Espécies normativas: Medida Provisória - Resumo
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Espécies normativas: Medida Provisória - Resumo


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Medida Provisória
Processo de criação
A medida provisória está prevista no artigo 62 da CRFB.
Ela é adotada pelo Presidente da República por um ato monocrático e unipessoal, sem a
participação do Legislativo, que só vai ser convocado posteriormente, quando já tiver sido
adotada pelo Executivo, com força de lei e produzindo efeitos jurídicos.
Competência: a medida provisória surge só com a manifestação do Chefe do Executivo,
que vai publicar ela no Diário Ocial da União. Essa é uma das competências exclusivas
do Presidente da República, que está prevista no inciso XXVI do art. 84 da CRFB.
Prazos: De acordo com o §3º do art. 62, as medidas provisórias devem ser convertidas
em lei no prazo de 60 dias, ou elas perdem ecácia, desde o momento da edição. De acor-
do com o §7º, esse período pode ser prorrogado uma vez por mais 60 dias, caso a votação
não tiver sido encerrada nas duas Casas Legislativas. Se depois desses 120 dias a medida
não for convertida em lei, ela perde ecácia desde a sua edição.
O parágrafo 4º diz que esse prazo deve ser contado desde a publicação da medida
provisória, e é suspenso durante os períodos de recesso do Congresso Nacional. Não
existe previsão expressa sobre convocação extraordinária do Congresso, mas se ti-
ver alguma medida provisória em vigor na data de uma convocação extraordinária,
ela é incluída na pauta de convocação automaticamente, como está previsto no art.
57, §8º da CRFB.
O §6º vai dispor que se a medida provisória não for apreciada em até 45 dias, ela en-
tra em regime de urgência nas duas Casas, cando suspensas as outras deliberações
legislativas. Em decisão do MS 27931, o STF mitigou essa previsão de suspensão, ar-
mando que só os projetos de lei ordinária que tenham como objeto matéria passível
de edição de medida provisória podem ser sobrestados.
Votação e reedição: O §8º prevê que as medidas provisórias terão sua votação inicia-
da na Câmara dos Deputados.
Espécies normativas: Medida provisória
Direito Constitucional II
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O §9º determina que caberá à comissão mista de Deputados e Senadores examinar
as medidas provisórias e sobre elas emitir parecer, antes de serem apreciadas, em
sessão separada, pelo plenário de cada uma das Casas do Congresso Nacional.
De acordo com o §10º é vedada a reedição, na mesma sessão legislativa, de medida
provisória que tenha sido rejeitada ou que tenha perdido sua ecácia por decurso
de prazo.
Prazos e efeitos: Conforme o §11º o Congresso tem até 60 dias depois da rejeição
ou da perda de ecácia da MP pra editar o decreto legislativo que regula as relações
jurídicas que decorrem dela (§3º). Se isso não acontecer, as relações jurídicas consti-
tuídas e decorrentes de atos praticados durante a vigência da MP continuam regidas
por elas.
O §12º prevê que uma vez aprovado projeto de lei de conversão, alterando o texto
original da medida provisória, ela se mantem integralmente em vigor até que o pro-
jeto seja sancionado ou vetado.
Observação: Não existe proibição para a previsão de medida provisória nas esferas
estadual, distrital e municipal.
Aprovação e rejeição
Uma vez adotada então a medida provisória pelo Presidente, o Congresso Nacional pode:
Aprovar a medida sem alteração.
Aprovar a medida com alteração.
Não apreciar a medida (rejeitar tacitamente).
Rejeitar expressamente.
Aprovação sem alteração
Resolução n. 1/2002-CN: uma vez aprovada a medida provisória, sem alteração de mé-
rito, o texto vai ser promulgado pelo Presidente da Mesa do Congresso Nacional para
publicação, como lei, no Diário Ocial da União.
Art. 57, §5º da CRFB/88: a Mesa do Congresso Nacional vai ser presidida pelo Presidente
do Senado. Então a gente conclui que é o Presidente do Senado que exerce a função de
Presidente da Mesa do Congresso.
Aprovação com alteração
Resolução n. 1/2002-CN: é possível apresentar emendas ao texto da medida provisória
originalmente expedida pelo Presidente.
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O projeto de lei de conversão apreciado por uma das Casas deve ser apreciado pela outra
Casa, e depois é levado à apreciação do Presidente para sancionar ou vetar a lei de con-
versão, seguindo os trâmites do processo legislativo comum.
Os efeitos decorrentes da matéria que foi alterada, devem ser regulamentados por
decreto legislativo. A medida perde ecácia desde a sua edição no ponto em que foi
alterada, nos termos do art. 62, §3º da CRFB.
O §12 do art. 62 estabelece que, aprovado o projeto de lei de conversão alterando
o texto original da medida, ela continua integralmente em vigor até que seja san-
cionado ou vetado o projeto, o que é completamente absurdo, já que, se houve um
projeto de lei de conversão alterando o texto original, e o texto original é mantido,
está claro que o dispositivo, mesmo sendo contrário à manifestação do Congresso,
vai continuar em vigor com força de lei. Então nesse período entre o projeto de lei de
conversão e a sanção ou veto do presidente a gente ca diante de um ato com força
de lei que já foi condenado pelo Legislativo.
Não apreciação (rejeição tácita)
Se a medida provisória não for apreciada em 60 dias da publicação, esse prazo pode ser
prorrogado por mais 60 dias. Então, depois de 120 dias, se não houver apreciação pelo
Congresso Nacional, a medida perde ecácia desde a sua edição, produzindo efeitos re-
troativos. Essa é a rejeição tácita.
Nesse caso, de acordo com o art. 62, §§ 3º, 4º e 7º, o Congresso deve disciplinar as
relações jurídicas decorrentes da MP por decreto legislativo.
Conforme o §11, se o decreto legislativo não for editado em 60 dias depois da perda
de ecácia, as regras da MP continuam valendo pra regulamentar as relações jurídicas
constituídas e decorrentes dos atos praticados no período em que ela produzia efeitos.
Se a perda dos efeitos tem efeito retroativo, como as relações jurídicas continuam
sendo regidas pela MP que foi extinta? O Pedro Lenza defende a agrante inconsti-
tucionalidade disso. Essa prática é justicada pelo Congresso como uma forma de
evitar vácuo jurídico.
Rejeição expressa
O Congresso pode também expressamente deixar de converter a medida provisória em
lei. Nesse caso, ele também deve disciplinar os efeitos decorrentes da MP por meio de
decreto legislativo.
Mesmo que a MP tenha sido rejeitada expressamente, ela pode ser reeditada na
sessão legislativa seguinte.