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O que é a cidade? & A ação humana sobre a terra Referência Básica: Carvalho, Edézio Teixeira de, Geologia Urbana para todos: uma visão de Belo Horizonte. Belo Horizonte, 1999 (Capítulos I e II (p. 19 – 32) Gestão das Cidades O que são assentamentos precários? Onde estão localizados? Como foram (são) produzidos? PROBLEMAS DE REQUALIFICAÇÃO E URBANIZAÇÃO DE ASSENTAMENTOS PRECÁRIOS Os Assentamentos Informais e a Cidade Formal Aglomerados/Complexos Ocupações/Invasões Favelas Vilas/Aglomerados Áreas de Especial Interesse Social Áreas remanescentes (Viadutos) Ilegais Clandestinos Espontâneos Precários Sub-humanos “Subnormais” Dicotomia entre 2 Cidades Legal X Clandestina Localizações físicas adversas Condições infra-humanas Precariedade de serviços públicos Autoprodução da superestrutura e da mesoestrutura Ocupação induzida (anuência tácita do proprietário) Valorização e incorporação no estoque de terras urbanas, após consolidação da ocupação. Caracterização das áreas ocupadas Inserção Urbana Áreas periféricas ou áreas centrais desprovidas de sistemas de mesoestrutura e serviços urbanos adequados. Inserção Urbana Encostas Potencialização dos riscos geológicos; Contribuição para o assoreamento dos fundos de vale. Aglomerado da Serra/BH - 2003 Inserção Urbana Fundos de Vales Áreas inundáveis; Assoreamento; Poluição das águas e dos solos. Vila Novo Ouro Preto/BH - 2003 Inserção Urbana Áreas de Preservação loteamentos clandestinos ocupações espontâneas Serra do Curral/BH Em Belo Horizonte, as maiores e as mais antigas favelas e aglomerados localizam- se em áreas privilegiadas da cidade, ocupam áreas nas cabeceiras de importantes córregos urbanos, por vezes estendendo-se por vários quilômetros ao longo de seus leitos. Taquaril, Alto Vera Cruz e Granja de Freitas: Córregos Santa Teresinha e do Cachorro Magro. Aglomerado da Serra: Córregos da Serra e do Cardoso; Favela do Acaba Mundo em córrego do mesmo nome; Aglomerado da Barragem Santa Lúcia: Córrego do Leitão; Aglomerado Morro das Pedras: Córregos Piteiras e Marinho; Áreas urbanas residuais e ociosas: viadutos e passarelas... Silva lobo João Pinheiro Av. Delta Passarela Vila Oeste Inserção Urbana ônibus, escola, trabalho, água, esgoto, luz, telefone, pavimentação, drenagem pluvial… Áreas degradadas “Áreas que tenham sofrido modificações de configuração tais que a conduzam a uma perda de valores fisionômicos ou funcionais que não seja suficientemente compensada pelos benefícios ou resultados da intervenção que os tenha provocado como efeitos colaterais negativos.” Geólogo Edézio Teixeira de Carvalho Inserção Urbana Capacidade Instalada Imóveis desocupados, abandonados e inacabados localizados em Áreas Urbanas Predinhos de Santa Teresa/BH - 2003 Duas torres de 17 andares ocupadas durante quase uma década, por população de baixa renda após falência da construtora. “Predinhos” de Santa Teresa Entorno: favelas residuais após abertura de avenida de fundo de vale no Ribeirão Arrudas Famílias removidas após incêndio de pequenas proporções que atingiu uma das torres, motivando a ocupação policial dos edifícios. Conceituação estrutural de cidade A cidade convencional superestrutura infra-estrutura Limita-se ao edificado, que compreende a superestrutura – prédios, casas, edifícios industriais – e a infra-estrutura – ruas, tubulações, linhas energéticas. Esta concepção é insuficiente para conter a cidade total e para prever e descrever seu metabolismo, que assim se torna insubmisso. Edézio Teixeira O que é a cidade? (p.19) “(...) é o locus privilegiado do exercício do poder.” Resultante do empilhamento de 3 camadas distintas: • Com funções próprias; • Inconfundíveis, mas • dependentes entre si. Estrutura da cidade geossuportada superestrutura mesoestrutura infra-estrutura Superestrutura: As casas, por exemplo; Mesoestrutura: As ruas, por exemplo; Infra-estrutura: A terra, com todos os fatores da sustentabilidade, que provê os diversos suprimentos, as condições de suporte e os valores da paisagem. Edézio Teixeira suporte físico da meso e superestrutura; é o sistema geológico em seus aspectos constitutivo e comportamental; recursos hídricos pluviais; atenuação e absorção de impactos ambientais. conjunto de sistemas que proporciona condições de funcionamento à superestrurtura, para tanto adaptando-se às necessidades e ao porte desta e às condições de suporte dadas pela infra- estrutura. conjunto das estruturas antrópicas finalísticas, compreendendo moradia, comércio, serviços, industrias, etc Visão Estrutural das Cidades Superestrutura Mesoestrutura Infra-estrutura (Plataforma Geológica) F o n te : 2 0 0 1 . C A R V A L H O , E d é z io T e ix e ir a . G e o lo g ia U rb a n a p a ra T o d o s ( p .1 9 ) Infra-estrutura (Plataforma Geológica) Suprimento de água; Energia; Telefonia; Redes a cabo de acesso à web e TV; Iluminação pública; Disposição de esgotos e resíduos sólidos; Captação e destinação de águas pluviais; Pavimentações; Contenções; Acessibilidade; Rede viária; Etc., etc... Superestrutura (estruturas finalísticas) Infraestrutura Diagrama Estrutural da Cidade Mesoestrutura suporte físico da meso e superestrutura; é o sistema geológico em seus aspectos constitutivo e comportamental; recursos hídricos pluviais; atenuação e absorção de impactos ambientais. Diagrama Estrutural da Cidade Superestrutura Mesoestrutura Infra-estrutura (Plataforma Geológica) F o n te : 2 0 0 1 . C A R V A L H O , E d é z io T e ix e ir a . G e o lo g ia U rb a n a p a ra T o d o s ( p .1 9 ) 1) Conjunto das condições de suporte à construção e desempenho da cidade: solo, subsolo, campo, céu... 2) É imutável, mas passível de operação e adaptação. 3) A cidade é “uma segunda natureza” (Prandini), com propósitos funcionais e estéticos específicos. Fonte: CARVALHO, Edézio Teixeira de, 2001. Ação humana sobre a terra Equação de interação Antrópica (Carvalho e Prandini,1998) Ambiente Geológico (AG) + Intervenção Antrópica 1 (I1) = Ambiente Tecnogênico 1 (AT1) AG + I1 = AT1 “alvo” Equação de interação Antrópica A G AT1 Ambiente Geológico Decaído AG + I1 = AT1 (I) AT2 + I2 = AT2 (II) Edézio Teixeira de Carvalho (p.25) MESOESTRUTURA Uma questão semântica? “Sempre que técnicos, políticos e o cidadão comum falam da infraestrutura urbana, estão se referindo aos equipamentos aqui chamados de MESOESTRUTURAS. Esta visão (...) faz supor que essas “infraestruturas” encontram sempre no terreno características ideais de HOMOGENEIDADE, ISOTROPIA, CONTINUIDADE E CONSTÂNCIA DE PROPRIEDADES.” Edézio Teixeira de Carvalho (P.25) MESOESTRUTURA Uma questão semântica?No entanto, “esse TERRENO, essa BASE, essa PLATAFORMA, portanto esta INFRAESTRUTURA” é: HETEROGÊNEA, ANISOTRÓPICA(*), DESCONTÍNUA e VARIANTE NO TEMPO, ou seja, INCONSTANTE. (*) O termo Anisotropia designa a existência de dependência na direção (ou falta de isotropia) ou seja, é a característica que uma substância possui em que uma certa propriedade física varia com a direção. Metabolismo urbano na cidade convencional: a cidade real difere da pretendida Na cidade convencional, duas camadas funcionais, a superestrutura e a mesoestrutura (avenida, considerada infra- estrutura) sob ataque da verdadeira infraestrutura: não temos um acoplamento e sim um arrogante desafio. ETC 2002 Edézio Teixeira Uma terra muito boa para urbanização em Bauru – São Paulo, todavia submetida a devastador processo erosivo, como se vê a seguir. Edézio Teixeira Edézio Teixeira Edézio Teixeira de Carvalho (P.25) MESOESTRUTURA Uma questão semântica? Inconstância da INFRAESTRUTURA = sensibilidade às intervenções antrópicas e capacidade de interação. Por que as cidades recebem “infraestruturas” essencialmente iguais apesar de implantadas em terrenos diferentes? Visão Estrutural das Cidades A abordagem proposta pelo geólogo Edézio Teixeira assume especial importância quando se refere a áreas de assentamentos populares – centrais ou periféricos – frequentemente caracterizadas pela fragilidade ambiental que é potencializada pelas ações – individuais ou coletivas – necessárias à implantação e ao funcionamento das habitações e demais atividades urbanas. Áreas com restrições legais à ocupação decorrentes de altas declividades, propensão à erosão ou sujeitas a enchentes, preservação de mananciais ou áreas residuais urbanas, encostas ou fundos de vales... Aponta para a necessidade de desenvolvimento tecnológico dos sistemas de MESOESTRUTURA Técnicas convencionais X Especificidades Locais Aglomerado da Serra 2003 Vila São Francisco/BH Conflitos: sistema de contenções acentuando problema de inundações à jusante, aumentando a velocidade das águas pluviais e seu potencial erosivo, contribuindo para a elevação de temperatura, redução de umidade e cobertura vegetal, etc, etc... Técnicas convencionais X Especificidades Locais Técnicas convencionais X Especificidades Locais Conflitos: sistemas de pavimentação X drenagem pluvial Técnicas convencionais X Especificidades Locais Conflitos: sistemas de pavimentação X drenagem pluvial Técnicas convencionais X Especificidades Locais Conflitos: esgotamento sanitário X drenagem pluvial Sistemas de Energia e Iluminação Pública X Exigüidade do espaço: poluição visual e riscos de acidentes Técnicas convencionais X Especificidades Locais Recursos materiais, humanos, energéticos e ambientais investidos. O que falta? Aplicação na escala do projeto: equações de interação antrópica Ambiente Geológico + Ação Humana = Ambiente Tecnogênico I Ambiente Tecnogênico I + Ação Humana = Ambiente Tecnogênico II II Conhecido + Conhecida = Conhecido III Conhecido + Desconhecida = Desconhecido IV Desconhecido + Conhecida = Desconhecido V Desconhecido + Desconhecida = Desconhecido VI III – cidade ideal IV – paradoxal (administração pública) V – condição usual de produção do espaço VI – favelas e assentamentos informais EFEITOS DOS DESCONHECIMENTO e/ou DESCONSIDERAÇÃO de fatores da interação ANTRÓPICA “ocorrem frequentemente situações em que atores privados ou mesmo estatais dispõem de tal conhecimento e DELIBERADAMENTE não o utilizam” ... comprometimento de interesses concretos: ações especulativas em negócios imobiliários e “venda”de soluções convencionais, dispendiosas, mas de interesse de grupos econômicos. O que falta? Tecnologia para que e para quem? A integração da cidade formal pressupõe um novo modelo de desenvolvimento urbano, o qual também corresponde a um modelo tecnológico inovador para as obras de intervenção. Soluções econômicas mas com uso intensivo de tecnologia Arq. Paulo Eduardo Fonseca de Campos. (Revista Téchne, 43 (nov-dez/99) Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Micro Concreto de Alto Desempenho: Argamassa Armada Arq. João Filgueiras Lima – Lelé Resgate da experiência brasileira (1980) Componentes pré-moldados leves produzidos em usinas, sob condições favoráveis de controle: Vias de pedestres: rampas e escadarias drenantes; Revestimento de canais; Muros de arrimo; Lixodutos. Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Sistemas leves, com grande valor agregado - “densidade tecnológica”: pequenas espessuras (20mm) baixa porosidade da matriz cimentícia armadura de aço c/ fios de pequeno diâmetro e pouco espaçados entre si elementos leves que, conjugados, podem formar elementos de grande porte sem emprego de grandes equipamentos Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Urbanização do Vale do Camarujipe - Ba Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Soluções Físicas Inovadoras para melhorias habitacionais e urbanas Aglomerado da Serra (BH) Vale do Camarujipe (Ba) A gestão conservadora da cidade (...) possui uma correspondente análoga no campo dos materiais e das técnicas construtivas. Campos (1999) A integração da cidade ilegal ao tecido urbanizado da cidade formal pressupõe um novo modelo de desenvolvimento urbano, o qual também corresponde a um modelo tecnológico inovador para as obras de intervenção, mais próximo das necessidades da população (...) tão inovador e flexível quanto o dos produtos que vão regulamentar. Campos (1999) É de se esperar que, além de acesso ao solo urbano, ao saneamento básico e aos demais serviços, a população menos favorecida possa contar com produtos especificamente desenvolvidos para as suas necessidades de consumo (...) Campos (1999)