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Texto 9: DOLHNIKOFF, Miriam “Projetos Liberais”
A Construção do Estado Nacional na primeira metade do século XIX foi marcada pelo debate entre diferentes projetos que refletiam a diversidade de interesses e de concepções da elite dirigente.
Dois projetos que mais chamaram atenção: 
Defesa da federação, de modo a acomodar as elites provinciais no interior do novo Estado, garantindo a elas iniciativa política e participação efetiva no processo decisório. (vencedor)
Proposta de Estado centralizado, que priorizava a necessidade de reformas que possibilitassem a emergência de uma nação segundo os padrões de seus defensores como próprios do mundo civilizado, conferindo ao governo central o monopólio da iniciativa politica que seria capaz de empreender as reformas necessárias. 
América lusitana
Unidade não estava dada e nem construída ao longo do século XIX
Territórios distintos, poucos laços de integração, elites com demandas contraditórias
Diversidade econômica e histórica 
1831: Os vitoriosos liberais empreenderam reformas que reorganizaram o aparato institucional 
Heterogeneidade entre liberais sobre a organização do aparato político institucional: polarização entre federalistas monárquicos e respeitadores da Constituição (refratários às reformas constitucionais)
Uma identificava-se com a geração da Independência: uma minoria de letrados reservava para si a missão paternalista de modernizar e reformar o arcabouço político e admirativo do país, sem comprometer a continuidade social e econômica colonial; e a outra, com a dos reformadores da década de 1830 (vitoriosos): falavam em nome das oligarquias como pretexto de ampliarem a própria participação política inspirados no federalismo norte-americano e não na democracia. (corte geracional)
Divergências se concentravam no perfil institucional, de modo a definir o lugar das elites provinciais no novo Estado e na forma como consideravam a integração dos demais setores sociais. 
Elite paulista
Compartilhou com representantes de outras províncias a direção do país a partir de 1831 até 1837.
Se precipitavam os acontecimentos que afinal levariam à emancipação do país.
Mudanças ocorridas com a vinda da Corte para o RJ (1808): fim do pacto colonial
Revolução do Porto (1820): Os grupos provinciais organizavam-se ao mesmo tempo em que assumiam o controle político. 
	José Bonifácio Andrada e Silva (liderança)
Proposta de um império luso-brasileiro governado por uma monarquia constitucional.
$$$
Universidade de Coimbra
Longe de qualquer perspectiva nacionalista, consideravam-se súditos do grande império lusitano, cujas glórias acreditavam poder reconquistar, uma vez adotado o caminho ditado pelo conhecimento cientifico. (Ilustração lusitana)
1808 a 1820.
	Deputados paulistas: Feijó, Vergueiro, Paula Souza e Rafael Tobias Aguiar (na Corte de Lisboa)
Alinharam-se em defesa do modelo federal, mas não no projeto de Bonifácio.
Grandes proprietários de Itu ($$$)
Unitária
Não se distinguiam por uma brilhante carreira intelectual: homens criados e educados na província natal, e sem refinamentos de uma educação superior, não tiveram contato direto com as inquietações intelectuais do Velho Continente (o que impediu de serem profundamente influenciados por elas).
Exaltavam suas origens provincianas
ESCRAVIDÃO E FEDERAÇÃO.
A maior parte dos defensores do liberalismo brasileiro, em oposição a setores da burocracia iluminista, recusava quaisquer reformas nos fundamentos da sociedade escravista. 
Pressão Inglesa
Reconheciam o mal que a manutenção da escravidão trazia, mas como proprietários de terras de uma província cuja economia estava em expansão e dependia do trabalho escravo, condenava aqueles que pregavam o fim imediato da escravidão, além de verem na escravidão virtudes que contribuíam para a construção nacional. 
Concebia num futuro indeterminado desde que precedido por medidas eficazes que suprissem as fazendas com a mão-de-obra substituta. 
O fato de o governo extinguir o tráfico sem encontrar um substituto era, para eles, significava um desprezo pela lei. 
Faces complementares: De um lado, trazer imigrantes para substituir os escravos nas fazendas de café. De outro, aprovar uma nova legislação sobre posse de terra, visando especificamente dificultar a esses imigrantes o acesso à propriedades rural, para obriga-los ao assalariamento nas fazendas.
A discursão sobre o fim da escravidão esteve intimamente ligada ao debate sobre propriedade de terra.
Lei das sesmarias (1822) posse pura e simples (1850) lei regulando a posse da terra segundo o mercado 
“o federalismo era uma bandeira extremamente atraente para vários setores das elites locais, que ficaram encantadas com a autorização das cortes revolucionarias em Portugal para que elegessem suas próprias juntas governativas. Esse arremedo de governo local, com o pleno controle das rendas internas das ex-capitanias, era parte da agenda dos liberais “moderados” federalistas.”
Os agentes políticos eram as províncias, ou seja, os grupos nelas dominantes que, a principio, dadas as forças centrifugas herdadas do período colonial, não estavam necessariamente atados ao RJ e que ele se uniram, na concepção de Caneca, por vontade própria. 
A associação entre modernidade e autoridade em um país escravista de herança colonial assumia, no seu discurso, a feição de uma ação disciplinadora, em lugar de um projeto propriamente civilizatório. (Disciplinar a elite branca no interior)
REFORMAS ESCRAVISTAS E CENTRALIZAÇÃO (Perspectiva Bonifácio)
Construção de uma identidade nacional, que unificasse os diversos setores, aparecia como o principal desafio para os homens articulados em torno do governo do RJ.
Laços de solidariedade > Comunhão de Interesses > Pertencimento 
Alcançar isso mediante a educação dessa população “nacionalizada” 
Fim da escravidão e integração dos índios
Reformas radicais, cujo o agente era o Estado guiado por homens ilustrados.
Estado Moderno = capacidade de exercício da cidadania por toda a população
Viabilizar o Estado nacional pressupunha romper o círculo de ferro da herança escravista. Para ele seria impossível a construção do Estado sem reformas que garantissem a integração política do conjunto da população.
Criar condições para integrar os diversos setores sociais à nova nação, como a reforma da propriedade de terra. (pequena propriedade, diversidade agrícola, assentamento populacional)
Cabia a elite letrada civilizar o restante da população
Defensor da monarquia constitucional (única que tinha força suficiente)
Repudiava a democracia e o projeto federalista
MONARQUIA FEDERATIVA
Aprovado em 1832 declarava ser o Brasil uma monarquia federativa.
A crença de que a unidade das terras da américa portuguesa seria possível, desde que garantida autonomia para que as elites de cada parte do imenso território pudessem levar a cabo os cuidados com seus negócios e interesses sem uma excessiva intervenção do governo central, aglutinava monarquia e federação. 
A constituição era a garantia que o imperador governaria de acordo com os desejos de seus súditos, ou seja, daqueles brasileiros capazes de se fazerem representar politicamente: os diversos grupos dominantes nas províncias. 
Oposição a Bonifácio. 
A federação deveria vir sem que a monarquia fosse derrubada

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