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SEQUENCIA ARGUMENTATIVA ESQUEMA COMPLETO

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UFRN/ CCHLA/ DEPARTAMENTO DE LETRAS
DISCIPLINAS: LETO001 PRÁTICA DE LEITURA E PRODUÇÃO DE TEXTOS I / LET0001 LÍNGUA PORTUGUESA I
ALUNO(A)_______________________________________________________________________________
	TEXTO TEÓRICO 8
SEQÜÊNCIA ARGUMENTATIVA
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
	A argumentação caracteriza-se como uma das ações humanas que visam ao convencimento. É um processo que se constrói a partir do raciocínio lógico, da organização do pensamento com o objetivo de apresentar uma tese e sustentá-la por meio de argumentos claros, convincentes, sem apelar ao imediatismo e à emocionalidade. Argumentar não é, portanto, convencer a qualquer custo, mas, sim, propor uma opinião, no mínimo verossímil, dando ao interlocutor boas razões para que possa aderir a ela. Pode até ser mais fácil convencer o interlocutor, ao menos a curto prazo, recorrendo somente a figuras de estilo ou utilizando raciocínios inconsistentes, manipulando-o psicologicamente, com o propósito de influenciá-lo. Argumentar, no entanto, é recusar-se a fazer uso desses recursos, que objetivam, tão-somente, a eficácia do discurso a qualquer preço.
	A preferência por tais expedientes abre espaço ao exercício da “violência persuasiva”. Esta ocorre quando, em lugar da racionalidade, da evidência, há o apelo à afetividade, à impulsividade, ao imediatismo. A persuasão, assim concebida, é própria de discursos publicitários, políticos e religiosos, entre outros.
	A coerção também se diferencia da argumentação: enquanto a primeira visa impor uma tese, por meio de uma proibição – por exemplo, como em “não fume” –, a segunda, por meio de argumentos próprios do raciocínio lógico, conduz o interlocutor a concluir que fumar é nocivo à saúde, ou, pelo menos, a refletir sobre os prejuízos do tabagismo. Podemos perceber, no último caso, o caráter “liberal” da argumentação, já que esta permite/pressupõe o confronto de idéias, sendo um campo propício ao debate.
	Mas é preciso lembrar que, no texto argumentativo, esse “efeito de liberdade”, que concede ao interlocutor o poder de refutar uma tese ou com ela concordar, confronta-se com o desejo do locutor, no sentido de conduzir o interlocutor a aderir às suas (do locutor) idéias. Argumentar, nesse caso, significa levar o interlocutor a aceitar o que está sendo dito.
	Verifica-se, assim, o caráter ambivalente da argumentação, a qual se presta ainda a outros propósitos, quais sejam:
produzir uma mudança de mentalidade/comportamento, provocando, dessa forma, a adesão do interlocutor em favor de uma determinada tese (quando o interlocutor não crê ou crê parcialmente na tese defendida pelo locutor);
reforçar determinado ponto de vista (quando o interlocutor já crê ou crê quase completamente na tese que o locutor defende);
levar a conhecer, compreender as razões pelas quais o locutor defende determinada tese, não objetivando necessariamente a adesão do interlocutor;
refutar (mediante contra-argumentação) um ponto de vista do qual o locutor discorda (quando o locutor não quer crer em determinada tese).
 Vale ressaltar, além de todas essas considerações, que os elementos básicos que compõem a seqüência argumentativa podem se fazer presentes nos mais diversos gêneros textuais: um poema, uma charge, um ensaio, uma carta, uma conversa em que se reivindica algo ou em que se contrapõem pontos de vista. Como as demais seqüências, a seqüência argumentativa pode aparecer como dominante ou exclusiva e também apresenta uma forma prototípica (mínima ou complexa).
Saliente-se, ainda, que, num texto argumentativo, o locutor intervém freqüentemente na análise do tema, por meio de críticas, ressalvas, seleção do vocabulário, manifestando seus sentimentos, suas crenças, suas preferências, suas opiniões.
      Num texto argumentativo, distinguem-se, basicamente, três componentes: a tese, os argumentos e as estratégias argumentativas.    
A tese, ou proposição admitida como verdadeira, é a idéia defendida, necessariamente polêmica, pois a argumentação implica divergência de opinião. Os argumentos constituem as provas que fornecem sustentação à tese. Geralmente são facilmente localizados: identificada a tese, faz-se a pergunta: por quê? Ex.: A pena de morte não deve ser instituída no Brasil (tese), porque... (argumentos). Do ponto de vista etimológico, a palavra argumento é emblemática: vem do latim argumentum, cujo tema argu apresenta como sentido primeiro "fazer brilhar", "iluminar". É a mesma raiz de "argênteo", "argúcia", "arguto". As estratégias argumentativas são todos os recursos (verbais e não-verbais) utilizados para envolver o ouvinte/leitor, para impressioná-lo, para convencê-lo melhor, para persuadi-lo mais facilmente, para gerar credibilidade, etc.  Não se confundem com os argumentos. Estes, como se afirmou, respondem à pergunta: por quê (o autor defende uma tese tal porque... − e aí vêm os argumentos).
A clareza do texto, para citar um primeiro exemplo, é uma estratégia argumentativa na medida em que, em sendo claro, o ouvinte/leitor poderá entender e, entendendo, poderá concordar com o que está sendo exposto. Portanto, para conquistar seu interlocutor, quem fala ou escreve vai procurar por todos os meios ser claro, isto é, utilizar-se da estratégia da clareza. Esta não é, pois, um argumento, mas é um meio (estratégia) imprescindível para obter “adesão das mentes, dos espíritos” (PERELMAN, 1996).
O emprego da linguagem culta formal, quando não obrigatório, também deve ser visto como algo estratégico em muitos tipos de texto. Com tal emprego, quem fala ou escreve afirma sua autoridade (= "Eu sei escrever. Eu domino a língua! Eu sou culto!") e, com isso, dá maior credibilidade ao texto. Imagine-se, então, um advogado escrevendo mal... O fato de ele não demonstrar competência lingüística poderá, indiretamente, colocar em questionamento a sua competência profissional. Dependendo das intenções do locutor, o emprego da linguagem informal – e até mesmo popular – poderá, em outros contextos, ser estratégico.
O título e a introdução do texto, além da clareza e do registro de linguagem, podem ser utilizados como estratégias, por exemplo, para captar a atenção do ouvinte/leitor imediatamente. De nada valem os argumentos se não são ouvidos/lidos.
Consideram-se ainda como estratégias a utilização de vários argumentos e a sua disposição ao longo do texto; o ataque às fontes adversárias; as antecipações ou prolepses (quando o orador/escritor prevê a argumentação do adversário e a responde antecipadamente); a qualificação das fontes e a utilização da ironia, da linguagem agressiva, da repetição, das perguntas retóricas e das exclamações.
2. A MACROESTRUTURA DA SEQÜÊNCIA ARGUMENTATIVA
2.1 A seqüência argumentativa mínima
	Há o seguinte plano-padrão para a seqüência argumentativa mínima:
explicitação da proposição (tese): afirmativa suficientemente definida e limitada sem conter, em si mesma, nenhum argumento;
análise da proposição ou tese: definição do sentido da proposição ou de alguns de seus termos a fim de evitar mal-entendidos;
formulação de argumentos: fatos, exemplos, dados estatísticos, testemunhos, etc.; 
conclusão. 
Observe o artigo de opinião a seguir, que contém os elementos referidos do plano-padrão da seqüência argumentativa mínima.
	Gramática e desempenho lingüístico
Pretende-se demonstrar no presente artigo que o estudo intencional da gramática não traz benefícios significativos para o desempenho lingüístico dos utentes de uma língua.
Por "estudo intencional da gramática", entende-se o estudo de definições, classificações e nomenclatura; a realização de análises (fonológica, morfológica, sintática); a memorização de regras (de concordância, regência e colocação) − para citar algumas áreas. O "desempenho lingüístico", por outro lado, é expressão técnica definida como sendo o processo de atualização da competência na produção e interpretação de enunciados; dito