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Burocracia Profissional MINTZBERG, Henry. Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. Por Vanessa Souza Pereira OFICINA I: GESTÃO DOS PROCESSOS ORGANIZACIONAIS - Prof. Rogério Faé - 2016/1 Trabalho no núcleo operacional A Burocracia Operacional (BP) baseia-se na coordenação da padronização das habilidades, através de treinamento e doutrinação. Os profissionais são especializados e treinados para o núcleo operacional → controle do próprio trabalho no núcleo, de forma independente dos colegas, mas diretamente com o cliente. Treinamento → internalização dos padrões que servem ao cliente. Presume longo período. Ex.: residência médica ou estágio de docência. “Entretanto, não importa quão padronizados o conhecimento e as habilidades, sua complexidade assegura que considerável liberdade permanece em sua aplicação” p. 214 Ou seja, ainda que o treinamento tenha sido o mesmo, dois profissionais com a mesma formação podem não aplicar os procedimentos da mesma forma. Natureza burocrática da estrutura Os padrões da BP têm origem fora da estrutura, em associações externas. A autoridade da BP está no poder do conhecimento especializado (expertise). Os resultados do trabalho não são facilmente mensuráveis → sistemas de planejamento e controle não são muito confiáveis. Processo de classificação ou categorização O autor indica que se imagine a BP como um repertório de habilidades que os profissionais dispõem para aplicar em contingências. Duas tarefas do profissionais: (1) categorizar/classificar/identificar a necessidade/contingência (2) aplicar o procedimento padrão para a situação Simon (1977) - o fato de o bom profissional sentir prazer em seu trabalho vem também por saber utilizar o “kit de ferramentas” construído para lidar com problemas não previsíveis a nível de detalhe. Foco no núcleo operacional O núcleo operacional é a peça-chave da BP. Características: ênfase no treinamento, pouca formalização do comportamento, do planejamento e do controle. Descentralização Grande parte do poder sobre o trabalho está na base da estrutura, com os profissionais do núcleo. Poder do profissional - trabalho muito complexo para ser supervisionado - autonomia necessária Estrutura administrativa Estrutura democrática para os profissionais dos núcleos → controle do próprio trabalho e das decisões administrativas que os afetam ( contratações, demissões, distribuição de recursos) → organizações colegiadas Obs.: em unidades de apoio como departamento de limpeza do hospital ou gráfica da universidade, pode haver burocracias mecanizadas dentro de uma burocracia profissional → hierarquias administrativas paralelas Hierarquias administrativas paralelas para os profissionais #democrática #de baixo para cima #poder na expertise para assessoria de apoio #burocrática e mecanizada #de cima para baixo #poder na chefia direta/administrativa Papéis do administrador profissional Administradores, diretores e presidentes de BP têm menos poder, mas possuem poderes indiretos. O administrador profissional lida com distúrbios de estrutura, processos de categorização imperfeitos e disputas entre os profissionais. Espera-se que os administradores liberem os profissionais de algumas atribuições, como controle de finanças, contatos, relações públicas, negociações (internas e externas), entre outras. Alguns problemas associados à burocracia profissional A BP é a única entre as cinco configurações que 1) dissemina o poder diretamente aos trabalhadores (pelo menos os profissionais); 2) confere autonomia e exime os profissionais de tarefas de coordenação dos núcleos, negociações, políticas e controle financeiro. Problemas de autonomia Como não há controle de fora do núcleo, não há como corrigir problemas que os próprios profissionais optam por omitir. Categorização como grande fonte de conflito - reavaliação contínua. A BP não consegue lidar facilmente com profissionais descompromissados. Problemas de inovação Inovação depende de cooperação → relutância dos profissionais quanto ao trabalho em conjunto Condições dinâmicas exigem mudanças, esforços criativos e cooperativos, além de equipes multidisciplinares. Respostas disfuncionais Amplitude do controle → imposição de supervisão Muito controle externo, porém, tende à centralização e à formalização da estrutura, o que na verdade transforma a BP em uma BM. O incentivo à perfeição pode ser reduzido a controles externos. Ex.: diretor de escola pública → pressionado a apresentar resultados em avaliações e exames cujos padrões são estipulados pelo governo + núcleos operacionais agarrados à autonomia Referência MINTZBERG, Henry. Criando organizações eficazes: estruturas em cinco configurações. 2ª ed. São Paulo: Atlas, 2009. Cap. 10 - A Burocracia Profissional. p. 212- 238