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História da Mídia Aula 01 até 06

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História da Mídia – AV1
Aula 1:
O que é Linguagem?
A linguagem é a capacidade que todo ser humano tem de se comunicar. É constituída por um sistema de sinais ou signos convencionais que nos permite a comunicação. Inicialmente podemos diferenciá-la entre linguagem verbal e não verbal. A linguagem verbal necessita da escrita ou da fala para acontecer, ao passo que a linguagem não verbal está contida em expressões, na postura, no tom de voz que utilizamos, nos sinais que fazemos, em figuras, desenhos, pintura, música, mímica e gestos.
A Origem da Linguagem
Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) supôs que a linguagem humana teria evoluído gradualmente, a partir da necessidade de exprimir os sentimentos, até formas mais complexas e abstratas. Para Rousseau, a primeira linguagem do homem foi o “grito da natureza”, que era usado pelos primeiros homens para implorar socorro no perigo ou como alívio de dores violentas, mas não era de uso comum.
A Comunicação Humana
A comunicação é inerente ao ser humano e a língua define a cultura de um povo. Não se pode viver sem comunicação, nem sem essa experiência de interação entre indivíduos que promove a vida social e cultura. A comunicação e a linguagem estão intimamente ligadas à vida social e ao convívio com outros indivíduos. A privação dessa vida em sociedade aniquila o desenvolvimento da linguagem verbal à qual estamos acostumados. O homem pode desenvolver uma linguagem gestual ou aprender alguns sons, mas a língua só se desenvolve com as relações e com a vida em sociedade.
Preti (2000, p. 12) diz que, nas grandes civilizações, a língua é o suporte de uma dinâmica social, que compreende não só as relações diárias entre os membros da comunidade, como também uma atividade intelectual, que vai desde o fluxo informativo dos meios de comunicação de massa até a vida cultural, científica ou literária.
Dias (1999) expõe que os avanços na comunicação da informação ocorrem a partir da revolução da escrita, quando o homem passa da comunicação oral e interativa direta das culturas tribais para o registro escrito, baseado em textos lineares e no uso de alfabetos.
Comunicar é compartilhar elementos, modo de vida e comportamentos, em virtude da vivência sob um conjunto de normas. É a resposta a um estímulo, ou melhor, é a relação estabelecida pela transmissão de estímulos e pela provocação de respostas, diz Pignatari (2002). O cerne da comunicação se forma, portanto, com os signos, as regras que os regem e suas relações com os intérpretes. A modernidade amarra a comunicação, a informação e as mídias.
As Técnicas de Comunicação
Nas sociedades orais, anteriores aos registros escritos, todo o histórico de fatos e acontecimentos sociais era feito oralmente. Antes de se desenvolverem os sistemas de comunicação escrita, toda informação era transmitida e preservada por meio de transmissão oral, o que caracterizava a sociedade da oralidade.
A tarefa da transmissão ficava sob a responsabilidade dos anciãos, que eram os mais sábios e acumulavam mais conhecimentos. A memória auditiva e a memória visual eram os recursos de que dispunham para armazenar e transmitir o conhecimento às futuras gerações. A história era condensada e repassada com base no que o ser humano pudesse memorizar. 
Esses sábios eram liberados das tarefas triviais das tribos e tinham poder social e político. Era uma posição de prestígio e exigia uma precisão da memória. 
A oralidade é a base de todo o processo de comunicação. Até aqui, a única forma da palavra era a oral, pois não havia os sistemas de escrita, que, no futuro, perpetuariam a palavra. Um dos maiores benefícios da escrita é a perpetuação da memória, que na cultura oral dependia da memória dos anciãos.
Walter Jackson Ong (1982) defende a ideia de que a escrita é uma tecnologia e representa a mudança mais drástica de todas, promovendo o afastamento da palavra daquele que a fala. As demais tecnologias que vieram na sequência apenas deram continuidade a esse afastamento. Ong, dividia a oralidade em primária e secundária, sendo a primeira aquela cultura totalmente desprovida de conhecimento da escrita ou da impressão, ao passo que a oralidade secundária é aquela tecnologizada.
 Atualmente, a cultura oral primária praticamente não existe, destaca Botelho (2012, p. 64), pois as culturas têm conhecimento da escrita. A oralidade da atual cultura de alta tecnologia “é alimentada pelo telefone, pelo rádio, pela televisão ou por outros dispositivos eletrônicos cuja existência e funcionamento dependem da escrita e da impressão”. A oralidade, portanto, antecede o sistema da escrita. Na Pré-História, o homem comunicava-se por meio de desenhos e pinturas nas paredes das cavernas. Eram as pinturas rupestres, capazes de registrar os acontecimentos, as ideias ou transmitir mensagens.
Comunicação e Poder
A comunicação escrita acompanha a história da civilização. Clair e Busic-Snyder (2009, p. 12) relatam que a linguagem escrita se desenvolveu primeiramente na Mesopotâmia, com as tábuas escritas cuneiformes, datadas de 3200 a.C. Novas evidências, entretanto, encontradas na China levantam dúvida sobre o surgimento da escrita.
Segundo Clair e Busic-Snyder (2009, p. 13): A escrita cuneiforme data de cerca de 3200 a.C.; Os hieróglifos datam de cerca de 3000 a.C.; Precursores do sistema de escrita chinesa datam de 1800 a.C.; O sânscrito data de cerca de 1500 a.C.
A introdução da escrita permitiu que essas culturas rapidamente desenvolvessem organizações sociopolíticas mais complexas, porque proporcionaram o registro de códigos de leis, história, literatura, filosofia, medicina, matemática, descobertas científicas e práticas religiosas (CLAIR; BUSIC-SNYDER, 2009, p. 13). A essência de um sistema de escrita é a repetição e nem todos os registros pictográficos têm sentido como um sistema codificado de símbolos. Para que possam comunicar, os desenhos precisam ser reconhecíveis e interpretados por um maior número de pessoas. 
Os desenhos, chamados de pictogramas, representavam pessoas, lugares, mas não eram suficientes para representar ideias complexas e abstratas, ações, emoções e conceitos. A expansão da comunicação exigiu da linguagem uma maior expressividade de conceitos. Portanto, os pictogramas evoluíram para os ideogramas, que eram representação de pensamentos abstratos, em vez da simples representação de objetos ou pessoas. O ideograma combina dois ou mais pictogramas para representar um conceito (CLAIR; BUSIC-SNYDER, 2009, p. 15-16). 
Foi por volta de 4000 a.C. que os sumérios desenvolveram a escrita cuneiforme. Eram usadas placas de argila onde registravam a escrita. Enquanto as placas de argila ainda estavam úmidas, era possível escrever e depois deixá-las ao sol para secar. A escrita era feita com um objeto pontiagudo de ponta triangular, que caracterizava a escrita cuneiforme. Utilizava ideogramas e, posteriormente, fonogramas, signos que representavam sons. As placas pesadas dificultavam o transporte e a divulgação das informações.
Muitos pesquisadores concordam que por volta de 1500 a.C. a antiga Fenícia tinha estabelecido um alfabeto de 22 caracteres baseado na fonética. Acredita-se que esse antigo alfabeto fenício foi a base dos alfabetos grego e romano e, por esse motivo, do alfabeto hoje utilizado em grande parte do mundo ocidental (CLAIR; BUSIC-SNYDER, 2009, p.21).
Os suportes também ajudaram na evolução da escrita. Com a sua expansão foi necessária a criação de outras técnicas, como papiro. Originário de uma planta muito comum nas margens do rio Nilo, com folhas longas e fibrosas, era usado pelos egípcios, produzido com folhas molhadas e sobrepostas e depois se desfiavam as fibras internas. As peças de papiro eram grandes, formando faixas de 9 metros de cumprimento. Era mais comum em terras de clima mais quente e os locais onde era mais frio também precisavam de suporte para a escrita. Usadas pelos egípcios para registrarem textos, foram encontrados nas pirâmides contando a vida dos faraós. Para escrever, era utilizado um pincel feito com