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Resumo do livro Teorias do Conhecimento Pedagógico Inge Renate Fröse Suhr Editora Intersaberes – 2012 P/ José Roberto Pinto robertobrj@gmail.com Capitulo I Pedagogia: natureza, objeto e especificidade Apontamentos sobre a história da Pedagogia no Brasil. A pedagogia tem seus fundamentos iniciais na Grécia, compreendendo o termo: Pedagogia, paidós ( criança) + agogé ( condução), seria o ato de conduzir a criança a seu preceptor. Nessa época, cada professor, com sua orientação filosófica, conduzia seu pupilo segundo essa direção. Com o passar do tempo, com o estabelecimento do capitalismo, passou a ser necessário organizar a educação para as massas, já que, para trabalhar nas fábricas,eram necessários novos conhecimentos, e esses, eram desconhecidos de uma população acostumada ao trabalho com a terra. Por essa época não havia uma preocupação social com a educação, pois ela era direcionada a camadas mais abastada da população. Somente a partir do século XIX é que foram criados os sistemas nacionais de ensino. Tais sistemas, de certa forma, preocuparam-se com a formação de um cidadão integrado a uma sociedade industrial, democrática, livre. Lembrando que essa é uma concepção burguesa. No Brasil, em 1549, a educação teve seu inicio com a vinda dos Jesuítas, que a organizaram e sistematizaram, com a intenção de catequizar os índios. Também foram responsáveis pela instrução dos filhos dos portugueses que aqui chegavam. O monopólio da educação no Brasil, durou até que os Jesuítas foram expulsos pelo Marquês de Pombal, em 1759. Tal investida devia-se ao desejo de que a educação deveria atender aos interesses comerciais de Portugal. Pombal implantou as aulas régias, com aulas avulsas de latim, grego, filosofia e retórica. Com a chegada da família real ao Brasil, para atender a necessidade da corte, houve a criação de vários cursos de nível médio e superior. Após o regresso da família real, e a proclamação da independência, o panorama educacional pouco mudou, mesmo após a criação da constituição de 1824, somente em 1827, com as escolas de primeiras letras, que a preocupação com a formação do professor vai surgir. É com a proclamação da república, em 1889, o governo presidencialista assume a filosofia positivista e propõe uma educação laica, resaltando o papel do estado na oferta do ensino primário gratuito. Mesmo o Estado assumindo o papel de mantenedor do ensino público, a concepção de educação hegemônica se matem, e a formação de professores, ganha espaço nos institutos de educação, em decorrência da necessidade de formação de mão de obra para a educação. Os poucos institutos criados foram logo transformados em instituições de ensino superior, ficando a formação de professores restrita ao curso Normal. Nas décadas de 50 e 60, muitos movimentos políticos educacionais viveram a democratização, mas, em 64, com a ditadura militar, a educação desmonta, e boa parte das classes populares é excluída da educação de qualidade. A institucionalização do ensino profissionalizante e a confusa legislação vão marcar esse período. Em 1968, ocorre a reforma universitária, a Lei n° 5540, dá nova forma ao curso de pedagogia, com habilitações à orientação educacional e supervisão escolas, dentre outras. Com isso, a divisão de tarefas na escola é marcada pelos especialistas em educação, cada um, independentemente, deveria desempenhar seu papel. A hierarquização na escola trás a ideia de incompetência do professor para participar das decisões , restando-lhe apenas a execução. Mas, com o fim da ditadura militar, no início dos anos 80, há uma luta pela redemocratização da sociedade brasileira. A preocupação com uma escola voltada para a maioria da população traz significativas mudanças para o entendimento da função social da escola, e a função de pedagogo, que antes era hierarquizada, começa assumir identidade de equipe integrada em uma gestão democrática a busca do sucesso do processo de ensino-aprendizagem e a consideração do aluno como centro desse processo. Assim, as ações do pedagogo e demais profissionais da escola, devem ser dirigidas pelo projeto político pedagógico, considerando o pedagogo como profissional que promove ação intencional e organizada na escola com objetivo de garantir a qualidade do processo ensino-aprendizagem. Ainda nos anos seguintes, com a promulgação da nova LDB, muito ainda se discute o papel do pedagogo, o que nos permite ressaltar que, todo trabalho docente é trabalho pedagógico, mas nem todo trabalho pedagógico é trabalho docente. Libâneo (2006). Ao estender o trabalho pedagógico, para espaços não escolares, dede que, neles haja ação educativa, a resolução CNE/CP n°1/2006, subordina a pesquisa à docência, limitando a compreensão da pedagogia como ciência da educação. Por fim, ressaltamos não ser possível encarar a pedagogia apenas como uma área que ensina ser profissional da educação, mas, sim, aquela que possibilita a construção de novos conhecimentos sobre essa área.