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Apostila Ciências do Ambiente - Parte 3

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3a Parte 
GESTÃO DO MEIO AMBIENTE 
 
 
 
15. LEGISLAÇÃO AMBIENTAL BRASILEIRA 
 
 
 Constituição brasileira diz que o meio ambiente é um “bem de uso comum do povo”. 
Isto quer dizer que o meio ambiente tem valor, é riqueza social. Muitas vezes porém é 
impossível transformar este valor em quantidade de dinheiro. Quanto vale uma cacho-
eira? Ou, quanto vale uma floresta nativa? 
 
As questões ambientais, entretanto, sempre envolvem interesses econômicos e sociais. A degra-
dação do meio ambiente, ao mesmo tempo que implica em prejuízos para todos, serve de fonte 
de enriquecimento para alguns. Um corpo d’água morto, significa mais dinheiro para quem polui, 
no momento em que deixou de investir nas medidas necessárias para controle da poluição. Ao 
mesmo tempo, a sociedade arca com os prejuízos de ter que usar água ruim, além de pagar a re-
cuperação do corpo d’água. 
 
Em se tratando de um bem de interesse difuso1, o meio ambiente precisa e deve ser protegido. 
Neste sentido, a Constituição Federal impõe “ao Poder Público e à coletividade o dever de de-
fendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações”. 
 
 
 
 
CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988 
 
Artigo 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso co-
mum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletivi-
dade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. 
 
Parágrafo 1o - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao Poder Público: 
I. preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais e propor o manejo ecológico das 
espécies e ecossistemas; 
II. preservar a diversidade e integridade do patrimônio genético do país e fiscalizar as entidades 
dedicadas à pesquisa e manipulação de material genético; 
III.definir, em todas as unidades de Federação, espaços territoriais e seus componentes a serem 
especialmente protegidos, sendo a alteração e supressão permitidas somente através de Lei, 
vedada qualquer utilização que comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua 
proteção; 
 
1 Bem que é do usufruto de toda a comunidade. 
A 
3a Parte - Gestão do Meio Ambiente - 103 
 
IV.exigir, na forma da Lei, para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de 
significativa degradação do meio ambiente, estudo prévio do impacto ambiental, a que se 
dará publicidade; 
V. controlar a produção , a comercialização e o emprego de técnicas, métodos e substâncias que 
comportem risco para a vida, a qualidade de vida e o meio ambiente; 
VI.promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização pública 
para a preservação do meio ambiente; 
VII.proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da Lei, as práticas que coloquem em risco sua 
função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais a crueldade. 
 
Parágrafo 2o - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a recuperar o meio ambi-
ente degradado, de acordo com a solução técnica exigida pelo órgão público competente, na 
forma da Lei. 
 
Parágrafo 3o - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente sujeitarão os 
infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções penais e administrativas, independentemente 
da obrigação de reparar os danos causados. 
 
Parágrafo 4o - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal 
Mato-Grossense e a Zona Costeira são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma 
da Lei, dentro de condições que assegurem a preservação do meio ambiente, inclusive quanto ao 
uso dos recursos naturais. 
 
Parágrafo 5o - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas pelos Estados, por ações 
discriminatórias, necessárias à proteção dos ecossistemas naturais. 
 
Parágrafo 6o - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter sua localização definida 
em lei federal, sem o que não poderão ser instaladas. 
 
 
 
Ao Poder Público, seja Federal, Estadual ou Municipal, compete legislar em defesa do meio am-
biente, isto é, estabelecer normas jurídicas - leis, decretos, portarias e resoluções. Consequente-
mente, a legislação ambiental é composta por normas federais, estaduais e municipais, a serem 
executadas pelo próprio Poder Público e pela comunidade. 
 
A legislação ambiental brasileira é integrada por normas que2: 
 
♦ criam direitos e deveres do cidadão em relação ao meio ambiente; 
♦ criam instrumentos de proteção ao meio ambiente; 
♦ criam normas sobre o uso de um bem ambiental, como a água, o solo,...; 
♦ disciplinam atividades que interferem com os bens ambientais; 
♦ e, criam Unidades de Conservação. 
 
Algumas dessas normas foram criadas recentemente, outras já existem há décadas. E, ao contrá-
rio das leis do trabalho que estão organizadas em um só texto3, a legislação ambiental brasileira 
está espalhada em vários textos, o que dificulta muitas vezes a sua aplicação. 
 
2 MEIO AMBIENTE – ALEI EM SUAS MÃOS, E. Neves e A. Tostes, 1992. 
104 - Introdução às Ciências do Ambiente para Engenharia 
 
 
15.1. POLÍTICA NACIONAL DO MEIO AMBIENTE 
 
A definição de uma Política Ambiental no país tem sido prerrogativa do Governo Federal, em-
bora a sua execução e administração estejam a cargo dos Governos Estaduais e Municipais. 
 
As primeiras tentativas de montagem de uma estrutura executiva na preservação do meio ambi-
ente, foram feitas na década de setenta, denominada “dédaca ambiental”. A criação do 
PLANASA - Plano Nacional de Saneamento Ambiental foi um exemplo, cuja concessão dos re-
cursos do BNH – Banco Nacional de Habitação foi condicionada à apresentação de programas 
integrados de controle da poluição hídrica, surgindo assim, pela primeira vez no país, a preocu-
pação pela ação racional e ordenada para enfrentar a poluição. Porém, foi somente na década se-
guinte que a Política Nacional do Meio Ambiente foi, finalmente, instituída através da Lei no 
6.938, de 31 de agosto de 1981, e regulamentada pelo Decreto no 88.351, de 1 de junho de 1983. 
 
 
15.1.1. SISNAMA 
 
Com a Lei do Meio Ambiente, foi criado o Sistema Nacional do Meio Ambiente - SISNAMA, 
constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios e 
dos Municípios, bem como das Fundações instituídas pelo Poder Público, responsáveis pela pro-
teção e melhoria da qualidade ambiental. Atualmente, o SISNAMA tem a seguinte estrutura: 
 
♦ órgão superior: o Conselho de Governo - CG, com a função de assessorar o Presidente da 
República na formulação da Política Nacional do Meio Ambiente e nas diretrizes para o meio 
ambiente e os recursos naturais; 
 
♦ órgão consultivo e deliberativo: o Conselho Nacional do Meio Ambiente - CONAMA, com 
a finalidade de assessorar, estudar e propor ao Conselho de Governo, diretrizes de políticas 
governamentais para o meio ambiente e os recursos naturais, e deliberar, no âmbito de sua 
competência, sobre normas e padrões compatíveis com o meio ambiente ecologicamente equi-
librado e essencial à sadia qualidade de vida; 
 
♦ órgão central: o Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal - 
MINISMAM, com a finalidade de planejar, coordenar, supervisionar e controlar, como órgão 
federal, a política nacional e as diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; 
 
♦ órgão executor: o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis 
- IBAMA, com a finalidade de executar ou fazer executar, como órgão federal, a política na-
cional e diretrizes governamentais fixadas para o meio ambiente; 
 
♦ órgãos seccionais: os órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de progra-