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Tese Professor titular Crocco

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para o sistema financeiro, quer 
seja facilitando o desenvolvimento dos pólos e de seus efeitos indutores, quer seja 
restringindo-os. 
 
 
 
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I.2.1.4 TEORIAS DA BASE DE EXPORTAÇÃO 
 
A teoria da Base de Exportação desenvolvida por North (1955) diz que o 
fator determinante para o desenvolvimento de uma região seria a sua capacidade 
de gerar produtos com capacidade de exportação. Nas palavras do autor, 
It is evident that this growth is closely tied to the success of its exports and 
may take place either as a result of the improved position of existing exports 
relative to competing areas or as a result of the development of new exports. 
(North 1955, p. 251). 
Esta indústria de exportação seria importante para a região por diversos 
fatores: i) proporcionar aumento de renda e, conseqüentemente, de demanda para 
as indústrias locais; ii) permitir a ligação da economia local com a economia de 
outras regiões, podendo, dessa forma, incorporar a variações de renda de outras 
regiões; iii) permitir o surgimento e fortalecimento de centros nodais que 
proporcionem a oferta de serviços não somente para a indústria exportadora como 
também para a indústria local; e iv) treinar de mão-de-obra, determinando, 
inclusive, atitudes sociais desta força de trabalho.26 
A vital importância da base de exportação na teoria de North pode ser 
avaliada através da citação abaixo, retirada das conclusões finais de seu artigo 
seminal: 
The importance of the export base is a result of its primary role in determining 
the level of absolute and per capita income in a region, and therefore in 
determining the amount of residentiary secondary and tertiary activity that 
will develop. The export base has also significantly influenced the character of 
subsidiary industry, the distribution of population and pattern of 
urbanization, the character of the labor force, the social and political attitudes 
of the region, and its sensitivity to fluctuations of income and employment 
(North 1955, p. 257) 
Da mesma forma que os demais autores aqui analisados, o papel 
desempenhado pelo sistema financeiro ou pela moeda de uma forma mais geral 
não é destacado em nenhum momento. Seguindo a metodologia aqui empregada, a 
 
26 Nas palavras de Lemos (1989), na teoria da base exportação, as exportações desempenham o papel de 
variável exógena ou autônoma, característica de modelos keynesianos. Em suas palavras, 
Como uma situação limite, a proposição de North poderia ser tomada como um modelo onde as 
exportações cumpririam o papel atribuído ao investimento [nos modelos de demanda efetiva] 
(Lemos 1989, p. 432) 
 
 
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análise de algumas citações retiradas da obra do autor permite que se infira qual é 
a concepção de moeda por ele empregada. Basicamente, existem apenas duas 
referências em relação a esta temática: quando se refere à necessidade de capital 
externo para a realização de investimento e quando se discute como proceder para 
que um aumento da poupança se realize. Nas palavras do autor, 
Capital is typically imported into new regions in the development of the 
export staple industries. Indeed, until a region develops sufficient income to 
provide a substantial share of its own investment capital, it must rely upon 
outside sources. External suppliers of capital tend to invest primarily in 
existing export industry rather than in new, untried enterprises. (North 1955 
p. 248 -49) 
With the growth of population and income, indigenous savings will increase. 
Both indigenous savings and the reinvested capital can pour back into the 
export industries only up to a point, and then the accumulated capital will 
tend to overflow into other activity (North 1955, p. 255) 
As a region's income grows, indigenous savings will tend to spill over into new 
kinds of activities. At first, these activities satisfy local demand, but ultimately 
some of them will become export industries. This movement is reinforced by 
the tendency for transfer costs to become less significant. As a result, the 
export bases of regions tend to become more diversified, and they tend to lose 
their identity as regions. Ultimately, we may expect with long-run factor 
mobility more equalization of per capita income and a wider dispersion of 
production. (North 1955, p. 258) 
As três citações acima não deixam dúvidas quanto a um entendimento 
ortodoxo do papel desempenhado pela moeda. Ao afirmar a necessidade de um 
prévio crescimento da renda para que a região possa então fornecer o capital para 
investimento, está evidente uma concepção muito próxima à dos fundos 
emprestáveis. Isto pode ser dito de outra forma: a poupança derivada da renda é 
que forneceria o capital necessário. Esta interpretação é reforçada pelas duas 
citações finais, onde o papel da poupança prévia é mais uma vez destacado. Como 
já mostrado anteriormente, este entendimento da relação entre poupança e 
investimento dá ao sistema financeiro uma papel passivo no processo de 
determinação da renda, fazendo com que o investimento, e o crescimento da 
região, como conseqüência, seja determinado por fatores reais exclusivamente. 
 
 
 
 
 
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I.2.2 O ENFOQUE DA COMPETITIVIDADE 
 
A década dos 1970 é um marco na história econômica tanto em termos das 
teorias vigentes, como também das políticas implementadas. O período que vai dos 
anos 1950 até o início dos anos 1970 ficou conhecido na literatura como os Anos 
Dourados (Golden Age) do capitalismo. A economia mundial apresentou taxas de 
crescimento significativas, até hoje não superadas. Aliado a este crescimento, e, em 
certa medida, em função deste, construiu-se o chamado sistema de Bem-Estar 
Social. 
No entanto, este crescimento foi, no seu final, acompanhado por fortes 
pressões inflacionárias. Isto, aliado à crise do petróleo, gerou uma séria crise para 
a economia mundial como um todo. A resposta a ela foi variada, mas pode-se 
observar o surgimento de uma série de questionamentos quanto à eficácia tanto da 
teoria, quanto dos instrumentos de política econômica Keynesianos. Ou seja, o 
enfoque da demanda e a sua conseqüente política intervencionista passam a não 
desfrutar do consenso anterior. Em termos da produção teórica em economia, este 
é o período do ressurgimento de concepções que entendiam que os mecanismos de 
mercado eram capazes de garantir o crescimento a longo prazo de forma 
sustentada, como na Escola Novo-Clássica. Nesse contexto, as intervenções do 
Estado na economia só serviriam para desviar, de forma não sustentável, a 
economia de sua trajetória natural, resultando, no longo-prazo, em mais inflação. 
Esta inflexão teórica tem sua contrapartida, em termos de política 
econômica, na emergência de políticas denominadas Supply-Side. Em uma clara 
contraposição com o período anterior, o crescimento deveria ser obtido, não 
através do estímulo à demanda, mas sim da melhoria das condições de oferta, 
como por exemplo, a flexibilização do mercado de trabalho, redução significativa 
dos encargos pagos pelas empresas, aumento do capital humano, etc. Em termos 
macroeconômicos, o paradigma passa a ser a busca da estabilidade monetária a 
qualquer custo. No campo político, torna-se majoritário o entendimento de que o 
Estado deve se retirar da economia, ficando apenas com suas funções básicas, 
determinadas pelo chamado Estado Mínimo. Este processo de mudança contínua é 
 
 
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aprofundado durante os anos 1980, determinando um processo de abertura 
comercial e financeira sem precedentes e processos de reestruturação econômica e 
internacionalização da produção. Estas transformações tiveram o seu rebatimento 
no espaço geográfico, determinando