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Há duas condições fundamentais para a vida: A entidade viva deve ser capaz de se auto-replicar O organismo deve ser capaz de catalisar as reações químicas eficiente e seletivamente Reação líquida de oxidação da sacarose: Altamente exergônica Liberando energia livre que podemos usar para pensar, movimentar, provar e até visualizar, como estamos fazendo neste exato momento Entretanto... Um envelope de açúcar pode permanecer na prateleira por anos sem nenhuma conversão óbvia de sacarose em CO2 e H2O Embora este processo químico seja termodinamicamente favorável, ele é muito lento! Mas, por exemplo, quando a sacarose é consumida por um ser humano... A liberação de energia química ocorre na escala de segundos a minutos A diferença é a catálise realizada pelas enzimas. Sem a catálise, as reações químicas, como a oxidação da sacarose, não ocorreriam em uma escala de tempo útil e, portanto, não manteriam a vida! Enzimas são agentes de função metabólica Sua função é a de acelerar as reações do metabolismo Características 1) As enzimas possuem um enorme poder catalítico; podem acelerar reações em até 1016 vezes em relação à reação não catalisada 2) Uma enzima é bastante seletiva, tanto em relação à substância com a qual ela interage, como em relação à reação que ela catalisa 3) A atividade enzimática pode ser regulada de acordo com as necessidades da célula A grande maioria das enzimas são proteínas sendo que algumas requerem componentes químicos adicionais de origem não proteica chamados de cofatores e/ou coenzimas (orgânicas) Enzima completa: holoenzima Parte protéica: apoenzima Podem estar ou não ligados covalentemente (ou muito fortemente) à proteína. Quando ligados constituem, adicionalmente, um grupo prostético. Exemplos: Íon metálico Enzima Fe2+ ou F3+ Citocromo oxidase Catalase Peroxidase Cu2+ Citocromo oxidase Zn2+ Anidrase carbônica DNA polimerase Álcool desidrogenase Mg2+ Hexoquinase Glicose 6-fosfatase Piruvato quinase Mn2+ Arginase K+ Piruvato quinase Ni2+ Urease Mo Nitrato redutase Se Glutation peroxidase Cofatores metálicos Íons metálicos estão ligados às enzimas: a) através de interações iônicas b) através de valências de coordenação Funções: 1) Participar de reações de óxido-redução 2) Auxiliar na catálise propriamente dita 3) Facilitar a ligação do substrato Alguns íons inorgânicos servem de cofatores para enzimas Ligação covalente coordenada é um tipo especial de ligação covalente: ao invés de átomos compartilharem elétrons mutuamente (com o par eletrônico formado por um elétron de cada), um dos ligantes “doa” um par inteiro ao outro. Mas os elétrons continuam sendo originalmente dele. Coenzimas podem atuar, por exemplo, como carreadores transitórios de átomos e grupos funcionais Classificação sistemática das enzimas de acordo com a Comissão de Enzimas E.C. Nome sistemático e subclassses 1 1.1 1.1.1 1.1.3 1.2 1.2.3 1.3 1.3.1 Oxidorredutases (reações de óxido-redução) Agindo sobre o grupo CHOH de doadores Com NAD+ ou NADP+ como aceptores Com O2 como aceptor Agindo sobre o grupo =C=O de doadores Com O2 como aceptor Agindo sobre o grupo CHCH de doadores Com NAD+ ou NADP+ como aceptores 2 2.1 2.1.1 2.1.2 2.1.3 2.2 2.3 2.4 2.6 2.6.1 2.7 2.7.1 Transferases (transferência de grupos funcionais) Transferência de grupos C1 Metiltransferases Hidroximetiltransferases e formiltransferases Carboxiltransferases e carbamoiltransferases Transferência de resíduos aldeídicos ou cetônicos Aciltransferases Glicosiltransferases Transferência de grupos contendo N Aminotransferases Transferência de grupos contendo P Com um grupo alcoólico como aceptor 3 3.1 3.1.1 Hidrolases (reações de hidrólise) Quebra de ligações éster Hidrolases de ésteres carboxílicos 4 4.1 4.2 4.3 Liases (adição a duplas ligações) Liases C=C Liases C=O Liases C=N 5 5.1 5.1.3 5.2 Isomerases (reações de isomerização) Racemases epimerases Agindo sobre carboidratos Isomerases cis-trans 6 6.1 6.1.1 6.2 6.3 6.4 6.4.1 Ligases (formação de ligações com clivagem de ATP) Formação de ligações CO Ligases aminoácido-RNA Formação de ligações CS Formação de ligações CN Formação de ligações CC Carboxilases Lactato desidrogenase: EC 1.1.1.27 Grupos CH-OH Número específico Óxido- redutase NAD +- dependente A cada enzima são atribuídos quatro números para classificação e um nome sistemático que identifica a reação que ela catalisa A catálise enzimática das reações é essencial para os sistemas vivos Pois sob as condições biológicas (pH, temperatura moderada e ambiente aquoso dentro das células) as reações não catalisadas tendem a ser lentas As enzimas aceleram as reações químicas facilitando: Formação de intermediários instáveis, muitas vezes carregados eletricamente Colisão de duas ou mais moléculas na orientação requerida para reação As enzimas proporcionam um ambiente específico adequado para que uma dada reação ocorra mais rapidamente A propriedade característica das reações catalisadas por enzimas é que a reação ocorre confinada em um bolsão da enzima denominado sítio ativo. A molécula que liga no sítio ativo e sobre a qual a enzima age é denominada substrato. Ligação de um substrato ao sítio ativo da enzima A noção de que há uma complementaridade entre a enzima e o substrato é fundamental na enzimologia A quimotripsina (MM = 25.191) é uma enzima digestiva, que cliva ligações peptíticas. Seu mecanismo de ação é a catálise ácido-basica e covalente, onde ela forma um intermediário acil-enzima. As enzimas afetam as velocidades da reação e não seu equilíbrio: não tornam reações impossíveis em reações possíveis Uma reação enzimática simples pode ser escrita como: E + S ↔ ES ↔ EP ↔ E + P O equilíbrio entre substrato e produto reflete a diferença entre as energias livres de seus estados fundamentais No diagrama de coordenadas de reação ao lado, a energia livre do estado fundamental P é menor que a de S. Então, ΔG’° para a reação é negativa e o equilíbrio favorece P. As enzimas não alteram este fato! Não confundir equilíbrio favorável com reações rápidas: lembrar da oxidação total da sacarose Barreira entre “S” e “P”: energia requerida para alinhamento dos grupos que reagem, formação de cargas transitórias instáveis, rearranjos de ligações...é aqui que as enzimas atuam! A velocidade da reação depende de um parâmetro totalmente diferente Vencer a barreira energética entre S e P: energia de ativação Estado de transição (nível energético mais alto): não confundir com ES e EP! Ele é simplesmente um momento no deslocamento molecular. As enzimas aumentam a velocidade das reações por diminuírem as energias de ativação A energia de ativação é menor e, portanto, a reação ocorre mais rapidamente quando catalisada por uma enzima Mas notem! Termodinamicamente a reação não é alterada! Matematicamente, a relaçãoentre a constante de velocidade (k) e a energia de ativação , ΔG‡, é inversa e exponencial! Cinética Enzimática A abordagem mais antiga para entender o mecanismo das enzimas, e que permanece entre as mais importantes é determinar a velocidade da reação e como ela se modifica em resposta a mudanças nos parâmetros experimentais: cinética enzimática Um fator-chave que afeta a velocidade de uma reação catalisada por enzima é a concentração do substrato, [S] Notar que em concentrações relativamente baixas de substrato, V0 aumenta quase linearmente com aumento na [S] Em concentrações de substratos mais altas, v0 aumenta quantidades cada vez menores em resposta ao aumento na [S], até alcançar a velocidade máxima de reação, VMÁX A velocidade máxima inicial da reação catalisada VMÁX é observada quando virtualmente toda a enzima estiver como complexo ES, e E livre for pequena, indicando saturação com o substrato (platô no gráfico) A relação entre a concentração do substrato e a velocidade da reação pode ser expressa quantitativamente Equação de Michaelis-Menten: ][ ][max 0 SK SV v M Esta equação é uma afirmação quantitativa da relação entre velocidade inicial, a velocidade máxima e a concentração do substrato inicial, todas relacionadas por meio da constante de Michaelis (KM). KM nesta equação tem unidades de concentração e equivale à concentração de substrato na qual V0 é metade de Vmax A equação descreve o comportamento da maioria das enzimas, sendo que todas as enzimas que seguem uma cinética hiperbólica seguem a cinética de Michaelis-Menten. As enzimas regulatórias são as exceções mais importantes! A equação ajusta-se às observações experimentais? Sim! Podemos confirmar isso quando [S] é ou muito alta ou muito baixa Em baixa [S], Km >> [S], e o termo [S] no denominador na equação de Michaelis- Menten torna-se desprezível. A equação se simplifica a V0 = VMÁX[S]/Km, e V0 apresenta uma dependência linear de [S]. Em alta [S], quando [S] >> Km, o termo Km torna-se desprezível, e a equação fica simplificada a V0 = VMÁX, o que é consistente com o platô observado em [S] elevada. ][ ][max 0 SK SV v M REPRESENTAÇÃO DE LINEWEAVER-BURK: ][ ][max 0 SK SV v M ]S[K1 M ][max0 SVv maxmax0 1 ][ 11 VSV K v M ][ ][ ][ 1 maxmax0 SV S SV K v M Separando os componentes do numerador do lado direito da equação Que simplifica para... A equação de Michaelis-Menten pode ser transformada algebricamente em equações mais úteis para fazer gráficos experimentais Esta representação também pode ser chamada de duplo-recíproca Existem outras transformações da equação de Michaelis-Mentem para análises de dados cinéticos. A de Lineweaver-Burk é a mais usual e conhecida. O diagrama do duplo recíproco de V0 versus [S] produz uma linha reta permitindo uma determinação mais acurada de VMÁX e KM a b Inclinação = a/b maxmax0 1 ][ 11 VSV K v M Nos gráficos simples de V0 versus [S] estes parâmetros podem ser obtidos apenas aproximadamente Muitos agentes inibem (diminuem) a atividade de enzimas Estes agentes recebem o nome genérico de INIBIDORES Muitas drogas são inibidores de atividade enzimática (os anti-inflamatórios não-esteróides, por exemplo, inibem a ciclo-oxigenase) Muitos reguladores metabólicos são inibidores! IRREVERSÍVEL causada em geral por agentes (inibidores) que reagem covalentemente com a enzima. REVERSÍVEL os inibidores ligam-se à enzima através de interações não-covalentes (interação iônica, por exemplo) Inibição competitiva Inibição não-competitiva Inibição mista Inibição irreversível Ou se ligam de forma covalente ou destroem um grupo funcional de uma enzima que é essencial para a atividade da enzima Outra possibilidade é a formação de uma associação não- covalente particularmente estável Uma classe especial de inibidores irreversíveis é a dos inativadores suicidas. Esses compostos são relativamente não- reativos até que eles se liguem ao sítio ativo de uma enzima específica. Um inativador suicida sofre a primeira de algumas etapas químicas da reação enzimática normal, mas, em vez de serem transformados em produto normal, o inativador é convertido a um composto muito reativo que se combina irreversivelmente com a enzima Inibição competitiva Um inibidor competitivo é uma substância que compete com o substrato pelo mesmo sítio de ligação Mas, não há reação, pois falta o grupo químico que deverá ser modificado, ou sua configuração é muito diferente Um exemplo clássico é o malonato, que compete com o succinato pelo sítio ativo da succinato desidrogenase. O malonato atua inibindo a respiração celular (complexo II mitocondrial, que contém a succinato desidrogenase). succinato C C C C OO H H OO - - 2 2 C C C OO H OO - - 2 malonato Inibição competitiva Acetil-CoA Isocitrato Citrato -Cetoglutarato Succinil-CoA Succinato Fumarato Malato Oxaloacetato Ciclo de Krebs Inibição competitiva ][ ][ 0 Sk sV V m MÁX IK I ][ 1 ][ ]][[ EI IE K I É possível reverter o efeito do inibidor com aumento de [S] Equação de Michaelis- Menten: com ][ ][max 0 SK SV v M IK I ][ 1 Lineweaver-Burk: maxmax0 1 ][ 11 VSV K v M Intercepto comum no eixo 1/V0 Mas com inclinações diferentes , alterando Km Pelo fato de o intercepto no eixo 1/V0 igualar 1/VMÁX, sabemos que a VMÁX não é alterada pela presença de um inibidor competitivo ][ ]][[ EI IE K I Um inibidor incompetitivo liga apenas ao complexo enzima-substrato E + S ES P + E + I ESI KI' Complexo enzima- substrato-inibidor Um inibidor não-competitivo liga a um sítio diferente daquele do substrato tanto em E quanto em ES E + S ES P + E + I EI + I ESI KI KI' Complexo enzima- inibidor Complexo enzima- substrato-inibidor Além de fatores já mencionados, tais como, [ Enzima], [ Substratos], inibidores e ativadores; pH e temperatura também afetam a velocidade de reações catalisadas por enzimas Fatores que afetam a velocidade da reação enzimática Outros fatores além da [S] afetam a velocidade da reação enzimática: efeito da temperatura 270 310 330 350 370 0.0 25.0 50.0 270 290290 310 330 350 370 100 75 50 25 0V MÁ X Temperatura (K) No início, aumentos na temperatura provocam aumentos na atividade. Após uma certa temperatura ótima, no entanto, há uma queda. A partir do sexto ponto a relação entre Vmáx e temperatura não é mais linear; isto ocorre porque a partir deste ponto o equilíbrio térmico entre a forma nativa da enzima e a forma desnaturada sofre uma alteração significativa. Em geral apenas a forma nativa tem atividade catalítica. Efeito do pH na atividade enzimática Enzima pH ótimo Pepsina 1,5 Tripsina 7,7 Catalase 7,6 Arginase 9,7 Fumarase 7,8 Ribonuclease 7,8 pH ótimo de algumas enzimas POR QUE O pH AFETA A ATIVIDADE ENZIMÁTICA? A) a ligação do substrato pode depender de grupos dissociáveis no sítio ativo e no próprio substrato B) o ato catalítico pode depender de grupos dissociáveis C) a conformação da proteína varia com o pH, podendo inclusive haverdesnaturação em pHs extremos Enzimas reguladoras são enzimas especiais, cuja atividade pode ser regulada por agentes diferentes do substrato Numa via metabólica há pelo menos uma enzima reguladora, que responde positiva ou negativamente a diversos agentes No esquema acima, por exemplo, a enzima E1 pode ser inibida por P por retroalimentação, o produto final da via e ativada por X, um agente regulador que também exerce alguma função metabólica relacionado à via PDCBA 4321 EEEE Sua atividade é alterada pela adição de um grupo químico, fosfato, por exemplo Esta alteração é catalisada por outra enzima Em geral estas enzimas seguem cinética Michaeliana Sua atividade é regulada por ligação reversível de agentes moduladores (efetores) Sua cinética é complexa e não pode ser descrita pela equação de Michaelis-Menten Enzimas alostéricas e suas curvas de saturação Interações alostéricas são interações cooperativas que ocorrem quando a ligação de um ligante num sítio específico da proteína é influenciado pela ligação de outro ligante (efetor ou modulador) num sítio chamado sítio alostérico (que pode coincidir com o sítio ativo) Exemplo de uma enzima modulada covalentemente Regulação da atividade da glicogênio fosforilase, uma enzima do metabolismo do glicogênio, por modificação covalente As formas a (fosforilada) e b (desfosforilada) diferem nas suas estruturas secundária, terciária e quaternária. O sítio ativo sofre alterações na estrutura e, consequentemente, alterações na atividade catalítica Os sistemas metabólicos têm ao menos dois outros mecanismos de regulação enzimática 1. Algumas enzimas são estimuladas ou inibidas quando estão ligadas a proteínas regulatórias distintas; Um exemplo de interação deste tipo é a rota de sinalização através da qual a insulina regula a expressão de genes específicos: cascata de MAP-quinases. 2. Outras enzimas são ativadas quando segmentos peptídicos são removidos por proteólise. Neste caso um precursor inativo denominado zimogênio é hidrolisado formando a enzima ativa. As proteases do estômago e do pâncreas são reguladas dessa maneira: Algumas enzimas utilizam vários mecanismos regulatórios, e isso marca fortemente a existência de um balanço com as necessidades da célula. Bom estudo!