DP - Execução
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DP - Execução

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Semana 1
Nesta semana você deverá estudar sobre teoria geral da execução, os princípios que a regem, a legitimidade e os pressupostos.
                  
1. INTRODUÇÃO
O processo é o meio pelo qual se realiza a jurisdição, sendo jurisdição a função do Estado de resolver os conflitos de interesse.
É uma sucessão de atos processuais praticados pelas partes, pelo juiz e seus auxiliares que tem por finalidade a prestação jurisdicional.
A depender do que o autor de uma ação deseja a lei prevê um determinado tipo de processo.
O Código de Processo Civil (CPC) enumera três tipos de processo: de conhecimento, de execução e cautelar, dedicando o Livro II ao processo de execução, tema deste semestre.
O processo de conhecimento, pertencente ao Livro I, tem por objetivo conhecer o direito, verificando se o autor possui ou não o direito material que afirma em juízo. Apenas declara a existência ou não de um direito, caso em que a sentença será declaratória.
Ainda dentro do processo de conhecimento há situações em que a parte procura constituir, desconstituir, conservar ou modificar a relação jurídica, hipóteses de cunho constitutivo ou desconstitutivo, conforme o caso concreto.
E há as sentenças condenatórias, que tem por objetivo a formação do título executivo, nas quais o juiz condena o réu a fazer ou não fazer, pagar um determinado valor em dinheiro ou a entregar uma coisa.
Resumidamente, pode-se dizer que no processo de conhecimento o que se almeja é uma sentença declaratória, condenatória, constitutiva ou desconstitutiva, a depender do pedido do autor exarado na petição inicial.
No processo cautelar, regido pelo Livro III, o que se busca é afastar os riscos que possam afetar o resultado do processo principal, objetivando conservar o estado dos bens, das pessoas e das provas até a solução da lide principal, pressupondo, desta forma, um processo em andamento e por isto tem como característica a instrumentalidade, além de ser acessório e provisório.
No processo de execução o objetivo é a satisfação concreta do direito do credor, direito este declarado no título. Diferentemente do processo de conhecimento, no processo de execução não se pede uma decisão de procedência ou improcedência, pois o autor já tem o direito declarado no título. O que se pede, na execução, é a realização deste direito, culminando com a satisfação do credor.
O credor teve seu direito declarado na sentença condenatória. A sentença condenatória é o título judicial que consubstancia a execução.
Se o devedor não cumprir o mandamento jurisdicional o credor terá mecanismos para acionar o Poder Judiciário para que, por meio de atos coercitivos, a sentença seja executada, ou seja, que o estabelecido em sentença seja cumprido, daí falar-se em fase de cumprimento da sentença.
Ocorre que existem outros títulos que não são os judiciais. São os denominados títulos extrajudiciais, e que também conferem ao credor, o direito de acionar o Estado para que a satisfação do credor especificada no título seja executada, em caso de inadimplemento da obrigação por parte do devedor.
O CPC sofreu inúmeras reformas, sendo as promovidas pelas leis n°. 11.232/05 e n° 11.382/06 significativas no tocante ao tema execução.
O ordenamento jurídico processual em vigor prevê procedimentos específicos para cada tipo de título.
Atualmente os títulos judiciais não se sujeitam ao processo autônomo de execução. Houve a unificação dos processos autônomos de conhecimento e execução, e o que se tem é um único processo composto por fases distintas, denominado pela doutrina de processo sincrético.
Significa dizer que o processo de execução, que antes era autônomo em relação ao processo de conhecimento deixou de existir nos casos de títulos executivos judiciais, e o que antes era processo de execução, com a reforma passou a ser uma fase executiva - a fase de cumprimento da sentença. Esta é a regra, cujas exceções são os casos de sentença penal condenatória, arbitral e estrangeira, que embora sejam títulos judiciais, sujeitam-se ao processo de execução, devido à formação do título judicial advir de outra esfera que não a cível.
Para os títulos executivos extrajudiciais ainda há a formação de um novo processo, em que se exige a citação do devedor. Trata-se de processo autônomo. Isto porque, neste caso, não houve a fase de conhecimento, que antecede a fase executiva. A ausência da fase cognitiva, onde o magistrado declara a procedência ou improcedência do pedido do autor, exige a formação um novo processo, qual seja, o de execução.
Saliente-se que seja qual for o título - judicial ou extrajudicial - o credor tem meios para exigir do devedor que a obrigação seja adimplida. Do mesmo modo têm o devedor expediente para se defender; ou por impugnação nos casos de título judicial, ou por embargos à execução, sendo a hipótese de título extrajudicial, temas que serão vistos no decorrer das semanas.
 
2. PRINCÍPIOS
       Princípio da autonomia
O princípio da autonomia atualmente somente é aplicável nas hipóteses em que a execução baseia-se em título executivo extrajudicial ou judicial advindo de sentença penal condenatória, estrangeira ou arbitral porque apenas nestas hipóteses haverá a formação do processo autônomo.
Na execução fundada em título judicial onde o que se tem é a fase de cumprimento de sentença não mais se aplica referido princípio, uma vez que não há uma nova relação jurídica autônoma.
       Princípio da patrimonialidade
São os bens do devedor que estão sujeitos à execução.
As medidas coercitivas não podem recair sobre a pessoa do devedor porque para o cumprimento das obrigações não cumpridas voluntariamente, responderá o devedor com seus bens presentes e futuros, conforme prevê o art. 591 do CPC.
       Princípio do exato inadimplemento
Também denominado princípio da efetividade ou do resultado.
Não cumprida a obrigação constante no título executivo espontaneamente o credor promoverá a execução, que ter por fim satisfazer seu direito, permitindo-lhe obter o mesmo resultado que teria caso a obrigação fosse voluntariamente cumprida.
O art. 612 do CPC ilustra este princípio, estabelecendo que a execução será realizada no interesse do credor, que adquire, pela penhora direito de preferência sobre os bens do executado já penhorados.
Outro artigo que pode ser citado é o art. 659, também do CPC, indicando que “a penhora deverá incidir em tantos bens quanto bastem para o pagamento do principal atualizado, juros, custas e honorários advocatícios”.
Em suma, tal princípio veda que a execução ultrapasse o necessário à satisfação do direito do exeqüente.
       Princípio da disponibilidade do processo pelo credor
Por ter a execução como finalidade a satisfação do credor a ele é facultado não prosseguir, diferentemente do que ocorre no processo de conhecimento. Neste o autor somente poderá desistir sem a anuência da parte contrária antes da resposta do réu, sendo que após a resposta somente poderá o autor desistir da ação caso o réu assim consinta.
Na execução o mesmo não ocorre. O art. 569 do CPC assenta que o credor tem a faculdade de desistir da execução ou de algumas medidas executivas. Depreende-se, portanto, que a desistência poderá ser total ou parcial.
       Princípio da máxima utilidade da execução
Por este princípio tem-se que a execução somente pode prosseguir se o prejuízo ocasionado ao devedor trouxer beneficio ao credor, pois o objetivo da execução é promover a satisfação do credor constante no título executivo.
Se, ao longo dos atos executivos, detectar-se que o exeqüente não obterá resultado e somente o devedor sofrerá perdas a execução não seguirá.
       Princípio da menor onerosidade
Este princípio tem amparo no artigo 620 do CPC. Por este artigo a execução deverá ser realizada pelo meio menos gravoso para o devedor.
Isto não significa que o devedor poderá utilizar modos gravosos para o credor.
Sabe-se que o fim pretendido na fase executiva é satisfazer o credor e em havendo diversos meios para este resultado deverá o
Paloma fez um comentário
  • Gisele, poderia postar as respostas do questionário? Obgda!
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