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Aula 2 - Ideologia

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século XX. Ao contrário, o capitalismo parecia então, apesar de todas as crises políticas e econômicas, dotado de uma capacidade inesperada de sobrevida nos países capitalistas avançados. A Burguesia, nestes países, Gramsci sugeria, mantinha o controle sobre toda sociedade não apenas através da coerção política ou econômica, porém também pela cooptação ideológica, por meio de uma cultura hegemônica na qual os valores e interesses particulares da burguesia se tornavam o "senso comum". "Senso comum" este, que como explicaria Gramsci nos seus escritos carcerários, existiria, não naturalmente, como uma percepção empírica e passiva da realidade material, mas como uma construção mental realizada por cada indivíduo, grupo, e classe a partir das idéias recebidas e de seus projetos - "todos os homens são filósofos". Para Gramsci, a identidade originaria entre a condição humana e o filosofar encontra-se expressa na própria existência de uma linguagem, "conjunto de noções e conceitos determinados" - de interpretações da realidade - "e não, simplesmente, de palavras gramaticalmente vazias de conteúdo"[1]. Para Gramsci, este senso comum na maioria dos casos é um aglomerado heterogêneo e incoerente de noções de procedência a mais variada; mas cabe aos intelectuais, precisamente, a tarefa de codificarem este senso comum numa cosmovisão internamente coerente e unificada.
Na sociedade burguesa moderna, os intelectuais da classe hegemônica haviam conseguido produzir, em determinadas circunstâncias históricas, um consenso cultural fabricado na intenção de que os membros da classe trabalhadora identificassem seus próprios interesses particulares com aqueles da burguesia, ajudando a manter o status quo. Por isto, segundo Gramsci, a classe trabalhadora precisava desenvolver uma cultura "contra-hegemônica", primeiro para demonstrar que os valores da burgesia não representavam os valores "naturais", "normais" ou "desejáveis" e "inevitáveis" de uma sociedade moderna e, segundo, para expressar politicamente seus próprios interesses (interesses estes que eram majoritários na sociedade como um todo, já que a classe trabalhadora forma a maioria da população de um país).
É de Gramsci o termo "Moderno Príncipe": este, ao contrário do príncipe de Nicolau Maquiavel (o monarca, ou seja, uma pessoa "física"), é um ente coletivo, personificado num partido. O "Moderno Príncipe" é quem influenciaria os costumes do povo, interferindo indireta e dialeticamente (e, portanto, sendo influenciado também por ele em sentido inverso) em sua cultura, língua, moda, pensamento e atitudes. O "Moderno Príncipe" é alternativamente identificado, nos escritos de Gramsci, com o Partido Comunista,com o movimento socialista, ou com a classe trabalhadora organizada. Os prórios "cadernos", deixam esta questão nebulosa. Deve-se levar em conta, no caso, que Gramsci escreveu os seus "Cadernos" sob vigilância direta da censura fascista e que, portanto, não estava em condições de neles propor uma estratégia prática de tomada do poder, como muitos imaginam; o que ele conseguiu fazer, foi chamar a atenção para a especificidade do caso russo e afirmar que uma revolução socialista na Europa Ocidental teria obrigatóriamente de ser um processo muito diverso da Revolução Russa.
Segundo a percepção de Gramsci, nas sociedades ocidentais a hegemonia cultural provém principalmente da sociedade civil, através da formação e manutenção de aparelhos privados de hegemonia, como as igrejas, escolas, universidades e associações, dentre outros, que tornam muito mais difícil uma tomada do poder político "de assalto", como ocorreu na Rússia em 1917. Desta forma, Gramsci amplia a concepção de Estado de Marx, pois diferentemente deste ele não considera a sociedade civil apenas como parte da "Base" ou "Infra-estrutura" econômica, mas como uma esfera de mediação entre a superestrutura e a infra-estrutura tais quais concebidas por Marx. Essa hegemonia cultural nas sociedades ocidentais explicaria, de certa forma, a dificuldade de ocorrerem revoluções socialistas em países dotados de sociedade civil altamente organizada, como na Alemanha ou na Inglaterra.
A necessidade de criar uma cultura da classe trabalhadora está relacionado com a proposta que Gramsci fez para um novo tipo de educação que pudesse desenvolver intelectuais na e para a classe operária. Suas idéias para um sistema educacional deste tipo correspondem à noção de pedagogia crítica e educação popular, segundo foram teorizadas e postas em prática décadas depois por Paulo Freire no Brasil. Por este motivo, promotores de educação popular e de educação para adultos consideram Gramsci como uma voz a ser ouvida até os nossos dias. As idéias de Gramsci também serviram de base para a criação da chamada Teologia da Libertação.
Embora o pensamento de Gramsci encontre muitos adeptos na esquerda organizada, ele tornou-se também um personagem importante nas discussões acadêmicas que tratam de estudos culturais e teoria crítica. Teóricos políticos do centro e da direita também encontraram inspiração em seus conceitos; sua ideia de hegemonia, por exemplo, tornou-se amplamente citada. Sua influência é particularmente forte na ciência política contemporânea, no tema da prevalência do pensamento neoliberal entre as elites políticas. Seu pensamento também influenciou fortemente os estudos sobre cultura popular .
“Conjunto lógico, sistemático e coerente de representações (ideias e valores) e de normas ou regras (de conduta) que indicam e prescrevem aos membros da sociedade o que devem pensar, o que devem valorizar, o que devem sentir e como devem sentir, o que devem fazer e como devem fazer.”
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Conceito:
Chauí, M. O Que é Ideologia. P. 113
CONCEITO
- LEMBRAR DAS CITAÇÕES DA AULA DE CULTURA, HOMOSSEXUALISMO, VESTUÁRIO, PAPEL DA MULHER, ETC...
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Constitui um corpo sistemático de representações que nos “ensinam” a pensar e de normas que nos “ensinam” a agir;
Tem como função assegurar determinada relação dos homens entre si e com suas condições de existência;
Tenta camuflar as diferenças de classe e os conflitos sociais;
Muitas vezes tem a função de manter a dominação de classe sobre a outra (apesar de na maioria das vezes se utilizar de um discurso igualitário).
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Características
- ACEITAÇÃO SEM CRÍTICAS, “É A VONTADE DE DEUS”, “É A ORDEM NATURAL DAS COISAS”, ETC...
Ideologia e mentira
A ideologia também é caracterizada pela naturalização e pela universalização.
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- A IDEOLOGIA NÃO É CONCEBIDA COMO UMA MENTIRA ELABORADA PELA CLASSE DOMINANTE – ELE TAMBÉM SOFRE A INFLUÊNCIA.
- DÁ NATURALIDADE
- ADORNO
LEMBRAR NOVAMENTE OS PRECONCEITOS E “VERDADES” CITADAS ANTERIORMENTE.
Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno - filósofo, sociólogo, musicólogo e compositor alemão. Foi membro da Escola de Frankfurt juntamente com Max Horkheimer, Walter Benjamin, Herbert Marcuse, Jürgen Habermas e outros.
A Escola de Frankfurt é nome dado a um grupo de filósofos e cientistas sociais de tendências marxistas que se encontram no final dos anos 1920. A Escola de Frankfurt se associa diretamente à chamada Teoria Crítica da Sociedade. Deve-se à Escola de Frankfurt a criação de conceitos como "indústria cultural" e "cultura de massa".
O grupo emergiu no Instituto para Pesquisa Social de Frankfurt (em alemão: Institut für Sozialforschung) da Universidade de Frankfurt-am-Main na Alemanha. O instituto tinha sido fundado com o apoio financeiro do mecenas judeu Felix Weil em 1923. Em 1931, Max Horkheimer, discípulo de Guile, tornou-se diretor do Instituto. É a partir da gestão de Horkheimer que se desenvolve aquilo que ficou conhecido como a Teoria Crítica da Sociedade, comumente associada à Escola de Frankfurt.
Com a chegada de Hitler ao poder na Alemanha, os membros do Instituto, na sua maioria judeus, migraram para Genebra, depois a Paris e finalmente, para a Universidade de Columbia, em Nova Iorque. A primeira obra coletiva dos frankfurtianos são os Estudos sobre Autoridade e Família, escritos em Paris, onde estes fazem um diagnóstico da

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