevada eficácia desses produtos. Saba et al. (2021) relataram reduções superiores a 80% na emissão de poeira em pilhas de carvão tratadas com polímeros celulósicos, em comparação ao grupo controle. Wang et al. (2022) demonstraram que a durabilidade da crosta superficial pode ultrapassar 15 dias, mesmo em condições de alta pluviosidade. Mais recentemente, Zhou et al. (2023) destacaram que supressores de origem renovável, como os derivados de celulose, apresentam custo-benefício superior em médio prazo, uma vez que reduzem a frequência de reaplicações e evitam perdas de massa estocada. 
 
 
Além do desempenho técnico, a principal vantagem desses supressores está em sua biodegradabilidade e baixo impacto ambiental. Por serem derivados de biomassa vegetal, sua decomposição ocorre naturalmente, sem geração de resíduos tóxicos persistentes. Isso contrasta com os polímeros sintéticos derivados do petróleo, que podem permanecer no solo por longos períodos. Essa característica torna os supressores celulósicos particularmente atrativos em um contexto de crescente demanda por soluções sustentáveis e alinhadas a critérios de ESG (Environmental, Social and Governance) (SABA et al., 2021; WANG et al., 2022; ZHOU et al., 2023). 
 
Outro aspecto relevante é a versatilidade de aplicação (Figura 4). Os supressores podem ser utilizados em diferentes tipos de pilhas carvão, coque, sínter feed e pellet feed e em diferentes condições climáticas. Ensaios conduzidos em ambientes tropicais, como os de Fernandes et al. (2023), evidenciam que, embora a durabilidade da película possa ser reduzida em períodos de chuvas intensas, a eficácia geral ainda é superior à das técnicas convencionais. 
 
Figura 4 – Aplicação de supressor de poeira de base celulósica em pilhas de carvão. 
 
Fonte
 
–
 
Benetech (2023).
 
 
Portanto, os supressores poliméricos de base celulósica não apenas superam limitações históricas dos métodos tradicionais, como também oferecem uma alternativa ambientalmente responsável, economicamente viável e tecnicamente eficaz para o controle de emissões fugitivas em pátios siderúrgicos (FERNANDES et al., 2023). 
 
2.7. Estudos laboratoriais e aplicações industriais de supressores 
 
A validação da eficácia dos supressores poliméricos de base celulósica exige uma abordagem metodológica que envolva tanto ensaios controlados em laboratório quanto testes em escala industrial. Essa combinação permite avaliar não apenas o desempenho técnico em condições simuladas, mas também a sua aplicabilidade prática em ambientes de operação real. 
 
Em ensaios laboratoriais conduzidos com pilhas de carvão mineral, foram preparadas mini pilhas em bandejas plásticas de diâmetro controlado. Uma delas permaneceu sem tratamento, enquanto outras receberam aplicações do produto Green Carpet® e Green Carpet Plus®, diluídos em concentrações-padrão e aplicados por aspersão. As pilhas foram então submetidas a um simulador de chuva desenvolvido pela Benetech, capaz de reproduzir intensidades pluviométricas controladas próximas a 69 mm/h. Durante os testes, a massa das pilhas era registrada a intervalos de 10 minutos, permitindo avaliar a taxa de absorção e a perda de material por carregamento (FERNANDES et al., 2023). 
 
Os resultados demonstraram que as pilhas tratadas apresentaram desempenho significativamente superior em comparação ao grupo controle. Enquanto a pilha sem tratamento iniciou perda de massa já aos 8 minutos de simulação, os tratamentos com Green Carpet® e Green Carpet Plus® mantiveram a integridade da superfície por mais de 60 minutos, retardando o ponto de saturação e reduzindo a erosão superficial. 
 
O tratamento com Green Carpet Plus®, em especial, mostrou maior capacidade de repelência à água, atingindo valores de até 85% de repelência acumulada ao final do ensaio, contra apenas 21% observados na pilha sem tratamento (SABA et al., 2021; WANG et al., 2022). 
A evolução da massa das pilhas ao longo do tempo está apresentada no Gráfico 1, no qual se observa que o controle apresentou ganho acelerado de massa devido à absorção de água, enquanto os tratamentos com Green Carpet® e Green Carpet Plus® retardaram significativamente esse efeito. 
 
Gráfico 1 – Incremento de massa em pilhas tratadas e não tratadas durante simulação de chuva.
 
Fonte
 
–
 
Benetech (2023).
 
 
 
O comportamento de repelência à água está representado no Gráfico 2.2, destacando a maior eficácia do Green Carpet Plus®, que atingiu valores superiores a 80% de repelência, em comparação ao controle. 
 	 
 
Gráfico 2 – Percentual de água repelida em pilhas tratadas e não tratadas durante simulação de chuva. 
 
Fonte
 
–
 
Benetech (2023).
 
 
Esses resultados confirmam que a formação de uma película polimérica coesa sobre a superfície da pilha reduz a taxa de infiltração de água e retarda a perda de material particulado. Esse comportamento contrasta com os métodos convencionais, como a simples aspersão de água, que apresentam eficácia momentânea e exigem reaplicações contínuas (ZHANG et al., 2020). 
Em continuidade, foram realizados testes em escala industrial nas instalações da Ternium Brasil, onde pilhas de carvão mineral receberam aplicações dos produtos. Observouse a formação de uma crosta protetora visível, capaz de resistir à ação de chuvas e ventos durante períodos prolongados. Fotografias comparativas evidenciam que, enquanto pilhas não tratadas sofrem erosão e perda de material já nos primeiros dias, as pilhas tratadas mantêm-se intactas e estáveis por mais tempo (FERNANDES et al., 2023). 
A aplicabilidade em escala industrial pode ser observada nas Figuras 5 e 6, onde se compara uma pilha tratada com supressor polimérico e uma pilha sem tratamento, após exposição às intempéries (Benetech 2023). 
 	 
Figura5 – Pilha tratada após exposição a chuva e vento. 
 
Fonte
 
–
 
Benetech (2023).
 
 
 
Figura 6 – Pilha não tratada após exposição a chuva e vento. 
 
Fonte
 
–
 
Benetech (2023).
 
 
Essas evidências em campo reforçam a aplicabilidade industrial dos supressores poliméricos de base celulósica, demonstrando que sua utilização não apenas melhora o controle de particulados, mas também preserva a qualidade do carvão estocado, evitando perdas energéticas e econômicas. 
 Os resultados obtidos, tanto em condições laboratoriais controladas quanto em escala industrial, demonstram de forma consistente a superioridade dos supressores poliméricos de base celulósica frente aos métodos convencionais. A capacidade de reduzir significativamente a absorção de água, retardar a erosão superficial e formar crostas protetoras estáveis confere a esses produtos um papel estratégico no controle de emissões fugitivas em pátios de estocagem. Além de contribuir para a preservação da qualidade do carvão estocado, os ensaios reforçam a viabilidade operacional da tecnologia em ambientes industriais de grande porte, como observado nos testes realizados na Ternium Brasil. Dessa forma, os estudos laboratoriais e de campo consolidam os supressores de base celulósica como uma solução eficaz, sustentável e alinhada às atuais exigências ambientais e normativas. 
2.8. Estudos laboratoriais e aplicações industriais de supressores 
 
A adoção de supressores poliméricos de base celulósica em pátios de estocagem gera benefícios que extrapolam a eficiência operacional, impactando positivamente os âmbitos ambiental, econômico e social. Tais ganhos os tornam uma ferramenta estratégica não apenas para o controle de particulados, mas também para o atendimento a padrões internacionais de sustentabilidade e governança. 
 
Do ponto de vista ambiental, a principal vantagem está na redução drástica do consumo de água, quando comparado à aspersão convencional. Enquanto o método tradicional exige reaplicações frequentes com volumes significativos de água potável ou industrial, os supressores formam uma crosta duradoura, reduzindo a necessidade de reaplicações (ZHANG et al., 2020; WANG et al., 2022). Além disso, por serem derivados de biomassa vegetal, apresentam biodegradabilidade natural, decompondo-se sem deixar resíduos persistentes no solo, diferentemente de polímeros sintéticos derivados do petróleo (ZHOU et al., 2023). 
 
No aspecto econômico, destacam-se a redução das perdas de massa estocada e a consequente preservação do valor energético do carvão e de outras matérias-primas. Os testes laboratoriais demonstraram que pilhas tratadas com Green Carpet Plus® tiveram até 85% menos perda de material em comparação ao grupo controle. Em escala industrial, isso se traduz em redução de custos diretos por perda de matéria-prima e de custos indiretos relacionados a processos de limpeza e manutenção de áreas afetadas pela dispersão de poeira (FERNANDES et al., 2023). 
 
Sob a ótica de ESG (Environmental, Social and Governance), os supressores celulósicos fortalecem o compromisso das empresas com práticas de sustentabilidade. Ambientalmente, atendem a exigências normativas e reduzem riscos de autuações por emissões acima dos padrões legais (CONAMA, 2018; OMS, 2021). No âmbito social, contribuem para a saúde ocupacional, reduzindo a exposição de trabalhadores a poeiras minerais associadas a doenças respiratórias (ALGRANTI et al., 2013). No campo da governança, o uso de tecnologias limpas demonstra alinhamento a metas globais de responsabilidade corporativa, facilitando o acesso a linhas de financiamento verde e reforçando a reputação institucional. 
 
Esses benefícios integrados evidenciam que o uso de supressores de base celulósica não se restringe a uma solução técnica pontual, mas representa uma estratégia sustentável de longo prazo, alinhada às tendências globais de descarbonização e gestão responsável dos recursos naturais. 
 
2.8. Limitações perspectivas futuras 
 
Apesar dos avanços obtidos com o uso de supressores poliméricos de base celulósica, algumas limitações ainda precisam ser consideradas. A principal delas está associada à durabilidade em condições climáticas extremas, como períodos prolongados de chuva intensa, que podem reduzir a eficácia da película formada e exigir reaplicações mais frequentes (FERNANDES et al., 2023). Outra limitação diz respeito à variação de desempenho entre diferentes tipos de matérias-primas: materiais mais finos, como sínter feed, tendem a apresentar maior suscetibilidade à erosão, demandando ajustes na formulação ou na concentração do supressor (ZHANG et al., 2020). 
 
Do ponto de vista econômico, embora o custo-benefício seja favorável em médio prazo, o investimento inicial em produtos supressores ainda pode ser visto como uma barreira por empresas que utilizam métodos convencionais. Isso é especialmente relevante em países em desenvolvimento, onde a pressão por redução de custos operacionais pode sobrepor-se às preocupações ambientais (SABA et al., 2021). 
 
Em termos de pesquisa, observa-se a necessidade de ensaios de longo prazo que avaliem não apenas a eficácia imediata, mas também o comportamento do material ao longo de diferentes ciclos climáticos e operações de movimentação de pilhas. Há também espaço para estudos que explorem a sinergia com outras técnicas de mitigação, como barreiras físicas e sistemas de monitoramento em tempo real da dispersão de particulados. 
 
No campo da inovação, destacam-se as perspectivas futuras ligadas ao desenvolvimento de formulações híbridas que combinem polímeros celulósicos com aditivos de origem natural, ampliando a resistência mecânica da película e sua capacidade de repelência à água (ZHOU et al., 2023). Outro caminho promissor envolve a integração desses supressores a políticas corporativas de descarbonização e economia circular, aproveitando resíduos de biomassa como matéria-prima para a síntese de novas formulações, o que fortalece ainda mais o alinhamento às práticas ESG. 
 
Assim, embora ainda existam desafios técnicos e econômicos, o avanço contínuo das pesquisas e a crescente pressão regulatória indicam que os supressores poliméricos de base celulósica tendem a ocupar um papel central no futuro das estratégias de controle de emissões fugitivas em pátios industriais. 
 
3. MATERIAIS E MÉTODOS 
 
3.1. Materiais Utilizados 
 
Para a execução dos ensaios laboratoriais e em escala industrial, foram empregados materiais representativos das condições reais de operação em pátios de estocagem de matérias-primas siderúrgicas. 
 
O principal insumo avaliado foi o carvão mineral, amplamente utilizado como redutor nos altos-fornos da Ternium Brasil. Trata-se de um material pulverulento, de granulometria variada (frações finas e grossas), elevada suscetibilidade ao arraste eólico e à erosão hídrica, o que o torna adequado para estudos de emissão de particulados (CETESB, 2020). Amostras do carvão foram coletadas diretamente no pátio de estocagem da empresa, garantindo a representatividade do material. Para os ensaios em escala reduzida, foram preparadas mini pilhas de aproximadamente 5 kg, acondicionadas em bandejas plásticas de diâmetro padronizado. 
 
Foram utilizados dois supressores fornecidos pela empresa Benetech, ambos formulados a partir de polímeros de base celulósica: 
 
· Green Carpet®: versão comercial tradicional, utilizada como referência tecnológica. 
 
· Green Carpet Plus®: formulação aprimorada, desenvolvida para aumentar a resistência à lixiviação e à infiltração de água. 
 
Os produtos foram disponibilizados em embalagens originais e diluídos em água de acordo com recomendações técnicas do fabricante, respeitando as concentrações indicadas para aplicação em campo. A escolha desses insumos se justifica por representarem as formulações atualmente aplicadas em operações industriais, com resultados prévios de campo já reportados em relatórios técnicos internos (FERNANDES et al., 2023). 
 
Para a simulação das condições pluviométricas, foi utilizado um sistemasimulador de chuva desenvolvido em escala laboratorial, composto por bicos aspersores, bomba hidráulica e reservatório de abastecimento. O equipamento foi calibrado para gerar precipitações de até 70 mm/h, intensidade compatível com eventos extremos observados em regiões tropicais (WANG et al., 2022). O sistema possibilitou a aplicação uniforme da água sobre as mini pilhas, reproduzindo de forma controlada o processo erosivo. 
 
O monitoramento da massa das amostras foi realizado por meio de uma balança eletrônica de precisão, com capacidade de até 15 kg e resolução de 0,1 g, assegurando a confiabilidade na detecção de variações mesmo em pequenas escalas de tempo. Esse instrumento permitiu acompanhar tanto o ganho de massa devido à absorção de água quanto a perda por carreamento superficial. 
 
Nos ensaios em escala industrial, foram utilizadas pilhas de carvão mineral com aproximadamente 3.000 toneladas cada, localizadas no pátio de estocagem da Ternium Brasil. Para a aplicação dos produtos, empregou-se um caminhão aspersor pressurizado, equipado com barra de bicos distribuidores, garantindo a homogeneidade do recobrimento superficial. O acompanhamento visual e fotográfico das pilhas ao longo de três semanas possibilitou a comparação qualitativa entre pilhas tratadas e não tratadas. 
 
3.2 Metodologia experimental em laboratório 
 
Os ensaios laboratoriais foram conduzidos com o objetivo de simular, em escala reduzida e controlada, as condições pluviométricas a que as pilhas de carvão mineral são submetidas em pátios industriais. Essa etapa metodológica buscou criar um ambiente experimental reprodutível, permitindo a comparação direta entre pilhas tratadas com diferentes formulações de supressores e um grupo controle. A metodologia adotada foi baseada em protocolos já descritos em estudos de avaliação de supressores químicos em materiais particulados (ZHANG et al., 2020; WANG et al., 2022), adaptados às características específicas dos produtos fornecidos pela Benetech. 
 
3.2.1. Preparo das amostras 
 
O carvão mineral utilizado nos testes foi coletado diretamente no pátio de estocagem da Ternium Brasil, garantindo representatividade das condições operacionais reais. Após a coleta, o material foi homogeneizado e submetido a uma triagem granulométrica básica, de forma a eliminar impurezas grosseiras e obter amostras com granulometria mais uniforme, favorecendo a comparabilidade dos resultados. O teor de umidade inicial foi reduzido por secagem ao ar, assegurando que todas as pilhas experimentais partissem de condições semelhantes. 
 
Foram preparadas mini pilhas de aproximadamente 5 kg, moldadas em bandejas plásticas cilíndricas com 30 cm de diâmetro e 10 cm de altura. Esse procedimento seguiu metodologias aplicadas em experimentos de erosão de solos e pilhas minerais em escala reduzida (FERNANDES et al., 2023), permitindo a replicação e a padronização entre os grupos analisados. 
 
3.2.2. Grupos experimentais 
 
O experimento foi estruturado em três grupos distintos: 
 
1. Controle – pilha sem aplicação de qualquer supressor; 
 
2. Green Carpet® – pilha tratada com o supressor polimérico de base celulósica em formulação convencional; 
 
3. Green Carpet Plus® – pilha tratada com a formulação aprimorada, desenvolvida para maior resistência à lixiviação. 
 
As soluções foram preparadas em diluição de 1:20 (produto:água), conforme recomendações técnicas do fabricante, e aplicadas por meio de pulverizador manual pressurizado, com bicos de jato cônico, garantindo cobertura uniforme sobre toda a superfície da pilha. 
 
3.2.3. Sistema simulador de chuva 
 
Após a aplicação dos produtos, as mini pilhas foram submetidas ao simulador de chuva laboratorial, especialmente desenvolvido para o presente estudo. O sistema era composto por um reservatório de abastecimento, bomba hidráulica de pressão regulável e barra de bicos aspersores, posicionada a 1,2 m de altura em relação às amostras. 
 
O simulador foi calibrado para reproduzir precipitações de até 70 mm/h, intensidade compatível com eventos pluviométricos extremos registrados em regiões tropicais (WANG et al., 2022). Essa calibração foi confirmada por meio de pluviômetro padrão posicionado na área de aplicação. O ângulo de aspersão e a vazão dos bicos foram ajustados de modo a garantir distribuição homogênea da lâmina d’água sobre todas as pilhas simultaneamente. 
 
A disposição do equipamento e das mini pilhas durante os ensaios pode ser observada nas figuras a seguir (Figura 7 e Figura 8): 
 
Figura 7
 
–
 
Simulador de chuva.
 
 
 
 
Fonte: Benetech (2023). 
Figura 8 – Mini pilhas usadas. 
 
 
 
Fonte: Benetech (2023).
 
 
 
 
3.2.4. Procedimentos de monitoramento 
 
Durante o ensaio, que teve duração total de 90 minutos, as pilhas foram monitoradas em intervalos de 10 minutos. Em cada intervalo, registrou-se: 
 
· Integridade superficial: observação visual da formação e manutenção da crosta polimérica; 
 
· Infiltração: presença de zonas encharcadas ou pontos de saturação; 
 
· Carreamento: indícios de erosão superficial ou desprendimento de partículas. 
 
Além dos registros visuais, foram realizadas fotografias em alta resolução para documentação do processo. Esse procedimento permitiu avaliar a evolução do comportamento das pilhas ao longo do ensaio, sem necessidade de inserir diretamente resultados quantitativos nesta etapa. 
 
3.2.5. Critérios de análise 
 
A avaliação metodológica considerou o tempo até o início da degradação superficial, a resistência da película formada frente à ação da água e o comportamento comparativo entre os tratamentos. Esses parâmetros qualitativos foram posteriormente correlacionados aos resultados obtidos em escala industrial, descritos na seção seguinte. A adoção desse conjunto de critérios está em consonância com metodologias descritas em literatura sobre ensaios de mitigação de emissões fugitivas (ZHANG et al., 2020; SABA et al., 2021). 
 
3.3 Metodologia em escala industrial 
 
Os ensaios em escala industrial foram conduzidos com o objetivo de validar, em condições reais de operação, os resultados obtidos em laboratório. Essa etapa foi realizada no pátio de estocagem da Ternium Brasil, local onde diariamente são formadas pilhas de carvão mineral utilizadas nos processos de sinterização e alto-forno. 
 
3.3.1 Seleção das pilhas 
 
Foram selecionadas duas pilhas de aproximadamente 3.000 toneladas cada, com características semelhantes quanto a granulometria, teor de umidade e disposição no pátio. Essa equivalência foi fundamental para assegurar a comparabilidade entre o grupo controle, que não recebeu tratamento, e o grupo tratado, submetido à aplicação do produto Green Carpet Plus®. A escolha dessa formulação justifica-se pelos resultados superiores observados em ensaios laboratoriais (WANG et al., 2022). 
 
3.3.2 Preparação e aplicação do supressor 
 
A solução do produto foi preparada em diluição recomendada pelo fabricante, garantindo homogeneidade e padronização em relação às aplicações realizadas em escala reduzida. A aplicação foi conduzida com auxílio de um caminhão aspersor pressurizado, equipado com barra de bicos distribuidores, que percorreu toda a extensão da pilha em velocidade controlada, assegurando a uniformidade da cobertura superficial. 
 
O volume total aplicado foi calculado com base na área estimada da pilha, respeitando o mesmo princípio de proporcionalidade adotado nos ensaios laboratoriais, de forma a permitir a comparação entre escalas distintas (FERNANDES et al., 2023). 
 
3.3.3 Monitoramento e registro de dados 
 
O desempenho das pilhas foi monitorado ao longo de três semanas consecutivas, abrangendo períodos de chuva intensa e de ventos de alta velocidade. As avaliações foram realizadas por meio de: 
 
· Inspeções visuais diárias, observando aspectos como integridade da crosta, presença de erosão e dispersão de material; 
 
· Registros fotográficos periódicos, realizados sempre do mesmo ponto de observação, permitindo comparações diretas entre os dias de acompanhamento; 
 
· Observaçõescomparativas entre pilha tratada e controle, destacando diferenças na estabilidade superficial e na conservação do material estocado. 
 
3.3.4 Representação gráfica do procedimento 
 
A aplicação do supressor em escala industrial está representada na Figura 9, que mostra o profissional aplicando pessoalmente, em uma das maneiras de aplicação. 
 
Figura 
9
 
–
 
Mini pilhas usadas.
 
Fonte: Benetech (2023).
 
3.4 Tratamento e análise dos dados 
 
A análise dos dados obtidos nos ensaios laboratoriais e industriais foi conduzida de forma sistemática, de modo a garantir a confiabilidade dos resultados e permitir comparações entre os diferentes grupos avaliados. 
 
3.4.1 Organização dos registros 
 
Os dados coletados nos ensaios laboratoriais foram inicialmente tabulados em planilhas eletrônicas, contemplando variáveis como tempo de exposição, observações visuais de formação de crosta, início de erosão superficial e comportamento comparativo entre os grupos. As fotografias realizadas ao longo dos experimentos foram organizadas em sequência cronológica, permitindo o acompanhamento visual da evolução das pilhas. 
 
No caso dos ensaios industriais, os registros fotográficos e visuais foram igualmente organizados em tabelas comparativas, possibilitando a confrontação direta entre as pilhas tratadas e o grupo controle ao longo do período de três semanas de monitoramento. 
 
3.4.2 Critérios de interpretação 
 
A interpretação dos resultados considerou parâmetros qualitativos e quantitativos. 
 
· Qualitativos: resistência da crosta superficial, preservação da coloração natural do carvão, redução de poeira visível e integridade da pilha. 
 
· Quantitativos: tempo até o início da degradação superficial, número de dias de resistência sob condições adversas e frequência de reaplicação necessária. 
 
Esses critérios foram fundamentados em metodologias aplicadas em estudos anteriores que avaliaram a eficácia de supressores de poeira em ambientes laboratoriais e industriais (ZHANG et al., 2020; SABA et al., 2021; WANG et al., 2022). 
 	 
3.4.3 Construção de gráficos e quadros comparativos 
 
Os dados provenientes dos ensaios laboratoriais foram utilizados para a elaboração de gráficos comparativos, que posteriormente foram inseridos no Capítulo 4 (Resultados). Entre os principais, destacam-se: 
 
· Evolução do incremento de massa ao longo do tempo; 
 
· Percentual de água repelida durante o ensaio de chuva simulada. 
 
Para os ensaios industriais, as informações foram sintetizadas em quadros comparativos que relacionaram aspectos de desempenho, como durabilidade da crosta, resistência a chuvas e ventos e necessidade de reaplicação. 
 
3.4.4 Garantia da reprodutibilidade 
 
O tratamento metodológico foi estruturado de forma a assegurar que os experimentos pudessem ser replicados em futuras investigações. Para isso, todas as condições de preparo, aplicação e monitoramento foram detalhadas e documentadas, permitindo que pesquisadores e profissionais do setor industrial repliquem os procedimentos em contextos semelhantes. 
 	 
4. RESULTADOS 
 
4.1 Resultados laboratoriais 
 
Os ensaios em escala reduzida permitiram avaliar a absorção de água e a capacidade de repelência hídrica das pilhas de carvão tratadas e não tratadas. As massas foram registradas em intervalos regulares de 10 minutos durante o período de simulação, possibilitando a comparação direta entre os grupos experimentais. 
 
A Tabela 1 apresenta os valores de massa obtidos ao longo do tempo, bem como o percentual de incremento em relação ao peso inicial das amostras. Observa-se que a pilha sem tratamento apresentou aumento expressivo de massa logo nos primeiros minutos, atingindo a saturação em cerca de 20 minutos de ensaio. Por outro lado, as pilhas tratadas com Green Carpet® e Green Carpet Plus® retardaram significativamente esse processo, destacando-se o Green Carpet Plus®, que apresentou absorção controlada até os 60 minutos de simulação. 
 
Tabela 1 – Massa das amostras ao longo do tempo e percentual de incremento. 
 
Fonte: Benetech (2023).
 
 
Os resultados indicam que o uso de supressores poliméricos contribui para reduzir a infiltração de água, promovendo maior estabilidade superficial das pilhas de carvão. Essa redução do ganho de massa está diretamente associada à formação de crostas superficiais, que funcionam como barreiras físicas à penetração da água (ZHANG et al., 2020; WANG et al., 2022). 
 
Complementando a análise, a Tabela 2 apresenta os valores de massa e o percentual de água repelida ao longo do tempo. O Green Carpet Plus® demonstrou desempenho superior, com valores de repelência superiores a 80% durante todo o ensaio, enquanto a pilha controle apresentou comportamento inverso, absorvendo grande parte da água aplicada. O Green Carpet® apresentou desempenho intermediário, superior ao controle, mas inferior ao Green Carpet Plus®. 
Tabela 2 – Pilha controle após exposição a chuvas. 
 
 
Fonte: Benetech (2023). 
 
Esses resultados confirmam a eficácia do Green Carpet Plus® em proporcionar maior resistência à lixiviação e melhor repelência hídrica, garantindo maior durabilidade da pilha frente à ação de chuvas intensas. Tais achados estão alinhados à literatura recente sobre supressores poliméricos de base celulósica, que têm sido amplamente estudados pela sua biodegradabilidade e eficiência no controle da erosão superficial (SABA et al., 2021; FERNANDES et al., 2023). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
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BAIRD, C. Química Ambiental. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. 
 
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Companhia Ambiental do Estado de São Paulo, 2020. 
 
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