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Margarida Kunsch: novos paradigmas para a comunicação organizacional Jornalista, especialista em Divulgação Científica pela Universidade de Brasília, mestranda em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo Umesp, Heloiza Dias da Silva é Técnica em Comunicação Social da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa. RESUMO Este artigo recupera a trajetória de Margarida M. Krohlng Kunsch, Relações Públicas, Mestre, Doutora em Ciências da Comunicação e Livre-docente pela Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo. Referência obrigatória em assuntos de Relações Públicas e pioneira nos estudos de Comunicação Organizacional no Brasil, Margarida Kunsch publicou três livros, dezesseis coletâneas e inúmeros artigos científicos. Neste trabalho destacam-se, além das contribuições como professora e pesquisadora para consolidação das Relações Públicas no Brasil e demais países da América Latina, os principais conceitos referentes à Comunicação Organizacional, segmento em crescente evolução e de fundamental importância para o desenvolvimento empresarial. O presente trabalho é um relato preliminar sobre a trajetória da professora e pesquisadora Margarida M. Krohling Kunsch, atualmente um dos mais importantes nomes na área de relações públicas do Brasil, e da América Latina, e referência obrigatória para aqueles que se dedicam a pesquisas em Ciências da Comunicação ou a estudos na área de Comunicação Organizacional. Mestre e doutora em Ciências da Comunicação e Livre-Docente em Teorias e Processos de Comunicação Institucional, é autora de vasta obra que abrange desde fundamentos e técnicas de relações públicas, a complexos estudos sobre planejamento estratégico da comunicação organizacional integrada, área em que foi pioneira. Sua produção acadêmico-científica contempla as mais diversas abordagens da Comunicação seja na educação e na cultura, seja na ciência e na agricultura, ou ainda nas organizações e na política. Traçar a trajetória acadêmica-profissional de Margarida Kunsch, significa também resgatar a história das relações públicas no Brasil e o seu papel na evolução da comunicação brasileira e latino-americana. Em busca de novos desafios Casada com o filósofo, jornalista e relações públicas, Waldemar Luiz Kunsch, mãe de Adriana (bióloga), Graziela (artista plástica) e Clarisse (estudante de psicologia) e, desde abril de 2002, avó de Clara, Margarida Maria Krohling Kunsch nasceu em 15 de janeiro de 1947, na cidade de Domingo id13602409 pdfMachine by Broadgun Software - a great PDF writer! - a great PDF creator! - http://www.pdfmachine.com http://www.broadgun.com 2 Martins, Espírito Santo. Ali morou até os três anos de idade, quando seus pais se mudaram para Rio da Prata-Baia Nova, município de Guarapari (ES) e, aos doze, seguiram para para Vila-Velha e, depois, Cachoeira do Itapemirim, onde cursou o ginásio e o colegial (normal-magistério) e morou até os 23 anos de idade. Buscando melhorar de vida, em 1970 trocou o Espírito Santo por São Paulo, onde já residiam quatro irmãos. Em 1973, ingressou na Faculdade de Comunicação Social Anhembi, hoje Universidade Anhembi Morumbi, graduando-se em Relações Públicas. Antes de se formar, trabalhou como auxiliar de relações Públicas no Hospital Albert Einstein, desenvolvendo diversas atividades junto à comunidade judaica de São Paulo. Foi contato publicitário na Albeise do Brasil e, a partir de julho de 1977, após concluir o curso, iniciou carreira de docente, lecionando disciplinas específicas do Curso de Relações Públicas em diversas escolas superiores do Estado de São Paulo: Universidade de Mogi das Cruzes (1977-1979); Universidade de Santo Amaro (1978-1984); Universidade Metodista de São Paulo (1978-1989); Universidade Anhembi-Morumbi (1979-1981); e Faculdade de Comunicação Cásper Líbero (1984 a 1988). Margarida sempre gostou de desafios e nunca optou pelo mais fácil. Teve dificuldades, mas nenhuma que tivesse sido problema. Lutou primeiro para conseguir emprego em São Paulo. Depois para conciliar os vários papéis que vem desempenhando na vida: ser esposa, mãe, professora, pesquisadora, presidente de entidades de classe, etc... Lembra não ter sido fácil o seu ingresso como professora na ECA-USP. Passou no processo seletivo em dezembro de 1988, mas foi admitida oficialmente em maio de 1989. Persistente, enfrentou essa dificuldade com serenidade. O que mais marcou sua vida profissional foi o gosto pelos estudos. Gosto da vida acadêmica, e o apoio e o carinho que venho recebendo de estudantes de RP pelo Brasil a fora tem impulsionado- me a continuar. O reconhecimento público do meu trabalho tem sido motivo de incentivo a perseguir meus ideais de pesquisadora. Mais do que relações públicas As excelentes perspectivas que vislumbrava para a área, associadas ao fato de já estar atuando no mercado de São Paulo, estimularam Margarida Kunsch não só a investir no curso de relações públicas, como a aprofundar os seus conhecimentos na área de comunicação, em especial, da comunicação organizacional Sob a orientação do professor Cândido Teobaldo de Andrade, fundador do curso de Relações Públicas da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA/USP) e um dos pioneiros em pesquisa na área, elaborou sua dissertação de mestrado em Planejamento de Relações Públicas em Função da Comunicação Integrada nas Organizações, defendida, na ECA/USP em 3 dezembro de 1985. No ano seguinte a editora Summus publicou o livro Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada, versão compacta de sua dissertação e provavelmente uma das obras que mais influência teve no ensino de relações públicas no país no período (Duarte, 2003). Hoje a publicação está em sua 4ª edição, revisada, atualizada e ampliada. Ainda na ECA/USP, e sob a orientação da Drª Sarah Chucid da Viá, doutorou-se em Ciências da Comunicação. Sua tese , defendida em abril de 1991, versou sobre a Universidade e Comunicação na Edificação da Sociedade. Também pela mesma Universidade defendeu tese de livre docência em Teorias e Processos de Comunicação Institucional, abordando As Relações Públicas e suas Interfaces com a Comunicação Organizacional no Brasil.. Foi durante o curso de mestrado que Margarida Kunsch começou a pensar Relações Públicas em uma perspectiva mais ampla, no contexto de uma filosofia da comunicação integrada, passando a trabalhar a temática do Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada. Os mestres que, segundo ela, mais a influenciaram e a ajudaram a crescer foram Cândido Teobaldo de Souza Andrade; Francisco Gaudêncio Torquato do Rego, e Sarah Chucid da Via. O professor Teobaldo pelas Relações Públicas; Torquato cujas aulas e teses permitiram um novo pensar para as Relações Públicas e a importância de se ter uma visão macro da comunicação; e Sarah que despertou-me para a necessidade de aliar pesquisa acadêmica com vivência prática e motivação interior. Na época ela ministrava exatamente a disciplina de planejamento de RP na Universidade Metodista. Foi quando decidiu investir nesse segmento de estudos Trajetória acadêmica-profissional Com quase 30 anos de experiência no magistério superior na área de comunicação, dos quais 12 nas escolas de Comunicação Social da Grande São Paulo, Margarid Kunsch é, desde l989, professora em regime de dedicação integral dos cursos de graduação e pós-graduação da ECA-USP, onde leciona as disciplinas Planejamento de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, Relações Públicas no composto da Comunicação das Organizações e Comunicação Organizacional: Pressupostos Teóricos, Funções e Processos na Sociedade Contemporânea. Coordena atualmente oCurso de Relações Públicas do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo (ECA-USP) tendo já exercido essa função de 1997 a 2001. Idealizou e criou o Curso de Pós-Graduação Lato Sensu de Gestão Estratégica em Comunicação Organizacional e Relações Públicas, do mesmo Departamento, o qual coordena desde 1997. Integra ainda diversas comissões acadêmicas e colegiados. De setembro de 1994 a outubro de 1999, foi assessora da Coordenadoria de Comunicação Social da Universidade de São Paulo, depois de ter dirigido, de 1985 a 1986, a Divisão de Difusão 4 Artística, Cultural e Científica da mesma. Durante o período em que coordenou a Assessoria reformulou e desenvolveu ações para a redefinição de uma política global de comunicação para toda a Universidade. Propôs projetos e programas especiais para a difusão da divulgação científica, com destaque para a criação da Agência USP. Dinamizou a comunicação interna com o boletim Espaço Aberto e incrementou programas e produtos de comunicação institucional. É pesquisadora vinculada ao CNPq. Como consultora nas áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional Integrada, tem realizado cursos de reciclagem aperfeiçoamento e especialização para profissionais de comunicação social e de áreas afins no Brasil e no exterior, em Comunicação Organizacional, Planejamento de relações Públicas /Comunicação e Teoria e Técnicas de Relações Públicas. Ao longo de sua carreira acadêmico-profissional, tem proferido inúmeras conferências e palestras a convite de universidades, entidades de classes, empresas e organizações em geral sobre temas vinculados à Comunicação Organizacional e Relações Públicas, ultrapassando 250 eventos. Preside pela segunda vez a ALAIC Asociación Latinoamericana Investigadores de la Comunicación, além de membro do Conselho Superior de Comunicação social da Aberje - Associação Brasileira de Comunicação Empresarial. É conselheira do Conferp Conselho Federal de Relações Públicas e presidente do Conselho Fiscal da Ibercom Associação Latino-americana de Comunicação (Porto/Portugal). Integra o conselho editorial de diversas revistas científicas do país e do exterior, como a Revista Brasileira de Ciências da Comunicação (Intercom, Brasil) e a Revista de Comunicação Empresarial (APCE - Associação Portuguesa de Comunicação Empresarial, Lisboa). Foi ainda, por duas vezes, presidente da Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (1987-1989; 1991-1993). A mestre Muito requisitada no meio acadêmico para participar de bancas examinadoras de defesas de Trabalhos de Conclusão de Cursos (TCCs), monografias, dissertações e teses, bem como para orientar e formar bacharéis, especialistas, mestres e doutores de Cursos de Graduação e Pós-Graduação de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, a professora Margarida Kunsch, de 1989 a 2000, somente pela USP, orientou mais de 40 Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), 19 pesquisas de Iniciação Científica desenvolvidas por bolsistas do CNPq e 10 Projetos Experimentais de Relações Públicas. Participou ainda de 62 bancas examinadoras de defesa pública de TCCs e de 12 Projetos Experimentais de Relações Públicas. Nos últimos cinco anos foi membro ou presidente de 59 bancas examinadoras de monografias de cursos de pós-graduação lato sensu; participou de 27 bancas de exame de qualificação para 5 mestrado e doutorado, de 42 bancas examinadoras de defesa de dissertação de mestrado e de teses de doutorado, bem como orientou 13 dissertações e 8 teses (já defendidas). Atualmente orienta cinco teses, das quais quatro na área de Comunicação Organizacional/Imagem e uma em Relações Públicas. A pesquisadora É autora de três livros com destaque para Planejamento de Relações Publicas na Comunicação Integrada, 4ª edição de 2003, revista, ampliada e atualizada. Em parceria com outros pesquisadores da área, já organizou cerca de 20 coletâneas sobre os mais variados temas da comunicação. Destacam-se ainda inúmeros capítulos de livros e artigos inseridos em livros e revistas científicas nacionais e internacionais. Como pesquisadora da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, vinculada ao Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo, tem desenvolvido várias pesquisas na área das Ciências da Comunicação e na sua especialidade, contando com o apoio do CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e da Fapesp - Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Pesquisas Concluídas 1. Levantamento e Registro Bibliográfico da Pesquisa em Comunicação no Brasil nos Anos 80 Trata-se de inventário de toda a produção científica em comunicação, gerada no Brasil na década de 80. Além do registro bibliográfico com abstract, faz uma análise crítica dos conhecimentos produzidos nessa década em relação a teses, livros e artigos de revistas científicas de comunicação. 2. A Comunicação Integrada na Universidade como Instrumento apto a Difundir sua Produção Científica Realizado de 1989 a 1991, o estudo, além de fundamentação teórica sobre a temática, envolveu uma pesquisa de campo junto às assessorias de comunicação ou de imprensa das universidades brasileiras. O trabalho final, intitulado de Universidade e Comunicação na Edificação da Sociedade, tornou-se também objeto de tese de doutorado e foi posteriormente publicado pelas Edições Loyola (1992). 3. Políticas de Comunicação no Brasil: Trajetória e Situação Contemporânea É um estudo retrospectivo da evolução constitucional brasileira no que se refere às políticas de comunicação, ressaltando os trabalhos da nova Constituição promulgada no ano de 1988. Analisa também as políticas empresariais, por meio do estudo Políticas dos Meios de Comunicação de Massa no Brasil: Influência do Estado e do Poder Econômico. Realizado um levantamento bibliográfico e de campo sobre os meios de comunicação de massa impressos e eletrônicos e sua interdependência com o 6 Estado e com o poder econômico. Faz um estudo mais aprofundado sobre a questão das concessões de rádio e televisão e do sistema de comunicação no Brasil, bem como uma retrospectiva e análise do papel da Unesco e da Nova Ordem Internacional da Informação (Nomic) na América Latina e especialmente no Brasil. 4. A Produção Científica em Comunicação na Década de 80: Avaliação, Tendências e Perspectivas no Brasil e na América Latina Continuidade (e ampliação) do estudo anterior (1988-1990), é um inventário de toda a produção científica em comunicação, gerada no Brasil na década de 80. Além do registro bibliográfico com abstract, faz uma análise crítica dos conhecimentos produzidos nessa década em relação a teses, livros e artigos de revistas científicas de comunicação. 5. A Contribuição das Relações Públicas para o Desenvolvimento da Comunicação Organizacional no Brasil Estudo sobre as Relações Públicas e as suas interfaces com a Comunicação Organizacional no Brasi, realizado de 1993 a 1995, serviu de base para a tese de livre-docência de Margarida Kunsch, depois publicada pela editora Summus. 6. As Indústrias das Comunicações no Brasil: Anos 90. As Assessorias de Comunicação, Relações Públicas e Imprensa como Geradoras de Serviços e Negócios de Comunicação Desenvolvida no âmbito do Departamento de Relações Públicas, Propaganda e Turismo da ECA- USP, no período de agosto de 1995 a julho de 1999, a pesquisa foi centrada no mapeamento das principais redes de televisão aberta e segmentada, dos grupos de mídia impressa de cobertura nacional, e no perfil das empresas que prestam serviços de comunicação empresarial, compreendendo as assessorias de imprensa e de Relações Públicas. 7. A Comunicação Organizacional Como um Campo Acadêmicode Estudos: Análise da Situação Ibero-Americana O trabalho, que teve início em março de 1999, envolve uma ampla pesquisa teórica sobre a temática de Comunicação Organizacional e uma pesquisa de campo junto ao universo previsto, que são os cursos de pós-graduação dessa área nos países ibero-americanos. Tem por principais objetivos analisar a evolução dos estudos teóricos da Comunicação Organizacional situando-a como área de conhecimentos no campo das Ciências da Comunicação e das Ciências Sociais Aplicadas, e avaliar as áreas de concentração e as linhas de pesquisa dos programas de pós-graduação em Comunicação Organizacional existentes nos Centros de pós-graduação em Comunicação nos países ibero- americanos. 7 Projeto de Pesquisa em Andamento A função das Relações Públicas para o fortalecimento e expansão do subsistema institucional das organizações públicas e privadas O trabalho teve início em agosto de 2001 e procura estudar a função essencial das Relações Públicas no âmbito das organizações, no contexto da sociedade contemporânea, com ênfase no aspecto institucional e de uma prática comunicacional questionadora, que leve em conta os interesses dos públicos e da sociedade. Relações Públicas e Excelência em Comunicação Uma constante preocupação de Margarida Kunsch ao longo de sua carreira, principalmente a partir de seu ingresso na pós-graduação, em 1979, tem sido analisar as relações públicas e a comunicação no contexto das organizações. Já naquela época via a necessidade de se pensar as relações públicas numa perspectiva mais ampla, considerando-as no conjunto da comunicação integrada nas organizações Na época, conforme relata, o tema não era objeto de estudos mais concretos na academia e, nas organizações, as relações públicas, o jornalismo empresarial, a assessoria de imprensa ainda cumpriam suas tarefas de forma estanque, sem uma preocupação maior quanto a uma união sinérgica de esforços entre setores da comunicação( KUNSCH, 1999). Diante das novas tendências que se vislumbravam no País com a retomada da democracia, Kunsch percebeu que o paradigma até então vigente, de uma visão restrita das relações públicas, era muito limitado e que a área estava perdendo terreno para outros segmentos. Assim foi que em 1985, defendeu a dissertação de mestrado centrada no planejamento das relações públicas na comunicação integrada. Seu objetivo era dar um enfoque moderno para as relações públicas, numa perspectiva integrada. Em 1991, durante a elaboração da tese de doutorado preocupou-se em aplicar os conceitos de comunicação integrada à universidade como uma organização que precisa difundir sua produção científica e melhor integrar com a sociedade. E, em 1996, com a tese de livre-docência procurou trabalha-los num contexto mais amplo, demonstrando as interfaces entre as relações públicas e a comunicação organizacional, analisando criticamente estas duas áreas no Brasil. A pesquisadora faz questão de mencionar que é muito difícil estudar e compreender os fundamentos teóricos das relações públicas e de sua práxis sem o conhecimento da abrangência da comunicação organizacional e das áreas afins. Dentro do espectro da comunicação integrada que tem defendido, a comunicação organizacional compreende o conjunto das modalidades praticadas dentro das organizações - a comunicação institucional, a comunicação mercadológica ou de marketing, a comunicação interna e a comunicação administrativa. Assim a entende no sentido amplo e abrangente, 8 conforme conceitos e práticas que, aos poucos, vêm sendo assimilados no contexto da realidade brasileira. Trata-se, na verdade, segundo ela, da comunicação corporativa, que no Brasil em grande parte ainda se chama de comunicação empresarial. Quanto a essa questão, a preferência de Margarida recai sobre o termo comunicação organizacional, que abrange todas as atividades comunicacionais, de maior amplitude, aplicando-se a qualquer tipo de organização pública, privada, sem fins lucrativos, ONGs, fundações etc.-, não se restringindo ao âmbito do que se denomina empresa. Já as relações públicas, a seu ver, têm como função essencial administrar e gerenciar, nas organizações, a comunicação com os diferentes públicos, com vistas à construção de uma identidade corporativa e de um conceito institucional positivo junto á opinião pública e á sociedade em geral. As relações públicas lidam com comportamentos, atitudes, conflitos e com a escolha de técnicas e instrumentos adequados de comunicação para encontrar saídas estratégicas institucionalmente positivas. Ou seja, trabalham com questões que dizem respeito á visibilidade interna e externa, bem como à construção da identidade corporativa das organizações. Um estudo sobre a bibliografia brasileira Em artigo na publicação Vinte Anos de Ciências da Comunicação no Brasil (LOPES, Maria Immacolata, V.de.,1999), Margarida Kunsch faz uma retrospectiva sobre o estudo da bibliografia brasileira nas áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional, tomando por base bibliografia e estudos disponíveis naquela data. Kunsch relata, por exempla, que até os anos 70, a bibliografia brasileira das áreas de relações públicas e comunicação organizacional concentrava-se mais em artigos. Na época não existia a publicação de livros, tendo o pioneirismo cabido a Cândido Teobaldo de Souza Andrade que, em 1962, lançou o primeiro livro brasileiro na área: Para entender relações públicas, no qual procurou sintetizar os principais conceitos da atividade, explicando afinal o que eram e faziam as relações públicas. A literatura utilizada até então era predominantemente estrangeira, com forte hegemonia norte-americana. Ela observa que um estudo realizado por Cicília K. Peruzzo e publicado pela Intercom, em 1982, faz uma revisão e uma análise crítica da produção em comunicação realizada no Brasil nas décadas de1960 e 1970. Na década de 1970, por exemplo, foram identificados 13 livros em relações públicas, a maioria manuais; duas teses de doutorado, uma de livre-docência e três dissertações de mestrado. Esses, na verdade, são os primeiros trabalhos com caráter de pesquisa acadêmico-científica do campo de relações públicas no Brasil . Em relação à comunicação organizacional, o estudo de Cicília Peruzzo , de acordo com Kunsch, demonstra que há predominância total das obras traduzidas, cuja temática é voltada para a 9 comunicação administrativa, fluxos e redes. A exceção, é um livro de autor nacional encontrado: o de Tereza Lúcia Halliday, editado pela editora Vozes em 1975. O destaque da década para essa área foi o pioneirismo de Gaudêncio Torquato que, em 1972, defendeu na ECA/USP, sua tese de doutorado, Comunicação na empresa e o jornalismo empresarial.. Na época era muito difícil alguém abordar, na universidade, um assunto dessa natureza, por ser visto como algo ligado ao capitalismo. Essa iniciativa acadêmica veio complementar um esforço iniciado no campo profissional com a criação da Aberje Associação Brasileira de Editores de Revistas e Jornais de Emrpesa, em 1967, hoje, Associação Brasileira de Comunicação Empresarial e da Proal Programação e Assessoria Editorial Ltda., em 1968. Na década de 1970, os Cadernos Proal , as apostilas de cursos da Aberje e o trabalho de Gaudêncio Torquato foram experiências concretas de uma primeira sistematização do campo da comunicação organizacional no Brasil. Margarida Kunsch observa ainda em seu artigo que um grande avanço técnico e científico das áreas de Relações Públicas e Comunicação Organizacional marcou a década de 1980. Aumenta consideravelmente o número de livros e dissertações de mestrado e teses de doutorado. Em termos de livros registram-se 18 de autores nacionais e dois traduzidos. Nota-sejá um avanço no sentido de se buscarem especializações para o campo das relações públicas. Assim, relações públicas na área governamental, planejamento, cerimonial, relações públicas nas empresas são temas freqüentemente explorados. O estudo sobre planejamento das relações públicas na comunicação integrada foi destaque na época, por representar uma tentativa de se buscar um maior fundamento teórico do assunto e também porque se vislumbrava uma nova visão da área em relação às demais da comunicação. A grande inovação ficou por conta do livro Relações Publicas no modo de produção capitalista, de Cicília Krohling Peruzzo. Foram identificadas no período três teses de doutorado e dezesseis dissertações de mestrado, entre a defendida por Margarida M. Kunsch, Planejamento de Relações Públicas em Função da Comunicação Organizacional Integrada. Começam a surgir temas como relações públicas no terceiro mundo, nos Estados Unidos, no Brasil, na América Latina, na área rural, na defesa do consumidor etc. A comunicação organizacional registra no período cinco livros, todos de autores nacionais. O destaque fica por conta da publicação do livro de Gaudêncio Torquato. Pela primeira vez surgem duas obras enfatizando o marketing e a comunicação, de J.B.Pinho e Daniel Galindo. Pelo levantamento feito, a maioria dos livros novos surgiu a partir de 1995. Intercom 10 A Intercom Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, ao longo de sua trajetória tem exercido importante papel no processo de desenvolvimento da pesquisa em comunicação no Brasil. Em 1984, Margarida Kunsch começou a participar de forma mais efetiva da vida da entidade, e, como diretora cultural da gestão da presidente Anamaria Fadul, procurou integrar as áreas de relações públicas e de comunicação organizacional no rol de suas atividades, incluindo-as numa sessão da revista da entidade, na programação dos cursos e nos eventos paralelos dos congressos anuais. Durante sua primeira gestão como presidente da Intercom (1987-1989), realizou-se, em 1988, na Universidade federal de Viçosa, o XI Congresso Brasileiro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, oportunidade em que foi promovido o I Simpósio Brasileiro de Relações Públicas, coordenado por Ivone Lourdes de Oliveira, da PUC-MG. Seu objetivo principal foi refletir sobre o papel das relações públicas no mundo, com destaque para a necessidade de uma nova reciclagem em todos os níveis para atender a demanda da sociedade. O II Simpósio Brasileiro de Relações Públicas realizou-se em 1989, durante o XII Congresso Brasileiro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, em Florianópolis, na Universidade Federal de Santa Catarina, cujo tema principal foi Indústrias Culturais e os Desafios da Integração Latino- americana. Em 1991, Margarida retorna à presidência da Intercom. Naquele momento a entidade estava criando seus Grupos de Trabalho (GTs) Margarida convida Sidinéia Gomes Freitas, da ECA/USP, e Tereza Lúcia Halliday, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, para coordenarem, respectivamente, o GT de Relações Públicas e o GT de Comunicação Organizacional. A primeira reunião desses GTs foi levada a efeito durante o XV Congresso Brasileiro de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, em 1992. À frente da diretoria da Intercom ainda elaborou projetos para financiamento de eventos científicos e publicações, junto às agências de fomento, e para a Port-Com (Centro de Documentação da Documentação nos Países de Língua Portuguesa), da Intercom; viabilizou, em parceria com escolas e universidades, inúmeras atividades ligadas à comunicação, como os simpósios regionais de pesquisa e os congressos brasileiros de ciências da comunicação, e efetivou parcerias com associações internacionais de comunicação. Alaic Desde 1989, Margarida Kunsch participa ativamente das iniciativas da Asociación Latino- americana de Investigadores de la Comunicación - Alaic, principalmente na produção de publicações. Como presidente da entidade (1998-2001/2002-2005) tem conduzido trabalhos tanto na área 11 administrativa, quanto acadêmica, produzindo, coordenando ou acompanhando as atividades relacionadas à construção do site da Alaic, a edição do Boletim Eletrônico Alaic, aos GTs ALAIC, bem como a coordenação científica dos congressos bi-anuais. Tendências da produção científica em relações públicas Uma das preocupações de Margarida Kunsch na carreira acadêmica diz respeito ao compromisso social da produção científica gerada por um pesquisador. Tanto que se constituiu em um dos objetos de estudo de seu doutorado no qual defendeu a necessidade de a universidade, como centro de produção sistematizada do conhecimento, canalizar suas potencialidades no sentido de contribuir para o aperfeiçoamento da vida social. Revigorar, por meio da comunicação os seus programas de natureza científica e cultural, procurando irradiar junto à opinião pública o saber e os progressos, os debates e as discussões que gera nas áreas de ciência, tecnologia, letras e artes. Com programas comunicacionais baseados na produção científica bem elaborada, é possível à universidade manter ou recuperar sua real dimensão e o seu papel no quadro das transformações por que passa o Brasil e o mundo (Kunsch, 1992). Em sua tese de doutorado, Universidade e comunicação na edificação da sociedade apresentada à ECA-USP em 1991 e publicada em 1992 pela Loyola com o mesmo título, Margarida Kunsch defende que a universidade tem de ter um serviço de comunicação integrada, com um centro de comunicação científica para difundir a produção do conhecimento junto à sociedade . Com essa visão, ela tem procurado dedicar parte das pesquisas dos últimos anos a levantar, mapear e indexar os registros bibliográficos das áreas de relações públicas e de comunicação organizacional no Brasil. Procura com esta iniciativa descobrir não só qual é o estado da arte desses campos do saber, mas sobretudo contribuir para a democratização dessa produção e para a construção de um saber novo. Ao optar pela coordenação e organização de levantamentos bibliográficos específicos de relações públicas e comunicação organizacional, ela já havia acumulado certa experiência no estudo da produção científica em comunicação. Como presidente da Intercom (1987-1989; 1991-1993), uma de suas iniciativas foi a viabilização do Portcom - Centro de Documentação dos Países de Língua Portuguesa, órgão ligado à entidade. O caminho que encontrou, conforme dito anteriormente, foi desenvolver projetos apoiados pelo CNPq- Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico. Com isso, por meio de concessão de bolsas de iniciação científica foi possível, junto com as pesquisadoras Ada de Freitas Dencker e Regina Keilo F. Amaro, não só alimentar a Portdata Base de Dados Brasileira de Políticas de Comunicação, do Portcom, mas também produzir bibliografias 12 correntes, como por exemplo o livro Produção Científica Brasileira em Comunicação década de 80: análises,tendências e perspectivas (Kunsch e Dencker, 1997). Seguindo os passos de um pioneiro O trabalho pioneiro sobre obras referenciais de relações públicas no Brasil foi realizado por Cândido Teobaldo de Sousa Andrade. Sua preocupação em registrar tudo o que era publicado e as novas teses e os livros que surgiam, impressionaram Kunsch, desde o seu ingresso na pós graduação da ECA-USP, em 1979. Com ele, seu mestre e orientador, aprendeu a valorizar a documentação da produção científica . As primeiras bibliografias da área foram produzidas sob a coordenação do professor Teobaldo e publicadas pela ABRP Associação Brasileira de Relações Públicas, em parceria com universidades e empresas, surgindo assim, por exemplo, o GuiaBrasileiro de Relações Públicas. Essas obras de referência contém registros de livros, teses, artigos, opúsculos e apostilas sobre relações públicas e opinião pública Prosseguir com esse trabalho e ao mesmo tempo ampliá-lo, incluindo também a área de comunicação organizacional e a síntese dos produtos, foi uma das grandes iniciativas de Margarida Kunsch a partir de 1990, quando o incluiu como parte de projeto de pesquisa mais amplo, financiado pelo CNPq e conduzido no período de 1993 a 1995, sobre A contribuição das relações públicas para o avanço da comunicação organizacional no Brasil. Com o apoio da ECA-USP e do CNpq, por meio de bolsas de iniciação cientifica, foi possível a Margarida realizar o levantamento e o registro bibliográfico com Abstracts do conhecimento produzido sobre relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública durante o período de 1950 a 1995. Todo o material levantado permitiu a produção da Bibliografia brasileira de relações públicas, comunicação empresarial e opinião pública, 1950-1995 (Kunsch, 1995) que reúne 1049 registros bibliográficos da produção técnico-científica dessas áreas, entre livros (157), dissertações de mestrado (59), teses de doutorado e livre-docência(24), além de comunicações em congressos, obras de referência, artigos em catálogos, revistas e jornais. Uniex Com o objetivo de dar continuidade a esse trabalho, Kunsch realizou estudos semelhantes por meio de um outro projeto conduzido de 1999 a 2001, também vinculado à ECA-USP e com o apoio do CNPq. O projeto, intitulado A comunciação organizacional como um campo acadêmico de estudos: análise da situação ibero-americana, compreendeu uma pesquisa junto aos cursos de pós-graduação em Comunicação Social nos países latino-americanos. Além disso também gerou as bases Uniex - 13 Base de Dados de Produção Científica em Relações Públicas e Comunicação organizacional no Brasil; Espec - Base de dados de Artigos sobre Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil em Publicações Especializadas; e Unites Base de Dados de Teses em Relações Públicas e Comunicação Organizacional no Brasil. A partir do registro bibliográfico, com abstracts obteve-se uma seleção de livros, teses, dissertações de mestrado e artigos publicados de 1950 a 2000. Os Campos científicos de relações Públicas e Comunicação Organizacional: tendências e perspectivas Relações Públicas e Comunicação Organizacional como áreas de conhecimento se inserem no âmbito das Ciências da Comunicação e das Ciências Sociais aplicadas. Estudos realizados tanto no âmbito acadêmico quanto na esfera do mercado profissional têm sinalizado que as interfaces entre relações públicas e a comunicação organizacional são uma realidade do Brasil (Kunsch, 1997). Em artigo publicado na Revista Comunicação & Sociedade (2003) Margarida Kunsch explica que as Relações Públicas trabalham basicamente com organizações e públicos e que todo esse processo mediador só é possível acontecer com e por meio da comunicação. Nesse contexto, a comunicação organizacional, como campo acadêmico de estudos, dará subsídios teóricos para fundamentar a prática da atividade na administração dos relacionamentos entre organizações e públicos, além do suporte de outras ciências. A pesquisadora buscou com seu trabalho refletir sobre o campo científico dessas duas áreas do conhecimento, a partir de uma produção de saber já estocado. Acredita-se que autoridade científica e competência científica só se adquirem a partir de muita pesquisa, muita caminhada e por meio de constantes buscas de uma epistemologia da ciência. E nesse caso específico, pelo estudo crítico da produção do conhecimento de relações Públicas e Comunicação Organizacional. Para ela, Relações Públicas e a Comunicação Organizacional são áreas que ainda não ocupam um lugar merecido nos diversos cursos de pós-graduação em Comunicação Social no Brasil. Observa que isso se dá, sobretudo, porque ainda não há número suficiente de professores qualificados e com produção de literatura cinzenta sobre essa áreas do conhecimento ou porque ainda há universidades que simplesmente ignoram as possibilidades e a abrangência desse campo científico e da contribuição que ele poderia dar à sociedade. O estudo realizado por Kunsch demonstrou uma forte simbiose entre conceitos e práticas profissionais, o que, na sua visão significa que a academia tem buscado sistematizar as suas reflexões a partir do fazer cotidiano das organizações. Kunsch afirma que as perspectivas são bastante promissoras e a tendência é de crescimento e de maior produtividade nesses campos de estudos. Ressalta ainda que pelo que tem acompanhado das teses de doutorado e dissertações que vêm sendo defendidas de 2000 14 até o início deste ano (2003), tem havido um bom progresso. Esses trabalham sinalizam uma produção mais inovadora, com pesquisas empíricas e reflexões teóricas com mais rigor metodológico e científico. Planejamento das Relações Públicas na Comunicação Integrada Em seu livro Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada,, 4ª edição, revisada, atualizada e ampliada (2003), lançado recentemente, Margarida Kunsch deixa claro que o planejamento de relações públicas tem de se apoiar em fundamentos teóricos sobre as organizações, a administração, a comunicação e sobretudo, sobre a própria área. Procura reforçar o posicionamento estratégico das relações públicas, como um campo das ciências da comunicação, com teorias próprias, que desempenha funções essenciais e específicas nas organizações. Busca ainda demonstrar que o planejamento é um exercício com bases científicas e técnicas, não podendo ser visto como algo puramente mecânico ou uma fórmula de preparar planos Compreender o universo das organizações, diferenciando-as das instituições, analisando suas tipologias, características, arquitetura organizacional, situando-as nos contexto da contemporaneidade, para depois inserir a comunicação e as relações públicas, foram, enfim, seus objetivos iniciais ao elaborar o referido trabalho. A conscientização cada vez maior das organizações quanto à sua responsabilidade social e o fortalecimento crescente do terceiro setor no país são itens que ela também dá especial atenção. Relações Públicas: administrando a comunicação Para que as relações públicas possam planejar e administrar a comunicação entre as organizações e os seus públicos, um dos pontos de partida é considerar como se processa essa mesma comunicação no cotidiano organizacional. Por isso Kunsch estuda aspectos relacionados com o sistema e funcionamento da comunicação neste âmbito, examinando seu processo, as barreiras, os níveis de análise, as redes informal e formal, os fluxos e os meios, valendo-se para tanto, dos estudos de teoria da comunicação e de comunicação organizacional. Para ela, em pleno início do terceiro milênio, chegou o momento de as relações públicas, no Brasil, assumirem uma posição estratégica como campo acadêmico e profissional. A área constitui um subsistema organizacional, que deve atuar no contexto institucional das organizações, assim como o marketing está à frente do contexto mercadológico, e exercer suas funções essenciais e específicas fundamentadas teórica e tecnicamente. Por isso, Margarida defende a importância de a área de relações públicas se valer das teorias já testadas, para imprimir um caráter científico e estratégico às suas atividades nas organizações. O mercado existe e as possibilidades são inúmeras, sobretudo na 15 sociedade contemporânea, quando as organizações têm de se responsabilizar por seus atos perante os públicos, a opinião pública e a sociedade. Mais do que nunca as organizações precisam planejar estrategicamente suacomunicação, para realizar efetivos relacionamentos. Atender a essas novas demandas dependerá, segundo Kunsch, da capacitação e da agressividade dos seus agentes, ou seja. dos profissionais de relações públicas. Comunicação Integrada A questão da comunicação integrada já foi abordada por Margarida Kunsch por diversas vezes em publicações, conferências, sendo, inclusive objeto de teses de pós-graduação defendidas na ECA- USP e transformadas em livros (Kunsch, 1992, 1995, 1997.) Sua maior preocupação sempre foi demonstrar que a comunicação integrada precisa ser entendida como uma filosofia capaz de nortear e orientar toda a comunicação gerada na organização. Outro ponto defendido por ela é a necessidade de se considerar que as relações públicas têm que atuar no contexto dessa comunicação integrada. E Kunsch vai além: as organizações devem ter entre os objetivos de comunicação o de buscar o equilíbrio entre os seus interesses e os dos públicos a elas vinculados. Esses objetivos só serão alcançados se a comunicação for planejada de forma estratégica, utilizando técnicas de relacionamentos e meios específicos, devidamente selecionados, e integrando todas as atividades comunicacionais, dentro de um filosofia de comunicação organizacional integrada. A importância da comunicação integrada reside principalmente no fato de ela permitir que se estabeleça, em função de uma coerência maior entre os diversos programas comunicacionais, de uma linguagem comum de todos os setores e de um comportamento organizacional homogêneo, além de se evitarem sobreposição de tarefas. Como um sistema integrado, os diversos setores comunicacionais de uma organização trabalham de forma conjunta, tendo ante os olhos os objetivos gerais específicos de cada setor. Trata-se de uma gestão coordenada e sinérgica dos esforços humanos e organizacionais. Já na primeira edição do livro Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada (1986), Margarida Kunsch apresentava o planejamento de relações públicas com visão integrativa, estratégia para se chegar a uma administração dessa comunicação. Já dizia, por exemplo, que não se podia separar a comunicação institucional e a comunicação mercadológica, o produto e o serviço. Mais do que recusar a visão estreita e soberba de supostas exigências de autonomias entre as áreas em contraposição à interdependência de todos os fazeres ,era necessária uma visão organizativa geral da comunicação, que seria obtida por meio de um planejamento que integrasse as diferentes áreas da comunicação em uma ação coordenada e focada no negócio da empresa. E destinava aos relações- públicas a liderança nesta tarefa. 16 Relações públicas, na essência, nada mais são do que a administração dos processos envolvendo a comunicação da organização com os seus diferentes públicos Isto pressupõe, como propõe Margarida Kunsch, seu envolvimento direto no planejamento que articule todas as funções relacionadas com comunicação. A execução dessa tarefa exige o envolvimento de profissionais de habilidades específicas trabalhando em conjunto com o mesmo objetivo. Ao conseguir isto as relações públicas fortalecem a importância singular das áreas por meio do suporte sistêmico que cada uma recebe das demais, criando uma natural sinergia. O impasse entretanto fica claro: a teoria de relações públicas fornece a base filosófica, metodológica e instrumental para planejar a comunicação integrada e executar as próprias relações públicas, uma dupla tarefa. Relações Públicas é ao mesmo tempo parte e todo. (Duarte, 2003). Bibliografia Selecionada de Margarida Kunsch 1. Livros Completos Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada. Edição revista, ampliada e atualizada. São Paulo: Summus, 2003. Universidade e Comunicação na Edificação da Sociedade. São Paulo, Loyola, 1992. Relações Públicas e Modernidade: Novos Paradigmas na Comunicação Organizacional. São Paulo, Summus, 1997 (2a. ed. 1999). 2. Coletâneas Comunicação e Educação: Caminhos Cruzados. São Paulo, Loyola/AEC do Brasil, 1986. A Pesquisa Brasileira da Comunicação dos Anos 80 e a Contribuição da Intercom. São Paulo, Intercom/CNPq, 1988, 212 pp. Anais do simpósio sobre o mesmo tema. Comunicação, Democracia e Cultura. São Paulo, Loyola/Intercom, 1989. Em conjunto com Francisco Assis Fernandes. O Ensino da Comunicação: Análises, Tendências e Perspectivas. São Paulo, ECA- USP/Abecom/Felafacs,1992. As Indústrias Culturais e os Desafios da Integração Latino-Americana. São Paulo, Intercom, 1993. Comunicação e Meio Ambiente. São Bernardo do Campo, Universidade Metodista de São Paulo / Intercom, 1996. Em conjunto com Ada de Freitas M. Dencker. Obtendo Resultados com Relações Públicas. São Paulo, Pioneira, 1997, 17 Produção Científica Brasileira em Comunicação na Década de 1980: Análises, Tendências, Perspectivas. São Paulo, Edicon / Intercom, 1997. Em conjunto com Ada de Freitas Maneti Dencker. Prólogo. In: CIMADEVILLA, Gustavo (comp). Comunicación, Tecnología y Desarrollo - discusiones y perspectivas desde el sur. Río Cuarto, Argentina: Universiad Nacional de Río Cuarto, 2002, pág. VII VIII. Capítulos de Livros Um desafio à Ação Conjugada. In: KUNSCH, Margarida M. Krohling. (org.). Relações Públicas: a Trajetória de Cândido Teobaldo de Souza Andrade. São Paulo, ECA-USP, 1990, pp. 55-57. Relatório do IV Encontro Ibero-americano de comunicação. In: MARQUES DE MELO, José (coord.). Ibero-América: Integração e Comunicação. São Paulo, ECA-USP, 1990, pp. 55-57. "Communication Planning in Modern Organization. In MARQUES DE MELO, José (org.). Communication and Democracy: Brazilian Perspectives. São Paulo, ECA-USP, 1991, pp. 75-83. Pesquisa em Comunicação no Brasil: Os Desafios dos Anos 90. In: MIGNOT-LEFEBVRE, Yvonne e KUNSCH, Margarida Maria Krohling (orgs.). France-Brésil: Recherches Colloques Franco-Brésiliens. Créteil/France, SFSIC e Dept. des Technologies de Multimédia de la Université Paris XII, 1994, pp. 11-21. Fluxos informativos e Culturais entre a América Latina e a Europa Ibérica. In: PARES I MAICAS, Manuel (org.). Cultura y Comunicación Social: América Latina y Europa Ibérica. Barcelona, Universitat Autónoma de Barcelona y Generalitat de Catalunya, 1994, pp. 117-135. A Comunicação Integrada nas Organizações Modernas: Avanços e Perspectivas no Brasil. In: CORREA, Tupã Gomes (org.). Comunicação para o Mercado: Instituições, Mercado, Publicidade. São Paulo, Edicon, 1995, p. 87-99. A Comunicação para o Desenvolvimento Sustentável na Sociedade Globalizada. In: DENCKER, Ada de Freitas Maneti e KUNSCH, Margarida M. Krohling (orgs.). Comunicação e Meio Ambiente. São Bernardo do Campo, Universidade Metodista de São Paulo e Intercom, 1996, pp. 113-122. A Influência de Luis Ramiro Beltrán nos Estudos Latino-Americanos sobre as Políticas Nacionais de Comunicação. In: MARQUES DE MELO, José e BRITTES, Juçara Gorski (orgs.). A Trajetória Comunicacional de Luiz Ramiro Beltrán. São Bernardo do Campo, Unesco/Universidade Metodista de São Paulo, 1998, pp. 57-61. 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Santos: Universidade Santa Cicília, 1999, pag. 137-159. Referencias Bibliográficas DUARTE, Jorge A. M. Clássico Revisto e Revitalizado. São Bernardo do Campo, SP: Umesp, 2003. No prelo. Resenha do Livro Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada, a ser publicada na revista Comunicação & Sociedade. KUNSCH, Margarida M. Krohling. A Pesquisa Acadêmico-científica no Campo das Relações Púbicas e da Comunicação Organizacional no Brasil. In: LOPES, Maria Immaculata Vassallo De (ORG). Vinte Anos de Ciências da Comunicação no Brasil: Avaliação de Perspertivas. Universidade Santa Cecília/Intercom, Santos 1999, pp 137-159. KUNSCH, Margarida M. Krohling. Relações Públicas e Modernidade: Novos Paradigmas na Comunicação Organizacional. São Paulo, Sumus, 1997 (2ª ed.1999). KUNSCH, Margarida M. Krohling. Obtendo Resultados com Relações Públicas. São Paulo, Pioneira 1997. KUNSCH, Margarida M. Krohling. Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada. 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