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Administração da produção I Projeto da Rede de Operações Produtivas Os produtos não se originam de um único, mas de vários processos de transformação que estão relacionados entre si. As atividades de processamento podem ocorrer em diferentes empresas, e umas tornam-se fornecedoras das outras. Denominamos rede de operações produtivas o conjunto de empresas que estabelecem relações de fornecimento até que o produto seja disponibilizado ao cliente final. A rede de operações pode ser chamada também de cadeia de suprimentos. Rede de operações para um fabricante de artigos domésticos de plástico Fonte: Administração da Produção-2008 – Nigel Slack Rede de operações para um Shopping center Fonte: Administração da Produção-2008 – Nigel Slack Para alguns estudiosos, a competição atual não se dá somente entre empresas, mas entre cadeias de suprimento ou redes de operações. Fornecedores que têm contatos diretos com uma operação são denominados Rede Imediata de fornecimento O fornecedor que interage diretamente com uma empresa é chamado fornecedor de primeira camada. Ele adquire seus insumos de um fornecedor de segunda camada daquela empresa. Depois de processar os recursos transformados, a empresa os repassa para seus clientes. Os clientes que recebem os bens diretamente da empresa são chamados clientes de primeira camada. Eles poderão, em seguida, repassar os bens adiante na rede para os clientes de segunda camada. Podem existir cadeias curtas, que envolvem poucas camadas e cadeias mais longas, com várias camadas a MONTANTE ou a JUSANTE. Configuração da rede de operações Fonte: CEDERJ É interessante observar as modificações que vêm acontecendo na configuração das redes de operações: • redução do número de fornecedores por parte das empresas; • intensificação do intercâmbio de informações entre os elos da rede; • esforço conjunto por altos níveis de qualidade e eficiência; • aumento da internacionalização das trocas. Estando o foco na rede, as empresas negociam em busca de uma vantagem competitiva que o conjunto dos membros da cadeia pode criar. Cada elo sabe que impor dano a um fornecedor pode significar insegurança em toda a rede. Os dois extremos do grau de interação na rede Fonte: CEDERJ Por que considerar toda rede? Há três razões importantes para isso: - Ajuda a empresa a compreender como pode competir mais efetivamente. - Ajuda a identificar ligações significativas na rede. - Ajuda a empresa a focalizar uma perspectiva de longo prazo na rede. Integração Vertical Integração vertical é o grau e a extensão de propriedade que uma organização tem da rede da qual faz parte. Em sentido estratégico, envolve a análise, pela organização, da conveniência de adquirir fornecedores e /ou clientes. No nível de produtos e serviços individuais, significa que a operação está decidindo se produz um componente individual específico, ou se ele mesmo realiza um serviço específico, ou alternativamente, compra-o de um fornecedor. No modelo fordista, implantado por Henry Ford em sua fábrica de automóveis no início do século XX, os componentes não eram comprados prontos dos fabricantes de peças, mas produzidos pela própria organização. Atualmente, o termo montadoras é mais apropriado do que fabricantes. As montadoras de automóveis modernas montam veículos novos utilizando peças adquiridas de vários fornecedores. Elas não se preocupam diretamente com a fabricação das peças que compõem o automóvel. Manter o foco na montagem, no projeto, no controle de qualidade e no gerenciamento de marca é o objetivo das montadoras nos dias de hoje. Aquelas empresas que decidem integrar-se verticalmente, ampliando seu controle e atuação dentro da rede da qual fazem parte, precisam definir sua estratégia em relação a alguns fatores, tais como: – a direção da integração; – a amplitude da integração; – o equilíbrio das etapas. Direção= se um fabricante tem interesse em controlar uma maior parte de sua rede, ele pode expandir, por exemplo, comprando um de seus fornecedores (integração vertical a montante) ou comprando um de seus clientes (integração vertical a jusante). Amplitude= depois de estabelecer sua direção e sentido de expansão, uma organização deve decidir até que ponto deseja lançar sua iniciativa de integração vertical. Equilíbrio= um relacionamento de rede totalmente balanceado é aquele no qual uma etapa produz somente para a próxima na rede e satisfaz totalmente as suas exigências. Equilíbrio incompleto nas etapas permite que cada etapa venda seus produtos a outras empresas ou comprem alguns de seus suprimentos de outras empresas. Direção, amplitude e equilíbrio de integração vertical Fonte: Administração da Produção – Nigel Slack Os efeitos da integração vertical nos objetivos de desempenho da produção: - Qualidade: as origens de problemas podem ser mais fáceis de serem encontrados, por meio de operações “internas à empresa”, do que mediante fornecedores externos. Por outro lado, com um ”cliente garantido”, livre da disciplina das relações comerciais, a empresa pode acomodar-se, uma vez que não há possibilidade de perder seu cliente. - Rapidez: existe mais sincronização nas programações, acelerando a passagem de materiais e informações ao longo da rede. Por sua vez, o cliente “da casa” pode ter menor prioridade se o fornecedor atende outras que podem desfazer seus pedidos. - Confiabilidade: devido a maior proximidade nas relações, os prazos de entregas podem ser mais confiáveis, desde de que, não sejam deixados de lado em favor de clientes que podem comprar com outros concorrentes. - Flexibilidade: se um fornecedor e um cliente são controlados pela mesma empresa, podemos esperar uma parceria entre eles. Essa parceria pode envolver desenvolvimento conjunto de novos produtos e novos processos. Assim, a empresa pode aumentar sua flexibilidade de produto. Pode também ser flexível em volume, conhecendo e ajustando a capacidade de fornecimento. Contudo, pode haver relutância para impor alterações de volume a fornecedores e clientes “da casa”. Às vezes, é mais fácil ser comerciante realista com empresas independentes. - Custo: Alguns custos, como pesquisa e desenvolvimento ou logística, por exemplo, podem ser compartilhados. Entretanto, co caso de baixa demanda, os custos podem aumentar. Caso 1: Da fabricação do malte e dos rótulos até as tampas metálicas e garrafas de vidro, passando ainda pela distribuição. Tudo isso, em maior ou menor proporção, está nas mãos da Ambev. O nível de verticalização começa a chamar a atenção. A companhia decidiu construir uma fábrica de garrafas de vidro no Rio de Janeiro, que deve suprir pelo menos 80% da demanda da região Sudeste. A produção de garrafas é estratégica. Perto de 70% das vendas de cerveja no país são feitas em garrafas retornáveis de 600ml. A distribuição do produto acabado também está sendo controlada cada vez mais pela Ambev, que acaba de comprar um distribuidor importante de Ribeirão Preto. A cervejaria já chegou a ter 3.000 distribuidores, hoje são 250 e a meta é chegar a 180. O processo de verticalização começou ainda na década de 90, quando a Brahma passou a administrar maltarias (unidades produtoras do malte utilizado na cerveja). A empresa também é dona de uma fábrica de tampas em Manaus com capacidade de produção de 9,3 bilhões de tampas por ano. Até a produção de rótulos é controlada pela Ambev (adaptado de D’AMBRÓSIO, 2006). Caso 2: A fabricante de produtos eletrônicos Gradiente terceirizou algumas de suas atividades. Na mais importante dessas operações, a empresa transferiu à americana Jabil toda a produção de placas de circuitos impressos – sobre as quais chips e outros componentes eletrônicos são montados. Máquinas e matérias-primas foram vendidas à empresa por quase R$16 milhões. A Gradiente também terceirizou paraa DHL sua área de logística e substituiu um call center interno pelos serviços de uma empresa especializada chamada TMS. Fonte próxima à companhia afirma que a Gradiente caminha para um modelo no qual irá transferir toda a produção a outras empresas e se tornar exclusivamente uma gestora de marcas. Hoje a empresa já compra de terceiros boa parte dos componentes que utiliza e dedica-se principalmente à montagem final dos produtos (adaptado de MOREIRA, 2006). �PAGE � �PAGE �5�