05 Legislação e Ética na Administração Pública
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05 Legislação e Ética na Administração Pública


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SUMÁRIO
LEGISLAÇÃO E ÉTICA NA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA
ÉTICA E FUNÇÃO PÚBLICA .............................................................................................................................2
ÉTICA NO SETOR PÚBLICO. DECRETO N. 1.171/1994 (CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL DO 
SERVIDOR PÚBLICO CIVIL DO PODER EXECUTIVO FEDERAL) .....................................................................2
REGIME JURÍDICO DOS SERVIDORES PÚBLICOS CIVIS DA UNIÃO (LEI N. 8.112/1990). DISPOSIÇÕES 
PRELIMINARES: DO PROVIMENTO, VACÂNCIA, REMOÇÃO, REDISTRIBUIÇÃO E SUBSTITUIÇÃO. 
ESTÁGIO PROBATÓRIO. DIREITOS E VANTAGENS. REGIME DISCIPLINAR, DEVERES E PROIBIÇÕES, 
ACUMULAÇÃO, RESPONSABILIDADE E PENALIDADES .................................................................................7
LEI N. 8.429/1992. DISPOSIÇÕES GERAIS. ATOS DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA..............................41
PROCESSO ADMINISTRATIVO (LEI N. 9.784/1999): CONCEITO, PRINCÍPIOS, FASES E MODALIDADES .....49
ESTATUTO E REGIMENTO GERAL DA UNIVERSIDADE DE BRASÍLIA (DISPONÍVEL EM 
HTTP://WWW.UNB.BR/UNB/TRANSPARENCIA/DOWNLOADS/REGIMENTO_ESTATUTO_UNB.PDF) .........59
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que é moral. Assim, é diminuída a margem para que cada 
um determine o que é, e o que não é moral, o que acabaria 
por acarretar na total relativização das regras (cada um tem 
as suas e faz o que bem entender). Trata-se de um consenso 
mínimo, de um conjunto central de valores, indispensável 
à sociedade democrática, orientando nossas escolhas e 
decisões.
Uma ação é certa ou errada em função de suas 
consequências ou resultados provocados, avaliados segundo 
um determinado padrão de valor. A resposta à questão \u201co 
que eu devo fazer?\u201d é definida em função do cálculo das 
consequências.
É necessário destacar que a ética não estabelece 
mandamentos, uma vez que não existem regras definiti-
vamente estabelecidas ou absolutas, mas sim um \u201ceterno 
pensar, refletir, construir\u201d. O pensamento ético se desen-
volve em princípios, haja vista o caráter abstrato dos valo-
res em questão.
As pessoas não nascem boas ou ruins. É a sociedade 
que educa moralmente seus membros através de influência 
da família, da escola, dos meios de comunicação e do conví-
vio com outras pessoas. 
Ética e Democracia: Exercício da Cidadania
A democracia é um regime político e também um modo 
de sociabilidade, tendo como pressupostos a justiça, a igual-
dade e a equidade, regulando as relações sociais e permi-
tindo a expressão das diferenças e conflitos, logo, pertence 
ao núcleo moral central da sociedade. 
Com a democracia, deve-se levar em conta a liberdade, 
a tolerância, o diferente e a sabedoria de conviver com as difi-
culdades. Essa valorização da liberdade, ao contrário do que 
se possa pensar, não colide com a presença de um conjunto 
central de valores, mas sim garante a possibilidade da liber-
dade humana, estabelecendo limites para que todos possam 
fazer uso da mesma, de forma a mantê-la.
A cidadania, por sua vez, vai além da conquista de igual-
dade de direitos e deveres a todos os seres humanos, rela-
cionando-se com uma vida digna para todos os cidadãos. A 
ideia de cidadania está adstrita a um conjunto de direitos e 
deveres que permite aos cidadãos participar da vida política 
e da vida pública, como por exemplo, a possibilidade de votar 
e ser votado, participar ativamente na elaboração das leis e 
exercer funções públicas. 
Entretanto, para que o modelo de democracia seja justo 
e almeje a liberdade individual e coletiva, é necessário que a 
igualdade e a equidade sejam complementares, ou seja, que a 
equidade venha a estabelecer um princípio da diferença dentro 
da igualdade. Se pensarmos em democracia, sem levar em 
consideração as desigualdades existentes, acabamos por 
destruir a liberdade. 
Portanto, uma lei somente poderá ser considerada justa 
quando, além de reconhecer que todos são considerados iguais 
perante ela, considerar as possíveis diferenças relacionadas 
a seu cumprimento ou sua violação. 
Ética e Função Pública
Os agentes públicos, em sua atuação, agem em nome 
do Estado. Todos os desvios de sua conduta ética, direta 
ÉTICA NO SERVIÇO PÚBLICO
CONSIDERAÇÕES GERAIS
A ética é disciplina tradicional da filosofia, também 
conhecida por filosofia moral, que estabelece princípios de 
como o ser humano deve agir.
Outras definições:
\u2022 É um padrão aplicável a um grupo bem definido, 
o qual nos permite avaliar agentes e suas ações.
\u2022 Pensamento reflexivo sobre os valores e as 
normas que regem as condutas humanas.
\u2022 Conjunto de princípios e normas que um grupo 
estabelece para o seu exercício profissional, 
como, por exemplo, os Códigos de Ética dos 
advogados, médicos, psicólogos, etc.
Ética e Moral
A palavra ética tem origem grega ethos, que significa o 
modo de ser, o caráter. A moral, por sua vez, vem do latim 
mos, significando costume. A moral e a ética não nascem 
com o homem, mas sim são adquiridas por ele com o hábito. 
Pode-se concluir então que, ética e moral tem origem nas 
relações coletivas dos seres humanos nas sociedades onde 
nascem e vivem. É justamente na vida social e comunitária 
que o homem se reconhece e se realiza como um ser moral 
e ético.
Apesar de serem muitas vezes usadas como sinôni-
mos, alguns estudiosos fazem uma distinção entre essas 
duas palavras: Moral, como sendo um conjunto de normas, 
princípios, preceitos, costumes e valores que norteiam o 
comportamento do indivíduo no seu grupo social, e ética 
como algo filosófico e científico, que tem como objeto o com-
portamento moral, tentando perceber, fazer compreender, 
demonstrar e criticar a moral de uma sociedade.
A ética e a moral dizem respeito ao modo de agir perante 
o outro. No Brasil, a ideia de moral ganha força na própria 
Constituição que traz, ao longo de seu texto, alguns elementos 
que identificam questões éticas e morais, como por exemplo, 
em seu art. 5º, onde estabelece o repúdio ao racismo, ou até 
mesmo em seu art. 1º, em que estabelece como fundamento 
da República Federativa do Brasil a dignidade da pessoa 
humana, segundo o qual todo ser humano, sem distinção, 
merece tratamento digno correspondente a um valor moral. 
A moralidade humana deve ser enfocada no contexto 
histórico-social. As decisões, escolhas, ações e comporta-
mentos fazem surgir os problemas morais do cotidiano, pois 
necessitam de um julgamento de valor do que é justo ou 
injusto, bom ou mau, certo ou errado, pela moral da época.
Valores e Princípios
Um valor é, genericamente, tudo aquilo que afirmamos 
merecer ser desejado. Dá um caráter positivo a algo que o 
possui.
Os valores são eleitos pela própria sociedade, sendo 
necessários ao convívio entre seus membros e limitando a 
discricionariedade que cada indivíduo tem de determinar o 
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ou indiretamente, abalam a confiança que toda a sociedade 
deposita na Administração Pública, sendo fator de desmo-
ralização do serviço público e acarretando a insatisfação de 
todos os que pagam seus tributos.
A imagem e a reputação do administrador deve ser pre-
servada e sua conduta deve sempre estar de acordo com os 
padrões éticos. As autoridades de nível superior hierárquico 
deverão ser exemplo para toda a Administração Pública, 
para que assim a sociedade possa confiar na integridade e 
legalidade do processo decisório governamental.
Ética no Setor Público
O serviço público envolve a confiança do público, sendo 
assim, seu padrão ético, em grande parte, de sua própria 
natureza.
No intuito de desenvolver o pensamento ético entre os 
seus servidores, a Administração, nos últimos anos, instituiu 
vários Códigos de Ética de observância obrigatória por todos