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Apostila de Fungos

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MICOLOGIA 
 O termo Micologia é derivado do grego mykes = fungos + logos = estudo. Logo 
Micologia é o estudo dos fungos. 
FUNGOS 
Os fungos apresentam uma imensa diversidade genética e desempenham funções únicas e 
cruciais na manutenção de ecossistemas, como componentes fundamentais de cadeias 
alimentares e ciclos biogeoquímicos. 
A diversidade genética e metabólica dos fungos tem sido explorada há muitos anos 
visando a obtenção de produtos biotecnológicos, tais como a produção de antibióticos 
(penicilina, etc.), de alimentos (cogumelos, etc.), processamento de alimentos (queijo, yogurte, 
vinagre, etc.), bebidas alcoólicas (vinho, cerveja, etc.), ácidos orgânicos (cítrico e fumárico), 
álcoois (etanol), alimentos fermentados (molho de soja), tratamento e/ou remediação de resíduos 
(esgotos domésticos, lixo), na agricultura: fertilização de solos (fixação biológica de nitrogênio), 
controle biológico de pragas e doenças (controle da lagarta da soja, da cigarrinha da cana de 
açúcar, fitopatógenos como Rhizoctonia e outros). 
 No grupo dos fungos estão incluídos os seres que apresentam algumas características 
peculiares, que por isso fazem parte de um reino individual: 
• São eucariontes, aclorofilados, uni ou pluricelulares, heterotróficos (nutrição 
por absorção); 
• Alguns são sapróbios, parasitas, simbiontes; 
• Apresentam o “corpo” constituído por filamentos, chamados hifas, e a união 
dessas hifas forma o que chamamos de micélio; 
• As hifas podem ser septadas ou cenocíticas (sem septo); 
• A reprodução pode ser sexuada e assexuada (esporos assexuados na maioria 
das vezes); 
• Possuem o glicogênio como fonte de reserva e energia; 
• Podem ser encontrados habitando os mais variados lugares (água, solo, ar, 
excrementos) 
• A parede celular é constituída por quitina e/ou celulose, alem de outros 
compostos. 
 
 
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ESTRUTURA SOMÁTICA DOS FUNGOS: 
 
HIFAS E DIFERENCIAÇÕES DAS HIFAS 
 
 A parte somática dos fungos (hifas) tem as funções de absorção, assimilação, fixação e 
as vezes de reprodução. Ao conjunto de hifas dá-se o nome de Micélio. Uma hifa geralmente 
tem origem de um esporo, que ao germinar emite tubos germinativos, que crescem originado a 
hifa. 
 A hifa pode ser cenocítica (sem septo) ou septada. O septo simples é formado por uma 
invaginação da parede celular e o septo complexo é caracterizado pela formação da ansa ou 
grampo de conexão. Nos fungos com micélio septado, existem os poros, que permitem uma 
contínua conexão entre as células adjacentes. Estes poros podem ser simples ou complexo 
(Doliporo), o poro doliporo, freqüentemente é encontrado nos Basidiomycota, possui um 
aparato central que corresponde a uma dilatação em forma de barril, rodeada por uma membrana 
perfurada ou não. 
 Nos fungos unicelulares, pode ocorrer células brotantes que permanecem unidas e 
depois podem se dissociar. Dá-se o nome de pseudomicélio a cadeia de células brotantes 
encontradas em alguns fungos como as leveduras. 
 De acordo com as funções desempenhadas pelas hifas, as mesmas podem sofres 
transformações, formando estruturas especializadas como: 
 
1) Quanto ao desenvolvimento 
• Artrosporo – são elementos vegetativos de propagação formados pela fragmentação do 
micélio. Cada fragmento se comporta como um esporo. 
• Blastosporo – são formados pela brotação da hifa, a parede celular sofre uma 
evaginação. 
 
2) Quanto à resistência 
• Clamidósporo – a hifa sofre um espessamento da parede tornando-se arredondada, se 
comportando como esporo de resistência. Em condições favoráveis o clamidósporo 
germina formando um novo micélio. 
• Esclerócio – são estruturas de resistência geralmente arredondadas formadas pelo 
entrelaçamento de hifas de parede espessa, formando um pseudoparênquima. Os 
esclerócios resistem às condições desfavoráveis do ambiente podendo permanecer 
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latentes por longos períodos, germinado quando as condições se tornam favoráveis, 
originando o micélio ou frutificações. 
 
3) Quanto à disseminação 
• Estolões – são hifas que se elevam por cima dos substratos e em seguida entram 
novamente em contato com o substrato a certa distância do ponto de partida. Estas hifas 
ligam grupos de rizóides e esporângios, são destinadas a disseminação da espécie sobre o 
substrato. 
 
4) Quanto à nutrição e fixação 
• Rizóides - são filamentos semelhantes a raízes de plantas superiores e ocorrem em 
fungos saprófitas, são destinadas à absorção e fixação. 
• Haustórios – prolongamentos das hifas que penetram na célula do hospedeiro para obter 
alimento ocorrem em fungos parasitas. 
 
5) Quanto à fixação 
• Apressório – estrutura de fixação que se origina de um alongamento da hifa, formando 
hifas laterais curtas e especializadas que penetram na célula da epiderme do hospedeiro. 
• Hifopódio – são expansões laterais do micélio, quando os apressórios se dispõem de uma 
forma regular e constante, se denominam hifopódios. 
 
6) Quanto à condução e sustentação 
• Rizomorfa – são hifas somáticas que se reúnem paralelamente podendo se entrelaçar 
umas as outras frouxamente ou ligarem-se intimamente. As rizomorfas são resistentes as 
condições do ambiente e permanecem latentes até as condições se tornarem favoráveis. 
As rizomorfas de alguns Basidiomycota conseguem atravessar substratos duros como 
muros. 
 
7) Pletênquima – são “tecidos” fúngicos formados pelo entrelaçamento, frouxo ou compacto do 
micélio. O pletênquima pode ser de dois tipos: 
• Prosênquima – quando o micélio está frouxamente entrelaçado e as hifas estão mais ou 
menos paralela umas as outras. 
• Pseudoparênquima – quando o micélio está densamente agregado e as hifas perdem a 
individualidade. O prosênquima e o pseudoparênquima formam parte de vários tipos de 
estruturas somáticas e reprodutoras de fungos. Ex. o estroma é uma estrutura compacta, 
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sobre o qual ou dentro do qual podem forma-se órgãos frutíferos. O esclerócio é formado 
por pseudoparênquima. 
 
ESTRUTURAS REPRODUTIVAS DOS FUNGOS: 
ESPOROS E ESPORÓFOROS 
 
 O esporo é a unidade de propagação dos fungos, eles podem ser uni ou multicelulares, 
uni ou multi nucleados e podem ser liberados de forma ativa ou passiva. São dispersos pelo 
vento, água e pelos animais. Os esporos são constituídos de membrana, citoplasma e núcleo. A 
germinação pode ocorrer por um ou mais pólos, por onde sai a massa citoplasmática, originado o 
tudo germinativo ou pró-micélio. 
 
Origem: 
• Assexuada – originados de estruturas somáticas 
• Sexuada – formados pela união de células indiferenciadas ou de corpos diferenciados 
que tem caráter de sexualidade. 
 
 Os esporos multicelulares são divididos por septos transversais e/ou longitudinais. Os 
esporos podem ser móveis (flagelados) ou não móveis (aplanósporos), a parede pode ser espessa 
ou delgada, hialina ou colorida, lisa ou ornamentada, com cílios ou apêndices simples ou 
ramificado. 
 
Quanto à forma: 
• Esféricos, Ovalados, Piriformes, Elipsóides, Cilídricos, Falcados, Fusiformes 
 
 
 
 
 
ESPOROS DE ORIGEM ASSEXUADA 
 
• Artrósporos – formados pela fragmentação do micélio, cada fragmento se comporta 
como esporo. 
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• Blastosporos – células formadas pela gemação ou brotação de células somáticas em que 
há uma evaginação da parede e membrana da célula mãe, originando o broto (ocorre nas 
leveduras). 
• Conídios – esporos produzidos por esporóforos denominados conidióforos. 
• Esporangiosporos – são formados no interior de hifas diferenciadas de forma globosa, 
denominadas esporângios. 
• Zoósporos – são esporos móveis, flagelados, originados no interior de zoosporângios.