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Competência - aula completa

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por interpretação extensiva do art. 248 e a aplicação do princípio utile per inutile non vitiatur (o útil pelo inútil não é viciado – o útil não é viciado pelo inútil).
 
Incompetência e questão de mérito
 
	A questão de competência, em se tratando de competência em razão da matéria, não raro é confundida com o próprio mérito da causa. Uma Ação de Cobrança, por empreitada, por exemplo, ingressa na Justiça Comum, órgão judiciário competente para julgá-la. Na instrução do feito, o juiz verifica que não se trata de empreitada, mas de relação de emprego. A questão não é de incompetência. O juiz não pode declinar de sua competência para a Justiça do Trabalho e sim julgar o pedido, dando-o por improcedente, porque o fundamento da causa (empreitada) não foi provado. Isto é mérito.
 	Contudo, se no mesmo exemplo, a autor, descrevendo claramente relação de emprego, pede pagamento pelo trabalho prestado, o juiz deve declinar para a Justiça do Trabalho, porque a matéria descrita na causa de pedir é realmente trabalhista. Da mesma forma proceder-se-ia no oposto, se a ação fosse distribuída na Justiça Trabalhista. 
 	Outro exemplo: a ação rescisória é da competência dos tribunais. Quando ela for proposta na Justiça de primeiro grau, o juiz deve decliná-la para o órgão superior competente. Se, entretanto, a mesma rescisão for pleiteada em forma de procedimento comum, com simples pedido de decretação de nulidade do ato, e a hipótese não ocorrer, a parte deve ser julgada carecedora de ação, por falta de interesse processual, já que há inadequação do pedido, sem possibilidade de declaração de incompetência, não podendo o juiz julgar além do pedido do autor (art. 128).
Incompetência absoluta e a coisa julgada. 
 	Não mais sujeita a recurso, a sentença recebe o manto protetor da coisa julgada, tornando-se imutável e indiscutível (art. 467)�.
 	A coisa julgada torna, portanto, definitiva a decisão, com plena força de lei nos limites da lide e das questões decididas (art. 468)�. Isto quer dizer que a coisa julgada sana todas as nulidades processuais, inclusive a que decorre de incompetência absoluta. Assim, a decisão, mesmo se proferida por órgão jurisdicional absolutamente, tem ela plena eficácia, podendo adquirir imutabilidade definitiva, só rescindível pela ação rescisória ((CPC, art. 485, II)�, se a pretensão for exercida no prazo de dois anos (CPC, art. 495)�.
Declaração de Incompetência Absoluta. Alegação tardia.
 	A incompetência absoluta, como já vimos, deve ser declarada de ofício pelo juiz. Porém, se ele não o fizer, o réu deve alegá-la no prazo da contestação (CPC, art. 113, § 1.º)�, como matéria preliminar de defesa (art. 301,II) e não por exceção (art. 307). Isto quer dizer que a mera alegação de incompetência absoluta, embora procedente, não suspende o processo, como ocorre com a exceção (art. 306). O réu deve alegá-la e contestar. Se não o fizer, responde integralmente pelas custas (art. 113, § 1.º), custas estas do juízo incompetente e despesas de remessa. 
Efeitos da argüição
	O CPC só previu a suspensão do processo, no art. 265, III, em caso de ser oposta a exceção de incompetência (relativa). Porém, como a razão é a mesma, por analogia, deve ser suspenso o andamento da causa, mesmo se a argüição for em simples petição, como se acima exposto�. A questão, entretanto, não é pacífica na doutrina. Há quem sustenta que, alegando apenas a incompetência, com ou sem o reconhecimento desta, pode ocorrer a revelia que não depende de qualquer ato decisório, mesmo enquanto o processo tramita no juízo incompetente.� Preferimos o primeiro entendimento.
 
Ausência de alegação por réu revel 
 	Pode acontecer que o réu não tenha vindo em nenhum momento ao processo; se, nesse caso, o juiz reconhecer mais tarde, de ofício, sua incompetência, não deve ser aplicada a sanção do § 1.º. Isto porque, a sanção se destina a punir a malícia, a fraude, na omissão em argüir, desde logo, a incompetência. Ao réu, que não esteve presente ao processo em qualquer oportunidade, não se pode atribuir essa conduta maliciosa. Nem se lhe poderia atribuir erro grosseiro, porque este, se existiu, partiu do autor, que escolheu mal o juízo onde propôs a ação.
Incompetência Relativa. Processos e procedimentos cabíveis. Processamento da Exceção e recursos
 
 	No procedimento ordinário, a exceção poderá ser oferecida em quinze dias, o mesmo prazo da contestação e reconvenção (art. 305)�, iniciando-se o prazo da data da juntada aos autos do mandado de citação devidamente cumprido ou do AR se a citação for pelo correio (art. 241, I e II).
 	No procedimento sumário, a exceção deve ser interposta na própria audiência (art. 278), entendida a expressão ‘resposta’ com a ela extensiva.
 	Nos procedimentos especiais, a exceção é sempre interposta no prazo da contestação, seja pelo princípio da eventualidade, seja porque a ausência de argüição no prazo importa em aceitação da competência.
 	Na execução, a alegação de incompetência pode ser exclusiva matéria de embargos (art. 741, VII) e por exceção na forma do art. 742.
 	No processo cautelar, o prazo é também o de defesa estipulado na lei.
	A exceção pode ser oferecida antes da contestação e reconvenção. Como é recebida no efeito suspensivo (art. 306)�, o prazo para a defesa do réu só se reinicia depois que a exceção for definitivamente julgada. O réu poderá optar pela apresentação simultânea de todas as defesas, o que invariavelmente ocorre. 
 	A exceção deve ser argüida em petição autônoma, à parte, com fundamentação e documentação respectivas, sendo imprescindível a indicação do juiz para o qual declina (art. 307)�, sob pena de indeferimento liminar. 	
 	O recebimento da exceção suspende o andamento do processo (art. 306), devendo, por isso, ser autuada em apenso.
 	A exceção pode ser indeferida in limine, quando manifestamente improcedente (art. 310).
 	Recebida e “conclusos os autos, o juiz mandará processar a exceção, ouvindo o excepto dentro em dez dias e decidido em igual prazo” (art. 308); “havendo necessidade de prova testemunhal, o juiz designará audiência de instrução, decidindo dentro de dez dias” (art. 309).
 	Julgada procedente a exceção, o processo deve ser remetido ao juízo competente (art. 311).
 	Se o juiz declinado não aceitar a competência, poderá suscitar o conflito negativo de competência ao Tribunal competente (art. 115, II).
 	Como se trata de ato decisório (decisão interlocutória), aquele que indeferir a exceção é agravável, por agravo retido ou por instrumento.
 	Porém, se a exceção for acolhida, só caberá o recurso se o juiz declinado aceitar a competência. 
COMPETÊNCIAS ABSOLUTAS E RELATIVAS
 
Competência Absoluta: não pode ser alterada.
Competência relativa: Admite alteração. 
	Competência Absoluta
	Competência relativa
	Cogente (Imperativa) – Prevalência do interesse público, indisponibilidade.
	Dispositiva (Supletiva) – Prevalência do interesse particular dos litigantes, disponibilidade.
	Incompetência – O juiz deve declarar de ofício (113, CPC)
	O juiz não pode declarar-se incompetente (112, 304, 305 e 307 CPC)
	Declara a incompetência - Autor, réu ou qualquer interessado (113, 301 CPC)
	Somente o réu pode suscitar a exceção
(112 e 305 CPC)
	Declara-se a qualquer tempo e grau de jurisdição
	Até o prazo de resposta (15 dias – raciocínio errado)
	Não é matéria preclusiva, dando possibilidade a ação rescisória (485,II. C.P.C.)
	Preclui se não oposta em tempo oportuno (114. CPC)
	Improrrogável
	Prorrogável (114 CPC)
	Argüida em preliminar de contestação 
(301,II. CPC)
	Argüida em petição separada, para fim específico.
	Na própria defesa (Contestação)
	Duas peças separadas: Contestação vai para o processo; A exceção de incompetência em processo paralelo.
	São nulos todos os atos decisórios
	Não gera nulidades, os autos serão remetidos ao Juiz competente.
	Incabível eleição