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TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 1 TEMA: A Supremacia da Constituição 1 – Constitucionalismo: “Constitucionalismo é a teoria (ou ideologia) que ergue o princípio do governo limitado indispensável à garantia dos direitos em dimensão estruturante da organização político-social de uma comunidade. Neste sentido, o constitucionalismo moderno representará uma técnica específica de limitação do poder com fins garantísticos.” (Canotilho). “O constitucionalismo é a “idéia-força”, socialmente relevante, uma nova crença liberal que se instaurou entre os governados. A história do constitucionalismo não é senão a busca pelo homem político das limitações do poder absoluto exercido pelos detentores do poder, assim como o esforço de estabelecer uma justificação espiritual, moral ou ética da autoridade, em lugar da submissão cega à facilidade da autoridade existente.” (Karl Loewenstein). 1.1 - O Constitucionalismo: • Cria instituições para limitar o poder político; • Aspecto jurídico → sistema de um corpo norma@vo, acima dos governantes; • Aspecto sociológico → fundado na base social de sustentação da limitação de poder, além das condições socioeconômicas; 2 – Aspectos Históricos: Origem: Para alguns autores, dentre eles André Tavares, o constitucionalismo tem origem remota como movimento que pretendia assegurar uma determinada organização do Estado e limite do poder. • Tem origem na organização do povo hebreu → estado teocrá@co; • Lei do Senhor → cria limites para o exercício do poder; 3 - A Origem Formal do Constitucionalismo: • Está ligada às constituições escritas e rígidas, tendo como marco a constituição dos Estados Unidos da América, em 1787, após a Independência das 13 colônias e a constituição Francesa, em 1791. 4 - O constitucionalismo supõe: a) uma Constituição normalmente escrita, de forma a ser certa, definitiva e acessível, de modo que todos possam exercer seus direitos e sua dignidade humana; b) uma Constituição rígida, protegida contra as arbitrariedades do poder, ou seja, cujos procedimentos de reforma sejam especiais e dificultados; c) uma parte da Constituição dedicada à transcrição de direitos fundamentais básicos de qualquer cidadão contra o arbítrio do Estado; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 2 d) uma parte da Constituição destinada à organização racional do poder, tendo como princípio fundamental a divisão de poderes ou de funções, de modo a limitar a atuação do poder do Estado. 5 – CONSTITUIÇÃO a) origem da palavra: latim – verbo constituere, significa estabelecer definitivamente; b) significados: tem vários. 5.1 – Conceito: • “A imposição de limites ao Estado – o Estado regido pelo império da lei e que enseja a idéia do Estado de Direito – corresponde à sujeição absoluta do poder político ao regime das leis fundamentais. O poder conformado pelo Direito.” (Fernando Capez e outros).” • “A Constituição do Estado, considerada sua lei fundamental, seria, então, a organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas, escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o modo de aquisição e o exercício o poder, o estabelecimento de seus órgãos e os limites de sua ação.” (José Afonso da Silva). • “A constituição é o conjunto de normas pertinentes à organização do poder, à distribuição da competência, ao exercício da autoridade, à forma de governo, aos direitos da pessoa humana, tanto individual como sociais. Tudo quanto for, enfim, conteúdo básico referente á composição e ao funcionamento da ordem política exprime o aspecto material da Constituição.” (Paulo Bonavides). 5.2 - Superioridade da Constituição – decorre do fato de ser obra do poder constituinte, superior e ilimitado. 5.3 - SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO 1 - Rigidez e supremacia constitucional: A rigidez decorre da maior dificuldade para sua modificação do que as demais; dela emana o princípio da supremacia da constituição, colocando-a no vértice do sistema jurídico. (José Afonso da Silva); 2 - Supremacia da Constituição Federal: por ser rígida, toda autoridade só nela encontra fundamento e só ela confere poderes e competências governamentais; exerce, suas atribuições nos termos dela; sendo que todas as normas que integram a ordenação jurídica nacional só serão válidas se conformarem com as normas constitucionais federais. (José Afonso da Silva). 5.4 - Concepções de Constituição: Sociológica – quando há coincidência entre o texto elaborado (vontades descritas) e as vontades pretendidas pelo povo; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 3 Política – reflete as vontades políticas fundamentais de um dado momento histórico. Está relacionada à essência de cada uma das normas inseridas na constituição; Jurídica – conjunto de normas que rege o Estado; A Constituição é norma jurídica pertencente ao mundo do dever-ser (Kelsen). 5.5- Classificação das Constituições: • Quanto ao conteúdo: - Materiais: conjunto de regras materialmente constitucionais (normas fundamentais e estruturais do Estado, a organização de seus órgãos, os direitos e garantias fundamentais) codificadas ou não em um único documento. - Formais: consubstanciadas de forma escrita, por meio de um documento solene estabelecido pelo Poder Constituinte Originário, contendo também preceitos cuja matéria não é considerada como “núcleo duro”, das Constituições (O critério é o seu processo de formação e não o conteúdo de suas normas, exemplo: CF/88). 1. CONSTITUIÇÃO (FORMAL E MATERIAL) Constituição é um conceito equívoco, existem várias formas de definir o que é uma Constituição, neste artigo trataremos dos conceitos de Constituição Formal e Constituição Material. 1.1. CONSTITUIÇÃO MATERIAL OU CONSTITUIÇÃO EM SENTIDO AMPLO O conceito amplo de constituição se confunde com o regime político do Estado[1]. Constituição é, em sentido material, o conjunto de normas que estruturam, dão forma e organizam o Estado. Assim a Constituição é o conjunto de normas elementares de um Estado. Veja que o examinador já cobrou esta definição nos seguintes termos: CESPE – SECAD/TO Caderno A – Cargo 1: Agente de Polícia Civil – Aplicação: 27/01/2008 Constituição em sentido material é a que trata de matéria tipicamente constitucional, compreendendo as normas que dizem respeito à estrutura mínima e essencial do Estado.[2] Reparem que nesse sentido, todo Estado teve, tem e continuará tendo Constituição, já que a Constituição é o seu modo de ser. É possível captar a Constituição de um Estado qualquer pelo seu modo de existir, sua essência, mesmo que as normas que definam esta forma e estrutura TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 4 básica não estejam escritas é possível determinar que o Estado tem Constituição. Nos Estados que não possuem Constituição escrita a sua Constituição será encontrada ao analisar-se em normas escritas ou costumeiras onde está definido o titular do poder, a forma de Estado, a forma de Governo, a separação das funções do Estado e, sem esgotar o tema, os direitos fundamentais. Veja esta outra questão de concurso: CESPE – AUGE/MG Caderno BETA - Cargo: Auditor Interno – Nível I, Grau A. Aplicação: 08/02/2009 Em sentido material, a Constituição compreende as normas constitucionais, escritas ou costumeiras, inseridas ou não em um documento escrito, que regulam a estrutura do Estado, a organização de seus órgãos e os direitos fundamentais.[3] É importante fixar, porém, que não há consenso doutrinárioou jurisprudencial sobre quais seriam, em definitivo, as normas materialmente constitucionais de um Estado, há um consenso quanto ao mínimo que se entende por constituição – normas sobre a forma de organização do poder político e sobre os direitos da pessoa humana. Analisaremos mais uma questão de concurso, veja esta questão: CESPE/ESCRIVÃO PF – 1998 Considerando a noção de constituição material, o ato de um agente público pode ser considerado inconstitucional, mesmo que afete norma não constante do texto da Constituição escrita.[4] Realmente, se partirmos da noção apenas material, é possível que um ato de um agente público seja inconstitucional mesmo que não afete norma da Constituição escrita, porque a Constituição material não se resume à Constituição escrita. 1.2. CONSTITUIÇÃO FORMAL A Constituição formal de um Estado é o texto escrito, estabelecido pelo poder constituinte com os valores, princípios e regras consideradas fundamentais para o Estado em um determinado momento histórico. Podemos dizer que a Constituição formal é a lei fundamental do Estado, com todas as normas que fazem parte deste texto escrito, incluindo (no Brasil) as emendas constitucionais e os tratados internacionais com status de emenda constitucional. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 5 O conceito formal não se preocupa com o conteúdo ou matéria inserida no corpo da Constituição, preocupa-se apenas com a forma da norma. Se uma norma está na forma da Constituição é Constituição, se está fora da Constituição não faz parte da Constituição formal. Veja esta outra questão: CESPE – SECAD/TO Caderno Alfa – Cargo: Delegado de Polícia Civil – Aplicação: 27/01/2008 Quanto ao conteúdo, a Constituição material compreende as normas que, mesmo não sendo pertinentes à matéria constitucional, se encontram inseridas em um documento escrito e solene.[5] É claro que a questão seria verdadeira se o examinador tivesse utilizado a expressão Constituição formal ao invés de Constituição material. Espera-se que a Constituição formal traga para dentro de si a Constituição material. No entanto, é possível que existam normas materialmente constitucionais fora da Constituição formal ou, o que é mais comum, que exista na Constituição formal normas não materialmente constitucionais – normas apenas formalmente constitucionais. É possível encontrar na Constituição formal normas que não são “dignas” de ocupar um lugar na Constituição. 1.3. NOSSO CONCEITO A Constituição de um Estado é o conjunto de normas editadas pelo Poder Constituinte com o objetivo de definir a organização básica[6] de um determinado povo, dentro de um território, definindo os respectivos órgãos de governo e suas funções, os fins que este governo deve alcançar e o espaço de liberdade que é dado aos cidadãos. Finalizamos com mais uma questão de concurso: CESPE – PF – Agente de Polícia – 2000 A constituição material do Brasil é a parte da Constituição da República integrada pelas regras materialmente constitucionais, ou seja, os dispositivos que tratam dos direitos fundamentais e da organização do Estado. Já a constituição formal do Brasil é a parte da Constituição da República integrada pelas regras formalmente constitucionais, ou seja, os preceitos que estão presentes no texto constitucional mas que disciplinam assuntos normalmente regulados pelo poder legislativo constituído, e não pelo poder constituinte originário.[7] TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 6 A definição de Constituição material está perfeita, porém, a definição da Constituição formal está muito restrita. Constituição formal engloba, ou pelo menos se espera que englobe, a Constituição material do Estado. Portanto está errado afirmar que a Constituição formal não regula preceitos típicos do poder constituinte originário. A Constituição formal não é o oposto de Constituição material mas apenas uma tentativa de colocar por escrito as disposições materialmente constitucionais. [1] José Afonso da Silva (2009, pg. 40). [2] Gabarito: Certo [3] Gabarito: Certo [4] Gabarito: Certo [5] Gabarito: Errado. [6] Organização básica aqui está no sentido de constituição material, ou seja, as normas elementares e fundamentais que dão a forma, a organização e a estrutura básica do Estado. [7] Gabarito: Errado Fonte: http://andreconcursos.blogspot.com.br/2011/06/constituicao- formal-e-material.html • Quanto à forma: Um dos primeiros temas enfrentados em um curso de Teoria Constitucional envolve a classificação das Constituições. Após citar diversos critérios, a doutrina brasileira costuma diferenciar dois tipos de Constituição quanto à forma: escritas e não escritas. Vale a pena transcrever alguns trechos para demonstrar o que alguns autores pensam a propósito da definição mencionada: 1. Dirley da Cunha Júnior: "(...) Constituição escrita, ou instrumental, é aquela cujas normas - todas escritas - são codificadas e sistematizadas em texto único e solene, elaborado racionalmente por um órgão constituinte. Vale dizer, cuida-se da Constituição em que as suas normas são documentadas em um único instrumento legislativo, com força constitucional (...). Constituição não-escrita, ou costumeira, é aquela cujas normas não estão plasmadas em texto único, mas que se revelam através dos costumes, da jurisprudência e até mesmo em textos constitucionais escritos, porém esparsos, como é exemplo a Constituição da Inglaterra (...)" TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 7 (Curso de Direito Constitucional. 3 ed. revista, ampliada e atualizada. Salvador: JusPODIVM, 2009, pp. 116-117). 2. Gilmar Ferreira Mendes, Inocêncio Mártires Coelho e Paulo Gustavo Gonet Branco: "(...) Quanto à forma - uma classificação cuja utilidade parece restringir-se a contemplar a singularidade da experiência constitucional inglesa -, as constituições são escritas ou não escritas, conforme se achem consolidadas em texto formal e solene, ou se baseiem em usos e costumes, conveções e textos esparsos, bem assim na jurisprudência sedimentada em torno desses elementos de índole constitucional (...)" (Curso de Direito Constitucional. 2 ed. revista e atualizada. São Paulo: Saraiva, 2008, p. 15). 3. Luís Roberto Barroso: "(...) Quanto à forma. Tal classificação diz respeito à forma de veiculação das normas constitucionais. Sob esse critério, as Constituições podem ser: a) escritas - quando sistematizadas em um texto único, de que é exemplo pioneiro a Constituição americana; ou b) não escritas - quando contidas em textos esparsos e/ou costumes e convenções sedimentados ao longo da história, como é o caso, praticamente isolado, da Constituição inglesa" (Curso de Direito Constitucional Contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 80). 4. Manoel Jorge e Silva Neto: "(...) Quanto à forma podem ser consideradas escritas e não escritas. Escritas são as constituições cuja disciplina da vida do Estado é inserida completamente em texto escrito. Não-escrita é a constituição que se ampara nos costumes e na jurisprudência (...)" (Curso de Direito Constitucional. 4 ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009, p. 39). 5. Kildare Gonçalves Carvalho: "(...) 3. quanto à forma: Constituições costumeiras ou históricas e Constituições escritas. Costumeiras ou históricas são as Constituições formadas por usos e costumes válidos como fontes de direito, como, por exemplo, as Convenções da Constituição, que se referem à reunião anual do Parlamento, à demissão do Gabinete, à dissolução da Câmara dos Comuns, na Inglaterra. Acentue-se, contudo, que há na Constituiçãoinglesa normas escritas que compõem a Constituição histórica. Embora se faça referência à Constituição inglesa, trata-se da Constituição do Reino Unido, que vige na Inglaterra, País de Gales, Escócia e Irlanda do Norte. (...) Escritas são as Constituições cujas normas se acham expressas em um ou vários documentos escritos (...)" (Direito Constitucional. 15 ed. rev. atual. e ampl. Belo Horizonte: Del Rey, 2009, p. 291). Após o exame dos autores mencionados pode-se perceber que o critério distintivo reside na organização ou não dos temas constitucionais em um texto único. Sendo assim,podemos chegar a conclusão de que talvez fosse melhor, para facilitar a compreensão, substituir a TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 8 nomenclatura por constituições sistematizadas ou não sistematizadas. Acredito que geraria menor confusão do que utilizar a expressão não-escrita, que pode conduzir a conclusões equivocadas no momento do aprendizado. Por fim, uma pergunta interessante formulada em sala de aula e que merece um atenção especial: será que haveria algum outro exemplo de Constituição não-escrita que não a inglesa? Um dos autores citados responde a essa pergunta em uma nota de rodapé! O Professor Luís Roberto Barroso, na obra citada acima, menciona que Israel e Nova Zelândia seriam outros exemplos de países dotados de Constituição não- escrita (cf. Curso de Direito Constitucional Contemporâneo. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 80, nota de rodapé nº 20). • Quanto ao modo de elaboração: - Dogmáticas: apresentam-se como o produto escrito e sistematizado por um órgão constituinte, a partir de princípios e ideias fundamentais da teoria, política e do direito dominante. Consubstanciam-se os dogmas estruturais e fundamentais do Estado, aproximando-se, assim, do conceito de Constituições escritas. - Históricas: fruto da lenta e contínua síntese da História e das tradições de um determinado povo. Aproximam-se das Constituições Costumeiras. Ex: Constituição Inglesa. • Quanto à origem: - Promulgadas: também chamadas democráticas, populares. Derivam do trabalho de uma ANC, composta de representantes do povo, eleitos com a finalidade de sua elaboração. Ex: Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988. - Outorgadas: elaboradas e estabelecidas sem a participação popular, através da imposição do poder da época. Ex: Constituições Brasileiras de 1824 e 1937. • Quanto à estabilidade: - Imutáveis: verdadeiras relíquias históricas porque não podem ser mudadas. - Rígidas: Constituições escritas que poderão ser alteradas por um processo mais solene e dificultoso do que o existente para as normas constituições. - Flexíveis: ou plásticas, em regra não-escritas, poderão ser alteradas pelo processo legislativo ordinário. Ou seja, não possuem um processo legislativo de alteração mais dificultoso do que o processo legislativo de alteração das normas infraconstitucionais. A dificuldade de se alterar a Constituição é a mesma encontrada para se alterar uma lei não constitucional; assim, não há hierarquia entre Constituição e lei infraconstitucional. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 9 - Semi-rígidas: aquelas em que algumas matérias exigem um processo de alteração mais dificultoso do que o exigido para a alteração das leis infraconstitucionais, enquanto outras não requerem tal formalidade. • Quanto à extensão e finalidade: - Analíticas (dirigentes): examinam e regulamentam todos os assuntos que entendam relevantes à formação, destinação e funcionamento do Estado. Ex.: CF/88 - Sistemáticas (negativas, garantias): preveem somente os princípios e as regras gerais de regência do Estado, organizando-o e limitando seu poder, por meio da estipulação de direitos e garantias constitucionais. Ex.: Constituição dos EUA. Classificação da Constituição brasileira: A Carta Magna de 1988 é formal, escrita, dogmática, social, rígida (ou super rígida), democrática, dirigente, principiológica, analítica, eclética, normativa, originária, plástica e expansiva. TEMA: PODER CONSTITUINTE Desde que surgiu o Estado, nasceu com ele, ou mesmo antes dele, o Poder Constituinte ou pelo menos, a função constituinte do Poder Soberano. 1. Conceito: “É o poder de constituir e reconstituir ou reformar a ordem jurídica estatal” Sahid Maluf. Desse modo, Poder Constituinte é o poder de constituir o Estado, ao elaborar a sua Constituição, e de alterá-la ou modificá-la por meio de emendas constitucionais. Como se percebe claramente, o Poder Constituinte se apresenta como sendo um gênero de poder, a abrigar duas espécies: um poder que constitui o Estado, e outro que apenas o reconstitui, emenda, reforma ou modifica. O primeiro é o Poder Constituinte propriamente dito, conhecido como Poder Constituinte Originário ou de Primeiro Grau, enquanto que o segundo se denomina Poder Constituinte Derivado, de Segundo Grau ou Instituído. A rigor, somente o Poder Constituinte Originário é realmente constituinte, já que o pretenso Poder Constituinte Derivado, exatamente por ser derivado, de segundo grau ou instituído, não passa de poder constituído, embora especial e excepcional. 2. Poder Constituinte Originário: é a máxima expressão ou manifestação da Soberania, capaz de criar todos os demais poderes, sendo, logicamente, superior a todos eles. É o poder que dá existência ao próprio Estado, ao editar a sua Constituição. Características: - Inicial: é inicial porque, sendo único, é a razão de ser de si mesmo e não se fundamenta em nenhum outro poder, ao contrário, todos os poderes provêm dele e nele se baseiam. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 10 - Autônomo: se é inicial, consequentemente, só pode ser autônomo, ou seja, basta-se a si mesmo, não necessita de qualquer poder e está acima de todos os demais que, necessariamente, a ele se subordinam. Aqui nesse contexto, a palavra autonomia reveste-se de um significado próprio e muito especial, para representar a máxima expressão possível de Soberania. - Incondicionado: por ser incondicionado, o Poder Constituinte Originário não se submete a nenhum tipo de fórmula ou condição previamente estabelecida. Ele é que dita as condições e formas pelas quais os outros poderes podem existir e funcionar. 3. Poder Constituinte Derivado: conhecido também como Reformador, é aquele encarregado de modificar a Constituição vigente, fazendo alterações parciais em seu texto. Não é propriamente um poder constituinte, pois, limites de diversa natureza se lhe impõe. Características: - Derivado: porque deriva de outro poder, logicamente, o Poder Constituinte Originário, do qual recebe toda sua justificação e expressão. - Subordinado: porque está abaixo do Poder Originário e a ele se subordina. - Condicionado: porque só pode funcionar conforme as regras, formas, diretrizes e condições que lhe fixa e determina o Poder Constituinte Originário. 4. Poder Constituinte Decorrente: modalidade típica e específica das federações. É o poder que os Estados-membros detêm par formalizar suas próprias Constituições, respeitados os princípios e vedações estabelecidos na Constituição Federal. Características: - Subordinado: à semelhança do Poder Constituinte Derivado, o Decorrente decorre do Poder Constituinte Originário, subordinando-se à Lei Magna Federal; - Secundário: é secundário porque se posiciona abaixo, não somente do Poder Constituinte Originário, mas também, do Poder Constituinte Derivado. Dessa forma, se, em decorrência de uma emenda constitucional, a Constituição Federal entrar em conflito ou choque com uma Constituição Estadual, esta terá de adaptar-se à nova situação,sob pena de inconstitucionalidade; - Condicionado: só pode atuar obedecendo as condições e limites impostos pela Constituição Federal. QUESTÕES PARA FIXAÇÃO 1. O que são o “Poder Constituinte Originário” e os “poderes constituídos”? 2. Explique a Supremacia da Constituição, relacionando-a ao binômio “Poder Constituinte Originário” e “poderes constituídos”. 3. O que é presunção juris tantum? Por que a constitucionalidade das leis é uma presunção desse tipo? 4. Como é classificada a Constituição Brasileira de 1988? TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 11 TEMA: FUNÇÕES DO ESTADO Aspectos Gerais: 1. O Poder Constituinte, manifestação mais alta da vontade coletiva, cria o Estado (ou o reconstrói), através da Constituição, lei básica em que lhe determina a estrutura geral, institui a autoridade, delimitando a organização dos poderes públicos, e define os direitos fundamentais do indivíduo. (1) A Constituição é, assim, a expressão primária e fundamental da vontade coletiva organizando-se juridicamente, no Estado, que com ela principia a existir e segundo ela demanda os seus fins. 2. O Estado, uma vez constituído, realiza os seus fins através de três funções em que se reparte a sua atividade: legislação, administração e jurisdição. 2.1 - A função legislativa liga-se aos fenômenos de formação do direito, enquanto as outras duas, administrativa e jurisdicional, se prendem à fase da sua realização. Legislar (editar o direito positivo), administrar (aplicar a lei de ofício) e julgar (aplicar a lei contenciosamente), são três fases da atividade estatal, que se completam e que a esgotam em extensão. • O exercício dessas funções é distribuído pelos órgãos denominados Poder Legislativo, Poder Executivo e Poder Judiciário. • É de notar, porém, que cada um desses órgãos não exerce, de modo exclusivo, a função que nominalmente lhe corresponde, e sim tem nela a sua competência principal ou predominante. • Ao Poder Legislativo delega o direito escrito a quase totalidade das atribuições de natureza legislativa, como, de modo semelhante, delega as de natureza administrativa e jurisdicional aos Poderes Executivo o Judiciário, respectivamente. 2.2 - Pela função legislativa o Estado edita o direito positivo posterior à Constituição, ou, em termos mais precisos, estabelece normas gerais, abstratas e obrigatórias, destinadas a reger a vida coletiva. O seu exercício constitui cronologicamente, a primeira manifestação de vitalidade do organismo político estatal. 2.3 – As funções administrativa e jurisdicional - Constitui um delicado problema doutrinário fixar para cada uma destas o conceito específico, pois que ambas, se prendendo à fase de realização do direito, identificam-se como funções de execução. Assim, faz-se necessário estabelecer o feitio peculiar da interferência de cada uma delas nos fenômenos executivo, distinguindo-as entre si como espécies do gênero funções de execução; 3 – Autores clássicos discutiram a questão da divisão dos poderes e das funções do Estado, notadamente, Aristóteles, Lock, Montesquieu e Maquiavel. • A proposta da separação dos poderes, além de buscar a proteção da liberdade individual, tinha por base também aumentar a eficiência do Estado; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 12 • Com o fim de estruturar a divisão de poderes, a doutrina utiliza como critério dois elementos, quais sejam, a especialização funcional e independência orgânica. Este último critério pressupõe inexistência de qualquer meio de subordinação entre os Poderes, enquanto aquele outro critério indica que cada órgão é especializado no exercício de uma função. • Não existe uma separação absoluta entre os poderes, haja vista todos eles legislarem, administrarem e julgarem. É o que nomeamos de função típica e atípica, sendo aquela primeira a que o Poder exerce com preponderância, quando a outra é exercida secundariamente. A função típica de um órgão é atípica dos outros, sendo que o aspecto da tipicidade se dá com a preponderância. O doutrinador Pedro Lenza cita alguns exemplos com o escopo de tornar mais clara esta diferenciação. Vejamos: Órgão Legislativo: a) Função típica: legislar e fiscalização contábil, financeira, orçamentária e patrimonial do Executivo; b) Função atípica de natureza executiva: ao dispor sobre sua organização, provendo cargos, concedendo férias, licenças a servidores etc.; c) Função atípica de natureza jurisdicional: o Senado julga o Presidente da República nos crimes de responsabilidade (art. 52, I). Órgão Executivo: a) Função típica: prática de atos de chefia de Estado, chefia de Governo e atos de administração; b) Função atípica de natureza legislativa: o Presidente da República, por exemplo, adota medida provisória, com força de lei (art. 32); c) Função atípica de natureza jurisdicional: o Executivo julga, apreciando defesas e recursos administrativos. Órgão Judicial: a) Função típica: julgar (função jurisdicional), dizendo o direito no caso concreto e dirimindo os conflitos que lhe são levados, quando da aplicação da lei; b) Função atípica de natureza legislativa: regimento interno de seus Tribunais (art. 96, I, a); TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 13 TEMA: ESTADO E GOVERNO ESTADO MODERNO E A DEMOCRACIA O Estado Democrático moderno, noção de governo do povo, nasceu das lutas contra o absolutismo, sobretudo através da afirmação dos direitos naturais da pessoa humana. Daí a grande influência dos jusnaturalistas, como Locke e Rousseau. Três grandes movimentos político-sociais conduziram ao Estado Democrático: a) REVOLUÇÃO INGLESA – que teve sua expressão mais significativa no Bill of Rights de 1689. Houve a intenção de estabelecer limites ao poder absoluto do monarca e a influência do protestantismo, ambos contribuindo para a afirmação dos direitos naturais dos indivíduos, nascidos livres e iguais, justificando o poder da maioria, que deveria exercer o poder legislativo assegurando a liberdade dos cidadãos; b) REVOLUÇÃO AMERICANA – cujos princípios foram expressos na Declaração de Independência das treze colônias americanas em 1776; c) REVOLUÇÃO FRANCESA – que teve sobre os demais a virtude de dar universalidade aos seus princípios, os quais foram expressos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão em 1789, sendo evidente a influência de Rousseau. Além de se oporem ao governo absolutista, os líderes franceses enfrentavam uma grande instabilidade interna, que deveria também ser trabalhada. Esta situação favoreceu o aparecimento da idéia de nação, como centro unificador de vontades e de interesses. Também a situação religiosa favoreceu fortemente o movimento visto que na França a igreja e o Estado eram inimigos, o que influenciou para que a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, em 1789, tomasse um cunho universal, sem as limitações impostas pelas lutas religiosas locais. Como fim da sociedade política aponta-se a conservação dos direitos naturais e imprescritíveis do homem, que são a liberdade, a propriedade, a segurança e a resistência à opressão. A limitação somente pode ser imposta ao indivíduo através de lei, que é a expressão da vontade geral.Todos os cidadãos têm o direito de concorrer, pessoalmente ou por seus representantes, para a formação dessa vontade geral. Assim, a base da organização do Estado deve ser a preservação dessa possibilidade de participação popular no governo, a fim de que sejam garantidos os direitos naturais. Os Estados democráticos tinham três pontos fundamentais: a) Supremacia da vontade popular: a participação popularno governo, suscitando acesas controvérsias e dando margem às mais variadas experiências, tanto no tocante à representatividade, quanto à extensão do sufrágio e aos sistemas eleitorais e partidários; b) Preservação da liberdade: poder de fazer tudo o que não incomodasse o próximo, bem como o poder de dispor de sua pessoa e de seus bens, sem qualquer interferência do Estado; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 14 c) Igualdade de direitos: proibição de distinções no gozo de direitos, sobretudo por motivos econômicos ou de discriminação entre classes. As transformações no Estado durante o século XIX e a primeira metade do século XX seriam determinantes pela busca da realização desses preceitos. A preocupação primordial foi sempre a participação do povo na organização do Estado, na formação e atuação do governo, por se considerar implícito que o povo, expressando livremente sua vontade soberana, saberá resguardar a liberdade e a igualdade. DEMOCRACIA DIRETA, SEMIDIRETA E REPRESENTATIVA Sendo o Estado democrático aquele que o próprio povo governa, há a necessidade de se estabelecer meios para que o povo possa externar sua vontade. Entretanto, não desapareceu de todo a prática de pronunciamento direto do povo, existindo alguns institutos que são classificados como expressões de Democracia Direta, que supõe o exercício do poder político pelo povo, reunido em assembleia plenária da coletividade. Durante séculos a Landsgemeinde foi o órgão supremo em todos os pequenos Cantões da Suíça central e oriental, começando a sua abolição no século XIX. Trata-se de uma assembléia, aberta a todos os cidadãos do Cantão que tenham o direito de votar, impondo-se a estes o comparecimento como um dever. A Landsgemeinde se reúne ordinariamente uma vez por ano, num Domingo da primavera, podendo haver convocações extraordinárias. Há uma publicação prévia dos assuntos a serem submetidos à deliberação, podendo ser votadas proposições de cidadãos ou do Conselho Cantonal, remetendo-se a este todas as conclusões. A Landsgemeinde vota leis ordinárias e emendas à Constituição do Cantão, tratados internacionais, autorizações para cobrança de impostos e realização de despesas públicas de certo vulto e a naturalização Cantonal. Nesta democracia direta a deciSão do povo é aparente, segundo André Hauriou, tendo em vista que o Landsgemeinde só se mantém nos cantões suíços menos populosos; o trabalho destas assembléias populares é preparado por um Conselho cantonal eletivo, sendo apenas aprovado ou desaprovado o que foi estabelecido pelo Conselho. É impraticável esta modalidade de democracia pela impossibilidade material de sua realização em face da enorme população dos Estados. Existem outros institutos que não dão ao povo a possibilidade de ampla discussão antes da deliberação, sendo por isso classificados como representativos da Democracia Semidireta, na qual o povo passou a exercer o seu poder de modo mediato e através de seus representantes eleitos pelo voto. Caracteriza-se pela coexistência de mecanismos da democracia representativa (indireta) com outros da democracia direta: Referendum, o Plebiscito, a Iniciativa Popular, o Veto Popular e o Recall, presentes na Constituição de 1988 nos art. 14. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 15 • Referendum – É uma consulta à opinião pública para a introdução de uma emenda constitucional ou mesmo de uma lei ordinária, quando esta afeta um interesse público relevante; • Plebiscito – Consiste numa consulta prévia à opinião popular para se adotar ou não providências legislativas; • Iniciativa Popular – Consiste em facultar ao povo a iniciativa de propor um projeto de lei, art. 60, § 2º C.F; • Veto Popular – Consiste em dar aos eleitores um prazo, após a aprovação de um projeto pelo Legislativo, para que requeiram a aprovação popular da lei. A lei não entra em vigor antes de decorrido esse prazo e, desde que haja a solicitação por um certo número de eleitores, ela continuará suspensa até as próximas eleições, quando então o eleitorado decidirá se ela deve ser posta em vigor ou não; • Recall – É uma instituição norte-americana que tem aplicação para revogar a eleição de um legislador ou funcionário eletivo, ou, para reformar decisão judicial sobre constitucionalidade de lei. A impossibilidade prática de utilização dos processos da democracia direta e semidireta tornou inevitável o recurso à Democracia Representativa. Na democracia representativa o povo concede um mandato (mandato político) a alguns cidadãos para, na condição de representantes, externarem a vontade popular e tomarem decisões em seu nome, como se o próprio povo estivesse governando, sendo o mandato político uma das mais importantes expressões da conjugação do político e do jurídico. SISTEMA REPRESENTATIVO O ponto de partida do ideal democrático é de que o povo é soberano, fonte do poder e deve governar-se por si mesmo. Assim, a democracia pura seria o governo direto, levado a efeito pelo próprio povo, em comícios periódicos e assembleias públicas. Entretanto, a democracia direta não é praticável no mundo moderno devido ao vasto território, elevada densidade demográfica, política e administração complexa, sendo feita através de representantes eleitos pelo povo através do voto. Isto é a democracia indireta, ou democracia representativa ou sistema representativo de governo. O sistema representativo divide-se formalmente em unicameral e bicameral, conforme o Poder Legislativo composto de uma só Câmara ou desdobrado em duas. As vantagens do sistema bicameral são: • Facilita um estudo mais detido e sereno dos projetos de lei evitando inconvenientes de uma legislação precipitada e de surpresa; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 16 • Estabelece um sistema de freios e contrapesos dentro do próprio legislativo, evitando que uma das câmaras descambe para a tirania; • As duas deliberações sobre um projeto asseguram melhor correção dos erros que tenham passado despercebidos num primeiro estudo; • Estabelece em corpos separados as tendências progressistas e conservadoras, ambas necessárias ao bem público; • Permite distribuir as atribuições dos corpos legislativos, facultando a uma câmara acusar e à outra julgar a acusação, ou então reservando a uma das câmaras o caráter político, nos governos parlamentares, para os efeitos da confiança que deve ter o Gabinete. No Estado Federal a Câmara dos Deputados representa o povo e a Câmara do Senado representa os Estados. Adotaram o bicameralismo os Estados Unidos, Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Cuba, Haiti, Equador, Nicarágua, México, Venezuela, Uruguai e Peru. Quanto à composição do legislativo o sistema representativo divide-se em individualista, corporativo e totalitário. INDIVIDUALISTA - O corpo eleitoral é um só conjunto dos indivíduos integrantes da sociedade sem distinção de classe ou profissão; CORPORATIVO – Baseia-se em que o Estado não se compõe de indivíduos, isoladamente considerados, nem de uma totalidade absoluta como sujeito exclusivo de direito público, mas, sim, de grupos políticos, econômicos, culturais e espirituais. Nesse sistema os representantes são eleitos pelas associações de classes, sindicatos ou corporações; e as leis são elaboradas, em primeiro turno, pelos representantes dos grupos diretamente interessados, passando, em segundo turno, ao plenário da assembleia ou parlamento. Quanto à composição do poder executivo o sistema representativo divide-se em três ramos distintos: diretorial, presidencial e parlamentar. SISTEMA DIRETORIAL – É aquele em que todo o poder de Estado se concentrano Parlamento, sendo a função executiva exercida por uma junta governativa por delegação do mesmo Parlamento, sendo de subordinação do executivo ao legislativo. SISTEMA PRESIDENCIALISTA – É a transferência do poder soberano do povo ao governo eleito por ele através do voto. Foi uma adaptação da monarquia à forma republicana onde foram substituídos os princípios da vitaliciedade e hereditariedade pelos da temporariedade e eletividade. São características a eletividade do chefe do Poder Executivo, o Poder Executivo unipessoal, a participação efetiva do Poder Executivo na elaboração da lei, a irresponsabilidade política (o presidente não necessita do apoio do congresso para se manter no poder. Por erros, desmandos ou incompetência, que não configurem crimes no conceito específico da lei penal, não se dará a perda ou cassação do mandato), a independência dos TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 17 três poderes de Estado e a supremacia da lei constitucional rígida. O chefe do executivo, eleito pelo povo através do voto direto, é representante da soberania nacional tanto quanto o Congresso. SISTEMA PARLAMENTARISTA – O sistema parlamentarista se adapta às formas de governo da monarquia e república. Baseia-se na existência de partidos fortemente organizados, caracterizando um profundo respeito à opinião da maioria e por uma constante subordinação dos corpos representativos à vontade soberana do povo. São características do parlamentarismo a organização dualística do Poder Executivo, colegialidade do órgão governamental, responsabilidade política do Ministério perante o Parlamento, responsabilidade política do Parlamento perante o Corpo Eleitoral, interdependência dos Poderes Legislativo e Executivo. Além dos três poderes – legislativo, executivo e judiciário – conta ainda com o Poder Moderador. O Chefe da Nação ou Chefe de Estado é o rei ou presidente, que não se confunde com a figura do Chefe do Governo – Primeiro-Ministro. TEMA: SUFRÁGIO Sistema eleitoral brasileiro - fundamenta-se em dois princípios básicos: o republicanismo e o presidencialismo. • Como conseqüência da Proclamação da República em 1889, o Brasil adotou: • forma de Estado – federalismo; • forma de governo – republicano; • sistema de governo – presidencialista; • presidente da república é o mandatário maior da nação. • Após o movimento conhecido como Diretas Já e com o advento da Constituição brasileira de 1988, as eleições no país tornaram-se diretas, após um longo período com eleições indiretas, com sufrágio universal a todos aqueles que a Constituição confere direitos políticos. Sufrágio Universal – ditreito público, subjetivo, de natureza política; Voto – materialização do do direito ao sufrágio; Nas democracias diretas o sufrágio ou voto significa a aprovação ou a reprovação a determinada medida. Na democracia semidireta, como o referendum, e o veto popular, etc, o sufrágio também exprime a opinião do indivíduo sobre a questão que lhe é submetida. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 18 No regime representativo, o sufrágio é o processo legal para escolha das pessoas que irão representar o povo no exercício das funções eletivas. Assim se escolhem os membros do Poder Legislativo, o Presidente da República, Governador, Prefeito e outras autoridades. Em linguagem da democracia clássica, o sufrágio é o meio pelo qual o povo designa as pessoas que devem governar em seu nome como seus representantes. Também significa a participação do indivíduo na vida do Estado, demonstra não só o seu interesse pelos destinos da sociedade política a que pertence, como é ainda a concretização do seu direito a se fazer ouvir, a influir no governo, a emitir opinião sobre assuntos que lhe concernem diretamente. Algumas críticas foram formuladas contra o regime democrático, inclusive a que o povo não sabe escolher os homens mais capazes para o governo. Na verdade o sufrágio não é infalível de designar capacidades, mas é dentre todos os meios existentes o menos defeituoso. Há três meios usuais para o preenchimento dos cargos de governo: a eleição, a hereditariedade e a força. Na hereditariedade, própria dos regimes monárquicos, é entregar ao acaso a escolha dos governantes, pois, numa dinastia pode nascer um rei bom ou péssimo e, sendo o mandato vitalício, o povo tem de suportar o péssimo rei por muito tempo ou revoltar-se. Os atos de força podem levar ao poder homens excepcionais e dignos, pela revolução ou golpe de Estado, mas, esta forma de escolha seria um convite aos aventureiros e conspiradores para chegarem ao poder. Quanto à natureza do sufrágio, os autores defendem que é um direito (é um direito do povo designar seus representantes para ocuparem os cargos eletivos) e uma função (porque é o processo legal utilizado para a escolha das pessoas que irão representar o povo no exercício das funções eletivas), concomitantemente. SUFRÁGIO RESTRITO E SUFRÁGIO UNIVERSAL – As primeiras Constituições escritas e leis não deram o direito de voto a todos os membros da sociedade, apesar de inspiradas nas idéias igualitárias. A primeira grande exclusão foi a das mulheres, restrição que se manteve até recentemente. Os legisladores da Revolução Francesa, em contradição com as idéias igualitárias que pregavam, partiam da premissa de que a sociedade deve ser dirigida pelos sensatos, mais inteligentes, mais capazes, pelos melhores, por fim, uma elite. É o que denominavam de sufrágio restrito, o direito de voto é limitado às pessoas que reúnem certas condições predeterminadas. Para se chegar às estas pessoas, os critérios adotados eram: • São os mais capazes os indivíduos que possuem bens de fortuna; • São mais capazes os que possuem mais instrução. A justificativa dos legisladores para a escolha destes critérios era de que os indivíduos que pagavam impostos ou que possuíam propriedade imóvel tinham a posse da riqueza, que além de permitir a instrução, que é impossível à pobreza, dá ao indivíduo mais tempo para se dedicar ao estudo dos problemas políticos, mais apego à terra, amor à ordem e respeito à lei. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 19 Por isso, ainda hoje a maioria das legislações nega o direito de voto aos mendigos, que vivem da caridade pública não tendo condições de independência para manifestar livremente a opinião, e aos analfabetos que por não saberem ler nem escrever, mal podem se inteirar da vida do Estado e estão sujeitos à fraude na ocasião de votar. Aos poucos foi adotado nos Estados modernos o Sufrágio Universal que, apesar da expressão universal, não estende a todos os membros da sociedade o direito de votar. Assim, a expressão sufrágio universal corresponde à extensão do direito de voto à universalidade dos cidadãos habilitados para o seu exercício nos termos da lei de cada país. No sistema constitucional brasileiro, art. 14 C.F., está previsto que: • VOTO OBRIGATÓRIO: os maiores de 18 anos e menores de 70 anos; • VOTO FACULTATIVO: os analfabetos; os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos; os maiores de setenta anos; • NÃO PODEM VOTAR: os estrangeiros; os conscritos, durante o período de serviço militar obrigatório; os menores de 16 anos. RESTRIÇÕES AO DIREITO DE VOTO: • POR MOTIVO DE IDADE – O indivíduo somente adquire maturidade suficiente para agir com consciência na vida pública depois de certa idade; • POR MOTIVO DE ORDEM ECONÔMICA – Hoje já é proibida a restrição de base econômica em face da igualdade jurídica dos indivíduos, restando a utilização de meios econômicos para viciar a vontade do eleitor, mas, antigamente, somente quem tinha propriedades,pagava imposto podia votar; • POR MOTIVO DE SEXO – Foi reconhecida a igualdade de sexos quanto aos direitos políticos, fato que não ocorria antes do século XVIII; • POR DEFICIÊNCIA DE INSTRUÇÃO – Era exigido um grau mínimo de instrução a fim de que o eleitor não fosse presa fácil da demagogia. No entanto, com o tempo, ficou superado o problema da informação devido aos meios de comunicação que levam a informação a todos indistintamente. - A exclusão do analfabeto não condiz com a doutrina democrática visto que o analfabetismo não significa ausência de bom-senso, inteligência ou discernimento para exercer o direito de voto. No Brasil o voto do analfabeto foi admitido no tempo do império, quando a votação se realizava publicamente. Depois foi proibido e restabelecido pela Emenda Constitucional Nº 25 de 15/05/85 e mantido com o caráter de facultativo na Constituição de 1988; • POR CONDENAÇÃO CRIMINAL – O condenado com sentença transitada em julgado tem seus direitos políticos suspensos enquanto durarem os efeitos da sentença – art. 15, III CF; TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 20 • POR ENGAJAMENTO NO SERVIÇO MILITAR – Restrição ao direito de voto enquanto prestar o serviço militar obrigatório sob o argumento de impedir que a política penetre nos quartéis, provocando divisões entre os que deverão agir em conjunto e dentro de estrita disciplina. Quanto ao direito de votar existem dois princípios orientadores: a) O eleitor deve ter a possibilidade de agir livremente no momento de votar; b) O eleitor deve ter a consciência da significação de seu ato. O voto secreto assegura melhor a liberdade do eleitor, evita o temor das perseguições, reduz ao mínimo as possibilidades de corrupção das consciências e permite mais segura a apuração da verdade eleitoral, legitimando e fortalecendo o regime democrático. SISTEMAS ELEITORAIS São os mecanismos utilizados na eleição para se aferir os vencedores do pleito. A identificação de meios eficazes para assegurar a autenticidade eleitoral e a necessidade de atender às características de cada colégio eleitoral têm determinado uma grande variedade de sistemas eleitorais como: SISTEMA DE REPRESENTAÇÃO MAJORITÁRIA – Por este sistema basta que determinado grupo obtenha maioria, ainda que por um único voto, para conquistar o cargo de governo objeto da disputa eleitoral. A crítica do sistema é de que a maioria obtida quase sempre está longe de representar a maior parte dos cidadãos. Outra crítica é que não é justo dar representação apenas à maioria, deixando as minorias sem possibilidade de participação no governo. Quanto ao problema da maioria relativa, que é inferior à soma dos votos obtidos por todos os demais partidos, inúmeros sistemas procuram resolvê-lo exigindo a maioria absoluta, que considera eleito aquele que obtém mais da metade dos votos que compõem o colégio eleitoral, ou mais da metade dos votos depositados nas urnas, que se não resolver adota-se o segundo turno, que consiste numa segunda votação na qual concorrem somente os dois candidatos mais votados, sendo declarado vencedor do pleito o que obtiver mais votos (acontece apenas nos municípios que tiverem mais de 200.000 eleitores – ART. 29, II CF). SISTEMA DE REPRESENTAÇÃO PROPORCIONAL – Tentando solucionar o problema da representação da minoria, este sistema foi criado na Bélgica em 1900 e introduzido em vários Estados depois da I Guerra Mundial. Por este sistema todos os partidos têm direito à representação, estabelecendo-se uma proporção entre o número dos votos recebidos pelo partido e o número de cargos que ele obtém. A crítica realizada a este sistema é de que devido à conjugação heterogênea, o governo não é responsável pela manutenção de uma única linha de política em face da multiplicidade de partidos, não sendo responsável pela ineficácia da ação governamental. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 21 SISTEMA DE DISTRITOS ELEITORAIS – Neste sistema o colégio eleitoral é dividido em distritos, devendo o eleitor votar apenas no candidato de seu respectivo distrito. No início o eleitor dispunha de voto múltiplo, mas, devido aos problemas ocasionados passou a ser praticado o voto uninominal, ou seja, um eleitor tinha um único voto, sendo assim aplicado em todos os distritos da Inglaterra a partir de 1885. A crítica fica no sentido de que o sistema perpetua as lideranças locais que, sem os votos externos não deixam o poder. Também este sistema tende a facilitar a corrupção pelo poder econômico visto a concentração de recursos num só distrito facilita a compra de votos. A vantagem é proximidade do eleitor com seus representantes fomentando-os de sugestões e cobranças. A Constituição Federal no seu art. 14 prevê o sufrágio universal direto e secreto. Para serem considerados eleitos os candidatos ao Executivo (Presidente e Vice-Presidente da República, Governador e Vice-Governador, Prefeito e Vice-Prefeito) deverão obter maioria absoluta dos votos na primeira votação, realizando-se nova eleição até 20 dias após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candidatos mais votados e considerando-se eleito aquele que obtiver a maioria dos 33 votos válidos. Também pelo voto majoritário considera-se eleito para o cargo de senador os mais votados em cada Estado Federativo, art. 46 C.F. A Constituição Federal consagra o sistema majoritário nos arts. 77, 28 e 29, II e 46 (cargos ao Poder executivo e ao senado). Já o sistema de representação proporcional no art. 45 (cargos ao Poder Legislativo, exceto senado). TEMA: PARTIDOS POLÍTICOS E SISTEMAS PARTIDÁRIOS A necessidade de governar por meio de representantes deixa para o povo o problema da escolha desses. Cada indivíduo tem suas aspirações, seus interesses e, mesmo que de maneira indefinida e imprecisa, suas preferências a respeito das características dos governantes. Assim, com o problema da escolha, formaram-se grupos de opinião em disputa. Garcia Pelayo define Partido Político como sendo “grupos de pessoas organizadas em instituições políticas, dotadas de personalidade jurídica, com a finalidade de exercer ou de influenciar o poder do Estado para realizar total ou parcialmente um programa político de caráter geral.” Quanto à natureza jurídica dos partidos, predomina a conclusão de que são pessoas jurídicas de direito privado – art. 17 C. F., e art. 1º da Lei nº 9.096 de 19/12/95 - dispõe sobre partidos políticos. (art. 1º. O partido político, pessoa jurídica de direito privado, destina-se a assegurar, no interesse do regime democrático, a autenticidade do sistema representativo e a defender os direitos fundamentais definidos na Constituição Federal.) TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 22 Houve um período de maturação durante o qual prevaleceram organizações mais ou menos clandestinas, como os clubes políticos na França, os caucus na Inglaterra e nos Estados Unidos, até que fossem claramente definidos e incorporados à vida constitucional os partidos políticos, no século XIX. Os partidos de princípios foram os que mais se desenvolveram, absorvendo os grupos de interesses, os quais sempre tiveram dificuldades para atuação ostensiva e organizada, tendo-se afirmado como veículo natural de representação política, o que culminou na multiplicação de partidos com diversas características, podendo ser feita uma classificação dos sistemas partidários (forma de organização interna, externa e âmbito de atuação dos partidos políticos) segundos os seguintes aspectos: Quanto à organização interna: • Partidos de quadros – Mais preocupados com a qualidade de seus membros do que com a quantidade deles, não buscamreunir o maior número possível de integrantes, preferindo atrair figuras mais notáveis, capazes de influir positivamente no prestígio do partido, ou, os indivíduos mais abastados, dispostos a oferecer contribuições econômico-financeiras substanciais à agremiação partidária; • Partidos de massa – Quando, além de buscarem o maior número possível de adeptos, sem qualquer espécie de discriminação, procuram servir de instrumento para que indivíduos de condição econômica inferior possam aspirar às posições de governo; Quanto à organização externa, os sistemas partidários podem ser classificados levando-se em conta o número de partidos existentes no Estado, havendo: • Sistemas de partido único – Caracterizados pela existência de um só partido no Estado. Os debates políticos são travados dentro do partido, não havendo necessariamente um caráter antidemocrático. Na prática se verifica que o partido único se prende a princípios rígidos e imutáveis, só havendo debates quanto aos aspectos secundários. Há casos que o unipartidarismo sufocou o pluripartidarismo e outros em que foi o unipartidarismo o primeiro passo para o surgimento de outros partidos. • Sistemas bipartidários – Caracterizados pela existência de dois grandes partidos que se alternam no governo do Estado. Não se excluem outros partidos que, por motivos diversos, permanecem pouco expressivos. São exemplos a Inglaterra e os Estados Unidos da América. • Sistemas pluripartidários – São a maioria; caracterizados pela existência de vários partidos igualmente dotados da possibilidade de predominar sobre os demais. Têm em suas causas o fracionamento interior das correntes de opinião e a superposição de dualismos (aumenta a distância de pontos de opiniões divergentes, impossibilitando a convivência, ocasionando-se o fracionamento e a consequente constituição de um ou mais partidos). Também, devido ao fato de num mesmo povo haver diversas opiniões sobre o que é mais importante, sendo esta TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 23 importância dividida entre o econômico, o social, o religioso, etc. Quando há um número excessivo de partidos, dividindo excessivamente o eleitorado, resulta a necessidade de acordos eleitorais e outros artifícios destinados a compor maiorias, quase sempre em dano de interesse público. Quanto ao âmbito de atuação dos partidos, podem ser: • Partidos nacionais – Quando têm adeptos em número considerável em todo o território do Estado, importando que a soma de seus eleitores e a sua presença em todos os pontos do Estado confiram-lhe expressão nacional. • Partidos regionais – São aqueles cujo âmbito de atuação se limita à determinada região do Estado, satisfazendo-se seus líderes e eleitores com a conquista do poder político nessa região. • Partidos locais – São os de âmbito municipal, que orientam sua atuação exclusivamente por interesses locais, em função dos quais almejam a obtenção do poder político municipal. O agrupamento em partido facilita a força grupal superar obstáculos e conquistar o poder político, fazendo prevalecer no Estado a vontade social preponderante. Também tem se observado que os partidos políticos, em alguns casos, têm-se convertido em meros instrumentos para a conquista do poder, uma vez que raramente a atuação de seus membros condiz fielmente com os ideais enunciados no programa partidário. O art. 17 da Constituição Federal disciplina os partidos políticos. CAPÍTULO V DOS PARTIDOS POLÍTICOS Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos: I - caráter nacional; II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes; III - prestação de contas à Justiça Eleitoral; IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei. § 1º É assegurada aos partidos políticos autonomia para definir sua estrutura interna, organização e funcionamento e para adotar os critérios de escolha e o regime de suas coligações eleitorais, sem obrigatoriedade de vinculação entre as candidaturas em âmbito nacional, estadual, distrital ou municipal, devendo seus estatutos estabelecer normas de disciplina e fidelidade partidária. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 52, de 2006) § 2º - Os partidos políticos, após adquirirem personalidade jurídica, na forma da lei civil, registrarão seus estatutos no Tribunal Superior Eleitoral. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 24 § 3º - Os partidos políticos têm direito a recursos do fundo partidário e acesso gratuito ao rádio e à televisão, na forma da lei. § 4º - É vedada a utilização pelos partidos políticos de organização paramilitar. Partidos políticos registrados no TSE Clique na sigla do partido político para ter acesso aos dados do diretório nacional da agremiação (endereço, telefone, fax, e-mail, site), bem como ao estatuto e suas alterações, e eventuais normas complementares. 0001 SIGLA NOME DEFERIMENTO PRESIDENTE NACIONAL Nº 1 PMDB PARTIDO DO MOVIMENTO DEMOCRÁTICO BRASILEIRO 30.6.1981 VALDIR RAUPP, em exercício 15 2 PTB PARTIDO TRABALHISTA BRASILEIRO 3.11.1981 BENITO GAMA, em exercício. 14 3 PDT PARTIDO DEMOCRÁTICO TRABALHISTA 10.11.1981 CARLOS LUPI 12 4 PT PARTIDO DOS TRABALHADORES 11.2.1982 RUI GOETHE DA COSTA FALCAO 13 5 DEM DEMOCRATAS 11.9.1986 JOSÉ AGRIPINO MAIA 25 6 PCdoB PARTIDO COMUNISTA DO BRASIL 23.6.1988 JOSÉ RENATO RABELO 65 7 PSB PARTIDO SOCIALISTA BRASILEIRO 1°.7.1988 EDUARDO CAMPOS 40 8 PSDB PARTIDO DA SOCIAL DEMOCRACIA BRASILEIRA 24.8.1989 AÉCIO NEVES DA CUNHA 45 9 PTC PARTIDO TRABALHISTA CRISTÃO 22.2.1990 DANIEL S. TOURINHO 36 10 PSC PARTIDO SOCIAL CRISTÃO 29.3.1990 VÍCTOR JORGE ABDALA NÓSSEIS 20 11 PMN PARTIDO DA MOBILIZAÇÃO NACIONAL 25.10.1990 OSCAR NORONHA FILHO 33 12 PRP PARTIDO REPUBLICANO PROGRESSISTA 29.10.1991 OVASCO ROMA ALTIMARI RESENDE 44 13 PPS PARTIDO POPULAR SOCIALISTA 19.3.1992 ROBERTO FREIRE 23 14 PV PARTIDO VERDE 30.9.1993 JOSÉ LUIZ DE FRANÇA PENNA 43 15 PTdoB PARTIDO TRABALHISTA DO BRASIL 11.10.1994 LUIS HENRIQUE DE OLIVEIRA RESENDE 70 16 PP PARTIDO PROGRESSISTA 16.11.1995 CIRO NOGUEIRA LIMA FILHO 11 17 PSTU PARTIDO SOCIALISTA DOS TRABALHADORES UNIFICADO 19.12.1995 JOSÉ MARIA DE ALMEIDA 16 18 PCB PARTIDO COMUNISTA BRASILEIRO 9.5.1996 IVAN MARTINS PINHEIRO* 21 19 PRTB PARTIDO RENOVADOR TRABALHISTA 18.2.1997 JOSÉ LEVY FIDELIX DA CRUZ 28 TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 25 BRASILEIRO 20 PHS PARTIDO HUMANISTA DA SOLIDARIEDADE 20.3.1997 EDUARDO MACHADO E SILVA RODRIGUES 31 21 PSDC PARTIDO SOCIAL DEMOCRATA CRISTÃO 5.8.1997 JOSÉ MARIA EYMAEL 27 22 PCO PARTIDO DA CAUSA OPERÁRIA 30.9.1997 RUI COSTA PIMENTA 29 23 PTN PARTIDO TRABALHISTA NACIONAL 2.10.1997 JOSÉ MASCI DE ABREU 19 24 PSL PARTIDO SOCIAL LIBERAL 2.6.1998 LUCIANO CALDAS BIVAR 17 25 PRB PARTIDO REPUBLICANO BRASILEIRO 25.8.2005 MARCOS ANTONIO PEREIRA 10 26 PSOL PARTIDO SOCIALISMO E LIBERDADE 15.9.2005 IVAN VALENTE 50 27 PR PARTIDO DA REPÚBLICA 19.12.2006 ALFREDO NASCIMENTO 22 28 PSD PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO 27.9.2011 GILBERTO KASSAB 55 29 PPL PARTIDO PÁTRIA LIVRE 4.10.2011 SÉRGIO RUBENS DE ARAÚJO TORRES 54 30 PEN PARTIDO ECOLÓGICO NACIONAL 19.6.2012 ADILSON BARROSO OLIVEIRA 51 31 PROS PARTIDO REPUBLICANO DA ORDEM SOCIAL 24.9.2013 EURÍPEDES G.DE MACEDO JÚNIOR 90 32 SDD SOLIDARIEDADE 24.9.2013 MARCÍLIO DUARTE LIMA 77 (*) Nos termos do § 1º doart. 58 do estatuto do PCB, para fins jurídicos e institucionais, os cargos de Secretário Geral do Comitê Central e de Secretário Político dos Comitês Regionais e Municipais equiparam-se ao de Presidente do Comitê respectivo. Fonte: www.tse.go.br SISTEMAS DE ELEIÇÃOES Sistema Majoritário: • Para os mandatários de cargos executivos - (Presidente, Art. 77, § 2; GovernadoresArt. 28; e Prefeitos Art. 29, II), • aquele que obtiver maior votação será o eleito. • Para ser eleito em primeiro turno, faz-se necessário que o candidato tenha 50% mais um voto, dos votos válidos. Caso isso não ocorra, haverá um segundo turno, em que os dois candidatos mais bem colocados no pleito disputarão a preferência popular. • A eleição do Presidente, Governador e Prefeito implicará na do seu vice, companheiro de chapa. A chapa que concorre ao cargo executivo é única; As eleições para o Senado também são majoritárias. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 26 • Ocorre as eleições majoritárias simples, ou seja, o mais votado ganha, não há segundo turno; • Como são representantes dos estados, a Constituição prevê que sejam eleitos três senadores para cada unidade da Federação. São 78 senadores eleitos pelos 26 estados e três pelo Distrito Federal, perfazendo o total de 81. • A legislatura do Senado tem duração de oito anos. O Senado Federal, no entanto, renova-se de quatro em quatro anos. Assim, alternadamente um terço do Senado é renovado e nas eleições seguintes, a renovação será de dois terços. • Para o senado, indica-se dois suplentes para comporem a chapa; Siatema Proporcional: • Para deputado federal, estadual e vereadores; • Esse sistema tem como objetivo garantir a representação política proporcional da sociedade; • Esse sistema, contestado por muitos, faz com que em alguns lugares o voto de um cidadão chegue a valer mais de 20 vezes o de outro. Isso por que, cada estado elegerá no mínimo oito e no máximo setenta deputados, de um total de 513 vagas existentes para a Câmara Federal; Calculo de votos pelo sistema proporcional: • Quociente eleitoral – nº de votos válidos dividido pelo nº de vagas/cadeiras; • O cálculo faz-se da seguinte forma: o total de votos válidos do estado ou do municípios, dividido pelo total de vagas disponíveis. O resultado é o chamado "coeficiente eleitoral", que é o número de votos necessários para a eleição de um postulante ao cargo. • Admite-se ainda, o voto de legenda, ou no partido. O total de votos do partido também pode contribuir para que deputados ou vereadores com votações ínfimas sejam eleitos. "O pior analfabeto é o analfabeto político. Ele não ouve, não fala, nem participa dos acontecimentos políticos. Ele não sabe que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas. O analfabeto político é tão burro que se orgulha e estufa o peito dizendo que odeia a política. Não sabe o imbecil que da sua ignorância política nasce a prostituta, o menor abandonado, e o pior de todos os bandidos que é o político vigarista, pilantra, o corrupto e lacaio dos exploradores do povo." Bertolt Brecht TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 27 Tema: A Dimensão Internacional do Estado 1 – Aspectos Gerais: • A humanidade sempre procurou uma forma de fazer intercâmbio de convivência; • Cada Estado produz sua própria ordem jurídica, também sofre influência da sociedade internacional; • Os Estados relacionam-se por meio das relações políticas e do direito internacional; • Até o momento, não há um órgão internacional de poder que obrigue os Estados a submeterem-se a ele, isto porque é matéria complexa, na medida em trata-se de questões da soberania de cada Estado; • Existem órgãos de integração política e tratados internacionais; • A ONU é o principal órgão internacional de integração de diversos Estados; • Há a organização de foros para tratarem de problemas comuns aos Estados. 2 – Dimensão Internacional dos Estados: “O mundo é uma sociedade de Estados, na qual a integração jurídica dos fatores políticos ainda se faz imperfeitamente.” (Dalmo Dallari) • O Estado é uma pessoa jurídica de direito internacional, quando participa da sociedade mundial; • Para ser reconhecido, necessita de possuir soberania; • A soberania é a afirmação da independência; “Com efeito, independentemente de atos formais de reconhecimento, o que existe é que a sociedade política tenha condições de assegurar o máximo de eficácia para sua ordenação num determinado território e que isso ocorra de maneira permanente, não bastando a supremacia eventual ou momentânea.” (Dalmo Dallari). 3 - A ONU – Organização das Nações Unidas • “A época moderna se caracteriza por comunicações intensas entre as nações. As fronteiras tendem a perder a rigidez, e as distâncias já não representam obstáculos aos intercâmbios. Poucos aspectos da vida escapam à dimensão internacional, e a cooperação se torna imperativa em quase todos os campos” ( Jean-Marie Lambert) 3.1 – Origem da ONU TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 28 • Após a I Guerra Mundial, as nações vencedoras idealizaram uma organização internacional com o objetivo de ter atuação preventiva e de evitar os conflitos; • Fundou-se a Sociedade das Nações na Conferência da Paz aos 28 de abril de 1919; • Os Estados Unidos da América, não ratificou o tratado constitutivo da Sociedade das Nações; • Em 1932, possuía 60 membros; • A partir dos sinais do conflito da Segunda Guerra mundial, 16 paises deixaram a organização; • Após o conflito da Segunda Guerra Mundial, em 1945, organizou-se a ONU; • A institucionalização da ONU foi resultado de um longo processo de negociações ocorrido durante a guerra, principalmente das articulações políticas entre Stalim (URSS), Roosevelt (EUA) e Churchil (Inglaterra); • 51 paises assinaram a Carta de constituição da ONU, na conferência de São Francisco; • Conferências anteriores: Moscou e Teerã, 1943 e de Yalta em 1944; 3.2 – Composição da ONU • É uma organização internacional pública; • Composta por sujeitos de direito internacional público, representado por Estados; • Para a participação é necessário: • Aquisição da qualidade de membro; • A exclusão ou suspensão; • A representação ( quem representa um membro); 3.3 – Objetivos da ONU • Manter a paz e a segurança internacionais; • Desenvolver relações amistosas entre os Estados; • Respeito à autodeterminação dos povos; • Cooperação internacional para resolver os problemas internacionais de caráter econômico, social, cultural e humanitário; • Promover e estimular o respeito aos direitos humanos; • Harmonizar a as ações dos Estados para a promoção dos objetivos comuns. TGE – APOSTILA PARA N2 – PROFESSORA: MÔNICA PAIVA 29 3.4 – Estrutura da ONU 1. Assembléia Geral – todos os membros integrantes da ONU; 2. Conselho de Segurança – órgão mais importante é composto por quinze membros, sendo cinco permanentes; • Membros permanentes possuem poder de veto, são: • Estados Unidos da América, Rússia, Inglaterra, China e França; 3. Membros temporários – são eleitos pela assembléia geral para um mandato de dois anos, sendo proibida a reeleição para o período subseqüente. 4. Conselho Econômico e Social – composto por 18 membros, temporários, eleitos pela assembléia geral; 5. Conselho de Tutela – trata de assuntos relacionados aos povos que não possuem soberania. É composto por 11 membros do Conselho de Segurança mais os Estados que possuem a tutela de algumpovo; 6. Corte Internacional de Justiça – órgão judiciário. Todos os membros da ONU são partes legitimas para litigarem nessa corte. É composta por 15 juizes eleitos pela assembléia geral e pelo conselho de segurança, para um período de 9 (n0ve) anos. É feita a renovação de um terço dos juizes a cada três anos. 7. Secretariado – é o órgão permanente da ONU, encarregado de todos os procedimentos burocráticos. É dirigido por um secretário geral, eleito pela assembléia geral e reconhecido pelo conselho de segurança. O secretário geral também tem papel político. Bibliografia consultada: DALLARI, Dalmo de Abreu. Elementos de Teoria Geral do Estado. São Paulo: Saraiva, 2007. SOARES, Mário Lúcio Quintão. Teoria do Estado: introdução. Belo Horizonte: Del Rey. MALUF, Sahid. Teoria Geral do Estado. Rio de Janeiro: Forense. NETO, José Cretella. Perguntas e Respostas sobre Teoria Geral do Estado. Editora Forense. Rio de Janeiro, 2007. SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional. Malheiros Editores. http://admpub.files.wordpress.com/2013/03/1627aa4f30ef0e7c1b149fccd97700c2.pdf http://www.youtube.com/watch?v=lhjgi11Znx4 http://www.youtube.com/watch?v=yJlEy1w2HD8 http://www.youtube.com/watch?v=h2GLYl2KRnQ