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Tese Professor titular Crocco

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sendo o mesmo a diferença entre o iCRED
∧
e o 
iCRED . 
 
RCRi = CREDi − CRE
∧
Di (III) 
Os valores do Racionamento de Crédito Regional são mostrados na Tabela 8 
abaixo, Como pode ser observado, todas as regiões apresentam racionamento de 
crédito, com exceção da região Sudeste. Algumas observações fazem-se 
necessárias. 
Em primeiro lugar, a despeito do fato da região Norte ser a menos 
desenvolvida, ela não apresenta os maiores valores de racionamento de crédito. 
 
121 
 
Para o período analisado o racionamento médio foi de R$ 14.648.000,00. Este valor 
médio de racionamento é bastante inferior aos apresentados pelas regiões 
Nordeste e Sul (34.788,88 e 31.387,69 mil reais, respectivamente). Este resultado 
pode ser explicado pelo própria dimensão das respectivas economias regionais. 
Como a dinâmica econômica da região Norte é menor, então as oportunidades de 
investimentos seriam menores e, não sendo atendidas, o racionamento de crédito 
menor. Por outro lado, como as regiões Nordeste e Sul apresentam estruturas 
produtivas maiores, então o racionamento de crédito será maior. 
 
TABELA 8 
Racionamento de Crédito Regional 1994-2007 (R$ 1. 000,00) 
 
Em segundo lugar, para todas as regiões existe um padrão similar de 
comportamento bancário no decorrer dos anos. Se dividirmos o período em 
análise em três (1994 – 1999; 2000 – 2002 e 2003 - 2007) este padrão fica claro. 
Entre o primeiro e o segundo sub-períodos ocorre uma diminuição do 
racionamento, enquanto que entre o segundo e o terceiro sub-período ocorre um 
aumento. No caso da região Sudeste ocorre uma redução do superávit de crédito 
em um primeiro momento e um aumento num segundo. 
 
122 
 
É interessante notar que o primeiro e o terceiro sub-períodos acima 
destacados foram de taxas de crescimento da economia superiores à do segundo 
sub – período. Ou seja, em períodos de crescimento econômico no país, o 
racionamento de crédito nas regiões menos desenvolvidas tendem a aumentar, 
enquanto que o superávit aumenta para a região Sudeste. Este resultado é 
interessante, pois evidencia como o crescimento econômico no Brasil é 
concentrador e perverso regionalmente. A hipótese aqui defendida é que este fato 
decorre também de uma ação deliberada do sistema bancário em função do 
comportamento de sua preferência pela liqüidez. 
Finalmente, o QRC e o indicador de Racionamento de Crédito sugerem a 
existência de um paradoxo no desenvolvimento regional associado à 
disponibilidade de crédito, vale dizer, aquelas regiões que mais necessitam de 
crédito para realizar o cathing-up são as mais discriminadas pelo sistema bancário 
na concessão de crédito. 
 
II.2.2.3 LUCRATIVIDADE DAS AGÊNCIAS BANCÁRIAS 
 
O próximo indicador analisado é o Lucro / Ativo Total. Sua evolução 
regional é mostrada na Tabela 952. A análise da mostra que o indicador 
Lucro/Ativo para a região Sudeste apresentou uma relativa estabilidade durante o 
período analisado. A região Sul, por sua vez, experimentou acentuadas flutuações 
até 2002, porém com uma clara tendência de crescimento depois de 1998. Nas 
demais regiões, uma tendência positiva pode ser observada, particularmente após 
1998. Este movimento de crescimento destes anos pode ser parcialmente 
explicado pela crise cambial, que começa em 1998 e levou a aumentos na taxa de 
juros dos títulos governamentais até 45% a.a. no ano de 1999. A política monetária 
estimulou os bancos a investirem nestes títulos. Como será visto mais adiante, a 
aquisição de títulos governamentais pelas agências bancárias aumentou a taxas 
crescentes a partir de 1999, ajudando a melhorar os resultados financeiros, 
particularmente das agências localizadas no Norte e no Nordeste. 
 
52 Para facilitar o entendimento, os valores obtidos na razão Lucro / Ativo Total foram multiplicados por 1.000. 
 
123 
 
 
TABELA 9 
Lucro sobre Ativo Total 1994-2008 
Anos Centro-Oeste Centro-Oeste sem DF Nordeste Norte Sudeste Sul Brasil
1994 (3,29) 32,93 2,11 3,80 (0,39) 9,81 0,29
1995 (1,31) 13,69 2,61 0,19 (0,30) 3,48 (0,15)
1996 (2,03) 2,42 0,15 0,25 0,38 0,66 (0,24)
1997 0,49 2,41 (0,06) (0,25) 0,04 0,69 0,18
1998 3,05 5,82 (0,99) 1,67 (0,39) (0,46) (0,05)
1999 2,46 3,46 1,37 1,00 (0,05) 1,38 0,54
2000 1,93 2,32 0,53 0,46 (0,16) (0,13) 0,24
2001 (4,75) 6,66 1,21 3,07 0,45 2,39 (0,08)
2002 (0,19) 5,51 2,01 2,40 0,74 0,71 0,69
2003 (1,01) 7,69 2,17 3,43 0,65 1,49 0,58
2004 (0,66) 8,62 2,64 3,86 0,39 1,85 0,52
2005 (0,12) 9,21 2,62 4,96 0,43 1,83 0,65
2006 (0,28) 9,43 2,90 5,30 0,44 2,21 0,68
2007 (1,24) 10,93 2,64 5,76 0,78 2,65 0,73
2008 (1,62) 9,27 0,51 5,25 0,17 2,26 0,19
Fonte: LEMTe/CEDEPLAR
 
Durante o período em consideração e, principalmente, após a crise cambial 
de 1998-99, as agências bancárias localizadas em regiões menos desenvolvidas 
(Norte e Nordeste) foram relativamente mais lucrativas do que as agências 
localizadas na região Sudeste, a mais desenvolvida. Esta lucratividade mais elevada 
foi não obstante as regiões Norte e Nordeste terem uma participação relativa na 
distribuição do crédito bastante inferior ao seus respectivos pesos no PIB 
brasileiro (QRC) e também apresentarem uma elevada preferência pela liqüidez 
das agências bancárias e do público em geral. Dessa forma, pode-se concluir o 
pequeno peso da intermediação financeira observado em regiões periféricas não 
restringe a capacidade das agências bancárias em gerar lucros.53 Duas razões 
parecem explicar esta característica. Em primeiro lugar, pode-se argumentar que 
em regiões periféricas, devido à sua limitada dinâmica econômica, as agências 
bancárias utilizam critérios mais rigorosos para a concessão de crédito. Desta 
forma, apenas clientes com históricos muito bons de crédito obtém novos 
financiamentos. Com isto, a taxa de inadimplência nestas regiões seria pequena, 
aumentando, portanto, o lucro obtido. Além disso, é esperado que o spread da taxa 
de juros em regiões menos desenvolvidas seja maior devido à tentativa das 
agências bancárias em compensar os riscos envolvidos em conceder crédito nestas 
regiões. 
 
53 É importante notar que as operações de crédito e investimentos em títulos e valores mobiliários não são as 
únicas fontes de lucro para um banco. Nos dias atuais, parcela significativa da receita bancária é oriunda das 
taxas e comissões sobre serviços bancários. No entanto, esta informação não está disponível por região. 
 
124 
 
Em segundo lugar, pode ser argumentado que os custos de operação de 
agências bancárias em regiões menos desenvolvidas são menores 
comparativamente aos das agências localizadas em regiões centrais, em razão da 
demanda menos sofisticadas de produtos. Assim, a demanda local por serviços 
bancários pode ser satisfeita tanto com menor quantidade de pessoal, como com 
mão de obra menos qualificada (ou treinada). 
Este indicador, quando cotejado com os demais já mostrados 
anteriormente, claramente indica a existência de distintas estratégias bancárias em 
cada região. Além disto, ele permite indagar sobre em que medida a eficiência 
microeconômica das agências bancárias está relacionada com a eficiência 
macroeconômica. A hipótese implícita no mainstream econômico é que a eficiência 
microeconômica leva automaticamente tanto a uma alocação ótima de recursos 
quanto à eficiência macroeconômica (Carvalho et. al. 2002). No entanto, como 
mostram os dados, o sistema bancário brasileiro é um exemplo de que este não é o 
caso. Um sistema bancário que é eficiente no nível micro não garante,