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Tese Professor titular Crocco

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possível não 
existiria sentido teórico falar em uma Teoria Monetária do Desenvolvimento Regional e Urbano. Esta é uma premissa fundamental 
da tese. 
Para tanto, partiu‐se do entendimento da economia capitalista enquanto uma Economia Monetária de Produção, tal como 
proposto por Keynes (1979). Os elementos fundamentais desta concepção da economia capitalista, tal como visto no Capítulo 1 da 
Parte I, dão à moeda um papel chave, na medida em que ela pode interferir no lado real da economia.  
Frente a um mundo onde a incerteza em relação ao futuro é um condicionante da atividade econômica, tornando esta última uma 
atividade por natureza especulativa, a capacidade da moeda em ser reserva de valor e, por definição, ser o ativo mais líqüido na 
sociedade, faz com que sempre exista a possibilidade de ocorrência de deficiências de demanda efetiva. O conceito de preferência 
pela liqüidez é, portanto, fundamental em uma sociedade capitalista e, quando aplicado ao sistema financeiro, abre a possibilidade 
do processo de finance e funding não ocorrer.  
 
 
 
 
 
 
MOEDA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL E URBANO: UMA 
LEITURA KEYNESIANA E SUA APLICAÇÃO AO CASO BRASILEIRO 
 
 
 
 
Marco Aurélio Crocco Afonso 
 
 
 
Tese submetida ao Concurso de Professor Titular 
Departamento de Ciências Econômicas 
Universidade Federal de Minas Gerais 
 
 
 
 
 
 
Abril 2010 
 
 
 
 
ii
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
À Fabiana e Elene
 
 
iii 
 
SUMÁRIO 
AGRADECIMENTOS .............................................................................................................. 3 
INTRODUÇÃO ...................................................................................................................... 6 
PARTE I - MOEDA E DESENVOLVIMENTO REGIONAL E URBANO EM UMA PERSPECTIVA 
TEÓRICA .............................................................................................................................. 9 
I.1 MOEDA E SISTEMA FINANCEIRO NA TEORIA PÓS-KEYNESIANA: DEFININDO O MARCO TEÓRICO ......... 13 
I.1.1 Economia Monetária de produção e seus Fundamentos ....................................... 13 
I.1.2 O Debate Sobre Exogeneidade e Endogeneidade da Oferta de Moeda .................. 22 
I.1.3 Poupança, Finance e Funding .................................................................................... 30 
I.2 AS TEORIAS DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL E MOEDA ............................................................ 36 
I.2.1 A primeira geração: O Enfoque Keynesiano ............................................................. 37 
I.2.1.1 Teoria do Desenvolvimento Desigual ............................................................................................... 38 
I.2.1.2 Big Push ............................................................................................................................................. 49 
I.2.1.3 Teoria dos Pólos de Crescimento ..................................................................................................... 51 
I.2.1.4 Teorias da Base de Exportação ......................................................................................................... 55 
I.2.2 O Enfoque da Competitividade ................................................................................. 57 
I.3 AS TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO URBANO E A MOEDA .......................................................... 64 
I.3.1 A Teoria do Lugar Central .......................................................................................... 64 
I.4 A MOEDA E A GEOGRAFIA ECONÔMICA: UMA ANÁLISE CRÍTICA.................................................... 80 
I.5 ELEMENTOS PARA UMA TEORIA MONETÁRIA DE DESENVOLVIMENTO REGIONAL E URBANO............. 88 
I.5.1 Preferência pela Liquidez, Centralidade e Hieraquia urbana e a construção do 
espaço ................................................................................................................................. 94 
PARTE II - DUAS INVESTIGAÇÕES EMPÍRICAS: MOEDA, DESENVOLVIMENTO REGIONAL E 
HIERARQUIA URBANA NO BRASIL .................................................................................... 101 
II.1 EVOLUÇÃO RECENTE DO SISTEMA FINANCEIRO BRASILEIRO ....................................................... 102 
II.2 ATUAÇÃO REGIONAL DO SISTEMA BANCÁRIO .......................................................................... 107 
II.2.1 Indicadores de Escala do Sistema Bancário ............................................................ 110 
II.2.2 Indicadores de Gestão do Ativo ............................................................................. 112 
II.2.2.1 Preferência Pela Liqüidez das Agências Bancárias ......................................................................... 115 
II.2.2.2 Distribuição Regional de Crédito, Quociente Regional de Crédito e Racionamento de Crédito .. 117 
II.2.2.3 Lucratividade das Agências Bancárias ............................................................................................ 122 
II.2.2.4 Crédito Total sobre Ativo, Títulos e Valores Mobiliários sobre Ativo e Créditos em Liquidação 128 
II.2.3 Indicadores de Gestão do Passivo ........................................................................... 131 
II.2.4 Conclusão ................................................................................................................ 134 
II.3 HIERARQUIA URBANA E SISTEMA FINANCEIRO NO BRASIL ........................................................ 136 
II.3.1 Hierarquia e Estratégia Bancária ........................................................................... 151 
II.4 ESTRATÉGIAS BANCÁRIAS COMPARADAS: REGIÃO E HIERARQUIA ............................................... 153 
II.4.1 Análise de Componente Principal para as Regiões Administrativas .................... 154 
II.4.2 Análise de Componente Principal por Hierarquia do Sistema Financeiro ............ 157 
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................. 161 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................... 167 
 
 
3
 
AGRADECIMENTOS 
 
Esta tese é o resultado de uma trajetória de pesquisa que se inicia dois anos 
após o meu retorno da Inglaterra, onde realizei o meu doutoramento. Desde esta 
época, várias pessoas contribuíram, de diversas formas, para que esta trajetória 
terminasse na elaboração da presente tese. Neste momento, gostaria de agradecer 
‘as suas colaborações. 
Começo por aqueles que participaram da criação e desenvolvimento do 
Laboratório de Estudos em Moeda e Território (LEMTe), grupo de pesquisa 
alocado no CEDEPLAR e por mim coordenado. Este grupo é, sem dúvida alguma, a 
minha melhor experiência como docente e pesquisador. Experiência única, que me 
fez aprender todo o significado de ser um professor. Através deste grupo, não 
somente desenvolvi toda a visão de economia regional expressa nesta tese, mas 
também acompanhei o desenvolvimento pessoal e profissional de uma série de 
alunos. Foram vários os alunos de iniciação científica deste grupo que assisti 
formarem, tornarem-se assistentes de pesquisa, alunos de mestrado e doutorado, 
e, professor universitário. Assim sendo, gostaria de agradecer o empenho, 
paciência, contribuição e, principalmente, de terem “vestido a camisa” deste 
projeto a Bruno, Vanessa, Melissa, Anderson, Mateus, Mara, Raquel, Tininha, 
Aninha, Wallace, Pedro Amaral, João Prates, Márcio Amaral, Breno, Eduardo, Iara, 
Cláudio, Carla, Ana Teresa, Fernanda, Rubens, Teófilo, Luiz Paulo e Luciana.