Aula 03
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DisciplinaDireito Administrativo I40.145 materiais893.142 seguidores
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Paulo16 destacam que a 
Constituição Federal não fez nenhuma distinção quanto ao regime de 
pessoal para as fundações públicas de direito público ou de direito privado. 
Dessa forma, os autores entendem que, mesmo quando de direito privado, 
o pessoal dessas entidades seguirá o regime jurídico único. 
No entanto, José dos Santos Carvalho Filho17 entende que o regime 
estatutário é incompatível com a natureza de uma entidade de direito 
privado e, por conseguinte, entende que o pessoal das fundações públicas 
de direito privado se submete ao regime trabalhista comum, traçado na 
CLT. 
De fato, o assunto é complicado e nada pacífica, motivo pelo qual as 
bancas de concurso devem se afastar desse assunto para evitar anulações. 
Todavia, independentemente do regime jurídico, o fato é que se 
aplicam aos agentes públicos das fundações as regras constitucionais como 
a vedação à acumulação de cargos e empregos públicos (CF, art. 37, XVII); 
e a necessidade de prévia aprovação em concurso público (CF, art. 37, II). 
Foro competente 
Para as fundações públicas de direito público da União, o foro 
competente será a Justiça Federal, seguindo as mesmas regras das 
autarquias (CF, 109, I)18. Para as fundações públicas de direito público 
estaduais e municipais o foro competente será o da Justiça Estadual. 
 
15 Lembrando que a ADI 2.135/DF declarou inconstitucional, liminarmente, a redação do art. 39, caput, da CF, 
dada pela EC 19/1998, com efeitos ex nunc. Dessa forma, a partir da decisão do STF, voltou a vigorar o regime 
jurídico único para os servidores da administração pública direta, das autarquias e das fundações públicas. 
16 Alexandrino e Paulo, 2011, p. 61. 
17 Carvalho Filho, 2014, p. 534. 
18 RE 127.489/DF. 
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Quanto às fundações públicas de direito privado, é bastante 
divergência sobre o assunto. No âmbito doutrinário, entende-se que o foro 
competente é o da Justiça Estadual. Podemos mencionar como um dos 
adeptos deste posicionamento o Prof. José dos Santos Carvalho Filho19. 
Todavia, o posicionamento jurisprudencial é diferente. No CC 
77/DF20\ufffd\ufffd R\ufffd 67-\ufffd HQWHQGHX\ufffd TXH\ufffd DV\ufffd ³fundações públicas federais, como 
entidades de direito privado, são equiparadas as empresas públicas, para 
os efeitos do artigo 109, I, da Constituição da República´\ufffd\ufffd(P\ufffdMXOJDPHQWR\ufffd
posterior, o STJ confirmou este posicionamento no CC 16.397/RJ21, 
concluindo que em fundações públicas de direito privado equiparam-se às 
empresas públicas no que se refere ao juízo competente. Conforme consta 
no art. 109, I, da Constituição Federal, compete à Justiça Federal processar 
e julgar as causas envolvendo empresa pública federal. 
Dessa forma, ainda que não seja um posicionamento consolidado, 
podemos afirmar que a doutrina entende que o foro competente para 
processor a julgar as causas envolvendo as fundações públicas de direito 
privado federais é o da Justiça Estadual; enquanto a jurisprudência 
entende que o foro é da Justiça Federal. 
Controle do Ministério Público 
2\ufffd&yGLJR\ufffd&LYLO\ufffd GHWHUPLQD\ufffdTXH\ufffdR\ufffd0LQLVWpULR\ufffd3~EOLFR\ufffdGR\ufffd(VWDGR\ufffd ³velará 
pelas fundações´\ufffd\ufffdDUW\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd\ufffd 
Trata-se de uma forma de controle destinado a verificar se a fundação 
está efetivamente perseguindo os fins para os quais foi instituída. Nessa 
esteira, Carvalho Filho dispõe que é um controle finalístico realizado pelo 
órgão ministerial22. 
O autor ainda acrescenta que essa fiscalização é dispensável para as 
fundações públicas, independentemente da natureza da entidade, haja vista 
que o controle finalístico já é exercido pela respectiva Administração Direta. 
Também segue este entendimento a Prof. Maria Di Pietro, que entende que 
o Ministério Público também não deve velar pelas fundações públicas. Dessa 
forma, este parece ser o posicionamento majoritário, inclusive já adotado 
em provas de concurso. 
 
19 Carvalho Filho, 2014, p. 536. 
20 CC 77/DF. 
21 CC 16.397/RJ. 
22 Carvalho Filho, 2014, p. 535. 
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Ressaltamos, porém, que Hely Lopes Meirelles entende que o Ministério 
Público deve velar pelas fundações públicas de direito privado. 
De forma ainda mais restrita, o STF, na ADI 2.794/DF, afirmou que é 
atribuição do Ministério Público Federal a ´ veladura pelas fundações federais 
de direito público, funcionem, ou não, no Distrito Federal ou nos eventuais 
Territórios´\ufffd\ufffd 7RGDYLD\ufffd\ufffd HVWH\ufffd QmR\ufffd HUD\ufffd R\ufffd WHPD\ufffd FHQWUDO\ufffd GD\ufffd GLVFXVVmR\ufffd GD\ufffd $',\ufffd\ufffd
motivo pelo qual alguns doutrinadores entendem que essa não era 
exatamente a intenção do STF. 
Com efeito, devemos mencionar que mesmo que o Ministério Público 
não seja responsável por velar pelas fundações públicas, isso não quer dizer 
que ele não exerça nenhum controle sobre essas entidades. Vale mencionar 
o Ministério Público continuará exercendo suas funções ordinários sobre as 
fundações públicas, porém o controle não ocorrerá nos mesmos moldes 
como acontece com as fundações privadas. 
 
35. (Cespe - Atividades Técnicas de Suporte/MC/2013) O Ministério Público 
deverá realizar o controle sobre as atividades das fundações públicas, assim como 
o faz em relação às fundações privadas. 
Comentário: nessa questão, podemos ver que foi adotado o posicionamento 
de Carvalho Filho e Maria Di Pietro, que entendem que o Ministério Público 
não deve velar pelas fundações públicas. Por conseguinte, o controle das 
atividades das fundações públicas não ocorre da mesma forma como nas 
fundações privadas. Por esse motivo, o item está errado. 
Gabarito: errado. 
QUESTÕES FGV 
36. (FGV ± Analista/MPE-MS/2013) A União, desejando realizar a exploração de uma 
atividade econômica, resolve criar uma sociedade de economia mista. Com relação 
às sociedades de economia mista, assinale a afirmativa correta. 
a) A sociedade de economia mista deve ser criada por lei. 
b) A União deve possuir ao menos metade de seu capital social. 
c) A sociedade de economia mista deve seguir todas as regras trabalhistas da 
iniciativa privada. 
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d) O cargo de presidente de sociedade de economia mista é privativo de brasileiro 
nato. 
e) A sociedade de economia mista não precisa realizar licitação em hipótese alguma. 
Comentário: 
a) a criação das sociedades de economia mista é autorizada em lei, porém a sua 
criação só é efetivada com registro do ato constitutivo no cartório competente 
± ERRADA; 
b) as sociedades de economia mista admitem a conjugação de recursos 
públicos e privados. No entanto, o controle acionário deve pertencer ao ente 
instituidor, ou seja, a entidade criadora deve possuir mais de 50% do capital 
social (mais da metade) ± ERRADA; 
c) as empresas estatais (e suas subsidiárias) que atuarem na exploração de 
atividade econômica devem se sujeitar ao regime próprio das empresas 
privadas, inclusive no que se refere às obrigações civis, comerciais, trabalhistas 
e tributárias ± CORRETA; 
d) para responder a essa questão é preciso conhecer um pouco da Constituição. 
Em seu art. 12º, § 3º, estabelece que são privativos a brasileiros natos os cargos 
de Presidente e Vice-Presidente da República; de Presidente da Câmara dos 
Deputados; de Presidente do Senado Federal;