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AULA 1: DAS PESSOAS. PESSOAS NATURAIS E JURÍDICAS. DOMICÍLIO. Este costuma ser o assunto mais abordado nos concursos, quando faz parte do conteúdo programático exigido no edital. Toda atenção para o tema. Para a exposição da matéria, serão apresentadas questões de concursos diversos. Como algumas questões foram de concursos anteriores à vigência do Código Civil de 2002, houvemos por bem fazer as devidas adaptações, as quais serão ressalvadas. (CAERD-RO-2002-TÉCNICO) (ADAPTADA) 01. São relativamente incapazes em relação a certos atos da vida civil: a) os menores de dezesseis anos, os pródigos e os excepcionais sem desenvolvimento completo; b) os silvícolas, os pródigos e os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; c) os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir a sua vontade e os que, por enfermidade ou doença mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; d) os ausentes, declarados tais por ato do juiz, os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos e os pródigos; e) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos, os ébrios habituais, os viciados em tóxicos e os pródigos. COMENTÁRIOS: Ao nascer com vida, a pessoa natural adquire personalidade civil, passando a ser sujeito de direitos e de obrigações na ordem civil. Da aquisição da personalidade, decorre a capacidade, que pode ser de gozo ou de direito, que é a aptidão genérica para contrair obrigações e exercer direitos, por si ou por outrem, e de fato ou de exercício, que é a capacidade de exercer direitos e contrair obrigações, por si mesmo. Todos os seres humanos, ao nascerem com vida, adquirem a capacidade de gozo ou de direito, que não pode ser negada, recusada ao indivíduo, por fazer parte da sua própria personalidade, ser inerente a esta. Contudo, para alguns indivíduos, a lei nega a capacidade de fato ou de exercício, ou seja, a capacidade de exercer, sozinho, os atos da vida civil. São os incapazes. A incapacidade, por seu turno, pode ser absoluta ou relativa. Na incapacidade absoluta, a pessoa não pode exercer o ato, alguém o exerce por ela – o representante. Na incapacidade relativa, embora o incapaz possa exercer o ato, não pode fazê-lo sozinho, dependendo da colaboração de outrem – o assistente. A prática de atos pelo absolutamente incapaz sem a devida representação torna o ato praticado NULO, sem efeito. A prática do ato pelo relativamente incapaz sem a devida assistência torna-o anulável (gerando efeitos a não ser que seja requerida pelo prejudicado a declaração de sua invalidade). O art. 4º do CC elenca o rol taxativo dos relativamente incapazes, quais sejam: I – os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos; II – os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tiverem o discernimento reduzido; III – os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo; IV – os pródigos. É de bom alvitre realçar que, quanto aos pródigos, a sua incapacidade refere-se tão somente à prática de atos de administração, com conteúdo patrimonial, não ficando este impedido de praticar atos que não tenham tal natureza. A alternativa “A” está incorreta porque contempla os menores de dezesseis anos, que são considerados pelo art. 3º como absolutamente incapazes. A alternativa “B” encontra-se igualmente incorreta, porque os silvícolas, no tocante à capacidade, rege-se por legislação especial, como preceitua o art. 4º, parágrafo único do CC. A alternativa “C” está errada porque abrange dois casos de incapacidade absoluta, previstos no art. 3º do CC, e não de incapacidade relativa. A alternativa “D” também está inverídica, pois os ausentes, diferentemente do que previa o CC/1916 revogado, não estão elencados no rol da incapacidade, seja absoluta, seja relativa. A alternativa “E” corresponde, integralmente, aos casos de incapacidade relativa, sendo, portanto, a correta. (OAB-RO-ABRIL/2004-34º CONCURSO) 02. Ao afirmar que uma pessoa é absolutamente incapaz para exercer os atos da vida civil, estamos reconhecendo as suas falta de capacidade jurídica. Para suprir esta incapacidade, esta pessoa deverá ser: a) Representada. b) Assistida. c) Substituída. d) Excluída. COMENTÁRIOS: A incapacidade absoluta supre-se através do instituto da representação, em que o ato é praticado pelo representante em substituição ao absolutamente incapaz. A resposta correta, portanto, é a letra “A”. (OAB-RO-ABRIL/2004-34º CONCURSO) 03. A respeito da capacidade civil, pode-se afirmar que: a) Os absolutamente incapazes devem ser representados e os relativamente incapazes devem, em regra, ser assistidos; b) Os menores de dezesseis anos são absolutamente incapazes; c) A prática de ato pelo absolutamente incapaz redunda em sua nulidade; d) Todas as alternativas estão corretas. COMENTÁRIOS: Como já comentado nas questões anteriores, a incapacidade absoluta supre-se pela representação, em que o representante pratica o ato em nome do incapaz. A incapacidade relativa, por seu turno, supre-se pela assistência, em que o assistente pratica o ato conjuntamente com o assistido. O ato praticado pelo absolutamente incapaz sem que seja representado por quem de direito é nulo (sem efeito), e o praticado pelo relativamente incapaz sem a devida assistência é anulável, gerando efeitos até que algum prejudicado requeira a declaração judicial de sua invalidade. A alternativa “A” está correta, pois o absolutamente incapaz é representado (não pratica o ato, e sim o representante, que o realiza por ele) e o relativamente incapaz é assistido (pratica o ato conjuntamente com ele). Ressalve-se a expressão contida na alternativa: “em regra”, pois a lei permite, em alguns casos, que o relativamente incapaz pratique atos sem necessidade de assistência, como celebrar contrato de trabalho, desde que tenha no mínimo dezesseis anos, aceitar mandato, casar, desde que autorizado, ser testemunha, fazer testamento, etc. A alternativa “A”, pois, está correta. Os menores de dezesseis anos estão contemplados no rol da incapacidade absoluta (art. 3º, I do CC), portanto, igualmente correta está a alternativa “B”. O ato praticado pelo absolutamente incapaz sem representação é nulo, não podendo ser ratificado (confirmado), estando correta também a alternativa “C”. A alternativa “D”, que prevê que todas as alternativas anteriores estão corretas, é a que deve ser assinalada. (OAB/SP/125º/2005) 04. São absolutamente incapazes os menores de: A) 16 anos; os ausentes; os que não puderem exprimir sua vontade, em razão de causa permanente. B) 18 anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para os atos da vida civil; os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo. C) 16 anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem necessário discernimento para os atos da vida civil; os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. D) 16 anos; os ébrios habituais; os pródigos; os toxicômanos. COMENTÁRIOS: O art. 3º do Código Civil elenca a categoria dos absolutamente incapazes, em rol taxativo, não comportando interpretação extensiva a outros casos, a saber: I – os menores de dezesseis anos; II – os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática desses atos; III – os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. A alternativa “A” enquadra os ausentes como absolutamente incapazes, tornando a questão incorreta. É preciso que o candidato fique atento, pois os ausentes eram considerados pelo Código Civil de 1916 revogado como absolutamente incapazes. Não são mais pelo Código Civilde 2002 vigente. Está incorreta também porque prevê que são absolutamente incapazes os que não puderem exprimir sua vontade “por causa permanente”. Ainda que por causa transitória (hipnose, embriaguez, etc.), se a pessoa não puder exprimir sua vontade, a causa é de incapacidade absoluta. A alternativa “B” está incorreta, primeiramente, porque somente os menores de dezesseis anos são considerados absolutamente incapazes. Entre dezesseis e dezoito anos o caso é de incapacidade relativa. Também os excepcionais sem desenvolvimento completo são considerados relativa, e não absolutamente incapazes. A alternativa “C” contempla integralmente hipóteses de incapacidade absoluta, sendo a correta, pois são absolutamente incapazes os menores de dezesseis anos; os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem necessário discernimento para os atos da vida civil e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. A alternativa “D” está incorreta porque os ébrios habituais (alcoólatras), os toxicômanos e os pródigos são relativamente incapazes. (OAB-RO-30º CONCURSO) (ADAPTADA) 05. De acordo com o Código Civil vigente, assinale a alternativa correta: A - São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil os menores de 18 anos, os pródigos e os loucos de todo gênero. B - São capazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os exercer os maiores de 14 e menores de 21 anos, os ausentes e os silvícolas. C - Aos 18 anos completos acaba a menoridade, ficando habilitado o indivíduo para todos os atos da vida civil. D - Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos. COMENTÁRIOS: A alternativa “A” está incorreta, porque os pródigos são considerados relativamente incapazes. A alternativa “B” está igualmente incorreta, porque os ausentes não são mais considerados pelo Código Civil de 2002 incapazes, e os silvícolas, no que refere à sua incapacidade, regem-se por lei específica. A alternativa “C” contém inveracidade porque a cessação da incapacidade por menoridade cessa aos dezoito, e não aos dezesseis anos, quando a pessoa fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil, consoante o que prescreve o art. 5º, caput, do Código Civil. A alternativa “D” contempla a hipótese de comoriência, prevista no art. 8º do Código Civil, verbis: “Se dois ou mais indivíduos falecerem na mesma ocasião, não se podendo averiguar se algum dos comorientes precedeu aos outros, presumir-se-ão simultaneamente mortos”. A comoriência, ou morte simultânea, ocorre quando dois ou mais indivíduos, que têm entre si uma relação jurídica, morrem em um mesmo evento, não sendo possível, pelos meios médicos-legais, aferir qual deles morreu primeiro. A lei, nesta hipótese, presume que a morte foi simultânea, de modo que não haverá transmissão recíproca de direitos entre eles. Assim, se pai e filho morrem em um mesmo acidente, não sendo constatado quem morreu primeiro, não haverá, de um para outro, transmissão de herança, sendo a parte do filho destinada aos herdeiros deste, e a parte de seu pai conferida aos seus herdeiros. Diferente situação ocorreria se, por exemplo, ficasse constatado que o pai havia falecido primeiro, transferindo-se a herança deste para o filho, e do filho para os herdeiros deste, no caso, a mãe, se fosse viva. Esta, portanto, a questão correta. 06. São absolutamente incapazes, exceto: (ADAPTADA) A - ausentes. B - os menores de 16 anos. C – os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. D - os enfermos que não tiverem o necessário discernimento para a prática de atos da vida civil. COMENTÁRIOS: Os ausentes não são mais considerados, pelo Código Civil de 2002, incapazes, como o eram na legislação anterior (CC/1916). A alternativa “A”, pois, está correta, pois a ausência não é causa de incapacidade absoluta (como também não é de incapacidade relativa). Os menores de dezesseis anos estão catalogados no rol dos absolutamente incapazes (art. 3º, I do CC), de modo que a alternativa “B” está incorreta. Os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade são considerados absolutamente incapazes, de acordo com o art. 3º, III do CC, portanto, a alternativa “C” está incorreta. Os enfermos, que não tiverem o necessário discernimento para a prática de atos da vida civil também são considerados absolutamente incapazes (art. 3º, II do CC). A alternativa “D” está igualmente incorreta. (TRT-9ª. REGIÃO-ANALISTA JUDICIÁRIO) (ADAPTADA) 07. São absolutamente incapazes: a) os maiores de dezesseis anos e os menores de dezoito anos de idade; b) os pródigos; c) os surdos-mudos que não puderem exprimir a sua vontade; d) os silvícolas; e) os menores que colarem grau em curso de ensino superior. COMENTÁRIOS: Os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos são relativamente incapaces (art. 4º, I do CC). A alternativa “A” está incorreta. Os pródigos são considerados relativamente incapaces (art. 4º, IV), estando a alternativa “B” também incorreta. Os surdo-mudos, pelo Código Civil de 1916 (revogado) eram considerados incapazes. Atualmente, na dicção do Código Civil de 2002, nao foram mais considerados como tais, podendo encuadrarse, contudo, na hipótese prevista no art. 4º, III (excepcionais sem desenvolvimento mental completo), dependendo do grau de discernimento que tiverem. A simples surdo-mudez, por si só, não acarreta a incapacidade. Está, pois, incorreta a alternativa “C”. Os silvícolas (índios) estavam previstos no CC/1916 como relativamente incapazes. Atualmente, pelo CC/2002, vigente, nao estão mais submetidos à legislação civil, sendo a questão de sua capacidade submetida à lei especial. Está incorreta a alternativa “D”. A colação de grau do menor em curso de ensino superior, seja em instituicao pública, seja em instituicao de ensino particular, conferelhe a plena capacidade civil. É a chamada emancipacão. O menor, neste caso, torna-se maior, civilmente capaz. A alternativa “E”, por tanto, é a correta. (DELEGADO-POLÍCIA CIVIL-GO-2003) 08. Em tema de morte presumida, é CORRETO afirmar: a) Sem decretação de ausência, não pode ser declarada a morte presumida. b) Somente pode ser declarada a morte presumida após decorridos dois anos da decretação da ausência. c) Se a pessoa estava em perigo de vida, a morte presumida pode ser declarada após um ano da decretação da ausência. d) Pode ser declarada a morte presumida sem a decretação de ausência. COMENTÁRIOS: A aquisição da personalidade civil (aptidão para ser sujeito de direitos e de obrigações na ordem civil) dá-se a partir do nascimento com vida (art. 2º do CC). Cessa a personalidade civil com a morte (art. 6º, 1ª parte do CC). A morte pode ser real (provada pelo Atestado de Óbito), ou presumida, no caso dos ausentes (art. 6º, 2ª parte do CC) ou nas hipóteses previstas no art. 7º, em que não há necessidade de declaração de ausência, mas de justificação judicial, que são: I) se for extremamente provável a morte de quem estava em perigo de vida; II) se alguém, desaparecido em campanha ou feito prisioneiro, não for encontrado até dois anos após o término da guerra. Em ambos os casos do art. 7º, a declaração da morte presumida somente poderá ser requerida (apenas pela via judicial, através de justificação) após o esgotamento das buscas e averiguações, devendo a sentença fixar a data provável do falecimento. Assim, a morte presumida pode se dar: a) pela declaração de ausência; b) nos casos previstos no art. 7º do CC. A alternativa “A” está incorreta porque declara que a mortepresumida somente pode se dar pela ausência. A alternativa “B” está igualmente errada, porque a declaração de morte presumida no caso de ausência não se submete ao prazo de dois anos, bastando que o interessado prove que a pessoa desapareceu de seu domicílio sem deixar notícia, não tendo deixado representante ou procurador para administrar-lhe os bens, ou, tendo deixado, este não queira, não possa exercer o mandato ou se os seus poderes forem insuficientes (art. 22 do CC). O prazo de dois anos só exigido para o caso de morte presumida sem declaração de ausência, na hipótese da pessoa desaparecer em campanha ou for feito prisioneiro, contado do término da guerra. A alternativa “C” também não prevê o prazo de um ano para que seja requerida a morte presumida em caso de extrema probabilidade da morte de quem estava em perigo de vida, exigindo-se tão somente neste caso a cessação das buscas e averiguações. A alternativa “D” é a questão correta, pois nos casos do art. 7º do CC, pode ser decretada a morte presumida sem necessidade de um processo de ausência, mas por simples justificação judicial. (MP-SP-1997) ADAPTADA 09. O negócio jurídico praticado pelo absolutamente incapaz, sem a devida representação, será: a) nulo b) anulável c) nulo se lhe causar prejuízo aparente d) anulável se envolver quantia de relativa monta e) nulo se não houver autorização expressa do juiz, ouvido o Ministério Público. COMENTÁRIOS: A prática de atos da vida civil pelo incapaz, pessoalmente, sem que seja representado, torna o ato praticado nulo, sem nenhum efeito, nao sendo passível de convalidação, confirmação, ratificação, seja pelo representante, seja pelo juiz. A alternativa “A” é a correta. A alternativa “B” está incorreta, porque o ato anulable é aquele praticado pelo relativamente incapaz sem a devida assistência. Os atos anuláveis, contudo, podem ser ratificados, convalidados. A alternativa “C”, embora se refira ao ato nulo, declara necessária a existência de prejuízo, o que nao é exigido pela lei, posto que o prejúizo é presumido, tornando a alternativa incorreta. A alternativa “D” está incorreta porque trata de anulação, caso dos atos dos relativamente incapazes, e ainda porque exige quantia de relativa monta. Nao importa o valor, o ato praticado pelo absolutamente incapaz é nulo. O ato nulo não comporta convalidacão ou confirmação, seja pelo representante, seja pelo juiz, tornando a alternativa “E” incorreta. (ICMS-2000-MS) (ADAPTADA) 10. Os menores de 16 anos, os pródigos, os viciados em tóxicos e os que mesmo por causa transitória, nao puderem exprimir sua vontade, são, respectivamente: A) Relativamente incapazes, absolutamente incapazes, relativamente incapazes e absolutamente incapazes B) Absolutamente incapazes, relativamente incapazes, relativamente incapazes e absolutamente incapazes C) Relativamente incapazes, relativamente incapazes, absolutamente incapazes e relativamente incapazes D)Absolutamente incapazes, absolutamente incapazes, absolutamente incapazes e relativamente incapazes. COMENTÁRIOS: Os menores de dezesseis anos são absolutamente incapazes (art. 3º, I do CC); os pródigos são relativamente incapazes (art. 4º, IV do CC); os toxicômanos são relativamente incapazes (art. 4º, II) e os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade são absolutamente incapazes (art. 4º, III). Portanto, a alternativa correta é a letra “B”. (MP-PROCURADOR FEDERAL-12ª-2003) 11. A Doação feita a nascituro: A) É válida, mas ineficaz; B) É válida, transmitindo desde logo a propriedade do bem doado; C) Fica sujeita a termo; D) Fica sujeita a condição. COMENTÁRIOS: De acordo com o art. 2º do CC/2002, a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida. A partir deste fato biológico, o ser humano adquire personalidade, passando a ser sujeito de direitos e de obrigações na ordem civil. A cessação da personalidade, por seu turno, só ocorre com a morte (real ou presumida) (arts. 6º e 7º do CC). Contudo, a lei protege os eventuais direitos do nascituro. Nascituro é aquele já concebido, que está para nascer. Por isso que, na parte final do art. 2º, dispõe o Código Civil: “mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. Os eventuais direitos que o nascituro venha a receber ficam em estado latente, aguardando o seu nascimento. Assim, pode receber herança, doação, ser reconhecido como filho, antes do nascimento, mas esses atos ficam condicionados ao nascimento com vida. Se nascer com vida, adquirirá os direitos. Se nascer morto (natimorto), não chegou a adquirir personalidade e, portanto, os direitos não lhe são transmitidos. Portanto, a doação feita a nascituro fica sujeita à condição do seu nascimento com vida. A alternativa correta, pois, é a letra “D”. (TRT-9ª. REGIÃO-ANALISTA JUDICIÁRIO) (ADAPTADA) 12. Cessa a incapacidade para os menores: a) pelo exercício de qualquer emprego; b) pelo exercício da empresa; c) pelo estabelecimento civil ou comercial com economia própria pelo menor com mais de dezesseis anos; d) pela união estável, uma vez que a CF/88 a equiparou ao casamento; e) pela colação do 2º grau. COMENTÁRIOS: A incapacidade, regra geral, cessa quando cesarme as causas que lhe deram origem. Assim, por exemplo, se uma pessoa era incapaz em virtude de doença mental, ficando curada, cessa a sua incapacidade. Se era incapaz por ser pródigo, cessa quando cessar a prodigalidade. Para os menores, a incapacidade cessa aos dezoito anos completos, quando este se torna apto para a prática de todos os atos da vida civil (art. 5º, caput do CC). Contudo, a lei civil prevê algumas situacões em que, mesmo antes dos dezoito anos, o menor se torna capaz. É a chamada emancipação, que significa antecipação da maioridade. Os casos de emancipação estão previstos no art. 5º, parágrafo único do Código Civil, e são: I – por concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, por instrumento público, desde que o menor tenha pelo menos dezesseis anos de idade. II – por sentença do juiz, se o menor estiver sob tutela, ouvido o tutor, desde que o menor tenha pelo menos dezesseis anos; III – pelo exercício de emprego público efetivo, o que implica dizer aquele mediante concurso de provas e títulos, o que exclui os empregos temporários, comisionados, etc., não bastando a simples aprovação, exigindo-se o efetivo exercício da funcao pública; IV – pelo casamento, que deverá ser autorizado pelos representantes legais do menor. Celebrado o casamento, o menor se emancipa; V – pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de trabalho, desde que o menor já tenha dezesseis anos e economia própria (auto-sustento); VI – pela colação de grau em curso de ensino superior, seja em instituição pública, seja em instituição particular. Nao é o simples exercício de emprego que emancipa o menor. Deve ser público e efetivo, o que torna incorreta a alternativa “A”. Também não é o simples exercício de empresa que torna o menor emancipado. Ele deve ter, no mínimo, dezesseis anos, e economia própria. A alternativa “B” está igualmente incorreta. O estabelecimento civil ou comercial do menor com mais de dezesseis anos, com economia própria está previsto como causa de emancipação. Portanto, a alternativa “C” está correta. Embora a união estével tenha sido reconhecida pela Constituição Federal como entidade familiar, merecedora de proteção do Estado, esta não tem o condão de promover a emancipação do menor, o que torna incorreta a alternativa “D”. Somente a colação de grau em curso de ensino superior é causa de emancipação. Incorreta, pois, a alternativa “E”. (MAGISTRATURA-SP-174º CONCURSO) (ADAPTADA)13. A emancipação civil, no regime legal ora vigente, (A) é ato exclusivo dos pais, conjuntamente, ou, na falta de um deles, por morte ou interdição, ato do outro genitor, fazendo cessar a incapacidade relativa do filho. (B) quando outorgada pelos pais, ou por um deles, depende de escritura pública. (C) depende sempre de decisão judicial. (D) pode ser outorgada por escritura pública ou particular. COMENTÁRIOS: A emancipação por outorga dos pais, ou do outro, na falta de um deles, não é a única causa de emancipação prevista no Código Civil. Portanto, a alternativa “A” se torna incorreta quando diz que se dá exclusivamente por esta forma. Por outorga dos pais, depende de escritura pública, estando correta a alternativa “B” e incorreta a alternativa “D”. Também a alternativa “C” é incorreta porque nem sempre depende a emancipação de decisão judicial, mas apenas para o menor submetido à tutela. (TRT-9ª. REGIÃO-ANALISTA JUDICIÁRIO) 14. Em relação ao domicílio civil da pessoa natural pode-se afirmar que: a) se a pessoa possui várias residências, nenhuma será considerada seu domicílio; b) muda-se o domicílio com a simples intenção de transferir a residência; c) se a pessoa possui várias residências, todas serão consideradas seus domicílios; d) quando a pessoa não tiver domicílio, considera-se domiciliada na zona eleitoral em que esteja registrada; COMENTÁRIOS: O domicílio é a sede jurídica da pessoa, o lugar onde ela exerce os seus direitos e onde é demandada para o cumprimento de suas obrigações. O art. 70 e ss. do CC vão definir as regras concernentes ao domicílio da pessoa natural. É possível que a pessoa tenha várias residências, onde alternadamente viva, sendo considerado seu domicílio, qualquer delas (art. 71). É a chamada pluralidade domiciliar, que é permitida pela lei civil. A alternativa “A”, portanto, está incorreta. A prova da mudança do domicílio resulta na intenção de mudar. Não basta, pois, apenas a transferência de residência, exigindo a lei (art. 74, caput do CC) o “animus”, a vontade de mudar. Portanto, a alternativa “B” está incorreta. A questão “C” é a correta, pois o art. 71 do CC é claro ao dispor que: “se, porém, a pessoa tiver diversas residências, onde, alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas”. A questão “D” procura confundir o candidato ao tratar do domicílio eleitoral, que não tem qualquer ligação com o domicílio civil da pessoa, já que aquele corresponde ao lugar onde a pessoa exerce os seus direitos de cidadania, onde vota. Portanto, está incorreta a alternativa “D”. (PROCURADOR MUNICIPAL-RECIFE-2003) 15. O advogado A, que reside permanentemente em Olinda, mas mantém escritórios, onde exerce sua profissão, em Recife e Petrolina, tem por domicílio, A) apenas Recife, por ser a Capital do Estado. B) apenas Olinda, onde mantém residência com ânimo definitivo. C) quanto às relações concernentes à profissão neles praticadas, os Municípios de Recife e Petrolina. D) Olinda, Petrolina e Recife para quaisquer relações jurídicas, indistintamente. E) o lugar em que for encontrado, pois se trata de um itinerante. COMENTÁRIOS: O CC/2002 inovou em relação ao diploma civil anterior, pois previu o domicílio profissional, no art. 71, estatuindo que: “É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes à profissão, o lugar onde esta é exercida”. Complementa ainda o parágrafo único do mesmo artigo: “Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um deles constituirá domicílio para as relações que lhe correspondam”. Da própria dicção legal do artigo referido acima, é possível responder à questão proposta. A alternativa “A” está incorreta, pois prevê que o domicílio da pessoa é apenas Recife. Está incorreta também por prever que será Recife o domicílio porque esta é a capital do Estado, previsão que não está contida na lei civil. A alternativa “B” está também incorreta, porque confunde o domicílio voluntário da pessoa, que é o lugar onde ela estabelece a sua residência com ânimo definitivo, com o domicílio profissional, que se refere à pessoa em suas relações profissionais. A questão “C” está integralmente correta, pois como a pessoa exercita sua profissão em Recife e Petrolina, ambos serão seu domicílio profissional no tocante às suas relações profissionais. A alternativa “D” é incorreta, porque Olinda é o domicílio voluntário da pessoa, e Recife e Petrolina são os seus domicílios profissionais. A alternativa “E” está incorreta, pois só será considerado domicílio o lugar onde for encontrada a pessoa se esta não tiver residência habitual, o que não corresponde a proposição hipotética formulada. (CÂMARA MUNICIPAL DE GUARULHOS-SP-PROCURADOR- 2002-VUNESP) 16. Quanto ao domicílio, em nosso sistema legal, (A) uma pessoa pode ter domicílio sem ter residência. (B) o domicílio é todo lugar que a pessoa estabelece sua residência. (C) as mulheres casadas possuem o mesmo domicílio do marido. (D) a pessoa natural tem um único domicílio pela nossa legislação. (E) o funcionário público, no exercício de sua função, não possui domicílio voluntário. COMENTÁRIOS: A lei civil prevê a possibilidade da pessoa ter domicílio sem ter residência, no art. 73, nos seguintes termos: “Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência habitual, o lugar onde for encontrada”. Admite-se, portanto, que seja considerado domicílio da pessoa o lugar onde ela for encontrada, se não tiver residência habitual. É o caso dos itinerantes, viajantes, artistas circenses, ciganos, desde que não possuam residência habitual. A alternativa “A” é a correta. O conceito de domicílio da pessoa natural é encontrado no art. 70 do CC, sendo considerado tal o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. Assim, para o estabelecimento do domicílio, dois elementos devem estar presentes: o elemento objetivo, que é o local onde reside a pessoa, e o elemento subjetivo, que é a intenção, o ânimo de permanecer. Não basta apenas ter residência, portanto. Assim, se por exemplo eu estou em uma determinada cidade, realizando um curso pelo período de três meses, e alugo uma casa para lá ficar durante esse período, esse não será meu domicílio, porque ausente o ânimo de permanecer. A Alternativa “B”, por estar incompleta, já que não se refere ao ânimo de permanecer, está incorreta. Desde a Constituição Federal de 1988, homens e mulheres passaram a ter idênticos direitos e obrigações. Assim, não prevalece mais no Código Civil vigente a idéia de subordinação da mulher ao domicílio do marido. O domicílio de um, ou de outro, é o do casal. A alternativa “C” está, portanto, incorreta. A lei civil admite a pluralidade domiciliar, consistente na pessoa ter vários domicílios, se tiver várias residências onde alternadamente viva. Incorreta a alternativa “D”. O domicílio do funcionário público, para as relações concernentes à sua função, é o lugar onde permanentemente exercer tal função (art. 76). Este é o chamado domicílio legal ou necessário, porque imposto pela lei. Contudo, para as demais relações jurídicas, que não digam respeito à sua função de servidor público, não há qualquer impedimento legal que a pessoa tenha domicílio voluntário. A alternativa “E” está incorreta. (IPEM-AP) 17. A pessoa abaixo tem domicílio necessário, exceto: (A) o incapaz. (B) a pessoa que exercita a profissão em lugares diferentes. (C) o marítimo. (D) o preso. (E) o funcionário público. COMENTÁRIOS: O domicílio legal, ou necessário, é aquele imposto por lei a determinadas pessoas. As hipóteses estão previstas no art. 76 do CC. O incapaz possui domicílio necessário, que é o de seu representantelegal. A alternativa “A” está, pois, incorreta. A alternativa “B” prevê o chamado domicílio profissional, que é uma espécie de domicílio voluntário, sendo como tal considerado, para as relações atinentes à profissão, cada lugar onde esta é exercida. Como a questão pede a alternativa que não contempla hipótese de domicílio necessário, está é a correta. O marítimo, preso e o funcionário público também possuem domicílio necessário, que são, respectivamente, o lugar onde o navio estiver matriculado, o lugar onde cumpre a sentença, e o lugar onde exerce permanentemente as suas funções, tornando incorretas as alternativas “C”, “D” e “E”. (OAB-RJ-MARÇO/1999) 18. Assinale a única resposta certa: 1- Quanto ao domicílio civil da pessoa natural podemos dizer que: (a) Não há qualquer distinção jurídica entre domicílio e residência. (b) Domicílio é o lugar do trabalho, portanto diferente de residência. (c) É o lugar onde a pessoa estabelece a sua residência com ânimo definitivo. (d) É o lugar onde a pessoa reside temporariamente. COMENTÁRIOS: Há distinção, sim, entre domicílio e residência. A residência é o lugar de morada, onde a pessoa habita. Para que esta seja considerada domicílio, há que ser acrescentado o elemento psíquico ou subjetivo: o ânimo de permanecer. Estão incorretas as alternativa “A” e “D”, e correta a alternativa “C”. O lugar onde a pessoa exerce a sua profissão é o chamado domicílio profissional, onde responderá pelas relações jurídicas a ela concernentes. É diferente de residência, que é o lugar onde a pessoa habita, mas não existe apenas o domicílio profissional, sendo certo que existe também o domicílio voluntário, tornando incorreta a alternativa “B”. (OAB/SP/125º/2005) 19. O domicílio, como consagrado pelo Código Civil, A) é único e consiste no local em que a pessoa estabelece residência com ânimo definitivo. B) é único e consiste no centro de ocupação habitual da pessoa natural. C) é considerado o local onde a pessoa exerce sua profissão. Se a pessoa exercer a profissão em locais diversos, deverá indicar um local específico para todas as relações correspondentes. D) pode ser plural, desde que a pessoa tenha diversas residências onde alternadamente viva. COMENTÁRIOS: A lei civil admite a pluralidade domiciliar, quando a pessoa tiver várias residências onde alternadamente viva, sendo considerado seu domicílio, neste caso, qualquer delas. As alternativas “A” e “B”, portanto, estão incorretas, e a “D” correta. O domicílio profissional é o lugar onde a pessoa exerce a sua profissão, e se esta exercer as suas atividades profissionais em diversos lugares, cada um deles será considerado domicílio para as relações que lhe correspondam. A alternativa “C” está incorreta porque não exige a lei que a pessoa escolha apenas um deles. (MP-RN) (ADAPTADA) 20. Em sua parte geral o Código Civil Brasileiro divide as pessoas entre naturais e jurídicas. A propósito desse tema, julgue as afirmações seguintes atribuindo-lhes V (verdadeiro) ou F (falso), assinalando a alternativa que contenha a seqüência correta: I – os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem a necessária prática para os atos da vida civil, os menores de 16 (dezesseis) anos e os que, ainda por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade são considerados absolutamente incapazes para exercer pessoalmente os atos da vida civil; II – os pródigos, os ébrios habituais e os ausentes declarados por ato judicial são considerados relativamente incapazes a praticar certos atos da vida civil; III – as empresas públicas são pessoas jurídicas de direito público, enquanto que as sociedades de economia mista e as fundações são pessoas jurídicas de direito privado; IV – as pessoas jurídicas têm finda a sua existência pela dissolução, que pode ocorrer em virtude de ato do Governo; V – são pessoas jurídicas de direito público a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e os Partidos Políticos. A) V V F V V B) V F F V F C) F V V F F D) F V F F F E) V F V F V COMENTÁRIOS: São casos de incapacidade absoluta o do enfermo ou deficiente mental que não tenha discernimento para a prática dos atos civis, o do menor de dezesseis anos, e os que, ainda que por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade. Portanto, a afirmativa I é verdadeira. Os pródigos e os ébrios habituais são relativamente incapazes, mas os ausentes não estão mais arrolados no CC/2002 como incapazes, de modo que o item II é falso. As empresas públicas são pessoas jurídicas cuja criação é autorizada por lei, com capital exclusivamente público, para a exploração de atividade econômica, tendo personalidade jurídica de direito privado. Também as sociedades de economia mista são pessoas jurídicas com personalidade de direito privado, cuja criação é autorizada por lei, para a exploração de atividade econômica sob a forma de S/A, com capital público e de particulares. As fundações, se forem criadas por lei, com patrimônio inteiramente público, detêm personalidade jurídica de direito público, enquanto que as fundações criadas com patrimônio de particulares é de direito privado. O item III é falso. Uma das formas de extinção das pessoas jurídicas é pela dissolução, que pode ocorrer por ato administrativo, como p.e., a cassação da autorização para funcionar. A afirmativa IV é verdadeira. As pessoas jurídicas de direito público podem ser: de direito externo, que são os países estrangeiros e as entidades internacionais (ONU, OMS, OIT, etc.), regidos pelo direito internacional público, e de direito interno, que são a União, os Estados, o Distrito Federal, os territórios e os municípios, pertencentes à Administração Direta, e as autarquias e fundações públicas, pertencentes à Administração Indireta. A Lei 10.825/2003, alterou o art. 44 do Código Civil de 2002, acrescentando às pessoas jurídicas de direito privado os partidos políticos. A afirmativa V é falsa, pois os partidos políticos têm personalidade jurídica de direito privado. A alternativa correta, portanto, é a letra “B”. (OAB-RO-35º CONCURSO) 21. Quais dos motivos abaixo não é causa de cessação da incapacidade civil para os menores. Aponte-o: a) O nascimento da prole. b) O casamento. c) O estabelecimento comercial com economia própria. d) O exercício do emprego público efetivo. COMENTÁRIOS: O casamento, o estabelecimento comercial com economia própria e o exercício de emprego público efetivo estão elencados como causa de emancipação no art. 5º do CC. Apenas o nascimento da prole não é previsto como hipótese de cessação da incapacidade dos menores. A alternativa correta, portanto, é a letra “A”. (PROCURADORIA/DF/2004) 22. Quanto aos direitos de personalidade, pode-se afirmar: A) é vedado, seja qual for a hipótese, à pessoa juridicamente capaz, dispor gratuitamente de tecidos, órgãos e partes do próprio corpo vivo, pois os direitos de personalidade, entre os quais se pode citar a integridade física, são irrenunciáveis. B) é viável a utilização, por terceiro, da imagem de uma pessoa, desde que tal uso não lhe atinja a honra, a boa fama ou a respeitabilidade, ou se destine a fins comerciais. C) os direitos de personalidade, além de irrenunciáveis, não admitem limitações voluntárias, razão pela qual o Ordenamento Jurídico Pátrio permite que um filho, seja ele capaz ou incapaz, seja reconhecido pelo verdadeiro pai ainda que não almeje tal reconhecimento. D) embora o nome de uma pessoa goze de proteção legal, o mesmo não se dá quanto ao pseudômino utilizado em atividades lícitas. E) apenas o titular do direito de personalidade pode exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas edanos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei, sendo vedado a qualquer outra pessoa levar a efeito tais medidas, ainda que o titular do direito de personalidade já tenha falecido. COMENTÁRIOS: Um dos direitos de personalidade previstos no CC/2002 é o direito de dispor do próprio corpo. Contudo, tal direito se submete a limitações estabelecidas pela própria lei civil, que no art. 13 proíbe o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. Essa restrição, contudo, encontra temperamentos, pois o parágrafo único do art. 13 permite o ato para fins de transplante, na forma estabelecida em lei (Lei 9.434/97). Complementando, o art. 14 legitima a disposição do próprio corpo, no todo ou em parte, desde que com objetivo científico ou altruístico, para depois da morte. Assim, é permitida a disposição para fins de transplante, desde que gratuitamente, assim como também se permite a doação “post mortem”. A alternativa “A”, portanto, está incorreta, porque fala que é vedada, em qualquer hipótese, já que a própria lei contém exceções. Um outro direito de personalidade tratado no Código Civil é o direito à imagem, previsto no art. 20. Salvo as exceções legais, a imagem de uma pessoa só pode ser utilizada por terceiro para fins comerciais havendo autorização do titular, e se não lhe atingir a honra, a boa fama ou a respeitabilidade. Está correta a alternativa “B”. Os direitos de personalidade caracterizam-se pela irrenunciabilidade, intransmissibilidade e pela impossibilidade de limitação voluntária,. Contudo, o art. 20 faz a ressalva: “Com exceção dos casos previstos em lei”. Portanto, a própria lei permite a limitação voluntária aos direitos de personalidade, como é o caso do filho maior de idade, que pode opor-se ao reconhecimento pelo pai. Incorreta, portanto, a alternativa “C”. Assim como o nome, o pseudônimo de uma pessoa é igualmente protegido, desde que utilizado em atividades lícitas, como prevê o art. 19. Incorreta, com efeito, a alternativa “D”. A proteção aos direitos de personalidade dá-se, a princípio, pelo próprio titular do direito ofendido, mas a lei civil legitima também, em se tratando de morto ou ausente, que a proteção contra ameaça ou agressão a direito de personalidade do falecido ou ausente seja requerida pelo “cônjuge sobrevivente, ou qualquer parente em linha reta, ou colateral até o 4º grau” (art. 12, parágrafo único). A alternativa “E” está incorreta. 23. (DELEGADO-POLÍCIA CIVIL-GO-2003) O novo Código Civil preceitua no seu art. 12, que “se pode exigir que cesse a ameaça ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”. Em caso de morte, tem legitimação para requerer a medida prevista no artigo citado: a) o cônjuge sobrevivente e os demais descendentes. b) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até o terceiro grau. c) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e colateral até quarto grau. d) o cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta e o colateral em segundo grau. COMENTÁRIOS: A legitimação para requerer a proteção aos direitos de personalidade de pessoa já falecida ou ausente é estendida ao cônjuge sobrevivente, qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quatro grau, como prevê o art. 20, parágrafo único do Código Civil. A alternativa correta, portanto, é a letra “C”. (PROMOTOR DE JUSTIÇA/MA/2004 24. Assinale a alternativa incorreta. A) Serão registrados em registro público: I - os nascimentos, casamentos e óbitos; II - a emancipação por outorga dos pais ou por sentença do juiz; III - a interdição por incapacidade absoluta ou relativa; IV - a sentença declaratória de ausência e de morte presumida. B) Com exceção dos casos previstos em lei, os direitos da personalidade são transmissíveis e irrenunciáveis, podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. C) Pode-se exigir que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito da personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei. D) Salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes. E) Toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome. COMENTÁRIOS: O art. 9º do CC contempla as hipóteses de registro, indicadas corretamente na alternativa “A”. O art. 11 do CC prevê que os direitos de personalidade, salvo nas exceções legais, são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária. A alternativa incorreta, a ser marcada, é a “B”. Os direitos de personalidade gozam de proteção jurídica na medida em que o art. 12 autoriza que se requeira “que cesse a ameaça, ou a lesão, a direito de personalidade, e reclamar perdas e danos, sem prejuízo de outras sanções previstas em lei”. Correta está a alternativa “C”. O art. 13 prevê que “salvo por exigência médica, é defeso o ato de disposição do próprio corpo, quando importar diminuição permanente da integridade física, ou contrariar os bons costumes”, correspondendo à hipótese da letra “D”, que está correta. Ao dispor sobre o direito ao nome, como espécie de direito de personalidade, o art. 12 do CC estabelece que “toda pessoa tem direito ao nome, nele compreendidos o prenome e o sobrenome”. A alternativa “E”, pois, está correta. (ADVOGADO-ELETRONORTE-2005) 25. A Parte Geral do Código Civil normatiza os Direitos da Personalidade em capítulo próprio. Quanto a esses direitos, é correto afirmar que: A) a exigência de cessar ameaça ou lesão aos Direitos da Personalidade somente é concebível com referência a pessoa viva; B) são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária, salvo previsão legal; C) é válida a disposição onerosa do próprio corpo, no todo ou em parte, para depois da morte; D) o nome da pessoa não pode ser empregado por outrem em publicações que a exponham ao desprezo público, salvo ausência de intenção difamatória; E) ninguém pode ser constrangido a submeter-se a intervenção cirúrgica, salvo com risco de vida. COMENTÁRIOS: O direito de exigir que cesse a ameaça ou lesão a direito de personalidade, em se tratando de morto ou ausente, transmite-se ao cônjuge sobrevivente ou a qualquer parente em linha reta, ou colateral até o quatro grau. A alternativa “A” está incorreta. Os direitos de personalidade, regra geral, são intransmissíveis e irrenunciáveis, não podendo o seu exercício sofrer limitação voluntária, salvo nos casos excepcionados por lei (art. 11 do CC). A alternativa “B” está correta. A disposição do próprio corpo, post mortem, só é válida se feita gratuitamente (art. 14, caput, do CC), tornando incorreta a alternativa “C”. O nome de uma pessoa não pode ser usado por terceiros em publicações que a exponham ao desprezo público, ainda que não haja intenção difamatória. (art. 17 do CC). A alternativa “D” está incorreta. Ninguém pode ser obrigado a se submeter a tratamento médico ou intervenção cirúrgica, ainda que com risco de vida. (art. 15 do CC). A alternativa “E” está incorreta. (VUNESP)(TRF-ANALISTA JUDICIÁRIO-EXECUÇÃO DE MANDADOS-CE) 26. Os Territórios Federais integram: (A) a União. (B) os Estados. (C) os Municípios. (D) as Capitais dos Estados. (E) a Capital Federal. COMENTÁRIOS: Os territórios federais são previstos no Código Civil (art. 41, II) como pessoas jurídicas de direito público. Integram a União, sendo considerados como autarquias desta. A alternativa correta é, pois, a “A”. (OAB/SP/125º/2005)27. No que diz respeito às pessoas jurídicas, é INCORRETO afirmar: A) As pessoas jurídicas de direito público são civilmente responsáveis pelos atos de seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo. B) Começa a existência legal das pessoas jurídicas de direito público com a inscrição do ato constitutivo no registro pertinente, decaindo em cinco anos o direito do particular interessado pleitear a anulação de seus atos constitutivos. C) São pessoas jurídicas de direito público externo os Estados estrangeiros e todas as pessoas que forem regidas pelo direito internacional público. D) Obrigam a pessoa jurídica os atos dos administradores, exercidos nos limites de seus poderes definidos no ato constitutivo. COMENTÁRIOS: A responsabilidade civil objetiva das pessoas jurídicas de direito público já estava prevista na Constituição Federal de 1988 (art. 37, § 6º), tendo sido reproduzida no CC de 2002, no art. 43, que prevê: “as pessoas jurídicas de direito público interno são civilmente responsáveis por atos dos seus agentes que nessa qualidade causem danos a terceiros, ressalvado direito regressivo contra os causadores do dano, se houver, por parte destes, culpa ou dolo”. A alternativa “A” está correta. As pessoas jurídicas de direito público são criadas por lei, a partir de quando adquirem personalidade jurídica. O registro do ato constitutivo no órgão competente, para a aquisição da personalidade jurídica, é exigido apenas para as pessoas jurídicas de direito privado (art. 45 do CC). No caso destas, o prazo decadencial para se pleitear a anulação do ato constitutivo é de três anos (art. 45, parágrafo único do CC). A alternativa “B” está integralmente incorreta, devendo ser a assinalada. As pessoas jurídicas de direito público externo estão previstas no art. 42 do CC, e são os Estados estrangeiros e as demais pessoas que forem regidas pelo Direito Internacional Público. A alternativa “C” está correta. Os atos praticados pelos administradores de pessoa jurídica, desde que exercido dentro dos limites conferidos pelo ato constitutivo obrigam a pessoa jurídica. Esta só não será responsabilizada se o administrador exorbitar de seus poderes, caso em que este responderá pessoalmente pelos atos praticados. A alternativa “D” está correta. (ESAF/AFTN/98) 28. O Instituto Nacional do Seguro Social - INSS é a) pessoa jurídica de direito público interno de administração indireta b) pessoa jurídica de direito público interno de administração direta c) associação d) pessoa jurídica de direito privado e) fundação particular COMENTÁRIOS: As pessoas jurídicas de direito público interno subdividem-se em: da administração direta e da administração indireta. São da administração direta: a União, os Estados, o Distrito Federal, os Territórios e os Municípios. Da administração indireta fazem parte as autarquias e demais entidades de caráter público criadas por lei. O INSS é uma autarquia, que caracteriza-se por ser pessoa jurídica de direito público interno, da administração indireta, criada por lei, com capital e patrimônio exclusivamente do Estado, para a execução de serviços públicos típicos, outorgados pelo Estado, com capacidade de auto governo e orçamento próprio. A alternativa correta é a letra “A”. (CESPE/TCU/95) (ADAPTADA) 29. Há pessoas jurídicas no Direito brasileiro: (1) que não são uma unidade de pessoas naturais, com vistas à consecução de certos objetivos, reconhecidas pela ordem jurídica como sujeitos de direitos e de obrigações. (2) que, assim como as pessoas físicas, possuem nacionalidade e domicílio. (3) cuja personalidade não se adquire com o registro público de seus atos constitutivos. (4) que, assim como as pessoas físicas, estão sujeitas a morte natural. COMENTÁRIOS: A questão exige que se analise cada alternativa, atribuindo C ou E para cada uma delas. As pessoas jurídicas são doutrinariamente classificadas, quanto à sua estrutura, em universitas personarum (união de pessoas para a consecução de finalidades comuns) ou universitas bonorum (união de bens, de patrimônio). As fundações fazem parte desta última categoria, já que é pessoa jurídica composta pela organização de um patrimônio instituído com destinação específica. É pois, um acervo de bens, e não uma união de pessoas. Assim, o item 1 está certo, pois há determinadas pessoas jurídicas que não constituem uma união de pessoas, e sim um acervo de bens. As pessoas jurídicas, assim como as pessoas naturais, possuem domicílio e nacionalidade, tornando certo o item 2. As pessoas jurídicas de direito público são criadas por lei, a partir de quando passam a ter personalidade jurídica. O registro do ato constitutivo no órgão competente é exigido para as pessoas jurídicas de direito privado. Certo o item 3. A existência da pessoa natural termina com a morte (real ou presumida). Os fatores que fazem cessar a existência da pessoa jurídica são outros, tais como pela vontade dos membros, por lei, pela dissolução judicial, pelo término do prazo de duração quando constituída por prazo determinado, etc. O item 4 está errado. (OAB-RO-36º CONCURSO) 30. Marque a alternativa INCORRETA. Quanto às pessoas jurídicas, o domicílio é: a) Da União, o Distrito Federal; b) Dos Estados e Territórios, a sede da Procuradoria; c) Do município, o lugar onde funcione a administração municipal; e, d) Das demais pessoas jurídicas, o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos. COMENTÁRIOS: Assim como as pessoas naturais, as pessoas jurídicas também possuem domicílio. Como são sujeitos de direitos e obrigações, o domicílio será o lugar onde irá exercer tais direitos e responder por suas obrigações. No caso da União, o seu domicílio é o Distrito Federal (art. 75, I do CC). Correta a alternativa “A”. O domicílio dos municípios é o lugar onde funciona a administração municipal (art. 75, III). Correta a alternativa “C”. O domicílio das demais pessoas jurídicas, segundo o art. 75, IV, é o lugar onde funcionarem as respectivas diretorias e administrações, ou onde elegerem domicílio especial no seu estatuto ou atos constitutivos, e, ainda segundo o § 1º do art. 75, em caso da pessoa jurídica ter vários estabelecimentos em lugares diversos, cada um deles será considerado domicílio para os atos neles praticados. Correta a alternativa “D”. O domicílio dos Estados e Territórios são as respectivas capitais, e não a sede da Procuradoria. A alternativa “B”, pois, é a incorreta, a ser assinalada. (OAB-RO-34º CONCURSO) 31. Acerca da desconsideração da personalidade da pessoa jurídica, analise a opção incorreta. A - é admitida em nosso ordenamento jurídico. B - tem natureza objetivista. C - o Código Civil de 1916 não tratava expressamente do tema. D - o Juiz, ante a caracterização do desvio de finalidade, pode decidir de ofício. COMENTÁRIOS: A partir da aquisição da personalidade jurídica, esta passa a ser pessoa distinta das pessoas dos membros que a compõem, havendo, inclusive, separação patrimonial. Assim é que, regra geral, pelas dívidas da pessoa jurídica o próprio patrimônio desta é que irá responder, e não o patrimônio pessoal das pessoas naturais que a compõem. O patrimônio da pessoa jurídica e das pessoas naturais que a compõem não se confunde. Este, pois, o principal efeito decorrente da personalidade civil da pessoa jurídica. Em algumas situações extremas, contudo, permite-se que os efeitos de certas obrigações da pessoa jurídica sejam estendidos aos bens particulares dosseus sócios ou administradores. É a chamada desconsideração da personalidade jurídica. Esse instituto teve origem no ordenamento jurídico pátrio no Código de Defesa do Consumidor (art. 28) que permitiu a desconsideração da pessoa jurídica quando esta esteja sendo utilizada em prejuízo do consumidor. O CC de 1916 não previu idêntico dispositivo, tendo sido este implementado, originariamente, no Código Civil de 2002 (art. 50). É portanto, admitida em nosso ordenamento jurídico. Corretas as alternativas “A” e “C”. Tem natureza objetiva, porque independe de comprovação de má-fé, estando igualmente correta a alternativa “D”. Contudo, a sua declaração pelo juiz não pode ser feita de ofício, sem provocação da parte interessada, dependendo de requerimento da parte ou do Ministério Público, quando lhe couber intervir no processo, estando incorreta a alternativa “D”, que deve ser assinalada. (PROCURADORIA ESTADUAL/PE/2004) 32. A desconsideração da pessoa jurídica, para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens de seus administradores ou sócios, é ato: A) privativo do Juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, se caracterizado desvio de finalidade ou ocorrer confusão patrimonial. B) que o Juiz pode praticar de ofício, sempre que houver encerramento irregular do estabelecimento comercial a fim de que os credores privilegiados recebam seus créditos. C) que pode ser praticado de ofício pela autoridade administrativa ou pelo Juiz, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, se caracterizado desvio de finalidade ou se verificar confusão patrimonial. D) privativo do Ministério Público, se verificada fraude contra credores, a requerimento dos credores privilegiados. E) que pode ser praticado pelo Juiz, por qualquer autoridade administrativa ou pelo Ministério Público, sempre que se verificar abuso da personalidade da pessoa jurídica em proveito de seus administradores ou sócios, com prejuízo para os credores em virtude de decretação de falência ou insolvência. COMENTÁRIOS: O art. 50 do CC dispõe que: “Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica”. A desconsideração da personalidade jurídica é, portanto, ato exclusivo do juiz, mas depende de requerimento da parte ou do MP, se caracterizado o desvio de finalidade ou confusão patrimonial, estando correta a alternativa “A” e incorretas todas as demais, porque nelas existe a errônea previsão de outros legitimados para decretar a desconsideração. (MINISTÉRIO PÚBLICO-RS-LX CONCURSO) 33. Assinale a alternativa CORRETA: (A) Os estatutos da fundação podem ser reformados, desde que a reforma seja deliberada pela maioria simples daqueles que detêm o poder de gestão e representação da entidade e que ocorra a subseqüente aprovação do Ministério Público. (B) Uma vez materializada a dotação por ato "inter vivos" ou por ato "causa mortis”, não se admite a revogabilidade da instituição. (C) A fundação pode nascer de um ato "causa mortis", qualquer que seja a modalidade de testamento (público, cerrado ou particular) usada pelo instituidor. (D) A minoria vencida na modificação dos estatutos poderá, dentro de um ano, promover a extinção judicial da fundação. (E) Verificado ser nociva, ou impossível, a mantença de uma fundação, ou vencido o prazo de sua existência, o patrimônio, salvo disposição em contrário no ato constitutivo ou nos estatutos, será restituído ao instituidor ou seus herdeiros. COMENTÁRIOS: A fundacão privada pode ser criada por escritura pública ou por testamento. A lei não faz exigência quanto à modalidade deste, o que implica dizer que o testamento pode ser público, particular ou cerrado. Correta a alternativa “C”. Se a constituição da fundação se der por ato inter vivos – escritura pública – não pode haver revogação, prevendo o art. 64 do CC, inclusive, que o instituidor é obrigado a transferir a propriedade dos bens sob pena de, não o fazendo, serem registrados em nome da fundação por determinação judicial. Se instituída por testamento, o ato de liberalidade mortis causa pode ser revogado a qualquer tempo. Incorreta a alternativa “B”. Para que ocorra a alteração no estatuto da fundação, mister que a reforma seja deliberada por 2/3 dos componentes para gerir e representar a fundação; não contrarie ou desvirtue as suas finalidades institucionais; seja aprovada pelo MP ou, caso haja denegação deste, por suprimento judicial, a requerimento do interessado (art. 67 do CC). Incorreta a alternativa “A”. A minoria vencida na reforma do estatuto da fundação poderá impugná-la em 10 (dez) dias após a sua ciência da aprovação (art. 68 do CC). Incorreta a alternativa “D”. Em caso de extinção da fundação, o seu patrimônio será incorporado, salvo disposição em contrário no próprio ato constitutivo, ou no estatuto, em outra fundação, designada pelo juiz, que se proponha a fim igual ou semelhante (art. 69 do CC). Incorreta a alternativa “E”. 34. Têm personalidade jurídica privada: (A))as sociedades de economia mista e os partidos políticos. (B) o condomínio em edificações e a sociedade de fato. (C) as autarquias e as fundações. (D) as empresas públicas e as autarquias. (E) o condomínio regulado pelo Código Civil e as fundações instituídas por pessoa física mediante escritura pública. COMENTÁRIOS: O condomínio não é considerado pela lei pessoa jurídica, detendo apenas legitimidade processual. As sociedades de fato, por nao registrarem os seus atos constitutivos no órgão competente, não têm personalidade jurídica. Incorreta a alternativa “B”. As autarquias são pessoas jurídicas de direito público. Incorreta a alternativa “C”. As empresas públicas têm personalidade jurídica de direito privado, as não as autarquias. Incorreta a alternativa “D”. As fundações instituídas por particular mediante escritura pública tem personalidade jurídica de direito privado, mas não o condomínio, que não é considerado pessoa jurídica pela lei. Incorreta a alternativa “E”. As sociedades de economia mista são pessoas jurídicas de direito privado, assim como os partidos políticos. Correta a alternativa “A”. (CESGRANRIO-ANALISTA TÉCNICO JURÍDICO-SECAD-TO- 2004) 35. Assinale a opção que apresenta pessoa jurídica de direito privado. (A) Organização das Nações Unidas. (B) INSS. (C) Partidos Políticos. (D) Estados. (E) Autarquias. COMENTÁRIOS: O art. 42 do CC declara que são pessoas jurídicas de direito público externo os países estrangeiros e as demais pessoas jurídicas que forem regidas pelo Direito Internacional Público. A ONU, portanto, é pessoa jurídica de Direito Público Externo. Incorreta a alternativa “A”. O INSS é pessoa jurídica de direito público interno da administração indireta, sendo uma autarquia federal. Incorreta a alternativa “B”. A Lei 10823/2003 acrescentou o inc. V ao art. 41 do Código Civil, para incluir os partidos políticos dentre as pessoas jurídicas de Direito Privado. Correta a alternativa “C”. Os Estados são pessoas jurídicas de direito público interno da administração direta (art. 41, II do CC). Incorreta a alternativa “D”. As autarquias são pessoas jurídicas de direito público interno da administração indireta (art. 41, IV do CC). Incorreta a alternativa “E”. (DELEGADO DE POLÍCIA/MG/2001) (ADAPTADA) 36. Assinale aopção correta. A) as associações de utilidade pública e as fundações são pessoas de direito público interno. B) a sociedade simples é pessoa jurídica de direito público interno e sua existência legal começa com seu registro na Junta Comercial. C) a sociedade simples é pessoa jurídica de direito público interno e sua existência legal começa com o seu cadastramento na repartição fiscal. D) a sociedade simples é pessoa jurídica de direito privado e sua existência legal começa com a integralização de seu capital. E) a sociedade civil é pessoa jurídica de direito privado e sua existência legal começa com registro de seu ato constitutivo no registro que lhe é peculiar. COMENTÁRIOS: As associações e fundações são pessoas jurídicas de direito privado, como prevê o art. 44, I e III do CC. Incorreta a alternativa “A”. As sociedades (simples e empresárias) são pessoas jurídicas de direito privado (art. 44, II do CC). No caso das sociedades simples, a aquisição de sua personalidade dá-se através do registro no órgão competente (art. 45 do CC), quando passa a existir legalmente. Portanto, incorretas as alternativas “B”, “C” e “D”. O registro na Junta Comercial só é exigido para as sociedades empresárias. A alternativa “E” está integralmente correta. (DELEGADO DE POLÍCIA/MG/2001) (ADAPTADA) 37. Assinale a opção correta. A Fundação: A) só pode ser criada por lei. B) só pode ser criada através de contrato firmado entre os interessados. C) pode ser criada através de escritura pública, devendo o seu instituidor especificar o fim a que se destina e a maneira de administrá-la. D) pode ser criada através de escritura pública ou testamento, devendo o seu instituidor especificar o fim a que se destina e a maneira de administrá-la. E) pode ser criada através de escritura pública ou testamento, devendo seu instituidor especificar o fim a que se destina, e declarar, se quiser, a maneira de administrá-la. COMENTÁRIOS: A fundação privada pode ser criada por escritura pública ou por testamento (art. 62, 1ª parte, do CC). Portanto, incorretas as alternativas “A” e “B”. No ato constitutivo, o instituidor deverá especificar o fim a que se destina, mas é facultativa a indicação do modo de administrá-la (art. 62, 2ª parte, do CC). Incorretas as alternativas “C” e “D” e correta a alternativa “E”. AULA 2 : DOS BENS (AnalistaJudiciário/5º Reg.TRT/06/2003) 01. Quanto aos bens considerados em si mesmos, têm-se como certo que: A) os acréscimos ou melhoramentos sobrevindos ao bem sem intervenção do proprietário consideram-se também benfeitorias. B) as ações que asseguram os direitos reais sobre imóveis são consideradas bens móveis. C) os materiais provenientes da demolição de prédios mantêm sua condição de bens imóveis. D) enquanto não separados do bem principal, os frutos e produtos não podem ser objeto de negócio jurídico. E) as energias que tenham valor econômico são consideradas bens móveis. COMENTÁRIOS: Benfeitorias é espécie de bem acessório que consiste são obras ou despesas realizadas no bem, para conservá-lo ou evitar que se deteriore (necessárias), para aumentar ou facilitar o seu uso (úteis) ou para simples deleite ou embelezamento (voluptuárias). O CC não considera benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos advindos ao bem sem intervenção do proprietário, possuidor ou detentor (art. 97). A alternativa “A” está incorreta. De acordo com o art. 80, I do CC, as ações que asseguram direitos reais sobre imóveis são consideradas igualmente imóveis para efeitos legais. Incorreta a alternativa “B”. Tudo que adere ao imóvel, enquanto assim permanecer, será também considerado imóvel. Assim as telhas, os tijolos, as janelas, etc. Perdem essa qualidade os materiais provenientes da demolição de algum prédio, que readquirem o caráter de móveis por antecipação (art. 84). Incorreta a alternativa “C”. Embora os frutos e produtos sejam considerados bens acessórios em relação ao principal, e ter aplicação a regra de que o acessório segue o principal, não há impedimento na lei na sua alienação em separado. Incorreta, portanto, a alternativa “D”. De acordo com o art. 83, I, as energias que tenham valor econômico (ex. energia elétrica) são consideradas móveis para efeitos legais. Correta está a alternativa “E”. (Analista Judiciário/4º Reg/2004) 02. Consideram-se, dentre outros, bens imóveis para os efeitos legais: A) tijolos, azulejos e pisos provenientes da demolição de algum prédio. B) telhas provisoriamente retiradas de um prédio para nele se reempregarem. C) energias que tenham valor econômico. D) direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações. E) direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes. COMENTÁRIOS: Os materiais provenientes da demolição de algum prédio perdem a qualidade de imóveis e adquirem a natureza de móveis por antecipação (art. 84). Incorreta a alternativa “A”. Não perdem o caráter de imóveis os materiais provisoriamente separados de um prédio para nele se reempregarem (art. 81, II). São os chamados imóveis por acessão física artificial. Contudo, a alternativa “B” está incorreta não porque as telhas não sejam imóveis, mas porque a classificação foi errônea, já que estas não são consideradas imóveis para os efeitos legais. Segundo o art. 83, I, as energias que tenham valor econômico são consideradas móveis para efeitos legais. Incorreta a alternativa “C”. Os direitos pessoais de caráter patrimonial e as respectivas ações (ex. direitos autorais, propriedade industrial, patentes de invenção, ações das companhias e quotas de sociedade) são considerados bens móveis para efeitos legais (art. 83, III). Incorreta a alternativa “D”. O art. 80, I considera imóveis para efeitos legais os direitos reais sobre os imóveis e as ações que lhe correspondam. A alternativa “E” é a correta. (Analista Judiciário/4ºReg./TRT/01) (ADAPTADA) 03. Para os efeitos legais, é considerado bem móvel: A) o direito à sucessão aberta. B) o direito pessoal sobre bem imóvel. C) o penhor agrícola ou industrial. D) o direito real sobre objeto móvel. COMENTÁRIOS: O direito à sucessão aberta (herança) é considerado imóvel para efeitos legais (art. 80, II), ainda que a herança seja constituída de bens móveis. Incorreta a alternativa “A”. Os direitos sobre bens imóveis e as ações que o asseguram são considerados bens imóveis para efeitos legais (art. 80, I). Incorreta a alternativa “B”. Embora o penhor seja móvel, porque o CC, art. II prevê que os direitos reais sobre objetos móveis (no qual está incluído o penhor) e as ações correspondentes, por lei o penhor agrícola ou industrial sujeitam-se à hipoteca, sendo equiparados aos imóveis. Incorreta a alternativa “C”. Os direitos reais sobre objetos móveis e as ações que lhes asseguram são considerados móveis para efeitos legais (art. 83, II). Correta a alternativa “D”. (Analista Judiciário/TRE/BA/ÁreaJudiciária//2003) 04. NÃO é bem imóvel: A) bem fungível. B) direito à sucessão aberta. C) aquele que for incorporado naturalmente ao solo. D) direito real sobre imóvel. E) aquele que for incorporado artificialmente ao solo. COMENTÁRIOS: Os bens fungíveis são aqueles que podem ser substituídos por outro, da mesma espécie, qualidade e quantidade (art. 85). A fungigilidade é atributo dos bens móveis. Isso implica dizer que todos os imóveis são infungíveis. Não existe bem imóvel fungível. Os móveis é que podem ser fungíveis ou infungíveis. Assim, a alternativa “A” é a correta. O direito à sucessão aberta, de acordo com o art. 80, II, é bem imóvel para efeitos legais. Incorreta a alternativa “B”. Tudo que se incorporar ao solo, natural ou artificialmente, é consideradobem imóvel (art. 79). Incorretas as alternativas “C” e “E”. Os direitos reais sobre imóveis são igualmente imóveis, para efeitos legais (art. 80, I). Incorreta a alternativa “D”. (Analista Judiciário/4º Reg/2004) 05. Em razão de obras de restauração de uma igreja, foram cuidadosamente retirados da parede azulejos portugueses do Século XVIII, para tratamento da umidade e posterior recolocação. Durante as obras, enquanto separados do prédio da igreja, tais azulejos são bens: A) móveis, infungíveis e consumíveis. B) imóveis, infungíveis e inconsumíveis. C) móveis, fungíveis e consumíveis. D) imóveis, fungíveis e inconsumíveis. E) móveis, fungíveis e inconsumíveis. COMENTÁRIOS: Tudo que aderir ao imóvel, enquanto assim permanecer, é considerado bem imóvel. Não perdem a qualidade de imóveis, ainda que temporariamente separados do prédio, os materiais dele retirados para nele se reempregarem (art. 81, II). Assim, os azulejos são bens imóveis. Incorretas as alternativas “A”, “C” e “E”. Os bens infungíveis são aqueles que não podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade (art. 85), por sua qualidade ou natureza especial. Naturalmente, azulejos portugueses do Século XVIII são bens infungíveis, posto que em caso de perecimento, jamais poderiam ser substituídos por outros, em igual espécie, qualidade e quantidade. Incorreta a alternativa “E”. Os bens consumíveis são aqueles que se destroem com o primeiro uso (art. 86) (ex. alimentos). Inconsumíveis, ao revés, são os que podem ser utilizados continuamente, reiteradamente, sem que percam a sua substância. É o caso dos azulejos. Correta, pois, a alternativa “B”. (Defensoria Pública/CE/2002) 06. Quanto à utilização dos bens de uso especial é correto afirmar: A) são bens de uso especial aqueles onde estão instalados repartições públicas, aqueles utilizados através de permissão de uso e os cedidos através de direito real de uso. B) são os bens onde estão instaladas as repartições públicas e, como regra, o uso que as pessoas podem fazer deles o que corresponda às condições de prestação do serviço ali sediado. C) são os utilizados por força de enfiteuse ou aforamento. D) é de livre utilização por todos. COMENTÁRIOS: Os bens públicos são classificados da seguinte maneira: a) de uso comum do povo, que são aqueles que, embora pertencentes à pessoa jurídica de Direito Público, seu uso pode ser facultado aos particulares, tais como as ruas, os mares, as praças. b) de uso especial, que são os edifícios ou terrenos utilizados pelo próprio Poder Público, aplicados aos seus serviços ou ao estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal, incluídos os de suas autarquias. Têm, como o próprio nome indica, uma destinação especial. c) dominicais ou dominiais, que, por exclusão, correspondem aos demais bens da Administração Pública, o patrimônio da pessoa jurídica de direito público, como objeto de direito real ou pessoal, tais como as terras ocupadas pelos índios, os sítios arqueológicos, as estradas de ferro, as terras devolutas, etc. Como a sua destinação é para o uso da própria Administração Pública, incorreta é a alternativa “D”. Pertencem ao Poder Público e são por ele utilizados para a prestação de seus serviços, o que torna incorreta a alternativa “C”, e também a alternativa “A”, que prevê que são os cedidos a particulares. Correta a alternativa “B”, cujo uso pelos particulares restringe-se às condições dos serviços ali prestados. (DefensoriaPública/CE/2002) 07. Assinale a alternativa verdadeira: A) A Praça Clóvis Beviláqua e a Rua Major Facundo são bens de uso comum do povo, enquanto o imóvel onde funciona o Hospital Geral de Fortaleza é um bem dominical ou dominial. B) São bens imóveis por acessão intelectual as máquinas que compõem uma indústria; C) Os bens públicos são prescritíveis, penhoráveis e sujeitos à alienação, eis que pertencem ao Poder Público; D) A instituição do bem de família deverá constar de escritura pública ou particular, devidamente inscrita no registro de imóveis. COMENTÁRIOS: As praças e as ruas são bens de uso comum do povo (art. 99, I), mas o edifício onde funcione as repartições públicas não são bens dominicais, e sim bens de uso especial (art. 99, II). Incorreta a alternativa “A”. Os bens públicos caracterizam-se pela imprescritibilidade (não podem ser adquiridos por usucapião), impenhoráveis (não se sujeitam à penhora por dívidas judiciais) e, regra geral, inalienáveis (não podem ser comercializados, salvo por autorização legal, ou por meio de processo de desafetação). Incorreta a alternativa “C”. O bem de família corresponde a até 1/3 do patrimônio, que pode ser destinado pelos cônjuges ou pela entidade familiar, por meio de escritura pública, para não responder por dívidas posteriores à sua instituição. A alternativa “D” está incorreta, porque a instituição de bem de família só pode ser feita por escritura pública. Correta a alternativa “B”, que prevê os imóveis por acessão intelectual, que são as coisas móveis que o titular mantém no imóvel para a exploração de atividade econômica ou industrial, tais como as máquinas que compõem uma indústria. (Defensoria Pública MA/03) 08. A Lei no 6.766, de 19/12/1979, ao dispor que nos loteamentos urbanos os lotes terão área mínima de 125 m2 (cento e vinte e cinco metros quadrados), estabelece sobre estes: A) fungibilidade. B) indivisibilidade convencional. C) indivisibilidade legal. D) intangibilidade. E) a qualidade de imóveis para efeitos legais. COMENTÁRIOS: Os bens imóveis, sem exceção, são infungíveis. A fungibilidade é atributo exclusivo dos móveis. Incorreta a alternativa “A”. O solo (terrenos) são considerados imóveis por natureza (art. 79) e não imóveis para efeitos legais. Incorreta a alternativa “D”. Divisíveis são os bens que podem ser fracionados sem alteração na sua substância, diminuição considerável de valor ou prejuízo do uso a que se destinam (art. 87). Contudo, os bens divisíveis podem tornarse indivisíveis por determinação legal ou por vontade das partes. Assim, a indivisibilidade pode ser: a) por natureza – quando o bem não puder ser fracionado sem alteração na sua substância. Ex. um cavalo. b) por vontade das partes – quando as partes ajustam tornar o bem originalmente divisível em indivisível. c) por determinação legal – quando a lei proíbe a divisão do bem, ainda que este seja naturalmente divisível. Para que não haja prejuízo na utilização econômica do bem, algumas leis proíbem que haja repartição de terrenos em dimensões mínimas a que for determinada. É o caso dos loteamentos urbanos, cuja dimensão mínima é a estabelecida em lei, proibindo-se a sua divisão em dimensão inferior. É a chamada indivisibilidade legal. Correta a alternativa “C”. Intangíveis são os bens imateriais, de existência abstrata, não palpável, como o crédito. Não é o caso dos terrenos, que são bens de existência material ou tangível. Incorreta a alternativa “D”. (Delegado de Polícia/SP/03) 09. Assinale a alternativa correta: Consoante dispõe o vigente Código Civil, A) os direitos pessoais de caráter patrimonial e as respectivas ações constituem bens imóveis. B) classificam-se como úteis as benfeitorias que tenham por fim conservar o bem ou evitar que ele se deteriore. C) considera-se acessório o bem cuja existência suponha a do principal. D) constituem bem móveis os materiais provisoriamente separados de um prédio, mas destinados a nele se reempregarem. COMENTÁRIOS: Os direitos pessoais de caráter patrimonial e suas respectivas ações são considerados bens móveis (art. 83, III). Incorreta a alternativa “A”. As benfeitorias necessáriassão aquelas que se destinam a conservar o bem ou evitar sua deterioração, e úteis as que facilitam ou aumentam o uso do bem. Incorreta a alternativa “B”. Os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem, não perdem a qualidade de imóveis (art. 81, II). Incorreta a alternativa “D”. Na classificação dos bens reciprocamente considerados, estes são divididos em principais e acessórios. Principal é o bem que existe por si só, sem depender de outro para existir, enquanto que o acessório é aquele cuja existência depende da do principal (art. 92). Correta a alternativa “C”. (MagistraturadoTrabalho/14ºReg./2003) 10. No tocante aos bens é correto dizer: A) que são fungíveis os imóveis que podem substituir-se por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade; B) os bens naturalmente divisíveis podem se tornar indivisíveis por vontade das partes; C) para efeitos legais as energias que tenham valor econômico são consideradas bens imóveis; D) O penhor agrícola é considerado bem móvel; E) todas as alternativas estão corretas. COMENTÁRIOS: Os bens fungíveis são aqueles que podem ser substituídos por outro, da mesma espécie, qualidade e quantidade. A fungibilidade é atributo exclusivo dos móveis. Não existe imóvel fungível. Incorreta a alternativa “A”. A indivisibilidade de um bem pode ser: a) por natureza; b) por determinação legal; c) por vontade das partes. Os bens naturalmente divisíveis podem tornar-se indivisíveis por acordo entre as partes (art. 88). Correta a alternativa “B”. As energias que tenham valor econômico são consideradas bens móveis para efeitos legais (art. 83, I). Incorreta a alternativa “C”. Os direitos reais sobre bens móveis (como o penhor) são considerados bens móveis, mas o penhor agrícola e industrial são, por lei, considerados imóveis. Incorreta a alternativa “D”. Por conseqüência das alternativas anteriores, incorreta está a alternativa “E”. (Magistratura/SP/174º) 11. O direito à sucessão aberta considera-se para os efeitos legais: A) bem imóvel. B) bem móvel. C) bem incorpóreo. D) bem móvel ou imóvel, conforme resulte de ser apreciado em si mesmo o que o integre, tendo em vista o fato de ser ou não suscetível de se mover. COMENTÁRIOS: O direito à sucessão aberta (à herança) é considerado bem imóvel para efeitos legais (art. 80, II), ainda que constituído de bens móveis. Correta, pois, a alternativa “A”, e incorretas todas as demais. (Magistratura/SP/1999/172°) 12. Casal institui, por escritura pública, registrada, o imóvel em que reside, como bem de família. Esse casal presta fiança em um contrato de locação. Descumprido o contrato pelo locatário, o locador executa o seu crédito e pede a penhora do imóvel em que residem os fiadores. Neste caso, A) o imóvel será penhorado por não incidir a regra da impenhorabilidade sobre o bem de família. B) o imóvel não será penhorado porque a obrigação é posterior à sua instituição como bem de família. C) o imóvel será penhorado porque os fiadores agiram de má-fé. D) o imóvel não será penhorado, pois o credor deveria ter adotado precauções, obtendo certidões negativas, antes da aceitação da fiança. COMENTÁRIOS: O bem de família é instituído por meio de escritura pública, pelos cônjuges ou pela entidade familiar, que podem reservar até 1/3 de seu patrimônio para que não venham a responder por dívidas posteriores à sua instituição. Como a questão informa que a instituição foi anterior à dívida resultante da fiança, o imóvel não poderá ser penhorado. Correta a alternativa “B”. (Magistratura/PR/1998) (ADAPTADA) 13. Com relação às diferentes classes de bens, e de acordo com disposições expressas do Código Civil, pode-se afirmar que: A) os direitos de autor, para os efeitos legais, são considerados bens imóveis. B) os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele mesmo se reempregarem, são considerados bens móveis. C) consideram-se imóveis para todos os efeitos legais o direito à sucessão aberta e os direitos reais sobre imóveis, inclusive o penhor agrícola, e as ações que os asseguram. D) são infungíveis os móveis que se podem substituir por outros da mesma espécie, quantidade e qualidade. COMENTÁRIOS: Os direitos de autor, como direito pessoal de caráter patrimonial, é considerado bem móvel (art. 83, III). Incorreta a alternativa “A”. Não perdem a qualidade de imóveis os materiais separados provisoriamente de um prédio para nele se reempregarem (art. 81, II). Incorreta a alternativa “B”. O direito à sucessão aberta é imóvel para os efeitos legais, assim como os direitos reais sobre imóveis, e o penhor agrícola, que também é considerado por lei bem imóvel. Correta a alternativa “C”. Os bens infungíveis são aqueles que não podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade. Incorreta a alternativa “D”. Mag. Fed./4ª. Reg/TRF 2001) (ADAPTADA) 14. Assinale a alternativa correta: A) São fungíveis os bens, móveis ou imóveis, que podem ser substituídos por outros da mesma espécie, qualidade e quantidade. B) Os bens públicos resumem-se aos bens de uso comum do povo e aos bens dominicais. C) As praias marítimas ou fluviais podem ser públicas, de uso comum do povo, ou particulares, de uso exclusivo de seu proprietário. D) A semente lançada à terra é bem imóvel. COMENTÁRIOS: Os bens fungíveis são os móveis que podem ser substituídos por outro, de mesma espécie, qualidade e quantidade (art. 85). Incorreta a alternativa “A”, porque todos os bens imóveis são infungíveis. Os bens públicos classificam-se em: de uso comum do povo, de uso especial e dominical. Incorreta a alternativa “B”. As praias estão incluídas nos bens de uso comum do povo. Incorreta a alternativa “C”. São bens imóveis o solo e tudo que a ele se incorporar, como as sementes (art. 79). Correta a alternativa “D”. (Ministério Público/PR/2004) 15. Sobre Bens Públicos, assinale a alternativa incorreta: A) Os bens dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades, são bens públicos. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado estrutura de direito privado; B) Os bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem a sua qualificação, na forma que a lei determinar; C) São públicos os bens do domínio nacional pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares, seja qual for a pessoa a que pertencerem; D) Os bens públicos dominicais podem ser alienados, observadas as exigências da lei; E) O uso comum dos bens públicos pode ser retribuído, conforme for estabelecido legalmente pela entidade a cuja administração pertencerem, sendo vedado seu uso gratuito. COMENTÁRIOS: Os bens dominicais são espécies de bens públicos. Também os bens pertencentes à pessoa jurídica de direito público com personalidade de direito privado são considerados dominicais, salvo disposição legal em contrário. Correta a alternativa “A”. De acordo com o disposto no art. 100, os bens de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis, enquanto conservarem essa qualificação. Para tornarem-se alienáveis, dependem de um procedimento administrativo denominado desafetação. Correta a alternativa “B”. Os bens públicos são aqueles pertencentes às pessoas jurídicas de direito público interno (União, Estados, Distrito Federal, Territórios, Municípios, e suas respectivas autarquias). Por exclusão, todos os demais são particulares (art. 98). Correta a alternativa “C”. Osbens públicos dominicais podem ser alienados, desde que haja autorização legal (art. 101). Correta a alternativa “D”. Os bens de uso comum do povo são aqueles que podem ser utilizados pela coletividade. O uso pode ser gratuito ou retribuído, conforme o que estabelecer a lei da entidade a cuja administração pertencerem (art. 103). Não há impedimento legal a que o uso seja não remunerado. Incorreta, pois, a alternativa “E”, que deve ser a assinalada. (MP/SP/82ºConcurso/2001) 16. É um bem móvel: A) a enfiteuse. B) o penhor agrícola. C) a servidão predial. D) o direito de autor. E) o direito à sucessão aberta. COMENTÁRIOS: A enfiteuse e a servidão são direitos reais sobre bens imóveis, portanto, são bens imóveis. Incorretas as alternativas “A” e “C”. O penhor é direito real sobre bem móvel, mas em se tratando de penhor agrícola ou industrial, a lei atribuiu-lhes o caráter de imóveis. Portanto, incorreta a alternativa “B”. O direito à herança é considerado imóvel para efeitos legais, tornando incorreta a alternativa “E”. Os direitos patrimoniais de caráter pessoal, como os direitos autorais, são considerados móveis para efeitos legais. Correta a alternativa “D”. (OAB/CE/13/03/2005) 17. É correto afirmar que: A) os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem, sem a intervenção do proprietário, serão considerados como benfeitorias. B) os negócios jurídicos que dizem respeito ao bem principal, em regra, abrangem as pertenças. C) constitui universalidade de direito o complexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico. D) os bens de uso especial constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades. COMENTÁRIOS: Não são consideradas benfeitorias os melhoramentos ou acréscimos sobrevindos ao bem sem a intervenção do proprietário (art. 97). Só se consideram benfeitorias aquelas realizadas às custas do proprietário, possuidor ou detentor. Incorreta a alternativa “A”. As pertenças são espécies de bens acessórios, que consistem nos bens que, não constituindo partes integrantes, se destinam, de modo duradouro, ao uso, serviço ou aformoseamento de outro (o principal) (art. 93). Excepcionando a regra geral de que o acessório segue o principal, os negócios jurídicos relativos ao bem principal não incluem as pertenças, salvo se o contrário resultar de lei, da manifestação da vontade ou das circunstâncias do caso (art. 94). Incorreta a alternativa “B”. Os bens podem ser singulares ou coletivos. São singulares os bens que, embora reunidos, são considerados isolada, individualmente (um livro, p.ex.) (art. 89). Os universais ou coletivos são subdivididos em universais de fato e universais de direito. Aqueles são os bens que, embora singulares, têm destinação unitária, unificada (uma biblioteca, um rebanho, etc.) (art. 90). A universalidade juris ou de direito consiste no complexo de direitos de uma pessoa, dotado de valor econômico (art. 91). É o caso da herança, do patrimônio, do fundo de comércio, etc. Assim, correta está a alternativa “C”. São dominicais, e não de uso especial, o patrimônio das pessoas jurídicas de direito público. Incorreta, pois, a alternativa “D”. (OAB/MT/2001) 18. A impenhorabilidade do imóvel considerado bem família é oponível em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, mesmo quando movido: A) Por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação. B) Pelo credor de pensão alimentícia. C) Em razão dos créditos de trabalhadores da própria residência e das respectivas contribuições previdenciárias. D) Nenhuma das alternativas anteriores é correta. COMENTÁRIOS: Existem duas espécies de bem de família: a) bem de família voluntário, previsto no Código Civil, estabelecido por escritura pública, consistente em 1/3 do patrimônio dos cônjuges ou da entidade familiar, que não irá responder pelas dívidas contraídas posteriormente à sua instituição; b) bem de família legal, previsto na Lei 8009/1990, consistente no único imóvel residencial, que não responde por dívidas, cuja instituição é ex lege, automática, independendo de registro em Cartório. A impenhorabilidade do bem de família legal se submete a exceções previstas em lei. Assim, é penhorável o único imóvel residencial por obrigação decorrente de contrato de fiança, para pagamento de dívida de pensão alimentícia, por dívidas tributárias perante trabalhadores da própria residência. Assim, a alternativa correta é a “D”, pois todas as demais anteriores são exceções à regras da impenhorabilidade do bem de família. (OAB/RO/2004) 19. Marque a alternativa CORRETA. As benfeitorias voluptuárias podem ser: A) As que aumentam ou facilitam o uso do bem. B) As de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor. C) As que têm por fim conservar o bem ou evitar que se deteriore. D) As que são separadas do bem principal, os frutos e seus produtos. COMENTÁRIOS: As benfeitorias voluptuárias, segundo a dicção do art. 96, § 1º do Código Civil, são “as de mero deleite ou recreio, que não aumentam o uso habitual do bem, ainda que o tornem mais agradável ou sejam de elevado valor”. Assim, a alternativa que atende ao enunciado da questão é a “B”, já que a “A” trata das benfeitorias úteis, a “C” refere-se às necessárias e a “D” não tem qualquer relação com benfeitorias, pois estas aderem ao bem principal, não se separando deste, em regra. (OAB/SP/125º/2005) 20. Segundo o disposto no artigo 1.784 do Código Civil, aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos e testamentários. Até o momento da partilha, os bens do falecido são considerados imóveis, A) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de fato, inalienáveis e em condomínio. B) divisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em condomínio. C) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, alienáveis e em condomínio. D) indivisíveis, coletivos da espécie universalidade de direito, inalienáveis e em condomínio. COMENTÁRIOS: A herança, enquanto não partilhada entre os herdeiros, considera-se indivisível. Incorreta a alternativa “B”. É considerada uma universalidade de direito, consistindo no complexo de relações jurídicas dotado de valor econômico. Incorreta a alternativa “A”. Regra geral, conserva a sua inalienabilidade enquanto não for partilhada, dependendo de autorização judicial para a alienação individual de bem que lhe integre. Correta, pois, a alternativa “D” e incorreta a alternativa “D”. (Procurador/BB/Nacional/2002) 21. Uma galeria de quadros constitui: A) universalidade de direito B) universalidade de fato C) coisa singular simples D) coisa singular composta E) coisa singular COMENTÁRIOS: Bens singulares são aqueles que, embora reunidos, podem ser considerados individualmente (art. 89). Incorretas as alternativas “C”, “D” e “E”. Os bens universais são aqueles constituídos por várias coisas singulares, consideradas em conjunto e formando um todo único. Subdividem-se em: universais de fato, que são os bens que, embora sejam singulares, têm destinação unitária, unificada, como uma galeria de quadros, uma biblioteca, um rebanho, e universais de direito, que correspondem ao complexo de relações jurídicas de uma pessoa, dotado de apreciação econômica. Assim, correta a alternativa “B” e incorreta a “A”. (TécnicoJudiciário/TRF/4ªReg//2004) 22. Paulo herdou um relógio de bolso fabricado em 1930, contendo em sua parte interna gravação feita por seu falecidopai. Esse relógio é um bem: A) fungível, inconsumível e indivisível. B) fungível, consumível e indivisível. C) fungível, inconsumível e divisível. D) infungível, inconsumível e divisível. E) infungível, inconsumível e indivisível. Os bens infungíveis são aqueles que, por sua qualidade especial e única, não podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade e quantidade. É o caso de um relógio antigo, de valor sentimental. Incorretas as alternativas “A”, “B” e “C”. Inconsumíveis são os bens que não se destroem no primeiro uso, tendo durabilidade e utilização continuada. É o caso do dito relógio. Os bens indivisíveis por natureza são aqueles que não podem ser fracionados sem alteração ou destruição em sua substância. Um relógio, se partido ao meio, deixa de sê-lo, de modo que é um bem indivisível. Correta a alternativa “E” e incorreta a “D”. (OAB/RO-30º concurso-2002) 23. Os frutos armazenados em depósito para expedição ou venda são os: A - percipiendos. B – estantes. C - pendentes. D - percebidos. COMENTÁRIOS: Os frutos (bens acessórios) são as utilidades periodicamente produzidas pelo bem principal, mantendo-se o bem intacto em sua substância. Quanto ao seu estado, podem ser: a) pendentes, quando ainda ligados à coisa principal; b) percebidos, os já colhidos ou separados da coisa principal; c) percipiendos, os que deveriam, mas não foram colhidos ou separados; d) consumidos, os que não mais existem, porque já foram utilizados ; e) estantes, os que estão armazenados para expedição ou venda. Destarte, correta é a alternativa “B”. AULA 3 – FATOS E ATOS JURÍDICOS. VALIDADE E DEFEITOS DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS. ATOS ILÍCITOS (Anal.ass.jur/SE/2001) 01. Se alguém fizer seguro de vida, omitindo moléstia grave, e vier a falecer poucos meses depois, vindo a prejudicar a seguradora e a beneficiar os sucessores, ter-se-á a configuração de: A) dolo positivo. B) dolo acidental. C) simulação relativa subjetiva. D) simulação absoluta. E) dolo negativo. COMENTÁRIOS: Dentre os vícios ou defeitos do negócio jurídico, está previsto o dolo, que é o erro intencionalmente provocado na vítima, induzindo-a, maliciosamente, à prática de um ato jurídico, o qual não seria realizado não fosse o expediente astucioso. O dolo pode dar-se tanto por ação como por omissão. Nesta última hipótese, a parte silencia intencionalmente a respeito de fato ou qualidade que a outra parte haja ignorado (art. 147 do CC). Para que seja considerado vício do negócio jurídico, e ensejar a consequente anulação pelo prejudicado, deve ser a causa do negócio jurídico, provando-se que sem que houvesse conduta dolosa, o negócio não teria sido celebrado. Isso implica dizer que o dolo acidental não é causa de anulabilidade do negócio jurídico. O Código Civil, art. 146, considera dolo acidental quando, a seu despeito, o negócio seria realizado, embora por outro modo, noutras circunstâncias, obrigando tão somente à satisfação das perdas e danos. Assim, incorreta a alternativa “A”, que prevê o dolo por ação, por comportamento ativo do sujeito. Incorreta, igualmente, a alternativa “B”, que cuida do dolo acidental, que não é a hipótese da questão proposta, já que foi determinante para a celebração do contrato de seguro. Não é causa de simulação, igualmente, posto que nesta duas pessoas emitem declaração de vontade, que não corresponde à sua real intenção, a fim de prejudicar terceiros. Incorretas, pois, as alternativas “C” e “D”. Correta, por conseguinte, a alternativa “E”, que trata do dolo negativo, ou por omissão. (Analista Jud./1ªReg./2003) 02. Dentre os defeitos do negócio jurídico, pode-se citar: A) o objeto ilícito; B) a condição; C) o erro substancial; D) a incapacidade do agente; E) o encargo. COMENTÁRIOS: O objeto ilícito e a incapacidade relativa do agente são causas de nulidade do negócio jurídico, tornando-o inválido, sem que possa produzir efeitos jurídicos. Incorretas as alternativas “A” e “D”. A condição é elemento acessório e facultativo aposto em negócios jurídicos, consistindo na cláusula que subordina o negócio jurídico a evento futuro e incerto. Incorreta a alternativa “B”. Os vícios ou defeitos do negócio jurídico, segundo a dicção do Código Civil de 2002, são o erro, o dolo, a coação, o estado de perigo, a lesão (vícios do consentimento) e a fraude contra credores (vício social). Para que se constitua motivo de anulabilidade do negócio jurídico, é preciso que o erro seja substancial, essencial. Correta a alternativa “C”. O modo ou encargo é cláusula acessória, presente geralmente em atos de liberalidade, impondo um ônus, uma obrigação à pessoa contemplada. Não é vício do negócio jurídico, e sim elemento acessório ou acidental. Incorreta a alternativa “E”. (AnalistaJudiciário/CE/2003) 03. Se "A" pensa adquirir uma jóia de prata, que, na verdade, é de aço, ter-se-á anulabilidade do negócio por: A) erro acidental. B) erro quanto ao motivo do negócio. C) lesão. D) erro substancial sobre a qualidade essencial do objeto. E) erro na transmissão da vontade por meios interpostos. COMENTÁRIOS: O erro é o engano, a noção inexata, não verdadeira, sobre algum elemento do negócio jurídico, que influencia na formação da vontade da pessoa, que manifesta sua vontade de modo diverso do que manifestaria se tivesse conhecimento exato ou completo. Para que seja causa de anulabilidade do negócio jurídico, deve ser essencial, substancial, de razão plausível, relevante. O art. 139, I considera essencial o erro que incidir sobre as qualidades essenciais do objeto. Assim, se penso estar adquirindo uma jóia de prata, quando esta é de aço, o erro em que incorri enquadra-se na definição legal. Correta, portanto, a alternativa “C”. (Delegado de polícia/SP/03) 04. Assinale a alternativa correta: Causa a anulabilidade do negócio jurídico o vício resultante de: A) coação, que deverá ser suficiente para incutir ao paciente qualquer temor de dano, dirigido a sua pessoa, sua família, ou aos seus bens. B) dolo, mesmo se acidental. C) erro acerca da identidade ou de qualidade essencial da pessoa a quem se refira à declaração de vontade, desde que tenha influído nesta de modo relevante. D) simulação, cuja ocorrência sempre se verificará quando os instrumentos particulares forem antedatados ou pós-datados. COMENTÁRIOS: A coação é a pressão física ou moral exercida sobre uma pessoa para obrigá-la a efetivar um negócio jurídico. A física é o constrangimento corporal que retira da vítima toda a capacidade de querer, implicando em total ausência de consentimento, gerando a nulidade (ou inexistência, para parte da doutrina) do negócio jurídico praticado. Não se trata, pois, de vício ou defeito no consentimento. A moral atua sobre a vontade da vítima, que é ameaçada psicologicamente no sentido de realizar o negócio jurídico, sob fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família ou aos seus bens, esta sim, considerada como defeito ou vício que conduz à anulabilidade do ato (art. 151 do CC). Incorreta, portanto, a alternativa “A”, porque somente a coação moral é causa de anulabilidade do negócio jurídico. A coação física não. O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas e danos, preservando-se o negócio jurídico praticado (art. 146 do CC). Incorreta a alternativa “B”. O erro pode incidir sobre a identidade ou qualidade essencial de uma pessoa (art. 139, II do CC), desde que tenha influenciado na vontade, de modo relevante. Assim, só se considera causa de anulabilidade o erro essencial. Correta a alternativa “C”. A simulação, pelo Código Civil de 2002, é causa de nulidade do negócio jurídico (não geranenhum efeito), e não causa de anulabilidade (gera efeitos, até que seja requerida a sua anulação, e seja decretada por sentença). A lei presume a simulação quando os instrumentos particulares forem antedatados ou pós datados, mas ainda assim está incorreta a alternativa “D”. (Fiscal do Trabalho/MT-1/2003) 05. "A" constitui uma renda em favor de "B", enquanto este estiver estudando. Trata-se de negócio que contém: A) condição resolutiva B) encargo C) condição necessária D) condição contraditória E) condição suspensiva COMENTÁRIOS: Condição é elemento acessório e facultativo, oposto nos negócios jurídicos, consistindo na cláusula que subordina o negócio jurídico a evento futuro e incerto. A condição pode ser: suspensiva, quando a eficácia do negócio jurídico se subordina ao evento futuro e incerto, ou seja, quando este só passará a produzir efeitos no momento em que for realizada a condição; resolutiva, quando a ineficácia do negócio jurídico se submeter ao evento futuro e incerto, isto é, quando este produz desde logo todos os efeitos e, ocorrida a condição, cessa a sua eficácia. Assim, na questão proposta, “A” concede uma renda a “B” enquanto este estiver estudando. A condição, portanto, é que “B” estude. Assim, quando “B” parar de estudar, cessa a liberalidade, de modo que podemos afirmar que se trata de uma condição resolutiva, pois o negócio jurídico produz efeitos desde logo e, ocorrida a condição (parar de estudar), cessam os seus efeitos. Correta, portanto, a alternativa “A”. (Mag. Trab. 14ºReg./2004) 06. TOMANDO POR BASE AS AFIRMAÇÕES ABAIXO ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA. Levando consideração os critérios estabelecidos pelo Código Civil para determinação dos defeitos dos negócios jurídico é correto afirmar: I - O falso motivo vicia a declaração em todas hipóteses. II - O erro não é substancial quando sendo de direito e não implicando recusa à aplicação da lei, for o motivo principal do negócio jurídico. III - Quando ambas as partes procedem com dolo na pratica do negócio jurídico qualquer delas poderá alegá-lo para anula-lo e requerer indenização. IV - O dolo acidental só obriga à satisfação das perdas, danos e lucros cessantes. A) A afirmativa I está correta. B) A afirmativa II está correta. C) A afirmativas III e IV estão corretas. D) Todas as afirmativas estão corretas. E) Todas afirmativas estão incorretas. COMENTÁRIOS: O falso motivo só vicia a declaração de vontade quando tiver sido a causa determinante da realização do negócio jurídico (art. 140 do CC). Incorreto o item I. É erro essencial o erro de direito que não implicar em recusa à aplicação da lei e for o motivo único ou principal da realização do negócio jurídico (art. 139, III do CC). Incorreto o item II. Vige o princípio geral de que ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. Quando ambas as partes procederem dolosamente uma contra a outra, há o que se convencionou denominar dolo recíproco, que se compensam. Assim, nenhuma delas pode alegar o dolo da outra para anular o negócio jurídico, ou para pleitear indenização (art. 150 do CC). Incorreto o item III. O dolo acidental não é causa de anulabilidade, e só obriga à satisfação das perdas e danos emergentes, não os lucros cessantes (art. 146 do CC). Incorreto o item IV. Como todas as afirmativas estão incorretas, a questão a ser assinalada é a letra “E”. (TRT Mag./PI/2000) 07. São vícios do consentimento: A) Erro, dolo e simulação; B) Simulação e fraude contra credores; C) Erro, dolo e coação; D) Coação, lesão e simulação; E) n.r.a. COMENTÁRIOS: Os vícios ou defeitos do negócio jurídico são os vícios do consentimento (erro, dolo, coação, lesão e estado de perigo) e os vícios sociais (fraude contra credores). A simulação, a partir do Código Civil de 2002, passou à causa de nulidade, e não de anulação. Assim, correta a alternativa “C”. (TRT Mag./PI/2000) 08. O erro, para levar à anulação do negócio jurídico, deve ser: A) Susbstancial e escusável; B) Acidental e escusável; C) Substancial e inescusável; D) Acidental e inescusável; E) n.r.a. COMENTÁRIOS: O erro que conduz à anulabilidade do negócio jurídico é o erro essencial, substancial. Incorretas as alternativas “B” e “D”. Além de essencial, o erro deve ser escusável (desculpável), ou seja, aquele em que qualquer pessoa de normal diligência e inteligência incorreria. Incorreta a alternativa “C”. Correta a alternativa “A”, que prevê que o erro deve ser substancial e escusável. (Mag. Trab. PR/2001) (ADAPTADA) 09. ASSINALAR A ALTERNATIVA CORRETA. Para sabermos se um ato jurídico é válido devemos analisar: I - Se quem o praticou tinha capacidade. II - Se seu objeto era lícito, possível, determinado ou determinável. III - Se a forma foi prevista ou não proibida por lei. IV - Se na declaração da vontade se atendeu mais ao sentido literal da linguagem que sua intenção. A) I e IV estão corretas. B) II, III e IV estão corretas. C) I e III são incorretas. D) Apenas a IV está incorreta. E) Todas alternativas são incorretas. COMENTÁRIOS: O art. 104 do CC determina que a validade do negócio jurídico requer: a) agente capaz; b) objeto lícito, possível, determinado ou determinável; forma prescrita ou não defesa em lei. Os itens I, II e III, portanto, estão corretos. Nas declarações de vontade, prevalecerá a intenção em detrimento do sentido literal da linguagem (art. 112). Incorreto o item IV. A alternativa correta, a ser assinalada, é a “D”. (Mag. Trab. PR/2001) (ADAPTADA) 10. SÃO NULOS OS NEGÓCIOS JURÍDICOS: I - Quando praticados por pessoa absolutamente incapaz. II - Que têm seu efeito negado por lei. III - Que sejam praticados com inobservância de alguma solenidade que a Lei considere essencial para sua validade. IV - Que sejam praticados em fraude contra credores. A) I e III estão corretas. B) I e IV estão incorretas. C) Apenas a IV esta incorreta. D) Todas as alternativas são incorretas. E) Todas as alternativas estão corretas. COMENTÁRIOS: O art. 166 contempla as causas de nulidade do negócio jurídico, em que este não produz efeitos jurídicos. O ato praticado pelo absolutamente incapaz é nulo (art. 166, I). Correto o item I. Quando a lei taxativamente declara nulo, ainda que não comine sanção, também será considerado nulo o negócio jurídico (art. 166, VII). Correto o item II. Quando a lei exigir alguma solenidade essencial, e esta for preterida, o negócio jurídico será nulo (art. 166, V). Correto o item III. A fraude contra credores é vício social previsto no Código Civil como causa de anulabilidade, e não de nulidade do negócio jurídico (art. 154). Incorreto o item IV. Correta, portanto, a alternativa “C”. (Magistratura Estadual/SC/27/04/2003) 11. A LESÃO é vício de consentimento previsto no atual Código Civil. Assinale, então, entre as alternativas seguintes, a INCORRETA: A) lesão tem como um dos seus pressupostos a premente necessidade daquele que se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. B) A lesão ocorre, também, quando alguém, por inexperiência, se obriga a prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. C) A lesão não é causa de anulação do negócio jurídico, se o favorecido concordar com a redução do proveito que obteve. D) A desproporção entre as prestações há que considerar, para que haja lesão, os valores vigentes quando da celebração do negócio jurídico. E) Há lesão, ainda quando a manifesta desproporcionalidade entre o valor da prestação a que se obriga alguém e o valor da prestação oposta, decorrer de fato superveniente. COMENTÁRIOS: A lesão é vício ou defeito do negócio jurídico previstooriginariamente no Código Civil de 2002. Configura-se esta quando alguém, em relação a outrem, assume uma prestação manifestamente desproporcional à contraprestação da outra parte, por necessidade ou inexperiência. De acordo com o art. 157 do CC, ocorre a lesão quando alguém, sob premente (urgente) necessidade, ou por inexperiência, se obriga à prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta. Corretas, pois, as alternativas “A” e “B”. Se a parte favorecida concordar com a redução do proveito que obteve, não se decretará a anulação do negócio jurídico (art. 157, § 2º). Correta a alternativa “C”. Para avaliar-se a desproporção, considerar-se-á os valores das prestações vigentes à época da contratação (art. 157, § 1º). Correta a alternativa “D”. O prejuízo decorrente da desproporção deve existir no momento da conclusão do negócio, e não por fato superveniente. Incorreta, portanto, a alternativa “E”, que deve ser assinalada. (Magistratura Estadual-SP-2003) 12. A propósito dos defeitos que, segundo o novo Código Civil, tornam anuláveis os negócios jurídicos, analise as seguintes relações: I. o erro, a coação e o estado de perigo; II. a lesão, a fraude contra credores e a coação; III. o estado de perigo, a lesão e o dolo; IV. o dolo, o erro e a simulação. Pode-se afirmar que são integralmente verdadeiras as relações: A) I e II, somente. B) III e IV, somente. C) I, II e III, somente. D) I, II, III e IV. Os defeitos do negócio jurídico, que tornam-o anulável são: erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo e fraude contra credores. A simulacao é causa de nulidade. Estão corretos, por conseguinte, os itens I, II e III, e incorreto apenas o item IV, que se refere à simulação. A alternativa a ser assinalada é a “C”. (Magistratura/ES/2003) 13. Quando a ineficácia de um negócio jurídico está subordinada a um evento futuro e incerto, diz-se que o negócio está submetido a: A) termo final; B) encargo; C) Condição Resolutiva; D) condição potestativa; E) condição. COMENTÁRIOS: Termo é a cláusula acessória que submete o negócio jurídico a evento futuro e certo. Incorreta a alternativa “A”. Encargo ou modo é a obrigação, o ônus imposto ao beneficiário de uma liberalidade. Incorreta a alternativa “B”. Condição potestativa é aquela que se submete ao puro arbítrio de uma das partes. Incorreta a alternativa “D”. A condição pode ser: suspensiva, quando a eficácia do negócio jurídico se subordinar a evento futuro e incerto; resolutiva, quando a ineficácia do negócio jurídico se submeter a evento futuro e incerto. Incorreta, pois, a alternativa “E” e correta a alternativa “C”. (Ministério Público/RS/03-2003) (adaptada) 14. Considerando o novo Código Civil e as seguintes assertivas: I - Incorre em nulidade o negócio jurídico quando apresente objeto indeterminável. II - Nulifica o negócio jurídico ofensa cometida contra lei imperativa, que tanto pode dar-se por ofensa frontal ou direta. III - É nulo o contrato de compra e venda se a fixação do preço resta com o exclusivo arbítrio de uma das partes. IV - É nulo o negócio jurídico praticado direta e pessoalmente por quem, em razão de causa transitória, não possa exprimir a sua vontade. V - É nulo o negócio jurídico por vício resultante de dolo. Assinale a alternativa correta: A) Somente as assertivas I, II, III e IV estão corretas. B) Somente as assertivas I, III e V estão corretas. C) Somente as assertivas II, III e V estão corretas. D) Somente as assertivas I, II, e IV estão corretas. E) Todas as assertivas estão corretas. COMENTÁRIOS: O negócio jurídico cujo objeto seja indeterminável é nulo, segundo o art. 166, II. Correto o item I. O objeto que ofende à lei imperativa torna o negócio jurídico nulo, como preleciona o art. 166, VI. Correto o item II. São ilícitas as condições puramente potestativas, que são aquelas que sujeitam o negócio jurídico ao arbítrio exclusivo de uma das partes. Correto, pois, o item III. Quem, ainda que transitoriamente, não puder manifestar a sua vontade, é considerado absolutamente incapaz. O ato praticado por este é nulo, segundo o art. 166, I. Correto, portanto, o item IV. O dolo é vício ou defeito do negócio jurídico que conduz à sua anulação, e não à sua nulidade. Incorreto o item V. A alternativa correta é a “A”. (Ministério Público/RS/03-2003) 15. Em relação ao estado de perigo, considerando o novo Código Civil e as seguintes assertivas: I - Está disposto na categoria de causa de anulabilidade do negócio jurídico. II - Em seu substrato não está a ficção de igualdade das partes, de modo que a regra tem relevância na tutela do contratante fraco. III - É indiferente que a parte beneficiada saiba que a obrigação foi assumida pela parte contrária para que esta se salve de grave dano. IV - Não pode o juiz considerar circunstâncias favoráveis para o efeito de estender a regra para pessoa não integrante da família do declarante. V - Confunde-se com o instituto da lesão, pois como ocorre nesta última, considera-se, além da premente necessidade econômica, a inexperiência de quem se obriga a contratar, circunstâncias determinantes das prestações avençadas de maneira manifestamente desproporcional. Assinale a alternativa correta: A) Somente as assertivas I, II estão corretas. B) Somente as assertivas II, III e IV estão corretas. C) Somente as assertivas I, II, III, e IV estão corretas. D) Somente as assertivas III e V estão corretas. E) Somente as assertivas IV e V estão corretas. COMENTÁRIOS: O estado de perigo foi catalogado, originalmente, no Código Civil de 2002, como defeito do negócio jurídico, que conduz a sua anulabilidade (art. 156). Correto, pois, o item I. A intenção do legislador foi proteger aquele que, em virtude de uma situação de necessidade de salvar-se, ou à pessoa de sua família, de dano grave conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Assim, destina-se a proteger a parte mais fraca, que numa situação de emergência, para salvar a própria vida ou a de um familiar, contrai obrigação excessivamente onerosa. Correto o item II. Para que seja declarada a anulabilidade do negócio jurídico em virtude de estado de perigo é necessário que a parte beneficiada tenha conhecimento do perigo. Incorreto o item III. Embora o estado de perigo ocorra em relação à própria pessoa, ou a familiar seu, o juiz, considerando o caso concreto, pode estender a proteção à pessoa não integrante da família, como um amigo íntimo (art. 156, parágrafo único). Incorreto o item IV. Difere da lesão, porquanto nesta há desproporção das prestações, causada por necessidade de ordem econômica. O estado de perigo é causado pela necessidade de salvar-se ou salvar a pessoa da família, A assunção de obrigação excessivamente onerosa se dá pelo temor de dano, no estado de perigo. Na lesão, a desproporcionalidade das prestações decorre de necessidade econômica ou inexperiência. Incorreto o item V. A alternativa correta, pois,é a “A”. (Mag. Est. RN 2000) 16. Segundo o sistema de nulidades do Código Civil, A) o ato nulo pode ser ratificado pelas partes. B) o ato anulável pode ser considerado como tal pelo Juiz, de ofício. C) o ato anulável só pode ser assim considerado quando julgado por sentença. D) qualquer pessoa pode alegar que um ato é nulo. E) uma vez reconhecido, por sentença, que um ato é anulável, tal declaração aproveita mesmo aos que não alegaram a invalidade. COMENTÁRIOS: O negócio jurídico nulo não é suscetível de confirmação, de ratificação pelas partes (art. 169). Incorreta a alternativa “A”. A anulabilidade não se pronuncia de ofício, ou seja, sem provocação do interessado (art.177). Incorreta a alternativa “B”. A anulabilidade não tem efeito antes de julgada por sentença, ou seja, além de ter que ser alegada pelo interessado, só tem efeito quando declarada por meio de sentença judicial (art. 177). Correta a alternativa “C”. Não é qualquer pessoa, e sim qualquer interessado no negócio jurídico ou em seus efeitos, que pode alegar a nulidade, além do Ministério Público, quando lhe couber intervir (art. 168). Incorreta a alternativa “D”. A declaração de anulabilidade aproveita exclusivamente aos que a alegarem, não prejudicando ou beneficiando quem não alegou (art. 177). Incorreta a alternativa “E”. (Magistratura/PR/1998) 17. Quanto aos defeitos dos atos jurídicos e de acordo com disposições do Código Civil, é correto afirmar-se que: A) o erro na indicação da pessoa, ou coisa, a que se referir a declaração de vontade, viciará o ato, ainda que, por seu contexto e pelas circunstâncias, possam ambas ser identificadas. B) a coação, quando exercida por terceiro, não vicia o ato. C) a invalidade dos atos simulados poderá ser demandada pelos terceiros lesados pela simulação. D) o dolo de terceiro, embora dele tenha ciência uma das partes, não autoriza a anulação do ato. COMENTÁRIOS: O erro na indicação da pessoa ou coisa que for objeto do negócio jurídico não prejudica a sua validade, se pelo contexto e circunstâncias for possível indentificá-los (art. 142). Incorreta a alternativa “A”. A coação pode ser exercida pela própria pessoa que pratica o negócio jurídico, ou por um terceiro, desde que a pessoa beneficiada tivesse ou devesse ter conhecimento da coação (art. 154). Incorreta a alternativa “B”. Os negócios jurídicos simulados são nulos, e a nulidade pode ser alegada por qualquer interessado, incluindo-se dentre os quais os terceiros prejudicados pela simulação. Correta a alternativa “C”. O dolo pode ser praticado por um terceiro, se a parte a quem ele aproveite tivesse ou devesse ter conhecimento do dolo, tornando o negócio jurídico igualmente anulável, ainda que praticado por terceira pessoa (art. 148). Incorreta a alternativa “D”. (Mag. Est. DF 29/06/2003) 18. É anulável o negócio jurídico: Assinale a alternativa correta: A) celebrado por pessoa que, mesmo por causa transitória, não possa exprimir sua vontade; B) quando for indeterminável o seu objeto; C) quando o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito; D) quando ocorrente fraude contra credores. COMENTÁRIOS: O negócio jurídico praticado pelo absolutamente incapaz é nulo, e não anulável (art. 166, I). Também é causa de nulidade a indeterminação do objeto (art. 166, II), assim como é nulo o negócio jurídico quando o motivo determinante, comum a ambas as partes, for ilícito (art. 166, III). Incorretas, pois, as alternativas “A”, “B” e “C”. A fraude contra credores é vício do negócio jurídico, tornando-o anulável (art. 158). Correta a alternativa “D”. (Mag. Est. DF 29/06/2003) 19. Assinale a alternativa correta: Caracteriza-se a lesão: A) quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa; B) quando uma pessoa, sob premente necessidade, ou por inexperiência, se obriga à prestação manifestamente desproporcional ao valor da prestação oposta; C) quando artifício ou expediente astucioso é usado para induzir alguém à prática de um ato jurídico, que o prejudica, aproveitando ao autor do artifício ou expediente astucioso, ou a terceiro; D) quando incutido na vítima fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens, realiza ela, perdendo a espontaneidade do querer, o ato que lhe é exigido. COMENTÁRIOS: A alternativa “A” está incorreta, porque trata do estado de perigo, em que alguém, por urgente necessidade de salvar-se ou a pessoa de sua família, assume obrigação excessivamente onerosa. A alternativa “B” é a correta, pois corresponde à lesão, em que a pessoa, por necessidade ou inexperiência, assume prestação desproporcional ao valor da prestação oposta. A alternativa “C” refere-se ao dolo, estando, pois, incorreta. A alternativa “D” trata da coação. Incorreta, portanto. (MPE/PR/14/03/2004) 20. Sobre Defeitos do Negócio Jurídico, assinale a alternativa incorreta: A) A coação, para viciar a declaração da vontade, há de ser tal que incuta ao paciente fundado temor de dano iminente e considerável à sua pessoa, à sua família, ou aos seus bens. Se disser respeito a pessoa não pertencente à família do paciente, o juiz, com base nas circunstâncias, decidirá se houve coação; B) A anulabilidade do negócio jurídico, quando pronunciada de ofício, terá efeito antes de julgada por sentença. Só os interessados a podem alegar, e aproveita exclusivamente aos que a alegarem, salvo o caso de solidariedade ou indivisibilidade; C) Configura-se o estado de perigo quando alguém, premido da necessidade de salvar-se, ou a pessoa de sua família, de grave dano conhecido pela outra parte, assume obrigação excessivamente onerosa. Tratando-se de pessoa não pertencente à família do declarante, o juiz decidirá segundo as circunstâncias; D) O menor, entre dezesseis e dezoito anos, não pode, para eximirse de uma obrigação, invocar a sua idade se dolosamente a ocultou quando inquirido pela outra parte, ou se, no ato de obrigar-se, declarou-se maior; E) O dolo do representante legal de uma das partes só obriga o representado a responder civilmente até a importância do proveito que teve; se, porém, o dolo for do representante convencional, o representado responderá solidariamente com ele por perdas e danos. COMENTÁRIOS: A coação pode incidir sobre a própria pessoa, seus bens ou seus familiares, podendo o juiz, conforme as circunstâncias do caso concreto, estender à proteção à pessoa não integrante da família, a fim de anular o negócio jurídico praticado sob ameaça a essa pessoa. Correta a alternativa “A”. A alternativa “B” está incorreta pelo simples fato de dizer que a anulabilidade pode ser pronunciada de ofício, premissa que não é verdadeira. Deve, pois, ser a assinalada. Correta está a alternativa “C”, que prevê o estado de perigo. O menor, relativamente incapaz (entre dezesseis e dezoito anos), quando dolosamente ocultar a sua idade, ou quando declarou-se maior, na celebração de um negócio jurídico, não pode invocar a sua incapacidade para anular o negócio jurídico. Correta a alternativa “D”. O dolo pode ser praticado pelo representante legal da parte, e esta só responderá civilmente pelo negócio jurídico por aquele entabulado até a importância do benefício que auferiu. Se o dolo for do representante convencional, o representado terá responsabilidade solidária com este pelas perdas e danos (art. 149). Correta, pois, a alternativa “E”. (MP/SP/82ºConcurso/2001) 21. A expressão "dôo o meu terreno situado à rua X, no 30, bairro Bela Vista, nesta cidade, à Municipalidade, a fim de que nele seja construído um hospital" encerra uma liberalidade gravada com: A) condição resolutiva. B) condição suspensiva. C) termo certo. D) condição potestativa. E) encargo. COMENTÁRIOS: O modo, ou encargo, é a cláusula acessória presente geralmente em atos de liberalidade, impondo um ônus, uma obrigação ao beneficiário. Assim, se faço uma liberalidade (doação) impondo a construção de um hospital, estou inserindo um encargo ao contemplado. Correta, portanto, a alternativa “E”. (Ministério Público/PE/2002) 22. Lúcio, para esconder receitas oriundas de venda e compra de imóveis, negociava-os em nome de seu amigo Ângelo, usando-o como "laranja" ou "testa de ferro". Em cada contrato, o ato jurídico foiviciado: A) pela simulação, podendo ser anulado a requerimento de quem tenha legítimo interesse. B) pela simulação e não gera nenhum efeito, porque é nulo de pleno direito. C) pelo dolo, em face da má-fé de Lúcio e de Ângelo, causa de sua nulidade. D) pelo dolo de Lúcio e pela ignorância de Ângelo, considerando-se inexistente. E) pela coação irresistível de Lúcio sobre Ângelo, sem a qual ele não subscreveria os atos necessários. COMENTÁRIOS: A simulação é vício ou defeito do negócio jurídico, que o torna nulo. Consiste na declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente, externamente indicado. Há um desacordo entre a vontade declarada e a intencionada, no sentido de criar uma situação inexistente. Origina-se de um conluio, de um ajuste entre as partes, para prejudicar terceiros. Haverá simulação, segundo o art. 167, § 1º do CC, quando o negócio jurídico aparentar transferir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se transferem. É, repita-se, causa de nulidade, e não de anulação, como os demais defeitos do negócio jurídico. Assim, correta a alternativa “B”. (OAB/AL/1º-2000) 23. A condição, para o direito civil é.... A) cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto, podendo ser suspensiva ou resolutiva. B) cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e certo, podendo ser suspensiva ou resolutiva C) cláusula que subordina o efeito do ato jurídico a evento futuro e incerto, podendo ser supressiva ou resolutiva. D) NDR COMENTÁRIOS: A condição é elemento acessório ou acidental, que pode ser inserida nos negócios jurídicos, consistindo na cláusula que submete os efeitos do negócio jurídico a evento futuro e incerto. Difere do termo, porque neste o negócio jurídico está submetido a evento futuro e certo. Incorreta, com efeito, a alternativa “B”. A condicao pode ser suspensiva, quando a eficácia do negócio jurídico depender do evento futuro e incerto ou resolutiva, em que a ineficácia do negócio jurídico estiver submetida a evento futuro e incerto. Correta, portanto, a alternativa “A”, e incorreta a alternativa “C”, já que não existe condição “supressiva”. (OAB/DF/30/11/2003) 24. Ressalte a opção que carrega uma afirmativa inadequada: A) termo inicial suspende o exercício, mas não a aquisição do direito. B) encargo não suspende a aquisição e muito menos o exercício do direito, salvo quando expressamente imposto no negócio jurídico, pelo disponente, como condição suspensiva. C) falso motivo somente vicia a declaração de vontade quando expresso como razão determinante. D) dolo do representante legal ou convencional de uma das partes obriga o representado a responder civil e solidariamente por perdas e danos. COMENTÁRIOS: Termo é a cláusula acidental, presente em negócios jurídicos, que subordina os efeitos deste a evento futuro e certo. O termo, portanto, é o momento em que começa ou termina a eficácia do negócio jurídico. Pode ser inicial, que é aquele em que se inicia a sua eficácia, ou final, aquele em que cessa a sua eficácia. O direito considera-se adquirido desde o momento em que o negócio jurídico seja celebrado, mas o seu exercício condiciona-se à ocorrência do termo. Por isso, o termo inicial suspende o exercício, mas o direito considera-se adquirido desde logo (art. 131). Correta, destarte, a alternativa “A”. O encargo, ou obrigação imposta ao beneficiário de um ato de liberalidade não suspende a aquisição nem o exercício do direito, salvo se imposto como condição suspensiva pelo disponente (art. 136). Correta a alternativa “B”. O falso motivo declarado pelas partes só torna o negócio jurídico anulável se for o motivo determinante da declaração da vontade (art. 140). Correta a alternativa “C”. O dolo do representante legal de uma das partes só obriga esta a responder civilmente até a importância do proveito que teve. Se o representante for convencional, o dolo deste obriga o representado, que responde solidariamente pelas perdas e danos. Incorreta a alternativa “D”, que deve ser a assinalada. (OAB/GO/21-03-99) 25. Quanto aos atos jurídicos, assinale a alternativa correta: A) São nulos de pleno direito os atos jurídicos, quando as declarações de vontade emanarem de erro substancial; B) O dolo acidental não obriga à satisfação de perdas e danos; C) A coação exercida por terceiro não vicia o ato; D) A validade do ato jurídico requer agente capaz, objeto lícito e forma prescrita ou não defesa em lei. COMENTÁRIOS: O erro essencial ou substancial é vício ou defeito do negócio jurídico que o torna anulável. Incorreta, por conseguinte, a alternativa “A”. O dolo substancial é causa de anulabilidade do negócio jurídico, mas o dolo acidental só obriga a satisfação das perdas e danos. Incorreta a alternativa “B”. A coação exercida por terceiro, se dele teve ou devesse ter conhecimento a parte a quem aproveitou o negócio jurídico, vicia-o, tornando-o anulável. Incorreta a alternativa “C”. São elementos essenciais de validade dos negócios jurídicos a capacidade do agente, o objeto lícito e a forma prescrita ou não proibida por lei. Correta a alternativa “D”. (OAB-MG-2002) 26. É CORRETO afirmar que será considerado nulo de pleno direito todo ato jurídico, quando: A) for preterida alguma solenidade que a lei considere essencial para a sua validade. B) for praticado por pessoa relativamente incapaz. C) for praticado com vício resultante de coação. D) for praticado com vício resultante de erro, dolo, simulação ou fraude. COMENTÁRIOS: O negócio jurídico praticado pelo relativamente incapaz é anulável, e não nulo. Incorreta a alternativa “B”. O negócio jurídico praticado sob coação, erro, dolo ou fraude contra credores é anulável. A simulação é causa de nulidade do negócio jurídico. Incorretas as alternativas “C” e “D”. É nulo o negócio jurídico quando praticado com preterição de alguma formalidade que a lei considere essencial. Correta a alternativa “A”. (OAB/PB/2002) 27. Sobre defeitos do negócio jurídico, assinale a alternativa incorreta: A) para que se configure erro, um dos requisitos é o de que ele deva ser real, ou seja, recair sobre o objeto do contrato e não simplesmente sobre o nome ou sobre qualificações. B) há erro acidental se o sujeito "A" doa para o sujeito "B" um bem móvel, supondo que o sujeito "B" havia salvado sua vida, o que não ocorreu. C) no dolo acidental não há vício do consentimento, mas sim, ato ilícito que gera responsabilidade para o culpado. D) na coação absoluta, não há configuração de vício de vontade, existindo total ausência de vontade, o negócio jurídico se reduz a caso de nulidade. COMENTÁRIOS: O erro só é causa de anulabilidade do negócio jurídico quando for substancial, ou seja, relevante, de razão plausível, não ensejando a anulação o simples erro na indicação da pessoa ou da coisa a que se refira o negócio jurídico, se for possível a sua identificação. Correta, pois, a alternativa “A”. O erro é substancial quando incide sobre a identidade ou qualidade essencial de uma pessoa, que tenha influído nesta de modo relevante para a conclusão do negócio. Assim, se penso que uma pessoa me salvou a vida, quando isto não ocorreu, e por esse motivo faço-lhe uma doação, incorri em erro essencial, e não em erro acidental, porque não fosse inexistente a causa, não teria realizado o negócio jurídico. Incorreta a alternativa “B”, que deve ser assinalada. O dolo acidental só obriga a satisfação das perdas e danos, não ensejando a anulabilidade do negócio jurídico. Correta a alternativa “C”. A coação que é considerada defeito do negócio jurídico é a moral ou psicológica. A coaçãofísica é causa de nulidade, e não de anulação. Correta a alternativa “D”. (OAB/RJ Março - 2004) 28. Sobre simulação no novo Código Civil, é correto afirmar que: A) Não se trata de hipótese de anulação, como no Código anterior, mas sim de nulidade do negócio jurídico; B) Decorre da prática de atos legais, mas com a finalidade de prejudicar terceiros, ou, ao menos, frustar a aplicação de determinada regra jurídica; C) Foi excluída do novo Código Civil, não sendo causa de inexistência, nem nulidade e, tampouco, de anulação do negócio jurídico; D) É o artifício ou expediente astucioso, empregado para induzir alguém à prática de um ato jurídico, que o prejudica. COMENTÁRIOS: Diferentemente do tratamento dado pelo Código Civil de 1916, que considerava a simulação como defeito do negócio jurídico, ensejando a sua anulabilidade, o CC de 2002 trata da simulação como causa para a nulidade do negócio jurídico. Assim, o ato jurídico simulado é nulo. Correta a afirmativa “A”. O negócio jurídico simulado é nulo, porque ilegal, tendente a prejudicar terceiros ou fraudar a lei. Portanto, incorreta a alternativa “B”. Incorreta a alternativa “C”, porquanto é prevista a simulação expressamente no CC/2002 como causa de nulidade. O artifício ou expediente astucioso, empregado em face de alguém para induzi-la à prática de um negócio jurídico é o dolo, e não simulação. AULA 4 – PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA (Analista Jud./1ªReg./2003) 01. Quanto à prescrição e à decadência, é correto afirmar que: A) o prazo prescricional é estabelecido por lei ou por vontade das partes, o prazo decadencial somente é estabelecido por lei; B) a decadência e a prescrição são conhecidas de ofício pelo magistrado; C) a decadência e a prescrição são renunciáveis; D) a decadência não corre contra os ausentes; E) a prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado. COMENTÁRIOS: Os prazos prescricionais são estabelecidos somente em lei. Aliás, quanto a lei não fixar que o prazo é prescricional, será ele considerado decadencial. Incorreta a alternativa “A”. A prescricão só pode ser decretada de ofício se favorecer a absolutamente incapaz (art. 194). A decadência legal (cujo prazo é estabelecido em lei) pode ser pronunciada de ofício, mas não a decadência convencional (estabelecida por acordo entre as partes) (art. 211). Incorreta a alternativa “B”. ATENÇÃO!!! A lei 11280/2006 revogou o art. 194, sendo que agora o juiz pode conhecer da prescrição de ofício. Entretanto, essa lei só entrará em vigor em maio de 2006. O prazo de prescrição pode ser renunciado, mas só valerá se for feita a renúncia sem prejuízo de terceiro, e desde que já consumada (art. 191). A decadência convencional pode ser renunciada, mas não a decadência legal (art. 209). Incorreta a alternativa “C”. Os prazos de decadência não se sujeitam às causas de impedimento, interrupção ou suspensão, assim como os prazos prescricionais. A única exceção encontra-se no art. 208, que prevê que os prazos decadenciais não corre contra os absolutamente incapazes (art. 198,I). Incorreta a alternativa “D”. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita, ou seja, por qualquer interessado em sua alegação (art. 193). Portanto, correta a alternativa “E”. (AnalistaJudiciário/5º Reg.TRT/06/2003) 02. Quanto à decadência, é INCORRETO afirmar que: A) o prazo de decadência não corre contra os absolutamente incapazes. B) o juiz deve, de ofício, conhecer da decadência, quando estabelecida por lei. C) a renúncia à decadência fixada em lei é nula. D) aplicam-se à decadência as normas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição. E) parte a quem aproveita pode alegá-la em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode suprir a alegação, se a decadência for convencional. COMENTÁRIOS: A única regra prescricional que se aplica à decadência é a que prevê que esta não corre contra os absolutamente incapazes, como prevê o art. 208. Correta a alternativa “A”. A decadência legal pode ser conhecida de ofício pelo juiz, ou seja, sem provocação da parte interessada. Somente a decadência convencional é que não pode ser decretada de ofício (art. 210). Correta a alternativa “B”. O art. 209 é claro ao dispor que a renúncia à decadência fixada em lei é nula. Portanto, correta a alternativa “C”. A alternativa “D” está parcialmente incorreta, mas parcialmente correta também. As regras sobre impedimento, suspensão e interrupção da prescrição não se aplicam à decadência, “salvo disposição em contrário”, como preleciona o art. 207. Assim, a regra geral é que elas não se aplicam. Portanto, incorreta a alternativa “D”, que deve ser assinalada. A decadência pode ser alegada por quem tenha interesse em qualquer grau de jurisdição, mas o juiz não pode de ofício declarar a decadência convencional. Correta a alternativa “E”. (Analista Jud. 4º Reg. 2004) 03. De acordo com o Código Civil brasileiro, prescreve em 5 (cinco) anos a pretensão: A) relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas. B) de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. C) para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias. D) do beneficiário contra o segurador, no caso de seguro de responsabilidade civil obrigatório. E) de obter ressarcimento de enriquecimento sem causa. COMENTÁRIOS: Os prazos prescricionais estão previstos nos arts. 205 e 206. A pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas, prescreve em 04 anos. Incorreta a alternativa “A”. O prazo para cobrança de dívidas originadas de instrumento público ou particular é de 05 anos. Correta a alternativa “B”. O prazo prescricional para receber prestações vencidas de rendas temporárias ou vitalícias é de 03 anos. Incorreta a alternativa “C”. Para pretensões relativas a seguro, o segurado tem o prazo de 01 ano. Incorreta a alternativa “D”. A pretensão para o ressarcimento oriundo de enriquecimento sem causa é de 03 anos. Incorreta a alternativa “E”. ATENÇÃO!!! Sugerimos a leitura dos arts. 205 e 206, para conhecimento de outros prazos prescricionais. (Anal.Jud/TRE/BA/ÁreaJudiciária/09/2003) (ADAPTADA) 04. Considere as afirmações abaixo. I. As causas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição aplicam-se à decadência, ante a similitude dos institutos. II. O prazo prescricional é fruto de previsão legal, enquanto o decadencial tanto pode ser legal como resultar de acordo entre as partes. III. À decadência, de regra, não se aplicam as causas que impedem, suspendem ou interrompem a prescrição, por expressa disposição legal. IV. O Juiz pode conhecer a decadência de ofício, quando ela for convencional. Está correto APENAS o que se afirma em A) I e IV. B) I e II. C) III e IV. D) II e IV. E) II e III. COMENTÁRIOS: A decadência e a prescrição não são institutos similares, embora excepcionalmente, e muito excepcionalmente, algumas regras prescricionais, por expressa deferência legal, são aplicáveis à decadência. As causas que impedem, interrompem ou suspendem, regra geral, não são aplicáveis ao instituto da decadência. Incorreto o item “I” e correto o item “III”. Os prazos de prescrição são aqueles, e apenas aqueles estabelecidos em lei. Os prazos decadenciais, por seu turno, podem ser estabelecidos por lei, caso em que não podem ser alterados, ou por vontade das partes (decadência convencional). Correto o item “II”. O juiz pode declarar de ofício a decadência legal, mas não a convencional, que depende de provocação da parte interessada. Incorreto o item “IV”. A alternativa correta, com efeito, é a “E”. (Anal.Jud/TRE/PI/ÁreaAdministrativa/05/2002)05. Corria uma prescrição contra Joaquim e ele veio a morrer. Nesse caso, a A) morte interrompe o curso da prescrição, recomeçando a contar do início contra os herdeiros. B) prescrição continua a correr contra seus herdeiros, se não existirem causas impeditivas ou suspensivas. C) morte suspende o curso da prescrição, que recomeça a correr contra os herdeiros trinta dias depois. D) prescrição deixa de correr e é considerada extinta para todos os fins. E) prescrição continua a correr, mas o prazo prescricional é contado em dobro. COMENTÁRIOS: A prescrição pode ser impedida, suspensa ou interrompida. Quando houver uma causa de impedimento, o prazo prescricional não começa a fluir. Quando a causa for suspensiva, o prazo fica parado, e cessada a causa da suspensão, recomeça a correr de onde parou. Se a causa for de interrupção, o prazo que havia sido iniciado passa a recomeçar do zero, integralmente. Dentre as causas impeditivas, suspensivas e interruptivas, não se encontra a morte da pessoa, de modo que, segundo a dicção do art. 196, “a prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor”. Assim, incorreta a alternativa “A”, porque a morte não é causa de interrupção da prescrição. Correta a alternativa “B”, que compreende o teor do art. 196. Incorreta a alternativa “C”, porque não é causa de suspensão, nem muito menos existe o prazo temporal de 30 dias para que ela recomece a correr. Igualmente incorreta a alternativa “D”, já que há previsão legal de sua continuação no art. 196 supra referido. Incorreta a alternativa “E”, pois embora a prescrição continue a correr contra os sucessores do falecido, não existe a previsão do prazo prescricional ser contado em dobro. (AnalistaJudiciário/3ªReg/TRT/01/2005) 06. A prescrição e a decadência não correm: A) pendendo condição suspensiva ou ação de evicção. B) contra os ausentes do país em serviço público da União. C) enquanto o autor do ato ilícito considerado crime não for definitivamente condenado no juízo criminal. D) se o prazo para o pagamento da dívida não estiver vencido. E) contra os absolutamente incapazes. COMENTÁRIOS: A questão requer seja informada a causa que corresponde ao impedimento tanto da prescrição como da decadência, ou seja, quando esta não começa. Quisemos grifar a decadência porque, como já havíamos afirmado anteriormente, as causas que se referem à prescrição, regra geral, não se aplicam à decadência. Assim, incorreta a alternativa “A”, pois embora na pendência de condição suspensiva ou de ação de evicção não corra a prescrição (art. 199, I), esta causa não se aplica à decadência. Não corre igualmente prescrição quanto aos ausentes do País a serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios (art. 198, II), mas esta causa só se aplica à prescrição, e não à decadência. Incorreta a alternativa “B”. Não está previsto no Código Civil, seja como causa de impedimento, de suspensão ou de interrupção, a ausência de trânsito em julgado de condenação na esfera criminal, que, aliás, é autônoma em relação à seara cível, salvo em algumas hipóteses excepcionais. Incorreta a alternativa “C”. Segundo o art. 199, II, enquanto não estiver vencido o prazo, não corre a prescrição, mas essa regra não se aplica à decadência. Incorreta a alternativa “D”. Além da regra contida no art. 195, a única regra prescricional que se aplica à decadência é a de que esta, em ambos os casos, não corre contra os absolutamente incapazes, por expressa previsão legal (art. 208). Correta a alternativa “E”. (Analista Jud. 4º Reg. 2004) 07. Tendo em conta o disposto no Código Civil vigente a respeito dos prazos prescricionais, é INCORRETO afirmar que prescreve em: A) 2 anos a pretensão para haver prestações alimentares, a partir da data em que vencerem. B) 3 anos a pretensão relativa a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos. C) 4 anos a pretensão relativa à tutela, a contar da data de aprovação das contas. D) 5 anos a pretensão de cobrança de dívidas líquidas constantes de instrumento público ou particular. E) 20 anos a ação sempre que a lei não haja fixado prazo menor. COMENTÁRIOS: A pretensão relativa à pensão alimentícia, a partir da data em que se vencerem, prescreve em 02 anos. Correta a alternativa “A”. Também está correto o prazo prescricional de 03 anos para as pretensões relativas a aluguéis de prédios urbanos ou rústicos. Correta a alternativa “B”. A pretensão relativa à tutela, a contar da data da aprovação das contas, prescreve em 04 anos. Correta a alternativa “C”. Prescreve em 05 anos as pretensões relativas a dívidas oriundas de instrumentos públicos ou particulares. Correta a alternativa “D”. Por expressa previsão legal, quando a lei não haja fixado o prazo prescricional para a pretensão, está será de 10 anos, e não de 20 anos. Incorreta a alternativa “”E”, que deve ser assinalada. (Assessor Jurídico/PI/02/2002) (ADAPTADA) 08. Já promovida a interdição, quando necessária, não corre prescrição contra: A) pródigos e menores de dezesseis anos. B) os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade e os maiores de dezesseis mas menores de dezoito anos. C) menores absoluta ou relativamente incapazes. D) menores de dezesseis anos os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem necessário discernimento para a prática desses atos. E) menores de 16 anos e pródigos. COMENTÁRIOS: Os pródigos, considerados tais em processo de interdição, são relativamente incapazes. Contra estes, corre a prescrição. Não corre contra os menores de 16 anos, que são absolutamente incapazes. Incorreta a alternativa “A”. São absolutamente incapazes aqueles que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade e, contra estes, não corre a prescrição. Vale lembrar, contudo, que nesta situação, não há necessidade de um processo de interdição, até porque a causa da incapacidade é temporária, bastando o pleito de nulidade do ato praticado nestas condições. Os maiores de 16 e menores de 18 são relativamente incapazes, e contra estes corre a prescrição. Incorreta a alternativa “B”. Contra os relativamente incapazes corre a prescrição. Tal não ocorre apenas em relação aos absolutamente incapazes. Incorreta a alternativa “C”. Os menores de 16 anos e os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem necessário discernimento para a prática de atos da vida civil são considerados absolutamente incapazes. Estes dependem de um processo de interdição. No caso da incapacidade por menoridade, não há necessidade de interdição, a incapacidade decorre da menoridade, é causa automática. Como contra os absolutamente incapazes não corre a prescrição, correta está a alternativa “D”. Os menores de 16 anos são absolutamente incapazes, e contra estes não corre a prescrição, mas os pródigos são relativamente incapazes, não se lhes aplicando a regra do impedimento do curso do prazo prescricional. Incorreta a alternativa “E”. (Delegado de Polícia/SP/03) 09. Assinale a alternativa correta: A prescrição, que alude à extinção da pretensão de um direito material, por seu não exercício no prazo legal, A) poderá ser alegada, em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita. B) será sempre interrompida, por qualquer ato judicial. C) não correrá contra as pessoas jurídicas de direito público interno. D) ocorrerá em vinte anos, quando a lei não lhe tenha fixado prazo menor. COMENTÁRIOS: A prescrição, segundo a clara dicção do art. 193, pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pela parte a quem aproveita. Correta a alternativa “A”. Nem todos os atos judiciais motivam a interrupção da prescrição, mas somente aquelesprevistos no art. 202, quais sejam: a) despacho do juiz, mesmo que incompetente, que ordenar a citação; b) protesto judicial; c) apresentação do título de crédito em juízo de inventário ou em concurso de credores; d) qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor. Outros atos extrajudiciais também são elencados no art. 202, o que implica dizer que nem todos os atos judiciais interrompem a prescrição, e que existem outros atos, extrajudiciais, que podem promover dita interrupção. Incorreta a alternativa “B”. Nos arts. 197, 198 e 199 estão previstas as causas de impedimento da prescrição. Neles, não existe a previsão de que esta não corra contra as pessoas jurídicas de direito público, que também se sujeitam às regras prescricionais. Incorreta a alternativa “D”. Quando a lei não fixar prazo menor para a prescrição da pretensão, a regra a viger é de que este prazo é de 10 anos. Incorreta a alternativa “E”. (Mag. Trab. PR/2001) (ADAPTADA) 10. EM RELAÇÃO À PRESCRIÇÃO E À DECADÊNCIA É CORRETO AFIRMAR QUE: a. Ambas não se confundem, apesar de passíveis de suspensão, pois, na prescrição ocorre a perda do direito de ação e na decadência, a perda do direito material. b. Ocorre interrupção de prescrição na propositura de ação de evicção, computando-se o tempo já transcorrido antes da causa que a motivou. c. A decadência é oponível "erga omnes", enquanto a prescrição não é oponível a certas pessoas, como menores de 16 anos e portadores de doença mental. d. São requisitos da prescrição e da decadência a inércia do titular de um direito e o decurso do tempo para o exercício desse mesmo direito, sendo que a decadência legal pode ser declarada "ex officio" pelo juiz. A) I e IV estão incorretas. B) II e IV estão corretas. C) III e IV estão corretas. D) Todas as alternativas estão corretas. E) Nenhuma das alternativas está correta. COMENTÁRIOS: Prescrição e decadência não se confundem. A prescrição é a perda da pretensão (do direito de ação) por não ter o seu titular exercido no prazo legalmente previsto. Se sujeita à regras de impedimento, suspensão e interrupção. A decadência compreende a perda do próprio direito material. Aquela atinge a pretensão, e indiretamente o direito, que não pode mais ser exercido. Esta atinge o próprio direito e, pela via oblíqua, a pretensão. Regra geral, a decadência não se sujeita ao impedimento, suspensão e interrupção. Incorreta a alternativa “a”. Pendendo ação de evicção, não corre a prescrição (art. 199, III). A causa de interrupção, quando ocorrida, faz com que, quando cessada, o prazo prescricional recomece do início, desprezando-se o tempo eventualmente transcorrido antes da causa interruptiva. Incorreta a alternativa “b”. A regra geral é que a decadência corre contra todos, enquanto que a prescrição não corre contra os absolutamente incapazes. Correta a alternativa “c”. Em ambos os casos, deve haver inércia do titular do direito, que não exerceu a sua pretensão (no caso de prescrição) ou o seu direito (no caso de decadência) no prazo legalmente previsto. A decadência legal pode ser decretada de ofício pelo magistrado, mas não a convencional. A prescrição somente pode ser decretada mediante provocação, salvo se favorecer a absolutamente incapaz, mas repitase: o art. 194 do CC foi revogado pela Lei 11280/2006, e a partir de maio de 2006, a prescrição, em qualquer situação, pode ser alegada pelo magistrado de ofício. Correta a alternativa “d”. Deve ser assinalada, portanto, a alternativa “C”. (Magistratura Estadual-SP-2003) 11. Considere as seguintes afirmações sobre prescrição e decadência: I. a prescrição ocorre em 15 (quinze) anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor; II. em nenhuma hipótese o juiz pode suprir, de ofício, a alegação de prescrição; III. deve o juiz conhecer, de ofício, da decadência, tanto a convencional, quanto a estabelecida por lei; IV. entre as causas que interrompem a prescrição, inclui-se o protesto, salvo o cambial. Pode-se afirmar que não são integralmente corretas as afirmações A) I e II, somente. B) III e IV, somente. C) I, II, III, somente. D) I, II, III e IV. COMENTÁRIOS: Quando a lei nao haja fixado prazo menor para a prescrição de determinada pretensão, esse prazo é de 10 anos. Incorreto o item “I”. O juiz pode decretar de ofício a prescrição, quando beneficiar um absolutamente incapaz (art. 194). Incorreto o item “II”. Somente a decadência legal pode ser conhecida de ofício pelo juiz; a convencional depende de provocação da parte interessada. Incorreto o item “III”. Está previsto como causa de interrupção da prescrição (art. 202, III) o protesto cambial. Incorreto o item “IV”. Como todos os itens estão incorretos, a alternativa correta é a letra “D”. (MinistérioPúblico/RS/03-2003) 12. Quanto à prescrição, tendo em vista o novo Código Civil e as seguintes assertivas: I - A exceção (meio de defesa) prescreve no mesmo prazo que a pretensão (direito de ação). II - Podem as partes, por acordo, promover a alteração de prazos de prescrição. III - A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado. IV - Dá-se em dez anos a prescrição quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. V - O juiz pode suprir de ofício a alegação de prescrição para favorecer a absolutamente incapaz. Assinale a alternativa correta: A) Somente as assertivas I, II, III , IV estão corretas. B) Somente as assertivas I, II, IV, V estão corretas. C) Somente as assertivas I, III, IV e V estão corretas. D) Somente as assertivas II, III e V estão corretas. E) Todas as assertivas estão corretas. COMENTÁRIOS: O art. 190 do CC prevê que a exceção (defesa) prescreve no mesmo prazo da pretensão. Correto o item I. Os prazos prescricionais são estabelecidos em lei, e não podem ser alterados pelas partes (art. 192). Incorreto o item II. A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição pelo interessado (art. 193). Correto o item III. Quando a lei não houver fixado menor prazo, este será de 10 anos para a prescrição da pretensão. Correto o item IV. Enquanto não entrar em vigor a lei 10280/2006, que revogou o art. 194, e está em vacatio legis, o juiz só poderá declarar de ofício a prescrição se esta favorecer a um absolutamente incapaz. Correto o item IV. Assim, a questão correta é a “C”. (Mag. Est. DF/2003) 13. A pretensão de reparação civil, de acordo com o vigente Código Civil, prescreve:Assinale a alternativa correta: A) em vinte anos; B) em cinco anos; C) em três anos; D) em dez anos. COMENTÁRIOS: A pretensão de reparação civil, segundo o art. 205 do CC, prescreve em 03 anos. Correta a alternativa “C”. (Mag. Fed. TRT 18ª reg/2002) 14. Assinale alternativa correta. No âmbito do direito civil, é correto afirmar-se: I - as pessoas jurídicas estão sujeitas aos efeitos da prescrição e podem invocá-los sempre que lhes aproveitar; II - a renúncia da prescrição pode ser expressa, ou tácita; III - tácita é a renúncia, quando se presume de fatos do interessado incompatíveis com a prescrição; IV - o juiz deve conhecer da prescrição de direitos patrimoniais, mesmo se não foi invocada pelas partes; A) as assertivas II e IV estão corretas; B) as assertivas I e II estão incorretas; C) somente a assertiva III está correta; D) as assertivas I, II e III estão corretas; E) somente a assertiva IV está correta. COMENTÁRIOS: Todas as pessoas estão sujeitas às regras prescricionais, inclusive as pessoas jurídicas de direito público, não tendo sido estabelecida legalmente qualquer ressalva quanto a estas. Qualquer interessado, inclusive estas pessoas, podem alega-la. Correto o item I. O art. 191 prevê que a renúncia à prescriçãopode ser tácita ou expressa, mas só valerá se feita depois de consumado o prazo e desde que sem prejuízo de terceiros. Tácita, segundo o dispositivo legal em comento, é aquela que se presume por fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. Corretos os itens II e III. A prescrição só pode ser reconhecida de ofício pelo juiz quando favorecer absolutamente incapazes. Incorreto o item IV. A alternativa correta, pois, é a “D”. (OAB/AM/24-08-2002) 15. A prescrição: A) não corre pendendo ação de evicção. B) é suspensa pela citação válida, ainda que ordenada por juiz incompetente. C) suspensa em favor de um dos credores solidários, aproveita- se em qualquer caso a todos os outros credores. D) pode ser interrompida nos casos legais, mas não suspensa. COMENTÁRIOS: Não corre a prescrição pendendo ação de evicção, como deixa claro o art. 199, III. Correta a alternativa “A”. A prescrição é interrompida, e não suspensa, pela citação, ainda que ordenada por juiz incompetente (art. 202, I). Incorreta a alternativa “B”. A prescrição suspensa em favor de um dos credores solidários não aproveita aos demais credores, regra geral. Incorreta a alternativa “C”. A prescrição pode ser interrompida ou suspensa nos casos legalmente previstos. Incorreta a alternativa “D” (OAB/CE/13/03/2005) 16. A prescrição: A) iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor. B) correrá, mesmo pendendo ação de evicção. C) suspensa em favor de um dos credores solidários, aproveitará aos outros, independentemente da espécie da obrigação. D) ocorre em 20 anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. COMENTÁRIOS: Segundo a previsão contida no art. 196, a prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor. Correta a alternativa “A”. Está prevista como causa de impedimento do curso prescricional a pendência de ação de evicção (art. 199, III). Incorreta a alternativa “B”. A prescrição suspensa em favor de um dos credores solidários, regra geral, não aproveita aos outros. Incorreta a alternativa “C”. Quando a lei não houver fixado prazo menor, considera-se a prescrição em 10 anos, e não em 20 anos. Incorreta a alternativa “D”. 17. (OAB/DF 28.03.2004) Assinale o item incorreto. Com relação aos institutos da prescrição e da decadência: A) O Código Civil em vigor deixou claro o antigo entendimento doutrinário no sentido de que a prescrição atinge a pretensão; B) A decadência atinge direitos não-dotados de pretensão; C) A prescrição é renunciável, expressa ou tacitamente; a decadência fixada em lei, não; D) A suspensão da prescrição em favor de um dos credores aos outros aproveita COMENTÁRIOS: O Código Civil revogado, de 1916, previa que a prescrição atingia a ação, no que foi condenado pelos juristas pátrios. O CC/2002 passou a entender que a prescrição atinge a pretensão, estando correta a alternativa “A”. A decadência, por seu turno, atinge o próprio direito, já que a pretensão refere-se à prescrição. Correta, igualmente, a alternativa “B”. A prescrição, depois de consumada, pode ser renunciada, tácita ou expressamente. Os prazos decadenciais fixados em lei não podem ser alterados ou renunciados pelas partes. Correta a alternativa “C”. Regra geral, a suspensão da prescrição em favor de um dos credores não aproveita aos demais. Incorreta a alternativa “D”, que deve ser assinalada. (OAB/GO/21-03-99) 18. Quanto à prescrição é correto afirmar: A) A prescrição pode ser alegada, em qualquer instância, pela parte a quem aproveita; B) As pessoas jurídicas não estão sujeitas aos efeitos da prescrição; C) O juiz pode conhecer da prescrição de direitos patrimoniais mesmo se não foi invocada pelas partes; D) A prescrição iniciada contra uma pessoa não corre contra o seu herdeiro. COMENTÁRIOS: A prescrição pode ser alegada em qualquer grau de jurisdição, pela parte a quem aproveita (art. 193). Correta a alternativa “A”. Todas as pessoas, sejam naturais, sejam jurídicas, inclusive de direito público, estão sujeitas às regras prescricionais. Incorreta a alternativa “B”. Enquanto não entrar em vigor, em maio de 2006, a Lei 11280/2006, que revogou o art. 194 do CC, o juiz não pode declarar de ofício a prescrição, se não for provocado pela parte interessada. Incorreta a alternativa “C”. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor (art. 196). Incorreta a alternativa “E”. (OAB/GO/26-08-01) (ADAPTADA) 19. Marque a única questão verdadeira: A) Entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal, corre a prescrição. B) Não corre a prescrição contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados, ou dos Municípios. C) A prescrição só é interrompida por ato judicial que constitua em mora o devedor. D) O juiz não pode, em nenhuma situação, ex officio, decretar a prescrição. COMENTÁRIOS: Durante a constância da sociedade conjugal, entre os cônjuges, não corre a prescrição (art. 197), que só inicia a partir da sua dissolução. Incorreta a alternativa “A”. Segundo a dicção do art. 198, II, não corre a prescrição contra os ausentes do Brasil em serviço público da União, dos Estados ou dos Municípios. Correta a alternativa “B”. Existem outros casos de interrupção da prescrição que não são judiciais (art. 202). Incorreta a alternativa “C”. O juiz pode conhecer de ofício a prescrição, desde que para favorecer absolutamente incapaz (art. 194). Incorreta a alternativa “D”. (OAB/MG/03/2003) 20. Considerando-se o que determina a lei específica, é CORRETO afirmar que: A) a prescrição é irrenunciável. B) a prescrição somente pode ser alegada em sede de contestação. C) o juiz não pode suprir, de ofício, a alegação de prescrição, salvo se favorecer a absolutamente incapaz. D) os prazos de prescrição podem ser alterados por convenção das partes. COMENTÁRIOS: A prescrição pode ser renunciada, tácita ou expressamente, depois de consumada (art. 191). Incorreta a alternativa “A”. A prescrição pode ser alegada em qualquer instância, em qualquer fase do processo, em qualquer grau de jurisdição (art. 193). Incorreta a alternativa “B”. O juiz não pode decretar de ofício a prescrição, salvo em benefício de absolutamente incapaz. Mas cuidado: O art. 194 foi revogado pela Lei 11280/2006, e, a partir de maio de 2006, o juiz poderá decretar a prescrição de ofício em qualquer situação. Correta a alternativa “C”. Os prazos de prescrição, posto que estabelecidos em lei, não podem ser objeto de alteração por acordo entre as partes (art. 192). Incorreta a alternativa “D”. (OAB/MG/Dez/01) 21. Assinale a alternativa INCORRETA: A prescrição não corre: A) Não estando vencido o prazo. B) Contra os relativamente incapazes. C) Pendendo condição suspensiva. D) Entre cônjuges, na constância do matrimônio. COMENTÁRIOS: Entre as causas que impedem a prescrição, o CC elenca: a) o não vencimento do prazo (art. 199, II); b) a pendência de condição suspensiva (art. 199, I); c) entre os cônjuges, na constância da sociedade conjugal (art. 197, I). Corretas, portanto, as alternativas “A”, “C” e “D”. A prescrição flui normalmente em face dos relativamente incapazes. Só não corre contra os absolutamente incapazes. Incorreta a alternativa “B”, que deve ser a assinalada. (OAB/MT/2001) 22. É incorreto afirmar que a prescrição pode ser: A) Renunciada tacitamente pela parte interessada. B) Renunciada previamente a sua consumação. C) Alegada somente pela parte a quem ela aproveite. D) Alegada em qualquer instância. COMENTÁRIOS: A prescrição pode ser renunciada, tácita ou expressamente, consoante permissão contida no art. 191 do CC. Correta a alternativa “A”.Contudo, a renúncia à prescrição, seja tácita, seja expressa, só pode se efetivar depois de consumada, ou seja, depois de ultrapassado o seu prazo (art. 191 do CC), tornando incorreta a alternativa “B”, que deve ser assinalada. A prescrição pode ser alegada pelo interessado em seu benefício em qualquer instância, em qualquer fase do processo, em qualquer grau de jurisdição. Corretas as alternativas “C” e “D”. (OAB/MT/2005) 23.Prescreve em 1 (um) ano: A) pretensão para haver prestações alimentares; B) pretensão para haver aluguéis de prédios rústicos; C) pretensão dos credores não pagos contra os sócios da sociedade; D) pretensão relativa à tutela. COMENTÁRIOS: A pretensão relativa à prestações alimentícias prescreve em 02 anos, a partir da data em que se vencerem. Incorreta a alternativa “A”. A pretensão de aluguéis de prédios rústicos ou urbanos sujeita-se a prazo prescricional de 03 anos. Incorreta a alternativa “B”. A pretensão relativa à tutela, a contar da data de aprovação das contas prestadas pelo tutor, sujeita-se à prescrição em 04 anos. Incorreta a alternativa “D”. A pretensão dos credores não pagos em face dos sócios da sociedade prescreve em 01 ano. Correta a alternativa “C”. (OAB/SC/2003) 24. Assinale a alternativa CORRETA, de acordo com o Código Civil (Lei 10.406/2002). A) Os prazos de prescrição podem ser alterados por acordo das partes. B) O juiz não pode suprir, de ofício, a alegação de prescrição, salvo se favorecer a absolutamente incapaz. C) A prescrição ocorre em vinte anos, quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. D) A prescrição iniciada contra uma pessoa não continua a correr contra o seu sucessor. COMENTÁRIOS: Os prazos prescricionais são estabelecidos em lei, e, portanto, não podem ser alterados pelas partes (art. 192). Incorreta a alternativa “A”. Enquanto não entrar em vigor, em maio de 2006, a Lei 11280/06, que revogou o art. 194 do CC, o juiz só pode suprir de ofício a alegação de prescrição para favorecer absolutamente incapaz. Correta a alternativa “B”. A prescrição, quando a lei não tenha estabelecido menor prazo, ocorre em 10 anos. Incorreta a alternativa “C”. A prescrição iniciada contra uma pessoa continua a correr contra o seu sucessor (art. 196). Assim, se o prazo prescricional estava fluindo para uma pessoa, e esta vem a falecer, esse prazo continua fluindo em relação aos seus herdeiros. Incorreta a alternativa “D”. (MinistérioPúblico/RS/03-2003) 25. Quanto à prescrição, tendo em vista o novo Código Civil e as seguintes assertivas: I - A exceção (meio de defesa) prescreve no mesmo prazo que a pretensão (direito de ação). II - Podem as partes, por acordo, promover a alteração de prazos de prescrição. III - A prescrição pode ser interrompida por qualquer interessado. IV - Dá-se em dez anos a prescrição quando a lei não lhe haja fixado prazo menor. V - O juiz pode suprir de ofício a alegação de prescrição para favorecer a absolutamente incapaz. Assinale a alternativa correta: A) Somente as assertivas I, II, III, IV estão corretas. B) Somente as assertivas I, II, IV, V estão corretas. C) Somente as assertivas I, III, IV e V estão corretas. D) Somente as assertivas II, III e V estão corretas. E) Todas as assertivas estão corretas. COMENTÁRIOS: Da mesma forma que a pretensão, a exceção (meio de defesa) prescreve em igual prazo (art. 190). Correto o item “I”. Os prazos prescricionais não podem ser alterados pelas partes (art. 192). Incorreto o item “II”. A prescrição pode ser alegada por qualquer interessado (art. 193). Correto o item “III”. Quando a lei não haja fixado prazo prescricional menor, este será de 10 anos. Correto o item “IV”. O juiz não pode declarar a prescrição de ofício, ou seja, sem provocação da parte interessada, a não ser para beneficiar absolutamente incapaz (art. 194). A alternativa correta, portanto, é a letra “C”.