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Gestão Ambiental Renata Cristina de Souza Renata Cristina de Souza GeStão AmbientAl belo Horizonte Julho de 2017 COPYRIGHT © 2017 GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO todos os direitos reservados ao: Grupo Ănima Educação Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização por escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros. Edição Grupo Ănima Educação Diretor Rogério Salles Loureiro Gerentes de Operações Denise Elisabeth Himpel Gislene Garcia Nora de Oliveira Coordenadora de Produção Carolina Alcântara de Araújo Lopes Parecerista Ana Caroline de moraes Ilustração e Capa VG Consultoria Equipe EaD UNIDADE 1 .......................................................................................................................... 002 meio ambiente e gestão ambiental ............................................................................. 003 Problemas Ambientais ..................................................................................................... 004 meio Ambiente e Industrialização ................................................................................ 024 Gestão Ambiental ............................................................................................................... 031 Atividades de fixação - Respostas ............................................................................... 039 UNIDADE 2 .......................................................................................................................... 041 Legislação e Licenciamento Ambiental ..................................................................... 042 Legislação Ambiental ....................................................................................................... 043 Licenciamento Ambiental ............................................................................................... 058 eiA/RimA na legislação brasileira ................................................................................ 067 Avaliação de Impacto Ambiental (AiA) ....................................................................... 074 estudo de Impacto Ambiental (eiA) ............................................................................ 076 Relatório de Impacto de meio Ambiente (RimA) .................................................... 079 Atividades de fixação - Respostas ............................................................................... 082 UNIDADE 3 .......................................................................................................................... 083 Gestão Ambiental Empresarial ..................................................................................... 084 Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma ........................................ 085 Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial ....................................................... 103 modelos de Gestão Ambiental ...................................................................................... 113 Atividades de fixação - Respostas ............................................................................... 125 UNIDADE 4 .......................................................................................................................... 126 Sistema de Gestão Ambiental ....................................................................................... 127 Família iSo 14000 .............................................................................................................. 128 Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental ........................................................... 146 Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental .......................... 164 Atividades de fixação - Respostas ............................................................................... 177 UNIDADE Meio ambiente e gestão ambiental • Problemas Ambientais • Meio Ambiente e Industrialização • Gestão Ambiental • Atividades de fixação - Respostas Gestão AmbientAl 004 unidade 1 Problemas Ambientais Antes de falarmos acerca dos problemas ambientais, vamos entender a expressão meio ambiente, tendo em vista a emergência da questão ambiental no cenário mundial. Essa expressão meio ambiente (milieu ambiance) foi utilizada pela primeira vez pelo naturalista francês Geoffrey de Saint-Hilaire, onde milieu significa o lugar onde está ou se movimenta um ser vivo, e ambiance designa o que rodeia esse ser (MANEIA; CARMO; KROHLING, 2014, p. 223). No Brasil, há uma grande discussão a respeito da redundância do termo “meio ambiente”, por conter duas palavras com significados similares. O conceito legal de meio ambiente se encontra no art. 3º, I, da Lei nº. 6.938/81, que dispõe acerca da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA), definindo-o como sendo “o conjunto de condições, leis, influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Analisando esse conceito, remetemo-nos ao meio ambiente natural, entretanto, atualmente, o conceito de meio ambiente é mais global. Para Silva (2004, p. 20), o conceito de meio ambiente deve ser: abrangente de toda a natureza, o artificial e original, bem como os bens culturais correlatos, compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, as belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, turístico, paisagístico e arquitetônico. Segundo o autor, o conceito de meio ambiente compreende três aspectos, a saber: • Meio ambiente natural ou físico: aquele que é constituído pelo solo, pela água, pelo ar atmosférico, pela flora, pela interação dos seres vivos e seu meio. • Meio ambiente artificial: aquele constituído pelo espaço urbano construído. Gestão AmbientAl 005 unidade 1 • Meio ambiente cultural: aquele que é integrado pelo patrimônio histórico, artístico, arqueológico, paisagístico, turístico, que, embora artificial, difere do anterior pelo sentido de valor especial que adquiriu ou de que se impregnou. Dessa forma, é importante salientar que a humanidade depende do meio ambiente, que é fundamental para o desenvolvimento e para o bem-estar. Os recursos naturais, que estão presentes no ambiente natural, são a base sobre a qual se constrói boa parte das riquezas do país. Não podemos nos esquecer de que os recursos naturais podem ser divididos em dois grupos: renováveis e não renováveis. Para Barbieri (2016), os não renováveis são recursos que têm quantidade finita e, se forem continuamente explorados, poderão se esgotar, pois sua velocidade de renovação é lenta. Por exemplo: argila, areia, minérios, carvão mineral, petróleo, gás natural. Já os recursos naturais não renováveis são aqueles que podem ser obtidos indefinidamente de uma mesma fonte e compreendem a energia solar e eólica e a água. No entanto, devemos ressaltar que esses recursos podem ser esgotados pelo homem, passando a fazer parte da outra categoria (não renováveis), caso haja uma taxa de utilização maior do que sua renovação por processos naturais. Problemas Ambientais Com o surgimento da agricultura e o sedentarismo, ocorreu o início de um processo profundo de transformação da relação do homem com a natureza, pois a atividade agrícola exige a criação de um ambiente artificial para o cultivo de plantas e de gado, tornando- se necessário protegê-los dos animais selvagens. A produção de alimentos permitiu uma abundância de comida, que possibilita um grande incremento da população, a qual, por sua vez, ocupa maisespaços em detrimento do ambiente natural (DIAS, 2017). Assim, quanto mais aglomerações humanas, maior será a degradação ambiental, pois, com o crescimento acentuado Gestão AmbientAl 006 unidade 1 da população humana, muitas espécies desapareceram gradativamente e o homem construiu em ritmo acelerado o seu próprio ambiente. Podemos observar que os problemas ambientais provocados pelo homem aumentaram em função do uso do meio ambiente para obtenção de recursos necessários para a produção de bens e serviços, bem como dos despejos de materiais e energia não aproveitados (BARBIERI, 2016). Dessa maneira, o aumento da escala de produção tem sido um importante fator que tem estimulado a exploração dos recursos naturais e elevado a quantidade de resíduos, o que causa a poluição ambiental. A poluição, para Mano, Pacheco e Bonelli (2010, p.41), consiste em: toda alteração das propriedades naturais do meio ambiente que seja prejudicial à saúde, à segurança ou ao bem-estar da população sujeita aos seus efeitos, causada por agente de qualquer espécie. Há dois tipos de poluição: a natural e a antrópica. A poluição natural é aquela que não é associada à atividade humana, ocasionada por chuvas, salinização, vulcanismo, decomposição de vegetais, dentre outros. Já a poluição antrópica é aquela oriunda de atividades humanas, tais como industrialização, urbanização, agricultura, dentre outras. A seguir, veremos os problemas ambientais da água, do ar, do solo e dos resíduos. Poluição das águas A gestão ambiental voltada para os recursos hídricos envolve duas dimensões significativas: uma referente à quantidade de água e outra relacionada à qualidade dela. Já o conceito de poluição das Gestão AmbientAl 007 unidade 1 águas (Figura 1) deve associar o uso à qualidade. Conceitua-se poluição da água como a alteração de suas características físicas, químicas ou biológicas, que prejudica um ou mais de seus usos pré- estabelecidos. (BASSOI; MENEGON JR., 2014). FIGURA 1 - Poluição das águas Fonte : AKHARARAT WATHANASING; BIDOUZE STEPHANE, 123RF. Gestão AmbientAl 008 unidade 1 Fontes e consequências da poluição da água A poluição das águas, basicamente, se origina de quatro tipos de fontes, a saber: poluição natural, poluição industrial, poluição urbana e poluição causada por drenagens de áreas urbanas e agropastoris (DERISIO, 2012). Poluição Natural: trata-se de um tipo de poluição que não está associado a causas antrópicas, por exemplo, poluição causada por chuvas, salinização, decomposição de vegetais e animais mortos. Esse tipo de poluição dificilmente altera as características das águas de forma a torná-las impróprias para o abastecimento de água. a. Poluição por esgotos domésticos: são provenientes de residências, de nossas atividades do cotidiano, tais como lavagem de roupas, lavagem de louça, banho, descarga, lavagem de calçadas e outros. Geralmente, é composta por matéria orgânica e inorgânica. Os principais constituintes orgânicos são: proteínas, óleos e gorduras, microrganismos, sais orgânicos e componentes dos produtos de origem saneantes. Os principais constituintes inorgânicos são sais formados de ânions (cloretos, sulfatos, nitratos, fosfatos) e cátions (sódio, cálcio, potássio, ferro e magnésio) (VON SPERLING, 2005). Esses efluentes, quando lançados com ou sem tratamento em um corpo receptor, provocam alterações em suas características físicas, químicas e biológicas. b. Poluição industrial: os efluentes industriais são constituídos por líquidos gerados por lavagem de pisos, tubulações e equipamentos, resfriamento, oficinas de manutenção, consumo humano e usos sanitários. Os efluentes industriais têm como principal característica serem provenientes da composição das matérias- primas, das águas de abastecimento e do processo industrial (GIORDANO, 2004). Eles são efluentes que terão características particulares pertinentes ao processo que os gerou, dependendo de sua natureza, podem ser compostos por metais pesados, corantes, matéria orgânica, sólidos Gestão AmbientAl 009 unidade 1 em suspensão, microrganismos patogênicos e outros. São exemplos de indústrias que geram grande quantidade de efluentes: papel e celulose, álcool e açúcar, siderúrgica e metalúrgica, têxtil, abatedouros e frigoríficos, curtumes, químicas e farmacêuticas. c. Poluição causada por drenagens de áreas urbanas: é constituída pelas águas que passam pelos telhados, calçadas, praças, ruas, quintais, jardins. Esses efluentes, normalmente, contam com uma boa captação (bocas de lobo, galerias), no entanto não passam por nenhum tratamento (ARCHELA et al., 2003). Também são compostos por resíduos orgânicos de folhas, frutos, galhos secos, fezes, urina de animais domésticos e do que a população deixa nas galerias, como papel, plástico, tocos de cigarro e outros. d. Poluição causada por drenagens de áreas agrícolas: é decorrente de atividades ligadas à agricultura e à pecuária, compostas por defensivos agrícolas, herbicidas, excrementos de animais e erosão. Para Fernandes (2012), esses efluentes são ricos em compostos de fósforo, nitrogênio e enxofre. Poluentes, quando lançados nas águas, causam inúmeros danos aos ecossistemas aquáticos, sendo um dos mais preocupantes a eutrofização, que é caracterizada pelo excesso de nutrientes (fósforo e nitrogênio) oriundos de produtos químicos, detergentes e fertilizantes, o que provoca a proliferação de algas e cianobactérias, impedindo a entrada de luz. Com isso, há a redução da disponibilidade de oxigênio para os organismos aquáticos. Além disso, a saúde humana pode ser prejudicada por causa da poluição das águas, que trazem doenças como: cólera, febre tifoide, esquistossomose, dengue, dentre outras. Gestão AmbientAl 010 unidade 1 Métodos de controle de poluição das águas Tipos de processos de tratamento Para Bassoi e Menegon Jr. (2014), um sistema de tratamento de águas residuárias é composto por operações e processos que objetivam a remoção de compostos indesejáveis ou a transformação em outras fontes aceitáveis, que podem ser: processos físicos, processos químicos e processos biológicos. Os processos físicos são utilizados para separação de sólidos em suspensão nas águas residuárias, ou para equalizar e homogeneizar um efluente. O Quadro 1 apresenta os principais processos físicos de um tratamento de efluentes. QUADRO 1 - Descrição dos principais processos físicos de um tratamento de efluentes Etapa DEscrição FinaliDaDE Gradeamento remover sólidos grosseiros proteção dos dispositivos de transporte de esgotos (bombas e tubulações), proteção de corpos receptores. Peneiramento remoção de sólidos com diâmetros maiores que 1 mm proteção dos dispositivos de transporte de esgotos (bombas e tubulações). Caixa de areia remoção de areia evitar abrasão nos equipamentos e tubulações; eliminar a possibilidade de obstrução em tubulações, tanques; facilitar o transporte do líquido para etapas subsequentes. Tanque de equalização homogeneizar o efluente misturar o efluente a fim de torná-lo mais homogêneo, geralmente utilizado em indústrias. Gestão AmbientAl 011 unidade 1 Decantadores (sedimentação) remoção de sólidos em suspensão e sólidos flutuantes eficiência na remoção de sólidos suspensos e uma pequena parte da matéria orgânica. Fonte: VON SPERLING, 2005 [Adaptado]. Os processos químicos consistem naqueles em que é necessária a utilização de produtos químicos com o objetivo de aumentar a eficiência na remoção de substâncias.Geralmente, são empregados junto a processos físicos. Os mais utilizados são: neutralização ou correção de pH, oxidação, precipitação química e coagulação-floculação. O processo de coagulação-floculação consiste na remoção de sólidos presentes nos efluentes e na precipitação deles por meio da adição de produtos químicos coagulantes. Para isso, é realizada uma mistura rápida para dispersá-los e, em seguida, tem-se uma mistura lenta para a formulação dos flocos sedimentáveis (MANCUSO; SANTOS, 2003). Já a floculação, de acordo com Di Bernardo e Dantas (2005), consiste na agitação relativamente suave, para que ocorram choques entre as partículas e elas se aglomerem, formando partículas maiores, os flocos. A floculação é caracterizada por um conjunto de atividades físicas, que tem por objetivo reduzir o número de partículas suspensas e coloidais no efluente, buscando a formação de flocos que tenham tamanho maior para serem retirados com maior facilidade (LIBÂNIO, 2010). Para Dezotti (2008, p. 84), os processos biológicos ocorrem: pela ação dos microrganismos, os processos biológicos oxidam constituintes biodegradáveis particulados e dissolvidos, capturam e incorporam sólidos coloidais não sedimentáveis e suspensos para o interior dos flocos biológicos ou biofilmes, transformando ou removendo nutrientes, como o nitrogênio e fósforo. Gestão AmbientAl 012 unidade 1 Essa degradação é acompanhada da decomposição de carboidratos, óleos e graxas, proteínas e outros compostos orgânicos complexos em compostos mais simples como gás carbônico e água. Os principais tipos de tratamento biológico estão apresentados no Quadro 2. QUADRO 2 - Tipos de tratamento biológico e descrição tipo DEscrição Lagoas facultativas Sua construção é simples, apenas movimento de terras (corte e aterro) e preparação dos taludes. O efluente entra em uma extremidade da lagoa e sai pela outra, demora vários dias e ocorre a purificação do efluente. O oxigênio requerido pelas bactérias aeróbias é fornecido pelas algas, por meio da fotossíntese. Lagoa anaeróbia seguida de facultativa (sistema australiano) O efluente bruto entra em uma lagoa com menores dimensões e mais profunda (cerca de 4,0 a 5,0 m), por isso a fotossíntese não ocorre (anaeróbia), em seguida, o efluente segue para uma lagoa facultativa, que recebe cerca de 30 a 50% da carga efluente. Lagoa Aerada Facultativa É um sistema predominantemente aeróbio; aqui, pode se ter uma área mais reduzida e os mecanismos de remoção da DBO são similares aos de uma lagoa facultativa. Lagoa Aerada de Mistura Completa - Lagoa Decantação Uma forma de se reduzir o volume de uma lagoa aerada é aumentando sua aeração, fazendo com que haja uma turbulência, tal que, além de garantir a oxigenação, permita que todos os sólidos sejam mantidos em suspensão no meio líquido. Lagoa de maturação Tem como objetivo remover microrganismos patogênicos (e não remover DBO). Lagoas de polimento São semelhantes às lagoas de maturação, no entanto realizam o polimento de efluentes de estações de tratamento. Gestão AmbientAl 013 unidade 1 Filtro anaeróbio Consiste em um sistema de tanque séptico seguido de filtro anaeróbio (ou fossa filtro); usualmente, é utilizado no meio rural e em comunidades de pequeno porte. O tanque séptico remove a maior parte dos sólidos em suspensão e o filtro efetua uma remoção da DBO. Reator UASB São chamados de Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente e Manta de lodo. UASB origina-se de Upflow Anaerobic Sludge Blanket. Nesses reatores, a biomassa cresce e dispersa no meio. O líquido entra no fundo e encontra-se com o leito de lodo que causa a adsorção de parte da matéria orgânica pela biomassa, esse fluxo é ascendente. Fonte: VON SPERLING, 2005 [Adaptado]. Classificação dos sistemas de tratamento Os sistemas de tratamento de efluentes podem ser: • pré-tratamento: para Von Sperling (2005), consiste nos processos de separação dos sólidos mais grosseiros, por meio de grades grosseiras, grades finas e/ou peneiras rotativas, de desarenamento, em caixas de areia, e de desengorduramento, em caixas de gordura ou pré-decantadores. • tratamento primário: segundo Dezotti (2008), é o tratamento utilizado para remoção de sólidos em suspensão e material graxo (óleos e graxas), bem como para equalização e ajuste do pH, quando necessário. • tratamento secundário: tem por objetivo a remoção de matéria orgânica por meio da degradação biológica. • tratamento terciário: é um tratamento mais avançado de efluentes, que tem por objetivo a remoção de poluentes específicos, microrganismos patogênicos e outros. Gestão AmbientAl 014 unidade 1 Poluição do solo A poluição do solo pode ter origem na disposição de resíduos sólidos domésticos, hospitalares e industriais, de resíduos líquidos domésticos e industriais, da urbanização e uso do solo, de atividades agropastoris, de atividades extrativas e de acidentes em transportes de carga. Resíduos Sólidos Resíduos sólidos (Figura 2) são definidos pela NBR 10004 (ABNT, 2004, p.01) como: resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que resultam de atividades de origem industrial, doméstica, hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados em equipamentos e instalações de controle de poluição, bem como determinados líquidos cujas particularidades tornem inviável o seu lançamento na rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam para isso soluções técnica e economicamente inviáveis em face à melhor tecnologia disponível. Os resíduos provenientes de atividades antrópicas são dispostos no solo, na forma de aterros, por infiltração ou pela simples acumulação sobre o solo. Fontes e consequências da poluição do solo Toxicidade dos resíduos sólidos Classificação dos riscos potenciais para o meio ambiente, sendo que, de acordo com a NBR 10004 (ABNT, 2004), os resíduos são classificados em: Resíduos classe I – Perigosos - aqueles que apresentam periculosidade, podendo apresentar risco à saúde pública, provocando mortalidade, incidência de doenças, acentuando seus índices, e/ou Gestão AmbientAl 015 unidade 1 riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma inadequada. Participam também da classe I aqueles que apresentam uma das seguintes características: inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade. Resíduos classe II - Não perigosos Resíduos classe II A - Não inertes - podem ter propriedades como combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. Não apresentam perigo ao homem ou ao meio ambiente, porém não são inertes. Exemplos: a maioria dos resíduos domésticos, sucatas de materiais ferrosos e não ferrosos, embalagens de plástico, dentre outros. FIGURA 2 - Resíduos sólidos Fonte : NUTTAWUT PRASERT, 123RF. Gestão AmbientAl 016 unidade 1 Resíduos classe II B – Inertes - não contêm nenhum constituinte solubilizável em concentração superior ao padrão de potabilidade das águas. Exemplos: entulhos de demolições, como pedra, areia, concreto, e outros resíduos, como o vidro. Os resíduos sólidos também podem ser classificados de acordo com sua origem, a saber: • Resíduos domiciliares: gerados em residências, como sobras de alimentos, jornais, revistas, embalagens plásticas e outros. • Resíduos comerciais: gerados a partir de atividades comerciais e de serviços; são compostos por: papel, plásticos, orgânicos, embalagens e outros. • Resíduos públicos: são oriundos da limpeza públicaurbana, logradouros públicos, feiras livres e outros. • Resíduos de Serviços de Saúde (RSS): são provenientes de hospitais, clínicas odontológicas, consultórios veterinários, farmácias, laboratórios e outros estabelecimentos de saúde. São classificados em: Grupo A, B, C, D e E, sendo: grupo A biológicos (peças anatômicas, material biológico), grupo B químicos (vacinas vencidas, produtos químicos), grupo C radioativos, grupo D comuns (restos de preparo de alimentos, papel), grupo E perfurocortantes (bisturis). • Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoviários: gerados em navios, aviões e veículos de transporte. • Resíduos agrícolas: gerados em atividades agrícolas, compostos por embalagens de fertilizantes e defensivos agrícolas, rações, resíduos de colheita e outros. • Resíduos Industriais: provenientes das atividades industriais, têm características diversificadas, pois dependerão do produto que está sendo fabricado. Para isso, é preciso conhecer previamente todo processo Gestão AmbientAl 017 unidade 1 industrial com o objetivo de classificar o resíduo. Dessa forma, pode ser adotada a NBR 10004/04 da ABNT para se classificar os resíduos industriais: Classe I (Perigosos), Classe II A (Não-Inertes) e Classe II B (Inertes). • Resíduos da Construção Civil: provenientes de obras, reformas. São compostos por materiais de demolições, entulhos, solos de escavações, também podem conter componentes tóxicos como resíduos de tintas e solventes. São classificados, de acordo com a Resolução do CONAMA 307/02, em Classe A, B, C e D. • Resíduos Radioativos: são definidos como qualquer material resultante de atividades humana, que contém radionuclídeos em quantidades superiores aos limites de isenção especificados nas Instruções Normativas da Comissão Nacional de Energia Nuclear. Os resíduos sólidos, quando destinados de forma incorreta, causam sérios danos ao meio ambiente e à saúde pública, como a contaminação do lençol freático, além de propagarem a proliferação de doenças. Prevenção e controle da poluição do solo O controle da poluição do solo, para Derisio (2012), compreende uma parte preventiva que é baseada na seleção de locais e técnicas mais apropriados para o desenvolvimento de atividades antrópicas, com o objetivo de minimizar os riscos ambientais. Tal aspecto inclui uma avaliação criteriosa do local escolhido para cada atividade, devendo considerar: • o uso do solo na região; • a topografia; • o tipo do solo; • a vegetação; • a possibilidade de ocorrência de inundações; Gestão AmbientAl 018 unidade 1 • as características do subsolo; • as proximidades de cursos d´água. O controle da poluição do solo inclui aspectos corretivos, como o uso de técnicas de engenharia, no que se refere à execução de sistemas de prevenção da contaminação das águas subterrâneas e dos sistemas de prevenção da erosão (DERISIO, 2012). O primeiro aspecto que deve ser considerado é referente ao gerenciamento de resíduos sólidos, sendo que precisa ocorrer a minimização na geração de resíduos; ficam incluídas, assim, a redução na fonte, a segregação, a coleta seletiva, a reciclagem, as alterações nos processos produtivos. Esses procedimentos podem aumentar a vida útil dos aterros sanitários. Para Silva (2008), um aterro sanitário consiste na disposição de resíduos no solo, que, fundamentada em critérios de engenharias operacionais específicas, garante um confinamento seguro em termos de poluição ambiental e proteção à saúde pública. Poluição atmosférica A poluição do ar (Figura 3) é ocasionada por atividades industriais, a partir da queima de combustíveis, tais como carvão mineral e derivados do petróleo. De acordo com Braga et al. (2005), os poluentes atmosféricos podem ser classificados em primários e secundários. Os primários são aqueles lançados diretamente no ar, como dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio, monóxido de carbono e alguns particulados, como poeiras. Já os poluentes secundários são formados na atmosfera a partir de reações que ocorrem em função da presença de determinadas substâncias químicas e condições físicas, por exemplo, o dióxido de enxofre e o oxigênio que reagem com o vapor de água para produzir o ácido sulfúrico, podendo originar a chuva ácida. Gestão AmbientAl 019 unidade 1 Os danos causados pela poluição do ar podem ser contra a saúde humana, danos materiais, contra as propriedades da atmosfera, contra a vegetação e a economia. Aquecimento global O aquecimento global é o processo de mudança da temperatura média global na atmosfera e nos oceanos. O acúmulo de altas concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera bloqueia o calor emitido pelo sol e o prende na superfície terrestre, aumentando as temperaturas. FIGURA 3 - Poluição do ar Fonte : TATIANA GROZETSKAYA; WANG TOM, 123RF. Gestão AmbientAl 020 unidade 1 Veja a notícia a seguir acerca do aquecimento global, suas causas, consequências e combate. Notícia Aquecimento global: causas, consequências e combate O mundo está se tornando mais quente. Mas esse é um processo natural da Terra ou decorre da ação humana? Há muita discussão em torno do assunto e é sempre bom esclarecer o que é o efeito estufa e como sua influência efetivamente ocorre. Fonte: EQUIPE eCycle. Aquecimento global: causas, consequências e combate. eCycle. Disponível em: <http://www.ecycle.com.br/ component/content/article/35/1294-aquecimento-global-o-perigo- se-tornou-real.html>. Acesso em: 17 jun. 2017. Destruição da camada de ozônio A camada de ozônio está situada na estratosfera entre 15 e 50 km de altitude, tem como objetivo bloquear as radiações solares nocivas, como os raios ultravioletas. Essa camada funciona como um atenuante dessa radiação. Sua destruição ocorre por gases utilizados pelas indústrias de refrigeração e ar condicionado, chamados de clorofluorcabonos (CFCs). Esses gases são estáveis, podendo permanecer na atmosfera por até 100 anos, e sobem até a estratosfera pelas correntes de ventos, reagem com o ozônio, destruindo-o (DINIZ, 2015). Para controlar, é preciso ter um programa de controle de poluição do ar que mantenha as concentrações em níveis aceitáveis. “Tipos e classificação de poluentes” Gestão AmbientAl 021 unidade 1 Inversão térmica A inversão térmica é um fenômeno que resulta do aumento brusco de temperatura no gradiente vertical da atmosfera. Geralmente, ocorre no inverno e é caracterizada pelo ar quente aprisionado sob o ar frio, que age com uma espécie de “tampa invisível”. Esse fenômeno acaba impedindo a dispersão de poluentes. Para Derísio (2012, p. 122): a inversão térmica por radiação acontece frequentemente quando o solo se esfria por radiação durante a noite. A presença dessas inversões noturnas por radiação impede a dispersão das emissões de poluentes na cidade à noite. A inversão térmica por subsidência ocorre quando da existência do processo de afundamento e compressão da massa de ar. Quanto maior for a convergência de massa em altitude, maior o movimento descendente (afundamento), havendo consequentemente, maior grau de compressão da atmosfera e com isso, maior o aumento de temperatura. Para Silva (2007), o controle da poluição do ar envolve desde o planejamento do assentamento de núcleos urbanos e industriais e do sistema viário até a ação direta sobre a fonte de emissão. As medidas usualmente utilizadas para controlar esse tipo de poluição são as medidas indiretas e medidas diretas. As medidas indiretas consistem em ações que tem por objetivo a eliminação, a redução, a diluição, a segregaçãoou o afastamento dos poluentes. São medidas preventivas, que, basicamente, consistem na melhor distribuição espacial das fontes poluição, adotando medidas como: • aumentar a distância com a comunidade receptora. • diminuir a concentração de atividades poluidoras próximas a núcleos residenciais. • proibir a implantação de fontes altamente poluidoras em regiões críticas. Gestão AmbientAl 022 unidade 1 • localizar as fontes preferencialmente à jusante dos ventos predominantes na região. Já as medidas diretas consistem em ações que têm por intuito reduzir a qualidade de poluentes descarregada na atmosfera, por meio da instalação de equipamentos de controle (Filtros de Ar). Sempre em conjunto com o equipamento de controle de poluição industrial, existe um sistema de exaustão (captores, dutos, ventilador e chaminé), cuja função é captar, concentrar e conduzir os poluentes para serem filtrados, com posterior lançamento residual no ar (DERISIO, 2012). Para Silva (2007), o material particulado pode ser removido do fluxo gasoso poluído por sistemas secos (coletores mecânicos inerciais e gravitacionais, coletores centrífugos, como os ciclones, precipitadores eletrostáticos secos e filtros de tecido, como o filtro de mangas) e por sistemas úmidos (lavadores dos mais variados tipos, em especial, o lavador venturi, e precipitadores eletrostáticos úmidos). Outros Além desses problemas ambientais mencionados, não podemos nos esquecer: dos ruídos que causam efeitos físicos, psicológicos e sociais e que podem prejudicar a audição, provocando incômodo, fadiga; da falta de saneamento básico, que provoca inúmeras doenças para população; dos acidentes ambientais, que, muitas vezes, trazem consequências irreversíveis para o meio ambiente. Assim, podemos observar que as concentrações urbanas, para Dias (2017), ao destruírem o ambiente natural e ao recriarem um ambiente propício ao homem, podem provocar, também, a adaptação dos organismos que existiam nos ambiente naturais, os quais passam a conviver no espaço humano, como pragas, que multiplicam-se quase sem controle, além de inúmeros microrganismos que transmitem doenças. Assim, durante séculos, Gestão AmbientAl 023 unidade 1 tivemos notícias de grandes epidemias que assolaram as cidades, provocando a mortandade de milhões de pessoas. QUESTÃO 1 - A poluição ambiental é decorrente do lançamento ou da presença, na água, no ar ou no solo, de toda e qualquer forma de matéria ou energia com quantidade, concentração e características em desacordo com os padrões de qualidade ambiental. Leia os itens a seguir e julgue quais representam problemas ambientais urbanos: I. lançamento de esgoto a céu aberto. II. poluição da água. III. conservação do solo. IV. lixo em local inadequado. É correto o que se afirma em: a. I, II e IV, apenas. b. I e II, apenas. c. II e III, apenas. d. I, II e III, apenas. e. I, II, III e IV. QUESTÃO 2 - Existem vários processos disponíveis para o tratamento de efluentes, dependendo da natureza e da característica do efluente final. Diante desse contexto, numere a segunda coluna de acordo com a primeira, associando os conceitos. ( 1 ) Pré-tratamento ( ) lagoas de estabilização. ( 2 ) Tratamento primário ( ) caixa de areia, peneiras rotativas. ( 3 ) Tratamento secundário ( ) lagoa de polimento. ( 4 ) Tratamento terciário ( ) sedimentadores. Gestão AmbientAl 024 unidade 1 Assinale a sequência CORRETA. a. 2, 3, 4, 1. b. 1, 4, 3, 2. c. 3, 1, 4, 2. d. 4, 2, 3, 1. e. 1, 4, 3, 2. O gabarito se encontra no final da unidade. Meio Ambiente e Industrialização No século XVIII, tivemos uma grande transformação na capacidade produtiva. Ocorreu outra grande Revolução Científico-Tecnológica, e a segunda revolução, que também é conhecida como Revolução Industrial (BARBIERI, 2016). A Revolução Industrial teve origem a partir de 1760 e se consolidou na Inglaterra em meados do século XIX, tornando possível, naquela época, a produção de bens em larga escala. Passou-se do trabalho manual para a produção de máquinas a vapor concentradas em grandes fábricas, o que acarretou inúmeras mudanças econômicas, sociais e ambientais (MANO; PACHECO; BONELLI, 2010). Como produtos manufaturados da época, destacavam-se os tecidos de algodão, seda, lã e linho; além disso, materiais de construção, como cobre e ferro, e outros produtos, como cerveja, couro, sabão, vela, papel e carvão. Como os materiais empregados na confecção dos produtos industriais eram de origem natural, havia o retorno quase total dos refugos aos ciclos da natureza. Assim, Gestão AmbientAl 025 unidade 1 toda a produção, que era bastante reduzida, era consumida e sofria degradação natural, com o mínimo de impacto ambiental. A Revolução Industrial rapidamente propagou-se pelo mundo, promovendo o crescimento econômico, e abriu as perspectivas de maior geração de riqueza, que, por sua vez, traria prosperidade e melhor qualidade de vida. O problema foi que o crescimento econômico desordenado, acompanhado da urbanização, acabou utilizando grandes quantidades de recursos naturais e energia, passando a apresentar um quadro contínuo de degradação do meio ambiente. A industrialização (Figura 4) trouxe inúmeros problemas ambientais (BARBIERI, 2017), tais como: FIGURA 4 - Industrialização Fonte : DIETER HAWLAN, 123RF. Gestão AmbientAl 026 unidade 1 • alta concentração populacional, ocasionada pela urbanização; • consumo excessivo de recursos naturais, sendo alguns deles não renováveis; • contaminação da água; • contaminação do solo; • contaminação do ar; • desflorestamentos, dentre outros. Para Barbieri (2017), a urbanização foi um dos mais importantes subprodutos da Revolução Industrial. Por volta de 1850, havia mais cidadãos britânicos morando em cidades do que no campo e quase um terço da população total vivia em cidades com mais de 50.000 habitantes. Na época, essas cidades eram cobertas de fumaça e sujeira, pois serviços públicos básicos de abastecimento de água e esgotos sanitários não acompanharam a migração maciça das pessoas. isso produzia, sobretudo depois de 1830, epidemias como cólera, febre tifoide e o pagamento assustador de tributo constante aos dois grandes grupos de assassinos urbanos do século XIX, a poluição do ar e das águas, ou doenças respiratórias e intestinais (HOBSBAWN, 1983, p. 81). O fenômeno da urbanização na Inglaterra da primeira metade do século XIX provocou mortes por doenças infecciosas, responsáveis por mais da metade dessas mortes. Uma em cada duas crianças nascidas nas cidades morria antes de completar cinco anos, os sistemas sanitários eram inadequados e, em muitos casos, o esgoto ia diretamente para os rios dos quais as companhias retiravam água para o abastecimento (MANO; PACHECO; BONELLI, 2010). No Brasil, o processo de urbanização expandiu-se, principalmente em São Paulo, nas décadas de 1920 e 1930, em virtude da diversificação da produção industrial e da organização da indústria de construção, que iniciou o processo de verticalização da cidade. A Gestão AmbientAl 027 unidade 1 partir da década de 1950, houve um grande incremento populacional nas áreas urbanas (YAMAWAKI; SALVI, 2013). Você já ouviu falar no Rio Tâmisa, um dos grandes cartões postais de Londres? Naquela época, esse Rio não era atrativo aos turistas como é hoje. Leia mais na curiosidade a seguir. Dicas Rio Tâmisa: O grande fedor Em meados de 1858, as sessões do parlamento britânico foram suspensas devido ao grande fedor do Rio Tâmisa,já que ficavam às margens do rio. Em 1610, a água do Rio já não era considerada potável, e ele pode ter sido um dos responsáveis pelos surtos de cólera e de outras doenças que assolaram Londres entre 1850 e 1860. Hoje, após passar por despoluição, o Rio é um dos cartões postais da cidade. Fonte: RIO Tâmisa: o grande fedor. Mapa de Londres, 02 fev. 2014. Disponível em: <https://mapadelondres.org/rio-tamisa-o-grande-fedor/>. Acesso em: 22 jun. 2017. Ainda nos primórdios da industrialização, o economista inglês Thomas Robert Malthus (1766-1834) publicou um trabalho chamado “Ensaio sobre a população: como afeta o progresso da humanidade” (1768), no qual era sistematizado um conjunto de preocupações que apontava para os problemas decorrentes do aumento populacional, para a possibilidade de esgotamento dos recursos naturais e seus reflexos no crescimento econômico. O trabalho também destacou que o poder da população é infinitamente maior que a terra para produzir a subsistência do homem (BARBIERI, 2017). Sem dúvidas, os novos mecanismos e formas de produção, acrescidos da exploração intensiva e sistemática dos recursos naturais trazidos pela Revolução Industrial, generalizaram- Gestão AmbientAl 028 unidade 1 se e espalharam-se de forma descontrolada, sem prever as consequências para o meio ambiente, resultando em problemas ambientais enfrentados até os dias atuais. A exploração industrial do meio ambiente manteve-se sem contestação durante todo século XIX e parte do século XX. A visão equivocada que se tinha de que os recursos naturais eram ilimitados e estavam à disposição do homem começou a ser questionada na década de 70, quando os processos de deterioração ambiental e a possibilidade de esgotamento de determinados recursos naturais se tornaram mais evidentes (DIAS, 2017). Um dos problemas mais visíveis ocasionados pela industrialização é a destinação final dos resíduos, sejam eles sólidos, líquidos ou gasosos, que sobram dos processos produtivos e que são lançados de forma inadequada, causando danos ao meio ambiente e à saúde. Para Barbieri (2016, p. 07), ao longo do século XX foram os grandes acidentes industriais e a contaminação resultante deles que acabaram chamando a atenção da opinião pública pela gravidade do problema. Alguns problemas ambientais se tornaram assunto global e pela visibilidade e facilidade de compreensão quanto a causa e efeito constituíram-se na principal ferramenta de construção causados pela má gestão. Os principais casos que passaram pela história de desastres ambientais estão apresentados no Quadro 3. QUADRO 3 - Principais acidentes ambientais ANO DESCRIÇÃO 1956 Contaminação na baía de Minamata no Japão. A contaminação ocorria desde 1939 devido a uma indústria química instalada às margens. Moradores morreram devido às altas concentrações de mercúrio. Gestão AmbientAl 029 unidade 1 1966 Em Feyzin (França), um vazamento de GPT causou a morte de 18 pessoas e deixou 65 intoxicadas. 1976 No dia 10 de junho de 1976, em Seveso (Itália), a fábrica Hoffmann-La Roche liberou uma nuvem de um desfolhante conhecido como agente laranja que continha dioxinas. 1978 Em San Carlos (Espanha), um caminhão-tanque carregado de propano explodiu, causando 216 mortes e deixando 200 feridos. 1984 Em San Juanico (México), um incêndio de GLP seguido de explosão causou 650 mortes e deixou 6.400 feridos. 1986 Dia 26 de abril, em Chernobyl, antiga URSS, houve um acidente na usina nuclear, causado pelo desligamento do sistema de refrigeração com o reator ainda em funcionamento. A radiação espalhou-se, atingindo vários países. 2003 Um incêndio provocado em uma unidade de enxofre da Al-Mishraq, perto de Mosul, no Iraque, se prolongou durante um mês, liberando 910.000 toneladas de óxido de enxofre. 2005 Uma série de explosões de grandes proporções ocorreu em uma fábrica de produtos químicos em Jilin, na China. Houve milhares de vítimas, e o rio foi atingido também. 2010 Em outubro, houve o rompimento da barragem de rejeito de uma mina de alumínio na Hungria. A lama tóxica derramada na região de Ajka, 165 km de Budapeste, fez com que a Hungria declarasse estado de emergência. Foram despejados 1,1 milhões de metros cúbicos de lama tóxica vermelha, inundando três vilarejos. Fonte: BARBIERI, 2016; DIAS, 2017 [Adaptado]. Aqui no Brasil, também tivemos muitos acidentes ambientais, dando destaque ao que aconteceu no dia 05 de novembro de 2015, em Mariana (MG). O rompimento de uma barragem de rejeitos da empresa Samarco fez com que a lama tóxica fosse lançada, atingindo 35 cidades do estado. Morreram 19 pessoas e toneladas de peixes, além de ter deixado muitos desabrigados e graves consequências ambientais. Gestão AmbientAl 030 unidade 1 Assim, podemos observar que o processo de industrialização agravou os problemas ambientais no planeta. Isso é facilmente verificável pela evolução no quadro de contaminação do ar, da água e do solo e, também, pelo grande número de acidentes ambientais. Hoje, embora as indústrias precisem cumprir uma série de determinações propostas pela legislação ambiental vigente, ainda é necessário que haja postura preventiva quanto às questões ambientais, para que acidentes não ocorram e para que haja um processo produtivo mais sustentável. QUESTÃO 3 - O processo de industrialização começou a acontecer na Inglaterra, no século XVIII. Houve uma grande mudança no processo de produção, pois o que, antes, era produzido de forma artesanal e em pequena escala começou a ser fabricado em grande escala. Diante desse contexto, leia as afirmativas a seguir. I. As máquinas começaram a fazer os trabalhos humanos. II. Após a industrialização, o problema da poluição, que, antes, era restrito a alguns locais, tornou-se global. III. A natureza passa a ser vista como fonte de matéria-prima e receptáculo de resíduos oriundos do processo produtivo. IV. A poluição da água é a única consequência da Revolução Industrial. É correto o que se afirma em: a. I e II, apenas. b. II e III, apenas. c. I, II e IV, apenas. d. II, III e IV, apenas. e. I, II e III, apenas. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 031 unidade 1 Gestão Ambiental A Gestão Ambiental, de acordo com Campos (2001, p. 116), consiste na administração do uso dos recursos ambientais, por meio de ações ou medidas econômicas, investimentos e potenciais institucionais e jurídicos, “Atividades de Prevenção contra a contaminação industrial” com a finalidade de manter ou recuperar a qualidade de recursos e desenvolvimento social. Dessa maneira, temos uma sociedade e empresas mais preocupadas e conscientes de suas responsabilidades frente à exploração dos recursos naturais, assim, surgiu a necessidade de uma gestão mais especializada, com uma visão estratégica no que diz respeito à exploração dos recursos de maneira mais racional. Assim, a gestão ambiental surgiu da necessidade do homem de organizar melhor sua maneira de se relacionar com o meio ambiente (MORALES; KNECHTEL, 2006). Para Valle (2002, p. 39), a gestão ambiental é “um conjunto de medidas e procedimentos definidos e adequadamente aplicados que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos por um empreendimento sobre o meio ambiente”. Já segundo Barbieri (2017, p.18), compreende as diretrizes e as atividades administrativas realizadas por uma organização para alcançar efeitos positivos sobre o meio ambiente, ou seja, para reduzir, eliminar ou compensar os problemas ambientais decorrentes da sua atuação e evitar que outros ocorram no futuro. Assim, as primeiras manifestaçõesacerca da gestão ambiental foram impulsionadas pelo esgotamento de recursos naturais, Gestão AmbientAl 032 unidade 1 por exemplo, a escassez de madeira, cuja exploração tinha se intensificado desde a época medieval. Os primeiros atos em defesa da natureza não foram resultantes da preocupação com ela, mas sim do interesse em preservá-la para fins de utilização. As ações para combater a poluição só começaram efetivamente a partir da Revolução Industrial, segundo Barbieri (2017), embora desde a Antiguidade diversas experiências já tivessem sido tentadas, a fim de remover o lixo urbano que infestava ruas e cidades, prejudicando o meio ambiente e seus habitantes. Na segunda metade do século XIX, começou, também, um intenso debate entre os membros da comunidade científica e artística para delimitar as áreas do ambiente natural a serem protegidas, e foram criados santuários onde a vida selvagem pudesse ser preservada. O crescimento da consciência ambiental por amplos setores da sociedade é outro fator da emergência na gestão ambiental. A preocupação ambiental, antes, era restrita a pequenos grupos de políticos, cientistas, e espalhou-se devido ao grau elevado de degradação observado em todas as áreas do planeta. O Quadro 4 apresenta os marcos históricos da questão ambiental. QUADRO 4 - Marcos históricos da questão ambiental ANO DESCRIÇÃO 1962 Publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, o qual teve uma grande repercussão pública e expôs os perigos da utilização do DDT. 1968 Clube de Roma - um grupo de cientistas, educadores e empresários se reuniram em Roma e tiveram como objetivo discutir os dilemas atuais e futuros do homem. Gestão AmbientAl 033 unidade 1 1972 A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Conferência de Estocolmo), que teve como resultado a declaração de um plano de ação para o Meio Ambiente Humano. Foi a primeira conferência que procurou preservar o meio ambiente, pois, naquela época, acreditava-se que o meio ambiente era uma fonte inesgotável e a relação homem-natureza era desigual - de um lado, os seres humanos gananciosos tentando satisfazer seus desejos de conforto e consumo; do outro, a natureza com toda a sua riqueza e exuberância, sendo a fonte principal para as ações dos homens. 1987 Nosso Futuro Comum, ou Relatório Brundtland, que publicou a definição de desenvolvimento sustentável utilizada até hoje, que consiste em: o desenvolvimento que satisfaz às necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. 1992 Rio 92 (ou Eco 92) que consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável e aprovou a Agenda 21. 1996 Emissão da norma ISO 14001 (primeira versão) - teve adesões sem escala crescente por parte das empresas internacionais e nacionais. 1997 O Protocolo de Kyoto foi um tratado internacional que teve como objetivo fazer com que os países desenvolvidos assumissem o compromisso de reduzir a emissão de gases que agravam o efeito estufa, para analisar os impactos causados pelo aquecimento global. Também foram realizadas discussões para estabelecer metas e criar formas de desenvolvimento que não sejam prejudiciais ao Planeta. 2002 Rio+10 (Joanesburgo - África do Sul) reuniu representantes de 189 países, além da participação de centenas de Organizações Não Governamentais (ONGs). As discussões na Rio+10 não se restringiram à preservação do meio ambiente, englobaram, também, aspectos sociais. 2012 Uma das grandes discussões da Conferência foi acerca do papel de uma instância global que seja capaz de unir as metas de preservação do meio ambiente com as necessidades contínuas de progresso econômico, isto é, progredir sem agredir o meio ambiente. Fonte: SILVA; CRISPIM, 2011 [Adaptado]. Isso mostra que o contingente de pessoas preocupadas com a questão ambiental já é significativo e tende a crescer ainda mais à medida que o homem se dá conta de que, ao prejudicar o meio ambiente, estará prejudicando sua própria sobrevivência. Gestão AmbientAl 034 unidade 1 Dimensões da Gestão Ambiental A expressão gestão ambiental é aplicada a uma variedade de iniciativas a qualquer problema ou questão ambiental. Em sua origem, estão as ações governamentais para enfrentar a escassez de recursos. Assim, a gestão ambiental inclui, pelo menos, três dimensões (BARBIERI, 2017): • a dimensão temática está delimitada às questões ambientais as quais as ações de gestão se destinam. • a dimensão espacial refere-se à área de abrangência na qual se espera que as ações de gestão tenham eficácia. • a dimensão institucional se refere aos agentes responsáveis pelas iniciativas de gestão, tais como órgãos intergovernamentais, governos nacionais, subnacionais, municipais, entidades de classe e de profissionais, organizações da sociedade civil e empresas. O mapa conceitual a seguir ajudará você a relacionar melhor cada dimensão com os seus conceitos principais. Assim, as propostas da gestão ambiental alinhadas a essas perspectivas apoiam-se nestes três critérios de desempenho que devem ser considerados simultaneamente: eficiência econômica, equidade social e respeito ao meio ambiente. Dessa forma, as empresas buscam incorporar a gestão ambiental em seus princípios, em busca de uma sociedade sustentável. Gestão AmbientAl 035 unidade 1 Gestão Ambiental e a competitividade O nível de competitividade de uma organização depende de uma série de fatores que se relacionarão e são mutuamente dependentes, tais como: custos, qualidade dos produtos e serviços, nível do controle de qualidade, capital humano, tecnologia e capacidade de inovação (DIAS, 2017). Nos últimos anos, a gestão ambiental tem adquirido cada vez mais uma posição destacada, em termos de competitividade, devido aos benefícios que traz para as organizações e para o processo produtivo, potencializando-os. Dentre esses benefícios, destacam- se (DIAS, 2017): FIGURA 5 - Dimensões da gestão ambiental e exemplos Fonte :BARBIERI, 2016 [Adaptado] Gestão AmbientAl 036 unidade 1 • cumprimento de normativas - há uma melhora no desempenho ambiental de uma empresa, isso abrirá a possibilidade de maior inserção em um mercado cada vez mais exigente em termos ecológicos, com a melhoria da imagem junto aos clientes e à sociedade. • adoção de um design de produto com as exigências ambientais - é possível torná-lo mais flexível do ponto de vista de instalação e operação, com um custo menor e uma vida útil maior. • redução do consumo de recursos energéticos, matéria- prima, reduzindo o custo na produção. • otimização no processo produtivo, reduzindo as etapas do processo produtivo e minimizando os impactos ambientais. • otimização do transporte da empresa. Dessa forma, o grau de envolvimento da organização com a questão ambiental varia em função do grau da importância que ela dá para variável ecológica. Outros fatores que podem afetar o envolvimento da empresa com a gestão ambiental, apresentando um certo grau de dificuldade são: a falta de conhecimento técnico de profissionais; a falta de adaptação do processo produtivo; a dificuldade para obter investimento necessário para adaptação do seu processo produtivo. O Quadro 5 apresenta os principais benefícios econômicos e estratégicos da GA. Gestão AmbientAl 037 unidade 1 QUADRO 5 - Benefícios econômicos e estratégicos BENEFÍCIOS ECONÔMICOS Economia de custos Economias devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos. Economia devido à reciclagem, à venda e ao aproveitamento de resíduos e diminuição de efluentes. Reduçãode multas e penalidades por poluição. Incremento de receitas Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” que podem ser vendidos a preços mais altos. Aumento da participação no mercado devido à inovação dos produtos e menos concorrência. Linhas de novos produtos para novos mercados. Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição. BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS Melhoria na imagem institucional. Renovação do catálogo de produtos. Aumento da produtividade. Alto comprometimento do pessoal. Melhoria nas relações de trabalho. Melhoria e criatividade para novos desafios. Melhoria das relações com órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas. Acesso assegurado ao mercado externo. Melhor adequação aos padrões ambientais. Fonte: DONAIRE, 2007, p. 59. “Opções estratégicas das empresas com a gestão ambiental” Podemos observar que são muitas as vantagens que as organizações têm, seja qual for o segmento ou a atividade; a gestão ambiental faz parte do processo de produção sustentável. Gestão AmbientAl 038 unidade 1 QUESTÃO 4 - Muitas empresas buscam corroborar a eficiência da gestão das atividades ambientais por meio de certificações e isso demonstra um maior interesse em atender às normas e às leis ambientais. Diante disso, acerca da gestão ambiental, leia as afirmativas a seguir. I. A gestão ambiental pode ser considerada a administração dos recursos ambientais. II. A gestão ambiental utiliza-se de técnicas para preservar e conservar a biodiversidade. III. A gestão ambiental tem três dimensões: econômica, ambiental e social. IV. A gestão ambiental envolve o planejamento ambiental. É correto o que se afirma em: a. I, apenas. b. I, II e IV, apenas. c. II, apenas. d. I, II e III. e. III, apenas. QUESTÃO 5 - A expressão gestão ambiental é aplicável a uma grande variedade de iniciativas em relação a um problema ou questão ambiental. Assim, temos algumas dimensões. A dimensão espacial refere-se à área de abrangência que se espera que as ações de gestão tenham eficiência. Acerca da dimensão espacial em suas ações, assinale V, para verdadeira, e F, para falsa. ( ) Ações pontuais e locais. ( ) Ações de eliminação de substâncias que provocam efeito estufa. ( ) Ações das Nações Unidas quanto ao efeito estufa. ( ) Inovação nas questões ambientais. Marque a sequência CORRETA. a. F, F, V, V. b. F, V, V, V. c. V, V, V, V. d. V, V, F, F. e. V, F, V, F. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 039 unidade 1 QUESTÃO 1 - a) Os problemas ambientais urbanos mencionados são: lançamento de esgoto a céu aberto, poluição da água e o lixo em local inadequado, que trazem inúmeras consequências ao meio ambiente e à saúde humana. Enquanto o item III, que é a conservação do solo, é uma técnica de manejo. QUESTÃO 2 - c) Ordem: 3, 1, 4, 2. Pré-tratamento consiste em um tratamento prévio do efluente, os processos podem ser caixas de areia, peneiras rotativas, gradeamento. Tratamento primário: remoção de sólidos, pode ser por sedimentação (sedimentadores). Tratamento secundário: tratamento biológico, no exercício, representado pelas lagoas de estabilização. Tratamento terciário: visa remover poluentes específicos, por exemplo: lagoa de polimento. QUESTÃO 3 - e) Com a Revolução Industrial, as máquinas começaram a fazer trabalhos humanos, com a invenção da máquina a vapor. Após a industrialização, os problemas passam de uma escala local para global, e a natureza era vista como fonte de matéria-prima e como o lugar para onde iam os rejeitos dos processos produtivos. QUESTÃO 4 - b) A gestão ambiental é a administração de recursos ambientais, por meio de técnicas de controle, planejamento, direção. Podem ser utilizadas técnicas para prevenção e conservação da biodiversidade e há ações que envolvem o planejamento ambiental, para implementação da gestão ambiental. QUESTÃO 5 - d) V - as ações pontuais e locais são ações que contemplam a dimensão espacial. V - as ações de eliminação de substâncias que provocam efeito estufa contemplam a dimensão espacial, pois são globais. F - as ações das Nações Unidas, quanto ao efeito estufa, contemplam uma dimensão institucional, e a inovação nas questões ambientais contempla a dimensão temática. Atividades de fixação - Respostas Gestão AmbientAl 040 unidade 1 “Resumo da unidade” UNIDADE Legislação e Licenciamento Ambiental • Legislação Ambiental • Licenciamento Ambiental • EIA/RIMA na legislação brasileira • Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) • Estudo de Impacto Ambiental (EIA) • Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) • Atividades de fixação - Respostas Gestão AmbientAl 043 unidade 2 Legislação Ambiental A Legislação Ambiental consiste em um conjunto de leis, normas, regras e padrões criados para proteger o Meio Ambiente; assim, torna-se possível planejar e controlar impactos ambientais (TESTA, 2015). Para melhor entendermos as principais leis ambientais, iniciaremos nossos estudos tratando das políticas públicas ambientais. FIGURA 1 - Legislação Ambiental Fonte : MARN WISCHNEWSKI, 123RF Gestão AmbientAl 044 unidade 2 Política Pública Ambiental As atitudes relacionadas à gestão ambiental só começaram a se manifestar por meio dos governos estaduais, ao passo que os problemas iam surgindo, isto é, eram medidas isoladas de caráter remediador ou reparador. Somente a partir da Revolução Industrial, os problemas referentes à poluição começaram a ser considerados e sistematizados de forma mais consistente nas ações públicas governamentais, em forma de leis. As iniciativas ambientais dos governos eram concentradas nas medidas corretivas, e não preventivas, com pouco significado e baixa eficiência. A partir de 1970 começaram a surgir medidas preventivas, por meio de políticas governamentais. Para isso, contribuíram os debates acerca da relação entre meio ambiente, desenvolvimento e acordos ambientais, como a Conferência de Estocolmo, em 1972. Instrumentos de comando e controle Esses instrumentos podem ser chamados de instrumentos de regulação direta; os instrumentos de comando e controle têm por objetivo alcançar as ações que degradam o meio ambiente, que limitam ou condicionam o uso de bens, além da realização de atividades e do exercício de liberdades individuais em benefício da sociedade como um todo (BARBIERI, 2016). Isso é tratado como o poder de polícia dos entes estatais e, como tal, é manifestado por meio de proibições, restrições e obrigações impostas aos indivíduos e às organizações, sempre autorizadas por normas legais. Os instrumentos de comando e controle mais conhecidos são os que estabelecem padrões ou níveis de concentração máxima aceitáveis de poluentes, tais como: padrões de qualidade ambiental, padrões de emissão e padrões ou estágio tecnológico. O Quadro 01 apresenta os instrumentos de comando e controle. Gestão AmbientAl 045 unidade 2 QUADRO 01 - Instrumentos de comando e controle PADRõES DESCRIÇÃO ExEMPLO Padrões de Qualidade ambiental estabelece os níveis máximos admitidos para os poluentes constantes no meio ambiente, geralmente segmentado em ar, água e solo. padrões de qualidade do ar - 80 µg/m3 (oitenta microgramas por metro cúbico) como nível máximo de materiais particulados em suspensão na atmosfera. Padrões de emissão referem-se a um dado entorno ou segmento do meio ambiente, os padrões de emissão referem-se aos lançamentos de poluentes individualizados por fonte de emissão.uma quantidade máxima aceitável de cada poluente por fonte poluidora (0,5 mg/l de chumbo) ou uma quantidade máxima por unidade de tempo (tonelada de CO2, por dia, mês ou ano). Padrões tecnológicos tecnologias que estão em constante evolução, constituem a tecnologia para determinada finalidade. Assim, o padrão a ser adotado deve considerar a disponibilidade da tecnologia. Dois critérios: melhor tecnologia disponível e melhor tecnologia disponível que não acarreta custos. especificação e seleção de materiais, avaliação de fornecedores, métodos de inspeção, planejamento e treinamento. Fonte: BARBIERI, 2016, p. 54-56 [Adaptado]. São instrumentos de comando e controle: as proibições e o estabelecimento de cotas de produção, comercialização ou utilização de produtos prejudiciais ao meio ambiente físico, biológico e social. O licenciamento ambiental para atividades ou obras potencialmente poluidoras e o zoneamento ambiental são outros instrumentos desse tipo. O zoneamento ambiental foi elencado como um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente, posteriormente, esse termo evoluiu para o termo zoneamento ecológico-econômico (ZEE) estabelecido pelo decreto federal 4.297/2002 (BRASIL, 2002). O zoneamento restringe o direito de propriedade na medida Gestão AmbientAl 046 unidade 2 em que estabelece categorias de zonas destinadas à instalação de unidades produtivas. Nesse gênero de instrumentos, estão as normas acerca do parcelamento do uso do solo, pois elas representam uma limitação ao direito dos proprietários de dispor livremente de seus imóveis Instrumentos Fiscais Os instrumentos fiscais procuram influenciar o comportamento das pessoas e das empresas com relação ao meio ambiente, assim, estabelecem benefícios ou custos para elas. Esses instrumentos consistem em transferências de recursos entre os agentes privados e o setor público, podendo ser tributos ou subsídios. • Os subsídios são: isenções, reduções e diferimento de impostos, financiamentos em condições especiais e compensações financeiras. • Os tributos são: tributações sobre poluentes estimadas pela capacidade produtiva, tributações sobre uso de coleta e tratamento de efluentes, tributações sobre produtos supérfluos e outros. Como proposto na legislação brasileira, os tributos podem ser impostos, taxas e contribuições de melhoria. Para Barbieri (2016), o imposto refere-se a uma contribuição pecuniária compulsória, que tem como fato gerador uma situação independente de qualquer atividade estatal específica relativa ao contribuinte. As taxas dizem respeito aos tributos que são arrecadados pela União, pelos Estados ou por Municípios, com intuito de prestar certos serviços à população em geral. Já a contribuição de melhoria é um tributo para fazer face ao custo de obras públicas que visa à valorização imobiliária no entorno. Gestão AmbientAl 047 unidade 2 QUESTÃO 1 - É um tipo de instrumento fiscal que é um tributo e tem como fato gerador o exercício regular do poder de polícia ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao contribuinte ou posto a sua disposição. Refere-se a: a. taxas. b. impostos. c. multas. d. custos totais de produção. e. contribuição de melhoria. O gabarito se encontra no final da unidade. Instrumentos Públicos de Mercado São instrumentos que se efetuam por meio de transações entre agentes privados em mercados regulados pelo governo, por exemplo, as permissões de emissões transferíveis. Existem várias formas de mercado de permissões e todas foram criadas a partir da fixação de níveis aceitáveis de poluição em diferentes períodos e da colocação de certificados de permissões transferíveis de determinado poluente à venda em um mercado de título (BARBIERI, 2016, p. 61). Gestão AmbientAl 048 unidade 2 QUESTÃO 2 - É um tipo de padrão que normalmente é estabelecido após consultas com especialistas, fornecedores de tecnologia e/ou responsáveis pelas unidades produtivas. A afirmação refere-se a (assinale alternativa correta): a. padrões de qualidade ambiental. b. padrões de emissão. c. tributações. d. padrões tecnológicos. e. poluidor-pagador. O gabarito se encontra no final da unidade. Política Pública Ambiental Brasileira De acordo com Sousa (2002), a política ambiental brasileira nasceu e se desenvolveu nos últimos 40 anos, como resultado da ação de movimentos sociais locais e de pressões vindas de fora do país. Não havia propriamente uma política ambiental, mas políticas que acabaram resultando nela. Os temas predominantes eram o fomento à exploração dos recursos naturais, o desbravamento do território, o saneamento rural, a educação sanitária e os embates entre os interesses econômicos internos e externos. A base legal para as leis ambientais está na Constituição Federal, Título VII, Capítulo VI, artigo 225, que convoca todos a compartilharem ações para o bem comum: Capítulo VI – MEIO AMBIENTE Artigo 225 – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. Gestão AmbientAl 049 unidade 2 Dessa maneira, vários dispositivos jurídicos brasileiros previram a proteção legal do meio ambiente. Temos sete marcos importantes da legislação brasileira: Código das Águas, Código Florestal, Política Nacional do Meio Ambiente, Lei da Política Agrícola, Lei de Recursos Hídricos, Lei de Crimes Ambientais e Política Nacional de Resíduos Sólidos. Código das Águas - Decreto n.º 24.643/1934 Norma legal que disciplina o aproveitamento industrial das águas e o aproveitamento e a exploração da energia elétrica, sendo dividida em duas partes. A primeira é reservada às águas em geral e ao seu domínio; já a segunda parte estabelece uma disciplina legal para geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. Código Florestal - Decreto n.º 23793/1934 O Decreto n.º 23.793/1934 estabeleceu o Código Florestal, que tratava de regras acerca de onde e de que forma a vegetação nativa do território brasileiro poderia ser explorada. Determinava, também, as áreas que devem ser preservadas e quais regiões podem receber diferentes tipos de produção rural. O Código Florestal sofreu modificações importantes e, em 1965, se tornou mais exigente. Teve sua última alteração em maio de 2012, por meio da Lei 12.521/2012. Você já ouviu falar no novo Código Florestal? Entenda mais a respeito dele lendo a dica a seguir. Dicas Entenda as principais regras do Código Florestal. O Código Florestal brasileiro institui as regras gerais acerca de onde e de que forma o território brasileiro pode ser explorado, ao determinar as áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas e quais regiões são legalmente autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural. Gestão AmbientAl 050 unidade 2 O código utiliza dois tipos de áreas de preservação: a Reserva Legal e a Área de Preservação Permanente (APP). A Reserva Legal é a porcentagem de cada propriedade ou posse rural que deve ser preservada, variando de acordo com a região e o bioma. Fonte: BRASIL. Entenda as principais regras do Código Florestal. 06 nov. 2012. Portal Brasil. Disponível em:<www.brasil.gov.br/meio- ambiente/2012/11/entenda-as-principais-regras-do-codigo-florestal> Acesso em: 14 jun. 2017. Política Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 6.938/1981 A Lei nº 6.938/1981 estabeleceu a Política Nacional do Meio Ambiente.Essa Política representou uma mudança importante no tratamento das questões ambientais, na medida em que procura integrar as ações governamentais dentro de uma abordagem sistemática. Essa lei tem por objetivo a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar as condições de desenvolvimento socioeconômico, os interesses da segurança nacional e a proteção da dignidade humana. O meio ambiente como um todo é considerado patrimônio público que deve ser protegido, tendo em vista o uso coletivo (BRASIL, 1981). Com a Lei 6.938, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), responsável pela proteção e melhoria do meio ambiente e constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, como nos mostra o Quadro 02. QUADRO 02 - Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) - Componentes ÓRGÃO COMPONENTE Órgão superior Conselho de Governo que auxilia o presidente da República na formulação de políticas públicas Gestão AmbientAl 051 unidade 2 Órgão Consultivo e Deliberativo Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), presidido pelo ministro do meio ambiente. Esse órgão analisa, delibera e propõe diretrizes e normas acerca da política ambiental. Órgão Central Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA). Órgão responsável por planejamento, coordenação, supervisão e controle da Política Nacional do Meio Ambiente. Órgãos Executores Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Autarquias vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente que executam e fiscalizam a política ambiental no âmbito federal. Órgãos Seccionais Órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas e projetos e pelo controle e pela fiscalização de atividades capazes de provocar a degradação ambiental. Órgãos Locais Órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e pela fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdições. Fonte: BRASIL, 1981, on-line [Adaptado]. Espelhando-se no SISNAMA, os Estados criaram seus Sistemas Estaduais do Meio Ambiente para integrar as ações ambientais de diferentes entidades públicas nesse âmbito de abrangência. Outra inovação importante foi o conceito de responsabilidade objetiva do poluidor. O poluidor fica obrigado, independente de existência de culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente e a terceiros afetados por suas atividades. O princípio do poluidor-pagador é uma das principais normas do direito ambiental e um importante instrumento de políticas governamentais. O princípio torna a organização que contamina responsável pelo pagamento do prejuízo que causou. Os custos de tratamentos dos danos ou de recuperação de áreas poluídas não reincidem no governo (DIAS, 2017). Gestão AmbientAl 052 unidade 2 O Art 9º da Lei 6.938/81 aborda os instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente: I - o estabelecimento de padrões de qualidade ambiental; II - o zoneamento ambiental; III - a avaliação de impactos ambientais; IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou potencialmente poluidoras; V - os incentivos à produção e instalação de equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, voltados para a melhoria da qualidade ambiental; VI - a criação de espaços territoriais especialmente protegidos pelo Poder Público federal, estadual e municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; VII - o sistema nacional de informações sobre o meio ambiente; VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e Instrumentos de Defesa Ambiental; IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias ao não cumprimento das medidas necessárias à preservação ou correção da degradação ambiental. X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis – IBAMA. XI - a garantia da prestação de informações relativas ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a produzí-las, quando inexistentes; XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos recursos ambientais. XIII - instrumentos econômicos, como concessão florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e outros. “Princípio do Poluidor-Pagador” Gestão AmbientAl 053 unidade 2 A Constituição Federal de 1988 estabelece que a construção, a instalação, a ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e de atividades utilizadoras dos recursos ambientais, considerados efetivos ou potencialmente poluidores, dependeriam de prévio licenciamento por órgão estadual integrante do SISNAMA, sem prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1988). Assim, também se torna importante conhecermos o capítulo VI, do art. 225 da Constituição Federal de 1998, o qual afirma que: “Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”. Lei da Política Agrícola - Lei n.º 8.171/1991 O objetivo principal dessa lei é a proteção do meio ambiente. Ela define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional do solo, da água, da fauna e da flora. O Estado também deve realizar zoneamentos agroecológicos, buscando ordenar a ocupação de atividades produtivas, desenvolver programas de educação ambiental e incentivar a produção de mudas de espécies nativas. Lei dos Recursos Hídricos - Lei 9.433/1997 No ano de 1997, entrou em vigor a Lei n.º 9.433/1997, conhecida como a Lei dos Recursos Hídricos, ou Lei das Águas, que instituiu a Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH). De acordo com a Lei das Águas, a Política Nacional de Recursos Hídricos tem seis fundamentos. A água é considerada um bem de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de valor econômico, sendo sua gestão baseada em usos múltiplos (abastecimento, energia, irrigação, indústria etc.). Gestão AmbientAl 054 unidade 2 O instrumento legal prevê que a gestão dos recursos hídricos deve proporcionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada e participativa, contando com a participação do Poder Público, dos usuários e das comunidades. O consumo humano e de animais é prioritário em situações de escassez (BRASIL, 1997). Lei de Crimes Ambientais - Lei 9.605/98 A Lei de Crimes Ambientais no Brasil, Lei 9.605/98, aprovada em 12 de fevereiro de 1998, é uma das mais avançadas do mundo. Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente passaram a ser punidas, de forma civil, administrativa e criminal. A Lei não trata apenas de punições severas, pois incorpora métodos e possibilidades de não aplicação das penas, desde que o infrator recupere o dano, ou, de outra forma, pague sua dívida à sociedade. Esperou-se, com essa Lei, que órgãos ambientais e Ministério Público pudessem contar com um instrumento a mais que lhes garantisse agilidade e eficácia na punição dos infratores do meio ambiente. Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei n. 12.305/2010 A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada, no dia 02 de agosto de 2010, em Brasília. Com a sanção da PNRS, o país passou a ter um marco regulatório na área de Resíduos Sólidos. A Lei faz a distinção entre resíduo(lixo que pode ser reaproveitado ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento), além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, agrosilvopastoril, da área de saúde e perigosos. A PNRS instituiu o princípio de responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos, incluiu a chamada logística reversa, que se se refere a um conjunto de ações para facilitar o retorno Gestão AmbientAl 055 unidade 2 dos resíduos aos seus geradores, a fim de que sejam tratados ou reaproveitados em novos produtos, e estabeleceu princípios para a elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de Resíduos Sólidos. Ainda, propiciou oportunidades de cooperação entre o poder público federal, estadual e municipal, o setor produtivo e a sociedade em geral (BRASIL, 2010). Dentre os principais instrumentos instituídos pela PNRS (BRASIL, 2010), destacam-se: • os planos de resíduos sólidos; • os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos sólidos; • a coleta seletiva; • os sistemas de logística reversa e outras ferramentas relacionadas à implementação da responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos; • o incentivo às cooperativas de catadores; • o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e agropecuária; • a cooperação técnica e financeira entre os setores público e privado para o desenvolvimento de pesquisas de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e disposição final, ambientalmente adequada de rejeitos; • a educação ambiental. Os principais objetivos da PNRS são: • não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos sólidos; • destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos; Gestão AmbientAl 056 unidade 2 • diminuição do uso de recursos naturais, no processo de produção de • novos produtos; • intensificação de ações de educação ambiental; • aumento da reciclagem no país; • promoção da inclusão social; • geração de emprego e renda para catadores de materiais recicláveis. Outras leis importantes Além das leis mencionadas anteriormente, temos outras leis importantes no que tange à parte ambiental, a saber: • Lei 7.347/85 - disciplina a Ação Civil Pública de responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, ao consumidor e ao patrimônio artístico ou turístico. A ação pode ser requerida pelo Ministério Público, a pedido de qualquer pessoa, ou por uma entidade constituída há, pelo menos, um ano. • Lei 9.795/99 - institui a Política Nacional de Educação Ambiental (EA), estabelece princípios, objetivos, diretrizes para a EA. Entendem-se por educação ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. De acordo com o art. 2º da Lei, “a educação ambiental é um componente essencial e permanente da educação nacional, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não-formal”. Gestão AmbientAl 057 unidade 2 Lei 10.257/01 - também chamada de Estatuto da Cidade, estabelece normas de ordem pública e interesse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos, assim como do equilíbrio ambiental. O art. 2º aborda VI – ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar: a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos; b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes; c) o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos ou inadequados em relação à infra- estrutura urbana; d) a instalação de empreendimentos ou atividades que possam funcionar como pólos geradores de tráfego, sem a previsão da infra-estrutura correspondente; e) a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na sua subutilização ou não utilização; f) a deterioração das áreas urbanizadas; g) a poluição e a degradação ambiental; h) a exposição da população a riscos de desastres. • Lei 11.445/07 - estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico. Em seu art. 3º, considera saneamento básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de: a) abastecimento de água potável: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição; b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente; c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, transbordo, tratamento e destino final do lixo doméstico e do lixo originário da varrição e limpeza de logradouros e vias públicas; Gestão AmbientAl 058 unidade 2 d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: conjunto de atividades, infraestruturas e instalações operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de transporte, detenção ou retenção para o amortecimento de vazões de cheias, tratamento e disposição final das águas pluviais drenadas nas áreas urbanas. Licenciamento Ambiental O licenciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente (PNMA); tem por objetivo agir preventivamente sobre a proteção do bem comum do povo, o meio ambiente, e compatibilizar sua preservação com o desenvolvimento econômico- social, essencial para a sociedade (TCU, 2007). FIGURA 2 - Proteção ao meio ambiente Fonte : RATCHANIDA THIPPAYOS, 123RF. Gestão AmbientAl 059 unidade 2 O conceito de Licenciamento Ambiental pode ser definido como: Procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades utilizadoras de recursos ambientais, consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras; ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental, considerando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis ao caso (CONAMA, 1997, p.01). Assim, a Licença Ambiental pode ser entendida como: Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental (CONAMA, 1997, p. 01). Portanto, a licença ambiental é uma autorização emitida pelo órgão público competente, que é concedida ao empreendedor para que possa exercer seu direito à livre iniciativa, desde que sejam atendidas às precauções requeridas, com o intuito de resguardar o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente equilibrado. É importante notar que, devido à natureza autorizativa da licença ambiental, ela tem caráter precário. Um exemplo disso é a possibilidade legal de a licença ser cassada, caso as condições estabelecidas pelo órgão ambiental não sejam cumpridas (TCU, 2007). O licenciamento é composto por trêstipos de licença: prévia, de instalação e de operação. Cada uma se refere a uma fase distinta do empreendimento e segue uma sequência lógica. É importante salientar que essas licenças não eximem o empreendedor da obtenção de outras autorizações ambientais específicas junto aos órgãos competentes, a depender da natureza Gestão AmbientAl 060 unidade 2 do empreendimento e dos recursos ambientais envolvidos. Por exemplo, as atividades que utilizarão de recursos hídricos também necessitarão da outorga de direito de uso desses, segundo os preceitos da Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos. Outros exemplos de autorizações e licenças específicas são apresentados a seguir: • concessão de licença de instalação para atividades que incluam desmatamento depende também de autorização específica do órgão ambiental (Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 19 e Resolução Conama 378/06); • autorização para supressão de área de preservação permanente para a execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social (Código Florestal, Lei 4.771/65, art. 3º, § 1º e art. 4º); • licença para transportar e comercializar produtos florestais (Lei 4.771/65, art. 26, alíneas “h” e “i”, Portaria MMA 253/06 e Instrução Normativa IBAMA 112/06, que dispõem sobre o Documento de Origem Florestal - DOF); • licença para construção e autorização para operação de instalações nucleares e transferência da propriedade ou da posse de instalações nucleares e comércio de materiais nucleares (Lei 6.189/74, art. 7º a 11); • autorização para queimada controlada em práticas agropastoris e florestais (Lei 4.771/65, art. 27 e Decreto 2.661/98); • concessões das agências reguladoras, por exemplo, autorização para exploração, de centrais hidrelétricas até 30MW (Resolução ANEEL 395/98) e autorização para implantação, ampliação ou repotenciação de centrais geradoras termelétricas, eólicas e de outras fontes alternativas de energia (Resolução ANEEL 112/99). Gestão AmbientAl 061 unidade 2 1. Tipos de Licenciamento Ambiental As modalidades de licença ambiental previstas na legislação ambiental brasileira estão descritas a seguir. a. Licença prévia (LP) Deve ser solicitada na fase preliminar de planejamento da atividade, contendo requisitos básicos a serem atendidos nas fases de localização, instalação e operação, observados os planos municipais, estaduais e federais de uso do solo (CONAMA, 1997). Tem por objetivo definir as condições a partir das quais o projeto torna-se compatível com a preservação do meio que afetará. Essa licença é o compromisso que o empreendedor assume de que seguirá o projeto, de acordo com os requisitos determinados pelo órgão ambiental (TCU, 2007). Para Barbieri (2016), a licença prévia é a condição para dar continuidade ao processo de licenciamento, podendo ser entendida como um “sinal verde” para o empreendedor seguir adiante com o seu projeto. Para as atividades que são consideradas efetivas ou potencialmente causadoras de significativa degradação ambiental, a concessão da licença prévia dependerá da aprovação de estudo prévio de impacto ambiental e do respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA) (CONAMA, 1997). Além disso, esses instrumentos também são essenciais para a solicitação de financiamentos e obtenção de incentivos fiscais. A licença prévia tem extrema importância no atendimento ao princípio da prevenção (TCU, 2007). b. Licença de instalação (LI) A licença de instalação é a autorização para o início da implantação, de acordo com as especificações constantes no projeto executivo Gestão AmbientAl 062 unidade 2 aprovado. O início da instalação do empreendimento ou da atividade só deve ocorrer após a expedição da licença de instalação, na qual são verificados especificações constantes nos planos, programas e projetos aprovados, bem como medidas de controle ambiental, de compensação e outras consideradas importantes na fase anterior (LI) (CONAMA, 1997). Ao conceder a licença de instalação, o órgão gestor de meio ambiente terá (TCU, 2007): • autorizado o empreendedor a começar as obras; • concordado com as especificações constantes dos planos, programas e projetos ambientais, seus detalhamentos e respectivos cronogramas de implementação; • verificado o atendimento das condicionantes determinadas na licença prévia; • estabelecido medidas de controle ambiental, com vistas a garantir que a fase de implantação do empreendimento obedecerá aos padrões de qualidade ambiental estabelecidos em lei ou regulamentos. c. Licença de operação (LO) A licença de operação autoriza, após as verificações necessárias, o início da atividade licenciada e o funcionamento de seus equipamentos de controle da poluição, de acordo com o previsto na licença prévia e de instalação (CONAMA, 1997). A licença de operação é a que, finalmente, autoriza o início das operações do empreendimento ou da atividade objeto do projeto, e sua expedição depende da verificação e do cumprimento das etapas anteriores. A licença de operação tem três características básicas (TCU, 2007): Gestão AmbientAl 063 unidade 2 1. é concedida após a verificação, pelo órgão ambiental, do efetivo cumprimento das condicionantes estabelecidas nas licenças anteriores (prévia e de instalação); 2. contém as medidas de controle ambiental (padrões ambientais) que servirão de limite para o funcionamento do empreendimento ou da atividade; 3. especifica as condicionantes determinadas para a operação do empreendimento, cujo cumprimento é obrigatório, sob pena de suspensão ou cancelamento da operação. Os prazos de validade das licenças estão apresentadas no Quadro 03. QUADRO 03 - Prazos de validade das Licenças ambientais TIPO DE LICENÇA PRAzO MÁxIMO PRAzO MÍNIMO Licença Prévia (LP) 5 anos Prazo estabelecido pelo cronograma de planos, programas e projetos relativos à atividade ou ao empreendimento. Esse prazo poderá ser prorrogado desde que não ultrapasse o prazo máximo da licença.Licença de Instalação (LI) 6 anos Licença de Operação (LO) 10 anos Mínimo de 4 anos ou o prazo considerado nos planos de controle ambiental. Prazos específicos para empreendimentos ou atividades sujeitos a encerramentos ou modificações em prazos inferiores. Fonte: BARBIERI, 2016, p. 267 [Adaptado]. É importante salientar que nem toda atividade, ou empreendimento, está sujeita à licenciamento ambiental. A Resolução CONAMA 237/1997 apresenta uma relação (Anexo 1) dos que estão sujeitos ao licenciamento ambiental, mas se trata de uma lista não exaustiva, pois cabe ao órgão ambiental competente definir os critérios de exigibilidade, o detalhamento e a complementação dessa relação, considerando as especificidades, os riscos Gestão AmbientAl 064 unidade 2 ambientais, o porte e outras características do empreendimento ou da atividade (CONAMA, 1997). Ou seja, os órgãos ambientais competentes podem considerar outros tipos de empreendimentos e de atividades sujeitos ao licenciamento ambiental, além dos que estão expressamente citados no Anexo 1 da Resolução 237/1997. “Como fazer um licenciamento ambiental” A competência administrativa para proceder ao licenciamento ambiental é distribuída entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios pela Lei Complementar n. 140, de 2011 (BRASIL, 2011). O licenciamento deve ser realizado por órgão ambiental que tenha técnicos próprios ou em consórcio, devidamente habilitados e em número compatível com a demanda das ações administrativas a seremdelegadas. O mapa conceitual a seguir ajudará você a relacionar melhor e a entender a distribuição de competência administrativa referente ao licenciamento ambiental. Gestão AmbientAl 065 unidade 2 No que diz respeito aos órgãos licenciadores (TCU, 2004), vamos citar o exemplo a seguir: • Possibilidade 1 – se o rio serve de fronteira entre o Brasil e outro país, o licenciamento será a cargo do Ibama. • Possibilidade 2 – se o mesmo rio serve de fronteira entre dois Estados da Federação, ou se atravessa mais de um Estado, o licenciamento será pelo Ibama. • Possibilidade 3 – se o rio serve de fronteira entre dois Municípios, ou atravessa mais de um Município, o licenciamento será pelo órgão estadual do Estado em que se localizam os Municípios. FIGURA 3 - Licenciamento ambiental - Distribuição de competência administrativa Fonte : BRASIL, 2011, on-line. Gestão AmbientAl 066 unidade 2 • Possibilidade 4 – se o curso do rio está circunscrito aos domínios de um único Município, o licenciamento será pelo órgão municipal. Quanto ao procedimento de licenciamento, as seguintes etapas devem ser consideradas (CONAMA, 1997, art. 10): 1. definição pelo órgão ambiental competente, com a participação do empreendedor, dos documentos, projetos e estudos ambientais necessários ao início do processo de licenciamento correspondente à licença requerida. 2. requerimento a licença ambiental pelo empreendedor, acompanhado dos documentos, projetos e estudos ambientais pertinentes, dando- se a devida publicidade; 3. análise pelo órgão ambiental competente dos documentos, projetos e estudos ambientais apresentados e a realização de vistorias técnicas, quando necessárias; 4. solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental, uma única vez, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; 5. audiência pública, quando couber, de acordo com a regulamentação pertinente; 6. solicitação de esclarecimentos e complementações pelo órgão ambiental competente, decorrente de audiências públicas, quando couber, podendo haver a reiteração da mesma solicitação caso os esclarecimentos e complementações não tenham sido satisfatórios; 7. emissão de parecer técnico conclusivo e, se for necessário, de parecer jurídico; 8. deferimento ou indeferimento do pedido de licença, dando a devida publicidade. A legislação prevê licenças especiais em função da natureza, das características e das peculiaridades do empreendimento ou da atividade e a possibilidade de realizar procedimentos simplificados para empreendimentos de pequeno porte ou de pequeno potencial de impacto ambiental, bem como atividades similares, vizinhos ou Gestão AmbientAl 067 unidade 2 integrantes de planos de desenvolvimento já aprovados pelo órgão ambiental (CONAMA, 1997). Por isso, antes de iniciar o processo de licenciamento ambiental, veja se a atividade está disponível no Anexo 1 da Resolução CONAMA 237/97; também, é importante consultar o órgão ambiental do seu estado. QUESTÃO 3 - A atividade de caráter militar, excetuando-se o licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles previstos no preparo e emprego de forças armadas, é de competência administrativa do(a): a. estados. b. Distrito Federal. c. Municípios. d. Regional. e. União. O gabarito se encontra no final da unidade. EIA/RIMA na legislação brasileira A Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA enfatizou a necessidade de compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico com a qualidade ambiental, tendo como objetivos precípuos a preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando assegurar as condições ao desenvolvimento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida humana. Para garantir esse objetivo, o art. Gestão AmbientAl 068 unidade 2 9º da Lei 6.938/81 apresentou os instrumentos da PNMA, dentre os quais se destacam o licenciamento ambiental e a avaliação de impacto ambiental (AIA) (BRASIL, 2007, p.31). O que é, então, um Impacto Ambiental? FIGURA 4 - Exemplo de impacto ambiental Fonte : FABIEN MONTEIL, 123RF. Segundo Sanchéz (2008), impacto ambiental é definido como a alteração no meio (na qualidade ambiental, que modifica, consequentemente, os processos naturais ou sociais), provocada pela ação humana. De acordo com a Resolução CONAMA n.º 1/1986, em seu art. 01, o impacto ambiental é: Gestão AmbientAl 069 unidade 2 qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas que, direta ou indiretamente, afetam: I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população; II - as atividades sociais e econômicas; III - a biota; IV - as condições estéticas e sanitárias do meio ambiente; V - a qualidade dos recursos ambientais. Outras definições de impactos ambientais estão apresentadas no Quadro 04. QUADRO 04 - Definições de impactos ambientais “Atividade que visa identificar, prever, interpretar e comunicar informações sobre as consequências de uma determinada ação sobre a saúde e o bem-estar humanos (MUNN, 1975, p.23)”. “Procedimento para encorajar as pessoas encarregadas da tomada de decisões a levar em conta os possíveis efeitos de investimento em projetos de desenvolvimento sobre a qualidade ambiental e a produtividade dos recursos naturais e um instrumento para a coleta e a organização dos dados que os planejadores necessitam para fazer com que os projetos de desenvolvimento sejam mais sustentáveis e ambientalmente menos agressivos (HORBERRY, 1984, p. 269)”. “Instrumento de política ambiental, formado por um conjunto de procedimentos, capaz de assegurar desde o início do processo, que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de uma ação proposta (projeto, programa, plano ou política) e de suas alternativas, e que os resultados sejam apresentados de forma adequada ao público e aos responsáveis pela tomada de decisão, e por eles sejam considerados (MOREIRA, 1992, p.33)”. “A apreciação oficial dos prováveis efeitos ambientais de uma política, programa ou projeto; alternativas à proposta; e medidas a serem adotadas para proteger o ambiente (GILPIN, 1995, p. 4-5)”. Gestão AmbientAl 070 unidade 2 “Um processo sistemático que examina antecipadamente as conseqüências ambientais de ações humanas (GLASSON; THERIVEL; CHADWICK, 1999, p.4)”. “O processo de identificar, prever, avaliar e mitigar os efeitos relevantes de ordem biofísica, social ou outros de projetos ou atividades antes que decisões importantes sejam tomadas (IAIA, 1999)”. Fonte: Sanchéz, 2013, p. 39. Para Garcia (2014), realmente, a definição de impacto ambiental não é simples, ainda mais quando inserida em um contexto de estudo ambiental, em que é necessário identificar a ação causadora do impacto. Muitas vezes, existe uma confusão entre ação, aspecto e impacto. Sanchéz (2008) esclarece que as ações são causas e os impactos, as consequências. Já os processos ou os mecanismos pelos quais as consequências ocorrem são chamados de aspectos. Para melhor entendermos, vamos citar um exemplo: um projeto de construção de uma rodovia em uma floresta. A construção da rodovia seria a ação, a supressão vegetal seria o aspecto e os impactos seriam as alterações nas taxas erosivas e no escoamento superficial (GARCIA, 2014). Temos várias maneiras de classificar os impactos ambientais, o Quadro 05 apresenta os tipos de impactos ambientais.QUADRO 05 - Tipos de impactos ambientais TIPO DO IMPACTO AMBIENTAL DESCRIÇÃO impacto positivo quando resulta em uma ação de melhoria. impacto negativo (adverso) quando a ação resulta em um dano à qualidade ambiental. impacto direto resultante de uma simples relação de causa e efeito. Gestão AmbientAl 071 unidade 2 impacto indireto resultante de uma ação secundária relativa à ação ou quando é parte de uma cadeia de reações. impacto regional quando o impacto se faz sentir além das imediações do sítio onde se dá a ação. impacto estratégico quando o componente ambiental afetado apresenta interesse coletivo ou nacional. impacto imediato quando o efeito surge no instante em que se dá a ação. impacto a médio ou longo prazo quando o impacto se manifesta certo tempo após a ação. impacto temporário quando seus efeitos têm duração determinada. impacto permanente quando, uma vez executada a ação, os efeitos não param de se manifestar em um horizonte temporal conhecido. impacto cíclico quando se manifesta em intervalo de tempo determinado. impacto reversível quando o fator ou parâmetro ambiental afetado, cessada a ação, retorna às suas condições originais. Fonte: SÁNCHEZ, 2008 [Adaptado]. Além dessa classificação, temos uma mais completa, apresentada no Quadro 06. QUADRO 06 - Classificação de impactos ambientais NATUREzA DESCRIÇÃO Quanto à natureza/ adversidade indica quando o impacto tem efeitos benéficos/positivos (POS) ou adversos/negativos (NEG) sobre o meio ambiente. Por exemplo: aumentos na arrecadação de impostos, alteração da qualidade do ar. Gestão AmbientAl 072 unidade 2 Quanto à forma mostra como se manifesta o impacto, isto é, se ele é direto (DIR), decorrente de uma ação do empreendimento, ou se é indireto (IND), resultado de um ou mais impactos gerados direta ou indiretamente. Por exemplo: alteração na qualidade da água. Quanto à duração divide os impactos em permanentes (PER) ou temporários (TEM), ou seja, aqueles cujos efeitos manifestam-se indefinidamente ou durante um período de tempo determinado. Exemplo: contribuição para o efeito estufa ou precipitações ácidas. Quanto à temporalidade diferencia os impactos segundo os que se manifestam imediatamente após a ação impactante (CP - curto prazo) e aqueles cujos efeitos só nos fazem sentir após um período de tempo em relação a sua causa (LP - longo prazo). Exemplo: ruídos, mudança no microclima local. Quanto à reversibilidade classifica os impactos segundo a manifestação de seus efeitos, podendo ser irreversíveis (IRR) ou reversíveis (REV) e permite identificar quais impactos poderão ser integralmente evitados e quais poderão ser apenas mitigados ou compensados. Por exemplo: ruído, modificação de regimes de rios. Quanto à abrangência indica os impactos cujos efeitos se fazem sentir localmente (LOC) ou que podem afetar áreas geográficas mais abrangentes (RE). Por exemplo: ruídos, modificações de regimes de rios. Quanto à cumulatividade derivado da soma de vários impactos ou de cadeias de impacto que somam, ou seja, gerado por empreendimentos isolados, porém contíguos, em um mesmo sistema ambiental. Por exemplo: várias plataformas de petróleo em uma mesma bacia sedimentar. Quanto à sinergia fenômeno no qual o efeito obtido pela ação combinada de dois impactos diferentes é maior do que a soma dos efeitos individuais. Exemplo: lançamento de diferentes poluentes em um mesmo corpo d´água. Quanto à magnitude refere-se ao grau de incidência de um impacto ambiental em relação ao universo desse fator. Pode ser alta (ALT), média (MED), baixa (BAI) ou irrelevante (IR). Quanto à importância refere-se ao significado de um impacto para sociedade e à sua importância em relação aos demais impactos. Pode ser alta (ALT), média (MED) ou baixa (BAI). Gestão AmbientAl 073 unidade 2 Quanto à probabilidade de ocorrência a probabilidade de um impacto será alta (ALT) se a ocorrência for certa e constante ao longo de toda atividade, média (MED) se for intermitente, e baixa (BAI) se for improvável. Quanto a significância é classificada em 4 graus, de acordo com a magnitude, importância e probabilidade, isto é, não significativo (NS), pouco significativo (PS), significativo (S) e muito significativo (MS). Fonte: Garcia, 2014, p. 22-23. QUESTÃO 4 - Uma obra está sendo construída no centro de uma cidade e um dos problemas que está acontecendo é o ruído (que consiste em um aspecto) e está causando incômodos à comunidade (impactos). Esse impacto trata-se de um (assinale alternativa correta): a. impacto positivo. b. impacto temporário. c. impacto a médio ou a longo prazo. d. impacto permanente. e. impacto irreversível. O gabarito se encontra no final da unidade. A classificação de impactos é muito importante, pois nos permite avaliar a dimensão dos aspectos geradores dos impactos, os próprios impactos gerados pelo empreendimento, a eficácia das medidas mitigadoras e a formulação de indicadores de monitoramento dos impactos. Gestão AmbientAl 074 unidade 2 Outra definição importante é a de risco ambiental. Para Garcia (2014), precisamos diferenciar: perigo, salvaguarda e dano ambiental. • Perigo é uma circunstância potencial capaz de acarretar algum tipo de perda, dano ou prejuízo ambiental. • Salvaguarda: são ações ou medidas que objetivam evitar a consumação desses perigos. • Risco: a probabilidade esperada de ocorrência dos efeitos (danos ambientais, perdas, prejuízos humanos ou financeiros) advindos da consumação de um perigo; é definido pela equação: Risco = frequência * severidade da consequência. Em que: frequência: expressa em eventos/ano; ocorrências/ mês e outros. severidade das consequências: em virtude de fatalidade/evento; lesões/acidente; ecossistemas afetados/evento e outros. Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) O termo avaliação de impacto ambiental (AIA) entrou na terminologia e na literatura ambiental a partir da legislação pioneira que criou esse instrumento de planejamento ambiental National Environmental Policy Act – NEPA, a lei de política nacional do meio ambiente dos Estados Unidos. Essa lei, aprovada pelo congresso em 1969, entrou em vigor em 1º de janeiro de 1970 e acabou transformando-se em um modelo de legislações similares em todo o mundo. A lei exige a preparação de uma “declaração detalhada” sobre o impacto ambiental de iniciativas do governo americano (SANCHÉZ, 2008, p. 39). O conceito da AIA é proposto por Moreira (1985) como sendo um instrumento de política ambiental formado por procedimentos que buscam assegurar, desde o início do processo, que seja feito um exame sistemático dos impactos ambientais de uma ação proposta; esse exame é destinado a coletar, estruturar, analisar, comparar e Gestão AmbientAl 075 unidade 2 organizar os dados acerca dos impactos ambientais prováveis de uma atividade, isto é, tem por intuito identificar, prever e interpretar as consequências de ações antrópicas sobre o meio ambiente. Para Garcia (2014), a AIA tem um caráter prévio, diferente da avaliação de danos ambientais, que é feita posteriormente à ocorrência de um dano. Por isso, a AIA deve ser realizada durante a concepção de um projeto, a fim de que haja tempo hábil para minimizar os impactos identificados. A International Association of Impact Assessment (IAIA) define AIA como: processo de identificar, prever, analisar, e mitigar os efeitos relevantes de ordem biofísica, social ou de outros projetos ou atividades antes que decisões importantes sejam tomadas (IAIA citada por SANCHÉZ, 2008, p. 39). QUESTÃO 5 - A Avaliaçãode Impacto Ambiental (AIA) busca identificar, prever, interpretar e prevenir consequências ou efeitos de algum plano, programa ou ação no meio ambiente. Acerca desse assunto, assinale V, para alternativas verdadeiras e F, para falsas. ( ) A AIA é voltada para analisar a viabilidade ambiental de determinada proposta. ( ) A AIA é realizada posteriormente à ocorrência de um dano. ( ) A AIA é um instrumento de análise das consequências de uma intervenção planejada. ( ) A AIA serve para sintetizar os fatores ambientais mais importantes a serem considerados no processo decisório. Marque a sequência CORRETA. a. F, V, V, F. b. V, V, V, V. c. V, F, V, V. d. F, F, F, F. e. V, F, V, F. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 076 unidade 2 Estudo de Impacto Ambiental (EIA) O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é necessário para o licenciamento de empreendimentos com significativo impacto ambiental. Cabe ao órgão ambiental competente identificar as atividades e os empreendimentos causadores de impactos significativos. A primeira experiência de EIA no Brasil se deu antes da existência de uma legislação que o tornasse obrigatório e definisse critérios e procedimentos básicos para sua realização. Em 1972, no projeto da hidrelétrica de Sobradinho, o Banco Mundial exigiu a realização de um AIA para aprovar seu financiamento. A partir de reuniões diplomáticas e técnicas promovidas pela Organização das Nações Unidas (ONU) no final da década de 1960, que serviram para preparar a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente em 1972, em Estocolmo, as principais agências de fomento e desenvolvimento internacional, como BID, Bird, Unido e Pnud começaram a exigir o EIA como condição para novos empréstimos (BARBIERI, 2016, p. 268). Com a Lei n.º 6.803/80, que dispõe sobre o zoneamento industrial, o EIA apareceu pela primeira vez em uma legislação federal, porém sem critérios e definições (BRASIL, 1980). A Política Nacional do Meio Ambiente, Lei 6.938/81, relacionou a AIA como um dos instrumentos dessa política (BRASIL, 1981). O mesmo fez a Constituição Federal de 1988 no capítulo dedicado ao ambiente, estabelecendo a competência entre União, Estados e Distrito Federal. BRASIL (2007, p. 31) destaca que a Lei 6.938/81 não relaciona o licenciamento ambiental e a AIA. Somente a partir da Resolução Conama 01/86 a AIA vinculou-se ao licenciamento ambiental de atividades potencialmente poluidoras. Essa resolução consagrou o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como o principal documento de avaliação de impactos de empreendimentos sujeitos ao licenciamento, determinando que o EIA deve trazer a “definição Gestão AmbientAl 077 unidade 2 das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e os sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas” (BRASIL, 1986, on-line). Dessa forma, definições, responsabilidades, critérios básicos e diretrizes gerais para o uso e a implementação da AIA só foram estabelecidos a partir da Resolução Conama 01/86. As normas gerais para o EIA estão dispostas em diversos atos do CONAMA. Os Estados e o Distrito Federal podem acrescentar outras normas específicas quando houver necessidade. Os Municípios não têm competência para legislar acerca do EIA, no entanto podem estabelecer algumas exigências para que atendam às especificidades locais. As atividades que requerem EIA estão apresentadas no Quadro 07. QUADRO 07 - Atividades que requerem EIA - exemplos Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento; Ferrovias; Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos; Aeroportos; Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários; Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV; Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para fins hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, drenagem e irrigação, retificação de cursos d'água, abertura de barras e embocaduras, transposição de bacias, diques; Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão); Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de Mineração; Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos; Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MW; Complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, destilarias de álcool, hulha, extração e cultivo de recursos hídricos); Distritos industriais e zonas estritamente industriais - ZEI; Exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas acima de 100 hectares ou menores, quando atingir áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista ambiental; Projetos urbanísticos, acima de 100ha. ou em áreas consideradas de relevante interesse ambiental a critério da SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes; Qualquer atividade que utilize carvão vegetal, em quantidade superior a dez toneladas por dia. Fonte: BRASIL, 1986, on-line [Adaptado]. Gestão AmbientAl 078 unidade 2 O art. 6º da Resolução CONAMA 01/86 apresenta as atividades que, no mínimo, o EIA deverá desenvolver: I - Diagnóstico ambiental da área de influência do projeto completa descrição e análise dos recursos ambientais e suas interações, tal como existem, de modo a caracterizar a situação ambiental da área, antes da implantação do projeto, considerando: a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, destacando os recursos minerais, a topografia, os tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime hidrológico, as correntes marinhas, as correntes atmosféricas; b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da qualidade ambiental, de valor científico e econômico, raras e ameaçadas de extinção e as áreas de preservação permanente; c) o meio socioeconômico - o uso e ocupação do solo, os usos da água e a sócio-economia, destacando os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e culturais da comunidade, as relações de dependência entre a sociedade local, os recursos ambientais e a potencial utilização futura desses recursos. II - Análise dos impactos ambientais do projeto e de suas alternativas, através de identificação, previsão da magnitude e interpretação da importância dos prováveis impactos relevantes, discriminando: os impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a distribuição dos ônus e benefícios sociais. III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os equipamentos de controle e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a eficiência de cada uma delas. lV - Elaboração do programa de acompanhamento e monitoramento (os impactos positivos e negativos, indicando os fatores e parâmetros a serem considerados) (BRASIL, 1986, on-line). Gestão AmbientAl 079 unidade 2 Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) O Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) é exigido nos mesmos casos em que se exige o EIA. O EIA e o RIMA são dois documentos distintos com focos diferenciados. O EIA tem como objeto o diagnóstico das potencialidades naturais e socioeconômicas, os impactos do empreendimento e as medidas destinadas à mitigação, compensação e controle desses impactos. O RIMA apresenta as informações essenciais para que a população tenha conhecimento das vantagens,das desvantagens do projeto e das consequências ambientais de sua implementação (DIAS, 2017). De acordo com o art. 9 da Resolução CONAMA 01/06, o RIMA deverá conter os seguintes tópicos, sem os quais não será aceito pelo órgão ambiental: 1. Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação e compatibilidade com as políticas setoriais, planos e programas governamentais; 2. A descrição do projeto e suas alternativas tecnológicas e locacionais, especificando para cada um deles, nas fases de construção e operação a área de influência, as matérias primas, e mão-de- obra, as fontes de energia, os processos e técnica operacionais, os prováveis efluentes, emissões, resíduos de energia, os empregos diretos e indiretos a serem gerados; 3. A síntese dos resultados dos estudos de diagnósticos ambiental da área de influência do projeto; 4. A descrição dos prováveis impactos ambientais da implantação e operação da atividade, considerando o projeto, suas alternativas, os horizontes de tempo de incidência dos impactos e indicando os métodos, técnicas e critérios adotados para sua identificação, quantificação e interpretação; 5. A caracterização da qualidade ambiental futura da área de influência, comparando as diferentes situações da adoção do projeto e suas alternativas, bem como com a hipótese de sua não realização; Gestão AmbientAl 080 unidade 2 6. A descrição do efeito esperado das medidas mitigadoras previstas em relação aos impactos negativos, mencionando aqueles que não puderam ser evitados, e o grau de alteração esperado; 7. O programa de acompanhamento e monitoramento dos impactos; 8. Recomendação quanto à alternativa mais favorável (BRASIL, 1986, on-line). Publicidade do EIA/RIMA Uma característica fundamental do EIA/RIMA é sua publicidade, que é a base para participação de diferentes públicos no processo de avaliação do projeto. O princípio da publicidade plena admite restrição para os casos que contenham sigilo industrial, cabendo ao empreendedor ou proponente do projeto demonstrar a necessidade de resguardar tal sigilo (BARBIERI, 2016). O órgão ambiental poderá promover a realização de audiências públicas para informar os projetos e seus impactos. A audiência pública também pode ser solicitada por entidades da sociedade civil, pelo Ministério Público ou por 50 ou mais cidadãos e tem por objetivo apresentar aos interessados o conteúdo do EIA/RIMA, a fim de tirar dúvidas, avaliar críticas ou sugestões. A notícia a seguir, ajudará você a verificar a importância da audiência pública no EIA/RIMA. Notícia Audiência Pública A publicidade determinada pela constituição é garantida no licenciamento ambiental por meio de uma audiência pública, para a efetiva participação popular. Devido a sua importância, a audiência foi regulamentada em âmbito federal, deixando clara a sua finalidade: expor ao público interessado o conteúdo do RIMA Gestão AmbientAl 081 unidade 2 (relatório do estudo), esclarecer eventuais dúvidas, além de colher críticas e sugestões. link da notícia que você selecionou Fonte: BRASIL. Audiência Pública. Guia para o Licenciamento Ambiental. Brasil-rounds9. Disponível em: <http://www.brasil-rounds. gov.br/round9/arquivos_r9/guias_R9/sismica_R9/audiencia_ publica.htm> Acesso em: 15 jun. 2017. A Resolução CONAMA 09/87 trata da audiência pública, que tem por finalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em análise e do seu referido RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos presentes as críticas e as sugestões a respeito (CONAMA, 1987). O art. 2º desse documento afirma que, sempre que julgar necessário, ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público ou por 50 ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá a realização de audiência pública. Em caso de haver solicitação de audiência pública e na hipótese do Órgão Estadual não realizá-la, a licença concedida não terá validade, e essa audiência pública deverá ocorrer em local acessível aos interessados. “Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV)” Gestão AmbientAl 082 unidade 2 QUESTÃO 1 - a) A taxa é uma das formas de tributo, é uma exigência financeira imposta pelo governo ou por alguma organização política ou governamental à pessoa privada ou jurídica para usar certos serviços fundamentais, ou pelo exercício do poder de polícia. QUESTÃO 2 - d) São verificados com especialistas, fornecedores de tecnologias ou responsáveis, com o objetivo de conferir as tecnologias existentes e disponíveis para determinadas atividades. QUESTÃO 3 - e) Refere-se a uma atividade que é de competência administrativa da união; pela Lei Complementar 140/2011, foram divididas entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios as competências. QUESTÃO 4 - b) Quando, uma vez executada a ação, a modificação do fator ambiental considerado tem duração determinada. QUESTÃO 5 - c) (V) A AIA é voltada para analisar a viabilidade ambiental de determinada proposta, pois é um dos objetivos dessa avaliação. (F) A AIA é realizada posteriormente à ocorrência de um dano - afirmativa falsa, pois é de caráter preventivo, e não após a ocorrência de um dano. (V) A AIA é um instrumento de análise das consequências de uma intervenção planejada - alternativa verdadeira, pois fornece informações importantes acerca de eventos não planejados, como desastres naturais e conflitos. (V) A AIA serve para sintetizar os fatores ambientais mais importantes a serem considerados no processo decisório, pois serve de instrumento para consideração dos aspectos ambientais no planejamento de projetos. Atividades de fixação - Respostas “Conclusão da unidade” UNIDADE Gestão Ambiental Empresarial • Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma • Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial • Modelos de Gestão Ambiental • Atividades de fixação - Respostas Gestão AmbientAl 085 unidade 3 Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma Antecedentes históricos Segundo Maurice Strong, em prefácio do livro de Sachs, o conceito normativo básico de desenvolvimento sustentável manifestou-se na Conferência de Estocolmo de 1972 e foi designado, na época, como “abordagem do ecodesenvolvimento” (SACHS, 1993). O conceito de Ecodesenvolvimento foi introduzido por Maurice Strong, Secretário da Conferência de Estocolmo, e largamente difundido por lgnacy Sachs, a partir do ano de 1974 (GODARD, 1991). Na definição dada por Sachs, citada por Raynaut e Zanoni (1993, p. 7), para um determinado país ou região, o Ecodesenvolvimento significa: desenvolvimento endógeno e dependente de suas próprias forças, tendo por objetivo responder problemática da harmonização dos objetivos sociais e econômicos do desenvolvimento com uma gestão ecologicamente prudente dos recursos e do meio. Assim, para Montibeller Filho (1993), o desenvolvimento, quando voltado para as necessidades sociais mais abrangentes, diz respeito à melhoria da qualidade de vida da maior parte da população e ao cuidado com a preservação ambiental como uma responsabilidade para com as gerações futuras. Dessa maneira, o desenvolvimento sustentável será alcançado se três critérios fundamentais forem obedecidos ao mesmo tempo: equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica (SACHS, 1993). Gestão AmbientAl 086 unidade 3 No ano de 1980, o documento “Estratégia Mundial para Conservação da Natureza”, elaborado em conjunto pela União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN), pelo Programa de Meio Ambiente das Nações Unidas (PNUMA) e pelo World Wildlife Fund (WWF) (DIAS, 2017), definiusustentabilidade como uma característica de um processo ou estado que pode manter-se indefinidamente. Comissão Brundtland e o conceito de sustentabilidade Foi o relatório produzido pela Comissão Brundtland (nosso Futuro Comum) que apresentou, pela primeira vez, a definição mais elaborada do desenvolvimento sustentável. Procura estabelecer uma relação harmônica do homem com a natureza, como o centro de um processo de desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades humanas e às aspirações humanas. Enfatiza que a pobreza é incompatível com o desenvolvimento sustentável e indica a necessidade de que a política ambiental deve ser parte integrante do processo de desenvolvimento e não mais uma responsabilidade setorial fragmentada (DIAS, 2017, p. 36). Esse conceito surgiu da necessidade de criação de um modelo de desenvolvimento que levasse em consideração a questão ambiental, devido ao aumento da intervenção da sociedade humana na natureza para extração dos recursos naturais, visando ao crescimento econômico, aliado à igualdade social e ao equilíbrio ecológico. O relatório ainda define as premissas do que seria o Desenvolvimento Sustentável, o qual contém dois conceitos-chave: primeiro, o conceito de “necessidades”, particularmente aquelas que são essenciais à sobrevivência dos pobres e que devem ser prioridade na agenda de todos os países; segundo, o de que o estágio atingido pela tecnologia e pela organização social impõe limitações ao meio ambiente, impedindo-o, consequentemente, de atender às necessidades presentes e futuras (SANTOS, 2010). Gestão AmbientAl 087 unidade 3 O relatório prevê, também, que ocorrerão diversas interpretações, por exemplo, para Dias (2017), aconteceu com o conceito de desenvolvimento sustentável, mas que em todas elas haverá características comuns que derivarão de um consenso a respeito do conceito básico e de uma série de estratégias necessárias para que seus objetivos sejam atingidos. No contexto do documento, é explícito que o objetivo principal do desenvolvimento sustentável é satisfazer às necessidades e às aspirações humanas, afirmando que: é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas (CMMAD, 1991, p.49). Isso resulta nos principais objetivos das políticas ambientais e desenvolvimentistas, que são (DIAS, 2017): • retomar o crescimento; • alterar a qualidade do desenvolvimento; • atender às necessidades essenciais de emprego, alimentação, energia, água e saneamento; • manter um nível populacional sustentável; • conservar e melhorar a base dos recursos; • reorientar a tecnologia e administrar o risco; • incluir o meio ambiente e a economia no processo de tomada de decisões. Para aprofundar seu conhecimento a respeito do conceito de desenvolvimento sustentável, acesse o texto intitulado “Sustentabilidade: Tentativa de definição”, de Leonardo Boff, em entrevista para a Revista On-line Plurale. Gestão AmbientAl 088 unidade 3 Dicas Sustentabilidade: tentativa de definição Há, hoje, um conflito entre as várias compreensões do que seja sustentabilidade. Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as condições energéticas, informacionais, físico-químicas que sustentam todos os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana, visando a sua continuidade e, ainda, a atender às necessidades da geração presente e das futuras, de tal forma que o capital natural seja mantido e enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução. Fonte: leonARDo boFF. Sustentabilidade: tentativa de definição. 15 jan. 2012. Disponível em:<https://leonardoboff.wordpress.com/2012/01/15/ sustentabilidade-tentativa-de-definicao/> Acesso em: 21 jun. 2017. Das indicações apresentadas no relatório, derivam várias interpretações, como foi previsto, que sintetizaram as propostas de sustentabilidade de diferentes grupos sociais. De acordo com Dias (2017, p. 37), dentro da generalidade com que foi proposto o Relatório Brundtland, a discussão sobre o desenvolvimento sustentável, apesar das ambiguidades e mal-entendidos, abriu as portas para o debate da equidade social dentro de uma mesma geração e incorporou o meio ambiente no debate sobre o desenvolvimento de forma definitiva. Embora seja um conceito utilizado amplamente, não existe uma única visão do que é o desenvolvimento sustentável. Para alguns, alcançá-lo é obter o crescimento econômico por um meio mais aceitável do uso de recursos naturais e de tecnologias menos poluentes. Para outros, o desenvolvimento sustentável é um projeto político e social que busca a erradicação da pobreza, a melhoria da qualidade de vida e a satisfação das necessidades básicas do ser humano. Para outros, ainda, busca compatibilizar o uso do meio ambiente com o crescimento das organizações e da humanidade. Gestão AmbientAl 089 unidade 3 A passagem de um modelo de desenvolvimento predatório a um sustentável, que procure manter a harmonia com o meio ambiente, tem muitas implicações, a saber: modificar a visão, bem como a relação com o meio ambiente, sendo que esse não é somente uma fonte de matéria-prima e um receptáculo de resíduos; procurar um manejo racional dos recursos naturais, a modificação da organização social produtiva; buscar práticas sustentáveis de produção. Conferência das Nações Unidas no Rio de Janeiro (1992) e seus desdobramentos A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como Cúpula da Terra, ou Eco-92, foi realizada no Rio de Janeiro em 1992, com representantes de 179 países que discutiram, no período de 14 dias, os problemas ambientais globais e estabeleceram o desenvolvimento sustentável como uma das metas a serem alcançadas pelos governos e pelas sociedades em todo mundo (DIAS, 2017). Dessa maneira, a Conferência resultou em cinco documentos básicos (SEIFFERT, 2011): • a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento; • a Declaração de Princípios para a Gestão Sustentável das Florestas; • o Convênio sobre a Diversidade Biológica; • o Convênio sobre as Mudanças Climáticas; • o Programa das Nações Unidas para o século XXI, mais conhecido como Agenda 21. Gestão AmbientAl 090 unidade 3 Desses documentos, a Agenda 21 é a mais abrangente, constitui um instrumento de planejamento para a construção de sociedades sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica (MMA, 2017 on-line). No ano de 1997, durante um período extraordinário de sessões da Assembleia Geral da ONU, foi realizada a Rio + 5, que tinha por objetivo analisar a execução da Agenda 21 aprovada na Rio 92. Após um período de decisões, ocorridas em virtude das divergências entre os Estados acerca de como financiar o desenvolvimento sustentável no plano mundial, foram obtidos alguns acordos, tratados no documento final, de 58 páginas, que consiste em (DIAS, 2017, p. 39): • adotar objetivos juridicamente vinculantes para reduzir a emissão dos gases do efeito estufa, os quais são causadores da mudança climática; • avançar com mais vigor para modalidades sustentáveis de produção, distribuição e utilização de energia; • focar a erradicação da pobreza como requisito prévio do desenvolvimento sustentável. Outro encontro mais amplo foi a Rio + 10, no ano de 2002, em Joanesburgo,na África do Sul, chamado de Cúpula Mundial sobre o Desenvolvimento Sustentável, que buscou reavaliar e implementar as conclusões e as diretrizes da Rio 92. A Rio+10 reconheceu a importância e a urgência da adoção de energias renováveis em todo o planeta e considerou legítimo que os blocos regionais de países estabelecessem objetivos e prazos para cumprir as metas propostas na conferência. No entanto não conseguiu fixá-las para todos os países, o que foi uma derrota, atenuada apenas pela decisão de que o progresso na implementação de energias renováveis fosse revisto periodicamente pelas agências e instituições especializadas das Nações (SEIFFERT, 2011). Gestão AmbientAl 091 unidade 3 No ano de 2012, no Rio de Janeiro, tivemos a Rio + 20, que teve o objetivo de renovar o compromisso dos líderes mundiais com o desenvolvimento sustentável do planeta. O documento final produzido pela conferência, que recebeu o nome de “O Futuro que Nós Queremos”, cita as principais ameaças ao planeta: desertificação, esgotamento dos recursos pesqueiros, contaminação, desmatamento, extinção de milhares de espécies e aquecimento global, e deverá ser adotado pelas principais lideranças mundiais (ALENCASTRO, 2012). Desenvolvimento Sustentável no âmbito empresarial As exigências relacionadas às questões ambientais e às soluções pertinentes vêm exigindo uma nova postura dos empresários e administradores, inclusive daqueles que atuam no agronegócio. Todos devem considerar o meio ambiente no âmbito de suas decisões e rever concepções administrativas e tecnológicas (BARBIERI, 2016). Para Coral (2002), as organizações têm feito mudanças com o intuito de reduzir o impacto ambiental, buscando melhorias de sua imagem quanto à responsabilidade social, devido às pressões sociais. As organizações sustentáveis procuram modificar seus processos produtivos, quando há necessidade, com o objetivo de contribuírem para a sustentabilidade, a fim de se tornarem ecologicamente sustentáveis. Esse tipo de mudança implica na construção de processos produtivos que não causem impactos negativos, mesmo que eles estejam contribuindo para a recuperação de uma área degradada ou, até mesmo, oferecendo produtos e serviços que apoiem a melhoria do desempenho ambiental de consumidores e clientes de uma indústria (ARAÚJO et al., 2006). Araújo et al. (2006) ressaltam que, dentro dos princípios de sustentabilidade, não podemos separar as questões sociais das ambientais. Por isso, quando uma organização é ecologicamente Gestão AmbientAl 092 unidade 3 sustentável, ela também estará atuando de forma socialmente responsável. No ano de 1998, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) definiu e publicou sua Declaração de Princípios da Indústria para o Desenvolvimento Sustentável (Quadro 01), essa iniciativa permite o incremento da divulgação da perspectiva de maior interação entre a economia e o meio ambiente junto ao empresariado. QUADRO 01 - Declaração de princípios da indústria para o desenvolvimento sustentável 1. Promover a efetiva participação pró-ativa do setor industrial, em conjunto com a sociedade, os parlamentares, o governo e as organizações não governamentais no sentido de desenvolver e aperfeiçoar leis, regulamentos e padrões ambientais. 2. Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade, em relação aos assuntos ambientais. 3. Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os conceitos de desenvolvimento sustentável e o uso racional dos recursos naturais e de energia. 4. Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de gerenciamento ambiental, saúde e segurança do trabalho nas empresas. 5. Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros ambientais nas empresas. Antecipar a análise e os estudos das questões que possam causar problemas ao meio ambiente e à saúde humana, bem como implementar ações apropriadas para proteger o meio ambiente. 6. Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e permanente dos trabalhadores e do comprometimento da supervisão nas empresas, assegurando que eles tenham o conhecimento e o treinamento necessários com relação às questões ambientais. 7. Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o objetivo de reduzir ou eliminar impactos adversos ao meio ambiente e à saúde da comunidade. 8. Estimular o relacionamento e parcerias do setor privado com o governo e com a sociedade em geral, na busca do desenvolvimento sustentável, bem como na melhoria contínua dos processos de comunicação. 9. Estimular as lideranças empresariais a agirem permanentemente junto à sociedade com relação aos assuntos ambientais. 10. Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços que não produzam impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde da comunidade. 11. Promover a máxima divulgação e conhecimento da Agenda 21 e estimular sua implementação. Fonte: CNI, 2002, p. 24. Gestão AmbientAl 093 unidade 3 Para Dias (2017), o aprofundamento do conceito de desenvolvimento sustentável no meio empresarial traça-se mais como um modelo de empresas que assumem meios de gestão mais eficientes do que uma elevação do nível de consciência do empresariado ao redor de uma perspectiva de um desenvolvimento econômico mais sustentável. Pilares do Desenvolvimento Sustentável Para Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento sustentável está apoiado nos seguintes pilares: • Sustentabilidade social: consiste na equidade na distribuição dos bens e da renda para melhorar os direitos e as condições da população e reduzir as distâncias entre os padrões de vida das pessoas. • Sustentabilidade econômica: consiste na distribuição e na gestão eficiente dos recursos produtivos, bem como no fluxo regular de investimentos público e privado. • Sustentabilidade ecológica: consiste na busca pelo aumento da capacidade de carga do planeta e para evitar danos ao meio ambiente, principalmente os causados pelos processos do crescimento econômico. • Sustentabilidade espacial: refere-se ao equilíbrio do assentamento humano rural/urbano. • Sustentabilidade cultural: busca o respeito pela pluralidade de soluções particulares específicas a cada ecossistema, cada cultura e cada local. Considerando esses cinco pilares do desenvolvimento sustentável, é comum que eles sejam apresentados divididos em três dimensões essenciais: social, econômica e ambiental. Coral (2012) apresenta um modelo de sustentabilidade a ser aplicado pelas organizações na FIGURA 01. Gestão AmbientAl 094 unidade 3 Dimensões da Sustentabilidade O desenvolvimento sustentável nas organizações apresenta três dimensões: econômica, ambiental e social. O QUADRO 02 apresenta o ponto de vista de cada dimensão. FIGURA 1 - Tripé da sustentabilidade Fonte: CORAL, 2002, p. 15 [Adaptada]. QUADRO 02 - Dimensões da sustentabilidade DIMENSÃO DESCRIÇÃO ExEMPLO Econômica Sustentabilidade prevê que as empresas têm que ser economicamente viáveis. Seu papel deve ser cumprido levando em consideração o aspecto de rentabilidade, isto é, dar retorno ao investimento realizado pelo capital privado Gestão AmbientAl 095 unidade 3 Ambiental A organização deve pautar-se pela ecoeficiência de seus processos produtivos, adotar produção mais limpa, oferecer condições para o desenvolvimento de uma cultura ambiental organizacional. Buscar a não contaminação de qualquer tipo de ambiente natural, e procurar participar de todas as atividades patrocinadas pelas autoridades governamentais locais e regionais no que diz respeito ao meio ambiente natural.Social A empresa deve satisfazer aos requisitos de proporcionar as melhores condições de trabalho aos seus colaboradores, buscando contemplar a diversidade cultural existente na sociedade em que atua. Dirigentes devem participar de atividades socioculturais de expressão da comunidade que vive no entorno da unidade produtiva. Fonte: DIAS, 2017, p. 45 [Adaptado]. O mais importante na abordagem dessas dimensões é a busca pelo equilíbrio dinâmico e permanente que a organização deve ter. Alguma intransigência de qualquer uma das associações poderá levar ao desequilíbrio e a sua insustentabilidade. “Dimensões da sustentabilidade: econômica, social e ambiental” Triple Bottom Line ou Tripé da Sustentabilidade No âmbito empresarial, as três dimensões da sustentabilidade se identificam com o conceito de Triple Bottom Line. Essa expressão surgiu na década de 1990 e se tornou de conhecimento público no ano de 1997, com a publicação do livro Cannibals With Forks: The Triple Bottom Line of 21st Century Business, de John Elkington; desde então, várias organizações, como o GRI (Global Reporting Initiative) e a AA (AccountAbility), vêm promovendo o conceito de Triple Bottom Line e o seu uso em corporações de todo mundo, que refletem um conjunto de valores, objetivos e processos que uma organização Gestão AmbientAl 096 unidade 3 deve focar para criar valor em três dimensões: econômica, social e ambiental (DIAS, 2017). o Triple Bottom Line também é conhecido como 3 Ps (People, Planet and Profit) (FIGURA 02), referente a Pessoas, Planeta e Lucro; no Brasil, chamamos de tripé de sustentabilidade. FIGURA 2 - Triple Bottom Line Fonte: MAREK ULIASZ, 123RF. Economia Verde Para Motta (2011, p. 179), o conceito de economia verde significa que: o crescimento econômico pode estar baseado em investimentos em capital natural e, portanto, a estrutura da economia muda na direção dos setores/ Gestão AmbientAl 097 unidade 3 tecnologias “verdes” ou “limpos” que vão substituindo os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”. É um modelo que não considera como bens econômicos escassos os ecossistemas e não utiliza métodos eficazes para administrar determinados recursos naturais, como a água e o solo. A economia verde produz baixas emissões de carbono, utiliza os recursos de forma eficiente e socialmente inclusiva. A implantação de um modelo de economia verde tem como objetivo final melhorar a condição de vida dos mais pobres, reduzir a desigualdade social e evitar a destruição dos recursos naturais. Para Dias (2017), a proposta de economia verde não se contrapõe ao modelo atual, na realidade, ultrapassa-o, incorporando variáveis sociais e ambientais. Dessa maneira, podemos afirmar que a “economia verde” é uma evolução da “economia marrom” a patamares sustentáveis de produção e consumo. Protocolo Verde O Protocolo Verde consiste em um documento firmado entre o Governo Federal e seus Ministérios e bancos oficiais brasileiros, incorporando a variável ambiental na gestão e na concessão de crédito oficial e benefícios fiscais, com o objetivo de criar mecanismos que evitem a utilização desses créditos e benefícios em atividades e empreendimentos que sejam prejudiciais ao meio ambiente. Esse protocolo surgiu no ano de 1995, com um grupo de trabalho instituído, que já estava previsto na Política Nacional de Meio Ambiente (Lei 6.938/81), que dispõe, em seu artigo 12: As entidades e órgãos de financiamento e incentivos governamentais condicionarão a aprovação de projetos habilitados a esses benefícios ao licenciamento, na forma desta Lei, e ao cumprimento das normas, dos critérios e dos padrões expedidos pelo CONAMA (BRASIL, 1981). Os cinco bancos participantes do grupo divulgaram um documento Gestão AmbientAl 098 unidade 3 chamado “Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável”, firmando compromisso com o desenvolvimento sustentável. O QUADRO 03 apresenta os princípios gerais. QUADRO 03 - Princípios gerais do Desenvolvimento Sustentável 1. A proteção ambiental é um dever de todos que desejam melhorar a qualidade de vida no planeta e extrapola qualquer tentativa de enquadramento espaço-temporal. 2. Um setor financeiro dinâmico e versátil é fundamental para o desenvolvimento sustentável. 3. O setor bancário deve privilegiar de forma crescente o financiamento de projetos que não sejam agressivos ao meio ambiente ou que apresentem características de sustentabilidade. 4. Os riscos ambientais devem ser considerados nas análises e nas condições de financiamento. 5. A gestão ambiental requer a adoção de práticas que antecipem e previnam degradações do meio ambiente. 6. A participação dos clientes é imprescindível na condução da política ambiental dos bancos. 7. As leis e regulamentações ambientais devem ser aplicadas e exigidas, cabendo aos bancos participarem da sua divulgação. 8. A execução da política ambiental nos bancos requer a criação e o treinamento de equipes específicas dentro dos seus quadros. 9. A eliminação de desperdícios, a eficiência energética e o uso de materiais reciclados são práticas que devem ser estimuladas em todos os níveis operacionais. 10. Os princípios aqui assumidos devem constituir compromisso de todas as instituições financeiras. Fonte: MMA, 1995, on-line. Assinaram esse documento: Banco do Brasil S.A.; Caixa Econômica Federal; Banco do Nordeste do Brasil S. A; Banco da Amazônia S.A; Gestão AmbientAl 099 unidade 3 Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social. Em abril de 2009, os bancos privados por meio da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) assinaram o protocolo de intenções com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), aderindo ao Protocolo Verde. De acordo com o protocolo, linhas de financiamento só seriam liberadas para empresas empenhadas em desenvolver políticas socioambientais. Empresas e empreendimentos que dependem de financiamento bancário para suas atividades econômicas terão, a partir daquela data, que comprovar que estão empenhadas em desenvolver políticas socioambientais (MMA, 2009). Os recursos só seriam liberados a pessoas ou a empresas que não tivessem dívidas com o IBAMA. Caso contrário, além de não receber o empréstimo, elas seriam incluídas no Cadastro de Inadimplentes do Banco Central (Cadin), que as impede de fazer qualquer transação com instituições financeiras governamentais ou de participar de concorrências públicas (MMA, 2009). Em junho de 2010, o Banco do Brasil participou do Workshop FEBRABAN Protocolo Verde, visando elaborar indicadores de desempenho para a implementação do Protocolo Verde. A partir da realização do evento, a FEBRABAN, a Fundação Getúlio Vargas e os Bancos signatários desse protocolo objetivaram delinear um instrumento de avaliação das instituições financeiras, no tocante ao cumprimento dos princípios lá estabelecidos (BNDES, 2017, on- line). Objetivos do desenvolvimento sustentável No documento final da Rio + 20, decidiu-se elaborar os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), constituídos por um grupo de trabalho que, após 3 anos de discussão, aprovou por consenso Gestão AmbientAl 100 unidade 3 o documento “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável”. A Agenda 2030 consiste em uma declaração, os 17 ODS e as 169 metas. Os 17 objetivos (FIGURA 03) são (OBJETIVOS..., 2015): 1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares. 2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável. 3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos,em todas as idades. 4. Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos. 5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas. 6. Assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água e do saneamento para todos. 7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a preço acessível à energia para todos. 8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho decente para todos. 9. Construir infraestruturas resilientes, promover a industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a inovação. 10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles. 11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, seguros, resilientes e sustentáveis. Gestão AmbientAl 101 unidade 3 12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis. 13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança climática e seus impactos. 14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável. 15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as florestas, combater a desertificação, deter e reverter a degradação da terra e deter a perda de biodiversidade. 16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas em todos os níveis. 17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a parceria global para o desenvolvimento sustentável. FIGURA 3 - ODS Fonte: ITAMARATY, 2017, on-line. Gestão AmbientAl 102 unidade 3 Basicamente, tudo o que usamos para viver vem da natureza e, mais tarde, voltará para ela. Essa é a nossa Pegada. Veja a nossa dica a seguir e teste sua pegada ecológica. Dicas Teste sua Pegada Ecológica Uma teoria (e também um modelo) que busca mensurar o impacto que provocamos no planeta é conhecida como “pegada ecológica”, que apresenta o quanto de recursos naturais consumimos em nosso dia a dia. É muito simples. Basta navegar pelos temas - alimentação, moradia, bens, serviço, tabaco e transporte – respondendo às questões. Ao final, você saberá quantos planetas seriam necessários para suportar o seu estilo de vida. Calcule a sua “pegada ecológica” em: <http://www.suapegadaecologica. com.br/>. Fonte: TESTE sua pegada ecológica. Pegada Ecológica. Disponível em:<http://www.suapegadaecologica.com.br/>. Acesso em: 23 jun. 2017. QUESTÃO 1 - Um dos objetivos do Desenvolvimento sustentável é, até o ano 2030, acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, as doenças transmitidas pela água e outras doenças transmissíveis. Esse objetivo refere-se à: a. igualdade de gênero. b. inovação e infraestrutura. c. água limpa e saneamento. d. saúde de qualidade. e. erradicação da pobreza. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 103 unidade 3 Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial Vimos, anteriormente, que o relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (ONU, 1987), chamado de “Nosso Futuro Comum”, deixa bem clara a importância da preservação ambiental para que que consigamos o Desenvolvimento Sustentável. A Câmara de Comércio Internacional, reconhecendo que a proteção ambiental se inclui entre as principais prioridades a serem buscadas por qualquer tipo de negócio, definiu, em 27 de novembro de 1990, uma série de princípios de gestão ambiental. Princípios da Gestão Ambiental Para ajudar as empresas ao redor do mundo a melhorar seu desempenho ambiental, a Câmara do Comércio Internacional estabeleceu o denominado Business Charter for Sustainable Development, que inclui uma série de princípios que deverão ser buscados pelas organizações. Assim, constituem-se os 16 princípios para a Gestão Ambiental, que, sob a ótica das organizações, são essenciais para atingir o Desenvolvimento Sustentável (MEYER, 2000). 1. Prioridade Organizacional: buscar estabelecer políticas, programas e práticas no desenvolvimento das operações voltadas para a questão ambiental. 2. Gestão Integrada: buscar integrar políticas, programas e práticas ambientais em todos os negócios como elementos indispensáveis de administração em todas as suas funções. 3. Processos de Melhoria: continuar melhorando as políticas corporativas, os programas e a performance ambiental, tanto no mercado interno quanto externo, levando em Gestão AmbientAl 104 unidade 3 conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento científico, as necessidades dos consumidores e os anseios da comunidade, como ponto de partida das regulamentações ambientais. 4. Educação do Pessoal: educar, treinar e motivar o pessoal, no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de forma responsável com relação ao ambiente. 5. Prioridade de Enfoque: considerar as repercussões ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de abandonar alguma unidade produtiva. 6. Produtos e Serviços: desenvolver e produzir produtos e serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e que possam ser reciclados, reutilizados e armazenados de forma segura. 7. Orientação ao Consumidor: orientar e, se necessário, educar consumidores, distribuidores e o público em geral acerca do correto e seguro uso, transporte, armazenagem e descarte dos produtos produzidos. 8. Equipamentos e Operacionalização: desenvolver, desenhar e operar máquinas e equipamentos levando em conta o eficiente uso da água, da energia e de matérias-primas, o uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização dos impactos negativos ao ambiente, a geração de poluição e o uso responsável e seguro dos resíduos existentes. 9. Pesquisa: conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que estudem os impactos ambientais das matérias-primas, dos produtos, dos processos, das emissões e dos resíduos associados ao processo produtivo da empresa, visando à minimização de seus efeitos. Gestão AmbientAl 105 unidade 3 10. Enfoque Preventivo: modificar a manufatura e o uso de produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, de forma consistente com os mais modernos conhecimentos técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e irreversíveis degradações do meio ambiente. 11. Fornecedores e Subcontratados: promover a adoção dos princípios ambientais da empresa junto aos subcontratados e fornecedores encorajando e assegurando, sempre que possível, melhoramentos em suas atividades, de modo que elas sejam uma extensão das normas utilizadas pela empresa. 12. Planos de Emergência: desenvolver e manter, nas áreas de risco potencial, planos de emergência idealizados em conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os órgãos governamentais e a comunidade local, reconhecendo a repercussão de eventuais acidentes. “As empresas e a comunidade local” 13. Transferência de Tecnologia: contribuir para a disseminação e transferência das tecnologias e dos métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente junto aos setores privado e público. 14. Contribuição ao Esforço Comum: contribuir para o desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de programas governamentais e iniciativas educacionais que visemà preservação do meio ambiente. Gestão AmbientAl 106 unidade 3 15. Transparência de Atitude: propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos potenciais e ao impacto de operações, produtos e resíduos. 16. Atendimento e Divulgação: medir a performance ambiental. Conduzir auditorias ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral. Abordagens da Gestão Ambiental Para Barbieri (2016), existem diferentes abordagens das organizações para lidarem com os problemas ambientais relacionados às suas atividades. Dessa maneira, há três diferentes abordagens como estratégia empresarial: controle da poluição, prevenção da poluição e incorporação dessas questões nas estratégias empresariais. O QUADRO 04 apresenta as abordagens e suas características. QUADRO 04 - Abordagens da gestão ambiental empresarial CARACTERÍSTICAS CONTROLE DA POLUIÇÃO PREVENÇÃO DA POLUIÇÃO ESTRATÉGICA Preocupação básica Cumprimento da legislação e respostas às pressões da comunidade. Uso eficiente dos insumos. Competitividade. Postura típica Reativa. Reativa e proativa. Reativa e proativa. Gestão AmbientAl 107 unidade 3 Ações típicas - Corretivas. - Uso de tecnologias de remediação e de controle no final do processo (end-of- pipe). - Aplicação de normas de saúde e segurança do trabalho. - Corretivas e preventivas. - Conservação e substituição de insumos. - Uso de tecnologias limpas. - Corretivas, preventivas e antecipatórias. - Antecipação de problemas e captura de oportunidades de médio e longo prazos. Percepção dos empresários e administradores Custo adicional. - Redução do custo. - Aumento de produtividade. Vantagens competitivas. Envolvimento da alta administração Esporádico. Periódico. Permanente e sistemático. Áreas envolvidas Ações ambientais confinadas nas áreas geradoras de poluição. Crescente envolvimento de outras áreas como produção, compras, desenvolvimento de produto e marketing. - Atividades ambientais disseminadas pela organização. - Ampliação das ações ambientais para a cadeia de suprimento. Fonte: BARBIERI, 2016, p. 86. Controle da poluição É a abordagem caracterizada pelas práticas administrativas e operacionais que tem o intuito de impedir os efeitos da poluição oriunda de um processo produtivo. As ações ambientais resultam de uma postura reativa da empresa, centralizando seu foco nos efeitos negativos de seus produtos e processos produtivos mediante soluções pontuais (BARBIERI, 2016). Essa abordagem tem por objetivo atender as exigências estabelecidas em instrumentos de comando e controle aos quais a organização está sujeita e às pressões da comunidade (BARBIERI, 2016, p. 85). Gestão AmbientAl 108 unidade 3 As tecnologias de controle da poluição procuram fazer práticas sem alterar significativamente os processos e os produtos que as produziram, podendo ser tecnologias de remediação, que consistem na resolução de um problema que já ocorreu, ou tecnologias de controle no final do processo ou fim de tubo (end-of-pipe), que consiste no tratamento e no controle dos resíduos no final do processo produtivo. As soluções baseadas no controle da poluição são fundamentais, mas não suficientes (VICENTE, 2007). É importante salientar que nem sempre as soluções end-of-pipe eliminam todos os problemas, por exemplo, em uma planta de tratamento de efluentes de uma indústria têxtil pelo processo de coagulação/floculação/sedimentação, será gerado lodo resultante do processo, e é preciso ter uma destinação final adequada para esse lodo. Prevenção da poluição Para Barbieri (2016), essa é a abordagem a partir da qual a empresa busca atuar sobre os produtos e processos produtivos, visando: evitar, reduzir ou modificar a geração de poluição, empreendendo ações com vistas a uma produção mais eficiente e, portanto, poupadora de materiais e energia em diferentes fases do processo produtivo e da comercialização. Com a prevenção da poluição, há um aumento da produtividade empresarial, pois a redução de poluentes na fonte significa economizar recursos, matéria-prima e desperdícios. Além disso, Gestão AmbientAl 109 unidade 3 melhora as condições de mercado e a imagem da empresa. A prevenção da poluição é baseada no uso sustentável dos recursos e no controle da poluição. Os instrumentos para o uso sustentável dos recursos podem ser sintetizados pelos 4Rs: redução de poluição na fonte, reuso, reciclagem e recuperação. O QUADRO 05 apresenta os 4R’s. QUADRO 05 - 4 Rs RS DESCRIÇÃO Reduzir diminuir na fonte, reduzir o peso ou volume dos resíduos gerados. Reuso significa usar os resíduos da mesma forma em que foram produzidos no próprio estabelecimento que os gerou, como reaproveitar matéria-prima, utilizar calor gerado no processo. Reciclagem consiste no tratamento dos resíduos a fim de aproveitá-los na própria fonte produtora, como o tratamento da água residuária antes de utilizá-la novamente. Recuperação consiste na recuperação de determinados materiais, que ainda estejam em mínimas condições para serem trabalhados e posteriormente utilizados. Fonte: BARBIERI, 2016, p. 89 [Adaptado]. QUESTÃO 2 - Uma indústria utiliza um filtro de manga como tratamento de gases oriundos de suas caldeiras e tem por objetivo efetuar a filtração dos gases, proporcionando emissões dentro das tolerâncias dos órgãos ambientais. Diante disso, a tecnologia de um filtro de manga utilizada nessa indústria trata-se de um(a): a. controle da poluição. b. prevenção da poluição. c. reciclagem interna. d. reuso. Gestão AmbientAl 110 unidade 3 e. aumento da produtividade. O gabarito se encontra no final da unidade. Abordagem estratégica Os problemas ambientais são tratados como uma das questões estratégicas da empresa e relacionados com a busca por uma situação vantajosa no seu negócio atual ou futuro. O envolvimento das organizações com os problemas ambientais adquire importância estratégica à medida que aumenta o interesse da opinião pública em questões ambientais, bem como dos consumidores, investidores e ambientalistas (BARBIERI, 2016). Além das práticas de controle e prevenção da poluição, a empresa procura aproveitar oportunidades mercadológicas e neutralizar ameaças decorrentes de questões ambientais existentes ou que poderão ocorrer no futuro. Para Barbieri (2016), a gestão ambiental pode trazer inúmeros benefícios estratégicos, a saber: • melhoria da imagem institucional; • renovação do portfólio de produtos; • aumento da produtividade; • maior competitividade dos colaboradores e melhores relações de trabalho; • criatividade e abertura para novos desafios; Gestão AmbientAl 111 unidade 3 • melhores relações com autoridades públicas, comunidade e grupos ambientalistas e ativistas; • acesso assegurado aos mercados externos; • maior facilidade para cumprir padrões ambientais. Exemplos de uma abordagem estratégica são os Pagamentos por Serviços Ambientais (PSA). O Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou o projeto Valoração da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos, que tem o objetivo de auxiliar as empresas a incorporarem esses temas em sua gestão estratégica. Como parte do projeto do CEBDS, foram abertas oficinas de capacitaçãopara orientar os executivos a estimarem e preverem a oferta de serviços ambientais, além de avaliarem a correspondência com valores econômicos (CEBDS, 2014). A abordagem estratégica ambiental baseia-se em estudos prospectivos acerca dos fatores externos que condicionam a competitividade da organização, com o objetivo de aproveitar oportunidades e neutralizar ameaças externas que poderão ocorrer no futuro. A identificação de ameaças e de oportunidades pode ser realizada mediante avaliações das demandas da sociedade, previsões tecnológicas, projetos de leis, normas nacionais ou internacionais (VICENTE, 2007). QUESTÃO 3 - Na abordagem estratégica, os problemas ambientais são tratados como uma das questões estratégicas da empresa e “Conheça o Greenwashing” Gestão AmbientAl 112 unidade 3 relacionados com a busca por uma situação vantajosa no seu negócio atual ou futuro. Acerca dos benefícios estratégicos, assinale V, para alternativas verdadeiras, e F, para falsas. ( ) Melhoria da imagem da organização. ( ) Renovação dos produtos. ( ) Conquista de mercados externos. ( ) Crescimento da produtividade. Assinale a sequência CORRETA. a. F, F, F, F. b. F, V, V, F. c. V, V, V, V. d. V, F, F, F. e. V, V, V, F. O gabarito se encontra no final da unidade. Uma organização que se antecipa nas novas tendências ambientais por meio de ações legítimas e verdadeiras acaba criando um importante diferencial estratégico. É válido salientar que existem empresas que se utilizam do prestígio que as questões ambientais adquiriram perante a sociedade para se beneficiarem, sem contribuir efetivamente para a redução dos problemas ambientais. Confira mais sobre isso no podcast a seguir. QUESTÃO 4 - Uma empresa que deseja implantar um programa de prevenção da poluição precisa ter comprometimento com as etapas do processo. Esse comportamento será alcançado por meio da otimização, do uso e da recuperação dos recursos disponíveis, da substituição de matérias-primas e mudanças nos processos produtivos, da aquisição de tecnologias limpas, da melhoria e da manutenção dos equipamentos e, também, da implantação de Gestão AmbientAl 113 unidade 3 um programa de conscientização de todos os funcionários. Nesse contexto, acerca da ordem que um programa de prevenção da poluição deve ter, NUMERE a segunda coluna de acordo com a primeira, associando os conceitos. ORDEM DE UM PROGRAMA DE PREVENÇÃO DE POLUIÇÃO PRIORIDADES 1ª etapa ( ) Recuperação energética. 2ª etapa ( ) Redução na fonte. 3ª etapa ( ) Disposição final. 4ª etapa ( ) Tratamento. 5ª etapa ( ) Reuso e reciclagem. Assinale a sequência CORRETA. a. 3, 1, 5, 4, 2. b. 1, 2, 3, 4, 5. c. 5, 4, 3, 2, 1. d. 2, 4, 5, 3, 1. e. 4, 2, 1, 5, 3. O gabarito se encontra no final da unidade. Modelos de Gestão Ambiental A adoção de um modelo de gestão ambiental faz com que haja coerência na realização de atividades desenvolvidas por diferentes pessoas, em diversos momentos e locais e sob diferentes modos de ver as mesmas questões. Esses modelos serão apresentados a seguir: Gestão AmbientAl 114 unidade 3 Administração da Qualidade Total (TQM) Criada em 1990 por 21 empresas multinacionais, a ONG Global Environmental Management Initiative (Gemi) criou o conceito de Total Quality Environmental Management (TQEM), que é uma extensão dos conceitos da Administração da Qualidade Total (TQM). Enquanto a Administração da Qualidade Total (TQM) tem como meta o defeito zero, a Administração da Qualidade Ambiental Total tem como meta a poluição zero. Para alcançar seus objetivos ambientais, a TQEM utiliza ferramentas típicas da qualidade, como diagrama de causa e efeito, benchmarking, diagramas de fluxos de processos, gráfico de Pareto e ciclo PDCA (BARBIERI, 2016). QUADRO 05 - Ferramentas da qualidade FErramEnta DEscrição Ciclo PDCA Do inglês, plan, do, check, act, propõe a análise dos processos com vistas a sua melhoria. Diagrama de causa e efeito Sua representação é comparada a uma espinha de peixe, em que, na coluna do meio, sinalizada por uma seta, é representado o efeito ou a consequência e, na parte lateral, acima e abaixo da seta, estão as causas que interferem no processo. Gráfico de Pareto Pode ser utilizado, para classificar causas que atuam em um processo com maior ou menor intensidade, ou, ainda, com diferentes níveis de importância. Lista de verificação (checklist) É um método pelo qual se faz a constatação de quantas vezes algo ocorre e mostra a frequência de sua ocorrência. Também, é conhecida como folha de checagem. É uma das ferramentas mais simples e mais eficientes para analisar o desenvolvimento de atividades ao longo de um processo. Gráficos de controle Buscam trabalhar com as variações de um processo e estão restritos a áreas determinadas do processo. Como regra geral, os gráficos de controle são instrumentos para separar causas aleatórias das causas assinaláveis, verificam se o processo é estável, se o processo está sob controle e se permanecem assim e, ainda, permitem a análise das tendências do processo. Fonte: CARVALHO; PALADINI, 2012, p. 358 [Adaptado]. Os custos de prevenção estão associados a ações para evitar Gestão AmbientAl 115 unidade 3 problemas ambientais futuros, os custos de avaliação consistem nas ações para verificar como a organização está em relação aos cumprimentos das normas legais. Os custos de falhas internas estão relacionados às ações para controle de impactos ambientais, enquanto os custos de falhas externas relacionam-se às ações para controlar, reparar e mitigar impactos produzidos fora da empresa. Produção mais limpa (P + L) A produção mais limpa (P+L) significa a aplicação contínua de uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica, integrada aos processos e aos produtos, a fim de aumentar a eficiência no uso de matérias-primas, água e energia, por meio da não geração, FIGURA 4 - Produção Mais Limpa - Níveis de intervenção Fonte: BARBIERI, 2016, p. 101 [Adaptada]. Gestão AmbientAl 116 unidade 3 minimização ou reciclagem de resíduos gerados em um processo produtivo (DIAS, 2017). Na P+L, a prioridade está à esquerda do fluxograma (FIGURA 02), referente à busca por evitar a geração de resíduos e emissões (nível 1). Os resíduos que não podem ser evitados devem, preferencialmente, ser reintegrados ao processo de produção (nível 2). Na impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa podem ser utilizadas (nível 3). As modificações em produtos se realizam pela revisão das suas especificações para reduzir a geração de resíduos durante o uso e descarte, para melhorar sua manufaturabilidade, a fim de reduzir a geração de resíduos no processo produtivo. Segundo Barbieri (2016), as mudanças nos processos têm por objetivo reduzirem todo tipo de perda nas fases de produção, por meio de: • housekeeping (boas práticas operacionais): que consiste em procedimentos administrativos e operacionais usuais, como planejamento e programação da produção, gestão de estoques, organização do local de trabalho, limpeza, manutenção de equipamentos, separação e coleta de resíduos, treinamentos e outros. • substituição de materiais: busca avaliar a seleção de materiais para reduzir ou eliminar materiais perigosos nos processos produtivos ou na geração de resíduos perigosos, por exemplo, substituir um solvente químico por um à base de água. • mudanças na tecnologia: buscam as inovações nos processos produtivos, para reduzirem emissões e perdas, podendo ser inovações incrementais, como mudançasnas especificações do processo ou no layout, ou radicais, como novos equipamentos, instalações e outros. Ecoeficiência Gestão AmbientAl 117 unidade 3 Nas últimas décadas, comenta-se muito acerca da ecoeficiência e há um incentivo para as organizações implementarem-na em seus processos produtivos, por meio do gerenciando sustentável desses processos. De acordo com o CEDSB, o termo ecoeficiência foi introduzido por meio da publicação do livro Changing Course, em 1992 (World Business Council for Sustainable Development - WBCSD), sendo endossado pela Conferência Rio-92. Esse conceito foi definido por gestores ligados ao mundo dos negócios e se disseminou rapidamente no mundo, principalmente junto a executivos (BARBIERI, 2016). A ecoeficiência busca o uso mais eficiente de matérias-primas e energia, com o intuito de reduzir os custos econômicos e os impactos ambientais, minimizando, ainda, os riscos de acidente e melhorando a relação da organização com as partes interessadas (VICENTE, 2007). Dessa maneira, uma empresa torna-se ecoeficiente quando (BARBIERI, 2016): • reduz o consumo de materiais com bens e serviços. • reduz o consumo de energia com bens e serviços. • reduz a dispersão de substâncias tóxicas. • intensifica a reciclagem de materiais. • maximiza o uso sustentável dos recursos naturais. Gestão AmbientAl 118 unidade 3 • prolonga a durabilidade dos produtos. • agrega valor aos bens e serviços. A ecoeficiência é baseada na ideia de que a redução de materiais e energia ao longo do sistema produtivo aumenta a competitividade da empresa ao mesmo tempo que reduz as pressões sobre o meio ambiente. A ecoeficiência está relacionada a três importantes objetivos: 1. redução do consumo de recursos; 2. redução no impacto na natureza; 3. aumento de produtividade ou do valor do produto. Os indicadores de ecoeficiência estão sendo introduzidos aos poucos pelas organizações, na medida em que as grandes empresas estão se sensibilizando a respeito de um comportamento ecoeficiente reduzir impactos ambientais e aumentar a rentabilidade de suas empresas. Os princípios para a definição e a utilização dos indicadores de ecoeficiência estão apresentados no QUADRO 07. QUADRO 07 - Princípios do WBSCD para a Definição e a Utilização de Indicadores de Ecoeficiência 1. Serem relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde humana e/ou na melhoria da qualidade de vida. 2. Fornecerem informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melhorar o desempenho da organização. 3. Reconhecerem a diversidade inerente a cada negócio. 4. Apoiarem o benchmarking e monitorarem a evolução do desempenho. 5. Serem claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis. 6. Serem compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas. 7. Basearem-se em uma avaliação geral da atividade da empresa, dos produtos e dos serviços, concentrando-se, principalmente, nas áreas controladas diretamente pela gestão. 8. Levarem em consideração questões relevantes e significativas, relacionadas com as atividades da empresa, a montante (ex.: fornecedores) e a jusante (ex.: utilização do produto). Fonte: WBSCD, 1999, on-line [Adaptado]. Gestão AmbientAl 119 unidade 3 A P+L e a Ecoeficiência são modelos de gestão que têm muitas semelhanças entre si. No entanto a reciclagem interna e externa é muito valorizada pela ecoeficiência, diferentemente da P+L, na qual essa reciclagem é uma opção de segundo e terceiro níveis. Projeto para o Meio Ambiente Consiste em um modelo de gestão focado na fase de concepção dos produtos e em seus respectivos processos de produção, distribuição e utilização, também denominado ecodesign, que busca integrar um conjunto de atividades e disciplinas que, historicamente, sempre foi tratado separadamente, tanto em termos operacionais quanto estratégicos, como saúde e segurança dos trabalhadores e consumidores, conservação de recursos, prevenção de acidentes e gestão de resíduos. Barbieri (2016) explica que o ecodesign se baseia em inovações de produtos e processos que reduzam a poluição em todas as fases do ciclo de vida e exige a participação de todos os segmentos da empresa, bem como de fornecedores e outros membros do canal de distribuição, podendo, por isso, ser considerado um modelo de gestão, pois não se trata da realização de atividades isoladas nem episódicas. Moura (2008) menciona o programa 3P (Polution Prevention Pays: prevenir a poluição dá lucro), criado pela 3M, que obteve Gestão AmbientAl 120 unidade 3 significativas economias com a reutilização de materiais que seriam descartados como resíduo. Para organizar as atividades diante de várias possibilidades de atuação em projeto, temos quatro estratégias (BARBIERI, 2016): • Projeto para desmaterialização: busca a redução da quantidade necessária de materiais para um produto, assim como a energia correspondente, considerando seu ciclo de vida. • Projeto para desintoxicação: busca reduzir ou eliminar a toxicidade, a periculosidade ou outras características prejudiciais ao produto. • Projeto para revalorização: busca recuperar, reciclar e reutilizar resíduos materiais e energia gerados em cada fase do ciclo de vida do produto. • Projeto para a renovação e a proteção do capital: busca garantir a segurança, a vitalidade, a integridade, a produtividade e a continuidade de recursos naturais, humanos e econômicos para manter o ciclo de vida do produto. O QUADRO 08 apresenta um resumo dos modelos de gestão ambiental. QUADRO 08 - Resumo de alguns dos modelos de Gestão Ambiental MODELO CARACTERÍSTICAS BÁSICAS PONTOS FORTES PONTOS FRACOS ALGUMAS ENTIDADES PROMOTORAS Gestão Da Qualidade Ambiental Total (TQEM) Extensão dos princípios e das práticas da gestão da qualidade total às questões ambientais. Mobilização da organização, seus clientes e parceiros para as questões ambientais. Depende de um esforço contínuo para manter a motivação inicial. The Global Environmental Management Initiative (Gemi). Produção Mais Limpa (Cleaner Production) Estratégia ambiental aplicada de acordo com uma sequência de prioridade cuja primeira é a redução de resíduos e emissões na fonte. Atenção concentrada sobre a eficiência operacional, a substituição de materiais perigosos e a minimização de resíduos. Depende do desenvolvimento tecnológico e de investimentos para a continuidade do programa no longo prazo. PNUD Onudi CNTL/Senai- RS Gestão AmbientAl 121 unidade 3 Ecoeficiência (Eco- Efficiency) Eficiência com que os recursos ecológicos são usados para atender às necessidades humanas. Ênfase na redução da intensidade de materiais e energia em produtos e serviços, no uso de recursos renováveis e no alongamento da vida útil dos produtos. Depende do desenvolvimento tecnológico, de políticas públicas apropriadas e de contingentes significativos de consumidores ambientalmente responsáveis. Organisation for Co- operation and Development (OCDE). World usines Council for Sustainable Development (WBCSD). “Análise do ciclo de vida” Projeto Para o Meio Ambiente (Design For Environment) Projetar produtos e processos considerando os impactos sobre o meio ambiente. Inclusão das preocupações ambientais desde a concepção do produto ou processo. Os produtos concorrem com outros similares que podem ser mais atrativos em termos de preço, condições de pagamentoe outras considerações não ambientais. American Electronic Association. USEPA (Agência Ambiental do Governo Federal Norte- americano). Fonte: BARBIERI, 2016, p. 115. Esses modelos ou as variações deles permitem sua implementação separada, isto é, a organização pode adotar um desses modelos de acordo com seu próprio empenho. 2 Instrumentos de Gestão Gestão AmbientAl 122 unidade 3 A aceitação de qualquer modelo de gestão propõe o uso de instrumentos, entendidos, aqui, como meios ou ferramentas para alcançar objetivos em uma matéria ambiental. Auditoria ambiental, avaliação do ciclo de vida, estudos de impactos ambientais, sistemas de gestão ambiental, relatórios ambientais, rotulagem ambiental, gerenciamento de riscos ambientais, educação ambiental empresarial são alguns entre muitos instrumentos de que as empresas podem se valer para alcançar objetivos ambientais. Muitos também são instrumentos de política pública, como, em certos casos, o estudo de impactos ambientais e a auditoria ambiental. Alguns são de caráter horizontal, isto é, são instrumentos que podem ser aplicados em qualquer empresa independente de seu porte e setor de atuação, como os sistemas de gestão ambiental. Existem ainda aqueles que se aplicam diretamente aos produtos, como a rotulagem ambiental e a avaliação do ciclo de vida. A lista de instrumentos de gestão ambiental pode ser ampliada com a inclusão dos instrumentos convencionais utilizados nas empresas para fins de qualidade e produtividade, tais como análise de valor, listas de verificação, cartas de controle, diagrama de relações, diagrama de causa e efeito, ciclo PDCA, entre outros (BARBIERI, 2016, p. 116). Para Barbieri (2016), à medida que a empresa caminha no sentido da abordagem de controle da poluição para a abordagem estratégica, maior será a variedade de instrumentos que ela deverá utilizar para a consecução dos objetivos que se propôs a alcançar. Podemos observar as etapas do Ciclo do PDCA no mapa conceitual a seguir. Mapa Conceitual Figura 5 - Ciclo PDCA Gestão AmbientAl 123 unidade 3 Fonte: elaborado pela autora. QUESTÃO 5 - O ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade que facilita a tomada de decisões, visando garantir o alcance das metas necessárias à sobrevivência dos estabelecimentos. Acerca do ciclo PDCA, numere a segunda coluna de acordo com a primeira. Gestão AmbientAl 124 unidade 3 1. Planejar (Plan) 2. Fazer (Do) 3. Checar (Check) 4. Atuar (Act) ( ) Refere-se à implementação de processos. ( ) Refere-se ao monitoramento dos processos com relação à política estabelecida anteriormente. ( ) Refere-se à formulação da política, ao estabelecimento de objetivos e metas a serem traçados. ( ) Refere-se à correção de erros ou falhas. Assinale a sequência CORRETA. a. 2, 3, 1, 4. b. 1, 2, 3, 4. c. 3, 2, 1, 4. d. 2, 4, 3, 1. e. 4, 3, 2, 1. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 125 unidade 3 QUESTÃO 1 - d) O objetivo da saúde de qualidade refere-se a uma vida saudável e à promoção do bem-estar a todos, em todas as idades. QUESTÃO 2 - a) Refere-se a uma tecnologia de fim de tubo, utilizada no controle de emissões atmosféricas. QUESTÃO 3 - c) Os benefícios estratégicos no envolvimento da empresa com problemas ambientais aumentam na medida em que cresce o interesse da opinião pública nas questões ambientais, a partir do momento que a população se manifesta com as questões ambientais; consumidores, investidores e ambientalistas são a melhoria da imagem da organização, a renovação dos produtos, a conquista de mercados externos, o crescimento da produtividade. QUESTÃO 4 - e) A ordem das prioridades em um programa de prevenção da poluição será: redução na fonte, consiste na diminuição do volume de resíduos gerados; reúso e reciclagem, consiste em reutilizar e reciclar dentro da própria fonte; recuperação energética, como nem todo resíduo pode ser reutilizado, ele poderá ser utilizado como fonte de geração de calor, caso seja possível; tratamento, uma forma correta de tratamento de resíduos é importante antes da destinação final. QUESTÃO 5 - a) O planejamento (plan) refere-se ao estabelecimento da política; fazer (do) refere-se à implementação; checar (check) refere-se à verificação, ao monitoramento; atuar (act) refere-se à correção de erros ou falhas, à melhoria contínua. Atividades de fixação - Respostas “Conclusão da Unidade” UNIDADE Sistema de Gestão Ambiental • Família ISO 14000 • Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental • Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental • Atividades de fixação - Respostas Gestão AmbientAl 128 unidade 4 Família ISO 14000 A iSo (International Organization for Standardization) é uma instituição formada por órgãos de nacionalização, criada no ano de 1947, com objetivo de desenvolver a normalização e as atividades relacionadas para facilitar as trocas de bens e serviços no mercado internacional e a cooperação entre países nas esferas científica, tecnológica e produtiva. Sua missão consiste na promoção do desenvolvimento da normalização e de atividades relacionadas em todo o mundo, como elemento facilitador das trocas comerciais de bens e serviços, dentro dos princípios da Organização Mundial do Comércio (DIAS, 2011). Para Barbieri (2016), a elaboração da norma BS 7750 estimulou a produção de outras normas a respeito do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) por órgãos de normalização de outros países. Antecipando os problemas decorrentes da proliferação de normas acerca do SGA e que poderiam funcionar como obstáculos ao comércio internacional, a ISO criou, em 1991, um grupo de assessoria chamado Strategic Advisory Group on the Environment (Sage), para estudar os impactos dessas normas no comércio internacional. No final do ano de 1992, o Sage recomendou a criação de um comitê específico para elaboração de normas de gestão ambiental. As normas de gestão ambiental começaram a ser elaboradas em 1993 pelo Comitê Técnico 207 (TC 207), seus subcomitês (SC) e grupos de trabalho (WG). Cada subcomitê é independente e administrado por uma entidade nacional de normalização, membro da ISO. O desenvolvimento de uma norma internacional pela ISO é feito mediante estágios sucessivos, começando por um item de trabalho preliminar e terminando com a sua publicação. Dentro da ISO, as normas são desenvolvidas em comitês constituídos por organismos de normatizações, interessados por especialistas, representantes governamentais e academia. Gestão AmbientAl 129 unidade 4 Os mais conhecidos são: o TC 176, que trabalha com a gestão e a garantia da qualidade, responsável pelo desenvolvimento e pela atualização das normas da série ISO 9000 - Sistemas de Gestão de Qualidade (SGQ); o TC 207, que trabalha com a gestão ambiental e é responsável pela série ISO 14000 - Sistemas de Gestão Ambiental (SGA) (CARVALHO; PALADINI, 2012). As normas ISO 14000 As normas ISO 14000 são uma família de normas que procuram estabelecer ferramentas e sistemas para administração ambiental de uma organização. Procuram a padronização de algumas ferramentas-chave de análise, tais como a auditoria ambiental e a análise do ciclo de vida (ABNT, 2017, on-line). O Quadro 01 apresenta as normas da família ISO 14000. QUADRO 01 - Família ISO 14000 NORMA DESCRIÇÃO ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA) ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais ISO 14010 Guias para Auditoria Ambiental - Diretrizes Gerais ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentospara Auditorias ISO 14012 Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação ISO 14020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos ISO 14021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições ISO 14022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos Gestão AmbientAl 130 unidade 4 ISO 14023 Rotulagem Ambiental - Testes e Metodologias de Verificação ISO 14024 Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análise Multicriterial ISO 14031 Avaliação da Performance Ambiental ISO 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operações ISO 14040 Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais ISO 14041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário ISO 14042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos Fonte: ABNT, 2017, on-line. A família de normas ambientais tem como eixo central a ISO 14001, que estabelece os requisitos necessários para implementação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que tem como objetivo conduzir a organização dentro de um SGA certificável, estruturado e integrado à atividade geral de gestão, especificando os requisitos que deve apresentar e que sejam aplicáveis a qualquer tipo e tamanho de organização (SEIFFERT, 2011). Para Barbieri (2016), de forma resumida, o SGA proposto deve cumprir estes requisitos: a. Política Ambiental; b. Planejamento; c. Implementação e Operação; d. Verificação e Ação Corretiva. Gestão AmbientAl 131 unidade 4 No que diz respeito à Política Ambiental, é preciso que a alta administração defina sua política ambiental e assegure que ela (ABNT, 2015): a. seja apropriada à natureza, à escala e aos impactos ambientais de suas atividades, produtos ou serviços; b. inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com a prevenção da poluição; c. inclua o comprometimento com o atendimento à legislação, às normas ambientais aplicáveis e aos demais requisitos da organização; d. forneça estrutura para o estabelecimento e a revisão dos objetivos e das metas ambientais; e. seja documentada, implementada, mantida e comunicada a todos os colaboradores; f. esteja disponível para o público. Em relação ao planejamento, de acordo com Barbieri (2016), a organização deve: a. estabelecer e manter procedimentos para identificar os aspectos ambientais das atividades, dos produtos ou dos serviços que tenham impactos significativos no meio ambiente; b. identificar e ter acesso à legislação e a outros requisitos aplicáveis aos aspectos ambientais das atividades, dos produtos ou dos serviços; c. estabelecer e manter objetivos e metas ambientais documentados; d. manter um programa de gestão ambiental para atingir os objetivos e as metas. Gestão AmbientAl 132 unidade 4 Na implementação e na operação, a organização deve apresentar (BARBIERI, 2016): a. estrutura e responsabilidade: as funções, as responsabilidades e as autoridades devem ser definidas, documentadas e comunicadas, a fim de facilitar a gestão ambiental; b. treinamento, conscientização e competência: a organização deve identificar as necessidades de treinamento. c. comunicação: deve estabelecer e manter procedimentos para comunicação interna dentro da organização, para o recebimento, a documentação e a resposta a comunicações pertinentes das partes interessadas externas; d. documentação do SGA: a organização deve ter informações (papel ou meio eletrônico) para descrever os principais elementos do sistema de gestão ambiental e sua interação; e. controle operacional: a organização deve identificar aquelas operações e atividades associadas aos aspectos ambientais significativos identificados de acordo com a política, os objetivos e as metas. f. preparação e atendimento a emergências: a organização precisa estabelecer e manter procedimentos para identificar o potencial e atender a acidentes e a situações de emergência, bem como para prevenir e mitigar os impactos ambientais que possam estar associados a eles. No que diz respeito à verificação e à ação corretiva, a organização deve abordar os pontos a seguir: g. monitoramento e medição: estabelecer procedimentos documentados para medir e monitorar, periodicamente, as características principais de suas operações e as atividades que possam causar impactos ambientais negativos; Gestão AmbientAl 133 unidade 4 h. não conformidade e ações corretivas e preventivas: a organização deve estabelecer e manter procedimentos para definir a responsabilidade e a autoridade para tratar e investigar não conformidades, ações corretivas e ações preventivas; i. registros: a organização deve estabelecer e manter procedimentos para identificar, fazer a manutenção e o descarte de registros. j. auditoria do SGA: a organização deve estabelecer e manter programa(s) e procedimento(s) para auditorias periódicas do SGA. De acordo com Barbieri (2016), no que se refere à revisão pela gerência, a alta administração da organização, em intervalos de tempos, deve fazer uma análise crítica do sistema de gestão ambiental. Essa análise deve considerar eventuais mudanças na política ambiental, objetivos etc., em comprometimento com a melhoria contínua. ISO 14001 A ISO 14001 pode ser implementada e aplicada por qualquer tipo de organização de todos os portes e segmentos. É uma norma aplicável para empresas que desejam (ROBLES JR, 2003, p. 136): • Implantar, manter e aprimorar um sistema de gestão ambiental. • Assegurar-se do atendimento a sua política ambiental. • Demonstrar tal conformidade a terceiros. • Buscar certificação/registro de seu SGA por uma organização externa. • Realizar auto-avaliação e emitir declaração de conformidade à norma. Gestão AmbientAl 134 unidade 4 A primeira edição da ISO 14001 foi no ano de 1996 - ISO 14001:1996 -, e a segunda edição em 2004, a qual procurou esclarecer a edição de 1996 e alinhá-la melhor com a norma ISO 9001:2000; para isso, algumas seções não modificadas em seu conteúdo foram reescritas para alinhar a ISO 14001:2004 com o formato, os termos e a diagramação da ISO 9001:2000 e para aumentar a compatibilidade entre as duas normas (SEIFFERT, 2011) ISO 14001:2015 Depois de 11 anos da publicação da última revisão, no segundo semestre de 2015, ocorreu o lançamento oficial da ISO 14001:2015, que estabelece a norma para implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA). Essa versão teve várias modificações; essas alterações ocorreram para adaptar a norma à estrutura imposta pelo Anexo SL, que tem por objetivo criar uma estrutura padrão para todas as normas que orientam a implantação e a certificação dos sistemas de gestão. “Anexo SL” Dessa maneira, as organizações que têm a certificação ISO 14001 devem se planejar, para a transição e o atendimento dos requisitos, com base na nova versão da norma publicada em outubro de 2015. O período de transição daquelas empresas que têm o SGA certificado com base na versão de 2004 é de três anos, ou seja, as empresas têm até o ano de 2018 para fazerem as adequações. Assim, a nova estrutura da ISO 14001 é (ABNT, 2015): • Introdução; Gestão AmbientAl 135 unidade 4 • Escopo; • Referência normativa; • Termos e definições; • Contexto da organização; • Liderança; • Planejamento; • Apoio; • Operação; • Avaliação de desempenho; • melhoria. A dica a seguir apresenta as principais mudanças da versão de 2004 para a de 2015. Dicas mudando da iSo 14001:2004 para a iSo 14001:2015 A nova versão da ISO 14001 é bem mais detalhada do que a versão 2004, fornece maior clareza; com essa novaversão, você poderá torná- la mais relevante para as exigências da sua própria organização. Uma das principais mudanças é que a nova versão proporciona a gestão ambiental contínua para o centro de uma organização. Acesse o link a seguir e analise o que mudou: <https://www.bsigroup.com/LocalFiles/pt- BR/Whitepapers/BR-PTBR-iso14001-WP-TransitionGuide14k-PDF.pdf>. Acesso em: 02 jul. 2017. A estrutura de alto nível das cláusulas do SGA ISO 14001:2015 segue as diretrizes que estabelecem um padrão para sequência de cláusulas, terminologia e texto. Assim, as cláusulas da ISO 14001:2015 são as mesmas da ISO 9001:2015, que é a norma que aborda o Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ). Gestão AmbientAl 136 unidade 4 A base para a abordagem que sustenta um sistema de gestão ambiental é fundamentada no conceito Plan-Do-Check-Act (PDCA). O ciclo PDCA fornece um processo iterativo utilizado pelas organizações para alcançar a melhoria contínua. Esse ciclo pode ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos seus elementos individuais (ABNT, 2015). A Figura 01 mostra como a estrutura apresentada na Norma ISO 14001:2015 poderia ser integrada ao ciclo PDCA, o qual pode ajudar usuários novos ou existentes a entenderem a importância de uma abordagem de sistemas. FIGURA 1 - Modelo do Sistema de Gestão Ambiental Fonte : CARPINETTI; GEROLAMO, 2016, p. 159. Gestão AmbientAl 137 unidade 4 A Estrutura de Alto Nível distribui as cláusulas em 10 seções (ou seja, em 10 itens), alinhadas com a abordagem PDCA (Figura 01), de modo a dar uma sequência lógica aos requisitos dos sistemas de gestão, e propõe texto comum para requisitos muito estáveis dos sistemas de gestão, tais como a informação documentada, as ações corretivas, as auditorias internas, a revisão pela gestão, dentre outros. Assim, a nova versão da ISO 14001 tem a estrutura apresentada no Quadro 02 (ABNT, 2015). QUADRO 02 - Estrutura da Norma ISO 14001:2015 0. Introdução 1. Escopo 2. Referências normativas 3. Termos e definições Gestão AmbientAl 138 unidade 4 P L A N E J A R 4. Contexto da organização: 4.1 Entendendo a organização e seu contexto 4.2 Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas 4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental (SGA) 4.4 Sistema de Gestão Ambiental 5. Liderança: 5.1 Liderança e comprometimento 5.2 Política ambiental 5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais 6. Planejamento: 6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades 6.1.1 Generalidades 6.1.2 Aspectos ambientais 6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos 6.1.4 Planejamento das ações 6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los 6.2.1 Objetivos ambientais 6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambientais 7. Apoio 7.1 Recursos 7.2 Competência 7.3 Conscientização 7.4 Comunicação 7.4.1 Generalidades 7.4.2 Comunicação interna 7.4.3 Comunicação externa 7.5 Informação documentada 7.5.1 Generalidades 7.5.2 Criando e atualizando 7.5.3 Controle de informação documentada Gestão AmbientAl 139 unidade 4 EXECUTAR 8. Operação 8.1 Planejamento e controle operacionais 8.2 Preparação e resposta a emergências AVALIAR 9. Avaliação de desempenho 9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação 9.1.1 Generalidades 9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros requisitos 9.2 Auditoria Interna 9.2.1 Generalidades 9.2.2 Programa de auditoria interna 9.3 Análise crítica pela direção AGIR 10. Melhoria 10.1 Generalidades 10.2 Não conformidade e ação corretiva 10.3 Melhoria contínua Fonte: ABNT, 2015, on-line [Adaptado]. Vamos entender, agora, o que a norma ISO 14001:2015 apresenta em cada seção e, também, algumas cláusulas. Entenda como seção, por exemplo, o item 4. Contexto da organização, e como cláusula o item 4.1 Entendendo a organização e seu contexto. Vamos lá? A seção 4 da norma se refere ao contexto da organização, esta deve determinar questões internas e externas que sejam pertinentes ao seu propósito e que afetem sua capacidade de alcançar resultados pretendidos no SGA. A intenção da cláusula 4.1, “Entendendo a organização e seu contexto”, é prover uma compreensão conceitual de alto nível das questões importantes que podem afetar, tanto positiva como negativamente, a maneira pela qual a organização gerencia suas responsabilidades ambientais (ABNT, 2015). Gestão AmbientAl 140 unidade 4 De acordo com a Norma, exemplos de questões internas e externas que podem ser pertinentes para o contexto da organização incluem: a. condições ambientais relacionadas ao clima, à qualidade do ar, à qualidade da água, ao uso do solo, à contaminação existente, à disponibilidade de recursos naturais e à biodiversidade, que podem afetar o propósito da organização ou ser afetadas por seus aspectos ambientais; b. as circunstâncias externa, cultural, social, política, legal, regulamentar, financeira, tecnológica, econômica, natural e competitiva, sejam em âmbitos internacional, nacional, regional ou local; c. as características ou as condições internas da organização, como as atividades, os produtos e serviços, o direcionamento estratégico, a cultura e as capacidades (por exemplo, pessoas, conhecimentos, processos, sistemas). Em 4.2, é esperado que uma organização ganhe, das partes interessadas internas e externas, uma compreensão geral acerca das necessidades e das expectativas expressas, as quais tenham sido determinadas pela organização como pertinentes. Atenção As partes interessadas (também conhecidas pelo termo inglês stakeholders) são os indivíduos e as organizações ativamente envolvidos no processo. Na cláusula 4.3, o escopo do sistema de gestão ambiental destina-se a esclarecer os limites físicos e organizacionais aos quais se aplica o sistema de gestão ambiental, especialmente se a organização for parte de uma organização maior. Uma organização tem a liberdade e a flexibilidade para definir seus limites, porém não pode ser realizada de forma a excluir atividades, produtos, serviços ou instalações que têm ou podem ter aspectos Gestão AmbientAl 141 unidade 4 ambientais significativos, ou para evitar seus requisitos legais e outros requisitos. Entenda o escopo como uma declaração real e representativa das operações da organização incluída nos limites do seu sistema de gestão ambiental (ABNT, 2015). A seção 5 é referente à liderança, estabelecendo que a alta gerência da organização deve assumir a responsabilidade pela eficácia do SGA (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016). Uma política ambiental (cláusula 5.2) é um conjunto de princípios declarados como compromissos, em que a Alta Direção descreve as intenções da organização para apoiar e aumentar o seu desempenho ambiental. Três compromissos básicos para a política ambiental são especificados na Norma ISO 14001:2015: a. proteger o meio ambiente; b. atender aos requisitos legais e a outros requisitos da organização; c. melhorar continuamente o sistema de gestão ambiental para aumentar o desempenho ambiental. Esses compromissos são refletidos nos processos estabelecidos pela organização para abordar os requisitos específicos da Norma, no intuito de assegurar um sistema de gestão ambiental robusto, acreditável e confiável (ABNT, 2015). QUESTÃO 1 - A Política Ambiental pode ser considerada um conjunto de ações que é ordenado e praticado por organizações ou governos com o intuito de preservar o meio ambiente. Acerca da política ambiental proposta pela ISO 14001, leia as afirmativasa seguir. I. A Política Ambiental deve ser implementada pelo setor de Pesquisa e Desenvolvimento de uma organização. II. A Política Ambiental deve ser documentada. III. A Política Ambiental pode incluir aspectos como inclusão de uso Gestão AmbientAl 142 unidade 4 sustentável dos recursos naturais, mitigação e adaptação às mudanças climáticas, proteção a biodiversidade e ecossistemas. IV. Uma vez implementada, não há necessidade de atualização da Política Ambiental. a. II e III, apenas. b. I e II, apenas. c. I, II e III, apenas. d. I e IV, apenas. e. II, III e IV, apenas. O gabarito se encontra no final da unidade. A seção 6, “Planejamento”, apresenta, na cláusula 6.1, a questão de ações para tratar riscos e oportunidades e estabelece que a organização deve determinar riscos e oportunidades que precisam ser contemplados, para assegurar que o sistema de gestão consiga atingir os resultados esperados, aumentando a chance de resultados desejáveis e prevenindo ou reduzindo a chance de efeitos indesejáveis (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016). A subcláusula 6.1.2, “Aspectos Ambientais”, descreve que uma organização determina seus aspectos ambientais e os impactos ambientais associados, assim como determina aqueles que são significativos e, portanto, precisam ser abordados pelo Sistema de Gestão Ambiental. Entenda que os aspectos ambientais podem criar riscos e oportunidades associados a impactos ambientais adversos, a impactos ambientais benéficos e a outros efeitos na organização. Gestão AmbientAl 143 unidade 4 Lembre As alterações para o meio ambiente, adversas ou benéficas, que resultem total ou parcialmente dos aspectos ambientais, são chamadas de impactos ambientais. O impacto ambiental pode ser classificado de diversas formas, mas a relação entre os aspectos ambientais e os impactos ambientais é de causa e efeito. De acordo com a norma, uma organização não tem que considerar cada produto, componente ou matéria-prima individualmente para determinar e avaliar seus aspectos ambientais; ela pode agrupar e categorizar atividades, produtos e serviços quando eles tiverem características comuns. Na determinação de seus aspectos ambientais, a organização pode considerar: a. emissões para o ar; b. lançamentos em água; c. lançamentos em terra; d. uso de matérias-primas e recursos naturais; e. uso de energia; f. emissão de energia (por exemplo, calor, radiação, vibração (ruído) e luz); g. geração de rejeito e/ou subprodutos; h. uso do espaço. A cláusula 6.2, “Objetivos ambientais e planejamento para alcançá- los”, define que a Alta Direção pode estabelecer objetivos ambientais a nível estratégico, tático ou operacional. O nível estratégico inclui os mais altos níveis da organização, e os objetivos ambientais podem ser aplicáveis a toda a organização. Os níveis táticos e operacionais podem incluir objetivos ambientais para unidades ou funções específicas dentro da organização; convém que esses objetivos Gestão AmbientAl 144 unidade 4 sejam compatíveis com o seu direcionamento estratégico (ABNT, 2015). Os objetivos ambientais devem ser comunicados às pessoas que realizam trabalhos sob o controle da organização, a qual tem a capacidade de influenciar o alcance dos objetivos ambientais. A seção 7 apresenta os requisitos de apoio ao SGA, abordando a provisão de recursos (podem ser incluídos recursos humanos, recursos naturais, recursos de infraestrutura, recursos tecnológicos e recursos financeiros), competências, conscientização, comunicação e documentação da informação. Em relação à conscientização (cláusula 7.3), é necessário que as pessoas estejam cientes da existência, do propósito e do papel delas na realização dos compromissos, incluindo o modo como o trabalho delas pode afetar a capacidade da organização de atender aos requisitos legais e a outros requisitos (ABNT, 2015). A seção 8 trata dos requisitos de operação, que estão focados em operações, ações e controles para gestão ambiental. A cláusula 8.1, “Planejamento e controle operacional”, descreve que o tipo e a extensão do(s) controle(s) operacional(is) dependem da natureza das operações, do risco e das oportunidades, dos aspectos ambientais significativos, dos requisitos legais e de outros requisitos. Uma organização tem flexibilidade para selecionar o tipo de método de controle operacional, individualmente ou em conjunto, que é necessário para certificar que o(s) processo(s) é(são) eficaz(es) e alcança(m) o(s) resultado(s) desejado(s) (ABNT, 2015). Tais métodos podem incluir: a. projetar processo(s) de modo a evitar erros e garantir resultados coerentes; b. usar a tecnologia para controlar processo(s) e evitar resultados adversos (ou seja, controles de engenharia); c. usar pessoal competente para assegurar os resultados desejados; d. executar processo(s) de uma forma especificada; Gestão AmbientAl 145 unidade 4 e. monitorar ou medir processo(s) para verificar os resultados; f. determinar o uso e a quantidade de informação documentada necessária. No que diz respeito às respostas a emergências (cláusula 8.2), a norma estabelece que a organização deve manter informações documentadas que demonstrem que os processos foram realizados conforme planejado. Fique atento Situações de emergência são eventos não planejados ou inesperados que precisam da aplicação urgente de competências, recursos ou processos específicos, para prevenir ou mitigar suas consequências reais ou potenciais. As situações de emergência podem resultar em impactos ambientais adversos ou em outros efeitos na organização (exemplos: incêndio, derramamento químico, condições climáticas severas) (ABNT, 2015). A seção 9 trata da avaliação de desempenho. De acordo com a Subcláusula 9.1.1, “Generalidades”, ao determinar o que convém que seja monitorado e medido, além do progresso acerca dos objetivos ambientais, é importante que a organização leve em consideração os aspectos ambientais significativos, os requisitos legais e outros requisitos e os controles operacionais. É necessário que o desempenho ambiental e a avaliação de resultados sejam reportados para aqueles com responsabilidade e autoridade para iniciar a ação apropriada (ABNT, 2015). A cláusula 9.2 trata da “Auditoria interna”; nesse item, é conveniente que os auditores sejam independentes da atividade a ser auditada, sempre que viável, e convém que, em todos os casos, eles sejam livres de tendências e conflitos de interesses. Não conformidades identificadas durante as auditorias internas estão sujeitas às ações Gestão AmbientAl 146 unidade 4 corretivas apropriadas. Veremos mais acerca da auditoria interna ainda nesta unidade (ABNT, 2015). A cláusula 9.3, “Análise crítica pela direção”, é muito importante e pode ser parte das atividades regulares programadas de gestão, como reuniões gerenciais ou operacionais. Por exemplo, reclamações pertinentes recebidas das partes interessadas são analisadas criticamente pela Alta Direção, para determinar as oportunidades de melhoria. A seção 10 trata da melhoria, sendo que a Cláusula 10.1, “Generalidade”, descreve que é importante que a organização considere os resultados da Avaliação de desempenho, ao tomar ação de melhoria. Exemplos de melhoria incluem ação corretiva, melhoria contínua, mudança inovadora, inovação e reorganização. Já a cláusula 10.3, “Melhoria contínua”, salienta que o ritmo, a extensão e o cronograma das ações que apoiam a melhoria contínua são determinados pela organização. O desempenho ambiental pode ser aumentado pela aplicação do SGA comoum todo ou pela melhoria de um ou mais dos seus elementos. Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental Sistema de Gestão Ambiental Do ponto de vista empresarial, gestão ambiental é a expressão utilizada para denominar a gestão empresarial que se orienta para evitar, na medida que possível, problemas para o meio ambiente. Em outros termos, é a gestão cujo objetivo é conseguir que os efeitos ambientais não ultrapassem a capacidade de carga do meio onde se encontra a organização, ou seja, obter-se um desenvolvimento sustentável (DIAS, 2017, p.107). Gestão AmbientAl 147 unidade 4 Segundo a Resolução CONAMA (2002) n.º 306/02, o Sistema de Gestão Ambiental (SGA) é a parte do sistema de gestão global que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e manter a política ambiental da instalação. Um SGA está vinculado às normas elaboradas pelas instituições públicas (prefeituras, governo estadual e federal) acerca do meio ambiente, que estabelecem os limites aceitáveis de todos os atos que tenham potencial poluidor, por exemplo, padrões de lançamento de efluentes em rios. Para Rocco (2011), o cumprimento de normas legais é obrigatório para as empresas que desejam implantar um SGA. O não cumprimento ou o desconhecimento delas pode afetar de forma significativa os investimentos das empresas, além de afetar a capacidade de intervenção no mercado. Uma política proativa é baseada em um planejamento prévio dos possíveis efeitos ambientais e da antecipação de impactos ambientais, reorganizando os produtos e os processos envolvidos. A política proativa busca métodos de prevenção, investigando o que originou as causas (DIAS, 2017). Nesse contexto, é preciso refletir a respeito da importância dos profissionais envolvidos no processo, de forma que esses estejam aptos a tomarem decisões sábias e viáveis em relação à questão ambiental dentro das organizações. É importante salientar que um SGA pode ser aplicado dentro de qualquer empresa, com qualquer tamanho e setor. Entretanto as pequenas empresas têm dificuldades de implementar o SGA, por terem de disponibilizar parte de seus recursos humanos e financeiros para tal. Além disso, a implantação e a certificação do sistema ainda prevê um custo apreciável. Gestão AmbientAl 148 unidade 4 Quando uma pequena empresa se encontra vinculada a grandes clientes que exigem de seus fornecedores um SGA, ou são empresas voltadas para exportação, a implantação desse sistema pode ser necessária e imprescindível para a continuidade dos negócios. Para Dias (2017), a implantação do SGA é uma vantagem competitiva para a empresa, que pode melhorar sua imagem no mercado, o que se torna cada dia mais importante pelo aumento da consciência ambiental e das exigências dos consumidores. Por exemplo, uma empresa agropecuária de grande ou pequeno porte, que ignore os impactos ambientais que suas atividades podem causar ao meio ambiente, está determinando os limites de sua existência e, ao mesmo tempo, está perdendo a possibilidade de gerar uma vantagem competitiva para assegurar um lugar de sucesso no mercado em que atua. O responsável pela gestão ambiental deverá garantir que o SGA seja estabelecido, documentado, implementado, mantido e continuamente melhorado em conformidade com os requisitos da norma 14001 e determinar como ela atenderá a esses requisitos. Observe que um requisito é uma necessidade ou expectativa que é declarada, geralmente implícita ou obrigatória. Comumente, implícita significa que é costume ou prática comum para a organização e para as partes interessadas. Um requisito especificado, por sua vez, é aquele que é declarado, por exemplo, uma informação documentada. Além desses, outros requisitos que não são legais passam a ser obrigatórios quando a organização decide cumpri-los (ABNT, 2015). Os requisitos para implantação e operação de um SGA estão apresentados na norma ISO 14001 – Sistemas da gestão ambiental – Requisitos com orientações para uso –; essa é uma norma internacional, pertencente à série de normas ISO 14000. Cada um dos requisitos está disposto nas cláusulas da ISO 14001. Gestão AmbientAl 149 unidade 4 Requisitos do SGA Vimos, anteriormente, o que aborda cada seção da norma ISO 14001:2015 e algumas de suas cláusulas e subcláusulas. Que tal, agora, conhecermos os requisitos de algumas das cláusulas da norma? Acompanhe! Seção 4 - Contexto da Organização Cláusula 4.1: Entendendo a organização e seu contexto De acordo com a norma, a organização deve determinar questões externas e internas que sejam pertinentes para o seu propósito e que afetem sua capacidade de alcançar os resultados pretendidos no SGA. Essas questões devem incluir as condições ambientais que afetam ou são capazes de afetar a organização. Cláusula 4.2: Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas Requisitos Em termos básicos, essa cláusula exige que a organização (ABNT, 2015): • determine que as partes interessadas sejam pertinentes para o SGA; • em seu SGA, atenda às necessidades e às expectativas de partes interessadas; • determine que essas necessidades e expectativas se tornem seus requisitos legais e outros requisitos. Cláusula 4.3: Determinando o escopo do SGA Requisitos Gestão AmbientAl 150 unidade 4 Nesse contexto, essa cláusula define que a organização, ao determinar seu escopo, deve considerar: • questões internas e externas; • serviços, unidades e produtos; • requisitos legais e outros requisitos; • unidades organizacionais, funções e limites físicos; • atividades, produtos e serviços; • autoridade e capacidade de exercer controle e influência. Claúsula 4.4: SGA No que diz respeito aos requisitos dessa cláusula, a organização deve estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente seu SGA. Seção 5 - Liderança Cláusula 5.1 - Liderança e Comprometimento Requisitos: a liderança decorre do fato de que a criação e a implementação do SGA inscrevem-se no âmbito das decisões estratégicas da organização. Assim, a Alta Direção deve demonstrar liderança e comprometimento com respeito ao SGA (ABNT, 2015): a. responsabilizando-se por prestar contas pela eficácia do SGA; b. assegurando que a política ambiental e os objetivos ambientais sejam estabelecidos e compatíveis com o direcionamento estratégico e o contexto da organização; c. assegurando a integração dos requisitos do SGA nos processos de negócio da organização; d. assegurando que recursos necessários para o SGA estejam disponíveis; Gestão AmbientAl 151 unidade 4 e. comunicando a importância de uma gestão ambiental eficaz, conforme os requisitos do SGA; f. assegurando que o SGA alcance os resultados pretendidos; g. dirigindo e apoiando pessoas a contribuírem para eficácia do SGA; h. promovendo melhoria contínua; i. apoiando outros papéis pertinentes da gestão que demonstram como sua liderança se aplica às áreas sob sua responsabilidade. Por esses requisitos, a Alta Direção assume a responsabilidade direta da eficácia do SGA. Claúsula 5.2 - Política Ambiental Requisitos No que diz respeito à política ambiental, a Alta Administração deve estabelecer e implementar uma política ambiental, dentro do escopo definido em seu SGA, que: a. seja apropriada ao propósito e ao contexto da organização, incluindo a natureza, escala e impactos ambientais das suas atividades, produtos e serviços; b. proveja uma estrutura para o estabelecimentodos objetivos ambientais; c. inclua um comprometimento com a proteção do meio ambiente, incluindo a prevenção da poluição e outro(s) compromisso(s) específico(s) pertinente(s) para o contexto da organização; d. inclua um comprometimento em atender os seus requisitos legais e outros requisitos; Gestão AmbientAl 152 unidade 4 e. inclua um comprometimento com a melhoria contínua do sistema de gestão ambiental para aumentar o desempenho ambiental (ABNT, 2015, p. 08). A política ambiental deve ser: documentada, comunicada internamente à organização e disponibilizada às partes interessadas. Essa política deve se apresentar em forma de uma declaração não muito longa, para facilitar a sua divulgação em diferentes meios de comunicação, e deve se tornar conhecida, compreendida e lembrada pelos membros da organização e pelas partes interessadas. Um exemplo é uma empresa do ramo de transportes que tem a seguinte Política Ambiental: • A empresa “Y” de transporte, com sede na cidade de São Paulo - SP, é uma organização que busca garantir a seus clientes a melhor alternativa nos serviços de logística, visando crescer com excelência em seus serviços e sendo comprometida com a preservação do meio ambiente, empenhando-se em: • buscar atender à legislação vigente; • melhorar continuamente seu desempenho, com atuação da prevenção da poluição; • prevenir a poluição, fazer uso racional de recursos naturais, bem como da destinação correta de resíduos sólidos, por meio de treinamento e conscientização dos colaboradores; • divulgar a Política Ambiental aos colaboradores e aos interessados na organização. Claúsula 5.3 - Papéis, responsabilidade e autoridades organizacionais Requisitos Gestão AmbientAl 153 unidade 4 Em termos básicos, essa cláusula afirma que a alta direção deve atribuir responsabilidade e autoridade para: • assegurar que o SGA esteja de acordo com a ISO 14001; • relatar o desempenho do SGA. Seção 6: Planejamento Cláusula 6.1. Ações para abordar riscos e oportunidades A cláusula 6.1 é dividida em quatro subcláusulas: 6.1.1 “Generalidades”; 6.1.2 “Aspectos ambientais”; 6.1.3 “Requisitos legais e outros requisitos”; 6.1.4 “Planejamento das ações”. Trataremos das generalidades e dos aspectos ambientais. De uma forma geral, a organização deve estabelecer, implementar e manter o(s) processo(s) necessário(s) para atender aos requisitos de 6.1.1 a 6.1.4. Ao planejar o sistema de gestão ambiental, a organização deve considerar: a. as questões referidas em 4.1 (“Entendendo a organização e seu contexto”); b. os requisitos referidos em 4.2 (“Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas”); c. o escopo do seu sistema de gestão ambiental; Deve, também, determinar os riscos e as oportunidades relacionados aos seus aspectos ambientais, aos requisitos legais e a outros requisitos e outras questões, identificados em 4.1 e 4.2, que precisam ser abordados para: • assegurar que o sistema de gestão ambiental possa alcançar seus resultados pretendidos; Gestão AmbientAl 154 unidade 4 • prevenir ou reduzir efeitos indesejáveis, incluindo o potencial para condições ambientais externas que afetem a organização; • alcançar a melhoria contínua. Dentro do escopo do sistema de gestão ambiental, a organização deve determinar potenciais situações de emergência, incluindo aquelas que podem ter um impacto ambiental. De acordo com a norma, na subcláusula 6.1.2, “Aspectos ambientais”, a organização deve determinar os aspectos ambientais das atividades, dos produtos e dos serviços, os que ela pode controlar e aqueles que ela pode influenciar, e os impactos ambientais associados, considerando uma perspectiva de ciclo de vida. Ao determinar os aspectos ambientais, a organização deve levar em consideração: a. mudanças, incluindo desenvolvimentos planejados ou novos, e atividades, produtos e serviços novos ou modificados; b. condições anormais e situações de emergência razoavelmente previsíveis. A organização deve determinar aqueles aspectos que têm ou podem ter um impacto ambiental significativo, além de comunicar seus aspectos ambientais significativos, dentre os diversos níveis e funções da organização, como apropriados. Gestão AmbientAl 155 unidade 4 QUESTÃO 2 - Refere-se à informação que se requer que seja controlada e mantida por uma organização e ao meio no qual ela está contida. Trata-se do(a): a. risco. b. requisito. c. objetivo ambiental. d. parte interessada. e. informação documentada. O gabarito se encontra no final da unidade. Cláusula 6.2. Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los Requisitos Em relação a essa cláusula, a organização deve estabelecer os objetivos ambientais (6.2.1), levando em conta os aspectos significativos da organização, os requisitos legais e outros associados (ABNT, 2015). De acordo com a ABNT (2015, p. 11), os objetivos ambientais devem ser: a. coerentes com a política ambiental; b. mensuráveis (se viável); c. monitorados; d. comunicados; e. atualizados, como apropriado. A organização deve ter documentadas as informações quanto aos objetivos ambientais e, também, deve planejar como alcançará seus objetivos ambientais (6.2.2), devendo determinar (ABNT, 2015 p. 11): Gestão AmbientAl 156 unidade 4 a. o que será feito; b. que recursos serão requeridos; c. quem será responsável; d. quando isso será concluído; e. como os resultados serão avaliados, incluindo indicadores para monitorar o progresso em direção ao alcance dos objetivos ambientais mensuráveis. Seção 7: Apoio Cláusula 7.1 - Recursos No que diz respeito aos recursos, a norma estabelece que a organização deve prover recursos necessários para estabelecimento, manutenção e melhoria do SGA. Cláusula 7.2 - Competência Requisitos Em relação à competência, essa cláusula exige, dentre outros, que a organização (ABNT, 2015): • determine a competência necessária de pessoas que realizem trabalho que afete o desempenho ambiental; • assegure que as pessoas tenham competência, ou seja, treinamentos, educação ou experiência; • determine os treinamentos adequados quanto ao SGA. Cláusula 7.3 - Conscientização Requisitos Gestão AmbientAl 157 unidade 4 Em resumo, essa cláusula exige que a organização assegure que as pessoas estejam conscientes (ABNT, 2015): • da política ambiental; • dos aspectos ambientais significativos; • da sua contribuição para a eficácia do SGA; • das implicações de não estar em conformidade com os requisitos do sistema de gestão ambiental, incluindo o não atendimento aos requisitos legais e a outros requisitos da organização. Cláusula 7.4 - Comunicação Requisitos A cláusula 7.4, que aborda a comunicação, afirma que a organização deve estabelecer, implementar e manter processos necessários para comunicações internas e externas que abordem: o que comunicar, quando comunicar, com quem se comunicar e como comunicar. Também trata da comunicação interna da organização (7.4.2), que deve trazer informações pertinentes acerca do SGA, incluindo mudanças, e das comunicações externas (7.4.3). Cláusula 7.5 - Informação documentada Na subcláusula 7.5.1, “Generalidades”, o Sistema de Gestão Ambiental da organização deve incluir a informação documentada requerida pela norma, além daquelas informações determinadas pela organização como sendo necessárias para a eficácia do SGA. A norma também apresenta a subcláusula 7.5.2, “Criando e atualizando”, e a subcláusula 7.5.3, “Controle de informação documentada”, em que descreveque a informação documentada deve estar disponível e adequada para uso, além de estar protegida suficientemente. Gestão AmbientAl 158 unidade 4 Seção 8 - Operação Cláusula 8.1 - Planejamento e controle operacionais Requisitos Nessa cláusula, a organização deve estabelecer, implementar, controlar e manter os processos necessários para atender aos requisitos do SGA. Deve controlar mudanças planejadas e analisar criticamente as consequências dessas mudanças. Coerentemente, com uma perspectiva de ciclo de vida, a organização deve: a. estabelecer controles, como apropriado, para assegurar que o(s) requisito(s) ambiental(is) seja(m) tratado(s) no processo de projeto e desenvolvimento do produto ou do serviço, considerando cada estágio do seu ciclo de vida; b. determinar seu(s) requisito(s) ambiental(is) para a aquisição de produtos e serviços, como apropriado; c. comunicar seu(s) requisito(s) ambiental(is) pertinente(s) para provedores externos, incluindo contratados; d. considerar a necessidade de prover informações sobre potenciais impactos ambientais significativos associados com o transporte ou entrega, uso, tratamento pós-uso e disposição final dos seus produtos e serviços (ABNT, 2015, p. 15). Cláusula 8.2 - Preparação e resposta de emergências Requisitos No que diz respeito à preparação e à resposta de emergências, a organização deve: a. preparar-se para responder pelo planejamento de ações para prevenir ou mitigar impactos ambientais adversos de situações de emergências; Gestão AmbientAl 159 unidade 4 b. responder a situações de emergências reais; c. tomar ações para prevenir ou mitigar as consequências decorrentes de situações de emergência, apropriadas à magnitude da emergência e ao potencial impacto ambiental; d. testar periodicamente as ações de resposta planejadas, onde viável; e. periodicamente, analisar criticamente e revisar o(s) processo(s) e as ações de resposta planejadas, em particular, após a ocorrência de situações de emergência ou testes; f. prover informações pertinentes e treinamento relacionado à preparação e resposta a emergências, como apropriado, para as partes interessadas pertinentes, incluindo pessoas que realizam trabalho sob o seu controle (ABNT, 2015, p. 15). QUESTÃO 3 - Emergência ambiental é a denominação genérica para situações críticas que podem fugir do controle da organização e causar danos de diferentes magnitudes ao meio ambiente físico, biológico e social. Nesse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas. I. De acordo com a norma ISO 14001 a organização deve estabelecer, implementar e manter processos necessários para preparar-se e responder a potenciais situações de emergências identificadas. PORQUE II. Derramamentos de produtos químicos, explosões, rompimento de barreiras de contenção de efluentes são exemplos de emergências ambientais. Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA. a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I. b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I. Gestão AmbientAl 160 unidade 4 c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. e. As asserções I e II são proposições falsas O gabarito se encontra no final da unidade. Seção 9 - Avaliação de desempenho Cláusula 9.1 - Monitoramento, medição, análise e avaliação Requisitos Em termos básicos, essa cláusula exige que a organização deve: • determinar o que será medido e monitorado; • ter métodos de monitoramento, medição, análise e avaliação; • ter critérios pelos quais irá avaliar seu desempenho ambiental e indicadores; • determinar quando será o monitoramento e a medição; • ter resultados do monitoramento e medição, que devem ser analisados e avaliados. Cláusula 9.2 - Auditoria interna Requisitos A cláusula 9.2 exige que a organização deve: Gestão AmbientAl 161 unidade 4 • conduzir auditorias internas para avaliar os requisitos da própria organização e os requisitos da norma; • definir critérios e escopo de auditoria; • selecionar auditores internos; • assegurar que os resultados sejam repassados à gerência; Cláusula 9.3 - Análise crítica pela direção A Alta Direção deve analisar criticamente o sistema de gestão ambiental da organização, em intervalos planejados, para assegurar sua contínua adequação, suficiência e eficácia, considerando diversos itens, tais como mudanças, suficiência de recursos, oportunidades para melhoria contínua. Seção 10 - Melhoria Cláusula 10.1 - Generalidades Por meio da avaliação do desempenho, a organização deve determinar oportunidades para melhoria e implementar as ações necessárias para alcançar os resultados pretendidos pelo seu sistema de gestão ambiental. Cláusula 10.2 - Não conformidade e ação corretiva Requisitos Em termos básicos, a cláusula 10.2 exige que a organização deve (ABNT, 2015): • ao ocorrer uma não conformidade: reagir, controlar, corrigir e lidar com consequências; • avaliar a necessidade de ações para eliminar as causas da não conformidade; Gestão AmbientAl 162 unidade 4 • implantar ações necessárias; • analisar criticamente as mudanças; • realizar mudanças no SGA, se necessário; • documentar as evidências e os resultados de ações corretivas. Cláusula 10.3 - Melhoria contínua A organização deve melhorar continuamente a adequação, a suficiência e a eficácia do sistema de gestão ambiental para aumentar o desempenho ambiental. Estudo de caso Análise Crítica Apresentar a análise crítica de uma organização quanto ao seu SGA. Uma empresa do ramo de fabricação de equipamentos para saúde está implantando o seu SGA para posterior certificação pela ISO 14001. A empresa conta com a Autorização de Funcionamento (AFE), a certificação Boas Práticas de Fabricação (BPF) e, agora, para exportação, está implantando o SGA. O primeiro passo foi a contratação de uma consultoria na área ambiental, que iniciou com a implantação da política ambiental, que, por indicação da alta direção, ficou instituída como: “Buscar soluções inovadoras para a área da saúde melhorando o processo produtivo, para atender cada vez melhor seus clientes. Cumprir com os requisitos regulamentares das normas aplicáveis, promover a melhoria contínua de seu SGA, prevenir poluição e diminuir seus impactos ambientais”. Essa foi a versão 01 da Política Ambiental da Empresa, para isso, a política foi documentada e foi agendado um treinamento com os colaboradores, a fim de explicar a política implementada e, também, a importância do SGA Gestão AmbientAl 163 unidade 4 que a empresa estava buscando. Depois de passar um treinamento para os colaboradores, a política ficou à disposição de todos os interessados na organização. Após a implementação, a alta direção fez uma análise crítica da política ambiental junto com algumas lideranças da organização e com a consultoria contratada; no momento, verificaram que não havia necessidade de alteração na política, no entanto, continuariam o monitoramento, o treinamento e a capacitação de colaboradores para que os próximos passos sejam implementados pela empresa. Conceitos e/ou as teorias trabalhadas no estudo de caso Política Ambiental, Análise Crítica, Ciclo PDCA, ISO 14001. Questionamentos deste estudo de caso Como a empresa pode propor indicadores para cumprir os requisitos da política ambiental? Qual periodicidade do programa de treinamentos? Interaçãodo SGA com outros sistemas de Gestão Uma organização pode ter outros sistemas implementados além do SGA. A integração entre dois ou mais sistemas de gestão é um desafio para as organizações. Normalmente, as organizações têm o Sistema de Gestão de Qualidade implementado (ISO 9001) e, depois, implementam o SGA (iSo 14001). Os SGA pode ser integrado com a OHSAS (Occupational Health and Safety Assessments Series) 18001 (futura ISO 45001), que especifica os requisitos de um sistema de gestão da saúde e segurança do trabalho; também, com a NBR 16001, que estabelece os requisitos de um sistema de gestão de responsabilidade social. Gestão AmbientAl 164 unidade 4 Assim, para Barbieri (2016), a ISO percebeu que precisava facilitar a integração dos seus sistemas de gestão baseados em normas e estabeleceu termos e definições comuns a todas as normas, incluindo as notas de esclarecimento relacionadas, eliminando ou reduzindo as interpretações conflitantes. Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental Certificação O SGA pode ser criado e implementado para alcançar diversos objetivos. A norma ISO 14001 pode ser aplicada a qualquer organização que deseja (DIAS, 2017): • estabelecer, implementar e aprimorar um SGA; • assegurar sua conformidade com a Política Ambiental; • demonstrar conformidade com essa norma ao: fazer uma autodeclaração ou autoafirmação; buscar confirmação da sua conformidade por partes interessadas na organização; buscar confirmação de sua autodeclaração por meio de uma organização externa; buscar certificação ou registro de seu SGA por uma organização externa. A autodeclaração de conformidade é realizada por meio de avaliações que são conduzidas pela própria organização que criou o SGA ou por uma organização externa em seu nome. “NBR 16001” Gestão AmbientAl 165 unidade 4 A certificação é o procedimento pelo qual uma terceira parte dá garantia escrita de que o SGA está em conformidade com os requisitos especificados. A terceira parte é a pessoa, ou o organismo, reconhecida como independente das partes envolvidas no que se refere a um dado assunto. O registro é o procedimento pelo qual um organismo indica as características pertinentes de um produto, processo ou serviço, ou as características particulares de um organismo ou pessoa, em lista apropriada e disponível ao público (ABNT, 2015). O SGA pode ser certificado por organizações que estão relacionadas com ele em seu ambiente de negócio, por exemplo, bancos, clientes e outros agentes financeiros. Também é possível que a organização cliente avalie o SGA dos seus fornecedores. Na prática, Barbieri (2016) analisa que existe uma preferência das empresas por certificação de terceira parte acreditadas, para tal, no país em que o SGA opera, isso evita o inconveniente de ter diversas organizações interessadas realizando visitas, medindo e conferindo dados, entrevistando o pessoal e outros procedimentos para verificar a conformidade do SGA com os requisitos da norma. Na implantação e certificação do SGA, podemos perceber uma relação com o Ciclo PDCA, como mostra o mapa conceitual a seguir. Gestão AmbientAl 166 unidade 4 Organismo de Certificação Credenciado O Organismo de Certificação Credenciado (OCC) tem que atender a critérios previamente estabelecidos em documentos normativos estabelecidos pelo órgão governamental competente. Cada país tem esquemas próprios para acreditar e controlar as atividades de certificação de terceira parte, embora haja um amplo esforço internacional para harmonizar critérios e procedimentos tendo à FIGURA 2 - Relação do Ciclo PDCA com a implantação de um SGA Fonte : CAGNA [on-line] “Integração da ISO 9001 com a ISO 14001” Gestão AmbientAl 167 unidade 4 frente a ISO, a International Electrotechnical Commision (ieC) e o International Accreditation Forum (iAF). A acreditação é o reconhecimento formal por parte do órgão governamental competente de um organismo, pessoa ou organização que atende aos requisitos previamente definidos por leis e regulamentos para realizar atividades específicas de modo confiável. Um desses requisitos é a independência dos organismos acreditados, o que impede que eles sejam contratados para auxiliar a organização em relação ao objeto da certificação, com vistas a facilitar a avaliação da conformidade (ONA, 2017, on-line). No Brasil, esses requisitos são definidos pelo Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). Os principais componentes estão apresentados no Quadro 03. QUADRO 03 - Sinmetro: objetivo e componentes - Resumo Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro) - constituído por entidades públicas ou privadas que exerçam atividades relacionadas com metrologia, normalização industrial e certificação da qualidade de produtos industriais. Objetivo: formular e supervisionar a política nacional de metrologia, normalização industrial e certificação da qualidade de produtos industriais. Componentes: todas as entidades públicas e privadas que exerçam atividades relacionadas com os objetivos mencionados anteriormente. Órgão Normativo: Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). Órgão Executivo Central: Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC): substitui o Sinmetro, destinado ao desenvolvimento e à coordenação das atividades de avaliação da conformidade no seu âmbito. Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade (CBAC): assessora o Conmetro na estruturação, para a sociedade, de um sistema de avaliação da conformidade harmonizado internacionalmente, na proposição de princípios e políticas a serem adotados, no âmbito do SBAC. Fonte: BRASIL, 1973, on-line [Adaptado]. Gestão AmbientAl 168 unidade 4 As questões concernentes à acreditação de organismos de certificação são tratadas pelo Comitê Brasileiro de Avaliação de Conformidade (CBAC) que assessora o Conmetro na estruturação de um sistema de avaliação da conformidade harmonizado internacionalmente e na proposição de princípios e políticas a serem adotados (INMETRO, 2017, on-line). A avaliação da conformidade é a demonstração de que os requisitos especificados relativos a um produto, um processo, um sistema, uma pessoa ou um organismo são atendidos. A certificação de conformidade, compulsória ou voluntária, é o ato pelo qual um organismo acreditado atesta que um sistema, produto ou serviço atende aos requisitos especificados pelas normas pertinentes. A certificação de um sistema de gestão atesta que ele está em conformidade com os requisitos normativos (INMETRO, 2017, on-line). Os organismos que conduzem e concedem a certificação de conformidade, com base na norma ISO 14001, são conhecidos como organismos de Certificação de Sistema de Gestão Ambiental (OCA). No site do INMETRO (disponível em <http://www.inmetro. gov.br/organismos/>), é possível verificar uma listagem dos OCA, dentre os quais estão a BVQI do Brasil Sociedade Certificadora Ltda, AbS Group Services do Brasil Ltda, DQS do Brasil Ltda e ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas. Benefícios e objeções Os principais objetivos de certificar um SGA pela ISO 14001 são: • uma organização que tem um SGA implementado e certificado poderá equilibrar e integrar interesses econômicos e ambientais e alcançar vantagens competitivas significativas; • contribuir para eliminar as barreiras técnicas; Gestão AmbientAl 169 unidade 4 • papel importante nos processos de produçãoe distribuição, podendo facilitar o comércio internacional; • aumentar a visibilidade no mercado nacional e internacional; • facilitar o acompanhamento da legislação e busca da conformidade legal; • simplificar e uniformizar procedimentos administrativos e operacionais; • consolidar a credibilidade junto a clientes, fornecedores e colaboradores. No que diz respeito às objeções quanto à certificação pela ISO 14001, Barbieri (2016) apresenta as seguintes: • alto custo que representa para micro e pequenas empresas; • desprendimento de capital para a área ambiental, • relacionamento com os órgãos ambientais, • estruturação do setor ambiental na empresa. Auditoria Ambiental de acordo com a NBR 19011 No dia 16 de abril de 2012, foi publicada, pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), a nova versão da ABNT NBR 19011, que consiste nas Diretrizes para Auditorias de Sistemas de Gestão. Essa norma tem como escopo fornecer as orientações acerca das auditorias de sistemas de gestão; nela, estão incluídos os princípios de auditoria, a gestão de um programa de auditoria, a realização de auditorias de sistema de gestão, assim como orientação acerca da avaliação da competência de pessoas envolvidas no processo de auditoria, incluindo a pessoa que gerencia o programa, os auditores e a equipe de auditoria (ABNT, 2012, on-line). Gestão AmbientAl 170 unidade 4 A ISO 19011:2012 não estabelece requisitos, no entanto oferece as diretrizes a respeito da gestão de um programa de auditoria, do planejamento e da realização de uma auditoria de sistema de gestão, bem como da competência e da avaliação de um auditor e de uma equipe auditora (ABNT, 2012). A norma pode ser aplicável a qualquer tipo de organização que necessita realizar auditorias internas e/ou externas de sistemas de gestão ou gerenciar um programa de auditoria. A ABNT (2012, p. 06) define auditoria como “processo sistemático, documentado e independente para obter evidência de auditoria e avaliá-las, objetivamente, para determinar a extensão na qual os critérios da auditoria são atendidos”. De acordo com a norma ABNT NBR ISO 19011:2012, temos: • evidência de auditoria: registros, apresentação de fatos ou outras informações pertinentes aos critérios de auditoria e verificáveis. • critério de auditoria: conjunto de políticas, procedimentos ou requisitos usados como uma referência na qual a evidência de auditoria é comparada. É importante salientar que as auditorias internas são, muitas vezes, chamadas de primeira parte, a qual pode ser administrada pela própria organização, a fim de verificar como anda o sistema de gestão ou, também, para obter informações com o intuito de melhorá-la. Para ABNT (2012), as auditorias internas podem formar a base para uma autodeclaração de conformidade da organização. A norma também nos apresenta conceitos de auditorias externas, em que estão incluídas auditorias de segunda e terceira parte. Auditorias de segunda parte são realizadas por partes que apresentam algum interesse na organização, por exemplo, clientes ou outras pessoas em seu nome. Já as auditorias de terceira parte são realizadas por organizações de auditoria independentes, Gestão AmbientAl 171 unidade 4 tais como organismos de regulamentação ou organismos de certificação (ABNT, 2012). Há, ainda, a auditoria combinada, que se forma quando dois ou mais sistemas de gestão de disciplinas diferentes, por exemplo, qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, são auditados juntos e quando duas ou mais organizações de auditoria cooperam para auditar um único auditado, isso é chamado de auditoria conjunta (ABNT, 2012). A Norma ISO 19011:2012 resumida A norma ISO 19011:2012 tem suas cláusulas distribuídas em sete seções, além da introdução. A seção 1 trata do “Escopo”, a 2, das “Referências normativas”, a 3 trata dos “Termos e das definições” e a 4, dos “Princípios de auditoria”, essa seção é importante, pois a auditoria é caracterizada pela confiança em alguns princípios. É importante que esses princípios ajudem a tornar a auditoria uma ferramenta eficaz e confiável, em apoio às políticas de gestão e controles, fornecendo informações acerca de como uma organização pode agir para melhorar seu desempenho. As orientações dadas nas seções 5 a 7 estão baseadas nos seis princípios a seguir: integridade, apresentação justa, devido cuidado profissional, confidencialidade, independência e abordagem baseada em evidência. A seção 5 trata do “Gerenciamento de um programa de auditoria”, e a cláusula ou subseção 5.1 apresenta as generalidades dessa seção, descrevendo que, para estabelecer um programa de auditoria, é preciso que a organização disponha de recursos necessários e informações, a fim de organizar e realizar suas auditorias dentro de um tempo específico, em que também devem estar incluídos (ABNT, 2012): • objetivos para o programa de auditoria e auditorias individuais; Gestão AmbientAl 172 unidade 4 • abrangência/número/t ipos/duração/local izações/ programação de auditorias; • procedimentos do programa de auditoria; • critérios de auditoria; • métodos de auditoria; • seleção da equipe de auditoria; • recursos necessários, incluindo viagem e acomodação; • processos para tratamento da confidencialidade, segurança da informação, saúde e segurança e outros assuntos similares. É preciso também que a auditoria seja monitorada, a fim de verificar se seus objetivos iniciais foram alcançados. Além disso, pode ser utilizado o Ciclo PDCA (plan-do-check-act) na norma e nos programas de auditoria. A Figura 3 ilustra o fluxo do processo para a gestão de um programa de auditoria. As demais cláusulas ou subseções da seção 5 podem ser vistas também na Figura 3. Gestão AmbientAl 173 unidade 4 A seção 6 aborda a execução de uma auditoria; a cláusula ou subseção 6.1 traz as generalidades dessa seção. Basicamente, a seção 6 contém orientações acerca de como planejar e realizar as atividades da auditoria como parte de um programa da auditoria. A Figura 4 fornece uma visão geral das atividades típicas da auditoria e, também, das demais cláusulas ou subseções da seção 6. Destaca- se que a abrangência de como as disposições dessa seção são aplicáveis depende dos objetivos e do escopo da auditoria específica. FIGURA 3 - Fluxograma do processo para gerenciamento de um programa de auditoria Fonte : ABNT, NBR ISO 19011, 2012, on-line [Adaptada]. Gestão AmbientAl 174 unidade 4 A seção 7, última seção, apresenta a competência e a avaliação de auditores, sendo que, além das “Generalidades” (subseção 7.1), apresenta a determinação das competências do auditor para atender às necessidades do programa (subseção 7.2), o estabelecimento de critérios para avaliação do auditor (subseção 7.3), a seleção do método apropriado de avaliação do auditor (subseção 7.4), a forma FIGURA 4 - Atividades típicas da auditoria Fonte : ABNT, NBR ISO 19011, 2012, on-line [Adaptada]. Gestão AmbientAl 175 unidade 4 de condução da avaliação do auditor (subseção 7.5) e a manutenção e o melhoramento da competência do auditor (subseção 7.6). Essa seção é muito importante, pois, de acordo com a norma, a confiança no processo de auditoria e a capacidade para atender aos objetivos dependem da competência dos indivíduos que estão envolvidos no planejamento e na realização das auditorias, incluindo os auditores e os líderes da equipe de auditoria. Expomos, aqui, apenas uma amostra da estrutura e da importância de uma auditoria de acordo com a Norma ABNT NBR ISO 19011:2012.Gestão AmbientAl 176 unidade 4 QUESTÃO 4 - É o principal elemento no processo de condução da auditoria ambiental, responsável por assegurar ao usuário a eficácia da auditoria de acordo com o escopo e o plano de trabalho. Esse ator dentro do processo de auditoria ambiental é(são): a. o auditado. b. os membros da auditoria. c. o cliente. d. o auditor líder. e. o fornecedor. QUESTÃO 5 - A ISO 19011:2012 estabelece alguns requisitos e algumas competências que são necessários para avaliação dos auditores de um SGA. Diante disso, assinale V, para alternativas verdadeiras, e F, para falsas. ( ) Um auditor precisa ser ético. ( ) Um auditor precisa ter a mente aberta, ou seja, estar disposto a considerar ideias ou pontos de vistas alternativos. ( ) Um auditor deve estar atento à circunvizinhança e às atividades. ( ) Um auditor deve ter diplomacia, saber lidar com as pessoas. Marque a sequência CORRETA. a. V, V, V, V. b. F, F, F, F. c. F, V, V, V. d. V, F, F, V. e. V, V, V, F. O gabarito se encontra no final da unidade. Gestão AmbientAl 177 unidade 4 QUESTÃO 1 - a) A política ambiental deve ser documentada, divulgada às partes interessada; pode incluir aspectos como inclusão do uso sustentável dos recursos naturais, mitigação e adaptação às mudanças climáticas. QUESTÃO 2 - e) Esse termo, antes, na versão da ISO 14001:2004, era chamado de documento, agora, trata-se da informação documentada. QUESTÃO 3 - c) A primeira asserção é verdadeira, pois aborda o item proposto pela NBR 14001, que fala das emergências ambientais, a segunda é incorreta, pois se refere a acidentes ambientais e não a emergências ambientais. QUESTÃO 4 - d) É o responsável pela condução da auditoria e do plano de trabalho. QUESTÃO 5 - a) Além das competências técnicas, é preciso que os auditores sejam éticos, mente aberta, estejam atentos ao seu redor, saibam lidar com as pessoas e tenham autoconfiança. Atividades de fixação - Respostas “Conclusão da unidade” UNIDADE 1 Meio ambiente e gestão ambiental Problemas Ambientais Meio Ambiente e Industrialização Gestão Ambiental Atividades de fixação - Respostas UNIDADE 2 Legislação e Licenciamento Ambiental Legislação Ambiental Licenciamento Ambiental EIA/RIMA na legislação brasileira Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) Atividades de fixação - Respostas UNIDADE 3 Gestão Ambiental Empresarial Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial Modelos de Gestão Ambiental Atividades de fixação - Respostas UNIDADE 4 Sistema de Gestão Ambiental Família ISO 14000 Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental Atividades de fixação - Respostas Referências