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Agricultura familiar

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Vitor de Athayde Couto Filho
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Agricultura familiar e desenvolvimento territorial: 
um olhar da Bahia sobre o meio rural brasileiro
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Vitor de Athayde Couto Filho, 
economista formado pela 
Universidade Federal da Bahia, 
mestre em Desenvolvimento 
Econômico pela Unicamp,
estava cursando o doutorado 
em Administração na UFBA, em 
fase de conclusão. Atuou, entre 
várias funções, como diretor e 
pesquisador da Superintendência 
de Estudos Econômicos e Sociais 
(SEI) da Bahia, como Diretor da 
Secretaria de Agricultura Familiar 
do Ministério do Desenvolvimento 
Agrário, e como consultor da 
FAO - Organização das Nações 
Unidas para Agricultura e 
Alimentação, e do IICA-Instituto 
Interamericano de Cooperação 
para Agricultura. Foi assassinado 
em julho de 2006, deixando muitos 
trabalhos inacabados e alguns não 
publicados.
Produziu diversos artigos, 
pesquisas e publicações, muitas 
das quais tornaram-se importantes 
referências para as políticas 
públicas em implementação pelo 
Governo Federal e pelo Estado da 
Bahia. A publicação deste livro é 
uma forma de homenagem à sua 
memória, mas principalmente 
uma forma de tornar pública sua 
importante contribuição para 
a temática do desenvolvimento 
territorial e da agricultura 
familiar.
José Graziano da Silva
Representante Regional da FAO para 
América Latina e Caribe | Extraído da Carta 
de dedicação da Medalha especial da Coleção 
da FAO para o Dia Muncial da Alimentação 
em homenagem à Vitor Filho, em setembro 
de 2006.
Vitor de Athayde Couto Filho 
dedicou toda sua carreira à 
investigação e 
desenvolvimento de 
programas e projetos dirigidos 
às populações do campo, 
à conservação sustentável 
dos recursos naturais, ao 
planejamento e à gestão de 
sistemas agrários. Entregou, 
assim, às instituições públicas 
de seu país, entidades 
acadêmicas, centros de 
investigação, associações e 
organismos internacionais, os 
frutos de um trabalho marcado 
pela qualidade acadêmica e 
compromisso social.
Agricultura familiar e desenvolvimento territorial: 
um olhar da Bahia sobre o meio rural brasileiro
Brasília, 2007
Seleção e organização | Maya Takagi e Otavio Valentim Balsadi
 MDA /Nead
Vitor de Athayde Couto Filho
Nead Especial
Copyright 2007 By Mda
Projeto gráfico, capa e diagramação
Célia Matsunaga
Revisão e preparação de originais
Ana Maria Costa
Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA)
www.mda.gov.br
Núcleo de Estudos Agrários e 
Desenvolvimento Agrário Rural - Nead
SCN, Quadra 1, Bloco C, Ed. Trade Center, 
5º Andar, Sala 501 – Cep: 70.711-902
Brasília/DF
Telefone: (61) 3328-8661
www.nead.org.br
Pct Mda/iica – Apoio às Políticas e à 
Participação Social no Desenvolvimento 
Rural Sustentável
LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA
Presidente da República
GUILHERME CASSEL
Ministro de Estado do Desenvolvimento 
Agrário
MARCELO CARDONA ROCHA
Secretário-Executivo do Ministério do 
Desenvolvimento Agrário
ROLF HACKBART
Presidente do Instituto Nacional de 
Colonização e Reforma Agrária
ADONIRAM SANCHES PERACI
Secretário de Agricultura Familiar
ADHEMAR LOPES DE ALMEIDA
Secretário de Reordenamento Agrário
JOSÉ HUMBERTO OLIVEIRA
Secretário de Desenvolvimento Territorial
CARLOS MÁRIO GUEDES DE GUEDES
Coordenador-Geral do Núcleo de Estudos 
Agrários e Desenvolvimento Rural
ADRIANA L. LOPES
Coordenadora-Executiva do Núcleo de Estudos 
Agrários e Desenvolvimento Rural
Este livro é dedicado à memória de Regina da Matta
�
A todas as pessoas que contribuíram para a concretização des-
te projeto, em especial: ao pai, Vitor, por ter fornecido os ar-
quivos e pelas sugestões à seleção dos textos; à mãe, Gal, pelo 
apoio e carinho permanentes. Ambos sufocaram por algum 
momento seu sofrimento para nos presentearem com suas 
belas homenagens ao filho; à Flavia e Isabela pela carinhosa 
seleção de textos, poesias e letras de música que são referên-
cias de Vitorzinho e que ilustram este livro e pelas sugestões 
para a melhoria desta homenagem; ao NEAD, em especial à 
Adriana Lopes, e à Secretaria de Agricultura Familiar do Mi-
nistério do Desenvolvimento Agrário, em especial à Lílian 
Rahal, pelo apoio financeiro e viabilização desta publicação; 
à Emma, pelo auxílio na idealização da proposta; aos autores 
e co-autores dos textos selecionados, por abrilhantarem esta 
publicação: Arno Schmitz, Gustavo Machado, Andréa Gomes, 
Waldélio Filho, Clovis Guimarães, Pedro Gama e Jean Philip 
Tonneau; a todos os que escreveram os textos de referência da 
parte 3: Gustavo Machado, Jackson Nagornni, Nicolau Schaun, 
Valter Bianchini, José Eli da Veiga, Fernando Soto, Alberta Mas-
caretti, Flavio Sacco dos Anjos, Nadia Velleda Caldas e Antonio 
Cesar Ortega; aos agricultores e agricultoras familiares que 
deram vida aos projetos de desenvolvimento territorial coor-
denados por Vitorzinho.
agradecimentos
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Desde a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Fami-
liar (Pronaf), em 1996, os agricultores e agricultoras familiares brasileiros têm 
recebido crescente atenção das políticas públicas. Políticas estas, diga-se de 
passagem, construídas com a participação e a legítima representação dos movi-
mentos sociais organizados.
Se é fato que durante alguns anos as diversas modalidades de crédito diferen-
ciado (custeio, investimento, infra-estrutura) foram a principal, e talvez a úni-
ca, política pública de envergadura para a agricultura familiar, é importante 
destacar que, a partir dos primeiros anos deste século XXI, um novo conjunto 
de ações e programas se juntaram ao Pronaf para dar mais robustez às inicia-
tivas de fortalecimento deste segmento social extremamente importante na so-
ciedade brasileira. Vale dizer que, neste processo, além dos agricultores e agri-
cultoras familiares, também receberam uma atenção maior os assentados da 
reforma agrária, os remanescentes de quilombos, os indígenas, as populações 
ribeirinhas, os extrativistas, de tal forma que as políticas públicas no Brasil re-
conheceram a importância cultural, étnica e histórica destas populações tradi-
cionalmente excluídas das benesses do desenvolvimento socioeconômico.
Com os Planos de Safra da Agricultura Familiar, as diversas iniciativas para a cons-
trução de uma Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e a reins-
talação do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), as 
políticas para a agricultura familiar deram um importante salto de qualidade, tanto 
em termos de público atendido quanto na ampliação de temas abordados.
Além do significativo aumento dos recursos do Pronaf, em suas novas modali-
dades e novas formas de contratação do crédito, outros programas e ações ga-
nharam relevo: a retomada de uma política de assistência técnica e extensão 
rural para a agricultura familiar; a implementação do Garantia Safra, visando a 
sustentação de renda dos agricultores familiares do semi-árido; a implementa-
ção do Seguro da Agricultura Familiar, articulado ao Pronaf; a implementação 
do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que é um programa pioneiro de 
apresentação
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compra de alimentos oriundos da agricultura familiar, associado ao Fome Zero 
e com diretrizes claras de promoção de segurança alimentar e nutricional; o 
reforço da pesquisa pública para a agricultura familiar; a implementação do 
Programa Nacional de Produção e Uso do Biodiesel, programa de combustíveis 
renováveis (biocombustíveis) a partir de produtos oriundos, prioritariamente, 
da agricultura familiar; a implementação do programa de agroindustrialização 
dos produtos da agricultura familiar,