INVESTIMENTOS EM COLIGADAS E EM CONTROLADAS
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INVESTIMENTOS EM COLIGADAS E EM CONTROLADAS


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Investimentos em Coligadas e 
em Controladas
11.1 Introdução
De forma geral, de acordo com os Pronunciamen-
tos Técnicos do CPC, as aplicações em participações 
no capital de outras sociedades, como demonstrado na 
figura abaixo, devem ser contabilizadas de acordo com 
a natureza do relacionamento entre investidor e inves-
tida:
\u2022	 Pouca ou nenhuma influência sobre a in-
vestida: Nesse caso, não existe relação espe-
cífica entre as empresas e o principal benefício 
que se pode esperar do ativo é sua valoriza-
ção (ganho de capital) ou renda (dividendos 
e juros sobre o capital próprio), ou então, um 
relacionamento mais de natureza estratégi-
ca com a investida; neste último caso, por 
exemplo, é comum a empresa adquirir ações 
de um banco, sem qualquer influência sobre 
essa investida, apenas para ter bons relacio-
namentos comerciais com ele. Trata-se, por-
tanto, de um investimento em ativo financei-
ro sem qualquer intenção de gestão parcial 
ou total sobre a investida e, como tal, deve 
ser reconhecido e mensurado de acordo com 
o CPC 38 \u2013 Instrumentos Financeiros: Reco-
nhecimento e Mensuração. Como regra geral, 
sua avaliação será pelo seu valor justo. To-
davia, o investimento será avaliado ao custo 
(quando inexistir preço de cotação em merca-
do ativo e não for possível uma mensuração 
confiável a valor justo). Os investimentos em 
títulos patrimoniais de outras sociedades que 
não confiram a seu detentor influência ou 
controle (integral ou compartilhado) estão 
tratados no Capítulo 8 \u2013 Instrumentos Finan-
ceiros e no Capítulo 10 \u2013 Investimentos em 
outras Sociedades e em Propriedades para 
Investimento.
208 Manual de Contabilidade Societária \u2022 Martins, Gelbcke, Santos e Iudícibus
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\u2022	 Influência significativa sobre a investida: 
Isso implica dizer que a investidora tem a ca-
pacidade de participar de alguma forma do 
processo decisório da investida, mesmo sem 
controlá-la. Assim, adicionalmente aos be-
nefícios de valorização e renda inerentes ao 
instrumento de capital, a investidora pode 
se beneficiar de potenciais sinergias opera-
cionais entre as sociedades, o que é propor-
cionado pelos poderes políticos conferidos 
pelos instrumentos de capital isoladamente 
ou em conjunto com outros instrumentos 
contratuais (poder de participar das decisões 
financeiras, operacionais e estratégicas da in-
vestida). Trata-se, então, de um investimento 
em coligada, o qual deve ser reconhecido e 
mensurado de acordo com o CPC 18 (R2) \u2013 
Investimento em Coligada, em Controlada e 
em Empreendimento Controlado em Conjun-
to, cuja regra geral de avaliação é o método 
de equivalência patrimonial.
\u2022	 Controle conjunto sobre a investida: Quan-
do duas ou mais partes (sócios) estiverem 
compartilhando o controle de uma mesma in-
vestida (ou seja, não há uma única parte que 
tenha o poder de controle individualmente 
falando), temos um exemplo de uma entida-
de controlada em conjunto (joint venture). A 
classificação como entidade controlada em 
conjunto deve ser feita com base no CPC 19 
(R2) \u2013 Negócio em Conjunto e o reconheci-
mento inicial e mensurações subsequentes 
devem ser feitos de acordo com o CPC 18 
(R2) \u2013 Investimento em Coligada, em Con-
trolada e em Empreendimento Controlado 
em Conjunto, o qual exige que a participação 
seja avaliada pela equivalência patrimonial 
(regra geral).
\u2022	 Controle sobre a investida: Sempre que uma 
das partes (sócios) tiver preponderância nas 
decisões sobre políticas financeiras e opera-
cionais da investida, ou de outro modo, quan-
do uma entidade tem poder para dirigir as 
atividades relevantes da investida e usa esse 
poder em seu benefício, temos um exemplo 
em que a investida se caracteriza como uma 
controlada dessa entidade que detém o poder 
de comando. A obtenção do controle deve ser 
contabilizada considerando as disposições do 
CPC 15 \u2013 Combinações de Negócios. A ava-
liação do investimento em controlada é feito 
pela equivalência patrimonial e devem ser se-
guidos os procedimentos detalhados no CPC 
18 (R2) \u2013 Investimento em Coligada, em Con-
trolada e em Empreendimento Controlado 
em Conjunto, por exigência da lei societária 
brasileira. Nas normas internacionais a apli-
cação da equivalência patrimonial no caso de 
controlada é vedada, mas está em processo 
de mudança. Torna-se, no caso de existência 
de pelo menos uma controlada, a elaboração 
das demonstrações consolidadas, que será 
feita de acordo com o CPC 36 \u2013 Demonstra-
ções Consolidadas. Esse assunto será tratado 
em detalhes no Capítulo 26 \u2013 Combinações 
de Negócios e no Capítulo 41 \u2013 Consolidação 
das Demonstrações Contábeis e Demonstra-
ções Separadas.
O capítulo anterior abordou a avaliação dos inves-
timentos permanentes em outras sociedades pelo méto-
do do custo e o presente capítulo aborda, em particular, 
a avaliação dos investimentos pelo método de equiva-
lência patrimonial, ambos considerando a legislação 
societária e os pronunciamentos do CPC.
O método da equivalência patrimonial concentra 
complexidades e dificuldades de aplicação prática. To-
davia, apresenta resultados significativamente mais 
adequados e traz reflexos relevantes nas demonstrações 
contábeis das empresas com participação em coligadas, 
em controladas e em controladas em conjunto, com re-
percussões positivas particularmente nos mercados de 
capitais e de crédito. Por esse critério, as empresas re-
conhecem a parte que lhes cabe nos resultados gerados 
por suas investidas no momento em que tais resultados 
são gerados naquelas empresas, e não somente no mo-
mento em que são distribuídos na forma de dividendos, 
como ocorre no método de custo. Portanto, o método 
da equivalência patrimonial acompanha o fato econô-
mico, que é a geração dos resultados e não a formalida-
de da distribuição de tal resultado.
O método do custo baseia-se no fato de que a in-
vestidora registra somente as operações ou transações 
baseadas em atos formais, pois, de fato, os dividendos 
são registrados como receita quando o direito ao seu 
recebimento estiver estabelecido. Portanto, não impor-
ta quando ou quanto foi gerado de lucro ou outra mu-
tação no patrimônio líquido da investida, mas sim as 
datas e atos formais de distribuição de lucros. Com isso, 
deixa-se de reconhecer, na investidora, a parte que lhe 
cabe nos lucros gerados e não distribuídos pela investi-
da e em outras mutações de patrimônio líquido.
De forma contrária, a equivalência patrimonial 
fundamenta-se na diretriz de que a parte da investidora 
nos resultados e quaisquer outras variações patrimo-
niais da investida seja reconhecida (na investidora) no 
momento de sua geração (na investida).
Imagine-se uma investida que tenha lucros não 
distribuídos que faça com que seu patrimônio líquido 
dobre em 5 anos. Com o investimento avaliado pelo 
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custo, metade do seu patrimônio líquido não estará sen-
do reconhecido pela investidora. Assim, a parte relativa 
aos lucros não distribuídos será reconhecida somente 
quando os lucros forem declarados ou distribuídos um 
dia, ou, então, quando da venda do investimento.
Além disso, no método do custo a existência de 
prejuízos na investida também pode não estar sendo re-
conhecida na investidora, a não ser que haja evidência 
de que o valor recuperável do investimento pode estar 
sendo afetado e se proceda ao reconhecimento de uma 
perda (impairment) do investimento.
A utilização do método de equivalência patrimo-
nial, por outro lado, faz com que essas distorções não 
aconteçam. Isso porque a parte do investidor em qual-
quer mutação de patrimônio líquido da investida é re-
conhecida no saldo contábil do investimento. Portanto, 
o investidor reconhece os lucros e prejuízos da investi-
da, e eventuais