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Gestão 
Ambiental
Renata Cristina de Souza
Renata Cristina de Souza
GeStão AmbientAl
belo Horizonte
Julho de 2017
COPYRIGHT © 2017
GRUPO ĂNIMA EDUCAÇÃO
todos os direitos reservados ao:
Grupo Ănima Educação
Todos os direitos reservados e protegidos pela Lei 9.610/98. Nenhuma parte deste livro, sem prévia autorização por 
escrito da detentora dos direitos, poderá ser reproduzida ou transmitida, sejam quais forem os meios empregados: 
eletrônicos, mecânicos, fotográficos, gravações ou quaisquer outros.
Edição
Grupo Ănima Educação
Diretor
Rogério Salles Loureiro
Gerentes de Operações
Denise Elisabeth Himpel
Gislene Garcia Nora de Oliveira
Coordenadora de Produção
Carolina Alcântara de Araújo Lopes
Parecerista
Ana Caroline de moraes
Ilustração e Capa
VG Consultoria
Equipe EaD
UNIDADE 1  .......................................................................................................................... 002
meio ambiente e gestão ambiental  ............................................................................. 003
Problemas Ambientais  ..................................................................................................... 004
meio Ambiente e Industrialização  ................................................................................ 024
Gestão Ambiental  ............................................................................................................... 031
Atividades de fixação - Respostas  ............................................................................... 039
UNIDADE 2  .......................................................................................................................... 041
Legislação e Licenciamento Ambiental  ..................................................................... 042
Legislação Ambiental  ....................................................................................................... 043
Licenciamento Ambiental  ............................................................................................... 058
eiA/RimA na legislação brasileira  ................................................................................ 067
Avaliação de Impacto Ambiental (AiA)  ....................................................................... 074
estudo de Impacto Ambiental (eiA)  ............................................................................ 076
Relatório de Impacto de meio Ambiente (RimA)  .................................................... 079
Atividades de fixação - Respostas  ............................................................................... 082
UNIDADE 3  .......................................................................................................................... 083
Gestão Ambiental Empresarial  ..................................................................................... 084
Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma  ........................................ 085
Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial  ....................................................... 103
modelos de Gestão Ambiental  ...................................................................................... 113
Atividades de fixação - Respostas  ............................................................................... 125
UNIDADE 4  .......................................................................................................................... 126
Sistema de Gestão Ambiental  ....................................................................................... 127
Família iSo 14000  .............................................................................................................. 128
Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental  ........................................................... 146
Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental  .......................... 164
Atividades de fixação - Respostas  ............................................................................... 177
UNIDADE 
Meio ambiente e gestão 
ambiental
•	 Problemas 
Ambientais
•	 Meio 
Ambiente e 
Industrialização
•	 Gestão 
Ambiental
•	 Atividades 
de fixação - 
Respostas 
Gestão AmbientAl
004
unidade 1
Problemas Ambientais
Antes de falarmos acerca dos problemas ambientais, vamos 
entender a expressão meio ambiente, tendo em vista a emergência 
da questão ambiental no cenário mundial.
Essa expressão meio ambiente (milieu ambiance) foi 
utilizada pela primeira vez pelo naturalista francês 
Geoffrey de Saint-Hilaire, onde milieu significa o lugar 
onde está ou se movimenta um ser vivo, e ambiance 
designa o que rodeia esse ser (MANEIA; CARMO; 
KROHLING, 2014, p. 223).
No Brasil, há uma grande discussão a respeito da redundância 
do termo “meio ambiente”, por conter duas palavras com 
significados similares.
O conceito legal de meio ambiente se encontra no art. 3º, I, da Lei nº. 
6.938/81, que dispõe acerca da Política Nacional do Meio Ambiente 
(PNMA), definindo-o como sendo “o conjunto de condições, leis, 
influências e interações de ordem física, química e biológica, que 
permite, abriga e rege a vida em todas as suas formas”. Analisando 
esse conceito, remetemo-nos ao meio ambiente natural, entretanto, 
atualmente, o conceito de meio ambiente é mais global. Para Silva 
(2004, p. 20), o conceito de meio ambiente deve ser:
abrangente de toda a natureza, o artificial e 
original, bem como os bens culturais correlatos, 
compreendendo, portanto, o solo, a água, o ar, a flora, 
as belezas naturais, o patrimônio histórico, artístico, 
turístico, paisagístico e arquitetônico.
Segundo o autor, o conceito de meio ambiente compreende três 
aspectos, a saber:
• Meio ambiente natural ou físico: aquele que é constituído 
pelo solo, pela água, pelo ar atmosférico, pela flora, pela 
interação dos seres vivos e seu meio.
• Meio ambiente artificial: aquele constituído pelo espaço 
urbano construído.
Gestão AmbientAl
005
unidade 1
• Meio ambiente cultural: aquele que é integrado pelo patrimônio 
histórico, artístico, arqueológico, paisagístico, turístico, que, 
embora artificial, difere do anterior pelo sentido de valor 
especial que adquiriu ou de que se impregnou.
Dessa forma, é importante salientar que a humanidade depende do meio 
ambiente, que é fundamental para o desenvolvimento e para o bem-estar. 
Os recursos naturais, que estão presentes no ambiente natural, são a base 
sobre a qual se constrói boa parte das riquezas do país.
Não podemos nos esquecer de que os recursos naturais podem ser 
divididos em dois grupos: renováveis e não renováveis. Para Barbieri 
(2016), os não renováveis são recursos que têm quantidade finita e, 
se forem continuamente explorados, poderão se esgotar, pois sua 
velocidade de renovação é lenta. Por exemplo: argila, areia, minérios, 
carvão mineral, petróleo, gás natural. Já os recursos naturais não 
renováveis são aqueles que podem ser obtidos indefinidamente de uma 
mesma fonte e compreendem a energia solar e eólica e a água. No 
entanto, devemos ressaltar que esses recursos podem ser esgotados 
pelo homem, passando a fazer parte da outra categoria (não renováveis), 
caso haja uma taxa de utilização maior do que sua renovação por 
processos naturais.
Problemas Ambientais
Com o surgimento da agricultura e o sedentarismo, ocorreu o início 
de um processo profundo de transformação da relação do homem 
com a natureza, pois a atividade agrícola exige a criação de um 
ambiente artificial para o cultivo de plantas e de gado, tornando-
se necessário protegê-los dos animais selvagens. A produção de 
alimentos permitiu uma abundância de comida, que possibilita um 
grande incremento da população, a qual, por sua vez, ocupa maisespaços em detrimento do ambiente natural (DIAS, 2017). 
Assim, quanto mais aglomerações humanas, maior será a 
degradação ambiental, pois, com o crescimento acentuado 
Gestão AmbientAl
006
unidade 1
da população humana, muitas espécies desapareceram 
gradativamente e o homem construiu em ritmo acelerado o seu 
próprio ambiente. 
Podemos observar que os problemas ambientais provocados 
pelo homem aumentaram em função do uso do meio ambiente 
para obtenção de recursos necessários para a produção de bens 
e serviços, bem como dos despejos de materiais e energia não 
aproveitados (BARBIERI, 2016).
Dessa maneira, o aumento da escala de produção tem sido um 
importante fator que tem estimulado a exploração dos recursos 
naturais e elevado a quantidade de resíduos, o que causa a 
poluição ambiental.
A poluição, para Mano, Pacheco e Bonelli (2010, p.41), consiste em:
toda alteração das propriedades naturais do meio 
ambiente que seja prejudicial à saúde, à segurança ou 
ao bem-estar da população sujeita aos seus efeitos, 
causada por agente de qualquer espécie. 
Há dois tipos de poluição: a natural e a antrópica. A poluição natural 
é aquela que não é associada à atividade humana, ocasionada por 
chuvas, salinização, vulcanismo, decomposição de vegetais, dentre 
outros. Já a poluição antrópica é aquela oriunda de atividades 
humanas, tais como industrialização, urbanização, agricultura, 
dentre outras. A seguir, veremos os problemas ambientais da água, 
do ar, do solo e dos resíduos. 
Poluição das águas
A gestão ambiental voltada para os recursos hídricos envolve duas 
dimensões significativas: uma referente à quantidade de água e 
outra relacionada à qualidade dela. Já o conceito de poluição das 
Gestão AmbientAl
007
unidade 1
águas (Figura 1) deve associar o uso à qualidade. Conceitua-se 
poluição da água como a alteração de suas características físicas, 
químicas ou biológicas, que prejudica um ou mais de seus usos pré-
estabelecidos. (BASSOI; MENEGON JR., 2014).
FIGURA 1 - Poluição das águas
Fonte : AKHARARAT WATHANASING; BIDOUZE STEPHANE, 123RF.
Gestão AmbientAl
008
unidade 1
Fontes e consequências da poluição da água
A poluição das águas, basicamente, se origina de quatro tipos de 
fontes, a saber: poluição natural, poluição industrial, poluição urbana 
e poluição causada por drenagens de áreas urbanas e agropastoris 
(DERISIO, 2012). Poluição Natural: trata-se de um tipo de poluição 
que não está associado a causas antrópicas, por exemplo, poluição 
causada por chuvas, salinização, decomposição de vegetais 
e animais mortos. Esse tipo de poluição dificilmente altera as 
características das águas de forma a torná-las impróprias para o 
abastecimento de água. 
a. Poluição por esgotos domésticos: são provenientes de 
residências, de nossas atividades do cotidiano, tais como 
lavagem de roupas, lavagem de louça, banho, descarga, 
lavagem de calçadas e outros. Geralmente, é composta por 
matéria orgânica e inorgânica. Os principais constituintes 
orgânicos são: proteínas, óleos e gorduras, microrganismos, 
sais orgânicos e componentes dos produtos de origem 
saneantes. Os principais constituintes inorgânicos são sais 
formados de ânions (cloretos, sulfatos, nitratos, fosfatos) 
e cátions (sódio, cálcio, potássio, ferro e magnésio) (VON 
SPERLING, 2005). Esses efluentes, quando lançados com ou 
sem tratamento em um corpo receptor, provocam alterações 
em suas características físicas, químicas e biológicas. 
b. Poluição industrial: os efluentes industriais são 
constituídos por líquidos gerados por lavagem de pisos, 
tubulações e equipamentos, resfriamento, oficinas de 
manutenção, consumo humano e usos sanitários. Os 
efluentes industriais têm como principal característica 
serem provenientes da composição das matérias-
primas, das águas de abastecimento e do processo 
industrial (GIORDANO, 2004). Eles são efluentes que terão 
características particulares pertinentes ao processo que os 
gerou, dependendo de sua natureza, podem ser compostos 
por metais pesados, corantes, matéria orgânica, sólidos 
Gestão AmbientAl
009
unidade 1
em suspensão, microrganismos patogênicos e outros. 
São exemplos de indústrias que geram grande quantidade 
de efluentes: papel e celulose, álcool e açúcar, siderúrgica 
e metalúrgica, têxtil, abatedouros e frigoríficos, curtumes, 
químicas e farmacêuticas.
c. Poluição causada por drenagens de áreas urbanas: é 
constituída pelas águas que passam pelos telhados, 
calçadas, praças, ruas, quintais, jardins. Esses efluentes, 
normalmente, contam com uma boa captação (bocas 
de lobo, galerias), no entanto não passam por nenhum 
tratamento (ARCHELA et al., 2003). Também são 
compostos por resíduos orgânicos de folhas, frutos, galhos 
secos, fezes, urina de animais domésticos e do que a 
população deixa nas galerias, como papel, plástico, tocos 
de cigarro e outros.
d. Poluição causada por drenagens de áreas agrícolas: 
é decorrente de atividades ligadas à agricultura e à 
pecuária, compostas por defensivos agrícolas, herbicidas, 
excrementos de animais e erosão. Para Fernandes (2012), 
esses efluentes são ricos em compostos de fósforo, 
nitrogênio e enxofre.
Poluentes, quando lançados nas águas, causam inúmeros danos 
aos ecossistemas aquáticos, sendo um dos mais preocupantes 
a eutrofização, que é caracterizada pelo excesso de nutrientes 
(fósforo e nitrogênio) oriundos de produtos químicos, detergentes e 
fertilizantes, o que provoca a proliferação de algas e cianobactérias, 
impedindo a entrada de luz. Com isso, há a redução da 
disponibilidade de oxigênio para os organismos aquáticos. 
Além disso, a saúde humana pode ser prejudicada por causa da 
poluição das águas, que trazem doenças como: cólera, febre tifoide, 
esquistossomose, dengue, dentre outras. 
Gestão AmbientAl
010
unidade 1
Métodos de controle de poluição das águas
Tipos de processos de tratamento
Para Bassoi e Menegon Jr. (2014), um sistema de tratamento de 
águas residuárias é composto por operações e processos que 
objetivam a remoção de compostos indesejáveis ou a transformação 
em outras fontes aceitáveis, que podem ser: processos físicos, 
processos químicos e processos biológicos.
Os processos físicos são utilizados para separação de sólidos em 
suspensão nas águas residuárias, ou para equalizar e homogeneizar 
um efluente. O Quadro 1 apresenta os principais processos físicos 
de um tratamento de efluentes.
QUADRO 1 - Descrição dos principais processos físicos de um tratamento de efluentes
Etapa DEscrição FinaliDaDE
Gradeamento
remover 
sólidos 
grosseiros
proteção dos dispositivos de transporte de esgotos 
(bombas e tubulações), proteção de corpos 
receptores.
Peneiramento
remoção de 
sólidos com 
diâmetros 
maiores que 1 
mm 
proteção dos dispositivos de transporte de esgotos 
(bombas e tubulações).
Caixa de areia
remoção de 
areia
evitar abrasão nos equipamentos e tubulações; 
eliminar a possibilidade de obstrução em 
tubulações, tanques; facilitar o transporte do líquido 
para etapas subsequentes.
Tanque de 
equalização
homogeneizar 
o efluente
misturar o efluente a fim de torná-lo mais 
homogêneo, geralmente utilizado em indústrias.
Gestão AmbientAl
011
unidade 1
Decantadores 
(sedimentação)
remoção de 
sólidos em 
suspensão 
e sólidos 
flutuantes
eficiência na remoção de sólidos suspensos e uma 
pequena parte da matéria orgânica.
Fonte: VON SPERLING, 2005 [Adaptado].
Os processos químicos consistem naqueles em que é necessária 
a utilização de produtos químicos com o objetivo de aumentar 
a eficiência na remoção de substâncias.Geralmente, são 
empregados junto a processos físicos. Os mais utilizados são: 
neutralização ou correção de pH, oxidação, precipitação química 
e coagulação-floculação. 
O processo de coagulação-floculação consiste na remoção de 
sólidos presentes nos efluentes e na precipitação deles por meio 
da adição de produtos químicos coagulantes. Para isso, é realizada 
uma mistura rápida para dispersá-los e, em seguida, tem-se 
uma mistura lenta para a formulação dos flocos sedimentáveis 
(MANCUSO; SANTOS, 2003).
Já a floculação, de acordo com Di Bernardo e Dantas (2005), consiste 
na agitação relativamente suave, para que ocorram choques entre 
as partículas e elas se aglomerem, formando partículas maiores, os 
flocos. A floculação é caracterizada por um conjunto de atividades 
físicas, que tem por objetivo reduzir o número de partículas 
suspensas e coloidais no efluente, buscando a formação de flocos 
que tenham tamanho maior para serem retirados com maior 
facilidade (LIBÂNIO, 2010).
Para Dezotti (2008, p. 84), os processos biológicos ocorrem:
pela ação dos microrganismos, os processos biológicos 
oxidam constituintes biodegradáveis particulados e 
dissolvidos, capturam e incorporam sólidos coloidais 
não sedimentáveis e suspensos para o interior dos 
flocos biológicos ou biofilmes, transformando ou 
removendo nutrientes, como o nitrogênio e fósforo. 
Gestão AmbientAl
012
unidade 1
Essa degradação é acompanhada da decomposição 
de carboidratos, óleos e graxas, proteínas e outros 
compostos orgânicos complexos em compostos mais 
simples como gás carbônico e água.
Os principais tipos de tratamento biológico estão apresentados no 
Quadro 2.
QUADRO 2 - Tipos de tratamento biológico e descrição
tipo DEscrição
Lagoas 
facultativas
Sua construção é simples, apenas movimento de terras (corte e aterro) e 
preparação dos taludes. O efluente entra em uma extremidade da lagoa e sai 
pela outra, demora vários dias e ocorre a purificação do efluente. O oxigênio 
requerido pelas bactérias aeróbias é fornecido pelas algas, por meio da 
fotossíntese.
Lagoa 
anaeróbia 
seguida de 
facultativa 
(sistema 
australiano)
O efluente bruto entra em uma lagoa com menores dimensões e mais 
profunda (cerca de 4,0 a 5,0 m), por isso a fotossíntese não ocorre 
(anaeróbia), em seguida, o efluente segue para uma lagoa facultativa, que 
recebe cerca de 30 a 50% da carga efluente.
Lagoa 
Aerada
Facultativa 
É um sistema predominantemente aeróbio; aqui, pode se ter uma área mais 
reduzida e os mecanismos de remoção da DBO são similares aos de uma 
lagoa facultativa.
Lagoa 
Aerada
de Mistura
Completa -
Lagoa
Decantação 
Uma forma de se reduzir o volume de uma lagoa aerada é aumentando sua 
aeração, fazendo com que haja uma turbulência, tal que, além de garantir a 
oxigenação, permita que todos os sólidos sejam mantidos em suspensão no 
meio líquido.
Lagoa de 
maturação
Tem como objetivo remover microrganismos patogênicos (e não remover 
DBO).
Lagoas de 
polimento
São semelhantes às lagoas de maturação, no entanto realizam o polimento 
de efluentes de estações de tratamento.
Gestão AmbientAl
013
unidade 1
Filtro 
anaeróbio
Consiste em um sistema de tanque séptico seguido de filtro anaeróbio 
(ou fossa filtro); usualmente, é utilizado no meio rural e em comunidades 
de pequeno porte. O tanque séptico remove a maior parte dos sólidos em 
suspensão e o filtro efetua uma remoção da DBO.
Reator UASB 
São chamados de Reatores Anaeróbios de Fluxo Ascendente e Manta de 
lodo. UASB origina-se de Upflow Anaerobic Sludge Blanket. Nesses reatores, 
a biomassa cresce e dispersa no meio. O líquido entra no fundo e encontra-se 
com o leito de lodo que causa a adsorção de parte da matéria orgânica pela 
biomassa, esse fluxo é ascendente.
Fonte: VON SPERLING, 2005 [Adaptado].
Classificação dos sistemas de tratamento
Os sistemas de tratamento de efluentes podem ser:
• pré-tratamento: para Von Sperling (2005), consiste nos 
processos de separação dos sólidos mais grosseiros, por meio 
de grades grosseiras, grades finas e/ou peneiras rotativas, de 
desarenamento, em caixas de areia, e de desengorduramento, 
em caixas de gordura ou pré-decantadores.
• tratamento primário: segundo Dezotti (2008), é o tratamento 
utilizado para remoção de sólidos em suspensão e material 
graxo (óleos e graxas), bem como para equalização e ajuste 
do pH, quando necessário. 
• tratamento secundário: tem por objetivo a remoção de 
matéria orgânica por meio da degradação biológica.
• tratamento terciário: é um tratamento mais avançado de 
efluentes, que tem por objetivo a remoção de poluentes 
específicos, microrganismos patogênicos e outros.
Gestão AmbientAl
014
unidade 1
Poluição do solo
A poluição do solo pode ter origem na disposição de resíduos 
sólidos domésticos, hospitalares e industriais, de resíduos líquidos 
domésticos e industriais, da urbanização e uso do solo, de atividades 
agropastoris, de atividades extrativas e de acidentes em transportes 
de carga. 
Resíduos Sólidos
Resíduos sólidos (Figura 2) são definidos pela NBR 10004 (ABNT, 
2004, p.01) como:
resíduos nos estados sólido e semi-sólido, que 
resultam de atividades de origem industrial, doméstica, 
hospitalar, comercial, agrícola, de serviços e de varrição. 
Ficam incluídos nesta definição os lodos provenientes 
de sistemas de tratamento de água, aqueles gerados 
em equipamentos e instalações de controle de 
poluição, bem como determinados líquidos cujas 
particularidades tornem inviável o seu lançamento na 
rede pública de esgotos ou corpos d’água, ou exijam 
para isso soluções técnica e economicamente inviáveis 
em face à melhor tecnologia disponível.
Os resíduos provenientes de atividades antrópicas são dispostos no 
solo, na forma de aterros, por infiltração ou pela simples acumulação 
sobre o solo. 
Fontes e consequências da poluição do solo
Toxicidade dos resíduos sólidos
Classificação dos riscos potenciais para o meio ambiente, sendo 
que, de acordo com a NBR 10004 (ABNT, 2004), os resíduos são 
classificados em:
Resíduos classe I – Perigosos - aqueles que apresentam 
periculosidade, podendo apresentar risco à saúde pública, provocando 
mortalidade, incidência de doenças, acentuando seus índices, e/ou 
Gestão AmbientAl
015
unidade 1
riscos ao meio ambiente, quando o resíduo for gerenciado de forma 
inadequada. Participam também da classe I aqueles que apresentam 
uma das seguintes características: inflamabilidade, corrosividade, 
reatividade, toxicidade ou patogenicidade.
Resíduos classe II - Não perigosos
Resíduos classe II A - Não inertes - podem ter propriedades como 
combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade em água. Não 
apresentam perigo ao homem ou ao meio ambiente, porém não são 
inertes. Exemplos: a maioria dos resíduos domésticos, sucatas de 
materiais ferrosos e não ferrosos, embalagens de plástico, dentre outros.
FIGURA 2 - Resíduos sólidos
Fonte : NUTTAWUT PRASERT, 123RF.
Gestão AmbientAl
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unidade 1
Resíduos classe II B – Inertes - não contêm nenhum constituinte 
solubilizável em concentração superior ao padrão de potabilidade 
das águas. Exemplos: entulhos de demolições, como pedra, areia, 
concreto, e outros resíduos, como o vidro.
Os resíduos sólidos também podem ser classificados de acordo 
com sua origem, a saber: 
• Resíduos domiciliares: gerados em residências, como 
sobras de alimentos, jornais, revistas, embalagens 
plásticas e outros.
• Resíduos comerciais: gerados a partir de atividades 
comerciais e de serviços; são compostos por: papel, 
plásticos, orgânicos, embalagens e outros.
• Resíduos públicos: são oriundos da limpeza públicaurbana, logradouros públicos, feiras livres e outros.
• Resíduos de Serviços de Saúde (RSS): são provenientes de 
hospitais, clínicas odontológicas, consultórios veterinários, 
farmácias, laboratórios e outros estabelecimentos de 
saúde. São classificados em: Grupo A, B, C, D e E, sendo: 
grupo A biológicos (peças anatômicas, material biológico), 
grupo B químicos (vacinas vencidas, produtos químicos), 
grupo C radioativos, grupo D comuns (restos de preparo de 
alimentos, papel), grupo E perfurocortantes (bisturis).
• Resíduos de portos, aeroportos e terminais rodoviários: 
gerados em navios, aviões e veículos de transporte.
• Resíduos agrícolas: gerados em atividades agrícolas, 
compostos por embalagens de fertilizantes e defensivos 
agrícolas, rações, resíduos de colheita e outros. 
• Resíduos Industriais: provenientes das atividades 
industriais, têm características diversificadas, pois 
dependerão do produto que está sendo fabricado. Para 
isso, é preciso conhecer previamente todo processo 
Gestão AmbientAl
017
unidade 1
industrial com o objetivo de classificar o resíduo. Dessa 
forma, pode ser adotada a NBR 10004/04 da ABNT para 
se classificar os resíduos industriais: Classe I (Perigosos), 
Classe II A (Não-Inertes) e Classe II B (Inertes).
• Resíduos da Construção Civil: provenientes de obras, 
reformas. São compostos por materiais de demolições, 
entulhos, solos de escavações, também podem conter 
componentes tóxicos como resíduos de tintas e solventes. 
São classificados, de acordo com a Resolução do CONAMA 
307/02, em Classe A, B, C e D.
• Resíduos Radioativos: são definidos como qualquer 
material resultante de atividades humana, que contém 
radionuclídeos em quantidades superiores aos limites 
de isenção especificados nas Instruções Normativas da 
Comissão Nacional de Energia Nuclear.
Os resíduos sólidos, quando destinados de forma incorreta, causam sérios 
danos ao meio ambiente e à saúde pública, como a contaminação do 
lençol freático, além de propagarem a proliferação de doenças.
Prevenção e controle da poluição do solo
O controle da poluição do solo, para Derisio (2012), compreende 
uma parte preventiva que é baseada na seleção de locais e técnicas 
mais apropriados para o desenvolvimento de atividades antrópicas, 
com o objetivo de minimizar os riscos ambientais. Tal aspecto inclui 
uma avaliação criteriosa do local escolhido para cada atividade, 
devendo considerar:
• o uso do solo na região;
• a topografia;
• o tipo do solo;
• a vegetação;
• a possibilidade de ocorrência de inundações;
Gestão AmbientAl
018
unidade 1
• as características do subsolo;
• as proximidades de cursos d´água.
O controle da poluição do solo inclui aspectos corretivos, como 
o uso de técnicas de engenharia, no que se refere à execução de 
sistemas de prevenção da contaminação das águas subterrâneas e 
dos sistemas de prevenção da erosão (DERISIO, 2012).
O primeiro aspecto que deve ser considerado é referente ao 
gerenciamento de resíduos sólidos, sendo que precisa ocorrer a 
minimização na geração de resíduos; ficam incluídas, assim, a 
redução na fonte, a segregação, a coleta seletiva, a reciclagem, as 
alterações nos processos produtivos. Esses procedimentos podem 
aumentar a vida útil dos aterros sanitários.
Para Silva (2008), um aterro sanitário consiste na disposição de 
resíduos no solo, que, fundamentada em critérios de engenharias 
operacionais específicas, garante um confinamento seguro em 
termos de poluição ambiental e proteção à saúde pública. 
Poluição atmosférica
A poluição do ar (Figura 3) é ocasionada por atividades industriais, 
a partir da queima de combustíveis, tais como carvão mineral e 
derivados do petróleo. 
De acordo com Braga et al. (2005), os poluentes atmosféricos podem 
ser classificados em primários e secundários. Os primários são 
aqueles lançados diretamente no ar, como dióxido de enxofre, óxidos 
de nitrogênio, monóxido de carbono e alguns particulados, como 
poeiras. Já os poluentes secundários são formados na atmosfera a 
partir de reações que ocorrem em função da presença de determinadas 
substâncias químicas e condições físicas, por exemplo, o dióxido de 
enxofre e o oxigênio que reagem com o vapor de água para produzir o 
ácido sulfúrico, podendo originar a chuva ácida. 
Gestão AmbientAl
019
unidade 1
Os danos causados pela poluição do ar podem ser contra a saúde 
humana, danos materiais, contra as propriedades da atmosfera, 
contra a vegetação e a economia. 
Aquecimento global
O aquecimento global é o processo de mudança da temperatura 
média global na atmosfera e nos oceanos. O acúmulo de altas 
concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera bloqueia o 
calor emitido pelo sol e o prende na superfície terrestre, aumentando 
as temperaturas. 
FIGURA 3 - Poluição do ar
Fonte : TATIANA GROZETSKAYA; WANG TOM, 123RF.
Gestão AmbientAl
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Veja a notícia a seguir acerca do aquecimento global, suas causas, 
consequências e combate.
Notícia
Aquecimento global: causas, consequências e combate
O mundo está se tornando mais quente. Mas esse é um processo 
natural da Terra ou decorre da ação humana? Há muita discussão 
em torno do assunto e é sempre bom esclarecer o que é o efeito 
estufa e como sua influência efetivamente ocorre.
Fonte: EQUIPE eCycle. Aquecimento global: causas, consequências 
e combate. eCycle. Disponível em: <http://www.ecycle.com.br/
component/content/article/35/1294-aquecimento-global-o-perigo-
se-tornou-real.html>. Acesso em: 17 jun. 2017.
Destruição da camada de ozônio
A camada de ozônio está situada na estratosfera entre 15 e 50 
km de altitude, tem como objetivo bloquear as radiações solares 
nocivas, como os raios ultravioletas. Essa camada funciona como 
um atenuante dessa radiação. Sua destruição ocorre por gases 
utilizados pelas indústrias de refrigeração e ar condicionado, 
chamados de clorofluorcabonos (CFCs). Esses gases são estáveis, 
podendo permanecer na atmosfera por até 100 anos, e sobem até 
a estratosfera pelas correntes de ventos, reagem com o ozônio, 
destruindo-o (DINIZ, 2015).
Para controlar, é preciso ter um programa de controle de poluição do 
ar que mantenha as concentrações em níveis aceitáveis.
“Tipos e classificação de poluentes”
Gestão AmbientAl
021
unidade 1
Inversão térmica
A inversão térmica é um fenômeno que resulta do aumento brusco 
de temperatura no gradiente vertical da atmosfera. Geralmente, 
ocorre no inverno e é caracterizada pelo ar quente aprisionado 
sob o ar frio, que age com uma espécie de “tampa invisível”. Esse 
fenômeno acaba impedindo a dispersão de poluentes.
Para Derísio (2012, p. 122):
a inversão térmica por radiação acontece frequentemente 
quando o solo se esfria por radiação durante a noite. A 
presença dessas inversões noturnas por radiação impede 
a dispersão das emissões de poluentes na cidade à noite. 
A inversão térmica por subsidência ocorre quando da 
existência do processo de afundamento e compressão 
da massa de ar. Quanto maior for a convergência de 
massa em altitude, maior o movimento descendente 
(afundamento), havendo consequentemente, maior 
grau de compressão da atmosfera e com isso, maior o 
aumento de temperatura.
Para Silva (2007), o controle da poluição do ar envolve desde o 
planejamento do assentamento de núcleos urbanos e industriais 
e do sistema viário até a ação direta sobre a fonte de emissão. As 
medidas usualmente utilizadas para controlar esse tipo de poluição 
são as medidas indiretas e medidas diretas. 
As medidas indiretas consistem em ações que tem por objetivo a 
eliminação, a redução, a diluição, a segregaçãoou o afastamento 
dos poluentes. São medidas preventivas, que, basicamente, 
consistem na melhor distribuição espacial das fontes poluição, 
adotando medidas como:
• aumentar a distância com a comunidade receptora. 
• diminuir a concentração de atividades poluidoras próximas 
a núcleos residenciais. 
• proibir a implantação de fontes altamente poluidoras em 
regiões críticas.
Gestão AmbientAl
022
unidade 1
• localizar as fontes preferencialmente à jusante dos ventos 
predominantes na região.
Já as medidas diretas consistem em ações que têm por intuito 
reduzir a qualidade de poluentes descarregada na atmosfera, por 
meio da instalação de equipamentos de controle (Filtros de Ar). 
Sempre em conjunto com o equipamento de controle de poluição 
industrial, existe um sistema de exaustão (captores, dutos, 
ventilador e chaminé), cuja função é captar, concentrar e conduzir os 
poluentes para serem filtrados, com posterior lançamento residual 
no ar (DERISIO, 2012).
Para Silva (2007), o material particulado pode ser removido do 
fluxo gasoso poluído por sistemas secos (coletores mecânicos 
inerciais e gravitacionais, coletores centrífugos, como os ciclones, 
precipitadores eletrostáticos secos e filtros de tecido, como o 
filtro de mangas) e por sistemas úmidos (lavadores dos mais 
variados tipos, em especial, o lavador venturi, e precipitadores 
eletrostáticos úmidos).
Outros
Além desses problemas ambientais mencionados, não podemos 
nos esquecer: dos ruídos que causam efeitos físicos, psicológicos 
e sociais e que podem prejudicar a audição, provocando incômodo, 
fadiga; da falta de saneamento básico, que provoca inúmeras 
doenças para população; dos acidentes ambientais, que, muitas 
vezes, trazem consequências irreversíveis para o meio ambiente.
Assim, podemos observar que as concentrações urbanas, para 
Dias (2017), ao destruírem o ambiente natural e ao recriarem 
um ambiente propício ao homem, podem provocar, também, a 
adaptação dos organismos que existiam nos ambiente naturais, 
os quais passam a conviver no espaço humano, como pragas, 
que multiplicam-se quase sem controle, além de inúmeros 
microrganismos que transmitem doenças. Assim, durante séculos, 
Gestão AmbientAl
023
unidade 1
tivemos notícias de grandes epidemias que assolaram as cidades, 
provocando a mortandade de milhões de pessoas. 
QUESTÃO 1 - A poluição ambiental é decorrente do lançamento ou da 
presença, na água, no ar ou no solo, de toda e qualquer forma de matéria 
ou energia com quantidade, concentração e características em desacordo 
com os padrões de qualidade ambiental. Leia os itens a seguir e julgue 
quais representam problemas ambientais urbanos:
I. lançamento de esgoto a céu aberto.
II. poluição da água.
III. conservação do solo.
IV. lixo em local inadequado.
É correto o que se afirma em:
a. I, II e IV, apenas.
b. I e II, apenas.
c. II e III, apenas.
d. I, II e III, apenas.
e. I, II, III e IV.
QUESTÃO 2 - Existem vários processos disponíveis para o tratamento 
de efluentes, dependendo da natureza e da característica do efluente 
final. Diante desse contexto, numere a segunda coluna de acordo com a 
primeira, associando os conceitos.
( 1 ) Pré-tratamento ( ) lagoas de estabilização.
( 2 ) Tratamento primário
( ) caixa de areia, peneiras 
rotativas. 
( 3 ) Tratamento secundário ( ) lagoa de polimento. 
( 4 ) Tratamento terciário ( ) sedimentadores. 
Gestão AmbientAl
024
unidade 1
Assinale a sequência CORRETA.
a. 2, 3, 4, 1. 
b. 1, 4, 3, 2. 
c. 3, 1, 4, 2.
d. 4, 2, 3, 1.
e. 1, 4, 3, 2.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Meio Ambiente e 
Industrialização
No século XVIII, tivemos uma grande transformação na capacidade 
produtiva. Ocorreu outra grande Revolução Científico-Tecnológica, 
e a segunda revolução, que também é conhecida como Revolução 
Industrial (BARBIERI, 2016). 
A Revolução Industrial teve origem a partir de 1760 e se consolidou 
na Inglaterra em meados do século XIX, tornando possível, naquela 
época, a produção de bens em larga escala. Passou-se do trabalho 
manual para a produção de máquinas a vapor concentradas em 
grandes fábricas, o que acarretou inúmeras mudanças econômicas, 
sociais e ambientais (MANO; PACHECO; BONELLI, 2010).
Como produtos manufaturados da época, destacavam-se os 
tecidos de algodão, seda, lã e linho; além disso, materiais de 
construção, como cobre e ferro, e outros produtos, como cerveja, 
couro, sabão, vela, papel e carvão. Como os materiais empregados 
na confecção dos produtos industriais eram de origem natural, havia 
o retorno quase total dos refugos aos ciclos da natureza. Assim, 
Gestão AmbientAl
025
unidade 1
toda a produção, que era bastante reduzida, era consumida e sofria 
degradação natural, com o mínimo de impacto ambiental. 
A Revolução Industrial rapidamente propagou-se pelo mundo, 
promovendo o crescimento econômico, e abriu as perspectivas de 
maior geração de riqueza, que, por sua vez, traria prosperidade e 
melhor qualidade de vida. 
O problema foi que o crescimento econômico desordenado, 
acompanhado da urbanização, acabou utilizando grandes 
quantidades de recursos naturais e energia, passando a apresentar 
um quadro contínuo de degradação do meio ambiente. 
A industrialização (Figura 4) trouxe inúmeros problemas ambientais 
(BARBIERI, 2017), tais como:
FIGURA 4 - Industrialização
Fonte : DIETER HAWLAN, 123RF.
Gestão AmbientAl
026
unidade 1
• alta concentração populacional, ocasionada pela 
urbanização;
• consumo excessivo de recursos naturais, sendo alguns 
deles não renováveis;
• contaminação da água;
• contaminação do solo;
• contaminação do ar;
• desflorestamentos, dentre outros.
Para Barbieri (2017), a urbanização foi um dos mais importantes 
subprodutos da Revolução Industrial. Por volta de 1850, havia mais 
cidadãos britânicos morando em cidades do que no campo e quase um 
terço da população total vivia em cidades com mais de 50.000 habitantes. 
Na época, essas cidades eram cobertas de fumaça e sujeira, pois serviços 
públicos básicos de abastecimento de água e esgotos sanitários não 
acompanharam a migração maciça das pessoas. 
isso produzia, sobretudo depois de 1830, epidemias 
como cólera, febre tifoide e o pagamento assustador 
de tributo constante aos dois grandes grupos de 
assassinos urbanos do século XIX, a poluição do ar 
e das águas, ou doenças respiratórias e intestinais 
(HOBSBAWN, 1983, p. 81).
O fenômeno da urbanização na Inglaterra da primeira metade do 
século XIX provocou mortes por doenças infecciosas, responsáveis 
por mais da metade dessas mortes. Uma em cada duas crianças 
nascidas nas cidades morria antes de completar cinco anos, os 
sistemas sanitários eram inadequados e, em muitos casos, o esgoto 
ia diretamente para os rios dos quais as companhias retiravam água 
para o abastecimento (MANO; PACHECO; BONELLI, 2010).
No Brasil, o processo de urbanização expandiu-se, principalmente 
em São Paulo, nas décadas de 1920 e 1930, em virtude da 
diversificação da produção industrial e da organização da indústria 
de construção, que iniciou o processo de verticalização da cidade. A 
Gestão AmbientAl
027
unidade 1
partir da década de 1950, houve um grande incremento populacional 
nas áreas urbanas (YAMAWAKI; SALVI, 2013).
Você já ouviu falar no Rio Tâmisa, um dos grandes cartões postais 
de Londres? Naquela época, esse Rio não era atrativo aos turistas 
como é hoje. Leia mais na curiosidade a seguir.
Dicas
Rio Tâmisa: O grande fedor
Em meados de 1858, as sessões do parlamento britânico foram suspensas 
devido ao grande fedor do Rio Tâmisa,já que ficavam às margens do rio. 
Em 1610, a água do Rio já não era considerada potável, e ele pode ter sido 
um dos responsáveis pelos surtos de cólera e de outras doenças que 
assolaram Londres entre 1850 e 1860.
Hoje, após passar por despoluição, o Rio é um dos cartões postais 
da cidade. 
Fonte: RIO Tâmisa: o grande fedor. Mapa de Londres, 02 fev. 2014. 
Disponível em: <https://mapadelondres.org/rio-tamisa-o-grande-fedor/>. 
Acesso em: 22 jun. 2017.
Ainda nos primórdios da industrialização, o economista inglês 
Thomas Robert Malthus (1766-1834) publicou um trabalho chamado 
“Ensaio sobre a população: como afeta o progresso da humanidade” 
(1768), no qual era sistematizado um conjunto de preocupações que 
apontava para os problemas decorrentes do aumento populacional, 
para a possibilidade de esgotamento dos recursos naturais e seus 
reflexos no crescimento econômico. O trabalho também destacou 
que o poder da população é infinitamente maior que a terra para 
produzir a subsistência do homem (BARBIERI, 2017).
Sem dúvidas, os novos mecanismos e formas de produção, 
acrescidos da exploração intensiva e sistemática dos recursos 
naturais trazidos pela Revolução Industrial, generalizaram-
Gestão AmbientAl
028
unidade 1
se e espalharam-se de forma descontrolada, sem prever as 
consequências para o meio ambiente, resultando em problemas 
ambientais enfrentados até os dias atuais. 
A exploração industrial do meio ambiente manteve-se sem 
contestação durante todo século XIX e parte do século XX. A visão 
equivocada que se tinha de que os recursos naturais eram ilimitados 
e estavam à disposição do homem começou a ser questionada na 
década de 70, quando os processos de deterioração ambiental e a 
possibilidade de esgotamento de determinados recursos naturais 
se tornaram mais evidentes (DIAS, 2017).
Um dos problemas mais visíveis ocasionados pela industrialização 
é a destinação final dos resíduos, sejam eles sólidos, líquidos ou 
gasosos, que sobram dos processos produtivos e que são lançados 
de forma inadequada, causando danos ao meio ambiente e à saúde. 
Para Barbieri (2016, p. 07), 
ao longo do século XX foram os grandes acidentes 
industriais e a contaminação resultante deles que 
acabaram chamando a atenção da opinião pública pela 
gravidade do problema. Alguns problemas ambientais 
se tornaram assunto global e pela visibilidade e 
facilidade de compreensão quanto a causa e efeito 
constituíram-se na principal ferramenta de construção 
causados pela má gestão. 
Os principais casos que passaram pela história de desastres 
ambientais estão apresentados no Quadro 3.
QUADRO 3 - Principais acidentes ambientais
ANO DESCRIÇÃO
1956
Contaminação na baía de Minamata no Japão. A contaminação ocorria desde 
1939 devido a uma indústria química instalada às margens. Moradores morreram 
devido às altas concentrações de mercúrio. 
Gestão AmbientAl
029
unidade 1
1966
Em Feyzin (França), um vazamento de GPT causou a morte de 18 pessoas e 
deixou 65 intoxicadas.
1976
No dia 10 de junho de 1976, em Seveso (Itália), a fábrica Hoffmann-La Roche 
liberou uma nuvem de um desfolhante conhecido como agente laranja que 
continha dioxinas.
1978
Em San Carlos (Espanha), um caminhão-tanque carregado de propano explodiu, 
causando 216 mortes e deixando 200 feridos.
1984
Em San Juanico (México), um incêndio de GLP seguido de explosão causou 650 
mortes e deixou 6.400 feridos.
1986
Dia 26 de abril, em Chernobyl, antiga URSS, houve um acidente na usina nuclear, 
causado pelo desligamento do sistema de refrigeração com o reator ainda em 
funcionamento. A radiação espalhou-se, atingindo vários países.
2003
Um incêndio provocado em uma unidade de enxofre da Al-Mishraq, perto de 
Mosul, no Iraque, se prolongou durante um mês, liberando 910.000 toneladas de 
óxido de enxofre.
2005
Uma série de explosões de grandes proporções ocorreu em uma fábrica de 
produtos químicos em Jilin, na China. Houve milhares de vítimas, e o rio foi 
atingido também.
2010
Em outubro, houve o rompimento da barragem de rejeito de uma mina de alumínio 
na Hungria. A lama tóxica derramada na região de Ajka, 165 km de Budapeste, 
fez com que a Hungria declarasse estado de emergência. Foram despejados 1,1 
milhões de metros cúbicos de lama tóxica vermelha, inundando três vilarejos.
Fonte: BARBIERI, 2016; DIAS, 2017 [Adaptado].
Aqui no Brasil, também tivemos muitos acidentes ambientais, 
dando destaque ao que aconteceu no dia 05 de novembro de 2015, 
em Mariana (MG). O rompimento de uma barragem de rejeitos 
da empresa Samarco fez com que a lama tóxica fosse lançada, 
atingindo 35 cidades do estado. Morreram 19 pessoas e toneladas 
de peixes, além de ter deixado muitos desabrigados e graves 
consequências ambientais. 
Gestão AmbientAl
030
unidade 1
Assim, podemos observar que o processo de industrialização 
agravou os problemas ambientais no planeta. Isso é facilmente 
verificável pela evolução no quadro de contaminação do ar, da água 
e do solo e, também, pelo grande número de acidentes ambientais. 
Hoje, embora as indústrias precisem cumprir uma série de 
determinações propostas pela legislação ambiental vigente, ainda 
é necessário que haja postura preventiva quanto às questões 
ambientais, para que acidentes não ocorram e para que haja um 
processo produtivo mais sustentável. 
QUESTÃO 3 - O processo de industrialização começou a acontecer 
na Inglaterra, no século XVIII. Houve uma grande mudança no processo 
de produção, pois o que, antes, era produzido de forma artesanal e em 
pequena escala começou a ser fabricado em grande escala. Diante desse 
contexto, leia as afirmativas a seguir. 
I. As máquinas começaram a fazer os trabalhos humanos. 
II. Após a industrialização, o problema da poluição, que, antes, era restrito a 
alguns locais, tornou-se global. 
III. A natureza passa a ser vista como fonte de matéria-prima e receptáculo 
de resíduos oriundos do processo produtivo.
IV. A poluição da água é a única consequência da Revolução Industrial.
É correto o que se afirma em:
a. I e II, apenas.
b. II e III, apenas.
c. I, II e IV, apenas.
d. II, III e IV, apenas.
e. I, II e III, apenas.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
031
unidade 1
Gestão Ambiental
A Gestão Ambiental, de acordo com Campos (2001, p. 116),
consiste na administração do uso dos recursos 
ambientais, por meio de ações ou medidas econômicas, 
investimentos e potenciais institucionais e jurídicos, 
“Atividades de Prevenção contra a 
contaminação industrial”
com a finalidade de manter ou recuperar a qualidade 
de recursos e desenvolvimento social. Dessa maneira, 
temos uma sociedade e empresas mais preocupadas 
e conscientes de suas responsabilidades frente à 
exploração dos recursos naturais, assim, surgiu a 
necessidade de uma gestão mais especializada, com 
uma visão estratégica no que diz respeito à exploração 
dos recursos de maneira mais racional.
Assim, a gestão ambiental surgiu da necessidade do homem de 
organizar melhor sua maneira de se relacionar com o meio ambiente 
(MORALES; KNECHTEL, 2006).
Para Valle (2002, p. 39), a gestão ambiental é “um conjunto de 
medidas e procedimentos definidos e adequadamente aplicados 
que visam reduzir e controlar os impactos introduzidos por um 
empreendimento sobre o meio ambiente”. Já segundo Barbieri 
(2017, p.18),
compreende as diretrizes e as atividades 
administrativas realizadas por uma organização para 
alcançar efeitos positivos sobre o meio ambiente, ou 
seja, para reduzir, eliminar ou compensar os problemas 
ambientais decorrentes da sua atuação e evitar que 
outros ocorram no futuro.
Assim, as primeiras manifestaçõesacerca da gestão ambiental 
foram impulsionadas pelo esgotamento de recursos naturais, 
Gestão AmbientAl
032
unidade 1
por exemplo, a escassez de madeira, cuja exploração tinha se 
intensificado desde a época medieval. 
Os primeiros atos em defesa da natureza não foram resultantes da 
preocupação com ela, mas sim do interesse em preservá-la para 
fins de utilização. 
As ações para combater a poluição só começaram efetivamente 
a partir da Revolução Industrial, segundo Barbieri (2017), embora 
desde a Antiguidade diversas experiências já tivessem sido 
tentadas, a fim de remover o lixo urbano que infestava ruas e 
cidades, prejudicando o meio ambiente e seus habitantes. Na 
segunda metade do século XIX, começou, também, um intenso 
debate entre os membros da comunidade científica e artística para 
delimitar as áreas do ambiente natural a serem protegidas, e foram 
criados santuários onde a vida selvagem pudesse ser preservada.
O crescimento da consciência ambiental por amplos setores da 
sociedade é outro fator da emergência na gestão ambiental. A 
preocupação ambiental, antes, era restrita a pequenos grupos 
de políticos, cientistas, e espalhou-se devido ao grau elevado de 
degradação observado em todas as áreas do planeta. O Quadro 4 
apresenta os marcos históricos da questão ambiental.
QUADRO 4 - Marcos históricos da questão ambiental
ANO DESCRIÇÃO
1962
Publicação do livro “Primavera Silenciosa”, de Rachel Carson, o qual teve uma grande 
repercussão pública e expôs os perigos da utilização do DDT.
1968
Clube de Roma - um grupo de cientistas, educadores e empresários se reuniram em 
Roma e tiveram como objetivo discutir os dilemas atuais e futuros do homem.
Gestão AmbientAl
033
unidade 1
1972
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano (Conferência 
de Estocolmo), que teve como resultado a declaração de um plano de ação para o 
Meio Ambiente Humano. Foi a primeira conferência que procurou preservar o meio 
ambiente, pois, naquela época, acreditava-se que o meio ambiente era uma fonte 
inesgotável e a relação homem-natureza era desigual - de um lado, os seres humanos 
gananciosos tentando satisfazer seus desejos de conforto e consumo; do outro, a 
natureza com toda a sua riqueza e exuberância, sendo a fonte principal para as ações 
dos homens.
1987
Nosso Futuro Comum, ou Relatório Brundtland, que publicou a definição de 
desenvolvimento sustentável utilizada até hoje, que consiste em: o desenvolvimento 
que satisfaz às necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das 
gerações futuras de suprir suas próprias necessidades. 
1992
Rio 92 (ou Eco 92) que consolidou o conceito de desenvolvimento sustentável e 
aprovou a Agenda 21.
1996
Emissão da norma ISO 14001 (primeira versão) - teve adesões sem escala crescente 
por parte das empresas internacionais e nacionais.
1997
O Protocolo de Kyoto foi um tratado internacional que teve como objetivo fazer com 
que os países desenvolvidos assumissem o compromisso de reduzir a emissão 
de gases que agravam o efeito estufa, para analisar os impactos causados pelo 
aquecimento global. Também foram realizadas discussões para estabelecer metas e 
criar formas de desenvolvimento que não sejam prejudiciais ao Planeta.
2002
Rio+10 (Joanesburgo - África do Sul) reuniu representantes de 189 países, além 
da participação de centenas de Organizações Não Governamentais (ONGs). As 
discussões na Rio+10 não se restringiram à preservação do meio ambiente, 
englobaram, também, aspectos sociais.
2012
Uma das grandes discussões da Conferência foi acerca do papel de uma instância 
global que seja capaz de unir as metas de preservação do meio ambiente com as 
necessidades contínuas de progresso econômico, isto é, progredir sem agredir o meio 
ambiente.
Fonte: SILVA; CRISPIM, 2011 [Adaptado].
Isso mostra que o contingente de pessoas preocupadas com a 
questão ambiental já é significativo e tende a crescer ainda mais 
à medida que o homem se dá conta de que, ao prejudicar o meio 
ambiente, estará prejudicando sua própria sobrevivência. 
Gestão AmbientAl
034
unidade 1
Dimensões da Gestão Ambiental
A expressão gestão ambiental é aplicada a uma variedade de 
iniciativas a qualquer problema ou questão ambiental. Em sua 
origem, estão as ações governamentais para enfrentar a escassez 
de recursos. Assim, a gestão ambiental inclui, pelo menos, três 
dimensões (BARBIERI, 2017):
• a dimensão temática está delimitada às questões 
ambientais as quais as ações de gestão se destinam.
• a dimensão espacial refere-se à área de abrangência na 
qual se espera que as ações de gestão tenham eficácia. 
• a dimensão institucional se refere aos agentes 
responsáveis pelas iniciativas de gestão, tais como órgãos 
intergovernamentais, governos nacionais, subnacionais, 
municipais, entidades de classe e de profissionais, 
organizações da sociedade civil e empresas.
O mapa conceitual a seguir ajudará você a relacionar melhor cada 
dimensão com os seus conceitos principais.
Assim, as propostas da gestão ambiental alinhadas a essas 
perspectivas apoiam-se nestes três critérios de desempenho que 
devem ser considerados simultaneamente: eficiência econômica, 
equidade social e respeito ao meio ambiente. Dessa forma, 
as empresas buscam incorporar a gestão ambiental em seus 
princípios, em busca de uma sociedade sustentável.
Gestão AmbientAl
035
unidade 1
Gestão Ambiental e a competitividade
O nível de competitividade de uma organização depende de uma 
série de fatores que se relacionarão e são mutuamente dependentes, 
tais como: custos, qualidade dos produtos e serviços, nível do 
controle de qualidade, capital humano, tecnologia e capacidade de 
inovação (DIAS, 2017).
Nos últimos anos, a gestão ambiental tem adquirido cada vez mais 
uma posição destacada, em termos de competitividade, devido 
aos benefícios que traz para as organizações e para o processo 
produtivo, potencializando-os. Dentre esses benefícios, destacam-
se (DIAS, 2017):
FIGURA 5 - Dimensões da gestão ambiental e exemplos
Fonte :BARBIERI, 2016 [Adaptado]
Gestão AmbientAl
036
unidade 1
• cumprimento de normativas - há uma melhora no 
desempenho ambiental de uma empresa, isso abrirá a 
possibilidade de maior inserção em um mercado cada vez 
mais exigente em termos ecológicos, com a melhoria da 
imagem junto aos clientes e à sociedade.
• adoção de um design de produto com as exigências 
ambientais - é possível torná-lo mais flexível do ponto de 
vista de instalação e operação, com um custo menor e uma 
vida útil maior. 
• redução do consumo de recursos energéticos, matéria-
prima, reduzindo o custo na produção.
• otimização no processo produtivo, reduzindo as etapas do 
processo produtivo e minimizando os impactos ambientais.
• otimização do transporte da empresa.
Dessa forma, o grau de envolvimento da organização com a questão 
ambiental varia em função do grau da importância que ela dá para 
variável ecológica. Outros fatores que podem afetar o envolvimento 
da empresa com a gestão ambiental, apresentando um certo grau 
de dificuldade são: a falta de conhecimento técnico de profissionais; 
a falta de adaptação do processo produtivo; a dificuldade para obter 
investimento necessário para adaptação do seu processo produtivo. 
O Quadro 5 apresenta os principais benefícios econômicos e 
estratégicos da GA.
Gestão AmbientAl
037
unidade 1
QUADRO 5 - Benefícios econômicos e estratégicos
BENEFÍCIOS ECONÔMICOS
Economia de custos
Economias devido à redução do consumo de água, energia e outros insumos.
Economia devido à reciclagem, à venda e ao aproveitamento de resíduos e diminuição de efluentes.
Reduçãode multas e penalidades por poluição.
Incremento de receitas
Aumento da contribuição marginal de “produtos verdes” que podem ser vendidos a preços mais altos.
Aumento da participação no mercado devido à inovação dos produtos e menos concorrência.
Linhas de novos produtos para novos mercados.
Aumento da demanda para produtos que contribuam para a diminuição da poluição.
BENEFÍCIOS ESTRATÉGICOS
Melhoria na imagem institucional.
Renovação do catálogo de produtos.
Aumento da produtividade.
Alto comprometimento do pessoal.
Melhoria nas relações de trabalho.
Melhoria e criatividade para novos desafios.
Melhoria das relações com órgãos governamentais, comunidade e grupos ambientalistas.
Acesso assegurado ao mercado externo.
Melhor adequação aos padrões ambientais.
Fonte: DONAIRE, 2007, p. 59.
“Opções estratégicas das empresas 
com a gestão ambiental”
Podemos observar que são muitas as vantagens que as 
organizações têm, seja qual for o segmento ou a atividade; a gestão 
ambiental faz parte do processo de produção sustentável.
Gestão AmbientAl
038
unidade 1
QUESTÃO 4 - Muitas empresas buscam corroborar a eficiência 
da gestão das atividades ambientais por meio de certificações e isso 
demonstra um maior interesse em atender às normas e às leis ambientais. 
Diante disso, acerca da gestão ambiental, leia as afirmativas a seguir.
I. A gestão ambiental pode ser considerada a administração dos recursos 
ambientais.
II. A gestão ambiental utiliza-se de técnicas para preservar e conservar a 
biodiversidade.
III. A gestão ambiental tem três dimensões: econômica, ambiental e social.
IV. A gestão ambiental envolve o planejamento ambiental.
É correto o que se afirma em:
a. I, apenas.
b. I, II e IV, apenas.
c. II, apenas.
d. I, II e III.
e. III, apenas.
QUESTÃO 5 - A expressão gestão ambiental é aplicável a uma grande 
variedade de iniciativas em relação a um problema ou questão ambiental. 
Assim, temos algumas dimensões. A dimensão espacial refere-se à área 
de abrangência que se espera que as ações de gestão tenham eficiência. 
Acerca da dimensão espacial em suas ações, assinale V, para verdadeira, 
e F, para falsa.
( ) Ações pontuais e locais.
( ) Ações de eliminação de substâncias que provocam efeito estufa.
( ) Ações das Nações Unidas quanto ao efeito estufa.
( ) Inovação nas questões ambientais.
Marque a sequência CORRETA.
a. F, F, V, V.
b. F, V, V, V.
c. V, V, V, V.
d. V, V, F, F. 
e. V, F, V, F.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
039
unidade 1
QUESTÃO 1 - a) Os problemas ambientais urbanos mencionados são: 
lançamento de esgoto a céu aberto, poluição da água e o lixo em local 
inadequado, que trazem inúmeras consequências ao meio ambiente e à 
saúde humana. Enquanto o item III, que é a conservação do solo, é uma 
técnica de manejo.
QUESTÃO 2 - c) Ordem: 3, 1, 4, 2.
Pré-tratamento consiste em um tratamento prévio do efluente, os 
processos podem ser caixas de areia, peneiras rotativas, gradeamento.
Tratamento primário: remoção de sólidos, pode ser por sedimentação 
(sedimentadores).
Tratamento secundário: tratamento biológico, no exercício, representado 
pelas lagoas de estabilização. 
Tratamento terciário: visa remover poluentes específicos, por exemplo: 
lagoa de polimento.
QUESTÃO 3 - e) Com a Revolução Industrial, as máquinas começaram 
a fazer trabalhos humanos, com a invenção da máquina a vapor. Após a 
industrialização, os problemas passam de uma escala local para global, 
e a natureza era vista como fonte de matéria-prima e como o lugar para 
onde iam os rejeitos dos processos produtivos.
QUESTÃO 4 - b) A gestão ambiental é a administração de recursos 
ambientais, por meio de técnicas de controle, planejamento, direção. 
Podem ser utilizadas técnicas para prevenção e conservação da 
biodiversidade e há ações que envolvem o planejamento ambiental, para 
implementação da gestão ambiental.
QUESTÃO 5 - d) V - as ações pontuais e locais são ações que 
contemplam a dimensão espacial. V - as ações de eliminação de 
substâncias que provocam efeito estufa contemplam a dimensão espacial, 
pois são globais. F - as ações das Nações Unidas, quanto ao efeito estufa, 
contemplam uma dimensão institucional, e a inovação nas questões 
ambientais contempla a dimensão temática.
Atividades 
de fixação - 
Respostas
Gestão AmbientAl
040
unidade 1
“Resumo da unidade”
UNIDADE 
Legislação e 
Licenciamento Ambiental
•	 Legislação 
Ambiental
•	 Licenciamento 
Ambiental
•	 EIA/RIMA 
na legislação 
brasileira
•	 Avaliação 
de Impacto 
Ambiental (AIA)
•	 Estudo 
de Impacto 
Ambiental (EIA)
•	 Relatório de 
Impacto de 
Meio Ambiente 
(RIMA)
•	 Atividades 
de fixação - 
Respostas 
Gestão AmbientAl
043
unidade 2
Legislação Ambiental
A Legislação Ambiental consiste em um conjunto de leis, normas, 
regras e padrões criados para proteger o Meio Ambiente; assim, 
torna-se possível planejar e controlar impactos ambientais 
(TESTA, 2015). Para melhor entendermos as principais leis 
ambientais, iniciaremos nossos estudos tratando das políticas 
públicas ambientais. 
FIGURA 1 - Legislação Ambiental
Fonte : MARN WISCHNEWSKI, 123RF
Gestão AmbientAl
044
unidade 2
Política Pública Ambiental
As atitudes relacionadas à gestão ambiental só começaram a 
se manifestar por meio dos governos estaduais, ao passo que os 
problemas iam surgindo, isto é, eram medidas isoladas de caráter 
remediador ou reparador. 
Somente a partir da Revolução Industrial, os problemas referentes à 
poluição começaram a ser considerados e sistematizados de forma mais 
consistente nas ações públicas governamentais, em forma de leis.
As iniciativas ambientais dos governos eram concentradas nas 
medidas corretivas, e não preventivas, com pouco significado e 
baixa eficiência. A partir de 1970 começaram a surgir medidas 
preventivas, por meio de políticas governamentais. Para isso, 
contribuíram os debates acerca da relação entre meio ambiente, 
desenvolvimento e acordos ambientais, como a Conferência de 
Estocolmo, em 1972.
Instrumentos de comando e controle
Esses instrumentos podem ser chamados de instrumentos de 
regulação direta; os instrumentos de comando e controle têm por 
objetivo alcançar as ações que degradam o meio ambiente, que 
limitam ou condicionam o uso de bens, além da realização de 
atividades e do exercício de liberdades individuais em benefício da 
sociedade como um todo (BARBIERI, 2016).
Isso é tratado como o poder de polícia dos entes estatais e, como tal, é 
manifestado por meio de proibições, restrições e obrigações impostas 
aos indivíduos e às organizações, sempre autorizadas por normas 
legais. Os instrumentos de comando e controle mais conhecidos 
são os que estabelecem padrões ou níveis de concentração máxima 
aceitáveis de poluentes, tais como: padrões de qualidade ambiental, 
padrões de emissão e padrões ou estágio tecnológico. O Quadro 01 
apresenta os instrumentos de comando e controle.
Gestão AmbientAl
045
unidade 2
QUADRO 01 - Instrumentos de comando e controle
PADRõES DESCRIÇÃO ExEMPLO
Padrões de 
Qualidade 
ambiental
estabelece os níveis máximos 
admitidos para os poluentes 
constantes no meio ambiente, 
geralmente segmentado em ar, 
água e solo.
padrões de qualidade do ar - 
80 µg/m3 (oitenta microgramas 
por metro cúbico) como 
nível máximo de materiais 
particulados em suspensão na 
atmosfera.
Padrões de 
emissão
referem-se a um dado entorno 
ou segmento do meio ambiente, 
os padrões de emissão 
referem-se aos lançamentos de 
poluentes individualizados por 
fonte de emissão.uma quantidade máxima aceitável 
de cada poluente por fonte 
poluidora (0,5 mg/l de chumbo) 
ou uma quantidade máxima por 
unidade de tempo (tonelada de 
CO2, por dia, mês ou ano).
Padrões 
tecnológicos
tecnologias que estão em 
constante evolução, constituem 
a tecnologia para determinada 
finalidade. Assim, o padrão a 
ser adotado deve considerar a 
disponibilidade da tecnologia. 
Dois critérios: melhor tecnologia 
disponível e melhor tecnologia 
disponível que não acarreta 
custos.
especificação e seleção 
de materiais, avaliação de 
fornecedores, métodos de 
inspeção, planejamento e 
treinamento.
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 54-56 [Adaptado].
São instrumentos de comando e controle: as proibições e o 
estabelecimento de cotas de produção, comercialização ou 
utilização de produtos prejudiciais ao meio ambiente físico, 
biológico e social. O licenciamento ambiental para atividades ou 
obras potencialmente poluidoras e o zoneamento ambiental são 
outros instrumentos desse tipo. 
O zoneamento ambiental foi elencado como um dos instrumentos 
da Política Nacional do Meio Ambiente, posteriormente, esse 
termo evoluiu para o termo zoneamento ecológico-econômico 
(ZEE) estabelecido pelo decreto federal 4.297/2002 (BRASIL, 
2002). O zoneamento restringe o direito de propriedade na medida 
Gestão AmbientAl
046
unidade 2
em que estabelece categorias de zonas destinadas à instalação 
de unidades produtivas. Nesse gênero de instrumentos, estão 
as normas acerca do parcelamento do uso do solo, pois elas 
representam uma limitação ao direito dos proprietários de dispor 
livremente de seus imóveis
Instrumentos Fiscais
Os instrumentos fiscais procuram influenciar o comportamento das 
pessoas e das empresas com relação ao meio ambiente, assim, 
estabelecem benefícios ou custos para elas. Esses instrumentos 
consistem em transferências de recursos entre os agentes privados 
e o setor público, podendo ser tributos ou subsídios.
• Os subsídios são: isenções, reduções e diferimento de 
impostos, financiamentos em condições especiais e 
compensações financeiras.
• Os tributos são: tributações sobre poluentes estimadas 
pela capacidade produtiva, tributações sobre uso de coleta 
e tratamento de efluentes, tributações sobre produtos 
supérfluos e outros.
Como proposto na legislação brasileira, os tributos podem ser 
impostos, taxas e contribuições de melhoria. Para Barbieri (2016), o 
imposto refere-se a uma contribuição pecuniária compulsória, que 
tem como fato gerador uma situação independente de qualquer 
atividade estatal específica relativa ao contribuinte. As taxas 
dizem respeito aos tributos que são arrecadados pela União, pelos 
Estados ou por Municípios, com intuito de prestar certos serviços 
à população em geral. Já a contribuição de melhoria é um tributo 
para fazer face ao custo de obras públicas que visa à valorização 
imobiliária no entorno.
Gestão AmbientAl
047
unidade 2
QUESTÃO 1 - É um tipo de instrumento fiscal que é um tributo e tem 
como fato gerador o exercício regular do poder de polícia ou a utilização, 
efetiva ou potencial, de serviço público específico e divisível, prestado ao 
contribuinte ou posto a sua disposição. Refere-se a:
a. taxas.
b. impostos.
c. multas.
d. custos totais de produção.
e. contribuição de melhoria.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Instrumentos Públicos de Mercado
São instrumentos que se efetuam por meio de transações entre 
agentes privados em mercados regulados pelo governo, por 
exemplo, as permissões de emissões transferíveis. 
Existem várias formas de mercado de permissões 
e todas foram criadas a partir da fixação de níveis 
aceitáveis de poluição em diferentes períodos e da 
colocação de certificados de permissões transferíveis 
de determinado poluente à venda em um mercado de 
título (BARBIERI, 2016, p. 61). 
Gestão AmbientAl
048
unidade 2
QUESTÃO 2 - É um tipo de padrão que normalmente é estabelecido 
após consultas com especialistas, fornecedores de tecnologia e/ou 
responsáveis pelas unidades produtivas. A afirmação refere-se a (assinale 
alternativa correta):
a. padrões de qualidade ambiental.
b. padrões de emissão.
c. tributações.
d. padrões tecnológicos.
e. poluidor-pagador.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Política Pública Ambiental Brasileira
De acordo com Sousa (2002), a política ambiental brasileira nasceu 
e se desenvolveu nos últimos 40 anos, como resultado da ação de 
movimentos sociais locais e de pressões vindas de fora do país. 
Não havia propriamente uma política ambiental, mas políticas 
que acabaram resultando nela. Os temas predominantes eram o 
fomento à exploração dos recursos naturais, o desbravamento do 
território, o saneamento rural, a educação sanitária e os embates 
entre os interesses econômicos internos e externos.
A base legal para as leis ambientais está na Constituição 
Federal, Título VII, Capítulo VI, artigo 225, que convoca todos a 
compartilharem ações para o bem comum:
Capítulo VI – MEIO AMBIENTE
Artigo 225 – Todos têm direito ao meio ambiente 
ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do 
povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se 
ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo 
e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Gestão AmbientAl
049
unidade 2
Dessa maneira, vários dispositivos jurídicos brasileiros previram 
a proteção legal do meio ambiente. Temos sete marcos 
importantes da legislação brasileira: Código das Águas, Código 
Florestal, Política Nacional do Meio Ambiente, Lei da Política 
Agrícola, Lei de Recursos Hídricos, Lei de Crimes Ambientais e 
Política Nacional de Resíduos Sólidos. 
Código das Águas - Decreto n.º 24.643/1934
Norma legal que disciplina o aproveitamento industrial das águas e 
o aproveitamento e a exploração da energia elétrica, sendo dividida 
em duas partes. A primeira é reservada às águas em geral e ao seu 
domínio; já a segunda parte estabelece uma disciplina legal para 
geração, transmissão e distribuição de energia elétrica.
Código Florestal - Decreto n.º 23793/1934
O Decreto n.º 23.793/1934 estabeleceu o Código Florestal, que tratava 
de regras acerca de onde e de que forma a vegetação nativa do território 
brasileiro poderia ser explorada. Determinava, também, as áreas que 
devem ser preservadas e quais regiões podem receber diferentes tipos 
de produção rural. O Código Florestal sofreu modificações importantes 
e, em 1965, se tornou mais exigente. Teve sua última alteração em 
maio de 2012, por meio da Lei 12.521/2012. 
Você já ouviu falar no novo Código Florestal? Entenda mais a 
respeito dele lendo a dica a seguir. 
Dicas
Entenda as principais regras do Código Florestal.
O Código Florestal brasileiro institui as regras gerais acerca de onde e 
de que forma o território brasileiro pode ser explorado, ao determinar as 
áreas de vegetação nativa que devem ser preservadas e quais regiões são 
legalmente autorizadas a receber os diferentes tipos de produção rural.
Gestão AmbientAl
050
unidade 2
O código utiliza dois tipos de áreas de preservação: a Reserva Legal e a 
Área de Preservação Permanente (APP). A Reserva Legal é a porcentagem 
de cada propriedade ou posse rural que deve ser preservada, variando de 
acordo com a região e o bioma.
Fonte: BRASIL. Entenda as principais regras do Código Florestal. 06 
nov. 2012. Portal Brasil. Disponível em:<www.brasil.gov.br/meio-
ambiente/2012/11/entenda-as-principais-regras-do-codigo-florestal> 
Acesso em: 14 jun. 2017.
Política Nacional de Meio Ambiente - Lei nº 
6.938/1981
A Lei nº 6.938/1981 estabeleceu a Política Nacional do Meio 
Ambiente.Essa Política representou uma mudança importante no 
tratamento das questões ambientais, na medida em que procura 
integrar as ações governamentais dentro de uma abordagem 
sistemática. Essa lei tem por objetivo a preservação, a melhoria 
e a recuperação da qualidade ambiental propícia à vida, visando 
assegurar as condições de desenvolvimento socioeconômico, 
os interesses da segurança nacional e a proteção da dignidade 
humana. O meio ambiente como um todo é considerado patrimônio 
público que deve ser protegido, tendo em vista o uso coletivo 
(BRASIL, 1981).
Com a Lei 6.938, foi instituído o Sistema Nacional do Meio Ambiente 
(SISNAMA), responsável pela proteção e melhoria do meio ambiente 
e constituído por órgãos e entidades da União, dos Estados, do 
Distrito Federal e dos Municípios, como nos mostra o Quadro 02.
QUADRO 02 - Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA) - Componentes
ÓRGÃO COMPONENTE
Órgão superior
Conselho de Governo que auxilia o presidente da República na formulação 
de políticas públicas
Gestão AmbientAl
051
unidade 2
Órgão 
Consultivo e 
Deliberativo
Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), presidido pelo ministro 
do meio ambiente. Esse órgão analisa, delibera e propõe diretrizes e 
normas acerca da política ambiental.
Órgão Central
Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal 
(MMA). Órgão responsável por planejamento, coordenação, supervisão e 
controle da Política Nacional do Meio Ambiente.
Órgãos 
Executores
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (IBAMA) 
e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. Autarquias 
vinculadas ao Ministério do Meio Ambiente que executam e fiscalizam a 
política ambiental no âmbito federal. 
Órgãos 
Seccionais
Órgãos ou entidades estaduais responsáveis pela execução de programas 
e projetos e pelo controle e pela fiscalização de atividades capazes de 
provocar a degradação ambiental.
Órgãos Locais
Órgãos ou entidades municipais responsáveis pelo controle e pela 
fiscalização dessas atividades nas suas respectivas jurisdições. 
Fonte: BRASIL, 1981, on-line [Adaptado].
Espelhando-se no SISNAMA, os Estados criaram seus Sistemas 
Estaduais do Meio Ambiente para integrar as ações ambientais de 
diferentes entidades públicas nesse âmbito de abrangência. Outra 
inovação importante foi o conceito de responsabilidade objetiva do 
poluidor. O poluidor fica obrigado, independente de existência de 
culpa, a indenizar ou reparar os danos causados ao meio ambiente 
e a terceiros afetados por suas atividades. 
O princípio do poluidor-pagador é uma das principais normas 
do direito ambiental e um importante instrumento de políticas 
governamentais. O princípio torna a organização que contamina 
responsável pelo pagamento do prejuízo que causou. Os custos de 
tratamentos dos danos ou de recuperação de áreas poluídas não 
reincidem no governo (DIAS, 2017). 
Gestão AmbientAl
052
unidade 2
O Art 9º da Lei 6.938/81 aborda os instrumentos da Política Nacional 
do Meio Ambiente:
I - o estabelecimento de padrões de qualidade 
ambiental;
II - o zoneamento ambiental;
III - a avaliação de impactos ambientais;
IV - o licenciamento e a revisão de atividades efetiva ou 
potencialmente poluidoras;
V - os incentivos à produção e instalação de 
equipamentos e a criação ou absorção de tecnologia, 
voltados para a melhoria da qualidade ambiental;
VI - a criação de espaços territoriais especialmente 
protegidos pelo Poder Público federal, estadual e 
municipal, tais como áreas de proteção ambiental, de 
relevante interesse ecológico e reservas extrativistas; 
VII - o sistema nacional de informações sobre o meio 
ambiente;
VIII - o Cadastro Técnico Federal de Atividades e 
Instrumentos de Defesa Ambiental;
IX - as penalidades disciplinares ou compensatórias 
ao não cumprimento das medidas necessárias à 
preservação ou correção da degradação ambiental.
X - a instituição do Relatório de Qualidade do Meio 
Ambiente, a ser divulgado anualmente pelo Instituto 
Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais 
Renováveis – IBAMA.
XI - a garantia da prestação de informações relativas 
ao Meio Ambiente, obrigando-se o Poder Público a 
produzí-las, quando inexistentes; 
XII - o Cadastro Técnico Federal de atividades 
potencialmente poluidoras e/ou utilizadoras dos 
recursos ambientais. 
XIII - instrumentos econômicos, como concessão 
florestal, servidão ambiental, seguro ambiental e 
outros.
“Princípio do Poluidor-Pagador”
Gestão AmbientAl
053
unidade 2
A Constituição Federal de 1988 estabelece que a construção, a 
instalação, a ampliação e o funcionamento de estabelecimentos e 
de atividades utilizadoras dos recursos ambientais, considerados 
efetivos ou potencialmente poluidores, dependeriam de prévio 
licenciamento por órgão estadual integrante do SISNAMA, sem 
prejuízo de outras licenças exigíveis (BRASIL, 1988).
Assim, também se torna importante conhecermos o capítulo VI, 
do art. 225 da Constituição Federal de 1998, o qual afirma que: 
“Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, 
bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, 
impondo-se ao Poder Público e à coletividade o dever de defendê-lo 
e preservá- lo para as presentes e futuras gerações”.
Lei da Política Agrícola - Lei n.º 8.171/1991
O objetivo principal dessa lei é a proteção do meio ambiente. Ela 
define que o poder público deve disciplinar e fiscalizar o uso racional 
do solo, da água, da fauna e da flora. O Estado também deve realizar 
zoneamentos agroecológicos, buscando ordenar a ocupação 
de atividades produtivas, desenvolver programas de educação 
ambiental e incentivar a produção de mudas de espécies nativas.
Lei dos Recursos Hídricos - Lei 9.433/1997
No ano de 1997, entrou em vigor a Lei n.º 9.433/1997, conhecida 
como a Lei dos Recursos Hídricos, ou Lei das Águas, que instituiu a 
Política Nacional de Recursos Hídricos e criou o Sistema Nacional 
de Gerenciamento de Recursos Hídricos (SINGREH).
De acordo com a Lei das Águas, a Política Nacional de Recursos 
Hídricos tem seis fundamentos. A água é considerada um bem 
de domínio público e um recurso natural limitado, dotado de 
valor econômico, sendo sua gestão baseada em usos múltiplos 
(abastecimento, energia, irrigação, indústria etc.).
Gestão AmbientAl
054
unidade 2
O instrumento legal prevê que a gestão dos recursos hídricos deve 
proporcionar os usos múltiplos das águas, de forma descentralizada 
e participativa, contando com a participação do Poder Público, dos 
usuários e das comunidades. O consumo humano e de animais é 
prioritário em situações de escassez (BRASIL, 1997).
Lei de Crimes Ambientais - Lei 9.605/98
A Lei de Crimes Ambientais no Brasil, Lei 9.605/98, aprovada em 
12 de fevereiro de 1998, é uma das mais avançadas do mundo. 
Condutas e atividades consideradas lesivas ao meio ambiente 
passaram a ser punidas, de forma civil, administrativa e criminal. A 
Lei não trata apenas de punições severas, pois incorpora métodos 
e possibilidades de não aplicação das penas, desde que o infrator 
recupere o dano, ou, de outra forma, pague sua dívida à sociedade.
Esperou-se, com essa Lei, que órgãos ambientais e Ministério 
Público pudessem contar com um instrumento a mais que 
lhes garantisse agilidade e eficácia na punição dos infratores 
do meio ambiente. 
Política Nacional de Resíduos Sólidos - Lei n. 
12.305/2010
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) foi sancionada, no 
dia 02 de agosto de 2010, em Brasília. Com a sanção da PNRS, o 
país passou a ter um marco regulatório na área de Resíduos Sólidos. 
A Lei faz a distinção entre resíduo(lixo que pode ser reaproveitado 
ou reciclado) e rejeito (o que não é passível de reaproveitamento), 
além de se referir a todo tipo de resíduo: doméstico, industrial, da 
construção civil, eletroeletrônico, lâmpadas de vapores mercuriais, 
agrosilvopastoril, da área de saúde e perigosos.
A PNRS instituiu o princípio de responsabilidade compartilhada 
pelo ciclo de vida dos produtos, incluiu a chamada logística reversa, 
que se se refere a um conjunto de ações para facilitar o retorno 
Gestão AmbientAl
055
unidade 2
dos resíduos aos seus geradores, a fim de que sejam tratados ou 
reaproveitados em novos produtos, e estabeleceu princípios para a 
elaboração dos Planos Nacional, Estadual, Regional e Municipal de 
Resíduos Sólidos. Ainda, propiciou oportunidades de cooperação 
entre o poder público federal, estadual e municipal, o setor produtivo 
e a sociedade em geral (BRASIL, 2010).
Dentre os principais instrumentos instituídos pela PNRS (BRASIL, 
2010), destacam-se:
• os planos de resíduos sólidos;
• os inventários e o sistema declaratório anual de resíduos 
sólidos;
• a coleta seletiva;
• os sistemas de logística reversa e outras ferramentas 
relacionadas à implementação da responsabilidade 
compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos;
• o incentivo às cooperativas de catadores;
• o monitoramento e a fiscalização ambiental, sanitária e 
agropecuária;
• a cooperação técnica e financeira entre os setores 
público e privado para o desenvolvimento de pesquisas 
de novos produtos, métodos, processos e tecnologias de 
gestão, reciclagem, reutilização, tratamento de resíduos e 
disposição final, ambientalmente adequada de rejeitos;
• a educação ambiental.
Os principais objetivos da PNRS são:
• não geração, redução, reutilização e tratamento de resíduos 
sólidos;
• destinação final ambientalmente adequada dos rejeitos;
Gestão AmbientAl
056
unidade 2
• diminuição do uso de recursos naturais, no processo de 
produção de
• novos produtos;
• intensificação de ações de educação ambiental;
• aumento da reciclagem no país;
• promoção da inclusão social;
• geração de emprego e renda para catadores de materiais 
recicláveis.
Outras leis importantes
Além das leis mencionadas anteriormente, temos outras leis 
importantes no que tange à parte ambiental, a saber:
• Lei 7.347/85 - disciplina a Ação Civil Pública de 
responsabilidade por danos causados ao meio ambiente, 
ao consumidor e ao patrimônio artístico ou turístico. A ação 
pode ser requerida pelo Ministério Público, a pedido de 
qualquer pessoa, ou por uma entidade constituída há, pelo 
menos, um ano.
• Lei 9.795/99 - institui a Política Nacional de Educação 
Ambiental (EA), estabelece princípios, objetivos, diretrizes 
para a EA. Entendem-se por educação ambiental os 
processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade 
constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, 
atitudes e competências voltados para a conservação do 
meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial 
à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. De 
acordo com o art. 2º da Lei, “a educação ambiental é um 
componente essencial e permanente da educação nacional, 
devendo estar presente, de forma articulada, em todos os 
níveis e modalidades do processo educativo, em caráter 
formal e não-formal”.
Gestão AmbientAl
057
unidade 2
Lei 10.257/01 - também chamada de Estatuto 
da Cidade, estabelece normas de ordem pública e 
interesse social que regulam o uso da propriedade 
urbana em prol do bem coletivo, da segurança e do 
bem-estar dos cidadãos, assim como do equilíbrio 
ambiental. O art. 2º aborda VI – ordenação e controle 
do uso do solo, de forma a evitar:
a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos;
b) a proximidade de usos incompatíveis ou 
inconvenientes;
c) o parcelamento do solo, a edificação ou o uso 
excessivos ou inadequados em relação à infra-
estrutura urbana;
d) a instalação de empreendimentos ou atividades que 
possam funcionar como pólos geradores de tráfego, 
sem a previsão da infra-estrutura correspondente;
e) a retenção especulativa de imóvel urbano, que 
resulte na sua subutilização ou não utilização;
f) a deterioração das áreas urbanizadas;
g) a poluição e a degradação ambiental;
h) a exposição da população a riscos de desastres. 
• Lei 11.445/07 - estabelece as diretrizes nacionais para o 
saneamento básico. Em seu art. 3º, considera saneamento 
básico o conjunto de serviços, infraestruturas e instalações 
operacionais de:
a) abastecimento de água potável: constituído pelas 
atividades, infraestruturas e instalações necessárias 
ao abastecimento público de água potável, desde 
a captação até as ligações prediais e respectivos 
instrumentos de medição;
b) esgotamento sanitário: constituído pelas atividades, 
infraestruturas e instalações operacionais de coleta, 
transporte, tratamento e disposição final adequados 
dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até 
o seu lançamento final no meio ambiente;
c) limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos: 
conjunto de atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de coleta, transporte, transbordo, 
tratamento e destino final do lixo doméstico e do 
lixo originário da varrição e limpeza de logradouros 
e vias públicas;
Gestão AmbientAl
058
unidade 2
d) drenagem e manejo das águas pluviais urbanas: 
conjunto de atividades, infraestruturas e instalações 
operacionais de drenagem urbana de águas pluviais, de 
transporte, detenção ou retenção para o amortecimento 
de vazões de cheias, tratamento e disposição final das 
águas pluviais drenadas nas áreas urbanas.
Licenciamento 
Ambiental
O licenciamento é um dos instrumentos da Política Nacional do 
Meio Ambiente (PNMA); tem por objetivo agir preventivamente 
sobre a proteção do bem comum do povo, o meio ambiente, e 
compatibilizar sua preservação com o desenvolvimento econômico-
social, essencial para a sociedade (TCU, 2007).
FIGURA 2 - Proteção ao meio ambiente
Fonte : RATCHANIDA THIPPAYOS, 123RF.
Gestão AmbientAl
059
unidade 2
O conceito de Licenciamento Ambiental pode ser definido como:
Procedimento administrativo pelo qual o órgão 
ambiental competente licencia a localização, instalação, 
ampliação e a operação de empreendimentos e 
atividades utilizadoras de recursos ambientais, 
consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras; 
ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar 
degradação ambiental, considerando as disposições 
legais e regulamentares e as normas técnicas 
aplicáveis ao caso (CONAMA, 1997, p.01).
Assim, a Licença Ambiental pode ser entendida como:
Ato administrativo pelo qual o órgão ambiental 
competente estabelece as condições, restrições 
e medidas de controle ambiental que deverão ser 
obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou 
jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar 
empreendimentos ou atividades utilizadoras dos 
recursos ambientais consideradas efetiva ou 
potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob 
qualquer forma, possam causar degradação ambiental 
(CONAMA, 1997, p. 01).
Portanto, a licença ambiental é uma autorização emitida pelo 
órgão público competente, que é concedida ao empreendedor 
para que possa exercer seu direito à livre iniciativa, desde que 
sejam atendidas às precauções requeridas, com o intuito de 
resguardar o direito coletivo ao meio ambiente ecologicamente 
equilibrado. É importante notar que, devido à natureza 
autorizativa da licença ambiental, ela tem caráter precário. Um 
exemplo disso é a possibilidade legal de a licença ser cassada, 
caso as condições estabelecidas pelo órgão ambiental não sejam 
cumpridas (TCU, 2007).
O licenciamento é composto por trêstipos de licença: prévia, de 
instalação e de operação. Cada uma se refere a uma fase distinta do 
empreendimento e segue uma sequência lógica.
É importante salientar que essas licenças não eximem o 
empreendedor da obtenção de outras autorizações ambientais 
específicas junto aos órgãos competentes, a depender da natureza 
Gestão AmbientAl
060
unidade 2
do empreendimento e dos recursos ambientais envolvidos. Por 
exemplo, as atividades que utilizarão de recursos hídricos também 
necessitarão da outorga de direito de uso desses, segundo os 
preceitos da Lei 9.433/97, que institui a Política Nacional de 
Recursos Hídricos. Outros exemplos de autorizações e licenças 
específicas são apresentados a seguir:
• concessão de licença de instalação para atividades que 
incluam desmatamento depende também de autorização 
específica do órgão ambiental (Código Florestal, Lei 
4.771/65, art. 19 e Resolução Conama 378/06);
• autorização para supressão de área de preservação 
permanente para a execução de obras, planos, atividades 
ou projetos de utilidade pública ou interesse social (Código 
Florestal, Lei 4.771/65, art. 3º, § 1º e art. 4º);
• licença para transportar e comercializar produtos florestais 
(Lei 4.771/65, art. 26, alíneas “h” e “i”, Portaria MMA 253/06 
e Instrução Normativa IBAMA 112/06, que dispõem sobre o 
Documento de Origem Florestal - DOF);
• licença para construção e autorização para operação de 
instalações nucleares e transferência da propriedade ou 
da posse de instalações nucleares e comércio de materiais 
nucleares (Lei 6.189/74, art. 7º a 11);
• autorização para queimada controlada em práticas 
agropastoris e florestais (Lei 4.771/65, art. 27 e Decreto 
2.661/98);
• concessões das agências reguladoras, por exemplo, 
autorização para exploração, de centrais hidrelétricas até 
30MW (Resolução ANEEL 395/98) e autorização para 
implantação, ampliação ou repotenciação de centrais 
geradoras termelétricas, eólicas e de outras fontes 
alternativas de energia (Resolução ANEEL 112/99).
Gestão AmbientAl
061
unidade 2
1. Tipos de Licenciamento Ambiental
As modalidades de licença ambiental previstas na legislação 
ambiental brasileira estão descritas a seguir.
a. Licença prévia (LP)
Deve ser solicitada na fase preliminar de planejamento da 
atividade, contendo requisitos básicos a serem atendidos nas 
fases de localização, instalação e operação, observados os planos 
municipais, estaduais e federais de uso do solo (CONAMA, 1997). 
Tem por objetivo definir as condições a partir das quais o projeto 
torna-se compatível com a preservação do meio que afetará. Essa 
licença é o compromisso que o empreendedor assume de que 
seguirá o projeto, de acordo com os requisitos determinados pelo 
órgão ambiental (TCU, 2007). 
Para Barbieri (2016), a licença prévia é a condição para dar 
continuidade ao processo de licenciamento, podendo ser entendida 
como um “sinal verde” para o empreendedor seguir adiante com o 
seu projeto. 
Para as atividades que são consideradas efetivas ou potencialmente 
causadoras de significativa degradação ambiental, a concessão 
da licença prévia dependerá da aprovação de estudo prévio de 
impacto ambiental e do respectivo relatório de impacto sobre o 
meio ambiente (EIA/RIMA) (CONAMA, 1997). Além disso, esses 
instrumentos também são essenciais para a solicitação de 
financiamentos e obtenção de incentivos fiscais.
A licença prévia tem extrema importância no atendimento ao 
princípio da prevenção (TCU, 2007).
b. Licença de instalação (LI)
A licença de instalação é a autorização para o início da implantação, 
de acordo com as especificações constantes no projeto executivo 
Gestão AmbientAl
062
unidade 2
aprovado. O início da instalação do empreendimento ou da atividade 
só deve ocorrer após a expedição da licença de instalação, na qual 
são verificados especificações constantes nos planos, programas e 
projetos aprovados, bem como medidas de controle ambiental, de 
compensação e outras consideradas importantes na fase anterior 
(LI) (CONAMA, 1997).
Ao conceder a licença de instalação, o órgão gestor de meio 
ambiente terá (TCU, 2007):
• autorizado o empreendedor a começar as obras;
• concordado com as especificações constantes dos planos, 
programas e projetos ambientais, seus detalhamentos e 
respectivos cronogramas de implementação;
• verificado o atendimento das condicionantes determinadas 
na licença prévia;
• estabelecido medidas de controle ambiental, com vistas 
a garantir que a fase de implantação do empreendimento 
obedecerá aos padrões de qualidade ambiental 
estabelecidos em lei ou regulamentos.
c. Licença de operação (LO)
A licença de operação autoriza, após as verificações necessárias, 
o início da atividade licenciada e o funcionamento de seus 
equipamentos de controle da poluição, de acordo com o previsto na 
licença prévia e de instalação (CONAMA, 1997).
A licença de operação é a que, finalmente, autoriza o início das 
operações do empreendimento ou da atividade objeto do projeto, 
e sua expedição depende da verificação e do cumprimento das 
etapas anteriores. 
A licença de operação tem três características básicas (TCU, 2007):
Gestão AmbientAl
063
unidade 2
1. é concedida após a verificação, pelo órgão ambiental, do 
efetivo cumprimento das condicionantes estabelecidas nas 
licenças anteriores (prévia e de instalação);
2. contém as medidas de controle ambiental (padrões 
ambientais) que servirão de limite para o funcionamento do 
empreendimento ou da atividade;
3. especifica as condicionantes determinadas para a operação 
do empreendimento, cujo cumprimento é obrigatório, sob 
pena de suspensão ou cancelamento da operação.
Os prazos de validade das licenças estão apresentadas no 
Quadro 03.
QUADRO 03 - Prazos de validade das Licenças ambientais 
TIPO DE LICENÇA PRAzO MÁxIMO PRAzO MÍNIMO
Licença Prévia 
(LP)
5 anos Prazo estabelecido pelo cronograma de planos, programas 
e projetos relativos à atividade ou ao empreendimento. Esse 
prazo poderá ser prorrogado desde que não ultrapasse o 
prazo máximo da licença.Licença de 
Instalação (LI)
6 anos
Licença de 
Operação (LO)
10 anos
Mínimo de 4 anos ou o prazo considerado nos planos 
de controle ambiental. Prazos específicos para 
empreendimentos ou atividades sujeitos a encerramentos 
ou modificações em prazos inferiores. 
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 267 [Adaptado].
É importante salientar que nem toda atividade, ou empreendimento, 
está sujeita à licenciamento ambiental. A Resolução CONAMA 
237/1997 apresenta uma relação (Anexo 1) dos que estão 
sujeitos ao licenciamento ambiental, mas se trata de uma lista 
não exaustiva, pois cabe ao órgão ambiental competente definir 
os critérios de exigibilidade, o detalhamento e a complementação 
dessa relação, considerando as especificidades, os riscos 
Gestão AmbientAl
064
unidade 2
ambientais, o porte e outras características do empreendimento 
ou da atividade (CONAMA, 1997). Ou seja, os órgãos ambientais 
competentes podem considerar outros tipos de empreendimentos 
e de atividades sujeitos ao licenciamento ambiental, além dos que 
estão expressamente citados no Anexo 1 da Resolução 237/1997.
“Como fazer um licenciamento 
ambiental”
A competência administrativa para proceder ao licenciamento 
ambiental é distribuída entre União, Estados, Distrito Federal e 
Municípios pela Lei Complementar n. 140, de 2011 (BRASIL, 2011). 
O licenciamento deve ser realizado por órgão ambiental que tenha 
técnicos próprios ou em consórcio, devidamente habilitados e em 
número compatível com a demanda das ações administrativas a 
seremdelegadas. 
O mapa conceitual a seguir ajudará você a relacionar melhor e a 
entender a distribuição de competência administrativa referente ao 
licenciamento ambiental.
Gestão AmbientAl
065
unidade 2
No que diz respeito aos órgãos licenciadores (TCU, 2004), vamos 
citar o exemplo a seguir:
• Possibilidade 1 – se o rio serve de fronteira entre o Brasil e 
outro país, o licenciamento será a cargo do Ibama.
• Possibilidade 2 – se o mesmo rio serve de fronteira entre 
dois Estados da Federação, ou se atravessa mais de um 
Estado, o licenciamento será pelo Ibama.
• Possibilidade 3 – se o rio serve de fronteira entre dois 
Municípios, ou atravessa mais de um Município, o 
licenciamento será pelo órgão estadual do Estado em que 
se localizam os Municípios.
FIGURA 3 - Licenciamento ambiental - Distribuição de competência administrativa
Fonte : BRASIL, 2011, on-line.
Gestão AmbientAl
066
unidade 2
• Possibilidade 4 – se o curso do rio está circunscrito aos 
domínios de um único Município, o licenciamento será pelo 
órgão municipal. 
Quanto ao procedimento de licenciamento, as seguintes etapas 
devem ser consideradas (CONAMA, 1997, art. 10):
1. definição pelo órgão ambiental competente, com a 
participação do empreendedor, dos documentos, 
projetos e estudos ambientais necessários ao início 
do processo de licenciamento correspondente à 
licença requerida.
2. requerimento a licença ambiental pelo 
empreendedor, acompanhado dos documentos, 
projetos e estudos ambientais pertinentes, dando-
se a devida publicidade;
3. análise pelo órgão ambiental competente dos 
documentos, projetos e estudos ambientais 
apresentados e a realização de vistorias técnicas, 
quando necessárias;
4. solicitação de esclarecimentos e complementações 
pelo órgão ambiental, uma única vez, quando 
couber, podendo haver a reiteração da 
mesma solicitação caso os esclarecimentos e 
complementações não tenham sido satisfatórios;
5. audiência pública, quando couber, de acordo com a 
regulamentação pertinente;
6. solicitação de esclarecimentos e complementações 
pelo órgão ambiental competente, decorrente 
de audiências públicas, quando couber, podendo 
haver a reiteração da mesma solicitação caso os 
esclarecimentos e complementações não tenham 
sido satisfatórios;
7. emissão de parecer técnico conclusivo e, se for 
necessário, de parecer jurídico;
8. deferimento ou indeferimento do pedido de licença, 
dando a devida publicidade. 
A legislação prevê licenças especiais em função da natureza, das 
características e das peculiaridades do empreendimento ou da 
atividade e a possibilidade de realizar procedimentos simplificados 
para empreendimentos de pequeno porte ou de pequeno potencial 
de impacto ambiental, bem como atividades similares, vizinhos ou 
Gestão AmbientAl
067
unidade 2
integrantes de planos de desenvolvimento já aprovados pelo órgão 
ambiental (CONAMA, 1997). 
Por isso, antes de iniciar o processo de licenciamento ambiental, 
veja se a atividade está disponível no Anexo 1 da Resolução 
CONAMA 237/97; também, é importante consultar o órgão 
ambiental do seu estado. 
QUESTÃO 3 - A atividade de caráter militar, excetuando-se o 
licenciamento ambiental, nos termos de ato do Poder Executivo, aqueles 
previstos no preparo e emprego de forças armadas, é de competência 
administrativa do(a):
a. estados.
b. Distrito Federal.
c. Municípios.
d. Regional.
e. União.
O gabarito se encontra no final da unidade.
EIA/RIMA na legislação 
brasileira
A Política Nacional do Meio Ambiente - PNMA enfatizou a 
necessidade de compatibilizar o desenvolvimento socioeconômico 
com a qualidade ambiental, tendo como objetivos precípuos a 
preservação, a melhoria e a recuperação da qualidade ambiental 
propícia à vida, visando assegurar as condições ao desenvolvimento 
socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção 
da dignidade da vida humana. Para garantir esse objetivo, o art. 
Gestão AmbientAl
068
unidade 2
9º da Lei 6.938/81 apresentou os instrumentos da PNMA, dentre 
os quais se destacam o licenciamento ambiental e a avaliação de 
impacto ambiental (AIA) (BRASIL, 2007, p.31). 
O que é, então, um Impacto Ambiental?
FIGURA 4 - Exemplo de impacto ambiental
Fonte : FABIEN MONTEIL, 123RF.
Segundo Sanchéz (2008), impacto ambiental é definido como 
a alteração no meio (na qualidade ambiental, que modifica, 
consequentemente, os processos naturais ou sociais), provocada 
pela ação humana. 
De acordo com a Resolução CONAMA n.º 1/1986, em seu art. 01, o 
impacto ambiental é:
Gestão AmbientAl
069
unidade 2
qualquer alteração das propriedades físicas, químicas 
e biológicas do meio ambiente, causada por qualquer 
forma de matéria ou energia resultante das atividades 
humanas que, direta ou indiretamente, afetam:
I - a saúde, a segurança e o bem-estar da população;
II - as atividades sociais e econômicas;
III - a biota;
IV - as condições estéticas e sanitárias do meio 
ambiente;
V - a qualidade dos recursos ambientais.
Outras definições de impactos ambientais estão apresentadas no 
Quadro 04.
QUADRO 04 - Definições de impactos ambientais
“Atividade que visa identificar, prever, interpretar e comunicar 
informações sobre as consequências de uma determinada ação 
sobre a saúde e o bem-estar humanos (MUNN, 1975, p.23)”.
“Procedimento para encorajar as pessoas encarregadas 
da tomada de decisões a levar em conta os possíveis 
efeitos de investimento em projetos de desenvolvimento 
sobre a qualidade ambiental e a produtividade dos 
recursos naturais e um instrumento para a coleta e a 
organização dos dados que os planejadores necessitam 
para fazer com que os projetos de desenvolvimento sejam 
mais sustentáveis e ambientalmente menos agressivos 
(HORBERRY, 1984, p. 269)”.
“Instrumento de política ambiental, formado por um conjunto de 
procedimentos, capaz de assegurar desde o início do processo, 
que se faça um exame sistemático dos impactos ambientais de 
uma ação proposta (projeto, programa, plano ou política) e de 
suas alternativas, e que os resultados sejam apresentados de 
forma adequada ao público e aos responsáveis pela tomada de 
decisão, e por eles sejam considerados (MOREIRA, 1992, p.33)”.
“A apreciação oficial dos prováveis efeitos ambientais de 
uma política, programa ou projeto; alternativas à proposta; 
e medidas a serem adotadas para proteger o ambiente 
(GILPIN, 1995, p. 4-5)”.
Gestão AmbientAl
070
unidade 2
“Um processo sistemático que examina antecipadamente as 
conseqüências ambientais de ações humanas (GLASSON; 
THERIVEL; CHADWICK, 1999, p.4)”.
“O processo de identificar, prever, avaliar e mitigar os efeitos 
relevantes de ordem biofísica, social ou outros de projetos 
ou atividades antes que decisões importantes sejam 
tomadas (IAIA, 1999)”.
Fonte: Sanchéz, 2013, p. 39.
Para Garcia (2014), realmente, a definição de impacto ambiental não 
é simples, ainda mais quando inserida em um contexto de estudo 
ambiental, em que é necessário identificar a ação causadora do 
impacto. Muitas vezes, existe uma confusão entre ação, aspecto e 
impacto. Sanchéz (2008) esclarece que as ações são causas e os 
impactos, as consequências. Já os processos ou os mecanismos 
pelos quais as consequências ocorrem são chamados de aspectos. 
Para melhor entendermos, vamos citar um exemplo: um projeto 
de construção de uma rodovia em uma floresta. A construção 
da rodovia seria a ação, a supressão vegetal seria o aspecto e os 
impactos seriam as alterações nas taxas erosivas e no escoamento 
superficial (GARCIA, 2014). 
Temos várias maneiras de classificar os impactos ambientais, o 
Quadro 05 apresenta os tipos de impactos ambientais.QUADRO 05 - Tipos de impactos ambientais
TIPO DO IMPACTO 
AMBIENTAL DESCRIÇÃO
impacto positivo quando resulta em uma ação de melhoria.
impacto negativo 
(adverso)
quando a ação resulta em um dano à qualidade ambiental.
impacto direto resultante de uma simples relação de causa e efeito.
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071
unidade 2
impacto indireto
resultante de uma ação secundária relativa à ação ou quando é parte de 
uma cadeia de reações.
impacto regional
quando o impacto se faz sentir além das imediações do sítio onde se dá 
a ação.
impacto 
estratégico
quando o componente ambiental afetado apresenta interesse coletivo 
ou nacional.
impacto imediato quando o efeito surge no instante em que se dá a ação.
impacto a médio 
ou longo prazo
quando o impacto se manifesta certo tempo após a ação.
impacto 
temporário
quando seus efeitos têm duração determinada.
impacto 
permanente
quando, uma vez executada a ação, os efeitos não param de se 
manifestar em um horizonte temporal conhecido. 
impacto cíclico quando se manifesta em intervalo de tempo determinado.
impacto 
reversível
quando o fator ou parâmetro ambiental afetado, cessada a ação, retorna 
às suas condições originais. 
Fonte: SÁNCHEZ, 2008 [Adaptado].
Além dessa classificação, temos uma mais completa, apresentada 
no Quadro 06.
QUADRO 06 - Classificação de impactos ambientais
NATUREzA DESCRIÇÃO
Quanto à 
natureza/
adversidade
indica quando o impacto tem efeitos benéficos/positivos (POS) ou 
adversos/negativos (NEG) sobre o meio ambiente. Por exemplo: aumentos 
na arrecadação de impostos, alteração da qualidade do ar. 
Gestão AmbientAl
072
unidade 2
Quanto à forma
mostra como se manifesta o impacto, isto é, se ele é direto (DIR), 
decorrente de uma ação do empreendimento, ou se é indireto (IND), 
resultado de um ou mais impactos gerados direta ou indiretamente. Por 
exemplo: alteração na qualidade da água.
Quanto à 
duração
divide os impactos em permanentes (PER) ou temporários (TEM), ou seja, 
aqueles cujos efeitos manifestam-se indefinidamente ou durante um 
período de tempo determinado. Exemplo: contribuição para o efeito estufa 
ou precipitações ácidas. 
Quanto à 
temporalidade
diferencia os impactos segundo os que se manifestam imediatamente 
após a ação impactante (CP - curto prazo) e aqueles cujos efeitos só nos 
fazem sentir após um período de tempo em relação a sua causa (LP - longo 
prazo). Exemplo: ruídos, mudança no microclima local.
Quanto à 
reversibilidade
classifica os impactos segundo a manifestação de seus efeitos, podendo 
ser irreversíveis (IRR) ou reversíveis (REV) e permite identificar quais 
impactos poderão ser integralmente evitados e quais poderão ser apenas 
mitigados ou compensados. Por exemplo: ruído, modificação de regimes 
de rios.
Quanto à 
abrangência
indica os impactos cujos efeitos se fazem sentir localmente (LOC) ou que 
podem afetar áreas geográficas mais abrangentes (RE). Por exemplo: 
ruídos, modificações de regimes de rios. 
Quanto à 
cumulatividade
derivado da soma de vários impactos ou de cadeias de impacto que 
somam, ou seja, gerado por empreendimentos isolados, porém contíguos, 
em um mesmo sistema ambiental. Por exemplo: várias plataformas de 
petróleo em uma mesma bacia sedimentar.
Quanto à 
sinergia
fenômeno no qual o efeito obtido pela ação combinada de dois impactos 
diferentes é maior do que a soma dos efeitos individuais. Exemplo: 
lançamento de diferentes poluentes em um mesmo corpo d´água.
Quanto à 
magnitude
refere-se ao grau de incidência de um impacto ambiental em relação ao 
universo desse fator. Pode ser alta (ALT), média (MED), baixa (BAI) ou 
irrelevante (IR).
Quanto à 
importância
refere-se ao significado de um impacto para sociedade e à sua importância 
em relação aos demais impactos. Pode ser alta (ALT), média (MED) ou 
baixa (BAI). 
Gestão AmbientAl
073
unidade 2
Quanto à 
probabilidade de 
ocorrência
a probabilidade de um impacto será alta (ALT) se a ocorrência for certa e 
constante ao longo de toda atividade, média (MED) se for intermitente, e 
baixa (BAI) se for improvável.
Quanto a 
significância
é classificada em 4 graus, de acordo com a magnitude, importância e 
probabilidade, isto é, não significativo (NS), pouco significativo (PS), 
significativo (S) e muito significativo (MS).
Fonte: Garcia, 2014, p. 22-23.
QUESTÃO 4 - Uma obra está sendo construída no centro de uma 
cidade e um dos problemas que está acontecendo é o ruído (que consiste 
em um aspecto) e está causando incômodos à comunidade (impactos). 
Esse impacto trata-se de um (assinale alternativa correta):
a. impacto positivo.
b. impacto temporário.
c. impacto a médio ou a longo prazo.
d. impacto permanente.
e. impacto irreversível.
O gabarito se encontra no final da unidade.
A classificação de impactos é muito importante, pois nos permite 
avaliar a dimensão dos aspectos geradores dos impactos, os 
próprios impactos gerados pelo empreendimento, a eficácia 
das medidas mitigadoras e a formulação de indicadores de 
monitoramento dos impactos. 
Gestão AmbientAl
074
unidade 2
Outra definição importante é a de risco ambiental. Para Garcia (2014), 
precisamos diferenciar: perigo, salvaguarda e dano ambiental. 
• Perigo é uma circunstância potencial capaz de acarretar 
algum tipo de perda, dano ou prejuízo ambiental.
• Salvaguarda: são ações ou medidas que objetivam evitar a 
consumação desses perigos. 
• Risco: a probabilidade esperada de ocorrência dos efeitos (danos 
ambientais, perdas, prejuízos humanos ou financeiros) advindos 
da consumação de um perigo; é definido pela equação:
Risco = frequência * severidade da consequência.
Em que: frequência: expressa em eventos/ano; ocorrências/ mês e 
outros.
severidade das consequências: em virtude de fatalidade/evento; 
lesões/acidente; ecossistemas afetados/evento e outros. 
Avaliação de Impacto 
Ambiental (AIA)
O termo avaliação de impacto ambiental (AIA) entrou 
na terminologia e na literatura ambiental a partir 
da legislação pioneira que criou esse instrumento 
de planejamento ambiental National Environmental 
Policy Act – NEPA, a lei de política nacional do meio 
ambiente dos Estados Unidos. Essa lei, aprovada pelo 
congresso em 1969, entrou em vigor em 1º de janeiro 
de 1970 e acabou transformando-se em um modelo 
de legislações similares em todo o mundo. A lei exige 
a preparação de uma “declaração detalhada” sobre o 
impacto ambiental de iniciativas do governo americano 
(SANCHÉZ, 2008, p. 39).
O conceito da AIA é proposto por Moreira (1985) como sendo um 
instrumento de política ambiental formado por procedimentos que 
buscam assegurar, desde o início do processo, que seja feito um 
exame sistemático dos impactos ambientais de uma ação proposta; 
esse exame é destinado a coletar, estruturar, analisar, comparar e 
Gestão AmbientAl
075
unidade 2
organizar os dados acerca dos impactos ambientais prováveis de 
uma atividade, isto é, tem por intuito identificar, prever e interpretar 
as consequências de ações antrópicas sobre o meio ambiente.
Para Garcia (2014), a AIA tem um caráter prévio, diferente da 
avaliação de danos ambientais, que é feita posteriormente à 
ocorrência de um dano. Por isso, a AIA deve ser realizada durante 
a concepção de um projeto, a fim de que haja tempo hábil para 
minimizar os impactos identificados. 
A International Association of Impact Assessment (IAIA) define AIA como:
processo de identificar, prever, analisar, e mitigar os 
efeitos relevantes de ordem biofísica, social ou de outros 
projetos ou atividades antes que decisões importantes 
sejam tomadas (IAIA citada por SANCHÉZ, 2008, p. 39).
QUESTÃO 5 - A Avaliaçãode Impacto Ambiental (AIA) busca 
identificar, prever, interpretar e prevenir consequências ou efeitos de 
algum plano, programa ou ação no meio ambiente. Acerca desse assunto, 
assinale V, para alternativas verdadeiras e F, para falsas.
( ) A AIA é voltada para analisar a viabilidade ambiental de determinada proposta.
( ) A AIA é realizada posteriormente à ocorrência de um dano.
( ) A AIA é um instrumento de análise das consequências de uma 
intervenção planejada.
( ) A AIA serve para sintetizar os fatores ambientais mais importantes a 
serem considerados no processo decisório.
Marque a sequência CORRETA.
a. F, V, V, F.
b. V, V, V, V.
c. V, F, V, V.
d. F, F, F, F.
e. V, F, V, F.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
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unidade 2
Estudo de Impacto 
Ambiental (EIA)
O Estudo de Impacto Ambiental (EIA) é necessário para o licenciamento 
de empreendimentos com significativo impacto ambiental. Cabe 
ao órgão ambiental competente identificar as atividades e os 
empreendimentos causadores de impactos significativos.
A primeira experiência de EIA no Brasil se deu antes da 
existência de uma legislação que o tornasse obrigatório 
e definisse critérios e procedimentos básicos para 
sua realização. Em 1972, no projeto da hidrelétrica de 
Sobradinho, o Banco Mundial exigiu a realização de um 
AIA para aprovar seu financiamento. A partir de reuniões 
diplomáticas e técnicas promovidas pela Organização 
das Nações Unidas (ONU) no final da década de 1960, 
que serviram para preparar a Conferência das Nações 
Unidas para o Meio Ambiente em 1972, em Estocolmo, 
as principais agências de fomento e desenvolvimento 
internacional, como BID, Bird, Unido e Pnud começaram 
a exigir o EIA como condição para novos empréstimos 
(BARBIERI, 2016, p. 268). 
Com a Lei n.º 6.803/80, que dispõe sobre o zoneamento industrial, 
o EIA apareceu pela primeira vez em uma legislação federal, porém 
sem critérios e definições (BRASIL, 1980). 
A Política Nacional do Meio Ambiente, Lei 6.938/81, relacionou a 
AIA como um dos instrumentos dessa política (BRASIL, 1981). O 
mesmo fez a Constituição Federal de 1988 no capítulo dedicado 
ao ambiente, estabelecendo a competência entre União, Estados e 
Distrito Federal. 
BRASIL (2007, p. 31) destaca que a Lei 6.938/81 não relaciona o 
licenciamento ambiental e a AIA. Somente a partir da Resolução 
Conama 01/86 a AIA vinculou-se ao licenciamento ambiental de 
atividades potencialmente poluidoras. Essa resolução consagrou 
o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) como o principal documento 
de avaliação de impactos de empreendimentos sujeitos ao 
licenciamento, determinando que o EIA deve trazer a “definição 
Gestão AmbientAl
077
unidade 2
das medidas mitigadoras dos impactos negativos, entre elas os 
equipamentos de controle e os sistemas de tratamento de despejos, 
avaliando a eficiência de cada uma delas” (BRASIL, 1986, on-line). 
Dessa forma, definições, responsabilidades, critérios básicos e 
diretrizes gerais para o uso e a implementação da AIA só foram 
estabelecidos a partir da Resolução Conama 01/86.
As normas gerais para o EIA estão dispostas em diversos atos 
do CONAMA. Os Estados e o Distrito Federal podem acrescentar 
outras normas específicas quando houver necessidade. Os 
Municípios não têm competência para legislar acerca do EIA, no 
entanto podem estabelecer algumas exigências para que atendam 
às especificidades locais. As atividades que requerem EIA estão 
apresentadas no Quadro 07.
QUADRO 07 - Atividades que requerem EIA - exemplos
Estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento;
Ferrovias;
Portos e terminais de minério, petróleo e produtos químicos;
Aeroportos;
Oleodutos, gasodutos, minerodutos, troncos coletores e emissários de esgotos sanitários;
Linhas de transmissão de energia elétrica, acima de 230KV;
Obras hidráulicas para exploração de recursos hídricos, tais como: barragem para fins 
hidrelétricos, acima de 10MW, de saneamento ou de irrigação, abertura de canais para navegação, 
drenagem e irrigação, retificação de cursos d'água, abertura de barras e embocaduras, 
transposição de bacias, diques;
Extração de combustível fóssil (petróleo, xisto, carvão);
Extração de minério, inclusive os da classe II, definidas no Código de Mineração;
Aterros sanitários, processamento e destino final de resíduos tóxicos ou perigosos;
Usinas de geração de eletricidade, qualquer que seja a fonte de energia primária, acima de 10MW;
Complexo e unidades industriais e agroindustriais (petroquímicos, siderúrgicos, cloroquímicos, 
destilarias de álcool, hulha, extração e cultivo de recursos hídricos);
Distritos industriais e zonas estritamente industriais - ZEI;
Exploração econômica de madeira ou de lenha, em áreas acima de 100 hectares ou menores, 
quando atingir áreas significativas em termos percentuais ou de importância do ponto de vista 
ambiental;
Projetos urbanísticos, acima de 100ha. ou em áreas consideradas de relevante interesse 
ambiental a critério da SEMA e dos órgãos municipais e estaduais competentes;
Qualquer atividade que utilize carvão vegetal, em quantidade superior a dez toneladas por dia.
Fonte: BRASIL, 1986, on-line [Adaptado].
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unidade 2
O art. 6º da Resolução CONAMA 01/86 apresenta as atividades que, 
no mínimo, o EIA deverá desenvolver: 
I - Diagnóstico ambiental da área de influência do 
projeto completa descrição e análise dos recursos 
ambientais e suas interações, tal como existem, de 
modo a caracterizar a situação ambiental da área, 
antes da implantação do projeto, considerando:
a) o meio físico - o subsolo, as águas, o ar e o clima, 
destacando os recursos minerais, a topografia, os 
tipos e aptidões do solo, os corpos d’água, o regime 
hidrológico, as correntes marinhas, as correntes 
atmosféricas;
b) o meio biológico e os ecossistemas naturais - a 
fauna e a flora, destacando as espécies indicadoras da 
qualidade ambiental, de valor científico e econômico, 
raras e ameaçadas de extinção e as áreas de 
preservação permanente;
c) o meio socioeconômico - o uso e ocupação do solo, 
os usos da água e a sócio-economia, destacando 
os sítios e monumentos arqueológicos, históricos e 
culturais da comunidade, as relações de dependência 
entre a sociedade local, os recursos ambientais e a 
potencial utilização futura desses recursos.
II - Análise dos impactos ambientais do projeto e de 
suas alternativas, através de identificação, previsão 
da magnitude e interpretação da importância dos 
prováveis impactos relevantes, discriminando: os 
impactos positivos e negativos (benéficos e adversos), 
diretos e indiretos, imediatos e a médio e longo prazos, 
temporários e permanentes; seu grau de reversibilidade; 
suas propriedades cumulativas e sinérgicas; a 
distribuição dos ônus e benefícios sociais.
III - Definição das medidas mitigadoras dos impactos 
negativos, entre elas os equipamentos de controle 
e sistemas de tratamento de despejos, avaliando a 
eficiência de cada uma delas.
lV - Elaboração do programa de acompanhamento e 
monitoramento (os impactos positivos e negativos, 
indicando os fatores e parâmetros a serem 
considerados) (BRASIL, 1986, on-line).
Gestão AmbientAl
079
unidade 2
Relatório de Impacto de 
Meio Ambiente (RIMA)
O Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA) é exigido 
nos mesmos casos em que se exige o EIA. O EIA e o RIMA são 
dois documentos distintos com focos diferenciados. O EIA 
tem como objeto o diagnóstico das potencialidades naturais e 
socioeconômicas, os impactos do empreendimento e as medidas 
destinadas à mitigação, compensação e controle desses impactos. 
O RIMA apresenta as informações essenciais para que a população 
tenha conhecimento das vantagens,das desvantagens do projeto e 
das consequências ambientais de sua implementação (DIAS, 2017).
De acordo com o art. 9 da Resolução CONAMA 01/06, o RIMA 
deverá conter os seguintes tópicos, sem os quais não será aceito 
pelo órgão ambiental:
1. Os objetivos e justificativas do projeto, sua relação 
e compatibilidade com as políticas setoriais, planos 
e programas governamentais;
2. A descrição do projeto e suas alternativas 
tecnológicas e locacionais, especificando para 
cada um deles, nas fases de construção e operação 
a área de influência, as matérias primas, e mão-de-
obra, as fontes de energia, os processos e técnica 
operacionais, os prováveis efluentes, emissões, 
resíduos de energia, os empregos diretos e 
indiretos a serem gerados;
3. A síntese dos resultados dos estudos de 
diagnósticos ambiental da área de influência do 
projeto;
4. A descrição dos prováveis impactos ambientais da 
implantação e operação da atividade, considerando 
o projeto, suas alternativas, os horizontes de 
tempo de incidência dos impactos e indicando os 
métodos, técnicas e critérios adotados para sua 
identificação, quantificação e interpretação;
5. A caracterização da qualidade ambiental futura 
da área de influência, comparando as diferentes 
situações da adoção do projeto e suas alternativas, 
bem como com a hipótese de sua não realização;
Gestão AmbientAl
080
unidade 2
6. A descrição do efeito esperado das medidas 
mitigadoras previstas em relação aos impactos 
negativos, mencionando aqueles que não puderam 
ser evitados, e o grau de alteração esperado;
7. O programa de acompanhamento e monitoramento 
dos impactos;
8. Recomendação quanto à alternativa mais favorável 
(BRASIL, 1986, on-line).
Publicidade do EIA/RIMA
Uma característica fundamental do EIA/RIMA é sua publicidade, 
que é a base para participação de diferentes públicos no processo 
de avaliação do projeto. O princípio da publicidade plena admite 
restrição para os casos que contenham sigilo industrial, cabendo ao 
empreendedor ou proponente do projeto demonstrar a necessidade 
de resguardar tal sigilo (BARBIERI, 2016).
O órgão ambiental poderá promover a realização de audiências 
públicas para informar os projetos e seus impactos. A audiência 
pública também pode ser solicitada por entidades da sociedade 
civil, pelo Ministério Público ou por 50 ou mais cidadãos e tem por 
objetivo apresentar aos interessados o conteúdo do EIA/RIMA, a fim 
de tirar dúvidas, avaliar críticas ou sugestões.
A notícia a seguir, ajudará você a verificar a importância da audiência 
pública no EIA/RIMA. 
Notícia
Audiência Pública
A publicidade determinada pela constituição é garantida no 
licenciamento ambiental por meio de uma audiência pública, 
para a efetiva participação popular. Devido a sua importância, a 
audiência foi regulamentada em âmbito federal, deixando clara a 
sua finalidade: expor ao público interessado o conteúdo do RIMA 
Gestão AmbientAl
081
unidade 2
(relatório do estudo), esclarecer eventuais dúvidas, além de colher 
críticas e sugestões.
link da notícia que você selecionou
Fonte: BRASIL. Audiência Pública. Guia para o Licenciamento 
Ambiental. Brasil-rounds9. Disponível em: <http://www.brasil-rounds.
gov.br/round9/arquivos_r9/guias_R9/sismica_R9/audiencia_
publica.htm> Acesso em: 15 jun. 2017.
A Resolução CONAMA 09/87 trata da audiência pública, que tem 
por finalidade expor aos interessados o conteúdo do produto em 
análise e do seu referido RIMA, dirimindo dúvidas e recolhendo dos 
presentes as críticas e as sugestões a respeito (CONAMA, 1987).
O art. 2º desse documento afirma que, sempre que julgar necessário, 
ou quando for solicitado por entidade civil, pelo Ministério Público 
ou por 50 ou mais cidadãos, o Órgão de Meio Ambiente promoverá 
a realização de audiência pública.
Em caso de haver solicitação de audiência pública e na hipótese 
do Órgão Estadual não realizá-la, a licença concedida não terá 
validade, e essa audiência pública deverá ocorrer em local 
acessível aos interessados. 
“Estudo de Impacto de 
Vizinhança (EIV)”
Gestão AmbientAl
082
unidade 2
QUESTÃO 1 - a) A taxa é uma das formas de tributo, é uma exigência 
financeira imposta pelo governo ou por alguma organização política ou 
governamental à pessoa privada ou jurídica para usar certos serviços 
fundamentais, ou pelo exercício do poder de polícia.
QUESTÃO 2 - d) São verificados com especialistas, fornecedores de 
tecnologias ou responsáveis, com o objetivo de conferir as tecnologias 
existentes e disponíveis para determinadas atividades.
QUESTÃO 3 - e) Refere-se a uma atividade que é de competência 
administrativa da união; pela Lei Complementar 140/2011, foram divididas 
entre União, Estados, Distrito Federal e Municípios as competências.
QUESTÃO 4 - b) Quando, uma vez executada a ação, a modificação do 
fator ambiental considerado tem duração determinada.
QUESTÃO 5 - c) (V) A AIA é voltada para analisar a viabilidade 
ambiental de determinada proposta, pois é um dos objetivos dessa 
avaliação.
(F) A AIA é realizada posteriormente à ocorrência de um dano - afirmativa 
falsa, pois é de caráter preventivo, e não após a ocorrência de um dano.
(V) A AIA é um instrumento de análise das consequências de uma 
intervenção planejada - alternativa verdadeira, pois fornece informações 
importantes acerca de eventos não planejados, como desastres naturais 
e conflitos.
(V) A AIA serve para sintetizar os fatores ambientais mais importantes 
a serem considerados no processo decisório, pois serve de instrumento 
para consideração dos aspectos ambientais no planejamento de projetos.
Atividades 
de fixação - 
Respostas
“Conclusão da unidade”
UNIDADE 
Gestão Ambiental 
Empresarial
•	 Desenvolvimento 
Sustentável como 
novo Paradigma
•	 Abordagem da 
Gestão Ambiental 
Empresarial
•	 Modelos de Gestão 
Ambiental
•	 Atividades de 
fixação - Respostas 
Gestão AmbientAl
085
unidade 3
Desenvolvimento 
Sustentável como novo 
Paradigma
Antecedentes históricos
Segundo Maurice Strong, em prefácio do livro de Sachs, o conceito 
normativo básico de desenvolvimento sustentável manifestou-se na 
Conferência de Estocolmo de 1972 e foi designado, na época, como 
“abordagem do ecodesenvolvimento” (SACHS, 1993).
O conceito de Ecodesenvolvimento foi introduzido por Maurice 
Strong, Secretário da Conferência de Estocolmo, e largamente 
difundido por lgnacy Sachs, a partir do ano de 1974 (GODARD, 1991).
Na definição dada por Sachs, citada por Raynaut e Zanoni (1993, 
p. 7), para um determinado país ou região, o Ecodesenvolvimento 
significa:
desenvolvimento endógeno e dependente de suas 
próprias forças, tendo por objetivo responder 
problemática da harmonização dos objetivos sociais 
e econômicos do desenvolvimento com uma gestão 
ecologicamente prudente dos recursos e do meio.
Assim, para Montibeller Filho (1993), o desenvolvimento, quando 
voltado para as necessidades sociais mais abrangentes, diz respeito 
à melhoria da qualidade de vida da maior parte da população e ao 
cuidado com a preservação ambiental como uma responsabilidade 
para com as gerações futuras.
Dessa maneira, o desenvolvimento sustentável será alcançado se 
três critérios fundamentais forem obedecidos ao mesmo tempo: 
equidade social, prudência ecológica e eficiência econômica 
(SACHS, 1993).
Gestão AmbientAl
086
unidade 3
No ano de 1980, o documento “Estratégia Mundial para Conservação 
da Natureza”, elaborado em conjunto pela União Internacional para 
Conservação da Natureza (IUCN), pelo Programa de Meio Ambiente 
das Nações Unidas (PNUMA) e pelo World Wildlife Fund (WWF) 
(DIAS, 2017), definiusustentabilidade como uma característica de 
um processo ou estado que pode manter-se indefinidamente.
Comissão Brundtland e o conceito de 
sustentabilidade
Foi o relatório produzido pela Comissão Brundtland (nosso Futuro 
Comum) que apresentou, pela primeira vez, a definição mais 
elaborada do desenvolvimento sustentável. 
Procura estabelecer uma relação harmônica do homem 
com a natureza, como o centro de um processo de 
desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades 
humanas e às aspirações humanas. Enfatiza que 
a pobreza é incompatível com o desenvolvimento 
sustentável e indica a necessidade de que a política 
ambiental deve ser parte integrante do processo de 
desenvolvimento e não mais uma responsabilidade 
setorial fragmentada (DIAS, 2017, p. 36).
Esse conceito surgiu da necessidade de criação de um modelo 
de desenvolvimento que levasse em consideração a questão 
ambiental, devido ao aumento da intervenção da sociedade 
humana na natureza para extração dos recursos naturais, visando 
ao crescimento econômico, aliado à igualdade social e ao equilíbrio 
ecológico.
O relatório ainda define as premissas do que seria o Desenvolvimento 
Sustentável, o qual contém dois conceitos-chave: primeiro, o 
conceito de “necessidades”, particularmente aquelas que são 
essenciais à sobrevivência dos pobres e que devem ser prioridade 
na agenda de todos os países; segundo, o de que o estágio atingido 
pela tecnologia e pela organização social impõe limitações ao 
meio ambiente, impedindo-o, consequentemente, de atender às 
necessidades presentes e futuras (SANTOS, 2010).
Gestão AmbientAl
087
unidade 3
O relatório prevê, também, que ocorrerão diversas interpretações, 
por exemplo, para Dias (2017), aconteceu com o conceito de 
desenvolvimento sustentável, mas que em todas elas haverá 
características comuns que derivarão de um consenso a respeito do 
conceito básico e de uma série de estratégias necessárias para que 
seus objetivos sejam atingidos. 
No contexto do documento, é explícito que o objetivo principal do 
desenvolvimento sustentável é satisfazer às necessidades e às 
aspirações humanas, afirmando que:
é um processo de transformação no qual a exploração 
dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação 
do desenvolvimento tecnológico e a mudança 
institucional se harmonizam e reforçam o potencial 
presente e futuro, a fim de atender às necessidades e 
aspirações humanas (CMMAD, 1991, p.49).
Isso resulta nos principais objetivos das políticas ambientais e 
desenvolvimentistas, que são (DIAS, 2017):
• retomar o crescimento;
• alterar a qualidade do desenvolvimento;
• atender às necessidades essenciais de emprego, 
alimentação, energia, água e saneamento;
• manter um nível populacional sustentável;
• conservar e melhorar a base dos recursos;
• reorientar a tecnologia e administrar o risco;
• incluir o meio ambiente e a economia no processo de 
tomada de decisões.
Para aprofundar seu conhecimento a respeito do conceito 
de desenvolvimento sustentável, acesse o texto intitulado 
“Sustentabilidade: Tentativa de definição”, de Leonardo Boff, em 
entrevista para a Revista On-line Plurale.
Gestão AmbientAl
088
unidade 3
Dicas
Sustentabilidade: tentativa de definição
Há, hoje, um conflito entre as várias compreensões do que seja 
sustentabilidade. Sustentabilidade é toda ação destinada a manter as 
condições energéticas, informacionais, físico-químicas que sustentam todos 
os seres, especialmente a Terra viva, a comunidade de vida e a vida humana, 
visando a sua continuidade e, ainda, a atender às necessidades da geração 
presente e das futuras, de tal forma que o capital natural seja mantido e 
enriquecido em sua capacidade de regeneração, reprodução e coevolução.
Fonte: leonARDo boFF. Sustentabilidade: tentativa de definição. 15 jan. 
2012. Disponível em:<https://leonardoboff.wordpress.com/2012/01/15/
sustentabilidade-tentativa-de-definicao/> Acesso em: 21 jun. 2017.
Das indicações apresentadas no relatório, derivam várias 
interpretações, como foi previsto, que sintetizaram as propostas de 
sustentabilidade de diferentes grupos sociais. 
De acordo com Dias (2017, p. 37), dentro da generalidade com que 
foi proposto o Relatório Brundtland,
a discussão sobre o desenvolvimento sustentável, 
apesar das ambiguidades e mal-entendidos, abriu 
as portas para o debate da equidade social dentro de 
uma mesma geração e incorporou o meio ambiente no 
debate sobre o desenvolvimento de forma definitiva. 
Embora seja um conceito utilizado amplamente, não existe uma 
única visão do que é o desenvolvimento sustentável. Para alguns, 
alcançá-lo é obter o crescimento econômico por um meio mais 
aceitável do uso de recursos naturais e de tecnologias menos 
poluentes. Para outros, o desenvolvimento sustentável é um projeto 
político e social que busca a erradicação da pobreza, a melhoria da 
qualidade de vida e a satisfação das necessidades básicas do ser 
humano. Para outros, ainda, busca compatibilizar o uso do meio 
ambiente com o crescimento das organizações e da humanidade.
Gestão AmbientAl
089
unidade 3
A passagem de um modelo de desenvolvimento predatório a um 
sustentável, que procure manter a harmonia com o meio ambiente, 
tem muitas implicações, a saber: modificar a visão, bem como a 
relação com o meio ambiente, sendo que esse não é somente uma 
fonte de matéria-prima e um receptáculo de resíduos; procurar um 
manejo racional dos recursos naturais, a modificação da organização 
social produtiva; buscar práticas sustentáveis de produção. 
Conferência das Nações Unidas 
no Rio de Janeiro (1992) e seus 
desdobramentos
A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e 
Desenvolvimento (CNUMAD), também conhecida como Cúpula 
da Terra, ou Eco-92, foi realizada no Rio de Janeiro em 1992, 
com representantes de 179 países que discutiram, no período 
de 14 dias, os problemas ambientais globais e estabeleceram 
o desenvolvimento sustentável como uma das metas a serem 
alcançadas pelos governos e pelas sociedades em todo mundo 
(DIAS, 2017).
Dessa maneira, a Conferência resultou em cinco documentos 
básicos (SEIFFERT, 2011):
• a Declaração do Rio de Janeiro sobre Meio Ambiente e 
Desenvolvimento;
• a Declaração de Princípios para a Gestão Sustentável das 
Florestas;
• o Convênio sobre a Diversidade Biológica;
• o Convênio sobre as Mudanças Climáticas; 
• o Programa das Nações Unidas para o século XXI, mais 
conhecido como Agenda 21.
Gestão AmbientAl
090
unidade 3
Desses documentos, a Agenda 21 é a mais abrangente, constitui 
um instrumento de planejamento para a construção de sociedades 
sustentáveis, em diferentes bases geográficas, que concilia métodos 
de proteção ambiental, justiça social e eficiência econômica (MMA, 
2017 on-line).
No ano de 1997, durante um período extraordinário de sessões 
da Assembleia Geral da ONU, foi realizada a Rio + 5, que tinha por 
objetivo analisar a execução da Agenda 21 aprovada na Rio 92. Após 
um período de decisões, ocorridas em virtude das divergências entre 
os Estados acerca de como financiar o desenvolvimento sustentável 
no plano mundial, foram obtidos alguns acordos, tratados no 
documento final, de 58 páginas, que consiste em (DIAS, 2017, p. 39):
• adotar objetivos juridicamente vinculantes para reduzir 
a emissão dos gases do efeito estufa, os quais são 
causadores da mudança climática;
• avançar com mais vigor para modalidades sustentáveis de 
produção, distribuição e utilização de energia; 
• focar a erradicação da pobreza como requisito prévio do 
desenvolvimento sustentável.
Outro encontro mais amplo foi a Rio + 10, no ano de 2002, em 
Joanesburgo,na África do Sul, chamado de Cúpula Mundial sobre 
o Desenvolvimento Sustentável, que buscou reavaliar e implementar 
as conclusões e as diretrizes da Rio 92.
A Rio+10 reconheceu a importância e a urgência da adoção de 
energias renováveis em todo o planeta e considerou legítimo que 
os blocos regionais de países estabelecessem objetivos e prazos 
para cumprir as metas propostas na conferência. No entanto não 
conseguiu fixá-las para todos os países, o que foi uma derrota, 
atenuada apenas pela decisão de que o progresso na implementação 
de energias renováveis fosse revisto periodicamente pelas agências 
e instituições especializadas das Nações (SEIFFERT, 2011).
Gestão AmbientAl
091
unidade 3
No ano de 2012, no Rio de Janeiro, tivemos a Rio + 20, que teve 
o objetivo de renovar o compromisso dos líderes mundiais 
com o desenvolvimento sustentável do planeta. O documento 
final produzido pela conferência, que recebeu o nome de “O 
Futuro que Nós Queremos”, cita as principais ameaças ao 
planeta: desertificação, esgotamento dos recursos pesqueiros, 
contaminação, desmatamento, extinção de milhares de espécies e 
aquecimento global, e deverá ser adotado pelas principais lideranças 
mundiais (ALENCASTRO, 2012).
Desenvolvimento Sustentável no âmbito empresarial
As exigências relacionadas às questões ambientais e às soluções 
pertinentes vêm exigindo uma nova postura dos empresários e 
administradores, inclusive daqueles que atuam no agronegócio. 
Todos devem considerar o meio ambiente no âmbito de suas 
decisões e rever concepções administrativas e tecnológicas 
(BARBIERI, 2016).
Para Coral (2002), as organizações têm feito mudanças com o intuito 
de reduzir o impacto ambiental, buscando melhorias de sua imagem 
quanto à responsabilidade social, devido às pressões sociais.
As organizações sustentáveis procuram modificar seus processos 
produtivos, quando há necessidade, com o objetivo de contribuírem 
para a sustentabilidade, a fim de se tornarem ecologicamente 
sustentáveis. Esse tipo de mudança implica na construção de 
processos produtivos que não causem impactos negativos, mesmo 
que eles estejam contribuindo para a recuperação de uma área 
degradada ou, até mesmo, oferecendo produtos e serviços que 
apoiem a melhoria do desempenho ambiental de consumidores e 
clientes de uma indústria (ARAÚJO et al., 2006). 
Araújo et al. (2006) ressaltam que, dentro dos princípios de 
sustentabilidade, não podemos separar as questões sociais das 
ambientais. Por isso, quando uma organização é ecologicamente 
Gestão AmbientAl
092
unidade 3
sustentável, ela também estará atuando de forma socialmente 
responsável. 
No ano de 1998, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) 
definiu e publicou sua Declaração de Princípios da Indústria para o 
Desenvolvimento Sustentável (Quadro 01), essa iniciativa permite o 
incremento da divulgação da perspectiva de maior interação entre a 
economia e o meio ambiente junto ao empresariado. 
QUADRO 01 - Declaração de princípios da indústria para o desenvolvimento sustentável
1. Promover a efetiva participação pró-ativa do setor industrial, em conjunto com a sociedade, 
os parlamentares, o governo e as organizações não governamentais no sentido de desenvolver e 
aperfeiçoar leis, regulamentos e padrões ambientais.
 
2. Exercer a liderança empresarial, junto à sociedade, em relação aos assuntos ambientais.
 
3. Incrementar a competitividade da indústria brasileira, respeitados os conceitos de desenvolvimento 
sustentável e o uso racional dos recursos naturais e de energia.
 
4. Promover a melhoria contínua e o aperfeiçoamento dos sistemas de gerenciamento ambiental, 
saúde e segurança do trabalho nas empresas.
 
5. Promover a monitoração e a avaliação dos processos e parâmetros ambientais nas empresas. 
Antecipar a análise e os estudos das questões que possam causar problemas ao meio ambiente e à 
saúde humana, bem como implementar ações apropriadas para proteger o meio ambiente.
 
6. Apoiar e reconhecer a importância do envolvimento contínuo e permanente dos trabalhadores e 
do comprometimento da supervisão nas empresas, assegurando que eles tenham o conhecimento 
e o treinamento necessários com relação às questões ambientais.
 
7. Incentivar a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias limpas, com o objetivo de reduzir ou 
eliminar impactos adversos ao meio ambiente e à saúde da comunidade.
 
8. Estimular o relacionamento e parcerias do setor privado com o governo e com a sociedade em 
geral, na busca do desenvolvimento sustentável, bem como na melhoria contínua dos processos de 
comunicação.
 
9. Estimular as lideranças empresariais a agirem permanentemente junto à sociedade com relação 
aos assuntos ambientais.
 
10. Incentivar o desenvolvimento e o fornecimento de produtos e serviços que não produzam 
impactos inadequados ao meio ambiente e à saúde da comunidade.
11. Promover a máxima divulgação e conhecimento da Agenda 21 e estimular sua implementação.
Fonte: CNI, 2002, p. 24.
Gestão AmbientAl
093
unidade 3
Para Dias (2017), o aprofundamento do conceito de 
desenvolvimento sustentável no meio empresarial traça-se mais 
como um modelo de empresas que assumem meios de gestão 
mais eficientes do que uma elevação do nível de consciência do 
empresariado ao redor de uma perspectiva de um desenvolvimento 
econômico mais sustentável. 
Pilares do Desenvolvimento Sustentável
Para Barbieri e Cajazeira (2009), o desenvolvimento sustentável está 
apoiado nos seguintes pilares:
• Sustentabilidade social: consiste na equidade na 
distribuição dos bens e da renda para melhorar os direitos e 
as condições da população e reduzir as distâncias entre os 
padrões de vida das pessoas.
• Sustentabilidade econômica: consiste na distribuição e na 
gestão eficiente dos recursos produtivos, bem como no 
fluxo regular de investimentos público e privado.
• Sustentabilidade ecológica: consiste na busca pelo 
aumento da capacidade de carga do planeta e para evitar 
danos ao meio ambiente, principalmente os causados pelos 
processos do crescimento econômico.
• Sustentabilidade espacial: refere-se ao equilíbrio do 
assentamento humano rural/urbano.
• Sustentabilidade cultural: busca o respeito pela pluralidade 
de soluções particulares específicas a cada ecossistema, 
cada cultura e cada local.
Considerando esses cinco pilares do desenvolvimento sustentável, é 
comum que eles sejam apresentados divididos em três dimensões 
essenciais: social, econômica e ambiental. Coral (2012) apresenta 
um modelo de sustentabilidade a ser aplicado pelas organizações 
na FIGURA 01.
Gestão AmbientAl
094
unidade 3
Dimensões da Sustentabilidade
O desenvolvimento sustentável nas organizações apresenta três 
dimensões: econômica, ambiental e social. O QUADRO 02 apresenta 
o ponto de vista de cada dimensão.
FIGURA 1 - Tripé da sustentabilidade
Fonte: CORAL, 2002, p. 15 [Adaptada].
QUADRO 02 - Dimensões da sustentabilidade
DIMENSÃO DESCRIÇÃO ExEMPLO
Econômica
Sustentabilidade prevê que 
as empresas têm que ser 
economicamente viáveis. 
Seu papel deve ser cumprido levando 
em consideração o aspecto de 
rentabilidade, isto é, dar retorno ao 
investimento realizado pelo capital 
privado
Gestão AmbientAl
095
unidade 3
Ambiental
A organização deve pautar-se pela 
ecoeficiência de seus processos 
produtivos, adotar produção mais 
limpa, oferecer condições para o 
desenvolvimento de uma cultura 
ambiental organizacional.
Buscar a não contaminação de 
qualquer tipo de ambiente natural, 
e procurar participar de todas as 
atividades patrocinadas pelas 
autoridades governamentais locais e 
regionais no que diz respeito ao meio 
ambiente natural.Social
A empresa deve satisfazer aos 
requisitos de proporcionar as 
melhores condições de trabalho 
aos seus colaboradores, buscando 
contemplar a diversidade cultural 
existente na sociedade em que 
atua.
Dirigentes devem participar de 
atividades socioculturais de expressão 
da comunidade que vive no entorno da 
unidade produtiva. 
Fonte: DIAS, 2017, p. 45 [Adaptado].
O mais importante na abordagem dessas dimensões é a busca 
pelo equilíbrio dinâmico e permanente que a organização deve ter. 
Alguma intransigência de qualquer uma das associações poderá 
levar ao desequilíbrio e a sua insustentabilidade. 
“Dimensões da sustentabilidade: 
econômica, social e ambiental”
Triple Bottom Line ou Tripé da Sustentabilidade
No âmbito empresarial, as três dimensões da sustentabilidade se 
identificam com o conceito de Triple Bottom Line. Essa expressão 
surgiu na década de 1990 e se tornou de conhecimento público no 
ano de 1997, com a publicação do livro Cannibals With Forks: The 
Triple Bottom Line of 21st Century Business, de John Elkington; desde 
então, várias organizações, como o GRI (Global Reporting Initiative) e 
a AA (AccountAbility), vêm promovendo o conceito de Triple Bottom 
Line e o seu uso em corporações de todo mundo, que refletem um 
conjunto de valores, objetivos e processos que uma organização 
Gestão AmbientAl
096
unidade 3
deve focar para criar valor em três dimensões: econômica, social e 
ambiental (DIAS, 2017). 
o Triple Bottom Line também é conhecido como 3 Ps (People, Planet 
and Profit) (FIGURA 02), referente a Pessoas, Planeta e Lucro; no 
Brasil, chamamos de tripé de sustentabilidade. 
FIGURA 2 - Triple Bottom Line
Fonte: MAREK ULIASZ, 123RF.
Economia Verde
Para Motta (2011, p. 179), o conceito de economia verde significa 
que:
o crescimento econômico pode estar baseado 
em investimentos em capital natural e, portanto, a 
estrutura da economia muda na direção dos setores/
Gestão AmbientAl
097
unidade 3
tecnologias “verdes” ou “limpos” que vão substituindo 
os setores/tecnologias “sujos” ou “marrons”. 
É um modelo que não considera como bens econômicos escassos 
os ecossistemas e não utiliza métodos eficazes para administrar 
determinados recursos naturais, como a água e o solo. 
A economia verde produz baixas emissões de carbono, utiliza os 
recursos de forma eficiente e socialmente inclusiva. A implantação 
de um modelo de economia verde tem como objetivo final melhorar 
a condição de vida dos mais pobres, reduzir a desigualdade social 
e evitar a destruição dos recursos naturais. Para Dias (2017), a 
proposta de economia verde não se contrapõe ao modelo atual, na 
realidade, ultrapassa-o, incorporando variáveis sociais e ambientais. 
Dessa maneira, podemos afirmar que a “economia verde” é uma 
evolução da “economia marrom” a patamares sustentáveis de 
produção e consumo. 
Protocolo Verde
O Protocolo Verde consiste em um documento firmado entre o 
Governo Federal e seus Ministérios e bancos oficiais brasileiros, 
incorporando a variável ambiental na gestão e na concessão de 
crédito oficial e benefícios fiscais, com o objetivo de criar mecanismos 
que evitem a utilização desses créditos e benefícios em atividades e 
empreendimentos que sejam prejudiciais ao meio ambiente. 
Esse protocolo surgiu no ano de 1995, com um grupo de trabalho 
instituído, que já estava previsto na Política Nacional de Meio 
Ambiente (Lei 6.938/81), que dispõe, em seu artigo 12: 
As entidades e órgãos de financiamento e incentivos 
governamentais condicionarão a aprovação de projetos 
habilitados a esses benefícios ao licenciamento, na 
forma desta Lei, e ao cumprimento das normas, dos 
critérios e dos padrões expedidos pelo CONAMA 
(BRASIL, 1981).
Os cinco bancos participantes do grupo divulgaram um documento 
Gestão AmbientAl
098
unidade 3
chamado “Carta de Princípios para o Desenvolvimento Sustentável”, 
firmando compromisso com o desenvolvimento sustentável. O QUADRO 03 apresenta os 
princípios gerais.
QUADRO 03 - Princípios gerais do Desenvolvimento Sustentável
1. A proteção ambiental é um dever de todos que desejam melhorar a qualidade de vida no planeta 
e extrapola qualquer tentativa de enquadramento espaço-temporal.
2. Um setor financeiro dinâmico e versátil é fundamental para o desenvolvimento sustentável.
3. O setor bancário deve privilegiar de forma crescente o financiamento de projetos que não sejam 
agressivos ao meio ambiente ou que apresentem características de sustentabilidade.
4. Os riscos ambientais devem ser considerados nas análises e nas condições de
financiamento.
5. A gestão ambiental requer a adoção de práticas que antecipem e previnam degradações do meio 
ambiente.
6. A participação dos clientes é imprescindível na condução da política ambiental dos bancos.
7. As leis e regulamentações ambientais devem ser aplicadas e exigidas, cabendo aos bancos 
participarem da sua divulgação.
8. A execução da política ambiental nos bancos requer a criação e o treinamento de equipes 
específicas dentro dos seus quadros.
9. A eliminação de desperdícios, a eficiência energética e o uso de materiais reciclados são práticas 
que devem ser estimuladas em todos os níveis operacionais.
10. Os princípios aqui assumidos devem constituir compromisso de todas as instituições 
financeiras.
Fonte: MMA, 1995, on-line.
Assinaram esse documento: Banco do Brasil S.A.; Caixa Econômica 
Federal; Banco do Nordeste do Brasil S. A; Banco da Amazônia S.A; 
Gestão AmbientAl
099
unidade 3
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Em abril de 2009, os bancos privados por meio da Federação 
Brasileira de Bancos (FEBRABAN) assinaram o protocolo de 
intenções com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), aderindo ao 
Protocolo Verde. De acordo com o protocolo, linhas de financiamento 
só seriam liberadas para empresas empenhadas em desenvolver 
políticas socioambientais. Empresas e empreendimentos que 
dependem de financiamento bancário para suas atividades 
econômicas terão, a partir daquela data, que comprovar que estão 
empenhadas em desenvolver políticas socioambientais (MMA, 
2009). 
Os recursos só seriam liberados a pessoas ou a empresas que 
não tivessem dívidas com o IBAMA. Caso contrário, além de não 
receber o empréstimo, elas seriam incluídas no Cadastro de 
Inadimplentes do Banco Central (Cadin), que as impede de fazer 
qualquer transação com instituições financeiras governamentais 
ou de participar de concorrências públicas (MMA, 2009). 
Em junho de 2010, o Banco do Brasil participou do Workshop 
FEBRABAN Protocolo Verde, visando elaborar indicadores de 
desempenho para a implementação do Protocolo Verde. A partir 
da realização do evento, a FEBRABAN, a Fundação Getúlio Vargas 
e os Bancos signatários desse protocolo objetivaram delinear um 
instrumento de avaliação das instituições financeiras, no tocante 
ao cumprimento dos princípios lá estabelecidos (BNDES, 2017, on-
line).
Objetivos do desenvolvimento 
sustentável
No documento final da Rio + 20, decidiu-se elaborar os Objetivos 
do Desenvolvimento Sustentável (ODS), constituídos por um grupo 
de trabalho que, após 3 anos de discussão, aprovou por consenso 
Gestão AmbientAl
100
unidade 3
o documento “Transformando nosso mundo: a Agenda 2030 para 
o desenvolvimento sustentável”. A Agenda 2030 consiste em uma 
declaração, os 17 ODS e as 169 metas. Os 17 objetivos (FIGURA 03) 
são (OBJETIVOS..., 2015):
1. Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos 
os lugares.
2. Acabar com a fome, alcançar a segurança alimentar e a 
melhoria da nutrição e promover a agricultura sustentável.
3. Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para 
todos,em todas as idades.
4. Assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade e 
promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida 
para todos.
5. Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as 
mulheres e meninas.
6. Assegurar a disponibilidade e a gestão sustentável da água 
e do saneamento para todos.
7. Assegurar o acesso confiável, sustentável, moderno e a 
preço acessível à energia para todos.
8. Promover o crescimento econômico sustentado, inclusivo 
e sustentável, o emprego pleno e produtivo e o trabalho 
decente para todos.
9. Construir infraestruturas resilientes, promover a 
industrialização inclusiva e sustentável e fomentar a 
inovação.
10. Reduzir a desigualdade dentro dos países e entre eles.
11. Tornar as cidades e os assentamentos humanos inclusivos, 
seguros, resilientes e sustentáveis.
Gestão AmbientAl
101
unidade 3
12. Assegurar padrões de produção e de consumo sustentáveis.
13. Tomar medidas urgentes para combater a mudança 
climática e seus impactos.
14. Conservação e uso sustentável dos oceanos, dos mares e 
dos recursos marinhos para o desenvolvimento sustentável.
15. Proteger, recuperar e promover o uso sustentável dos 
ecossistemas terrestres, gerir de forma sustentável as 
florestas, combater a desertificação, deter e reverter a 
degradação da terra e deter a perda de biodiversidade.
16. Promover sociedades pacíficas e inclusivas para o 
desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso 
à justiça para todos e construir instituições eficazes, 
responsáveis e inclusivas em todos os níveis.
17. Fortalecer os meios de implementação e revitalizar a 
parceria global para o desenvolvimento sustentável.
FIGURA 3 - ODS
Fonte: ITAMARATY, 2017, on-line.
Gestão AmbientAl
102
unidade 3
Basicamente, tudo o que usamos para viver vem da natureza e, 
mais tarde, voltará para ela. Essa é a nossa Pegada. Veja a nossa 
dica a seguir e teste sua pegada ecológica.
Dicas
Teste sua Pegada Ecológica
Uma teoria (e também um modelo) que busca mensurar o impacto que 
provocamos no planeta é conhecida como “pegada ecológica”, que apresenta 
o quanto de recursos naturais consumimos em nosso dia a dia. É muito 
simples. Basta navegar pelos temas - alimentação, moradia, bens, serviço, 
tabaco e transporte – respondendo às questões. Ao final, você saberá 
quantos planetas seriam necessários para suportar o seu estilo de vida.
Calcule a sua “pegada ecológica” em: <http://www.suapegadaecologica.
com.br/>.
Fonte: TESTE sua pegada ecológica. Pegada Ecológica. Disponível 
em:<http://www.suapegadaecologica.com.br/>. Acesso em: 23 jun. 2017.
QUESTÃO 1 - Um dos objetivos do Desenvolvimento sustentável é, 
até o ano 2030, acabar com as epidemias de AIDS, tuberculose, malária 
e doenças tropicais negligenciadas e combater a hepatite, as doenças 
transmitidas pela água e outras doenças transmissíveis. Esse objetivo 
refere-se à:
a. igualdade de gênero.
b. inovação e infraestrutura.
c. água limpa e saneamento.
d. saúde de qualidade.
e. erradicação da pobreza.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
103
unidade 3
Abordagem da Gestão 
Ambiental Empresarial
Vimos, anteriormente, que o relatório da Comissão Mundial sobre 
Meio Ambiente e Desenvolvimento (ONU, 1987), chamado de “Nosso 
Futuro Comum”, deixa bem clara a importância da preservação 
ambiental para que que consigamos o Desenvolvimento 
Sustentável.
A Câmara de Comércio Internacional, reconhecendo que a proteção 
ambiental se inclui entre as principais prioridades a serem buscadas 
por qualquer tipo de negócio, definiu, em 27 de novembro de 1990, 
uma série de princípios de gestão ambiental.
Princípios da Gestão Ambiental
Para ajudar as empresas ao redor do mundo a melhorar seu 
desempenho ambiental, a Câmara do Comércio Internacional 
estabeleceu o denominado Business Charter for Sustainable 
Development, que inclui uma série de princípios que deverão ser 
buscados pelas organizações. Assim, constituem-se os 16 princípios 
para a Gestão Ambiental, que, sob a ótica das organizações, são 
essenciais para atingir o Desenvolvimento Sustentável (MEYER, 2000).
1. Prioridade Organizacional: buscar estabelecer políticas, 
programas e práticas no desenvolvimento das operações 
voltadas para a questão ambiental.
2. Gestão Integrada: buscar integrar políticas, programas e 
práticas ambientais em todos os negócios como elementos 
indispensáveis de administração em todas as suas funções.
3. Processos de Melhoria: continuar melhorando as políticas 
corporativas, os programas e a performance ambiental, 
tanto no mercado interno quanto externo, levando em 
Gestão AmbientAl
104
unidade 3
conta o desenvolvimento tecnológico, o conhecimento 
científico, as necessidades dos consumidores e os 
anseios da comunidade, como ponto de partida das 
regulamentações ambientais.
4. Educação do Pessoal: educar, treinar e motivar o pessoal, 
no sentido de que possam desempenhar suas tarefas de 
forma responsável com relação ao ambiente.
5. Prioridade de Enfoque: considerar as repercussões 
ambientais antes de iniciar nova atividade ou projeto e 
antes de instalar novos equipamentos e instalações ou de 
abandonar alguma unidade produtiva.
6. Produtos e Serviços: desenvolver e produzir produtos e 
serviços que não sejam agressivos ao ambiente e que 
sejam seguros em sua utilização e consumo, que sejam 
eficientes no consumo de energia e de recursos naturais e 
que possam ser reciclados, reutilizados e armazenados de 
forma segura.
7. Orientação ao Consumidor: orientar e, se necessário, 
educar consumidores, distribuidores e o público em geral 
acerca do correto e seguro uso, transporte, armazenagem e 
descarte dos produtos produzidos.
8. Equipamentos e Operacionalização: desenvolver, desenhar 
e operar máquinas e equipamentos levando em conta o 
eficiente uso da água, da energia e de matérias-primas, o 
uso sustentável dos recursos renováveis, a minimização 
dos impactos negativos ao ambiente, a geração de poluição 
e o uso responsável e seguro dos resíduos existentes.
9. Pesquisa: conduzir ou apoiar projetos de pesquisas que 
estudem os impactos ambientais das matérias-primas, 
dos produtos, dos processos, das emissões e dos resíduos 
associados ao processo produtivo da empresa, visando à 
minimização de seus efeitos.
Gestão AmbientAl
105
unidade 3
10. Enfoque Preventivo: modificar a manufatura e o uso de 
produtos ou serviços e mesmo os processos produtivos, de 
forma consistente com os mais modernos conhecimentos 
técnicos e científicos, no sentido de prevenir as sérias e 
irreversíveis degradações do meio ambiente.
11. Fornecedores e Subcontratados: promover a adoção dos 
princípios ambientais da empresa junto aos subcontratados 
e fornecedores encorajando e assegurando, sempre que 
possível, melhoramentos em suas atividades, de modo 
que elas sejam uma extensão das normas utilizadas pela 
empresa.
12. Planos de Emergência: desenvolver e manter, nas áreas 
de risco potencial, planos de emergência idealizados em 
conjunto entre os setores da empresa envolvidos, os órgãos 
governamentais e a comunidade local, reconhecendo a 
repercussão de eventuais acidentes.
“As empresas e a comunidade local”
13. Transferência de Tecnologia: contribuir para a 
disseminação e transferência das tecnologias e dos 
métodos de gestão que sejam amigáveis ao meio ambiente 
junto aos setores privado e público.
14. Contribuição ao Esforço Comum: contribuir para o 
desenvolvimento de políticas públicas e privadas, de 
programas governamentais e iniciativas educacionais que 
visemà preservação do meio ambiente.
Gestão AmbientAl
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unidade 3
15. Transparência de Atitude: propiciar transparência e diálogo com a comunidade interna 
e externa, antecipando e respondendo a suas preocupações em relação aos riscos 
potenciais e ao impacto de operações, produtos e resíduos.
16. Atendimento e Divulgação: medir a performance ambiental. Conduzir auditorias 
ambientais regulares e averiguar se os padrões da empresa cumprem os valores 
estabelecidos na legislação. Prover periodicamente informações apropriadas para a alta 
administração, acionistas, empregados, autoridades e o público em geral.
Abordagens da Gestão Ambiental
Para Barbieri (2016), existem diferentes abordagens das organizações para lidarem com os 
problemas ambientais relacionados às suas atividades. Dessa maneira, há três diferentes 
abordagens como estratégia empresarial: controle da poluição, prevenção da poluição e 
incorporação dessas questões nas estratégias empresariais. O QUADRO 04 apresenta as 
abordagens e suas características.
QUADRO 04 - Abordagens da gestão ambiental empresarial
CARACTERÍSTICAS CONTROLE DA POLUIÇÃO
PREVENÇÃO DA 
POLUIÇÃO ESTRATÉGICA
Preocupação básica
Cumprimento 
da legislação 
e respostas às 
pressões da 
comunidade.
Uso eficiente dos 
insumos.
Competitividade. 
Postura típica Reativa. Reativa e proativa. Reativa e proativa.
Gestão AmbientAl
107
unidade 3
Ações típicas
- Corretivas.
- Uso de tecnologias 
de remediação e de 
controle no final do 
processo (end-of- 
pipe).
- Aplicação de 
normas de saúde 
e segurança do 
trabalho.
- Corretivas e 
preventivas.
- Conservação e 
substituição de 
insumos.
- Uso de 
tecnologias 
limpas.
- Corretivas, 
preventivas e 
antecipatórias.
- Antecipação 
de problemas 
e captura de 
oportunidades 
de médio e longo 
prazos.
Percepção dos 
empresários e 
administradores
Custo adicional.
- Redução do 
custo.
- Aumento de 
produtividade.
Vantagens 
competitivas.
Envolvimento da 
alta administração
Esporádico. Periódico.
Permanente e 
sistemático.
Áreas envolvidas
Ações ambientais 
confinadas nas 
áreas geradoras de 
poluição.
Crescente 
envolvimento 
de outras áreas 
como produção, 
compras, 
desenvolvimento 
de produto e 
marketing.
- Atividades 
ambientais 
disseminadas pela 
organização.
- Ampliação das 
ações ambientais 
para a cadeia de 
suprimento.
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 86.
Controle da poluição
É a abordagem caracterizada pelas práticas administrativas e 
operacionais que tem o intuito de impedir os efeitos da poluição 
oriunda de um processo produtivo. As ações ambientais resultam 
de uma postura reativa da empresa, centralizando seu foco 
nos efeitos negativos de seus produtos e processos produtivos 
mediante soluções pontuais (BARBIERI, 2016).
Essa abordagem tem por objetivo atender as exigências 
estabelecidas em instrumentos de comando e controle 
aos quais a organização está sujeita e às pressões da 
comunidade (BARBIERI, 2016, p. 85).
Gestão AmbientAl
108
unidade 3
As tecnologias de controle da poluição procuram fazer práticas 
sem alterar significativamente os processos e os produtos que as 
produziram, podendo ser tecnologias de remediação, que consistem 
na resolução de um problema que já ocorreu, ou tecnologias de 
controle no final do processo ou fim de tubo (end-of-pipe), que 
consiste no tratamento e no controle dos resíduos no final do 
processo produtivo. As soluções baseadas no controle da poluição 
são fundamentais, mas não suficientes (VICENTE, 2007).
É importante salientar que nem sempre as soluções end-of-pipe 
eliminam todos os problemas, por exemplo, em uma planta de tratamento de efluentes de uma indústria 
têxtil pelo processo de coagulação/floculação/sedimentação, será gerado lodo resultante do processo, 
e é preciso ter uma destinação final adequada para esse lodo. 
Prevenção da poluição
Para Barbieri (2016), essa é a abordagem a partir da qual a empresa busca atuar sobre os produtos 
e processos produtivos, visando: evitar, reduzir ou modificar a geração de poluição, empreendendo 
ações com vistas a uma produção mais eficiente e, portanto, poupadora de materiais e energia 
em diferentes fases do processo produtivo e da comercialização. 
Com a prevenção da poluição, há um aumento da produtividade empresarial, pois a redução de 
poluentes na fonte significa economizar recursos, matéria-prima e desperdícios. Além disso, 
Gestão AmbientAl
109
unidade 3
melhora as condições de mercado e a imagem da empresa. 
A prevenção da poluição é baseada no uso sustentável dos recursos 
e no controle da poluição. Os instrumentos para o uso sustentável 
dos recursos podem ser sintetizados pelos 4Rs: redução de poluição 
na fonte, reuso, reciclagem e recuperação. O QUADRO 05 apresenta 
os 4R’s.
QUADRO 05 - 4 Rs
RS DESCRIÇÃO
Reduzir diminuir na fonte, reduzir o peso ou volume dos resíduos gerados.
Reuso 
significa usar os resíduos da mesma forma em que foram produzidos no 
próprio estabelecimento que os gerou, como reaproveitar matéria-prima, 
utilizar calor gerado no processo.
Reciclagem 
consiste no tratamento dos resíduos a fim de aproveitá-los na própria 
fonte produtora, como o tratamento da água residuária antes de utilizá-la 
novamente. 
Recuperação
consiste na recuperação de determinados materiais, que ainda estejam em 
mínimas condições para serem trabalhados e posteriormente utilizados.
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 89 [Adaptado].
QUESTÃO 2 - Uma indústria utiliza um filtro de manga como 
tratamento de gases oriundos de suas caldeiras e tem por objetivo efetuar 
a filtração dos gases, proporcionando emissões dentro das tolerâncias 
dos órgãos ambientais. Diante disso, a tecnologia de um filtro de manga 
utilizada nessa indústria trata-se de um(a):
a. controle da poluição.
b. prevenção da poluição.
c. reciclagem interna.
d. reuso.
Gestão AmbientAl
110
unidade 3
e. aumento da produtividade.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Abordagem estratégica
Os problemas ambientais são tratados como uma das questões 
estratégicas da empresa e relacionados com a busca por uma 
situação vantajosa no seu negócio atual ou futuro. O envolvimento 
das organizações com os problemas ambientais adquire 
importância estratégica à medida que aumenta o interesse 
da opinião pública em questões ambientais, bem como dos 
consumidores, investidores e ambientalistas (BARBIERI, 2016). 
Além das práticas de controle e prevenção da poluição, a empresa 
procura aproveitar oportunidades mercadológicas e neutralizar 
ameaças decorrentes de questões ambientais existentes ou que 
poderão ocorrer no futuro. 
Para Barbieri (2016), a gestão ambiental pode trazer inúmeros 
benefícios estratégicos, a saber:
• melhoria da imagem institucional;
• renovação do portfólio de produtos;
• aumento da produtividade;
• maior competitividade dos colaboradores e melhores 
relações de trabalho;
• criatividade e abertura para novos desafios;
Gestão AmbientAl
111
unidade 3
• melhores relações com autoridades públicas, comunidade 
e grupos ambientalistas e ativistas;
• acesso assegurado aos mercados externos;
• maior facilidade para cumprir padrões ambientais.
Exemplos de uma abordagem estratégica são os Pagamentos por 
Serviços Ambientais (PSA). O Conselho Empresarial Brasileiro para 
o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS) lançou o projeto Valoração 
da Biodiversidade e dos Serviços Ecossistêmicos, que tem o objetivo 
de auxiliar as empresas a incorporarem esses temas em sua gestão 
estratégica. Como parte do projeto do CEBDS, foram abertas 
oficinas de capacitaçãopara orientar os executivos a estimarem 
e preverem a oferta de serviços ambientais, além de avaliarem a 
correspondência com valores econômicos (CEBDS, 2014).
A abordagem estratégica ambiental baseia-se em estudos 
prospectivos acerca dos fatores externos que condicionam a 
competitividade da organização, com o objetivo de aproveitar 
oportunidades e neutralizar ameaças externas que poderão ocorrer 
no futuro. A identificação de ameaças e de oportunidades pode 
ser realizada mediante avaliações das demandas da sociedade, 
previsões tecnológicas, projetos de leis, normas nacionais ou 
internacionais (VICENTE, 2007).
QUESTÃO 3 - Na abordagem estratégica, os problemas ambientais 
são tratados como uma das questões estratégicas da empresa e 
“Conheça o Greenwashing”
Gestão AmbientAl
112
unidade 3
relacionados com a busca por uma situação vantajosa no seu negócio 
atual ou futuro. Acerca dos benefícios estratégicos, assinale V, para 
alternativas verdadeiras, e F, para falsas.
( ) Melhoria da imagem da organização.
( ) Renovação dos produtos.
( ) Conquista de mercados externos.
( ) Crescimento da produtividade.
Assinale a sequência CORRETA.
a. F, F, F, F. 
b. F, V, V, F. 
c. V, V, V, V.
d. V, F, F, F.
e. V, V, V, F.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Uma organização que se antecipa nas novas tendências ambientais 
por meio de ações legítimas e verdadeiras acaba criando um 
importante diferencial estratégico. É válido salientar que existem 
empresas que se utilizam do prestígio que as questões ambientais 
adquiriram perante a sociedade para se beneficiarem, sem 
contribuir efetivamente para a redução dos problemas ambientais. 
Confira mais sobre isso no podcast a seguir. 
QUESTÃO 4 - Uma empresa que deseja implantar um programa 
de prevenção da poluição precisa ter comprometimento com as 
etapas do processo. Esse comportamento será alcançado por meio 
da otimização, do uso e da recuperação dos recursos disponíveis, 
da substituição de matérias-primas e mudanças nos processos 
produtivos, da aquisição de tecnologias limpas, da melhoria e da 
manutenção dos equipamentos e, também, da implantação de 
Gestão AmbientAl
113
unidade 3
um programa de conscientização de todos os funcionários. Nesse 
contexto, acerca da ordem que um programa de prevenção da 
poluição deve ter, NUMERE a segunda coluna de acordo com a 
primeira, associando os conceitos.
ORDEM DE UM PROGRAMA 
DE PREVENÇÃO DE 
POLUIÇÃO
PRIORIDADES
1ª etapa ( ) Recuperação energética. 
2ª etapa ( ) Redução na fonte. 
3ª etapa ( ) Disposição final. 
4ª etapa ( ) Tratamento. 
5ª etapa ( ) Reuso e reciclagem. 
Assinale a sequência CORRETA.
a. 3, 1, 5, 4, 2.
b. 1, 2, 3, 4, 5.
c. 5, 4, 3, 2, 1.
d. 2, 4, 5, 3, 1.
e. 4, 2, 1, 5, 3.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Modelos de Gestão Ambiental
A adoção de um modelo de gestão ambiental faz com que haja coerência na realização de 
atividades desenvolvidas por diferentes pessoas, em diversos momentos e locais e sob diferentes 
modos de ver as mesmas questões. Esses modelos serão apresentados a seguir:
Gestão AmbientAl
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unidade 3
Administração 
da Qualidade Total (TQM)
Criada em 1990 por 21 empresas multinacionais, a ONG Global Environmental Management 
Initiative (Gemi) criou o conceito de Total Quality Environmental Management (TQEM), que é uma 
extensão dos conceitos da Administração da Qualidade Total (TQM). Enquanto a Administração 
da Qualidade Total (TQM) tem como meta o defeito zero, a Administração da Qualidade Ambiental 
Total tem como meta a poluição zero. Para alcançar seus objetivos ambientais, a TQEM utiliza 
ferramentas típicas da qualidade, como diagrama de causa e efeito, benchmarking, diagramas de 
fluxos de processos, gráfico de Pareto e ciclo PDCA (BARBIERI, 2016).
QUADRO 05 - Ferramentas da qualidade 
FErramEnta DEscrição
Ciclo PDCA
Do inglês, plan, do, check, act, propõe a análise dos processos com vistas a 
sua melhoria.
Diagrama de 
causa e efeito
Sua representação é comparada a uma espinha de peixe, em que, na coluna 
do meio, sinalizada por uma seta, é representado o efeito ou a consequência 
e, na parte lateral, acima e abaixo da seta, estão as causas que interferem no 
processo.
Gráfico de 
Pareto
Pode ser utilizado, para classificar causas que atuam em um processo com 
maior ou menor intensidade, ou, ainda, com diferentes níveis de importância. 
Lista de 
verificação 
(checklist)
É um método pelo qual se faz a constatação de quantas vezes algo ocorre 
e mostra a frequência de sua ocorrência. Também, é conhecida como folha 
de checagem. É uma das ferramentas mais simples e mais eficientes para 
analisar o desenvolvimento de atividades ao longo de um processo.
Gráficos de 
controle
Buscam trabalhar com as variações de um processo e estão restritos a 
áreas determinadas do processo. Como regra geral, os gráficos de controle 
são instrumentos para separar causas aleatórias das causas assinaláveis, 
verificam se o processo é estável, se o processo está sob controle e se 
permanecem assim e, ainda, permitem a análise das tendências do processo.
Fonte: CARVALHO; PALADINI, 2012, p. 358 [Adaptado].
Os custos de prevenção estão associados a ações para evitar 
Gestão AmbientAl
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unidade 3
problemas ambientais futuros, os custos de avaliação consistem 
nas ações para verificar como a organização está em relação aos 
cumprimentos das normas legais. Os custos de falhas internas 
estão relacionados às ações para controle de impactos ambientais, 
enquanto os custos de falhas externas relacionam-se às ações para 
controlar, reparar e mitigar impactos produzidos fora da empresa.
Produção mais limpa (P + L)
A produção mais limpa (P+L) significa a aplicação contínua de 
uma estratégia econômica, ambiental e tecnológica, integrada 
aos processos e aos produtos, a fim de aumentar a eficiência no 
uso de matérias-primas, água e energia, por meio da não geração, 
FIGURA 4 - Produção Mais Limpa - Níveis de intervenção
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 101 [Adaptada].
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unidade 3
minimização ou reciclagem de resíduos gerados em um processo 
produtivo (DIAS, 2017).
Na P+L, a prioridade está à esquerda do fluxograma (FIGURA 02), 
referente à busca por evitar a geração de resíduos e emissões 
(nível 1). Os resíduos que não podem ser evitados devem, 
preferencialmente, ser reintegrados ao processo de produção (nível 
2). Na impossibilidade, medidas de reciclagem fora da empresa 
podem ser utilizadas (nível 3).
As modificações em produtos se realizam pela revisão das suas 
especificações para reduzir a geração de resíduos durante o uso e 
descarte, para melhorar sua manufaturabilidade, a fim de reduzir 
a geração de resíduos no processo produtivo. Segundo Barbieri 
(2016), as mudanças nos processos têm por objetivo reduzirem 
todo tipo de perda nas fases de produção, por meio de:
• housekeeping (boas práticas operacionais): que consiste 
em procedimentos administrativos e operacionais usuais, 
como planejamento e programação da produção, gestão 
de estoques, organização do local de trabalho, limpeza, 
manutenção de equipamentos, separação e coleta de 
resíduos, treinamentos e outros. 
• substituição de materiais: busca avaliar a seleção de 
materiais para reduzir ou eliminar materiais perigosos nos 
processos produtivos ou na geração de resíduos perigosos, 
por exemplo, substituir um solvente químico por um à base 
de água. 
• mudanças na tecnologia: buscam as inovações nos 
processos produtivos, para reduzirem emissões e perdas, 
podendo ser inovações incrementais, como mudançasnas 
especificações do processo ou no layout, ou radicais, como 
novos equipamentos, instalações e outros. 
Ecoeficiência
Gestão AmbientAl
117
unidade 3
Nas últimas décadas, comenta-se muito acerca da ecoeficiência 
e há um incentivo para as organizações implementarem-na em 
seus processos produtivos, por meio do gerenciando sustentável 
desses processos. De acordo com o CEDSB, o termo ecoeficiência 
foi introduzido por meio da publicação do livro Changing Course, 
em 1992 (World Business Council for Sustainable Development 
- WBCSD), sendo endossado pela Conferência Rio-92. Esse 
conceito foi definido por gestores ligados ao mundo dos negócios 
e se disseminou rapidamente no mundo, principalmente junto a 
executivos (BARBIERI, 2016).
A ecoeficiência busca o uso mais eficiente de matérias-primas 
e energia, com o intuito de reduzir os custos econômicos e os 
impactos ambientais, minimizando, ainda, os riscos de acidente e 
melhorando a relação da organização com as partes interessadas 
(VICENTE, 2007).
Dessa maneira, uma empresa torna-se ecoeficiente quando 
(BARBIERI, 2016):
• reduz o consumo de materiais com bens e serviços.
• reduz o consumo de energia com bens e serviços.
• reduz a dispersão de substâncias tóxicas.
• intensifica a reciclagem de materiais.
• maximiza o uso sustentável dos recursos naturais.
Gestão AmbientAl
118
unidade 3
• prolonga a durabilidade dos produtos.
• agrega valor aos bens e serviços.
A ecoeficiência é baseada na ideia de que a redução de materiais e energia ao longo do sistema 
produtivo aumenta a competitividade da empresa ao mesmo tempo que reduz as pressões sobre 
o meio ambiente.
A ecoeficiência está relacionada a três importantes objetivos:
1. redução do consumo de recursos;
2. redução no impacto na natureza;
3. aumento de produtividade ou do valor do produto.
Os indicadores de ecoeficiência estão sendo introduzidos aos 
poucos pelas organizações, na medida em que as grandes 
empresas estão se sensibilizando a respeito de um comportamento 
ecoeficiente reduzir impactos ambientais e aumentar a rentabilidade 
de suas empresas.
Os princípios para a definição e a utilização dos indicadores de 
ecoeficiência estão apresentados no QUADRO 07.
QUADRO 07 - Princípios do WBSCD para a Definição e a Utilização 
de Indicadores de Ecoeficiência
1. Serem relevantes e significativos na proteção do meio ambiente e da saúde humana e/ou na 
melhoria da qualidade de vida.
2. Fornecerem informação aos tomadores de decisão, com o objetivo de melhorar o desempenho 
da organização.
3. Reconhecerem a diversidade inerente a cada negócio.
4. Apoiarem o benchmarking e monitorarem a evolução do desempenho.
5. Serem claramente definidos, mensuráveis, transparentes e verificáveis.
6. Serem compreensíveis e significativos para as várias partes interessadas.
7. Basearem-se em uma avaliação geral da atividade da empresa, dos produtos e dos serviços, 
concentrando-se, principalmente, nas áreas controladas diretamente pela gestão.
8. Levarem em consideração questões relevantes e significativas, relacionadas com as atividades 
da empresa, a montante (ex.: fornecedores) e a jusante (ex.: utilização do produto).
Fonte: WBSCD, 1999, on-line [Adaptado].
Gestão AmbientAl
119
unidade 3
A P+L e a Ecoeficiência são modelos de gestão que têm muitas 
semelhanças entre si. No entanto a reciclagem interna e externa é 
muito valorizada pela ecoeficiência, diferentemente da P+L, na qual 
essa reciclagem é uma opção de segundo e terceiro níveis.
Projeto para o Meio Ambiente
Consiste em um modelo de gestão focado na fase de concepção 
dos produtos e em seus respectivos processos de produção, 
distribuição e utilização, também denominado ecodesign, que busca 
integrar um conjunto de atividades e disciplinas que, historicamente, 
sempre foi tratado separadamente, tanto em termos operacionais 
quanto estratégicos, como saúde e segurança dos trabalhadores e 
consumidores, conservação de recursos, prevenção de acidentes e 
gestão de resíduos.
Barbieri (2016) explica que o ecodesign se baseia em inovações de 
produtos e processos que reduzam a poluição em todas as fases 
do ciclo de vida e exige a participação de todos os segmentos da 
empresa, bem como de fornecedores e outros membros do canal de 
distribuição, podendo, por isso, ser considerado um modelo de gestão, 
pois não se trata da realização de atividades isoladas nem episódicas.
Moura (2008) menciona o programa 3P (Polution Prevention 
Pays: prevenir a poluição dá lucro), criado pela 3M, que obteve 
Gestão AmbientAl
120
unidade 3
significativas economias com a reutilização de materiais que seriam descartados como resíduo.
Para organizar as atividades diante de várias possibilidades de atuação em projeto, temos quatro 
estratégias (BARBIERI, 2016):
• Projeto para desmaterialização: busca a redução da quantidade necessária de materiais para 
um produto, assim como a energia correspondente, considerando seu ciclo de vida.
• Projeto para desintoxicação: busca reduzir ou eliminar a toxicidade, a periculosidade ou 
outras características prejudiciais ao produto.
• Projeto para revalorização: busca recuperar, reciclar e reutilizar resíduos materiais e 
energia gerados em cada fase do ciclo de vida do produto.
• Projeto para a renovação e a proteção do capital: busca garantir a segurança, a vitalidade, a 
integridade, a produtividade e a continuidade de recursos naturais, humanos e econômicos 
para manter o ciclo de vida do produto.
O QUADRO 08 apresenta um resumo dos modelos de gestão ambiental.
QUADRO 08 - Resumo de alguns dos modelos de Gestão Ambiental
MODELO CARACTERÍSTICAS BÁSICAS
PONTOS 
FORTES
PONTOS 
FRACOS
ALGUMAS 
ENTIDADES 
PROMOTORAS
Gestão Da 
Qualidade 
Ambiental 
Total (TQEM)
Extensão dos 
princípios e das 
práticas da gestão 
da qualidade 
total às questões 
ambientais.
Mobilização 
da 
organização, 
seus clientes e 
parceiros para 
as questões 
ambientais.
Depende de um 
esforço contínuo 
para manter 
a motivação 
inicial.
The Global 
Environmental 
Management 
Initiative 
(Gemi).
Produção 
Mais Limpa 
(Cleaner 
Production)
Estratégia 
ambiental aplicada 
de acordo com 
uma sequência 
de prioridade 
cuja primeira 
é a redução 
de resíduos e 
emissões na fonte.
Atenção 
concentrada 
sobre a 
eficiência 
operacional, a 
substituição 
de materiais 
perigosos e a 
minimização 
de resíduos.
Depende do 
desenvolvimento 
tecnológico e de 
investimentos 
para a 
continuidade 
do programa no 
longo prazo.
PNUD
Onudi
CNTL/Senai-
RS
Gestão AmbientAl
121
unidade 3
Ecoeficiência 
(Eco-
Efficiency)
Eficiência com 
que os recursos 
ecológicos são 
usados para 
atender às 
necessidades 
humanas.
Ênfase na 
redução da 
intensidade 
de materiais 
e energia 
em produtos 
e serviços, 
no uso de 
recursos 
renováveis 
e no 
alongamento 
da vida útil 
dos produtos.
Depende do 
desenvolvimento 
tecnológico, 
de políticas 
públicas 
apropriadas e 
de contingentes 
significativos de 
consumidores 
ambientalmente 
responsáveis.
Organisation 
for Co-
operation and 
Development 
(OCDE).
World usines 
Council for 
Sustainable 
Development 
(WBCSD).
“Análise do ciclo de vida”
Projeto 
Para o Meio 
Ambiente 
(Design For 
Environment)
Projetar produtos 
e processos 
considerando os 
impactos sobre o 
meio ambiente.
Inclusão das 
preocupações 
ambientais 
desde a 
concepção 
do produto ou 
processo.
Os produtos 
concorrem com 
outros similares 
que podem ser 
mais atrativos 
em termos de 
preço, condições 
de pagamentoe outras 
considerações 
não ambientais.
American 
Electronic 
Association.
USEPA 
(Agência 
Ambiental 
do Governo 
Federal Norte-
americano).
Fonte: BARBIERI, 2016, p. 115.
Esses modelos ou as variações deles permitem sua implementação 
separada, isto é, a organização pode adotar um desses modelos de 
acordo com seu próprio empenho. 
2 Instrumentos de Gestão
Gestão AmbientAl
122
unidade 3
A aceitação de qualquer modelo de gestão propõe o uso de 
instrumentos, entendidos, aqui, como meios ou ferramentas para 
alcançar objetivos em uma matéria ambiental. 
Auditoria ambiental, avaliação do ciclo de vida, 
estudos de impactos ambientais, sistemas de gestão 
ambiental, relatórios ambientais, rotulagem ambiental, 
gerenciamento de riscos ambientais, educação 
ambiental empresarial são alguns entre muitos 
instrumentos de que as empresas podem se valer 
para alcançar objetivos ambientais. Muitos também 
são instrumentos de política pública, como, em certos 
casos, o estudo de impactos ambientais e a auditoria 
ambiental. Alguns são de caráter horizontal, isto é, são 
instrumentos que podem ser aplicados em qualquer 
empresa independente de seu porte e setor de atuação, 
como os sistemas de gestão ambiental. Existem 
ainda aqueles que se aplicam diretamente aos produtos, como a rotulagem ambiental 
e a avaliação do ciclo de vida. A lista de instrumentos de gestão ambiental pode ser 
ampliada com a inclusão dos instrumentos convencionais utilizados nas empresas para 
fins de qualidade e produtividade, tais como análise de valor, listas de verificação, cartas 
de controle, diagrama de relações, diagrama de causa e efeito, ciclo PDCA, entre outros 
(BARBIERI, 2016, p. 116).
Para Barbieri (2016), à medida que a empresa caminha no sentido da abordagem de controle da 
poluição para a abordagem estratégica, maior será a variedade de instrumentos que ela deverá 
utilizar para a consecução dos objetivos que se propôs a alcançar. 
Podemos observar as etapas do Ciclo do PDCA no mapa conceitual a seguir.
Mapa Conceitual
Figura 5 - Ciclo PDCA
Gestão AmbientAl
123
unidade 3
Fonte: elaborado pela autora.
QUESTÃO 5 - O ciclo PDCA é uma ferramenta de qualidade que facilita 
a tomada de decisões, visando garantir o alcance das metas necessárias 
à sobrevivência dos estabelecimentos. Acerca do ciclo PDCA, numere a 
segunda coluna de acordo com a primeira.
Gestão AmbientAl
124
unidade 3
1. Planejar (Plan)
2. Fazer (Do)
3. Checar (Check)
4. Atuar (Act)
 
( ) Refere-se à implementação de 
processos.
( ) Refere-se ao monitoramento dos 
processos com relação à política 
estabelecida anteriormente. 
( ) Refere-se à formulação da política, ao 
estabelecimento de objetivos e metas a 
serem traçados.
( ) Refere-se à correção de erros ou 
falhas.
Assinale a sequência CORRETA.
a. 2, 3, 1, 4.
b. 1, 2, 3, 4.
c. 3, 2, 1, 4.
d. 2, 4, 3, 1.
e. 4, 3, 2, 1.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
125
unidade 3
QUESTÃO 1 - d) O objetivo da saúde de qualidade refere-se a uma vida 
saudável e à promoção do bem-estar a todos, em todas as idades.
QUESTÃO 2 - a) Refere-se a uma tecnologia de fim de tubo, utilizada 
no controle de emissões atmosféricas.
QUESTÃO 3 - c) Os benefícios estratégicos no envolvimento da 
empresa com problemas ambientais aumentam na medida em que 
cresce o interesse da opinião pública nas questões ambientais, a partir 
do momento que a população se manifesta com as questões ambientais; 
consumidores, investidores e ambientalistas são a melhoria da imagem da 
organização, a renovação dos produtos, a conquista de mercados externos, 
o crescimento da produtividade.
QUESTÃO 4 - e) A ordem das prioridades em um programa de 
prevenção da poluição será: redução na fonte, consiste na diminuição do 
volume de resíduos gerados; reúso e reciclagem, consiste em reutilizar e 
reciclar dentro da própria fonte; recuperação energética, como nem todo 
resíduo pode ser reutilizado, ele poderá ser utilizado como fonte de geração 
de calor, caso seja possível; tratamento, uma forma correta de tratamento 
de resíduos é importante antes da destinação final. 
QUESTÃO 5 - a) O planejamento (plan) refere-se ao estabelecimento 
da política; fazer (do) refere-se à implementação; checar (check) refere-se à 
verificação, ao monitoramento; atuar (act) refere-se à correção de erros ou 
falhas, à melhoria contínua.
Atividades 
de fixação - 
Respostas
“Conclusão da Unidade”
UNIDADE 
Sistema de Gestão 
Ambiental
•	 Família ISO 
14000
•	 Requisitos 
do Sistema 
de Gestão 
Ambiental
•	 Certificação 
e auditoria de 
um sistema 
de Gestão 
Ambiental
•	 Atividades 
de fixação - 
Respostas 
Gestão AmbientAl
128
unidade 4
Família ISO 14000
A iSo (International Organization for Standardization) é uma 
instituição formada por órgãos de nacionalização, criada no ano de 
1947, com objetivo de desenvolver a normalização e as atividades 
relacionadas para facilitar as trocas de bens e serviços no mercado 
internacional e a cooperação entre países nas esferas científica, 
tecnológica e produtiva. Sua missão consiste na promoção do 
desenvolvimento da normalização e de atividades relacionadas em 
todo o mundo, como elemento facilitador das trocas comerciais de 
bens e serviços, dentro dos princípios da Organização Mundial do 
Comércio (DIAS, 2011).
Para Barbieri (2016), a elaboração da norma BS 7750 estimulou 
a produção de outras normas a respeito do Sistema de Gestão 
Ambiental (SGA) por órgãos de normalização de outros países. 
Antecipando os problemas decorrentes da proliferação de normas 
acerca do SGA e que poderiam funcionar como obstáculos ao 
comércio internacional, a ISO criou, em 1991, um grupo de assessoria 
chamado Strategic Advisory Group on the Environment (Sage), para 
estudar os impactos dessas normas no comércio internacional. No 
final do ano de 1992, o Sage recomendou a criação de um comitê 
específico para elaboração de normas de gestão ambiental. As 
normas de gestão ambiental começaram a ser elaboradas em 1993 
pelo Comitê Técnico 207 (TC 207), seus subcomitês (SC) e grupos 
de trabalho (WG). Cada subcomitê é independente e administrado 
por uma entidade nacional de normalização, membro da ISO.
O desenvolvimento de uma norma internacional pela ISO é feito 
mediante estágios sucessivos, começando por um item de trabalho 
preliminar e terminando com a sua publicação.
Dentro da ISO, as normas são desenvolvidas em comitês 
constituídos por organismos de normatizações, interessados 
por especialistas, representantes governamentais e academia. 
Gestão AmbientAl
129
unidade 4
Os mais conhecidos são: o TC 176, que trabalha com a gestão e 
a garantia da qualidade, responsável pelo desenvolvimento e pela 
atualização das normas da série ISO 9000 - Sistemas de Gestão de 
Qualidade (SGQ); o TC 207, que trabalha com a gestão ambiental e 
é responsável pela série ISO 14000 - Sistemas de Gestão Ambiental 
(SGA) (CARVALHO; PALADINI, 2012).
As normas ISO 14000
As normas ISO 14000 são uma família de normas que procuram 
estabelecer ferramentas e sistemas para administração ambiental 
de uma organização. Procuram a padronização de algumas 
ferramentas-chave de análise, tais como a auditoria ambiental e a 
análise do ciclo de vida (ABNT, 2017, on-line). O Quadro 01 apresenta 
as normas da família ISO 14000.
QUADRO 01 - Família ISO 14000
NORMA DESCRIÇÃO
ISO 14001 Sistema de Gestão Ambiental (SGA)
ISO 14004 Sistema de Gestão Ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14010 Guias para Auditoria Ambiental - Diretrizes Gerais
ISO 14011 Diretrizes para Auditoria Ambiental e Procedimentospara Auditorias
ISO 14012 Diretrizes para Auditoria Ambiental - Critérios de Qualificação
ISO 14020 Rotulagem Ambiental - Princípios Básicos
ISO 14021 Rotulagem Ambiental - Termos e Definições
ISO 14022 Rotulagem Ambiental - Simbologia para Rótulos
Gestão AmbientAl
130
unidade 4
ISO 14023 Rotulagem Ambiental - Testes e Metodologias de Verificação
ISO 14024
Rotulagem Ambiental - Guia para Certificação com Base em Análise 
Multicriterial
ISO 14031 Avaliação da Performance Ambiental
ISO 14032 Avaliação da Performance Ambiental dos Sistemas de Operações
ISO 14040 Análise do Ciclo de Vida - Princípios Gerais
ISO 14041 Análise do Ciclo de Vida - Inventário
ISO 14042 Análise do Ciclo de Vida - Análise dos Impactos
ISO 14043 Análise do Ciclo de Vida - Migração dos Impactos
Fonte: ABNT, 2017, on-line.
A família de normas ambientais tem como eixo central a ISO 14001, 
que estabelece os requisitos necessários para implementação 
do Sistema de Gestão Ambiental (SGA), que tem como objetivo 
conduzir a organização dentro de um SGA certificável, estruturado 
e integrado à atividade geral de gestão, especificando os requisitos 
que deve apresentar e que sejam aplicáveis a qualquer tipo e 
tamanho de organização (SEIFFERT, 2011).
Para Barbieri (2016), de forma resumida, o SGA proposto deve 
cumprir estes requisitos:
a. Política Ambiental;
b. Planejamento;
c. Implementação e Operação;
d. Verificação e Ação Corretiva.
Gestão AmbientAl
131
unidade 4
No que diz respeito à Política Ambiental, é preciso que a alta 
administração defina sua política ambiental e assegure que ela 
(ABNT, 2015):
a. seja apropriada à natureza, à escala e aos impactos 
ambientais de suas atividades, produtos ou serviços;
b. inclua o comprometimento com a melhoria contínua e com 
a prevenção da poluição;
c. inclua o comprometimento com o atendimento à legislação, 
às normas ambientais aplicáveis e aos demais requisitos 
da organização;
d. forneça estrutura para o estabelecimento e a revisão dos 
objetivos e das metas ambientais;
e. seja documentada, implementada, mantida e comunicada 
a todos os colaboradores; 
f. esteja disponível para o público.
Em relação ao planejamento, de acordo com Barbieri (2016), a 
organização deve:
a. estabelecer e manter procedimentos para identificar os 
aspectos ambientais das atividades, dos produtos ou 
dos serviços que tenham impactos significativos no meio 
ambiente;
b. identificar e ter acesso à legislação e a outros requisitos 
aplicáveis aos aspectos ambientais das atividades, dos 
produtos ou dos serviços;
c. estabelecer e manter objetivos e metas ambientais 
documentados;
d. manter um programa de gestão ambiental para atingir os 
objetivos e as metas.
Gestão AmbientAl
132
unidade 4
Na implementação e na operação, a organização deve apresentar 
(BARBIERI, 2016):
a. estrutura e responsabilidade: as funções, as 
responsabilidades e as autoridades devem ser definidas, 
documentadas e comunicadas, a fim de facilitar a gestão 
ambiental;
b. treinamento, conscientização e competência: a organização 
deve identificar as necessidades de treinamento.
c. comunicação: deve estabelecer e manter procedimentos 
para comunicação interna dentro da organização, para o 
recebimento, a documentação e a resposta a comunicações 
pertinentes das partes interessadas externas;
d. documentação do SGA: a organização deve ter informações 
(papel ou meio eletrônico) para descrever os principais 
elementos do sistema de gestão ambiental e sua interação;
e. controle operacional: a organização deve identificar 
aquelas operações e atividades associadas aos aspectos 
ambientais significativos identificados de acordo com a 
política, os objetivos e as metas.
f. preparação e atendimento a emergências: a organização 
precisa estabelecer e manter procedimentos para 
identificar o potencial e atender a acidentes e a situações de 
emergência, bem como para prevenir e mitigar os impactos 
ambientais que possam estar associados a eles.
No que diz respeito à verificação e à ação corretiva, a organização 
deve abordar os pontos a seguir:
g. monitoramento e medição: estabelecer procedimentos 
documentados para medir e monitorar, periodicamente, as 
características principais de suas operações e as atividades 
que possam causar impactos ambientais negativos;
Gestão AmbientAl
133
unidade 4
h. não conformidade e ações corretivas e preventivas: a 
organização deve estabelecer e manter procedimentos 
para definir a responsabilidade e a autoridade para tratar 
e investigar não conformidades, ações corretivas e ações 
preventivas;
i. registros: a organização deve estabelecer e manter 
procedimentos para identificar, fazer a manutenção e o 
descarte de registros.
j. auditoria do SGA: a organização deve estabelecer e manter 
programa(s) e procedimento(s) para auditorias periódicas 
do SGA.
De acordo com Barbieri (2016), no que se refere à revisão pela 
gerência, a alta administração da organização, em intervalos 
de tempos, deve fazer uma análise crítica do sistema de gestão 
ambiental. Essa análise deve considerar eventuais mudanças na 
política ambiental, objetivos etc., em comprometimento com a 
melhoria contínua. 
ISO 14001
A ISO 14001 pode ser implementada e aplicada por qualquer tipo 
de organização de todos os portes e segmentos. É uma norma 
aplicável para empresas que desejam (ROBLES JR, 2003, p. 136):
• Implantar, manter e aprimorar um sistema de gestão 
ambiental.
• Assegurar-se do atendimento a sua política ambiental.
• Demonstrar tal conformidade a terceiros.
• Buscar certificação/registro de seu SGA por uma 
organização externa.
• Realizar auto-avaliação e emitir declaração de conformidade 
à norma.
Gestão AmbientAl
134
unidade 4
A primeira edição da ISO 14001 foi no ano de 1996 - ISO 14001:1996 
-, e a segunda edição em 2004, a qual procurou esclarecer a edição 
de 1996 e alinhá-la melhor com a norma ISO 9001:2000; para isso, 
algumas seções não modificadas em seu conteúdo foram reescritas 
para alinhar a ISO 14001:2004 com o formato, os termos e a 
diagramação da ISO 9001:2000 e para aumentar a compatibilidade 
entre as duas normas (SEIFFERT, 2011)
ISO 14001:2015
Depois de 11 anos da publicação da última revisão, no segundo 
semestre de 2015, ocorreu o lançamento oficial da ISO 14001:2015, 
que estabelece a norma para implantação do Sistema de Gestão 
Ambiental (SGA). 
Essa versão teve várias modificações; essas alterações ocorreram 
para adaptar a norma à estrutura imposta pelo Anexo SL, que tem 
por objetivo criar uma estrutura padrão para todas as normas que 
orientam a implantação e a certificação dos sistemas de gestão.
“Anexo SL”
Dessa maneira, as organizações que têm a certificação ISO 14001 
devem se planejar, para a transição e o atendimento dos requisitos, 
com base na nova versão da norma publicada em outubro de 
2015. O período de transição daquelas empresas que têm o SGA 
certificado com base na versão de 2004 é de três anos, ou seja, as 
empresas têm até o ano de 2018 para fazerem as adequações.
Assim, a nova estrutura da ISO 14001 é (ABNT, 2015):
• Introdução;
Gestão AmbientAl
135
unidade 4
• Escopo;
• Referência normativa;
• Termos e definições;
• Contexto da organização;
• Liderança;
• Planejamento;
• Apoio;
• Operação;
• Avaliação de desempenho;
• melhoria.
A dica a seguir apresenta as principais mudanças da versão de 
2004 para a de 2015. 
Dicas
mudando da iSo 14001:2004 para a iSo 14001:2015
A nova versão da ISO 14001 é bem mais detalhada do que a versão 
2004, fornece maior clareza; com essa novaversão, você poderá torná-
la mais relevante para as exigências da sua própria organização. Uma 
das principais mudanças é que a nova versão proporciona a gestão 
ambiental contínua para o centro de uma organização. Acesse o link a 
seguir e analise o que mudou: <https://www.bsigroup.com/LocalFiles/pt-
BR/Whitepapers/BR-PTBR-iso14001-WP-TransitionGuide14k-PDF.pdf>. 
Acesso em: 02 jul. 2017.
A estrutura de alto nível das cláusulas do SGA ISO 14001:2015 
segue as diretrizes que estabelecem um padrão para sequência 
de cláusulas, terminologia e texto. Assim, as cláusulas da ISO 
14001:2015 são as mesmas da ISO 9001:2015, que é a norma que 
aborda o Sistema de Gestão de Qualidade (SGQ).
Gestão AmbientAl
136
unidade 4
A base para a abordagem que sustenta um sistema de gestão 
ambiental é fundamentada no conceito Plan-Do-Check-Act 
(PDCA). O ciclo PDCA fornece um processo iterativo utilizado pelas 
organizações para alcançar a melhoria contínua. Esse ciclo pode 
ser aplicado a um sistema de gestão ambiental e a cada um dos 
seus elementos individuais (ABNT, 2015).
A Figura 01 mostra como a estrutura apresentada na Norma ISO 
14001:2015 poderia ser integrada ao ciclo PDCA, o qual pode ajudar 
usuários novos ou existentes a entenderem a importância de uma 
abordagem de sistemas.
FIGURA 1 - Modelo do Sistema de Gestão Ambiental
Fonte : CARPINETTI; GEROLAMO, 2016, p. 159.
Gestão AmbientAl
137
unidade 4
A Estrutura de Alto Nível distribui as cláusulas em 10 seções (ou 
seja, em 10 itens), alinhadas com a abordagem PDCA (Figura 01), 
de modo a dar uma sequência lógica aos requisitos dos sistemas 
de gestão, e propõe texto comum para requisitos muito estáveis 
dos sistemas de gestão, tais como a informação documentada, 
as ações corretivas, as auditorias internas, a revisão pela gestão, 
dentre outros.
Assim, a nova versão da ISO 14001 tem a estrutura apresentada no 
Quadro 02 (ABNT, 2015).
QUADRO 02 - Estrutura da Norma ISO 14001:2015
0. Introdução
1. Escopo
2. Referências normativas
3. Termos e definições
Gestão AmbientAl
138
unidade 4
P
L
A
N
E
J
A
R
4. Contexto da organização:
4.1 Entendendo a organização e seu contexto
4.2 Entendendo as necessidades e as expectativas de partes interessadas
4.3 Determinando o escopo do sistema de gestão ambiental (SGA)
4.4 Sistema de Gestão Ambiental
5. Liderança:
5.1 Liderança e comprometimento
5.2 Política ambiental
5.3 Papéis, responsabilidades e autoridades organizacionais
6. Planejamento:
6.1 Ações para abordar riscos e oportunidades
6.1.1 Generalidades
6.1.2 Aspectos ambientais
6.1.3 Requisitos legais e outros requisitos
6.1.4 Planejamento das ações
6.2 Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los
6.2.1 Objetivos ambientais
6.2.2 Planejamento de ações para alcançar os objetivos ambientais
7. Apoio
7.1 Recursos
7.2 Competência
7.3 Conscientização
7.4 Comunicação
7.4.1 Generalidades
7.4.2 Comunicação interna
7.4.3 Comunicação externa
7.5 Informação documentada
7.5.1 Generalidades
7.5.2 Criando e atualizando
7.5.3 Controle de informação documentada
Gestão AmbientAl
139
unidade 4
EXECUTAR
8. Operação
8.1 Planejamento e controle operacionais
8.2 Preparação e resposta a emergências
AVALIAR
9. Avaliação de desempenho
9.1 Monitoramento, medição, análise e avaliação
9.1.1 Generalidades
9.1.2 Avaliação do atendimento aos requisitos legais e outros requisitos
9.2 Auditoria Interna
9.2.1 Generalidades
9.2.2 Programa de auditoria interna
9.3 Análise crítica pela direção
AGIR
10. Melhoria
10.1 Generalidades
10.2 Não conformidade e ação corretiva
10.3 Melhoria contínua
Fonte: ABNT, 2015, on-line [Adaptado].
Vamos entender, agora, o que a norma ISO 14001:2015 apresenta 
em cada seção e, também, algumas cláusulas. Entenda como 
seção, por exemplo, o item 4. Contexto da organização, e como 
cláusula o item 4.1 Entendendo a organização e seu contexto. 
Vamos lá?
A seção 4 da norma se refere ao contexto da organização, esta deve 
determinar questões internas e externas que sejam pertinentes ao 
seu propósito e que afetem sua capacidade de alcançar resultados 
pretendidos no SGA. 
A intenção da cláusula 4.1, “Entendendo a organização e seu 
contexto”, é prover uma compreensão conceitual de alto nível 
das questões importantes que podem afetar, tanto positiva como 
negativamente, a maneira pela qual a organização gerencia suas 
responsabilidades ambientais (ABNT, 2015).
Gestão AmbientAl
140
unidade 4
De acordo com a Norma, exemplos de questões internas e externas 
que podem ser pertinentes para o contexto da organização incluem:
a. condições ambientais relacionadas ao clima, à qualidade 
do ar, à qualidade da água, ao uso do solo, à contaminação 
existente, à disponibilidade de recursos naturais e 
à biodiversidade, que podem afetar o propósito da 
organização ou ser afetadas por seus aspectos ambientais;
b. as circunstâncias externa, cultural, social, política, legal, 
regulamentar, financeira, tecnológica, econômica, natural 
e competitiva, sejam em âmbitos internacional, nacional, 
regional ou local;
c. as características ou as condições internas da 
organização, como as atividades, os produtos e serviços, o 
direcionamento estratégico, a cultura e as capacidades (por 
exemplo, pessoas, conhecimentos, processos, sistemas).
Em 4.2, é esperado que uma organização ganhe, das partes 
interessadas internas e externas, uma compreensão geral acerca 
das necessidades e das expectativas expressas, as quais tenham 
sido determinadas pela organização como pertinentes.
Atenção
As partes interessadas (também conhecidas pelo termo inglês 
stakeholders) são os indivíduos e as organizações ativamente envolvidos 
no processo.
Na cláusula 4.3, o escopo do sistema de gestão ambiental 
destina-se a esclarecer os limites físicos e organizacionais aos 
quais se aplica o sistema de gestão ambiental, especialmente 
se a organização for parte de uma organização maior. Uma 
organização tem a liberdade e a flexibilidade para definir seus 
limites, porém não pode ser realizada de forma a excluir atividades, 
produtos, serviços ou instalações que têm ou podem ter aspectos 
Gestão AmbientAl
141
unidade 4
ambientais significativos, ou para evitar seus requisitos legais e 
outros requisitos. Entenda o escopo como uma declaração real e 
representativa das operações da organização incluída nos limites 
do seu sistema de gestão ambiental (ABNT, 2015).
A seção 5 é referente à liderança, estabelecendo que a alta gerência 
da organização deve assumir a responsabilidade pela eficácia do 
SGA (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016).
Uma política ambiental (cláusula 5.2) é um conjunto de princípios 
declarados como compromissos, em que a Alta Direção descreve 
as intenções da organização para apoiar e aumentar o seu 
desempenho ambiental. Três compromissos básicos para a política 
ambiental são especificados na Norma ISO 14001:2015:
a. proteger o meio ambiente;
b. atender aos requisitos legais e a outros requisitos da 
organização;
c. melhorar continuamente o sistema de gestão ambiental 
para aumentar o desempenho ambiental.
Esses compromissos são refletidos nos processos estabelecidos 
pela organização para abordar os requisitos específicos da Norma, 
no intuito de assegurar um sistema de gestão ambiental robusto, 
acreditável e confiável (ABNT, 2015).
QUESTÃO 1 - A Política Ambiental pode ser considerada um conjunto 
de ações que é ordenado e praticado por organizações ou governos com 
o intuito de preservar o meio ambiente. Acerca da política ambiental 
proposta pela ISO 14001, leia as afirmativasa seguir.
I. A Política Ambiental deve ser implementada pelo setor de Pesquisa e 
Desenvolvimento de uma organização.
II. A Política Ambiental deve ser documentada.
III. A Política Ambiental pode incluir aspectos como inclusão de uso 
Gestão AmbientAl
142
unidade 4
sustentável dos recursos naturais, mitigação e adaptação às mudanças 
climáticas, proteção a biodiversidade e ecossistemas.
IV. Uma vez implementada, não há necessidade de atualização da Política 
Ambiental. 
a. II e III, apenas.
b. I e II, apenas.
c. I, II e III, apenas.
d. I e IV, apenas.
e. II, III e IV, apenas.
O gabarito se encontra no final da unidade.
A seção 6, “Planejamento”, apresenta, na cláusula 6.1, a questão 
de ações para tratar riscos e oportunidades e estabelece que a 
organização deve determinar riscos e oportunidades que precisam 
ser contemplados, para assegurar que o sistema de gestão 
consiga atingir os resultados esperados, aumentando a chance 
de resultados desejáveis e prevenindo ou reduzindo a chance de 
efeitos indesejáveis (CARPINETTI; GEROLAMO, 2016).
A subcláusula 6.1.2, “Aspectos Ambientais”, descreve que uma 
organização determina seus aspectos ambientais e os impactos 
ambientais associados, assim como determina aqueles que são 
significativos e, portanto, precisam ser abordados pelo Sistema de 
Gestão Ambiental.
Entenda que os aspectos ambientais podem criar riscos e 
oportunidades associados a impactos ambientais adversos, a 
impactos ambientais benéficos e a outros efeitos na organização.
Gestão AmbientAl
143
unidade 4
Lembre
As alterações para o meio ambiente, adversas ou benéficas, que resultem 
total ou parcialmente dos aspectos ambientais, são chamadas de impactos 
ambientais. O impacto ambiental pode ser classificado de diversas formas, 
mas a relação entre os aspectos ambientais e os impactos ambientais é 
de causa e efeito.
De acordo com a norma, uma organização não tem que considerar 
cada produto, componente ou matéria-prima individualmente para 
determinar e avaliar seus aspectos ambientais; ela pode agrupar 
e categorizar atividades, produtos e serviços quando eles tiverem 
características comuns. Na determinação de seus aspectos 
ambientais, a organização pode considerar:
a. emissões para o ar;
b. lançamentos em água;
c. lançamentos em terra;
d. uso de matérias-primas e recursos naturais;
e. uso de energia;
f. emissão de energia (por exemplo, calor, radiação, vibração 
(ruído) e luz);
g. geração de rejeito e/ou subprodutos;
h. uso do espaço.
A cláusula 6.2, “Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-
los”, define que a Alta Direção pode estabelecer objetivos ambientais 
a nível estratégico, tático ou operacional. O nível estratégico inclui os 
mais altos níveis da organização, e os objetivos ambientais podem 
ser aplicáveis a toda a organização. Os níveis táticos e operacionais 
podem incluir objetivos ambientais para unidades ou funções 
específicas dentro da organização; convém que esses objetivos 
Gestão AmbientAl
144
unidade 4
sejam compatíveis com o seu direcionamento estratégico (ABNT, 
2015). Os objetivos ambientais devem ser comunicados às pessoas 
que realizam trabalhos sob o controle da organização, a qual tem a 
capacidade de influenciar o alcance dos objetivos ambientais.
A seção 7 apresenta os requisitos de apoio ao SGA, abordando a 
provisão de recursos (podem ser incluídos recursos humanos, 
recursos naturais, recursos de infraestrutura, recursos tecnológicos 
e recursos financeiros), competências, conscientização, 
comunicação e documentação da informação. Em relação à 
conscientização (cláusula 7.3), é necessário que as pessoas 
estejam cientes da existência, do propósito e do papel delas na 
realização dos compromissos, incluindo o modo como o trabalho 
delas pode afetar a capacidade da organização de atender aos 
requisitos legais e a outros requisitos (ABNT, 2015).
A seção 8 trata dos requisitos de operação, que estão focados 
em operações, ações e controles para gestão ambiental. A 
cláusula 8.1, “Planejamento e controle operacional”, descreve que 
o tipo e a extensão do(s) controle(s) operacional(is) dependem 
da natureza das operações, do risco e das oportunidades, dos 
aspectos ambientais significativos, dos requisitos legais e de outros 
requisitos. Uma organização tem flexibilidade para selecionar o 
tipo de método de controle operacional, individualmente ou em 
conjunto, que é necessário para certificar que o(s) processo(s) 
é(são) eficaz(es) e alcança(m) o(s) resultado(s) desejado(s) (ABNT, 
2015). Tais métodos podem incluir:
a. projetar processo(s) de modo a evitar erros e garantir 
resultados coerentes;
b. usar a tecnologia para controlar processo(s) e evitar 
resultados adversos (ou seja, controles de engenharia);
c. usar pessoal competente para assegurar os resultados 
desejados;
d. executar processo(s) de uma forma especificada;
Gestão AmbientAl
145
unidade 4
e. monitorar ou medir processo(s) para verificar os resultados;
f. determinar o uso e a quantidade de informação 
documentada necessária.
No que diz respeito às respostas a emergências (cláusula 8.2), a 
norma estabelece que a organização deve manter informações 
documentadas que demonstrem que os processos foram realizados 
conforme planejado. 
Fique atento
Situações de emergência são eventos não planejados ou 
inesperados que precisam da aplicação urgente de competências, 
recursos ou processos específicos, para prevenir ou mitigar suas 
consequências reais ou potenciais. As situações de emergência 
podem resultar em impactos ambientais adversos ou em outros 
efeitos na organização (exemplos: incêndio, derramamento químico, 
condições climáticas severas) (ABNT, 2015).
A seção 9 trata da avaliação de desempenho. De acordo com a 
Subcláusula 9.1.1, “Generalidades”, ao determinar o que convém 
que seja monitorado e medido, além do progresso acerca dos 
objetivos ambientais, é importante que a organização leve em 
consideração os aspectos ambientais significativos, os requisitos 
legais e outros requisitos e os controles operacionais. É necessário 
que o desempenho ambiental e a avaliação de resultados sejam 
reportados para aqueles com responsabilidade e autoridade para 
iniciar a ação apropriada (ABNT, 2015).
A cláusula 9.2 trata da “Auditoria interna”; nesse item, é conveniente 
que os auditores sejam independentes da atividade a ser auditada, 
sempre que viável, e convém que, em todos os casos, eles sejam 
livres de tendências e conflitos de interesses. Não conformidades 
identificadas durante as auditorias internas estão sujeitas às ações 
Gestão AmbientAl
146
unidade 4
corretivas apropriadas. Veremos mais acerca da auditoria interna 
ainda nesta unidade (ABNT, 2015).
A cláusula 9.3, “Análise crítica pela direção”, é muito importante 
e pode ser parte das atividades regulares programadas de 
gestão, como reuniões gerenciais ou operacionais. Por exemplo, 
reclamações pertinentes recebidas das partes interessadas são 
analisadas criticamente pela Alta Direção, para determinar as 
oportunidades de melhoria.
A seção 10 trata da melhoria, sendo que a Cláusula 10.1, 
“Generalidade”, descreve que é importante que a organização 
considere os resultados da Avaliação de desempenho, ao tomar 
ação de melhoria. Exemplos de melhoria incluem ação corretiva, 
melhoria contínua, mudança inovadora, inovação e reorganização.
Já a cláusula 10.3, “Melhoria contínua”, salienta que o ritmo, a 
extensão e o cronograma das ações que apoiam a melhoria 
contínua são determinados pela organização. O desempenho 
ambiental pode ser aumentado pela aplicação do SGA comoum 
todo ou pela melhoria de um ou mais dos seus elementos.
Requisitos do Sistema de 
Gestão Ambiental
Sistema de Gestão Ambiental
Do ponto de vista empresarial, gestão ambiental
é a expressão utilizada para denominar a gestão 
empresarial que se orienta para evitar, na medida que 
possível, problemas para o meio ambiente. Em outros 
termos, é a gestão cujo objetivo é conseguir que os 
efeitos ambientais não ultrapassem a capacidade de 
carga do meio onde se encontra a organização, ou 
seja, obter-se um desenvolvimento sustentável (DIAS, 
2017, p.107).
Gestão AmbientAl
147
unidade 4
Segundo a Resolução CONAMA (2002) n.º 306/02, o Sistema de 
Gestão Ambiental (SGA) é a parte do sistema de gestão global 
que inclui estrutura organizacional, atividades de planejamento, 
responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos 
para desenvolver, implementar, atingir, analisar criticamente e 
manter a política ambiental da instalação.
Um SGA está vinculado às normas elaboradas pelas instituições 
públicas (prefeituras, governo estadual e federal) acerca do meio 
ambiente, que estabelecem os limites aceitáveis de todos os atos 
que tenham potencial poluidor, por exemplo, padrões de lançamento 
de efluentes em rios. 
Para Rocco (2011), o cumprimento de normas legais é obrigatório 
para as empresas que desejam implantar um SGA. O não 
cumprimento ou o desconhecimento delas pode afetar de forma 
significativa os investimentos das empresas, além de afetar a 
capacidade de intervenção no mercado.
Uma política proativa é baseada em um planejamento prévio 
dos possíveis efeitos ambientais e da antecipação de impactos 
ambientais, reorganizando os produtos e os processos envolvidos. 
A política proativa busca métodos de prevenção, investigando o que 
originou as causas (DIAS, 2017). Nesse contexto, é preciso refletir a 
respeito da importância dos profissionais envolvidos no processo, 
de forma que esses estejam aptos a tomarem decisões sábias e 
viáveis em relação à questão ambiental dentro das organizações.
É importante salientar que um SGA pode ser aplicado dentro de 
qualquer empresa, com qualquer tamanho e setor. Entretanto 
as pequenas empresas têm dificuldades de implementar o SGA, 
por terem de disponibilizar parte de seus recursos humanos e 
financeiros para tal. Além disso, a implantação e a certificação do 
sistema ainda prevê um custo apreciável.
Gestão AmbientAl
148
unidade 4
Quando uma pequena empresa se encontra vinculada a grandes 
clientes que exigem de seus fornecedores um SGA, ou são empresas 
voltadas para exportação, a implantação desse sistema pode ser 
necessária e imprescindível para a continuidade dos negócios. 
Para Dias (2017), a implantação do SGA é uma vantagem 
competitiva para a empresa, que pode melhorar sua imagem no 
mercado, o que se torna cada dia mais importante pelo aumento 
da consciência ambiental e das exigências dos consumidores. 
Por exemplo, uma empresa agropecuária de grande ou pequeno 
porte, que ignore os impactos ambientais que suas atividades 
podem causar ao meio ambiente, está determinando os limites de 
sua existência e, ao mesmo tempo, está perdendo a possibilidade 
de gerar uma vantagem competitiva para assegurar um lugar de 
sucesso no mercado em que atua.
O responsável pela gestão ambiental deverá garantir que o SGA 
seja estabelecido, documentado, implementado, mantido e 
continuamente melhorado em conformidade com os requisitos da 
norma 14001 e determinar como ela atenderá a esses requisitos. 
Observe que um requisito é uma necessidade ou expectativa que 
é declarada, geralmente implícita ou obrigatória. Comumente, 
implícita significa que é costume ou prática comum para 
a organização e para as partes interessadas. Um requisito 
especificado, por sua vez, é aquele que é declarado, por exemplo, 
uma informação documentada. Além desses, outros requisitos que 
não são legais passam a ser obrigatórios quando a organização 
decide cumpri-los (ABNT, 2015). 
Os requisitos para implantação e operação de um SGA estão 
apresentados na norma ISO 14001 – Sistemas da gestão ambiental 
– Requisitos com orientações para uso –; essa é uma norma 
internacional, pertencente à série de normas ISO 14000. Cada um 
dos requisitos está disposto nas cláusulas da ISO 14001. 
Gestão AmbientAl
149
unidade 4
Requisitos do SGA
Vimos, anteriormente, o que aborda cada seção da norma ISO 
14001:2015 e algumas de suas cláusulas e subcláusulas. Que tal, 
agora, conhecermos os requisitos de algumas das cláusulas da 
norma? Acompanhe!
Seção 4 - Contexto da Organização 
Cláusula 4.1: Entendendo a organização e seu contexto
De acordo com a norma, a organização deve determinar questões 
externas e internas que sejam pertinentes para o seu propósito e 
que afetem sua capacidade de alcançar os resultados pretendidos 
no SGA. Essas questões devem incluir as condições ambientais que 
afetam ou são capazes de afetar a organização.
Cláusula 4.2: Entendendo as necessidades e as expectativas de 
partes interessadas
Requisitos
Em termos básicos, essa cláusula exige que a organização 
(ABNT, 2015):
• determine que as partes interessadas sejam pertinentes 
para o SGA;
• em seu SGA, atenda às necessidades e às expectativas de 
partes interessadas;
• determine que essas necessidades e expectativas se 
tornem seus requisitos legais e outros requisitos.
Cláusula 4.3: Determinando o escopo do SGA
Requisitos
Gestão AmbientAl
150
unidade 4
Nesse contexto, essa cláusula define que a organização, ao 
determinar seu escopo, deve considerar:
• questões internas e externas;
• serviços, unidades e produtos;
• requisitos legais e outros requisitos;
• unidades organizacionais, funções e limites físicos; 
• atividades, produtos e serviços;
• autoridade e capacidade de exercer controle e influência.
Claúsula 4.4: SGA
No que diz respeito aos requisitos dessa cláusula, a organização 
deve estabelecer, implementar, manter e melhorar continuamente 
seu SGA.
Seção 5 - Liderança
Cláusula 5.1 - Liderança e Comprometimento
Requisitos: a liderança decorre do fato de que a criação e a 
implementação do SGA inscrevem-se no âmbito das decisões 
estratégicas da organização. Assim, a Alta Direção deve demonstrar 
liderança e comprometimento com respeito ao SGA (ABNT, 2015):
a. responsabilizando-se por prestar contas pela eficácia do SGA;
b. assegurando que a política ambiental e os objetivos 
ambientais sejam estabelecidos e compatíveis com o 
direcionamento estratégico e o contexto da organização;
c. assegurando a integração dos requisitos do SGA nos 
processos de negócio da organização;
d. assegurando que recursos necessários para o SGA estejam 
disponíveis;
Gestão AmbientAl
151
unidade 4
e. comunicando a importância de uma gestão ambiental 
eficaz, conforme os requisitos do SGA;
f. assegurando que o SGA alcance os resultados pretendidos;
g. dirigindo e apoiando pessoas a contribuírem para eficácia 
do SGA;
h. promovendo melhoria contínua;
i. apoiando outros papéis pertinentes da gestão que 
demonstram como sua liderança se aplica às áreas sob 
sua responsabilidade.
Por esses requisitos, a Alta Direção assume a responsabilidade 
direta da eficácia do SGA. 
Claúsula 5.2 - Política Ambiental 
Requisitos
No que diz respeito à política ambiental, a Alta Administração 
deve estabelecer e implementar uma política ambiental, dentro do 
escopo definido em seu SGA, que:
a. seja apropriada ao propósito e ao contexto da organização, 
incluindo a natureza, escala e impactos ambientais das 
suas atividades, produtos e serviços;
b. proveja uma estrutura para o estabelecimentodos objetivos 
ambientais;
c. inclua um comprometimento com a proteção do meio 
ambiente, incluindo a prevenção da poluição e outro(s) 
compromisso(s) específico(s) pertinente(s) para o contexto 
da organização;
d. inclua um comprometimento em atender os seus requisitos 
legais e outros requisitos;
Gestão AmbientAl
152
unidade 4
e. inclua um comprometimento com a melhoria contínua do 
sistema de gestão ambiental para aumentar o desempenho 
ambiental (ABNT, 2015, p. 08).
A política ambiental deve ser: documentada, comunicada 
internamente à organização e disponibilizada às partes 
interessadas. Essa política deve se apresentar em forma de uma 
declaração não muito longa, para facilitar a sua divulgação em 
diferentes meios de comunicação, e deve se tornar conhecida, 
compreendida e lembrada pelos membros da organização e pelas 
partes interessadas. Um exemplo é uma empresa do ramo de 
transportes que tem a seguinte Política Ambiental: 
• A empresa “Y” de transporte, com sede na cidade de São 
Paulo - SP, é uma organização que busca garantir a seus 
clientes a melhor alternativa nos serviços de logística, 
visando crescer com excelência em seus serviços e sendo 
comprometida com a preservação do meio ambiente, 
empenhando-se em: 
• buscar atender à legislação vigente;
• melhorar continuamente seu desempenho, com atuação da 
prevenção da poluição;
• prevenir a poluição, fazer uso racional de recursos naturais, bem 
como da destinação correta de resíduos sólidos, por meio de 
treinamento e conscientização dos colaboradores; 
• divulgar a Política Ambiental aos colaboradores e aos 
interessados na organização.
Claúsula 5.3 - Papéis, responsabilidade e autoridades 
organizacionais
Requisitos
Gestão AmbientAl
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unidade 4
Em termos básicos, essa cláusula afirma que a alta direção deve 
atribuir responsabilidade e autoridade para:
• assegurar que o SGA esteja de acordo com a ISO 14001;
• relatar o desempenho do SGA.
Seção 6: Planejamento
Cláusula 6.1. Ações para abordar riscos e oportunidades
A cláusula 6.1 é dividida em quatro subcláusulas: 6.1.1 
“Generalidades”; 6.1.2 “Aspectos ambientais”; 6.1.3 “Requisitos 
legais e outros requisitos”; 6.1.4 “Planejamento das ações”.
Trataremos das generalidades e dos aspectos ambientais. De uma 
forma geral, a organização deve estabelecer, implementar e manter 
o(s) processo(s) necessário(s) para atender aos requisitos de 6.1.1 
a 6.1.4.
Ao planejar o sistema de gestão ambiental, a organização deve 
considerar:
a. as questões referidas em 4.1 (“Entendendo a organização e 
seu contexto”);
b. os requisitos referidos em 4.2 (“Entendendo as 
necessidades e as expectativas de partes interessadas”);
c. o escopo do seu sistema de gestão ambiental;
Deve, também, determinar os riscos e as oportunidades 
relacionados aos seus aspectos ambientais, aos requisitos legais 
e a outros requisitos e outras questões, identificados em 4.1 e 4.2, 
que precisam ser abordados para:
• assegurar que o sistema de gestão ambiental possa 
alcançar seus resultados pretendidos;
Gestão AmbientAl
154
unidade 4
• prevenir ou reduzir efeitos indesejáveis, incluindo o 
potencial para condições ambientais externas que afetem 
a organização;
• alcançar a melhoria contínua.
Dentro do escopo do sistema de gestão ambiental, a organização 
deve determinar potenciais situações de emergência, incluindo 
aquelas que podem ter um impacto ambiental.
De acordo com a norma, na subcláusula 6.1.2, “Aspectos ambientais”, 
a organização deve determinar os aspectos ambientais das 
atividades, dos produtos e dos serviços, os que ela pode controlar 
e aqueles que ela pode influenciar, e os impactos ambientais 
associados, considerando uma perspectiva de ciclo de vida.
Ao determinar os aspectos ambientais, a organização deve levar em 
consideração:
a. mudanças, incluindo desenvolvimentos planejados 
ou novos, e atividades, produtos e serviços novos ou 
modificados;
b. condições anormais e situações de emergência 
razoavelmente previsíveis.
A organização deve determinar aqueles aspectos que têm ou 
podem ter um impacto ambiental significativo, além de comunicar 
seus aspectos ambientais significativos, dentre os diversos níveis e 
funções da organização, como apropriados.
Gestão AmbientAl
155
unidade 4
QUESTÃO 2 - Refere-se à informação que se requer que seja 
controlada e mantida por uma organização e ao meio no qual ela está 
contida. Trata-se do(a):
a. risco.
b. requisito.
c. objetivo ambiental.
d. parte interessada.
e. informação documentada.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Cláusula 6.2. Objetivos ambientais e planejamento para alcançá-los
Requisitos
Em relação a essa cláusula, a organização deve estabelecer 
os objetivos ambientais (6.2.1), levando em conta os aspectos 
significativos da organização, os requisitos legais e outros 
associados (ABNT, 2015). De acordo com a ABNT (2015, p. 11), os 
objetivos ambientais devem ser:
a. coerentes com a política ambiental;
b. mensuráveis (se viável);
c. monitorados;
d. comunicados;
e. atualizados, como apropriado.
A organização deve ter documentadas as informações quanto aos 
objetivos ambientais e, também, deve planejar como alcançará seus 
objetivos ambientais (6.2.2), devendo determinar (ABNT, 2015 p. 11):
Gestão AmbientAl
156
unidade 4
a. o que será feito;
b. que recursos serão requeridos;
c. quem será responsável; 
d. quando isso será concluído;
e. como os resultados serão avaliados, incluindo indicadores 
para monitorar o progresso em direção ao alcance dos 
objetivos ambientais mensuráveis.
Seção 7: Apoio
Cláusula 7.1 - Recursos
No que diz respeito aos recursos, a norma estabelece 
que a organização deve prover recursos necessários para 
estabelecimento, manutenção e melhoria do SGA.
Cláusula 7.2 - Competência
Requisitos
Em relação à competência, essa cláusula exige, dentre outros, que a 
organização (ABNT, 2015):
• determine a competência necessária de pessoas que 
realizem trabalho que afete o desempenho ambiental;
• assegure que as pessoas tenham competência, ou seja, 
treinamentos, educação ou experiência;
• determine os treinamentos adequados quanto ao SGA.
Cláusula 7.3 - Conscientização
Requisitos
Gestão AmbientAl
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unidade 4
Em resumo, essa cláusula exige que a organização assegure que as 
pessoas estejam conscientes (ABNT, 2015):
• da política ambiental;
• dos aspectos ambientais significativos; 
• da sua contribuição para a eficácia do SGA; 
• das implicações de não estar em conformidade com os 
requisitos do sistema de gestão ambiental, incluindo o não 
atendimento aos requisitos legais e a outros requisitos da 
organização.
Cláusula 7.4 - Comunicação
Requisitos
A cláusula 7.4, que aborda a comunicação, afirma que a organização 
deve estabelecer, implementar e manter processos necessários para 
comunicações internas e externas que abordem: o que comunicar, 
quando comunicar, com quem se comunicar e como comunicar.
Também trata da comunicação interna da organização (7.4.2), 
que deve trazer informações pertinentes acerca do SGA, incluindo 
mudanças, e das comunicações externas (7.4.3).
Cláusula 7.5 - Informação documentada
Na subcláusula 7.5.1, “Generalidades”, o Sistema de Gestão 
Ambiental da organização deve incluir a informação documentada 
requerida pela norma, além daquelas informações determinadas 
pela organização como sendo necessárias para a eficácia do 
SGA. A norma também apresenta a subcláusula 7.5.2, “Criando 
e atualizando”, e a subcláusula 7.5.3, “Controle de informação 
documentada”, em que descreveque a informação documentada 
deve estar disponível e adequada para uso, além de estar 
protegida suficientemente.
Gestão AmbientAl
158
unidade 4
Seção 8 - Operação
Cláusula 8.1 - Planejamento e controle operacionais
Requisitos
Nessa cláusula, a organização deve estabelecer, implementar, 
controlar e manter os processos necessários para atender aos 
requisitos do SGA. Deve controlar mudanças planejadas e analisar 
criticamente as consequências dessas mudanças. Coerentemente, 
com uma perspectiva de ciclo de vida, a organização deve:
a. estabelecer controles, como apropriado, para assegurar 
que o(s) requisito(s) ambiental(is) seja(m) tratado(s) no 
processo de projeto e desenvolvimento do produto ou do 
serviço, considerando cada estágio do seu ciclo de vida;
b. determinar seu(s) requisito(s) ambiental(is) para a 
aquisição de produtos e serviços, como apropriado;
c. comunicar seu(s) requisito(s) ambiental(is) pertinente(s) 
para provedores externos, incluindo contratados;
d. considerar a necessidade de prover informações sobre 
potenciais impactos ambientais significativos associados 
com o transporte ou entrega, uso, tratamento pós-uso 
e disposição final dos seus produtos e serviços (ABNT, 
2015, p. 15).
Cláusula 8.2 - Preparação e resposta de emergências
Requisitos
No que diz respeito à preparação e à resposta de emergências, a 
organização deve:
a. preparar-se para responder pelo planejamento de ações 
para prevenir ou mitigar impactos ambientais adversos de 
situações de emergências;
Gestão AmbientAl
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unidade 4
b. responder a situações de emergências reais;
c. tomar ações para prevenir ou mitigar as consequências 
decorrentes de situações de emergência, apropriadas à 
magnitude da emergência e ao potencial impacto ambiental;
d. testar periodicamente as ações de resposta planejadas, 
onde viável;
e. periodicamente, analisar criticamente e revisar o(s) 
processo(s) e as ações de resposta planejadas, em 
particular, após a ocorrência de situações de emergência 
ou testes;
f. prover informações pertinentes e treinamento relacionado 
à preparação e resposta a emergências, como apropriado, 
para as partes interessadas pertinentes, incluindo pessoas 
que realizam trabalho sob o seu controle (ABNT, 2015, p. 15).
QUESTÃO 3 - Emergência ambiental é a denominação genérica para 
situações críticas que podem fugir do controle da organização e causar 
danos de diferentes magnitudes ao meio ambiente físico, biológico e 
social. Nesse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta 
entre elas.
I. De acordo com a norma ISO 14001 a organização deve estabelecer, 
implementar e manter processos necessários para preparar-se e responder 
a potenciais situações de emergências identificadas.
PORQUE
II. Derramamentos de produtos químicos, explosões, rompimento de 
barreiras de contenção de efluentes são exemplos de emergências 
ambientais.
Acerca dessas asserções, assinale a opção CORRETA.
a. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma 
justificativa da I.
b. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é 
uma justificativa da I.
Gestão AmbientAl
160
unidade 4
c. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição 
falsa.
d. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição 
verdadeira.
e. As asserções I e II são proposições falsas
O gabarito se encontra no final da unidade.
Seção 9 - Avaliação de desempenho
Cláusula 9.1 - Monitoramento, medição, análise e avaliação
Requisitos
Em termos básicos, essa cláusula exige que a organização deve:
• determinar o que será medido e monitorado;
• ter métodos de monitoramento, medição, análise e 
avaliação; 
• ter critérios pelos quais irá avaliar seu desempenho 
ambiental e indicadores;
• determinar quando será o monitoramento e a medição;
• ter resultados do monitoramento e medição, que devem ser 
analisados e avaliados.
Cláusula 9.2 - Auditoria interna
Requisitos
A cláusula 9.2 exige que a organização deve:
Gestão AmbientAl
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unidade 4
• conduzir auditorias internas para avaliar os requisitos da 
própria organização e os requisitos da norma;
• definir critérios e escopo de auditoria;
• selecionar auditores internos;
• assegurar que os resultados sejam repassados à gerência;
Cláusula 9.3 - Análise crítica pela direção
A Alta Direção deve analisar criticamente o sistema de gestão 
ambiental da organização, em intervalos planejados, para assegurar 
sua contínua adequação, suficiência e eficácia, considerando 
diversos itens, tais como mudanças, suficiência de recursos, 
oportunidades para melhoria contínua.
Seção 10 - Melhoria
Cláusula 10.1 - Generalidades
Por meio da avaliação do desempenho, a organização deve 
determinar oportunidades para melhoria e implementar as ações 
necessárias para alcançar os resultados pretendidos pelo seu 
sistema de gestão ambiental.
Cláusula 10.2 - Não conformidade e ação corretiva
Requisitos
Em termos básicos, a cláusula 10.2 exige que a organização deve 
(ABNT, 2015):
• ao ocorrer uma não conformidade: reagir, controlar, corrigir 
e lidar com consequências;
• avaliar a necessidade de ações para eliminar as causas da 
não conformidade;
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• implantar ações necessárias;
• analisar criticamente as mudanças;
• realizar mudanças no SGA, se necessário; 
• documentar as evidências e os resultados de ações 
corretivas.
Cláusula 10.3 - Melhoria contínua
A organização deve melhorar continuamente a adequação, a 
suficiência e a eficácia do sistema de gestão ambiental para 
aumentar o desempenho ambiental.
Estudo de caso 
Análise Crítica
Apresentar a análise crítica de uma organização quanto ao seu SGA.
Uma empresa do ramo de fabricação de equipamentos para saúde está 
implantando o seu SGA para posterior certificação pela ISO 14001. A 
empresa conta com a Autorização de Funcionamento (AFE), a certificação 
Boas Práticas de Fabricação (BPF) e, agora, para exportação, está 
implantando o SGA. 
O primeiro passo foi a contratação de uma consultoria na área ambiental, 
que iniciou com a implantação da política ambiental, que, por indicação da 
alta direção, ficou instituída como: 
“Buscar soluções inovadoras para a área da saúde melhorando o 
processo produtivo, para atender cada vez melhor seus clientes. Cumprir 
com os requisitos regulamentares das normas aplicáveis, promover 
a melhoria contínua de seu SGA, prevenir poluição e diminuir seus 
impactos ambientais”.
Essa foi a versão 01 da Política Ambiental da Empresa, para isso, a política 
foi documentada e foi agendado um treinamento com os colaboradores, a 
fim de explicar a política implementada e, também, a importância do SGA 
Gestão AmbientAl
163
unidade 4
que a empresa estava buscando. Depois de passar um treinamento para 
os colaboradores, a política ficou à disposição de todos os interessados 
na organização. 
Após a implementação, a alta direção fez uma análise crítica da 
política ambiental junto com algumas lideranças da organização 
e com a consultoria contratada; no momento, verificaram que não 
havia necessidade de alteração na política, no entanto, continuariam o 
monitoramento, o treinamento e a capacitação de colaboradores para que 
os próximos passos sejam implementados pela empresa.
Conceitos e/ou as teorias trabalhadas no estudo de caso
Política Ambiental, Análise Crítica, Ciclo PDCA, ISO 14001.
Questionamentos deste estudo de caso 
Como a empresa pode propor indicadores para cumprir os requisitos da 
política ambiental? Qual periodicidade do programa de treinamentos?
Interaçãodo SGA com outros sistemas 
de Gestão
Uma organização pode ter outros sistemas implementados além 
do SGA. A integração entre dois ou mais sistemas de gestão é um 
desafio para as organizações. 
Normalmente, as organizações têm o Sistema de Gestão de 
Qualidade implementado (ISO 9001) e, depois, implementam o SGA 
(iSo 14001). 
Os SGA pode ser integrado com a OHSAS (Occupational Health 
and Safety Assessments Series) 18001 (futura ISO 45001), que 
especifica os requisitos de um sistema de gestão da saúde e 
segurança do trabalho; também, com a NBR 16001, que estabelece 
os requisitos de um sistema de gestão de responsabilidade social. 
Gestão AmbientAl
164
unidade 4
Assim, para Barbieri (2016), a ISO percebeu que precisava facilitar 
a integração dos seus sistemas de gestão baseados em normas 
e estabeleceu termos e definições comuns a todas as normas, 
incluindo as notas de esclarecimento relacionadas, eliminando ou 
reduzindo as interpretações conflitantes. 
Certificação e auditoria 
de um sistema de Gestão 
Ambiental
Certificação
O SGA pode ser criado e implementado para alcançar diversos 
objetivos. A norma ISO 14001 pode ser aplicada a qualquer 
organização que deseja (DIAS, 2017):
• estabelecer, implementar e aprimorar um SGA;
• assegurar sua conformidade com a Política Ambiental;
• demonstrar conformidade com essa norma ao: fazer uma 
autodeclaração ou autoafirmação; buscar confirmação da 
sua conformidade por partes interessadas na organização; 
buscar confirmação de sua autodeclaração por meio de 
uma organização externa; buscar certificação ou registro 
de seu SGA por uma organização externa. 
A autodeclaração de conformidade é realizada por meio de 
avaliações que são conduzidas pela própria organização que criou 
o SGA ou por uma organização externa em seu nome. 
“NBR 16001”
Gestão AmbientAl
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unidade 4
A certificação é o procedimento pelo qual uma terceira parte 
dá garantia escrita de que o SGA está em conformidade com 
os requisitos especificados. A terceira parte é a pessoa, ou o 
organismo, reconhecida como independente das partes envolvidas 
no que se refere a um dado assunto. O registro é o procedimento 
pelo qual um organismo indica as características pertinentes de 
um produto, processo ou serviço, ou as características particulares 
de um organismo ou pessoa, em lista apropriada e disponível ao 
público (ABNT, 2015).
O SGA pode ser certificado por organizações que estão relacionadas 
com ele em seu ambiente de negócio, por exemplo, bancos, clientes 
e outros agentes financeiros. Também é possível que a organização 
cliente avalie o SGA dos seus fornecedores. 
Na prática, Barbieri (2016) analisa que existe uma preferência 
das empresas por certificação de terceira parte acreditadas, para 
tal, no país em que o SGA opera, isso evita o inconveniente de ter 
diversas organizações interessadas realizando visitas, medindo e 
conferindo dados, entrevistando o pessoal e outros procedimentos 
para verificar a conformidade do SGA com os requisitos da norma. 
Na implantação e certificação do SGA, podemos perceber uma 
relação com o Ciclo PDCA, como mostra o mapa conceitual a seguir.
Gestão AmbientAl
166
unidade 4
Organismo de Certificação Credenciado
O Organismo de Certificação Credenciado (OCC) tem que atender 
a critérios previamente estabelecidos em documentos normativos 
estabelecidos pelo órgão governamental competente. Cada país 
tem esquemas próprios para acreditar e controlar as atividades 
de certificação de terceira parte, embora haja um amplo esforço 
internacional para harmonizar critérios e procedimentos tendo à 
FIGURA 2 - Relação do Ciclo PDCA com a implantação de um SGA
Fonte : CAGNA [on-line]
“Integração da ISO 9001 com a 
ISO 14001”
Gestão AmbientAl
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unidade 4
frente a ISO, a International Electrotechnical Commision (ieC) e o 
International Accreditation Forum (iAF).
A acreditação é o reconhecimento formal por parte do órgão 
governamental competente de um organismo, pessoa ou 
organização que atende aos requisitos previamente definidos por 
leis e regulamentos para realizar atividades específicas de modo 
confiável. Um desses requisitos é a independência dos organismos 
acreditados, o que impede que eles sejam contratados para auxiliar 
a organização em relação ao objeto da certificação, com vistas a 
facilitar a avaliação da conformidade (ONA, 2017, on-line).
No Brasil, esses requisitos são definidos pelo Sistema Nacional 
de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro). Os 
principais componentes estão apresentados no Quadro 03.
QUADRO 03 - Sinmetro: objetivo e componentes - Resumo
Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro) - constituído 
por entidades públicas ou privadas que exerçam atividades relacionadas com metrologia, 
normalização industrial e certificação da qualidade de produtos industriais. 
Objetivo: formular e supervisionar a política nacional de metrologia, normalização industrial e 
certificação da qualidade de produtos industriais.
Componentes: todas as entidades públicas e privadas que exerçam atividades relacionadas com 
os objetivos mencionados anteriormente.
Órgão Normativo: Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial 
(Conmetro).
Órgão Executivo Central: Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).
Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade (SBAC): substitui o Sinmetro, destinado ao 
desenvolvimento e à coordenação das atividades de avaliação da conformidade no seu âmbito.
Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade (CBAC): assessora o Conmetro na estruturação, 
para a sociedade, de um sistema de avaliação da conformidade harmonizado internacionalmente, 
na proposição de princípios e políticas a serem adotados, no âmbito do SBAC.
Fonte: BRASIL, 1973, on-line [Adaptado].
Gestão AmbientAl
168
unidade 4
As questões concernentes à acreditação de organismos de 
certificação são tratadas pelo Comitê Brasileiro de Avaliação de 
Conformidade (CBAC) que assessora o Conmetro na estruturação 
de um sistema de avaliação da conformidade harmonizado 
internacionalmente e na proposição de princípios e políticas a serem 
adotados (INMETRO, 2017, on-line). A avaliação da conformidade é 
a demonstração de que os requisitos especificados relativos a um 
produto, um processo, um sistema, uma pessoa ou um organismo 
são atendidos. 
A certificação de conformidade, compulsória ou voluntária, é o ato 
pelo qual um organismo acreditado atesta que um sistema, produto 
ou serviço atende aos requisitos especificados pelas normas 
pertinentes. A certificação de um sistema de gestão atesta que ele 
está em conformidade com os requisitos normativos (INMETRO, 
2017, on-line).
Os organismos que conduzem e concedem a certificação de 
conformidade, com base na norma ISO 14001, são conhecidos 
como organismos de Certificação de Sistema de Gestão Ambiental 
(OCA). No site do INMETRO (disponível em <http://www.inmetro.
gov.br/organismos/>), é possível verificar uma listagem dos OCA, 
dentre os quais estão a BVQI do Brasil Sociedade Certificadora Ltda, 
AbS Group Services do Brasil Ltda, DQS do Brasil Ltda e ABNT - 
Associação Brasileira de Normas Técnicas.
Benefícios e objeções
Os principais objetivos de certificar um SGA pela ISO 14001 são:
• uma organização que tem um SGA implementado 
e certificado poderá equilibrar e integrar interesses 
econômicos e ambientais e alcançar vantagens 
competitivas significativas;
• contribuir para eliminar as barreiras técnicas;
Gestão AmbientAl
169
unidade 4
• papel importante nos processos de produçãoe distribuição, 
podendo facilitar o comércio internacional;
• aumentar a visibilidade no mercado nacional e internacional;
• facilitar o acompanhamento da legislação e busca da 
conformidade legal;
• simplificar e uniformizar procedimentos administrativos e 
operacionais;
• consolidar a credibilidade junto a clientes, fornecedores e 
colaboradores.
No que diz respeito às objeções quanto à certificação pela ISO 
14001, Barbieri (2016) apresenta as seguintes:
• alto custo que representa para micro e pequenas empresas;
• desprendimento de capital para a área ambiental, 
• relacionamento com os órgãos ambientais, 
• estruturação do setor ambiental na empresa.
Auditoria Ambiental de acordo com a 
NBR 19011
No dia 16 de abril de 2012, foi publicada, pela Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT), a nova versão da ABNT NBR 19011, 
que consiste nas Diretrizes para Auditorias de Sistemas de Gestão. 
Essa norma tem como escopo fornecer as orientações acerca das 
auditorias de sistemas de gestão; nela, estão incluídos os princípios 
de auditoria, a gestão de um programa de auditoria, a realização de 
auditorias de sistema de gestão, assim como orientação acerca da 
avaliação da competência de pessoas envolvidas no processo de 
auditoria, incluindo a pessoa que gerencia o programa, os auditores 
e a equipe de auditoria (ABNT, 2012, on-line).
Gestão AmbientAl
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unidade 4
A ISO 19011:2012 não estabelece requisitos, no entanto oferece 
as diretrizes a respeito da gestão de um programa de auditoria, 
do planejamento e da realização de uma auditoria de sistema de 
gestão, bem como da competência e da avaliação de um auditor e 
de uma equipe auditora (ABNT, 2012). A norma pode ser aplicável 
a qualquer tipo de organização que necessita realizar auditorias 
internas e/ou externas de sistemas de gestão ou gerenciar um 
programa de auditoria.
A ABNT (2012, p. 06) define auditoria como “processo sistemático, 
documentado e independente para obter evidência de auditoria e 
avaliá-las, objetivamente, para determinar a extensão na qual os 
critérios da auditoria são atendidos”.
De acordo com a norma ABNT NBR ISO 19011:2012, temos:
• evidência de auditoria: registros, apresentação de fatos ou 
outras informações pertinentes aos critérios de auditoria e 
verificáveis.
• critério de auditoria: conjunto de políticas, procedimentos 
ou requisitos usados como uma referência na qual a 
evidência de auditoria é comparada.
É importante salientar que as auditorias internas são, muitas 
vezes, chamadas de primeira parte, a qual pode ser administrada 
pela própria organização, a fim de verificar como anda o sistema 
de gestão ou, também, para obter informações com o intuito de 
melhorá-la. Para ABNT (2012), as auditorias internas podem formar 
a base para uma autodeclaração de conformidade da organização. 
A norma também nos apresenta conceitos de auditorias externas, 
em que estão incluídas auditorias de segunda e terceira parte.
Auditorias de segunda parte são realizadas por partes que 
apresentam algum interesse na organização, por exemplo, clientes 
ou outras pessoas em seu nome. Já as auditorias de terceira 
parte são realizadas por organizações de auditoria independentes, 
Gestão AmbientAl
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unidade 4
tais como organismos de regulamentação ou organismos de 
certificação (ABNT, 2012).
Há, ainda, a auditoria combinada, que se forma quando dois ou 
mais sistemas de gestão de disciplinas diferentes, por exemplo, 
qualidade, meio ambiente, segurança e saúde ocupacional, são 
auditados juntos e quando duas ou mais organizações de auditoria 
cooperam para auditar um único auditado, isso é chamado de 
auditoria conjunta (ABNT, 2012).
A Norma ISO 19011:2012 resumida
A norma ISO 19011:2012 tem suas cláusulas distribuídas em sete 
seções, além da introdução. A seção 1 trata do “Escopo”, a 2, das 
“Referências normativas”, a 3 trata dos “Termos e das definições” 
e a 4, dos “Princípios de auditoria”, essa seção é importante, pois 
a auditoria é caracterizada pela confiança em alguns princípios. 
É importante que esses princípios ajudem a tornar a auditoria 
uma ferramenta eficaz e confiável, em apoio às políticas de 
gestão e controles, fornecendo informações acerca de como uma 
organização pode agir para melhorar seu desempenho. 
As orientações dadas nas seções 5 a 7 estão baseadas nos seis 
princípios a seguir: integridade, apresentação justa, devido cuidado 
profissional, confidencialidade, independência e abordagem 
baseada em evidência. A seção 5 trata do “Gerenciamento de um 
programa de auditoria”, e a cláusula ou subseção 5.1 apresenta as 
generalidades dessa seção, descrevendo que, para estabelecer um 
programa de auditoria, é preciso que a organização disponha de 
recursos necessários e informações, a fim de organizar e realizar 
suas auditorias dentro de um tempo específico, em que também 
devem estar incluídos (ABNT, 2012):
• objetivos para o programa de auditoria e auditorias 
individuais;
Gestão AmbientAl
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unidade 4
• abrangência/número/t ipos/duração/local izações/
programação de auditorias;
• procedimentos do programa de auditoria; 
• critérios de auditoria;
• métodos de auditoria;
• seleção da equipe de auditoria;
• recursos necessários, incluindo viagem e acomodação;
• processos para tratamento da confidencialidade, segurança 
da informação, saúde e segurança e outros assuntos 
similares.
É preciso também que a auditoria seja monitorada, a fim de verificar 
se seus objetivos iniciais foram alcançados. Além disso, pode 
ser utilizado o Ciclo PDCA (plan-do-check-act) na norma e nos 
programas de auditoria. A Figura 3 ilustra o fluxo do processo para 
a gestão de um programa de auditoria. As demais cláusulas ou 
subseções da seção 5 podem ser vistas também na Figura 3. 
Gestão AmbientAl
173
unidade 4
A seção 6 aborda a execução de uma auditoria; a cláusula ou 
subseção 6.1 traz as generalidades dessa seção. Basicamente, a 
seção 6 contém orientações acerca de como planejar e realizar as 
atividades da auditoria como parte de um programa da auditoria. A 
Figura 4 fornece uma visão geral das atividades típicas da auditoria 
e, também, das demais cláusulas ou subseções da seção 6. Destaca-
se que a abrangência de como as disposições dessa seção são 
aplicáveis depende dos objetivos e do escopo da auditoria específica.
FIGURA 3 - Fluxograma do processo para gerenciamento de um programa de auditoria
Fonte : ABNT, NBR ISO 19011, 2012, on-line [Adaptada].
Gestão AmbientAl
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unidade 4
A seção 7, última seção, apresenta a competência e a avaliação 
de auditores, sendo que, além das “Generalidades” (subseção 7.1), 
apresenta a determinação das competências do auditor para atender 
às necessidades do programa (subseção 7.2), o estabelecimento 
de critérios para avaliação do auditor (subseção 7.3), a seleção do 
método apropriado de avaliação do auditor (subseção 7.4), a forma 
FIGURA 4 - Atividades típicas da auditoria
Fonte : ABNT, NBR ISO 19011, 2012, on-line [Adaptada].
Gestão AmbientAl
175
unidade 4
de condução da avaliação do auditor (subseção 7.5) e a manutenção 
e o melhoramento da competência do auditor (subseção 7.6). Essa 
seção é muito importante, pois, de acordo com a norma, a confiança 
no processo de auditoria e a capacidade para atender aos objetivos 
dependem da competência dos indivíduos que estão envolvidos no 
planejamento e na realização das auditorias, incluindo os auditores 
e os líderes da equipe de auditoria.
Expomos, aqui, apenas uma amostra da estrutura e da importância 
de uma auditoria de acordo com a Norma ABNT NBR ISO 
19011:2012.Gestão AmbientAl
176
unidade 4
QUESTÃO 4 - É o principal elemento no processo de condução da 
auditoria ambiental, responsável por assegurar ao usuário a eficácia da 
auditoria de acordo com o escopo e o plano de trabalho. Esse ator dentro 
do processo de auditoria ambiental é(são):
a. o auditado.
b. os membros da auditoria.
c. o cliente.
d. o auditor líder.
e. o fornecedor.
QUESTÃO 5 - A ISO 19011:2012 estabelece alguns requisitos e 
algumas competências que são necessários para avaliação dos auditores 
de um SGA. Diante disso, assinale V, para alternativas verdadeiras, e F, para 
falsas.
( ) Um auditor precisa ser ético.
( ) Um auditor precisa ter a mente aberta, ou seja, estar disposto a 
considerar ideias ou pontos de vistas alternativos.
( ) Um auditor deve estar atento à circunvizinhança e às atividades.
( ) Um auditor deve ter diplomacia, saber lidar com as pessoas.
Marque a sequência CORRETA.
a. V, V, V, V.
b. F, F, F, F.
c. F, V, V, V. 
d. V, F, F, V.
e. V, V, V, F.
O gabarito se encontra no final da unidade.
Gestão AmbientAl
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unidade 4
QUESTÃO 1 - a) A política ambiental deve ser documentada, divulgada 
às partes interessada; pode incluir aspectos como inclusão do uso 
sustentável dos recursos naturais, mitigação e adaptação às mudanças 
climáticas.
QUESTÃO 2 - e) Esse termo, antes, na versão da ISO 14001:2004, era 
chamado de documento, agora, trata-se da informação documentada.
QUESTÃO 3 - c) A primeira asserção é verdadeira, pois aborda o 
item proposto pela NBR 14001, que fala das emergências ambientais, 
a segunda é incorreta, pois se refere a acidentes ambientais e não a 
emergências ambientais. 
QUESTÃO 4 - d) É o responsável pela condução da auditoria e do 
plano de trabalho.
QUESTÃO 5 - a) Além das competências técnicas, é preciso que 
os auditores sejam éticos, mente aberta, estejam atentos ao seu redor, 
saibam lidar com as pessoas e tenham autoconfiança.
Atividades 
de fixação - 
Respostas
“Conclusão da unidade”
	UNIDADE 1
	Meio ambiente e gestão ambiental
	Problemas Ambientais
	Meio Ambiente e Industrialização
	Gestão Ambiental
	Atividades de fixação - Respostas
	UNIDADE 2
	Legislação e Licenciamento Ambiental
	Legislação Ambiental
	Licenciamento Ambiental
	EIA/RIMA na legislação brasileira
	Avaliação de Impacto Ambiental (AIA)
	Estudo de Impacto Ambiental (EIA)
	Relatório de Impacto de Meio Ambiente (RIMA)
	Atividades de fixação - Respostas
	UNIDADE 3
	Gestão Ambiental Empresarial
	Desenvolvimento Sustentável como novo Paradigma
	Abordagem da Gestão Ambiental Empresarial
	Modelos de Gestão Ambiental
	Atividades de fixação - Respostas
	UNIDADE 4
	Sistema de Gestão Ambiental
	Família ISO 14000
	Requisitos do Sistema de Gestão Ambiental
	Certificação e auditoria de um sistema de Gestão Ambiental
	Atividades de fixação - Respostas
	Referências

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