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UVIR
- _ . Laboratório de Mecânica de Precisão
Universidade Federal de Santa Catarina
Departamento de Engenharia Mecânica
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Florianópolis/SC - 88.010-970
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Tecnologia da Usinagem com Ferramentas
de Corte de Geometria Definida - Parte 1
Traduzido e adaptado por Prof. Dr. Eng. Rolf Bertrand Schroeter e Prof. Dr.-lng. Walter Lindolfo
Weingaertner do livro "Fertigungsverfahren — Drehen, Bohren, Frãsen",
. de Prof. Dr.-lng. Dr. h.cmult. Wilfried Kõnig e Prof. Dr.-lng. Fritz Klocke.
Proibida a reprodução sem autorização dos autores e tradutores.
Prof.. Dr. Eng. Rolf Bertrand Schroeter
Prof. Dr.- lng. Walter Lindolfo Weingaertner
Florianópolis, Março de 2002
2
Prefácio para o Compêndio "Processos de Fabricação"
Funções chaves para a qualidade e a produção económica são a escolha do '
processo e a sequência de produção na fabricação. A tecnologia dos processos de
fabricação é uma das ferramentas, básicas para o engenheiro de fabricação.
Também o engenheiro de projeto deve ter experiência ftesta área, visto que no
profeto inicía-se a definição dos custos de produção. Entretanto o estudante/ bem
como o profissional da área, está diante de uma lacuna de informações. Até o .
momento não existia uma publicação que abrangesse todos os processos -de
fabricação eque tivesse como orientação principal--a'tecnologia de fabricação, -
Para preencher esta lacuna, os volumes publicados pretendem apresentar as
características dos principais processos de fabricação - com e :sem remoção da
cavacos - tanto através da apresentação dos princípios dos processos quanto na
explicação dos fenómenos a eles relacionados, quando isto for necessário. • •
Os elementos de máquina, acionamentos e de comandos- são amplamente
abordads nos livros de M . Weck, sob o título "Máquinas-Ferramentas". Questões
económicas, assim como a otimização da situação de máquinas no processo de
fabricação, são tratadas, por W.. Eversheím nos volumes "Organização na Técnica, de
Produção".
A subdivisão do trabalho "Processos de Fabricação" nos seguintes volumes:
Volume 1 - Tornear; Fresar, Furar. - '
Volume 2 - RetifícaçãOj; Brunimento, Lapidação.
Volume 3 — Remoção e- Geração.
Volume'4 - Conformarão Maciça.
Volume 5—Trabalho em Chapas,
compreende grupos de processos com 'princípios semelhantes.. ..
Na área da técnica de conformação fo i feita uma divisão com relação ao tipo de
peça abordada na discussão. No primeiro livro é apresentado um capítulo, sobre
tolerâncias de fabricação e questões metrológicas na tecnologia de fabricação.
Procurou-se apresentar, em cada volume, os processos de fabricação de uma forma
enciclopédica. A estrutura lógica e didática parte do princípio de um processo de
fabricação e dele deduz a solicitação da ferramenta e consequentemente permitirá ao
r
leitor deduzir a solicitação de ferramentas compostas. Só então é feita a abordagem e
divisão ení. processos de fabricação isolados..
A_sequêncía de livros aqui apresentada pretende-, em primeiro lugar, orientar os
novos engenheiros na área de fabricação e profeta A eles é apresentada a tecnologia
dos processos de fabricação. Entretanto hão apenas o engenheiro é visado por este
trabalho, mas também o prático ou o técnico, que poderão renovar ou ampliar seus
conhecimentos através destes livros. A multiplicidade dos problemas de fabricação é
tão grande como a diversidade dos produtos, de forma que nem todos os problemas
poderão ser solucionados como mostrado nestes livros. Desejamos, com os mesmos,
oferecer aos leitores os pontos de partida com os quais estes possam, através da
dedução e das ferramentas de engenharia, ter sucesso na solução de seus problemas.
Aachen, agosto de 1997 Wllfríed Koníg
Frite Khcke
4
Prefác io pa ra o V o l u m e 1 ' T o r n e a r , Fresar, Fu ra r "
'Os processos de-fabricação com remoção de cavaco com ferra mentas de
geometria de corte definida sempre foram e continuam sendo os principais processos
de fabricação, principalmente na produção de peças unitárias'e pequenas, séries,
devido aos grandes volumes de material que podem ser removidos por unidade de
tempo e à grande flexibilidade destes processos.
Partindo dos aspectos comuns entre os diversos processos de fabricação com
ferramenta de corte de geometria definida e suas variações, este l?vro"inicia!merrfe trata
dos fenómenos que ocorrem no gume da ferramenta durante a usinagem e das
solicitações sobre a ferramenta decorrentes destes processos. A partir daí são
abordadas as propriedades necessárias aos materiais de ferramentas "de corte, bem
como aspectos de sua fabricação e aplicações mais usuais.
Um capítulo específico sobre a usinabílidade dos principais materiais dá ao leitor
o conhecimento necessário para o domínio de problemas de usinagem na prática. O v>
conhecimento da-interdependência entre material da peça, material da ferramenta e
de parâmetros de usinagem forma a base para que se possa eferuar alterações no
processo de usinagem com vistas a um aumento na produtividade e permitem definir,
no estado de profefo, reduções consideráveis dos problemas, de usinagem e custos de ^
fabricação. ^
Finalmente são discutidos aspectos sobre a tecnologia dos seguintes processos de
fabricação: torneamento, fresamento, furacão, brochamento, aplaínamenío,
serramenfo e suas variantes de processo. Estes processos são analisados quanto às
suas principais características gerais, bem como características tecnológicas espedficas
e de ferramentas.
Este livro é baseado-na preleção 'Tecnologia de Fabricação i, II", bem como dos
exercícios referentes ao tema e que são apresentados na RVvTH-Universidade Técnica
de Aachen, Alemanha.
A quinta edição fo i refrabalhada, e o capítulo referente às técnicas de medição foi
reestruturado, de modo a abordar com maior profundidade exigências metrológicas
nos processos de fabricação. Também foram observados os desenvolvimentos na área
de monitoramento de processos e na área de usinagem dura e a seco. O capítulo de
5
materiais de corte e ferramentas de corte foi reescrita e adaptado às novas normas
vigentes, bem como foram profundamente discutidos aspectos. relacionados ao
emprego e às características de revestimentos de-ferramentas.
Por sua colaboração na elaboração deste livro agradecemos aos nossos
assistentes, os senhores Dípl.-lng. M. Vullers, Dipl.-lng. C. Kopialka, Dipl.-lng. W.
Severt, Dipl.-lng. N. Winands, Dipl.-lng. J. Liermann, Dípl.-lng. M. Rehse, Dipl.-lng. M.
Failbõhmer, Dipl.-lng. V. Zinkann, Dípl.-lng. G . Eisenbtãtter, Dipl.-lng. K. Gerschwiller, -
Dipl.-lng. R. Fritsch, Dipl.-lng. M. Fieber, Dr.-lng. A. Neises, bem como o Dípl.-lng. M.
Pôhfs, também responsável pela coordenação dos trabalhos para elaboração deste
livro.
Agradecemos também aos muitos ex-assísfentes que- trabalharam na elaboração
da primeira edição e agora ocupam posições de destaque na Indústria.
Nosso agradecimento vale, da mesma forma, para todos os colaboradoras e
colaboradores de área de metalografia e parte técnica, assim como à Editora
Springer-Verlag pelo. apoio à elaboração e publicação deste livro.
Aachen, agosto de 1997 • Wílfried Kõnig
Fritz Klocke
6
índ ice •
Parte !
Simbologia 14
1 Introdução 19
2 Precisão Dimensional e Tecnologia^ de Medição de Peças „ 22
2.1 Exigências de precisão 22
2.2 Erros--geométricos de fabricação..- -22
2.2.1 Erros de forma 23
2.2.2 Erros de dimensão 24
2.2.3 Erros.de posição , 25
2.2.4 Rugosidade..., 26
2.3 Técnica de medição 32
2.3.1 Embasamento32
2.3.2 Princípios de medição . 35
2.3.3. Erros de medição - 44
2.3.4 Instrumentos de medição para a verificação de comprimento
e erros de fo rma • 46
2.3.5 Processos e equipamentos para a determinação da qualidade
de superfícies técnicas 6 2
3 Fundamentos de Usinagem 79
3.1 Definições básicas — "... — 79
3.T.1 Movimentos ; 79
3.1.2 Direções dos movimentos •- - 80
3.1.3 Velocidades ' 82
3.1.4-Grandezas de corte 8 2
3 .2 Noções sobre geometria de ferramentas de corte 84
3.3 O processo de corte 89
3.3.1 Solicitações na cunha de corte 92
3.4 Desgaste ..- —•• 98
Vy
Vy
7
3.4.1 Formas de desgaste e grandezas a serem medidas no desgaste.. 98...
3.4.2 Causas e mecanismos.de desgaste '. • 100
3.5"lnfluêncías_da geometria da ferramenta no processo 11-1.
4 Materiais de Ferramentas de Corte e suas Aplicações 115
4.1 Aços para ferramentas 11 8 -
4.1.1 Aços para trabalho a frio ': 118 .
4.1.2 Aços rápidos • '.. 120
4.2 Metais duros :-. 123
4.2.1 Desenvolvimento histórico.. '. 124
4.2.2 Fabricação de metais duros .... 126
4.2.3 Componentes do metal duro e suas propriedades 127
4.2.4 Formação da estrutura : 130
4.2.5 Classificação de metais duros 131
4.2.ó Revestimentos de ferramentas de metais duros 140
4.3 Materiais cerâmicos '. -160
4.3.1 Cerâmicas de corte à base de A l 2 0 3 1 62
4.3.2 Cerâmicas de corte não-óxidas 1 68
4.4 Materiais de corte altamente duros não-metálicos 1 71
4.5 Formas de ferramentas 180
4.5.1 Ferramentas de aço maciças. 180
4.5.2 Ferramentas com pastilhas soldadas 182
4.5.3 Ferramentas com insertos intercambiáves 183
4.6. Preparação das ferramentas. 190
5 Cuidados no Uso de Ferramentas de Corte 193
5.1 Manuseio e manutenção deferramentas de corte: 193
5.2 Manutenção e gerenciamento de ferramentas de corte ; 194
5.2.1 Princípios básicos 194
5.2.2 Prevenção do contato entre as ferramentas 195
5.2.3 Prevenção contra oxidação 195
5.3 Aplicação de tecnologia e manutenção de ferramentas de corte 196-
8
5.3.1 Ferramentas de corte adequadas ao processo de corte 1 96
.. 5.3.2 Cuidados no preparo de ferramentas de corte .... 1 97
5.3.3instalação da ferramenta na máquina - _ 1.97
5.3.4 Considerações na escolha das condições de corte v 1 97
ó Meios Lub ri-refrigerantes 199
6.1 Generalidades 199
6.2 Funções dos fluidos de corte : 201
6.2.1 Redução do atrito entre ferramenta é" cavaco 202
6.2.2 Refrigeração da ferramenta 203
6.2.3 Refrigeração da peça 204
6.2.4 Expulsão dos cavacos gerados : .• 204
' 6.2.5 Melhoria do acabamento superficial 204
6.2.6 Refrigeração da máquina-ferramenta 205
6.2.7 Melhorias de caráter económico 205
6.3 Tipos de: lubri-refrigerantes 206
6.3.1 Óleos de corte , ' ' 206
6.3.2 Óleos emulsionáveis 207
6.3.3 Fluidos sintéticos 207
6.3.4 Fluidos gasosos 207
6.4 Efeitos do uso de fluidos de corte 208
ó.5Tendências no uso- de f luidos de corte 214
6.5.1 Alternativas ecológicas - 216
7-Usinabilidade ~ 220
7.1 O Termo "Usinabil idade" 220
7.2 Testes de usinabilidade....- 221 ^>
7.2.1 Critério vida da ferramenta 222 ^
7.2.2 Critério força de usinagem 228 ^
7.2.3 Critério: qualidade superficial 231 ^
7.2.4 Critério formação de cavaco .• 235 ^
7.3 Fatores influentes sobre a usinabilidade de aços 237
\
9
7.3.1 Usinabilidade em função do teor de carbono 238
7.3.2 Influências dos elementos de-.liga sobre a usinabil idade. _ 244
7.3.3 Usinabilidade_em dependência do tratamento térmico 247
7.3.4 Usinabilidade de aço endurecidos 254
7.4 Usinabilidade de Diferentes Aços . 2 6 2
. 7.4.1 Usinabilidade de aços para autómatos 263...
7.4.2 Usinabilidade de aços de cementação 268^
7.4.3 Usinabilidade de aços de beneficia mento 270
7.4.4 Usinabilidade de aços de nitretação 275
7.4.5 Usinabilidade de aços-ferramenta 27ó
7.4.6 Usinabilidade de aços inoxidáveis resistentes ao calor 278
- 7.5 Usinabilidade de Ferros Fundidos 279
7.5.1 Influência da composição química na usinabilidade de ferros
fundidos ' 280
7.5.2 Características de usinabilidade de ferros fundidos 281
7.6, Usinabilidade de Ligas de Alumínio , 2 9 5
7.6.1 Definição e designações.. 295
7.6.2 Estruturas e usinabilidade 296
7.6.3 Características necessárias às máquinas-ferramentas para a
usinagem de ligas de alumínio 304
7.7 Usinabil idade de Ligas à Base de Cobre 304
7.8. Usinabilidade de Ligas à Base de Níquel 309
7.9 Usinabilidade de Ligas à Base de Cobalto 315
7.10 Usinabilidade de Titânio : • 3 1 8
8 Determinação de Condições Económicas de Usinagem 3 2 7
8.1 Otimização da ;condições de corte 3 2 7
8.2 Limites para os métodos de corte "337
8.3 Determinação e otimização dos parâmetros de corte 343
9 Bibliografia 351
10
Parte
Simbologia 10
1 Introdução - 15
2 Torneamento - 1 ó
2.1 Generalidades.... . 16-
2.2 Tipos de torneamento . 1 9
2.2.1 Torneamento cilíndrico : 19
2.2.2 Torneamento plano (faceamento e sangramento) •' 24
2.2.3 Torneamento de perfil . 25
2.2.4 Torneamento de forma , 26
2.2.5. Torneamento helicoidal 28
2.3 Máquinas-ferramentas para o torneamento • 29,
2.3.1 Características de importância para a classificação 29
2.3.2 Tomos universais 29
2.3.3 Tornos revólver 30
2.3.4 Tomos automáticos 31
2.3.5 Tornos copiadores 32
. 2.3.ó Tornos especiais 3 2
.2.4 Fixação de peças no torneamento.... 33
2.4.1 Entre pontas - - 34.
2 .4 .2 Pinças 34
2.4.3 Placas de castanhas 36
2.4.4 Placas defixação- magnética e:a vácuo _ .- . 36
2.5 Ferramentas para o torneamento 37
2.5.1 Ferramentas inteiriças 3 7
2.5.2 Ferramentas com insertos soldados 39
2.5.3 Ferramentas com insertos intercambiáveis 40
2.6 Parâmetros de corte e variáveis de trabalho no torneamento 43
2.6.1 Séleção de ferramentas ,
2.6.2 Requisitos de potência para o torneamento ".
2.6.3 Velocidade, avanço e profundidade de corte.....
3 Fresamento
3.1 Generalidades
3.2 Variações do processo de fresamento e características específicas
3.2 • 1 Fresamento frontal
3.2.2 Fresamento tangencial
3.2.3 Fresamento de perfil -
3.2.4 Fresamento de topo .....
. 3.2.5 Fresamento por geração .".
3.3 Geometrias obtidas no fresamento
3.3.1 Obtenção de superfícies planas
3.3.2 Obtenção de superfícies circulares e cilíndricas...
3.3.3- Obtenção de roscas....:
3 .3.4 Obtenção de superfícies perfiladas
3.3.5 Cópia de superfícies
3.4 Fontes de vibração no fresamento
3.5 Máquinas-ferramentas para o fresamento
3.5.1 Exigências construtivas para fresadoras....
3.5.2 Formas construtivas de fresadoras
3.6 Fixação de peças no fresamento _
3.6.1 Ajuste das peças nos sistemas de fixação :
3.7 Ferramentas para fresamento •
3.7.1 Tipos de fresas -
3.8 Influência dos principais parâmetros de-corte no fresamento ....
3.8.1 Taxa de usinagem em relação à profundidade de corte axial e
ao avanço
3.8.2 Taxa de usinagem em relação à profundidade de corte radial e
ao diâmetro da ferramenta
- - " . . . 12 ^
3.8-3 Influência da posição relativa entre.peça e ferramenta no . ^
desgaste da fresa.;.- ' 99
3.8.4 Influência da velocidade de corte no desgaste da" fresa 101 - 3
3.9 Fresamento de alta-velocidade (noções básicas) '. 102 y
3.9.1 Generalidades , .' 102 X
3.9.2 Usinabilidade de alguns materiais no uso de. tecnologia H S C . . . 1 05 ^
4 Furacão,. 1 1 2 y
4.1 Generalidades 112 ~^
4.2 Variantes do processo de furacão e características específicas das y
ferramentas -. 113 ^
.4 .2 .1 Furacão com brocas helicoidais 113 " y
4.2.2 Furacão de furos curtos 126
4.2.3 Furacão profunda 128 y4.2.4 Rebaixamento ^ 138 w
4.3 Máquinas-ferramentas para a furacão ' 140 y
4.4 Fixação de ferramentas na furacão 144
4.4.1 Tipos de fixação 144 y
4.5 Qual idade no processo de furacão 146 —-
4.5.1 Erros comuns na geometria do furo. . . 147 ^
5 Alargamento 150 ^
5.1 Generalidades 150 .
5.2 Classificação dos alargadores i ' 152 T
5.3 Geometria de alargadores " 155 y
5.4 Escolha do tipo de alargador ~ 156 \
5.5 Alargamento com ferramentas de g u m e único regulável.' 165 y
5.5.1 Generalidades 165
5.5.2 Geometria de corte 166 ^
5.5.3 Construção e regulagem das ferramentas 1 69 -
5.6 Parâmetros para operações de alargamento. 171
5.6.1 Velocidade de corte... 172
13
*. • 5.6.2 Avanço-.-.w.... v.. ., ......êk§ok~^?!^E:
.5.6-3 'Fluido.de corte ....... 173
6 Ròsqueamento .....^-......^..^,..,^,>.,......^.T„«v. . . . . 4 . . ^ ^ . . . . . 1^4
6.1 Generalidades „ . . . W T ? ^ r w ^ , , « ^ . , - ¥ « v ! K ; . . . . . . „ ^ > ^ í . 174
6.2 Tipos de ròsqueamento... -...^.,...v 1 7*4-
6.2.1.Tornea.fTtento.com ferç^e^§sj.p^glés-ou^múJdilplas'de.filetaç*....., 174
. , , . , ^ . , 6 ^ 2 . 2 ^ $ ^ ;>
ra ngencia is^ou ciEcuiejTes. ,. ............ 179
t.r». •.^6^^JLu^\Vaafi\ã^00(^^sfQis^., . ^ ^ ^ . ^ ...-áU4*w>M V§2
• -&JZ.4: R o s q . u é « i ^ . 184
6.2.5 ^ ^ ^ p ^ p ^ p ^ p p S É 5 < a § . . - — i - - - ^ - - ^ ^ ' ^ ^ ^ ^ M ^ . 1.88
6.2.6 ^ l e , ! ^ ^ ^ ^ 192
6.2.7 .Rasqueam^ l?-5
:. . .. - :;i' /jm?*..
7. Bibliograttà^-...,-. ... , ~W - - ? è É ^«M9S^* ' ^^~^ -^ : " * * *— * T#**4.» ' 1 9-7
- . .... . . . . . . ^&g&ftí?1 -.;;«. f • > * . > • • < . . . :».>>;
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, •. • „ • " ' rfvií;,'.. .' '. .t.ví'*? '•
5»
3
14
Sim b o l o g i o
a 9 [mm] penetração de trabalho
[mm] profundidade de corte
[mm] profundidade mínima de. corte
b [mm] largura de corte
b [mm] largura do canal sangrado -
c m [mm] desgaste no gume transversal medido em relação ao gume
de corte (largura) • z
Q ' [mm] desgaste no gume transversal medido em relação ao gume
de corte .(altura)'
Q velocidade de "corte para uma vida de 1 minuto
Cv vida para uma velocidade de corte me 1 m/min
d • [mm] diâmetro da peça
[mm] diâmetro da peça bruta
[mm] diâmetro da peça acabada
' /
d 2 [mm] diâmetro d a engrenagem
0 [mm] diâmetro
e [mm] excentricidade
f [mm] avanço
i ' [mrrr] avanço axial
i . [mm] avanço da engrenagem vy
t [mm/dente] .avança p o r dente
F .[N] força de usinagem
F c [N] força de corte
Ff [N] força de avanço
FP [N] força-passiva
b [mm] espessura de corte . N—y
h [mm] altura da fenda de medição
h' [mm] espessura do cavaco
[mm] espessura média do cavaca
H [mm] altura de montagem do gume em relação à peça
constante da equação para determinação da vida
relação de desgaste
força específica- de corte - ' _
[U$/peça] custo de fabricação por peça
[mm] largura do lábio da cratera
[mm] afastamento médio da. região mais profund
.cratera • . . . _ -
[U$/h] custo de máquina e operador por hora
[mm] profundidade da cratera
[U$/h] . custo de-ferramenta por vida
fator de correção para o desgaste d a ferramenta
[mm] comprimento de medição. . '.
[mm] comprimento da peça
[mm] percurso de corte
[mm] comprimento de corte circular .
[mm] comprimento unitário de medição
[mm] comprimento fatal de medição
[mm] comprimento principal de corte
[mm] comprimento secundária de carte
[mm] comprimento de teste
[mm] comprimento do chanfro de entrada
tamanho do lote de peças a fabricar
[mmj suporte percentuaf de um perfif de rugosidade
[mm] desgaste da guia lateral
[rpm] número de rotações da peça ou da-ferramenta
[rpm] número de rotações da fresa geradora
[kW] potência de corte •
[mm] altura do lasca mento do gume
[mm] largura do lascamento do gume „
[mm 3 /min] taxa de usinagem
[mm] raio de quina .
[u,m] desvio médio aritmético de rugosidade
ló
F\ . grau de recalque
= [N/rnnrt^ • resistência à fração • ' ..
Knax [pm] profundidade máxima individua! de rugosidade
Rf [jim] profundidade máxima de rugosidade
Rj. - [jim] média aritmética das rugosídades singulares
SV a [mm] deslocamento do gume no sentido do flanco
SVy - [mm] deslocamento do gume no sentido da face
t e [min] tempo de fabricação
fh [min] tempo principal
t n [min] tempos secundários
t; [min] tempo de preparação
t w [min] - tempo de troca de ferramenta
T [min] vida da ferramenta
T [min] profundidade de mergulho
T K vida útil da ferramenta para o critério desaste de
cratera
Tyg vida útil da ferramenta para o critério desaste de
f lanco
Up unidade de potência
v c [m/min] velocidade de corte-
v ^ velocidade de corte inicial
velocidade média na qual ocorre o desgaste
hiperpropordonal ^ ..
v e [m/min] velocidade de corte efetiva
v f [m/min] velocidade de avanço
VB [mm] desgaste de flanco
VB' [mm] desgaste de flanco no ponto' média da gume
V, [m3] volume, por peça .
V z [m3] volume por tempo
W [mm] desgaste da quina da broca helicoidal
z número de dentes da ferramenta
Zq número de espiras
rugosidade unitária
usinabilidade relacionada ao desgaste
usinabilidade relacionado ao cavaco
expoente da equação de Kienzie •
ângulo de incidência (ângulo de folga).
carbonetos de tungsténio
ângulo de incidência ortogonal
ângulo de Incidência passivo do gume secundário
ângulo de inclinação .. ..
ângulo de cunha
fase de cobalto no metal duro
ângulo de inclinação
ângulo de direção do gume (ângulo de posição)
ângulo de direção do gume secundário
ângulo de direção do gume secundário
ângulo de hélice da broca
ângulo de affura do cabeçote automático de roscar
ângulo de quina
grau de deformação dos materiais
passo axial
grau de deformação no plano de cisaihamento
energia de deformação por cisaihamento
ângulo- de cisaihamento
ângulo de saída
carbonetos de titânio, tântalo e nióbio
ângulo de Inclinação
ângulo de saída ortogonal
ângulo de saída radial
ângulo de saída axial
ângulo de saída do gume secundário
[graus]
[grausf
[graus] ...
[graus].. •
[graus] -
[graus]-•
[graus]
P Q
{graus]' '
[grausj-
. [m/rn in]1'
• > 0:
ângulo cie-ataque •>---.:'••.. v •
"ângj í /J j í -a j^t^
- ângujc^deKstaqu^ -s
. ângulo de|^g'è]amento-.^::A . « t >f; •....
ân§Ml:è5det!n®1'írpBção..v. •... í ^ v . } . . . t
ângulo efétivo deie.érte•- » -.«^iíx,- -
ângufo'-deTfrifél^p^<^Dv-••••• r- ~4=£*tt
i ^ T ^ è í # d f e d â í f e í ^ i á t i ^ € r m e n t e - . -••
•coeficiente-de atritod©*H5f>* v •?
*'* 'ângulo* de- ponta ' DíHvt •
ângulo do.ga/r/nretransv.e^oíltssícr •'
'intervalo de velocidade detaotteb ol
. -xwãm - h oíuf .-iô
19
1 i n t r o d u ç ã o
Os processos de fabricação surgiram em épocas remotas, quando ó homem
percebeu que a transformação da matéria-prima da natureza lhe poderia trazer
benefícios para suprimento das necessidades básicas. Utilizando dispositivos como
os mostrados na f igura 1 .1 , já na idade da' pedra o homem fabricava utensílios"
para a sua sobrevivência. -
Serra para Pedras do
Período Neolítico
a - Movimento de Avanço
b - Movimento de Corte
Figura 1.1 - Serra para pedras do período neolítico [10]
Com o desenvolvimento social, intelectual e económico da humanidade, as
exigências de conforto e o consumo de bens foram aumentando progressivamente e
estes, juntamente com as máquinas, aparelhos e equipamentos utilizados na sua
produção passarama fazer parte do cotidiano. Cada vez mais a produção em
massa tornou-se uma necessidade e o domínio de. tecnologias para tal mais valioso.'
As descobertas científicas e o desenvolvimento de tecnologias e processos de
fabricação foram fundamentais neste contexto, tendo sido grandes alavancas para o
progresso.
A maioria dos livros especializados define fabricação como o ato de
transformar matérias-primas em produtos acabados através de diversos processos,
seguindo planos bem organizados em todos os aspectos. A importância da
fabricação pode ser melhor entendida observando-se que a maioria dos objetos ao
nosso redor têm formas e dimensões diferentes e também a maioria deles é
composta por diferentes materiais, transformados a partir de diferentes matérias-
20
primas por uma grande variedade de processos. Portanto não é nenhuma surpresa
que nos países industrializados a fabricação compreenda um- terço do produto
interno -bruto (valor de todos os produtos e serviços produzidos). Qualquer que sefa
o processo, a fabricação envolve, projeto, .seleção de material e de um método
adequado, realizados com base em requisitos técnicos e económicos, para que
sejam minimizados custos e que o produto possa ser competitivo no mercado. .
A figura T.2 mostra a classificação dos processos de fabricação dentro da área
metal-mecânica, que sem dúvida tem grande importância económica e tecnológica
na cadeia de produção, destacando os processos de usinagem, importantes tanto
na fabricação de componentes para equipamentos e máquinas como em produtos
acabados.
r
Fundir
Dividir
Processo de Fabr icação
Conformar
L impar
Juntar Recobrir Al terar Propr.
Us inar com
Ferramenta
de Geometr ia
Definida
a si- s_
CD i_ CS -— .-C cã
F- l i . i t < CD CO
Desmontar Evacuar
Usinar c o m
Ferramenta
de Geomet r ia
Não-Def in ida
s
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m q
rr: m
Figura 1.2 - Classificação dos processos de fabricação - adaptado de [1 0]
Os processos de usinagem tiveram um progresso significativo ao longo dos
anos, pela otimização de técnicas, desenvolvimento de máquinas-ferramentas mais
21
precisas,,com maior potência e versatilidade, pelo desenvolvimento de tecnologias
paralelas como a eletrôníca apl icada nos comandos utilizados nas máquinas e pelo,
descobrimento de novos materiais de ferramentas. Uma boa visão geral do assunto
e o acompanhamento da evolução proporcionada pelo desenvolvimento da
tecnologia é de fundamental importância para o profissional que atua nessa área. O
entendimento desde os princípios e fenómenos físicos envolvidos e da dinâmica dos .
processos até os princípios de funcionamento e o conhecimento das possibilidades de
aplicação de equipamentos, máquinas e acessórios são ferramentas importantes no
auxílio à tomada de decisões rápidas e que gerem bons resultados.
Essa apostila aborda na sua primeira parte'conceitos básicos sobre medição,
usinagem com ferramentas de geometria definida, materiais para ferramentas e
alguns dos aspectos relevantes nos processos de usinagem, como usinabilidade,
custos em usinagem, uso de fluidos lubri-refrigerantes, causas e mecanismos de
desgaste de ferramentas e os cuidados necessários para conservação e utilização
das mesmas--.Na: segunda parte são abordados alguns processos de usinagem
mostrando-se.características específicas de cada um deles, como valores usuais-de
alguns parâmetros de usinagem, fixações de peças e. ferramentas e características
de máquinas. Os processos de torneamento, fresamento e furacão tiveram destaque
neste texto por tratarem-se de processos mais importantes na indústria de um modo
geral.
22.
2 Precisão Dimensional e Tecnologia de Medição de Peças
2.1 Exigências de precisão
A tecnologia de medição deve garantir que as exigências feitas a Um produto
sejam realmente alcançadas no processo de fabricação. Uma das funções da
metrologia, portanto, é determinar as dimensões de uma peça pronta e verificar os
desvios relacionados com as dimensões pré-determinadas pelo projetista. Estes
desvios devem estar situados dentro de certas tolerâncias, que definem a utilização
de uma certa peça para sua função específica.
Para a análise da peça são necessários instrumentos e técnicas de medição
apropriados que permitam determinar as dimensões e/ou características geométricas e
superficiais da mesma deforma isolada.
Deve-se almejar numa fabricação económica que as tolerâncias dimensionais
sejam reproduzidas, somente até o nível extremamente necessário para reduzir o custo
de fabricação e-medição.
A função, do projetista é, portanto, exigir as tolerâncias que permitam o
cumprimento da função do componente, bem como garantir a possibilidade da
substituição de elementos desgastados.
2.2 Erros geométricos de fabricação
Dependendo, do . processo de. fabricação pode-se ter erros diferentes que se
caracterizam por propriedades deficientes da peça ou por erros geométricos. Erros que
se referem às propriedades da peça são, por "exemplo, erros produzidos por
Tratamento térmico das peças, que têm consequências sobre a estrutura, dureza e
resistência da mesma.
Porém os erros mais frequentes que ocorrem na fabricação são os erros
geométricos, que podem estar situados no âmbito macroscópico ou microscópico.
Para a análise sistemática, os erros são subdivididos de acordo com' a figura 2.1 em
erros singulares, que são analisados.com maior detalhe no item seguinte.
23
- Erro de
cilindriádade
í. a I
Figura 2.1 - Erros de geometria de fabricação e sua definição (segundo Kienzle, DíN
74Ó2) [1]
2.2.1 Enros de. forma
Define-se erro de forma como sendo o. desvio de uma geometria padrão em
relação à forma básica reta, plana, circular ou cilíndrica. A seguir serão mostrados
alguns exemplos de erros de forma e suas causas.
- O motivo para o surgimento de um desvio de forma cónico no torneamento
longitudinal muitas vezes decorre do fato de que a fixação da peça não está
paralela ao sentido de trabalho. Para peças muito compridas o diâmetro pode estar
acrescido do valor de duas vezes o valor de recuo do gume, decorrente.do desgaste
da ferramenta ao longo da usinagem do cil indro.
- A forma de barril acontece quando a peça, por exemplo na- retífica, é fletida por
um esforço de corte de ação radial.
- O erro de cilindricidade pode ocorrer na furacão de furos profundos com
ferramentas espirais em decorrência do desvio da ferramenta ocasionados por
comprimentos diferentes dos gumes principais ou pela usinagem da superfície numa
24
posição inclinada. Ern erros de cilíndricidade, geralmente se distinguem vários casos.
Pode-se ter um erro da linha evolvente des.viando-se de uma reta, como mostrado na.
figura 2 . 1 . As superfícies de topo e a superfície evolvente de um cilindro podem fazer
um ângulo diferente de 90° , ou g forma da seção pode desviar da forma circular. No
último caso citado, trata-se de um erro de circularidade, e. ao invés de uma forma
circular, pode-se ter a forma de uma elipse ou de um isoespesso.
- O erro de circularidade pode ocorrer devido a uma fixação não carreta da peça. O
torneamento interno de um tubo fixado externamente por uma placa de três castanhas,
por exemplo, produzirá após a soltura da peça da placa uma forma, diferente da
forma inicial redonda em decorrência da deformação elástica, ou seja, o raio nos
pontos da fixação terá uma dimensão maior.
2.2.2 Erros de dimensão
Entende-se. como-erro de dimensão o desvio de uma medida padrão de um
componente, definidapela utilização posterior do produto, e Indicada no desenho da
peça. Esse erro de. dimensão não obrigatoriamente leva a uma inutilização da peca
acabada; frequentemente ele pode ser corrigido através de um.trabalho posterior.. Um
exemplo para a formação de erros de dimensão está mostrado na figura 2 .2 : No
torneamento longitudinal de. peças cilíndricas é possível surgir erros de dimensão
quando para o mesmo posicionamento na máquina a peça bruta apresenta variação
de diâmetro. Em decorrência disso tem-se uma variação d a seção de usinagem e
também uma variação da força de usinagem, que por sua vez leva a diversas
deformações da máquina-ferramenta, ferramenta e peça.
Além disso, por exemplo, o desgaste do rebolo na retífica plana de peças na
produção em série pode^ levar a um erro dimensional da peça se não for feita uma
compensação do desgaste correspondente na regulagem da máquina.
25
e
E o c
o
"33
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LU
Sentido de avanço
Percurso de corte
Material da peça
Material da ferramenta
Velocidade de corte
Avanço
Geometria da ferramenta
Percurso de corte
Ck55 N
HM P 30
v c = 160 m/min
f = 0,25 mm
To «o Xr
6 o 5 o 0° 70° 90°Í0,8 mm
Figura 2.2 Influência de uma variação da força passiva sobre a variação do diâmetro
da peça [1]
2.2.3 Erros de posição
Erros de posição são desvios de uma aresta, linha ou de uma superfície de uma
peça, em relação à posição desejada. De uma maneira geral, pode-se afirmar que a
posição entre duas superfícies ou eixos pode ser definida, com suficiente precisão, pelo
afastamento ou indicações dos ângulos entre elas. Na prática, os desvios de posição,
mais importantes são:
- Desvio de posição paralela entre duas superfícies,
- Desvio de dois eixos e dois planos entre si.
26
Na figura 2.1 (parte central superior) está representado o desvio de dois eixos, de
•uma peça rotativa. .Uma possibilidade do surgimento desse tipo de erro.de posição
decorre da fixação imprecisa da peça nas castanhas.
O desvio de .eixos nem sempre mostra-se da forma representada. Os dois eixos
também podem cortar-se sob um ângulo determinado ou se posicionarem tortos um
em relação ao outro, isso significa que eles,não se. interceptam e também não são
paralelos. '
2.2.4 Rugosidade - -
Todo objeto é definido por uma ou mais superfícies. Na fabricação de peças não
é possível produzir superfícies ideais. As superfícies de uma peça são, se observadas
ao microscópio, dotadas de regiões com maiores ou menores planicidades que são
definidas como sendo rugosidade da peça mesmo que essas superfícies, num aspecto
macroscópico, pareçam-perfeitamente lisas.
O desvio total entre a superfície real e a superfície ideal de projeto é definido
como "desvio de forma" que, para uma distinção mais fina é dividido em seis ordens,
desde desvios grosseiros até desvios finos, representados na figura 2.3.
Na maioria das técnicas de, medição empregadas para a avaliação dos desvios
da estrutura superficial observa-se e mede-se os desvios de segunda ordem e de
ordem superior. A escolha dos cortes na. superfície deve ser feita de tal forma que eles
sejam estatisticamente representativos para a superfície total.
O' desvio >de fo rma da superfície, dependendo das exigências,- pode ser
quantificado com o auxílio de cortes através de superfícies ou com auxílio de
superfícies suporte.
É possível obter cortes de uma superfície por planos que cortam a mesma em um
determinado ângulo (geralmente ângulo reto) com relação à superfície geométrica
ideal, ou por corres planos equidistantes à..superfície'Ideal, de projeto. •
27
Desvios de forma
( Seção de pertíl apresentada aumentada)
Exemplos para
cada tipo de
desvio de forma
Exemplos para o surgimento do desvio-
I .Ordem : Desvio de Forma
Desnfveiarnento
Ovalado
Defeito nas'guias de máquinas - ferramenta,
deformações por flexão da máquina ou da peça,
fixação incorreta da peça; deformações devido
a-temperatura, desgaste
2. Ordem: Ondulações
Ondas Fixação excêntrica oú defeito de forma de uma
fresa, vibrações da rraquina-ferrarnenta. da
ferramenta ou da peça
3.0rdem :
R
0
G
0
S
i ;
D
"A
D
E
Rarfturas Forma do gume da ferramenta, avanço ou
profundidade de corte
4.0rdcm:
R
0
G
0
S
i ;
D
"A
D
E
Esfrias
Escamas
Picos
•Processo de formação de cavaco (cavaco
arrancado, cavaco cisalhado, gume postiço),
deformação do material por jato de areia,
formação de ressaltos devido ao tratamento
galvanico <
S.Ordem:
N3o é mais possível a representação gráfica de maneira
simplificada
R
0
G
0
S
i ;
D
"A
D
E
Estrutura do
material
processo de cristalização, rnodificação da
superfície por ação quirrica (Ex^ decapagem),
processo de corrosão
6.0rdem:
Mão è mais possivel a representação gráfica de maneirasimplifícada
Estrutura
reticulada do
material
Processos fisicos e químicos da estrutura do
material, tensões e deslizamentos da estrutura
cristalina
Superposição dos desvios deforma de 1. até.4.
^^^^^^^^^^^^^^^^^^Ê^^^^^^^^^^^Ê ordem
Figura 2.3- - Exemplos dos desvios de forma de uma superfície (de acordo com norma
DIN 4760) [Tl
Dependendo da posição da superfície de. corte em relação a superfície
geométrica ideal obtemos cortes em perfil, cortes tangenciais ou cortes equidistantes,
figura 2.4.
Cortes em perfis, são cortes normais ou cortes inclinados à superfície, que são
obtidos pelo corte mecânico do corpo de prova em um plano cortante, pela
apalpação puntual ou contínua de. uma superfície por meio de um elemento de
contato ou ainda por um processo óptico.
No caso de um corte tangencial, o corte da superfície é localizado de uma forma
paralela à superfície tangencial,, na superfície geométrica ideal da peça.
Cortes equidistantes são cortes na superfície, nos quais a superfície de corte
mantém um afastamento constante da superfície geométrica ideal (eventualmente
também em superfícies curvas). Se essa superfície geométrica idea íé um plano, então
as superfícies equidistantes são também superfícies tangenciais .
28
Corte tangencial em uma superfície plana Corta tangencial em um cilindro
Figura2.4 - Verificação da estrutura superficial de uma superfície por cortes [1]
Define-se como sendo o perfil de uma. superfície, a linha de corte produzida pelo
corte em perfil da mesma. Portanto, a imagem do perfil da superfície das linhas de
corte é a imagem de uma secção paralela e similar de uma superfície de corte.
. Na descrição da técnica de medição de uma superfície com um corte de perfil é
necessário definir alguns concertos básicos, figura 2 .5 .
Em um perfil há distinção entre o comprimento de teste " l t " do corte superficial,
que é adquirido através de técnicas de medição e o comprimento de medição T que é
empregado para a determinação, da qualidade da superfície (I é sempre menor que IJ.
O perfil geometricamente ideal corresponde à superfície geometricamente ideal.
O perfil real é o perfil medido de uma superfície, e em decorrência disso depende do
processo de medição. E a representação mais aproximada da superfície real.
Processos de medição diversos poderrrfornecer perfis reais diferentes.
O perfil de referência é o perfil ao qual são relacionados os desvios de forma da
superfície. Denomina-se perfil médio o perfil que deslocado paralelamente ao perfil de
referência, corta o perfil real de forma que a soma das áreas F o i, formadas pelo perfil
real acima da linha do perfil médio, sefaigual a soma das áreas F u i, formadas pelo
29
perfil real abaixo do perfil médio. O perfil de base, que é medido no comprimento dé
referência, é aquele que corta ,o perfil real no ponto mais afastado em relação, ao
perfil geometricamente ideal. • " • - .
Perfil geometricamente ideai
. Perfil real , — Perfil de referencia H _
— / \
K
T \
N _ m \—Perfil de base
I
In
•4—— ».
R ? =Altura máxima do perfil I =Segmento de medição da njgosioaóe y (
=Artura máxirrB do pico do perfil • \ =Segmento total de contato do apaipador y
R m ^Profundidade máxirna do vale do perfil í v =Segmento de avanço inicial
H = Ponto mais alto do perfil | n =Segmento final da equiíbrio ^
X = Ponto mais baixo do perfil rn = Perfil medo
Figura 2.5 - Conceitos básicos da técnica de medição de uma superfície Fonte: DIN
4782/ÍSO 4287/1 [1]
Os valores verticais dos desvios de forma de 3 f l a 5 3 ordem são determinados no
comprimento de referência de' rugosidade " I " . São obtidos de medições feitas num
plano normal ao perfil geometricamente ideal das distâncias de pontos ordenados que
se situam em1" diferentes perfis. A unidade da medida é o micrometro (1 pm =
0,001 mm).
- Altura máxima do perfil Distância entre a linha do perfil e a linha de base. A
máxima altura do perfil é a maior distância medida normalmente ao perfil
geométrico ideal do perfil real ao perfil de referência.
-Máx ima profundidade de alisamento Rp: Afastamento do ponto mais-alto do perfil em
relação ao perfil médio , dentro da faixa de medição de rugosidade 1.
- Máxima profundidade de perfil de referência R,,,: Afastamento do ponto mais baixo
do perfil em relação à linha média do perfil m dentro da faixa de medição de
rugosidade I.
= Desvio do perfil
— Altura do pico
= ProfunrJdade do vale
— Distância do perfil real ao perfil médio
= Parceia da superfície com material
— Parcela da superfície sem material
30
- Rugosidade média R^ Média aritmética dos valores absolutos dos afastamentos "h"
do perfil real ao perfil" médio dentro da faixa de medição de rugosidade j": - " = •
RaJ~)\h.\-dx ' (2.1)
- As rugosidades singulares Z, (Z, = Z, a Z 5 ) : São definidas corno sendo o afastamento
de duas linhas paralelas à linha média (perfil médio), que tangenciam, em um dos
trechos de medição singular, o perfil' de rugosidade no ponto mais elevado e mais
baixo, figura 2.ó.
- Média da rugosidade R ^ : E definida como sendo a média aritmética das
rugosidades singulares dos cinco trechos'de medição sucessivos.
- A rugosidade máxima R ^ : É definida como sendo a maior rugosidade singular Z\,
por exemplo Z 5 na figura 2.ó, que é verificada ao longo do trecho de medição l m .
Figura 2.ó - Definição da Média da Rugosidade R^ (Segundo Norma DIN 4768) [1]
As medidas horizontais são definidas pela projeção normal' de pontos sobre o
perfil ideal que estão localizados-sobre o,mesmo perfil, f igura .2.7.. Se o.perfil de
referência é deslocado paralelamente pelo valor "c" em relação ao perfil
geometricamente ideal, então ele corta os trechos l c l , 1^ até 1^, do perfil real. O
comprimento de suporte l t é a soma das projeções dos trechos l c l , 1^, ! „ , sobre o
31
perfil geometricamente"ideal (soma dos trechos l d / 1^, I J em comparação córneo-
trecho de medição de rugosidade I. A unidade de medida é"o milímetro .(mm).
Para caracterizar em qual afastamento "c" em relação ao perfil de referência foi
definido o comprimento de suporte, atrás do símbolo l t é colocado o valor de "c" em
micrometros. Assim, por exemplo, \p_5 = define que o comprimento de suporte M r
foi determinado para um afastamento de 0,25 u,m do perfil de-referência.
O suporte percentual de um. perfil M r é a '.relação entre o comprimento de suporte
I,. e o comprimento de referência I:
A f r = 1 0 0 - ^ - (2.2)
Este valor é dado percentualmente.
Perfilgeometricarnente ideal
Perfil real
Figura 2 .7 - Determinação do comprimento de suporte (segundo DIN 4762) [1]
32
2.3 Técnica de medição
2.3.1 Embasamento
As funções da-técnica de medição na tecnologia de fabricação são:
a) Determinar o posicionamento correto- das ferramentas na máquina-ferramenta,
através da medição da peça antes e durante a usinagem. •
b) Med i ra peça acabada - em geral só'em cada enésima peça de uma série - para
verificar se ocorreu uma variação dõ ponto de setagem da ferramenta decorrente
de um desgaste da mesma ou de um deslocamento não desejado do carro porta-
ferramenta ou, até mesmo, se a ferramenta deve ser trocada. Através de uma
análise estatística dos resultados de medição é possível verificar a tendência de
variação dimensional e com isto estipular o ponto no qual as tolerâncias estipuladas
de-fabricação são transgredidas, de forma a evitar a usinagem ou a fabricação de
peças, sucateadas-.
c) Verificar, através, da medição óu comparação de peças prontas - controle, de
saída no fornecedor e controle de- entradcr no- consumidor - se as dimensões da
peça estão dentro da'tolerâncía desejada e se as qualidades prescritas para. a peça
foram mantidas.
d) Verificar, em ensaios de 'recepção ou ensaios de controle, as máquinas-
ferramentas e ferramentas, para ter ou garantir a qual idade do sistema de
fabricação, de forma que as peças fabricadas possam atingir a qualidade desejada.
e) Levantar dados para, por exemplo, novos desenvolvimentos ou para o
desenvolvimento de melhorias da qual idade d e máquinas e equipamentos assim
como para a determinação da influência de erros sobre a máquina-ferramenta.
As tarefas descritas nos itens "a" e "b", de forma geral, são executadas como sendo
medição de erros, singulares, O item "c" trata da. determinação de qualidades, do
sistema de fabricação, que podem' ser determinadas pela verificação das funções ou.
pela medição de erros.
Alguns termos importantes da técnica de medição na área de fabricação serão
esclarecidos abaixo:
33
Medir é um procedimento experimental, no qual uma grandeza de medição em-.*,
uma peça (corpo de medição), é comparada com uma grandeza do mesmo tipo (por
exemplo, comprimento, temperatura, massa), .que muitas vezes é fida como um
"padrão". O resultado de medição consta de um número e de uma unidade de
medida, por exemplo, 10 mm, 20°C.
No termo "medir" . também está incluída-a- aval iação até o resultado de-.-,
medição - como objetivo de uma medição - no entanto pão está incluído o
processamento posterior de um resultado de medição.
Na calibragem-é verificado se um valor real de uma peça está dentro de uma
certa faixa de tolerância (maior ou menor que uma dimensão admissível), isto é, se
o desvio do valor real em relação ao valor desejado não foi. ultrapassado (calibre
de medição), ou se. os desvios de forma da peça estão dentro dos desvios
admissíveis e se a peça pode ser considerada como isenta de erros em relação a
uma peça padrão (formação de pares). O resultado da calibragem é peça "boa " ou
refugo.
. Ensaiar significa verificar se o objeto de ensaio (corpo de prova, equipamento
de medição) preenche uma ou várias exigências prescritas ou esperadas e,
principalmente, se os limites de erro pré-determinados ou tolerâncias são
observadas. Um ensaio sempre traz uma decisão. O resultado de um ensaio é "s im"
o u " n ã o " , • . '
O ensaio pode ser subjetivo, através apenas de sensoriamento humano sem
equipamentos auxiliares, ou obfetivo, com instrumentos de medição ou ensaio que.
podem trabalhar automaticamente. O ensaio subjetivo geralmente leva a apenas uma
informação qualitativa. O resultado deste ensaio é, por exemplo: a superfície de uma
peça é muito áspera (teste ou ensaio por apalpação);ou : a máquina é muito
barulhenta (ensaio auditivo).
O ensaio com auxílio de equipamento.de ensaio ou equipamento.de medição
leva a um resultado objetivo se o corpo de ensaio ou a medida preenche as condições
exigidas.
No campo de ensaios de materiais, a palavra "ensaio" geralmente é empregada
no sentido anteriormente descrito, mas em muitos casos a palavra ensaio também é
entendida como sendo medir. Por exemplo: quando se ensaia um pedaço de aço com
34
relação à sua dureza e resistência à tração sem que com' isso seja. necessária uma
comparação com um valor prescrito ou combinado, isto é, uma avaliação sem que
seja necessário um laudo sobre_o ensaio. " •'• « .
Na metrologia normalmente entende-se como calibrar a verificação de
dependência entre sinal de saída e sinal de entrada, por exemplo, entre d medida e
a indicação. Em escalas conhecidas'- através da cal ibração verifica-se o erro da.
indicação do instrumento de medição ou o- erro de uma" medida. Um exemplo é a
calibração de um te.rmopar (comparação da indicação no instrumento de medição
de corrente com a temperatura real).
' Na área da'medição'eletrotécnica o termo "calibrar" também multas vezes é
empregado para a fabricação da escala de um instrumento de medição durante o
processo de fabricação. Isto pode ser feito individualmente em escalas unitárias ou na
produção de escalas em série por divisões iguais,, ou ainda sob a utilização de um
padrão de escalas. Às vezes o termo "calibrar" ainda é usado para "controlar".
Ajustar,, na metrologia, significa"posicionar a indicação de um instrumento de-
medida, de"taf forma que o valor Iniciai (por-exemplo, na indicação) parta do valor
correto de forma que os valores, reais tenham o menor desvio possível em relação
aos'valores indicados ou que os desvios estejam dentro da tolerância de.erro. A
ajustagem, portanto, exige uma intervenção no instrumento, o que multas vezes faz
com que o Instrumento de medição tenha uma var iação na indicação permanentel
A aferição' (aferição oficial), de um instrumento de medição ou de uma medida
compreende a verificação de um instrumento-por u m ó r g ã o autorizado de acordo com
normas de aferição e a emissão de um certificado de aferição.
Multas vezes na técnica a palavra "a fer ição" é empregada no sentido de" uma
ajustagem ou cal ibração, ou para ambas as atíyidades. • • .
35
2.3.2 Princípios de medição
Generalidades ' ..
Medir basicamente é comparar. Condição primária no procedimento de
medição, portanto, é a existência de um padrão-de comparação. Este padrão sempre
é um instrumento de medição-adaptado-para-a finalidade, específica. Na sua forma'
mais simples, por exemplo, para a medição de um comprimento, o instrumento é um
bastão ou uma fita métrica que geralmente está dividido em subdivisões iguais. Este.
padrão serve para medir o comprimento desejado. A incerteza de medição~neste
procedimento, no entanto, é muito grande. Para o aumento da certeza de medição
deve ser melhorada a qualidade de leitura no instrumento de medição. Para.medições
normalmente são empregados instrumentos de medição para.os quais o valor de
medição pode ser verificado com elementos específicos e pode ser processado de tal
forma, que ele. possa ser indicado com a precisão desejada.
O fluxo de sinais'-.entre a grandeza a-ser medida, como sinal de entrada e
indicação, compreende: um transdutor, um transformador, um amplificador, um
transmissor de informação e novamente um transformador. Nem sempre todos, esses
segmentos devem ser percorridos. Os elementos situados no fluxo dos sinais serão
explicados a seguir, f igura 2 .8r '
• - Energia auxiliar
Quantidade a ser.
medida Processador Transdutor Amplificador Processador Transdutor Amplificador
Indicação Transdutor
Transmissor do
valor medido
Figura 2.8 - Fluxo do sinal entre a grandeza medida e a indicação [1]
36
No transdutor o valor de um sinal é modificado sem que hafa uma variação da
dimensão física. Entende-se como sendo um transformador, um equipamento que
mud.a a dimensão-física de uma grandeza, por exemplo, um deslocamento linear em
pressão ou uma diferença de pressão, uma força em uma tensão, etc. O amplificador
promove a variação do nível de energia do sinal, por exemplo, com auxílio de
válvulas, ou • de transistores. -Aqui sempre há a necessidade de uma energia
complementar, por exemplo,-de uma bateria ou da rede elétrica. Com auxílio de um
transmissor de sinal, o sinal medido pode ser transmitido ou transportado por um certo
percurso sem que sua dimensão seja mudada, por exemplo, por uma rede elétrica ou
uma rede pneumática. Aqui a grandeza-do sinal pode ser diminuída em decorrência
da perda de carga no sistema.
Dependendo do tipo da grandeza a ser medida e dos elementos situados no fluxo
do sinal, distinguem-se os seguintes princípios. de < medição:-, mecânicos, ópticos,
elétricos e pneumáticos, onde, entre a grandeza a ser medida e a indicação, ainda
podem, existir combinações dos princípios de medição acima citados.
O diversos princípios de medição serão descritos, a seguir.
Princípio de medição.mecânico
Em instrumentos que trabalham com esse princípio de medição, o sinal de saída é
detectado de maneira puramente mecânica. A grandeza a ser rhedida, por exemplo
u m : comprimento, é- tomada na peça com auxílio de apalpadores e . e m . seguida
amplificada por alavancas, engrenagens, cremalheiras, fitas torcidas, etc .
Um problema grave que encontramos no princípio de medição mecânico é a
movimentação mecânica propriamente dita, uma vez que para cada movimento é
necessário deslocar massas, necessrtando-se de-força. Ao mesmo tempo, com toda a
movimentação temos o atrito nos mancais das alavancas e. nos. acionamentos por
engrenagem, que também apresenta-se na forma-de uma força. Como com- estes
instrumentos que trabalham pelo princípio de medição mecânico só é possível realizar
medição por contato, é exercida uma .pressão ou, uma, força sobre a peça a ser
medida que normalmente não é .constante sobre toda a faixa de medição. Essas
forças, mesmo sendo muito pequenas, muitas vezes podem levar à danificação da
37
peça, por exemplo na medição da espessura de folhas finas plásticas ou- metálicas, ou
pode provocar deformações elásticas no sistema peça-instrumento dè . medida",
levando a erros de medição. Além disso, geralmente temos mancais de eixos em furos
que acoplam os sistemas de amplificação mecânica que não são totalmente isentos de
folga. ' r
O princípio de-medição mecânico só é adequado .para'medições estáticas ou
para a medição de dimensões apenas com pequenas variações durante o tempo, uma
vez que a inércia de um sistema de medição: deve .ser levada em conta durante o
tempo de medição. -
O local da medição e da indicação não • pode ser separado fisicamente. Em
decorrência disto necessita-se de um espaço relativamente, grande para medições pelo
princípio mecânico. • - -
As menores dimensões a serem medidas, em decorrência das dificuldades acima
apresentadas estão situadas na faixa de micrometros.
Princípio de medição, óptico • ' ' >• .
Neste princípio, de. medição é aproveitado o deslocamento retilíneo da luz, bem
como a natureza ondulatória da luz.
Um percurso a ser medido,' por exemplo o.diâmetro de'um furo, pode ser medido
com auxílio de um sistema óptico constituído de" várias lentes, prismas e espelhos, e
amplificado de tal forma que seu-comprimento pode ser determinado em uma escala
existente na entrada d o sistema óptico. Essa leitura pode ser feita pela observação em
uma ocular ou o objeto a ser medido pôde ser projetado sobre: uma tela adequada.
Assim pode-se teruma ampliação que vai depender da combinação das lentes
utilizadas. '
Se o objeto a" ser medido, é demasiadamente grande que não possa ser visto na
sua totalidade nó instrumento de medição ópt ico, então ele deve ser deslocado com.
sistemas mecânicos de precisão, onde as linhas de referência na peça são colocadas
em concordância com as linhas de referência do.sistema óptico. O percurso desse
deslocamento então representa o comprimento a ser medido . Nestes equipamentos a
38
precisão-. de-meçlição..também é. da ordem de micrometros em razão dos ajustes
mecânicos necessários. - .:.
Para.;.medições • de comprimento muito precisas faz-se uso-da característica
ondulatória da luz. Feixes luminosos podem se reforçar ou se eliminar por refração ou
reflexão. ' " . "
Na figura 2.9 temos a representação de como em luz de mesma fase coerente
chegamos a. uma adição da intensidade luminosa,-áo passo, que para dois feixes
luminosos em fase oposta nós temos a eliminação de luz.
Na figura 2.10 temos o princípio de medição de um comprimento com o auxílio
da medição interferométrica. Uma fonte de luz L envia um feixe de luz monocromático-
em fase coerente. O feixe de luz se divide em duas parcelas.no espelho P e segue para
dois espelhos com reflexão total A e B. Do espelho B uma parcela do feixe de luz (feixe
de referência) é-novamente refletido através do espelho P e outra parcela é refletida
para um detector de foto F. O espelho móvel A reflete luz (feixe de medição) através
da espelho P, onde o feixe de medição se sobrepõe com o eixo de referência, isto é,
onde. eles interferem conjuntamente, para' incidir num detector de foto F..
Luz rrxxwOTrrótica coerente X Comprimento de onda
k = constante <p = 0 gr, Quadratura de "fases (deslocamento)
Figura 2.9 - Formas Ondulatórias de Ondas Luminosas [1]
39
. Se o espelho A for movimentado paralelamente ao eixo de luz ocorrem oscilações
da intensidade da luz corri*a, eliminação da luz ou'reforço, em razão da variação do
comprimento, do caminho entre as duas parcelas de "feixe no „ponto de sobreposição
no espelho dividido .
Essa interferência ocorre através do princípio de superposição. A amplitude da
onda resultante é igual a soma das amplitudes das ondas individuais. Aqui é possível
medir comprimentos na ordem de.grandeza de meio' comprimento de onda da luz
empregada. . . . . . .
Interferência em dois planos
(Interferência de Fraunhofersche)
Diferença de posição
Amplificação (a = 0)
Eirrninaçáo(a = 0)
1' 7
2~ 1"
A 2d l/n-sen *a '
lnterferômetro de Micheison
Sen i
n = Senp
z = 0,1,2...
z = 0,1,2... .
z Número de ordem de mterrerêrtcia
n índice de refreçáo
Figura 2.10 - Interferência da luz [1]
Uma vantagem considerável do princípio de medição óptico é que mede-se sem
contato com a peça e em decorrência disto não se exerce nenhuma força sobre o
objeto a ser medido.
Princípio de medição eléfrico
Este princípio de medição baseía-se na-característica de que uma modificação de
uma grandeza mecânica provoca .uma modificação, de uma grandeza elétrica. A
grandeza elétrica influenciada pode ser uma resistência ôhmica, uma variação
capacitiva ou uma variação indutiva.
40
" R = — =- ' "[Cl] " ' (Lei de' Ohm para 'condutor linear)
/ A •
Simplificadamente, no deslocamento de um apalpador tem-se uma resistência ao
deslize, que atua como um divisor de tensão resultando numa variação desta que
indica o percurso deslocado pelo apalpador.
A variação da resistênciq ôhmica de um fio pelo qual passa uma corrente pode
ser feita pela variação de comprimento e variação de seção transversal em
decorrência, por exemplo, de uma força de tração aplicada sobre ele. Este efeito é
utilizado em extenso metros, cuja aplicação encontra-se especialmente para a medição
de forças que provocam a .deformação de componentes .
O princípio de medição capacitivo baseia-se no princípio de um condensador de
disco ou placas, com uma superfície de placa constante e variação no afastamento
entre placas, provocando assim uma variação de capacitando. Para isso, no entanto,
é necessário que entre os discos ou entre as placas tenha-se um dielétrico que não
varie sua composição durante a utilização .
Nas aplicações técnicas das medições de comprimento tem-se condensadores de
placa que por um- lado são constituídos pela própria peça e por outro lado pelo
transdutor. Este processo é aplicado raramente, uma vez que ele é bastante sensível às
intempéries do meio ambiente- (pó, umidade, etc), o que leva a imprecisões de
medição.. -
O princípio mais empregado para a medição- d e . deslocamentos ou de
comprimentos é o princípio indutivo, figura 2 . 1 1 . Neste princípio o elemento de
medição é um núcleo metálico que sedesloca entre duas bobinas- Com isto, varia-se-
a resistência à passagem de corrente alternada pelas bobinas. O valor medido ocorre
através de uma dessintonização de uma ponte de medição no deslocamento do
elemento de medição. Em'decorrência da possibilidade de ter uma ampliação elétrica
bastante grande, não há necessidade de efetuar-se uma amplificação mecânica do
deslocamento do núcleo ferroso do sistema de medição.
Caso seja necessário medir sem contato com esse princípio de medição,
trabalha-se com uma semi-ponte, isto é, a ponte de medição consta de apenas uma
resistência fixa e uma resistência variável, representada por uma bobina. A variação de
(2.3)
41
indução e a variação da resistência à passagem de uma corrente alternada, dá-se em.,
decorrência da variação do afastamento da peça em 'relação à bobina.
O" princípio piezelétrico faz uso da propriedade de certos cristais, que submetidos
à compressão, fração ou cisaihamento, apresentam cargas eletrostátícas em suas
faces opostas. Para a utilização do sinal (indicação e armazenamento), essas cargas
eletrostátícas devem ser transformadas em correntes'e/ou tensões. A vantagem desse
princípio de medição é que praticamente não há deformação dos cristais quando são
submetidos a uma força, uma vez que esses cristais apresentam uma rigidez muito
grande. . . . ^~ . . . . . . .
Sensor
Sementa medido^
Sensor S t
Salda para o
^- amplificador
i
u.
= C . s
c = d
U* = Tensáo de saída da ponte
U, = Tensáo de alimentação da ponte
C = Capa cidade .
s = Trajeto de Medica o
= Constante de campo elétrico
í>r = Constante dieietrica
A = Área das placas
d = Distância entre as piacas
.Figura 2 .T l - Sensor indutivo [1]
A vantagem.da medição pelo princípio elétrico está fundamentada no.fato de que
a região de medida e a região de indicação podem ser facilmente separadas uma da
outra. Assim, toma-se geralmente * possível adaptar, transdutores, e m espaços físicos
muito restritos. Além disso,, também é possível medir fenómenos físicos que ocorrem
em curto, espaço de tempo, onde a massa muito pequena do transdutor é movida com
facilidade o u , no caso de medição sem contato, uma pequena força de massa deve
ser superada. O sinal de saída pode, sem maiores problemas, ser transformado ou
42
amplificado e transferido para os sistemas de anotação elétrico, òu diretamente
ligados ao sistema de aquisição de dados e gravados em fitas magnéticas" ou em
memória de computador.
Princípio de medição pneumático -
Tendo um fluxo de ar comprimido por um canal , -como o mostrado na f igura
2 .12, o volume de ar que,, passa na unidade de tempo pelo canal, para uma
temperatura constante do ar na frente e atrás do canal , só depende da pressão de
entrada do canal (pressão de alimentação p j , da pressão de saída do canal (pressão,
atmosférica p j e da menor seção transversal docanal* ( / ^ J . Mantendo-se as pressões
de entrada e de saída constantes, então a quantidade de ar que passa pelo. canal é
apenas função da menor seção transversal deste canal e a dependência entre a
quantidade de ar que fluí pelo canal é proporcional à menor seção transversal do
cera i À ^ . . .
V//////////A
Pressão deAHraentação p Pressão .Atmosférica p
Canal de ASmentacâo
de Medição
Figura 2 .12 - Conceitos básicos para o princípio de medição pneumático [1]
" 4 3
Essa lei pode ser empregada para a medição de comprimentos no caso do ar
fluindo por uma tubeira, como mostrado na figura 2 .12 . Se a superfície* da peça se
encontra próxima à tubeira e a área cilíndrica da fenda anelar entre a superfície da
peça e a tubeira for menor que a área da seção transversal da tubeira, então essa
fenda anelar (também denominada de fenda de medição) é a menor seção transversal
do canal de fluxo. Uma variação dessa fenda, de medição, pelo deslocamento da
peça da posição vertical em. relação a tubeira, provoca uma variação do fluxo de ar
pela seção ane la r .
Na prática, não se deseja determinar a distância entre a tubeira de medição e a
superfície da peça, e sim determinar um comprimento na peça correspondente. Aqui
se procede da mesma forma como se procede na utilização de relógios comparadores
ou de equipamentos de indicação com apalpaçâo. O equipamento empregado para
indicação é acoplado à tubeira de medição e o sistema é aferido com blocos padrões
e colocado numa posição zero . A peça que deve ser medida, é então substituída peto
bloco, padrão,, de tal. forma que o- comprimento a. ser medido está localizado no
sentido do fluxo de saída da tubeira de medição. O valor indicado no instrumento.é a
diferença,, ma ior ou .menor,, entre a peça e o bloco padrão. A medição de
comprimento pneumática é uma medição de comparação t a í ! q u a l é a-medição com
relógios comparadores e apalpadores, e necessitam, portanto, aferição com no
mínimo um bloco padrão.
Dependendo do tipo e ,da disposição do canal de fluxo de ar, distingue-se
medição direta ou sem contato, e medição indireta ou com contato. Trata-se de uma
medição direta quando o ar que sai pela tubeira atinge diretamente a superfície da
peça, e de uma medição indireta quando o ar sai pela tubeira e incide sobre um
sistema apalpador, conforme mostrado na figura 2.13 .
A medição direta tem a vantagem de que a força de medição é muito pequena,
uma vez que ela depende apenas do fluxo"de ar. Outra vantagem deste sistema é o''
efeito de auto-límpeza. Em decorrência da alta energia"anética do fluxo de ar, tem-se
um efeito de limpeza na superfície da peça tão forte que na maioria das vezes as
peças nãd precisam ser l impas'corri óleo,'passos de lapidação ó u semelhantes. A
desvantagem na medição sem contato é a influência da rugosidade superficial do"'
corpo a ser medido. Uma medição com confiabilidade só é possível se a rugosidade
44
média, estiver, na .ordem de grandeza de alguns micrometros ou menor. Rugosidades
grandes mascaram os resultados de medição, pois levam a variações.de afastamento
entre."rubeíra de medição e superfície da peça.. "
Entrada
de ar
Tubeira
Sensor
j f ^ - P e ç a
Guia
Tubeiras
de
Medição í
l . F u r ° d a . l
peça
Medição
s/contato
V Medição c/contato ->
F i g u r a 2 J 3 - Transdutores Pneumáticos (segundo Níeberding,. Neuss) [1]
2.3.3 Erros de medição
Um resultado de medição completamente certo é impossível de ser obtido, figura
2.14. Toda medição tem influências e é mascarada por erros provocados pelo
princípio de-medição, peta consideração de certas suposições e por erros do padrão;
de medição. Sofre influência também do sistema de medição, das imperfeições do
sistema de medição (dispersão e erros, deformações por peso próprio, força de
medição e, oscilações de temperatura), das propriedades do corpo a ser. medido
(limpeza, características da superfície e erros.de forma das superfícies a serem medidas
ou superfícies de referência,.porexemplo, lascamentos.ou deformações, rugosidades-
ou erros de circularidade em furos de centragem), das características pessoais do
observador (propriedades da visão do observador, capacidade de distinção de
assimetrias, tato para a aplicação das forças de medição, mão calma e segura na
regulagem do equipamento, etc). Como últimos fatores de influência deve-se citar a
45
variação da temperatura ambiente, i luminação, vibrações", oscilações de tensão'/—
comente e írequência, bern : como ; úma'- instalação-não adequada" do sistema de
medição que leva . a . um cansaço rápido do pessoal encarregado de efetuar as
medições. Os erros provocados durante a medição podem ser classificados em erros
aleatórios e erros sistemáticos.
Erros aleatórios são erros que resultam de fatores não determináveis'e
independem do desejo do observador. Eles são provocados por fenómenos que^não»'
podem ser determinados metrologicamente, e decorrem dos instrumentos de medição •
(por exemplo, atrito), do objeto a ser medido, do meio ambiente e do próprio
operador. Se um mesmo operador repete no mesmo _objeto a mesma medição com o
mesmo instrumento sob as mesmas condições/ou se o mesmo operador compara este
mesmo instrumento de medição com o mesmo padrão sob as mesmas condições por -
várias vezes, então as medições singulares serão distintas uma em relação a outra.
Com os erros aleatórios o resultado de medição atinge uma certa incerteza. A
certeza de u m resultado de medição pode ser melhorada com o aumento do número
de medições e p o r um tratamento estatístico dos: resultados.
Ambientar
Temperatura, pressão do ar,
umidader vibração, luz
secundária, campos parasitas
Pessoa Física:
Aptidão, prática. Perturbação
visual, capacidade de
avaliação, atenção
Equívoco:
Erro, erro de leitura, erro de
interpretação, impedância
w
Peca medita:
Peça medida com
determinado erro
Processo de medição:
Grandeza perturbadora não
considerada, aptidão, erro de
Abbe
Aparelho de medição:
Incerteza de medição,
aptidão, montagem, forças de
medição
Preparação:
Providências de preparação,
limpeza, protocolo, caBjracão
Figura 2.14 - Fatores para os desvios de grandezas de medição no processo de
medição
.46
• Erros ^ sistemáticos são provocados pela imperfeição' da medição e dos
instrumentos de medição, pela imperfeição do -processo de medição e do objeto a ser
medido, bem como por influências do meio ambiente e influências pessoais do opera-
dor que podem ser determinadas metro logicamente. Os erros sistemáticos têm um
certo valor e um certo sinal que, aplicando-se fatores de correção, podem ser
eliminados". O erro "é definido como indicação real negativa na indicação do
instrumento. Se o erro não é corrigido, então o resultado de medição não está cometo.
Os erros.de medição mais frequentes resultam das influências de oscilações da
temperatura sobre posições geométricas e das variações da força de medição. Para •
cada medição deve ser analisado a influência dos diversos causadores de erros sobre
os resultados da mesma. -'
2.3.4 Instrumentos de medição para a -verificação de comprimento e erros de
forma
O s : instrumentos para. medir, aferir ou ' ensaiar erros geométricos . de
comprimento - e erros d e - f o r m a , baseiam-se nos princípios de. medição "tratados no
item 2.3 .2 . Aqui. drferencia-se instrumentos com e sem indicação.
Instrumentos sem indicação
Blocos padrão são blocos " feitos de aço temperado, metal "duro ou
recentemente também de quartzo, cuja seção transversal é retanguíar ou circular e
dispõe de duas superfícies paralelas[15]. Estas duas' superfícies de medição são
trabalhadas finamente (lapidadas), e são tão planas, que se dois blocos padrão são:
montados um sobre o outro após uma limpeza rigorosa, eles permanecem aderidos
devido apenas à. força de adesão dos. matéria is, sem estar- preso por qualquer
agente adicional. A espessura da fenda entre os dois blocos padrão, resultante da
umidade de ar condensada e restos de gordura (em geral de gordura resultante do
manuseio do operador), é na maioria dos casos desprezível e inferior a 0,1 [ im.
Blocos padrão normalmente são classificados em grupos de 1 j im, 10 u,m, 0,1
mm e 1 mm, de forma que com um conjunto de 4 5 blocos padrão podem ser
47
determinadas todas as medidas entre 3 mm até 1 0 2 , 9 9 9 m m , de 1 u.m em T j im .
No máximo são empregados cinco blocos padrão simultaneamente.
Ainda ho[e é bastante frequente o uso de blocos padrão para a medição de
precisão. O emprego fácil e versátil, no entanto, encontra em contraposição uma
série de desvantagens. Os blocos padrão representam apenas uma medida e são
muito sensíveis a variações de temperatura, além disso, apresentam desgaste devido
à utilização. - . •- -. '• •
Calibres sempre representam uma só medida> segundo ã qual são fabricados
ou ajustados para uma,medida [7]. Calibres, são o instrumento mais .simples e-
muitas vezes o equipamento mais económico para, a fabricação quando se tem um
grande número- de componentes a serem medidos.. Eles-são empregados na
medição de peças redondas, planas, roscas, ângulos, cones, como também para a
medição de formas irregulares como os chapetones.
Calibres de teste ou padrão servem para a aferição de' instrumentos de
medição,.-bem como para verificação de calibres de fábrica. Esses calibres de
fábrica..geralmente--se. apresentam na forma- de-cal ibres passa-não-passa. A
diferença;entre o lado- passa e o não-passa. é a diferença dimensional definida pela
tolerânciade-fabricação do componente.
A lei de Taylor vale para a aferição de tolerância em peças, figura 2 .15 . Ela diz
que o lado passa do calibre deve verificar toda a forma geométrica da peça de uma
só vez, e que o lado não-passa deve verificar parcialmente a forma geométrica da
peça, empregando uma superfície de contato menor possível entre peça e cal ibre.
Certamente essa exigência nem sempre, pode .ser cumprida, \á que calibres
devem verificar simultaneamente todo o comprimento da superfície de ajuste. Porém
isto é impossível de ser realizado, por exemplo, em eixos muito espessos e longos
ou em furacões muito profundas, pois os calibres correspondentes se tornariam-
muito pesados e difíceis,.de serem manuseados.
48
não passa
passa II' 1 1
1
furacão
não passa
passa
erxo
não passa
furacão quadrada
não passa
furacão dentada
iura 2 . T 5 - Lei de Taylor na Calibração (segundo Kienzie) [1]
Instrumentos com indicação
Embasamento
Em. instrumentos de medição com .indicação podem _ ser acoplados vários
sistemas entre a grandeza a ser medida e a indicação, como por exemplo
amplificadores, transformadores e alavancas, que têm certa influência sobre o
resultado de medição. Geralmente em tais instrumentos vale a dependência, entre a
grandeza a ser medida e a indicação (sinal de entrada e o sinal de saída)'mostradas
na figura 2 .1ó. Cita-se algumas grandezas que devem ser observadas no manuseio
de tais equipamentos de medição.
A faixa de indicação representa a faixa de valores que podem ser medidos pelo
instrumento de medição. Certos instrumentos de medição, como um termómetro
com ampliação, podem indicar mais que uma faixa parcial .
49
A faixa de medição é a parte da faixa de indicação para a qual o erro da
indicação está dentro da tolerância requerida.
Grandezas de influência
Grandezas de
medição
Entrada
03
"cn
CO
Resultados de medição
Saída
Figura 2 .16 - Dependência entre o sinal de entrada e o sinal' de saída de um
sistema de medição PI
A faixa de medição pode compreender toda a faixa de indicação, ou ser
constituída de uma ou mais partes da faixa de indicação.
Em instrumentos de medição com mais de uma faixa de medição, as faixas
individuais podem apresentar faixas ou limites de erros distintos.
50
•)•• A faixa de supressãóae um instrumento de-medição é a faixa-de resultados de
medição, acima da qual podem ser-lidos os .valores de medição.' • - •• •
A histerese de. um equipamento de medição é a diferença da indicação gue se
obtém para o mesmo valor da medição quando se aproxima a marca do
instrumento de medição, parfíndo-se de um valor menor, e em seguida de um valor
maior, no início da medição. A histerese de um instrumento de "medição não é
constante (devido à. variação do atrito). Por isso índíca-se apenas que a histerese de
um equipamento fica abaixo de um certo valor.
A sensibilidade de um Instrumento de medição é a relação entre a variação
observada na indicação do instrumento e a variação do comprimento a ser medido.
A sensibilidade nem. sempre precisa ser constante em-toda a faixa de medição. Na
medição de comprimento a sensibilidade é Igual -a relação do comprimento que
pode ser medido pelo Instrumento de medição, por exemplo do indicador, com o
comprimento do corpo a ser medido, por exemplo do bloco padrão.
Exemplo: Um relógio comparador com uma amplif icação de 1000:1 (fator de"
proporcional idade'1000) tem sensibilidade de 1 mm/0 ,001 mm,"pois para uma
variação da grandeza, a ser medida de um milésimo de milímetro, a indicação se
desloca de- um milímetro.
Instrumentos Mecânicos
Micro metros são constituídos de um fuso, cufa parte frontal é configurada por
uma superfície de medição e a outra extremidade • serve como padrão de
comparação. O fuso é-. retificado (passo de 0 , 5 ou 1 mm) [ l ó ] ' . Como o eixo do
fuso também é o eixo do padrão, não se tem erros de medição de primeira ordem.
A faixa de Indicação de um micrômetro é 2 5 mm. A porca no lado externo tem
indicações das divisões, de milímetros, inteiros (às, vezes meios). A leitura, é feita no
tambor que dispõe de uma subdivisão em cem (ou cinquenta) partes. A leitura de
um centésimo de milímetro dá-se "na verificação da coincidência de um traço do
tambor com o traço de referência na porca. A incerteza de medição, em princípio,
depende das imprecisões das superfícies a serem medidas e de variações na força
de medição. Para mícrômetros até um tamanho de 100 m m usados corretamente,
•51
normalmente a incerteza de medição tem o rdem.de grandeza• d e . ± 0 , 3 p,m. Para.
evitar grandes flutuações, na força de" medição o-fuso- é dotado: de. .uma catraca. As
configurações mais usuais de micrômetros são: - •:
- Micrômetros para medição externa, onde as superfícies de medição são
adequadas à função de medição específica (figura 2.1 7).
- Micrômetros para embutímerito em microscópios, máquinas-ferramentas, etc.
- Micrômetros para a medição de furacão. -
A 3 _ C D £ F G
H Arco
Figura 2 .17 - Micrômetros externos [1]
Relógios comparadores e apalpadores indicam pequenos deslocamentos no
apalpador, com uma ampliação bastante grande em escala [17, 18]. O apalpador
normalmente é dotado de uma ponta cuja superfície de medição (plana, esférica,
forma de cunha, com ponta, arredondada) _ é adaptada. à função de medição
específica; a marca de Indicação normalmente é um ponteiro rotativo. A
transmissão no sistema de medição pode ser mecânica, óptica, elétrica ou'
pneumática. Apalpadores apresentam pequena faixa de indicação; normalmente
são empregados em sistemas de medição de comparação.-
Relógios comparadores têm ampli f icação mecânica, figura 2 .18, e escala
circular com ponteiro;, o ponteiro pode realizar várias rotações, o que possibilita
ampliar a faixa de medição; padronizadas são 10 mm, 5 mm e 3 mm. As
52
indicações na-escala, também são padronizadas: 0 ,01 mm;- além =dísso' existem
indicações-dê escalas.de 0,1- mm «(e também.de 0,001 .mm, no entanto os erros,
devido às engrenagens e crernalheiras, principalmente do primeiro-estágio, não são
menores que os erros de relógios comparadores de indicação 0,01 mm).
Figura 2.18 - Princípios de medição de um relógio comparador [1]
A haste de apaipação tem uma cremalheíra na parte interior do relógio e
transmite seus movimentos para um p inhão; uma alavanca (que tem forma, ta l , que
a força de medição sobre todo o deslocamento da haste de medição permanece
aproximadamente constante) é empurrada para fora através de uma mola. ,
Em relógios comparadores com proteção contra impacto, a cremalheíra e a
haste de medição estão desacopladas fisicamente entre si, de-forma-que impactos
sobre a haste de apaipação não são transmissíveis diretamente sobre o sistema de
medição. :
Relógios comparadores de precisão (apalpadores de precisão) têm um ponteiro
que não pode executar uma rotação inteira e apenas apresenta o deslocamento
sobre um ângulo (120 a 180 graus, em alguns casos até aproximadamente 300
53
graus) f igura .2 .19 : A amplif icação é d e 1 0 0 : 1 . a- 1000:1 e / e m casos .especiais-, "
ainda maior.. Porém, para tais - re lóg ios /as . causas de erros como'a ' ' i r rad iação
térmica não podem.mais ser desprezadas. : \
Indicadores das tolerâncias ~'
Padráo de furacão
para a haste de fixação
28 H7
Padráo de furacão
para o pino de fixação
6H7
Figura 2 .19 - Relógio comparador de precisão, (forma A) (segundo DhN 879) [1]
O Mikrokator, figura 2 . 2 0 , tem uma mola plana torcida como elemento
principal de medição. A mola plana de alguns milésimos de milímetro de espessura
tem um capilar de vidro extremamente fino co lado em um ponto ao longo da
lâmina [8]. Na extremidade do capi lar de vidro é co locada uma pequena placa de
alumínio para facil itar a visualização da posição do Indicador [8]. O deslocamento
da haste de medição age direta mente na forma de tração sobre a lâmina torcida,
54
deformando a mesma,- e.evitando influências-de atrito e folga. A lâmina-torcida
muda sua hélice devido à tração,- levando a-uma variação" da posição do ponteiro.
A amplif icação, portanto, depende da configuração da lâmina torcida.
Ajustador
Indicador
.Alavanca angular
Mola de pressão
Cilindro
Sensor
Figura 2 .20 - Representação esquemática de mikrokator ( C E . Johansson) [1]
As escalas e faixas de medição mais usuais são:
- Escala de 0 ,01 mm para uma faixa d e medição de 0,4 mm;
- Escala de 1 jxm para uma faixa de medição de 'ó0 u.m e-200- j im;
- Escala de 0.1 |i.m para uma faixa de medição de ó \xm e 20 u.m.
Além disso são fabricados microapalpadores com amplificação- por alavanca, nos
quais as alavancas são alojadas sobre facas para a diminuição de atrito e fo lga.
55
Para a medição de diâmetros'e-funções'semelhantes existem • micrômetros na
forma de estri-bccom um mícrômefro de" precisão embutido. Um instrumento desses;,
também denominado de Passa meter, está representado na figura 2 . 2 1 . O valor de
escala é 2 j i m , a faixa de indicação é de ± 8 0 u.m, e o instrumento dispõe de uma
faixa de regulagem de 2 5 mm. Normalmente são oferecidos quatro tamanhos, que
cobrem a faixa de 0 a 1 00 mm.
Tambor da escala ' • " Superfícies de medição Balandm
Cremalheíra Ajuste fino
Figura 2.21 — Passameter [1 ]
Em comparação com o calibrador micrométrico, o passameter oferece, através
de um pré-a{uste sobre uma medida, uma rápida leitura para a faixa de tolerância,
sendo utilizada para medições de grande frequência, por exemplo pequenas séries.
Instrumentos de medição ópticos
Instrumentos de medição ópticos para. medição de precisão têm um apalpador
acoplado a um espelho móvel, cujo movimento tem uma ampliação grande por via
óptica; a leitura da marca visual óptica é executada em um vidro fosco com escala
ou diretamente através de uma ocular.
56
O microscópio é uma -combinação d e dois sistemas ópticos,, da objet iva re da
ocular. A objeriva-produz a ampl iação da. figura-.real do. objeto, que é'observado via-
uma .lupa (ocular),. Peoduz-se, assim, uma figura virtual, bastante ampliada. A
ampliação total de um microscópio é o produto da ampliação da obfetíva pela
ampliação da ocular [8]. . •
O microscópio de medida é dotado de uma ocular de medida, que possui a
divisão de escala na ocular ou numa c h a p a c o m divisão, alojada nas imediações do
ocular, e que pode ser deslocada com precisão mensurável:. • • .,
Figura 2.22 - Princípio de medição do binóculo autocolimador [1]
Projetores de perfil ou também projetores de medição apresentam uma
representação fiel „ do objeto de medição. O desvio sifua-se na faixa de 0,1%.
Através da iluminação,, assim como no microscópio de medição, surge uma sombra
da peça que é vista na tela. A peça a ser medida é colocada sobre a mesa e,
ampliada opticamente de 5 a TOO vezes. Para a medição da peça utíliza-se na tela.
réguas.ou gabaritos com formas ou raios definidos. Para. medições mais exatas ou
para medições nas quais o corte da Imagem não é suficiente, o objeto a ser testado
é colocado sobre uma mesa que pode movimentar-se em duas direções [20]. Na-
figura 2.22 o princípio de medição descrito é apresentado para medição de desvios
angulares com um binóculo autocol imador.
57
Sensor de foco automático: através de uma lente obfetíva móvel o feixe de luz"
de medição [X - 7 8 0 •nmjé focalizado -sobre- a-superfície dó objetol O-' diâmetro dó
foco é da ordem de 1 p.m e limita-a dispersão lateral do sistema. A' luz refletída da
superfície incide sobre um sistema ótpico em um díodo fotodiferençial. O sinal
resultante é utilizado para regular a lente objet iva, isto é, o feixe de luz de medição
é novamente focalizado sobre, a superfície. A movimentação da lente é conseguida
com urrfsistema Óptico adicionar obtendo-se o perfil da superfície.
No princípio de foco automático pode-se obter erros de medida em cortes
posteriores ou cantos agudos semelhantemente, ao "sistema de apalpamento
mecânico. Esses resultam da grandeza da mancha de luz e da reflexão indefinida do
feixe de medição nas modificações de perfil. A medida .é influenciada 1 pefos filmes
de superfície e a poeira. Já que para a medida real é necessário uma grande
reflexão, grandes alterações das propriedades de reflexão nas superfícies podem
impossibilitar ou mascarar uma medição. As vantagens desse sistema são a grande
área de medição-vertical'e principalmente a medição.sem contato, que possibilita a
medição, de. materiais macios.
Instrumentos de. Medição Elétrícos
O apalpador de um sistema de medição'elétrico quese desloca em relação ao
elemento de medida provoca a modif icação de uma grandeza elétrica; essa
variação é ampliada de duzentas a quinhentas- vezes (em medições de qualidades
de superfícies até 100 mil vezes) e transformada em um valor de medição. Para
medições de comprimento geralmente são empregados transdutores indutivos,
figura 2 . 1 1 , cufo elemento de medida é um núcleo de ferro que se desloca (em '
geral entre duas bobinas) e com isto varia á resistência à passagem de corrente
alternada. As bobinas formam um lado. da ponte- de medição que trabalha com
auxílio de uma frequência básica gerada pelo ampl i f icador (raramente também com
frequência da rede). O valor de medida resulta de uma variação na ponte de
medida devidoa deslocamentos dos elementos de medida; não faz-se necessária
uma ampl iação mecânica no apalpador devido à amplif icação possibilitada pelo
amplificador. Por isso a massa do apalpador pode ser pequena.
58
O deslocamento de medida, a força de medição de um; dispositivo de medição
de deslocamento, bem como os valores,da-escala e a faixa de indicação da escala
ou do dispositivo de registro .no qual o valor de medição è~ visualizado,, podem ser
adaptados facilmente à função de medição.
Taís instrumentos de medição são muitas vezes empregados na-medição e
qualificação de uma-superfície, bem como na medição, de erros de circularidade.
Os transdutores de movimento sem contato são empregados em combinação com
a frequência básica dos amplificadores quando se faz necessária uma .medição sem
contato. Esses dispositivos têm uma larga faixa de apl icação, não sendo utilizadas
apenas para a medição de deslocamento, mas também para medições estáticas,
permitindo, por exemplo via um elemento elástico, a medição de forças, ou via uma
membrana, a detecção de uma pressão. A-sensibi l idade das bobinas • permite
trabalhar com deslocamentos extremamente pequenos, de forma que é possível
comparar estes instrumentos de medição com instrumentos praticamente sem
deslocamentos.
Instrumentos de Medição Pneumáticos
Os instrumentos de medição pneumáticos distínguem-se entre equipamentos de
alta e de baixa pressão, sendo que a referência de pressão é dada pelo regulador
de pressão. Alta pressão significa pressão p > 0,5 bar, e baixa pressão significa
pressão p < 0,1 bar. A faixa'de pressão entre 0 ,1 e 0,5 bar não é empregada por
dificuldades de concepção técnica dos equipamentos, porque nessa faixa tem-se
uma influência da pressão externa, bem;como uma variação-de fluxos,, de laminar
para turbulento nos canais de fluxos, que levam a perturbação na curva
característica dos equipamentos.- - -
, Ambos equipamentos são,baseados no mesmo princípio de medição. A figura
2.23 mostra a construção esquemática do princípio de medição por circulação e
por velocidade. A maioria dos equipamentos trabalham usando o princípio de
medição por pressão. . ' .., . -
59
Esquema do processo ••• •
de medição de volume
X Filtro de ar 3 Medidor de corrente
2 Heguíadorde pressão 4 Tubeira de medição'
Esquema do processo de medição' de velocidade
A
—
1 Filtro de ar
2 Regulador de pressão
3 Tubo venturi
4 Válvula de entrada
5 Tubeira de medição
$ Manómetro
Figura 2.23 - Princípios de medição por volume e velocidade para medição
• pneumática (de acordo cóm Dolezalek) [1]
A faixa de medição dos equipamentos pneumáticos normalmente situa-se entre
10 e 200 p.m; obtém-se amplificações, entre 1000 e 10000 vezes, em casos
especiais até 5 0 0 0 0 vezes" ou mais. As amplificações abaixo de 1000 vezes não
fazem sentido, fá que nestes casos equipamentos mecânicos para medição de
comprimentos são mais económicos. A precisão de medição relativa comporta-se
normalmente na faixa de 2% da ampli tude de medição. A medição direta, como é
conhecida em equipamentos elétricos, atualmente ainda não existe. Na f igura 2 .24
ÓO
é mostrada a, curva característica de um sistema de medição pneumático que
trabalha pêlo princípio de medição-por pressão, onde. a pressão indicada no
mostrador, diminui com o aumento dò afastamento da . tubeira em" relação a
superfície a ser medida.
Figura 2.24 — Curvas características de sistemas de medição pneumáticos [1]
A medição de furos é a principal área de apl icação para a medição sem
contato com equipamentos pneumáticos. Isto tem sua. razão,, uma vez que é
extremamente complicado medir furos com equipamentos de medição mecânicos
com precisão de milésimo de milímetro ou mais . A medição mecânica de furos
requer a mudança da direção de medição (via um cone, uma esfera ou uma
alavanca). Nisto a folga das guias dos elementos de mudança de direção sempre
ól
traz perda de precisão. -Na mudança de direção- via pneumática, num sistema de.,
medição pneumático, não se tem essa dificuldade.
- Tubeira de medição Peça a ser medida '" • .
Figura 2 .25 - Mandril, para medição pneumática [1]
Uma aplicação típica para a.medição do valor médio de uma furacão é um
mandril de medição com duas o u mais fubeiras. Na f igura 2.25 é mostrada a forma
construtiva de um mandril com 2 tubeiras. Este mandril tem 2 fubeiras
diametralmente opostas. Elas são recuadas em relação ao diâmetro do mandr i l , de
-forma que na introdução do mandril no furo elas não sejam danif icadas. O ar é
alimentado via um furo central e pode sair pela circunferência externa do mandri l .
Se-o medidor pneumático for ajustado de forma que os dois canais de medição
estejam na zona de valores característicos (figura 2.24) obtém-se uma centralização
correta do furo em função do mesmo volume de ar nos dois canats (mesma
espessura da folga).
Esta forma de medição de furos é realizada em dois pontos e assim, girando a
peça e o mandri l , pode-se verificar o desvio do diâmetro em relação ao
deslocamento angular e determinar o erro de circularidade do furo. Caso queira-se
determinar o diâmetro médio do furo não circular, são empregados mandris.
62
£ m geral trata-se de mandris de medição ajustados às'peças (exemplos típicos
na figura 2.26), sendo sua aplicação-total mente em produção, em série e em função
'do sisitema autolimpante e sem contato. ' - .
Medição de distância ' . Escala A Escala B Medição de cones
Indicação do diâmetro
Figura 2.26 - Exemplos para a medição pneumática [1]
2.3.5 Processos e equipamentos para a determinação da qualidade de superfícies
técnicas
O principal problema na medição e ensaio de superfícies técnicas é que possuem
formação tridimensional, cuja geometria deveria ser descrita topograficamente. Caso
se deseje qualificar o comportamento funcional de uma superfície, adidonaímente à
geometria, também devem ser determinadas as características físicas e químicas da
superfície.
No entanto, a medição da geometria e características físicas e químicas de uma
superfície extrapola os potenciais de testes e medição de indústrias que desejam
caracterizar a qualidade de uma superfície. Em virtude disso, a medição normalmente
se restringe à determinação da qualidade da geometria superficial. Mas também aqui
tenta-se inicialmente caracterizar a superfície pela rugosidade, ou seja, determinação
63
unidimensional de características-geométricas-,- fá que os métodos, para a descrição
topográfica de uma superfície são muito vira balhosos. .
Figura 2.27 - Cortes de perfil de superfícies usinadas (de acordo com Máhr) [1]
Esta descrição sobre a determinação de valores unidimensionais da rugosidade
incorre no perigo de que. a estrutura real da superfície, não é fielmente descrita. Desta
forma, por exemplo, a indicação do valor da rugosidade Ry está representado na
figura 2 .27 . caracterizado • pela . determinação da-rugosidade- em processos de
fabricação diferentes. Apesar de ter-se uma rugosidade aproximadamente igual nos
vários processos: de fabricação, a superfície torneada- é muito mais áspera que a
superfície brunida. A superfície brunida ainda tem capacidade de suporte melhor do
que a superfície torneada. Este exemplo mostra que para a descrição de uma
superfície não deve ser empregada qualquer grandeza de medição. Antes sim, deve
ser efetuada uma análise da superfície que englobe tanto a influência do processo de
fabricação, quanto a função posterior que a superfície deve desempenhar.
Para a caracterização de superfícies há processos de medição e de ensaio. Os
processos de ensaio, que não fornecem númeroscomo resultados mas a observação
da qualidade da superfície, se está dentro, ou fora de certos valores e tolerâncias
pré-estabelecidos, serão analisados inicialmente. Os processos de medição serão
analisados posteriormente.
Equipamenfos para ensaio de superfícies
a) Processos de ensaios visuais
64
Na figura 2.28 tem-se padrões de qualificação de superfície para diversos
.processos de fabricação.
Figura 2.28 - Padrões-de rugosidade (Rubert) [1]
Muitas vezes uma. comparação visual permite dizer se a superfície está dentro das
qualidades superficiais requeridas. Além disso, é possível riscar a superfície do corpo
de prova e do padrão c o m . a unha ou com uma moeda e obter informações
complementares. Um . operador com experiência de posse deste equipamento
relativamente simples pode averiguar uma-superfície, em termos de rugosidade, com
acerto d e ± 3 j j .m. . . . .
A qualificação de superfícies .com padrões de rugosidade é. simples e insensível
para influências externas, porém é imprecisa e apenas subjetiva.
Um equipamento de ensaio que na prática encontra muita aplicação é a régua
de gume, também denominada régua de cabelo ou régua de ferramentaria, figura
2.29.
Verifica-se neste ensaio se a planicidade^de uma superfície está > adequadas através
da fenda luminosa que fica entre a régua de gume e a superfície. Aberturas na faixa
de alguns micrometros podem ser detectadas. A precisão desse processo de medição
corresponde à precisão do padrão de comparação.
. 65
Fonte de luz
Esquadro de luz
Vista A
Fendas i
visíveis,
até 1 u.m Peça
Figura 2.29 - Ensaio de uma superfície com régua de gume [1]
A régua- padrão' de planicidade em. combinação com o rasqueteamento são
empregados muitas vezes para-a verificação de. erros de planicidade no controle da
superfície de uma peça na ferramentaria, figura 2 .30 .
Mesa padrão
Tinta Regiões pretas
Regiões claras Regiões acizentadas
(Tinta) ' ( P o t r t a a funda*) Pontos suportantes
Peça
Régua padráo
Figura 2 .30 - Ensaio de uma superfície por rasqueteamento [1]
A peça a ser ensaiada é pintada com uma tinta azul ou preta (fuligem) e a régua
é movimentada sobre esta superfície em direções aleatórias. Ao passo que no início do
óó
escorregamento os lugares escuros caracterizam pontos elevados, após várias etapas
de tintura e rasqueteamento, são observados pontos mais claros e pontos escuros. Os
pontos mais elevados,são friccionados e passam a se apresentar cinzas, e as regiões
mais profundas permanecem claras. Esse processo depende da experiência do
operador e e muito moroso.
b) Princípio de medição de superfícies pelo processo pneumático
Por uma tubeira passa-se ar a uma pressão constante incidindo sobre a superfície
a ser testada, figura 2 . 3 1 . O acúmulo de ar - pressupondo um afastamento constante
da tubeira - para uma superfície rugosa é maior, assim tem-se uma diferença maior de
pressão no manómetro. •
O afastamento da tubeira certamente tem uma influência maior sobre a diferença
de pressão do que a variação da rugosidade da superfície a ser testada. Por isso o
afastamento: da-tubeira deve ser mantido em tolerâncias muito estreitas, o que muitas
vezes não - &. possível, fazendo com que este processo não seja aplicado
frequentemente; .
Tubeira de entrada Câmara de medição
Ar comprimido
Tubeira de vazão
do excesso de ar
Manómetro
F"T Diferença
V d e . -
Tubeira de medição
Peça
Figura 2.31 - Princípio de medição de superfícies pelo processo pneumático [1]
67
Princípio de -medição de uma superfície por condensador'
O processo mostrado na figura 2.32; trabalha pelo princípio de medição da
capacitando elétrica..
' Eletrodo Dièlétrico
Peça
Figura 2 .32 - Princípio de medição de uma superfície por condensador [1 ]
Um dos lados do condensador é formado por um eletrodo isolado, pressionado
sobre a superfície e a peça a ser ensaiada, forma o outro lado. Variações na
qualidade da superfície provocam variações mensuráveis da capacitando. O tempo
de ensaio neste processo é pequeno, mas o processo é sensível à poeira e umidade
sendo adequado somente para o ensaio de materiais condutores de elefricidade.
a) Processos de medição óptico
Menciona-se ainda mais um princípio dé medição óptico sem contato físico com
a superfície a ser medida. Trata-se do princípio de medição por dispersão da luz
refleiida apresentado na figura 2.33.
Incidindo-se luz sobre uma superfície, a mesma se torna-difusa e é refletidal À
direção e a intensidade da dispersão fornece informação sobre o caráter da
rugosidade da superfície. O processo trabalha com luz branca ou monocromática e é
apenas influendado pelo grau de reflexão do material. É confiáve! desde que a
superfície permita a reflexão de luz, como é o caso de superfícies periódicas. Para a
operação desse sistema de medição faz-se necessário um manómetro.
68
Figura 2.33 - Princípio de medição óptico [1]
Equipamentos para amedição de superfícies
A seguir serão descritos equipamentos e processos usados para a. caracterização
de superfícies, de acordo 'com a DIN 47Ó2 até 4 7 6 8 . S ã o denominados processos de
medição, e contrastam com os processos de ensaio descritos até então..
a) Processos de medição ópticos
No microscópio de interferência a luz paralela de u m a lâmpada espectral passa'
por um prisma divisor parcialmente transparente e é dividido em dois raios parciais,
sendo que um direciona-se ao espelho comparador e o outro incide sobre a superfície
a ser medida. Após a. reflexão ambos os raios são unidos pelo espelho comparador ou
pelo corpo de prova atrás d o cubo divisor. S ã o provocadas interferências através do
deslocamento do espelho comparador. A obfetiva e o disco plano permitem a
observação microscópica da superfície com uma ampliação de até 900 vezes, figura
2.34.
69
Olho
Ocular
Espelho de I
comparação Prisma divisor • Fonte de luz
\
\
Objetiva Plano
óptico
1
Objetiva de
iluminação
Objetiva
i
1 — Peça
Figura 2.34 - Princípio de um microscópio de interferometria [1]
Ao contrário- do dispositivo de . ensaio de planicidade, o microscópio de
interferência só. permite a observação de pequenas áreas superficiais. Pode-se verificar
rugosidades na faixa de 0,03 até 2 u,m. •
A esquerda da figura 2.35 tem-se a figura da interferência de uma esfera sem
erros.
Superfície de uma esfera impressão de uma superffde de aço
Figura 2.35 - Fotografias obtidas em microscópio de interferometria [Zeiss] [1]
À direita tem-se a figura ínterferométrica obtida de uma superfície com ranhuras.
Apesar de que com o microscópio de interferometria pode-se executar medições sem
70
confqto, este processo só pode ser empregado, como todos os processos de ensaio e
medição ópticos, em superfícies refletoras.de luzJ
Para superfícies de difícil acesso (superfícies de furos e»superfícies internas), foram
desenvolvidos processos de cópia em laca. A laca o"u o esmalte é aplicado sobre a
superfície, após a secagem é desmoldado, e pode ser então observado como se fosse
a própria superfície.
No microscópio com fonte de luz "plana ou laminar, figura 2 .36, um feixe plano
de luz é condensado por um sistema de lentes ópticas. A luz refletída pela superfície a
ser medida é ampliada por um microscópio . D a mesma forma como no microscópio
de interferência, o microscópio de feixe de luz plana permite uma medição sem
contato. Esse processo é mais fácil de ser operado. É possível se fazer medição em
pequenos recortes superficiais, já que a ampliação horizontal e vertical são
aproximadamente iguais.
Resultadoda medição.
Material da ferramenta HMP 15 Esquema do processo
Tempo de iluminação t = 1/125 s ó P t i c o d e f e i x e P l a n o
Amplificação 400 vezes . .
Figura 2 . 3 ó - Medição da rugosidade de uma superfície com microscópio óptico
de feixe plano [1]
71
. • .No instrumento para a medição da capacidade.de suporte de uma superfície./
um prisma de vidro é pressionado sobre á superfície cilíndrica da peça, com isso a
reflexão total nos pontos de contato é perturbada, figura 2.3.7.^. •••••<
Microscópio
Campo visual
3 i#*ít**M"ihlHH:
d
e
f
• J 1 1
Latão torneado com metai duro.
Avanço 20 \im
Latão torneado com diamante.
Avanço 15-ujn
Latão torneado com diamante.
Avanço 5
Pino de pistão com fissuras polido
Pino de pistão polido
Cilindro de vidro superpolido
Figura.2.37 - Princípio para a medição de uma-superfície (Mechau) [1]
Na observação em um microscópio esses pontos aparecem escuros.
Comparando-se os pontos escuros com a superfície total , obtém-se' a informação
sobre a capacidade de suporte da superfície. C o m o auxílio de um equipamento de
processamento, a capacidade de suporte de uma superfície pode ser determinada
automatícamente.
A representação da capacidade de suporte para diversas superfícies é mostrada à
direita'da figura 2.37. A pressão de contato influencia o tamanho e-a distribuição da
capacidade de suporte, variando de acordo com o módulo de elasticidade do material
sob ensaio. A capacidade de suporte com este equipamento só pode ser determinada
. . . . . . •.
em superfícies com rugosidade na faixa de 0,5 a 3 u m .
72
b) Processos de medição eletro-mecânicos ;
Os_ equipamentos eletro-mecânicos para" a medição de superfícies são
normalmente denominados de rugosímetros. Esses distinguem-se entre equipamentos
de apalpamento e de contato.
No equipamento.de- contato, figura 2 .38 , a agulha de teste abaixa sobre a
superfície em .uma frequência prescrita,-ao passo que a superfície'se move com
velocidade de deslocamento constante abaixo da agulha.
Agulha de
apalpaçáo
Excttador de vibrações
para a agulha Princípio Woxen
Mola e peso
do vibrador
Amortecedor de
vibrações
Cabeçote
apalpador Apalpaçáo Diferencial
Figura 2.38 - Instrumento de contato (Wiemer), princípio de apalpação [1]
O percurso da agulha é descrito por u m sistema de espelhos sobre um disco
plano opaco, ou eletricamente para um registrador. A agulha de teste pode- ser
elevada até um nível pré-determinado (Princípio Woxen, à direita em cima), ou ser
elevada por um valor pré-determinado. a partir do ponto de contato na superfície
(apalpação diferencial, à direita em baixo).. A energia potencial do apalpador no
processo de medição diferencial é comparativamente menor e difere em certos
aspectos. Devido a isso, a. profundidade de-.penetração do apalpador.é.constantee a
precisão é maior que a do princípio Woxen.
A agulha desliza continuamente sobre a superfície, no caso de instrumentos que
trabalham pelo princípio de apalpação da superfície. A agulha se eleva e desce, de
acordo com o perfil da superfície, figura 2.39 (à esquerda em cima). Dependendo do
73
instrumento o curso da agulha é ampliado mecânica ou e.letricamente em relação : ,a
um ponto de referência, sendo indicado na forma.de um registrador de perfil.
Na figura 2 .39 tem-se várias formas usadas para transformar o valor dé medição.
Existe a transformação indutiva e piezelétrica. Uma outra variação possível, porém
menos utilizada, é a transformação optoeletrônica.
Atualmente desenvolve-se sensores de medição que, ao invés de utilizarem
agulhas de apa lpação , fazem a medição da superfície através de um feixe laser. A .
focalização ocorre mecanicamente, sendo esse movimento mecânico avaliado
como grandezcLde medição assim como nos apalpadores convencionais.
Corpo ferro
magnético
Bovina
Revestimento
metálico fino
Indutivo
Lâmina de'
cristal.
I /
Piezoelétnco — — J l D i a f r a 9 m a Fonte
Optoelétrico d e , u z
Figura 2 .39 - Princípios de medição de diversos rugosímetros [1 ]
Os rugosímetros são na prática os mais difundidos para a caracterização de
superfícies. Existe uma infinidade de tipos de equipamentos, variando desde
equipamentos de bolso, para medição de rugosidade e R,,, até equipamentos de.
laboratório com computador e impressora, para a determinação, por exemplo, da
curva de suporte, figura 2 . 4 0 . • ,
Independente da forma construtiva do rugosímetro, distingue-se ainda a forma,
característica do sistema de apalpação. São três os sistemas mais empregados:
Sistema de Superfície de Referência: Neste sistema o cabeçote do apalpador
desliza sobre a superfície de referência (plano, cilindro), que representa a superfície
geométrica ideal do corpo de prova, e está orientado segundo a superfície que deve,
ser medida, figura 2 .41 (à esquerda em cima). C o m excessão dos erros decorrentes
74
da geometria do apalpador, neste sistema de apalpação rugosidades e ondulações da
superfície são representadas com bastante perfeição. Para' medição de superfícies
muito pequenas, ou muito grandes, o emprego deste tipo de apalpador - não é
adequado. '
Rugosírnetro de Laboratório
Figura 2.40 - Rugosímetro de laboratório (Perthen) [1]
Um auxílio, neste caso, pode ser obtido com a agulha livre. A p e ç a : é colocada
sobre um carro com extrema qualidade de deslizamento, que é deslocado na direção •
horizontal abaixo do apalpador rigidamente acoplado ao sistema de apalpação. Além
da rugosidade, pode-se determinar também a macroestrutura da superfície.
- Sistema Semi-rígido: No sistema semi-rígido ou sistema de trenó, o apalpador e a
agulha deslizam sobre, um trenó, figura 2.41 (à direita em cima). Este sistema tem a
vantagem de ocupar pouco espaço podendo ser empregado para peças pequenasou
em superfícies de difícil acesso. Como desvantagem a orientação da superfície deve
estar o mais próxima possível d o sentido do deslocamento, caso contrário pode-se ter
uma falsificação do perfil transmitido. No caso da coincidência do afastamento entre o
75
apalpador e o trenó, para um meio comprimento de.onda do. registro do-perfil da
superfície, tem-se uma duplicação da. amplitude real (parte inferior da figura). Uma
coincidência do afasta mérito entre o trenó e a agulha é representado no registro como
uma linha reta. Uma adulteração desse tipo pode ser reduzida com o sistema
pendular.
Causas de em* «mtiftwmias sistemas sgfrt-rígidos
Figura 2.41 - Vários sistemas de medição de superfícies [1]
- Sistema de Medição Pendular Os dois trenós transportam o cabeçote apalpador do
sistema de medição pendular, f igura 2 .41 (centro em cima). Este orienta-se de acordo
com a superfície a ser medida sendo, por isso, fácil de ser operado. N o entanto,
necessita de mais espaço que o sistema de um trenó,'dificultando seu emprego em
superfícies de difícil acesso. A falsificação da superfície com ondulações longas devido.^
a uma grande separação* entre os dois trenós é menor do que no sistema semi-rígido,.
porém, também neste caso/se faz necessário uma filtragem elétrica das ondulações.
As propriedades de filtros eletrônicos (separador de ondulações), que permitem a
separação de frequências elevadas (passa alto) ou frequências baixas (passa baixo),
são descritas através dos chamados "comprimentos de onda limites" (cut-off). A norma
76
DIN 4768 determina como devemos regular os.filtros em dependência do sistema de
apalpação e curso de apalpação para um certo processo de fabricação.
A figura 2 .42 mostra o -registro de rugosidades, no qual através de um filtro de
onda regulado de acordocom a norma, obtém-se a ação dos' filtros. No primeiro
caso o registro foi reproduzido sem nenhuma filtragem, adicionado ondulações
superficiais ao perfil de rugosidade. Para o registro da segunda parte da figura foi
adotado um*filtro passa-baixo com Jimite de comprimento de onda X = 0,75 mm.
Ondulações menores que 750 um foram eliminadas por filtração. No terceiro caso foi
empregado um filtro passa-alto que somente permite a passagem de comprimentos de
onda menores que 75 u.m. Assim o registro apresenta a rugosidade sem a influência
da ondulação superficial. ' -•
Estes exemplos mostram de que forma a escolha dos filtros de ondulações podem
influenciar o- registro da rugosidade. Pode-se ver também que a comparação entre
registros de rugosidade só pode ser efetuada conhecendo-se a respectiva escolha dos
filtros empregados.
Isto vale da mesma forma para os fatores de amplificação horizontais e verticais.
Ao passo que em instrumentos ópticos o registro de uma superfície tem a mesma
ampliação em todos os sentidos, nos rugosímetros tem-se a possibilidade de trabalhar
com amplificação horizontal e vertical distintas.
Processo de fabricação: Brarrimento de curso curto Sistema apalpador HT25/8
Rugosidade média R, = 0,75 Trajeto do apalpador: 10 mm
Sem filtro de
Filtro passa baixo
Filtro passa alto
Figura 2.42 - Separação da ondulação e da rugosidade por filtros adequados [1]
77
Normalmente os registros de rugosidade aparecem distorcidos, figura 2 .43 , isto
é, eles são comprimidos no sentido horizontal e bastante ampliados no sentido
vertical, fendo-se a impressão de que a agulha passou por cima de uma superfície
com grandes oscilações de picos e vales.
No entanto, se for observada a estrutura real da superfície permitindo uma
variação dos registros de rugosidade e 'diminuindo a relação entre a amplificação
vertical e horizontal, então torna-se claro que a superfície real é muito mais lisa do que
a superfície descrita pela amplificação sdbredimensional-da direção vertical:
A agulha do apalpador incluída no desenho do registro da figura 2.43 tem um
raio de ponta-de 2 u m . Geralmente são empregadas agulhas com esta."As agulhas
trabalham com uma força de apalpação de 0,5 N , acarretando pressões de contato
(até a ordem de 6000 N/mm 2 ) , que podem levar a deformações plásticas da
superfície a ser medida. Por outro ' lado, raios de arredondamento maiores também
falsificam a medição superficial, de 'forma que em todos os casos existe uma
dependência entre o material que está sendo medido e as condições a serem
reguladas no equipamento de medição.
Figura 2.43 - Registros de rugosidades de uma superfície retificada com várias escalas
de representação [1 ]
78
A figura 2 . 4 4 mostra o registro da rugosidade de uma impressão inversa de
uma superfície (esquerda)* e seu-registro original . Embora todos os valores de '
rugosidade (R A / R ^ . e R ^ I N ) das duas medições sèfam praticamente.os mesmos'a
profundidade de alisamento da cópia R P é consideravelmente menor. Uma
falsificação parecida ocorre nos valores de capacidade de suporte, sendo que na
medição d a superfície através do processo de apalpamento isto deverá ser levado
em conta.
Perfil de referência
Rugosidade
R t R t 1 = Rt2
Rugosidade média
R a R a 1 - R a2
Média da Rugosidade
R z RZ1 = R z 2
Profundidade de alisamento V RP1 = R P2
Figura 2 . 4 4 - Distinção entre um registro de rugosidade da superfície original e da
superfície reproduzida [ 1 ]
3 Fundamentos de Usinagem
3.1 Definições básicas - -
As definições apresentadas a seguir são baseadas na norma ABNT NBR
Ó1Ó2/1989. Os conceitos referem-se a um ponto genérico do gume (aresta de
corte) chamado ponto de referência. Nas ferramentas de barra este ponto é f ixado"
no gume principal (aresta principal de corte) próximo à ponta da ferramenta [3].
- Usinagem: operação que ao conferir à peça forma ou as dimensões, ou
acabamento ou ainda uma combinação qualquer desse três itens produz cavaco. "
- Cavaco: porção de material da peça retirada pela ferramenta que se caracteriza
por apresentar forma geométrica irregular.
3 .1.1 Movimentos
Os movimentos no- processo de usinagem são movimentos relativos entre a peça
e o gume. Referem-se à peça considerada parada e podem ser divididos em dois
grupos: os que causam dlretamente a saída do cavaco (corte, avanço e efetivo) e os
que não causam (aproximação, ajuste, correção e recuo).
- Movimento de corte: movimento entre a peça e a ferramenta que, sem o
movimento de avanço, origina somente uma única retirada de cavaco durante uma
volta ou curso.
- Movimento de-avanço : movimento entre a -peça e a ferramenta que,-juntamente
com o movimento de corte, origina um levantamento repetido do cavaco, durante
várias revoluções o u cursos.
- Movimento efefivo de corte: movimento resultante dos movimentos de corte e de
avanço, realizados ao mesmo tempo.
80
- Movimento de aproximação: é o movimento entre a peça e a ferramenta, com o
qual a ferramenta é aproximada d a peça antes da usinagem.
- Movimento de ajuste: é o-movimento entre a peça e a ferramenta no qual a
espessura da camada a ser retirada é determinada de antemão. '
- Movimento de correção: e o movimento de eorreção entre a peça e a ferramenta
para compensar o desgaste da ferramenta ou qualquer outra variação.
- Movimento de recuo: é o movimento entre o gume e a peça com o qual a
ferramenta é afastada da peça após a usinagem. ... .
3 .1 .2 Direções dos movimentos
As direções dos movimentos descritos acima são as direções instantâneas
dos mesmos durante o processo de usinagem {figuras 3 . 1 , 3 .2 e 3.3) .
Mov. efetivo
Mov. de avanço
Figura 3.1 - Direções dos movimentos de corte, de avanço e efetjyo no
Broca helicoidal
Peça
Mov. de avanço
Figura 3 .2 - Direções dos movimentos de corte, de avanço e efetivo na furacão [3]
Mov. de corte
Mov. efetivo
Figura 3.3 - Direções dos movimentos de corte, de avanço e efetivo no
fresamento [3]
82
3.1.3 Velocidades
- Velocidade de corte (VJ; e a velocidade instantânea do ponto de referência do
gume da ferramenta segundo a direção e o sentido de corte. Para processos com
movimentos de rotação a velocidade de corte é calculada pela equação 3 . 1 .
(3.1)
Onde:
D = diâmetro da peça ou ferramenta [mm]
n = número de rotações da peça ou da ferramenta [rpm]
- Velocidade de avanço (v{): velocidade instantânea do ponto de referência do
gume, segundo a direção e sentido de avanço. É calculada pela equação 3 .2 .
v f — f . n [mm/min] (3.2)
O n d e :
f = avanço [mm]
n = número de rotações da peça ou da ferramenta [rpm]
- Velocidade efeiiva de corte (vj: é a velocidade instantânea do ponto de referência
do gume da ferramenta segundo a direção efetiva de corte.
3.1.4 Grandezas de corte
- Avanço (f): é o percurso de avanço em cada volta (mm) ou. em cada. curso da
ferramenta (mm/golpe).
No caso de ferramentas que possuem mais de um dente distingue-se o
avanço por dente (fj, que é o avqnço de cada dente medido na direção de avanço
v c = Tr.D.n/1000 [m/mm]
83
cia ferramenta e correspondente à geração" de duas. superfícies de usinagem
consecutivas. Para o cálculo d o avanço vale a relação 3 .3 .
f = f ,z (3.3)
O n d e :
f z = avanço por dente [mm/dènte]
z = número de dentes da ferramenta
- Profundidade de corte (OjJ: é a profundidade de penetração do gume principal.
- Penetração de trabalho ( a j : é de importância predominante no fresamento e na
retificação. É a penetração da ferramenta em relação à peça numa direção
perpendicular à direção deavanço (figura 3.4) .
Figura 3.4 - Profundidade-de corte (ap) e penetração de trabalho ( a j . n o fresamento
periférico [3]
- Largura de corte (b)-: é a largura da seção transversal de usinagem. Nas condições
de observação simplificada (figura 3.5) é idêntica ao comprimento do gume
principal ativo. Nesse caso vale a relação 3.4 .
84
b = o/senx' - " • • (3.4)
Onde: '
b = largura de corte [mm]
a p = profundidade de corte [mm]
X — ângulo de direção do gume [graus]
- Espessura de corte (h): é a espessura da seção transversal de usinagem (figura
3.5). Em ferramentas com gumes-retilíneos vale a relação 3.5 [2].
h = f.sen% (3.5)
f - avanço
a p - profundidade: de. corte
b - largura de corte
h • - espessura de-corte
X - ângulo de direção do
gume
b = a-p /sen %
h = f . sen x
^y
Figura 3.5 - Espessura e largura de corte para gumes retilíneos
3 .2 Noções sobre geometria de ferramentas d e corte
Em todos os processos de remoção de cavaco, características de processo
como a formação de cavacos, saída dos cavacos, forças de corte, desgaste e o
resultado do trabalho são consideravelmente, influenciadas, pela . geometria da
ferramenta (figura 3.6). Devido a isto esta geometria deve ser adaptada ao material
da peça, ao material da ferramenta e às condições específicas da máquina-
ferramenta.
85
Os termos, a denominação e a designação da geometria da cunha estão
normalizados pela-DIN Ó581 e pela ISO 3 0 0 2 / 1 . As figuras mostradas a seguir são
baseadas nestas normas.
Q Formação de cavacos
Q Saída de cavacos
Q Forças de corte
Q Desgaste da fer ramenta
Q Resultado de t raba lho
Função da
Geometr ia da
Ferra me nfa
Adaptar às
condições
de t rabalho
Figura 3.6 - Influência da geometria da ferramenta sobre algumas característica do
processo
A f i g u r a 3 . 7 mostra uma ferramenta de torneamento ou plainamento e define
superfícies, gumes, chanfros e quinas, sendo denominado como cunha de corte o
corpo limitado pelas superfícies indicadas na f igura.
A cunha de corte é a parte efetiva da ferramenta, na qual encontram-se a
quina e os gumes.
Em ferramentas de torneamento e plainamento, como a mostrada na figura
3 .7 , têm-se dois gumes, denominando-se um gume principal e outro gume
secundário.
Como gume principal é designado o gume que se encontra na direção de
avanço. A Interseção dos dois gumes, chamada de quina da ferramenta, é
frequentemente de forma arredondada.
A face da ferramenta é a superfície sobre a' qual deslizam os cavacos. Os
flancos são as superfícies que se justapõem às novas superfícies formadas durante a
usinagem.
86
Gume
secundário
Chanfro no flanco do
gume secundário
Ftanco secundário
Direção de corte
, Haste
Direção de avanço
—— Gume principal
Chanfro da face
no gume principal
Chanfro no flanco
do gume principai
Quina com raio de \
arredondamento Ranço principai
Figura. 3 . 7 - Ferramenta de tornear — principais denominações [1] •
Os flancos principal e secundário são definidos de acordo com sua posição em
relação à direção de avanço. Se existirem chanfros nos gumes, estes são
denominados chanfro do gume principal ou chanfro do gume secundário. Nas
figuras 3.8 e 3 .9 são mostradas ferramentas de furar e fresar respectivamente, com
as principais denominações da geometria.
Face
Gume
principá
Cana1
Gume
transversal
Figura 3.8 - Ferramenta de furar - principais denominações [2]
87
Direção de
avanço .
Gume principai
Flanco
secundário' Flanco
principal
Gume
secundário
Gume
prindpai
Quina
Figura 3.9 - Ferramenta de íresar— principais denominações [3]
Nas figuras 3 .10 e 3 . 1 1 são mostradas ferramentas de tornear e furar,
respectivamente, com os principais ângulos onde:
a = ângulo de incidência • .
B = . ângulo de cunha
y = ângulo de saída
X = ângulo de direção do g u m e
s == ângulo de quina
X = ângulo de inclinação
o* = ângulo de ponta
\y — ângulo do gume transversal
r e = raio de quina
88
a = ângulo de incidência
P"= ângulo de cunha
y = ângulo de saída
e = ângulo de quina
X = ângulo de direção
X = ângulo de inclinação
r e = raio de quina
Figura 3 .10 - Ferramenta de tornear — principais ângulos [7]
ti
•fc
i
1 ^
l\ / p
J
/s
Figura 3 .11 - Ferramenta de furar — principais ângulos [2]
89
3.3 O processo de corte
Cunha de corte ^
\
No início do corte a 'cunha da ferramenta penetra no matéria! da peça , que se
deforma elástica e plasticamente. Após ultrapassar a tensão de císalhamento
máxima do material este c o m e ç a a escoar. Devido à forma da cunha de corte o
material escoado toma a forma de cavaco, que desliza sobre a face da ferramenta,
figura 3 .12.
Cavaco Cunha de corte 1) A
o"
y
Direção de corte-''
h Espessura de usinagem
(antes da retirada de cavaco
Espessura de corte
(depois da retirada de cavaco
a Ângulo de incidência
p" Angulo de cunha
y Ângulo de saída
1
Figura 3 . 1 2 - Formação do cavaco (representação esquemática) [1]
A figura 3 .13 traz a representação esquemática d o mecanismo de formação de
cavaco. A representação mostra uma deformação plástica contínua que pode ser
dividida em quatro regiões. A configuração estrutural na peça (a) passa, por->
císalhamento (zona-de císalhamento) para a-configuração-estrutural do-cavaco (b).
Na usinagem de materiais frágeis pode ocorrer u m a deformação plástica na região
de císalhamento que leva à separação do material . Se o material tem, no entanto,
uma capacidade de deformação maior, então a separação só ocorre
imediatamente à frerite do g u m e , na região (e). A solicitação de tração, simultânea
à aplicação de uma pressão vertical sobre a ferramenta e em combinação com as
90
temperaturas elevadas, leva a deformações na camada superficial da superfície de
corte do cavaco (c) e na superfície de corte (d). No deslizamento sobre às superfícies'
da -ferramenta formàm-se superfícies-limites q u e - t a m b é m sofrem deformações
plásticas complementares. Essas regiões de escoamento e que têm uma textura de
deformação paralela à face da ferramenta, dão a impressão de escoamento viscoso
com grau de deformação extremamente elevado.
Estrutura na peça
Plano de císalhamento
/
Estrutura no cavaco
Figura 3 .13 - Raiz de cavaco [1]
O cavaco formado no processo acima descrito é denominado de cavaco
contínuo. Outros tipos de cavaco são o cavaco lamelar, císalhado e arrancado.
Pressupondo-se que as condições de corte na região de císalhamento podem
levar a um grau de deformação . máximo. de. . S Q a podem ocorrer as seguintes
situações com relação ao diagrama tensão de císalhamento x deformação e tipos
de cavaco, figura 3 .14 ;
91
- Cavacos contínuos . ocorrem quando o material tem uma capacidade--de
deformação suficientemente elevada (sB > SQ ) , a estrutura na região do : cavaco'"é.
regular, as deformações não levam a encruamentos acentuados e o processo não é
influenciado por vibrações. -
- Cavacos do tipo lamelar ocorrem quando vale a condição s 8 < s 0 < sZ / quando a
estrutura do material é irregular ou quando vibrações levam a variações na
espessura do cavaco. Cavacos do tipo lamelar podem ocorrer também para
grandes avanços, bem como altas velocidades de corte.
(J) Cavaco contínuo Cavaco de (ameias
(4) Cavaco arrancado.'
' Cavaco cisalhado
Campo de forma- Campo de
çâo de cavacos I formação de
cisalhado, cavaco
arrancado e I contínuo
lamelar.
Campo
elástico campo
\o Região com
' ' • / escoamentoGrau de deformação e
£ 0 Grau de
deformação no
plano de
cisai ha mento
Figura 3 .14 - Tipos de cavaco em dependência das propriedades dos materiais [1]
- Cavacos cisalhados constam de segmentos de cavacos que são seccionados na
região de císalhamento e novamente se unem através d e catdeamento. Este tipo de
cavaco ocorre quando s z < s 0 / de forma .que isto não ocorre somente para'
materiais frágeis como ferro fundido, mas também quando a deformação produz
um encruamento acentuado na estrutura do material . Cavacos cisalhados podem
ocorrer também para velocidades de corte extremamente baixas (v c = 1 a 3 m/min).
92
- Cavacos arrancados ocorrem normalmente na usinagem de materiais frágeis com
estrutura irregular,, como por exemplo em alguns ferros fundidos e na usinagem'de
rochas. Os cavacos não são cisalhados e sim arrancados da superfície, faz com que"
a estrutura superficial da peça muitas vezes é danificada por microlascamentos.
3 .3.1 Solicitações na cunha de corte • - ..
A força de usinagem F, aqui representada para o processo de torneamento,
pode ser desmembrada em" suas componentes: a força de corte ? a a força de.
avanço Ff e a força passiva F p (figura 3 .15) .
Movimento F - Forca de Usinagem
de avanço " Fc- Força de Corte
da Fr- Forca de Avanço
ferramenta p P- Força Passiva
Figura 3.15 - Forças de usinagem e suas componentes para o torneamento [1]
• As componentes da força de usinagem que atuam na face da ferramenta no
sentido normal e tangencial atingem valores que, para a usinagem dos aços de
construção mecânica , estão situados na faixa de 3 5 0 a 4 0 0 N/mm 2 e 2 5 0 a 3 5 0
N/mm 2 , respectivamente-. Para • materiais d e difícil usinabilidade, estes valores
podem atingir a té 1100 N / m m 2 . As tensões normal e tangencial, em combinação
com a temperatura' na região de corte, que para a formação de cavacos contínuos
pode estar situada acima de 1 0 0 0 ° C , podem causar deformações s entre 0,8 e 4 e
93
velocidades de deformação de aproximadamente 1 0 V . Para as condições de
corte de ferramentas de -metai -duro, têm-se tempos de aquecimento e de
deformação do material da peça n a ordem de grandeza de alguns milisegundos.
Teoricamente, as velocidades de aquecimento tocalizam-se na faixa'"de 10°C/s.
Grandeza e direção da força de usinagem são influenciadas fortemente pelas
condições e geometria de corte utilizadas. Na figura 3 . 1 ó é apresentada
qualitativamente a dependência das componentes da força de usinagem F c, F f e F p
em função do avanço f, da velocidade--de corte v c , da profundidade de corte a p e do
ângulo de direção do gume % no sistema de coordenadas lineares.
Força de Corte F_
Figura 3.16 - Dependência das componentes das forças de usinagem em relação ao
avanço, a velocidade de corte, ao ângulo de direção do gume ê a*
profundidade de: corte [1]
Os valores extremos nos processos das componentes das forças de usinagem
sobre a velocidade de corte são apresentados na f igura 3.1 ó , A redução da força
9.4
com o aumento da velocidade de corte deve-se à redução da resistência do material
a altas temperaturas. • . • "
As componentes d a força -de usinagem aumentam proporcionalmente com a
profundidade de corte a p . Entretanto, isto vale somente se a profundidade de corte for
maior que o raio de quina da ferramenta.
O processo da força de avanço Ff e da força passiva F p sobre o ângulo de
direção do gume % ocorre devido à localização geométrica do gume de corte com
relação ao eixo da peça , já que com maiores ângulos de direção do gume as
componentes da força de usinagem aumentam na direção do avanço e têm seu
máximo quando x = 9 0 ° .
Se o ângulo de direção do gume for aumentado, a espessura do cavaco h
aumenta à mesma proporção que a largura do cavaco b"diminuí (figura 3.5). J á que
a força de corte F c é proporcional à profundidade de corte a p (equivalente à largura
de -cavaco b), ela aumenta de forma inversamente proporcional ao avanço
(equivalente à espessura do cavaco h), resultando das duas variações uma. leve
redução de F c com aumento de X-
A figura 3 .17 mostra, alguns valores teóricos de como as componentes da força
de usinagem variam quando o ângulo de saída ou o ângulo de- Incidência variam.
Uma alteração do ângulo de íncidêcia na faixa de 3° < a < 1 2 o não tem nenhum
efeito significativo sobre as componentes da força de usinagem. Da mesma forma
uma alteração do raio de quina não tem nenhuma influência significativa sobre as
forças, enquanto for obedecida a exigência 2 r e < a p .
O desgaste da ferramenta (item 3.4) é outra grandeza que tem influência sobre a
força de usinagem. Dependendo do tipo de desgaste é- observada uma diferente
influência sobre as componentes das forças.
O desgaste de cratera que tem como consequência um ângulo de saída grande
e positivo leva a uma redução da força de usinagem. O desgaste predominante na
superfície de saída aumenta a força,.já que. a superfície de contato entre ferramenta e
a superfície de saída é maior. Uma afirmação quantitativa para o aumento da força
com o aumento do desgaste da ferramenta é possível somente devido ao grande
número de fatores de influência. Do valor de referência para o aumento da força até
uma marca de desgaste de 0,5 mm podem ser estimados: aproximadamente 90%
95
para força de avanço Ff, aproximadamente 100% para força passiva Fp--.e
aproximadamente 2 0 % para força de corte Fc."
Fatores de influência
Mudança nc
usinagem pa
Fcirça de corte
•ss componentes de
ra cada grau de ân
Força de avanço
Ff
is forças de
guio mudado
Força passiva
o • Ângulo de saída .. 1,5% t j " 5,0%
4 ' ° %
Q ^^Anguío de inclinado ^ 1.5% ' j j " 1,5% ^ 10,0%
^ \o de saída
c
4^ 1.5%. 5,0% ^ 4,0%
(D
E
Ângulo de inclinação 1,5% 4J- 1-5% ^ 10,0%
Figura 3 .17 - Influência do ângulo de saída e do ângulo de inclinação nas
componenetes das forças de usinagem [T]
A f i g u r a 3.18 mostra a divisão do trabalho total de usinagem em trabalho de
císalhamento, trabalho de corte e trabalho de atrito, em dependência da espessura
de usinagem. A figura mostra que as parcelas diferentes de trabalho dependem da
espessura de usinagem, onde o trabalho de cisalhamento é a principal parcela para
grandes espessuras de usinagem.•
O trabalho mecânico efetivo empregado para usinagem é praticamente
totalmente transformado em energia térmica. Os centros de geração de calor são
idênticos aos centros de deformação. Assim, têm-se fontes de calor n a região de
cisalhamento e nas regiões de atrito na ferramenta. O grau de deformação na
região de escoamento no lado inferior do cavaco é bem maior que na região de
cisalhamento, de forma que entre o cavaco e a ferramenta espera-se as maiores
temperaturas. Uma vez que a espessura dessa região de escoamento é muito fina
96
em relação a região de cisalhamento, essas temperaturas mais elevadas não são
diretamente correlacionadas com a maior transformação dê energia/
Trabalho efetivo
• W.
W » F . 1
« « 9
700
iTUdaN
s
s
Trabalho de
deformação
Trabatmde
atrito
Trabatiode
císalhamento
Trabalho de corte
Airito no flanco
Atrito na faca
Energvi lalai ito
a
• cakx
Material da peça
Resistência á tração R m
Velocidade de corte vc
Largura de usinagem b
Angulo de klddôftda a
Angulo de saída y
0.2 0,4 o,s
Espessura de usinagem h
0.8 mm
S5NiCrMoV8
800 N/mm2
100 m/min
4,25 mm
5*
10*
• Figura 3.7 8.- Subdivisão do trabalho efetivo na usinagem em dependência da
^ espessura.de usinagem segundo Vieregge [1]
A representação na figura3 .19 à esquerda informa as quantidades de calor
absorvidas pela peça , cavaco e ferramenta. A maior parte do calor é transportado
pelo cavaco. A parcela principaL da energia mecânica (nesse caso 75% e de uma
forma genérica, maior que 50%) é transformada na região de cisalhamento. As
quantidades de calor das diversas regiões de transformação "de energia são
dissipadas por condução, Irradiação e convecção para o meio ambiente. Como
consequência desse balanço térmico tem-se campos de temperatura que se
modificam até que haja equilíbrio entre a quantidade de calor gerada e a
transmitida para fora . O campo de temperaturas típico é mostrado à direita na
f igura.
97
Material da peça aço kf= 850 — — n
Material da ferramenta HW-P20 m m ^ '
Velocidade de corte v c = SOrrim .
Espessura de Usinagem h. = 0,32 mm
Ângulo de incidência y = 10°
Figura 3.1 9 - Distribuição de calor e temperatura na peça, cavaco e ferramenta, na
usinagem de a ç o [1]
Observando-se uma partícula- de material na região de separação , .sua
temperatura será. no mínimo- igual à de- uma. partícula na região de cisalhamento.
Continuando a deslizar essa partícula sobre a região de contato, a.mesma, na face
inferior do cavaco, será consideravelmente aquecida, pois a energia necessária
para separar o cavaco na interface cavaco e ferramenta é praticamente totalmente
transformada em calor. Como este fenómeno só ocorre nas regiões-Iimites entre
cavaco e ferramenta, em uma camada de material muito fina, ele aquece a
camada inferior do cavaco tanto mais quanto menor f o r o tempo, em decorrência
da velocidade de corte disponível para a condução do calor. A temperatura máxima
não ocorre diretamenfe sobre o gume; pelo contrário, ocorre afastada no sentido
do deslocamento da saída do cavaco.
Uma ideia da ordem de grandeza das temperaturas médias na face das
ferramentas em dependência da velocidade de corte para diversos materiais de
ferramenta é dada na figura 3 .20 . Na faixa de velocidade de corte v c = 2 0 até 50
m/mín, o comportamento da temperatura no sistema de coordenadas bilogarítimo
não é linear. O motivo para isto, é que nesta faixa de velocidade tem-se a
formação de gume postiço, que perturba a condução de calor.
98
1100
°c
1050
1000
950"
900
850
800
750
> 700
8-
42
co c
ca
2
O.
£
,<b-- 500
650
600
550
450
400
350
300
Fim da
formação de
gume postiço
\
-P10 zrz
4 4
'A
r
P30
1—i
S 1 2 - 1 - 4 - 5
Mat da ferramenta
HW-P10, P30
Aço Rápido HS12-1-4-5
Mat da peça Ck53N
Geometria da ferramenta
6° 6* 0° 70* 84° 0,8 mm
Seção de Usinagem
a .f= 3x0,25mm 2 p
Tempo de Corte ^ = 15 s
: T , , T T T T T T T T T T - T T T T T
10 16 25 40 63 100 m/min 250
Velocidade de Corte v c
Figura 3 .20 - Temperatura média na face da ferramenta em função da velocidade
de corte [1]
3 . 4 Desgaste "
3.4.1 Formas de desgaste e grandezas a serem medidas no desgaste
Durante a usinagem a cunha é submetida a desgastes que dependem da forma
de solicitação e da duração de utilização da-ferramenta. A f i g u r a 3.21 mostra, as
formas de desgaste mais frequentes na ferramenta de torneamento. A cunha da
ferramenta desgasta na face (desgaste de cratera) assim como na superfície de
saída e no flanco (desgaste de flanco).
99
Desgaste de Cratera
Desgaste de Ranço
no Gume Principal
Desgaste de Flanco
no Gume Secundário
Desgaste
de Flanco
Y Ãngukj de Saída
a Ângulo de Inadéncia
SVT Deslocamento do Gume
no Sentido da Face
SV* Deslocamento do Gume
no Sentido do Flanco
VB Desgaste de Flanco
KL Largura do Lábio da Cratera
KT Profundidade da Cratera
KM Afastamento Médio da Região
mais Profunda da Cratera
Figura 3 .21 - Formas de desgaste e grandezas a serem medidas na cunha [1]
Dependendo das solicitações de corte e do confunto "material a ser usinado /
material da ferramenta de corte" o desgaste de flanco pode ter seu máximo na
periferia da zona de contato da ferramenta que se desloca na direção do cavaco.
Esse desgaste surge na zona de contato' da ferramenfa-cavaco através de
solicitações térmicas e mecânicas, do caráter abrasivo e quina afiada do lado
Inferior do cavaco, assim como o contato díreto^com a atmosfera.
Entre as grandezas de desgaste a serem medidas, representadas
esquematicamente na figura 3 . 2 1 , distinguem-se a marca de desgaste de flanco VB,
o deslocamento do gume em relação ao flanco da ferramenta SV a e o
deslocamento do gume em relação à face SV r. Na face da ferramenta é medida a
profundidade de.cratera JCT e o afastamento médio da cratera K M , por onde pode
ser determinada a relação de desgaste K = KT/KM.
1 0 0
3.4.2 Causas e mecanismos de desgaste
As condições de atrito na região de contato da ferramenta podem ser
comparadas com o atrito seco no vácuo. O desgaste da ferramenta, via de regra, é
relativamente rápido devido às solicitações térmicas e mecânicas elevadas.
De acordo com o estado da arte atua!, dístinguem-se várias causas influentes
sobre o desgaste da ferramenta (figura 3 .22) , abaixo relacionadas [ 1 ] :
ri*
Temperatura de Corte.
(Velocidade de Corte; Avanço e outros fatpres)
Figura 3 . 2 2 - Causas de desgaste na usinagem [ 1 ]
Danificação do gume devido às.solicitações mecânicas e térmicas excessivas;
Abrasão mecânica;
•Adesão (cisalhamento de mícrosoídagem ou mícrocafdea mentos) ;
Difusão;
Oxidação.
Os diversos mecanismos de desgaste agem simultaneamente, de forma que ^
tanto sua causa como seu efeito dificilmente podem ser distinguidos entre st*.
1 0 1
- Solicitações mecânicas e térmicas excessivas
Danificações do gume como. mícroquebras, fissuras transversais e fissuras
longitudinais, bem como deformação plástica, advém de solicitações térmicas e.
mecânicas excessivas.
- Lascamento
Forças de corte excessivas muitas vezes levam a micro e macrolascamentos do
gume ou da quina, principalmente quando o ângulo de cunha ou o ângulo de
quina da ferramenta s ã o muito pequenos ou o material da ferramenta ,é
demasiadamente frágil. Nesses lascamentos, a linha de fissura é definida pela
direção da força de corte. Interrupções de corte também podem provocar
lascamentos, sobretudo na usinagem de materiais tenazes que apresentam cavacos
que caldeiam ou soldam facilmente na face da ferramenta.
Microlascamentos ocorrem quando o material a ser usinado é duro e contém
inclusões não-metálicas resultantes, por exemplo, da oxidação do aço na
siderurgia. As ferramentas m a i s susceptíveis a. estes, tipos'de solicitações localizadas
são as de materiais cerâmicos e de metais, duros resistentes, ao desgaste,
principalmente nos processos, de fabricação com seções de usinagem muito
pequenas (por exemplo alargamento e rasqueteamento).
- Fissuras transversais
Em cortes interrompidos (por exemplo no fresamento), o gume é submetido a
um grande esforço alternante. Esta solicitação alternante compressiva pode levar à
fadiga da cunha de corte. As tápidas variações das forças de usinagem, no caso do
fresamento de ferramentas de metal duro, podem levar a físsuramentos transversais
(figura 3.23) .
A solicitação alternante, provocada pela formação de cavacos anelares,
também pode levar a fadiga da ferramenta, possibilitando a formação de fissuras
transversais, por exemplo, na usinagem de titânio.
1 0 2
- Fissuras longitudinais
Fissuras longitudinais (figura 3.23) são danificações do gume, em decorrência
• de solicitações térmicas alternadas. Essas solicitações ocorrem'principalmente no
trabalho com corte interrompido.
Figura 3.23 - Formação de fissuraslongitudinais e transversais no fresamento [1]
Durante a entrada d a ferramenta o gume- aquece-se rapidamente a elevadas
temperaturas.. Após a saída da peça ocorre o resfriamento. A diferença entre a mais
alta e a mais baixa temperatura depende do material, das solicitações d e corte"e. da
relação entre o material e o ar. A aplicação de fluidos de corte em cortes
interrompidos é de grande importância devido à grande diferença de temperaturas.
O resfriamento favorece a formação de fissuras longitudinais em metais duros
e materiais de corte cerâmicos. O ' processo de físsuramento longitudinal
acompanha as isotermas. no campo- de temperatura no gume de corte.
1 0 3
- Deformações plásticas
Deformações plásticas no gume .ocorrem - quando o material da . ferramenta -
amolece devido às altas temperaturas e escoa sujeitado pelas forças de usinagem. A
cunha da ferramenta sofre maior deformação quanto menor for a diferença entre a
temperatura da cunha durante a usinagem e a temperatura de têmpera ou fusão do
material da ferramenta, figura 3 .24 .
Figura 3 .24 - Deformação plástica no gume de uma ferramenta de torneamento de
aço rápido [1 ]
Deformações plásticas também ocorrem em metais duros e Cermets, entretanto
sob maiores temperaturas (velocidades de corte maiores) e esforços do que nas
ferramentas de a ç o rápido e aço ferramenta. Metals duros tendem a maiores
deformações quanto maior for o teor de ligante, especialmente cobalto.
- Remoção Mecânica
A remoção mecânica é a remoção de partículas da-ferramenta - que se< soltam
devido à influência de forças externas. A remoção é causada principalmente por
partículas duras no material da peça, como carbonetos e óxidos.
1 0 4
- Adesão
0 : desgaste decorrente de caldeamentos ocorre devido à ruptura dos
microcaldeamentos na face da ferramenta. Esses caldeamentos formam-se devido à
a ç ã o de forças elevadas ou devido à interação das superfícies inferiores do cavaco
e face da ferramenta que, por estarem relativamente livres de óxidos, soldam-se por
adesão. A resistência das soldagens por adesão é tanto maior quanto maior for a
deformação. '
Durante a formação do cavaco as camadas de material, que após a usinagem
formam uma camada limite entre a face da ferramenta e o lado Inferior do cavaco,
são fortemente deformadas plasticamente. O material, e sobretudo"as superfícies
recém-formadas, enconfram-se num estado de aquecimento e deformação elevado,
e estão extremamente ativos devido à recente separação. Sob estas condições deve-
se sempre esperar que na usinagem ocorram caldeamentos.
Desgaste acentuado por caldeamento é observado em superfícies ásperas da
face, em contatos intermitentes entre a peça e a ferramenta, bem como em
distúrbios do*f luxa : dematerial sobre a superfície d a ferramenta.
O desgaste' por mícrolascamenfos em consequência de caldeamentos é
Influenciado-por perturbações no fluxo, de material sobre-a face. Esta parcela de
desgaste é maior para velocidades de corte pequenas,, nas quais tem-se formação
de gumes postiços Intensiva. '•
Gumes postiços são camadas altamente encruadas do material sendo usinado,
que caldeiam na face da ferramenta e assumem as funções de corte d a ferramenta.
A formação do gume postiço toma-se possível para certas propriedades do material
da peça, como p o r exemplo o- encruamento. O material que caldeia na superfície
da ferramenta é deformado pela pressão de. corte, vindo a adquirir uma dureza
elevada que lhe dá a capacidade de assumir a função de corte da ferramenta.
Dependendo- das condições de corte, partículas^ do- .gume postiço .deslizam
periodicamente entre o f lanco e a superfície de corte. Em casos de usinagem- de
materiais duros, a frequência de deslizamento de partículas do gume postiço pode
atingir valores de 1,5 kHz, levando a um desgaste abrasivo acentuado do flanco e
piora considerável da qual idade da superfície da peça (figura 3 .25) .
1 0 5
Considerando que a maior parte do gume postiço não é eliminado via face da
ferramenta, o desgaste de cratera nessas faixas de velocidade normalmente, é
extremamente pequeno.
Figura 3 .25 - Esquema da formação periódica, do gume postiço [1]
Na figura 3 .26 tem-se a. representação da curva de desgaste em relação à
velocidade de corte (curva VB x v j . Como se pode ver, o desgaste de flanco
aumenta com o aumento da velocidade de corte, no entanto não como uma função
contínua e sim com dois valores extremos característicos. O desgaste atinge
inicialmente um- máximo na velocidade onde a formação do gume postiço tem sua
maior intensidade. Um desgaste mínimo ocorre na velocidade onde não se tem
mais formação do gume postiço.
0,24
CQ mm
>
§0,16
JS
u_
-8 0.12
o
S0.08
03
<n -
O)
O 0,04
0
~i r
Mater ia l de peça CK53N
Mater ial de ferramenta P30
Seção de usinagem a p . f = 2.0,315 m m
— / H >
Velocidade de Corte v
0 20 30 m/min 100
Figura 3.26 - Desgaste abrasivo em decorrência da formação do gume postiço [1]
X..
Após ultra passar um vator máximo, apesar do aumento da velocidade de corte,
tem-se uma diminuição da marca de desgaste de flanco,, decorrente- de- processos
de recrisfaJlzação• e mudança, de fase,, que levam a um enfraquecimento sucessivo
do gume postiço. O gume se torna instável e não desliza mais entre a superfície de
corte e o flanco; pelo contrário, é deslocado totalmente sobre a face d a ferramenta..
" A posição dos valores máximos e mínimos da curva VB x v c depende da
temperatura. Q u a n d o se provoca um aumento da temperatura de corte (por
exemplo, com o aumento do avanço, diminuição do ângulo de sa ída ou aumento
da resistência d o material), deslocam-se os valores- máximo é mínimo, para
velocidades de corte menores, figura 3 .27 . Medidas que diminuam a temperatura
de corte, como p o r exemplo a refrigeração, deslocam-os. valores extremos para
velocidades de corte mais.elevadas.
1 0 7
03 >
O O
c
CD
T3
ca
ff
CD
a
0,24
mm
0,20
0,15
0,12
0,08
"0,04
Geometria da ferramenta
a y X s X • r
8° 10* -4° 90° 60' 1mm
Tempo de usinagem: t c = 30 min
: 0,4 mm
f=0,25 mm
f =0,1 mm
Material da peça Ck53 N
Matriai da ferramenta HS12-1-4-5
Profundidade de corte a^ , = 2mm
10 20 40
Velocidade de Corte V c
ni/min 100
Figura 3 . 2 7 - Desgaste de flanco em ferramentas de torneamento [1]
- Difusão
Em ferramentas de metal duro resistentes ao desgaste a quente deve-se contar
com a solubilidade mútua de materiais que podem "acarretar desgaste por difusão
sob altas velocidades de corte. No a ç o rápido e no a ç o ferramenta/o material 'da
ferramenta amolece em temperaturas inferiores, a aquelas onde pode ocorrer a
difusão (por exemplo, ó 0 0 ° C para o aço rápido).
Na difusão ocorrem as seguintes reações, f igura 3 . 2 8 :
- Difusão do ferro no ligante cobalto;
- Difusão do cobalto no a ç o , onde ferro e cobalto podem mutuamente e
integralmente se dissolverem formando cristais mistos;
- Dissolução do carboneto de tungsténio, formando cristais mistos e duplos na
forma de F e 3 W 3 C , (FeW) ó e (FeW) 2 3 C 6 .
1 0 8
Co - W C - MK Dissolução do W C no:
F e 3 W 3 C ; (FeW) s C; ( F e W ) 2 3 C 6
Figura 3.28 - Representação esquemática do desgaste por difusão em ferramentas
de metal duro [1]
O carbono q u e ' é liberado durante a dissolução do carboneto de tungsténio
difunde em direção, às menores concentrações de carbono, isto é , em direção ao
aço . A difusão, do. carbono ocorre via ligante d e c o b a l t o - A máxima solubilidade do
carbono no cobalto é da ordem de 0,7% para a temperatura de 1200°C. Com a.
presença do ferro no cobalto a solubilidade aumenta até valores d a ordem de 1,5 a
2%. O ferro que se difunde para dentro do cobalto induz a duas reações que
aceleram o mecanismo de dissolução de carbonetos: o ferro se oferece para a
formação de carbonetos mistos ferro-tunsgtênio e aumenta a solubilidade do
carbono no cobalto, o que • favorece a solubilização do monocarboneto de
tunsgtênio.
A influência da composição do metal duro na penetração para um certo tempo
de recozimento constante é mostrada na f igura 3 .29 . A diminuição da velocidade
de difusão deve ser fundamentada peio fato de que a quantidade total de cobalto
que participa na difusão com teor crescente de-Ti e Ta nos carbonetos, diminui de
forma que a difusão do ferro, que ocorre via ligante cobalto, é reduzida
consideravelmente.
1 0 9
Tempo de aquecimento t = 40 h
\Temper. de aquecimento 1000°C
Pan Metal Duro - Aço
K30 - Ck53
P30 - Ck53
P20 - Ck53
P 1 0 - C k 5 3
P01 - Ck53
10 20 30 40 % 50
Teror de Titânio no Carboneto
Figura 3.29 - Difusão entre metal duro e aço para as diversas composições dos
parceiros de difusão [1]
- Oxidação
Observando-se uma ferramenta após o corte, muitas vezes na proximidade da
região de contato tem-se o aparecimento de cores de revenimento que são
provocadas pela oxidação da ferramenta. O metal duro [á inicia sua oxidação na
faixa de temperatura de 7 0 0 a 800 °C sendo que os metais duros compostos
exclusivamente de carboneto de tunsgtênlo e cobalto oxidam mais facilmente do
que aquelas ferramentas com adição de óxido de titânio e outros carbonetos.
1 1 0
Já sob condições de corte normal, nas proximidades do gume das ferramentas
de metal duro à base'de carboneto de tungsténio forma-se um filme de óxido
devido à temperatura eleyada e à-.ação do oxigénio do ar. Este filme recobre todas
as regiões nas quais o oxigénio da atmosfera tem acesso, isto é, nas regiões
vizinhas de contato das superfícies de saída, incidência e incidência secundária,
figura 3.30.
Figura 3 .30 - Zonas de oxidação em ferramentas de metal duro [1]
A ação destrutiva da oxidação sobre g estrutura do metal duro pode ser
observada de modo dominante no gume secundárío. Lá forma-se um óxido
complexo de tungsténio, cobalto e ferro, que por causa do seu volume maior em
relação ao volume do 'carboneto de tungsténio, cria verdadeiras "verrugas"' na
superfície da ferramenta, levando facilmente ao lascamento e quebra da quina da
mesma.
Para ferramentas de a ç o ferramenta e a ç o rápido a oxidação tem pouca
importância, pois a resistência ao calor da ferramenta é ultrapassada antes que a
superfície se oxide [1] .
1 1 1
3.5 Influências da geometria da ferramenta no processo
Dependendo do tipo de usinagem, diferentes geometrias de ferramenta de corte
podem ser escolhidas. A escolha da geometria depende de.fatores como:
Material da ferramenta;
Material da peça;
Condições de corte;
Geometria da peça.
Geometrias usuais em ferramentas de corte representadas pelos seus ângulos de
cunha na usinagem de aço são apresentadas na tabela 3.1
A determinação dos ângulos da geometria da ferramenta implica em soluções
de compromisso que podem satisfazer apenas aproximadamente às diversas
exigências, na usinagem-:
Tabela 3.1 Geometrias usuais de ferramentas de corte [1]
\^Geometria da Ferramenta Ângulo o»
saída
Angulo de
ttodencta
Angulo de
indrraçào
Angulo de
Posição
Angiio de
Quina
Raio da
Qtina
Material da Ferramenta \
y a X X s .
Aço Rápido •
(HSS)
-6*até + 20* 6* até 8* -6* 10» 60* 0,4
até até até até até até até até
Metal Duro -6*ató-M5* S" até 12* +6* 100* 120° 2mm
A figura 3 .31 mostra de que forma as variações de geometria da cunha
influenciam as características de' usinagem. e em seguida estão. descritas essas
influências-
1 1 2
Baixa espessura de usinagem Aumento da estabilidade do gume
y = - K r até+ 20'
Melhor formação do cavaco
Melhor superfície
-Desgaste Redução da força de corte
, _ . m p n n r Desgaste menor
Elevada estabilidade do gume ><=*=^ menor
Aumento da estabilidade
do gume
Maiores forças passivas
Aumento da estabilidade do gume
rE = 0,4 até 2 mm
Desgaste menor-
Redução da vibração
Redução da força
de corte
Redução da vibração
Redução da Força
de corte
Aumento da
qualidade
superficial
À -=+6°até-6°
Guia do
fluxo do
cavaco
Figura 3.31 - Influência da geometria da cunha sobre as características da
usinagem [1] '
- Ângulo de incidência, a
O desgaste d o f lanco, caracterizado pela marca de desgaste VB, é influenciado
•consideravelmente pelo ângulo de incidência. Se este for grande, a cunha é.
enfraquecida duplamente: na ferramenta pode-se ter acúmulo de calor, que pode
levar à perda d a dureza a quente. Uma cunha muito pequena também aumenta o
perigo do lascamento e quebra da ferramenta. Se o ângulo de incidência a tende a
0 o , o desgaste de flanco aumenta devido aos caldeamentos na região de contato
com o parceiro de atrito.
- Ângulo de saída ângulo de cunha fi
O ângulo de saída y, ao contrário do ângulo a , p o d e ser tanto, positivo quanto
negativo. O ângulo de saída é responsável pelo corte do material em questão. A
ordem de grandeza do ângulo y influencia a estabilidade da cunha
consideravelmente; assim, ferramentas positivas podem quebrar como consequência
do enfraquecimento demasiado da cunha. Como vantagens de um ângulo de saída
1 1 3
positivo deve-se citar em primeiro lugar a diminuição da força de corte e força d e
avanço, com a melhora na qualidade da superfície da peça . No entanto, a saída do
cavaco é favorecida pelo ângulo de saída' positivo, o que leva muitas vezes a uma
quebra de cavaco insuficiente, havendo tendência a um cavaco contínuo. Ângulos
de saída negativos aumentam a estabilidade da ferramenta, o que tem aplicação,
por exemplo, no plainamento e na usinagem de peças com interrupções de corte,
carepas de íaminação ou de fundição. A deformação plástica na usinagem com
ferramentas de ângulo de saída negativo é maior, por isso tem-se forças de corte
maiores e uma forte solicitação térmica da cunha. Há um desgaste de cratera maior
na face, que por sua vez pode levar a vidas mais curtas das ferramentas.
O ângulo de saída y, o ângulo de incidência a e o ângulo de cunha B
somados, por definição, totalizam 9 0 ° ( a - r - 8 + y = 9 0 ° ) .
- Ângulo de quina s
J a r a garantir uma boa estabilidade da ferramenta, principalmente quando se
trata de uma solicitação pesada, o ângulo de quina s deve ser escolhido tão grande
quanto possível. Ângulos de quina pequenos são empregados sobretudo em tornos
copiadores e na usinagem comandada numericamente. A faixa útil, assim, é
apertada, de forma que o ângulo entre o gume secundário e a direção de avanço
deve ser no mínimo 2 o para evitar que a ferramenta exerça um raspamento com o
gume secundário sobre a superfície da peça.
- Ângulo de direção do gume % >
Para avanço e profundidade de corte constantes e x diminuindo, a largura de
usinagem " b " aumenta. C o m isso, diminui^ a força específica por unidade de
comprimento de gume, dé forma que a variação do ângulo de direçvão do gumepara
valores pequenos é especialmente favorável na usinagem- de materiais de alta
resistência, garantindo uma diminuição do desgaste da ferramenta. Por outro lado, a
força passiva aumenta com a diminuição de % incorrendo-se no perigo de que, devido
à instabilidade crescente do processo de usinagem, ocorram vibrações regenerativas
sobre a superfície da peça.
1 1 4
- Ângulo de inclinação X
Através de umângulo de Inclinação negativo, o processo de usinagem pode
ser estabilizado, pois o início do corte da ferramenta não se 'dá na quina e sim na
posição mais avançada em direção à parte central do gume. Dessa forma tem-se
uma solicitação adequada, evitando-se o perigo da quebra do gume por causa de
'uma solicitação excessiva. A problemática da diminuição de solicitação no início de
corte tem importância maior no corte interrompido (por-exemplo no fresamento e no
plainamento) e na usinagem de materiais fundidos e foqados (peças com furos
transversais e vazios).
Ângulos de inclinação - lateral negativos também provocam forças passivas
grandes, que. devem ser absorvidas pela máquina-ferramenta (grande rigidez
normal a-árvore principal). O ângulo de inclinação lateral, além disso, influi no
sentido e direcionamento da saída d o cavaco. Um ângulo de inclinação lateral
negativo direciona o cavaco para a superfície já usinada da peça e eventualmente
pode-se. ter uma. piora de qualidade da superfície usinada.
- Raio da quina rs
A escolha do raio da quina de uma. ferramenta depende d o avanço f e da
profundidade de. corte a p . Dependendo do avanço escolhido,, o raio de-
arredondamento da quina influencia a qualidade da superfície usinada, para a qual
vale a equação seguinte:
R, = f 7 8 . r , {3.6)
Raios.de quina grandes levam a uma melhora da qualidade superficial e d a
estabilidade dos gumes,, enquanto raios d e quina pequenos têm a vantagem de
tenderem menos a vibrações regenerativas por causa da força passiva-menor [1]..
115
4 M a t e r i a i s d e Fe r ramen tas de Co r t e e suas A p l i c a ç õ e s
- Já há aproximadamente 50 mil anos o homem-produzia ferramentas de pedras
com gumes afiados por lascamento, adaptando a geometria de corte à tarefa a ser
realizada (figura 4.1).
Um fato marcante para o desenvolvimento tecnológico foi a descoberta de metais
como cobre, zinco e ferro. No. ano de 700 A C praticamente todas as ferramentas
eram fabricadas em ferro, e a partir do século XVII foram implementadas constantes
melhorias no processo de fabricação do ferro e na siderurgia do aço, colocando-o em
posição vantajosa em relação aos metais até então conhecidos.
Faca de 2 gumes ^ * = = * c m
Figura 4.1 - Ferramentas de pedra lascada [T]
No entanto, estudos técnicos sistemáticos sobre os processos de usinagem só
iniciaram no começo.do século XIX e levaram, entre outros, à descoberta de novos
materiais de corte. No início de 1900, o americano F.W. Taylor determinou um passo
marcante no desenvolvimento tecnológico da usinagem com o desenvolvimento do
aço rápido.
Os metais duros sintérizados e os materiais de ferramentas baseados em materiais
oxicerâmicos são também resultados de pesquisas Intensivas na área de materiais de
corte e que vêm trazendo constantes melhorias em materiais já existentes e na
elaboração e ensaios de novos materiais como o diamante e o nitreto de boro cúbico
cristalino.
Cronologicamente, os principais desenvolvimentos em materiais de ferramentas.;.,
foram:
116
- Aço ferramenta (18ó8) , . . . „ • •
-Aço-rápido (1900) " '* -
-Stelírte {1910} " *' " - _ .
- Meta! duro (1926)
- Cerâmicas (1_938)
- Nitreto de boro cúbico (década de 50)
- Diamante mono e poíicristaiino (últimas décadas)
Na figura 4.2 é mostrada a classificação de. materiais para ferramentas com
geometria definida. "
Matéria» para Usinagem com | ^ § |
rFerramenta de Geometria Definida
Materiais Metálicos Materiais de Ligação
• Aço- fe r ramenta — Metal-duro (WC)
'—Aço-rápido
Materiais Cerâmicos
L - Cermets (TíC/TiN)
Cerâmicas de Corte Materiais de Altíssima Dureza
I
Cerâmica Cerâmica
oxida não-oxida
Òxidí Mista
- A t a
Reforçada
cl Wískers
Diamante
C / S b N *
CBN
A k C b >— AI2O3 +
AbCb !—AÍ2O3+ , SíC-wisker
dema is
— Diamante
monocristal ino
—^ Diamante
- poíicristaiino
C B N
- C B N + T i C
L . C B N + BN
hexagonai
Figura 4.2 - Classificação das ferramentas de corte de geometria definida [1]
As propriedades esperadas de ferramentas de corte são relacionadas a seguir.
Deve-se salientar que nenhuma ferramenta tem todas essas características, sendo a
seleção do tipo e material de ferramenta uma solução de compromisso.
117
- Resistência à compressão; . . ' * • '
- Dureza;
- Resistência à flexão e tenacidade; " •
- Resistência do gume;
- Resistência interna de l igação;
- Resistência a quente;
- Resistência à oxidação;
- Pequena tendência à difusão e caldeamento;
- Resistência à abrasão;
- Condutibilidade térmica, calor específico e expansão térmica adequados.
Na figura 4.3 são mostradas as tendências dos materiais dé ferramentas mais
importantes quanto à dureza, resistência à flexão, vida da ferramenta e tenacidade.
o
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Diamante
CBN
Cerâmicas
CERMETS
Metal-duro
revestido
Metal-duro
•VÇ-^O h?5CS-'.
Aço-rápido
revestido
Aço-rápido
Tenacidade, resistência à flexão
Figura 4.3 - Propriedades das ferramentas deporte —adaptado de [1]
Para satisfazer as exigências crescentes feitas à qualidade das peças e à
viabilidade económica do processo de fabricação, além da otimização dos materiais
de corte, as ferramentas devem ser usadas de forma económica para que todas as
grandezas que participam no processo de usinagem como geometria da ferramenta,
n a
condições de corte, material da peça e materiais auxiliares tenham a sua influência e
seu efeito sobre. o. resultado do trabalho considerados. Somente o conhecimento da
interdependência funcionai dos diversos fatores permite o aproveitamento das reservas
tecnológicas disponíveis. .
A seguir são apresentados os principais materiais para ferramentas de corte
' utilizados na indústria atualmente • . •
4.1 Aços para ferramentas
Aços para ferramentas, de acordo com a D1N 1 7 3 5 0 , são aços nobres
apropriados para o t rabalho e retrabalho.de materiais, assim como para manipular
e medir peças.
Distinguem-se entre, aços para trabalho a f r io , aços para trabalho a quente e
aços rápidos. Aços para trabalho a fr io e aços para t rabalho a quente são
apropriados para;..aplicações, onde a" temperatura superficial e m processo é menor
Hue 2 0 Q o C Aços rápidos, podem ser utilizados sob temperaturas, de até 6 0 0 ° C : De
aços - para trabalho a:fr io e aços rápidos são produzidas principalmente ferramentas
para usinagem-, mas; t a m b é m para conformação. De aços para trabalho, a quente
são produzidos principal mente' materiais de conformação como matrizes, moldes
para- moldagem sob pressão ou ferramentas para máquinas de forjamento ou
extrusão.
4 .1.1 Aços para t rabalho a fr io
Aços para trabalho a f r io foram os primeiros materiais d e corte empregados na
indústria. Suas propriedades de resistência.ao desgaste.e a,sua dureza são obtidas
por tratamento térmico, que é realizado nas seguintes etapas: aquecimento acima
da temperatura, de austenit ização, resfriamento rápido em á g u a ou óleo (alta
velocidade de resfriamento requerida para a obtenção de dureza martensítica),
revenimento (para d iminui r parcialmente a dureza e aumentar a tenacidade).
Os aços para t rabalho a frio podem ser subdivididos em aços sem liga e com
liga, tabela 4 . 1 . Os aços para trabalho a frio não- l ígados (aços carbono) têm teor
119
de C de até 1,25,% e, em pequenas quantidades, Si e M n . Os aços ferramentas
ligados têm aproximadamente 1,25% de C, assim como até 1,5% de Cr,. 1,2% de
W, 0,5%de Mo e 1,2% de V.
Tabela 4 . 1 - Exemplos de aços para trabalho a frio não-l igados e ligados [1]
Aços para trabalho a frio não l igados
Classificação
N° da peça
Composição
C SI M n Cr ^Mo V . W
Aplicação
. C45W
1.1730
0,40 0,15 0,60
0,50 0,40 0,80
Martelos, machados ,tesouras,
chaves de fenda, cinzel
C85W
1.830
0,80 0,25 0,50
0,90 0,40 0,70
Serras de madeira, serras
manuais, serrs circulares
C125W
1.1563
1,20 0,10 0,10
1,35 0,30 0,35 •
Umas, raspadores, ferramentas
de tornear, facas para papel
Aços para trabalho a frio ligac OS
45CrMoV7
1.2328
0,42 0,20 0,85 1,7 0,25
0,47 0,30 1,0 1,9 0,30 0,05
Cinzéis de todos os tipos
1 1 5 G V 3
1.2210
1,10 0,15 11,0 -
1,25 0,25 0,40 0,8 - 0,12
l imas, raspadores, ferramentas
de tornear, facas para papel
X210CrW12
1.2430
2,0 0,10 0,15 11,0 - - 0,6
2,25 0,40 0,45 12 - - 0,8
Ferramentas de corte, tesouras
para corte de aços,
escareadores, ferramentas para
usinagem de madeira
A dureza e a resistência ao desgaste de aços ferramentas não-ligados depende
da estrutura martensítica obt ida. A resistência ao desgaste aumenta com o aumento
da dureza e teor de carbono crescente; ao mesmo tempo, no entanto, cai a
tenacidade e com isso a sensibilidade da ferramenta durante o tratamento térmico,
e a aplicação da ferramenta se torna mais ampla. Todos os aços ferramenta não-
ligados não endurecem em toda a seção transversal de uma forma regular, mas
apenas na camada superficial.
120
As vantagens dos aços ferramenta l igados, em relação aos não-ligados, são o
aumento da resistência ao desgaste (pela adição de carbonetos), o aumento da
resistência a quente (pela adição de cromo, tungsténio, molibdênio e vanádio na
liga), e uma dureza superior (pela solubilização do carbono). Além disso, a
velocidade crítica de resfriamento diminui, permitindo uma melhor têmpera através
de toda a seção transversal da ferramenta. Podem ser aplicados para temperaturas
de corte de até no máximo 200°C. Aços ferramenta ligados predominantemente
são aplicados na usinagem de aços com velocidades de corte muito baixas
(alargamento, corte de rosca) e para fabricação de ferramentas para trabalhos de
manutenção, já que os custos do material da ferramenta, em decorrência do menor
percentual de elementos de l iga, são menores que para o aço rápido (HSS).
Em razão da sua baixa resistência a quente -e da baixa velocidade de corte
utilizável, atualmenfe os aços ferramenta são raramente utilizados para usinagem de
metais. Seu campo de aplicação é principalmente ferramentas manuais como por
exemplo limas,, cinzéis, alargadoras e serras para a usinagem e corte de madeira.
4 .1 .2 Aços rápidos
Aços rápidos (HSS: High Speed Steel) são aços de alta liga que têm como
principais elementos de liga molibdênio, vanádio, tungsténio, cobalto e cromo. Estes
elementos têm alta resistência mecânica e, conferem, alta tenacidade às ferramentas.
O aço rápido diferencia-se em relação aos , aços ferramenta por uma
caracterização melhor de revenimento da estrutura e uma maior dureza. Sua dureza
é de óO a 67 HRC até uma temperatura de. aproximadamente 6 0 0 ° C . Com essas
propriedades, os. aços rápidos têm uma larga faixa de aplicação na área da
usinagem, especialmente para ferramentas com gumes afiados-e pequenos raios de
quina, por exemplo- nas- ferramentas de a largamento, brocas espirais, ferramentas
de rosqueamento, escareadores, .fresas e ferramentas para torneamento para
usinagem interna e sangramento, assim como para acabamento.
121
Tabela 4.2 - Grupos de elementos de liga e de potenciais dos aços rápidos [1]
Grupo Nomenclatura
W Mo V Co
- - Para usinagem de aço
de médio esforço | de alto esforço
<850 N/mm21 >850 N/mm2] desbaste acabamento
18% W HS" 18 - 0 - 1
HS 18 - 1 - 2 -5
+ - + -
12%W HS 1 2 - 1 - 4 -5
HS 1 0 - 4 - 3 -10 - - (+) (+) a.
ó%W+5%Mo
HS 6 - 5 - 2
HS ó - 5 - 3 -5
HS ó - 5 - 2 -5
-
+
+ -
2 % W + 9%Mo
HS 2 - 9 - 1
HS 2 - 9 - 2 -
HS 2 - 1 0 - 1 8
+
-r
-
Áreas de.aplicação' de ferra mentas de aço rápido
Com o aumento do teor dos elementos de liga aumenta também a produtividade
desses materiais devido a um aumento na resistência ao desgaste e á um maior
tempo de vida. No entanto, sua fabricação torna-se difícil, comprometendo
especialmente a fabricação de ferramentas de geometria complexa. Em geral,
maiores teores de elementos de liga significam maiores custos.
A utilização de aços rápidos com altos teores de elementos de liga é
especialmente recomendada quando se necessitam. soluções para problemas de
usinagem onde o aumento da resistência ao calor e a tenacidade da ferramenta são
fundamentais. Aços rápidos com ligas de cobalto (por exemplo HS Ó-5-2-5, HS 1 8 - 1 -
2-5) são empregados para tarefas de usinagem onde-faz-se- necessária uma maior-
resistência a quente da ferramenta. Aços, que além de cobalto contêm vanádio,
como por exemplo HS 12-1-4-5 e HS 10-4-3-10, apresentam melhora na resistência
ao desgaste em maiores temperaturas e são empregados para as tarefas de
usinagem onde se necessita grande resistência ao desgaste. Na tabela 4.3 estão
listadas as principais áreas de aplicação de aços rápidos [1] .
122
Tabela 4.3 - Principais áreas de aplicação dos principais aços rápidos (de acordo
com DIN 1 7 3 5 0 , Thyssen, Bõhler) [1]
Tipo de aço
Nomendatura
W - Mo - V - Co
Material Principais utilizações •
HS ó - 5 - 2 V.3343 Ferramenta de aço-rápido padrão para todas as operações
de usinagem, para desbaste e acabamento, macho para
roscas e broca helicoidal,, fresas de todos os tipos,
escareadores, alargadores, fresas cónicas, ferramentas para
plainas, . cossinetes, serra circular, ferramentas de
conformação -
HS ó - 5 - 3 1.3344 Machos para roscas e alargadores sob grande esforço, fresas
de alto desempenho, escareadores, brocas helicoidais
HS ó - 5 - 2 5 1.3243 Fresas de alto desempenho, ferramentas de tornear e plainar
de todos os tipos, broca helicoidal e machos para roscas sob
grande esforço, escareadores, ferramentas para trabalho com
madeira e trabalho-a frio, ferramentas de desbaste'e com alta
tenacidade-
HS 10 - 4 - 3 - 1 0 1.3207 Emprego universal para desbaste e-acabamento, ferramentas
.,de torneamento e fresas- sob grande esforço, para trabalhos
automáticos é ferramentas de trabalho com madeira
HS 2 - 9 - 2 1.3348 Brocas helicoidais, e machos para roscas, fresas, alargadores
e escareadores
HS :12 - 1 - 4 - 5 1.3202 Ferramentas de tornear e perfiladores de aço para usinagem
de acabamento de materiais duros e materiais de difícil
ustnabilidade .
HS 18 - 1 - 2 - 5 1.3255 Ferramentas de tornear, plainar e fresar, especialmente para
trabalhos de afiána difíceis com grandes esforços e que
necessitem de tenacidade da ferramenta
HS 2 - 10 - 1 - 8 1,3247 Fresa de topo, -ferramentas de tornear para trabalho
automático, brocas helicoidais e machos para roscas
4.2 Metais duros
O metal duro é o material de ferramenta mais largamente utilizado na indústria
atualmente, sendo que somente a indústria automobilística consome cerca de 50%
das ferramentas de metai duro produzidas no mundo. Este material apresenta
melhores relações custo/benefício na maioria das. aplicações em usinagem devido à
grande variedade de tipos obtidos pela adição de diversos elementos de liga e
também de diferentes revestimentos/o que possibilita a obtenção de propriedades
adequadas às solicitações em diferentes condições de usinagem. A possibilidade da
utilização de insertos intercambiáveis é também umfator positivo, tornando as
ferramentas versáteis.
Metais duros são materiais compostos, constituídos de um ligante metálico
dúctil (cobalto ou níquel) e de carbonetos dos metais de transição (4 a até 6 a colunas
da tabela periódica; W, T i , Ta , Nb , ...) embutidos no ligante. Os carbonetos estão
situados na. divisa entre metais e cerâmicas. Eles têm propriedades semelhantes às
dos metais (por exemplo condutividade elétríca), mas são classificados como
materiais duros metálicos, e não cerâmica não-óxida. Os Cermeis são
denominados metais duros com base de TiC e T i N , sendo a fase ligante de Níquel,
Cobalto e Mol ibdênio.
Os materiais duros são a base da dureza e da resistência ao desgaste,
enquanto a função do l igante é constituir a l igação dos carbonetos frágeis,
formando um corpo relativamente resistente.
As vantagens dos metais duros são: uma boa distribuição da estrutura em
decorrência do próprio processo metalúrgico de fabricação, dureza elevada,
resistência à compressão e resistência ao desgaste a quente. Metal duro a 1000°C
tem a mesma dureza que o aço rápido a temperatura ambiente. Além disso, existe a
possibilidade de obter propr iedades distintas nos metais duros pela mudança
específica dos carbonetos e das proporções do l igante.
Na f igura 4.4 podem ser vistas as fases distintas do metal duro,
esquematicamente e em metalograf ia.
124
Onde:
a = carbonetos de tungsténio •"•
(3 = cobalto
y = carbonetos de titânio, tântalo e nióbio
Figura 4.4 - Estrutura do metal duro [9]
4.2.1 Desenvolvimento histórico -
Na primavera de 1927 foram apresentados em Leipzig, sob o. nome WTD1A,
metais duros como novos materiais de alta produtividade. Estes novos materiais
representavam, para. a época um desenvolvimento revolucionário, que abria uma
nova dimensão para a técnica de usinagem. Em contraste às ferramentas de aço
rápido usadas até aquele momento, os metais duros proporcionavam um aumento
pronunciado nas velocidades de corte. A capacidade de produção das máquinas-
ferramentas não era suficiente para suprir os potenciais de produtividade das novas
ferramentas. Materiais como fundidos em coquilha, que até aquele momento eram
de difícil usinagem com ferramentas de aço rápido {HSS — High' Speed Steel],
puderam ser trabalhados com o novo material.
No começo, a aplicação do metal duro à. base de WC-Co se limitava
exclusivamente à usinagem de materiais fundidos. Por causa do grande desgaste de
cratera, os metais duros não eram aconselháveis para trabalho com materiais de aço
com cavacos longos. Isso foi alterado com a adição de carboneto de titânio como
ligante. Grandes aumentos na velocidade de corte, semelhantes aos anteriormente
125
obtidos em ferros fundidos com os metais duros WC-Co, foram possíveis "na.:
usinagem com metais duros à base de TiC. Na mesma época surgiu'também o
desenvolvimento-dos primeiros Cermets. - - . "
A continuidade do desenvolvimento dos metais duros foi marcada nos anos
seguintes por uma contínua melhora na sua composição, fabricação e
consequentemente na sua produtividade. Há muito sabe-se da influência do tamanho
dos grãos dos carbonetos nas propriedades dos metais duros. Embora normalmente'-
nos metais duros com o aumento da dureza ocorra uma redução-da tenacidade, esta
regra pode ser quebrada com o desenvolvimento de metais duros de grãos finos.
Através da redução do tamanho do cristal W C abaixo de 1 u.m com o mesmo teor de
ligante é possível elevar a dureza ao mesmo tempo que aumenta-se a resistência à
flexão.
Um outro grande passo inovador foi a implementação de metais duros revestidos
no início dos anos 70 . A combinação de substratos de metais duros com camadas
duras altamente resistentes levaram a um grande aumento das velocidades de corte
utilizadas e. d o tempo de vida das ferramentas. Ao mesmo tempo p ô d e ' ser
aumentada a vida útil das ferramentas de 2 0 0 a 400%. Os revestimentos CVD e PVD
são atualmente os processos de revestimento mais conhecidos.
Com o. desenvolvimento dos metais duros conhecidos por "spinoidais", os
primeiros Cermets que continham nitreto de titânio como componente duro em 1973,
fo i elaborada a forma básica dos Cermets atuais de alta produtividade. O
desenvolvimento desses materiais deu-se principalmente no Japão. Atualmente os
Cermets pertencem aos materiais de corte de grande produtividade que, com a
utilização de grandes velocidades de corte e avanços moderados e através da
obtenção de maiores tempos de vida em altas confiabilidades, correspondem às
exigências da tecnologia-de usinagem moderna.
Embora os Cermets atualmente não tenham-se estabelecido com a utilização
esperada, crê-se que nos próximos anos ocorra um aumento contínuo da sua
utilização na área dos metais duros. Razões para isso são sua alta estabilidade
química e sua alta resistência ao calor, que tomam estes materiais Interessantes
especialmente para operações de usinagem com altas solicitações térmicas. Essas
126
propriedades contribuem para que, principalmente no-trabalho a seco, haja uma
maior aplicação de materiais do tipo Cèrmet. ." = "
4 .2.2 Fabricação de metais duros
Em razão da grande- variedade de estruturas, são empregados diferentes
processos de fabricação (figura 4.5) . A principais diferenças são essencialmente
fabricação -direta e indireta, combinações de processos e processos especiais
(moldagem por infeção). A escolha do processo a ser utilizado depende
principalmente da geometria e do número de peças a ser obtido do produto.
Carboneto de Tungsténio
WC
Metal de Ligação
Co, Ni
Componentes de Liga
TiC. (Ta.Nb)C, Mo, C. VC, Cr, . C?
Mistura, Moagem Umida, Peneiramento Umido
Sacagem a Vácuo
Peneiramento
Meio da Prensagem -•
Po-de-MetaMXiro!
Secagem do Pulverizado Granulação
Secagem a Vácuo"
Amassamento. •
|— Plastificação —j
Secagem a Vácuo
Amassamerto
PrensagenrtsostáticaFria *
Granulado de Metal XTtiro Massa da;Metai Duro. Massa de Metal Ouro
Usinagem
Prensagem Isostática Fria Prensa-com Matriz Prensagem porBdnisáo :• Moldagem: por (nfeçáo-
Enceramento
Sintenzaçao
Enceramento
Slnterizaçào/HlP
Enceramento-
Sinterizaçao
HfP
Retiflcaçâo. Corte Revestinento
Peça Pronta
Peça moldada
Afiada para Proteção
ao Desgaste
Hastes Especiais
Porfia.
Broca. Fresas
Pastilhas
Ferramentas p/ Mineração
Pequenas Peças de Mancais
Hastes Curtas
Hastes, Perfis
d < 22 mm
Brocas com Canais
de Refrigeração
Pequenas Massas
com Geometria
Complexa
Figura 4.5 - Processos de moldagem para a fabr icação de peças de metal duro [1]
Aproximadamente dois-terços de - todos os-produtos 1 de metal duro são obtidos
pela fabricação direta - predominantemente insertos. Peças com formas
complicadas em pequenos números como êmbolos, hélices, anéis laminadores ou
matrizes são obtidas pela fabricação indireta, isto é, são necessários processos de
fabricação adicionais como corte, furacão, torneamento ou fresamento. Nesse
127
caso, o metal.' duro é a matéria-prima no estado, pré-siriterizado ou prensado-
isostática mente a f r io , e que possuí consistência estável.
Os. componentes do metal duro (componentes individuais ou ligas) são
submetidos a uma carga elétrica enquanto estão no estado de pó e
homogeneizados em misturadores. Na moagem úmida o líquido utilizado (álcoois,
acetona, hexano ou 'ou t ros) protege o produto durante a moagem contra a-
oxidação, e garante uma dispersão otimizada de todos- os componentes em
suspensão. Após o término do processo de moagem a mistura de pó formada é
preparada para as seguintes etapas de fabricação.
Para a fabr icação deinsertos, o pó é transformado em uma forma granular
para garantir boas propriedades de escoamento assim como tamanho de grãos
apropriado para prensagem em' matrizes. A obtenção de grãos ocorre com ajuda
de processos de pulverização ou- granulação. A fabricação de insertos ocorre
através da compressão dos grãos em-prensas matriciais. O processo de prensagem
em matriz permite pequenos tempos de ciclo e é apropriado para um grande
número de peças... " • '
Na sequência das etapas de cada processo a sinterizaçao representa a
principal operação, já que nessa fase as propriedades mecânicas e tecnológicas
essenciais para as funções de produção são obtidas. A princípio, entende-se por
sinterizaçao um transporte de material termicamente atívo, onde o produto do pó
separado (peça prensada, peça crua) é compactado em razão dos processos de
transposição por difusão (difusão superficial, difusão do contorno de grão, difusão
do volume). Para a obtenção de metais duros é necessário que nem todos os
componentes da liga sejam transformados para o estado fundido, ' ou seja,
sintetizados na fase líquida.
4.2.3 Componentes do metal duro e suas propriedades
- Carboneto de tungsténio (WC): o W C é a mais importante fase sólida dos metais
duros sinterizados. O W C é solúvel em Co , e em decorrência disso tem-se uma alta
resistência de l igação interna com 'boa resistência de gume nos metais duros à base
de W C e Co. O W C , além disso, apresenta uma melhor resistência ao desgaste
128
abrasivo que o TiC e o TaC. Por outro lado, tem limitações de velocidade de corte,
devido à sua alta tendência a difusão em temperaturas mais elevadas.
- Carboneto de titânio (T/C); o TiC tem pequena tendência à difusão. Disso resulta '
uma alta resistência a quente dos carbonetos baseados em TiC, no entanto com
menor resistência de ligação interna e menor resistência de gume. Os metais duros
com alto teor de TiC são frágeis e de fácil fissura. O TiC é usado para a usinagem
de materiais ferrosos com alta velocidade de corte. O TiC forma um carboneto
complexo com o WC.
- Carboneto de tântalo (TaC): em pequenas quantidades, o TaC atua no sentido de
refino do grão e com isso aumenta a tenacidade e resistência dos gumes dos 'metais
duros. A resistência de l igação interna não caí tanto quanto na utilização de TiC.
-Carboneto de nióbio (NbC): NbC tem propriedade semelhante à do TaC. Ambos
carbonetos ocorrem na.forma de cristais mistos Ta- (Nb)-C no metal duro.
- Nitreto de titânio (T/N): TiN é o componente de maior influência nas propriedades
de todos os modernos Cermets. O TiN tem uma menor solubilidade no aço e com
isso uma maior resistência à difusão que o T iC. O nitrogénio atua elevando a
resistência ao desgaste. Além disso o crescimento do grão é inibido. Cermets com
nitrogénio possuem normalmente uma estrutura de grãos finos. No estado sólido, T iC
e TiN podem ser misturados completamente. As propriedades físicas derivam das
propriedades do (Ti(C,N)).
- Cobalto (Co): cobalto é o melhor metal de l igação para metais duros com base no-
W C até o momento. Isto ocorre pela boa solubil idade do WC no cobalto e o bom
ancoramento dos cristais de W C devido à fase de l igação WC-Co .
- Níquel (Ni): Devido às suas boa propriedades, o níquel é empregado como ligante
nos Cermets. Em razão do níquel ser mais fácil de ser deformado que o cobalto,
129
atualmente utiliza-se além_ do níquel também o cobalto como ligante nos Cermets,
para melhora das suas propriedades em altas temperaturas..
Observando-se o comportamento de desgaste e da produtividade de metais
duros revestidos e não-revestídos, atribui-se um papel importante ao substrato,do
metal duro. O metal duro deve possuir, para a obtenção de uma alta resistência do
gume contra deformações plásticas, uma alta resistência a quente e à compressão,
ao mesmo tempo, que uma alta resistência à flexão e tenacidade. Em geral, metais
duros tenazes possuem baixas dureza e resistência à compressão. Essas duas
propriedades opostas do material de corte ocorrem principalmente devido à estrutura
do material de base. Como regra geral vale que com o aumento do teor do cobalto
aumenta a resistência à ruptura, enquanto a dureza e a resistência à compressão
diminuem (figura 4.6). Com o -aumento do teor de carbonetos complexos a
resistência à ruptura diminui, mas aumenta a dureza. O carboneto de tântalo
favorece a resistência aos choques térmicos. Em muitos casos isso é aproveitado e
nos substratos T iC/TaC para o fresamento o substrato é modificado em favor do
carboneto de tântalo. Devido aos grandes custos de material o uso de TaC é
limitado.
130
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cr "õ Q Conteúdo
de Co
Tamanho do
Grão do WC
Conteúdo de Car-
bonetos Mistos
Qualidade do Material da Ferramenta
Aita Resistência
ao Desgaste
Alta
Tenacidade
Conteúdo de Co:
Tamanho do Grão do WC:
Conteúdo de Co:
Tamanho do Grão do WC:
• 1
Conteúdo de Carbonetos Mistos: i Conteúdo de Carbonetos Mistos: •
Figura 4.6 - Grandezas de influência sobre a resistência ao desgaste e tenacidade de
metais, duros [1]
4.2.4 Formação da. estrutura
Nos metais duros convencionais à base de W C , os carbonetos de tungsténio são
encontrados principalmente na forma de prisma com superfícies triangulares.
Comparados.com os metais,duros com maior teor. de cobaIto„.no qual o. crescimento,
do cristal é mais fáci l , essa forma de cristal é menos desenvolvida nos tipos de grãos
finos e com baixo teor de cobalto. Os cristais complexos cúbicos ocorrem tanto na
forma de dados (com cantos arredondados) como" também às vezes na forma
esférica, figura 4 .4 . A estrutura do carboneto é preenchida pela fase ligante.
131
A estrutura do núcleo dos materiais sólidos é característica na microestrutura do
cermet. O motivo disso é o processo de- mistura nos materiais sólidos (mistura
espínodal), principalmente o processo de solução e precipitação durante a
sinterizaçao da fase líquida. Através da solução seletíva, a fundição Ní-Co é
acumulada com componentes do carboneto. A separação dos grãos da fundição dos
carbonetos complexos ocorre no resfriamento da sinterizaçao.
A estrutura das partes do material, sól ido é determinada pelos componentes
contidos no pó residual. De acordo com a composição e o tamanho dos grãos do pó
residual os materiais sólidos possuem uma diferenciação da estrutura. Se o. pó
residual tiver componentes não lígantes binários do material sólido, após a
sinterizaçao existe no grão, na maioria dos casos, nitreto de titânio ou carboneto de
titânio (grãos escuros). Na utilização de pó residual ligante, compostos de carbonetos
complexos ou nitreto de carbono quaternário, são encontrados no grão maiores,
concentrações de molibdênio e/ou tungsténio (grãos claros). A imagem do
microscópio-eletrônico-na figura 4 .7 mostra nitidamente as diferentes formações do
grão. O pó residual neste caso é composto de carbonetos individuais, carbonetos
complexos e nitreto de carbono. As partículas do material sólido com grãos pretos
(escuros) são constituídas no seu núcleo de Ti(C,N) e são envolvidas por um nitreto de
carbono complexo relativamente rico em titânio (Ti, Ta, W) (C, N). O revestimento
claro de (Ti, Ta , W , Mo) (C, N) é constituído em primeira linha de um carboneto
complexo titânio-tungstênio-molibdênío, com relativamente alto teor de tungsténio
e/ou molibdênio. As partículas de material sólido com grãos claros contêm no seu
interior um carboneto complexo, que é envolto por uma camada rica em titânio e
nitrogénio.4 .2 .5 Classificação de metais duros
A tabela 4 .4 mostra as classes de materiais-de corte duros e as aplicações para
que são indicados.
Grupo principal de usinagem Grupo de aplicação
Direção de aumento da
característica
Leira
de
identifi
-cação
Categoria do
material da
peça
Cor de
identifi caçã
o
Sím-
bolo
Material da peça Aplicação e condições de trabalho No corte
No material
" da
ferramenta
M
Cavaco longo
ou curto como
metais não
ferrosos
Amarelo
M 10
Aço, aço fundido, aço endurecido com
manganês, ferro fundido, ferro fundido
ligado
Torneamento, velocidades de corte média a
alta, pequena sessão de cavaco, seção de
cavaco pequena a média
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M
Cavaco longo
ou curto como
metais não
ferrosos
Amarelo
M 2 0
Aço, aço fundido, aços austeníticos, aço
endurecido com manganês, ferro fundido
Torneamento, fresarnento, Média velocidade de
corte e seção de cavaco.
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M
Cavaco longo
ou curto como
metais não
ferrosos
Amarelo
M30
Aço, aço fundido, aços austeníticos, ferro
fundido, ligas de alta resistência ao calor
Torneamento/fresamenlo, aplainamento. Média
velocidade de corte, seção média a grande
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M
Cavaco longo
ou curto como
metais não
ferrosos
Amarelo
M 4 0
Aço doce autómato, aços de baixa
resistência mecânica, metais não-ferrosos e
metais leves
Torneamento e sangramento, especialmente de
autómatos
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0 C CU
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3
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K
Metais ferrosos
de cavaco
curto, metais
não ferrosos e
materiais
não-metálicos
Vermelho
K 01
Ferro fundido de alta dureza, fundidos com
dureza além de 85 Shore, ligas de alumínio
com alta quantidade dé Silício, aço
endurecido, materiais sintéticos de alto
desgaste, papel duro, cerâmicas
Torneamento, torneamento externo de
acabamento, torneamento interno, fresarnento
de acabamento, raspamento
A
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K
Metais ferrosos
de cavaco
curto, metais
não ferrosos e
materiais
não-metálicos
Vermelho
K ] 0
Ferro fundido com HB > 200, ferro fundido
maleável de cavaco curto, aço endurecido,
ligas ae alumínio silicosas, ligas de cobre,
materiais sintéticos, vidro, borracha, papel
duro, porcelana, rochas
Torneamento, fresarnento, furacão,
torneamento interno, escariamento e
raspamento
A
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K
Metais ferrosos
de cavaco
curto, metais
não ferrosos e
materiais
não-metálicos
Vermelho
K20
Ferro fundido com HB<220, metais náo-
ferrosos, cobre, liga de cobre e zinco,
alumínio
Torneamento, fresarnento, aplainamento,
torneamento interno, escariamento e onde é
necessária uma tenacidade muito alta do metal
duro
A
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m
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n
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A
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n
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s
t
e
^
^
T
e
n
o
d
d
a
d
e
r
K
Metais ferrosos
de cavaco
curto, metais
não ferrosos e
materiais
não-metálicos
Vermelho
K 20 •
Ferro fundido de baixa dureza, aço de baixa
resistência mecânica e madeira extratificada
Torneamento, fresarnento, aplainamento,
fresarnento de ranhuras, sob condições
desfavoráveis, grande ângulo de saída possível
A
u
m
e
n
t
o
d
o
v
.
w
A
u
m
e
n
t
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s
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^
^
T
e
n
o
d
d
a
d
e
r
K
Metais ferrosos
de cavaco
curto, metais
não ferrosos e
materiais
não-metálicos
Vermelho
K20
Madeiras macias e duras, metais não-
ferrosos
Torneamento, fresarnento, aplainamento,
fresarnento de ranhuras, sob condições
desfavoráveis, grande ângulo de saída possível
( ( ( ( ( < ( ( . ( ( ( < ( ( { ( ( ( ( ( C < ( í C < ( ' ( ' . ( C c ( f C < < ( ( < ( < ( ( ( ( (. ( c
/
Tabela 4.4 - Grupos de aplicação dos grupos principais de usinagem P ,M eK (de acordo com DIN ISO 513) [1]
Grupo principal dê usinagem
Letra de
identifi-
cação
Categoria do
material da
peça
Cor de
identificação
Grupo de aplicação
Sím-
bolo
Material da peça Aplicação e condições de trabalho
Direção de aumento da
característicq,
No material
No corte da
ferramenta
Materiais de
cavaco longo
Azul
P01
P 10
P20
P30
P40
P50
Aço, aço fundido
Torneamento e furacão de precisão; altas
velocidades de corte, pequena seção de cavaco,
alta precisão dimensional e qualidade superficial,
trabalho isento de vibrações
Aço, aço fundido
Torneamento, torneamento por cópia, fabricação
de roscas e fresarnento, altas velocidades de corte,
seção de cavaco pequena a média
Aço, aço fundido, ferro fundido
maleável de cavaco longo
Torneamento, torneamento por cópia, fresarnento,
velocidades de corte e seção de cavacos média,
aplainamento com pequenos avanços
Aço, aço fundido, ferro fundido
maleável de cavaco longo
Torneamento, fresarnento, aplainamento,
velocidades de corte média a baixa, seção de
cavacos média a grande, usinagem em condições
desfavoráveis
Aço, aço fundido com inclusões
de areia e orifícios
Torneamento, aplainamento, baixas velocidaaes
de corte, grande seção de cavacos com possível
ângulo de saída maior, usinagem sob condições
favoráveis e trabalhos automáticos
Aço, aço fundido de média ou
alta resistência mecânica com
inclusões de areia e orifícios
Para trabalhos onde é necessário um material de
ferramenta muito tenaz: torneamento,aplainamento, fresarnento de ranhuras, pequenas
velocidades de corte,' grandes seções de cavaco,
grande ângulo de saída possível sob condições
desfavoráveis e usinagem de autómatos '
l o u
~o
<j)
~o
o
~o 'D _0
CD
>
o O' c
o
o
cu
•4— 10
o
"O)
10
cu -a
o
o
o
'O
c
<<u
cu
a -a 'D a c o
r -
134
Os materiais de corte de metal duro podem ser divididos em três grupos, sendo
metais duros"com base de W C - C O , de WC-(TF, Ta, Nb)C-Cõ e de TíC/TiN-Co, N i .
Para os metais duros com base em TíC/TiN-Ço,Ni foi estabelecida a
denominação "Cermets". .
•a) Metais Duros WC-Co
O s metais duros desse grupo são -constituídos principalmente de carboneto
de tungsténio, fase ligante de cobalto e possuem apenas pequenas "quantidades
(menor que 2,5%) de T iC,TaC e NbC {tabela 4 .5 ) .
Tabela 4.5 - Composição e propriedades de metais duros W C - C o convencionais
(de acordo com a metalurgia do pó' de metais duros)
Tipo de metal duro MD MD MD MD
Grupo de aplicação na
usinagem" ,<05 ' K10 K25 K40
Tipo
WC- WC- WC- WC-
Tipo
4Co óCo 9Co 12Co
Densidade -(g^cnrf3) 15,T 14,9 14,6 14,2
Dureza HV 30 1730 1580 1420 1290
Resistência à compressão
(corpo de prova cilíndrico) (N-ram"2)
5700 5400 . 5000 4500
Resistência à flexão (N-mrrf2) 1Ó00 2000 2350 2450
Módulo de elasticidade (kN-mm"2) Ó50 Ó30 590 580
Tenacidadeà ruptura (Mpa.m , / Z) 6,9 9,6 12,3 12,7
Constante de Poisson 0,21 0,22 0,22 0,22
Condutibilidade térmica (W-m^-K"') 80 80 70 65
Coeficiente de-dilatação térmica
(293K-1073K) (lO^-fC1)
5,0 5,5 5,6 5,9
Os metais duros WC-Co çaracferizam-se por uma alta resistência à
compressão. Em razão da grande tendência à difusão do carboneto de tungsténio
não são aconselháveis para a usinagem d e materiais de aço mole. São utilizados
em materiais de cavaco curto, materiais fundidos, materiais -não-ferrosos e não-
135
metálicos, e-"materiais resistentes ao calor assim como em usinagem de pedra e
madeira, tabela 4.4. . • • • " . .
Normalmente os metais duros desse grupo têm um tamanho de grão médio de
aproximadamente 1,ó u,m. Nos últimos anos tem sido dada maior importância aos
metais duros de granulometria fina e ultrafína.
b) Metais duros de granulometria' fina e ultrafina
Metais duros de grãos finos ou ultrafinos são metais duros WC-Co ,onde o
diâmetro médio do grão de W C < - 1 f irme < 0,5ixm, respectivamente. O -pequeno
tamanho do grão oferece a esses metais duros uma boa combinação de
propriedades. A regra, embora nos metais duros um aumento da dureza implique
na redução da tenacidade, é quebrada nos metais duros de grãos-finos. A redução
do tamanho do cristal do W C abaixo de 1 u.m com o mesmo teor de ligantes leva a
um aumento da dureza como também um aumento da resistência à f lexão. Essa
propriedade amplia o campo de aplicação dos metais duros de grãos finos e
ultrafinos.
Metais duros de grãos finos de alta qual idade têm valores superiores aos
convencionais' em dureza, resistência do gume e tenacidade. Além disso, possuem
uma baixa tendência à aderência e ao desgaste por difusão. Essas propriedades
são importantes quando se quer trabalhar com materiais temperados com pequenas
sobremedldas e se deseja obter boa qualidade superficial.
O campo de aplicação dos metais duros de grãos finos está situado onde se
quer obter uma boa tenacidade, boa resistência ao desgaste assim como alta
resistência do gume, por exemplo no alargamento, fresarnento e lamínação de aços
temperados e melhorados, em usinagens de fundição, na usinagem, de materiais
compostos reforçados por fibras e metais não-ferrosos.
c) Metais duros WC-(Ti,Ta,Nb)C-Co
Os metais duros desse grupo contêm, além do carboneto de tungsténio,
também carboneto de t i tânio, carboneto de tântalo e carboneto de nióbio, tabela
4.6. Comparados com os metais duros W C - C o possuem melhores propriedades
sob altas temperaturas. Isso vale principalmente para dureza a quente, ou seja,
136
resistência'ao calor/' resistência à oxidação' e resistência à difusão-com materiais
ferrosos. O principal campo de apl icação-é a usinagem de materiais dê aço com
cavacos longos, tabela 4 . 4 . ""-,.'"
Tabela 4.6 - Composição e propriedades de metais duros WC-(Tí,Ta,Nb)C-Co (de
acordo com metalurgia do pó dos metais duros)
Tipo de metal duro MD MD MD MD MD MD -
Grupo de aplicação na .
usinagem PIO P15 P25 P30 M10 M15
Composição (massa %)
WC 60^0 64,5 72,7 78,5 84,5 82,5
Ti, Ta, Nb)C 31,0 25,5 . 17,3 io',o 9,5 11,0
Co 9,0 10,0 10,0 • 11,5 6,0 •6,5 -
Densidade (g.cm"3) 10,6 ' 1 T 7 12,6 13,0 13,1 13,3
Dureza HV 30 1560 1500. 1490 1380 1700 1550
Resistência à.compressão-.:•
(corpo- de prova.cilíndrico), (N-mm'2)
4500 .. 5200 4600 4450 5950 5500
Resistência à flexão (N.mm"2) 1700 2000 2200 2250 1750 1900
Módulo de.elasticidade (kN-mm -2) 520 500 550 560 580 570
Tenacidade à ruptura (Mpa.m 1 / 2) 8,1 9,5 10,0 ' 10,9 9,0 10,5
Constante de Poisson . 0 , 2 2 , 0 ,23 . .0,22 0,23 0,22 0,22
Condutibilidade.térmica (W-m^-K"1} " 25 20 45 60 83 90
Coeficiente de dilatação térmica
(293K-1073K) ' (lO^-IC')
7'2 7,9 6,7 6,4 6,0 6,0
d) Metals duros TiC/TiN-Co, Ni (Cermets)
. Cermets (formados de cerâmica+metal) são materiais de corte de metal duro
com base em carboneto de titânio e nitreto de titânio com a fase ligante N i , Co ,
tabela 4 .7 . Os Cermets atuais, são complexos sistemas de. múltiplos, materiais que
podem conter outros elementos como tungsténio, tântatõ, nióbio, molibdênio ou
carbonetos complexos dos quais se formam fases Intermetálicas durante a
sinterizaçao. " ' - , • • •
137
.Cermets possuem grande dureza, baixa tendência à difusão e à adesão, .assim
como grande resistência a quente. Em razão da sua grande resistência de gume, da
grande resistência ao desgaste e da-baixa tendência à aderência, os Cermets são
apropnddos para o acabamento de materiais de aço. A principal aplicação de
cermets até o momento é na usinagem de materiais de aço com alfa velocidade de
corte e pequenas seções de corte transversais.
O desenvolvimento de tipos de Cermets mais tenazes ampl iou .o campo de
aplicação para solicitações de desbaste. O . principal campo de aplicação é,
portanto, o torneamento e o fresarnento. Podem ser usados para abrir ranhuras e
torneamento de roscas. A grande resistência ao desgaste do gume em combinação
com a pequena tendência à difusão e resistência à oxidação levam a uma melhor
qualidade superficial na usinagem de desbaste e acabamento-que podenam ser
alcançados por metais duros revestidos.
Tabela 4 .7 —-Composição e propriedades dos.cermets (de acordo com metalurgia
do pó dos metais duros) [1 ]
Tipo de. cermet HT HT HT
Grupo de aplicação na
usinagem P05 PIO P20
Composição (massa %)
Carbonrtreto 89,0 85,7 82,3
Carbono aditivo 0,6 0,8 1,0
Co/NI 10,4 • • 13,5 16,7 •
Densidade (g-crrf3) ó, l 7,0 7,0
Dureza HV 30 1650 1600 1450
Resistência à compressão
(corpo de prova cilíndrico) (tiram' 2)
5000 4700 4600
Resistência à flexão (N-mm"2) 2000 2300' 2500'
Módulo de elasticidade (kN.rnn-f2) 460 450 440
Tenacidade à ruptura (Mpa-m , / 2) 7,2
7 ' 9 10,0
Constante de Poisson 0,21 0,22 0,21
Condutibilidade térmica (W-m^-K-1) 9,8 11,0 15,7
Coeficiente de dilatação térmica
(293K-1073K) ( l O ^ X ' )
9,5 9,4 9,1
138
DevícJo- a "essas propr iedades/os Cermets permitem o emprego de maiores,
velocidades de corte comparadas às empregadas com o uso de metais duros
convencionais. Os Cermets podem também ser usados em velocidades de corte
abaixo de 100 m/min. Comparados com os metais durosconvencionais os cermets
reagem mais sensivelmente às mudanças de temperatura. Especialmente na
usinagem com corte interrompido eles tendem fortemente a fratura.
Tipos de Cermets, mais tenazes que correspondem à faixa de PI 5 até P25 de
metais duros convencionais com base de WC-(Ti , Ta, Nb)C-Co são empregados
com sucesso em operações de desbaste no torneamento e no fresarnento."
ej Metais duros não-revestidos ' — • - •
Metais duros convencionais não-fevestidos têm seu-campo de aplicação na
usinagem onde existem grandes solicitações nos gumes e onde são exigidas
propriedades de tenacidade, como por exemplo no fresarnento do aço, no
acabamento, em. • operações de sangramento e rosqueamento. Estão em
concorrência direta com os metais duros revestidos e os Cermets, tendo seu campo
de aplicação restrito.. Da mesma forma que nos metais duros convencionais,
percebe-se a tendência' a ferramentas revestidas nos Cermets. Embora nos Cermets.
não-revestidos exista uma resistência ao desgaste relativamente alta, o
comportamento de desgaste e produtividade pode ser melhorado através do uso de
revestimentos de material du ro , da mesma forma que- nos metais - duros
convencionais.
De acordo com a ISO 5 1 3 (DIN 4 9 9 0 , também aplicada para metais duros
revestidos), os metais duros não-revestidos convencionais foram subdivididos
conforme sua aplicação e grupo de aplicação P, M e K , tabelas 4.5 e 7, levando-
se em conta a relação estreita entre a composição dos metais duros, grupos de
aplicação e materiais, relacionados, tabela 4 \ 4 . •.
- Grupo P: os metais duros desse grupo contêm além'do'carboneto de tungsténio,
carboneto de titânio, de tântalo e de nióbio. Em razão do seu teor de carbonetos
complexos, caracterizam-se por uma alta resistência a quente e pequeno desgaste
139
abrasivo na usinagem de materiais ferrosos. Sao empregados para a usinagem d e .
aços com cavacos longos, tabela 4 .4 .
- Grupo M: os metais duros do grupo M têm resistência a quente relativamente boa
e boa resistência à abrasão. Eles são adequados principalmente para a usinagem
de aços resistentes sob temperaturas elevadas, aços inox e aços resistentes à
corrosão, bem como para a usinagem de ferro fundido cinzento duro ou l igado,
tabela 4 .4 .
- Grupo K: os metais duros desse grupo são constituídos basicamente de W C e
ligante Co , com pequenos percentuais de carbonetos complexos. Em razão do alto
teor de carboneto de tungsténio, os metais duros desse grupo têm alta resistência à
abrasão. Têm sua principal aplicação na usinagem de materiais de cavaco curto
como ferro fundido e materiais não-ferrosos e não-metálicos, bem como para
usinagem de materiais com boa resistência a quente e para a usinagem de pedra e
de-madeira, tabela 4 .4 .
Com a introdução da D1N ISO 5 1 3 , as letras P, M e K são utilizadas para a
classificação de todos os materiais de corte duros. Eles representam três grupos de
material-ferra menta, que na ISO 513 são muito parecidos mas cada material tem
sua base com características próprias (metais duros, cerâmicas, PKD, PCBN).
• A tabela 4 . 7 mostra a composição e algumas propriedades características de
três tipos usuais de Cermets. Comparados com os metais duros convencionais os
cermets caracterizam-se por uma baixa densidade. Diferenças perceptíveis com
relação aos metais duros com base em W C são. a baixa condutividade térmica e, ao
mesmo tempo, uma maior di latação térmica. Devido à baixa condutibilidade'
térmica, grande parce lado calor do processo é levada junto com os cavacos, o que
resulta em um menor aquecimento' da zona de corte. Na zona de contato q
gradiente de temperatura aumenta no interior do material de corte. Junto com o
grande coeficiente de dilatação térmica isso leva a grande esforços de tensão e
tensões de compressão no material de corte. A consequência disso, em
comparação com os metais duros convencionais, é a menor solicitação térmica, o
140
que é principalmente importante na formação de trincas na usinagem com corte
interrompido. ' . =
4.2.Ó Revestimentos de ferramentas de metais duros
Desde aproximadamente 1 968 os metais duros são revestidos com materiais
duros para obter um aumento dg sua resistência ao desgaste e consequentemente
da sua produtividade. Atualmente, a utilização de metais duros revestidos e aço
rápido revestido para a usinagem de diferentes materiais é a base da técnica de
usinagem.
rodyjiyidade dos metais duros revestidos deve-se ao fato de que
aproximadamente^ 60% de todos os metais duros empregados nos'processos de
usinagem possuem um revestimento de material duro com uma alta resistência ao
{ — d e s g Q s T é T T Í o t o rnea m e n to essa proporção é d e ^ 0 ^ _ s e j i d ^ m a i o r que nos outros
^^^jxijzassosy—pã^ no fr-esemento, onde \ 2 5 a 30% atas ferramentas de
metais duros são revestidas. • •
A primeira tarefa do revestimento de material duro é proteger o material da
ferramenta, durante o processo de usinagem, reduzindo assim' o desgaste da
ferramenta que é formado por processos de adesão, abrasão, difusão e oxidação
i
na superfície do material de corte, f igura 4 . 7 . Esses processos ocorrem em grandes
áreas do material e são os principais responsáveis pelo desgaste da-ferramenta,
sendo difíceis de serem evitados. Em gera l , sob baixas velocidades de corte, a
abrasão e principalmente a adesão e> em altas velocidades de corte (temperaturas
de corte) principalmente processos de difusão e oxidação, são os processos
responsáveis pelo desgaste na ferramenta.
Devido à sua alta- dureza é estabil idade -química, muitos materiais duros
mantêm suas propriedades de resistência ao desgaste de cratera, de flanco e de
entalhe tanto em baixas como em altas velocidades d e corte. " . . .
Enquanto que o revestimento de material duro melhora a resistência ao
desgaste da ferramenta revestida e diminui a adesão e difusão entre ferramenta e-
peça, a tarefa do substrato é garantir, como base da camada dura, boa aderência
141
do revestimento e conferir ao material uma camada com suficiente resistência ao
calor e principalmente boa tenacidade.
Na aplicação de cortes interrompidos as propriedades de tenacidade de
substratos têm uma importância significativa. Devido aos impactos inicial e final e
também às solicitações térmicas, a tenacidade do gume é responsável
principalmente pela estabilidade do desgaste durante o tempo de vida da
ferramenta. Com a condição de corte interrompido o metal duro revestido deve ter
resistência contra a formação de cratera, arrançamento de material e quebra, f igura
4 .7 . •
Figura 4 . 7 - Fenómenos de desgaste em ferramenta revestida [1]
Desse contexto-deduz-se duas exigências para o revestimento: a camada de
material duro deve reduzir drasticamente o efeito do desgaste na superfície e o
processo de revestimento não pode reduzir a resistência da estrutura do substrato,
ou se[a, a tenacidade do substrato.
142
Processos de revestimento
O revestimento de ferramentas de usinagem pode ocorrer por meios, químicos
ou físicos. Variantes do processo são:
- Processo CVD [Chemical Vapor Deposition, Deposição Química de Vapor)
- Processo.PVD (Physical Vapor Deposition, Deposição Física de Vapor).
Af igura 4.8 mostra a divisão da aplicação de material de corte numa indústria
automobilística sem considerar ferramentas de aço rápido onde 87% de todas as
ferramentas de metal duro são revestidas por CVD. Aproximadamente 85 até 95%
de todas as ferramentas revestidas por PVD.são ferramentas de aço" rápido.
CBN e PKD
não revestido 35%
Figura 4.8 - Aplicação do marterial de corte em uma indústria automobilísticaem
1995 (de acordo com Mercedes Benz)
Processo CVD
No processo CVD ocorrem reações químicas na fase gasosa em solicitações de
alto vácuo (0,01 até 1 bar) e com o transporte de energia calorífica e energia de
radiação formando, além de produtos voláteis, materiais sólidos inteiros (materiais
duros), figura 4 .9 . A reação química é determinada pelas leis da termodinâmica,
portanto pela pressão parcial do componente na forma gasosa e pela temperatura.
143
Saída de gás
Figura 4 .9 - Montagem de um sistema de revestimento CVD (esquema)[l]
•- " ; r a a fabricação de uma camada de TiC o tetracloreto de titânio (TiCI4) é
vaporizado e levado juntamente com metano (CH 4) a u m recipiente de reação, que
pode conter milhares de insertos. No processo CVD de alta temperatura clássico
(processo HT-CVD) que ocorre a uma temperatura de 900 a 1100°C e, a uma
pressão abaixo da pressão atmosférica, ocorre uma reação química, na qual é
formado carboneto de titânio.
Com esse amplo processo são depositados materiais como T iC, T iN,
T í (QN y )HfN, A ! 2 0 3 , A I O N e outros separadamente o u , como atualmente,' em
diferentes combinações com diversas camadas. O material do revestimento é
formado através de uma reação química diretamente na superfície das peças a
serem revestidas na fase gasosa. O s produtos da reação molham o substrato sendo
que nenhum efeito de sombreamento ocorre. Peças com geometria complexa
podem ser revestidas uniformemente sem dificuldades.
Para o revestimento de metais duros durante muito tempo o processo HT-CVD
não tinha concorrência. Há alguns anos entretanto os metais duros vem sendo
revestidos com novas variantes de processos também em baixas temperaturas.
São diferenciados três tipos de processos de revestimentos CVD:
144
-HT-CVD (Alta temperatura CVD, 9 0 0 - l - T 0 0 o Q ; " .
- MT-CVD (Média temperatura CVD, 700 - 900°C) ;
- P-CVD (Plasma CVD, 450"- ó50°C).
Processo HT-CVD (Alta temperatura)
- Com o processo convencional,HT-CVD são revestidas atualmente a maioria
das ferramentas de metal duro em temperaturas de 9 0 0 até 1100°C. Revestimentos,
sob altas temperaturas caracterizam-se por uma alta força de aderência do
substrato. Essa aderência é obtida simplesmente através da transferência de material
produzido entre a superfície do substrato e o campo periférico reativo.,.
Metais'. duros, que são revestidos em processos CVD clássicos sob altas
temperaturas, caracterizam-se por alta resistência ao desgaste devido à espessura
da camada de material duro (até 12 u.m - no torneamento e até ó u,m no
fresarnento)..
A alta temperatura de processo no revestimento de aços ferramenta e aços
tratados é ,unr problema. Assim, faz-se necessária uma nova têmpera juntamente
com o revestimento para que não ocorra a estiragem.
Uma outra desvantagem do processo de revestimento HT-CVD é que a
tenacidade de metais duros revestidos comparados aos substratos não-revestidos é
reduzida. As causas para perda de tenacidade no revestimento HT-CVD são
extremamente complexas. Compreendem as propriedades dos substratos a serem
revestidos (composição química,, fo rmação da estrutura, tamanho do grão,,
condutibil idade térmica, resistências à compressão e flexão,, pré-tratamento) e as
condições do processo (gás atmosférico, variação da pressão, ciclo
temperatura/tempo). São responsáveis pela perda de tenacidade no revestimento
HT-CVD as tensões naturais assim como estrutura, textura, espessura e-aderência da
camada durante o processo.de revestimento na. zona,periférica, (formação de fase
eta) e após o processo de revestimento no substrato na zona de transição (interface)
e camada de material duro.
Durante o revestimento, no- processo de alfa temperatura, há o risco da
formação de fases frágeis na interface. Os metais duros da. primeira geração têm na
145
interface, em razão do processo de- descarbonização nq zona periférica, uma fase
frágil juntamente com uma fase eta (W ó Co 6 C, W 3 C o 3 C ) de aproximadamente 3 até
5 u.m de"espessura. A fragil ização através da fase. eta. influí desfavoravelmente na.
tenacidade de metais duros revestidos.
O teste comparat ivo da resistência à flexão de metais duros WC-Co revestidos
com camadas finas diferenciadas mostra a influência da temperatura de
revestimento e a espessura da camada no comportamento da tenacidade, figura
4 .10 .
10
0 2 4 6 8 um 10
Espessura da camada
Figura 4 . 1 0 - Métodos de revestimentos e resistência à f íexão[ l I
Com o aumento da espessura da camada e da.temperatura de revestimento
diminui a resistência à f lexão. Essa relação é verificada especialmente em usinagem
com corte interrompido na qual o gume sofre solicitações dinâmicas. No
fresarnento, portanto, são empregados metais duros com camadas em material
duro (4 - ó u,m) mais finas que no torneamento. Nessas espessuras de camadas, a
perda de tenacidade é relativamente pequena.
146
Como consequência dessas propriedades, o revestimento de metais duros terá
sempre novos processos que em comparação com o processo-clássico HT-CVD
ocorrerão sob temperaturas de revestimento menores. - — •
Processo MT-CVD ( Média temperatura) >
Com o- processo de temperatura- média, camadas Tí(C,N) • podem ser
agregadas de várias maneiras num domínio de temperatura de 7 0 0 a 900°C. Com
relação ao processo convencional HT-CVD, o processo MT-CVD apresenta as
seguintes vantagens discutidas a seguir;
A solicitação- térmica do material de corte, em razão da menor temperatura de
' revestimento,-é menor para' os mesmos modos de agregação. O perigo.de uma
descarbonetação e com isso da formação de fases frágeis r\e em substratos de
material duro. O processo MT-CVD com camadas múltiplas em comparação com o
. revestimento. HT-CVD tem menores trincas. As duas técnicas de revestimento são
semelhantes na-produção de insertos. No campo de altas .velocidades de,corte a-
. produção de camadas Arc-PVD-TiN de 3 j im de espessura e de camadas MT-CVD-
TiN-Ti(C,N)-TiN de 6 u.m de espessura não difere. Para baixas:velocidades de corte
a camada PVD mostra novamente vantagens.
A aplicação de metais duros revestidos MT-CVD dá-se principalmente no
fresarnento. Ocorrem significativas vantagens de produção com relação aos
revestimentos convencionais. O f im do tempo de vida não é mais alcançado através
de fragi l ização'do gume, mas através de um desgaste contínuo na superfície da.
face. Devido às excelentes propriedades dé tenacidade, os metais duros podem ser
empregados também no fresarnento com fluido de corte. Ocorrem menos trincas e
a velocidade de formação de rasgos é menor que nas camadas HT-CVD. Trincas
transversais e fragilização do material d e corte ocorrem posteriormente após
maiores tempos de vida da ferramenta em altas qualidades de usinagem.
147
Processo P-CVD (com Plasma)
No processo P-CVD a agregação de camadas de material d u r a d a grãos finos,"
em comparação com os processos HT e os processos MT-CVD, ocorrem a menores
temperaturas de revestimento, de 4 5 0 a Ó50°C. Sob essas temperaturas a energia
térmica não é suficiente para que ocorra a reação química para a formação de
materiais duros da fase .líquida. Por .isso a. esse processo é adicionado um plasma
pulsante para se obter uma energia adicional. Através desse método são possíveis
reações químicas, que no equilíbrio termodinâmico apenas ocorrem a maiores
temperaturas.
Neste processo, como no HT-CVD, através de uma modificação da
composição do gás pode-se obter camadas de nitreto de t i tânio, carboneto de
titânio, carbonitreto de titânio e recentemente também de óxido de alumínio em
estrutura cristalinaIndividualmente ou em ligas.
Através: da. redução da temperatura as propriedades do metal duro durante o
processo; de. revestimento permanecem Inalteradas. As trincas ocorrem após o
revestimento na zona. de pressão. Nos metais duros revestidos P-CVD obtém-se
resistência à flexão 30% maior que nos revestimentos CVD.
As propriedades dos metais duros revestidos por P-CVD atuam positivamente
na sua produtividade na usinagem de materiais de aço mais duros com corte
interrompido. A sensibilidade da estrutura contra a formação de trincas e falhas
através da fragil ização é consideravelmente menor que a dos materiais de corte
revestidos por CVD. Um exemplo de aplicação é o fresarnento de discos, que
mostra essa relação. Comparando com os substratos não revestidos, em razão da
Influência térmica do substrato assim como da camada de material duro, a vida útil-
é reduzida após um processo de revestimento CVD, enquanto que após um
processo de revestimento P-CVD é aumentada, em mais de 3 0 0 % .
Modificação da Constituição da Camada
. No revestimento CVD com o aumento da espessura de camada ocorre uma
melhora da resistência ao desgaste. Como consequência a resistência à flexão e a
148
tenacidade da, metal duro revestidos são reduzidas. O comportamento da
tenacidade da mistura camada/substrato é influenciado não somente pela
espessura total do revestimento,* mas proporcionalmente pelo material da camada
assim como pela espessura dos'componentes individuais da camada.
- A figura 4 .11 mostra um exemplo de um revestimento de TiC e A l 2 0 3 . Para
uma espessura total constante de 10 u.m, com o aumento da espessura da camada
de A l 2 0 3 aumenta a fragil idade do material de corte do revestimento.
2 :
» -o
Si
FVD
CVD
• FVD
P-CVD .
evo
Espessura da. camada
U Ml
S O
«8 J S
§•3
100
%
.80
70
60
40
30
20
Camada de CVD
A1203/TTC
_ Espessura IQmn
10
0 T M
1
Espessura da camada isolada
A1203/TIC
Figura 4 . 1 1 - Camadas múltiplas, de lamelas finas aumentam a resistência ao
desgaste e à tenacidade (de acordo com Wid la , Sumitomo) [1]
O óxido de alumínio possui, devido à sua alta estabilidade química como
material de revestimento, uma excelente resistência contra desgaste de coquílha,
contudo possui uma baixa resistência às oscilações de temperatura e baixa
tenacidade.
Para reduzir a fragil idade dp A l 2 0 3 contido na camada de proteção estas
podem ser decompostas em formas de várias camadas, em lamelas finas ou grãos
149
finos. -Estes são constituídos- de uma combinação -de -camadas de material duro.
como TiC, TiN . ou Ti(C,N) com A l 2 0 3 -ou A I O N (oxinitreto de alumínio).
Revestimentos desse típo_podem ter-10 ou-mais camadas, sendo que cada camada
individual tem uma espessura, menor que 0,2 p.m.- A espessura-total das camadas se
situa, de acordo com a apl icação, entre 5 p.m (fresarnento)- e 12 u.m (torneamento).
Em altas velocidades de corte (altas temperaturas) possuem propriedades de
resistência ao desgaste satisfatórias. Sua- principal aplicação- dá-se na usinagem..
com materiais de aço e materiais fundidos com alta velocidade de corte.
Modificação da zona do substrato .
O conflito entre o aumento da tenacidade de um metal duro com uma
consequente redução da resistência à quente e da resistência à deformação plástica
exige uma segunda opção de desenvolvimento através da elaboração de substratos
com alto poder de. aglomeração nas zonas laterais. Aqui subentende-se metal duro
como sendo aquele que na zona extrema não possuí cristais misturados (Ti , 'Ta,
Nb)C duros ou frágeis e- que até uma espessura de aproximadamente 5 0 u,m
possuem praticamente apenas carboneto de tungsténio e cobalto. O teor de cobalto
na zona extrema é nesse caso maior que no interior.
Para evitar a sensibilidade ao choque tem-se a vantagem de um grão grosseiro
de W C . Com isso essas zonas extremas podem também conter nitretos que são
menos duros mas possuem uma maior resistência ao desgaste que os carbonetos
cúbicos. Nesse caso podem ser obtidos substratos de metal duro com alfa dureza
mas com a zona extrema muito tenaz com uma menor dureza e. maior resistência
contra formação de fissuras.
A obtenção de zonas extremas sem carbonetos misturados pode ocorrer de -
diversas maneiras. Como princípio básico a'desintegração dos gradientes de-um
material nitroso na zona extrema dos metais.'duros tem. como consequência a
decomposição dos cristais misturados com teores de titânio que estão na superfície.
Titânio é difundido no interior e é desintegrado em cristais cúbicos misturados.
Inversamente o cobalto vai de dentro para fora.
150
/ -Como se riota na-prática, ocorrem vantagens significativas no comportamento
produtivo com a aplicação desses conceitos nos metais duros em comparação aos
.revestimentos - convencionais.' Principalmente no - torneamento _ com corte
interrompido, ocorrem maiores tempos de vida com ferramentas revestidas de
acordo com esse conceito. -
Otimização. da deposjção das camadas . . .
Uma outra técnica para a estabilização do gume de corte é a introdução de
camadas intermediárias de carbonitretos de 'titânio. Essas camadas intermediárias
atuam como um "amortecedor" entre o substrato mole e tenaz e o substrato duro e
frágil dos carbonetos, nitretos ou óxidos da camada. As camadas de.material duro
que são depositadas na zona de transição Ti(C, N) trazem -consigo, em razão da
sua deposição, várias camadas de lamelas finas e uma melhora do comportamento
da-resistência.ao.desgaste e da tenacidade. Exemplos-de apl icação mostram que no
fresarnento ocorre uma melhora significativa do tempo de vida de materiais duros
com essa deposição, de.camadas modif icada.
Revestimento PVD . . . . . .
No início dos anos 8 0 , seguindo o processo CVD, surgiu o processo PVD em
diferentes variáveis do processo (vaporização a vácuo, Sputtering^ lonplating). Assim
possibilítou-se o revestimento de ferramentas de aço rápido de formas complexas.
Além disso esses processos são • utilizados para o revestimento de metais duros e
mais recentemente- também para o revestimento de Cermets., Também podem ser
utilizadas como camadas decorativas, camadas de oxidação e corrosão e camadas
plásticas. . . .
As principais diferenças em relação ao processo . H T t C V D são-resumidas a
seguir:
- Com uma temperatura de processo de 200 até Ó00 °C ocorre uma solicitação
relativamente pequena de temperatura do material do substrato, sendo que
materiais de substratos sensíveis à temperatura também poderão ser revestidos.
151
- A resistência à flexão do substrato continua não afetada em. razão da baixa,
temperatura de revestimento. •-
- Em camadas PVD surgem. estíramentos sob .pressão, que limitam a espessura da
camada real de 3 a 5 j im . O perigo de formação de fissuras nesse t ipo de
solicitação é reduzido através dos estíramentos sob pressão.. .
- O processo PVD em ferramentas revestidas necessita um pré-trabalho superficial e
um desenvolvimento do processo muito cuidadoso a fim de se.obter,uma excelepte
aderência da camada. Os efeitos da vaporização e da difusão provocam uma
melhor aderência da camada em processos CVD.
- Em razão dos efeitos de sombreamento, no processo PVD obtém-se espessuras de
camadas relativamente iguais direcíonadas num só sentido para a rotação das
partes revestidas. Contornos internos podem., ser. revestidos basicamente até uma
relação profundidade/diâmetro igual a 1 , já que a espessura da camada diminui
com o aumento da profundidade.
- Há grande quantidade de sistemas de camadas e materiais de substratos. .No revestimento PVD podem ser diferenciados três processos básicos: •
- Vaporização a vácuo;
- Spuiteríng (pulverização catódica);
- lonpíating (lonenplattieren)
Na vaporização a .vácuo e no Spuiteríng a camada de material duro é
depositada através de partes eletricamente neutras que possuem diferentes energias
de acordo com as solicitações do processo. A energia das partes na vaporização a
vácuo é menor que 2 eV e no processo Spuiteríng entre 10 e 100 eV.; No processo
lonplating as partes carregadas são-decompostas e lançadas no substrato através
de uma tensão.. Através disso são alcançadas maiores energias das partes dé 80 até
5 0 0 eV, que formam uma camada resistente e espessa.
•152
Vaporização a vácuo ' T-
Na vaporização a vácuo usualmente o material da camada é vaporizado em
u m conversor com um aquecimento por resistência ou um canhão de raios de
eíétrons, figura 4 . 1 2 . Esse processo ocorre em alto- vácuo (a pressão-na câmara
durante o processo de revestimento é menor que 0,001x1 O"5 bar), o que geralmente,
evita a colisão das partículas de vapor desprendidas com átomos de gás, embora o
espaço- vazio -dos átomos metálicos normalmente seja suficiente para atingir o
substrato.- Em razão de a trajetória das partículas ser em linha reta o material de
substrato deve ser movimentado na câmara de revestimento a ' f im de se evitar
efeitos de sombreamento e diferentes espessuras-de camadas.
O campo de apficação da vaporização simples em alto vácuo se encontra
-predominantemente na metalização de grandes superfícies de chapas, partes
plásticas e papel.
Para* a. fo rmação"de camadas de 'mater ia l duro de carbonetos, nítretos ou
óxidos o substrato-é. vaporizado-'através de uma reação com ajuda dos gases
reatívos ( N 2 r CH 2 , , „.).. Assim, por exemplo, a camada de material duro 2TíC e o gás
H 2 são formados de 2TT+C2H 2 . A resistência à aderência - na. vaporização com
reação simples é relativamente baixa em razão da baixa energia' em partículas de
menos de 2 eV. . . •
Gás inerte -
S a s da reação-
1 ,. •• n — e
Vaporizador de átomos metálicos
\ / '
, . •• n — e
Vaporizador de átomos metálicos
\ / '
i i
Suporte do substrato
Substrato
Câmara de revestimento
Recipiente
Mataria! de revestimento
Bomba de água
Abastecimento de energia
Figura 4..12 - Processo PVD - vaporização [1]
153
Spuiteríng (pulverização catódica) , ..-•„.
* O processo Spuiteríng, também denominado pulverização catódica, baseia-se
no fato de íons com alfa energia cinética-situarem-se na placa do material a ser
vaporizado (targef) e assim, através da transferência de impulsos, são projetados
para os átomos responsáveis pelo revestimento, figura 4 .13 . Esse método de
vaporização possibilita um campo de apl icação universal, pois um material não. é
vaporizado por vaporização térmica e sim por transferência de impulsos. Com isso
podem ser vaporizadas substâncias e misturas de diferentes substância fundidas. A
"nuvem de poeira" de átomos e moléculas do material da camada espalha-se pela
câmara de revestimento e é depositada no substrato e -nas paredes da câmara
como uma camada. . . . . . .
• • Condicional para este processo é o fato do substrato e do alvo estarem
situados na câmara de vácuo e que haja uma ionização dos gases inertes do
processo (na-maioria das vezes argônio) para a pulverização do alvo.
Após- a geração .de um alto vácuo na câmara de revestimento, ,o gás- do
processo (Ar) é introduzido até uma pressão, de 0,1 ...1 Oxl O"5 bar. Através da
aplicação de uma tensão entre o alvo- como cátodo (500 — 5 0 0 0 V) e o- substrato
como ânodo forma-se uma descarga luminosa de plasma, composta de íons,
elétrons e átomos não carregados dos gases do processo.
Gás inerte
Gás de reação
. . . 1 . . . 1 —:—t
Zona de plasma
Material pulverizado
1 1 1 .
i
° T ,
- Abastecimento de energia
Suporte do substrato
Substrato
Camara de revestimento
Recipiente
Material de revestimento
. Bomba de vácuo
Sistema magnético para
Magnetron - Sputtem
-Abastecimento de energia
Figura 4.13 - Processo PVD — Sputterring [1]
154
Se não somente metais ou ligas- metálicas forem decompostas - mas também
carbonetos, nitretos e também óxidos, torna-se possível o processo de Spuiteríng
reativo: Neste processo, além do gás inerte do processo, um gás reativo também, é
introduzido (por exemplo N 2 / C H 4 , 0 2 , H 2 / —) nos quais*os componentes não-
metálicos da camada são revestidos (por exemplo T i N , TaC AJ 2 0 3 , . . . } . ;
As camadas formadas atrayés do processo de Sputteríng por vaporização
possuem uma boa resistência-à aderência. • .
lon-plating (ionplatieren) . . . .
No processo de ionplating- o--alvo não é atingido,, mas o- substrato • com
gaseificação, [á que o substrato" possui uma tensão negativa que é à-denominada
•tensão Bias/ figura 4 .14 . O material, do alvo pode ser vaporizado através de u m
aquecimento por resistor, um feixe de eíétrons ou um arco voltaico.
,, Gás inerte' ;
Gás-daraacao -
t
1
t
1
Zona de plasma
Material vaporizado
f t t
- l
Abastecimento da energia
Camara de revestimento
Recipiente
Material de revestimento
Bomba de vácuo
Abastecimento de energia
Figura 4 .14 — Processo PVD — Ionplating [1]
Na vaporização através de um arco voltaico (processo de arco) a energia
resultante é suficiente para ionizar os átomos desprendidos do alvo. Em- razão da
tensão Bias no substrato os íons são arremessados no. mesma- N a vaporização
através de aquecimento por resistor a energia disponível não é suficiente para a
ionização dos átomos do alvo. Esses são ionizados através de- eletrólitos disponíveis
na câmara de revestimento entre'o conversor e o substrato e-podem também ser
arremessados no substrato.
155
Para a obtenção, de carbonetos, nitretos ou óxidos como.camadas, assim como
no processo Sputtering, um gás reativo. é injetado na câmara. Esse processo
denomina-se Ionplating reativo. ' - . -
Obtém-se um preenchimento das formas resultantes das instalações do
processo Ionplating como variáveis práticas do revestimento. Para. o revestimento de
ferramentas tem-se como importantes processos de • revestimento, dentre outros, o
processo de Ionplating com descarga de baixa voltagem em arco e o processo de
Ionplating com arco térmico (vaporização a arco).
No processo PVD a arco o material do alvo é vaporizado ao mesmo tempo
através de um arco voltaico a vácuo, as partículas de vapor são ionizadas (a taxa de
ionização se situa acima de 90%),e arremessadas. Em razão, da alta. temperatura
que ocorre na superfície do alvo.pode ocorrer a fundição do. material do.alvo e a
formação e desprendimento de pingos de material fundido líquido, os denominados
droplets. Esses não são desejados na camada já que formam, um substrato
defeituoso, e permanecem na zona extrema na formação de nitretos e carbonetos
modificando., as. propriedades desejáveis da camada. O surgimento de droplets é a
principal desvantagem da vaporização a arco, já que os pingos podem formar
poros no substrato nesse processo, não sendo apropriado para. camadas resistentes
a corrosão. C o m o vantagem tem-se a alta taxa de ionização das partículas da
camada através do arco voltaico, o que proporciona, como descrito: anteriormente,
eletrólitos adicionais para ionização.
O processo de Ionplating com descarga de baixa voltagem em.arco baseía-se
em baixas tensões de aceleração,, na qual um feixe de efétrons da descarga de
baixa tensão em arco é dírecionado para o substrato (ânodo) em conversores
resfriados com água. O vapor surgido devidoao arremesso de elétrons do materiaí-
da camada é ionizado aproximadamente à metade, já que o substrato não pode ser
ionizado totalmente, ou possuir uma tensão de —200V o que afetará a qualidade, do
revestimento. ..Este processo também, é apropr iado para p desprendimento de.
camadas de nitreto ou carboneto através da introdução dos respectivos gases
reativos.
No revestimento através do •processo de Ionplating com descarga de baixas
tensões em arco não são formados droplets. Dessa forma esse processo possibilita o
15Ó
desprendimento de camadas muito lisas (Rj = 0,1 u ,m)e é apropriado para o
revestimento de superfícies polidas e espelhadas sem que haja necessidade de um
polimento posterior. ' ' -
Emprego de metais duros revestidos por processo PVD em baixas velocidades de
corte
Um exemplo importante de produtividade com metais duros revestidos pelo
processo PVD em baixas velocidades de corte é o escareamento de de aço mojes
ou endurecidos. Uma característica do processo de escareamento é o uso de baixas
velocidades de corte que, em função da" relação da máquina de escareamento,
material de corte e material da peça-, situam-se entre 1 e 25 m/min .
A formação de gume postiço, característica na usinagem de materiais de aço
relativamente moles ou tenazes em baixas velocidades de corte, é que normalmente
acarreta erros de dimensão e de fo rma, como uma redução da qualidade
superficial da peça. Uma providência para evitar a formação- de gume postiço é
normalmente a introdução de óleos para escareadores.
Através da utilização de metais duros revestidos po r processo PVD-TiN ao Invés
de metais duros não-revestidos, a formação de gume postiço reduz-se bastante em
razão da' menor adesão entre o cavaco produzido e o material da ferramenta em
velocidades de corte testadas entre v c = 10 e 63 m /m in . Ainda pode-se utilizar
meios lubrirefrigerantes, mas essa ideia é descartada pela ocorrência do aumento,
de problemas ecológicos e custos de manutenção e armazenamento. ! '
Propriedades específicas de camadas de material duro
As propriedades de camadas de'material durcsão" determinadas'através da sua •
composição química e da sua estrutura,, que dependem das. solicitações de cada
processo. Na tabela 4 .8 estão mostrados alguns valores nominais para as
propriedades da camada de diferentes materiais escolhidos aleatoriamente. • ' • •
157
Tabela 4.8 - Propriedades físicas e químicas de camadas de material duro [1],
» - TiN Ti(C,N) (Ti^ l )N A l 2 0 3
Microdureza
[HV0,05]
2800 - 3200 1900 -2700 2600 - 3400 2400 -3300 2000 -2200
Entalpia de
formação
[kJ/Mol] .
-184,1 - 337,6 -260,0* -153,6* -1675,7
Coeficiente de
dilatação
térmica
«25/100 [10^/K]
9,4 - 8,3
Estabilidade à
oxidação
moderada boa moderada muito boa muito boa
*Dados para a estrutura cúbica do NaCl com 50% de T iC/T iN e 50% deTlN/AIN
Através de uma modif icação das solicitações-do processo, propriedades como
a composição química, a morfo logia, a estrutura, a textura, as características e com
isso a entalpia de formação, a microdureza, o coeficiente de dilatação térmica e a
resistência à oxidação podem variar em diversos limites. Esses dados fornecidos
proporcionam apenas pon tosde referência para possíveis áreas de aplicação. Além
das camadas de material duro apresentadas e a seguir explicadas, existem diversas
outras camadas de material duro para o revestimento de ferramentas- que aqui não
são explicadas detalhadamente. ;
Carboneto de titânio (TiC) . '
O revestimento de ferramentas com materiais duros inictou-se com a aplicação
de TiC. Baseado na alta dureza atingível de até 3400. HV 0 ,05 , o, carboneto de
titânio proporciona uma melhor proteção contra desgaste na superfície de saída
que o T iN. A tendência à difusão baseada na entalpia de formação relativamente
baixa é bem maior que no TiN e A l 2 0 3 . Dessa maneira a resistência ao desgaste de
158
cratera-é menor. Também a resistência à oxidação é a pior dé suas características
entre as apresentadas na tabela 4 .8 . ' • -
N/freto de'titânio (TiN)
Desde 1980 ferramentas são revestidas com nitreto de titânio. O TiN era até
então o material duro mais usado para o revestimento de ferramentas de usinagem..
O material da camada é uma combinação de titânio e nitrogénio. Baseado na forte
tendência à troca entre os'"átomos do metal e do nitrogénio, essa combinação
possui uma-alta estabilidade. O TiN possui o dobro de entalpia de formação e de
estabilidade termodinâmica, possuindo-uma menor tendência à difusão comparado-
ao TiC. Em decorrência disso d resistência ao desgaste de"cratera do TiN é maior
que no TiC.
O TiN pode ser revestido tanto por um processo CVD como por um processo
PVD. A cor característica do TiN é o amarelo dourado, razão pela qual muitas
camadas de T i N têm sua área de aplicação no setor decorativo.
Carbonitreto de titânio (Ti(C,N)) . . . . . .
Carbonitreto de titânio encontra aplicação industrial tanto como material duro
para os metais duros, como também camada fina resistente ao desgaste.
Usualmente camadas-de Ti(C,N) são utilizadas em várias camadas, com o aumento
do teor de carbono na direção da superfície da camada. Através da introdução de
átomos de carbono ao invés de átomos de nitrogénio na estrutura cristalina de
nitreto de titânio pode ser obtido um aumento visível da dureza, que por um lado'
atua positivamente no comportamento do desgaste, mas por outro possui um
comportamento frági l . Para a compensação d o comportamento frágil as camadas
de Ti{C,N) são múltiplas fazendo com que -a tensão entre as diferentes camadas seja
dividida. -
• Camadas Ti(C,N)' são apropriadas para a usinagem de aço com grande
resistência mecânica e, consequentemente, para altas temperaturas de usinagem.
Em geral essas possibilidades de apl icação também valem para as camadas de T iN .
159
Nitreto de alumínio-titânio ((Ti, Al)N) .. . . . ,
Com o desenvolvimento dos sistemas de camadas (Ti, AI)N foram feitos ensaios
para melhorar a resistência à oxidação, a dureza a quente e as propriedades de
resistência ao desgaste em relação às camadas conhecidas até o momento.
Comparadas com as camadas de TiN e Ti (C,N), as camadas (Ti, Al)N possuem
maior resistência à oxidação para uma mesma dureza.
O campo de aplicação de metais duros revestidos por (Tl, AI)N é a usinagem
com grandes solicitações térmicas na ferramenta. Principalmente na furacão sem
meios lubnYefrigerantes, furacões profundas ou furacões com pequenos diâmetros,
ocorre um grande aumento da produtividade. •
Camadas de (Ti, Al)N podem ser depositadas por processo PVD.
Óxido de alumínio (A}20^)
A resistência do A l 2 0 3 contra o desgaste de. abrasão como também de difusão,-
assim como a proteção contra oxidação, fortaleceu a utilização do A l 2 0 3 como
material duro de revestimento.
Camadas de diamante
O revestimento de ferramentas com diamante pofícristalino vem sendo utilizado
a partir de 1 9 9 0 , sendo a mais moderna tecnologia para a fabricação de
ferramentas de diamante. O revestimento de diamante ocorre em ferramentas de
metal duro ou cerâmica em uma síntese de baixa pressão com diamante (processo
CVD). A camada de diamante é-, composta de diamante puro e não possui fases
íigantes. A temperatura de deposição na utilização industrial-é aproximadamente
ÓGO até 9 5 0 ° C . A técnica.de revestimento permite primeiramente obter ferramentas
de geometria complexa e superfícies tridimensionais curvas e é economicamente
viável. Exemplos de aplicação são ferramentas de furacão, fresas de topo e Insertos
com quebra-cavacos. Essas ferramentas são utilizadaspara a usinagem de
1ÓO
plásticos, metais duros e cerâmicas e metais não ferrosos, assim como de materiais
abrasivos.
Ferramentas revestidas com diamante não_são aplicadas na usinagem de aço e
de outros materiais ferrosos pelo fato de a camada de diamante desgastar
rapidamente-em função da solubilidade do carbono no ferro.
4.3 Materiais de corte cerâmicos
Nos materiais intercambiáveis, oú cerâmicos estão inclusos todos os materiais
sólidos não-metálicos e não-orgânicos. Basicamente trata-se de uma composição
química de metais com elementos não-metálicos do grupo IH A ao Vil A. Há diferença
entre ás cerâmicas oxidas e as não-óxidas. O maior' grupo das cerâmicas é composto
pelas oxidas. Cerâmicas não oxidas são carbonetos, boretos, nitretos e silicatos.
Diversos autores diferenciam novamente entre materiais duros metálicos (combinação
entre C, -8,. N ou.S com Ti , Zr> Nb , Ta , W...) e materiais duros não-metálicos como
diamante, SiC, : .Si 3 N 4 , B 4 C e BN. Propriedades caractensticas.de materiais cerâmicos
são resistência • à. compressão, alta- estabilidade química e altas temperaturas de
fusão, em função das fortes ligações iónicas e covalentes dos átomos.
A seguir serão descritos os materiais cerâmicos que têm aplicação como
materiais de corte na técnica de usinagem. Assim como na prática, serão aquf
diferenciadas as cerâmicas de corte (cerâmicas oxidas e não-óxidas) dos materiais de
corte superduros não metálicos (diamante e nitreto de boro). . '
Cerâmicas de corte têm ganho muita importância nos últimos anos na área da
usinagem com geometria de corte-definida. Em muitas áreas, como por exemplo na
fabricação em série de discos de freios, volantes de discos e outras peças, sua
aplicação é indispensável-.
Com o aumento d a aplicação de -cerâmicas d e corte na produção,
principalmente nos últimos anos melhorou-se as propriedades de tenacidade desses
materiais de corte. O comportamento frágil característico dos materiais cerâmicos, a
dispersão - das propriedades de resistência mecânica e as quebras da ferramenta
resultantes são os principais motivos delas não possuírem até o momento uma
aplicação mais ampla na técnica de-usinagem, como os metais duros.
•161
Novos e contínuos desenvolvimentos de cerâmicas de corte concentram-se no-
aumento progressivo da tenacidade e da segurança na aplicação desses materiais de
• corte na produção. _ • .
A melhora dessas propriedades é conseguida nas cerâmicas puras oxidas através
do aumento do teor de óxido de zircônio, da otimização da distribuição dessas fases
e através do ajuste de uma textura homogénea. Nas cerâmicas mistas são aplicados
materiais duros de grãos finos e ocorre uma substituição parcial do carboneto de
titânio pelo carbonitreto de titânio. Outras medidas são o reforço de fibras e/ou
reforço- por whiskers, -a redução-da porcentagem de fase líquida: nos-contornos de
grão de cerâmicas não-óxidas e o desenvolvimento, de estruturas de texturas
especiais. . . . . . .
Os materiais de corte cerâmicos podem- ser divididos em cerâmicas de corte
oxidas e não-óxidas (figura 4 .15) .
Cerâmicas
Cerâmicas Oxidas
• .
Cerâmica
oxida
Cerâmica
mista
Cerâmica
reforçada
cí whiskers
Mfiz+ZsQ2
_ AJzQj+TiC
.AÍ20 3 + Z1O2
+ TiC
+ SiC - Vfiiisker
Cerâmicas
não oxidas
Cerâmica
de nitreto
de silício
Sí^í 4+- aditivos sintetizados
_ SísN4+ Sianon + aditivos sintetizados
.SÍ3N4+material duro
+ aditivos sintetizados
Figura 4 . 1 5 — Divisão das cerâmicas de corte [1]
Nas cerâmicas de corte oxidas estão inclusos todos-.os materiais de.corte, à base
de óxido de alumínio (A1 2 0 3 ) . Diferencia-se entre as cerâmicas oxidas, que atém de
A 1 2 0 3 possuem apenas óxidos como outros componentes (por exemplo Z r O ^ e as
cerâmicas mistas, que além de A l 2 0 3 possuem materiais duros metálicos (TiC/TiN)
162
assim como as cerâmicas com reforços de whiskers, no qual está enquadrado o
A l 2 0 3 -Matr ix SíC-Whísker. - : ' .
4.3.1 Cerâmicas de corte à base de A l 2 0 3
Cerâmicas oxidas .
O tipo de cerâmica de corte tradicional é a cerâmica oxida branca. A partir do-
fina! dos anos 30 surgiram cerâmicas à base de A l 2 0 3 como materiais de corte. Por
muito tempo os insertos foram constituídos de óxidos de alumínio puro. Em função da
sua grande fragilidade e tendência à ruptura, insertos desse tipo não têm mais
aplicação na usinagem-com geometria de corte definida. As cerâmicas puras
empregadas atualmente são materiais dispersivos, que além de A l 2 0 3 possuem
dióxido de zircônio finamente distribuído para a melhora das propriedades de
tenacidade em aproximadamente 3 - 15%.
Cerâmicas wistas • •
As cerâmicas mistas (cerâmica preta) são materiais de dispersão à base de A i 2 0 3
que possuem entre 5 e 40% de componentes não-óxidos em forma de TiC ou TiN.
Os materiais duros formam na base da estrutura fases finamente distribuídas que
limitam o crescimento do grão de óxido de alumínio. Correspondentemente essas
cerâmicas formam uma -estrutura de grãos finos, melhores propriedades, de
tenacidade, uma alta resistência de quina e uma alta resistência ao desgaste.
Comparadas com a cerâmica oxida pura possuem uma maior dureza e, em
razão da boa condutibil idade térmica dos materiais duros metálicos, melhores
propriedades de choques térmicos. Através da adição de Z r 0 2 o comportamento da
tenacidade dessa cerâmica pode ser melhorado.
163
Cerâmicas de corte reforçadas com whisker^ '...,„.
Cerâmicas de corte reforçadas cõm whiskers são materiais de corte à base de
A t 2 0 3 com aproximadamente 20 até 40% de whiskers de carbonetos de silício.
Whiskers são cristais unitários em formas de agulhas com baixo grau de imperfeição
no retículo cristalino. Possuem uma alta resistência mecânica (Rm até 7000 Mpa).
Seu comprimento é de aproximadamente 20 - 3 0 u.m e seu diâmetro 0 , 1 - 1 u,m.
O objetívo do reforço de whiskers é a melhora das propriedades de tenacidade
dos materiais de corte cerâmicos. O aumento da tenacidade em cerâmicas oxidas
através da introdução de whiskers é notável. Em comparação às cerâmicas mistas,
os tipos reforçados por whiskers possuem uma tenacidade à ruptura até 60% maior.
Os whiskers atuam distribuindo homogeneamente as solicitações mecânicas no
material de corte assim como, devido à melhor condutibi l idade térmica, transportam
calor mais rapidamente da área de corte solicitada termicamente. Com isso obtém-
se uma melhor troca de calor e resistência aos choques térmicos, permitindo assim
que as cerâmicas de corte reforçadas por whiskers sejam aplicadas em / ' co r te
molhado" (com fluido de corte).
Propriedades de materiais de corte cerâmicos óxidos
Materiais de corte cerâmicos à base de Á 1 2 0 3 apresentam um excelente
comportamento de desgaste em decorrência de suas alta dureza a quente e
estabilidade química. As boas propriedades de desgaste de materiais de corte
cerâmicos óxidos contariam as características do material f rág i l , (sensibilidade,, de
solicitações contra compressão, f lexão, impacto e choques térmicos). O principal
benefício do desenvolvimento nos últimos anos de materiais de corte cerâmicos
óxidos foi a melhora das propriedades de tenacidade e choque térmico sem
redução da resistência ao desgaste.
O excelente comportamento de resistência ao. desgaste de materiais de, corte
óxidos, principalmente sob altas velocidades de corte, baseía-se na comparação
com outros materiais de corte em suas combinações de resistência à compressão e
dureza a altas temperaturas. Dessa maneira, materiais de corte cerâmicos óxidos a
1000 °C possuem uma maior dureza que, porexemplo, aço rápido a temperatura-
ÍÓ4
ambiente/ figura- 4 . l ó . Enquanto a resistência. à compressão do A l 2 0 3 a
temperatura ambiente corresponde aproximadamente à do metal dura, em 1 1 00 °C
é tãõ grande quanto a do aço a temperatura ambiente, e tanto o-aço quanto p
metal duro não podem ser solicitados compressivãmente a 1 T00°C. Em razão da
alta resistência à compressão, a cerâmica prevaleceria como material de corte.
Como a resistência à ruptura por flexão é relativamente pequena, os materiais de
corte cerâmicos óxidos devem ser profetados pára que as forças de corte atuem
apenas na forma de compressão. -
.A aplicação de'materiais de corte cerâmicos "sob altas velocidades de corte
possuí uma outra propriedade vantajosa, que é a baixa fluência do A l 2 0 3 . Nos
metais duros a resistência a quente é l imitada através de uma determinada
propriedade da'fase de cobalto em temperaturas entre 800 e 900 °C. Sob maiores
temperaturas ocorrem processos de fluência que no A l 2 0 3 , para a mesma ordem de
grandeza, são menores.
2500
2000
Z 1500
£>
O
u
5
S . 1000
500
0 200 400 SOO 800 *C 1000
Temperatura- T
Figura 4 .1ó - Dureza a quente de. diversos materiais de corte. [1]
A alta resistência ao desgaste de materiais de corte óxidos deve-se à boa
estabilidade química do A í 2 0 3 assim c o m o ao baixo coeficiente de atrito entre os
insertos e o cavaco. O A l 2 0 3 é resistente à oxidação nas temperaturas de corte
165
utilizadas na prática, resistente à corrosão e possui uma baixa afinidade química
com materiais metálicos.. -
. Uma importante- desvantagem de materiais de corte cerâmicos é a . sua
fragilidade, isto é, sua falta de.capacidade de. eliminar as pontas de cavacos através
da deformação plástica. A razão disso é a baixa quantidade. ..de sistemas de'
referência no retículo cristalino de materiais cerâmicos. As consequências são uma
alta sensibilidade às tensões e uma baixa resistência a choques mecânicos e
térmicos comparativamente aos metais.
Com uma sobresolicitação mecânica repentina através de impulso ou impacto,
ocorre uma destruição do material de-corte em função da ruptura frágil. Em razão
da falta de ductítídade ocorrem formações de fissuras. Se a fissura, atingir uma
grandeza critica ocorre um crescimento instável da fissura e a quebra do material
cerâmico...Uma grandeza nominal para a determinação da tensão na ponta de uma
fissura é o fator de intensidade de tensão K,. A falha do material de corte através da
quebra ocorre quando o fator de intensidade de tensão atingir um valor crítico, a
tenacidade da fissura (tenacidade de quebra) K|C. Em comparação com outros
materiais o valor de- K,c para cerâmica é muito baixo.
Uma outra desvantagem notável de cerâmicas oxidas é a sua. relativamente
baixa resistência à troca de calor. Em intervalos de temperatura maiores que
200°C , o A1 2 0 3 puro é completamente destruído. Uma melhora é possível somente
através da adição de um componente com melhor resistência à troca de calor.
Devido à sensibilidade a choques térmicos, o corte de desbaste e acabamento
com cerâmicas oxidas não deve ser resfriado. Líquidos refrigerantes somente
deverão ser usados para estabilizar termicamente as peças, por exemplo em função
de pequenas tolerâncias dimensionais das mesmas.
Baixas resistências de- deflexão e alta sensibilidade a solicitações de troca de
temperatura resultam na aplicação prática a cortes-irregulares. Devido à baixa
resistência do gume, os gumes afetados provocam-a estabilização do corte.
lóó
Campos de aplicação de materiais.de corte cerâmicos óxidos
Basicamente, em razão da fragilidade a-solicitações de corte e da condição da
geometria de corte, o campo de aplicação das cerâmicas de corte é limitado. A
cerâmica não tolera falhas na estrutura, sendo que sob condições desfavoráveis de
solicitações mecânicas ocorre a quebra do material. Cerâmicas de corte possuem
contudo aplicação _em produções em série. Reduz-se o tempo de usinagem em
função da grande quantidade de opções para escolha do melhor material de corte.
O principal campo de aplicação de cerâmicas oxidas é o torneamento de
desbaste e acabamento de ferro fundido cinzento, aços cementados e aços
temperados. Contudo, a cerâmica oxida pura é cada vez mais substituída na
usinagem de fundidos por cerâmicas de nítreto de silício^
A tendência para a usinagem a seco abre novos campos de aplicação para a
cerâmica oxida no torneamento de extrudados. Cerâmicas mistas são utilizadas
devido à sua alta resistência do gume principalmente no torneamento e fresamento
leves de ferro-, fundido cinzento assim- como na usinagem de aços cementados e
aços temperados, figura 4 .17 . Restrições- para as. duas cerâmicas de corte estão no
teor de carbono presente nos aços. a serem usinados. A usinagem- de.aços- com teor
de cobalto menor que 0,35%. leva à formação de gume postiço no gume da
ferramenta e a formação de reações -químicas ocasionando um aumento do
desgaste e um questionamento quanto à sua aplicabilidade económica. A alta
dureza a quente de materiais de corte cerâmicos óxidos possibilita na usinagem de
aço e ferro fundido a utilização de altas velocidades de corte, figura 4.17.
1Ó7
100
min
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60
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25mm A — }f=0,1f 5mn
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Material da peça: GG30
Material da ferramenta:
Cerâmica de corte,
Metal duro
Prof. corte: ap= 2mm
Critério de vida:
Vb=0,4mm -
i i i i i
Geometria da ferramenta
r a X X £ V '
Cerâmica -6° 6° -6° 70° 90° 0,8mm
K10,K10+TiC
• I ' i i
6° 5°
l
0°
l
70°
l i
90°
I-
0,8mm
50 60 80 100 200 400 • 600 m/miniaoa
Figura 4.1.7 - Diagrama de'tempo. d e . usinagem para o torneamento- de aços
fundidos com lamelas de grafite com cerâmica de corte e metal duro
P I
Cerâmicas ox idas reforçadas por whiskers são testadas. com sucesso no
torneamento de tigas à base de níquel altamente resistentes a quente, figura 4 .18 .
Em relação a um material de corte usual (metal duro ou HSS), são possíveis
aumentos das velocidades de corte, em um fator de. 1
Reações químicas e- formação da estrutura para usinagem de ligas de metal
leve tomam a cerâmica de corte A l 2 0 3 inadequada para a usinagem de ligas de Al ,
Mg e Ti.
168
£
CM
o ,
H
m
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2000
m
1000
800
£ 600
o
2 400
tu
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w
o.
200
100
,- i M m \TTT
Cerâmica fortalecida
com whísker de SiC
Metal duro
de grãos
finíssimos
/
10 20 50 .100 m/min
Velocidade de Corte v c
500
Material da- peça :
Inconel 7.1 8
a p = 3mm
f = 0,25 mm
Fluido = emulsão
Figura 4 .13 - Comparação dos tempos de usinagem no torneamento de Inconel
718 com grãos finos de metal duro e cerâmica oxida reforçada com
whiskers .
4 .3 . 2 Cerâmicas de corte não-óxidas
Das cerâmicas não-óxidas (carbonetos, nitretos, boretos, silicatos...), nos últimos
anos principalmente materiais à base de-Si 3N 4 alcançaram grande-importância como
materiais de corte para a usinagem com geometria de corte definida. As cerâmicas
de corte S i 3 N 4 apresentam uma maior tenacidade e uma melhor resistência a choques
térmicos comparadas às cerâmicas de corte oxidas. Além disso, possuem uma grande
dureza a quente e resistência ao calor, figura 4 .1ó . Na usinagem possibilitam a
169
utilização de maiores valores de corteno trabalho "com ferro fundido cinzento/
maiores tempos de vida e menores perdas no processo. Principalmente a grande
'segurança.desse material de corte contra a quebra da ferramenta levou a uma rápida
aceitação do material de corte S i 3 N 4 pelos consumidores.
Comparadas com as cerâmica oxidas e. mistas possuem uma visivelmente maior
resistência à quebra em razão dos cristais S i 3 N 4 hexagonais ao invés dos grãos A1 2 0 3
em forma de agulhas. Para o revestimento total das cerâmicas de nitreto de-silício são
necessários. meios.de sinterização que formam uma fase gasosa-nos contornos de
grão e que influenciam "desvantajosamente as propriedades dessas cerâmícas-a altas
temperaturas. -
Além de meios de sinterização,.as cerâmicas de corte S i 3 N 4 possuem em-parte
ainda aditivos que influeciam a estrutura cristalina ou a textura e com isso .suas
propriedades. Em relação a sua composição química as cerâmicas de corte
disponíveis atualmente podem ser divididas basicamente em três grupos:
i: Nitreto de silício + materiais de.sinterização;
II: Nitreto de silício + fases cristalinas (Sialon-cristais mistos) + materiais de
sinterização;
III: Nitreto de silício + materiais duros (por exemplo TiN, Z r 0 2 , Whisícer-SiC) +
materiais de sinterização.
Qs materiais de corte do grupo í e ff!, são obtidos através da prensagem a
quente, sinterização, prensagem isostática a quente ou através de uma combinação
desses processos.. A maior parte dos materiais de corte S i 3 N 4 utilizados atualmente
estão agrupados no grupo 1.
Os materiais de corte do grupo If são denominados S/a/one. Nitreto de silício
pode conter até 60% dev óxido de alumínio na mistura sólida. Alguns átomos, de
nitrogénio são substituídos por átomos de oxigénio e átomos de silício são
substituídos por átomos de alumínio.
Comparado com os materiais de corte do grupo 1, o Sialone possui maior
dureza, melhor estabilidade química e maior resistência à oxidação. O processo de
fabricação é a sinterização com um posterior revestimento isostática a quente.
170
Ao grupo III podem ser agrupados materiais de corte S i 3 N 4 cujas propriedades
são fortemente influenciadas pela adição de materiais duros, como por 'exemplo
nitreto de titânio, carboneto de titânio, óxido de zircônio ou whisker-SiC. :
Áreas de aplicação de cerâmicas de corte não-óxidas
. Uma área de aplicação clássica de materiais de corte Si 3 N 4 é a usinagem de
ferro fundido cinzento. Nesse caso, principalmente na usinagem automatizada, são
utilizadas as-cerâmicas de nitret© de silício tenazes do grupo I. Na usinagem de
materiais fundidos de corte contínuo e interrompido é possível- utilizar grandes
avanços devido à alta tenacidade desses, materiais de corte obtendo altos valores de
- taxa.de remoção. Assim, por exemplo no torneamento, de discos de freio para
automóveis, a aplicação de cerâmicas Si 3 N 4 leva a um ganho -de tempo de vida.em
comparação às cerâmicas oxidas. A maior segurança contra quebra permite a
utilização de valores, máximos de parâmetros de corte do material de corte.
Com isso cerâmicas de nitreto de silício -podem ser-empregadas vantajosamente
no desbaste de ligas a.base de níquel.. Como mostraram os ensaios de torneamento
de inconel 718 , para, essas condições de usinagem os materiais de corte do grupo II
e III são os mais apropriados.
A resistência ao desgaste, de cerâmicas de nitreto de silício-comparadas às
cerâmicas óxidos, é relativamente .menor. Materiais de corte de nitreto de silício
possuem uma alta afinidade com ferro e oxigénio em certas condições de usinagem.
Desgastam-se rapidamente na usinagem de aço , sendo que para este grupo de
materiais não existe atualmente nenhuma aplicação economicamente viável..
O desgaste ocorre principalmente na superfície de saída. Dessa forma o gume
de corte possuí uma tendência ao arredondamento aumentando assim as forças de
usinagem com o aumento do tempo de corte. Como consequência.disso aumenta o
risco, principalmente no fresamento nos cantos das peças brutas e frágeis. Devido a
esses fatos a cerâmica de nitreto de silício é mais apropriada para o desbaste que
para o acabamento. Ela substitui predominantemente cerâmicas oxidas e em alguns
casos também metal duro. ,
171
O revestimento de cerâmicas de nitreto de silício ocorre com a aplicação de
camadas múltiplas de T iN-AI 2 0 3 e abre maiores- perspectivas na área de aplicação.
-Através da camada protetora de desgaste e difusão o tempo de usinagem do S í 3 N 4 ,
principalmente na usinagem de ferro fundido com glóbulos de grafite (por exemplo
G G G 40) torna-se visivelmente maior.
4.4 Materiais de corte altamente duros náo-metálicos
Como materiais de corte superduros e não-metálicos são denominados os
materiais de corte à base de diamante e nitreto de boro na usinagem com geometria
de corte definida. De acordo com a definição trata-se nos dois casos.de materiais de
corte cerâmicos, embora o diamante esteja no;grupo dos monocristalinos e o nitreto
de boro das cerâmicas não oxidas.
a) Diamante'como-ferramenta de corte . .
O carbono elementar aparece em duas formas cristalinas, grafite e diamante.
O diamante cristaliza na forma estrutural cúbica cristalina, onde: os átomos de
carbono estão ligados por ligações covalentes em uma -estrutura tetraédrícá. A
ligação interna extremamente alta e a -ligação-cristalina são os motivos para que o
diamante tenha a maior dureza de todos os materiais conhecidos. Além disso, ò
diamante possui um comportamento superior aos outros materiais duros em relação
à condutibilidade térmica. A figura 4 .19 , mostra a dureza e a condutibilidade
térmica de alguns materiais que são muito empregados como abrasivos, como
alguns carbonetos, materiais constituintes de ferramentas de metal duro, e permite a
comparação com o diamante. O diamante também é empregado de - forma
crescente como ferramenta de corfe-de geometria definida.. ~
172
Dureza
(Vickers) [ N/mm2 ]
10000 5000 2500
Condutividade térmica
X R T [ W / m K ] . •
100 1000 10000
Figura 4.19 - Dureza: e condutibilidade térmica do diamante em comparação com
outros materiais duros [1]
Classificação de ferramentas'de diamante ' '
A classificação de ferramentas de diamante dá-se entre-diamantes naturais e
diamantes sintéticos',' ambos' podendo ocorrer tanto na forma mono como
poiicristalína. '
Diamante natural • • - • •
- - x • • . • •• •
De grande importância "pa ra ' a usinagem com ferramentas de corte de-
geometria definida, o diamante• natural" é encontrado normalmente em sua'forma
monocristalina..'Apesar do diamante natural também ser encontrado em sua forma
poiicristalína (bailas, carbonado e ballanídas), essas formas de diamantes têm uma
importância reduzida na fabricação de ferramentas de geometria definida, ]áque a
fabricação de diamante' sintético polícristalino apresenta tanto vantagens
económicas como tecnológicas.
r4
Uma propriedade importante do diamante monocristalino é a anisotropia.
(dependência de orientação) das propriedades mecânicas como dureza, resistência
e módulo de elasticidade. Enquanto que em materiais polícristalinos a anisotropia é
anulada pela' distribuição completamente aleatória dos cristais constituintes, nos
materiais monocristalinos a anisotropia é mantida em decorrência da orientação da
estrutura cristalina.
Pelo mesmo motivo, tem-se a clivagem do,diamante monocristalino.em quatro-
orientações preferenciais. E visível que, tanto para a preparação de uma ferramenta
de diamante monocristalino por retificaçâo, bem- como para o seu -emprego como
ferramenta de corte, a posição da estrutura cristalina deve serconhecida. Enquanto
que para a retificaçâo sempre devem-se escolher a .direção de menor dureza, a
ferramenta no suporte, deve .ser orientada de. .tal forma -que a força., de usinagem
aponte no sentido de um máximo de dureza.
Diamante sintético •
O processo para a fabricação de diamante sintético ocorre sob a utilização de
uma solução catalítica sob temperatura e pressão elevadas, onde o. diamante é a
fase estável. Pela escolha adequada da pressão e temperatura é possível controlar o
crescimento dos. cristais e assim determinar o tamanho dos mesmos na. faixa, de
alguns mícrometros até vários milímetros, garantindo-se certas propriedades, físicas,
como pureza e porosidade dos diamantes.
Na síntese do diamante sintético são produzidas partículas de diamante
monocristalino que não têm importância significativa para a usinagem com
ferramentas de geometria definida e são empregadas principalmente para a
produção de segmentos de diamante policristalino com a ajuda de um processo de
compressão a quente. . . . . . . . :
Apesar da fabricação ' de • diamantes sintéticos monocristalinos ser possível
tecnicamente, na fabricação de ferramentas de geometria definida basicamente são
empregados apenas diamantes naturais, já que para os tamanhos de ferramentas
de 1 a 5 mm a fabricação de diamantes sintéticos monocristalinos ainda não. é
economicamente viável.
174
Ferramentas de'diamante policristalinó ' - • _ • '•' " • .
; Ferramentas de diamante policristalinó-foram apresentadas pela'primeira vez
em 1973 e podem substituir parcialmente as ferramentas de- diamante
monocristalino e ferramentas de metal'duro em'algumas áreas de aplicação. Para a
fabricação de ferramentas de diamante policristalinó, êmpregam-se partículas de
diamante sintético extremamente finas,, que são compactadas a" uma densidade
muito grande e posteriormente sinterizadas.'
A confecção da camada de diamante policristalinó ocorre em urrr-reator de alta
pressão e alta temperatura (óO a 70 "kbar, 1400 a 2000°C) , sendo que nessas
condições as partículas de diamante sintéticos são ligados via fase da matriz à base
de cobalto para um"'corpo policristalinó compacto. A camada de diamante cuja
espessura é de aproximadamente 0,5 mm pode ser sinterizada diretamente sobre
um substrato de metal duro ou soldada sobre um metal duro com um metal de
baixa módulo- de elasticidade, evítando-se tensões na diamante decorrentes de
deformações térmicas variadas entre o diamante e o metal duro.
• A camada de -diamante, por causada sua estrutura poiicristalína, apresenta-se
como um corpo ísotrópico, no qual a anisotropia dos grãos monocristalinos
isolados é absorvida pela distribuição aleatória-dos-grãos de diamante. Devido a
este fato, o diamante- policristalinó não apresenta a isotropia de dureza e
fissíbilidade do diamante monocristalino, e por outro lado, não apresenta a dureza
máxima apresentada no diamante monocristalino em sua direção de dureza
principal/uma v e z q u e a dureza dodiamante policristalinó também é. influenciada
pela forma com que os diversos grãos sínterizam e ainda pela influência da matriz,
de cobalto. ' . • ' . ' • - '. "' "
'Dependendo- do tamanho-do grão'do diamante' utilizado assim como da
composição da fase ligante, as propriedades do material, composto, policristalinó
podem ser influenciadas obfetivamente. Ferramentas de grãos grandes apresentam
maior dureza de estabilidade térmica, ; mas o arredondamento das quinas da
ferramenta é maior que nos tipos de grãos finos. Em razão disso a"resistência'ao
desgaste ã solicitações abrasivas >no processo de usinagem aumenta. Com relação
à composição da' fase ligante a estabilidade térmica- pode' ser aumentada, por
175
exemplo, através da utilização de SiC. Contudo, a condutibilidade térmica -.da
ferramenta caí bruscamente em relação às.ferramentas com fase ligante WC-Co.
A formatação de uma.ferramenta dé diamante policristalinó composta de um
revestimento.de diamante ou substrato de metal duro é realizada por retífica. As
ferramentas de diamante policristalinó, inclusive com seu substrato de metal duro,
são fixas sobre uma ferramenta de metal duro padronizada ou soldadas sobre uma
haste. As ferramentas de diamante policristalinó em.forma de insertos reversíveis
apresentam as mesmas dimensões de ferramentas ou insertos reversíveis de metal
duro padronizadas.-
Área de aplicação de ferramentas de diamante
A usinagem de ferro e aço com ferramentas de diamante não é possível, devido
à afinidade do ferro ao carbono. O diamante se transforma em grafite na-região de
contato entre ferramenta e peça, por.causa das temperaturas elevadas-nesta região
e o grafite, por sua vez, reage com o ferro. Como consequência tem-se um rápido
cegamento do gume, tanto na ferramenta monocristalino como na ferramenta
poiicristalína de diamante. . . . . . .
• Ferramentas monocristalinos de diamante são adequadas para a usinagem de
metais leves, pesados e nobres, .para a usinagem de borracha mole e dura,
usinagem de vidro, de plásticos e pedra. Sua aplicação principal é a usinagem de
precisão, pois as dimensões restritas do gume e a baixa resistência à flexão
impossibilitam a utilização de grandes profundidades de.corte e avanços. . A
aplicação de ferramentas monocristalinos-é yantafosa quando se tem a exigência de
alta qualidade dimensional e de superfície. Assim é possível,, por exemplo na
usinagem brilhante, com o emprego de ferramentas de diamante superpolídas, fazer
uma usinagem praticamente sem-estrias com uma.rugosidade R, na ordem de 0,02
um. . . . . . . . . . . . . . . .
A diversidade de materiais que podem ser usinados com ferramentas de
diamante policristalinó abrange, além dos metais leves, pesados e nobres, uma
série de materiais plásticos,, carvão, grafite e metal duro pré-sínterizado. A aplicação
não está restrita à usinagem de precisão, abrangendo também a usinagem de
17Ó
desbaste. Em muitos casos é possível • acoplar " a - pré-usinagem -e usinagem de
acabamento em uma mesma etapa de fabricação.
"• Uma -aplicação de . grande importância das ferramentas de-diamante
policristalinó é encontrada na usinagem de alumínio com alto teor de silício, figura
4.20. Devido à estrutura mole-dura desses materiais, o gume da ferramenta
alternadamente passa pela fase mole de alumínio e pela fase dura de silício, tendo-
se uma situação comparável à de corte interrompido. Por isso não é possível
empregar materiais e ferramentas extremamente resistentes à abrasão,- pois são
também muito-frágeis. Materiais de ferramentas tenazes, no entanto, apresentam
um desgaste muito rápido e estão submetidos a um desgaste abrasivo provocado
•pelas partículas de silício. Além disso, na aplicação de-ferramentas de metais duros
-empregadas predominantemente para a usinagem desses materiais, a tendência da
adesão do alumínio sobre a ferramenta reflete-se negativamente sobre o processo
de usinagem.
1600% IÚ00*
n l
TfCCO CU M D ( a p = 0 , 5 m m m ; f e = 0 , 0 2 3 m m ; z = 2 4 ) .
I H ES P K D ( a p = 0 , 5 m m : f e = « O , 1 5 m m ; x = 8 ) '
R S a P K D com ajuste otimtzado dos gume
( a p " 0,5 mm; fz =* 0,1 m m ; z = 8) :
- redução do tempo da troca da ferramentai
- melhora da qualidadasuperficiai
- redução do retrabalho (pouca rebarba)
- avaliação onerosa dos gumes
- reafiaçao difícil
- ferramentas especiais (possibilidade d e regiitagem;
fixação por forma)
- manuseio complexo
l£0O
• n l
190*
1W%
2500 m/min
1130
16* o
m v
• 50% 8 1 * j E E S U E S L
Custo de material Quantidade Custo de ferramentas Velocidade Tempo de usinagem
de cada ferramenta (peças) por p e ç a de cortepara percurso de
usinagem de 1m
Figura 4 .20 - Comparação do metal duro e PKD no fresamento de ligas de
: alumínio GK-AJSil 7Cu4Mg (de acordo com Daimler Benz) [1]
Além.das altas velocidades de corte, dos altos tempos de vida, que-são de até 80
vezes, maior que .os das ferramentas de metal duro, e da excelente qualidade e
precisão superficial, a principal razão que fazem as ferramentas de diamante
177
policristalinó (PKD)-.serem, superiores, às- ferramentas, de metal duro é o fato de
possuírem maior segurança do processo. Esse é o caso da produção em série em
linhas de produção, onde.necessita-se curtos tempos e-uma alta segurança contra
eventuais quebras da ferramenta. - - . . . . .
b) Nitreto de boro como ferramenta de corte
Como para o-carbono, existe também uma forma mole de nitreto de boro, uma
modificação hexagonal, que apresenta a mesma estrutura cristalina do grafite, e
uma modificação cúbica, dura, que apresenta uma estrutura cristalina idêntica à
estrutura do diamante. Existe ainda uma terceira modificação cristalina de wurtzita.
A estrutura cristalina wurizita é um tipo de estrutura com simetria hexagonal mas
com arranjo atómico diferente da estrutura do grafite. Em relação à dureza, essa
forma encontra-se entre as duas outras modificações.
Comparado com o nitreto de silício, o nitreto de boro hexagonal é mole e não-
apropriado. como ferramenta para a usinagem com geometria definida. Somente
após uma transformação d a estrutura hexagonal em uma estrutura cristalina cúbica
com a ajuda de- um processo a altas temperaturas e pressões, o nitreto de boro terá
as propriedades de uma ferramenta ótíma. O. nitreto de boro cúbico (CBN) é, após
o diamante, o segundo material mais duro conhecido, figura 4 .19 .
A fabricação do nitreto de boro hexagonal ocorre através de uma reação de
halogéneos de boro com amoníaco. Possui uma densidade de 2;27 g/cm 3 e um
ponto de fusão de 2730°C . O nitreto de boro cúbico (p = 3,45 g/cm3) não é
encontrado na natureza. Sua obtenção.com as solicitações da síntese.do-diamante
ocorreu pela primeira vez em 1957. A transformação do nitreto de boro hexagonal
em nitreto de boro cúbico ocorre utílizando-se como catalizador o lítio a uma
pressão de 50 a 90 kbar e temperaturas entre-1800 e 2200 K.
Apesar da estrutura cristalina idêntica, pode-se verificar algumas diferenças
consideráveis entre o nitreto de boro cúbico e o diamante. O nitreto de boro cúbico
apresenta até ó faces de fissão, ou seja, duas a mais que o diamante. Essa
característica não tem importância maior para a usinagem com ferramenta de corte
178
de geometria definida; uma vez que essas ferramentas-são constituídas basicamente
de materiais policristalinos. - • '- -•
- - De maior importância é o fato de que o nitreto dé boro não apresenta somente
um elemento químico como o carbono, mas sim é uma combinação química. A
estrutura cristalina do nitreto de boro contém boro e átomos .de' nitrogénio e, em
decorrência disso não pode apresentar a mesma simetria, as mesmas forças de
ligação e a mesma dureza que o. diamante, cuja estrutura atómica é composta
exclusivamente de átomos de carbono-. . • • - - .
As ferramentas utilizadas atualmente a base de nitreto. de boro são divididas
basicamente em três grupos.
í). CBN + fase ligante; . . ,.•
II) CBN + carbonetos (TiC + fase ligante);
III) CBN + nitreto de boro hexagonal com estrutura wurtzita (HBN) •+ fase ligante (+
materiais duros). ;
• , 0 grupo- I compreende as ferramentas convencionais de-PCBN. Esses tipos
possuem: um-alto teor de CBN, uma baixa porcentagem de fases ligantes, assim
como grãos relativamente grandes. A principal aplicação dessas ferramentas é para
o desbaste de materiais ferrosos duros através de torneamento, furacão e
fresamento. -
Nas ferramentas do grupo II a fase ligante- é composta principalmente de
carbonetos, especialmente carbonetos de titânio ou nitreto de alumínio e titânio. Os
tipos PCBN com carbonetos possuem, quando comparados com as ferramentas do
grupo I, um baixo teor de CBN, um maior número de fases- ligantes, uma-textura de
grãos mais finos assim como uma • menor condutibilidade térmica. Foram
desenvolvidos especialmente para.a, usinagem de„precisão e são apropriados em
razão da sua alta estabilidade de quina assim como de sua resistência ao desgaste
na usinagem de acabamento de aços temperados.
- As ferramentas do grupo III possuem, além do nitreto de boro cúbico, o nitreto
de boro hexagonal com- estrutura' wurízifa. Essas ferramentas possuem uma
composição de cristais finos e com isso uma alta tenacidade e usinabilidade. Um
179
campo de aplicação sugerido é o "desbaste.e acabamento de materiais de açor-ze:
materiais fundidos. assim como aços temperados em cortes contínuos * e
interrompidos. Até atualmente" as ferramentas desse grupo não tiveram um
desempenho favorável no mercado. . . •
Elas são constituídas de um gume policristalino, que é soldado ou fixo sobre
um suporte de ferramenta.'A'fabricação do gume é feita em. um reator de alta
pressão • e alta temperatura, por sinterização de partículas de nitreto de boro;
policristalino com auxílio de uma fase de ligação *'e uma simultânea" ligação• do
revestimento com o substrato. A pastilha de nitreto de boro policristalino tem uma
espessura de aproximadamente 0,5 mm. Há duas formas básicas de ferramentasde
nitreto de boro puro policristalino, as soldadas sobre o suporte que por retffica
atingem sua forma final, e as reversíveis, que podem ser fixadas em suportes de
ferramentas convencionais.
As ferramentas de nitreto de boro cúbico com geometria ' definida .são
empregadas principalmente na usinagem. de aço temperado com dureza acima de
45 HRC, usinagem de aço rápido, usinagem de aços resistentes a altas
temperaturas,-ligas de níquel e cobalto,, que "podem ser usinadas com. dificuldade
apenas com ferramentas de metal duro e não podem ser usinadas.com ferramentas
de diamante. Assim por exemplo, materiais de aço temperado podem ser usinados
com ferramentas PCBN de uma maneira economicamente viável.
Nesse caso materiais de corte do grupo II com grãos finos e pequenos"de CBN
são utilizados- especialmente para a usinagem de acabamento. Além disso, é
possível a usinagem de materiais com revestimento aplicado por. chama e revestidos
por soldagem, materiais com alto teor de carboneto de tungsténio, cromo e níquel. '
" - Além da usinagem de aços temperados, materiais com baixa dureza podem ser
usinados economicamente com PCBN, com exceção dos' materiais moles, que
possuem tanto austenita como ferrita, embora.os mecanismos para a usinagem com
esses materiais ainda não estefam esclarecidas. Casos-de aplicação para o-PCBN
em materiais moles estão onde exige-se uma boa qualidade superficial com desvios
de medida mínimos na produção'de grande quantidade de peças padronizadas.
Como exemplo tem-se a:usinagem de materiais perlíticos fundidos. A aplicação de
180
materiais cerâmicos ; de corte têm, 'como consequência, boa -produtividade è
qualidade;
4.5 Formas de ferramentas
Já na concepção'de uma ferramenta de-corte, certas características, que devem
garantir sua -função dentro das diversas áreas de • aplicação, devem ser
consideradas.1 Devem ser considerados os seguintes aspectos na concepção de uma
ferramenta: -. . . .
- a solicitação mecânica decorrente da aplicação da foça de usinagem;
- a solicitação térmica da ferramenta;
••- o posicionamento rápido e a troca do gume da ferramenta;
- a substituição rápida de componentes desgastados da ferramenta;
- a aplicação múltipla de uma ferramenta;
- os custos, de fabricação e os custos de manutençãoda ferramenta.
A seguir serão descritos os grupos de ferramentas para o torneamento para as
diferentes'ferramentas. Ferramentas de torneamento podem ser de:
- ferramentas de aço maciço,
- ferramentas com insertos soldados e
- ferramentas com insertos reversíveis.
Além élsso no fresamento e na furacão podem ser empregadas ferramentas de
metal duro maciças economicamente; no torneamento a sua aplicação é- apenas
em casos especiais. -
Informações específicas para os sistemas de outros processos de fabricação
com ferramenta de gume definido serão abordadas nos capítulos 8 e 9.
4.5.1 Ferramentas de aço maciças
Entende-se como sendo ferramentas maciças as ferramentas de torneamento
constituídas de um mesmo material no gume e na haste da ferramenta,
principalmente de aço rápido. Esse tipo de ferramenta é denominado de ferramenta
181
cie torneamento e sua forma é obtida pela afiação do gume da ferramenta nas
diversas formas, básicas. - . . .
As ferramentas, de sangramento já apresentam uma forma geométrica
adequada para a sua aplicação. A forma necessária para p sangramento,
referindo-se aos ângulos de incidência laterais, já se apresenta na própria
ferramenta bruta. Após a -afiação.,do. ângulo de incidência principal, essas
ferramentas de sangramento são fixadas em suportes específicos, figura 4 .21 . A
reafiação das ferramentas dá-se reafiando-apenas-o flanco principal da ferramenta;
correções de altura da posição 'do gume são feitas pelo reposicionamento da
ferramenta dentro-do suporte. . . . .
Figura 4.21 - Sistemas de fixação para ferramentas de sangramento [1]
Uma vantagem dessas ferramentas brutas de torneamento é a possibilidade de
retificar formas variáveis nelas. A figura 4.22 mostra ferramentas de forma em uma
concepção plana e em uma concepção alongada. A última forma é utilizada como
ferramenta tangencial, já que a ferramenta é reposicionada tangencialmente em
relação à peça em rotação; em contrapartida tem-se as ferramentas radiais que
apresentam o reposicionamento radial. As ferramentas redondas (DIN 4970),
necessitam de uma rotação no suporte após a reafiação. Esses tipos de ferramentas
de forma só são retífiçadas-nas superfícies e saída,de cavaco, ou.seja, nas faces da
ferramenta, uma vez que a reafiação do flanco, que é obtida com um custo muito
elevado, modificaria a forma da ferramenta.
182
Ferramenta de tornear
de forma plana
Figura 4.22 - Formas básicas de ferramentas de torneamento de aço rápido [1]
A vantagem dessas ferramentas para o torneamento é que elas não exigem um
quebra-cavaco, pois nesses casos elas são de fácil reafiação. Ferramentas redondas
são possíveis de serem empregadas em 75 % de sua circunferência.
Ferramentas-'de., torneamento podem ser fabricadas totalmente por metal duro,
quando-o. processo de soldagem apresenta dificuldades, como no caso de pequenas
ferramentas. Também quando a flexão permanente da haste da ferramenta deve ser
muito pequena, como por exemplo em suportes de furacão, o. módulo de elasticidade
do metal duro pode ser aproveitado.
4.5.2 Ferramentas com insertos soldados
Em geral a soldagem entre insertos e o suporte é utilizada como uma técnica de
[unção apenas em casos raros como por exemplo para ferramentas especiais ou na
obtenção de ferramentas para usinagem de madeira. Atualmente os insertos são
predominantemente aparafusados ou presos.
183
Metal duro Haste
Figura 4.23 - Soldagem de ferramentas de torneamento de metal duro [1]
Materiais empregados para a fabricação de hastes para ferramentas de
torneamento normalmente devem apresentar uma, resistência de 700 a 800 N/mm 2.
No caso de ferramentas, para seções de usinagem maiores, a resistência deve ser de
800 a 1000 N/mm 2 . As seções transversais de hastes para ferramenta são
padronizadas pela DIN 770.
Em ferramentas soldadas os insertos podem ser de aço rápido, metal duro ou
cerâmica. A soldagem de insertos de aço rápido quase não é empregada, uma vez
que o emprego de ferramentas maciças de aço rápido pode apresentar vantagens.
4.5.3 Ferramentas com insertos intercambiáveis
Os insertos intercambiáveis reversíveis são empregados em ferramentas com
dispositivos de fixação no suporte. A vantagem é a troca rápida e segura dos
insertos. Devido às classes de tolerância, a substituição pode ser realizada sem a
necessidade do reposicionamento da ferramenta, de uma forma bastante rápida.
Como o suporte de ferramenta permite a fixação de diversas classes de insertos, a
função de usinagem pode ser rapidamente escolhida e adaptada aos diversos
184
materiais usinados. Os custos de estoque são relativamente baixos, uma vez que se
resumem ao estoque, de insertos e peças de reposição para o suporte...
Exemplos para ferramentas com insertos reversíveis para a furacão, fresamento,
serramento e torneamento, são mostrados na figura 4.24. ' ' .
Ferramenta de furacão
Ferramenta de furacão
profunda'
F resa de topo
F r e s a helicoidal'
Ferramenta de furacão
e s c a l o n a d a
Ferramenta de
sangramento
Fresa de disco
Disco de serra
Figura 4.24 - Ferramentas com insertos reversíveis [1]
. Em relação aos insertos soldados, os insertos fixos por sistema de fixação
apresentam, dentre outras, a vantagem de que vários gumes de um inserto podem
ser empregados. Se um gume, por causa de um desgaste muito grande, torna-se
inutilízável, o inserto pode ser girado ou reposicionado e assim um"novo gume pode
ser levado à posição de trabalho. Daí decorre a designação de insertos reversíveis.
A designação de insertos reversíveis é padronizada segundo a norma ISO 1832,
figura 4.25.
185
. As ferramentas retangulares e quadradas, devido ao ângulo de quina grande (s
= 90°), apresentam uma estabilidade de gume elevada. Sua aplicação, em relação
à ferramenta triangular na usinagem de forma, é.limitada. Ferramentas triangulares
apresentam uma estabilidade de gume menor devido ao ângulo de quina pequeno.
Qualidades de superfícies muito altas podem ser obtidas com aplicação de
ferramentas reversíveis circulares. Porém a desvantagem é que o menor raio que
pode ser fabricado, no caso dessas ferramentas, [á está pré-definido. Nos trabalhos-
em máquinas copiadoras são empregadas ferramentas reversíveis rombóicas. Com
essas ferramentas torna-se • possível a confecção de raios e a cópia de formas
profundas.
Classe
da
tole-
ránda
d: Diâmetro teórico do circulo inscrito
s : E s p e s s u r a do inserto
m: V ide figura
' 0,005
0,025
0,025
0,013
O.COS
0,005
0,005
0,005
TJ£FT3"
0,013
0,013
0.013
0,08
0,13
0.15
0,13
0,13
0.20
0,38
S M
0755
0.025
0,025
0,025
07J2T
0.025
0.025
0.025
0,13
0,13
0,13
0.13
0,13
0,13
d
0,025
0735"
0,08
0,10
0,13
w
0.08
0.10
0,13
Õ7S~
0,08
0.10
0,13
07»
0.13
0.18
0,25
S.35 9,525 12.7 15,875 19,05 25,4
Tipo do inserto
A
r m
G M
r m
N
r.—l
R
40-60*
w
C K 7
Comprimento do gume
MM
L
Sentido de corte
R
c.
\
N
3
M
3
i
G
*
f
12
5
04-
s
, 08 . a *
Forma do inserto
A 85'
k I
B S2*
k i
C 80"
o ]
D 55"
O
E75*
o
H
0
K 55*
£7
L
I
M86*
O
0
O
R
0
S •
T
A
V 35"
O
W
Angulo de
Incidência
N-0-
A-3*
8 -5*
c - r
p - t r
D-15*
Ê-20*
F-25"
G-30*
X
Espessura do inserto
mim t
02 = 2,38
03 = 3,18
T3 = 3,97
04 = 4,76
05*5,56
06 = 6,35
07=7.94
08 = 8,00
09 = 9,52
Ralo de quina
01 = 0,1 mm
02 = 0,2 mm
04 =• 0,4 mm
08=0,8 mm
12 =1,2 mmete.
00 * gume afiado
MO «inserto arredondado
Estado do gume
Geometria especial
Classificação interna
Figura 4.25 - Representação para insertos de acordo com a ISO 1832 [1]
186
. Para os diversos • sistemas .de- fixação •-existem. insertos corm.e sem-furo.
Ferramentas sem'furo: apresentam normalmente a colocação de um quebra-çavaco
que é fixado sobre ,o inserto, ao passo que as ferramentas com fura normalmente
apresentam quebra-cavacos. feitos na própria conformação, do material do inserto.
Insertos.de cerâmica„e PCBN são.fabricados predominantemente sem furo e podem
ser fixados somente com alavanca de aperto-. • •
.Há distinção entre insertos positivos e negativos. O-critério é o tamanho do
ângulo ,de saída com a ferramenta.fixada .na. posição de trabalho. Tendo-se um
ângulo de saída positivo, o inserto é denominada positivo, e para um ângulo .de
saída de trabalho negativo, o inserto é denominado negativo, figura 4.26.
Ferramentas positivas normalmente apresentam apenas gumes empregáveis no
lado superior. Insertos para suportes, com ângulo, de saída no suporte,
normalmente apresentam um ângulo de incidência no inserto. Se o ângulo de
incidência do inserto for 1 I o , como mostrado na figura 4.26 (ângulo de cunha 79°)
e o ângulo de.saida.-de suporte + 5 o , então durante a usinagem tem-se um ângulo
de saída :de : aproximadamente\-f- 6 o . Insertos negativos apresentam ângulo, de
cunha de 90°, senda, possível empregar os gumes do lado superior e do lado
inferior do inserto.
positivo
i í i ^ T
• Inserto
negativo
. ... A G . D D ; t g
Figura 4.26 - Comparação entre insertos com ângulos de saída positivo e negativo
.Ferramentas reversíveis com ângulo de saída positivo e quebra-cavaco
sinterizado ou retificado têm a mesma forma básica das ferramentas ou dos insertos
187
reversíveis negativos, porém usinam efetivamente, condicionados pela geometria do
quebra-cavaco, figura 4.27. Esse tipo de insertos tem a vantagem de ter um ângulo
de saída positivo, por conseguinte uma menor .força de corte e uma menor
solicitação do inserto. O principal objetivado quebra-cavaco é quebrar os cavacos
compridos, para não ocorrer- o . enrolamento. Em ...processos de usinagem
automatizados utiliza-se quebra cavacos para que o cavaco quebre continuamente.
Deve-se considerar,, no entanto, -que os .quebra-cavacos sínterizados" ou.
retificados no inserto devem ser adaptados às condições de usinagem específicas.
Para ampliar a faixa de aplicação dos insertos com quebra-cavaco. sínterizado,
normalmente são encontradas várias ranhuras subsequentes sinterizadas no próprio
material. Quebra-cavacos pequenos, sínterizados na região da quina da ferramenta
garantem uma boa quebra de cavaco no acabamento.
Figura 4.27 - Ferramentas reversíveis com quebra-cavaco sinterizado
'.(Sandvik) P I
As tolerâncias de fabricação de insertos reversíveis, em uma troca de insertos,
por exemplo em máquinas de comando numérico, têm uma influência muito grande
sobre as tolerâncias de fabricação das peças. Em decorrência disso, distinguem-se
insertos reversíveis segundo as classes de precisão normal e precisão elevada. As
tolerâncias em insertos normais estão na faixa de ± 0,13 mm e em insertos de
188
precisão elevada em ± 0,025 mm, possibilitando quedas tolerâncias dimensionais
em peças-sejam melhoradas de. ± 0,1 mm após a troca de umo inserto, sem
exigência de um reposicionamento da ferramenta. • -
Além -das formas' descritas ria ISO 1832,'existem-diversos insertos para
usinagens especiais e insertos não-convencionais para-a usinagem com geometria
definida.'
Os sistemas de fixação para insertos reversíveis devem preencher as "seguintes
exigências: . . . " ' • - • .
- O inserto reversível,-a pós sua troca, deve ser fixado na mesma posição.
- Durante a usinagem o inserto não deve mudar sua posição devido à força de
usinagem.
- Exige-se uma superfície plana no inserto-para que esta não se deforme durante a
usinagem. . . .
- O sistema de fixação deve garantir que o calor gerado no corte se[a transmitido
facilmente para o suporte.
-'A força de usinagem deve ser transmitida de tal forma ao suporte que efe ajude a
centrar o~ inserto de corte.
- De acordo, côm o'trabalho específico, deve ser possível a fixação de um quebra-
cavaco. '
Os suportes de ferramenta para o torneamento são padronizados pela ISO
5Ó08. A figura 4.28 mostra um exemplo de aplicação para suportes de ferramenta.
189
Tipo da fixação . ._
(fixação superior)
Forma do inserta.
~ (quadrada)
Forma da hasta
(forma B)
Ângulo-de incidência do
Inserto ( a w s p - O t " t
Sentido de corta
(corte à esquerda)
Altura da traste
(h = 32 mm)
Largura da haste
(b = 32 mm) .
Comprimento da hasta
. . . (11 = 170 mm)
Pecul iar idades -
(nenhuma)
•c
5
32
32
P
Figura 4.28 - Sistemas de representação para um suporte de ferramentas de
torneamento (de acordo com a ISO 5Ó08) [1]
. Na figura 4.29'são apresentados vários sistemas de fixação para insertos com e
sem furo. A vantagem no sistema de fixação com furo-reside no fato de.que.todos
os elementos de fixação estão, protegidos dos cavacos. Os. insertos podem ser
fixados por bastões ou joelhos, de forma que os insertos ficam centrados sobre o
suporte da ferramenta. •
- grampo de fixação
quebra-cavaco
inseria
' suporte
- parafuso de fixação
-porca excêntrica
idefixacâa__^
•Joelho
parafuso de fixação
Figura 4.29 - Sistema de fixação para insertos intercambiáveis (Widia, Hertel) [1 ]
190
A forma de projeto mais simples, prevê urri* parafuso de fixação no Inserto. Uma
outra possibilidade permite afixação por uma sapata'de fixação que fixa o quebra-
cavaco. e o inserto simultaneamente. Dessa maneira o quebra-cavaco pode ser
adaptado.com variação contínua .das condições de corte, proporcionando .uma
quebra de cavaco otimizada. ' - »
Fixações com um grampo de sujeição são empregadas quando o quebra-
cavaco é apenas regulável escalonada mente e já está previamente adaptado às
condições de usinagem. Havendo danificações no dispositivo de fixação, as diversas,
peças geralmente podem ser substituídas por elementos de substituição fornecidos
pelos'fabricantes da ferramenta.
' Deve-se notar que .geralmente os componentes oferecidos por fabricantes
distintos não são empregáveis no mesmo suporte. Por esse motivo não é
economicamente aconselhável que em uma fábrica sejam empregados várias
formas construtivas diferentes "de fixação de ferramenta e de fixação do inserto, pois
este fato encareceria, consideravelmente a fixação de ferramentas, em decorrência
do elevado custo do estoque a ser mantido na fábrica.
Para reduzir o tempo de fixação e o tempo secundário nas produções, em série
são utilizados algumas vezes sistemas especiais, por exemplo fixadores curtos ou
Kasseten. Principalmente para máquinas com correias ou tornos copiadores são
empregadas ferramentas que realizam a troca dos insertos usadas automaticamente
durante o posicionamento das peças sem que haja perda detempoJ
4.6 Preparação de ferramentas
Caso deseja-se preparar uma ferramenta- para reduzir os tempos de retífica e
custos de ferramenta,^ ferra menta deve ser reafiada dentro de prazos estritamente
controlados. Isso significa que o gume não pode ser desgastado além de-um certo
valor de desgaste admissível. A tabela 4.9 fornece informações sobre valores de
desgaste que são empregados como critérios de fim de vida de uma ferramenta.
A retifícação é realizada especialmente em ferramentas especiais e em
ferramentas que realizam processos especiais com pastilhas soldadas.Uma exceção
191
são as ferramentas de metal duro maciço, por exemplo brocas e íresas dè topo.,
ferramentas de engrenagens de HSS, assim como insertos de PKD ou PCBN. A
retíficação de insertos de metal duro,ou HSS não é economicamente viável.
A retífica de correção de ferramentas deverá ser efetuada em equipamentos
adequados. Só dessa forma, é possível garantir ângulos constantes e geometria de
quebra-cavaco adequadas. Afiação manual não é precisa tendo uma Influência
muito grande sobre o comportamento de desgaste e sobre a forma de cavaco
produzida.
Na afiação de ferramentas de • aço rápido em rebolos, dependendo dos
diversos ângulos, como por exemplo para desbaste ou acabamento, os rebolos
devem ser adaptados com dureza e granulometria adequada ao tipo de aço rápido
a ser retificado. Como materiais empregados na retífica ou afiação de ferramentas
de aço rápido tem-se rebolos de CBN ou rebolos de córíndum nobre.
Tabela. 4.9 - Valores-característicos para desgastes, em ferramentas de diversos
materiais [1]
Material da
Ferramenta
Grandeza
Valores de desgaste
' desejáveis
Desgaste de flanco
VB mm 0,2 a 1,0 -
Aço rápido
Desgaste de flanco
V B _ mm 0,35 a 1,0'
Profundidade de cratera KJ mm 0,1 a 0,3
Desgaste de flanco
VB mm 0,3 a 0,5
Metal duro
Desgaste de flanco
VB m a x mm 0,5 a 0,7
Profundidade de cratera KJ mm 0,1 a 0,2
Cerâmica
Desgaste de flanco VB mm 0,15 a 0,3
Cerâmica
Profundidade de cratera KJ mm 0,1
Na figura 4.30 está representada a relação do tipo de desgaste- ocorrido nas
diversas superfícies de corte. No desgaste de flanco a superfície de saída é solicitada.
Ao contrário, no desgaste de cratera a superfície de Incidência é solicitada. Processos
especiais de usinagem de acabamento produzem gumes de ferramentas muito
afiados. Ferramentas revestidas possuem contudo um arredondamento nos gumes de
192
corte. Para manter a ação contra o" desgaste de.gumes de ferramentas revestidas
afiados, a superfície livre e a superfície de saída são ratificadas com o surgimento do
desgaste de flanco e desgaste de cratera respectivamente.
Desgaste
Retificação
Com surgimento do desgaste
de flanco, a retificação é feita
na superfície de saída
Processos: Perfuração
Retificação
Escareamento
Com surgimento do desgaste
de cratera, a laminação. afiada é
feita na superfície de incidência
Processos: Abrir Ranhuras
Sangramento
. Figura 4.30 - Superfícies de usinagem na retífica de correção [1]
Na retificação de correção a qualidade da retífica atua fortemente- sobre a
qualidade alcançada. Através da escolha carreta do método de retificação e das
solicitações de processos adequados, uma retificação de correção deve realízar-se
sem erros. Além disso, deverá ser observado durante o processo de retificação que a
ferramenta não ultrapasse a temperatura de revenimento.
De sobremodo em ferramentas com pastilhas soldadas, deve-se cuidar para
evitar a formação de trincas decorrentes de um aquecimento ou esforço demasiados
durante a afiação.
Em metais duros a pós-retificação, retificação fina e a pré-retificação de chanfros
e arredondamentos é realizada com diamante. Além disso, a retificação elefrolftica é
vantajosa para a pré-retificação e para. a retificação de acabamento das. ferra mentas.
193
5 Cuidados no uso de Ferramentas.de Corte
É necessário tomar.alguns cuidados com. as ferramentas, de corte' para que
estas não tenham um desempenho inferior ao esperado. Assim como outros
equipamentos de produção, òs . sistemas de transporte'"e a manutenção
automatizada de ferramentas de corte são tecnologias de gerenciamento
importantes que influenciam significativamente a produção.
Se ocorrer uma frafura em uma ferramenta de corte devido à falta de cuidados,
não importando quão perfeítos""os outros equipamentos estejam, será impossível
obter uma boa qualidade no corte.
5.1 Manuseio e manutenção de ferramentas de corte
Quando for necessário transportar ou manusear as ferramentas, algumas
precauções devem ser tomadas:
- Deve ser evitado segurar vários insertos ao mesmo tempo, e também deve-se
evitar guardá-los em uma sacola ou pastas que permitam o contato. Cada inserto
deve ser guardado separadamente em um compartimento.
- Contato entre os insertos poderá causar lascamento e/ou até frafura na cunha de
corte da ferramenta.
- Atenção ao manusear as ferramentas.
- Derrubar ferramentas no chão pode danificar a cunha de corte da ferramenta. Este
problema pode ocorrer facilmente, especialmente com ferramentas como
cerâmicas, que são muito frágeis.
- Quando as ferramentas são transportadas em caixas metálicas, deve-se tomar o
cuidado de não deixar a cunha de corte da ferramenta entrar em contato "com a
caixa. É necessária uma proteção para as ferramentas (de preferência plástico ou
borracha).
- Em alguns casos, assim como o inserto, a haste da ferramenta é feita de metal duro
e podem ocorrer fraturas facilmente. A falta de cuidado no manuseio da haste da
ferramenta pode danificar a base onde vai ser colocado o inserto.
194
- Recomenda-se o uso de luvas para o manuseio-de insertos: Quando os Insertos
estão sendo colocados em :uma ferramenta hã o. risco de ocorrerem ferimentos, e
estes riscos aumentam quando os insertos estão cobertos com óleo. Também devem
ser usadas luvas durante a manutenção das ferramentas - porque ò suor e a
oleosidade da mão podem provocar oxidação na ferramenta:
5.2 Manutenção e gerenciamento de ferramentas de corte
5.2.1 Princípios básicos
- Gerenciamento das ferramentas não significa simplesmente guardar ferramentas
usadas, mas sim preparar ferramentas para uso futuro, ou seja,1 manter as
ferramentas em condições que permitam o uso quando necessário.
- Se a cunha de corte da ferramenta está em condições de ser usada novamente,
deve-se deixar a. ferramenta em seu estado, atual. Se o inserto ou a cunha de corte
precisam ser trocados ou reafiados, deve-se fazer a sua manutenção antes, de
guardar.
-Como uma regra geral de ferramentas de insertos intercambiáveis, deve-se retirar
os insertos da ferramenta se o próximo trabalho não for conhecido.
- limpar as ferramentas antes de guardar. Se as ferramentas forem ficar guardadas
por um longo período, deve-se protegê-las da oxidação (ferrugem). •
- Guardar as ferramentas de acordo com com a aplicação, tamanho e frequência
de uso. Também deve-se'diferenciar as novas das mais antigas.
- Guardar as ferramentas de maneira que elas sejam facilmente acessíveis.
- Conferir se as ferramentas danificadas foram consertadas, antes..de serem
guardadas.
- Não guardar ferramentas que sofreram danos permanentes juntamente com
ferramentas.que ainda'podem ser usadas.
195
5.2.2 Prevenção do contato. entre,as ferramentas
O contato entre as ferramentas causa^danos em volta da área de contato e
pode resultar .na falta de precísão_ do-, corte.. Os seguintes passos podem ser
tomados para se evitar esse problema: . . . . .
- Armazenar as ferramentas de maneira que se evite o contato entre elas.
- Manter as ferramentas em um local seguro de modo que elas não possam rolar e
nem cair.
- Quando retirar ferramentas de uma gaveta, ter certeza de que as ferramentas já
não estejam desarrumadas antes de abrir. -
-Se houverem partes substituíveis que podem ser facilmente danificadas, ter sempre
partes, reservas em estoque, essencialmente para ferramentas, de insertos
intercambiáveis.
5.2.3 Prevenção contra, oxidação
- A oxidação prejudica substancialmente a rigidez de instalação da ferramenta,
portanto deve-se manter as janelas fechadas na sala de estoque quandoa umidade
do ar estiver afta. As ferramentas de corte frequentemente possuem revestimento
que as protege contra a corrosão, mas se o-ar estiver úmido ainda assim pode
ocorrer oxidação.
- Ter atenção à diferença de temperaturas por causa da precipitação. No inverno,
ferramentas de corte são normalmente usadas-em-locais, frios e posteriormente
levadas a locais-mais quentes. Essa mudança cie temperatura pode causar
oxidação., -
- Normalmente armários metálicos não possuem proteção contra oxidação e
colocando ferramentas nesses armários pode-se induzir a formação de oxidação
nas mesmas. É aconselhável cobrir os armários com materiais não-metáiicos e
mantê-los limpos.
- Se as ferramentas não forem usadas por um longo tempo, checar as condições
destas periodicamente para evitara oxidação.
196
5.3 Aplicação de tecnologia ê manutenção de ferramentas de corte
'Um dos mais importantes pontos na manutenção de equipamentos de
produção é a aplicação de tecnologia. Não importa quão bem preservado está o
equipamento, se o-operador cometer um erro como estabelecer condições de corte
inadequadas, poderão ocorrer falhas e quebras do equipamento. O mesmo pode
ser dito para ferramentas de'corte.
5.3.1 Ferramentas de corte adequadas ao processo-de corte
- Todos os equipamentos de produção tem a sua função, específica, e para que ele
possa ser totalmente explorado deve-se aplicar o -método mais apropriado de
operação da máquina. A escolha da ferramenta de corte deve ser feita de acordo
com o corte a ser realizado.
- SeIecionara.ferramenta.de acordo com o material a ser usinado. A seleção da
classe, e. forma da-ferramenta- deve ser feita especialmente para materiais de difícil
usinabílídadel
- Usar somente^ a ferramenta para a aplicação prescrita-.
- Usar a ferramenta na faixa de operação apropriada. A faixa, de operação incluí
condições de corte, modo de corte, vida de ferramenta e fluidos de corte.
- Quando, selecíonar fresas, escolhê-las de acordo com o formato e largura da
peça.
- Se ferramentas de corte têm aplicações específicas como acabamento, usá-las
apenas nessas aplicações. Nunca usar ferramentas de. acabamento para desbaste.
Aplicar ferramentas de corte para altas velocidades em baixas velocidades de corte
pode causar a frafura da.ferramenta.
- Se a máquina tiver pouca potência ou. pouca .rigidez-deve-se: selecíonar uma
ferramenta bastante afiada e com alta resistência de corte.
- Se o torno tiver pouca precisão deve-se escolher ferramentas de corte com
pequeno raio de quina, excelente afiação e alta resistência de corte.
197
5.3.2 Cuidados no preparo de ferramentas de corte
- Usar as ferramentas de corte de acordo com o íote e o fabricante. Quando forem
usados insertos de fabricantes diferentes há a possibilidade de haver variações no
desempenho de corte da ferramenta..
- No uso de ferramentas de insertos intercambiáveis, prestar.atenção em quebras e
deformações do assento do inserto.
- Quando colocar os insertos na máquina ter cuidado para não o apertar demais.
Esse aperto pode causar a quebra da ferramenta.
5.3.3 Instalação da ferramenta na máquina
Cada ferramenta de corte e máquina tem uma estrutura diferente. A instalação
adequada ou não de uma ferramenta de corte na máquina afeta a usinagem. Deve-
se, portanto,- atentar aos seguintes fatos:
- Quando instalar a ferramenta de corte na máquina assegurar-se de que não há
sujeira ou cavacos.no bloco da ferramenta, no porta-ferramentas, -mandril e eixo.
- Quando for necessário usar um calço para fixar a ferramenta, assegurar-se de que
o calço não.tenha sido deformado ou torcido.
- Quando se for instalar ferramentas com vários insertos como fresas na máquina,
ter certeza que a direção de corte está do- lado carreto.
5.3.4 Considerações na escolha das condições de corte
- Selecionar as condições de corte de acordo com as características da ferramenta
de corte.
- Fresas"- material da ferramenta, geometria da ferramenta, número de dentes,
geometria do quebra-cavaco, condições de instalação da máquína-ferramenta.
- Barra de mandrilar — material da ferramenta, geometria da ferramenta, existência
e geometria do quebra-cavaco, condições de instalação da máquína-ferramenta.
198
- Furadeira e Alargador — material da ferramenta, geometria- da ferramenta,
presença de furo guia, condições de instalação da máquina-ferramenta, modo de
aplicação do fluido de corte. " - '
- Selecionar de acordo com o material da. ferramenta, que pode variar de aço
rápido a diamante, e prestar atenção nas classes de metal duro (P, M, K).
- Selecionar de acordo com as características da peça a ser usinada, como por
exemplo a sua composição química, dureza, resistências, tratamento térmico,
afinidade com o material da ferramenta. Também deve-se prestar tenção no
formato da peça e produto final, relação entre diâmetro e comprimento da peça.
-Verificar a presença de fluido de corte na operação e suas propriedades.
199
6 Meios Lub ri-refrigerantes '
ó.l Generalidades • : _
Na fabricação por usinagem desefa-se fabricar peças dentro de tolerâncias e
acabamentos superficiais pré-especifiçados com o menor custo possível. Para se
chegar a esses resultados, o emprego de fluídos de corte nas operações de corte
tem sido extenso. Há mais de 100 anos atrás, W. H. Northcott foi provavelmente o
primeiro a escrever sobre o significativo aumento na produtividade causado pelo
uso de fluídos durante o corte de materiais. Em 1868, Northcott publica sua
pesquisa em Londres, no livro entitulado "A Treatise-on Lathes and Turning". Em
1894, o americano F. W. Taylor também mediu a influência do fluido de corte
durante o processo de usinagem. Sua verificação se fez forrando grande quantidade
de água na região peça-ferramenta-cavaco, com o que permitiu aumentar a
velocidade de corte de 30 a 40% sem prejuízo para a vida da ferramenta de corte.
Desde então, o desenvolvimento dos fluidos de corte tem sido crescente.com o
intuito de melhorar o desempenho das operações de corte nos materiais. •
A ideia da água surgiu na busca de minimizar o indesejável efeito da alta
temperatura sobre a ferramenta, visto que o jorro da água levaria consigo parte do
calor gerado durante o corte do material. Em seguida surgiram os óleos graxos, no
intuito de diminuir o atrito do cavaco sobre a ferramenta.
Os óleos minerais surgiram inicialmente aplicados na usinagem de latão, ligas
não-ferrosas e em operações leves com aço. Para operações mais severas
desenvolveu-se o uso de um composto de óleo mineral com óleo de toicinho, com
bons resultados.
O surgimento de novos materiais para ferramentas, possibilitando maiores-
velocidades de corte, gerou a necessidade de novos estudos e- desenvolvimento de
novos fluídos de corte. Estes foram obtidos com aditivos "químicos, dosados nos
fluidos de corte para satisfazer a necessidade exata nas operações de usinagem
mais pesadas. As pesquisas levaram à utilização das mais variadas combinações de
óleos minerais, óleos graxos e aditivos (enxofre, cloro, fósforo, etc), tendo cada
combinação seu emprego específico.
200
Por sua grande importância nos processos de fabricação, grandes volumes de
fluido' são utilizados nas linhas de. produção, o que- motiva- investimentos para
melhorar ainda mais o" desempenho dos fluído de corte. Simultaneamente "à
evolução tecnológica dos fluidos são iniciados estudos para investigar as reais
influências dos fluídos de corte-na saúde do trabalhador e no meio ambiente,-uma
vez que o consumo de fluido de corte empregado nas linhas de produção cresce
" proporcionalmente ao aumento de produção..
.. . Nosúltimos anos, a crescente preocupação com o meio ambiente, associada a
uma legislação trabalhista mais rigorosa, desperta a atenção de especialistas para
os fluidos de corte, como fonte de problema, nocivo ao ser humano e ao meio
ambiente. . . .
Uma ideia do volume de fluido de corte empregado nos atuais sistemas de
produção mecânica é dada na figura ó . l , onde é apresentado um recente
levantamento realizado na Alemanha sobre o consumo atual total de óleos.
Consumatotti d * rtuMo à* cor»
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82.09» t
Aitrov produtos
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3
Néaiafeefvate Mtsejvvfe o n ç a agia
comtégu» («nuts ie» )
Figura ó. l — Consumo anual de óleos na Alemanha [11]
201
6.2 Funções dos fluidos de corte
•A exigência primária feita a um fluido de'corte para .o processo de usinagem, é
que ele leve a uma redução.nos custos de usinagem pela redução do desgaste da
ferramenta e melhora da superfície do componente fabricado. O fluido deve
desempenhar funções secundárias como o transporte de cavaco para fora da. região
de trabalho, a refrigeração do sistema, bem como a refrigeração da peça, uma vez-
que para uma exigência maior da tolerância dimensional, um aquecimento
demasiado leva a uma dilatação térmica do componente e isso deve ser evitado
pelo fluido de corte (figura 6.2).. .
Refrigeração Lubrificação
• ^ D a n o s t é r m i c o s : ,..
- n a peça
- n a feramenta
" ^ F o r m a ç ã o c a v a c o
•^ •Estab i l idade t é r m i c a
d a máquma- fe r ramenta
• " • A u m e n t o do atrito
+ A u m e n t o d a s
a d e s õ e s . 9
r > Formação c a v a c o s ,
^ • R e t i r a d a - d e c a v a c o s :
d a peca •
de ferramenta
a a m á q u i n a -
ferramenta
Ferramenta Peça Máquína-ferramenta
D e s g a s t e
C h o q u e térmico
Precisão de fo rma . "
. P r e d s ã o de m e d i d a : .•
Y ÇHiaffn^desoperficiar '
In f luênc ia de c a m a d a l imi te - '
*.-..•:.•..:. . . . • • - - -vr .^v-
Estab i l idade t á m i c a .
Precisão
Figura 6.2 - Funções primárias dos fluidos de corte [11]
202
6.2.1 Redução do atrito entre ferramenta e cavaco
Durante o- processo de formação do cavaco, aparecem três fontes distintas de
calor: A primeira na região-de cisalhamento, indicada pela zona C na figura 6.3,
onde ocorre deformação plástica do material que está sendo usinado. Esta fonte
afeta todo o volume do cavaco formado. A segunda fonte, indicada como zona A
na figura 6.3;'afeta uma face do cavaco e uma face da ferramenta, onde o cavaco
desliza sobre a superfície de saída da ferramenta, e ocorre devido ao atrito na
interface ferramenta-cavaco. Na terceira fonte, indicada como zona B na figura 6.3,-
ocorre o atrito entre a ferramenta e a superfície usinada .da peça. Esta fonte afeta
parte da superfície de incidência da ferramenta e toda a superfície usinada da peça.
1 Sup. de incidência
ou d * folga
Figura 6.3 - Fontes de calor na formação do cavaco [11]
A melhoria introduzida neste processo pelo uso de fluido de corte,
especialmente do fluido onde predomine o caráter lubrificante, é a redução da
intensidade das três fontes de calor, como segue:
- Zona A - a aplicação de lubrificante diminui o coeficiente de atrito na interface
ferramenta-cavaco, e ocorre menor quantidade de calor gerado pelo atrito;
-. Zona B - a aplicação de lubrificante diminui o coeficiente' de atrito na- interface-
peça-ferramenta, e também diminui a quantidade de calor gerado pelo atrito;
- Zona C - a diminuição do coeficiente de atrito l i , entre a ferramenta e o cavaco,
provoca o aumento do ângulo de cisalhamento <J> e,, consequentemente, uma
203
diminuição na taxa de deformação s 0..A diminuição de ' s a acarreta um decréscimo-
da energia de deformação por cisalhamento e, consequentemente, um
„ decréscimo- da quantidade de-calor gerado. Outra decorrência- do aumento do
ângulo <j) é o aumento da velocidade do cavaco vc, que significa que o cavaco se
afasta mais rapidamente da superfície de saída da ferramenta, diminuindo- assim o
tempo de transmissão de calor do cavaco para a ferramenta.
Ao se evitar que a temperatura ' suba, ;evitam-se • problemas na máquina---
ferramenta, peça e ferramenta. • .
ó.2.2 Refrigeração da ferramenta*
As três fontes de calor.descritas anteriormente contribuem para a elevação da
temperatura da ferramenta. As condições na interface ferra menta-cavaco favorecem
a ocorrência da difusão metálica entre os materiais da ferramenta e da peça. Tal
difusão^ ocorre, sempre com prejuízo da ferramenta, quer pelo enfraquecimento da
superfície: atíva da ferramenta:, quer pelo arrancamento. de partículas da mesma,
sendo a tendência da; difusão, exponencial com a temperatura. Na. figura 6.4 é.
possível verificar uma acentuada queda, na vida. da ferramenta- com o aumento da
temperatura, da mesma.
6 0
130
«
E
a
1
>
to
300 500 700 900
Temperatura de corte °C
Material dá peça:
aço-carbono
Material da ferramenta:
aço-rápido.
Figura 6.4 — Influência da temperatura de corte sobre a vida da ferramenta [11]
204
Ó.2.3 Refrigeração da peça
Das três fontes de calor descritas anteriormente/duas (B e C da figura'ó.3)
afetam díretamente a peça em usinagem e provocam um aumento da temperatura
da mesma. Este aquecimento pode conduzir a quatro fatos indesejáveis na
operação de usinagem:
- Deformações da peça em usinagem devido às tensões oriundas de grandes
.aquecimentos locais ou mesmo totais;
- Cores de revenido na superfície usinada. E o caso da usinagem com ferramentas
de geometria não definida (retirada de material por abrasão), em especial nas
operações de retificação, no acabamento da peça;
-Falseamento das medidas da peça em trabalho em operações onde'se tem
tolerâncias estreitas. Acontece que a peça apresenta medidas diferentes quando
aquecida em relação ao estado de temperatura ambiente. A refrigeração neste caso
poderá manter a peça sempre em temperatura bem próxima da ambiente;
- Dificuldade..do; operador manuseara peça usinada,.como. retirá-la da máquina,
transportá-la, etc.- •
Ó.2.4 Expulsão dos cavacos gerados
No processo de usinagem o cavaco se torna indesejável tão logo acabe de ser
produzido. Sua presença na região do corte pode provocar danificações e/ou
deformações na máquina, na ferramenta ou na superfície da peça usinada. O
emprego de fluido de corte facilita- a expulsão do cavaco em alguns casos,, como
por exemplo, no torneamento, na furacão, no fresamento, etc.
6.2.5 Melhoria do acabamento superficial
Os fluídos de corte interagem como agentes lubrificantes e refrigerantes,
contribuindo assim para o acabamento superficial-da peça e para a diminuição dos
danos térmicos causados na superfície da peça.
205
6.2.6 Refrigeração da máquína-ferramenta
• O calor gerado durante a.usinagem, transferido pela-ferramenta, .peia peça,
pelo cavaco ou pela própria irradiação para,, a máquina, poderá afetar. as
dimensões ou- disposições na máquína-ferramenta,. o que consequentemente
prejudicará as medidas finais da peça usinada.
6.2.7 Melhorias de caráter económico
. . O.emprego de fluidos, de corte, na operação de usinagem tem como funções
secundárias também algumas melhorias de caráter económico, discutidas a seguir:.,
- Redução do consumo de energia - conforme exposto anteriormente, o menor
coeficiente de atrito na interface ferramenta-cavaco propiciado pela ação
lubrificante diminui o grau de recalque Rc e, consequentemente, a força de
usinagem F.
- Redução -doscustos: .-de ferramenta - o custo da ferramenta na operação_ de
usinagem está. ligado à. capacidade de produção durante a sua vida. .Uma
ferramenta terá custo menor quanto maior for a sua produção, expressa em número
de peças usinadas no tempo. O desgaste, por sua vez, tem por determinantes a
ação abrasiva e a difusão metálica, esta última acelerada pela temperatura. O
emprego de fluidos de corte poderá diminuir a severidade da ação abrasiva e a
intensidade da difusão metálica. Como resultado diminui-se o desgaste da
ferramenta, aumenta-se a vida T, a capacidade de produção e, com esta o custo
operacional torna-se menor.
- Diminuição ou eliminação da corrosão na peça - as superfícies recém-obtidas da
peça pela operação de usinagem podem sofrer o. ataque corrosivo dos agentes
exteriores (umidade atmosférica, vapores ácidos, etc) , o que poderá prejudicar a
peça. A melhoria que proporcionam certos fluidos de corte se expressa pela
proteção, através da película de fluido aderida às superfícies da peça usinada. Uma
das desvantagens que podem ocorrer é no caso da necessidade de limpeza da
superfície usinada, limpeza esta que então gera custo.
20Ó
6.3 Tipos de meios lubri-refrigerantes
Existem inúmeras formulações especiais para refrigerar é lubrificar as operações
de corte, porém todas podem ser classificadas em um dos cinco tipos básicos
discutidos a seguir.
6.3.1 Óleos de corte
• São obtidos a partir de óleos minerais, com oú sem adição de aditivos. Os
fluidos de corte baseados errfóleo mineral são classificados em ativos e inativos. Os
ativos são aqueles que atacam a superfície em usinagem, pois nestes é
acrescentado cerca de 2% de enxofre com a finalidade de durante a usinagem,
devido à alta temperatura, liberar parte do enxofre para reagir quimicamente com a
superfície nascente do cavaco. O cloro também pode ser usado como aditivo
formando uma película metálica clorada na interface ferramenta-cavaco. Os
aditivos cloro e enxofre conferem ao óleo de corte as propriedades de óleo de
extrema pressão (EP) e anti-soldante, propriedades estas desejáveis no óleo de corte
tendo em vista que as condições da interface são de pontos de alta pressão e alta
temperatura, associados a um pequeno movimento de deslizamento. São indicados
para usinagens mais severas.
Atualmente o uso de cloro em fluidos de corte vem encontrando restrições em
alguns países, em virtude dos danos que os compostos podem causar se forem
descartados incorretamente. Os solventes clorados penetram no solo e acumulam-
se por um longo período, podendo facilmente atingir o lençol freático e contaminá-
lo totalmente. O despejo de 1 kg de solvente clorado pode contaminar 40.000 m 3
de água.
Os aditivos inativos são aqueles que não atacam a superfície em usinagem.
São compostos por óleo mineral com adição de aditivos químicos inativos e, em
geral, promovem alfa lubrificação. Dentre estes estão os óleos minerais puros, óleos
graxos, compostos de óleo mineral e óleo graxo, compostos de óleo mineral e óleo
graxo sulfurados e compostos de óleos minerais e óleos graxos sulfurados-clorados.
207
6.3.2 Óleos emulsionáveis
Os óleos emulsionáveis, também chamados de óleos solúveis, consistem-na
mistura de água, agentes emulsíficantes e aditivos de modo a produzir o fluido com
as características necessárias. As principais vantagens desse tipo de óleo são:
- Grande redução do calor, permitindo altas velocidades dê corte em algumas
aplicações;
- Removedor de cavaco nas condições de trabalho;
- Ma is"-económico — diluído em água diminui os custos;
- Possui melhor aceitação .pelo operador; . . . . .
- Menos agressivo à saúde e mais benefícios à segurança — não-infta móvel, redução
de emissão de hidrocarbonos.
6.3.3 Fluidos sintéticos
Estão nesta classe,, geralmente, os fluidos de corte que não contêm, óleos de
petróleo, sendo sua composição formada, de acordo com as necessidades do
trabalho. A maioria destes fluidos tem características de fluido refrigerante e alguns
apresentam também poder lubrificante. As principais vantagens dos'fluidos de corte
sintéticos são:
- Alta capacidade de refrigeração;
- Vida útil do fluido bastante grande (salvo o caso de contaminação por óleos para
comandos hidráulicos ou lubrificantes);
- Filmes residuais pequenos e de fácil remoção;
- Fáceis de misturar, necessitando de pouca agitação;
- Relativa facilidade no controle da concentração desejada.
Ó.3.4 Fluidos gasosos
Consiste no emprego de meios gasosos como fluido de corte. O ar é o mais
comum fluido gasoso utilizado, estando presente até mesmo na usinagem a seco. O
ar comprimido é utilizado para melhorar a retirada de calor e expulsão do cavaco.
208
da zona de corte. Os fluidos gasosos, com sua menor viscosidade, são mais efetivos
do ponto de vista da penetrabilidade até a zona atíva da ferramenta. Outros gases
como o argônío, hélio, nitrogénio e dióxido de "carbono também são. utilizados para
a proteção contra a oxidação e refrigeração, porém apenas em casos específicos,
visto ser esta uma usinagem antieconômíca.
A aplicação de um ou de outro tipo de fluido de' corte em determinada
operação deve seguir, como em outros casos nos processos de usinagem, uma
relação de compromisso entre certos fatores do processo (tipo de operação, tempo
de usinagem, qualidade exigida, materiais da peça e da ferramenta, máquina-
ferramenta, etc). De modo geral, uma das relações usualmente predominantes nos
processos industriais é a relação custo-benefício.
6.4 Efeitos do uso de fluídos de corte
Durante a usinagem a ferramenta é submetida a- solicitações mecânicas e
térmicas bastante elevadas, sendo que a. energia necessária para a formação do
cavaco é transformada praticamente totalmente em calor, nas regiões de
cisalhamento e a-frito. • •
Como consequência dessa-solicitação, tem-se o aparecimento de causas de
desgaste, como por exemplo o desgaste abrasivo-mecânico e o cisalhamento de
micro-soldagem, que podem aparecer em todas as faixas de velocidades
empregadas na usinagem, bem como processos de difusão e oxidação, que apenas
ocorrem para certas temperaturas.. .
O fluido de corte pode influenciar, em princípio, apenas o desgaste de adesão,
pois leva à saída sequencial de pequenos gumes postiços dentro de uma certa faixa
de velocidade. . .
As formas de desgaste decorrentes de soldagem a frio, na faixa de velocidade
baixa, podem ser evitadas de uma forma bastante ativa pelo-efeito de lubrificação
do fluido de corte. Para as condições de contato existentes, é. desejado que sobre
essa superfície metálica se formem camadas de graxa resistentes a alta pressão e
com pequena resistência ao cisalhamento, que evitam o contato direto entre
ferramenta e peça, de modo que as soldas a frio podem ser evitadas ou ao menos
209
reduzidas. Isto é possível de ser atingido .com aditivos de-alta pressão no fluido de
corte, no entanto deve-sé considerar que a ação do enxofre, cloro e fósforo começa
apenas a partir de uma certa temperatura. Em.decorrência disso, a composição do
fluído de corte deve ser adaptada para a operação específica. A exigência básica é
que o fluido de corte tenha condições de penetrar na região de contato. Na faixa de
formação do gume postiço, essas condições são dadas pela flutuação do mesmo.
• Com o aumento da velocidade de corte — na faixa em que começa a diminuir a
formação dó gume postiço - as condições para formação de filmes de lubrificação
resistentes. a' alta pressão se fornam cada vez mais desfavoráveis, visto que o
aumento da velocidade de saída-do cavaco leva a uma diminuição' do tempo
disponível para a reação entreos aditivos e a superfície metálica. Ao mesmo tempo,
o aumento- da temperatura leva a deformações plásticas da ferramenta e a
processos de difusão entre os parceiros de atrito, de forma que se torna necessária
uma refrigeração da área de corte.
'mm
Deslocamento decorrente d<
refrigeração crescente
I
|
i •
i En ulsão 1:50
/ \ tf ^ Óla
,_Seco.
o
te
^ Óla
,_Seco.
l ~ ' "Tl-—L_
>
o H32
•a.
Velocidade de corte \
Material da peça CSc55N
Material da ferramenta S 1 2 - 1 - 4 - 5
Tempo de corte t - 30 min
Seção de usinagem a^-f «2-tL25mm 2
! 1- t
Deslocamento decorrente da
refrigeração crescente
Geometria da ferramenta
a y n c | r
89 MO -4»- 60° 90P 1 Imm
Figura 6.5 — Curvas desgaste e velocidade de. corte para'o corte a. seco e para a
aplicação de diversos fluidos de corte [1]
Devido a isto, a partir dessas'velocidades, inicia-se então uma situação na qual
a vida da ferramenta é menos influenciada pela capacidade de lubrificação de um
210
fluido de corte'e muito mais influenciada pela capacidade de transmissão de calor
desse fluido, ou seja, pela refrigeração. Por outro lado,, é perfeitamente possível que
através de uma refrigeração o desgaste da ferramenta seja aumentado"e portanto, a
vida da mesma caia proporcionalmente.
Se forem comparadas"as curvas velocidade de corte e desgaste da figura 6.5,
obtidas para o corte a seco e com uma emulsão, pode-se reconhecer que o ponto
de desgaste máximo da curva está-situado em um patamar mais elevado, bem
como obtido para uma velocidade de corte maior em relação às outras curvas.
Como a relação dos dois valores máximos corresponde aproximadamente • aos
percursos deslocados na unidade dè tempo, pode-se concluir que a emulsão leva a
um resfriamento e, em decorrência disso, a um aumento da resistência do material
usinado. Masxomo ocorre apenas um pequeno aumento da ação lubrificante, tem-
se um comportamento de desgaste piorado para a emulsão de corte.
O óleo, por sua vez, mostra uma pequena ação de refrigeração, porque o
ponto de desgaste-máximo em relação ao corte a seco está deslocado apenas' por
um pequeno:.valor.. No entanto o desgaste está reduzido pois o seu valor máximo
está' no valor de: velocidade de corte mais elevado, o que corresponde a um
percurso total percorrido maior;-mesmo assim o desgaste está no mesmo nível que
para o corte a seco. Desses resultados, pode ser concluído que um aumento da
vida da ferramenta com a diminuição da temperatura de trabalho só pode ser
atingido sèas condições de usinagem forem escolhidas de tal forma que as
temperaturas atingidas no-gume-este]am situadas na proximidade do ponto de
amolecimento da ferramenta específica. É mostrado na figura ó.ó quão efetiva é a
ação refrigerante de uma emulsão.. Apesar de o desgaste abrasivo com refrigeração
intensiva em dependência da velocidade de corte ser maior que na usinagem a
seco, as ferramentas tem, uma vida maior que sem fluido de corte.
Os detalhamentos discutidos até o momento.se referiam basicamente a-
ferramentas de aço-rápido na faixa de velocidade de até 80 m/min. Em
contraposição a essas Informações, na refrigeração de ferramentas de mefal-duro
tem-se algumas características peculiares. Ferramentas de metal-duro trabalham em
faixas de velocidades consideravelmente maiores ou são' empregadas para
211
usinagem de materiais de difícil usinagem, . que levam a solicitações térrnicas
extremas.
Material da peca C k 5 3 N
Mat" da ferramenta S 12-1-4-5
( E V 4 C o )
Seção de usinagerr f * 2x0,25 iwii^
Geometria da ferramenta
20 30 50 m/min 100
Velocidade de corte v c
a. 7 X t r
8 o 10° - 4 o 190° 60° 1 mm
Ruido de corte
Emulsão 1:50
Figura ó.ó — Curvas de desgaste para o corte a seco e com emulsão [T]
: Na figura 6.7, por exemplo,- estão mostrados os resultados das temperaturas
médias na superfície de contato do material da peça (TíAl ló V 4) e metal-duro K 20
em dependência da velocidade para dois avanços • diferenciados. O aumento da
temperatura é decrescido com o aumento da velocidade de corte, e na.faixa de 100
m/min atingem valores de 1200 a 1300 °C para os avanços indicados na figura.
Neste caso a ação' de um fluído de corte com poder de refrigeração é o mais
adequado, uma vez que para essas temperaturas a dureza a quente do metal-duro
é tão reduzida, que as ferramentas serão danificadas pela deformação/plástica.
Sobre a influência do fluido de corte no emprego de ferramentas de metal-
duro, a literatura dá diversas informações. Alguns autores afirmam que não é
possível a penetração de fluido de corte na região de contato, outros por sua vez
mostram a possibilidade da lubrificação submicroscópica entre o par ferramenta e
material que está sendo cortado.
212
40 60 80
Velocidade de corte v_
100 m/min 120
Figura 6.7 - Influência da temperatura no gume da ferramenta para diversas
velocidades de corte na usinagem da liga TiAI 6 V 4 [1]
Os resultados do comportamento-da -força de corte, mostrados na figura 6.8,
são para a usinagem de um aço beneficiado com ferramenta de metal-duro,
empregando diversos fluidos de corte. O bisulfeto de molíbdênio (MoSJ. aplicado
sobre a superfície-da peça antes da usinagem e a aplicação de fluído de corte
durante a> usinagem, mostram que. para pequenas velocidades de corte tem-se uma
diminuição considerável da força de corte. Já para-velocidades em torno de 64
m/min as emulsões apresentam uma força de corte máxima, apenas desfocada em:
relação ao máximo do corte a seco. Isso permite concluir sobre uma refrigeração
dominante da emulsão, ao passo que o MoS 2 ainda mostra um efeito lubrificante
considerável.
213
40
daN/mm
35
«P- 30
to
•g 20
m
. o
£ 15
1
Usinagenr*
a seco
———< . — ^
C > a*"
1 j
O — r ~- Emulsão 1:40 >
12,5 20 3L5 50 30 125 200 m/min315
Velocidade de corte v r
Material da peça Ck 55 N
Mat da ferramenta MO P30
Seção de usinagem ap-f-3-Q,25(
Geometria da feramenta
i I r I t I « | t" [ f
8 o I 10o! 0 o I 90? l85° 10,5 mm
Figura ó.8 — influência de diversos fluidos de corte sobre a força de avanço [1]
Para velocidades de corte acima desse valor, as forças de avanço tornam-se
maiores do que no corte a seco, o que por sua ver leva à conclusão sobre uma
' ^ ro tura de contato com o respectivo aumento da resistência do
material decorrente da diminuição da temperatura.
Esses resultados confirmam as conclusões [á obtidas para a usinagem com aço-
rápído, que para velocidades de corte maiores a influência do fluido de corte não é
tão ativa pela lubrificação e sim mais ativa pela refrigeração e outros efeitos.
Esses efeitos, por exemplo, podem ser a formação de certas formas de filmes de
sulfatos ou óxidos de proteção sobre a superfície dã ferramenta, no entanto não se
farão maiores referências a esses resultados- e informações específicas podem ser
obtidasna literatura técnica correspondente.
2T4
6.5 Tendências no uso de fluidos de corte
Até há poucos anos, as indústrias tinham como objetívo principal a fabricação
de produtos visando satisfazer aspectos tecnológicos e económicos. Neste período a
administração industrial era dominada pelos "custos". Recentemente, os aspectos
ambientais tem-se tornado cada vez mais importantes dentro dos processos
produtivos, somando-se aos aspectos económicos e tecnológicos. Num futuro
próximo, para que uma indústria atinfa o sucesso produtivo deverá
'obrigatoriamente encontrar • um estado de produção que leve em' conta
simultaneamente os três aspectos mostrados na figura 6.9.
Aspectos
Ecológicos
Leis de proteção
AmbientalExigências da
Sociedade
Sistema
Produtivo
Aspectos
Tecnológicos
Mercado
' Consumidor
Aspectos
Económicos,
Figura 6.9 - Fatores integrantes de um moderno sistema produtivo [11];
Atualmente, os . aspectos "tecnológicos e económicos apresentam um
significativo controle em quase todos os processos de-fabricação, por serem vitais à
sobrevivência da empresa. Já os aspectos ecológicos, apresentam-se como uma
tímida preocupação por parte de alguns empresários, e um descaso péla grande
maioria. Neste contexto, leis e normas, de proteção ambientai estão surgindo de
modo a obrigar a preocupação ambiental em todos os níveis de produção.
215
Especialmente dentro dos processos de usinagem/' entre os vários fafores
existentes, os fluídos dè" corte se apresentam como um dos principais agentes
nocivos ao homem e ao. meio ambiente, e por esta razão os esforços estão sendo
concentrados no sentido de reduzir.e/ou eliminar.estp fonte de agressão. Quase
que na sua. totalidade as operações de usinagem. utilizam fluidos de corte, o que.
permite atingir níveis de produtividade satisfatórios. Estes níveis de.produção, por,
sua vez, devem atender os níveis de consumo e manter a eficiência da cadeia de
produção. . . .
. Embora os fluidos de corte tenham uma importância significativa nas operações
de usinagem, os aspectos nocivos impõem a.necessidade de soluções alternativas.
Diversos estudos comprovam o elevado grau de agressão dos fluidos de corte e
apontam para á necessidade de providências tecnológicas no sentido de reduzir
e/ou eliminar seu uso. Tomando esta linha como meta básica para reduzir o
impacto ambiental dos processos de usinagem, pode-se analisar o uso de fluídos de-
corre sob. os três aspectos básicos dos sistemas produtivos, quais sejam, aspecto
económico, tecnológico e ecológico, conforme comentado a seguir:
Aspectos económicos — uma maior atenção foi dispensada aos fluidos de corte
quando os usuários, perceberam que os custos relacionados à introdução e ao
tratamento dos fluidos de .corte, podem .atingir o dobro dos custos com as
ferramentas. Estes - custos refletem-se diretamente' no custo total de produção.
Embora a relação não seja direta, visto que a redução nos custos com fluido de
corte não é proporcional à redução dos custos totais de produção, a redução do
uso de fluidos de corte juntamente com uma otímlzação dos parâmetros de
processo pode trazer benefícios económicos ao ciclo, produtivo.. ,
Aspectos tecnológicos — o emprego dos fluidos de corte tem, por. vários anos,,
permitido atingir volumes de produção maiores r. atuando de forma eficaz
principalmente- na refrigeração do processo de corte. Ainda. como . funções
significativas podem ser citadas a lubrificação da interface peça-ferramenta e a
expulsão do cavaco produzido da zona de corte.- .
216
Com • o crescente ' desenvolvimento 'de • novos - materiais para ferramenta,
acompanhado'pela melhora das características'técnicas das máquinas-fèrramentas,.
a refrigeração e a lubrificação vêm gradativamente perdendo importância dentro
dos processos de usinagem. Face a isto, o fluido de corte passa a ter uma maior
importância na função de reduzir o aporte térmico para a peça, permitindo desta
forma a produção de.peças dentro de estreitas tolerâncias dimensionais.
Aspectos ecológicos — o fluido de corte, visto pelo aspecto ecológico, mostra-se
como um agente nocivo ao homem (operador e meio ambiente). Vários estudos
realizados mostram que o contato permanente com os-fluidos de corte e seus
subprodutos pode causar vários tipos de doenças de pele, alguns tipos de câncer e
doenças pulmonares. Este contato pode ser diretamente através do próprio fluido,
através de névoa, vapores ou subprodutos formados durante a usinagem. Por outro
lado, o descarte dos fluidos deteriorados pelo uso provoca, de uma forma ou de
outra, uma. agressão ao. meio ambiente. Pesquisas no sentido de tratar, reaproveitar
ou reprocessar estes/fluidos: estão, sendo realizadas, porém atualmente os custos,
envolvidos não são nada atratívos..
A criação de leis cada vez mais rígidas tenta reduzir gradativamente o impacto
ambiental dos processos produtivos. Neste sentido a preocupação ecológica na
cadeia produtiva ganha uma evidente importância no contexto geral da produção,
reforçando a necessidade de desenvolvimento de estudos e pesquisas para reduzir
e/ou eliminar os fluidos de corte em operações de usinagem. O desenvolvimento de
formas alternativas não-nocivas de produção passa a ser de fundamental
importância para a humanidade, uma vez que este procedimento^ a{udará a conter
os atuais níveis de poluição mundial. ".' •
6.5.1 Alternativas: ecológicas
a) "Usinagem a seco
A usinagem a seco se apresenta como a melhor alternativa' para resolver os
problemas causados pelos fluidos de corte, porém a usinagem a seco não consiste
217
em simplesmente interromper a •alimentação de-fluido de corte de.um determinado,
processo, mas sim exige uma adaptação compatível de todos os .fqtores influentes
neste processo,, como mostrado na figura 6.10.
Características da
peça
Operação de
usinagem
Ausência d a s funções
do fluído
USINAGEM A SECO
Objeávo: obtenção econõmi ca
e funcional de pecas
Material a s e r
usinado
Máquína-
ferramenta
Material da
ferramenta
Condições de corta
Material do
revestimento
Figura 6.10 - Fatores influentes na usinagem a seco [11]
Na usinagem a seco não se verificam as funções primárias dos fluidos de corte,
ou seja,.refrigeração, lubrificação e transporte de cavacos. As consequências disto é
que a usinagem a seco exige a introdução .de medidas adequadas que possam
compensar a falta das funções, primárias, do fluido de corte.
. As restrições à usinagem a seco podem ser as exigências de qualidade da
peça, mas- também -podem resultar através de determinados materiais (peça-
ferramenta) e/ou combinações de processos. Percebe-se através da atua! situação
da usinagem a seco, que-muitos, processos não são possíveis de'serem realizados-
devido à atual concepção e desenvolvimento em que se encontram as ferramentas.
b) Otimização da ferramenta
Outra forma de encontrar uma solução adequada à redução ou eliminação
dos problemas oriundos da usinagem sem fluidos de corte é a otimização das
características da ferramenta empregada no processo. A otimização do substrato, a
otimização do revestimento e a otimização da geometria servem como ponto de
218
partida para-a solução dos problemas. Esta otimização deve ser conjunta entre estas
três grandezas e o material a ser usinado." Entretanto, cada processo de usinagem
possuí características próprias, e por_esta razão devem ser desenvolvidos estudos
específicos para cada um.
c) Usinagem com quantidade reduzida/mínima de fluido
A impossibilidade de emprego da usinagem a seco em alguns casos torna
necessária a manutenção do uso de fluidos de corte, porém os volumes podem ser
reduzidos para bem abaixo dos volumes tradicionais. Uma drástica redução nos
volumes empregados nas operações de usinagem contribui significativamente para
a redução-do impacto ambiental provocado por estas operações. O sucesso
técnico-econômico de cada operação irá exigir uma adaptação nas características
técnicas dos fluidos adequadas a esta nova condição de trabalho.
Um aspecto importante desta forma de utilização de fluido é a definição dos
limites, dos volumes: empregados em cada caso. Como ainda não existe um termo
técnico que defina claramente esta condição, os critérios usualmente aceitos são:
Quantidade reduzida de fluida de corte — QRFC — este termo é utilizado quando
a vazão defluido empregado na operação for menor que 2 l/min para processos
com geometria definida, e menor que 1 l/mín por milímetro de largura de rebolo,
para a retificação.
Quantidade mínima-de fluido de corte — QMFC — este termo é empregado para
sistemas de névoa, onde o consumo na operação fique abaixo de 50 mt/h de fluido
de corte. •
d) Substituição do processo
Para os casos em que um determinado processo não permita o emprego das
alternativas anteriores, uma solução extrema é substituir o processo em questão por
um ou mais processos alternativos que permitam atingir os mesmos resultados que o
219
processooriginai,. Esta - solução -exige>. por:parte- do- usuário-, - a. .disposigpQ..par!3.-..,
avaliar os processos utilizados e aceitar-o risco de tentar novas formas de.produção.-
,.-... ... i • .1.. •;..
• » ' * «*-.«•
'•••:s -
220
7 Usinabi l idade , . . . . .
A-cíassíficação dos aços, assim como a sua designação, é feita primeiramente
com base na sua composição química, subdividido-os em aços ..ligados e não-
ligados, e pela sua qualidade, com a subdivisão em aços básicos, aços. de
qualidade e aços nobres. Essa designação é definida pelas normas'DIN EN 10020
(1988) e DIN EN 10027-1 (1992). , ' .
Para a determinação de aços fundidos déve-se observar as normas europeias
dessa área: "
DIN EN 1 0027-1 Sistemas de codificação — parte 1 : nomes, símbolos principais;
DIN ENI 0027-2 Sistemas de codificação para aços — parte 2: sistema
numérico; . "
DIN EN 17006 -100 Sistemas de codificação para aços — símbolos adicionais
para normas (Idêntico à norma ECISS 1C10: 1 991).
A representação de ferros fundidos com grafita lamelar, ferros fundidos com
grafita esférica; .ferros fundidos ligados temperados e ferros fundidos ligados
resistentes ao desgaste está definido pela norma:
- E DIN EN 15ó0 — área. da fundição — sistema de codificação para ferros fundidos
— representação e número do material.
Neste capítulo ainda são mantidas as denominações e representações antigas
para aços, aços fundidos e ferros fundidos, visto ainda, estarem em uso industrial
atualmente e as normas estarem em vigor. Para a determinação das novas
representações devem ser observadas as normas listadas anteriormente.
7.1 O Termo "Usinabilidade"
O termo usinabilidade compreende todas as propriedades de um-material que
têm influência sobre o processo de usinagem. Com o termo usinabilidade são
descritas todas as dificuldades que um material apresenta na sua usinagem.
A usinabilidade de um material sempre é observada no contexto do processo
de fabricação, do material da 'ferramenta e das condições de corte. Para a
descrição da usinabilidade muitas vezes são empregados os símbolos (ZJ e (7J,
221
onde o índice "v" está para o desgaste, e o índice "s" para o cavaco e formação de
cavaco. ' • .
A^usinabitídade Z, baseía-se na posição e no comportamento de desgaste em
relação à velocidade de corte, trabalhando-se com velocidades de corte acima da
faixa de formação de gume postiço. Para uma certa operação, a usinabilidade Z, deve
ser aceita como boa quando o material pode ser usinado, com velocidade de corte
elevada e com seção de cavaco grande, resultando um pequeno desgaste da
ferramenta. Com a usinabilidade Z, é descrito .basicamente o comportamento de
desgaste.
A determinação'da usinabilidade-Zs~baseta-se em observações da formação
de cavaco. Z^ é tido como bom, quando a adesão do material é pequena e não se
formam cavacos ém forma de fíta_ou enrolados e a superfície é lisa e Isenta de
rebarbas. Z s também depende da velocidade de corte, sendo que com o aumento
da velocidade de corte geralmente veriflca-se uma melhora na qualidade
superficial.
Para. avaliar a usinabilidade-geralmente são usados quatro critérios:
- Vida da ferramenta;
- Força de usinagem;
- Qualidade superficial da peça;
- Forma dos cavacos.
7.2 Testes de Usinabilidade
A usinabilídaâe é uma propriedade complexa do material a ser usinado e é,
na usinagem com um certo material de ferramenta, independente das propriedades
de manutenção da integridade de gume da ferramenta. Como manutenção da
Integridade de gumes é-definida a propriedade do gume de uma ferramenta de
resistir aos esforços que ocorrem durante formação dos cavacos de um material da
peça por um determinado tempo. No julgamento e no teste de usinabilidade são
empregados vários critérios que necessariamente não são interdependentes, e
devem portanto ser determinados separadamente.
222
7.2.1. Critério vida da ferramenta
Para a caracterização da usinabilidade de_um material de'peça, a vida da
ferramenta "1" é o critério de maior importância. A vida "T" é o tempo mínimo
durante o qual uma ferramenta resiste do Início do corte até a sua utilização total,
relacionada a um certo critério de fim de vida sob certas condições de usinagem.
Para a determinação da vida de uma ferramenta, -na prática são empregados
testes de longa duração, com as velocidades de corte usuais em máquinas-
ferramentas, o que no entanto exigem um elevado tempo de ensaio e grande
quantidade de material.
"Testes rápidos são empregados para obter uma informação rápida com o
mínimo gasto de material possível, permitindo valores de comparação de
usinabilidade de diversos materiais. Os valores característicos obtidos dos ensaios
rápidos só permitem comparações vagas com os resultados obtidos nos testes de
longa duração.. .Os...testes rápidos são empregados no controle de qualidade de
entrada, de, material- da peça e da ferramenta, bem como para a supervisão-da
usinabilidade;: .
Testes de tomeamento-temperatura
O teste de "torneamento-temperatura" é empregado como teste de longa
duração, sempre que o fator dominante na vida da ferramenta é a temperatura e
não o desgaste da ferramenta. A vida é definida como o tempo contado a partir do
início do ensaio com velocidade de corte e avanço constantes (v. = constante e f =
constante) até o instante em que se tenha destruição total da ferramenta (desgaste
hiperproporcional).
O reconhecimento do desgaste hiperproporcional e feito através do
surgimento de marcas na superfície da peça ou se a superfície de corte apresenta
superfícies brilhantes ou com cores de revenimento, que< podem- surgir devido à
oxidação superficial da peça. Cavacos despedaçados ou uma modificação do ruído
no processo também indicam uma destruição avançada da ferramenta, que terá
como consequência a destruição da ferramenta como fim de vida. No relatório de
223
ensaio deve ser indicado o tempo para o qual ocorreram as primeiras alterações;
bem como o tempo necessário para a destruição total da ferramenta.
No torneamento longitudinal, são escolhidas quatro velocidades de corte com
um certo escalonamento, obtendo-se vidas na faixa (5 min < T < 60 min). O
material de ferramenta empregado é usualmnte especificado como sendo o aço-
rápido HS 10-4-3-10, com propriedades de qualidade superior. Metal-duro e
cerâmica de corte não são adequados para esse tipo de ensaio' em virtude de sua
alta dureza a quente.
Em um papel log-log com divisões iguais, na abcissa é alocada a velocidade
de corte em m/min, e na ordenada a vida em minutos, figura 7 .1 . O
comportamento da curva pode ser aproximado por uma reta sobre toda a extensão
do campo de velocidade. Partindo-se da equação da retar
y = m x + n (7.1)
Obtém-se para. a representação bilogarítmica:
log T = k . log v c + log Q (7.2)
e após a deslogaritmização obtém-se:
T ^ v ^ . Q (7.3)
Esta é a equação denominada de Equação de- Taylor. A modificação dessa
equação para a variável v c também é empregada na prática,como segue:
v c = T , / k . C T ou yc:T}/í=Cr (7.4) .
onde
Q = C; 1 / f c .(7.5)
224
100
min
80
60
40
30
20
•> 1 0
k =tan-n = -11,4 l"L
j - = 0 , 0 9
T 0 , 0 9 _ c r .
T Vida
v c Velocidade de corte
T] Indinação da curva v c
Material da peca Ck45
Material da ferramenta S 10-4-3-10
10 2 0
Velocidade de corte v_
40 60 HL 100
mm
Figura 7.1 - Curva de vida no ensaio de torneamento - Yida [1]
Nessa equação C^ (a vida T para uma velocidade de corte v c = 1 m/mín) e C T
(velocidade de- corte v c para a vida T = 1 min) correspondem aos eixos de
coordenadas, enquanto o fator !c representa a inclinação da reta (k — tan a^).
Um comportamento inclinado da curva de vida, que indica, uma grande
variação da vida para uma pequena variação da velocidade de corte, mostra uma
influência dominante da temperatura, ao passo que um comportamento menos
inclinado Indica uma influência grande do desgaste. Valores usuais para inclinação
k estão situados entre -7 e -\. Materiais de peça e materiais de ferramenta têm' um :
comportamento diferenciado para seções de cavaco, grandes, ou pequenas,
principalmente para velocidades de corte que levam a vidas muito pequenas ou,
muito grandes, de forma que essas condições também .podem influenciar a
Inclinação da curva v c - T.
225
Ensaios de tomeamento-desgasfe
O .ensaio de vida no torneamento relacionado ao desgaste sempre é
executado quando não é a temperatura que leva ao final da vida da ferramenta, e
sim o desgaste. Ensaios de usinabilidade com ferramentas de metal-duro' e
ferramentas de aço-rápido, nas altas velocidades de corte usuais atualmente,
normalmente apresentam desgaste abrasivo no flanco e desgaste de cratera na face
simultaneamente, sendo ambos critérios para fim da vida. da ferramenta.
' No ensaio de desgaste no torneamento, mantém-se a velocidade de corte
constante e determina-se a -marca de desgaste no flanco e na face da ferramenta,
em intervalos de tempo pré-determinados. De uma forma geral é suficiente quando
a marca de desgaste de flancos VB, a profundidade- de cratera K í e o afastamento
médio da cratera KM são medidos.
Para a representação dos dados obtidos nos ensaios, emprega-se papel
iog-tog com divisões iguais nos dois sentidos, em cuja abcissa se plota o tempo de
corte. rc em: minutos,: e na ordenada a marca- de desgaste VB, ou a relação de
desgaste K. Para uma velocidade de corte constante, os. valores, dos resultados
aproxímam-se de-uma reta, figura 7.2. Tendo-se essas curvas, é determinada a vida
correspondente T a uma marca de desgaste VB constante ou uma relação de
cratera K para todas as velocidades de corte, sendo os valores correspondentes são
plotados em diagramas de vida = ffvj ou T K =• f (v j .
Dessas curvas pode-se obter:
- A velocidade de corte para uma determinada vida (por exemplo T = 20, 30, 00
min) e uma determinada marca de desgaste (por exemplo VB = 0,2 mm, K = 0,1
ou KJ = 0,1 mm). Isto é, a velocidade de corte para a qual após uma vida de
aproximadamente 30 min, ocorre uma marca de'desgaste com uma largura de, por
exemplo, VB = 0,2 mm (escreve-se V^va-o^- É útil indicar-se ainda a inclinação
das retas - 1 A da curva correspondente em um ponto;
- As duas equações para as'formas de desgaste', marca de-desgasteou-profundidade-
de cratera da parte reta das curvas vc - T ou v c .T 1 / k = C T , onde os valor numérico - l / k
e C T devem ser indicados.
As curvas também fornecem informação sobre a influência dos tempos de
corte e da velocidade de corte, sobre a ação do desgaste do material da peça e da
22Ó
garantia de corte do material da ferramenta. De um forma genérica, essas curvas
são mais inclinadas para o-desgaste de cratera do que para desgaste de flanco.
Valores usuais para k estão situados na faixa de -7 e -12 para aços-rápidos, -2 e -ó.
para metal-duro e na faixa de -1,5 e -3 para cerâmica de corte.
Flanco.. Faca
Figura 7.2 - Esquema para a avaliação do estado de desgaste no ensaio de
desgaste no torneamento (segundo a recomendação de Stahl-
Eísen-11Ó2) [1]
Ensaios de torneamento com vida dependente, da temperatura e com aumento da
velocidade de corte
No ensaio do torneamento com vida da ferramenta dependente da
temperatura e com velocidade de corte crescente (teste v^, como ensaio de curta,
duração,, é realizado o. torneamento a seco,.com corte não-interrompido. Sob
condições, de corte pré-determinadas procede-se a variação da velocidade de corte
continuamente a partir de uma velocidade de corte iniciai (velocidade de corte ínciat
= v ^ . Esse ensaio é executado até a destruição total do gume da ferramenta
(desgaste hiperproporcional), que ocorre: para a velocidade v^, figura 7.3. O
aumento de velocidade deverá ser de aproximadamente 5 m/min para um percurso
227
da ordem de 25 m. A velocidade inicial deve ser escolhida de tal forma que.o.
gume da ferramenta atinfa o fim- da vida após um percurso total de 120 a 170 m,
O, ensaio deve ser repetido 5 vezes para permitir a obtenção de um valor médio de
v^ mais confíável. Como valor característico é considerada a velocidade média v^
na qual ocorre o desgaste hiperproporcional.
Esse método é adequado para a supervisão do fornecimento de materiais de
peça e para a determinação da usinabilidade de diversos materiais ferrosos tratados
termicamente de maneira diferente, não sendo adequado para tirar conclusões
sobre a usinabilidade de materiais quando da utilização dé ferramentas de metal-
duro ou cerâmica de corte.
Desgaste Hiperproporcional
, ^ ^ r ^ — 4- | v C £ Velocidade de corte máxima
— ' " T j v T I I VQA. Velocidade de corte inicial
0 50 100 m 150
Comprimento de corte L
Figura 7.3 - Ensaios v,^ com variação contínua da velocidade de corte [1]
Ensaio de vida com medição do percurso total desenvolvido pela ferramenta
Este é um ensaio de torneamento de curta duração executado com velocidade
de corte elevada, no qual a temperatura é um critério de fim>de vida. Como nesse
ensaio a medição da vida da ferramenta levaria a resultados muitos Imprecisos,
mede-se o percurso desenvolvido na usinagem, Isto é, o percurso que a quina da
ferramenta desenvolve ao longa do comprimento I d desde o início do corte até a
destruição do gume.
As ferramentas, os materiais da peça, os equipamentos empregados e as
condições de trabalho para este tipo de ensaio são os mesmos empregados para o
ensaio com vida dependente da temperatura e com aumento da velocidade de
corte. O mesmo vale para a execução dos ensaios, assim como para a avaliação
228
dos resultados. O número característico do ensaio é a velocidade de corte que
permite obter um percurso total de usinagem de 1 00 m..(vc100).
Em decorrência da velocidade de corte elevada, só podem ser feitas
comparações entre os resultados de trabalho dentro ' de um mesmo local de
trabalho. Dificilmente os valores podem ser transferidos para outras condições.
Para a determinação das grandezas de desgaste, são empregados diversos
equipamentos. A marca de desgaste VB pode ser determinada com uma lupa ou
com um microscópio de ferramentaria.
O desgaste de cratera normalmente é medido com rugosímetro. (por exemplo
Perthometer). Para tal, faz-se uma medição da cratera no sentido da saída do.
cavaco, empregando-se uma agulha de medição específica para esse fim. O
resultado descrito no protocolo de medição pode ser calculado manualmente.
7.2.2 Critério força de usinagem
O conhecimento da grandeza e da,orientação da força de usinagem F ou de
suas componentes força de corte F c / força de avanço F fe força passiva Fp é a base:
- Para o projeto de uma máquina-ferramenta,Isto é, para o dimensionamento
correto das estruturas, acionamentos, fixação de ferramentas e guias, entre outros
elementos;
- Para a determinação das condições de corte em condições de trabalho;
- Para a. avaliação da precisão de uma máquina-ferramenta, em certas condições de
trabalho (deformação da peça e da máquina);
- Para a determinação de procedimentos que ocorrem na região de formação de
cavaco e para a explicação de mecanismos de desgaste.
Além disso, a grandeza da força de usinagem é um critério para a
usinabilidade de um materiab- geralmente materiais de. difícil usinabilidade.
apresentam forças de usinagem maiores.
Além das condições de corte, da geometria e do material da ferramenta, o
material da peça também influencia a grandeza da força de usinagem.
Dos fatores que influenciam a força de usinagem, Inicialmente serão
enumeradas as condições de corte e a geometria da ferramenta.
229
Através do aumento do teor de carbono e do aumento da força específica de
corte de um aço ao carbono (figura 7 . 4 ) , como também para aços com baixa liga
de cromo, figura 7 . 5 , uma relação proporcional pode ser adotada com relativa
precisão na~forma que segue:
^ ( N / m m 2 ) = 1 4 5 0 (N/mm2) + 3 0 0 (N/mm 2) . A C
CQ = 0 , 1 5 % com' A C = C - C 0
(7-Ó)
Parâmetro: aumento do teor de C
S i ? 0 , 7 5
1
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4 - - - H -
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v. r # ^ -+± \ 4 -_ i cr r -r T T r T T r T ~~7
CT5G C35V Oc45 C W S N Oc45N CSd3 Oa50GSf70-2
0 5 G O S S V CW5N C M 5 N Clc45V Q£3H OcáON Ck70K
Q 5 N Oc45<3 Oc45N OÍ45N- 3)50-2. Oc53N OcéOV C105VTIG
Figura 7 . 4 — Força' específica de corte e propriedades mecânicas de aços
carbono [1 ]
Variações significativas podem ocorrer principalmente com diferentes, teores de
elementos de liga redutores da força específica de corte (por exemplo enxofre),
figura 7.6.
230
Parâmetro: aumento do teor de C; de Cr e de outros elementos de ffga
250
200
h
-o es
<B l5 "m
ZI c
J2
a o
(O '
tr
150
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— 1 —
ISOMoSG 30CrNiMo8G 34Cr*3 -«Cr*3 lOOCnSG
ISCrNíéG 30CrMoW3 3<OWo4G -tóCrMo4G
19&NI8G 31CrWoVVG J4CrNTMoóG 50GV4G
Figura .7.5 —Força.específica de corte e propriedades mecânicas de aços com-baixo
teor de cromo [11
Parâmetro: aumento do teor de S
250
<S> 5 ~a
"2 H <
I 1 I
30
- i h
•5 " o f
O t9
i - O
20
1000
N/mm2
800
600
0
0 , U
%
- 0,12
0,03
0 ,0*
± 5
— P i
4 - 3
l
—
-
Oc-tó N
Figura 7.ó — Força específica de corte e propriedades mecânicas em função do teor
de enxofre do material Ck 45N [1]
231
7.2.3 Critério qualidade superficial
A qualidade de superfícies òbtidas~"por usinagem pode ser-um critério para a
determinação dos parâmetros de entrada na usinagem, caso não ha|a outros
critérios específicos.
Como fatores influentes • sobre a qualidade- superficial, de início serão
consideradas as condições de corte e a geometria da ferramenta. Os fatores que
influenciam na superfície estão resumidos, de forma característica, na figura 7.7.
A rugosidade cinemática é decorrente da forma da quina da ferramenta e do
movimento relativo entre peça e ferramenta. No torneamento, ela é influenciada"
principalmente pela forma do gume e pelo avanço. A figura 7.8 mostra as relações
geométricas, enquanto a figura 7.9 faz uma comparação entre os valores medidos
e a rugosidade calculada para uma velocidade de corte constante sem perturbações
no processo devido ao gume postiço. O desvio entre a rugosidade real e a
rugosidade, teórica, é relacionado com a espessura mínima de usinagem, que
aumenta com o aumento do raio do gume.
Grandezas influentes sobre a qualidade superficial na usinagem de metais
Influenciado
por
avanço
Velocidade de
corta
Ruoc^dadednemâflca { {Rugosidade da superfície de•corte j Outras influências
Influenciado
por.
Desgastar»
gume secundário
Mec. de corte e
Movimento Perfil do deformação no
relativo do gume de corte gume de corte;
gume da Zona de
ferramenta retenção de
: gume postiço ,
Influenciado
por
Geometria de
corta ative 0,7.x
Tipo, estrutura e
resistência, do
meteria! da peca
Terrrperturada
corte
Mat de corte
Alteração da
superfície de
corte
Influenciado
por:
Desgaste na
quina e
supeifldelhre
Relação entre
atrito 9 desgaste
Ruido
refrigerante'
Vibrações; cavacos em
contato com a peça;
deformação dos
mecanismo» de avanço
Influenciado
por
Rigidez de sistemas cinarrico*
Fenamentarpeça^Tiáquina
FotcadecortB-
Fòrmaçao de cavaco
Esrutura intem do gume
Material da peca
ComScõee de corte
Figura 7.7 - Fatores influentes sobre a qualidade superficial na usinagem de metais
(segundo F. Beiz) [1 ]
232
Figura 7.8 - Condições geométricas no torneamento [ 1 ]
Figura 7.9 - Rugosidade teórica e medida para diversos: avanços e raios de quina
de ferramentas (segundo Moll e Brammerte) [1]
233
A influência da" velocidade de corte sobre a rugosidade está mostrada na.
figura 7.10. O máximo da rugosidade para velocidades.,de corte pequenas está
relacionado à formação do gume postiço e'às partículas do gume postiço que
migram para a região entre a ferramenta e a superfície da peça. A redução
.considerável dos valores de rugosidade para maiores velocidades de corte é
explicada pela, redução da Intensidade da formação de gume postiço, na faixa em
que se forma o cavaco contínuo.
24
. ~ um
20
16
CD 1 7
-o X í ca
T3
</> o
O ) 3
rr s
Material da peça C"45 H
Material da ferramenta HW - P10
Seção transv. do cavaco ap. f= 3. 0,25 mm 2
Geometria do gume
a1 r8
6o 5 o 0 o 70° 90° 1,2 mm
50 100 150
Velocidade de corte vc
250
Figura 7.10 - Influência da velocidade de corte sobre a rugosidade da peça [1]
A profundidade de' corte a p não tem Influência sobre a qualidade superficial,
desde que a mesma seja maior do que a p m i n (ap > a p m i n ) . Esse valor mínimo da
profundidade de corte está situado na faixade 4 a 10 f im.
Dos ângulos da geometria da ferramenta, o ângulo da saída e o ângulo de
posição têm a maior influência sobre a qualidade superficial. Com o aumento
positivo do ângulo de saída a rugosidade diminui. A diminuição do ângulo de
234
posição aumenta a probabilidade de vibrações regenerativas que levam a uma
piora da qualidade superficial. ; .
Também o desgaste da" ferramenta-tem uma influência sobre a qualidade
superficial das peças. São importantes para a caracterização.-da superfície no
torneamento o desgaste do flanco secundário e do raio de quina. O desgaste do
gume principal, em virtude das condições geométricas no torneamento, não tem
influência sobre a qualidade superficial (comparar com a figura 7.8).
A figura 7.11 mostra a relação entre a rugosidade média Ra e o tempo- de
corte t c para diversos avanços f. A rugosidade crescente com o aumento do tempo
de corte é relacionada com a formação de ranhuras na área do gume secundário.
Já a diminuição da rugosidade para um pequeno tempo de corte pode ser
explicada pela estabilização do. gume.
a
/ I
/ f =0,2 mm
0 I I I I ' I •
5 10 15 20 min 25
Tempo de corte t c (min)
Figura 7.11 - Dependênciaentre a rugosidade média R^e o tempo de corte
(segundo D. Spurgeon e R. A. C. Slater) [1]
A rugosidade cinemática pode ser superposta por uma rugosidade de
processo. Esta pode ser verificada, por exemplo para o torneamento, na medição
da rugosidade ao longo de uma ranhura. Geralmente a superfície se toma opaca.
A formação da rugosidade de processo é, de uma forma geraf, regida por
235
fenómenos que ocorrem no gume da ferramenta, que por sua vez são relacionadas;
diretamente ao comportamento do material que está sendo "usinado. As
dependências básicas para a rugosidade de processo são mostradas na figura
7.12. Particularidades para a influência de diversos materiais e as suas estruturas
sobre a rugosidade serão elucidadas nos itens 7.3 a 7.7.
Ctsalhamento na zona Deformação plástica posterior da /
de corte superffáerusinada-pelogume-. :'
Figura 7.12 - As diversas etapas na formação do gume postiço (segundo F. Berz) [1]
7.2^4 Critério formação de cavaco
A forma e tamanho dos cavacos, bem como a maneira-com que se forma o
mesmo, têm uma importância predominante principalmente' em processos que
apresentem um volume- de espaço reduzido para armazenamento do cavaco (por
exemplo furacão, brochamento e fresamento) e em autómatos de usinagem, devido
ao pequeno espaço disponível para o trabalho e ao grande volume de cavaco
gerado. Além disso existe possibilidade de concluir-se sobre a usinabilidade de um
material pelo fator de recalque do cavaco.
As principais influências sobre a formação de cavaco são as condições de
corte e a geometria da ferramenta. A quebra adequada do cavaco pode ser obtida
. _ " 23Ó
pelã diminuição da deformabilidade do material da peça ou pelo aumento da
deformação do cavaco. Como a capacidade, de deformação- dp material é
dependente da temperatura"na região de corte/ uma redução da velocidade de
corte ou a refrigeração da região de corte levam a cavacos mais quebradiços.
De importância maior, no entanto, é o aumento do grau de deformação por-
um maior curvamento do cavaco. Para istodeve-se reduzir o ângulo de saída ou
empregar-se um quebra-cavaco. Também um aumento da espessura de usinagem,
para o mesmo raio de curvatura do cavaco, leva a um grau de deformação maior
na região externa do cavaco, o que por sua vez propicia a sua quebra.
A formação do cavaco é basicamente influenciada pela deformabilidade,
tenacidade e resistência ou estado metalúrgico do material da peça. Um aumento
da resistência ou uma diminuição da tenacidade geralmente levam a uma quebra
melhor do cavaco. Assim, estruturas com grãos grosseiros (por exemplo as obtidas
por um tratamento térmico de crescimento de grão) ou com inclusões duras
favorecem a ocorrência de cavacos irregulares ede quebra mais fácil.
Umã:^fãrídè7~Trífiuêncía sobre o mecanismo de. formação, de cavaco é
propiciada, pelos elementos químicos fósforo, enxofre e chumbo. Estes' materiais
levam a um cavaco de quebra fácil e, em decorrência disso, são adicionados aos.
aços dos quais se espera uma boa usinabilidade.
Como o desgaste da ferramenta, principalmente a formação de uma cratera
durante a usinagem, ternfuma influência Imediata sobre a geometria da ferramenta,,
considera-se que o desgaste age sobre o mecanismo de formação de cavaco.
Ferramentas de metal-duro sem quebra-cavacos sinterizados na pastilha apresentam
cavacos com raio de curvatura menor à medida que aumenta da profundidade- de
cratera, isto é, o grau de deformação do cavaco é aumentado. Disso, em geral,
resulta uma quebra de cavaco melhor.
Ferramentas com quebra-cavaco. stnterizada na pastilha tem .-essa ranhura
modificada com o aumento do tempo de corte. Em virtude disso o raio de curvatura
do cavaco pode aumentar e, em função deste aumento, a quebra de cavaco torna-se
menos propícia. O critério da formação de cavacos normalmente é relacionado com
o ensaio de vida da ferramenta pela observação dos cavacos produzidos.
237
Afigura 7.13 mostra diversas formas de cavaco e sua designação! As quatro
formas superiores-apresentam um transporte de,cavaco difícil. Cavacos helicoidais
planos preferencialmente apresentam- a sua saída tangenciando o flanco da
ferramenta e, em decorrência disso, danificam o suporte e a quina da ferramenta.
Cavacos de fitas, cavacos emaranhados e cavacos fragmentados apresentam um
perigo ao operador da máquina-ferramenta.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
-
\
j p | li i 3 Q 6) n ^ v
em
fita
emara
nhado
fita
hélice
plana
hélice
oblíqua
hélice
cil.
longa
héiice
cil.
curta
héiice
espiral
bom
espiral vírgula arran
cados
fZZMIZM 1 " " ú t i i i |
l l l l i l l desfavorável J | | § i
Figura 7.13 — Formas de cavaco no torneamento (segundo recomendações de teste
Stahl -Eisen)
7.3 Fatores Influentes Sobre a. Usinabilidade de Aços
• Do ponto de vista do material a usinabilidade de aços é determinada por sua
estrutura e suas propriedades mecânicas (dureza, tenacidade). Para a formação da
estrutura e, com isso, as propriedades mecânicas deve-se observar:
- Teor de carbono;
- Elementos de liga;
Tratamentos térmicos.
238
7.3.1 Usinabilidade em função do teor de carbono"
Como exemplo de aços de qualidade não-ligados (aços-carbono) e aços de
baixa liga (soma dos elementos de liga <-5%) determina-se a influência do teor de
carbono sobre a usinabilidade, que é responsável pela formação da estrutura e
consequentemente pela dureza e tenacidade desses aços.
Os principais elementos da estrutura desses aços são: . ^
- Ferrita (Fe-a);
- Cementita (Fe3C);
- Perlita. • "
Dependendo do teor de carbono, caóa um destes elementos, cujas
propriedades são mostradas na tabela 7 .1 , determina a usinabilidade dos aços.
Tabela 7.1 - Propriedades mecânicas e componentes do sistema ferro-carbono
(segundo Vieregge) [1]
Dureza HV 10
Res. Mecânica
(RJ
N/mm 2
Res.Mec. 0,2%
N/mm2
Alongamento
(23.
%
Ferrita 80 até 90 200 - 300 9 0 - 1 7 0 70 até 80
Perlita 210 700 - 850 300 -500 30 até 50
Cementita > 1100 - - -
Austenita 180 5 5 0 - 7 5 0 300 - 400 50
Martensita * 650 até 900 1380 -3000 -
Ferrita
A ferrita apresenta uma resistência pequena e baixa dureza, e tem uma alta
deformabilidade.
Cementita
A cementita é dura e frágil e praticamente não pode ser usinada. Dependendo
do teor de carbono do aço a cementita pode se apresentar de forma livre ou ser
solubilizada na perlita.
239
Perlita
-A:perlita é uma mistura .eutéíica de ferrita e cementita. Nos materiais tratados'
nesse capítulo, a perlita aparece principalmente na forma lamelar. Dependendo do
tratamento térmico (recozimento), a perlita pode estar também presente na forma
globular.
Aços-carbono com teor de carbono C < 0 , 8 % são classificados como
hipoeutetóides. Os constituintes da estrutura de aços-carbono . não-ligados
hipoeutetóídes estão mostrados na figura 7.14.
PERLITA
Mistura eutétjca deferrita (37%)
a cementita (13%)
Pequeno grau de deformação
Alta dureza (210HV 10)
Muito pequeno poder de adesão
e ABS
Provoca desgaste abrasivo
Favorável à-formação de
cavacos
Nenhuma formação de rebarbas
Boa qualidade superficial
ura ,
FERRfTA
a-ferro
krz-tipo de estrutura
Alto grau de deformação
Bbca dureza (80- 90 HV10)
Alto poder de adesão a
ABS
Pequena açáo de desgaste
Desfavorável à formação
de cavacos
Formação de rebarbas
Baixa qualidade superficial
Figura .7 .14. — Constituintes da estrutura .de .aços-carbono, hipoeutetóides
(normalizados) [1]
A usinagem da ferrita é dificultada pelos seguintes faforesr
Grande tendênciade. adesão com a ferramenta - formação de gume postiço;
Formação de cavacos em fitas e cavacos emaranhados (indesefáveis), em
decorrência de sua alta deformabilidade;
Qualidade superficial ruim e formação de rebarbas na peça.
A perlita apresenta dificuldades na usinagem pelos seguintes fatores:
Forte desgaste abrasivo;
240
- Maiores forças de usinagem em decorrência da sua menor deformabilidade e
sua maior dureza. ••" _•
A usinabilidade de aços com um teor de carbono inferior a 0,25% é
caracterizada principalmente pelqs propriedades da ferrita livre. Devido à alta
deformabilidade desse material, a rugosidade da superfície usinada é grande. Em
velocidades de corte baixas forma-se gume postiço.
O desgaste das ferramentas aumenta pouco com o aumento da velocidade, e
o mesmo comportamento é mostrado pela temperatura de corte. As ferramentas,
empregadas devem apresentar um ângulo de saída positivo grande (por exemplo no
torneamento y 0 > 6°). Para a diminuição da tendência-de adesão e para melhorar a
qualidade superficial, em geral se empregam óleos de corte que apresentem
qualidades de lubrificação melhores que as de refrigeração.
Grandes dificuldades são encontradas na usinagem de aços com teor de
carbono inferior a 0,25%, em operações de sangramento e de furacão,
aJargamento e corte de rosca. Em virtude da alta deformabilidade e das
características .dos' processos acima citados, processos de fabricação com baixa
velocidade de- corte vão apresentar uma caracterização superficial de péssima
qualidade. Além disso, tem-se a formação de rebarbas na usinagem.
Com o aumento do teor de carbono (0,25% < C < 0,4%), aumenta a
proporção de perlita. Com isso tem-se um maior influência das propriedades da
perlita-sobre a usinabilidade do material, e a deformabilidade. diminui. Este efeito
tem as seguintes consequências para a usinabilidade:
-Diminuição da tendência à adesão e da faixa de formação- do gume postiço para
velocidades de corte mais baixas, figura 7.15;
- Em razão da maior solicitação da região dè canfato, aumenta a temperatura no
gume e o desgaste da ferramenta;
- Melhora da qualidade superficial, da formação de cavacos e das formas de
cavaco.
Como materiais de ferramenta podem ser empregados aço-rápido, metal-
duro e cerâmicas de corte (para altas velocidades de corte). No emprego de metal-
241
duro deve-se.escolher os metais-duros menos reativos do grupo P, com alto.teor de
carboneto, de titânio e carboneto de tântalo, sendo também empregados metais-
duros revestidos. As ferramentas devem apresentar geometria positiva.
A usinabilidade pode ser melhorada consideravelmente pelo tratamento
térmico de crescimento de grão para baixos teores de carbono, e pelo tratamento
térmico de normalização para teores de carbono acima de 0,35%. Uma
deformação., a frio do material tem um efeito positivo sobre a usinabilidade,
principalmente sobre o critério de usinabilidade relacionado à formação de cavaco
Velocidade de corte v c
Figura 7.15 - Descrição esquemática do comportamento velocidade de corte -
desgaste, para o- tomeamento-.de aços com teor de carbono
variável (segundo Vieregge) [1]
Com o aumento do teor dé. carbono (0,4% < C < 0,8%), o percentual de
perlita na matriz aumenta gradativamente e o teor de ferrita diminui até que se
242
atinja 0,8% de carbono, quando tem-se predominantemente perlita. O efeito dessa
tendência sobre a usinabilidade é verificado principalmente em aços com baixos
teores de carbono. - _ . '
Já em baixas velocidades de. corte, ocorrem temperaturas relativamente
elevadas. Ao mesmo tempo tem-se uma solicitação de pressão crescente sobre a
região de contato e principalmente o desgaste de cratera aumenta
consideravelmente com o aumento da velocidade • de corre.' Raramente ocorrem
dificuldades decorrentes de uma formação- de cavaco inadequada. A relação
esquemática entre a usinabilidade e o" teor de carbono, levando em consideração o
desgaste e a formação de cavaco, é mostrada na figura 7.1ó. Com o aumento do
teor de carbono tem-se uma melhora na formação de cavaco e o desgaste
aumenta. Uma boa usinabilidade é alcançada para aços carbono' com teor em
torno de 0,25% C.
as
ç
3
0,25% Teor de carbono
Figura 7.16 - Dependendo esquemática entre a usinabilidade (Z,+J e o teor de
carbono para aços não-ligados (segundo Vieregge) [1 ]
Aços com teores de carbono entre 0,4 e 0,8% são considerados de boa
usinabilidade somente com relação aos critérios de formação de cavaco e
qualidade superficial. Para reduzir o rápido avanço do desgaste em virtude das altas
solicitações térmicas e mecânicas deve-se reduzir a velocidade de corte ou utilizar
243
fluidos refrigerantes. Outra medida no sentido de diminuir o desgaste é fazer um-
recozimentona peça. • • ' '
Como materiais de ferramenta,-assim como"nos aços com teor de carbono de
0,25% < C < 0,4%, podem ser empregados todos os tipos de aço-rápído, os
mefais-duros_ do grupo P com alto teor de TiC e TaC, metais-duros revestidos e
ferramentas de cerâmica. Em decorrência, da solicitação térmica e mecânica mais :
eíevada do gume da ferramenta, a cunha deve ser mais rígida (por exemplo no
torneamento o ângulo de saída deve ser de ó° positivos).
Na tabela 7.2 estão mostradas as composições químicas, as propriedades
mecânicas e forças específicas para aços de baixa liga, aços hipoeutetóides e aços
hípereutefóides.
Tabela 7.2 - Composição química, propriedades mecânicas e forças específicas de
corte para aços de baixo teor de elemento de liga [1]
Nomenclatura Composição Química Propriedades Mecânicas Nomenclatura
C Mn Cr V Rn, RpO.2 A Z HV
10
Kc u .
Nomenclatura
% % % % N/mm 2 N/mm 2 % % N/mm 2
C15 0,13 0,41 — — 373 206 45 72 108 1352
16MnCr5 0,15 1,00 1,00 — 510 294 37 75 163 1287
C35 0,32 0,58 — 490 285 37 66 145 1391
34Cr4 0,36 0,60 0,91 — 559 294 34 62 150 1494
CkóO 0,61 0,74 —i — 608 304 29 51 180 1602
50CrV4 0,52 1,00 1,06 0,10 667 374 29 53 197 1616
lOOCró 1,01 0,36 1,43 — 624 385 32 61 202 1635
Elementos adicionais : Teor de Si < 0,40 % Tratamento térmico realizado :
Teor de P < 0,045 % G (recozido mole)
Teor de. S < 0,045% Material de corte HM PI 0
r v u para v c = 200 m/min
Geometria do gume:
7o Sr r*
6° 5 o 0" 70° 90° 0,8 mm
Os aços • hípereutefóides apresentam-um teor de carbono acima de- 0,8%, e
quando refrigerados ao ar lentamente também apresentam uma estrutura composta
de ferrita e cementita. No entanto, ao contrário dos aços hipoeutetóides, não ocorre
ferrita livre na forma de uma matriz terrífica. A formação. de perlita ínicia-se
diretamente nos contornos de grãos de austenita. Para teores de carbono
244
sensivelmente acima de., 0,8%, ocorre uma. precipitação de cementita np contorno
de grão. A cementita forma cascas em torno dos grãos austeníticos ou perlítícos."
O desgaste "de ferramenta na usinagem "de-aços com essa estrutura é muito
grande. A pressão específica que age sobre a ferramenta e a temperatura na região
de contato é elevada. Além disso, os elementos duros e frágeis apresentam um
efeito abrasivo sobre a ferramenta. Já em velocidades de corte relativamente baixas
tem-se um forte desgaste de cratera e de flanco, que rapidamente pode levar ao fim
da vida da ferramenta. -Os materiais das ferramentas para usinagem de aços-
carbono hipereutetóides devem ter uma alta resistência de ligação interna e
resistência de gume, além de uma alta resistência a abrasão mecânica. Como
material de ferramenta são preferidos os metais-duros do grupo P (P05 até PI 0
para o acabamento e P20 até P40 para o desbaste) e metais-duros revestidos com
alta resistência do substrato.Em decorrência do grande gradiente do desgaste com o aumento da
velocidade, de. corte,, deve-se optar por velocidades de corte pequenas e.grande
seção de usinagem. A cunha da ferramenta deve apresentar alta estabilidade. Para
o torneamento,, as ferramentas devem apresentar um ângulo de saída positivo y 0 de
no máximo ó° e um ângulo de inclinação lateral Xs de até -4°. Na utilização de
ferramentas de aço-rápido devem ser empregados os aços-rápidos com alto teor
de molibdênio, bem como ferramentas com elevados teores de cobalto, para
ferramentas simples sujeitas a grandes solicitações.
7.3.2 Influências dos elementos de liga sobre a usinabilidade
Os elementos de liga podem influenciar a usinabilidade de aços através da
modificação da estrutura ou através da formação de inclusões lubrificantes ou
abrasivas. A seguir serão descritas as influências de alguns-dos elementos de liga
com mais importância.parada usinabilidade. .
Manganês
O manganês melhora a temperabilidade e aumenta a resistência dos aços
(±100 N/mm 2 para cada 1% de manganês). Em razão da afta afinidade com o
245
enxofre o manganês- forma o sulfeto de-en-x&fce. Teores de manganês de até 1,5%
melhoram a usinabilidade de aços com baixos teores de carbono em razão da boa
formação do .cavaco. Em aços com maiores teores de carbono a usinabilidade é
influenciada negativamente devido ao maior.desgaste da. ferramenta.
Cromo, molíhdênio e tungsténio
Cromo e molibdênio melhoram a temperabilidade e. influenciam a
usinabilidade de aços cementados e aços endurecidos devido às alterações na
estrutura cristalina e tenacidade. Em aços com maiores teores de carbono ou com
elementos de liga, esses elementos, assim como o tungsténio, formam carbonetos
especiais e carbonetos mistos, que podem piorara usinabilidade.
Níquel
Através da adição de níquel o aço tem a sua tenacidade aumentada. O níquel
proporciona: um aumento da tenacidade principalmente a baixas temperaturas. Isto
leva geralmente-a:.uma" piora da usinabilidade, especialmente-nos aços austeníticos
com níquel.(com grandes teores de níquel). .
Silício
O silício aumenta a resistência, da ferrita nos aços. Com o oxigénio e na
ausência de elementos desoxidantes, como por exemplo alumínio,' forma inclusões
duras de óxido de silício (silicato). Deste fato pode resultar um aumento do desgaste
da ferramenta.
Fósforo
A adição de fósforo, que é feita somente em alguns aços para autómatos, leva
a segregações no aço' e com• um tratamento térmico-e'deformação térmica
posterior, resultam numa fragilização dos cristais mistos a (fragilização da ferrita).
Com isso resulta um cavaco arrancado e pequeno. Em teores de até 0 ,1% o fósforo
atua positivamente sobre a usinabilidade. Maiores teores de fósforo levam a uma
melhora da qualidade superficial, levam porém a um maior desgaste da ferramenta.
24Ó
Titânio, vanádio
Titânio e vanádio em pequenas quantidades podem proporcionar .um
aumento considerável -na resistência devido à . pequena granulometria dos
carbonetos e carbonitretos. Com isso uma granulometria'mais fina tem-se piores
propriedades de usinabilidade com relação às forças de usinagem e à forma de
cavaco. •
Enxofre , .
O enxofre possui uma pequena solubilidade no ferro porém, dependendo dos
elementos de liga do aço, forma diferentes sulfetos estáveis. Sulfetos de ferro do tipo
FeS são indesejáveis, já que possuem um baixo pontode fusão e se situam nos
contornos de grão. Isto leva a uma indesejável fragilidade a"quente do aço. São
desejáveis os sulfetos de manganês que possuem uma temperatura de fusão
relativamente maior. A ação positiva do sulfeto de manganês sobre a usinabilidade
é-devida à.formdçãd, de cavacos favorável (cavacos curtos e quebradiços), melhora
da qualidade superficial é da menor tendência à formação de gumes postiços. Com
o aumento; das inclusões o sulfeto de manganês tem uma' influência negativa sobre
as propriedades • mecânicas como tenacidade, alongamento, resistência à
compressão e resistência à fadiga, especialmente quando a direção da solicitação
está no sentido do fibramento mecânico do material. Com o aumento de alguns
elementos de liga (por exemplo telúrio e selênío) as-propriedades de usinabilidade
do sulfeto de manganês podem ser melhoradas na'prática.
Chumbo
O chumbo não é solúvel na matriz de ferro e ocorre na forma de inclusões
submicroscópicas. Em razão do baixo ponto de fusão forma-se uma camada
protetora de chumbo entre a ferramenta e o material, e reduz-se o desgaste da
ferramenta. As forças, específicas de corte podem-ter uma. redução de até 50% e os
cavacos são curtos e quebradiços.
Inclusões não-metálicas
Os elementos adicionados dòs aços na desoxidação,' como o alumínio, silício,
manganês ou cálcio ligam-se ao oxigénio livre na formação do aço. Os óxidos de
247
alumínio e de silício no aço são inclusões duras não-deformáveís que pioram a
usinabilidade do aço, especialmente quando os óxidos ocorrem em grandes
quantidades ou em formas lamelares. Entretanto, através da escolha de um
elemento desoxidante. apropriado, a usinabilidade pode ser influenciada
positivamente. Através da desoxidação com cálcio-sílício ou ferro-silício, por
exemplo, sob determinadas condições de usinagem pode-se formar camadas
protetoras oxidas e sulfurosas no gume da ferramenta.
7.3.3 Usinabilidade em dependência do tratamento térmico
Através de tratamentos térmicos específicos a estrutura de um material com
respeito à quantidade, forma e distribuição das segregações pode ser alterada, e
com isso a resistência e a usinabilidade podem ser influenciadas positivamente.
Como "tratamento térmico" entende-se o processo no qual a peça ou uma
área-da peça é influenciada pelo ciclo temperatura-tempo e elementos adicionais
físicos e/ou químicos para se atingir uma determinada estrutura e propriedades
mecânicas. Basicamente pode-se diferenciar os tratamentos térmicos em três
grupos.
Uma distribuição regular da estrutura em toda a sud seção que se encontra no
equilíbrio termodinâmico (por exemplo estrutura recozida mole) ou não se
encontra em equilíbrio termodinâmico (por exemplo perlita, balnita, martensita).
Uma distribuição da estrutura endurecida em uma pequena parcela da seção,
com uma composição química constante (principalmente endurecimento
superficial).
Distribuição irregular da estrutura, especialmente na superfície da peça, em
' razão das alterações da composição química (carbonetação, cementação etc).
Os tratamentos térmicos descritos anteriormente são correntes e podem
Influenciar, dependendo da composição química do aço, a usinabilidade e
principalmente a formação de cavaco e o desgaste da ferramenta. As faixas de
temperatura para os principais tratamentos térmicos que podem ser empregados
com esta finalidade estão mostradas na figura 7.17.
248-
0.8 _ 1,2 1,6
Teor de Carbono em % de peso
10 15 20
Teor de cementita em % de peso
25 30
Figura 7.17 - Diagrama ferro-carbonc- com a indicação das faixas de temperatura
para certos tratamentos térmicos [1]
Difusão
Uma" distribuição regular das segregações, que podem ter se formado na
conformação a quente, e a eliminação de precipitações nos contornos de grão,
podem ser corrigidos pelo tratamento térmico de difusão.
Normalização
A normalização (N) leva a uma estrutura fina regular na qual a usinabilidade
depende do teor de carbono da estrutura analisada, que pode ser ferrita (pequenos
desgastes, má formação de cavaco) ou de perlita (maior desgaste, melhor formação
de cavaco). Nesse processo ocorre uma recristalização. Em aços hipoeutetóides as
249
temperaturas