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METODOLOGIA DE PESQUISA AULA 1 – A PESQUISA E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de graduação, objetiva alcançar uma qualificação teórica e metodológica dos graduandos (BOAVENTURA, 2009. p. 20). Sua elaboração exige um cuidadoso processo de pesquisa que se inicia com a definição do tema, sua delimitação, investigação bibliográfica, atendendo às orientações da ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. Em nossa disciplina, vamos refletir sobre esse importante momento para a sua formação, com destaque em uma postura reflexiva, crítica e criadora, sem descuidar de uma especulação filosófica, concernente à Ética na construção de um pensamento científico com autoria. A disciplina objetiva, assim, fornecer instrumentos capazes de conduzi-lo por caminhos seguros para o rigor científico requerido pela universidade. Nesse sentido, o ponto de partida para a tarefa começa pelo tema Pesquisa. Você Saberia Dizer o Que é Pesquisa? É um trabalho para entregar ao seu professor? É a cópia de vários textos e vários livros investigados? Impressão de tudo o que você acha na Internet sobre determinado assunto? A Internet é confiável? Qual o resultado que se espera ao término de uma Pesquisa? A pesquisa precisa ser original, ou um resumo do que já foi produzido? Desmistificando o Conceito de Pesquisa! Vamos conhecer algumas definições? Pesquisa: (...) atividade intelectual intencional que visa responder às necessidades humanas. (...) Pesquisar é o exercício intencional da pura atividade intelectual, visando melhorar as condições práticas de existências (SANTOS, 2007. p. 17-20). A pesquisa é um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que permite descobrir novos fatos ou dados, soluções ou leis, em qualquer área do conhecimento. Dessa forma, a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas por meio dos processos do método científico. Podemos, assim, indicar os três elementos que caracterizam a pesquisa: o levantamento de algum problema; a solução à qual se chega; os meios escolhidos para chegar a essa solução, a saber, os instrumentos científicos e os procedimentos adequados. (RAMPAZZO, 2005. p. 49) Uma definição pertinente de pesquisa poderia ser: diálogo inteligente com a realidade, tornando-se como processo e atitude, e como integrante do cotidiano. (...) Diálogo é fala contrária, entre atores que se encontram e se defrontam. (DEMO, 2009. p. 37) Pesquisar é pensar, refletir, ler, discutir, perguntar, criticar, descobrir, enfim, e buscar uma visão, uma explicação, uma idéia, uma solução para as perguntas e problemas que nos movimentam e interessam; é construir, formar e organizar um pensamento (próprio ou não); é alcançar um resultado que apazigue ou que confirme a inquietude inicial. Saber pesquisar é uma maneira para enfrentar qualquer desafio novo, e a vida dos profissionais é uma constante renovação destes desafios. (MARQUES, 2003) Segundo Pedro Demo (2009), pesquisar coincide com criação e emancipação. Através da pesquisa, se estabelece um verdadeiro diálogo com a realidade nos permitindo construir uma consciência crítica, um espírito crítico. Por isso, não se trata de copiar o que já foi dito, mas reconstruir oferecendo novas possibilidades. O processo da pesquisa não está reservado a poucos, mas integra o caminho de todo o estudante universitário. Para tanto, é preciso conhecer a trajetória acadêmica, ter o domínio das técnicas, o manejo dos dados e os conhecimentos das regras de formatação – as regras do jogo. Podemos concluir que toda pesquisa revela um: Procedimento reflexivo; Procedimento sistemático; Procedimento crítico; É uma atividade voltada para a solução de problemas. Três elementos caracterizam a pesquisa O levantamento de algum problema; A solução à qual se chega; Os meios escolhidos para chegar a essa solução. A pesquisa pressupõe o conhecimento dos conteúdos mais importantes, a atualização nas polêmicas teóricas, a precisão no uso dos conceitos e a criatividade na interpretação. Como afirma Pedro Demo (2009), quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta. Ou aproveitando uma idéia do senso comum: o que os olhos não veem (leia-se leem), o coração não sente! Por que Pesquisar? Na vida, encontramos muitas razões que direcionam um profissional a realizar uma pesquisa. Na universidade, a pesquisa assume um lugar de destaque. É indiscutível que o ensino sempre foi considerado uma atividade primordial da universidade, desde a Idade Média. Todavia, o princípio que relaciona ensino e pesquisa foi apresentado pó Wilhelm Von Humboldt, na ocasião que criou a Universidade de Berlim, em 1810, introduzido no ensino brasileiro em 1968, para enriquecer a atividade universitária (BOAVENTURA, 2009. p. 20). Nesse sentido, a nossa trajetória tem mostrado que essa relação se tornou um instrumento útil de qualificação teórica para os estudantes. O Ponto de Partida! Para iniciar uma pesquisa é preciso conhecer os tipos disponíveis. E, nesse sentido, uma classificação com base em critérios poderá ser útil. Nesse processo, alguns cuidados são recomendáveis. Encontramos em farta literatura sobre o assunto uma classificação do ponto de vista de: Sua natureza, ou seja, essência; Sua abordagem, que significa forma de tratar alguma questão; Seus objetivos, entenda-se finalidade ou motivo; Seus procedimentos, que se traduz no sentido de maneiras de agir ou instruções. Recomendamos a você que estude o significado de cada um, considerando a pesquisa que terá de realizar. Classificação da Pesquisa: Do ponto de vista da sua NATUREZA, ou seja, aquilo que compõe a substância do ser ou essência da pesquisa. Pesquisa Pura: Objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Motivada basicamente pela curiosidade intelectual do pesquisador; Pesquisa Aplicada: Objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. Do ponto de vista de sua ABORDAGEM, o que significa dizer modo de tratar ou ponto de vista de uma questão. Pesquisa Quantitativa: Traduz em números opiniões e informações para classificá-los e organizá-los. Utiliza métodos estatísticos. Pesquisa Qualitativa: Neste enfoque não há medição numérica, como as descrições, mas o seu propósito está em reconsiderar ou reconstruir a realidade observada. Assim, considera a existência de uma relação dinâmica entre mundo real e o sujeito. Busca dar significado às relações entre os fenômenos*. * Importante esclarecer que o termo fenômeno pode designar um fato percebido por alguém. Neste caso, a percepção que determinado observador tem de um fato é o que o caracteriza como fenômeno. Do ponto de vista dos OBJETIVOS, ou seja, quanto ao seu fim, propósito: Exploratório: É considerado o passo inicial de qualquer pesquisa. Trata-se de uma observação, ou seja, consiste em recolher e registrar os fatos da realidade. Neste modelo temos a possibilidade de aprimoramento de ideias. Geralmente, neste tipo de pesquisa há o levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que experimentaram situações que estejam sendo pesquisadas e análise de exemplos. Descritiva: O objetivo principal é descrever as características de algum fenômeno observado, descobrir a frequência com que ocorre, sua relação e sua conexão com outros fenômenos. Esta modalidade é típica das ciências humanas e sociais. Neste tipo de pesquisa, o estudante deve observar,registrar, analisar e correlacionar fatos ou fenômenos (variáveis), sem manipulá-los. Explicativa: O objeto está em identificar os fatores que determinam ou contribuem para a ocorrência dos fenômenos. Neste modelo, temos um efetivo aprofundamento de conhecimentos, porque busca entender ou explicar as razões das coisas, o que amplia o entendimento. Nada impede que uma pesquisa explicativa seja a continuação de uma descritiva ou exploratória. Quanto aos PROCEDIMENTOS, significa maneira de agir, modo de proceder, modo de fazer (algo), técnica, processo ou método. Assim, vejamos: Pesquisa bibliográfica: Trata-se de uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as etapas de uma pesquisa, na medida em que der o embasamento teórico em que se baseará o trabalho. Consistem no levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa. Bibliografia é o conjunto dos livros escritos sobre determinado assunto, por autores conhecidos e identificados ou anônimos. Segundo Carlos Antônio Gil (1991, p.48): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Pesquisa documental: Trata-se de uma pesquisa realizada através de documentos que podem ser: documentos pessoais, cartas, diários, jornais, balancetes, microfilmes, fotografias, memorandos, ofícios, vídeos, documentos estatísticos e outros. Há uma análise da descrição do conteúdo manifesto para se alcançar uma rede de significados. Em ciência, documento é toda forma de registro e sistematização de dados, informações, colocando-os em condição de análise por parte do pesquisador. Pesquisa de campo: É a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e observações. Segundo Antônio Joaquim Severino (2007, p. 123), na pesquisa de campo “o objeto é abordado em seu próprio meio. A coleta de dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados”. Histórica: Descreve o que já aconteceu, sob a forma de investigação, registro, análise e interpretação de fatos ocorridos no passado, para poder compreender o presente. Os dados podem ser coletados em: fontes primárias - quando o investigador foi o observador direto dos eventos ou utiliza materiais de primeira mão; fontes secundárias - quando os eventos foram observados e reportados por outras pessoas e não diretamente pelo investigador. Neste caso, os dados exigem cuidadosa e objetiva análise a fim de avaliar sua autenticidade e relevância. Você já reparou que os filmes de época exigem um estudo histórico prévio? Comparada: Procura estabelecer semelhanças e diferenças entre situações, fenômenos e coisas, por meio de relações entre os elementos que são comparados. O Que se Pode Pesquisar na Internet? A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo inteiro. Nesse sentido, permite a pesquisa de milhares de informações diferentes, hoje, um acervo extraordinário. Como encontramos muitas informações, temos que selecionar o material de pesquisa em sites confiáveis. Para pesquisar na Internet, temos sites de busca, tais como: Google, Alta Vista, Excite e Yahoo. Além de vários endereços eletrônicos de bibliotecas que colocam à disposição informações de fontes bibliográficas. Também, encontramos disponível na Internet o site de editoras contendo informações sobre os lançamentos editoriais; sites de revistas eletrônicas, jornais, instituições de pesquisas e entidades culturais. Em qualquer situação é importante respeitar as regras de utilização das informações disponíveis. Nunca utilize informações de outrem sem referenciar a fonte. Ademais, observe a veracidade das informações postadas na Web. Administre as imperfeições no conteúdo, verificando a fonte da informação obtida. Lembre-se, a Internet é livre, mas há autoria que deve ser respeitada. Wikipédia É uma enciclopédia livre, baseada na edição do seu conteúdo de forma colaborativa. Qualquer pessoa poderá se tornar um editor de algum conteúdo. Observe que uma enciclopédia multilíngüe, podendo ser escrita em diversos idiomas e em diferentes regiões. Por ser uma enciclopédia livre, não há fins lucrativos e qualquer informação publicada poderá ser transcrita, modifica e ampliada por qualquer pessoa. Será que é confiável? AULA 2 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: A ESCOLHA DO TEMA E A IMPORTÂNCIA DE SUA DELIMITAÇÃO Como começar uma pesquisa? Inicia-se uma pesquisa pela escolha do tema. Para tanto é preciso uma série de cuidados e, nesse sentido, é importante observar que independente da área de saber, todos enfrentam desafios parecidos: escolher um tema para pesquisar não é fácil! O tema representa o objeto da pesquisa. Por objeto, entende-se aquilo que é pensado, que será investigado (LALANDE, 1993). Assim, deve ser mais restrito que o assunto, faz parte dele. Isso mostra que o assunto é mais amplo e abrangente que o tema (LEITE, 2008, p. 190). Acrescente-se, também, que o tema precisa ser específico para que as respostas, ao final da pesquisa, sejam igualmente específicas. Por isso, costuma-se dizer que a primeira e fundamental fase de qualquer pesquisa é a definição do que vai ser pesquisado. Logo, a escolha do tema não deve ser apressada (SANTOS; MOLINA; DIAS, 2007). Nesta tarefa requer-se habilidade teórico-crítica, ou seja, conhecer e dominar os conceitos, as abordagens e os autores relevantes para a pesquisa como um pressuposto importante para a escolha do tema. Há uma recomendação neste caso: Ler tanto quanto o tempo permita sobre o seu tema pode-lhe dar ideias não somente sobre a pesquisa que outros têm feito, mas também sobre sua abordagem e seus métodos (BELL, 2008, p. 57). Do Tema ao Objeto de Pesquisa! Quando se pretende construir um objeto de pesquisa, deve-se transformar o assunto em tema e este num objeto de investigação delimitado e preciso. Se por hipótese, um pesquisador desejar investigar o assunto violência. Deve-se indagar a que tipo de violência se refere, pois há muitas possibilidades. Poderá investigar tal assunto sob o enfoque teórico, mas deverá escolher as teorias, os autores, por exemplo. Podemos investigá-la sob o ponto de vista social, jurídico, psicológico, filosófico etc. Se preferir direcionar sua pesquisa para um estudo empírico precisará delimitar a um caso concreto, descrevendo-o minuciosamente. Assim, conseguirá transformar um tema em um verdadeiro objeto de pesquisa. Poderá pesquisar, por exemplo, os aspectos da violência doméstica contra adolescentes na realidade fluminense e suas relações com as condições sociais e econômicas das famílias moradoras nas comunidades carentes. Temos aqui um tipo específico de violência: a violência doméstica. Acrescente-se que a pesquisa pretende focalizar adolescentes na realidade fluminense e, em comunidades carentes. A partir de um tema específico poderemos alcançar respostas específicas. Imagine que um pesquisador pretende investigar o tema liderança. Para tanto, deverá transformá-lo num objeto de pesquisa, porque falar tudo o que sabe sobre liderança não caracteriza seu trabalho como um trabalho científico. E mais: o tema é muito amplo e fatalmente haverá omissões. Após as leituras necessárias poderá investigar como a liderança autoritária compromete a motivaçãodos funcionários da Empresa XYZ. Observe que delimitou a um tipo específico de liderança e sua influência em determinada empresa. A partir de agora, pense no assunto que você gostaria de pesquisar. Lembre-se: originalidade não é pré-requisito. E Que Critérios Devem Ser Considerados Para a Escolha do Tema? O tema deve ser ESPECÍFICO! O autor do tema deve ser, nas palavras de Umberto Eco, “a maior autoridade viva sobre o assunto”. Não se assuste, mas é preciso conhecer e dominar o assunto escolhido, pois um tema maldelimitado eliminará qualquer possibilidade de uma contribuição inovadora. Segundo Welber Oliveira Barral (2010, p. 38), com um tema muito amplo, o pesquisador fará, no máximo, a revisão bibliográfica do tema, ou seja, um “fichamento”: uma listagem aborrecida de “fulano disse”, “beltrano falou”, que não trará novidade à matéria. Não se esquece: um tema amplo possibilita omissões; um tema específico dará mais segurança ao pesquisador. O tema deve ser ACESSÍVEL! Um tema acessível significa que as fontes devem ser examinadas pelo pesquisador. Como sugestão, observamos que: “(a) não se pode fazer uma pesquisa sobre tema cujas fontes primárias estejam em idioma estrangeiro; (b) se a pesquisa for sobre a obra de um autor estrangeiro, deve-se ler no original; (c) algumas disciplinas dependem mais da literatura estrangeira na revisão bibliográfica” (BARRAL, 2010. p. 39-40) Imagine que alguém resolva fazer uma pesquisa original sobre a estrutura familiar entre os ianomâmis. Provavelmente, não encontrará literatura disponível sobre o assunto. Neste caso, vale indagar: teria disponibilidade para viver por algum tempo numa reserva indígena? Que resposta daria? E se um pesquisador decidir realizar uma pesquisa sobre o novo código civil húngaro. Termos aqui um grande problema: ele não domina a língua húngara. Certamente, não terá acesso às fontes primárias mais importantes para desenvolver o seu tema. A necessidade de que o tema seja EXEQUÍVEL no prazo estipulado! Um erro comum é acreditar que um trabalho inovador poderá ser feito em poucos dias. Um trabalho científico exige tempo para pesquisar as fontes, ler a bibliografia, refletir, escrever, revisar, corrigir. Nesse sentido, o pesquisador deve estar atento ao prazo determinado por sua instituição de ensino e “não ceder à tentação de mudar de tema ao longo da pesquisa”. (BARRAL, 2010. p. 39-40) A escolha do tema também deve considerar as EXIGÊNCIAS INSTITUCIONAIS! O curso pode ter linhas de pesquisa específicas, dentro das quais devem se encaixar os trabalhos realizados pelos alunos. Esse direcionamento temática é relevante porque reflete na disponibilidade de um orientador, ou seja, um professor que domine o tema, e possa, assim, auxiliá-lo ao longo da pesquisa. (BARRAL, 2010. p. 39-40) Sugere-se que o tema seja ATUAL e CONTROVERTIDO! Um tema histórico pode ser interessante se há a necessidade de se esclarecer um problema atual. O conhecimento das experiências passadas, certamente, contribui para a compreensão da atualidade, bem como poderá minimizar eventuais erros. Todavia, há algumas dificuldades num tema histórico, principalmente no que tange ao acesso às fontes. A escolha de um tema do momento – também traz riscos e dificuldades. Algumas recomendações podem ser feitas também para se identificar temas atuais: conversas com o orientador e outros pesquisadores, participação em congressos na área de interesse e leitura de periódicos atualizados. (BARRAL, 2010. p. 43) A aptidão para o tema, o interesse pessoal e a maturidade intelectual! Entende-se por aptidão, a facilidade de aprendizado de uma determinada área de conhecimento. E neste ponto, é bom recomendar que “será mais fácil ao estudante dedicar-se a uma área de conhecimento para a qual tenha aptidão, para a qual demonstre facilidade de aprendizado e entusiasmo para conhecer mais”. Deve-se tomar muito cuidado para não ser seduzido pela simpatia a professores, palestrantes, e não a temas. (BARRAL, 2010. p. 43) Possivelmente, o trabalho será árduo se o estudante não tiver maturidade intelectual para enfrentar os desafios do tema escolhido. Essa maturidade se adquire com o tempo e com horas de leitura e análise. Não se pode aguardar a inspiração chegar, pois não há atalhos ou fórmulas mágicas para elaboração de um trabalho. A recomendação é a seguinte: o estudante deve se esforçar para compatibilizar o tema escolhido com o seu interesse pessoal. Segundo Antônio Carlos Gil (2010. p. 1), há razões de ordem intelectual e de ordem prática que determinam uma pesquisa. Welber Oliveira Barral (2010. p. 43), ilustra, com muita propriedade, o critério da maturidade intelectual, a partir de um exemplo interessante: Imagine um pesquisador que apresentou um excelente projeto, sobre a caracterização do crime na obra de Michel Foucault, sobre quem havia lido apenas um artigo. Ora, Foucault é um autor difícil, com obras extremamente densas, que demandam prévias leituras, para conhecer termos e conceitos criados pelo próprio autor. E isso não era possível no prazo que o pesquisador tinha à disposição, e que não lhe permitiria desenvolver a maturidade necessária à compreensão do tema. De um modo geral, os autores em metodologia da pesquisa observam que o envolvimento com a pesquisa exige a disposição para a aprendizagem de conceitos1 e teorias2 da área de saber escolhida pelo estudante. À medida que o estudante se insere nessa tarefa, vai adquirindo mais autonomia intelectual para produzir uma pesquisa. 1 “Representação mental de um objeto abstrato ou concreto, que se mostra como um instrumento fundamental do pensamento em sua tarefa de identificar, descrever e classificar os diferentes elementos e aspectos da realidade” (Dicionário HOUAISS) 2 “Uma série de proposições abstratas inter-relacionadas sobre as questões humanas e o mundo social que explicam suas regularidades e relacionamentos” (BREWER, 2000. p. 192 apud BELL, 2008. p. 90). “um conjunto de constructos (conceitos) inter-relacionados, definições e proposições, que apresenta uma concepção sistemática dos fenômenos mediante a especificação de relações entre variáveis, com o propósito de explicá-los e prevê-los”. (KERLINGER, 1973 apud CERVO; BERVIAN; SILVA, 2006. p. 22) As atividades acadêmicas, tais como elaboração de resumos, resenhas, pesquisa bibliográfica, relatórios, seminários e fichamento de textos contribuem para a idéia de atividade científica, a partir de três elementos, a saber: adquirir conhecimentos, criar novos conhecimentos e comunicá-los à comunidade científica através de um trabalho de conclusão de curso. A atividade científica, nesse sentido, envolve criticidade, rigor, disciplina e sistematicidade no manejo do objeto da pesquisa. Uma dica! Procure elaborar um mapa conceitual sobre o tema da sua pesquisa. Podemos dizer que mapa conceitual é uma representação gráfica de um conjunto de conceitos que se relacionam dentro de um tema. Neste mapa, inserimos conceitos e observamos as relações que guardem entre si. As relações entre os conceitos são especificadas através de frases/palavras de ligação nos arcos que unem os conceitos. As frases/palavras de ligação têm funções estruturantes e exercem papel fundamental na representação de uma relação entre dois conceitos. Muitos denominam o mapa conceitual como um brainstorm1, expressão em língua inglesa que denota “tempestade de idéias.” 1 Técnica de discussão em grupo que se vale da contribuição espontânea de idéias por parte de todos os participantes, no intuito de resolver algum problema ou de conceber um trabalho criativo. (Dicionário HOUAISS) Observe que o tema centralé Tempos Modernos. Na tentativa de delimitar o tema, o pesquisador relacionou o conceito aos termos: filme, crescimento populacional, violência etc. Usou palavras de ligação tais como: facilitou, aumenta, ampliou, modifica etc. Siga este exemplo! Sempre que se inicia uma pesquisa, há muitas informações que precisam ser selecionadas, organizadas e classificadas. É preciso pensar nas questões-chave que envolvem o seu tema, as principais teorias, como foram aplicadas e desenvolvidas, bem como as principais críticas que foram elaboradas em relação ao tema escolhido. Com o mapa conceitual você terá um quadro contendo os pontos centrais que envolvem o seu tema, ou seja, elabora um esboço de estrutura teórica1 com os aspectos principais a serem estudados. 1 Estruturas são mecanismos eficientes para reunir e sumarizar fatos. Estrutura teórica é um dispositivo explanatório que explica os pontos principais a serem estudados. (BELL, 2008. p. 91) AULA 3 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: REALIZAÇÃO DA PESQUISA BIBLIOGRÁFICA E SUA DISCUSSÃO “Se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes” Isaac Newton Isaac Newton foi considerado um grande pensador da Física Moderna, mas confessou que não chegou ao lugar que queria sozinho. Precisou investigar pensadores e suas obras. Newton não elaborou sua teoria da gravidade do nada, mas seu ponto de partida foram as idéias de quem veio antes dele. Assim, nos ensina uma boa lição: qualquer estudo científico deve partir de pesquisas bibliográficas e/ou documentais. Isto significa dizer que o estudante deve basear suas idéias em teorias já existentes ou informações específicas sobre o tema a ser estudado. Dessa maneira, não vai realizar o seu trabalho às cegas, mas tudo o que disser encontrará apoio em autores estudiosos do assunto e em trabalhos publicados. A estrutura teórica a ser utilizada na pesquisa científica deve resultar de dados bibliográficos e documentais selecionados criteriosamente em leituras e fichamentos. Segundo autores de metodologia: Qualquer espécie de pesquisa, em qualquer área, supõe e exige uma pesquisa bibliográfica prévia, quer para o levantamento do estado da arte do tema, quer para a fundamentação teórica ou ainda para justificar os limites e as contribuições da própria pesquisa. (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2006. p. 60) Lembre-se, qualquer trabalho científico só assumirá esse caráter se discutido, analisado ou fundamentado em conceitos e teorias já consagradas, seja para confirmar ou não as idéias presentes no trabalho. Tal fundamentação teórica se faz por meio de uma pesquisa bibliográfica e/ou documental exaustiva. Conceitos Importantes! Antes de tudo é preciso conhecer alguns conceitos, tais como: fonte bibliográfica, fontes primárias e secundárias. Em metodologia, entende-se por fonte e informação essencial para a construção do conhecimento a partir da escolha do objeto de pesquisa. Nesse aspecto, é muito comum diferenciar fontes primárias de secundárias. Sendo a fonte primária, o objeto em análise. Nos dizeres de Welber Oliveira Barral (2010. p. 91), “numa pesquisa de laboratório, as fontes primárias serão os resultados obtidos a partir da experiência química. Numa pesquisa antropológica, serão os relatórios relativos ao comportamento do grupo social observado”. Quando investigamos fontes secundárias, analisamos os comentários sobre as fontes primárias. Trata-se da literatura disponível sobre o tema, estudos publicados, palestras e conferências em que um pesquisador apresenta seus estudos sobre determinado objeto de pesquisa. (BARRAL, 2010) Nesta classificação das fontes, uma conseqüência é inevitável: a fonte primária é prioritária para qualquer pesquisa. Não se deve construir o embasamento teórico de uma pesquisa apenas sobre fontes secundárias. (BARRAL, 2010) Alguns Cuidados são Importantes Não podemos usar a fonte secundária para confirmar a existência de um dado primário. Por exemplo: “Segundo Norberto Bobbio, o conceito de vontade geral é definido por Rousseau como...”. Observe que Rousseau é a fonte primária, assim o estudante deve examiná-lo e interpretá-lo diretamente. Como adverte Welber Oliveira Barral (2010, p. 92), “ao socorre-se de argumento de autoridade, na realidade enfraquece seu papel de intérprete. E isso não é admissível numa pesquisa científica”. Deve-se esgotar a fonte primária, lendo o conteúdo com cuidado para embasar suas idéias de maneira eficiente. Por exemplo: imagine uma pesquisa realizada por um estudante de Direito sobre os direitos da companheira. Ele deseja investigar como o Tribunal de Justiça do seu Estado está interpretando a lei. Neste caso, é importante examinar minuciosamente a íntegra dos acórdãos deste Tribunal e não somente a ementa das decisões. Numa pesquisa deve-se evitar o uso de manuais, porque são publicações didáticas que apresentam uma abordagem inicial e superficial sobre os temas discutidos. Tais publicações servem ao propósito de despertar o interesse do estudante. Assim, cuidado, pois manuais não são fontes primárias, bem como não são considerados como fontes secundárias. Todo estudante pergunta quantas fontes devem ser consultadas. O fato é que sobre o tema da sua pesquisa, você deverá ler tudo o que já se publicou. Como recomenda Welber Oliveira Barral (2010, p. 93), “todas as publicações referentes ao problema escolhido devem ser analisadas”. Não confie na sua memória! Faça anotações e previna-se contra o plágio. Todos os dados utilizados na sua pesquisa devem provir de fontes confiáveis, e mais, identificáveis. Anote os elementos essenciais da obra que está sendo utilizada. Para tanto, consulte a ficha catalográfica que fica no verso da folha de rosto da publicação. Vamos combinar que perder horas para achar o nome da editora daquele livro importantíssimo, mas que você não anotou, ninguém merece! Pesquisa Bibliográfica É uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as etapas de uma pesquisa, na medida em que der o embasamento teórico em que se baseará o trabalho. Consistem no levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa. O termo bibliografia significa o conjunto dos livros escritos sobre determinado assunto, por autores conhecidos e identificados ou anônimos. Há uma regra de ouro no caso da pesquisa bibliográfica: nunca vá a uma biblioteca sem saber exatamente o que procurar. Existem obras de referência que são publicações que trazem resumos de trabalhos publicados em diversas áreas, consulte-as! A pesquisa bibliográfica é, portanto o exame de uma bibliografia para levantamento e análise do que já se produziu sobre determinado assunto que assumimos como tema de pesquisa científica. E nesse sentido encontramos dois tipos de fontes: Fontes primárias: contém trabalhos originais com conhecimento original e publicado pela primeira vez pelos autores. Exemplos: monografias, teses universitárias, livros, relatórios técnicos, artigos em revistas científicas, anais de congressos. Fontes secundárias: contém trabalhos não originais e que basicamente citam, revisam e interpretam trabalhos originais. Exemplos: artigos de revisão bibliográfica, livros-texto, tratados, enciclopédias, artigos de divulgação. Segundo Carlos Antônio Gil (2010. p. 29): A pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado. Tradicionalmente, esta modalidade de pesquisa inclui material impresso, como livros, revistas, jornais, teses, dissertações e anis de eventos científicos. Todavia, em virtude da disseminação de novos formatos de informação, estas pesquisas passaram a incluir outros tipos de fontes, comodiscos, fitas magnéticas, CDs, bem como o material disponibilizado pela Internet. Pesquisa Documental Trata-se de uma pesquisa realizada através de documentos que podem ser: documentos pessoais, cartas, diárias, jornais, balancetes, microfilmes, fotografias, memorando, ofícios, vídeos, documentos estatísticos e outros. Há uma análise da descrição do conteúdo manifesto para se alcançar uma rede de significados. Em ciência, documento é toda forma de registro e sistematização de dados, informações, colocando-os em condição de análise por parte do pesquisador. Para Antônio Carlos Gil (2010) a pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa bibliográfica. A diferença está no fato de a bibliográfica utilizar fundamentalmente as contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto. Neste caso, utiliza materiais que não receberam o tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados. Neste aspecto, observa: “O conceito de documento, por sua vez, é bastante amplo, já que este pode ser constituído por qualquer objeto capaz de comprovar algum fato ou acontecimento”. (Gil, 2010. p. 31) O Que se Pode Pesquisar na Internet? A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo inteiro. Nesse sentido, permite a pesquisa de milhares de informações diferentes, hoje, um acervo extraordinário. Como encontramos muitas informações, temos que selecionar o material de pesquisa em sites confiáveis. Para pesquisa na Internet, temos sites de busca, tais como: Google, Alta Vista, Excite e Yahoo. Além de vários endereços eletrônicos de bibliotecas que colocam à disposição informações de fontes bibliográficas. Também, encontramos disponível na Internet o site das editoras contendo informações sobre os lançamentos editoriais; sites de revistas eletrônicas, jornais, instituições de pesquisas e entidades culturais. Em qualquer situação é importante respeitar as regras de utilização das informações disponíveis. Nunca utilize informações de outrem sem referenciar a fonte. Ademais, observe a veracidade das informações postadas na Web. Administre as imperfeições no conteúdo. Verificando a fonte da informação obtida. → Wikipédia É uma enciclopédia livre, baseada na edição do seu conteúdo de forma colaborativa. Qualquer pessoa poderá se tornar um editor de algum conteúdo. Observe que é uma enciclopédia multilíngüe, podendo ser escrita em diversos idiomas e em diferentes regiões. Por ser uma enciclopédia livre, não há fins lucrativos e qualquer informação publicada poderá ser transcrita, modificada e ampliada por qualquer pessoa. Deve ser manipulada com muito cuidado. Saber usar as ferramentas do Google muitas vezes é a diferença entre demorar ou não para encontrar a informação que você precisa. Vamos conhecer algumas dicas: O Google não considera acentos e não faz diferença entre maiúsculas e minúsculas. Utilize aspas (“”) para frases. Quando você coloca duas ou mais palavras na pesquisa do Google, ele não necessariamente vai procurar essas palavras juntas. Por exemplo: procurando pelas palavras pesquisa e método, aparecerá uma infinidade de resultados. Mas procurando por “método e pesquisa” dará um resultado mais eficiente, porque o Google vai mostrar páginas que tenham as palavras selecionadas nesta ordem específica e juntas. Coloque várias palavras na pesquisa. Se você for específico e incluir mais de duas palavras, a chance é muito mais alta de você ter o site que procura na primeira página dos resultados. Exemplo: se você quer procurar informações sobre alugar um livro de determinada editora ou autor, seja específico e coloque várias palavras. Eu procuraria por metodologia científica “Bervian”. Use o sinal de menos (-) para excluir palavras. Você deseja achar uma receita para cozinhar lula (o molusco). Se você pesquisar por receita lula, você vai achar 1.070.000 páginas, muitas delas falando sobre o presidente e o seu governo. Mas procurando por receita lula –presidente –governo dará um resultado específico. Isso porque o Google exclui todas as páginas que tinha as palavras „presidente‟ e „governo‟. Para utilizar o sinal menos (-), coloque-o antes da palavra que você quer excluir e não deixe espaço entre o sinal e a palavra. Utilize OR para alternativas. Vamos imaginar que você deseja pesquisar sobre as diferentes raças de cachorro que tenham Pastor no nome (pastor alemão, pastor belga, etc.). Existem sites que utilizam a palavra cão e outros a palavra cachorro para se referir aos cachorros. Para incluir todos esses sites, utilize o termo OR (que quer dizer OU em inglês). Abuse o termo define: para achar definições. Se você quiser achar rapidamente definições de palavras, utilize a expressão define: <palavra>. Por exemplo, para saber o que quer dizer o termo metodologia, define: metodologia. Para fazer uma boa pesquisa bibliográfica é preciso seguir algumas etapas. Vamos conhecê- las? Identificar e conhecer o acervo existente sobre o assunto nas bibliotecas a serem consultadas; Localizar e fichar os diferentes tipos de obras e documentos ali catalogadas, como livros, artigos, revistas, jornais, relatórios científicos etc; Iniciar a consulta pela leitura geral sobre o assunto, depois pela leitura especializada; Copiar os dados e informações obtidos anotando as referências indispensáveis para o trabalho. Dica! Alguns autores sugerem o fichamento como recurso útil no momento de uma pesquisa bibliográfica. De fato, nos parece um recurso valioso. Vamos aproveitar os exemplos ofertados por Welber Oliveira Barral (2010. p. 100-101) sobre os tipos de fichamento: 1. Fichamento de uma citação: transcrever trechos significativos da obra. 2. Fichamento resumo: paráfrases, sínteses pessoais das principais idéias do autor. 3. Fichamento crítico (resenha): o autor do fichamento elabora um resumo das idéias do autor lido e oferece uma opinião pessoal sobre o tema estudado. Preparando o Terreno... Já vimos que se deve ler tanto quanto o tempo permitia. Nesta tarefa, certifique-se se você pode confiar no que está lendo. E se existem outras fontes confirmando ou não tais idéias. Cabe lembrar que é preciso saber quem é o autor que está sendo lido, sua trajetória em determinado campo do saber e se o seu pensamento é tendencioso ou não. Assim que você estabelecer uma rotina para isso, o registro de tais informações será automático. Não dependa somente de informações obtidas na Internet e utilize o tipo de fichamento que lhe for mais conveniente. Consulte obras de referências, periódicos científicos, teses e dissertações, anais de encontros científicos e periódicos de indexação e resumo. Por fim, uma recomendação bem interessante de Welber Oliveira Barral (2010. p. 94) e que poderá ser muito útil: Uma recomendação especial se refere à coleta e armazenamento de dados por meio eletrônico. Em outras palavras, o seu cândido computador não é um ser confiável. Ele terá algum problema grave por ano. Por isso, tome cuidado em gravar semanalmente uma cópia de segurança de todos os dados obtidos eletronicamente e, obviamente, dos capítulos redigidos. Lembre-se da Lei de Murphy: se alguma coisa pode dar errado, ela vai dar errado. E, normalmente, às vésperas da data de entrega do trabalho. AULA 4 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: A PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA. A CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES E AS QUESTÕES NORTEADORAS O Problema Científico: A Problematização do Tema Quando realizamos uma pesquisa, não basta delimitar o tema a um objeto de pesquisa, mas deve-se identificar em seguida um problema específico que será analisado no trabalho. Problematizar é outrodesafio após a escolha do tema, mas configura passo importante para o estudo. Quando problematizamos explicitamos a dificuldade que pretendemos resolver. É neste ponto que a problematização se relaciona diretamente com o foco do trabalho, no que se refere ao tema selecionado. É a pergunta a ser respondida ao final, pois um tema pode abranger problemas distintos. Por isso, se o estudante não delimitar claramente o problema – o enfoque – terá dificuldades em organizar a pesquisa e a redação. Para dar maior clareza, deve-se formular o problema como um questionamento, encerrando a frase com um ponto de interrogação. O trabalho pretenderá, portanto, responder àquele questionamento específico. Assim como a descrição de um tema, sua delimitação, a explicação de um objetivo, seja ele real ou específico, a formulação do problema é imprescindível à pesquisa. O mesmo deve ter as seguintes características: clareza, objetividade, concisão e especificidade, evitando, assim, formulações genéricas que lembrem um questionário qualquer, em que não se consiga um desenvolvimento mais profundo. (KAHLMEYER-MERTENS, 2007. p. 39) Com a formulação do problema como uma pergunta, deve-se esclarecer para o próprio estudante qual é o foco central do trabalho, o que se saberá quando a pesquisa for concluída. Podemos denominar de questão-problema, pergunta de partida ou questão norteadora da pesquisa. Os dicionários definem o termo problema como obstáculo, contratempo, dificuldade que desafia a capacidade de solucionar de alguém. Também mencionam: situação difícil, conflito, pessoa, coisa ou situação incômoda, preocupante. E problema científico como assunto controverso, ainda não satisfatoriamente respondido, em qualquer campo do conhecimento, e que pode ser objeto de pesquisas científicas ou discussões acadêmicas. Dizendo de outro modo, questão não solvida e que é objeto de discussão, em qualquer domínio do conhecimento. Problematizar significa: (MARTINS, 2005. p. 137) Transformar o assunto e problema, pois assim se torna pesquisável de modo a poder produzir respostas específicas; Identificar no tema escolhido alguma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve encontrar uma solução; Descobrir no assunto uma situação controvertida, passível de discussão. Descobrir no Assunto uma Situação Controvertida, Passível de Discussão Não São Problemas Científicos Segundo Antônio Carlos Gil (2010. p. 8-9), nem todo problema é passível de tratamento científico! Vamos começar observando o que não pode ser considerado um problema científico e as razões dessa negativa. Deve-se indagar se o problema formulado se enquadra na categoria de problema científico. Portanto, não são problemas científicos aqueles que expressam o sentido de problemas ou questões de engenharia. Essa denominação foi criada por Fred Kerlinger (1980 apud Gil, 2010) porque denotam a preocupação em como fazer algo de maneira eficiente. Em nada se relaciona com a faculdade de engenharia, mas com construção, criação, execução de algo em que se utilize engenho e arte. Nas palavras de Antônio Carlos Gil (2010. p. 8), não indagam como são as coisas, suas causas e consequências, mas indagam acerca de como fazer as coisas. Exemplo: “Como fazer para melhorar os transportes urbanos?” “Como aumentar a produtividade no trabalho?” Outra categoria que não configura um problema científico são os problemas de valor. Estes são aqueles que indagam se algo é bom ou mau, desejável ou indesejável, certo ou errado, melhor ou pior, se algo deve ou não ser feito (Gil, 2010. p. 9). Aqui, também, não há a possibilidade de uma investigação nos moldes próprios da ciência. Estamos no terreno da subjetividade. Exemplo: “Os pais devem dar palmadas nos filhos?” “Qual a melhor técnica para a propaganda?” Como Formular um Problema Científico? Deve-se tomar como ponto de partida uma proposição que poderá ser testada, verificada. Há critérios para isso. Preste atenção em alguns! (Gil, 2010. p. 10) O problema deve ser claro e preciso: Não deve ser formulado de maneira vaga; Os termos usados devem ser adequados; Deve ser solucionável; Deve apresentar objetividade; Não pode conduzir a julgamento morais (considerações subjetivas); Um bom exemplo para uma questão que prescinde de clareza é a seguinte pergunta: “Como funciona a mente?” ou “Os cavalos possuem inteligência?” Não são problemas solucionáveis, porque ambíguos, vagos ou apresentam uma linguagem do senso comum. (Gil, 2010) Imagine a seguinte questão: “os moradores dos grandes centros são melhores que os do campo?” Estamos diante de julgamentos morais, no campo da subjetividade, inviabilizando uma possível investigação científica. O Problema Deve Ser Delimitado a uma Dimensão Viável: A delimitação do problema está relacionada com os meios disponíveis para investigação; Delimitar significa impor limites, objetivar e restringir. Dica! Após delimitar o tema, procure ler o que os autores falam sobre ele e anote como problematizaram o tema. Observe como levantaram questões norteadoras da pesquisa, bem como responderam a essas questões formuladas. Eis um bom exercício para ajudá-lo na problematização de um tema. Pesquisa alguma poderá prescindir de uma boa problematização! Não se preocupe, porque formular um problema científico nada mais é do que aperfeiçoar, isto é, estruturar com mais detalhes o objeto da pesquisa. Temos que evitar questões demasiado gerais, tais como (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 36-37): “Por que alguns casamentos duram mais que outro?” “As pessoas que se submetem à psicoterapia mudam com o tempo?” “Os empresários se comprometam mais com suas empresas que os funcionários?” “Como estão relacionados os meios de comunicação de massa com o voto?” De fato, a maneira como foram formuladas dá margem à grande quantidade de dúvidas. Como poderei investigá-las? É melhor que sejam precisas. O Problema Deve Conter Variáveis Um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como testáveis, que podem ser observadas e manipuladas, enfim, verificadas na realidade ou em seu meio. O que entendemos por variáveis? Uma variável é uma propriedade que pode variar e, por conseguinte é suscetível de medição e observação. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 121) Podemos pensar em alguns exemplos de variáveis: sexo, atributos físicos, tipos de personalidade, uma situação, um tipo de motivação, produtividade de determinado tipo de objeto, eficiência em procedimentos, eficácia de determinada medida, dentre outros. O termo variável é o dos mais utilizados na linguagem acadêmica. Seu objetivo é o de conferir maior precisão aos enunciados científicos, sejam hipóteses, teorias, leis, princípios ou generalizações. O conceito de variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou diferentes aspectos, segundo os casos particulares ou as circunstâncias (Gil, 2002). p. 36). Assim, adquirem valor para a pesquisa científica quando se relacionam com outras variáveis possibilitando a formulação de uma teoria ou hipótese. É predico definir conceitualmente as variáveis que integram o problema científico. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 121) Exemplo 1: “Em quem medida a escolaridade determina a preferência político-partidária?” Aqui temos duas variáveis relacionando-se: Escolaridade Preferência político-partidária Exemplo 2: “Os alunos de Administração são mais conservadores que os de Ciência Sociais.” Aqui temos duas variáveis relacionando-se: Curso Conservadorismo Exemplo 3: “A classe social da mãe influencia no tempo de amamentação dosfilhos.” Aqui, temos duas variáveis relacionando-se: Classe social Tempo de amamentação As variáveis podem ser: Independentes: são aquelas que influenciam, determinam ou afetam outra variável. São percebidas como a condição ou a causa para certo resultado, efeito ou conseqüência. Exemplo: “Se dermos uma pancada no joelho dobrado de um indivíduo, sua perna esticará.” Dependentes: consistem nos valores a serem explicados ou descobertos, em virtude de serem influenciados, determinados ou afetados pela variável independente. Exemplo: “Se dermos uma pancada no joelho dobrado de um indivíduo, sua perna esticará.” Intervenientes: são aquelas que numa sequência causal, se colocam entre a variável independente e a dependente, tendo como função ampliar, diminuir ou anular a influência de uma sorte a outra. Exemplo: “A liderança autoritária influencia na motivação dos colaboradores”. Variável interveniente, pois interfere na relação entre a variável independente (liderança) e a dependente (motivação). Hipóteses: De Onde Surgem? Quando formulamos um problema científico refletimos sobre possíveis respostas para o problema proposto. Essa resposta provisória é a hipótese do trabalho. “As hipóteses indicam o que estamos buscando ou tentando provar e se definem como tentativas de explicações do fenômeno pesquisado”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 118) A hipótese é a idéia que o trabalho se propõe a apresentar. Advertem alguns autores que nem todas as pesquisas suscitam hipóteses, dependerá da área de saber e o do estudo proposto, porque em muitas situações, principalmente em pesquisas exploratórias não será possível a formulação de hipóteses antes da coleta de dados. Exemplo: Problema: O índice de câncer pulmonar é maior entre fumantes? Hipótese: O índice de câncer pulmonar é maior entre os fumantes do que os não fumantes. Como se percebe no exemplo acima, as hipóteses podem ou não ser comprovadas ao final de uma pesquisa. Ela difere de uma afirmação de fato, porque não estamos certos de sua comprovação antes do término da pesquisa. Inicialmente, há uma tentativa de resposta à pergunta. Observe-se que: A pesquisa científica, as hipóteses são proposições quanto às relações entre duas ou mais variáveis e se fundamentam em conhecimento organizado e sistematizado. As hipóteses podem ser mais ou menos gerais ou precisas, e envolver duas ou mais variáveis, mas em todo caso são apenas proposições sujeitas à comprovação empírica. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 120) Exemplo: “Quanto maior a autoestima, haverá menor medo de sucesso.” Você percebeu que nesta hipótese quando uma variável aumenta a outra diminui? Podemos observar a relação entre as variáveis e o seu sentido. Quais os critérios que devem ser observados na formulação de hipóteses? (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 124) As hipóteses devem referir-se a uma situação real; As variáveis da hipótese devem ser compreensíveis; A relação entre variáveis propostas na hipótese deve ser clara e verossímil; A relação entre as variáveis deve ser observável e mensurável; As hipóteses devem estar relacionadas às técnicas disponíveis para comprová-las. AULA 5 – A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA I: A DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DA PESQUISA A Construção do Projeto de Pesquisa I A determinação dos objetivos e justificativa da pesquisa. Se toda pesquisa está direcionada ao conhecimento, deverá conter objetivos e, nesse sentido, podemos afirmar que os objetivos se aproximam da definição do objeto a ser investigado. Como observa Welber Oliveira Barral (2010. p. 59), “a função do objetivo é justamente repetir onde o autor [da pesquisa] pretende chegar”. Logo, a intenção do pesquisador é precebida a partir dos seus objetivos. Mas o que entendemos por objetivos? Os dicionários definem objetivo como aquilo que se pretende alcançar quando se realiza uma ação. O alvo, fim, propósito e objeto. Assim, indicam o que se pretende conhecer, avaliar ou provar no decorrer da pesquisa. São as metas que se deseja alcançar. Se não construirmos objetivos, não há o que se pesquisar de maneira eficiente. (JACOBINI, 2006) É importante expressar os objetivos com clareza, pois constituem as orientações do estudo, ou seja, tenha-os em mente durante todo o desenvolvimento dos estudos para a pesquisa. Nada impedirá que ao longo das leituras surjam objetivos adicionais, modificações nos objetivos estipulados, tudo depende dos rumos que o trabalho de pesquisa irá tomar após o aprofundamento teórico. Objetivo Geral Indica o resultado pretendido. Por exemplo: identificar, levantar, descobrir, caracterizar, descrever, traçar, analisar, explicar etc. Apresenta de forma genérica, o que pretende o pesquisador no desenvolvimento do assunto a ser abordado, independentemente das motivações “pessoais” que podem ter sido apresentadas na justificativa. É importante lembrar que o objetivo geral não pode fugir ao tema proposto. (SOARES, 2003. p. 46) Objetivos Específicos Indicam as etapas que levarão à realização do objetivo geral. Por exemplo: classificar, aplicar, distinguir, enumerar, exemplificar, selecionar etc. É a subdivisão do objetivo geral em outros menores, os quais poderão até vir a constituir-se em possíveis capítulos [partes] do trabalho final. Assim como o objetivo geral, os objetivos específicos não devem fugir ao tema. (SOARES, 2003. p. 46) Não apontam para o fim do último do trabalho, mas para etapas intermediárias, o que a pesquisa terá de galgar até o objetivo final. Como Construir Objetivos? 1º Passo: ler a questão de partida (problematização do tema). Os objetivos informarão o que está se propondo com a pesquisa, isto é, quais os resultados que pretende alcançar ou qual a contribuição que irá efetivamente proporcionar. 2º Passo: escolher verbos de ação. Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo e este verbo deve indicar uma ação passível de mensuração. Uma ação individual ou coletiva se materializa através de um verbo. É importante a precisão na escolha do verbo, escolhendo aquele que exprime a ação que o estudante pretende executar. (BARRETO; HONORATO, 1998) 3º Passo: escolher os verbos de ação. Algumas sugestões: CONHECIMENTO COMPREENSÃO ANÁLISE AVALIAÇÃO Apontar Concluir Analisar Escolher Definir Deduzir Comparar Precisar Descrever Derivar Correlacionar Medir Distinguir Descrever Contrastar Avaliar Enumerar Diferenciar Identificar Relacionar É Importante Construir Objetivo? Constituem a base do planejamento da pesquisa; Possibilitam pensar e planejar em termos específicos; Auxiliam na escolha da metodologia da pesquisa; Informam ao leitor e demais interessados acerca do que a pesquisa se propõe a realizar; Auxiliam a efetuar um estudo seletivo; Ajudam a rever o conteúdo mediante a verificação da relevância no contexto da pesquisa. Vamos Conhecer Alguns Exemplos? Tema 1: Liderança autoritária e a motivação. Problematização: como a liderança autoritária pode comprometer a motivação dos funcionários da Empresa XYZ. Objetivo Geral: investigar como o estilo de liderança autoritária compromete a motivação dos funcionários na Empresa XYZ. Objetivos Específicos: Definir o conceito de liderança autoritária; Descrever alguns exemplos de liderança autoritária na Empresa XYZ; Definir o conceito de motivação; Analisar a relação entre liderança e motivação nas organizações. Tema 2: A violência doméstica contra adolescentes. Problematização: quais os aspectos da violência doméstica contra adolescentes na realidadefluminense e suas relações com as condições sociais e econômicas das famílias moradoras nas comunidades carentes. Objetivo Geral: investigar a relação entre a violência doméstica contra adolescentes e as condições sociais e econômicas. Objetivos Específicos: Definir o conceito de violência doméstica; Descrever alguns exemplos de violência doméstica; Definir o conceito de pobreza; Analisar a relação entre a violência doméstica e condição socioeconômica. Os Erros Mais Frequentes São... O esquecimento do verbo que indica a ação a que se objetiva; A confusão entre o objetivo da pesquisa e o seu objeto; O uso dos verbos ACHAR, GOSTAR, DESEJAR, CONSCIENTIZAR, ACREDITAR e OPINAR que não atendem ao requisito metodológico da objetividade. Justificar! Após construir os objetivos, é preciso justificar o estudo apresentando as razões da pesquisa. A esta parte denominamos de justificativa. Os dicionários definem o termo como a explicação, razão, motivo e fundamento. Este é o momento em que o pesquisador precisa fazer algumas perguntas a si mesmo: O tema é relevante? Por quê? Quais pontos positivos você percebe na abordagem proposta? Que vantagens/benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá proporcionar? A justificativa indica a relevância do estudo que propomos. A justificativa deve esclarece as razões da escolha do tema e sua importância na área do conhecimento em que se situa. Deve ser uma exposição sucinta, porém completa, dos motivos de ordem teórica e/ou prática para sua realização, enfatizando a importância do tema numa visão global; o estágio atual do tema pesquisado e as possibilidades de solução para o problema levantado. (MAIA, 2008. p. 90) A justificativa de um projeto de pesquisa configura o conjunto de razões (acadêmicas, sociais e pessoais) que conferem legitimidade ao trabalho científico. Um trabalho de pesquisa poderá ser conveniente porque poderá ajudar a resolver uma questão controvertida ou contribuir com novo olhar sobre algum tema. A seguir, indicamos algumas sugestões para a justificativa, não se preocupe se a sua pesquisa não conseguir a todos os critérios (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 40): 1. Conveniência: Pra que serve a pesquisa? 2. Relevância Social: Quem se beneficiará com os resultados da pesquisa? De que modo? Qual o alcance social da pesquisa? 3. Implicações práticas: A pesquisa ajudará a resolver algum problema real? 4. Valor teórico: Com a pesquisa, alguma brecha de conhecimento será preenchida? A informação obtida pode servir para comentar, desenvolver ou apoiar teoria? 5. Utilidade metodológica: A pesquisa ajuda a definir um conceito, variável ou relação entre variáveis? A pesquisa sugere como estudar mais adequadamente uma situação? O que se pretende, enfim com a justificativa é oferecer, nos dizeres de Antônio Raimundo Santos (2007. p. 93), motivos suficientes para que algo aconteça e mereça uma investigação científica. AULA 6 – A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA II: A CONSTRUÇÃO DO EMBASAMENTO TEÓRICO, LEVANTAMENTO PRELIMINAR E METODOLOGIA Revisão de Literatura e Embasamento Teórico Imaginemos um fenômeno da natureza que seja visto, simultaneamente, por pessoas de formação cultural diversa: “uma maçã cai de um galho de uma árvore”. Para um físico: manifestação da lei da gravidade; Para um biólogo: a queda da maçã representa o ciclo da vida no Reino vegetal; Para um religioso: a maçã representa a simbologia bíblica; Para um advogado: a maçã caiu num terreno contíguo, deve-se argüir de quem é a propriedade do fruto. Para uma criança: Oba! Fruta! Vou comer a maçã! Moral da história? O olhar humano é mediado por experiências diversas diante dos fenômenos. E nesse aspecto, percebemos diferentes olhares sobre um mesmo fenômeno. A revisão da literatura relativa ao problema elaborado nos revela isso. O pesquisador, ao iniciar uma pesquisa, indaga a si mesmo: quem já escreveu sobre o tema? O que disso? Como disse? Suas indagações decorrem da necessidade de sustentar teoricamente o seu estudo. Para tanto, elege um marco teórico, ou seja, analisa teorias e pesquisas anteriores para selecionar o que será útil como ponto de partida para suas investigações. O marco teórico fornece uma referência para o problema científico. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006) Quais as vantagens de se buscar um marco teórico? Podemos destacar algumas, tais como: ajuda a prevenir erros cometidos em outros estudos; serve de orientação para realização do estudo, pois percebendo como os autores trabalharam seu problema científico, aperfeiçoamos habilidades; expandimos nossas idéias sobre o objeto da pesquisa; inspira na construção das hipóteses etc. O marco teórico é construído a partir de dois momentos importantes, na pesquisa: a revisão da literatura e a posterior escolha de uma perspectiva teórica como referência. Por revisão de literatura entende-se a tarefa de identificar, obter e consultar a bibliografia, bem como outros materiais disponíveis e úteis ao objeto de estudo. Um processo seletivo das referências na nossa área de atuação. É importante ter em mente que se devem selecionar as obras mais importantes e recentes, bem como aquelas que tenham abordado o tema com enfoque similar ao que pretendemos na pesquisa. Assim, o pesquisador deverá apresentar o resultado desta tarefa no seu embasamento teórico ou fundamentação teórica da pesquisa. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006) É importante mencionar que o termo EMBASAR significa SERVIR DE FUNDAMENTO A ou SER FUNDAMENTO DE; BASEAR (-SE), FUNDAR (-SE). O item embasamento teórico é a parte do projeto de pesquisa em que o pesquisador expressa determinado ponto de vista sobre o problema formulado. Revisão de Literatura: O Que Já se Publicou Sobre o Tema? Estudamos que após a escolha do tema a sua delimitação em um problema científico, realiza- se uma pesquisa bibliográfica. Além da bibliografia geral e específica, devem-se buscar outras visões em monografias, dissertações e teses, porque muito se aprende com outros pesquisadores que apresentam produção recente sobre o tema do seu interesse. A leitura inicial é seguida de uma releitura exploratória para um maior aprofundamento nos conteúdos pertinentes ao objeto da pesquisa. Dessa maneira, o pesquisador poderá apurar o sentido de palavras-chave, definições, a situação histórica do seu objeto de investigação, eventuais classificações etc. Enfim, o conhecimento inicial é substituído por um aprofundamento na literatura disponível que viabilizará a delimitação do conteúdo a ser investigado. Por cautela não deve desviar o olhar do problema proposto e seus objetivos para que a revisão de literatura seja seletiva. (SANTOS, 2007) Importa esclarecer que revisão de literatura não é um amontoado de informações lidas, nem resumos de autores, mas uma discussão do que foi encontrado e relacionado com o problema da pesquisa. Um processo de análise das informações contidas em documentos que colaboram para a eficácia da pesquisa. Por isso, muitos autores afirmam que a revisão de literatura “objetiva demonstrar o que foi escrito sobre o tema. Consiste na análise e síntese das informações, visando definir as linhas de ação para abordar o assunto ou problema e gerar idéias novas e úteis”. (BOAVENTURA, 2009. p. 46) Após a Revisão da Literatura, O Que se Deve Inserir no Embasamento Teórico? No embasamento teórico deve-se inserir o resultado da revisão da literatura realizada pelo estudante e, nesse sentido, inclui a referência aos principais autores e obras pertinentes ao objeto da pesquisa. Dentre os pontos de vista apresentados, deve-se escolher uma linhaa partir da qual responderá à sua questão de partida. Como Assim? O embasamento teórico é uma parte do projeto de pesquisa em que o estudante procede à análise da bibliografia escolhida, observando como os autores têm tratado a questão. Apresenta a que disciplina ou ramo do conhecimento o seu problema científico está vinculado. Não é apenas uma relação bibliográfica, mas uma revisão crítica do que se produziu no plano do pensamento sobre aquele tema. Apresenta0se uma releitura crítica das obras elencadas, com vistas a se posicionar, do ponto de vista teórico, sobre o objeto de investigação. É neste ponto que se percebe a maturidade intelectual do estudante frente ao tema selecionado e ao problema formulado. Desta maneira, o embasamento teórico permite ao estudante posicionar-se ante o objeto de investigação, tomando como referência uma linha de abordagem. E podemos afirmar que: É fundamental que os aspectos teóricos embasadores de sua perspectiva no tratamento do objeto sejam apontados de forma clara e extensiva nesse ponto, para que fique manifesto o seu marco teórico ou o conjunto de referenciais teóricos que irão embasar seu enfoque ou o conjunto dos critérios categoriais fundamentais para tratar de seu tema. (MEZZAROBA; MONTEIRO, 2003. p. 207) Dica! Nenhum assunto pode ser abordado numa visão onisciente; O olhar da ciência é sempre direcionado: parte de um determinado conceito e procura interpretar os fenômenos, à luz de paradigmas; Outro pesquisador pode buscar fundamentos teóricos diferentes; O pesquisador precisa eleger um marco teórico para abordar o seu problema; A literatura relacionada é a base da procura sobre o que já se publicou sobre o tema. Vamos Conhecer um Pequeno Roteiro Para Construção do Embasamento Teórico? 1. Apresentar a bibliografia sobre o tema que você irá pesquisar, destacando: A riqueza ou escassez de obras sobre o assunto escolhido; O caráter polêmico do assunto; As principais linhas de abordagem sobre o assunto. 2. Apresentar os autores e as obras que compõem cada uma das linhas de abordagem: Apresentar o autor em um pequeno parágrafo (três linhas no máximo – dizer qual a especificação, ramo de atividade principal); Resumir sua idéia em dois ou três parágrafos (parafrasear); Citar uma passagem mais significativa do texto do autor, procurando ilustrar o que falou o autor. 3. Posicionar-se elegendo uma das linhas de abordagem especificadas anteriormente. Metodologia – Como o Estudante Desenvolverá o Trabalho? Uma vez realizada a revisão de literatura, o passo seguinte consiste em decidir a metodologia a ser adotada para a pesquisa. Nesta parte do projeto de pesquisa devem-se apontar os procedimentos a serem adotados para a resolução do problema proposto. A metodologia de um trabalho de pesquisa deve ser prevista e analisada no projeto. Em linhas gerais, representa o conjunto de meios materiais e humanos empregados pelo investigador para concretizar a pesquisa. Este momento é bastante importante. É por meio dele que as questões de natureza prática relativas à execução do trabalho serão devidamente analisadas. Metodologia vem do termo MÉTODO, que significa “a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um certo fim ou resultado desejado” (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007. p. 29). O método a ser adotado decorre do objeto da pesquisa que exigirá procedimentos para que se alcance os resultados previstos. Nesse sentido, a pesquisa poderá ser exploratória1, descritiva2, explicativa3, estudo de caso4, pesquisa de campo5, documental, bibliográfica, quantitativa ou qualitativa. Poderá misturar os tipos, pois nada impede que apresente uma abordagem qualitativa e quantitativa ao mesmo tempo. Vejamos um exemplo de estudo de caso que envolve a dimensão exploratória e descritiva: A construção de um plano estratégico de marketing para uma empresa de pequeno porte: o caso do recanto do sorvete – Tiago Nemuel Custódio. 1 “O objetivo é examinar um tema ou problema de pesquisa pouco estudado, do qual se tem muitas dúvidas ou não foi abordado antes”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 99) 2 “O objetivo do examinador é descrever situações, acontecimentos, e feitos, isto é, dizer como é e como se manifesta determinado fenômeno”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 100) Ex.: o censo nacional da população é um estudo descritivo. 3 “Destina-se a responder as causais dos acontecimentos, fatos, fenômenos físicos ou sociais. Seu interesse está em responder por que ocorre um fenômeno e em quais condições ou por que duas ou mais variáveis estão relacionadas”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 107) 4 Inicia-se com a formulação de um problema, com a definição pormenorizada de uma unidade-caso. Poderá integrar diferentes abordagens para coleta de dados: bibliografia, documentos, entrevista etc. (GIL, 2010) 5 É a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e observações. Segundo Antônio Joaquim Severino, na pesquisa de campo “o objeto é abordado em seu próprio meio. A coleta de dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente observados”. (2007. p. 123) No caso de uma pesquisa bibliográfica de cunho teórico, por exemplo, a metodologia consistirá basicamente na escolha do material bibliográfico e documental com o qual o pesquisador trabalhará para desenvolver a investigação. Pode-se dizer que a pesquisa bibliográfica configura o primeiro passo a ser dado em qualquer tipo de pesquisa, porque pesquisa alguma poderá prescindir de um marco teórico. Resumo A pesquisa objetivou analisar a importância do planejamento estratégico para as organizações, principalmente às empresas de pequeno porte, caracterizando o plano de marketing como um elemento fundamental conectado às diretrizes do plano global da empresa. A metodologia utilizada na primeira etapa constituiu-se de caráter exploratório. O modelo desenvolvido por Westwood foi selecionado pelo autor e adaptado como referencial para confecção do plano de marketing sugerido ao Recanto do Sorvete. A segunda etapa da pesquisa foi de caráter descritivo, apontando a organização como exemplo de estudo de caso. Verificou-se que o plano de marketing é possível de ser implementado, desmistificando o paradigma de que os planos são aplicados somente às organizações de grande porte, pois a pequena empresa também deve crescer baseada na cultura do planejamento. Dicas! Se minha pesquisa é bibliográfica, o que devo mencionar? O estudante deve mencionar criteriosamente os tipos de livros e documentos que estudará, para em seguida prever em quais bibliotecas e arquivos pesquisará. Mas só falará dos tipos de livros, não havendo necessidade de relacioná-los um a um. Posso inserir pesquisa de campo? Podem ser consideradas como forma complementar ao estudo documental e bibliográfico. A técnica da entrevista só deverá ser realizada quando o assunto da pesquisa estiver amadurecido pelo estudante, para que ele possa extrair do entrevistado o máximo de informações que seu conhecimento permitir. O que é uma pesquisa empírica? Como difere da pesquisa teórica? É aquela que se refere à experiência no mundo material. Já a pesquisa teórica se situa no nível conceitual e prescinde de uma experimentação. Como devo nomear uma pesquisa sobre as decisões nos tribunais? Podemos nomear de pesquisa documental, pois a análise das decisões configura o que se entende por documentos, fontes primárias. AULA 7 – A REDAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA I: REGRAS PARA CITAÇÕES Citações Éde se esperar um cuidado especial, por parte do aluno, ao elaborar o seu texto. Segundo Azevedo (1997. p. 109), “o propósito de um texto científico é comunicar os resultados e as idéias a que se chegou, após a coleta e análise dos dados”. É, nesse sentido, que se afirma que a linguagem escrita deve estar baseada em regras, que a diferença do agir espontâneo. É muito comum recorrer aos autores quando realizamos nossas pesquisas. Mas como fazer isso de maneira adequada? Num trabalho cuidadoso, o estudante deve ler diferentes autores sobre o assunto a ser pesquisado e, assim, organizar o pensamento, fundamentando melhor as idéias antes de iniciar a redação do trabalho. Deve-se citar pouco, mas reescrever muito. Nesse aspecto, o fichamento bibliográfico e o de leitura, configuram fases imprescindíveis para a elaboração de um trabalho acadêmico. Somente após uma leitura cuidadosa, poderemos destacar as citações-chave que iremos utilizar. Mas o Que Significa Citar? Como Devo Organizar Uma Citação? As citações são trechos transcritos ou informações extraídas de publicações consultadas e devem ser inseridas num texto com a finalidade de esclarecer ou complementar as idéias. Em qualquer hipótese, a fonte deve ser mencionada. Segundo ABNT, entende-se por citação a “menção a uma informação extraída de outra fonte”. (NBR 10520:2002) Vamos conhecer os três tipos de citação: Citação Direta: São aquelas transcritas no texto tal como se apresentam na fonte consultada. Como esclarece João Bosco Medeiros (2003. p. 187), é a referência a uma obra colhida de outra fonte “para esclarecer, comentar, ou dar como prova uma autoridade no assunto”. É importante observar que esse tipo de citação só se justifica quando o pensamento expresso pelo autor consultado é efetivamente significativo, claro e necessário à exposição, pois excessos de citações diretas, tabelas, gráficos, podem acarretar prejuízo à estratégia de comunicação, comprometendo o trabalho. A citação direta exige alguns cuidados: vamos conhecê-los? As transcrições com até três linhas permanecem no corpo do parágrafo. São denominadas citações diretas curtas. As transcrições com mais de três linhas são destacadas com um recuo em relação à margem da esquerda. São chamadas de citações diretas longas. Vamos conferir alguns exemplos? João Medeiros (2003. p. 189) observa que “a citação direta exige alguns cuidados elementares com o texto, salientando-se entre outros: pontuação, maiúscula, destaque”. Assim, as citações diretas, com até três linhas, devem ser transcritas no seu próprio parágrafo, entre aspas duplas. Trecho para citação: “Quem sabe a felicidade seja uma medida que resume, em geral, o significado pessoal da vida e o lugar que o indivíduo ocupa nela”. (GIELE, 1999. p. 235) Citação inserida em um parágrafo: Segundo Giele (1999. p. 235), “Quem sabe a felicidade seja uma medida que resume, em geral, o significado pessoal da vida e o lugar que o indivíduo ocupa nela”. Todos os seres humanos buscam a felicidade... Você observou que nos dois exemplos acima o trecho citado não ultrapassou três linhas? Então sempre que você desejar transcrever um trecho de algum autor lido deve respeitar essa regra1. 1 Até três linhas ficará no corpo do seu parágrafo entre aspas duplas. A fonte da citação deve ser referenciada. As aspas simples devem ser usadas para indicar citação no interior da citação. Citação com mais de três linhas: os trechos transcritos acima de três linhas são apresentados em parágrafos separados, em espaço simples, letra menor que a utiliza no texto e sem aspas duplas. Embora não seja obrigatório o uso de tipologia diferente, deve haver um recuo de 4 cm da margem da esquerda. Vamos ver um exemplo? Trecho para citação: A Filosofia é uma atividade resultante da inquietação cognitiva do ser humano. E por, esta razão, a Filosofia é inerente ao Se Humano como ser racional, mesmo quando o filosofar ocorre inconscientemente. Nisto consiste a razão e não se pode ensinar a Filosofia. Só é possível se ensinar o método filosófico de pensar, ou seja, só é possível se ensinar a filosofar. (SANTOS, 2000. p. 13) Citação inserida em um texto: A Filosofia é uma atividade resultante da inquietação cognitiva do ser humano. E por, esta razão, a Filosofia é inerente ao Se Humano como ser racional, mesmo quando o filosofar ocorre inconscientemente. Nisto consiste a razão e não se pode ensinar a Filosofia. Só é possível se ensinar o método filosófico de pensar, ou seja, só é possível se ensinar a filosofar. (SANTOS, 2000. p. 13) Você observou que no exemplo acima, o trecho citado ultrapassou três linhas? Então, sempre que você desejar transcrever um trecho de algum autor lido deve respeitar essa regra1. 1 Citações diretas com mais de três linhas devem figurar em parágrafos autônomo, com recuo de 4 cm da margem da esquerda, espaço simples e sem aspas duplas. Observe os trechos abaixo e organize-os segundo as regras da ABNT. “O conhecimento científico procura alcançar a verdade dos fatos (objetos), independentemente da escala de valores e das crenças dos cientistas” (FACHIN, 2006, p. 16). R: Até três linhas ficará no corpo do seu parágrafo entre aspas duplas. A fonte da citação deve ser referenciada. As aspas simples devem ser usadas para indicar citação no interior da citação. “A literatura metodológica mostra que o conhecimento científico é adquirido pelo método científico e, sem interrupção, Pode ser submetido a teste e aperfeiçoar-se, reformular-se ou até mesmo avantajar-se mediante o mesmo método. Para melhor entendimento, segue exemplo da evolução científica na área da genética, especificamente no que se refere à clonagem, que é o processo da cópia idêntica de outro ser vivo produzido artificial e assexuadamente” (FACHIN, 2006, p. 17). R: Citações diretas com mais de três linhas devem figurar em parágrafo autônomo, com recuo de 4 cm da margem da esquerda, espaço simples e sem aspas duplas. Citação Indireta: Apresentam formatação diferente, por trata-se de um texto baseado na obra de um autor consultado. Neta hipótese não é necessário o emprego das aspas duplas, porque a citação indireta mantém o conteúdo original do texto lido, mas é reescrita com outras palavras. A citação indireta é também denominada de paráfrase. Segundo a ABNT, configuram uma transcrição livre do texto do autor. (NBR 10520:2002) João Bosco Medeiros (2003) esclarece que a citação indireta pode configurar um resumo, comentário de uma idéia, ou expressar o mesmo conteúdo, mas utilizando outras palavras. Recomenda-nos que parafrasear é preferível à citação direta. 1 “Parafrasear é, pois, traduzir as palavras de um texto por outras de sentido equivalente, mantendo, porém, as idéias originais. A paráfrase inclui o desenvolvimento de um texto, o comentário, a explicitação.” (MEDEIROS, 2003. p. 182, grifo nosso) Vamos ver um exemplo? Israel Belo de Azevedo (1997) esclarece que toda palavra tem um peso de acordo com sua capacidade de sintetizar uma idéia de maneira clara e concisa. Você observou que no exemplo acima, o trecho citado foi reescrito e mencionou-se a fonte da informação? O conteúdo original foi reelaborado e, por isso, não se usa aspas duplas. Em qualquer caso devemos respeitar as idéias do autor. Citação da citação: Em algumas leituras verificamos que o autor apresenta uma citação direta ou indireta de outro autor, o qual você não tem acesso à obra. Estamos diante de uma citação da citação que exige o uso da sigla apud que significa citado por. Alguns autores denominam a citação da citação como citação dependente, porque o autor escolhido para citação não foi lido diretamente,mas tomado por empréstimo de outro autor. Não abuse deste recurso. Regra: Usar a sigla apud, inserindo a referência completa do autor que você pesquisou e não do autor citado, cuja citação pretende mencionar. Na lista de referências deverá inserir o autor a que você teve acesso. Atenção! Segundo a ABNT, quando os dados forem obtidos em palestras, debates, seminários etc., deve-se indicar entre parênteses, a expressão “INFORMAÇÃO VERBAL”, mencionando-se os dados disponíveis, em nota de rodapé (NBR 10520:2002) Ademais, para enfatizar trechos da citação direta, deve-se destacá-los indicando esta alteração em relação ao original com a expressão “GRIFO NOSSO” entre parênteses, após a referência da citação, ou “GRIFO DO AUTOR” caso o destaque tenha sido feito pelo próprio autor da obra. Vamos ver dois exemplos? “[...] para que não tenha lugar na produção de degenerados, quer físicos quer morais, misérias, verdadeiras ameaças à sociedade.” (SOUTO, 1916. p. 46, grifo nosso) “[...] b) desejo de criar uma literatura independente, diversa, de ver que aparecendo o classicismo como manifestação de passado colonial”. (CÂNDIDO, 1993. p. 12, grifo do autor) Algumas Regras Para Compor Citações Diretas e Notas: Acréscimos ou interpolações: significa a inserção de expressões que não constam do original – entre colchetes. Pode ocorrer a necessidade de se acrescentar uma palavra ao texto citado, para torná-lo mais compreensível. Exemplo: [Resumo] Envolve uma redação simplificada do texto pesquisado, substituindo a linguagem do autor por expressões diretas e com sentenças inteligíveis. A idéia continua sendo do autor, porém elaborada pelo próprio estudante, demonstrando sua capacidade de assimilação e entendimento das informações obtidas no decorrer da leitura do assunto em questão. (FACHIN, 2006. p. 127) Supressões: não devemos citar frases ou parágrafos longos demais, basta inserir o que realmente interessa ao desenvolvimento da argumentação ou à apresentação das idéias. Deve-se apresentar entre colchetes/parênteses e com uso de reticências (...) ou [...]. Exemplo: “A física moderna (...) considera a lei da inércia sua lei mais fundamental.” (KOYRÉ, 1982. p. 182) Incorreções: na hipótese de o texto citado apresentar um erro, uma expressão politicamente incorreta ou equívoco gramatical, entre outros, chame a atenção, pelo uso, ao lado da palavra, da sigla SIC (ASSIM, em latim) entre colchetes e em itálico. Exemplo: “Zenão de Cício (334-262 a.C.) fundou a escola estóica [sic] 1. Ele costumava palestrar de sua varanda, chamada stoa, daí o nome estóico” [sic]. (MANNION, 2008. p. 48) A ata registra a seguinte declaração do diretor: “isto é para mim [sic] fazer” 1 Com o novo acordo ortográfico não se usa mais o acento dos ditongos abertos ÉI e ÓI das palavras paroxítonas. Como estamos diante de uma citação direta, devemos usar a sigla SIC. Suprimir Parágrafos: Linha Pontilhada – Exemplo: Quais São os Erros Mais Comuns? Excesso ou escassez de citações diretas. O melhor é reescrever o texto utilizado, creditando a passagem ao seu autor; Uso de bibliografia inadequada; Presença no texto de informações que deveriam estar em notas de rodapé; Citações sem discussão; Não há necessidade de se citar frases ou parágrafos completos, longos demais, mas transcreva apenas a unidade de pensamento que realmente interessa. Para tanto, use a supressão. Inserir os títulos das obras citadas no texto sem colocá-las em itálico. Sistema de Chamada As citações devem ser indicadas no texto por um sistema de chamada: numérico ou autor data. Qualquer que seja o sistema adotado deve ser seguido ao longo de todo o trabalho. Numérico: a fonte da citação utilizada deve aparecer em nota de rodapé. Neste caso, a numeração das fontes deve ser única e consecutiva, em algarismos arábicos. Todas as referências devem ser repetidas na lista de referências ao final do trabalho. A numeração das notas de rodapé deve restringir-se às referências bibliográficas; Uso de asterisco (*): para explicar ou comentar uma idéia. Podemos usar: (1), [1], 1 Quando escolhemos o sistema numérico não devemos usar notas explicativas em rodapé para informações adicionais. Estas são aquelas que aparecem ao pé das páginas em que são mencionadas e servem para abordar pontos que não devem ser incluídos no texto. Exemplo: Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.”1 Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.” (1) Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.” [1] Você observou que o número da nota de rodapé ficou após o espaço do parágrafo? Percebeu que as notas obedecem a uma sequência numérica e em algarismos arábicos (1, 2, 3, 4...)? Como Deve Figurar na Nota de Rodapé? Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser inseridos na sequência sugerida pela ABNT: SOBRENOME, Prenome. Título. Edição. Cidade: editora, ano. (página na hipótese de citação direta). 1 CERVO, A.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. p. 57. Observação importante: as aspas devem aparecer antes ou depois da pontuação? Segundo a ABNT, devem-se colocar as aspas antes da pontuação, exceto nos casos de pontos de interrogação e exclamação que façam parte do texto citado. Expressões Latinas no Sistema Numérico Há um conjunto de expressões latinas que são usadas no sistema numérico. Após inserir as notas de rodapé no sistema numérico observe a sequência das obras e substitua pela expressão latina correspondente. Idem id. (o mesmo autor): ocorre quando duas obras de um mesmo autor forem seqüenciais. Exemplo: SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. Id. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2000. p. 305. Ibidem ou ibid. (na mesma obra): deve ser usada quando ocorre a citação da mesma obra do mesmo autor sequencialmente no texto. Exemplo: SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médias, 1992. p. 121. Ibid., p. 139. Opus citatum, opere citato ou op. cit. (obra citada): deve ser usada quando uma mesma obra aparecer mais de uma vez no texto, independente da sequência das citações. 1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. 2 NEY, João Luiz. Prontuário de Redação Oficial. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000. p. 24. 3 SILVA, op. cit., p. 121. Passim (aqui e ali, em diversas passagens): usa-se essa expressão apenas quando há referências a passagens, sem identificação. Exemplo: 1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992, passim. Cf. (confira, conforme, confronte): usa-se para recomendar a consulta a notas do mesmo trabalho ou obra de outros autores. Exemplo: 1 Cf. SILVA, 1992. Sistema Autor Data Autor-data: consiste em indicar o sobrenome do autor ou instituição responsável, seguidopelo ano da publicação da obra e páginas referenciadas, separados por vírgula e entre parênteses. Vejamos alguns exemplos de citação direta pelo sistema autor data: Afirma Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva (2007. p. 57): “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.” Conforme alguns autores (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007. p. 57): “A pesquisa é uma atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.” Você observou que no sistema de chamada autor data o nome do autor pode ser incluído na sentença e, neste caso, deve ser escrita conforme a regra para nomes próprios ou entre parêntesis com todas as letras do último sobrenome em maiúsculas. Algumas observações: Nas citações diretas: quando o nome do autor estiver na sentença (fora do parêntesis), indica-se o ano da publicação entre parêntesis, acrescida da página da obra que contém a citação, separados por vírgulas. Vieira (1990, p.3) Nas citações indiretas: a indicação das páginas consultadas é opcional. Vieira (1990) Para citar um autor: Diretas: Souza (1998, p. 59) ou (SOUZA, 1998, p. 59) Indiretas: Souza (1998) ou (SOUZA, 1998) Para citar dois autores: os sobrenomes quando inseridos dentro do parêntesis devem ser separados por ponto e vírgula. Diretas: Souza e Silva (1998, p. 59) ou (SOUZA; SILVA, 1998, p. 59) Indiretas: Souza e Silva (1998) ou (SOUZA; SILVA, 1998) Na citação indireta, documentos de mesma autoria com anos diferentes: diferencia-se pelo ano de publicação, separados por vírgulas. Barroso (1999) ou (BARROSO, 1999) Barroso (2000) ou (BARROSO, 2000) Barroso (1999, 2000) ou (BARROSO, 1999, 2000) Na citação indireta, quando diversos autores em diversos documentos, são mencionados simultaneamente: devem ser separados por ponto e vírgula, em ordem alfabética. Diversos autores observam a importância do acontecimento desencadeador no início do processo de aprendizagem (CROSS, 1984; KNOX, 1986; MEZIROW, 1991). Documentos com coincidência de sobrenomes de autores: devem-se acrescentar as iniciais de seus prenomes. Se ainda permanecer a coincidência, colocam-se os prenomes por extenso. (BARBOSA, C., 1958) (BARBOSA, O. 1959) (BARBOSA, Cássio, 1965) (BARBOSA, Celso, 1965) Diversos documentos de um mesmo autor, publicados num mesmo ano: são distinguidas pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data e sem espacejamento. O acréscimo desta letra após a data da publicação deverá figurar também na lista de referências para diferenciar as duas obras. (BARBOSA, 1958a) (BARBOSA, 1958b) No sistema autor dada a indicação completa da obra é feita na lista de referências! Exemplo no texto: Bobbio (1995, p. 30) com muita propriedade nos lembra, ao comentar esta situação, que os “juristas medievais justificavam formalmente a validade do direito romano ponderando que este erro do direito do Império Romano que tinha sido reconstruído por Carlos Magno com o nome de Sacro Império Romano”. Lista de referências: BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de filosofia do direito. São Paulo, Ícone, 1995. AULA 8 – A REDAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA II: REGRAS PARA REFERÊNCIAS Referências O interesse dos estudantes diante do saber levam-no a investigar e toda pesquisa começa com uma pesquisa bibliográfica em que são observadas referências teóricas em documentos que podem ser livros, artigos, trabalhos de conclusão de curso. Assim, as obras citadas e consultadas para elaboração dos trabalhos acadêmicos devem ser organizadas na forma de lista de Referências que deve ser apresentada no formato orientado pela ABNT, ao final de qualquer trabalho (NBR 6023, 2002). Entende-se pelo termo REFERÊNCIAS o conjunto padronizado de informações que permitem a identificação de documentos consultados para a elaboração de um trabalho acadêmico. Há Diferença Entre Referência, Bibliografia e Referências Bibliográficas? O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, indica que pelo termo REFERÊNCIA devemos considerar uma nota informativa de remissão em uma publicação. A origem etimológica do termo nos remete à palavra inglesa reference que significa ato de referir ou consultar; sinal ou indicação que remete o leitor a outra fonte de informação. Quanto ao termo BIBLIOGRAFIA, relação das obras consultadas ou citadas por um autor na criação de determinado texto, ou seção onde se arrolam livros e outras publicações. A ABNT observa que a REFERÊNCIA é o conjunto padronizado de elementos descritivos, retirados de um documento. Assim, deve ser constituída de elementos complementares, permanecendo silente sobre uma possível diferença entre os termos. Importa mencionar que na ABNT, NBR 14724, encontramos a indicação do termo REFERÊNCIAS como elemento pós- textual, o que nos legitima a usar o referido termo nos trabalhos acadêmicos. Alguns autores entendem que num trabalho acadêmico devemos mencionar apenas as obras efetivamente citadas, o que reforça o uso do termo REFERÊNCIAS. Não se usa mais o termo REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. Portanto, ao final de um trabalho elaboramos uma lista de referências em que as obras são alinhadas somente à margem esquerda do texto e de forma a se identificar individualmente cada documento, em espaço simples, separadas entre si por espaço duplo. Exemplo de uma lista de referências: Elementos Essenciais e Complementares Os elementos que compõem a referenciação devem ser obtidos na ficha catalográfica do documento, ou seja, retirados do próprio documento e inseridos conforme a sequência sugerida pela ABNT. Elementos essenciais: são aqueles indispensáveis na identificação do documento, tais como: autor(es), título, edição, local, editora e data da publicação. Elementos complementares: são opcionais e podem ser acrescentados para uma melhor identificação do documento, tais como: coleção, série, número do ISBN, número de páginas (43 p.), Edição exclusiva para assinantes, inclui algum brinde, etc. Vamos Aprender a Referenciar? Vamos iniciar com o nome do(s) autor(es): Na lista de referências, os autores são indicados pelo último SOBRENOME, escrito em caixa alta, seguidos dos nomes, por extenso ou abreviados. O sobrenome é separado do nome por vírgula. Veja: GOMES, L. F. GARCIA, Othon M. SEVERINO, A. J. MEDEIROS, João Bosco. Mas são três autores? O que devo fazer? Na hipótese de obra escrita por até três autores, todos devem ser mencionados na mesma ordem em que aparecem na publicação, veja a ficha catalográfica, no verso da folha de rosto. Os nomes de cada autor devem ser separados por ponto e vírgula. LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. MACEDO, Luiz Roberto Dias de; CASTANHEIRA, Nelson Pereira; ROCHA, Alex. Não são apenas três! Como devo proceder? Na eventual hipótese de a obra ter mais de três autores, somente o primeiro deve ser indicado, seguido da expressão et al (e outros). Veja: ALVES, João et al. Atenção! Se for hipótese de autoria coletiva são indicados o nome dos responsáveis, seguidos da abreviatura da palavra que caracteriza a responsabilidade, entre parêntese como: editor (Ed.), coordenador (Coord), organizador (Org.), compilador (Comp.). ALVES, João (Org.) ALVES, João (Coord.) ALVES, João (Ed.) Algumas observações interessantes! Sobrenomes que indicam parentesco: acompanham o último sobrenome. Exemplo: GARCIA LLAMAS, J. L. Título. Sobrenomes compostos, a entrada é feita por expressão composta. Exemplo: CASTELLOBRANCO, H. A. Título: subtítulo. Sobrenomes ligados por hífen e com prefixos: devem ser transcritos por extenso. ALVES-MAZZOTTI, A. J. Título. LAS CASAS, A. Título. E quando a autoria é desconhecida? Nesta hipótese, inicia-se pela primeira palavra do título em caixa alta. Se a palavra for precedida por um artigo este também deve ser escrito em caixa alta. Veja dois exemplos: A EDUCAÇÃO ambiental no séc. XX. AUDITORIA interna de empresas. Quando não há autor pessoa física, mas uma instituição? Os documentos de responsabilidade de entidades (instituições, organizações, empresas) têm entrada pelo nome delas, escrita por extenso e em CAIXA ALTA. Observe: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação: referências e elaboração. Rio de Janeiro, 2002. SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Meio Ambiente. Diretrizes para a política ambiental do Estado de São Paulo. São Paulo, 1993. 35 p. Como faço a referência quando se tratar de publicações técnicas? Quando se tratar de publicações técnicas e administrativas, indica-se o nome da entidade. No caso de entidades governamentais, quando se tratar de órgãos da administração direta (Ministérios, Secretarias), indica-se o nome geográfico antes do nome da entidade. BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. Uma regrinha importante!!! Nos casos em que foram usadas várias fontes do mesmo autor, estes podem ser substituídos por um traço equivalente a seis toques seguidos de um ponto (______.), nas referências subseqüentes. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 5p. ______. NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 3p. Como devo escrever os títulos na referência? Os títulos devem ser escritos na forma em que se apresentam no documento, sendo apenas a primeira palavra iniciada com letra maiúscula. Os títulos devem ter destaque gráfico: negrito, itálico ou sublinhado. Os subtítulos, ou seja, informações apresentadas em seguida ao título visando complementá-lo devem ser precedidos por dois pontos e não recebem qualquer destaque gráfico. RUCH, Gastão. História geral da civilização: da antiguidade ao século XX. E quando há tradutor? Deve ser mencionado? Quando há tradutor, atualizador, revisor, ilustrador entre outros deve ser mencionado logo após o título. Veja o modelo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Tradução1. Edição. Local: Editora, data. 1 Tradução, prefácio e notas + nome ou Atualização e notas de + nome ou Tradução de + nome Preciso Mencionar a Edição? Quando houver a indicação da edição, esta deve ser inserida na sua referência, utilizando-se abreviaturas dos numerais ordinais e da palavra edição. 4ª edição = 4. ed. 5ª edição = 5. ed. PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Maria; RESENDE, Érica dos Santos. Metodologia para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. 4. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2008. Como Devo Mencionar o Nome da Editora? O nome da editora é indicado conforme aparece na publicação, seguido de vírgula, eliminando-se as palavras que identificam sua natureza comercial ou jurídica como: S/A, Ltda, Editora, Livraria etc. : Atlas, : Ibpex, : Campus, Quando houver duas editoras ambas devem ser indicadas com seus respectivos locais, seguidas de dois pontos e separadas por ponto e vírgula. Se tiver mais que duas editoras, indica-se somente a primeira ou a que estiver em destaque na publicação. Rio de Janeiro: Expressão e Cultura; São Paulo: EDUSP, E Se Não Há Identificação da Editora? Quando a editora não puder ser identificada, utiliza-se a expressão latina sine nonime, que significa sem nome, de forma abreviada entre colchetes [s.n.]. FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de1993. Brasília, DF: [s.n.], 1993. 107 p. E Se a Editora For a Própria Instituição? Quando a editora for a própria instituição ou pessoa responsável pela autoria da obra e já tiver sido mencionada, não é necessário ser indicada. UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Catálogo de graduação, 1994-1995. Viçosa, MG1, 1994. 385 p. 1 O nome da editora deveria estar aqui, mas não é necessário repetir. Preciso Mencionar o Ano da Publicação? O ano de publicação do documento deve ser indicado em algarismos arábicos (1,2,3..), mesmo que nele apareça em algarismos romanos. LEITE, C. B. O século do desempenho. São Paulo: LTr, 1994. Se Não Constar Data de Publicação, O Que Faço? Você poderá inserir uma data provável entre colchetes. Veja as regras para cada caso: [2003 ou 2004] – ou um ou outro. [2004?] – data provável [2003] – data certa, porém não indicada na obra. [entre 1998 e 2000] – o intervalo deve ser inferior a 20 anos. [ca. 1997] – data aproximada. [199..] – década certa. [199-?] – década provável. [19--] século certo [19--?] – século provável. FLORENZANO, Everton. Dicionário de idéias semelhantes. Rio de Janeiro: Ediouro, [1993?] 1. 383 p. 1 Ano provável A Obra Não Menciona Local e Editora! Como Devo Referenciar? Na impossibilidade de local e editor da publicação, emprega-se a notação S.l. (ausência de local – letra “S” em maiúscula seguida de ponto e letra “l” em minúscula); GONÇALVES, F. B. A história de Mirabor. [S.l.: s.n.], 1993. Preciso Mencionar o Volume? Nas referências com vários volumes, o número de volumes da obra deve ser indicado após a data e o ponto final, com a palavra volume abreviada. Não confundir: 2 v. (dois volumes) v. 2 (volume 2) Exemplo: RUCH, Gastão. História geral da civilização: da Antigüidade ao século XX. Rio de Janeiro: F. Briguiet, 1940. 4 v. Como Referenciar Livros? Modelo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, ano de publicação. Como Referenciar Capítulos de Livros? Temos Duas Regras! Quando a autoria do capítulo diferente da autoria do livro: SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título. In: SOBRENOME, Prenome (autor da obra). Título: subtítulo. Local: Editora, ano. Página inicial e final. Exemplo: ROMANO, Giovani. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (Org.). História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 7-16. Quando a Autoria do Capítulo Igual à Autoria da Obra: SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título (do capítulo). In: ______. Título: subtítulo. Local: Editora, ano. Número do capítulo (se houver), página inicial e final. Exemplo: SANTOS, F. R. dos. A colonização da terra do Tucujús. In: ______. História do Amapá, 1º grau. 2. ed. Macapá: Valcan, 1994. Cap. 3. P. 15-24. Como Referenciar Publicações em Meio Eletrônico? As referências em meios eletrônicos seguem o modelo de referências bibliográficas, acrescentando-se informações relativas à descrição física do meio ou suporte. Para as obras consultadas online são essenciais as informações sobre o endereço eletrônico, apresentado entre <brackets>, precedido da expressão: “Disponível em:” A data de acesso ao documento, precedida da expressão: “Acesso em:” deve conter o dia, o mês abreviado e o ano (04 abr 2010.). Modelo: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Cidade: Edição, ano. Disponível em: <endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês ano. Vamos Aprender a Referenciar? Dicionários e enciclopédias: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, data. Artigo de Jornal: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do jornal, local, dia, mês e ano. Título do caderno, seção ou suplemento, página inicial e final. Monografias,Dissertações e Teses: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Ano de entrega. Total de folhas. Tipo de trabalho (grau e área) – instituição, Local, Ano de defesa. Programa de TV e Rádio: TEMA. Nome do Programa. Cidade: nome da TV ou Rádio, data da apresentação do programa. Programa de (TV ou Rádio). CD-ROM e DVD: AUTOR, Título. Edição. Local de publicação: Editora, data. Tipo de mídia. Entrevista: ENTREVISTADO. Título. Local: data. Nota da Entrevista. Site Institucional: INSTITUIÇÃO. Título. Disponível em <endereço eletrônico>. Acesso em: data. Artigo de Revista: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do periódico, local, volume, fascículo, página inicial e final, mês e ano. AULA 9 – O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO I: IMPORTÂNCIA DO TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO. A ÉTICA E LEGITIMIDADE DO SABER Importância do Trabalho de Conclusão de Curso O trabalho de conclusão de curso é parte integrante da atividade curricular de muitos cursos de graduação, consistindo assim uma iniciativa acertada e extrema relevância para o processo de aprendizagem dos alunos. (SEVERINO, 2007, p. 202) Nos últimos tempos experimentamos mudanças culturais e comportamentais significativas em nossa sociedade. Vivemos um mundo inteiramente novo com muitos saberes, informações e tecnologias, o que expressa com propriedade à exigência de uma boa formação acadêmica em consonância com os novos tempos. Nessa dinâmica da era da informação não é fácil acompanhar as mudanças, mas uma coisa é certa: é preciso compreender as novas formas de conduta e relações que estabelecemos em sociedade, porque nenhuma área do conhecimento pode se esquivar dessa tarefa. Como afirmam alguns autores, é preciso saber muito de tantas coisas que temos a sensação constante de estarmos desatualizados. Logo, no decorrer de nossa formação acadêmica desenvolvemos muitas habilidades importantes tais como: a leitura reflexiva, a elaboração de fichamentos, resumos, resenhas, pesquisas temáticas, organização de seminários e relatórios de pesquisa, dentre outros. Tudo com o propósito de conhecermos conceitos, teorias que estão na base de nossas ações na esfera social e profissional. É este pensamento que norteia a necessidade de uma reflexão crítica acerca de nossos saberes e práticas. É por isso que é preciso capacitar pessoas para a pesquisa e elaboração de trabalhos científicos. Capacitá-los para o conhecimento científico. Nos dizeres de Odília Fachin: O conhecimento científico é um aprendizado ordenado e contínuo que se adquire por meio de estudos incessantes. É algo que vai acontecendo aos poucos e é considerado um processo de longo prazo, ou seja, não acontece por acaso ou por intuição. A aquisição de conhecimentos não ocorre de imediato ou a curto prazo, e sim por meio de pesquisa constante e intensa nas áreas específicas da formação acadêmica. (2006, p. 189) Qual a Relação Entre a Educação Superior e a Construção do Conhecimento? Sabemos que na vida universitária, ensino (compromisso com a transmissão do conhecimento), pesquisa (processo de construção do conhecimento com o propósito de gerar novos conhecimentos) e extensão (ações da Universidade junto à comunidade, disponibilizando o conhecimento adquirido) se articulam através da pesquisa, ou seja, “só se aprende, só se ensina, pesquisando”. Portanto, só podemos prestar um bom serviço à sociedade, através de atividades de extensão, se há um compromisso com o conhecimento através da pesquisa. Professores e alunos precisam da prática da pesquisa para ensinar/aprender de maneira eficiente. Por outro lado, a sociedade também necessita da pesquisa para dispor de novos recursos. (SEVERINO, 1996, p. 63) Assim, se compreendermos a pesquisa relacionada ao termo conhecer como construir e reconstruir significados continuamente, mediante o estabelecimento de relações de múltipla natureza, individuais e sociais, então é preciso refletir e observar o caminho que você escolheu para sua formação acadêmica. Bem como as competências e habilidades que desenvolveu nesse percurso. Por isso, a fase de construção de um trabalho de conclusão de curso é o momento mais importante do acadêmico. É importante porque provará que aprendeu a dialogar com a realidade e que agora substitui a curiosidade de escutar seus mestres pela de produzir com autoria uma pesquisa. Contribuindo, assim, para a ampliação da produção científica em sua área de saber. Mas o Que Podemos Entender Por Produção Científica? Podemos entender como produção científica o conjunto de atividades acadêmicas desenvolvidas nas instituições de ensino superior, cuja publicidade acontece através de publicações especializadas, congressos, fóruns que apresentam à sociedade o resultado de pesquisas que apontam informações, alternativas, caminhos para solução de problemas em diversas áreas de saber. É importante mencionar neste ponto que a produção científica estimulada nas universidades tem como objetivo o pleno exercício da nossa capacidade de pensar e discernir, motivar a criatividade e a produção própria. Nos dizeres de Pedro Demo (2009, p. 16), “Se ensinar a pesquisar significa motivar a criatividade, é para que surja um sujeito verdadeiramente autônomo”. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): Considera-se trabalho de conclusão de curso todo aquele que é exigido ao final de cursos de graduação, de especialização, mestrado ou doutorado. Consiste num estudo baseado em pesquisa rigorosa para atualizar o estado da arte sobre determinado tema de interesse profissional. Pressupõe a elaboração de um anteprojeto/projeto de pesquisa, como antecedente de um trabalho final, como resultado, por vezes apresentado diante de uma banca examinadora. O anteprojeto/projeto de pesquisa apresenta o que será pesquisado e como a pesquisa será desenvolvida. Não configura o trabalho em si, mas um plano de estudos no qual o estudante esboça um experimento antes mesmo de iniciar a pesquisa propriamente dita. O Que é um Trabalho de Conclusão de Curso? Quais São os Tipos Mais Comuns? Artigo Científico: Denomina-se artigo científico o texto destinado a divulgar, em publicações especializadas, os resultados de uma pesquisa científica, podendo abordar um dos vários aspectos de uma pesquisa mais complexa exposta em dissertações de Mestrado ou teses de Doutorado. Pode, também, divulgar os resultados de um trabalho investigativo mais modesto. Em qualquer hipótese, os artigos devem seguir um modelo determinado pelas normas da ABNT (NBR 6022). O artigo científico deve tratar de temas acadêmicos, mas sem o aprofundamento típico das monografias. Geralmente são destinados a publicações em revistas especializadas, em anais de congressos, páginas da internet ou em outras formas de divulgação de trabalhos científicos disponíveis na universidade. Monografia: A palavra MONOGRAFIA decorre de um termo de origem grega (monos + grafo = único + escrever) e significa um escrito que trata de um único assunto, único problema. O trabalho monográfico se caracteriza pela delimitação do tema e pela profundidade do tratamento (RAMPAZZO, 2005). Em geral é exigido ao final de um curso de graduação em que o estudante demonstra que realizou investigações mais profundas sobre determinado tema, atualizou-se na polêmica teórica que o cerca e aprendeu a elaborar uma pesquisa com precisão conceitual e nas regras metodológicas. O trabalho deverá apresentar uma contribuição interessante, devendo ser redigido pelo estudante, embora contenha citações diretas e indiretas de outros autores, sempre devidamente referenciadas. Nos dizeres de Antônio Joaquim Severino (2007, p. 200). Os trabalhos científicos serão monográficosna medida em que satisfazerem à exigência da especificação, ou seja, na razão direta de um tratamento estruturado de um único tema, devidamente especificado e delimitado. O trabalho monográfico caracteriza-se mais pela profundidade do tratamento do que por sua eventual extensão, generalidade ou valor didático. Dissertação de Mestrado: É um tipo de trabalho apresentado no final do curso de pós-graduação, visando obter o grau acadêmico de mestre. Como estudo teórico, de natureza reflexiva, requer sistematização, ordenação, autonomia e criatividade na interpretação dos dados. Envolve também uma dedicação muito intensa à pesquisa, fazendo parte da vida do pesquisador. (SEVERINO, 2007) Tese de Doutorado: A tese é o trabalho científico, escrito, original, sobre um tema específico, cuja contribuição amplia os conhecimentos do tema escolhido. Representa, portanto, um avanço na área científica em que se situa. A tese possui a mesma estrutura da monografia e da dissertação, mas distingue-se no que concerne à profundidade, à originalidade, extensão e objetividade. (RAMPAZZO, 2005). Neste ponto cabe uma diferenciação entre o curso de mestrado e do de doutorado: enquanto no mestrado há, ainda, uma iniciação à pesquisa científica, no doutorado já se exige plena autonomia intelectual, sendo exigido certo grau de originalidade, inventividade e maior elaboração no que se refere à construção teórica do trabalho. Sendo certo dizer que a originalidade exigida refere-se a um “esclarecimento original sobre o assunto, até então não percebido”. (SEVERINO, 2007, p. 218) A norma NBR 14724 (Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos - Apresentação), publicada em 2002 pela ABNT, especifica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos acadêmicos, visando sua apresentação à instituição (banca, comissão examinadora de professores, especialistas designados e/ou outros). Assim, a norma divide os trabalhos acadêmicos em: teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso (TCC). A Ética e Legitimidade do Saber O conhecimento científico, sem dúvida, é o resultado da articulação lógica entre a realidade e as teorias, por isso deve ultrapassar o nível do simples levantamento de dados, mas apresentar uma interpretação teórica consistente e com autoria. Em trabalhos de pesquisa, seja em que nível for, exige-se rigor porque envolve o desenvolvimento do raciocínio lógico quando se busca demonstrar discursivamente alguma resposta ao problema proposto. Nesse sentido, observa Umberto Eco (1994), que citamos muitos textos alheios, porque configuram a fonte primária de toda pesquisa. É claro que podemos citar um texto de alguém e, em seguida interpretá-lo ou podemos citar um texto para que sirva de fundamento para nossas interpretações. Sendo certo dizer que as citações diretas devem ser feitas com muita parcimônia, pois poderá denotar que o estudante “não quer ou não é capaz de resumir as ideias de um autor” (1994, p. 122). Se a citação direta é muito longa, isso não é bom! Ao usá- la temos que estar com muita certeza de que é realmente importante, na verdade, vital para nossos argumentos. Todas as citações devem apresentar a referência completa na forma da ABNT (NBR, 6023), usando-se o sistema de chamada escolhido pelo estudante. A remissão ao autor e à obra é uma boa prevenção contra o plágio. Convém destacar que cópia não autorizada de trabalhos alheios é considerada plágio. Plagiar significa apresentar como sua a ideia de outrem, porque qualquer autor é digno de menção. Podemos nos prevenir contra o plágio trabalhando com paráfrases, ou seja, quando se escreve usando as próprias palavras resumindo ou interpretando as ideias de um autor. Um bom critério para se evitar uma falsa paráfrase e correr o risco de ser acusado de plágio, acontece quando reescrevemos o texto “sem tê-lo diante dos olhos, significando que não só não o copiamos como o entendemos” (ECO, 1994, p. 128). A Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, Lei de Direitos Autorais, estabelece em seu artigo 46, que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução ou citação de pequenos trechos com a menção do nome do autor e da publicação de onde foram transcritas, sendo livre o uso de paráfrases. Mas antes de figurar na lei, o respeito à produção alheia é um princípio ético que confere legitimidade ao saber produzido. Por legitimidade entende-se aquilo que tem o caráter, o estado ou qualidade do que é legítimo. Também denota conformidade à lei, às regras. Assim temos que pensar na responsabilidade que o estudante/pesquisador assume na construção de sua pesquisa científica. AULA 10 – O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO II É importante mencionar que as dificuldades iniciais, típicas de todo neófito, aos poucos será superada. A atividade pensante se desenvolverá com mais liberdade e de forma mais prazerosa, desvelando a disciplina intelectual necessária para a experiência científica. Assim, em nossa última aula vamos observar as regras específicas para formatação dos trabalhos acadêmicos conforme estabelece a ABNT. Cabe lembrar que não basta ter na mente o que se pretende fazer, importa colocar no papel, o que configura o primeiro esforço para ação ordenada e eficiente. O termo PLANEJAMENTO significa ato ou efeito de planejar, serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com o estabelecimento de métodos convenientes, ou determinação de um conjunto de procedimentos, de ações, visando à realização de determinado projeto. O planejamento se afigura como tarefa essencial para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos e científicos, por isso ao longo da nossa disciplina estudamos as etapas que integram um projeto de pesquisa. Agora, está em suas mãos! Regras Gerais Para Formatação de Trabalhos Científicos Os trabalhos acadêmicos devem ser estruturados, sequencialmente, em grupos de elementos, a saber: pré-textuais, textuais e pós-textuais. As normas da ABNT para apresentação do Projeto de Pesquisa e Trabalhos Acadêmicos (dissertação, tese e outros trabalhos monográficos de conclusão de curso) apresentam os componentes da estrutura destas publicações. Primeiramente temos que observar algumas regras gerais. Vejamos: Os trabalhos de conclusão de curso dividem-se em três partes: Elementos pré-textuais: elementos que antecedem o texto com informações que ajudam na identificação e utilização do trabalho. Elementos textuais: parte do trabalho em que é exposta a matéria. Elementos pós-textuais: elementos que complementam o trabalho. Formatação O formato do papel utilizado deve ser A4 (21 cm x 29,7 cm), de cor branca e com letras de cor preta, salvo em gravuras, gráficos ou tabelas, que podem ser de cores diferenciadas. As margens terão, em todas as páginas, 3 cm para superior, 2 cm para a inferior, 3 cm para a esquerda e 2 cm para a direita. Espaçamento O espaçamento entre linhas será de 1,5 em todo o trabalho, com exceção de citações com mais de três linhas, nas quais o espaço será simples, também, na natureza do trabalho e no resumo. Títulos: antes e depois dos títulos e subtítulos deve haver dois espaços de 1,5 cm. Texto, Sumário e Listas: espaço de 1,5 cm. Resumo e Abstract: espaço simples. Notas de rodapé e Citações com mais de três linhas: espaço simples. Referências: espaço simples entre linhas e separadas entre si por espaço duplo. Fonte A fonte a ser utilizada será Arial ou Times New Roman, tamanho 12, com exceção de citação com mais de três linhas, em que o tamanho da fonte será de 11. Títulos Toda a parte pré-textual e pós-textual apresentarão seus títulos na fonte escolhida, tamanho 14, caixa alta, em negrito, mantidona margem esquerda da página, diferente das partes textuais. Para trabalhos acadêmicos, geralmente de menor porte, fica a critério de o professor solicitar a introdução e a conclusão numeradas. Caso o professor opte por não numerá-las, ambas deverão ser centralizadas, pois a ABNT esclarece que títulos sem indicação numérica deverão ser centralizados, como Agradecimentos, Resumo, Abstract ou Resumen, Lista de Ilustrações, Lista de Tabelas, Lista de Abreviaturas e Siglas, Lista de Símbolos, Referências e Glossário. Alinhamento Os parágrafos devem iniciar alinhados a 1,25 cm da margem esquerda com espaço de 1,5 cm entre eles. Os parágrafos do texto devem ser justificados. As Referências devem ser alinhadas à esquerda e não devem ser justificadas. Numeração Progressiva Deve-se adotar a numeração progressiva para as seções do texto. 1 SEÇÃO PRIMÁRIA 1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA 1.1.1 Seção terciária 1.1.1.1 Seção quaternária Escrever-se-á o primeiro nível em negrito, caixa alta, fonte escolhida, tamanho 12 e à esquerda. O segundo nível será em caixa alta, fonte escolhida 12, sem negrito; o terceiro nível também será fonte escolhida 12, em negrito, porém em modo versal (primeira letra maiúscula e o restante minúsculo). Do quarto nível em diante escrever-se-á em fonte escolhida 12, sem negrito, a primeira letra maiúscula e o restante minúsculo. Paginação A localização do número da página: canto superior direito, fonte Arial ou Times New Roman e tamanho 10; Quanto ao tipo de número: arábico (1, 2, 3, 4, dentre outros). Ressalta-se que os números até 9, não se indica o 0 na frente do número (ex.: 1 e não 01); Quanto às páginas que devem ser contadas, porém não paginadas: a capa não é contada e nem paginada; os demais elementos pré-textuais (folha de rosto, errata, folha de aprovação, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, resumo, lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário) são contados e não paginados; Quantos às páginas que devem ser paginadas: são contados e paginados sequencialmente os elementos textuais (introdução, desenvolvimento e conclusão) e pós-textuais (referências, glossário, apêndices, anexos e índice). Critérios Textuais O trabalho todo deve ser escrito fazendo uso do verbo no modo impessoal, ou seja, não se deve utilizar a 1ª pessoa do singular nem a 1ª pessoa do plural. Ilustrações, tabelas e equações Em relação às ilustrações (fotos, desenhos, gráficos) sua identificação aparece na parte inferior, com sua especificação (Figura), seguida de seu número e nome, em negrito e tamanho 12. A fonte de onde foi retirada aparece abaixo da identificação, sem negrito e em tamanho 12. A ABNT não especifica o desenho da tabela, sugere que se contate o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. Capa Tem a finalidade de identificar o trabalho. Deve conter: nome da instituição, nome do autor, título e subtítulo, se houver, local e ano de entrega. Dicas para formatar a capa do seu trabalho! Fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 14 Entre linhas com espaço simples Marco 1 da régua vertical do Word – Identificação da Instituição de Ensino (caixa alta) No marco 1,5 – Identificação do curso (caixa alta) No marco 2 – Projeto de Pesquisa (caixa alta) No marco 7 – Nome do acadêmico (caixa alta) No marco 12 – Título do projeto (caixa alta) No marco 23 – Local, ano (caixa alta) Lombada Trata-se de elemento opcional. Deve conter o nome do autor, título do trabalho e elementos alfanuméricos, impressos longitudinalmente e legível do alto para o pé da lombada. Folha de Rosto É composta do anverso e do verso. No anverso deverá conter: nome do autor, título do trabalho, subtítulo, se houver. Natureza do trabalho (trabalho de conclusão de curso, dissertação ou tese); objetivo (aprovação em disciplina, graus pretendidos e outros); nome da instituição e área de concentração; nome do orientador, local (cidade), ano de depósito. No verso da folha de rosto deve figurar a ficha catalográfica com as seguintes dimensões: 12,5 cm x 7,5 cm. Dicas para a formatação da folha de rosto! 1º - Nome do acadêmico (caixa alta – marco 1) 2º - Título do projeto (caixa alta – marco 7) 3º Nota indicativa do tipo de trabalho: em recuo esquerdo de 8 cm, espaço simples, alinhamento justificado e fonte 12. Nota: (marco 13) – texto sugerido. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de Bacharel no curso de XXXXXXXX, da Instituição de ensino X. Professor(a) Orientador(a): nome do Professor 4º - LOCAL, ano. (marco 23) Formatação de Artigos Científicos Elementos pré-textuais: Título e subtítulo do artigo; Autor(es) – breve currículo em nota de rodapé indicado por asterisco; Resumo – máximo 500 palavras; Palavras–chave – até no máximo 4. Elementos textuais: Introdução do artigo; Desenvolvimento; Conclusão. Elementos pós-textuais: Notas explicativas (opcional); Referências; Glossário; Apêndice e Anexo (opcionais). Formatação de Projetos de Pesquisa São partes integrantes do Projeto de Pesquisa: Elementos Pré-Textuais Capa: nome da entidade para a qual deve ser submetido; nome do autor; título; subtítulo precedido de dois pontos (:) ou distinguido tipograficamente. Será seguido o mesmo exemplo para um trabalho acadêmico ou TCC, com margem de 3 cm superior, 3 cm à esquerda, 2 cm inferior e 2 cm à direita, fonte escolhida em tamanho 12 e em negrito, onde aparecerá o nome da instituição, o nome do autor do projeto (aluno), o nome do projeto, o depósito (versal) e o ano, toda a página de forma centralizada. Folha de rosto: elemento obrigatório. Deverá conter: nome do autor; título; subtítulo precedido de dois pontos (:) ou distinguido tipograficamente; tipo de projeto de pesquisa e nome da entidade a que deve ser submetido; local (cidade) da entidade onde deve ser apresentado; ano de depósito (entrega). Lista de ilustrações, tabelas, abreviaturas e siglas (opcional): deve ser elaborada de acordo com a ordem apresentada no texto, com cada item designado por seu nome específico, acompanhado do respectivo número da página. Sumário: representa a estrutura orgânica do trabalho. Deve ser apresentado por uma numeração coerente que evidencie as principais partes do documento (capítulos ou seções e subseções). Tem como objetivo apresentar o conteúdo do trabalho e orientar sua localização no texto. Dica: no Word há a ferramenta “tabelas”. Crie uma tabela com três colunas: uma para numerar os itens; outra para o título de cada capítulo; a última para inserir o número da página. Em seguida, clique sobre a tabela com o lado direito do mouse e escolha a opção “Bordas e sombreamento”. Em seguida, marque a opção “Bordas”, item “Definição” e clique na opção “Nenhuma”. As linhas de sua tabela ficarão invisíveis. Esse recurso ajudará na formatação do sumário. Elementos Textuais Representa a principal parte do trabalho em que é exposto o conteúdo do documento. Os elementos textuais são constituídos pelos seguintes elementos: Introdução; Desenvolvimento; Objetivos; Justificativa; Referencial teórico; Metodologia; Conclusão. Elementos Pós-Textuais Os elementos pós-textuais são compostos de Referências, Glossários, Apêndices e Anexos. Destinam-se a esclarecer ou complementar o texto, sem, contudo, fazer parte deste. Referências: indicam ao leitor os nomes dos livros, artigos, sites, documentos e demais fontes usadas na elaboração do artigo científico. É o que antigamente era chamada de Bibliografia. Ele deve ser organizadoem ordem alfabética, segundo estabelece a ABNT. Glossário (opcional): lista organizada em ordem alfabética que fornece o significado ou tradução de palavras ou expressões técnicas pouco conhecidas utilizadas no texto. Apêndice (opcional): são textos ou documentos elaborados pelo próprio autor que servem para fundamentar, comprovar ou ilustrar o trabalho. Porém, por serem extensos e para não quebrar a sequência lógica de exposição do texto, não foram incluídos no corpo do trabalho. Anexo (opcional): são materiais (textos, documentos, figuras, tabelas, formulários, mapas, desenhos etc.) produzidos por outras fontes que não o autor, que servem para fundamentar, comprovar ou ilustrar seu trabalho. Os apêndices e anexos devem ser identificados por letras maiúsculas consecutivas, seguidas de travessão e pelos respectivos títulos. Ao se esgotar as 23 letras do alfabeto, caso o trabalho possua mais que esta quantidade de apêndices ou anexos, as letras devem ser dobradas. Monografia Elementos Pré-Textuais: capa, folha de rosto (anverso), folha de rosto (verso), folha de aprovação, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, resumo em língua vernácula, abstract (Inglês) ou resumen (Espanhol), lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário. Elementos Textuais: introdução, desenvolvimento e conclusão. Elementos Pós-Textuais: referências, glossário, apêndices e anexos. Projeto Final Título: deve passar uma idéia geral do trabalho. É recomendável a presença de um subtítulo explicativo, que dê conta, brevemente, da delimitação espaço-temporal e da questão central a ser investigada, caso tais informações não estejam presentes no título. Introdução: a) Delimitação do objeto: neste item, deve ser exposto, com clareza, o objeto de pesquisa, ou seja, a formulação do(s) problema(s). Cabe estabelecer, nesse sentido, a delimitação espacial e temporal, dentro do tema mais geral da pesquisa. b) Discussão bibliográfica: este item consiste num debate crítico sobre as principais obras relacionadas ao tema da pesquisa. Não se trata de uma simples enumeração de obras, mas da apresentação de um debate entre autores ou correntes historiográficas (ou de outros campos das ciências sociais). Não se deve incluir, aqui, a discussão das obras referidas às bases teóricas ou conceituais do projeto. Objetivos: trata-se da definição das metas da investigação. É ideal que a cada objetivo corresponda uma hipótese. Este item deve ser, de preferência, exposto em tópicos (iniciados por verbos no infinitivo: demonstrar, estabelecer, compara etc.), podendo conter um objetivo geral e outros específicos. Quadro Teórico: neste item devem ser expostos os principais conceitos e ferramentas teóricas a serem mobilizados na pesquisa. Nesse sentido, devem ser discutidos as concepções, os pressupostos e os conceitos que podem estar mais especificamente relacionados a uma tendência ou corrente da historiografia contemporânea. Hipótese(s): as hipóteses de uma pesquisa histórica são “afirmações provisórias”, enunciados prévios a serem verificados, ou seja, possíveis pontos de chegada que o pesquisador mantém em seu horizonte. Dessa forma, correspondem aos objetivos a serem alcançados. Este item deve ser exposto, de preferência, em tópicos, podendo conter uma hipótese central e sub- hipóteses. Metodologia e fontes: por metodologia entende-se a descrição dos meios, instrumentos e atividades técnicas necessárias ao tratamento do problema a partir das fontes. Vale notar que as fontes não são repositórios neutros, exigindo tratamento adequado em função de sua especificidade. Para isso, é necessário apresentar uma tipologia das fontes, ou seja, dos diversos materiais (orais, iconográficos, textuais), nas suas diversas formas (processos jurídicos, registros de óbito, jornais, correspondência, pinturas, gravuras etc.). Esta tipologia é a condição para a exposição do tratamento mais apropriado das fontes para dar conta do problema. Bibliografia: deve ser apresentada segundo as normas da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Acabou! Muito bem, agora começa o seu trabalho. Lembre-se que o seu leitor merece o melhor. É preciso ofertar um trabalho bem-feito, o que significa dizer que está bem planejado, fundamentado sob o ponto de vista teórico, corretamente escrito e formatado para uma comunicação eficiente. Um bom dicionário resolve muitos problemas, conhecer as regras é sempre importante, mas o fundamental está no hábito de ler. Como nos adverte João Álvaro Ruiz, quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, não saberá como estudar. “Quem lê constrói sua própria ciência”. (2002, p. 34-35)