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METODOLOGIA DE PESQUISA 
AULA 1 – A PESQUISA E O CONHECIMENTO CIENTÍFICO 
O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) de graduação, objetiva alcançar uma qualificação 
teórica e metodológica dos graduandos (BOAVENTURA, 2009. p. 20). Sua elaboração exige 
um cuidadoso processo de pesquisa que se inicia com a definição do tema, sua delimitação, 
investigação bibliográfica, atendendo às orientações da ABNT – Associação Brasileira de 
Normas Técnicas. 
Em nossa disciplina, vamos refletir sobre esse importante momento para a sua formação, com 
destaque em uma postura reflexiva, crítica e criadora, sem descuidar de uma especulação 
filosófica, concernente à Ética na construção de um pensamento científico com autoria. 
A disciplina objetiva, assim, fornecer instrumentos capazes de conduzi-lo por caminhos 
seguros para o rigor científico requerido pela universidade. Nesse sentido, o ponto de partida 
para a tarefa começa pelo tema Pesquisa. 
Você Saberia Dizer o Que é Pesquisa? 
É um trabalho para entregar ao seu professor? É a cópia de vários textos e vários livros 
investigados? Impressão de tudo o que você acha na Internet sobre determinado assunto? A 
Internet é confiável? Qual o resultado que se espera ao término de uma Pesquisa? A pesquisa 
precisa ser original, ou um resumo do que já foi produzido? 
Desmistificando o Conceito de Pesquisa! 
Vamos conhecer algumas definições? 
Pesquisa: 
(...) atividade intelectual intencional que visa responder às necessidades humanas. (...) 
Pesquisar é o exercício intencional da pura atividade intelectual, visando melhorar as 
condições práticas de existências (SANTOS, 2007. p. 17-20). 
A pesquisa é um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que permite 
descobrir novos fatos ou dados, soluções ou leis, em qualquer área do conhecimento. Dessa 
forma, a pesquisa é uma atividade voltada para a solução de problemas por meio dos 
processos do método científico. Podemos, assim, indicar os três elementos que caracterizam a 
pesquisa: o levantamento de algum problema; a solução à qual se chega; os meios escolhidos 
para chegar a essa solução, a saber, os instrumentos científicos e os procedimentos 
adequados. (RAMPAZZO, 2005. p. 49) 
Uma definição pertinente de pesquisa poderia ser: diálogo inteligente com a realidade, 
tornando-se como processo e atitude, e como integrante do cotidiano. (...) Diálogo é fala 
contrária, entre atores que se encontram e se defrontam. (DEMO, 2009. p. 37) 
Pesquisar é pensar, refletir, ler, discutir, perguntar, criticar, descobrir, enfim, e buscar uma 
visão, uma explicação, uma idéia, uma solução para as perguntas e problemas que nos 
movimentam e interessam; é construir, formar e organizar um pensamento (próprio ou não); 
é alcançar um resultado que apazigue ou que confirme a inquietude inicial. Saber pesquisar é 
uma maneira para enfrentar qualquer desafio novo, e a vida dos profissionais é uma constante 
renovação destes desafios. (MARQUES, 2003) 
Segundo Pedro Demo (2009), pesquisar coincide com criação e emancipação. Através da 
pesquisa, se estabelece um verdadeiro diálogo com a realidade nos permitindo construir uma 
consciência crítica, um espírito crítico. Por isso, não se trata de copiar o que já foi dito, mas 
reconstruir oferecendo novas possibilidades. 
O processo da pesquisa não está reservado a poucos, mas integra o caminho de todo o 
estudante universitário. Para tanto, é preciso conhecer a trajetória acadêmica, ter o domínio 
das técnicas, o manejo dos dados e os conhecimentos das regras de formatação – as regras 
do jogo. 
Podemos concluir que toda pesquisa revela um: 
 Procedimento reflexivo; 
 Procedimento sistemático; 
 Procedimento crítico; 
 É uma atividade voltada para a solução de problemas. 
Três elementos caracterizam a pesquisa 
 O levantamento de algum problema; 
 A solução à qual se chega; 
 Os meios escolhidos para chegar a essa solução. 
A pesquisa pressupõe o conhecimento dos conteúdos mais importantes, a atualização nas 
polêmicas teóricas, a precisão no uso dos conceitos e a criatividade na interpretação. 
Como afirma Pedro Demo (2009), quem não pesquisa apenas reproduz ou apenas escuta. Ou 
aproveitando uma idéia do senso comum: o que os olhos não veem (leia-se leem), o coração 
não sente! 
Por que Pesquisar? 
Na vida, encontramos muitas razões que direcionam um profissional a realizar uma pesquisa. 
Na universidade, a pesquisa assume um lugar de destaque. É indiscutível que o ensino sempre 
foi considerado uma atividade primordial da universidade, desde a Idade Média. Todavia, o 
princípio que relaciona ensino e pesquisa foi apresentado pó Wilhelm Von Humboldt, na 
ocasião que criou a Universidade de Berlim, em 1810, introduzido no ensino brasileiro em 
1968, para enriquecer a atividade universitária (BOAVENTURA, 2009. p. 20). Nesse sentido, a 
nossa trajetória tem mostrado que essa relação se tornou um instrumento útil de qualificação 
teórica para os estudantes. 
O Ponto de Partida! 
Para iniciar uma pesquisa é preciso conhecer os tipos disponíveis. E, nesse sentido, uma 
classificação com base em critérios poderá ser útil. Nesse processo, alguns cuidados são 
recomendáveis. Encontramos em farta literatura sobre o assunto uma classificação do ponto 
de vista de: 
 Sua natureza, ou seja, essência; 
 Sua abordagem, que significa forma de tratar alguma questão; 
 Seus objetivos, entenda-se finalidade ou motivo; 
 Seus procedimentos, que se traduz no sentido de maneiras de agir ou instruções. 
Recomendamos a você que estude o significado de cada um, considerando a pesquisa que 
terá de realizar. 
Classificação da Pesquisa: 
 
Do ponto de vista da sua NATUREZA, ou seja, aquilo que compõe a substância do ser ou 
essência da pesquisa. 
 
 Pesquisa Pura: Objetiva gerar conhecimentos novos úteis para o avanço da ciência sem 
aplicação prática prevista. Envolve verdades e interesses universais. Motivada 
basicamente pela curiosidade intelectual do pesquisador; 
 
 Pesquisa Aplicada: Objetiva gerar conhecimentos para aplicação prática dirigidos à 
solução de problemas específicos. Envolve verdades e interesses locais. 
 
Do ponto de vista de sua ABORDAGEM, o que significa dizer modo de tratar ou ponto de vista 
de uma questão. 
 
 Pesquisa Quantitativa: Traduz em números opiniões e informações para classificá-los e 
organizá-los. Utiliza métodos estatísticos. 
 
 Pesquisa Qualitativa: Neste enfoque não há medição numérica, como as descrições, 
mas o seu propósito está em reconsiderar ou reconstruir a realidade observada. Assim, 
considera a existência de uma relação dinâmica entre mundo real e o sujeito. Busca 
dar significado às relações entre os fenômenos*. 
 
* Importante esclarecer que o termo fenômeno pode designar um fato percebido por alguém. 
Neste caso, a percepção que determinado observador tem de um fato é o que o caracteriza 
como fenômeno. 
 
Do ponto de vista dos OBJETIVOS, ou seja, quanto ao seu fim, propósito: 
 
 Exploratório: É considerado o passo inicial de qualquer pesquisa. Trata-se de uma 
observação, ou seja, consiste em recolher e registrar os fatos da realidade. Neste 
modelo temos a possibilidade de aprimoramento de ideias. Geralmente, neste tipo de 
pesquisa há o levantamento bibliográfico, entrevistas com pessoas que 
experimentaram situações que estejam sendo pesquisadas e análise de exemplos. 
 Descritiva: O objetivo principal é descrever as características de algum fenômeno 
observado, descobrir a frequência com que ocorre, sua relação e sua conexão com 
outros fenômenos. Esta modalidade é típica das ciências humanas e sociais. Neste tipo 
de pesquisa, o estudante deve observar,registrar, analisar e correlacionar fatos ou 
fenômenos (variáveis), sem manipulá-los. 
 
 Explicativa: O objeto está em identificar os fatores que determinam ou contribuem para 
a ocorrência dos fenômenos. Neste modelo, temos um efetivo aprofundamento de 
conhecimentos, porque busca entender ou explicar as razões das coisas, o que amplia 
o entendimento. Nada impede que uma pesquisa explicativa seja a continuação de 
uma descritiva ou exploratória. 
 
Quanto aos PROCEDIMENTOS, significa maneira de agir, modo de proceder, modo de fazer 
(algo), técnica, processo ou método. Assim, vejamos: 
 
 Pesquisa bibliográfica: Trata-se de uma etapa fundamental em todo trabalho científico 
que influenciará todas as etapas de uma pesquisa, na medida em que der o 
embasamento teórico em que se baseará o trabalho. Consistem no levantamento, 
seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas à pesquisa. 
Bibliografia é o conjunto dos livros escritos sobre determinado assunto, por autores 
conhecidos e identificados ou anônimos. 
 
Segundo Carlos Antônio Gil (1991, p.48): A pesquisa bibliográfica é desenvolvida a partir de 
material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos. Embora em 
quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas 
desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. 
 
 Pesquisa documental: Trata-se de uma pesquisa realizada através de documentos que 
podem ser: documentos pessoais, cartas, diários, jornais, balancetes, microfilmes, 
fotografias, memorandos, ofícios, vídeos, documentos estatísticos e outros. Há uma 
análise da descrição do conteúdo manifesto para se alcançar uma rede de significados. 
Em ciência, documento é toda forma de registro e sistematização de dados, 
informações, colocando-os em condição de análise por parte do pesquisador. 
 
 Pesquisa de campo: É a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou 
ocorreu um fenômeno. Pode incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e 
observações. Segundo Antônio Joaquim Severino (2007, p. 123), na pesquisa de 
campo “o objeto é abordado em seu próprio meio. A coleta de dados é feita nas 
condições naturais em que os fenômenos ocorrem, sendo assim diretamente 
observados”. 
 
 Histórica: Descreve o que já aconteceu, sob a forma de investigação, registro, análise e 
interpretação de fatos ocorridos no passado, para poder compreender o presente. Os 
dados podem ser coletados em: fontes primárias - quando o investigador foi o 
observador direto dos eventos ou utiliza materiais de primeira mão; fontes secundárias 
- quando os eventos foram observados e reportados por outras pessoas e não 
diretamente pelo investigador. Neste caso, os dados exigem cuidadosa e objetiva 
análise a fim de avaliar sua autenticidade e relevância. Você já reparou que os filmes 
de época exigem um estudo histórico prévio? 
 
 Comparada: Procura estabelecer semelhanças e diferenças entre situações, fenômenos 
e coisas, por meio de relações entre os elementos que são comparados. 
 
O Que se Pode Pesquisar na Internet? 
 
A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo inteiro. Nesse 
sentido, permite a pesquisa de milhares de informações diferentes, hoje, um acervo 
extraordinário. Como encontramos muitas informações, temos que selecionar o material de 
pesquisa em sites confiáveis. 
 
Para pesquisar na Internet, temos sites de busca, tais como: Google, Alta Vista, Excite e 
Yahoo. Além de vários endereços eletrônicos de bibliotecas que colocam à disposição 
informações de fontes bibliográficas. Também, encontramos disponível na Internet o site de 
editoras contendo informações sobre os lançamentos editoriais; sites de revistas eletrônicas, 
jornais, instituições de pesquisas e entidades culturais. 
 
Em qualquer situação é importante respeitar as regras de utilização das informações 
disponíveis. Nunca utilize informações de outrem sem referenciar a fonte. Ademais, observe a 
veracidade das informações postadas na Web. Administre as imperfeições no conteúdo, 
verificando a fonte da informação obtida. Lembre-se, a Internet é livre, mas há autoria que 
deve ser respeitada. 
 
Wikipédia 
 
É uma enciclopédia livre, baseada na edição do seu conteúdo de forma colaborativa. Qualquer 
pessoa poderá se tornar um editor de algum conteúdo. Observe que uma enciclopédia 
multilíngüe, podendo ser escrita em diversos idiomas e em diferentes regiões. Por ser uma 
enciclopédia livre, não há fins lucrativos e qualquer informação publicada poderá ser 
transcrita, modifica e ampliada por qualquer pessoa. Será que é confiável? 
 
AULA 2 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: A ESCOLHA DO TEMA E A 
IMPORTÂNCIA DE SUA DELIMITAÇÃO 
Como começar uma pesquisa? 
Inicia-se uma pesquisa pela escolha do tema. Para tanto é preciso uma série de cuidados e, 
nesse sentido, é importante observar que independente da área de saber, todos enfrentam 
desafios parecidos: escolher um tema para pesquisar não é fácil! 
O tema representa o objeto da pesquisa. Por objeto, entende-se aquilo que é pensado, que 
será investigado (LALANDE, 1993). Assim, deve ser mais restrito que o assunto, faz parte 
dele. Isso mostra que o assunto é mais amplo e abrangente que o tema (LEITE, 2008, p. 
190). Acrescente-se, também, que o tema precisa ser específico para que as respostas, ao 
final da pesquisa, sejam igualmente específicas. 
Por isso, costuma-se dizer que a primeira e fundamental fase de qualquer pesquisa é a 
definição do que vai ser pesquisado. Logo, a escolha do tema não deve ser apressada 
(SANTOS; MOLINA; DIAS, 2007). Nesta tarefa requer-se habilidade teórico-crítica, ou seja, 
conhecer e dominar os conceitos, as abordagens e os autores relevantes para a pesquisa 
como um pressuposto importante para a escolha do tema. Há uma recomendação neste caso: 
Ler tanto quanto o tempo permita sobre o seu tema pode-lhe dar ideias não somente sobre a 
pesquisa que outros têm feito, mas também sobre sua abordagem e seus métodos (BELL, 
2008, p. 57). 
Do Tema ao Objeto de Pesquisa! 
Quando se pretende construir um objeto de pesquisa, deve-se transformar o assunto em tema 
e este num objeto de investigação delimitado e preciso. 
Se por hipótese, um pesquisador desejar investigar o assunto violência. Deve-se indagar a que 
tipo de violência se refere, pois há muitas possibilidades. Poderá investigar tal assunto sob o 
enfoque teórico, mas deverá escolher as teorias, os autores, por exemplo. 
Podemos investigá-la sob o ponto de vista social, jurídico, psicológico, filosófico etc. Se 
preferir direcionar sua pesquisa para um estudo empírico precisará delimitar a um caso 
concreto, descrevendo-o minuciosamente. Assim, conseguirá transformar um tema em um 
verdadeiro objeto de pesquisa. 
Poderá pesquisar, por exemplo, os aspectos da violência doméstica contra adolescentes na 
realidade fluminense e suas relações com as condições sociais e econômicas das famílias 
moradoras nas comunidades carentes. Temos aqui um tipo específico de violência: a violência 
doméstica. Acrescente-se que a pesquisa pretende focalizar adolescentes na realidade 
fluminense e, em comunidades carentes. A partir de um tema específico poderemos alcançar 
respostas específicas. 
Imagine que um pesquisador pretende investigar o tema liderança. Para tanto, deverá 
transformá-lo num objeto de pesquisa, porque falar tudo o que sabe sobre liderança não 
caracteriza seu trabalho como um trabalho científico. E mais: o tema é muito amplo e 
fatalmente haverá omissões. 
Após as leituras necessárias poderá investigar como a liderança autoritária compromete a 
motivaçãodos funcionários da Empresa XYZ. Observe que delimitou a um tipo específico de 
liderança e sua influência em determinada empresa. 
A partir de agora, pense no assunto que você gostaria de pesquisar. Lembre-se: originalidade 
não é pré-requisito. 
E Que Critérios Devem Ser Considerados Para a Escolha do Tema? 
 O tema deve ser ESPECÍFICO! 
O autor do tema deve ser, nas palavras de Umberto Eco, “a maior autoridade viva sobre o 
assunto”. Não se assuste, mas é preciso conhecer e dominar o assunto escolhido, pois um 
tema maldelimitado eliminará qualquer possibilidade de uma contribuição inovadora. 
Segundo Welber Oliveira Barral (2010, p. 38), com um tema muito amplo, o pesquisador fará, 
no máximo, a revisão bibliográfica do tema, ou seja, um “fichamento”: uma listagem 
aborrecida de “fulano disse”, “beltrano falou”, que não trará novidade à matéria. 
Não se esquece: um tema amplo possibilita omissões; um tema específico dará mais 
segurança ao pesquisador. 
 O tema deve ser ACESSÍVEL! 
Um tema acessível significa que as fontes devem ser examinadas pelo pesquisador. Como 
sugestão, observamos que: “(a) não se pode fazer uma pesquisa sobre tema cujas fontes 
primárias estejam em idioma estrangeiro; (b) se a pesquisa for sobre a obra de um autor 
estrangeiro, deve-se ler no original; (c) algumas disciplinas dependem mais da literatura 
estrangeira na revisão bibliográfica” (BARRAL, 2010. p. 39-40) 
Imagine que alguém resolva fazer uma pesquisa original sobre a estrutura familiar entre os 
ianomâmis. Provavelmente, não encontrará literatura disponível sobre o assunto. Neste caso, 
vale indagar: teria disponibilidade para viver por algum tempo numa reserva indígena? Que 
resposta daria? 
E se um pesquisador decidir realizar uma pesquisa sobre o novo código civil húngaro. Termos 
aqui um grande problema: ele não domina a língua húngara. Certamente, não terá acesso às 
fontes primárias mais importantes para desenvolver o seu tema. 
 A necessidade de que o tema seja EXEQUÍVEL no prazo estipulado! 
Um erro comum é acreditar que um trabalho inovador poderá ser feito em poucos dias. Um 
trabalho científico exige tempo para pesquisar as fontes, ler a bibliografia, refletir, escrever, 
revisar, corrigir. Nesse sentido, o pesquisador deve estar atento ao prazo determinado por sua 
instituição de ensino e “não ceder à tentação de mudar de tema ao longo da pesquisa”. 
(BARRAL, 2010. p. 39-40) 
 A escolha do tema também deve considerar as EXIGÊNCIAS INSTITUCIONAIS! 
O curso pode ter linhas de pesquisa específicas, dentro das quais devem se encaixar os 
trabalhos realizados pelos alunos. Esse direcionamento temática é relevante porque reflete na 
disponibilidade de um orientador, ou seja, um professor que domine o tema, e possa, assim, 
auxiliá-lo ao longo da pesquisa. (BARRAL, 2010. p. 39-40) 
 Sugere-se que o tema seja ATUAL e CONTROVERTIDO! 
Um tema histórico pode ser interessante se há a necessidade de se esclarecer um problema 
atual. O conhecimento das experiências passadas, certamente, contribui para a compreensão 
da atualidade, bem como poderá minimizar eventuais erros. Todavia, há algumas dificuldades 
num tema histórico, principalmente no que tange ao acesso às fontes. 
A escolha de um tema do momento – também traz riscos e dificuldades. Algumas 
recomendações podem ser feitas também para se identificar temas atuais: conversas com o 
orientador e outros pesquisadores, participação em congressos na área de interesse e leitura 
de periódicos atualizados. (BARRAL, 2010. p. 43) 
 A aptidão para o tema, o interesse pessoal e a maturidade intelectual! 
Entende-se por aptidão, a facilidade de aprendizado de uma determinada área de 
conhecimento. E neste ponto, é bom recomendar que “será mais fácil ao estudante dedicar-se 
a uma área de conhecimento para a qual tenha aptidão, para a qual demonstre facilidade de 
aprendizado e entusiasmo para conhecer mais”. Deve-se tomar muito cuidado para não ser 
seduzido pela simpatia a professores, palestrantes, e não a temas. (BARRAL, 2010. p. 43) 
Possivelmente, o trabalho será árduo se o estudante não tiver maturidade intelectual para 
enfrentar os desafios do tema escolhido. Essa maturidade se adquire com o tempo e com 
horas de leitura e análise. Não se pode aguardar a inspiração chegar, pois não há atalhos ou 
fórmulas mágicas para elaboração de um trabalho. 
A recomendação é a seguinte: o estudante deve se esforçar para compatibilizar o tema 
escolhido com o seu interesse pessoal. Segundo Antônio Carlos Gil (2010. p. 1), há razões de 
ordem intelectual e de ordem prática que determinam uma pesquisa. 
Welber Oliveira Barral (2010. p. 43), ilustra, com muita propriedade, o critério da maturidade 
intelectual, a partir de um exemplo interessante: 
Imagine um pesquisador que apresentou um excelente projeto, sobre a caracterização do 
crime na obra de Michel Foucault, sobre quem havia lido apenas um artigo. Ora, Foucault é 
um autor difícil, com obras extremamente densas, que demandam prévias leituras, para 
conhecer termos e conceitos criados pelo próprio autor. E isso não era possível no prazo que o 
pesquisador tinha à disposição, e que não lhe permitiria desenvolver a maturidade necessária 
à compreensão do tema. 
De um modo geral, os autores em metodologia da pesquisa observam que o envolvimento 
com a pesquisa exige a disposição para a aprendizagem de conceitos1 e teorias2 da área de 
saber escolhida pelo estudante. À medida que o estudante se insere nessa tarefa, vai 
adquirindo mais autonomia intelectual para produzir uma pesquisa. 
1 “Representação mental de um objeto abstrato ou concreto, que se mostra como um 
instrumento fundamental do pensamento em sua tarefa de identificar, descrever e classificar 
os diferentes elementos e aspectos da realidade” (Dicionário HOUAISS) 
2 “Uma série de proposições abstratas inter-relacionadas sobre as questões humanas e o 
mundo social que explicam suas regularidades e relacionamentos” (BREWER, 2000. p. 192 
apud BELL, 2008. p. 90). “um conjunto de constructos (conceitos) inter-relacionados, 
definições e proposições, que apresenta uma concepção sistemática dos fenômenos mediante 
a especificação de relações entre variáveis, com o propósito de explicá-los e prevê-los”. 
(KERLINGER, 1973 apud CERVO; BERVIAN; SILVA, 2006. p. 22) 
As atividades acadêmicas, tais como elaboração de resumos, resenhas, pesquisa bibliográfica, 
relatórios, seminários e fichamento de textos contribuem para a idéia de atividade científica, a 
partir de três elementos, a saber: adquirir conhecimentos, criar novos conhecimentos e 
comunicá-los à comunidade científica através de um trabalho de conclusão de curso. A 
atividade científica, nesse sentido, envolve criticidade, rigor, disciplina e sistematicidade no 
manejo do objeto da pesquisa. 
Uma dica! 
Procure elaborar um mapa conceitual sobre o tema da sua pesquisa. Podemos dizer que mapa 
conceitual é uma representação gráfica de um conjunto de conceitos que se relacionam 
dentro de um tema. Neste mapa, inserimos conceitos e observamos as relações que guardem 
entre si. As relações entre os conceitos são especificadas através de frases/palavras de ligação 
nos arcos que unem os conceitos. As frases/palavras de ligação têm funções estruturantes e 
exercem papel fundamental na representação de uma relação entre dois conceitos. 
Muitos denominam o mapa conceitual como um brainstorm1, expressão em língua inglesa que 
denota “tempestade de idéias.” 
1 Técnica de discussão em grupo que se vale da contribuição espontânea de idéias por parte 
de todos os participantes, no intuito de resolver algum problema ou de conceber um trabalho 
criativo. (Dicionário HOUAISS) 
 
Observe que o tema centralé Tempos Modernos. Na tentativa de delimitar o tema, o 
pesquisador relacionou o conceito aos termos: filme, crescimento populacional, violência etc. 
Usou palavras de ligação tais como: facilitou, aumenta, ampliou, modifica etc. Siga este 
exemplo! Sempre que se inicia uma pesquisa, há muitas informações que precisam ser 
selecionadas, organizadas e classificadas. É preciso pensar nas questões-chave que envolvem 
o seu tema, as principais teorias, como foram aplicadas e desenvolvidas, bem como as 
principais críticas que foram elaboradas em relação ao tema escolhido. Com o mapa conceitual 
você terá um quadro contendo os pontos centrais que envolvem o seu tema, ou seja, elabora 
um esboço de estrutura teórica1 com os aspectos principais a serem estudados. 
1 Estruturas são mecanismos eficientes para reunir e sumarizar fatos. Estrutura teórica é um 
dispositivo explanatório que explica os pontos principais a serem estudados. (BELL, 2008. p. 
91) 
AULA 3 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: REALIZAÇÃO DA PESQUISA 
BIBLIOGRÁFICA E SUA DISCUSSÃO 
“Se enxerguei um pouco mais longe, foi por estar em pé sobre ombros de gigantes” Isaac 
Newton 
Isaac Newton foi considerado um grande pensador da Física Moderna, mas confessou que não 
chegou ao lugar que queria sozinho. Precisou investigar pensadores e suas obras. Newton não 
elaborou sua teoria da gravidade do nada, mas seu ponto de partida foram as idéias de quem 
veio antes dele. 
Assim, nos ensina uma boa lição: qualquer estudo científico deve partir de pesquisas 
bibliográficas e/ou documentais. Isto significa dizer que o estudante deve basear suas idéias 
em teorias já existentes ou informações específicas sobre o tema a ser estudado. 
Dessa maneira, não vai realizar o seu trabalho às cegas, mas tudo o que disser encontrará 
apoio em autores estudiosos do assunto e em trabalhos publicados. A estrutura teórica a ser 
utilizada na pesquisa científica deve resultar de dados bibliográficos e documentais 
selecionados criteriosamente em leituras e fichamentos. Segundo autores de metodologia: 
Qualquer espécie de pesquisa, em qualquer área, supõe e exige uma pesquisa bibliográfica 
prévia, quer para o levantamento do estado da arte do tema, quer para a fundamentação 
teórica ou ainda para justificar os limites e as contribuições da própria pesquisa. (CERVO; 
BERVIAN; SILVA, 2006. p. 60) 
Lembre-se, qualquer trabalho científico só assumirá esse caráter se discutido, analisado ou 
fundamentado em conceitos e teorias já consagradas, seja para confirmar ou não as idéias 
presentes no trabalho. Tal fundamentação teórica se faz por meio de uma pesquisa 
bibliográfica e/ou documental exaustiva. 
Conceitos Importantes! 
Antes de tudo é preciso conhecer alguns conceitos, tais como: fonte bibliográfica, fontes 
primárias e secundárias. 
Em metodologia, entende-se por fonte e informação essencial para a construção do 
conhecimento a partir da escolha do objeto de pesquisa. Nesse aspecto, é muito comum 
diferenciar fontes primárias de secundárias. Sendo a fonte primária, o objeto em análise. Nos 
dizeres de Welber Oliveira Barral (2010. p. 91), “numa pesquisa de laboratório, as fontes 
primárias serão os resultados obtidos a partir da experiência química. Numa pesquisa 
antropológica, serão os relatórios relativos ao comportamento do grupo social observado”. 
Quando investigamos fontes secundárias, analisamos os comentários sobre as fontes 
primárias. Trata-se da literatura disponível sobre o tema, estudos publicados, palestras e 
conferências em que um pesquisador apresenta seus estudos sobre determinado objeto de 
pesquisa. (BARRAL, 2010) 
Nesta classificação das fontes, uma conseqüência é inevitável: a fonte primária é prioritária 
para qualquer pesquisa. Não se deve construir o embasamento teórico de uma pesquisa 
apenas sobre fontes secundárias. (BARRAL, 2010) 
Alguns Cuidados são Importantes 
Não podemos usar a fonte secundária para confirmar a existência de um dado primário. Por 
exemplo: 
“Segundo Norberto Bobbio, o conceito de vontade geral é definido por Rousseau como...”. 
Observe que Rousseau é a fonte primária, assim o estudante deve examiná-lo e interpretá-lo 
diretamente. Como adverte Welber Oliveira Barral (2010, p. 92), “ao socorre-se de argumento 
de autoridade, na realidade enfraquece seu papel de intérprete. E isso não é admissível numa 
pesquisa científica”. 
Deve-se esgotar a fonte primária, lendo o conteúdo com cuidado para embasar suas idéias de 
maneira eficiente. Por exemplo: imagine uma pesquisa realizada por um estudante de Direito 
sobre os direitos da companheira. Ele deseja investigar como o Tribunal de Justiça do seu 
Estado está interpretando a lei. Neste caso, é importante examinar minuciosamente a íntegra 
dos acórdãos deste Tribunal e não somente a ementa das decisões. 
Numa pesquisa deve-se evitar o uso de manuais, porque são publicações didáticas que 
apresentam uma abordagem inicial e superficial sobre os temas discutidos. Tais publicações 
servem ao propósito de despertar o interesse do estudante. Assim, cuidado, pois manuais não 
são fontes primárias, bem como não são considerados como fontes secundárias. 
Todo estudante pergunta quantas fontes devem ser consultadas. O fato é que sobre o tema 
da sua pesquisa, você deverá ler tudo o que já se publicou. Como recomenda Welber Oliveira 
Barral (2010, p. 93), “todas as publicações referentes ao problema escolhido devem ser 
analisadas”. 
Não confie na sua memória! Faça anotações e previna-se contra o plágio. Todos os dados 
utilizados na sua pesquisa devem provir de fontes confiáveis, e mais, identificáveis. 
Anote os elementos essenciais da obra que está sendo utilizada. Para tanto, consulte a ficha 
catalográfica que fica no verso da folha de rosto da publicação. Vamos combinar que perder 
horas para achar o nome da editora daquele livro importantíssimo, mas que você não anotou, 
ninguém merece! 
Pesquisa Bibliográfica 
É uma etapa fundamental em todo trabalho científico que influenciará todas as etapas de uma 
pesquisa, na medida em que der o embasamento teórico em que se baseará o trabalho. 
Consistem no levantamento, seleção, fichamento e arquivamento de informações relacionadas 
à pesquisa. O termo bibliografia significa o conjunto dos livros escritos sobre determinado 
assunto, por autores conhecidos e identificados ou anônimos. Há uma regra de ouro no caso 
da pesquisa bibliográfica: nunca vá a uma biblioteca sem saber exatamente o que procurar. 
Existem obras de referência que são publicações que trazem resumos de trabalhos publicados 
em diversas áreas, consulte-as! 
A pesquisa bibliográfica é, portanto o exame de uma bibliografia para levantamento e análise 
do que já se produziu sobre determinado assunto que assumimos como tema de pesquisa 
científica. E nesse sentido encontramos dois tipos de fontes: 
 Fontes primárias: contém trabalhos originais com conhecimento original e publicado 
pela primeira vez pelos autores. 
Exemplos: monografias, teses universitárias, livros, relatórios técnicos, artigos em revistas 
científicas, anais de congressos. 
 Fontes secundárias: contém trabalhos não originais e que basicamente citam, revisam 
e interpretam trabalhos originais. 
Exemplos: artigos de revisão bibliográfica, livros-texto, tratados, enciclopédias, artigos de 
divulgação. Segundo Carlos Antônio Gil (2010. p. 29): 
A pesquisa bibliográfica é elaborada com base em material já publicado. Tradicionalmente, 
esta modalidade de pesquisa inclui material impresso, como livros, revistas, jornais, teses, 
dissertações e anis de eventos científicos. Todavia, em virtude da disseminação de novos 
formatos de informação, estas pesquisas passaram a incluir outros tipos de fontes, comodiscos, fitas magnéticas, CDs, bem como o material disponibilizado pela Internet. 
Pesquisa Documental 
Trata-se de uma pesquisa realizada através de documentos que podem ser: documentos 
pessoais, cartas, diárias, jornais, balancetes, microfilmes, fotografias, memorando, ofícios, 
vídeos, documentos estatísticos e outros. Há uma análise da descrição do conteúdo manifesto 
para se alcançar uma rede de significados. Em ciência, documento é toda forma de registro e 
sistematização de dados, informações, colocando-os em condição de análise por parte do 
pesquisador. 
Para Antônio Carlos Gil (2010) a pesquisa documental assemelha-se muito à pesquisa 
bibliográfica. A diferença está no fato de a bibliográfica utilizar fundamentalmente as 
contribuições dos diversos autores sobre determinado assunto. Neste caso, utiliza materiais 
que não receberam o tratamento analítico, ou que ainda podem ser reelaborados. Neste 
aspecto, observa: “O conceito de documento, por sua vez, é bastante amplo, já que este pode 
ser constituído por qualquer objeto capaz de comprovar algum fato ou acontecimento”. (Gil, 
2010. p. 31) 
O Que se Pode Pesquisar na Internet? 
A Internet é um conjunto de redes de computadores interligados no mundo inteiro. Nesse 
sentido, permite a pesquisa de milhares de informações diferentes, hoje, um acervo 
extraordinário. Como encontramos muitas informações, temos que selecionar o material de 
pesquisa em sites confiáveis. 
Para pesquisa na Internet, temos sites de busca, tais como: Google, Alta Vista, Excite e 
Yahoo. Além de vários endereços eletrônicos de bibliotecas que colocam à disposição 
informações de fontes bibliográficas. Também, encontramos disponível na Internet o site das 
editoras contendo informações sobre os lançamentos editoriais; sites de revistas eletrônicas, 
jornais, instituições de pesquisas e entidades culturais. 
Em qualquer situação é importante respeitar as regras de utilização das informações 
disponíveis. Nunca utilize informações de outrem sem referenciar a fonte. Ademais, observe a 
veracidade das informações postadas na Web. Administre as imperfeições no conteúdo. 
Verificando a fonte da informação obtida. 
→ Wikipédia 
É uma enciclopédia livre, baseada na edição do seu conteúdo de forma colaborativa. Qualquer 
pessoa poderá se tornar um editor de algum conteúdo. Observe que é uma enciclopédia 
multilíngüe, podendo ser escrita em diversos idiomas e em diferentes regiões. Por ser uma 
enciclopédia livre, não há fins lucrativos e qualquer informação publicada poderá ser 
transcrita, modificada e ampliada por qualquer pessoa. Deve ser manipulada com muito 
cuidado. 
Saber usar as ferramentas do Google muitas vezes é a diferença entre demorar ou não para 
encontrar a informação que você precisa. Vamos conhecer algumas dicas: 
 O Google não considera acentos e não faz diferença entre maiúsculas e minúsculas. 
 Utilize aspas (“”) para frases. 
 Quando você coloca duas ou mais palavras na pesquisa do Google, ele não 
necessariamente vai procurar essas palavras juntas. 
Por exemplo: procurando pelas palavras pesquisa e método, aparecerá uma infinidade de 
resultados. 
 Mas procurando por “método e pesquisa” dará um resultado mais eficiente, porque o 
Google vai mostrar páginas que tenham as palavras selecionadas nesta ordem 
específica e juntas. 
 Coloque várias palavras na pesquisa. Se você for específico e incluir mais de duas 
palavras, a chance é muito mais alta de você ter o site que procura na primeira página 
dos resultados. 
Exemplo: se você quer procurar informações sobre alugar um livro de determinada editora ou 
autor, seja específico e coloque várias palavras. Eu procuraria por metodologia científica 
“Bervian”. 
 Use o sinal de menos (-) para excluir palavras. Você deseja achar uma receita para 
cozinhar lula (o molusco). Se você pesquisar por receita lula, você vai achar 1.070.000 
páginas, muitas delas falando sobre o presidente e o seu governo. 
Mas procurando por receita lula –presidente –governo dará um resultado específico. Isso 
porque o Google exclui todas as páginas que tinha as palavras „presidente‟ e „governo‟. Para 
utilizar o sinal menos (-), coloque-o antes da palavra que você quer excluir e não deixe espaço 
entre o sinal e a palavra. 
 Utilize OR para alternativas. Vamos imaginar que você deseja pesquisar sobre as 
diferentes raças de cachorro que tenham Pastor no nome (pastor alemão, pastor belga, 
etc.). Existem sites que utilizam a palavra cão e outros a palavra cachorro para se 
referir aos cachorros. Para incluir todos esses sites, utilize o termo OR (que quer dizer 
OU em inglês). 
 Abuse o termo define: para achar definições. Se você quiser achar rapidamente 
definições de palavras, utilize a expressão define: <palavra>. 
Por exemplo, para saber o que quer dizer o termo metodologia, define: metodologia. 
Para fazer uma boa pesquisa bibliográfica é preciso seguir algumas etapas. Vamos conhecê-
las? 
 Identificar e conhecer o acervo existente sobre o assunto nas bibliotecas a serem 
consultadas; 
 Localizar e fichar os diferentes tipos de obras e documentos ali catalogadas, como 
livros, artigos, revistas, jornais, relatórios científicos etc; 
 Iniciar a consulta pela leitura geral sobre o assunto, depois pela leitura especializada; 
 Copiar os dados e informações obtidos anotando as referências indispensáveis para o 
trabalho. 
Dica! 
Alguns autores sugerem o fichamento como recurso útil no momento de uma pesquisa 
bibliográfica. De fato, nos parece um recurso valioso. Vamos aproveitar os exemplos ofertados 
por Welber Oliveira Barral (2010. p. 100-101) sobre os tipos de fichamento: 
1. Fichamento de uma citação: transcrever trechos significativos da obra. 
 
2. Fichamento resumo: paráfrases, sínteses pessoais das principais idéias do autor. 
 
3. Fichamento crítico (resenha): o autor do fichamento elabora um resumo das idéias do 
autor lido e oferece uma opinião pessoal sobre o tema estudado. 
 
 
 
 
 
Preparando o Terreno... 
Já vimos que se deve ler tanto quanto o tempo permitia. Nesta tarefa, certifique-se se você 
pode confiar no que está lendo. E se existem outras fontes confirmando ou não tais idéias. 
Cabe lembrar que é preciso saber quem é o autor que está sendo lido, sua trajetória em 
determinado campo do saber e se o seu pensamento é tendencioso ou não. Assim que você 
estabelecer uma rotina para isso, o registro de tais informações será automático. Não 
dependa somente de informações obtidas na Internet e utilize o tipo de fichamento que lhe 
for mais conveniente. 
Consulte obras de referências, periódicos científicos, teses e dissertações, anais de encontros 
científicos e periódicos de indexação e resumo. Por fim, uma recomendação bem interessante 
de Welber Oliveira Barral (2010. p. 94) e que poderá ser muito útil: 
Uma recomendação especial se refere à coleta e armazenamento de dados por meio 
eletrônico. Em outras palavras, o seu cândido computador não é um ser confiável. Ele terá 
algum problema grave por ano. Por isso, tome cuidado em gravar semanalmente uma cópia 
de segurança de todos os dados obtidos eletronicamente e, obviamente, dos capítulos 
redigidos. Lembre-se da Lei de Murphy: se alguma coisa pode dar errado, ela vai dar errado. 
E, normalmente, às vésperas da data de entrega do trabalho. 
AULA 4 – O PROBLEMA CIENTÍFICO: A PROBLEMATIZAÇÃO DO TEMA. A 
CONSTRUÇÃO DE HIPÓTESES E AS QUESTÕES NORTEADORAS 
O Problema Científico: A Problematização do Tema 
Quando realizamos uma pesquisa, não basta delimitar o tema a um objeto de pesquisa, mas 
deve-se identificar em seguida um problema específico que será analisado no trabalho. 
Problematizar é outrodesafio após a escolha do tema, mas configura passo importante para o 
estudo. Quando problematizamos explicitamos a dificuldade que pretendemos resolver. 
É neste ponto que a problematização se relaciona diretamente com o foco do trabalho, no que 
se refere ao tema selecionado. É a pergunta a ser respondida ao final, pois um tema pode 
abranger problemas distintos. Por isso, se o estudante não delimitar claramente o problema – 
o enfoque – terá dificuldades em organizar a pesquisa e a redação. 
Para dar maior clareza, deve-se formular o problema como um questionamento, encerrando a 
frase com um ponto de interrogação. O trabalho pretenderá, portanto, responder àquele 
questionamento específico. 
Assim como a descrição de um tema, sua delimitação, a explicação de um objetivo, seja ele 
real ou específico, a formulação do problema é imprescindível à pesquisa. O mesmo deve ter 
as seguintes características: clareza, objetividade, concisão e especificidade, evitando, assim, 
formulações genéricas que lembrem um questionário qualquer, em que não se consiga um 
desenvolvimento mais profundo. (KAHLMEYER-MERTENS, 2007. p. 39) 
Com a formulação do problema como uma pergunta, deve-se esclarecer para o próprio 
estudante qual é o foco central do trabalho, o que se saberá quando a pesquisa for concluída. 
Podemos denominar de questão-problema, pergunta de partida ou questão norteadora da 
pesquisa. 
Os dicionários definem o termo problema como obstáculo, contratempo, dificuldade que 
desafia a capacidade de solucionar de alguém. Também mencionam: situação difícil, conflito, 
pessoa, coisa ou situação incômoda, preocupante. E problema científico como assunto 
controverso, ainda não satisfatoriamente respondido, em qualquer campo do conhecimento, e 
que pode ser objeto de pesquisas científicas ou discussões acadêmicas. 
Dizendo de outro modo, questão não solvida e que é objeto de discussão, em qualquer 
domínio do conhecimento. Problematizar significa: (MARTINS, 2005. p. 137) 
 Transformar o assunto e problema, pois assim se torna pesquisável de modo a poder 
produzir respostas específicas; 
 Identificar no tema escolhido alguma dificuldade teórica ou prática, para a qual se deve 
encontrar uma solução; 
 Descobrir no assunto uma situação controvertida, passível de discussão. 
Descobrir no Assunto uma Situação Controvertida, Passível de Discussão 
Não São Problemas Científicos 
Segundo Antônio Carlos Gil (2010. p. 8-9), nem todo problema é passível de tratamento 
científico! Vamos começar observando o que não pode ser considerado um problema científico 
e as razões dessa negativa. Deve-se indagar se o problema formulado se enquadra na 
categoria de problema científico. Portanto, não são problemas científicos aqueles que 
expressam o sentido de problemas ou questões de engenharia. 
Essa denominação foi criada por Fred Kerlinger (1980 apud Gil, 2010) porque denotam a 
preocupação em como fazer algo de maneira eficiente. Em nada se relaciona com a faculdade 
de engenharia, mas com construção, criação, execução de algo em que se utilize engenho e 
arte. Nas palavras de Antônio Carlos Gil (2010. p. 8), não indagam como são as coisas, suas 
causas e consequências, mas indagam acerca de como fazer as coisas. 
Exemplo: “Como fazer para melhorar os transportes urbanos?” “Como aumentar a 
produtividade no trabalho?” 
Outra categoria que não configura um problema científico são os problemas de valor. Estes 
são aqueles que indagam se algo é bom ou mau, desejável ou indesejável, certo ou errado, 
melhor ou pior, se algo deve ou não ser feito (Gil, 2010. p. 9). Aqui, também, não há a 
possibilidade de uma investigação nos moldes próprios da ciência. Estamos no terreno da 
subjetividade. 
Exemplo: “Os pais devem dar palmadas nos filhos?” “Qual a melhor técnica para a 
propaganda?” 
Como Formular um Problema Científico? 
Deve-se tomar como ponto de partida uma proposição que poderá ser testada, verificada. Há 
critérios para isso. Preste atenção em alguns! (Gil, 2010. p. 10) 
O problema deve ser claro e preciso: 
 Não deve ser formulado de maneira vaga; 
 Os termos usados devem ser adequados; 
 Deve ser solucionável; 
 Deve apresentar objetividade; 
 Não pode conduzir a julgamento morais (considerações subjetivas); 
Um bom exemplo para uma questão que prescinde de clareza é a seguinte pergunta: “Como 
funciona a mente?” ou “Os cavalos possuem inteligência?” Não são problemas solucionáveis, 
porque ambíguos, vagos ou apresentam uma linguagem do senso comum. (Gil, 2010) 
Imagine a seguinte questão: “os moradores dos grandes centros são melhores que os do 
campo?” Estamos diante de julgamentos morais, no campo da subjetividade, inviabilizando 
uma possível investigação científica. 
O Problema Deve Ser Delimitado a uma Dimensão Viável: 
 A delimitação do problema está relacionada com os meios disponíveis para 
investigação; 
 Delimitar significa impor limites, objetivar e restringir. 
Dica! 
Após delimitar o tema, procure ler o que os autores falam sobre ele e anote como 
problematizaram o tema. Observe como levantaram questões norteadoras da pesquisa, bem 
como responderam a essas questões formuladas. Eis um bom exercício para ajudá-lo na 
problematização de um tema. Pesquisa alguma poderá prescindir de uma boa 
problematização! 
Não se preocupe, porque formular um problema científico nada mais é do que aperfeiçoar, 
isto é, estruturar com mais detalhes o objeto da pesquisa. Temos que evitar questões 
demasiado gerais, tais como (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 36-37): 
“Por que alguns casamentos duram mais que outro?” 
“As pessoas que se submetem à psicoterapia mudam com o tempo?” 
“Os empresários se comprometam mais com suas empresas que os funcionários?” 
“Como estão relacionados os meios de comunicação de massa com o voto?” 
De fato, a maneira como foram formuladas dá margem à grande quantidade de dúvidas. 
Como poderei investigá-las? É melhor que sejam precisas. 
O Problema Deve Conter Variáveis 
Um problema é de natureza científica quando envolve variáveis que podem ser tidas como 
testáveis, que podem ser observadas e manipuladas, enfim, verificadas na realidade ou em 
seu meio. 
O que entendemos por variáveis? Uma variável é uma propriedade que pode variar e, por 
conseguinte é suscetível de medição e observação. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 
121) 
Podemos pensar em alguns exemplos de variáveis: sexo, atributos físicos, tipos de 
personalidade, uma situação, um tipo de motivação, produtividade de determinado tipo de 
objeto, eficiência em procedimentos, eficácia de determinada medida, dentre outros. 
O termo variável é o dos mais utilizados na linguagem acadêmica. Seu objetivo é o de conferir 
maior precisão aos enunciados científicos, sejam hipóteses, teorias, leis, princípios ou 
generalizações. 
O conceito de variável refere-se a tudo aquilo que pode assumir diferentes valores ou 
diferentes aspectos, segundo os casos particulares ou as circunstâncias (Gil, 2002). p. 36). 
Assim, adquirem valor para a pesquisa científica quando se relacionam com outras variáveis 
possibilitando a formulação de uma teoria ou hipótese. É predico definir conceitualmente as 
variáveis que integram o problema científico. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 121) 
Exemplo 1: “Em quem medida a escolaridade determina a preferência político-partidária?” 
Aqui temos duas variáveis relacionando-se: 
 Escolaridade 
 Preferência político-partidária 
Exemplo 2: “Os alunos de Administração são mais conservadores que os de Ciência Sociais.” 
Aqui temos duas variáveis relacionando-se: 
 Curso 
 Conservadorismo 
Exemplo 3: “A classe social da mãe influencia no tempo de amamentação dosfilhos.” Aqui, 
temos duas variáveis relacionando-se: 
 Classe social 
 Tempo de amamentação 
As variáveis podem ser: 
Independentes: são aquelas que influenciam, determinam ou afetam outra variável. São 
percebidas como a condição ou a causa para certo resultado, efeito ou conseqüência. 
Exemplo: “Se dermos uma pancada no joelho dobrado de um indivíduo, sua perna esticará.” 
Dependentes: consistem nos valores a serem explicados ou descobertos, em virtude de serem 
influenciados, determinados ou afetados pela variável independente. 
Exemplo: “Se dermos uma pancada no joelho dobrado de um indivíduo, sua perna esticará.” 
Intervenientes: são aquelas que numa sequência causal, se colocam entre a variável 
independente e a dependente, tendo como função ampliar, diminuir ou anular a influência de 
uma sorte a outra. 
Exemplo: “A liderança autoritária influencia na motivação dos colaboradores”. 
Variável interveniente, pois interfere na relação entre a variável independente (liderança) e a 
dependente (motivação). 
Hipóteses: De Onde Surgem? 
Quando formulamos um problema científico refletimos sobre possíveis respostas para o 
problema proposto. 
Essa resposta provisória é a hipótese do trabalho. “As hipóteses indicam o que estamos 
buscando ou tentando provar e se definem como tentativas de explicações do fenômeno 
pesquisado”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 118) 
A hipótese é a idéia que o trabalho se propõe a apresentar. Advertem alguns autores que nem 
todas as pesquisas suscitam hipóteses, dependerá da área de saber e o do estudo proposto, 
porque em muitas situações, principalmente em pesquisas exploratórias não será possível a 
formulação de hipóteses antes da coleta de dados. 
Exemplo: 
Problema: O índice de câncer pulmonar é maior entre fumantes? 
Hipótese: O índice de câncer pulmonar é maior entre os fumantes do que os não fumantes. 
Como se percebe no exemplo acima, as hipóteses podem ou não ser comprovadas ao final de 
uma pesquisa. Ela difere de uma afirmação de fato, porque não estamos certos de sua 
comprovação antes do término da pesquisa. Inicialmente, há uma tentativa de resposta à 
pergunta. Observe-se que: 
A pesquisa científica, as hipóteses são proposições quanto às relações entre duas ou mais 
variáveis e se fundamentam em conhecimento organizado e sistematizado. As hipóteses 
podem ser mais ou menos gerais ou precisas, e envolver duas ou mais variáveis, mas em todo 
caso são apenas proposições sujeitas à comprovação empírica. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 
2006. p. 120) 
Exemplo: “Quanto maior a autoestima, haverá menor medo de sucesso.” 
Você percebeu que nesta hipótese quando uma variável aumenta a outra diminui? Podemos 
observar a relação entre as variáveis e o seu sentido. 
Quais os critérios que devem ser observados na formulação de hipóteses? (SAMPIERI; 
COLLADO; LUCIO, 2006. p. 124) 
 As hipóteses devem referir-se a uma situação real; 
 As variáveis da hipótese devem ser compreensíveis; 
 A relação entre variáveis propostas na hipótese deve ser clara e verossímil; 
 A relação entre as variáveis deve ser observável e mensurável; 
 As hipóteses devem estar relacionadas às técnicas disponíveis para comprová-las. 
AULA 5 – A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA I: A 
DETERMINAÇÃO DOS OBJETIVOS E JUSTIFICATIVA DA PESQUISA 
A Construção do Projeto de Pesquisa I 
A determinação dos objetivos e justificativa da pesquisa. 
Se toda pesquisa está direcionada ao conhecimento, deverá conter objetivos e, nesse sentido, 
podemos afirmar que os objetivos se aproximam da definição do objeto a ser investigado. 
Como observa Welber Oliveira Barral (2010. p. 59), “a função do objetivo é justamente repetir 
onde o autor [da pesquisa] pretende chegar”. Logo, a intenção do pesquisador é precebida a 
partir dos seus objetivos. 
Mas o que entendemos por objetivos? Os dicionários definem objetivo como aquilo que se 
pretende alcançar quando se realiza uma ação. O alvo, fim, propósito e objeto. Assim, indicam 
o que se pretende conhecer, avaliar ou provar no decorrer da pesquisa. São as metas que se 
deseja alcançar. Se não construirmos objetivos, não há o que se pesquisar de maneira 
eficiente. (JACOBINI, 2006) 
É importante expressar os objetivos com clareza, pois constituem as orientações do estudo, 
ou seja, tenha-os em mente durante todo o desenvolvimento dos estudos para a pesquisa. 
Nada impedirá que ao longo das leituras surjam objetivos adicionais, modificações nos 
objetivos estipulados, tudo depende dos rumos que o trabalho de pesquisa irá tomar após o 
aprofundamento teórico. 
Objetivo Geral 
Indica o resultado pretendido. Por exemplo: identificar, levantar, descobrir, caracterizar, 
descrever, traçar, analisar, explicar etc. 
Apresenta de forma genérica, o que pretende o pesquisador no desenvolvimento do assunto a 
ser abordado, independentemente das motivações “pessoais” que podem ter sido 
apresentadas na justificativa. É importante lembrar que o objetivo geral não pode fugir ao 
tema proposto. (SOARES, 2003. p. 46) 
Objetivos Específicos 
Indicam as etapas que levarão à realização do objetivo geral. Por exemplo: classificar, aplicar, 
distinguir, enumerar, exemplificar, selecionar etc. 
É a subdivisão do objetivo geral em outros menores, os quais poderão até vir a constituir-se 
em possíveis capítulos [partes] do trabalho final. Assim como o objetivo geral, os objetivos 
específicos não devem fugir ao tema. (SOARES, 2003. p. 46) 
Não apontam para o fim do último do trabalho, mas para etapas intermediárias, o que a 
pesquisa terá de galgar até o objetivo final. 
Como Construir Objetivos? 
 1º Passo: ler a questão de partida (problematização do tema). 
Os objetivos informarão o que está se propondo com a pesquisa, isto é, quais os resultados 
que pretende alcançar ou qual a contribuição que irá efetivamente proporcionar. 
 2º Passo: escolher verbos de ação. 
Os enunciados dos objetivos devem começar com um verbo no infinitivo e este verbo deve 
indicar uma ação passível de mensuração. Uma ação individual ou coletiva se materializa 
através de um verbo. É importante a precisão na escolha do verbo, escolhendo aquele que 
exprime a ação que o estudante pretende executar. (BARRETO; HONORATO, 1998) 
 3º Passo: escolher os verbos de ação. 
Algumas sugestões: 
CONHECIMENTO COMPREENSÃO ANÁLISE AVALIAÇÃO 
Apontar Concluir Analisar Escolher 
Definir Deduzir Comparar Precisar 
Descrever Derivar Correlacionar Medir 
Distinguir Descrever Contrastar Avaliar 
Enumerar Diferenciar Identificar 
Relacionar 
 
É Importante Construir Objetivo? 
 Constituem a base do planejamento da pesquisa; 
 Possibilitam pensar e planejar em termos específicos; 
 Auxiliam na escolha da metodologia da pesquisa; 
 Informam ao leitor e demais interessados acerca do que a pesquisa se propõe a 
realizar; 
 Auxiliam a efetuar um estudo seletivo; 
 Ajudam a rever o conteúdo mediante a verificação da relevância no contexto da 
pesquisa. 
Vamos Conhecer Alguns Exemplos? 
Tema 1: Liderança autoritária e a motivação. 
Problematização: como a liderança autoritária pode comprometer a motivação dos 
funcionários da Empresa XYZ. 
Objetivo Geral: investigar como o estilo de liderança autoritária compromete a motivação dos 
funcionários na Empresa XYZ. 
Objetivos Específicos: 
 Definir o conceito de liderança autoritária; 
 Descrever alguns exemplos de liderança autoritária na Empresa XYZ; 
 Definir o conceito de motivação; 
 Analisar a relação entre liderança e motivação nas organizações. 
Tema 2: A violência doméstica contra adolescentes. 
Problematização: quais os aspectos da violência doméstica contra adolescentes na realidadefluminense e suas relações com as condições sociais e econômicas das famílias moradoras nas 
comunidades carentes. 
Objetivo Geral: investigar a relação entre a violência doméstica contra adolescentes e as 
condições sociais e econômicas. 
Objetivos Específicos: 
 Definir o conceito de violência doméstica; 
 Descrever alguns exemplos de violência doméstica; 
 Definir o conceito de pobreza; 
 Analisar a relação entre a violência doméstica e condição socioeconômica. 
Os Erros Mais Frequentes São... 
 O esquecimento do verbo que indica a ação a que se objetiva; 
 A confusão entre o objetivo da pesquisa e o seu objeto; 
 O uso dos verbos ACHAR, GOSTAR, DESEJAR, CONSCIENTIZAR, ACREDITAR e OPINAR 
que não atendem ao requisito metodológico da objetividade. 
Justificar! 
Após construir os objetivos, é preciso justificar o estudo apresentando as razões da pesquisa. 
A esta parte denominamos de justificativa. Os dicionários definem o termo como a explicação, 
razão, motivo e fundamento. Este é o momento em que o pesquisador precisa fazer algumas 
perguntas a si mesmo: O tema é relevante? Por quê? Quais pontos positivos você percebe na 
abordagem proposta? Que vantagens/benefícios você pressupõe que sua pesquisa irá 
proporcionar? A justificativa indica a relevância do estudo que propomos. 
A justificativa deve esclarece as razões da escolha do tema e sua importância na área do 
conhecimento em que se situa. Deve ser uma exposição sucinta, porém completa, dos motivos 
de ordem teórica e/ou prática para sua realização, enfatizando a importância do tema numa 
visão global; o estágio atual do tema pesquisado e as possibilidades de solução para o 
problema levantado. (MAIA, 2008. p. 90) 
A justificativa de um projeto de pesquisa configura o conjunto de razões (acadêmicas, sociais 
e pessoais) que conferem legitimidade ao trabalho científico. Um trabalho de pesquisa poderá 
ser conveniente porque poderá ajudar a resolver uma questão controvertida ou contribuir com 
novo olhar sobre algum tema. 
A seguir, indicamos algumas sugestões para a justificativa, não se preocupe se a sua pesquisa 
não conseguir a todos os critérios (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. p. 40): 
 
1. Conveniência: Pra que serve a pesquisa? 
2. Relevância Social: Quem se beneficiará com os resultados da pesquisa? De que modo? 
Qual o alcance social da pesquisa? 
3. Implicações práticas: A pesquisa ajudará a resolver algum problema real? 
4. Valor teórico: Com a pesquisa, alguma brecha de conhecimento será preenchida? A 
informação obtida pode servir para comentar, desenvolver ou apoiar teoria? 
5. Utilidade metodológica: A pesquisa ajuda a definir um conceito, variável ou relação 
entre variáveis? A pesquisa sugere como estudar mais adequadamente uma situação? 
 
O que se pretende, enfim com a justificativa é oferecer, nos dizeres de Antônio Raimundo 
Santos (2007. p. 93), motivos suficientes para que algo aconteça e mereça uma investigação 
científica. 
AULA 6 – A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA II: A CONSTRUÇÃO 
DO EMBASAMENTO TEÓRICO, LEVANTAMENTO PRELIMINAR E 
METODOLOGIA 
Revisão de Literatura e Embasamento Teórico 
Imaginemos um fenômeno da natureza que seja visto, simultaneamente, por pessoas de 
formação cultural diversa: “uma maçã cai de um galho de uma árvore”. 
 Para um físico: manifestação da lei da gravidade; 
 Para um biólogo: a queda da maçã representa o ciclo da vida no Reino vegetal; 
 Para um religioso: a maçã representa a simbologia bíblica; 
 Para um advogado: a maçã caiu num terreno contíguo, deve-se argüir de quem é a 
propriedade do fruto. 
 Para uma criança: Oba! Fruta! Vou comer a maçã! 
Moral da história? 
O olhar humano é mediado por experiências diversas diante dos fenômenos. E nesse aspecto, 
percebemos diferentes olhares sobre um mesmo fenômeno. A revisão da literatura relativa ao 
problema elaborado nos revela isso. 
O pesquisador, ao iniciar uma pesquisa, indaga a si mesmo: quem já escreveu sobre o tema? 
O que disso? Como disse? Suas indagações decorrem da necessidade de sustentar 
teoricamente o seu estudo. Para tanto, elege um marco teórico, ou seja, analisa teorias e 
pesquisas anteriores para selecionar o que será útil como ponto de partida para suas 
investigações. O marco teórico fornece uma referência para o problema científico. (SAMPIERI; 
COLLADO; LUCIO, 2006) 
Quais as vantagens de se buscar um marco teórico? Podemos destacar algumas, tais como: 
ajuda a prevenir erros cometidos em outros estudos; serve de orientação para realização do 
estudo, pois percebendo como os autores trabalharam seu problema científico, aperfeiçoamos 
habilidades; expandimos nossas idéias sobre o objeto da pesquisa; inspira na construção das 
hipóteses etc. 
O marco teórico é construído a partir de dois momentos importantes, na pesquisa: a revisão 
da literatura e a posterior escolha de uma perspectiva teórica como referência. 
Por revisão de literatura entende-se a tarefa de identificar, obter e consultar a bibliografia, 
bem como outros materiais disponíveis e úteis ao objeto de estudo. Um processo seletivo das 
referências na nossa área de atuação. É importante ter em mente que se devem selecionar as 
obras mais importantes e recentes, bem como aquelas que tenham abordado o tema com 
enfoque similar ao que pretendemos na pesquisa. Assim, o pesquisador deverá apresentar o 
resultado desta tarefa no seu embasamento teórico ou fundamentação teórica da pesquisa. 
(SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006) 
É importante mencionar que o termo EMBASAR significa SERVIR DE FUNDAMENTO A ou SER 
FUNDAMENTO DE; BASEAR (-SE), FUNDAR (-SE). O item embasamento teórico é a parte do 
projeto de pesquisa em que o pesquisador expressa determinado ponto de vista sobre o 
problema formulado. 
Revisão de Literatura: O Que Já se Publicou Sobre o Tema? 
Estudamos que após a escolha do tema a sua delimitação em um problema científico, realiza-
se uma pesquisa bibliográfica. Além da bibliografia geral e específica, devem-se buscar outras 
visões em monografias, dissertações e teses, porque muito se aprende com outros 
pesquisadores que apresentam produção recente sobre o tema do seu interesse. A leitura 
inicial é seguida de uma releitura exploratória para um maior aprofundamento nos conteúdos 
pertinentes ao objeto da pesquisa. 
Dessa maneira, o pesquisador poderá apurar o sentido de palavras-chave, definições, a 
situação histórica do seu objeto de investigação, eventuais classificações etc. Enfim, o 
conhecimento inicial é substituído por um aprofundamento na literatura disponível que 
viabilizará a delimitação do conteúdo a ser investigado. Por cautela não deve desviar o olhar 
do problema proposto e seus objetivos para que a revisão de literatura seja seletiva. 
(SANTOS, 2007) 
Importa esclarecer que revisão de literatura não é um amontoado de informações lidas, nem 
resumos de autores, mas uma discussão do que foi encontrado e relacionado com o problema 
da pesquisa. Um processo de análise das informações contidas em documentos que 
colaboram para a eficácia da pesquisa. Por isso, muitos autores afirmam que a revisão de 
literatura “objetiva demonstrar o que foi escrito sobre o tema. Consiste na análise e síntese 
das informações, visando definir as linhas de ação para abordar o assunto ou problema e 
gerar idéias novas e úteis”. (BOAVENTURA, 2009. p. 46) 
Após a Revisão da Literatura, O Que se Deve Inserir no Embasamento Teórico? 
No embasamento teórico deve-se inserir o resultado da revisão da literatura realizada pelo 
estudante e, nesse sentido, inclui a referência aos principais autores e obras pertinentes ao 
objeto da pesquisa. Dentre os pontos de vista apresentados, deve-se escolher uma linhaa 
partir da qual responderá à sua questão de partida. 
Como Assim? 
O embasamento teórico é uma parte do projeto de pesquisa em que o estudante procede à 
análise da bibliografia escolhida, observando como os autores têm tratado a questão. 
Apresenta a que disciplina ou ramo do conhecimento o seu problema científico está vinculado. 
Não é apenas uma relação bibliográfica, mas uma revisão crítica do que se produziu no plano 
do pensamento sobre aquele tema. Apresenta0se uma releitura crítica das obras elencadas, 
com vistas a se posicionar, do ponto de vista teórico, sobre o objeto de investigação. É neste 
ponto que se percebe a maturidade intelectual do estudante frente ao tema selecionado e ao 
problema formulado. 
Desta maneira, o embasamento teórico permite ao estudante posicionar-se ante o objeto de 
investigação, tomando como referência uma linha de abordagem. E podemos afirmar que: 
É fundamental que os aspectos teóricos embasadores de sua perspectiva no tratamento do 
objeto sejam apontados de forma clara e extensiva nesse ponto, para que fique manifesto o 
seu marco teórico ou o conjunto de referenciais teóricos que irão embasar seu enfoque ou o 
conjunto dos critérios categoriais fundamentais para tratar de seu tema. (MEZZAROBA; 
MONTEIRO, 2003. p. 207) 
Dica! 
 Nenhum assunto pode ser abordado numa visão onisciente; 
 O olhar da ciência é sempre direcionado: parte de um determinado conceito e procura 
interpretar os fenômenos, à luz de paradigmas; 
 Outro pesquisador pode buscar fundamentos teóricos diferentes; 
 O pesquisador precisa eleger um marco teórico para abordar o seu problema; 
 A literatura relacionada é a base da procura sobre o que já se publicou sobre o tema. 
Vamos Conhecer um Pequeno Roteiro Para Construção do Embasamento Teórico? 
1. Apresentar a bibliografia sobre o tema que você irá pesquisar, destacando: 
 A riqueza ou escassez de obras sobre o assunto escolhido; 
 O caráter polêmico do assunto; 
 As principais linhas de abordagem sobre o assunto. 
2. Apresentar os autores e as obras que compõem cada uma das linhas de abordagem: 
 Apresentar o autor em um pequeno parágrafo (três linhas no máximo – dizer qual a 
especificação, ramo de atividade principal); 
 Resumir sua idéia em dois ou três parágrafos (parafrasear); 
 Citar uma passagem mais significativa do texto do autor, procurando ilustrar o que 
falou o autor. 
3. Posicionar-se elegendo uma das linhas de abordagem especificadas anteriormente. 
Metodologia – Como o Estudante Desenvolverá o Trabalho? 
Uma vez realizada a revisão de literatura, o passo seguinte consiste em decidir a metodologia 
a ser adotada para a pesquisa. Nesta parte do projeto de pesquisa devem-se apontar os 
procedimentos a serem adotados para a resolução do problema proposto. 
A metodologia de um trabalho de pesquisa deve ser prevista e analisada no projeto. Em linhas 
gerais, representa o conjunto de meios materiais e humanos empregados pelo investigador 
para concretizar a pesquisa. Este momento é bastante importante. É por meio dele que as 
questões de natureza prática relativas à execução do trabalho serão devidamente analisadas. 
Metodologia vem do termo MÉTODO, que significa “a ordem que se deve impor aos diferentes 
processos necessários para atingir um certo fim ou resultado desejado” (CERVO; BERVIAN; 
SILVA, 2007. p. 29). O método a ser adotado decorre do objeto da pesquisa que exigirá 
procedimentos para que se alcance os resultados previstos. 
Nesse sentido, a pesquisa poderá ser exploratória1, descritiva2, explicativa3, estudo de caso4, 
pesquisa de campo5, documental, bibliográfica, quantitativa ou qualitativa. Poderá misturar os 
tipos, pois nada impede que apresente uma abordagem qualitativa e quantitativa ao mesmo 
tempo. Vejamos um exemplo de estudo de caso que envolve a dimensão exploratória e 
descritiva: 
A construção de um plano estratégico de marketing para uma empresa de pequeno porte: o 
caso do recanto do sorvete – Tiago Nemuel Custódio. 
1 “O objetivo é examinar um tema ou problema de pesquisa pouco estudado, do qual se tem 
muitas dúvidas ou não foi abordado antes”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 99) 
2 “O objetivo do examinador é descrever situações, acontecimentos, e feitos, isto é, dizer 
como é e como se manifesta determinado fenômeno”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 
100) 
Ex.: o censo nacional da população é um estudo descritivo. 
3 “Destina-se a responder as causais dos acontecimentos, fatos, fenômenos físicos ou sociais. 
Seu interesse está em responder por que ocorre um fenômeno e em quais condições ou por 
que duas ou mais variáveis estão relacionadas”. (SAMPIERI; COLLADO; LUCIO, 2006. P. 107) 
4 Inicia-se com a formulação de um problema, com a definição pormenorizada de uma 
unidade-caso. Poderá integrar diferentes abordagens para coleta de dados: bibliografia, 
documentos, entrevista etc. (GIL, 2010) 
5 É a investigação empírica realizada no local onde ocorre ou ocorreu um fenômeno. Pode 
incluir entrevistas, aplicação de questionamentos, testes e observações. 
Segundo Antônio Joaquim Severino, na pesquisa de campo “o objeto é abordado em seu 
próprio meio. A coleta de dados é feita nas condições naturais em que os fenômenos ocorrem, 
sendo assim diretamente observados”. (2007. p. 123) 
No caso de uma pesquisa bibliográfica de cunho teórico, por exemplo, a metodologia 
consistirá basicamente na escolha do material bibliográfico e documental com o qual o 
pesquisador trabalhará para desenvolver a investigação. Pode-se dizer que a pesquisa 
bibliográfica configura o primeiro passo a ser dado em qualquer tipo de pesquisa, porque 
pesquisa alguma poderá prescindir de um marco teórico. 
Resumo 
A pesquisa objetivou analisar a importância do planejamento estratégico para as organizações, 
principalmente às empresas de pequeno porte, caracterizando o plano de marketing como um 
elemento fundamental conectado às diretrizes do plano global da empresa. A metodologia 
utilizada na primeira etapa constituiu-se de caráter exploratório. O modelo desenvolvido por 
Westwood foi selecionado pelo autor e adaptado como referencial para confecção do plano de 
marketing sugerido ao Recanto do Sorvete. A segunda etapa da pesquisa foi de caráter 
descritivo, apontando a organização como exemplo de estudo de caso. Verificou-se que o 
plano de marketing é possível de ser implementado, desmistificando o paradigma de que os 
planos são aplicados somente às organizações de grande porte, pois a pequena empresa 
também deve crescer baseada na cultura do planejamento. 
Dicas! 
Se minha pesquisa é bibliográfica, o que devo mencionar? 
O estudante deve mencionar criteriosamente os tipos de livros e documentos que estudará, 
para em seguida prever em quais bibliotecas e arquivos pesquisará. Mas só falará dos tipos de 
livros, não havendo necessidade de relacioná-los um a um. 
Posso inserir pesquisa de campo? 
Podem ser consideradas como forma complementar ao estudo documental e bibliográfico. A 
técnica da entrevista só deverá ser realizada quando o assunto da pesquisa estiver 
amadurecido pelo estudante, para que ele possa extrair do entrevistado o máximo de 
informações que seu conhecimento permitir. 
O que é uma pesquisa empírica? Como difere da pesquisa teórica? 
É aquela que se refere à experiência no mundo material. Já a pesquisa teórica se situa no 
nível conceitual e prescinde de uma experimentação. 
Como devo nomear uma pesquisa sobre as decisões nos tribunais? 
Podemos nomear de pesquisa documental, pois a análise das decisões configura o que se 
entende por documentos, fontes primárias. 
AULA 7 – A REDAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA I: REGRAS PARA 
CITAÇÕES 
Citações 
Éde se esperar um cuidado especial, por parte do aluno, ao elaborar o seu texto. 
Segundo Azevedo (1997. p. 109), “o propósito de um texto científico é comunicar os 
resultados e as idéias a que se chegou, após a coleta e análise dos dados”. É, nesse sentido, 
que se afirma que a linguagem escrita deve estar baseada em regras, que a diferença do agir 
espontâneo. É muito comum recorrer aos autores quando realizamos nossas pesquisas. Mas 
como fazer isso de maneira adequada? 
Num trabalho cuidadoso, o estudante deve ler diferentes autores sobre o assunto a ser 
pesquisado e, assim, organizar o pensamento, fundamentando melhor as idéias antes de 
iniciar a redação do trabalho. Deve-se citar pouco, mas reescrever muito. 
Nesse aspecto, o fichamento bibliográfico e o de leitura, configuram fases imprescindíveis para 
a elaboração de um trabalho acadêmico. Somente após uma leitura cuidadosa, poderemos 
destacar as citações-chave que iremos utilizar. 
Mas o Que Significa Citar? Como Devo Organizar Uma Citação? 
As citações são trechos transcritos ou informações extraídas de publicações consultadas e 
devem ser inseridas num texto com a finalidade de esclarecer ou complementar as idéias. Em 
qualquer hipótese, a fonte deve ser mencionada. Segundo ABNT, entende-se por citação a 
“menção a uma informação extraída de outra fonte”. (NBR 10520:2002) 
Vamos conhecer os três tipos de citação: 
 Citação Direta: 
São aquelas transcritas no texto tal como se apresentam na fonte consultada. 
Como esclarece João Bosco Medeiros (2003. p. 187), é a referência a uma obra colhida de 
outra fonte “para esclarecer, comentar, ou dar como prova uma autoridade no assunto”. 
É importante observar que esse tipo de citação só se justifica quando o pensamento expresso 
pelo autor consultado é efetivamente significativo, claro e necessário à exposição, pois 
excessos de citações diretas, tabelas, gráficos, podem acarretar prejuízo à estratégia de 
comunicação, comprometendo o trabalho. 
A citação direta exige alguns cuidados: vamos conhecê-los? 
 As transcrições com até três linhas permanecem no corpo do parágrafo. São 
denominadas citações diretas curtas. 
 As transcrições com mais de três linhas são destacadas com um recuo em relação à 
margem da esquerda. São chamadas de citações diretas longas. 
Vamos conferir alguns exemplos? 
João Medeiros (2003. p. 189) observa que “a citação direta exige alguns cuidados elementares 
com o texto, salientando-se entre outros: pontuação, maiúscula, destaque”. Assim, as citações 
diretas, com até três linhas, devem ser transcritas no seu próprio parágrafo, entre aspas duplas. 
Trecho para citação: “Quem sabe a felicidade seja uma medida que resume, em geral, o 
significado pessoal da vida e o lugar que o indivíduo ocupa nela”. (GIELE, 1999. p. 235) 
Citação inserida em um parágrafo: Segundo Giele (1999. p. 235), “Quem sabe a felicidade 
seja uma medida que resume, em geral, o significado pessoal da vida e o lugar que o 
indivíduo ocupa nela”. Todos os seres humanos buscam a felicidade... 
Você observou que nos dois exemplos acima o trecho citado não ultrapassou três linhas? 
Então sempre que você desejar transcrever um trecho de algum autor lido deve respeitar essa 
regra1. 
1 Até três linhas ficará no corpo do seu parágrafo entre aspas duplas. A fonte da citação deve 
ser referenciada. As aspas simples devem ser usadas para indicar citação no interior da 
citação. 
Citação com mais de três linhas: os trechos transcritos acima de três linhas são apresentados 
em parágrafos separados, em espaço simples, letra menor que a utiliza no texto e sem aspas 
duplas. Embora não seja obrigatório o uso de tipologia diferente, deve haver um recuo de 4 
cm da margem da esquerda. 
Vamos ver um exemplo? 
Trecho para citação: A Filosofia é uma atividade resultante da inquietação cognitiva do ser 
humano. E por, esta razão, a Filosofia é inerente ao Se Humano como ser racional, mesmo 
quando o filosofar ocorre inconscientemente. Nisto consiste a razão e não se pode ensinar a 
Filosofia. Só é possível se ensinar o método filosófico de pensar, ou seja, só é possível se 
ensinar a filosofar. (SANTOS, 2000. p. 13) 
Citação inserida em um texto: A Filosofia é uma atividade resultante da inquietação cognitiva 
do ser humano. E por, esta razão, a Filosofia é inerente ao Se Humano como ser racional, 
mesmo quando o filosofar ocorre inconscientemente. Nisto consiste a razão e não se pode 
ensinar a Filosofia. Só é possível se ensinar o método filosófico de pensar, ou seja, só é 
possível se ensinar a filosofar. (SANTOS, 2000. p. 13) 
Você observou que no exemplo acima, o trecho citado ultrapassou três linhas? Então, sempre 
que você desejar transcrever um trecho de algum autor lido deve respeitar essa regra1. 
1 Citações diretas com mais de três linhas devem figurar em parágrafos autônomo, com recuo 
de 4 cm da margem da esquerda, espaço simples e sem aspas duplas. 
Observe os trechos abaixo e organize-os segundo as regras da ABNT. 
“O conhecimento científico procura alcançar a verdade dos fatos (objetos), 
independentemente da escala de valores e das crenças dos cientistas” (FACHIN, 2006, p. 16). 
R: Até três linhas ficará no corpo do seu parágrafo entre aspas duplas. A fonte da citação 
deve ser referenciada. As aspas simples devem ser usadas para indicar citação no interior da 
citação. 
“A literatura metodológica mostra que o conhecimento científico é adquirido pelo método 
científico e, sem interrupção, Pode ser submetido a teste e aperfeiçoar-se, reformular-se ou 
até mesmo avantajar-se mediante o mesmo método. Para melhor entendimento, segue 
exemplo da evolução científica na área da genética, especificamente no que se refere à 
clonagem, que é o processo da cópia idêntica de outro ser vivo produzido artificial e 
assexuadamente” (FACHIN, 2006, p. 17). 
R: Citações diretas com mais de três linhas devem figurar em parágrafo autônomo, com recuo 
de 4 cm da margem da esquerda, espaço simples e sem aspas duplas. 
 Citação Indireta: 
Apresentam formatação diferente, por trata-se de um texto baseado na obra de um autor 
consultado. Neta hipótese não é necessário o emprego das aspas duplas, porque a citação 
indireta mantém o conteúdo original do texto lido, mas é reescrita com outras palavras. A 
citação indireta é também denominada de paráfrase. 
Segundo a ABNT, configuram uma transcrição livre do texto do autor. (NBR 10520:2002) 
João Bosco Medeiros (2003) esclarece que a citação indireta pode configurar um resumo, 
comentário de uma idéia, ou expressar o mesmo conteúdo, mas utilizando outras palavras. 
Recomenda-nos que parafrasear é preferível à citação direta. 
1 “Parafrasear é, pois, traduzir as palavras de um texto por outras de sentido equivalente, 
mantendo, porém, as idéias originais. A paráfrase inclui o desenvolvimento de um texto, o 
comentário, a explicitação.” (MEDEIROS, 2003. p. 182, grifo nosso) 
Vamos ver um exemplo? 
Israel Belo de Azevedo (1997) esclarece que toda palavra tem um peso de acordo com sua 
capacidade de sintetizar uma idéia de maneira clara e concisa. 
Você observou que no exemplo acima, o trecho citado foi reescrito e mencionou-se a fonte da 
informação? O conteúdo original foi reelaborado e, por isso, não se usa aspas duplas. Em 
qualquer caso devemos respeitar as idéias do autor. 
 Citação da citação: 
Em algumas leituras verificamos que o autor apresenta uma citação direta ou indireta de outro 
autor, o qual você não tem acesso à obra. Estamos diante de uma citação da citação que 
exige o uso da sigla apud que significa citado por. Alguns autores denominam a citação da 
citação como citação dependente, porque o autor escolhido para citação não foi lido 
diretamente,mas tomado por empréstimo de outro autor. Não abuse deste recurso. 
Regra: Usar a sigla apud, inserindo a referência completa do autor que você pesquisou e não do 
autor citado, cuja citação pretende mencionar. Na lista de referências deverá inserir o autor a 
que você teve acesso. 
Atenção! 
Segundo a ABNT, quando os dados forem obtidos em palestras, debates, seminários etc., 
deve-se indicar entre parênteses, a expressão “INFORMAÇÃO VERBAL”, mencionando-se os 
dados disponíveis, em nota de rodapé (NBR 10520:2002) 
Ademais, para enfatizar trechos da citação direta, deve-se destacá-los indicando esta 
alteração em relação ao original com a expressão “GRIFO NOSSO” entre parênteses, após a 
referência da citação, ou “GRIFO DO AUTOR” caso o destaque tenha sido feito pelo próprio 
autor da obra. 
Vamos ver dois exemplos? 
“[...] para que não tenha lugar na produção de degenerados, quer físicos quer morais, 
misérias, verdadeiras ameaças à sociedade.” (SOUTO, 1916. p. 46, grifo nosso) 
“[...] b) desejo de criar uma literatura independente, diversa, de ver que aparecendo o 
classicismo como manifestação de passado colonial”. (CÂNDIDO, 1993. p. 12, grifo do autor) 
Algumas Regras Para Compor Citações Diretas e Notas: 
Acréscimos ou interpolações: significa a inserção de expressões que não constam do original – 
entre colchetes. Pode ocorrer a necessidade de se acrescentar uma palavra ao texto citado, 
para torná-lo mais compreensível. 
Exemplo: [Resumo] Envolve uma redação simplificada do texto pesquisado, substituindo a 
linguagem do autor por expressões diretas e com sentenças inteligíveis. A idéia continua 
sendo do autor, porém elaborada pelo próprio estudante, demonstrando sua capacidade de 
assimilação e entendimento das informações obtidas no decorrer da leitura do assunto em 
questão. (FACHIN, 2006. p. 127) 
Supressões: não devemos citar frases ou parágrafos longos demais, basta inserir o que 
realmente interessa ao desenvolvimento da argumentação ou à apresentação das idéias. 
Deve-se apresentar entre colchetes/parênteses e com uso de reticências (...) ou [...]. 
Exemplo: “A física moderna (...) considera a lei da inércia sua lei mais fundamental.” (KOYRÉ, 
1982. p. 182) 
Incorreções: na hipótese de o texto citado apresentar um erro, uma expressão politicamente 
incorreta ou equívoco gramatical, entre outros, chame a atenção, pelo uso, ao lado da 
palavra, da sigla SIC (ASSIM, em latim) entre colchetes e em itálico. 
Exemplo: “Zenão de Cício (334-262 a.C.) fundou a escola estóica [sic] 1. Ele costumava 
palestrar de sua varanda, chamada stoa, daí o nome estóico” [sic]. (MANNION, 2008. p. 48) 
A ata registra a seguinte declaração do diretor: “isto é para mim [sic] fazer” 
1 Com o novo acordo ortográfico não se usa mais o acento dos ditongos abertos ÉI e ÓI das 
palavras paroxítonas. Como estamos diante de uma citação direta, devemos usar a sigla SIC. 
Suprimir Parágrafos: Linha Pontilhada – Exemplo: 
 
 
 
 
 
 
 
Quais São os Erros Mais Comuns? 
 Excesso ou escassez de citações diretas. O melhor é reescrever o texto utilizado, 
creditando a passagem ao seu autor; 
 Uso de bibliografia inadequada; 
 Presença no texto de informações que deveriam estar em notas de rodapé; 
 Citações sem discussão; 
 Não há necessidade de se citar frases ou parágrafos completos, longos demais, mas 
transcreva apenas a unidade de pensamento que realmente interessa. Para tanto, use 
a supressão. 
 Inserir os títulos das obras citadas no texto sem colocá-las em itálico. 
Sistema de Chamada 
As citações devem ser indicadas no texto por um sistema de chamada: numérico ou autor 
data. Qualquer que seja o sistema adotado deve ser seguido ao longo de todo o trabalho. 
Numérico: a fonte da citação utilizada deve aparecer em nota de rodapé. Neste caso, a 
numeração das fontes deve ser única e consecutiva, em algarismos arábicos. Todas as 
referências devem ser repetidas na lista de referências ao final do trabalho. 
 A numeração das notas de rodapé deve restringir-se às referências bibliográficas; 
 Uso de asterisco (*): para explicar ou comentar uma idéia. 
 Podemos usar: (1), [1], 1 
Quando escolhemos o sistema numérico não devemos usar notas explicativas em rodapé para 
informações adicionais. Estas são aquelas que aparecem ao pé das páginas em que são 
mencionadas e servem para abordar pontos que não devem ser incluídos no texto. 
Exemplo: 
Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada 
para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos 
científicos.”1 
Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada 
para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos 
científicos.” (1) 
Segundo Pedro Bervian, Amado Cervo e Roberto da Silva, “A pesquisa é uma atividade voltada 
para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos 
científicos.” [1] 
Você observou que o número da nota de rodapé ficou após o espaço do parágrafo? Percebeu 
que as notas obedecem a uma sequência numérica e em algarismos arábicos (1, 2, 3, 4...)? 
Como Deve Figurar na Nota de Rodapé? 
Os elementos essenciais e complementares da referência devem ser inseridos na sequência 
sugerida pela ABNT: SOBRENOME, Prenome. Título. Edição. Cidade: editora, ano. (página na 
hipótese de citação direta). 
1 CERVO, A.; BERVIAN, P. A.; SILVA, R. da. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: 
Pearson Prentice Hall, 2007. p. 57. 
Observação importante: as aspas devem aparecer antes ou depois da pontuação? Segundo a 
ABNT, devem-se colocar as aspas antes da pontuação, exceto nos casos de pontos de 
interrogação e exclamação que façam parte do texto citado. 
Expressões Latinas no Sistema Numérico 
Há um conjunto de expressões latinas que são usadas no sistema numérico. Após inserir as 
notas de rodapé no sistema numérico observe a sequência das obras e substitua pela 
expressão latina correspondente. 
Idem id. (o mesmo autor): ocorre quando duas obras de um mesmo autor forem 
seqüenciais. Exemplo: 
SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de 
sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. 
Id. Documentos de identidade: uma introdução às teorias do currículo. 2. ed. Belo 
Horizonte: Autêntica, 2000. p. 305. 
Ibidem ou ibid. (na mesma obra): deve ser usada quando ocorre a citação da mesma 
obra do mesmo autor sequencialmente no texto. Exemplo: 
SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de 
sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médias, 1992. p. 121. 
Ibid., p. 139. 
Opus citatum, opere citato ou op. cit. (obra citada): deve ser usada quando uma 
mesma obra aparecer mais de uma vez no texto, independente da sequência das citações. 
1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de 
sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992. p. 121. 
2 NEY, João Luiz. Prontuário de Redação Oficial. 15. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 
2000. p. 24. 
3 SILVA, op. cit., p. 121. 
Passim (aqui e ali, em diversas passagens): usa-se essa expressão apenas quando há 
referências a passagens, sem identificação. Exemplo: 
1 SILVA, Tomaz Tadeu da. Que produz e o que reproduz em educação: ensaios de 
sociologia da educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1992, passim. 
Cf. (confira, conforme, confronte): usa-se para recomendar a consulta a notas do mesmo 
trabalho ou obra de outros autores. Exemplo: 
1 Cf. SILVA, 1992. 
Sistema Autor Data 
Autor-data: consiste em indicar o sobrenome do autor ou instituição responsável, seguidopelo 
ano da publicação da obra e páginas referenciadas, separados por vírgula e entre parênteses. 
Vejamos alguns exemplos de citação direta pelo sistema autor data: Afirma Pedro Bervian, 
Amado Cervo e Roberto da Silva (2007. p. 57): “A pesquisa é uma atividade voltada para 
investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego de processos científicos.” 
Conforme alguns autores (CERVO; BERVIAN; SILVA, 2007. p. 57): “A pesquisa é uma 
atividade voltada para investigação de problemas teóricos ou práticos por meio do emprego 
de processos científicos.” 
Você observou que no sistema de chamada autor data o nome do autor pode ser incluído na 
sentença e, neste caso, deve ser escrita conforme a regra para nomes próprios ou entre 
parêntesis com todas as letras do último sobrenome em maiúsculas. 
Algumas observações: 
 Nas citações diretas: quando o nome do autor estiver na sentença (fora do parêntesis), 
indica-se o ano da publicação entre parêntesis, acrescida da página da obra que 
contém a citação, separados por vírgulas. 
Vieira (1990, p.3) 
 Nas citações indiretas: a indicação das páginas consultadas é opcional. 
Vieira (1990) 
 Para citar um autor: 
Diretas: Souza (1998, p. 59) ou (SOUZA, 1998, p. 59) 
Indiretas: Souza (1998) ou (SOUZA, 1998) 
 Para citar dois autores: os sobrenomes quando inseridos dentro do parêntesis devem 
ser separados por ponto e vírgula. 
Diretas: Souza e Silva (1998, p. 59) ou (SOUZA; SILVA, 1998, p. 59) 
Indiretas: Souza e Silva (1998) ou (SOUZA; SILVA, 1998) 
 Na citação indireta, documentos de mesma autoria com anos diferentes: diferencia-se 
pelo ano de publicação, separados por vírgulas. 
Barroso (1999) ou (BARROSO, 1999) 
Barroso (2000) ou (BARROSO, 2000) 
Barroso (1999, 2000) ou (BARROSO, 1999, 2000) 
 Na citação indireta, quando diversos autores em diversos documentos, são 
mencionados simultaneamente: devem ser separados por ponto e vírgula, em ordem 
alfabética. 
Diversos autores observam a importância do acontecimento desencadeador no início do 
processo de aprendizagem (CROSS, 1984; KNOX, 1986; MEZIROW, 1991). 
 Documentos com coincidência de sobrenomes de autores: devem-se acrescentar as 
iniciais de seus prenomes. Se ainda permanecer a coincidência, colocam-se os 
prenomes por extenso. 
(BARBOSA, C., 1958) 
(BARBOSA, O. 1959) 
(BARBOSA, Cássio, 1965) 
(BARBOSA, Celso, 1965) 
 Diversos documentos de um mesmo autor, publicados num mesmo ano: são 
distinguidas pelo acréscimo de letras minúsculas, em ordem alfabética, após a data e 
sem espacejamento. O acréscimo desta letra após a data da publicação deverá figurar 
também na lista de referências para diferenciar as duas obras. 
(BARBOSA, 1958a) 
(BARBOSA, 1958b) 
 No sistema autor dada a indicação completa da obra é feita na lista de referências! 
Exemplo no texto: 
Bobbio (1995, p. 30) com muita propriedade nos lembra, ao comentar esta situação, que os 
“juristas medievais justificavam formalmente a validade do direito romano ponderando que 
este erro do direito do Império Romano que tinha sido reconstruído por Carlos Magno com o 
nome de Sacro Império Romano”. 
Lista de referências: 
BOBBIO, Norberto. O positivismo jurídico: lições de filosofia do direito. São Paulo, Ícone, 
1995. 
AULA 8 – A REDAÇÃO DO PROJETO DE PESQUISA II: REGRAS PARA 
REFERÊNCIAS 
Referências 
O interesse dos estudantes diante do saber levam-no a investigar e toda pesquisa começa 
com uma pesquisa bibliográfica em que são observadas referências teóricas em documentos 
que podem ser livros, artigos, trabalhos de conclusão de curso. 
Assim, as obras citadas e consultadas para elaboração dos trabalhos acadêmicos devem ser 
organizadas na forma de lista de Referências que deve ser apresentada no formato orientado 
pela ABNT, ao final de qualquer trabalho (NBR 6023, 2002). 
Entende-se pelo termo REFERÊNCIAS o conjunto padronizado de informações que permitem a 
identificação de documentos consultados para a elaboração de um trabalho acadêmico. 
Há Diferença Entre Referência, Bibliografia e Referências Bibliográficas? 
O Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, indica que pelo termo REFERÊNCIA devemos 
considerar uma nota informativa de remissão em uma publicação. A origem etimológica do 
termo nos remete à palavra inglesa reference que significa ato de referir ou consultar; sinal ou 
indicação que remete o leitor a outra fonte de informação. Quanto ao termo BIBLIOGRAFIA, 
relação das obras consultadas ou citadas por um autor na criação de determinado texto, ou 
seção onde se arrolam livros e outras publicações. 
A ABNT observa que a REFERÊNCIA é o conjunto padronizado de elementos descritivos, 
retirados de um documento. Assim, deve ser constituída de elementos complementares, 
permanecendo silente sobre uma possível diferença entre os termos. Importa mencionar que 
na ABNT, NBR 14724, encontramos a indicação do termo REFERÊNCIAS como elemento pós-
textual, o que nos legitima a usar o referido termo nos trabalhos acadêmicos. 
Alguns autores entendem que num trabalho acadêmico devemos mencionar apenas as obras 
efetivamente citadas, o que reforça o uso do termo REFERÊNCIAS. Não se usa mais o termo 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. 
Portanto, ao final de um trabalho elaboramos uma lista de referências em que as obras são 
alinhadas somente à margem esquerda do texto e de forma a se identificar individualmente 
cada documento, em espaço simples, separadas entre si por espaço duplo. 
Exemplo de uma lista de referências: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Elementos Essenciais e Complementares 
Os elementos que compõem a referenciação devem ser obtidos na ficha catalográfica do 
documento, ou seja, retirados do próprio documento e inseridos conforme a sequência 
sugerida pela ABNT. 
 Elementos essenciais: são aqueles indispensáveis na identificação do documento, tais 
como: autor(es), título, edição, local, editora e data da publicação. 
 Elementos complementares: são opcionais e podem ser acrescentados para uma 
melhor identificação do documento, tais como: coleção, série, número do ISBN, 
número de páginas (43 p.), Edição exclusiva para assinantes, inclui algum brinde, etc. 
Vamos Aprender a Referenciar? 
 Vamos iniciar com o nome do(s) autor(es): 
Na lista de referências, os autores são indicados pelo último SOBRENOME, escrito em caixa 
alta, seguidos dos nomes, por extenso ou abreviados. O sobrenome é separado do nome por 
vírgula. Veja: 
GOMES, L. F. 
GARCIA, Othon M. 
SEVERINO, A. J. 
MEDEIROS, João Bosco. 
 Mas são três autores? O que devo fazer? 
Na hipótese de obra escrita por até três autores, todos devem ser mencionados na mesma 
ordem em que aparecem na publicação, veja a ficha catalográfica, no verso da folha de rosto. 
Os nomes de cada autor devem ser separados por ponto e vírgula. 
LAKATOS, E. M.; MARCONI, M. A. 
MACEDO, Luiz Roberto Dias de; CASTANHEIRA, Nelson Pereira; ROCHA, Alex. 
 Não são apenas três! Como devo proceder? 
Na eventual hipótese de a obra ter mais de três autores, somente o primeiro deve ser 
indicado, seguido da expressão et al (e outros). Veja: 
ALVES, João et al. 
Atenção! 
Se for hipótese de autoria coletiva são indicados o nome dos responsáveis, seguidos da 
abreviatura da palavra que caracteriza a responsabilidade, entre parêntese como: editor (Ed.), 
coordenador (Coord), organizador (Org.), compilador (Comp.). 
ALVES, João (Org.) 
ALVES, João (Coord.) 
ALVES, João (Ed.) 
 Algumas observações interessantes! 
Sobrenomes que indicam parentesco: acompanham o último sobrenome. 
Exemplo: GARCIA LLAMAS, J. L. Título. 
Sobrenomes compostos, a entrada é feita por expressão composta. 
Exemplo: CASTELLOBRANCO, H. A. Título: subtítulo. 
Sobrenomes ligados por hífen e com prefixos: devem ser transcritos por extenso. 
ALVES-MAZZOTTI, A. J. Título. 
LAS CASAS, A. Título. 
 E quando a autoria é desconhecida? 
Nesta hipótese, inicia-se pela primeira palavra do título em caixa alta. Se a palavra for 
precedida por um artigo este também deve ser escrito em caixa alta. Veja dois exemplos: 
A EDUCAÇÃO ambiental no séc. XX. 
AUDITORIA interna de empresas. 
 Quando não há autor pessoa física, mas uma instituição? 
Os documentos de responsabilidade de entidades (instituições, organizações, empresas) têm 
entrada pelo nome delas, escrita por extenso e em CAIXA ALTA. Observe: 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: informação e documentação: 
referências e elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Meio Ambiente. Diretrizes para a política ambiental do 
Estado de São Paulo. São Paulo, 1993. 35 p. 
 Como faço a referência quando se tratar de publicações técnicas? 
Quando se tratar de publicações técnicas e administrativas, indica-se o nome da entidade. No 
caso de entidades governamentais, quando se tratar de órgãos da administração direta 
(Ministérios, Secretarias), indica-se o nome geográfico antes do nome da entidade. 
BRASIL. Ministério da Ciência e Tecnologia. 
Uma regrinha importante!!! 
Nos casos em que foram usadas várias fontes do mesmo autor, estes podem ser substituídos 
por um traço equivalente a seis toques seguidos de um ponto (______.), nas referências 
subseqüentes. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e documentação: 
artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 5p. 
______. NBR 6023: informação e documentação: referências: elaboração. Rio de Janeiro, 
2002. 3p. 
 Como devo escrever os títulos na referência? 
Os títulos devem ser escritos na forma em que se apresentam no documento, sendo apenas a 
primeira palavra iniciada com letra maiúscula. Os títulos devem ter destaque gráfico: negrito, 
itálico ou sublinhado. Os subtítulos, ou seja, informações apresentadas em seguida ao título 
visando complementá-lo devem ser precedidos por dois pontos e não recebem qualquer 
destaque gráfico. 
RUCH, Gastão. História geral da civilização: da antiguidade ao século XX. 
 E quando há tradutor? Deve ser mencionado? 
Quando há tradutor, atualizador, revisor, ilustrador entre outros deve ser mencionado logo 
após o título. 
Veja o modelo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Tradução1. Edição. Local: Editora, 
data. 
1 Tradução, prefácio e notas + nome ou Atualização e notas de + nome ou Tradução de + 
nome 
Preciso Mencionar a Edição? 
Quando houver a indicação da edição, esta deve ser inserida na sua referência, utilizando-se 
abreviaturas dos numerais ordinais e da palavra edição. 
4ª edição = 4. ed. 
5ª edição = 5. ed. 
PATACO, Vera Lúcia P.; VENTURA, Magda Maria; RESENDE, Érica dos Santos. Metodologia 
para trabalhos acadêmicos e normas de apresentação gráfica. 4. ed. Rio de Janeiro: 
LTC, 2008. 
Como Devo Mencionar o Nome da Editora? 
O nome da editora é indicado conforme aparece na publicação, seguido de vírgula, 
eliminando-se as palavras que identificam sua natureza comercial ou jurídica como: S/A, Ltda, 
Editora, Livraria etc. 
: Atlas, 
: Ibpex, 
: Campus, 
Quando houver duas editoras ambas devem ser indicadas com seus respectivos locais, 
seguidas de dois pontos e separadas por ponto e vírgula. Se tiver mais que duas editoras, 
indica-se somente a primeira ou a que estiver em destaque na publicação. 
Rio de Janeiro: Expressão e Cultura; São Paulo: EDUSP, 
E Se Não Há Identificação da Editora? 
Quando a editora não puder ser identificada, utiliza-se a expressão latina sine nonime, que 
significa sem nome, de forma abreviada entre colchetes [s.n.]. 
FRANCO, I. Discursos: de outubro de 1992 a agosto de1993. Brasília, DF: [s.n.], 1993. 107 
p. 
E Se a Editora For a Própria Instituição? 
Quando a editora for a própria instituição ou pessoa responsável pela autoria da obra e já 
tiver sido mencionada, não é necessário ser indicada. 
UNIVERSIDADE FEDERAL DE VIÇOSA. Catálogo de graduação, 1994-1995. Viçosa, MG1, 
1994. 385 p. 
1 O nome da editora deveria estar aqui, mas não é necessário repetir. 
Preciso Mencionar o Ano da Publicação? 
O ano de publicação do documento deve ser indicado em algarismos arábicos (1,2,3..), 
mesmo que nele apareça em algarismos romanos. 
LEITE, C. B. O século do desempenho. São Paulo: LTr, 1994. 
Se Não Constar Data de Publicação, O Que Faço? 
Você poderá inserir uma data provável entre colchetes. Veja as regras para cada caso: 
[2003 ou 2004] – ou um ou outro. 
[2004?] – data provável 
[2003] – data certa, porém não indicada na obra. 
[entre 1998 e 2000] – o intervalo deve ser inferior a 20 anos. 
[ca. 1997] – data aproximada. 
[199..] – década certa. 
[199-?] – década provável. 
[19--] século certo 
[19--?] – século provável. 
FLORENZANO, Everton. Dicionário de idéias semelhantes. Rio de Janeiro: Ediouro, [1993?] 1. 
383 p. 
1 Ano provável 
A Obra Não Menciona Local e Editora! Como Devo Referenciar? 
Na impossibilidade de local e editor da publicação, emprega-se a notação S.l. (ausência de 
local – letra “S” em maiúscula seguida de ponto e letra “l” em minúscula); 
GONÇALVES, F. B. A história de Mirabor. [S.l.: s.n.], 1993. 
Preciso Mencionar o Volume? 
Nas referências com vários volumes, o número de volumes da obra deve ser indicado após a 
data e o ponto final, com a palavra volume abreviada. Não confundir: 
2 v. (dois volumes) 
v. 2 (volume 2) 
Exemplo: 
RUCH, Gastão. História geral da civilização: da Antigüidade ao século XX. Rio de Janeiro: 
F. Briguiet, 1940. 4 v. 
Como Referenciar Livros? 
Modelo: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, ano de publicação. 
Como Referenciar Capítulos de Livros? Temos Duas Regras! 
Quando a autoria do capítulo diferente da autoria do livro: 
SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título. In: SOBRENOME, Prenome (autor da obra). 
Título: subtítulo. Local: Editora, ano. Página inicial e final. 
Exemplo: 
ROMANO, Giovani. Imagens da juventude na era moderna. In: LEVI, G.; SCHMIDT, J. (Org.). 
História dos jovens 2: a época contemporânea. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p. 
7-16. 
Quando a Autoria do Capítulo Igual à Autoria da Obra: 
SOBRENOME, Prenome (autor do capítulo). Título (do capítulo). In: ______. Título: subtítulo. 
Local: Editora, ano. Número do capítulo (se houver), página inicial e final. 
Exemplo: 
SANTOS, F. R. dos. A colonização da terra do Tucujús. In: ______. História do Amapá, 1º 
grau. 2. ed. Macapá: Valcan, 1994. Cap. 3. P. 15-24. 
Como Referenciar Publicações em Meio Eletrônico? 
As referências em meios eletrônicos seguem o modelo de referências bibliográficas, 
acrescentando-se informações relativas à descrição física do meio ou suporte. 
Para as obras consultadas online são essenciais as informações sobre o endereço eletrônico, 
apresentado entre <brackets>, precedido da expressão: “Disponível em:” 
A data de acesso ao documento, precedida da expressão: “Acesso em:” deve conter o dia, o 
mês abreviado e o ano (04 abr 2010.). 
Modelo: SOBRENOME, Nome. Título: subtítulo. Cidade: Edição, ano. Disponível em: 
<endereço eletrônico>. Acesso em: dia mês ano. 
Vamos Aprender a Referenciar? 
Dicionários e enciclopédias: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Edição. Local: Editora, 
data. 
Artigo de Jornal: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do jornal, local, 
dia, mês e ano. Título do caderno, seção ou suplemento, página inicial e final. 
Monografias,Dissertações e Teses: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo. Ano de entrega. 
Total de folhas. Tipo de trabalho (grau e área) – instituição, Local, Ano de defesa. 
Programa de TV e Rádio: TEMA. Nome do Programa. Cidade: nome da TV ou Rádio, data da 
apresentação do programa. Programa de (TV ou Rádio). 
CD-ROM e DVD: AUTOR, Título. Edição. Local de publicação: Editora, data. Tipo de mídia. 
Entrevista: ENTREVISTADO. Título. Local: data. Nota da Entrevista. 
Site Institucional: INSTITUIÇÃO. Título. Disponível em <endereço eletrônico>. Acesso em: 
data. 
Artigo de Revista: SOBRENOME, Prenome. Título: subtítulo do artigo. Título do periódico, 
local, volume, fascículo, página inicial e final, mês e ano. 
AULA 9 – O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO I: IMPORTÂNCIA DO 
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO. A ÉTICA E LEGITIMIDADE DO 
SABER 
Importância do Trabalho de Conclusão de Curso 
O trabalho de conclusão de curso é parte integrante da atividade curricular de muitos cursos 
de graduação, consistindo assim uma iniciativa acertada e extrema relevância para o processo 
de aprendizagem dos alunos. (SEVERINO, 2007, p. 202) 
Nos últimos tempos experimentamos mudanças culturais e comportamentais significativas em 
nossa sociedade. Vivemos um mundo inteiramente novo com muitos saberes, informações e 
tecnologias, o que expressa com propriedade à exigência de uma boa formação acadêmica em 
consonância com os novos tempos. 
Nessa dinâmica da era da informação não é fácil acompanhar as mudanças, mas uma coisa é 
certa: é preciso compreender as novas formas de conduta e relações que estabelecemos em 
sociedade, porque nenhuma área do conhecimento pode se esquivar dessa tarefa. 
Como afirmam alguns autores, é preciso saber muito de tantas coisas que temos a sensação 
constante de estarmos desatualizados. Logo, no decorrer de nossa formação acadêmica 
desenvolvemos muitas habilidades importantes tais como: a leitura reflexiva, a elaboração de 
fichamentos, resumos, resenhas, pesquisas temáticas, organização de seminários e relatórios 
de pesquisa, dentre outros. Tudo com o propósito de conhecermos conceitos, teorias que 
estão na base de nossas ações na esfera social e profissional. 
É este pensamento que norteia a necessidade de uma reflexão crítica acerca de nossos 
saberes e práticas. É por isso que é preciso capacitar pessoas para a pesquisa e elaboração de 
trabalhos científicos. Capacitá-los para o conhecimento científico. Nos dizeres de Odília Fachin: 
O conhecimento científico é um aprendizado ordenado e contínuo que se adquire por meio de 
estudos incessantes. É algo que vai acontecendo aos poucos e é considerado um processo de 
longo prazo, ou seja, não acontece por acaso ou por intuição. A aquisição de conhecimentos 
não ocorre de imediato ou a curto prazo, e sim por meio de pesquisa constante e intensa nas 
áreas específicas da formação acadêmica. (2006, p. 189) 
Qual a Relação Entre a Educação Superior e a Construção do Conhecimento? 
Sabemos que na vida universitária, ensino (compromisso com a transmissão do 
conhecimento), pesquisa (processo de construção do conhecimento com o propósito de gerar 
novos conhecimentos) e extensão (ações da Universidade junto à comunidade, 
disponibilizando o conhecimento adquirido) se articulam através da pesquisa, ou seja, “só se 
aprende, só se ensina, pesquisando”. Portanto, só podemos prestar um bom serviço à 
sociedade, através de atividades de extensão, se há um compromisso com o conhecimento 
através da pesquisa. Professores e alunos precisam da prática da pesquisa para 
ensinar/aprender de maneira eficiente. Por outro lado, a sociedade também necessita da 
pesquisa para dispor de novos recursos. (SEVERINO, 1996, p. 63) 
Assim, se compreendermos a pesquisa relacionada ao termo conhecer como construir e 
reconstruir significados continuamente, mediante o estabelecimento de relações de múltipla 
natureza, individuais e sociais, então é preciso refletir e observar o caminho que você 
escolheu para sua formação acadêmica. Bem como as competências e habilidades que 
desenvolveu nesse percurso. Por isso, a fase de construção de um trabalho de conclusão de 
curso é o momento mais importante do acadêmico. É importante porque provará que 
aprendeu a dialogar com a realidade e que agora substitui a curiosidade de escutar seus 
mestres pela de produzir com autoria uma pesquisa. Contribuindo, assim, para a ampliação da 
produção científica em sua área de saber. 
Mas o Que Podemos Entender Por Produção Científica? 
Podemos entender como produção científica o conjunto de atividades acadêmicas 
desenvolvidas nas instituições de ensino superior, cuja publicidade acontece através de 
publicações especializadas, congressos, fóruns que apresentam à sociedade o resultado de 
pesquisas que apontam informações, alternativas, caminhos para solução de problemas em 
diversas áreas de saber. 
É importante mencionar neste ponto que a produção científica estimulada nas universidades 
tem como objetivo o pleno exercício da nossa capacidade de pensar e discernir, motivar a 
criatividade e a produção própria. Nos dizeres de Pedro Demo (2009, p. 16), “Se ensinar a 
pesquisar significa motivar a criatividade, é para que surja um sujeito verdadeiramente 
autônomo”. 
Trabalho de Conclusão de Curso (TCC): 
Considera-se trabalho de conclusão de curso todo aquele que é exigido ao final de cursos de 
graduação, de especialização, mestrado ou doutorado. Consiste num estudo baseado em 
pesquisa rigorosa para atualizar o estado da arte sobre determinado tema de interesse 
profissional. Pressupõe a elaboração de um anteprojeto/projeto de pesquisa, como 
antecedente de um trabalho final, como resultado, por vezes apresentado diante de uma 
banca examinadora. 
O anteprojeto/projeto de pesquisa apresenta o que será pesquisado e como a pesquisa será 
desenvolvida. Não configura o trabalho em si, mas um plano de estudos no qual o estudante 
esboça um experimento antes mesmo de iniciar a pesquisa propriamente dita. 
O Que é um Trabalho de Conclusão de Curso? Quais São os Tipos Mais Comuns? 
 Artigo Científico: 
Denomina-se artigo científico o texto destinado a divulgar, em publicações especializadas, os 
resultados de uma pesquisa científica, podendo abordar um dos vários aspectos de uma 
pesquisa mais complexa exposta em dissertações de Mestrado ou teses de Doutorado. Pode, 
também, divulgar os resultados de um trabalho investigativo mais modesto. Em qualquer 
hipótese, os artigos devem seguir um modelo determinado pelas normas da ABNT (NBR 
6022). 
O artigo científico deve tratar de temas acadêmicos, mas sem o aprofundamento típico das 
monografias. Geralmente são destinados a publicações em revistas especializadas, em anais 
de congressos, páginas da internet ou em outras formas de divulgação de trabalhos científicos 
disponíveis na universidade. 
 Monografia: 
A palavra MONOGRAFIA decorre de um termo de origem grega (monos + grafo = único + 
escrever) e significa um escrito que trata de um único assunto, único problema. O trabalho 
monográfico se caracteriza pela delimitação do tema e pela profundidade do tratamento 
(RAMPAZZO, 2005). Em geral é exigido ao final de um curso de graduação em que o 
estudante demonstra que realizou investigações mais profundas sobre determinado tema, 
atualizou-se na polêmica teórica que o cerca e aprendeu a elaborar uma pesquisa com 
precisão conceitual e nas regras metodológicas. O trabalho deverá apresentar uma 
contribuição interessante, devendo ser redigido pelo estudante, embora contenha citações 
diretas e indiretas de outros autores, sempre devidamente referenciadas. Nos dizeres de 
Antônio Joaquim Severino (2007, p. 200). 
Os trabalhos científicos serão monográficosna medida em que satisfazerem à exigência da 
especificação, ou seja, na razão direta de um tratamento estruturado de um único tema, 
devidamente especificado e delimitado. O trabalho monográfico caracteriza-se mais pela 
profundidade do tratamento do que por sua eventual extensão, generalidade ou valor 
didático. 
 Dissertação de Mestrado: 
É um tipo de trabalho apresentado no final do curso de pós-graduação, visando obter o grau 
acadêmico de mestre. Como estudo teórico, de natureza reflexiva, requer sistematização, 
ordenação, autonomia e criatividade na interpretação dos dados. Envolve também uma 
dedicação muito intensa à pesquisa, fazendo parte da vida do pesquisador. (SEVERINO, 2007) 
 Tese de Doutorado: 
A tese é o trabalho científico, escrito, original, sobre um tema específico, cuja contribuição 
amplia os conhecimentos do tema escolhido. Representa, portanto, um avanço na área 
científica em que se situa. A tese possui a mesma estrutura da monografia e da dissertação, 
mas distingue-se no que concerne à profundidade, à originalidade, extensão e objetividade. 
(RAMPAZZO, 2005). 
Neste ponto cabe uma diferenciação entre o curso de mestrado e do de doutorado: enquanto 
no mestrado há, ainda, uma iniciação à pesquisa científica, no doutorado já se exige plena 
autonomia intelectual, sendo exigido certo grau de originalidade, inventividade e maior 
elaboração no que se refere à construção teórica do trabalho. Sendo certo dizer que a 
originalidade exigida refere-se a um “esclarecimento original sobre o assunto, até então não 
percebido”. (SEVERINO, 2007, p. 218) 
A norma NBR 14724 (Informação e documentação – Trabalhos acadêmicos - Apresentação), 
publicada em 2002 pela ABNT, especifica os princípios gerais para a elaboração de trabalhos 
acadêmicos, visando sua apresentação à instituição (banca, comissão examinadora de 
professores, especialistas designados e/ou outros). Assim, a norma divide os trabalhos 
acadêmicos em: teses, dissertações, trabalhos de conclusão de curso (TCC). 
A Ética e Legitimidade do Saber 
O conhecimento científico, sem dúvida, é o resultado da articulação lógica entre a realidade e 
as teorias, por isso deve ultrapassar o nível do simples levantamento de dados, mas 
apresentar uma interpretação teórica consistente e com autoria. 
Em trabalhos de pesquisa, seja em que nível for, exige-se rigor porque envolve o 
desenvolvimento do raciocínio lógico quando se busca demonstrar discursivamente alguma 
resposta ao problema proposto. 
Nesse sentido, observa Umberto Eco (1994), que citamos muitos textos alheios, porque 
configuram a fonte primária de toda pesquisa. É claro que podemos citar um texto de alguém 
e, em seguida interpretá-lo ou podemos citar um texto para que sirva de fundamento para 
nossas interpretações. Sendo certo dizer que as citações diretas devem ser feitas com muita 
parcimônia, pois poderá denotar que o estudante “não quer ou não é capaz de resumir as 
ideias de um autor” (1994, p. 122). Se a citação direta é muito longa, isso não é bom! Ao usá-
la temos que estar com muita certeza de que é realmente importante, na verdade, vital para 
nossos argumentos. 
Todas as citações devem apresentar a referência completa na forma da ABNT (NBR, 6023), 
usando-se o sistema de chamada escolhido pelo estudante. A remissão ao autor e à obra é 
uma boa prevenção contra o plágio. Convém destacar que cópia não autorizada de trabalhos 
alheios é considerada plágio. Plagiar significa apresentar como sua a ideia de outrem, porque 
qualquer autor é digno de menção. 
Podemos nos prevenir contra o plágio trabalhando com paráfrases, ou seja, quando se 
escreve usando as próprias palavras resumindo ou interpretando as ideias de um autor. Um 
bom critério para se evitar uma falsa paráfrase e correr o risco de ser acusado de plágio, 
acontece quando reescrevemos o texto “sem tê-lo diante dos olhos, significando que não só 
não o copiamos como o entendemos” (ECO, 1994, p. 128). 
A Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, Lei de Direitos Autorais, estabelece em seu artigo 
46, que não constitui ofensa aos direitos autorais a reprodução ou citação de pequenos 
trechos com a menção do nome do autor e da publicação de onde foram transcritas, sendo 
livre o uso de paráfrases. Mas antes de figurar na lei, o respeito à produção alheia é um 
princípio ético que confere legitimidade ao saber produzido. Por legitimidade entende-se 
aquilo que tem o caráter, o estado ou qualidade do que é legítimo. Também denota 
conformidade à lei, às regras. Assim temos que pensar na responsabilidade que o 
estudante/pesquisador assume na construção de sua pesquisa científica. 
AULA 10 – O TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO II 
É importante mencionar que as dificuldades iniciais, típicas de todo neófito, aos poucos será 
superada. A atividade pensante se desenvolverá com mais liberdade e de forma mais 
prazerosa, desvelando a disciplina intelectual necessária para a experiência científica. Assim, 
em nossa última aula vamos observar as regras específicas para formatação dos trabalhos 
acadêmicos conforme estabelece a ABNT. 
Cabe lembrar que não basta ter na mente o que se pretende fazer, importa colocar no papel, 
o que configura o primeiro esforço para ação ordenada e eficiente. O termo PLANEJAMENTO 
significa ato ou efeito de planejar, serviço de preparação de um trabalho, de uma tarefa, com 
o estabelecimento de métodos convenientes, ou determinação de um conjunto de 
procedimentos, de ações, visando à realização de determinado projeto. O planejamento se 
afigura como tarefa essencial para o desenvolvimento de trabalhos acadêmicos e científicos, 
por isso ao longo da nossa disciplina estudamos as etapas que integram um projeto de 
pesquisa. Agora, está em suas mãos! 
Regras Gerais Para Formatação de Trabalhos Científicos 
Os trabalhos acadêmicos devem ser estruturados, sequencialmente, em grupos de elementos, 
a saber: pré-textuais, textuais e pós-textuais. As normas da ABNT para apresentação do 
Projeto de Pesquisa e Trabalhos Acadêmicos (dissertação, tese e outros trabalhos 
monográficos de conclusão de curso) apresentam os componentes da estrutura destas 
publicações. Primeiramente temos que observar algumas regras gerais. Vejamos: 
Os trabalhos de conclusão de curso dividem-se em três partes: 
 Elementos pré-textuais: elementos que antecedem o texto com informações que 
ajudam na identificação e utilização do trabalho. 
 Elementos textuais: parte do trabalho em que é exposta a matéria. 
 Elementos pós-textuais: elementos que complementam o trabalho. 
Formatação 
O formato do papel utilizado deve ser A4 (21 cm x 29,7 cm), de cor branca e com letras de 
cor preta, salvo em gravuras, gráficos ou tabelas, que podem ser de cores diferenciadas. As 
margens terão, em todas as páginas, 3 cm para superior, 2 cm para a inferior, 3 cm para a 
esquerda e 2 cm para a direita. 
Espaçamento 
 O espaçamento entre linhas será de 1,5 em todo o trabalho, com exceção de citações com 
mais de três linhas, nas quais o espaço será simples, também, na natureza do trabalho e no 
resumo. 
 Títulos: antes e depois dos títulos e subtítulos deve haver dois espaços de 1,5 cm. 
 Texto, Sumário e Listas: espaço de 1,5 cm. 
 Resumo e Abstract: espaço simples. 
 Notas de rodapé e Citações com mais de três linhas: espaço simples. 
 Referências: espaço simples entre linhas e separadas entre si por espaço duplo. 
Fonte 
A fonte a ser utilizada será Arial ou Times New Roman, tamanho 12, com exceção de citação 
com mais de três linhas, em que o tamanho da fonte será de 11. 
Títulos 
Toda a parte pré-textual e pós-textual apresentarão seus títulos na fonte escolhida, tamanho 
14, caixa alta, em negrito, mantidona margem esquerda da página, diferente das partes 
textuais. 
Para trabalhos acadêmicos, geralmente de menor porte, fica a critério de o professor solicitar 
a introdução e a conclusão numeradas. Caso o professor opte por não numerá-las, ambas 
deverão ser centralizadas, pois a ABNT esclarece que títulos sem indicação numérica deverão 
ser centralizados, como Agradecimentos, Resumo, Abstract ou Resumen, Lista de Ilustrações, 
Lista de Tabelas, Lista de Abreviaturas e Siglas, Lista de Símbolos, Referências e Glossário. 
Alinhamento 
Os parágrafos devem iniciar alinhados a 1,25 cm da margem esquerda com espaço de 1,5 cm 
entre eles. Os parágrafos do texto devem ser justificados. As Referências devem ser alinhadas 
à esquerda e não devem ser justificadas. 
Numeração Progressiva 
Deve-se adotar a numeração progressiva para as seções do texto. 
1 SEÇÃO PRIMÁRIA 
1.1 SEÇÃO SECUNDÁRIA 
1.1.1 Seção terciária 
1.1.1.1 Seção quaternária 
Escrever-se-á o primeiro nível em negrito, caixa alta, fonte escolhida, tamanho 12 e à 
esquerda. O segundo nível será em caixa alta, fonte escolhida 12, sem negrito; o terceiro nível 
também será fonte escolhida 12, em negrito, porém em modo versal (primeira letra maiúscula 
e o restante minúsculo). Do quarto nível em diante escrever-se-á em fonte escolhida 12, sem 
negrito, a primeira letra maiúscula e o restante minúsculo. 
Paginação 
 A localização do número da página: canto superior direito, fonte Arial ou Times New 
Roman e tamanho 10; 
 Quanto ao tipo de número: arábico (1, 2, 3, 4, dentre outros). Ressalta-se que os 
números até 9, não se indica o 0 na frente do número (ex.: 1 e não 01); 
 Quanto às páginas que devem ser contadas, porém não paginadas: a capa não é 
contada e nem paginada; os demais elementos pré-textuais (folha de rosto, errata, 
folha de aprovação, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, resumo, lista de ilustrações, 
lista de tabelas, lista de abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário) são contados 
e não paginados; 
 Quantos às páginas que devem ser paginadas: são contados e paginados 
sequencialmente os elementos textuais (introdução, desenvolvimento e conclusão) e 
pós-textuais (referências, glossário, apêndices, anexos e índice). 
Critérios Textuais 
O trabalho todo deve ser escrito fazendo uso do verbo no modo impessoal, ou seja, não se 
deve utilizar a 1ª pessoa do singular nem a 1ª pessoa do plural. 
Ilustrações, tabelas e equações 
Em relação às ilustrações (fotos, desenhos, gráficos) sua identificação aparece na parte 
inferior, com sua especificação (Figura), seguida de seu número e nome, em negrito e 
tamanho 12. A fonte de onde foi retirada aparece abaixo da identificação, sem negrito e em 
tamanho 12. A ABNT não especifica o desenho da tabela, sugere que se contate o Instituto 
Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE. 
Capa 
Tem a finalidade de identificar o trabalho. Deve conter: nome da instituição, nome do autor, 
título e subtítulo, se houver, local e ano de entrega. 
Dicas para formatar a capa do seu trabalho! 
 Fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 14 
 Entre linhas com espaço simples 
 Marco 1 da régua vertical do Word – Identificação da Instituição de Ensino (caixa alta) 
 No marco 1,5 – Identificação do curso (caixa alta) 
 No marco 2 – Projeto de Pesquisa (caixa alta) 
 No marco 7 – Nome do acadêmico (caixa alta) 
 No marco 12 – Título do projeto (caixa alta) 
 No marco 23 – Local, ano (caixa alta) 
Lombada 
Trata-se de elemento opcional. Deve conter o nome do autor, título do trabalho e elementos 
alfanuméricos, impressos longitudinalmente e legível do alto para o pé da lombada. 
Folha de Rosto 
É composta do anverso e do verso. No anverso deverá conter: nome do autor, título do 
trabalho, subtítulo, se houver. Natureza do trabalho (trabalho de conclusão de curso, 
dissertação ou tese); objetivo (aprovação em disciplina, graus pretendidos e outros); nome da 
instituição e área de concentração; nome do orientador, local (cidade), ano de depósito. No 
verso da folha de rosto deve figurar a ficha catalográfica com as seguintes dimensões: 12,5 
cm x 7,5 cm. 
Dicas para a formatação da folha de rosto! 
1º - Nome do acadêmico (caixa alta – marco 1) 
2º - Título do projeto (caixa alta – marco 7) 
3º Nota indicativa do tipo de trabalho: em recuo esquerdo de 8 cm, espaço simples, 
alinhamento justificado e fonte 12. Nota: (marco 13) – texto sugerido. 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito para obtenção do título de 
Bacharel no curso de XXXXXXXX, da Instituição de ensino X. 
Professor(a) Orientador(a): nome do Professor 
4º - LOCAL, ano. (marco 23) 
Formatação de Artigos Científicos 
Elementos pré-textuais: 
 Título e subtítulo do artigo; 
 Autor(es) – breve currículo em nota de rodapé indicado por asterisco; 
 Resumo – máximo 500 palavras; 
 Palavras–chave – até no máximo 4. 
Elementos textuais: 
 Introdução do artigo; 
 Desenvolvimento; 
 Conclusão. 
Elementos pós-textuais: 
 Notas explicativas (opcional); 
 Referências; 
 Glossário; 
 Apêndice e Anexo (opcionais). 
Formatação de Projetos de Pesquisa 
São partes integrantes do Projeto de Pesquisa: 
 Elementos Pré-Textuais 
Capa: nome da entidade para a qual deve ser submetido; nome do autor; título; subtítulo 
precedido de dois pontos (:) ou distinguido tipograficamente. Será seguido o mesmo exemplo 
para um trabalho acadêmico ou TCC, com margem de 3 cm superior, 3 cm à esquerda, 2 cm 
inferior e 2 cm à direita, fonte escolhida em tamanho 12 e em negrito, onde aparecerá o 
nome da instituição, o nome do autor do projeto (aluno), o nome do projeto, o depósito 
(versal) e o ano, toda a página de forma centralizada. 
Folha de rosto: elemento obrigatório. Deverá conter: nome do autor; título; subtítulo 
precedido de dois pontos (:) ou distinguido tipograficamente; tipo de projeto de pesquisa e 
nome da entidade a que deve ser submetido; local (cidade) da entidade onde deve ser 
apresentado; ano de depósito (entrega). 
Lista de ilustrações, tabelas, abreviaturas e siglas (opcional): deve ser elaborada de acordo 
com a ordem apresentada no texto, com cada item designado por seu nome específico, 
acompanhado do respectivo número da página. 
Sumário: representa a estrutura orgânica do trabalho. Deve ser apresentado por uma 
numeração coerente que evidencie as principais partes do documento (capítulos ou seções e 
subseções). Tem como objetivo apresentar o conteúdo do trabalho e orientar sua localização 
no texto. 
Dica: no Word há a ferramenta “tabelas”. Crie uma tabela com três colunas: uma para 
numerar os itens; outra para o título de cada capítulo; a última para inserir o número da 
página. Em seguida, clique sobre a tabela com o lado direito do mouse e escolha a opção 
“Bordas e sombreamento”. Em seguida, marque a opção “Bordas”, item “Definição” e clique 
na opção “Nenhuma”. As linhas de sua tabela ficarão invisíveis. Esse recurso ajudará na 
formatação do sumário. 
 Elementos Textuais 
Representa a principal parte do trabalho em que é exposto o conteúdo do documento. Os 
elementos textuais são constituídos pelos seguintes elementos: Introdução; Desenvolvimento; 
Objetivos; Justificativa; Referencial teórico; Metodologia; Conclusão. 
 Elementos Pós-Textuais 
Os elementos pós-textuais são compostos de Referências, Glossários, Apêndices e Anexos. 
Destinam-se a esclarecer ou complementar o texto, sem, contudo, fazer parte deste. 
Referências: indicam ao leitor os nomes dos livros, artigos, sites, documentos e demais fontes 
usadas na elaboração do artigo científico. É o que antigamente era chamada de Bibliografia. 
Ele deve ser organizadoem ordem alfabética, segundo estabelece a ABNT. 
Glossário (opcional): lista organizada em ordem alfabética que fornece o significado ou 
tradução de palavras ou expressões técnicas pouco conhecidas utilizadas no texto. 
Apêndice (opcional): são textos ou documentos elaborados pelo próprio autor que servem 
para fundamentar, comprovar ou ilustrar o trabalho. Porém, por serem extensos e para não 
quebrar a sequência lógica de exposição do texto, não foram incluídos no corpo do trabalho. 
Anexo (opcional): são materiais (textos, documentos, figuras, tabelas, formulários, mapas, 
desenhos etc.) produzidos por outras fontes que não o autor, que servem para fundamentar, 
comprovar ou ilustrar seu trabalho. Os apêndices e anexos devem ser identificados por letras 
maiúsculas consecutivas, seguidas de travessão e pelos respectivos títulos. Ao se esgotar as 
23 letras do alfabeto, caso o trabalho possua mais que esta quantidade de apêndices ou 
anexos, as letras devem ser dobradas. 
Monografia 
 Elementos Pré-Textuais: capa, folha de rosto (anverso), folha de rosto (verso), folha de 
aprovação, dedicatória, agradecimentos, epígrafe, resumo em língua vernácula, 
abstract (Inglês) ou resumen (Espanhol), lista de ilustrações, lista de tabelas, lista de 
abreviaturas e siglas, lista de símbolos e sumário. 
 Elementos Textuais: introdução, desenvolvimento e conclusão. 
 Elementos Pós-Textuais: referências, glossário, apêndices e anexos. 
Projeto Final 
Título: deve passar uma idéia geral do trabalho. É recomendável a presença de um subtítulo 
explicativo, que dê conta, brevemente, da delimitação espaço-temporal e da questão central a 
ser investigada, caso tais informações não estejam presentes no título. 
Introdução: 
a) Delimitação do objeto: neste item, deve ser exposto, com clareza, o objeto de 
pesquisa, ou seja, a formulação do(s) problema(s). Cabe estabelecer, nesse sentido, a 
delimitação espacial e temporal, dentro do tema mais geral da pesquisa. 
b) Discussão bibliográfica: este item consiste num debate crítico sobre as principais obras 
relacionadas ao tema da pesquisa. Não se trata de uma simples enumeração de obras, 
mas da apresentação de um debate entre autores ou correntes historiográficas (ou de 
outros campos das ciências sociais). Não se deve incluir, aqui, a discussão das obras 
referidas às bases teóricas ou conceituais do projeto. 
Objetivos: trata-se da definição das metas da investigação. É ideal que a cada objetivo 
corresponda uma hipótese. Este item deve ser, de preferência, exposto em tópicos (iniciados 
por verbos no infinitivo: demonstrar, estabelecer, compara etc.), podendo conter um objetivo 
geral e outros específicos. 
Quadro Teórico: neste item devem ser expostos os principais conceitos e ferramentas teóricas 
a serem mobilizados na pesquisa. Nesse sentido, devem ser discutidos as concepções, os 
pressupostos e os conceitos que podem estar mais especificamente relacionados a uma 
tendência ou corrente da historiografia contemporânea. 
Hipótese(s): as hipóteses de uma pesquisa histórica são “afirmações provisórias”, enunciados 
prévios a serem verificados, ou seja, possíveis pontos de chegada que o pesquisador mantém 
em seu horizonte. Dessa forma, correspondem aos objetivos a serem alcançados. Este item 
deve ser exposto, de preferência, em tópicos, podendo conter uma hipótese central e sub-
hipóteses. 
Metodologia e fontes: por metodologia entende-se a descrição dos meios, instrumentos e 
atividades técnicas necessárias ao tratamento do problema a partir das fontes. Vale notar que 
as fontes não são repositórios neutros, exigindo tratamento adequado em função de sua 
especificidade. Para isso, é necessário apresentar uma tipologia das fontes, ou seja, dos 
diversos materiais (orais, iconográficos, textuais), nas suas diversas formas (processos 
jurídicos, registros de óbito, jornais, correspondência, pinturas, gravuras etc.). Esta tipologia é 
a condição para a exposição do tratamento mais apropriado das fontes para dar conta do 
problema. 
Bibliografia: deve ser apresentada segundo as normas da ABNT (Associação Brasileira de 
Normas Técnicas). 
Acabou! Muito bem, agora começa o seu trabalho. Lembre-se que o seu leitor merece o 
melhor. É preciso ofertar um trabalho bem-feito, o que significa dizer que está bem planejado, 
fundamentado sob o ponto de vista teórico, corretamente escrito e formatado para uma 
comunicação eficiente. Um bom dicionário resolve muitos problemas, conhecer as regras é 
sempre importante, mas o fundamental está no hábito de ler. Como nos adverte João Álvaro 
Ruiz, quem não sabe ler não saberá resumir, não saberá tomar apontamentos e, finalmente, 
não saberá como estudar. “Quem lê constrói sua própria ciência”. (2002, p. 34-35)

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