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Universidade Federal da Bahia – Instituto de Física/UFBA Departamento de Física da Terra e do Meio Ambiente – DFTMA FIS 133 – Física do Meio Ambiente DESCRIÇÃO GERAL DA ATMOSFERA Prof. Dr. Alberto Brum Novaes albrum@ufba.br Salvador, Bahia 2013 SOCIEDADE BRASILEIRA PARA O PROGRESSO DA CIÊNCIA – SBPC 65a Reunião, Recife – 21 a 26 de julho de 2013 CIÊNCIA PARA O NOVO BRASIL DESCRIÇÃO GERAL DA ATMOSFERA DA TERRA Regiões e extensão da atmosfera Divisão física e química da atmosfera Distribuição e perfil da temperatura: troposfera, estratosfera; mesosfera; ionosfera. Exosfera e magnetosfera. Auroras. A ATMOSFERA DA TERRA DISTRIBUIÇÃO DE TEMPERATURA CAMADAS DA ATMOSFERA • TROPOSFERA • TROPOPAUSA • ESTRATOSFERA • MESOSFERA • IONOSFERA • EXOSFERA • MAGNETOSFERA A atmosfera A ATMOSFERA SUBDIVISÕES DA HOMOSFERA Corte esquemático da seção da troposfera. A figura mostra ainda a espessura e a temperatura da troposfera. HOMOSFERA E HETEROSFERA. Componentes Percentagem da massa da hidrosfera (%) Massa total da hidrosfera 100 (massa total = 1,36 x = 2,66 x 106 kg/m2 sobre a superfície da terra). Oceanos 97 Gelo (principalmente a Antártica e a Groenlândia) 2,4 Água doce (subterrâneas) 0.6 Água doce em lagos, rios, etc. 0,02 Atmosfera 0,001 Tabela 1.1– Percentagem da massa da hidrosfera nos vários sistemas da Terra. Baseado nos dados de H.H.Lamb, “Climate: Present, Past and Future,” Methuen Co. Ltd., London, 1972, p. 482. Volume de água total na Terra 1,40 bilhões de km3 Oceanos e mares 1,37 bilhões de km3 Gelo 24 milhões de km3 Água intersticial (em rochas e sedimentos) 4 milhões de km3 Lagos e rios 230 mil km 3 Atmosfera (vapor de água) 140 mil km3 Tabela 1.2 - Os oceanos e mares contêm 97% de toda a água na Terra, isto é, salgada. Os 3% restantes são de água doce, sendo que 2,25% estão na forma de gelo e os restantes 0,75% de água doce nos rios, lagos e águas subterrâneas, disponíveis para o consumo humano e parte dos animais. Contudo, em sua maior parte ocorrem em regiões distantes dos centros consumidores (grandes cidades). Distribuição global, por volume, da água na superfície e atmosfera da Terra, pode ser melhor detalhada através da Tabela 1.2, apresentada abaixo: Distribuição vertical típica de temperatura na atmosfera. A razão física para essa distribuição peculiar de temperatura na atmosfera está relacionada com a absorção da radiação. A IONOSFERA • Em altitudes elevadas, os comprimentos de ondas curtas da radiação solar produzem uma considerável quantidade de átomos ionizados, moléculas e os correspondentes elétrons livres. Então existe uma distribuição vertical de densidade de elétrons, em camadas características ou em regiões de alta densidade, associadas com, e dependendo dos processos fotoquímicos. As distribuições típicas são dessa forma diferentes em condições de dia e noite. Essas regiões, quando consideradas nesse ponto de vista, são chamadas do IONOSFERA. • A ionosfera pode ser convenientemente estudada do solo por ondas de rádio no intervalo de 1 – 20 MHz ( 300 – 15 m de comprimento de onda). O instrumento usado para esse fim é chamado de ionosonda, e consiste basicamente de um pulso transmitido e um recebido. O transmissor transmite pequenos pulsos a uma dada frequência νverticalmente para cima, como mostrado na figura abaixo. IONOSONDA. T indica o transmissor e R o receptor. A intensidade da ionização na ionosfera está indicada pelo sombreamento. (i), (ii), (iii) e (iv) representam as reflexões dos pulsos com o aumento da frequência. IONOGRAMA • Quando essa radiação eletromagnética passa através da ionosfera, os elétrons livres oscilam em resposta ao campo eletromagnético da onda. Parte do sinal refletido é recebido de volta pela ionosonda, o qual é registrado, agindo como receptor. Todo o processo ocorre em um tempo da ordem de milissegundo. Uma gravação de tal sinal é representado em um dispositivo chamado ionograma. IONOGRAMA. Uma gravação mostrando a altitude na qual um pulso de onda eletromagnética é refletida como uma função do pulso de frequência. Densidade de elétrons como uma função da altura. Típicas curvas para a noite e dia, mostrando as diferentes regiões D, E, F1, e F2. As curvas variam consideravelmente com a atividade solar, o número de manchas solares e o período do ano. Densidade total de elétrons como funções da altura. A figura mostra que a densidade de elétrons é sempre menor do que as partículas neutras (as quais compõem o “total de partículas”). Para comparação, a concentração de moléculas (= ao total de partículas) no solo é de mais ou menos 3 x 1019 cm-3 . Regiões da Ionosfera Região Altura (km) Densidade de elétrons (cm-3) (Ordem de grandeza) D < 90 103 - 104 E 90 – 140 105 F1 > 140 Máximo de 106 na região de 250 – 500 km F2 > 140 “ “ “ “ “ “ • A altitude para a qual os raios são refletidos dependem tanto da frequência quanto do número da concentração dos elétrons, N; pela teoria de propagação de ondas, e ela pode ser derivado dessa condição de reflexão como: • onde, = permissividade no vácuo ( = 8,854 x 10-12 F/m) • m = massa do elétron • e = carga do elétron • Se N for dado em cm-3, a constante de proporcionalidade vale 1,24 x 10-8 s2.cm³ • Para cada frequência a concentração N pode ser derivada da equação acima. • As labaredas solares são massas de gás extremamente quentes que saem da cromosfera (região que envolve o disco central do Sol, ou fotosfera) do Sol em arco e retorna à superfície. Essas labaredas são fontes de radiação ultravioleta e de partículas, principalmente elétrons e prótons. Essa radiação eletromagnética alcança primeiro a atmosfera terrestre, em mais ou menos oito minutos, causando súbitos distúrbios ionosféricos. 222 0 2 ./4 constemN 0 Equação da concentração de elétrons na Ionosfera A EXOSFERA • À direita da Figura 1, uma escala indica os valores aproximados do livre caminho médio molecular λ das moléculas. Esse parâmetro é definido como a distância média percorrida por uma molécula entre duas colisões. Ele pode ser definido pela teoria cinética dos gases. onde: λ= livre caminho médio molecular σ= sessão de colisão molecular (da ordem de 40 Ao2 = 0,4 nm2 ) n = concentração molecular k = 1,38 x 10 -23 J/K = constante de Boltzmann T = temperatura absoluta p = pressão Devido principalmente a p (pressão) o livre caminho médio molecular torna-se cada vez menor muito rapidamente, e também devido ao aumento de T, λcresce de 10-5 cm na superfície terrestre para dezenas de km de afastamento a 500 km de altura. Esse valor é tão grande que colisões entre moléculas virtualmente cessam a essas altitudes, e as moléculas ou átomos descrevem trajetórias parabólicas (balísticas) no campo gravitacional. A base da exosfera é atualmente definida como o nível para o qual λtorna- se igual à escala de altura H. σp2kT/.1/σ121/λ AURORA • A aurora é um fenômeno luminoso observado como um fulgor vindo da alta atmosfera durante as noites de inverno, nas altas latitudes. No Hemisfério Norte é conhecida como AURORA BOREAL e no correspondente Hemisfério Sul de AURORA AUSTRAL. A maioria das auroras é observada em um cinturão em torno dos polos magnéticos, entre 15o a 30o desses polos, com uma frequência máxima em mais ou menos 22,5o .A teoria das auroras não é ainda completamente entendida. Parece claro que o fenômeno é associado com condições de distúrbios na alta atmosfera. A luminosidade resulta do bombardeamento e subsequente ionização das moléculas por partículas vinda de cima, no caso do Sol. As moléculas ionizadas, por captura de elétrons e o reajustamento de seu estado de energia normal, emite luz em dada frequência . Esse bombardeamento está relacionado à variedade dos distúrbios solar produzindo partículas carregadas que chegam à Terra penetra em sua atmosfera e interage de maneira complicada com o campo magnético terrestre. MAGNETOSFERA • A magnetosfera está também representada na Figura 1. Se refere às propriedades magnéticas da Terra e sua interação com o contínuo fluxo de radiação solar corpuscular que permeia o espaço interplanetário que é chamado de VENTO SOLAR. A figura 11(a) mostra o campo magnético em torno da Terra (MAGNETOSFERA) como seria se a Terra estivesse isolada no espaço. As partículas carregadas (positivas e elétrons) do vento solar são defletidas pelo campo magnético da Terra com uma força perpendicular tanto ao campo magnético quanto à trajetória das partículas. Esse fenômeno pode ser representado pela seguinte equação: • F = qv x B (Sistema Internacional) • Onde: F = força agindo sobre a partícula carregada • q = carga • v = velocidade • B = indução magnética MAGNETOSFERA • Há uma reação do campo magnético devido às partículas do Sol modificando-o como mostra a Figura 11(b). A uma distância de 10 a 15 raios terrestres no lado do dia (1 Raio da Terra = 6.370 km) o campo cai a zero ou fica com valor muito pequeno. Esse limite é chamado MAGNETOPAUSA e toda a região dentro da magnetopausa, é chamada de MAGNETOSFERA. Do lado noturno a magnetosfera estende-se a uma grande distância, que é conhecida como cauda do campo magnético da Terra. A magnetosfera sem a influência do Sol A magnetosfera deformada pelo vento solar Linhas do campo magnético da Terra O CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA Interação do campo magnético do Sol com o da Terra AS LINHAS DO CAMPO MAGNÉTICO DA TERRA ANOMALIAS MAGNÉTICAS Os cinturões de Van Allen OS CINTURÕES DA VAN ALLEN OS CINTURÕES DE VAN ALLEN. Partículas carregadas que vêm a ser aprisionadas pelas linhas espirais do campo magnético da Terra seguem em torno das linhas de força do campo. Ao mesmo tempo, elas se deslocam vagarosamente ao redor da Terra, para o leste se forem negativas, e para oeste se forem positivas. Linhas do campo magnético da Terra e as partículas do vento solar Linhas do campo magnético da Terra e os cinturões de Van Allen Como as tempestades solares afetam a Terra As cores das auroras: A cor de uma aurora depende em qual altitude e do tipo de gás que está sendo excitado pelas partículas solares. Quanto mais a partícula é energética mais penetra nos níveis mais profundos da atmosfera Os polos magnéticos da Terra O POLO NORTE MAGNÉTICO AURORAS • Os principais comprimentos de onda encontrados na luz das auroras são 557,7 nm, correspondendo a uma linha verde do espectro do oxigênio atômico e 636,3 e 630,0 nm, correspondendo a uma linha de largura dupla do oxigênio. Como era de se esperar, muitas linhas nas bandas do nitrogênio também têm sido observadas, mas exceto para a banda vermelha do nitrogênio a 650 nm são muito fracas em relação às duas linhas do oxigênio. A luminosidade resultante é usualmente verde claro. • A altura na qual as auroras se desenvolvem varia de 80 a 150 km, mas podem ocorrer em altitudes maiores. • Em altas latitudes, nos meses de verão, a aurora é visível na porção iluminada pelo sol na alta atmosfera após o por do sol. Ela é usualmente violeta – claro ou violeta – azulada e aparece em grandes altitudes. • O AIRGLOW, (luminosidade do ar) é uma fraca luminosidade sempre presente. Ela tem sido estudada na maior parte da noite, mas está também presente, com algumas características diferentes durante o dia e no crepúsculo. Aurora artificial em laboratório TIPOS DE AURORAS Aurora sobre o parque de Yellowstone Aurora Boreal AURORA AUSTRAL Aurora Boreal e a Europa Aurora boreal e os Estados Unidos Aurora boreal AURORAS EM OUTROS PLANETAS - Saturno Inversão do campo magnético terrestre • Uma inversão geomagnética é a mudança de orientação do campo magnético terrestre de tal forma que o norte e o sul magnéticos são intercambiados. Esses eventos implicam frequentemente em um declínio prolongado da intensidade do campo seguido por uma recuperação rápida após o estabelecimento da nova orientação. Estes eventos ocorrem a uma escala de dezenas de milhar de anos ou mais, tendo a mais recente (a inversão de Brunhes– Matuyama) ocorrido há 780.000 anos. Teoria sobre a origem do campo magnético • O consenso atual como o campo se origina é devido a uma colossal corrente elétrica (da ordem de bilhões de ampères) gerada pelo giro da Terra em torno de seu eixo. Este fenômeno é conhecido como “efeito dínamo”. Importante lembrar que mesmo a Terra sendo convexa este efeito continua válido, apenas passaríamos de um modelo esférico para um modelo toroidal (forma de uma rosquinha). • O líquido condutor que está girando no interior do planeta está em rotação e tem efeito sobre a rotação do mesmo. Desta forma é razoável aceitar que essa massa líquida também realiza um movimento precessional e tal como um pião de brinquedo ele vai perdendo força até que se inverte e muda de polaridade. Mas este processo não é brusco é demorado e faz com que o campo eletromagnético vá decaindo pouco a pouco até que se extinga e reapareça com polaridade invertida. • Teoria sobre a origem do campo magnético terrestre • As dorsais oceânicas são locais por onde o manto terrestre é forçado contra a crosta (figura 2) e “vasa” fazendo com que as placas tectônicas se movimentem (fazendo o famoso movimento dos continentes). • O vazamento do material do manto terrestre foi medido com um equipamento chamado magnetômetro, que mede o magnetismo de objetos, o qual constatou um comportamento intrigante do material depositado pelas dorsais oceânicas (figura 3), onde o material mais novo possuía uma orientação coerente com o campo eletromagnético atual, porém ao se afastar do centro da dorsal estudada a orientação do campo do material do assoalho marinho tinha uma orientação contrária ao campo eletromagnético terrestre atual. • Este padrão se mantém por todo o assoalho marinho, tendo sempre como origem as dorsais oceânicas. Através da datação das rochas de cada uma destas camadas chegou-se a conclusão de que o campo eletromagnético da Terra sofre um ciclo de inversão a cada 200.000 anos. • Portanto o campo eletromagnético terrestre já sofreu diversas inversões e não é nenhum absurdo assumir que isto ocorrerá em breve, pois o decaimento deste campo é um sintoma de que esta inversão está por ocorrer. • Além disso a última inversão sofrida pelo campo eletromagnético da Terra foi a 780.000 anos, ou seja, está quase quatro vezes acima do tempo médio para a inversão. Outro fator que leva a certeza da proximidade desta inversão é um dado postado pela NASA, de que o campo magnético do nosso planeta passoude 4 Gauss em 1996 para menos de 2 Gauss no início do novo milênio. Dorsais e fossas oceânicas Assinatura geológica das inversões dos polos magnéticos da Terra. INVERSÃO DOS POLOS MAGNÉTICOS A INTERAÇÃO DE PARTÍCULAS CARREGADAS QUE VÊM DO CENTRO DA GALÁXIA COM O SISTEMA SOLAR