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Arbitragem em direito societário   Pedro A. Martin   fls. 1 até 119

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IV. Legislação ......... .................. ............................................................. . 
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PREFÁCIO 
Na ampla bibliografia brasileira referente à arbitragem, a obra de Pedro 
Batista Martins referente à sua aplicação no direito societário se destaca, consti-
tuindo uma contribuição importante e oportuna ao nosso direito e ao direito 
comparado. É um trabalho original, feito com a profundidade e o estudo minu-
cioso, que caracterizam a obra científica apresentada à Universidade, mas, tam-
bém, com a riqueza do conhecimento dos problemas práticos e das suas soluções, 
que decorre da atuação do autor, que, já há longo tempo, se especializou na 
matéria. Efetivamente, Pedro Batista Martins participou ativamente do de-
senvolvimento da arbitragem, como coautor do anteprojeto da nossa lei, como 
advogado militante, e como árbitro nacional e mundialmente reconhecido. É, 
também, autor de vários livros e de numerosos artigos sobre o tema, bem 
como conferencista nos principais congressos realizados nos últimos quinze 
anos, no Brasil e no exterior. 
Os seus conhecimentos e a sua experiência permitiram que reunisse no 
livro, que ora nos apresenta, não só a teoria, mas também a prática, o direito 
vigente e a sua história, a legislação, a jurisprudência e a doutrina, tanto brasi-
leiras como estrangeiras, e, finalmente, o funcionamento efetivo da arbitra-
gem, em todos os aspectos que reveste nos conflitos societários. 
Cabe salientar que o assunto é da maior atualidade e faz a simbiose das 
relações entre dois institutos em fase de grande transformação, no mundo 
inteiro e, especialmente, no Brasil: a sociedade comercial e a arbitragem. É 
uma nova fase da história do direito, no qual as soluções arbitrais não mais se 
limitam a serem aplicadas nos conflitos individuais, mas passam a abranger 
situações coletivas de grande dimensão institucional, tratando da criação, da 
organização e do funcionamento das sociedades, com os conflitos de poderes 
que, muitas vezes, nelas surgem. 
A relevância da matéria é tanto maior que as sociedades comerciais estão 
aderindo progressivamente aos princípios da governança corporativa, ocorren-
do, assim, uma democratização da empresa, incentivada e determinada pela 
própria legislação. Passa-se, pois, do comando piramidal, com uma hierarquia 
rígida, que existia no passado, para um sistema de coordenação, equihbrio e 
harmonia dos poderes, que também enseja a multiplicação dos conflitos. A 
abertura do capital de um número cada vez maior de empresas, com a criação 
de grupos de controle, que substituem o controlador único do passado, e, até, 
a pulverização da participação acionária, enseja um novo contexto societário, 
no qual os atos dos vários órgãos podem ser conflitantes e contestados. É um 
dos aspectos da chamada "revolução invisível", da qual falava Peter Drücker. 
Ora, há numerosas razões para que os problemas societários não sejam 
submetidos ao Poder Judiciário. Além da complexidade que apresentam, e 
com a qual nem sempre os juízes estão familiarizados, o tempo de duração 
dos processos não se coaduna com o dinamismo empresarial. Acresce que o 
litígio, quando conhecido pelo público, pode afetar a imagem e até o crédito 
da empresa, de modo que a confidencialidade é uma garantia para se obter 
uma solução dos conflitos, com o mínimo de prejuízo social. 
Se a multiplicação das arbitragens societárias é mundial, ela se justifica 
ainda mais em nosso país, no qual a consolidação do mercado de capitais é 
relativamente recente. Em menos de vinte anos, aumentou o número de socie-
dades de capital aberto existentes, não só de direito, mas também de fato, 
cresceram as joint ventures sob todas as formas, e as empresas brasileiras passa-
ram a receber um maior volume de capital estrangeiro e, também, começaram 
a sua implantação no exterior. Adicionalmente, em virtude do investimento 
direto do capital estrangeiro, passamos a ter associações entre acionistas, que 
têm formação cultural e finalidades diversas, dando margem a divergências 
que exigem soluções rápidas e equitativas. Assim, estão sujeitas à arbitragem 
as relações entre acionistas majoritários e minoritários, ou entre sócios com 
participações iguais, as existentes entre administradores e sócios, enfim, toda a 
vida interna da empresa, abrangendo a interpretação dos estatutos ou do con-
trato social e dos acordos de acionistas. 
Durante longo tempo, a arbitrabilidade desses conflitos ensejou algu-
mas dúvidas e opiniões divergentes, alegando-se tanto o caráter institucional 
da sociedade como o fato de serem imperativas as normas de direito societário. 
Tais argumentos não mais prevalecem, em virtude, inicialmente, do trabalho 
da doutrina, mas, já agora, em decorrência da lei, que, em boa hora, consagrou 
definitivamente a arbitragem na matéria. Legem habemus. 
O grande mérito da obra de Pedro Batista Martins consiste em ter resol-
vido de vez todos esses problemas, invocando, inclusive, o princípio da maio-
ria, que deve predominar na sociedade comercial, sem prejuízo das garantias 
dadas aos minoritários, que, todavia, não abrangem a exclusão da arbitragem. 
O autor une as suas qualidades de comercialista e de processualista, para 
invocar a necessidade de soluções eficientes para os problemas societários, tratan-
do tanto da arbitrabilidade subjetiva corno da objetiva e refutando brilhante-
mente os argumentos dos poucos juristas que ainda não se convenceram da 
necessidade de consagrar a arbitragem como meio adequado de resolver os 
litígios societários. 
Partindo dessas premissas, evidencia que a arbitragem também pode e 
deve ser utilizada pelas sociedades de economia mista, conforme jurisprudên-
cia pacífica do STJ, e que a cláusula compromissória constante do estatuto 
vincula os diretores estatutários e os membros dos Conselhos de Administra-
ção e Fiscal. Outras questões interessantes tratadas são a vinculação, à cláusula 
compromissória estatutária, dos cessionários de ações, como, também, dos novos 
acionistas, nos casos de incorporação, fusão, cisão, e transformação da socieda-
de. Também esclarece quais são as questões negociais em relação às quais o 
árbitro pode funcionar, e como deve proceder a fim de evitar a denegação de 
justiça, a paralisação da empresa ou, até, a dissolução da companhia. São tam-
bém interessantes e elucidativas as considerações sobre o uso da arbitragem 
em relação aos chamados direitos políticos, salientando o autor que, em pri-
meiro lugar, são eles direitos de repercussão econômica e, consequentemente, 
disponíveis na maioria dos casos. Por outro lado, certamente cabe a arbitragem 
para assegurar às partes o exercício do seu direito de voto, embora, em tese, o 
árbitro não se possa substituir ao acionista para eleger diretor ou conselheiro, 
sem prejuízo da aplicação de sanções no caso de inadimplemento da obriga-
ção de eleger os membros dos vários órgãos da sociedade, na forma estabeleci-
da nos estatutos ou acordos de acionistas. 
O autor enfrenta, ainda, com bons argumentos, a arbitrabilidade dos 
conflitos relativos tanto à constituição da sociedade, abrangendo a sua nulida-
de, como às impugnações de deliberações societárias e dos seus efeitos em 
relação a todos os acionistas, e, ainda, a arbitrabilidade das questões envolven-
do o exercício do direito de informação e do direito de recesso. 
Numa atitude também muito construtiva e pioneira, admite o autor a 
arbitrabilidade da dissolução da empresa, especialmente quando não está em 
falência, sendo também admissível o uso da arbitragem na recuperação de 
empresas. 
Há três ideias que são essenciais na obra de Pedro Batista Martins e 
constituem, em certo sentido, os fundamentos básicos do seu ensinamento. 
Em primeiro lugar, nada impede a utilização

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