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NEUROMARKETING AULA 1 Prof. Elizeu Barroso Alves CONVERSA INICIAL Aspectos introdutórios O marketing como ferramenta de gestão vem evoluindo mais a cada dia, e o neuromarketing é um dos exemplos dessa evolução, que tem possibilitado aos profissionais de marketing conhecer melhor os seus clientes e com isso ofertar seus produtos e serviços na medida certa. Neuromarketing é a junção dos estudos neurais (neurociência) aos estudos de marketing, que possibilita uma visão mais acurada sobre os consumidores, em que não os analisamos apenas por seu comportamento no dia a dia, como também os processamentos das informações no cérebro humano. Nesta aula vamos estudar a base dessa ferramenta, ou seja, seus aspectos iniciais que vão definir o que é o neuromarketing e diferenciá-lo do marketing. Esta aula está dividia em cinco temas principais, os quais são: 1. Breve histórico da neurociência e do marketing: o que é neuromarketing? 2. Diferença entre marketing e neuromarketing. 3. A divisão trina do cérebro: o tronco cerebral (sistema reptiliano ou R- complex). 4. A divisão trina do cérebro: o sistema límbico. 5. A divisão trina do cérebro: neocórtex. Assim, após essa aula você dominará os aspectos introdutórios de nossa disciplina. #Partiu CONTEXTUALIZANDO Quando se pensa em neuromarketing, uma das teorias que são de base é a teoria do cérebro trino, a qual divide o cérebro em três locais, conforme podemos ver na figura a seguir. 3 Figura 1 – O cérebro trino Crédito: Designua/Shutterstock. Agora imaginamos que você acaba de ser contratado para atuar em uma empresa automobilística no Paraná. Sua missão é elaborar uma campanha de marketing que reforce os aspectos primários de segurança. Assim, suas estratégias estão mais voltadas para o cérebro: a. Tronco cerebral. b. Sistema límbico. c. Néocortex. Comentário: a alternativa que apresenta a resposta correta é a (a), pois essa é a parte que trata nossos instintos, como o de sobrevivência. TEMA 1 – BREVE HISTÓRICO DA NEUROCIÊNCIA E DO MARKETING: O QUE É NEUROMARKETING? Já sabemos que o marketing é uma ferramenta altamente eficaz para as empresas; é por meio delas que eles podem entregar a sua proposta de valor aos clientes. 4 Com isso, queremos dizer que as empresas devem entregar suas propostas de valor por meio de seus produtos e/ou serviços, e por proposta de valor entendemos que seja o atendimento satisfatório das expectativas dos clientes. E, para que isso ocorra, a empresa deve conhecer muito bem os seus clientes. Com a evolução das estratégias e a amplificação do escopo do marketing, os mercadólogos (ou profissionais de marketing) vêm se atualizando de diversas estratégias e táticas para alcançar seus objetivos. Ora, marketing significa mercado em ação, logo, há um movimento que é um arcabouço de estratégias refinadas sobre o comportamento psicológico dos consumidores. É o alinhamento do marketing, psicologia e a neurociência. Note que aqui vamos além do comportamento dos consumidores. O neuromarketing, segundo Rama (2019, n. p.) é “o estudo das reações que acontecem no nosso cérebro e que nos fazem tomar uma ação, mesmo que seja por um impulso”. Então, vamos ver que o neuromarketing abarca estratégia de marketing sob o comportamento dos consumidores. À primeira vista, parece que são ferramentas para controlar os consumidores, o que não perfaz a verdade, pois com o neuromarketing podemos entender como se comporta o cérebro no que se refere à razão, à emoção ou ao instinto, e, com isso, conseguimos ofertar o produto certo para o consumidor certo, okay? O neuromarketing surgiu no final da década de 1990 através de estudos acadêmicos de um grupo de pesquisadores nos Estados Unidos. Um deles, Gerald Zaltman, médico e pesquisador da universidade norte-americana de Harvard, teve a ideia de usar aparelhos de ressonância magnética para fins de marketing, e não estudos médicos. O termo “neuromarketing”, no entanto, só viria a ser conhecido alguns anos atrás, cunhado por Ale Smidts, um professor de marketing na Erasmus University em Roterdã, Holanda. E foi no início desse século que esta “ciência” passou a ganhar maior atenção, de tal forma que a próxima década pode marcar a consolidação dessa ferramenta. (Guilherme Neto, 2008, n. p.) Assim, temos que a área da neurociência dentro do escopo de marketing é uma área nova e que vem crescendo a cada dia. Note que aqui não buscamos compreender o consumidor pelo seu aspecto comportamental. Como estamos alinhando o marketing com a neurociência, estamos buscando entender a essência de seu comportamento, a raiz de seu comportamento. O neuromarketing nada mais é do que aplicar as tecnologias de neurociência para fins do marketing. Sua utilidade está pautada na 5 aplicação de tomografia cerebral para identificar as reações geradas no cérebro humano quando as pessoas recebem determinados estímulos. Através de testes de ressonância magnética é possível medir a dilatação da pupila, a resposta muscular e a temperatura da pele de um indivíduo quando ele é estimulado. O neuromarketing, então, usa essas informações para estimar o tempo de resposta, a frequência e a localização da atividade neuronal, visando assim otimizar seus anúncios e estratégias de comunicação. (Martinson, 2019, n. p.) Agora olhamos para nossos consumidores como seres biológicos, psicológicos, antropológicos no qual com o estudo neural de suas ações tem muito a dizer sobre o seu comportamento. Quer um exemplo? Não fique chateado, mas, não existe “cheiro de carro novo”, o que é feito em muitas empresas automobilistas é colocar uma essência que te remeta essa ideia. Aliás, pesquise na internet, com certeza você vai encontrar essa essência para comprar. 6 Figura 2 – Exemplo do cheiro do carro novo Crédito: Fotopunct Studio/Shutterstock. Aliás, os sentidos servem como gatilho para o neuromarketing. Ou você nunca ouviu uma música e lembrou de alguém? Fique tranquilo que mais adiante abordaremos essas táticas. O que deve ficar claro para você nesse início que a área do neuromarketing se apresenta como uma excelente ferramenta para as empresas. Com tal precisão, o neuromarketing é possível monitorar as emoções vividas durante as experiências de consumo. Essa ciência estuda neurologicamente o estado cerebral de uma pessoa quando exposta a mensagens relacionadas com experiências de consumo, tornando possível a identificação das zonas do cérebro estimuladas. Os aparelhos de ressonância magnética fazem esse trabalho, conseguindo traçar as atividades cerebrais, a formação de sinapses e reações. (Guilherme Neto, 2008, n. p.) Com isso podemos apontar que o neuromarketing vai além dos estudos tradicionais do marketing sobre o comportamento do consumidor. Vale lembrar que estamos no marketing 3.0 que é voltado ao ser humano, com isso essa área nos possibilita adentrar dentro da mente dos consumidores por meio de sua experiência de consumo. Mas marketing e neuromarketing são a mesma coisa? Veremos a seguir que não, são complementas e extensivas. Saiba mais Leia essas páginas do livro: RODRIGUES-LIMA, N. Negociações de alto impacto com técnicas de neuromarketing: neurocriação. São Paulo: Brasport, 2017. Capítulo 3. 7 TEMA 2 – DIFERENÇA ENTRE MARKETING E NEUROMARKETING De antemão já podemos concluir que o marketing é anterior ao neuromarketing. Primeiro em uma visão cronológica, em que os estudos do marketing nasceram lá na segunda metade do século passado, quando Theodore Levitt lançou seu artigo “Miopia em marketing”, e com os estudos de Jerome McCarthy, que culminaram no famigerado composto de marketing, os famosos 4 Ps (produto, preço, praça e promoção). Porém, nenhum outro autor ficou reconhecido mundialmente como expertna temática do que Philip Kotler. O neuromarketing começa a ser estudado na última década do século XX, ganhando um imenso destaque nos anos posteriores. E, a pergunta é: Por que isso ocorreu? Pela evolução e amadurecimento do marketing e o avanço da ciência. Logo, podemos apontar que as ferramentas de neuromarketing são um avanço dentro da lógica do próprio marketing. Vejamos a seguir a evolução do marketing, assim, ficará mais claro para você acompanhar essa evolução. Quadro 1 – Evolução do marketing Tipo de marketing Explicação Marketing 1.0 Nesse período a oferta (fornecedores) era muito menor do que a demanda (consumidores), e o poder de decisão – barganha – do consumidor era baixo. Com isso o marketing acabou focando seus esforços no produto e não no cliente. Marketing 2.0 Com o crescimento do número de empresa, o cliente começou a ter mais opção de escolha, ele poderia comprar da empresa A ou da B. Esse novo cenário forçou as empresas a perseguirem a satisfação do cliente, algo além de somente atendê-los. Nesse contexto práticas de CRM e de estudos de mercado são muito eficientes. O foco passou a ser o cliente Marketing 3.0 Kotler define três pilares da teoria 3.0: colaboração, cultura e espiritualidade. Esse modelo de marketing possui foco nos valores, entende o consumidor como ser humano. Está totalmente atrelado ao planejamento estratégico da empresa Marketing 4.0 O conceito principal já está na própria capa do livro Moving from Traditional to Digital. Sair do tradicional para o digital é a vertente mais importante. Não é novidade falar que o mundo digital é um dos mais importantes meios para interagir com o seu cliente e divulgar sua empresa, mas temos que saber que a internet está repleta de tubarões. Todo conteúdo que temos no meio virtual é intitulado BIG DATA e este ambiente está cada vez mais concorrido. Fonte: elaborado com base em Damazio, 2017, n. p. Vejamos a sintetização no infográfico a seguir. 8 Figura 3 – Infográfico da evolução do marketing Crédito: Axpop/Vladimir Kramin/Bioraven/Vaalaa/Shutterstock. Assim, temos que marketing é, segundo a American Marketing Association (AMA, 2020) “é a atividade, conjunto de instituições e processos para 9 criar, comunicar, entregar e trocar ofertas que tenham valor para clientes, clientes, parceiros e a sociedade em geral”. E, o objetivo do neuromarketing é O objetivo principal do neuromarketing é estudar como o cérebro humano reage a determinados estímulos, que podem ser desde imagens, cores, cheiros etc. Os estímulos têm como objetivo despertar desejo, necessidade, urgência, entre outros comportamentos. É com base nesses resultados que as empresas posicionam suas marcas e a comunicação com o mercado. (Aro Eleven, [s.d.], n. p.) Sabia que foi desenvolvida pela neurocientista Paul MacLean a teoria do cérebro trino, e isso tem tudo a ver com o neuromarketing? Segundo essa teoria, nosso cérebro se divide em três partes: tronco cerebral, límbico e neocórtex, que veremos mais a fundo a seguir. TEMA 3 – TEORIA DA DIVISÃO TRINA DO CÉREBRO Já te introduzimos a existência de uma teoria sobre o cérebro, nesse caso, a teoria do cérebro trino, de Paul MacLean. Mas, antes, gostaria de discutir como o nosso cérebro funciona, okay? O cérebro, que é considerado o núcleo de inteligência e aprendizagem do nosso corpo, é a maior parte do encéfalo, compondo cerca de 80% da massa total dessa parte do SNC. Ele pode ser dividido em duas partes, o hemisfério cerebral esquerdo e o direito, que estão conectados pelo corpo caloso, uma estrutura formada por um espesso feixe de fibras nervosas. […] Podemos dividir os hemisférios cerebrais em quatro lobos, que recebem o nome de acordo com o osso do crânio situado acima dele: Lobo frontal – Relacionados com trabalho criativo, raciocínio, personalidade, tomada de decisões, movimentação dos músculos esqueléticos, entre outras funções; Lobo temporal – Atua, principalmente, na comunicação, relacionando- se com a fala, audição e, até mesmo, a escrita; Lobo parietal – Relacionado, entre outras funções, com a percepção de dor, frio, calor e toques; Lobo occipital – Possui relação com o processamento das informações visuais. (SANTOS, [s.d.], n. p.) E é a partir do entendimento de como se estrutura o cérebro humano que podemos nos ater à teoria da teoria do cérebro trino. Veja a figura a seguir. 10 Figura 4 – Divisão do cérebro segundo a teoria do cérebro trino Crédito: Designua/Shutterstock. 3.1 Tronco cerebral Vamos iniciar nossa jornada de entendimento dos aspectos do cérebro trino pela parte que chamamos de tronco cerebral; na teoria do cérebro trino essa estrutura foi nominada por MacLean de cérebro reptiliano, e se você se lembrou dos répteis, meus parabéns! Essa é a ideia, visto que está é a área cerebral no qual compartilhamos com répteis e pássaros e nos faz manter o sistema de alerta e impulso (instintos básicos) ativos durante toda a vida. Martinson (2019, n. p.), apresenta que “é a parte responsável pelos reflexos relacionados às emoções primitivas. Ele é o responsável por acionar nossos instintos de sobrevivência, controlando funções básicas como fome, sono e segurança”. Logo, essa parte é que está associada as ações dos instintos que são nossos impulsos interiores, em uma visão não racional. Aqui se encontra nossas funções corporais mais básicas. Avançando, temos: Esse tipo de cérebro não é reflexivo e, contrariamente, age de forma inconsciente e por instinto. Ao ter como função principal encargar-se da nossa própria sobrevivência, se considera que também que também acaba dificultando os nossos objetivos pessoais, uma vez que apenas se sente seguro unicamente estando em território familiar e, quando entra em território desconhecido, se sente sumamente ameaçado e prefere fugir e escapar antes de encarar algo novo. (Glover, 2019, n. p.) 11 Vamos ver suas funções, segundo a psicologia Quadro 2 – Tronco cerebral – o cérebro reptiliano: funções segundo a psicologia Partes Explicação A sobrevivência Como vimos antes, a principal função é a de nos manter protegidos perante qualquer ameaça que se apresente e, assim, garantir a nossa sobrevivência. Embora essa seja uma função essencial e de grande importância, em alguns momentos, pode impedir-nos de atingir os nossos objetivos de vida na hora de encarar situações novas, se não for bem controlada. Isso acontece porque interpreta situações desconhecidas como possíveis ameaças e prefere permanecer na “zona de conforto”. Regular as funções vitais básicas Como vimos anteriormente, se encarrega de regular as nossas funções básicas como a respiração e as funções cardíacas. Evita a dor Ocupa-se de procurar o prazer e todas as sensações agradáveis para a pessoa. Comportamento territorial É um dos nossos próprios instintos de sobrevivência e faz com que tenhamos tendência a defender o nosso lar e cuidar das pessoas mais próximas, assim como dos nossos bens. Necessidade reprodutiva Para garantir a sobrevivência, o cérebro réptil tem como função ativar o nosso instinto e motivação sexual, o que faz com que nos atraiam outras pessoas. Fonte: Glover, 2019, n. p. Assim, com o neuromarkting nós conseguimos criar estratégias mercadológicas que possam acessar essa parte do cérebro e melhor ofertar os produtos e serviços aos clientes. A palavra-chave aqui é conforto e segurança! E a parte límbica? É a que veremos a seguir. 3.2 O sistema límbico Se a parte reptiliana do cérebro nos remete aos nossos instintos, a parte que se refere ao sistema límbico é onde “reside” os sentimentos. Segundo Martinson (2019, n. p.) “este é o segundo nível cerebral, responsável por controlar emoções mais complexas e sensações relacionadas aos cinco sentidos. É nele que estão presentes estruturas como o hipocampo, responsável pela memória. Lembra queeu lhe disse sobre o cheirinho de carro novo e de ouvir aquela música e lembrar de alguém ou alguma situação? Então, essa é a parte do cérebro responsável por isso. Lembre-se dos cinco sentidos: • Olfato (nariz). 12 • Tato (mão). • Audição (ouvido). • Visão (olhos). • Paladar (boca/língua). Então, eles entram em ação para aflorar as nossas emoções. Talvez seja a parte mais estudada dentro do cérebro para revelar a sua proeminência de ser rápido, automático, impulsivo, associativo, emocional e inconsciente, traduzido por decisões com bases dicotômicas. O sistema límbico é a parte do nosso cérebro encarregada de regular as respostas fisiológicas e emocionais do nosso corpo. As estruturas anatômicas do sistema límbico são as responsáveis por processar as nossas emoções e regular a nossa conduta, assim o sistema límbico do cérebro funciona como o centro das emoções. Essa parte do cérebro sempre despertou muita curiosidade dentro da comunidade científica e no mundo da psicologia já que é incrível investigar como uma parte concreta da nossa anatomia pode regular algo tão importante como as nossas emoções. (Gallardo, 2019, n. p.) Vejamos agora sua estrutura que se dividem em hipotálamo, hipocampo, amígdala e gânglios da base. 13 Figura 5 – Estrutura do sistema límbico Crédito: Joshya/Shutterstock. Vamos entender essa divisão com o quadro a seguir: Quadro 3 – Estrutura do sistema límbico Partes Explicação Hipocampo Esse elemento está relacionado com a transformação da memória recente pela memória de longo prazo e a memória autobiográfica. O encontramos na parte central do lóbulo temporal (1) e também tem uma importante função relacionada à orientação e à memória espacial. Amígdala ou amígdala cerebral A amígdala ou corpo amigdalino é uma massa de neurônios em forma de uma amêndoa localizada em um dos lóbulos temporais (2). Essa zona do sistema límbico está relacionada com a formação e o armazenamento de memória associada a feitos e acontecimentos que nos produziram fortes emoções. Se diz que a amígdala cerebral é a sede de todas as emoções. Além disso, estudos recentes também demonstram que esse elemento tem uma forte implicação na consolidação da memória. Tálamo e hipotálamo O tálamo é definido como a estrutura cerebral situada em cima do hipotálamo (3). Todos os estímulos sensoriais (menos o olfato) passam por essa região do nosso sistema límbico para depois se derivar a zonas mais específicas. Essa parte do nosso cérebro tem a função principal de se comportar como núcleo de conexão e associação de estímulos e informação de caráter emocional. Já o hipotálamo é um pequeno elemento de nosso sistema nervoso emocional (4), mas que possui muitas funções neuronais. A função do hipotálamo é a de gerir e 14 coordenar o equilíbrio do nosso corpo. Esse equilíbrio é conhecido como homeostase e é o processo mediante o qual nos regulamos e podemos nos manter estáveis. Recentemente descobriu-se que o hipotálamo também percebe os níveis de uma proteína chamada leptina quando comemos muito e, como resposta a outros níveis, diminui o nosso apetite. Ela também regula condutas tais quais os ciclos do sono e o mantimento da temperatura corporal. Gânglios da base Os gânglios da base participam de forma indireta no sistema nervoso emocional. esses se encarregam de gerir nossas respostas motoras (gestos ou expressões) relacionadas aos estados emocionais produzidos pelas outras partes do sistema límbico. Fonte: Gallardo, 2019, n. p. É importante conhecer esses aspectos do sistema límbico, porque é uma das partes que o marketing mais trabalha em suas estratégias. Principalmente para criar algum tipo de emoção que servirá como um gatilho para o consumo. Vamos fazer um teste? Veja a imagem abaixo às 12 horas, antes de almoçar, e depois reveja após fazer uma refeição completa. Possivelmente você terá sentimentos diferentes. Figura 6 – Macarronada e emoção Crédito: Valeria Aksakova/Shutterstock. Sem dúvida, quando o marketing quer atingir as emoções, essa parte do cérebro é para qual as estratégias são direcionadas, vamos ver agora algumas funções deste sistema. Confira as principais funções do sistema límbico, segundo Gallardo (2019, n. p.): 15 • Busca a autopreservação da espécie mediante a ativação dos sistemas de homeostase. • É encarregado de gerir a maioria dos mecanismos cerebrais relacionados à memória. • Os circuitos de prazer e vício passam pela amígdala, pelo hipocampo e por outros núcleos do sistema límbico. Por isso, os sentimentos agradáveis nascem í • Ativa o sistema nervoso autônomo. Ele é responsável por enviar sinais aos nervos para manter um estado de alerta (sistema nervoso simpático) ou para inibir esse estado (sistema nervoso parassimpático). • De acordo com pesquisas e estudos, o sistema límbico também pode ter possíveis implicações em algumas condutas sexuais. A divisão do cérebro segundo essa teoria é trina, certo? Se já temos a parte dos instintos, e a parte das emoções, a terceira parte é: a racionalidade. Ou seja, a parte racional. É a que veremos a seguir. 3.3 Neocórtex Chegamos à última parte da divisão trina da teoria do cérebro trino, e nesse caso, estamos falando do neocórtex que fala sobre nosso raciocínio, nossas decisões. Martinson (2019, n. p.), apresenta que: Essa é a região cerebral que distingue o homem dos outros animais. É no neocórtex que se localizam os lobos cerebrais, que juntos controlam nossas interações sociais e nos dão a capacidade de pensar de forma racional e abstrata. Essa estrutura também é a responsável por nos conferir criatividade. Com isso, temos que essa é a parte pensante do cérebro, visto que o cérebro límbico é a parte sensitiva e emotiva, e o tronco cerebral são nossos instintos. Com isso, eu devo olhar sempre as três partes, pois uma boa estratégia deve abarcar as três partes. Eu explico. Mesmo as compras por impulso (aquela que compramos sem a real necessidade) passa por um processo racional de decisão, mesmo que, para comprar algo desnecessário, você pense: “ah, eu mereço!”. Olhe só como se dá a divisão dessa parte do nosso cérebro. 16 Figura 7 – Áreas cerebrais Crédito: Shopplaywood/Shutterstock. Vejamos como Rez (2018, n. p.) nos apresenta a divisão do neocórtex. Quadro 4 – Divisão do neocórtex Partes Explicação Lobo frontal Responsável pela elaboração do pensamento, do planejamento, da programação de necessidades individuais e da emoção. Lobo parietal Responsável pela sensação de dor, tato, gustação, temperatura e pressão. Estimulação de certas regiões desse lobo em pacientes conscientes produzem sensações gustativas. Também está relacionado com a lógica matemática. Lobo temporal É relacionado primariamente com o sentido de audição, possibilitando o reconhecimento de tons específicos e intensidade do som. Tumor ou acidente afetando esta região provoca deficiência de audição ou surdez. Essa área também exibe um papel no processamento da memória e emoção. Lobo occipital Responsável pelo processamento da informação visual. Lobo límbico Está envolvido com aspectos do comportamento emocional e sexual e com o processamento da memória. Fonte: Rez, 2018, n. p. Assim, note que essa parte é a mais desenvolvidas em nós, seres humanos, sendo que é uma das formas que diferenciamos a raça humana dos primatas. E, em um olhar mercadológico, seria a parte que precisamos convencer para que a compra se concretize, pois em toda compra, apesar de ter os elementos irracionais, emotivos, temos também a parte racional. TEMA 4 – TEORIA DOS SISTEMAS 1 E 2 Como já mencionado, a teoria dos sistemas 1 e 2 foi desenvolvida Daniel Kahneman (2012), a qual sugere, após pesquisas, a possibilidade de 17 integrarmos diferentes sistemas cognitivos para o processamento das decisões, fazendo comque nosso cérebro trabalhe em duas subdivisões que permeiam nosso comportamento. A teoria dos sistemas 1 e 2 traduz a ideia de que o ser humano, por meio de seu processamento cognitivo e de tomada de decisões, possui dois diferentes sistemas que, embora distintos, são interligados. Ambos os sistemas interagem com todo o nosso processo biológico, porém existem distinções entre eles. Então, vamos entender cada um deles. O sistema 1 é dito como a área de processamento rápido da informação, ou seja, o local do sentido instintivo e impulsivo, pois é baseado nas interações emocionais e nas nossas habilidades de sobrevivência, em todos os seus aspectos, e reprodução. O processamento energético é menor, ou seja, utilizamos menos energia para processar a informação e tomar a decisão; assim, nossos atos tendem a ser mais inconscientes e rápidos. Já o sistema 2 é dito como de um processamento mais lento, sendo mais racional, analítico e deliberativo, tornando assim suas decisões com menos impulsividade. Normalmente, esse sistema é chamado de dependente ou escravo do sistema anterior, o sistema 1. A racionalidade necessita de tempo, energia e fatores de consciência; assim sendo, buscamos informações para a tomada de decisões, porém, quanto mais informações recebemos, maior é nosso gasto energético e maior é o tempo de processamento dessas informações. Segundo Kahneman (2012), tomamos cerca de 23 mil a 35 mil decisões diárias, o que nos permite determinar que nosso processamento cognitivo é demasiadamente acionado; porém, a maior parte das decisões se dão num plano inconsciente. Ou seja, os processos decisórios apresentam diferentes níveis de dificuldades e importância para nosso cérebro, permitindo que a maior parte das decisões sejam empreendidas de maneira automatizada, vislumbrando o menor gasto energético e a possibilidade de aumentar a probabilidade de sobrevivências biológica, emocional, sentimental, psicológica e física. Para que as decisões sejam prontamente executadas e permitam que tenhamos mais saúde, a fim de podermos viver melhor e por mais anos, o sistema 1 foca o processamento da ação muito mais rapidamente do que o sistema 2, propiciando que este seja protegido e evitando sobrecarga cognitiva sobre ele. A automação das decisões proporciona que uma espécie de piloto automático seja ativado em nosso cérebro, modificando as ações para que sejam 18 interpretadas como hábitos; assim, há priorização de gasto de energia naquilo que seja mais relevante, que realmente necessite de interações mais intensas e de alto processamento cognitivo. Podemos entender que, baseando-nos no fato de que somos animais como quaisquer outros, temos processamentos irracionais, ou seja, nossas vidas são feitas de preocupações que determinam buscas por atalhos cognitivos influenciados por heurísticas e vieses. TEMA 5 – SISTEMA NERVOSO: UM DECISOR DE MARKETING O sistema nervoso é um fortíssimo auxiliador no processo do corpo humano de perceber as variações dos ambientes interno e externo e, em conjunto com o sistema endócrino, estão vinculados ambos à coordenação e regulação das funções corporais. Todo o sistema possui dois tipos celulares, os quais são: os neurônios e as células da glia. Para entendermos melhor como todo esse sistema interfere no nosso dia a dia, é preciso compreender o que são os neurônios. Os neurônios são responsáveis pelo recebimento e pela transmissão de informações, por meio de estímulos do meio no qual estão, e contam com duas propriedades importantes, no que tange ao comportamento: o processo de excitabilidade, o qual é a propriedade que torna a célula responsável por responder aos estímulos recebidos; e a condutibilidade. Figura 8 – Neurônios Crédito: Gritsalak Karalak/Shutterstock. 19 Para a atuação dos neurônios e de suas respostas eletroquímicas temos dois sistemas dentro do sistema nervoso: o sistema nervoso central (SNC) e o sistema nervoso periférico (SNP). Para o neuromarketing, nos importa ainda entender que, dentro do SNP, possuímos o sistema nervoso autônomo (SNA), o qual é dividido em simpático (SNAS) e parassimpático (SNAP). O SNAP é responsável pela estimulação de ações orgânicas que coloquem um organismo em situação de repouso e calma, como a desaceleração dos batimentos cardíacos e a contração pupilar. Já o SNAS é responsável pela estimulação de ações orgânicas que permitam a um organismo responder adequadamente às situações de estresse, ou seja, coloca o organismo em situação de alerta, ora excitando determinados órgãos e vísceras, ora relaxando-os, conforme o caso; por exemplo, a aceleração dos batimentos cardíacos e a dilatação pupilar. Figura 9 – SNAS e SNAP Crédito: Medicalstocks/Shutterstock. Temos também o sistema entérico ou visceral, o qual é constituído de uma rede de neurônios que integram o sistema digestivo como um todo – trato gastrointestinal, pâncreas e vesícula biliar. Pode funcionar de forma independente, porém o SNAS e o SNAP podem afetá-lo mutuamente. Com essas informações, é possível efetivar diversas estratégias, em níveis 20 comportamentais, que permitam que clientes ou espectadores sejam impactados e tenham respostas fisiológicas que propiciem o consumo. TROCANDO IDEIAS Agora troque uma ideia com seus amigos no fórum. Descreva como você usaria do conhecimento sobre o cérebro trino para criar estratégias para o setor bancário. NA PRÁTICA Para esta aula você deverá analisar um estudo de caso proposto, de acordo com critérios preestabelecidos. Num primeiro momento será apresentado a você como a empresa Doces Deliciosos da Mimy concentrou suas estratégias para o dia dos namorados Orientações: 1. Leia o estudo de caso atentamente. 2. Identifique no texto desta aula em que estão os conceitos-chave que você vai utilizar, tenho material em mãos para realizar as tarefas. Bons estudos e bom trabalho! A música do coração Não adianta não se planejar, no Brasil todo dia 12 de junho é o dia dos namorados. Diversas empresas de diversos ramos se preparam para essa data e a empresa Doces Deliciosos da Mimy não foi diferente. A empresa Doces Deliciosos da Mimy está localizada na cidade de Osasco (SP), exatamente no calçadão da rua Antônio Agú. Aliás, esse foi o fundador da cidade. Sabendo da imensa concorrência em ruas de comércio como essa, a empresa se prepara para lançar sua estratégia de marketing para o dia dos namorados. O mote da campanha é: A música da nossa vida, no qual os clientes devem por meio de aplicativo de conversa enviar para a empresa qual é a música que os clientes consideram ser a trilha sonora do seu relacionamento. O próximo passo seria ir até a loja e como uma caça ao tesouro identificar onde está a mídia com essa música. Quem achar além de concorrer a uma cesta de chocolates espetacular ainda teria um atraente desconto nos produtos. 21 Análise do estudo de caso proposto A. Tomando como base o texto, podemos ver que a estratégia da empresa trabalha principalmente com dois elementos dos nossos cinco sentidos: audição e visão. Seu produto está mais alinhado ao paladar. Assim, temos uma visão multidisciplinar da sua abordagem estratégica. Quando olhamos para a teoria do cérebro Trino, podemos afirmar que o foco da estratégia é o sistema límbico? Apresente seus argumentos. B. Quando observamos o produto da empresa, temos que ele está mais associação às outras partes do cérebro que não ao tronco cerebral (a parte reptiliana). Por quê? Apresente seus argumentos. FINALIZANDO Chegamos ao fim deste nosso primeiro encontro, e conseguimos entender já de antemão que o neuromarketing é uma ferramenta valiosa do marketing para traçar estratégias assertiva na entrega de valor ao cliente. Em outras palavras, o neuromarketing nos possibilita conhecer melhor o comportamento dos nossosclientes, não apenas por aspectos comportamentais, aqui vamos além, podemos o entender por uma forma neurológica. Rez (2018, n. p.) nos fala dessas possibilidades: Entendendo como funcionam os sistemas tronco cerebral, límbico e neocórtex, os profissionais de marketing criam abordagens diferentes de acordo com o produto ou serviço oferecido, influenciando diferentes áreas do cérebro em busca da máxima eficiência de suas ofertas, aumentando a percepção de valor, criando sensações positivas ou utilizando técnicas de persuasão mais eficazes. Assim, o neuromarketing se apresenta como mais uma opção dentro do escopo de marketing para que as empresas possam fazer uso e assim obter sucesso em suas estratégias mercadológicas. 22 REFERÊNCIAS AMERICAN MARKETING ASSOCIATION. Definition of Marketing. American Marketing Association, 2017. Disponível em: . Acesso em: 11 dez. 2020. ARO ELEVEN. Entenda o que é neuromarketing e como usar essa estratégia. Aro Eleven, [s. d.]. Disponível em: . Acesso em: 11 dez. 2020. DAMAZIO, T. Diferença entre marketing 1.0 ao 4.0. Melhore seu negócio, 2017. Disponível em: . 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Brasil Escola, [s.d.]. Disponível em: . Acesso em: 11 dez. 2020. 24 GABARITO A. Espera-se que os itens a seguir constem na resposta. Sim, pois quando o marketing quer atingir as emoções, essa parte do cérebro é para qual as estratégias são direcionadas. Essa é uma das partes que o marketing mais trabalha em suas estratégias. Principalmente para criar algum tipo de emoção que servirá como um gatilho para o consumo. B. O consumo de chocolate tem muitos mais a ver com o desejo do que com a necessidade, visto que esse não é um consumo crucial para a manutenção da vida. Essa parte do cérebro trabalha exatamente nessa parte; aqui estão nossos instintos de sobrevivência. CONVERSA INICIAL CONTEXTUALIZANDO TEMA 1 – BREVE HISTÓRICO DA NEUROCIÊNCIA E DO MARKETING: O QUE É NEUROMARKETING? TEMA 2 – DIFERENÇA ENTRE MARKETING E NEUROMARKETING TEMA 3 – TEORIA DA DIVISÃO TRINA DO CÉREBRO TEMA 4 – TEORIA DOS SISTEMAS 1 E 2 TEMA 5 – SISTEMA NERVOSO: UM DECISOR DE MARKETING Trocando ideias Na prática FINALIZANDO REFERÊNCIAS Gabarito