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O QUE É PESQUISA? Leitura obrigatória: GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Editora Atlas, 2006. Leitura complementar: GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Editora Atlas, 2006. LUNA, V. S. Planejamento de pesquisa. São Paulo: EDUC, 2002. Há muitas formas de conhecer o mundo que nos rodeia. Há um conhecimento acumulado produzido, a partir da observação e experiência cotidiana e da reflexão sobre ela, que denominamos conhecimento do senso-comum. Há um conhecimento acumulado que atravessa as gerações e denominamos tradição cultural. Há ainda o conhecimento gerado pelas crenças religiosas. Enfim, a nossa relação com as coisas e o outro estão permeadas por explicações e compreensões geradas das mais diversas maneiras. Todos esses conhecimentos, no entanto, por mais úteis que sejam, não são considerados conhecimentos científicos. Alega-se que não são conhecimentos confiáveis e seguros; apresentam muitos equívocos e erros. O conhecimento, gerado no campo da ciência, apresenta novas leituras a respeito de novos objetos. O universo conceitual criado é produzido de maneira metódica, sistemática e rigorosa. Ainda assim, no âmbito das ciências, as discussões sobre o que seria considerado de fato um conhecimento científico não apresentam consenso. De qualquer forma, pode-se afirmar que um conhecimento científico apresenta uma linguagem própria e rigorosa na sua pretensão de explicar e compreender fenômenos. A produção de conhecimento científico pressupõe a figura do pesquisador. O que caracteriza um pesquisador é a sua condição de permanente questionamento sobre as coisas do mundo e da vida. Não um mero questionamento, mas um questionamento sistemático e rigoroso. Para dar respostas aos problemas que encontra, o pesquisador adota procedimentos específicos – racionais e sistemáticos. Ele elege de forma criteriosa métodos adequados de investigação. Dizemos que ele faz pesquisa, com o intuito de produzir um conhecimento que preencha lacunas existentes em determinado campo de conhecimento. Vale destacar que o conhecimento científico tem um reconhecimento social e ocupa um lugar privilegiado, desde o século XVII. Atividades complementares: 1. Muitos dos conhecimentos científicos se transformam em senso comum e mudam o senso comum. Tente identificar um conhecimento gerado em uma ciência que se transformou em discurso do senso comum. Investigue como isto se deu. 2. Leia com atenção o exercício abaixo e tente respondê-lo. Segundo Luna (2002), a pesquisa científica implica: a) O uso do método experimental. b) Um recorte da realidade. c) O uso de entrevistas. d) Demonstração da existência de relações entre fenômenos. e) Análise de relatos dos sujeitos. A resposta correta é a B. Para que seja possível realizar uma pesquisa científica é preciso que se faça um recorte da realidade para que se tenha um problema viável e passível de investigação. fenômenos. e) As conclusões obtidas nos levantamentos nunca permitem projetá-las para a totalidade do universo da população estudada. A resposta correta é a B. Não há necessidade de se investigar todos os integrantes da população definida como sujeito. Há procedimentos estatísticos que definem a amostra necessária para que se possa obter certa generalização. PESQUISA QUALITATIVA Leitura obrigatória: MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis,RJ: Editora Vozes, 2007. A diferença entre a pesquisa qualitativa e a pesquisa quantitativa não está apenas nos métodos utilizados por uma e outra. Cada uma delas está assentada em pressupostos diferentes. A pesquisa qualitativa pressupõe que a realidade social é construída e os significados das coisas são atribuídos pelos sujeitos; o conhecimento é visto como campos de inteligibilidade construídos pelos sujeitos, portanto não há uma independência do objeto em relação ao sujeito e o conhecimento não é uma descoberta de uma verdade que emana do objeto. E qual seria o melhor método de pesquisa? Não há um método melhor. Há um método mais adequado à obtenção dos dados necessários para responder ao problema de pesquisa. Não se pode então, definir prematuramente um instrumento de pesquisa para a coleta de dados, por ex. o uso de questionário, sem que se tenha delineado e circunscrito o problema a ser pesquisado. E as questões formuladas estão vinculadas a perspectivas teóricas, ou seja, a um conjunto de conceitos que direciona o olhar sobre as coisas e os fenômenos. Essa formulação de perguntas, muito mais complexa do que revela à primeira vista, é que determinará o caminho a seguir. As técnicas e/ou instrumentos para a coleta de dados, bem como as formas de proceder à análise dos dados são escolhidas pela possibilidade de viabilizar a pesquisa. Segundo Minayo(2207), a pesquisa qualitativa abrange fenômenos humanos associados às representações, às intencionalidades e às relações; envolvem significados, crenças, valores, atitudes etc. A diferença da natureza dos fenômenos exige abordagens diferentes. Alguns exemplos de pesquisas qualitativas: estudo de caso, estudo etnográfico, pesquisa-ação, pesquisa participante etc. Atividades complementares: 1. Procure resumos de artigos científicos em sites citados na apresentação da disciplina, leia atentamente os objetivos das pesquisas e, a partir deles, identifique se a pesquisa realizada foi uma pesquisa qualitativa ou quantitativa. 2. Leia as afirmações abaixo e assinale a alternativa correta: a) Uma pesquisa qualitativa investiga o sentido e/ou o significado de um determinado tema para um determinado grupo social. b) Uma pesquisa de campo é necessariamente uma pesquisa qualitativa. c) Uma pesquisa exploratória investiga novos aspectos de fenômenos já conhecidos. d) Quando se fala em pesquisa quantitativa, tem-se duas variáveis relacionadas num campo de pesquisa. e) O uso de tabelas é incomum quando se faz uma pesquisa qualitativa. A resposta correta é a A. A pesquisa qualitativa tem dente os seus focos os significados e sentidos atribuídos pelos indivíduos. As demais afirmações não são específicas de uma ou outra pesquisa. PESQUISA QUANTITATIVA Leitura obrigatória: MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis,RJ: Editora Vozes, 2007. A pesquisa quantitativa é de natureza diferente. Seus pressupostos estão assentados nos princípios clássicos das ciências da natureza: há uma realidade independente do sujeito e há nela leis universais que precisam ser descobertas, a partir da utilização de métodos adequados. Pretende-se com a pesquisa quantitativa estabelecer as causas ou estabelecer correlações entre variáveis de fenômenos objetivos que não sofrem a interferência do pesquisador. A pesquisa permite uma generalização dos resultados, além da possibilidade de reprodução e verificação. A linguagem matemática – medidas, variáveis – e os procedimentos estatísticos são usualmente adotados. Alguns exemplos de pesquisas quantitativas: delineamento experimental, delineamento correlacional, survey etc. Por se inscreverem e compartilharem de um modelo reconhecido como científico, as pesquisas ganham mais facilmente a credibilidade e o status de cientificidade, enquanto as pesquisas qualitativas são caracterizadas como frágeis e, muitas vezes, suspeitas de não gerarem conhecimentos confiáveis. Apesar das controvérsias existentes e discussões sobre as pesquisas qualitativas e quantitativas, há movimentos de integração das duas abordagens ou de complementaridade. Minayo (2007) afirma que a oposição existente entre as duas perspectivas, quando bem trabalhadas pode ser uma estratégia rica e produtiva. Atividades complementares: 1. Procure resumos de artigos científicos em sites citados na apresentação da disciplina, leia atentamente os objetivos das pesquisas e, a partir deles, identifique se a pesquisa realizada foi uma pesquisa qualitativa ou quantitativa. 2. Leia com atenção o exercício abaixo e tente respondê-lo: Considere as afirmaçõesabaixo: I. Um dos critérios usados na pesquisa quantitativa se refere ao grau de confiabilidade, ou seja, a probabilidade da replicação dos dados encontrados por outros pesquisadores futuros . II. Os instrumentos de coleta de dados em si não têm valor intrínseco. III. A entrevista aberta é bastante útil para se ter acesso às atitudes e aos valores dos indivíduos. IV. Pesquisadores quantitativos não usam entrevistas, porque não podem confiar e validar os dados obtidos, tendo em vista a impossibilidade de padronizar perguntas. V. Entrevistas nunca permitem acesso direto aos fatos e/ou experiências. Considerando as afirmações acima, está correto o afirmado em: a) I, II, IV e V b) I, III, IV e V c) II, III e IV d) I, IV e V e) I, II e III A resposta correta é E. Apenas as afirmações I, II e III estão corretas. Pesquisadores quantitativos se utilizam sim de entrevistas e esse tipo de instrumento pode acessar as experiências dos sujeitos. c) I, II, III e IV d) II, III, IV e) II, III, IV e V A resposta correta é a B. O levantamento bibliográfico não se caracteriza como um estudo exploratório. Na pesquisa exploratória também há com um levantamento bibliográfico que ajuda a aumentar a familiaridade com o problema. ASPECTOS ÉTICOS EM PESQUISA Leituras obrigatórias: Resolução CNS 196/96 do Ministério da Saúde. Resolução CFP 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia. Nem sempre a expansão do conhecimento científico trouxe benefícios à humanidade. O exemplo mais banal disto foi a construção da bomba de Hiroshima. Há outros infinitos exemplos que mostram os inúmeros efeitos colaterais dos nossos avanços científicos, apesar dos enormes progressos. Essas contradições merecem a nossa atenção. Está na ordem do dia a discussão sobre a ética nas pesquisas, principalmente, naquelas que usam seres humanos e animais. O Conselho Nacional de Saúde, do Ministério da Saúde, instituiu em 1996, a Resolução 196/96CNS, que regula e normatiza os aspectos éticos envolvidos nas pesquisas realizadas com seres humanos, no Brasil. A Resolução 196/96: “...incorpora, sob a ótica do indivíduo e das coletividades, os quatro referenciais básicos da bioética: autonomia, não maleficência, beneficência e justiça, entre outros, e visa assegurar os direitos e deveres que dizem respeito à comunidade científica, aos sujeitos da pesquisa e ao Estado”. Estabelece ainda: “A eticidade da pesquisa implica em: a) consentimento livre e esclarecido dos indivíduos-alvo e a proteção a grupos vulneráveis e aos legalmente incapazes (autonomia). Neste sentido, a pesquisa envolvendo seres humanos deverá sempre tratá-los em sua dignidade, respeitá-los em sua autonomia e defendê-los em sua vulnerabilidade; b) ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou coletivos (beneficência), comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de danos e riscos; c) garantia de que danos previsíveis serão evitados (não maleficência); d) relevância social da pesquisa com vantagens significativas para os sujeitos da pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis, o que garante a igual consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio-humanitária (justiça e eqüidade).” No campo das pesquisas psicológicas no Brasil, temos a Resolução CFP nº 016/2000. É importante destacar que ambas as resoluções prevêem que os protocolos de pesquisa sejam avaliados por um Comitê de Ética e que os participantes formalizem a participação na pesquisa assinando um termo de consentimento livre e esclarecido. Cabe salientar que não basta apenas informar ao participante quais são os objetivos da pesquisa e quais são os procedimentos que se submeterá, mas é preciso que ele compreenda inclusive quais são as possíveis conseqüências da sua participação. Destaca-se ainda na Resolução CFP 016/2000: “A avaliação do risco na pesquisa com grupos vulneráveis ou em situação de risco (por exemplo, crianças e adolescentes em situação de rua, moradores de rua, habitantes de favelas e regiões periféricas das cidades, entre outros), deverá ser feita somente por pesquisadores e profissionais que conheçam bem a realidade dos participantes e tenham experiência de pesquisa e trabalho com esses grupos...” Atividades complementares: 1. Faça uma reflexão sobre aspectos éticos relacionados a seu projeto de pesquisa. Por exemplo: por que você está pesquisando esse tema? Você avalia que ele vai trazer algum benefício para os participantes ou outros indivíduos? 2. Leia com atenção o exercício abaixo e tente respondê-lo. Em relação aos aspectos éticos relacionados a um projeto de pesquisa pode-se dizer que: I. Os aspectos éticos, embora definam os critérios para serem preservados participantes, pesquisadores e instituições envolvidos na pesquisa, não são suficientes para impedir a realização da pesquisa. II. Posicionamento ético do pesquisador compõe as preocupações mais básicas no desenvolvimento de um projeto científico. III. Se um pesquisador desenvolve um procedimento de investigação que coloque em risco apenas os aspectos emocionais dos participantes e não a sua integridade física, isto não configura uma situação eticamente comprometida. Está correto o afirmado em: a) I e II b) II e III c) I e III d) II e) III A resposta correta é a D. A afirmação I é incorreta, uma vez que os aspectos éticos podem sim impedir a realização de uma pesquisa. A afirmação III também está incorreta, principalmente quando se trata de pesquisas realizadas no campo da psicologia. são testáveis. IV. O levantamento de hipóteses é absolutamente necessário em qualquer pesquisa científica. V. Em estudo, que tem como objetivo descrever fenômenos, nem sempre as hipóteses estão formalmente enunciadas. Considerando as afirmações abaixo, está correto o afirmado em: a) II, III, IV e V b) II, IV e V c) I, II e III d) III e V e) II, III e V A resposta correta é a E. A afirmação contida no item I está incorreta. Não se formula hipótese antes de se ter um problema, tendo em vista que a hipótese seria uma possibilidade de resposta à pergunta formulada. Quanto a afirmação apresentada no item IV, também é incorreta. Apesar da maioria das pesquisas apresentarem hipóteses, elas não são absolutamente necessárias. DEFINIÇÃO DOS PARTICIPANTES DA PESQUISA Leitura obrigatória: MINAYO, M. C. Pesquisa Social: teoria, método e criatividade. Petrópolis,RJ: Editora Vozes, 2007. A definição dos participantes e a escolha do local para a realização da pesquisa são partes integrantes dos procedimentos metodológicos empregados. Essas definições já são direcionadas, na medida em que o problema é claramente formulado. Por exemplo, se o problema a ser investigado é: como jovens solteiros, adeptos das religiões X e Y, lidam com a proibição de manter relacionamentos sexuais antes do casamento?, os participantes já estão praticamente definidos. Restam ainda estabelecer alguns critérios de inclusão. Por ex.: serão investigados jovens do sexo feminino e masculino? Qual será a faixa etária? Além disto, é preciso estabelecer o número de jovens que fará parte do estudo. Essa definição é denominada de “seleção da amostra” ou “amostragem”. Segundo Minayo (2007), há dois tipos de amostras: probabilísticas e não – probabilísticas. A primeira define, a partir de cálculos estatísticos, a amostragem mais representativa de uma população total a ser investigada. A segunda, mais utilizada em pesquisas sociais, não define um número de participantes da pesquisa a priori. Ou seja, os indivíduos vão participando até que se evidencie uma regularidade nos sentidos, concepções, explicações etc dos sujeitos. Este é o critério de saturação. Definidos os participantes, praticamente se define o local da pesquisa. No exemplo acima, os participantes da pesquisa pertencem a instituições religiosas. Neste caso, também devem ser explicitados os critérios de escolhas das organizações (por ex. de determinados bairros da cidade de São Paulo).É preciso estar claro, porque determinadas unidades foram incluídas e outras não. Essas justificativas devem ser coerentes com os objetivos da pesquisa. Atividades complementares: 1. Leia com atenção parte dos resultados de uma pesquisa. “ Inicialmente, serão apresentados os resultados dos questionamentos feitos aos participantes acerca da necessidade de formação extracurricular na área jurídica. É importante lembrar que apenas 16% da amostra cursou alguma disciplina relacionada à Psicologia jurídica durante a graduação. Assim sendo, restava saber quais cursos os participantes necessitaram buscar a fim de complementar sua formação para atuar nesse campo. Quando questionados sobre a necessidade de buscar conhecimentos através de cursos de extensão, aperfeiçoamento ou capacitação para exercer atividades relacionadas ao meio jurídico, em função de falhas na formação acadêmica, 80% dos respondentes afirmou ter sentido tal necessidade. A seguir estava à disposição dos participantes um espaço para elencar os três tipos de cursos mais importantes que foram buscados. Foi realizada uma análise das respostas, que foram agrupadas conforme as áreas. Os tópicos mais citados foram: avaliação psicológica e documentos (45,7%), abuso sexual e violência doméstica (17,1%) e Psicologia da família (11,4%). [...] Todos os participantes afirmaram conhecer o instituto da guarda compartilhada, sendo que 80% tem experiência no assunto e 20% não teve até o momento nenhuma experiência profissional relacionada ao tema. Ao serem questionados sobre sua opinião, 64% mostrou-se favorável à guarda compartilhada, 8% desfavorável, e 28% afirmou não ser possível emitir uma opinião sem analisar a situação concreta, devido à alta individualização dos casos. [...] Em relação à síndrome de alienação parental, 77,5% dos participantes conhecia o termo, enquanto 22,5% o desconhecia. Dentre os que conheciam essa denominação, 73,7% tem experiência no assunto, 7,9% não tem experiência e 18,4% relaciona o assunto com falsas acusações de abuso sexuaL.[...]” (Lago, V. e Bandeira, D. A Psicologia e as demandas atuais do Direito de Família. Revista Psicologia Ciência e Profissão, n°2, ano 2009.) Considerando o texto acima, leia as afirmativas e responda a questão: I. A maioria dos participantes não teve a disciplina Psicologia Jurídica em seu curso de graduação. II. É preocupante que 18,4% dos psicólogos jurídicos não conheçam o termo síndrome de alienação parental. III. A maioria dos participantes conhece e tem experiência nas demandas questionadas. Está correto o afirmado em: a) I b) II c) III d) I e III e) II e III A resposta correta é a D. A afirmação II é a única que está incorreta a partir do relato da pesquisa acima. IV. A entrevista em psicodiagnóstico é semi-dirigida, porque não se tem objetivo terapêutico nesse processo, mas apenas de se levantar as hipóteses diagnósticas. V. Na entrevista semi-dirigida em pesquisa, o pesquisador tem um roteiro prévio estabelecido que lhe serve de guia de modo a garantir que todos os temas relevantes sejam abordados. A partir das afirmações, está correto o afirmado em: a) I, II, IV e V b) II, III e V c) II, III, Iv e V d) III e V e) II e V A resposta correta é a E. Os objetivos do psicólogo definem o tipo de entrevista que será adotada e a maneira como será realizada e não a área de atuação em si. O roteiro de uma entrevista semi-dirigida em pesquisa tem esse propósito de estabelecer todos os temas que deverão ser abordados, para que se produzir os dados necessários que responderão ao problema formulado. A ENTREVISTA EM PESQUISA Leitura obrigatória: GIL, A.C. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2006, Cap. 11. Leituras complementares: SILVERMAN, D. Interpretação de dados qualitativos – métodos para análise de entrevistas, textos e interações. Porto Alegre: Artmed, 2009. VERGARA, S.C. Métodos de coleta de dados no campo. São Paulo: Atlas, 2009, Cap. I. A entrevista é uma técnica de coleta de dados. Através de perguntas, o entrevistador obtém as informações necessárias a sua investigação: sentimentos, intenções, opiniões, pensamentos etc do entrevistado. Segundo Gil (2006), Há vantagens e desvantagens de se utilizar a entrevista em uma pesquisa. Apresenta as seguintes vantagens: acessa várias informações sobre os mais diferentes aspectos da vida social; possibilita aprofundar o conhecimento sobre o comportamento humano; é possível transformar as informações em dados de pesquisa: classificar e quantificar; aplica-se a participantes sem qualquer grau de escolaridade; o número de informações obtidas é maior; permite uma flexibilidade maior do entrevistador que pode esclarecer melhor as perguntas e as respostas; possibilita ter outros conhecimentos sobre o participante, tendo em vista a sua presença: tonalidade de voz, modo de se expressar, postura corporal etc. As limitações da entrevista seriam: pouca motivação do participante; pouca compreensão do sentido das perguntas; dificuldades do participante em se expressar; o aspecto pessoal e as opiniões do entrevistador influenciarem as respostas do entrevistado; o custo maior com o treinamento e a realização das entrevistas. As entrevistas em pesquisa pressupõem um roteiro que seja pertinente à pesquisa que se realiza. Esse roteiro pode ser mais ou menos estruturado; e a estruturação do roteiro define o tipo de entrevista que será adotado na pesquisa. Atividades complementares: 1. Apresente um problema de pesquisa a respeito de seu tema que requeira a realização de entrevistas para a coleta de dados. 2. Elabore um roteiro de pesquisa para o problema acima. 3. Leia com atenção o exercício abaixo e tente respondê-lo. Qual é a relação entre os relatos de um entrevistado e a realidade que ele descreve? Assinale a alternativa correta. a) Os relatos são sempre verdadeiros para o entrevistado, mas não necessariamente para o entrevistador. b) Os relatos não descrevem a realidade porque não se pode ter acesso à realidade em si. c) Os relatos de uma entrevista dão potencialmente acesso aos fatos, desde que alguns cuidados sejam tomados: perguntas testadas e padronizadas e seleção aleatória da amostra de entrevistados. d) Os relatos das entrevistas são sempre construções de significados e o que interessa ao entrevistador é como os significados são construídos. e) O modo como serão tratados os relatos dos entrevistados depende do modelo teórico adotado pelo entrevistado. A resposta correta é E. Os relatos das entrevistas poderão ser considerados como narrativas, como descrições da realidade etc, dependendo do modelo teórico do pesquisador e, portanto, dos pressupostos epistemológicos, ontológicos